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REVISTA DE ANTROPOLOGIA, SO PAULO, USP, 2004, V. 47 N 1.

raciais (biolgicas), ainda que no inteiramente negadas, no poderiam


ser responsabilizadas nem pela falta de integrao do negro nas sociedades americanas nem pelo seu desempenho inferior em relao ao branco. Os fatores explicativos mais importantes para ambos os fenmenos
seriam, ao contrrio, o preconceito, a discriminao e a segregao raciais. A explicao pela cultura, que segundo Herskovits poderia ser
um fator condicionante das dificuldades da integrao, adquirira, nos
anos 1940, um carter conservador, que s foi ultrapassado depois dos
anos 1960, quando a poltica de identidade passou a ser o principal foco
do ativismo negro.
A agenda de pesquisa que Pierson levou para a Bahia em 1935, como
aluno de doutorado em Chicago, sob a orientao de Robert Park, incorporava j a preocupao principal com a integrao e a mobilidade
social dos negros, a hiptese de que o preconceito racial seria o principal obstculo a esta integrao, em detrimento dos aspectos de aculturao, conforme os ensinamentos de Park, que teorizou o ciclo da assimilao social.
Quando Park introduz o livro de Pierson ao pblico americano
muito claro em apontar o significado do Brasil como laboratrio de relaes raciais:
Fato que torna interessante a situao racial brasileira que, tendo uma
populao de cor proporcionalmente maior que a dos Estados Unidos, o
Brasil no tem problema racial. Pelo menos o que se pode inferir das
informaes casuais e aparentemente desinteressadas de visitantes desse pas
que indagaram sobre o assunto [referindo-se a James Bryce e Theodore
Roosevelt] (Park, 1971, p. 83).

Entretanto, Pierson j encontrou aqui, entre os acadmicos brasileiros, uma histria social do negro, desenvolvida por Gilberto Freyre, que

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