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fundamentos da enfermagem

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Na maior parte das situações, um paciente com
infecção severa também apresenta condições físicas bas-
tante comprometidas, principalmente porque a suscep-
tibilidade às infecções é notadamente maior nos paci-
entes graves. Nestes casos, nem sempre se evidencia
uma resposta terapêutica desejável e o paciente acaba
evoluindo para óbito. Qualquer que seja a causa ou do-
ença que provoque a morte, observa-se que muitos che-
gam à fase terminal sem alterações no estado de cons-
ciência e quando são informados sobre a gravidade e
evolução não-satisfatória da doença apresentam reações
emocionais distintas.

Assim, a família pode sentir-se desorientada so-
bre como agir ou o que dizer ao paciente, uma vez que a abordagem
sobre a morte é muito dolorosa e de difícil compreensão e aceita-
ção. Porém, é importante que ela sinta que o paciente está receben-
do a melhor assistência possível e que tudo está sendo feito para
minimizar sua “dor”. Se o paciente ou um familiar manifestar o de-
sejo de receber assistência espiritual, a equipe de enfermagem pode
viabilizar seu encontro com o representante de sua escolha. A com-
preensão dos seus sentimentos é fundamental para a definição da
abordagem mais propícia e eficaz.
A forma de proporcionar conforto, apoio e encorajamento ao pa-
ciente e familiares dependerá das circunstâncias, estado emocional e
crenças, bem como do grau de sensibilidade e preparo da equipe que
presta atendimento.

Alterações corporais que normalmente antecedem a morte indi-
cam para a equipe que as condições do paciente são graves e a resposta
ao tratamento não é satisfatória. É comum a presença de sinais e sinto-

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mas neurológicos como agitação psicomotora, estado de inconsciência,
diminuição ou abolição de reflexos, relaxamento muscular, queda da
mandíbula, incapacidade de deglutição, acúmulo de secreção orofarín-
gea, relaxamento esfincteriano e midríase.
Outras alterações indicam falência cardiocirculatória e respirató-
ria, como pulso filiforme, hipotensão arterial, choque, taquicardia ou bra-
dicardia, dispnéia acentuada, respiração ruidosa e irregular, cianose, equi-
moses, pele pálida e fria, sudorese fria e viscosa.
Nesta fase, é importante garantir ao paciente a privacidade e a
companhia dos seus entes queridos, mantendo-o em quarto ou utilizan-
do biombos caso ele encontre-se em enfermaria. A enfermagem deve
zelar para que os cuidados de higiene corporal sejam realizados com a
freqüência necessária, bem como as mudanças de decúbito e o adequa-
do alinhamento de seu corpo, em cama confortável e com grades. Os
olhos devem ser mantidos ocluídos se o reflexo palpebral estiver abo-
lido, visando evitar ulceração da córnea. Para manter a permeabilidade
das vias aéreas superiores, deve-se realizar aspirações freqüentes de se-
creções, promover o umedecimento do ar inspirado e retirar as próteses
dentárias.

• Assistência ao morto

A morte ou óbito significa a cessação da vida, com interrupção
irreversível das funções vitais do organismo e, legalmente, deve ser cons-
tatada pelo médico. Após a morte, observa-se esfriamento do corpo,
manchas generalizadas de coloração arroxeada, relaxamento dos esfínc-
teres e rigidez cadavérica. A equipe de enfermagem deve anotar no pron-
tuário a hora da parada cardiorrespiratória, as manobras de reanimação,
os medicamentos utilizados, a hora e causa da morte e o nome do médi-
co que constatou o óbito.
Somente após essa constatação inicia-se o preparo do corpo: lim-
peza e identificação, evitar odores desagradáveis e saída de secreções e
sangue e adequar a posição do corpo antes que ocorra a rigidez cada-
vérica.

Faz-se necessário lembrar que o cadáver merece todo respeito
e consideração, e que sua família deve ser atendida com toda a aten-
ção, respeitando-se sua dor e informando-a cuidadosamente, de modo
compreensível, sobre os procedimentos a serem realizados. Geral-
mente, é o médico quem fornece a informação da causa e hora da
morte; no entanto, atualmente, a presença do familiar junto ao pa-
ciente terminal tem sido incentivada e autorizada (“visitas liberadas”),
o que permite à família acompanhar mais de perto a situação. Na
medida do possível, durante a fase terminal, é imprescindível que a
equipe de enfermagem sensibilize-se na ajuda/amparo ao familiar do

Midríase - dilatação da pupila.

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Fundamentos de Enfermagem

paciente, o que pode ser conseguido ouvindo-o com atenção, to-
cando-o, rezando com ele e incentivando-o para que traga músicas
suaves que o paciente-família gostem.

Preparo do corpo

Antes de preparar o material a ser utilizado, verificar se há necessi-
dade de realizar a higiene do corpo; a seguir, providenciar algodão, pinça
pean ou similar, atadura de crepe, benzina ou similar para remover espa-
radrapo, maca sem coxim, lençóis, biombo (se houver outros pacientes
no quarto) e etiqueta de identificação preenchida e assinada pelo enfer-
meiro ou responsável. Após a limpeza do corpo e retirada de drenos, son-
das, cateteres e outros objetos, realizar o tamponamento de cavidades -
caso não haja contra-indicação religiosa/cultural e se esta for a rotina
normal da instituição. Com o auxílio da pinça, tamponar com algodão as
cavidades do ouvido, nariz, boca, ânus e vagina, objetivando evitar a saí-
da de secreções.

Antes que ocorra a rigidez cadavérica, fechar os olhos do morto,
colocar dentadura ou ponte móvel (se houver) e, com o auxílio de atadu-
ras de crepe, fixar o queixo, pés e mãos. A etiqueta de identificação deve
ficar presa ao pulso, e o corpo mantido em posição anatômica: decúbito
dorsal e braços sobre o tórax. O corpo deve ser transferido para maca
forrada com lençol disposto em diagonal - com o qual será enrolado,
coberto e transportado ao necrotério.
Os valores e pertences devem ser entregues aos familiares - na
ausência dos mesmos, arrolados e guardados em local apropriado. Re-
comenda-se não descartar pertences que aparentemente não possuem
valor, como papel de orações, revistas, etc., deixando para os familiares a
tarefa de selecionar o que deve ser desprezado.
Após esses procedimentos, dar destino adequado aos aparelhos e
materiais utilizados na reanimação e providenciar a limpeza da unidade.

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