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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO

OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Álvaro Lucas Ramos Fernandes


Agosto/2015
Versão 1.0

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Apresentação

O presente manual tem por finalidade orientar e informar às pessoas físicas ou


jurídicas sobre as exigências da Receita Federal do Brasil (RFB) no que tange aos
procedimentos quanto à regularização de obras de construção civil e ao recolhimento
das contribuições sociais destinadas a Seguridade Social incidentes sobre a mão-de-obra
utilizada na execução dessas obras.

Os assuntos aqui abordados são de extrema importância para quem vai construir,
está construindo, já construiu alguma obra ou simplesmente presta assessoria a quem
necessita regularizar a obra perante a RFB e averbar a mesma junto ao Cartório de
Registro de Imóvel.

O foco principal do manual é explicar de forma clara e objetiva como a Receita


Federal do Brasil (RFB) efetua o enquadramento de uma obra, como é feito o cálculo por
aferição indireta e de que forma é realizada a cobrança das contribuições previdenciárias
incidentes sobre a mão de obra utilizada na execução das obras de construção civil.

Será também explanado os procedimentos realizados pela RFB quando a


regularização de obra de construção civil se der pela apresentação da contabilidade da
empresa.

O presente trabalho irá trazer informações sobre a nova forma de entrega da


Declaração e Informações sobre a Obra (DISO), a qual com o advento da Instrução
Normativa RFB 1477/2014, passou-se a permitir a entrega via internet.

Assunto de maior importância, quando se fala de regularização de obras, o manual


dedica um capítulo sobre a retenção previdenciária a ser efetuada pelo contratante de
mão de obra quando este contratar obras e serviços de construção civil.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Iremos tratar também sobre a Decadência das contribuições previdenciárias


relativo a obra de construção civil. Em capítulo próprio, descrevo como devem ser
efetuadas as contagens dos prazos da decadência total ou parcial, além de informar quais
documentos a Receita Federal do Brasil exige para que se possa comprovar a decadência.

Em razão das muitas alterações na legislação que rege a regularização de obras,


informo que no presente manual vou transcrever apenas partes da legislação (IN RFB
971-2009) as quais considero de fundamental importância para o entendimento do
tema, deixando de apresentar todos os artigos, incisos e alíneas da referida instrução
normativa para não tornar o presente trabalho apenas uma cópia da legislação.

Sobre o autor

Álvaro Lucas Ramos Fernandes, graduado em Administração de


Empresas pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná
(UTFPR) campus de Pato Branco (PR.)

Atualmente se dedica ao Curso de Pós-Graduação em Gestão


Empresarial pela Faculdade Assis Gurgacz (FAG) em Cascavel (PR).

Profissional com conhecimentos da legislação previdenciária


referente a Regularização de Obras de Construção Civil,
coordenador do blog www.elielfernandes.wordpress.com

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

SUMÁRIO

1. Da matrícula CEI .................................................................................................................................................. 7


1.1 Formas de cadastramento ............................................................................................................................ 8
1.2 Da matrícula CEI para obras de construção civil .......................................................................................... 9
1.3 Da dispensa da matrícula CEI ...................................................................................................................... 11
1.4 Dos procedimentos de cadastramento da matricula CEI ........................................................................... 12
1.4.1 Da Matrícula CEI do condomínio ........................................................................................................... 13
2. Da retenção ...................................................................................................................................................... 18
2.1 Dos serviços sujeitos a retenção ................................................................................................................. 19
2.2 Da dispensa da retenção ............................................................................................................................. 20
2.3 Da apuração da base de cálculo da retenção ............................................................................................. 22
2.4 Das deduções da base de cálculo ................................................................................................................ 25
2.5 Do destaque da retenção ............................................................................................................................ 25
2.6 Do recolhimento do valor retido ( Artigos 129 a 132 da IN 971/2009) ..................................................... 27
2.7 Das obrigações da empresa contratada (artigos 134 a 137 da IN 971/2009) ............................................ 29
2.8 Das obrigações da empresa contratante ( Art. 138 a 141 da IN 971/2009) .............................................. 31
2.9 Da retenção na construção civil .................................................................................................................. 32
2.10 Não se aplica a Retenção .......................................................................................................................... 33
2.11 Da responsabilidade solidária na construção civil .................................................................................. 35
2.12 Da elisão da responsabilidade solidária ................................................................................................... 42
3. Das normas aplicáveis a construção civil ......................................................................................................... 43
3.1 Dos conceitos............................................................................................................................................... 43
3.2 Dos responsáveis pelas obras de construção civil ...................................................................................... 53
3.2.1 Das obrigações dos responsáveis por obra de construção civil .......................................................... 54
3.3 Das formas de regularização de obra........................................................................................................ 57
3.3.1 Da regularização por contabilidade - Da Auditoria na Construção Civil pela Análise dos Documentos
Contábeis .......................................................................................................................................................... 57
3.3.2 Da regularização por aferição indireta ................................................................................................... 59
3.4 Da Declaração e Informação sobre Obras (DISO) ....................................................................................... 62
3.5 Do Aviso para Regularização de Obras (ARO) ............................................................................................ 63
3.6 Da apuração da remuneração de mão de obra com base na área construída e padrão .......................... 65
3.7 Do Custo Unitário Básico (CUB) .................................................................................................................. 66

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3.8 Do enquadramento de uma obra ............................................................................................................... 67


3.9 Do Cálculo da Remuneração da Mão-de-Obra e das Contribuições Devidas ............................................ 74
3.9.1 Do aproveitamento dos valores declarados em GFIP e recolhidos em GPS ( Art. 353 a 356) 76
3.9.2 Do Microempreendedor Individual – MEI .............................................................................................. 81
3.9.3 Do cálculo da remuneração da mão-de-obra e das contribuições devidas em obras realizadas em terreno
não desmembrado ........................................................................................................................................... 83
3.10 Das áreas passíveis de redução................................................................................................................. 86
3.11 Dos Pré-moldados e pré-fabricados ........................................................................................................ 88
3.11.1 Do cálculo da remuneração de mão de obra e contribuições devidas quando o valor do pré-moldado for
igual ou superior a 40% do Custo Global da Obra ........................................................................................... 89
3.11.2 Do cálculo da remuneração de mão de obra e contribuições devidas quando o valor do pré-moldado
não atingir 40% do Custo Global da Obra ....................................................................................................... 90
3.11.3 Do cálculo da remuneração de mão de obra e contribuições devidas quando o valor do pré-moldado
utilizados na estrutura não atingir 40% do Custo Global da Obra ................................................................. 92
3.12 Da reforma, da demolição e do acréscimo de área (art 366 a 369 da IN 971/2009) .............................. 94
3.12.1 Da REFORMA (ARTIGO 367 IN 971/2009) .......................................................................................... 94
3.12.2 Da demolição ....................................................................................................................................... 96
3.12.2 Do acréscimo (ampliação)..................................................................................................................... 97
3.13 Da construção sem mão de obra remunerada ......................................................................................... 99
3.14 Da Regularização de construção parcial (artigo 372 da IN 971/2009) .................................................. 100
3.15 Da regularização de obra inacabada ( Artigo 373 da IN 971/2009) ...................................................... 103
3.16 Da Regularização de Obra de Construção Civil Realizada Parcialmente em Período Decadencial (Artigo 374
IN 971/2009) .................................................................................................................................................... 104
3.17 Da Regularização de Obra por Condômino ou por Adquirente (Art 375 a 379) ................................... 107
3.18 Da Regularização de Obra em que Houve Rescisão de Contrato (Art. 379 da IN 971/2009) ................ 109
3.19 Da documentação para fins de regularização ( Art 383 e 384) .............................................................. 110
3.20 Da Certidão Negativa de Débito de Obra de Construção Civil ............................................................... 112
3.21 Da Liberação de Certidão Negativa de Débito com prova de Contabilidade Regular ........................... 114
3.22 Da Liberação de Certidão Negativa de Débito sem Prova de Contabilidade Regular (Artigo 386 e 387)115
3.23 Da decadência na construção civil .......................................................................................................... 115
3.23.1 Da contagem do prazo da Decadência Total ...................................................................................... 118
3.23.2 Da contagem do prazo da Decadência Parcial ................................................................................... 119
3.23.3 Da contagem do prazo do período não decadente ............................................................................ 120
3.24 Das disposições especiais ........................................................................................................................ 121
3.24.1 Da obrigação dos munícipios fornecerem à RFB relação - Alvará/Habite-se .................................... 121
3.24.2 Do encerramento da matrícula CEI da pessoa física (Art. 392) ......................................................... 122

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3.24.3 Das obras executadas pelas empresas optantes pelo Simples Nacional ( Art.393)... 122
3.24.4 Das regras aplicadas à pessoa jurídica de direito público (Art. 394) ................................................ 123
4. Da DISO Internet ........................................................................................................................................... 123
4.1 Procedimentos para regularização de obra de Pessoa Física. ................................................................ 125
4.2 Procedimentos para regularização de obra de Pessoa Jurídica ............................................................... 127
4.3 Procedimento para regularização de obras de responsabilidade de Empresas optantes pelo Simples
Nacional ........................................................................................................................................................... 130
4.4 Do código recolhimento da GFIP e GPS nas obras construção civil ......................................................... 131
5. Da desoneração sobre a folha de pagamento da construção civil ................................................................ 132
5.1 Da contribuição dos trabalhadores do setor administrativo ................................................................... 137
5.2 Do Simples Nacional e a contribuição previdenciária substitutiva.......................................................... 138
5.3 Da Medida Provisória 669 ......................................................................................................................... 140

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1. DA MATRÍCULA CEI

Para algumas atividades e profissões é necessário que, a empresa ou profissional


se cadastre no Cadastro Específico do INSS, comumente conhecida por matrícula CEI. De
acordo com o Artigo 19 da Instrução Normativa RFB 971/2009 deverão ter a matricula
CEI as seguintes pessoas e empresas:
a) o equiparado à empresa isenta de registro no CNPJ;
b) o proprietário do imóvel, o dono da obra ou o incorporador de construção civil, pessoa física ou pessoa
jurídica;
c) a empresa construtora, quando contratada para execução de obra por empreitada total, observado o
disposto no art. 27;
d) a empresa líder do consórcio, no caso de contrato para execução de obra de construção civil mediante
empreitada total celebrado em nome das empresas consorciadas;)
e) o produtor rural contribuinte individual e o segurado especial;
f) (Revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.210, de 16 de novembro de 2011)
g) o titular de cartório, sendo a matrícula emitida no nome do titular, ainda que a respectiva serventia
seja registrada no CNPJ;
h) a pessoa física não-produtor rural que adquire produção rural para venda, no varejo, a consumidor
pessoa física, nos termos do inciso II do § 7º do art. 200 do Regulamento da Previdência Social (RPS),
aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999.
i) o consórcio, no caso de contrato para execução de obra de construção civil mediante empreitada total
celebrado em seu nome.)
§ 1º O empregador doméstico, para fins de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS), deverá providenciar sua matrícula no CEI, a qual o identificará como tal para quaisquer vínculos
subsequentes nessa condição.

De acordo com o Artigo 3º da IN 971/2009, empresa é o empresário ou sociedade


que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não,
bem como os órgãos e entidades da Administração Pública Direta ou Indireta.

No parágrafo 4º do mesmo artigo estão elencadas as pessoas e entidades que se


equiparam a empresa para fins de cumprimento de obrigações previdenciárias. Dentre
eles estão o proprietário do imóvel, o incorporador ou o dono de mão de obra de
construção civil, quando pessoa física, em relação a segurados que lhe presta serviços,
os quais serão objetos de nosso Manual.

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1.1 FORMAS DE CADASTRAMENTO

De acordo com o Artigo 22 da IN 971-2009 existem três formas de se efetuar o


cadastramento de uma matrícula CEI:

I - Verbalmente, pelo sujeito passivo, no Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC)


ou na Agência da Receita Federal do Brasil (ARF), independente da jurisdição, exceto o
disposto nos arts. 28 e 36;

II - No sítio da RFB na Internet, no seguinte endereço:

http://www2.dataprev.gov.br/ceiweb/index.view

III - de ofício, por servidor da RFB

A matrícula de ofício será emitida nos casos em que for constatada que a mesma
deixou de ser cadastrada no prazo previsto de 30 (trinta) dias contados do início de suas
atividades (seja do estabelecimento ou da obra).
A matrícula será efetuada pelo Auditor-Fiscal em procedimento de fiscalização com
a aplicação da multa descrita no Artigo 283, “c” do Decreto 3048/1999 com valores
atualizados pela Portaria Interministerial MPS-MF nº 13, de 9 de janeiro de 2.015. O valor
atual da multa é de R$ 1.925,81 (Um mil, novecentos e vinte e cinco reais e oitenta e um
centavos)

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Decreto 3.049/1999

Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de
maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o
responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a
R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a
gravidade da infração, aplicando-se-lhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes
valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003)

I - a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações:

d) deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de
sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas
atividades;

Portaria Interministerial MPS-MF nº 13, de 09 de janeiro de 2015

Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 2015:

IV - o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade
expressamente cominada no art. 283 do RPS, varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.925,81
(um mil novecentos e vinte e cinco reais e oitenta e um centavos) a R$ 192.578,66 (cento e noventa e dois
mil quinhentos e setenta e oito reais e sessenta e seis centavos)

1.2 DA MATRÍCULA CEI PARA OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Com exceção daquelas obras que estão dispensadas de matrícula CEI


(Cadastro Específico do INSS) todas as obras devem ser cadastradas na Receita Federal
do Brasil sejam obras novas, reformas, ampliações e demolições.

A matrícula CEI além de vincular a obra ao seu proprietário, dono ou construtora, a


mesma é necessária para que se possa emitir a Certidão Negativa de Débito (CND),
documento que é exigido pelo Cartório de Registro de Imóvel para que se possa fazer
averbação de uma obra junto à matrícula do imóvel.

Para cadastrar a matricula CEI é necessário que se tenha em mãos o Alvará de


Construção emitido pela prefeitura municipal e o projeto arquitetônico da obra para fins
de enquadramento (residencial/comercial) e informar a área a ser construída,
reformada, ampliada ou demolida.

A matricula CEI deverá ser efetuada por projeto e deve incluir todas as obras nele
previstas. Por exemplo, se o contribuinte for efetuar uma demolição de uma obra antes

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de iniciar a construção de uma obra nova, no cadastramento da matrícula CEI deverá ser
marcada as quadriculas correspondentes a demolição e a obra nova. As metragens
deverão ser informadas separadamente. Se constar no projeto que as obras terão
destinação comercial e residencial essas áreas deverão ser informadas separadamente.

De acordo com Artigo 24 da IN 971/2009 algumas obras podem ter sua matricula CEI
fracionada, sendo, portanto, uma exceção à regra de que todo projeto corresponderá a
uma matrícula CEI.
§ 1º Admitir-se-ão o fracionamento do projeto e a matrícula por contrato, quando a obra for realizada por mais de
uma empresa construtora, desde que a contratação tenha sido feita diretamente pelo proprietário ou dono da obra,
sendo que cada contrato será considerado como de empreitada total, nos seguintes casos:
I - contratos com órgão público, vinculados aos procedimentos licitatórios previstos na Lei nº 8.666, de 1993,
observado, quanto à solidariedade, o disposto no inciso IV do § 2º do art. 151;
II - construção e ampliação de estações e de redes de distribuição de energia elétrica (Classificação Nacional de
Atividades Econômicas (CNAE) 4221-9/02);
III - construção e ampliação de estações e redes de telecomunicações (CNAE 4221-9/04);
IV - construção e ampliação de redes de abastecimento de água, coleta de esgotos e construções correlatas, exceto
obras de irrigação (CNAE 4222-7/01);
V - construção e ampliação de redes de transportes por dutos, exceto para água e esgoto (CNAE 4223-5/00);
VI - construção e ampliação de rodovias e ferrovias, exceto pistas de aeroportos (CNAE 4211-1/01).
§ 2º Admitir-se-á, ainda, o fracionamento do projeto para fins de matrícula e de regularização, quando envolver:
I - a construção de mais de um bloco, conforme projeto, e o proprietário do imóvel, o dono da obra ou o incorporador
contratar a execução com mais de uma empresa construtora, ficando cada contratada responsável pela execução
integral e pela regularização da obra cuja matrícula seja de sua responsabilidade, sendo considerado cada contrato
como de empreitada total;
II - a construção de casas geminadas em terreno cujos proprietários sejam cada um responsável pela execução de
sua unidade;
III - a construção de conjunto habitacional horizontal em que cada adquirente ou condômino seja responsável pela
execução de sua unidade, desde que as áreas comuns constem em projeto com matrícula própria.

Para o cadastramento de matrícula CEI de coproprietários de construção em


condomínio ou construção em nome coletivo ou por adquirente de imóvel incorporador
deverá ser observado o contido no §3º do Artigo 24 da IN 971-2009.

§ 3º Na regularização de unidade imobiliária por coproprietário de construção em condomínio ou construção em


nome coletivo, ou por adquirente de imóvel incorporado, será atribuída uma matrícula CEI em nome do
coproprietário ou adquirente, com informação da área e do endereço específicos da sua unidade, distinta da
matrícula efetuada para o projeto da edificação.

As obras de urbanização como arruamento, calçamento, asfaltamento, instalação de


rede de iluminação pública, canalização de águas pluviais, abastecimento de água,
instalação de sistemas de esgoto sanitário, jardinagem, entre outras, bem como as obras
necessárias a implantação de loteamento e de condomínio residências, deverão receber
matrículas próprias, distintas da matrícula das edificações.

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§ 4º As obras de urbanização, assim conceituadas no inciso XXXVIII do art. 322, inclusive as necessárias para a
implantação de loteamento e de condomínio de edificações residenciais, deverão receber matrículas próprias,
distintas da matrícula das edificações que porventura constem do mesmo projeto, exceto quando a mão-de-obra
utilizada for de responsabilidade da mesma empresa ou de pessoa física, observado o disposto no art. 26.
§ 5º Na hipótese de contratação de cooperativa de trabalho para a execução de toda a obra, o responsável pela
matrícula e pela regularização da obra será o contratante da cooperativa.
§ 6º Não se aplica o fracionamento previsto no inciso III do § 2º, devendo permanecer na matrícula das áreas comuns
do conjunto habitacional horizontal, as áreas relativas às unidades executadas:
I - pelo responsável pelo empreendimento, conforme definido nas alíneas "b", "c" e "d" do inciso II do art. 19; e
II - por adquirente pessoa jurídica que tenha por objeto social a construção, a incorporação ou a comercialização de
imóveis.
§ 7º Na hipótese de execução de obra localizada em outro Estado, a matrícula deverá ficar vinculada ao CNPJ do
estabelecimento nele localizado ou, na falta deste, ao CNPJ do estabelecimento centralizador.

1.3 DA DISPENSA DA MATRÍCULA CEI

De acordo com o Artigo 25 da IN 9712009 algumas obras/serviços de construção civil


estão dispensadas de matrículas CEI, a saber:

I - os serviços de construção civil, tais como os destacados no Anexo VII com a expressão
"(SERVIÇO)" ou "(SERVIÇOS)", independentemente da forma de contratação;

O contribuinte deverá observar o que consta do Anexo VII da IN 971-2009. Se a


atividade que ele for executar for considerada (serviço/serviços) estará dispensado de
efetuar a matricula CEI.

II - a construção sem mão-de-obra remunerada, de acordo com o disposto no inciso I do art. 370;

Para que ocorra a dispensa da matricula CEI a obra a ser executada não poderá ter
havido a contratação de mão de obra remunerada. Obras em sistema de “mutirão”
podem se enquadrar nessa situação.

III - a reforma de pequeno valor, assim conceituada no inciso V do art. 322.

O inciso V do art. 322 da IN 971/2009 conceitua que a reforma de pequeno valor é


aquela de responsabilidade de pessoa jurídica, que possui escrituração contábil regular,
em que não há alteração de área construída, cujo custo estimado total, incluindo
material e mão-de-obra, não ultrapasse o valor de 20 (vinte) vezes o limite máximo do
salário-de-contribuição vigente na data de início da obra. O limite máximo para o ano de
2015 está em R$ 93.275,00.

Muito embora, o inciso V do art. 322da IN 971/2009 mencione que a reforma de


pequeno valor será aquela de responsabilidade da pessoa jurídica, o entendimento

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também será aplicado às obras de reforma de pessoa física. Porém, para a pessoa física
não existe a obrigatoriedade de apresentar a contabilidade regular e a verificação do
limite máximo de 20 vezes o maior salário de contribuição será apurado pelo método de
aferição indireta.

O Município, por intermédio do órgão competente, fornecerá à Receita Federal da


Brasil relação de alvarás para construção civil e documentos de “habite-se” concedidos
(art. 50 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.476, de 23/07/97).

A relação de alvarás e “habite-se” concedidos deverá ser encaminhada até o dia 10


do mês seguinte, apresentada em arquivo digital. A não apresentação sujeitará o
dirigente do órgão municipal à penalidade prevista na alínea “f” do inciso I do art. 283″
do Decreto 3.048/99.

Algumas prefeituras municipais ao emitirem o Alvará de Construção já efetuam o


cadastramento da matricula CEI da obra junto à Receita Federal. Nesse caso, o
responsável pela obra fica desobrigado de efetuar a matricula CEI, pois a mesma já foi
efetuada pelo município. O contribuinte deverá solicitar uma cópia da CEI para fins de
preenchimento e documentos tais como GFIP, GPS e DISO. O § 1º do artigo 25 da IN
971/2009 trata dessa dispensa.

§ 1º O responsável por obra de construção civil fica dispensado de efetuar a matrícula no CEI,
caso tenha recebido comunicação da RFB informando o cadastramento automático de sua obra
de construção civil, a partir das informações enviadas pelo órgão competente do Município de
sua jurisdição.

Caso os dados informados e cadastrados pelo órgão municipal estejam incorretos,


os mesmos poderão ser alterados/corrigidos pelo responsável pela matrícula CEI. Essa
previsão consta do §2º do Artigo 25 da IN 9712009.

§ 2º Os dados referentes ao responsável ou à obra matriculada na forma do § 1º, poderão ser


alterados ou atualizados, se for o caso, pelo responsável, na ARF ou no CAC da jurisdição do
endereço da obra, se a obra for de pessoa física, ou do estabelecimento matriz, se a obra for de
pessoa jurídica.

1.4 DOS PROCEDIMENTOS DE CADASTRAMENTO DA MATRICULA CEI

Para fins de cadastramento da matrícula CEI algumas regras importantes que


constam do Artigo 26 da IN 971/2009 devem ser observadas. Destaquei, em negrito, os
pontos que considero mais importantes e que deverão ser observados pelos
contribuintes.

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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Art. 26. No ato do cadastramento da obra, no campo "nome" do cadastro, será inserida a denominação
social ou o nome do proprietário do imóvel, do dono da obra ou do incorporador, devendo ser observado
que:
I - na contratação de empreitada total a matrícula será de responsabilidade da contratada e no campo
"nome" do cadastro, constará a denominação social da empresa construtora contratada, seguida da
denominação social ou do nome do contratante proprietário do imóvel, dono da obra ou incorporador;
II - na contratação de empreitada parcial a matrícula será de responsabilidade da contratante e no
campo "nome" do cadastro, constará a denominação social ou o nome do proprietário do imóvel, do dono
da obra ou do incorporador;
III - nos contratos em que a empresa contratada não seja construtora, assim definida no inciso XIX do art.
322, ainda que execute toda a obra, a matrícula será de responsabilidade da contratante e, no campo
"nome" do cadastro, constará a denominação social ou o nome do proprietário do imóvel, dono da obra
ou incorporador;
IV - para a edificação de construção em condomínio, na forma da Lei nº 4.591, de 1964, no campo "nome" do
cadastro constará a denominação social ou o nome de um dos condôminos, seguido da expressão "e outros" e a
denominação atribuída ao condomínio;
V - para a obra objeto de incorporação imobiliária, na forma da Lei nº 4.591, de 1964, no campo "nome" do cadastro,
constará a denominação social ou o nome do incorporador, seguido da denominação atribuída ao condomínio;
VI - para a construção em nome coletivo, no campo "nome" do cadastro, deverá constar a denominação social ou
o nome de um dos proprietários ou dos donos da obra, seguido da expressão "e outros".
§ 1º No ato da matrícula todos os coproprietários da obra deverão ser cadastrados.
§ 2º O campo "logradouro" do cadastro deverá ser preenchido com o endereço da obra.

1.4.1 DA MATRÍCULA CEI DO CONDOMÍNIO

Nesse tópico vou discorrer sobre a matrícula CEI de condomínio criado com a
finalidade única de se efetuar uma obra de construção civil. Para tanto haveremos de
tomar conhecimento de alguns artigos constante da lei 4.591, de 16.12.1964 que dispõe
sobre o condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias.

Art. 1º As edificações ou conjuntos de edificações, de um ou mais pavimentos, construídos sob a forma de unidades
isoladas entre si, destinadas a fins residenciais ou não-residenciais, poderão ser alienados, no todo ou em parte,
objetivamente considerados, e constituirá, cada unidade, propriedade autônoma sujeita às limitações desta Lei.

Art. 7º O condomínio por unidades autônomas instituir-se-á por ato entre vivos ou por testamento, com inscrição
obrigatória no Registro de Imóvel, dele constando; a individualização de cada unidade, sua identificação e
discriminação, bem como a fração ideal sobre o terreno e partes comuns, atribuída a cada unidade, dispensando-se
a descrição interna da unidade.

Uma dúvida muito comum dos condôminos que pretendem fazer um condomínio
visando a construção de um prédio é de que forma será feita a matrícula CEI e se a mesma
será vinculada ao CNPJ do condomínio.

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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

O Artigo 4º, II da IN 1470-2014 diz que os condomínios edilícios é que tem


obrigatoriedade de se inscrever no CNPJ.

IN 1470-2014
Art. 4º São também obrigados a se inscrever no CNPJ:
I .....
II - condomínios edilícios, conceituados pelo art. 1.332 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil);

Mas o que vem a ser um “condomínio edilício” ? O condomínio em edifício ou em


edificações, também é chamado de plano horizontal ou condomínio especial, caracteriza-
se pela apresentação de uma propriedade comum ao lado de uma propriedade privativa.
Cada condômino é titular, com exclusividade, da unidade autônoma, seja apartamento,
escritório, sala, loja, sobreloja, garagem, e titular de partes ideais das áreas comuns,
assim como terreno, estrutura do prédio, telhado, rede geral de distribuição de água,
esgoto, gás e eletricidade, calefação e refrigeração central, corredor de acesso ás
unidades autônomas e ao logradouro publico e etc.

Nesse sentido, dispõe o art. 1331 do CC: "pode haver, em edificações, partes que
são propriedade exclusiva, e partes que são propriedades comuns dos condôminos".

A Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.470/2014 estabelece em seu art. 4º, inciso II,
que o condomínio edilício – anteriormente chamado de condomínio em edificações –
está obrigado à inscrição no CNPJ. Tal entidade tem sua base legal nos arts. 1.331 a 1.358
do Código Civil, bem como nos arts. 1º a 27 da Lei nº 4.591/64. .

O condomínio edilício é constituído por meio de uma convenção a qual é registrada


no Cartório de Registro de Imóveis (CRI). Tal documento objetiva disciplinar o destino das
diferentes partes – de propriedade exclusiva ou comum – que compõem o condomínio,
o modo de usar as coisas e serviços comuns, o modo de escolher o síndico, entre outras
regras.

Importante salientar que o condomínio edilício pode ser constituído sobre


unidades autônomas a serem construídas, em construção ou já construídas.

De outro lado, existe a edificação em condomínio, que tem por objetivo a


construção de um imóvel e está que regulamentada nos arts. 48 a 62 da Lei nº 4.591/64.

A edificação em condomínio não é inscrita no CNPJ, mas no Cadastro Específico do


INSS (CEI), conforme arts. 26 (inciso IV e § 1º), 322 (inciso XX), 323 (inciso I) e 324 da IN
RFB nº 971/2009. – ver abaixo:

A inscrição da edificação em condomínio no CEI é feita em nome de um dos


condôminos (pessoas físicas e/ou jurídicas), seguido da expressão “e outros” e da

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denominação atribuída ao condomínio. Todos os coproprietários da obra devem ser


também cadastrados – como corresponsáveis – na mesma matrícula CEI.

A Receita Federal tem identificado várias solicitações de inscrição no CNPJ de


edificações em condomínio, as quais apresentam, para tanto, uma convenção de
condomínio registrada no CRI.

Porém, tais solicitações são indeferidas, pois se trata de entidade que não se sujeita
à inscrição no CNPJ.

No quadro abaixo informo algumas diferenças básicas dos dois tipos de


condomínios.

Condomínio Edilício Edificação em Condomínio


Tem prazo indeterminado ou nem mesmo trata do Tem prazo determinado, normalmente coincidindo
tema, pois a lógica natural é que o condomínio com o final da obra (sem prever especificamente uma
edilício não tenha prazo para deixar de existir. data); às vezes consta que ao final da obra poderá
haver a transformação em condomínio edilício.

Seu objetivo é disciplinar as regras de convivência Seu objetivo principal é tratar dos detalhes da obra a
e o uso do espaço comum ser construída, fixando os compromissos de cada uma
das partes (contratante e contratado); na realidade, a
convenção aqui se confunde com o contrato de
construção
É administrado por um síndico Prevê uma Comissão de Representantes (com pelo
menos 3 membros), que fiscaliza o andamento da obra
Trata das contribuições dos condôminos para Trata das contribuições dos condôminos para atender
atender às despesas de custeio do condomínio às despesas da obra.

É importante destacar que somente o condomínio edilício é inscrito no CNPJ e sua


convenção disciplina as regras de convivência e uso do espaço comum no condomínio.
Já a edificação em condomínio não é inscrita no CNPJ – e, sim, no CEI – e sua convenção
trata primordialmente da obra de construção civil a ser edificada. Devo lembrar também
que a CEI deve ficar em nome de um dos condôminos e, portanto, será vinculada ao CPF.

O Artigo 27 da IN 971-2009 trata da forma de se cadastrar uma matrícula CEI


quando ocorrer repasse integral do contrato ou da obra.

Art. 27. Ocorrendo o repasse integral do contrato ou da obra, conforme disposto no inciso XXXIX do art.
322 (ver definição abaixo), manter-se-á a matrícula CEI básica, acrescentando-se no campo "nome" do
cadastro a denominação social da empresa construtora para a qual foi repassado o contrato, sendo que
deverão constar nos campos próprios os demais dados cadastrais dessa empresa, a qual passará à
condição de responsável pela matrícula e pelo recolhimento das contribuições sociais.

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Repasse integral, o ato pelo qual a construtora originalmente contratada para execução de obra
de construção civil, não tendo empregado nessa obra qualquer material ou serviço, repassa o
contrato para outra construtora, que assume a responsabilidade pela execução integral da
obra prevista no contrato original;

O artigo 28 da IN 971/2009 da IN 971/2009 versa sobre os contratos de empreitada


total realizadas por empresas em consórcio. É importante observar essas regras e
procedimentos para que a matrícula CEI não seja cadastrada incorretamente.

Art. 28. Tratando-se de contrato de empreitada total de obra a ser realizada por empresas em consórcio,
conforme disposto no § 1º do art. 322, a matrícula da obra será efetuada na ARF ou no CAC
jurisdicionante do estabelecimento matriz da empresa líder ou do endereço do consórcio e será
expedida com a identificação de todas as empresas consorciadas e do próprio consórcio, observados os
seguintes procedimentos:
I - a matrícula de obra executada por empresas em consórcio será feita mediante a apresentação de
requerimento subscrito pelo seu representante legal, em que constem:
a) os dados cadastrais de todas as empresas consorciadas;
b) a indicação da empresa responsável ou da administradora do consórcio, denominada empresa líder,
ou do próprio consórcio, no caso deste ser o responsável pela matrícula da obra;
c) a designação e o objeto do consórcio;
d) a duração, o endereço do consórcio e o foro eleito para dirimir questões legais;
e) as obrigações, as responsabilidades e as prestações específicas de cada uma das empresas
consorciadas;
f) as disposições sobre o recebimento de receitas, a partilha de resultados, a administração do consórcio,
os procedimentos contábeis e a representação legal das empresas consorciadas;
g) a identificação da obra;
II - o requerimento de que trata o inciso I deverá vir acompanhado de cópia dos seguintes documentos:
a) compromisso público ou particular de constituição do consórcio, arquivado no Registro do Comércio;
b) instrumento de constituição de todas as empresas consorciadas e respectivas alterações;
c) instrumento que identifique o representante legal de cada uma das empresas consorciadas;
d) comprovante de inscrição no CNPJ do consórcio e das empresas consorciadas;
e) contrato celebrado com a contratante;
f) projeto da obra a ser executada;
g) ART no Crea ou RRT no CAU;
h) alvará de concessão de licença para construção, sempre que exigível pelos órgãos competentes,
observado o disposto no inciso III do caput e no § 5º do art. 383.
§ 1º No ato da matrícula, se apresentado o contrato de constituição do consórcio contendo todas as
informações dos documentos previstos nas alíneas "c" a "f" do inciso II do caput, fica dispensada a
apresentação destes, devendo cópia do contrato ficar arquivada na ARF ou CAC jurisdicionante do
estabelecimento matriz da empresa líder ou do endereço do consórcio, conforme o caso.
§ 2º No campo "nome" do cadastro da matrícula deverá constar a denominação social da empresa líder,
seguida das expressões "e outros em CONSÓRCIO", ou o nome do consórcio, seguido da expressão

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"CONSÓRCIO", caso este seja o contratante da mão de obra, assim como o respectivo número de inscrição
no CNPJ, conforme o caso.
§ 3º Quando houver alteração de um ou mais participantes do consórcio este fato deverá ser
comunicado à RFB, no prazo de 30 (trinta) dias.
§ 4º A matrícula de obra executada por empresas em consórcio ficará vinculada ao CNPJ de todas as
consorciadas e, quando o responsável pela matrícula for o consórcio, ao CNPJ deste e de todas as
consorciadas.

Demais regras a serem observadas na emissão de uma matrícula CEI previstas nos
Artigos 29 a 31 da IN 971/2009.

Art. 29. A matrícula será única, quando se referir à edificação precedida de demolição, desde que a
demolição e a edificação sejam de responsabilidade da mesma pessoa física ou jurídica.

Caso a edificação a ser realizada seja precedida de uma demolição, onde o


responsável pelas duas obras seja a mesma pessoa física ou jurídica, deverá a matrícula
CEI ser única. Não devendo, dessa forma, ter uma matricula para a demolição e outra
para a obra a ser edificada.

O artigo 30 da IN 971/2009 (abaixo) traz uma regra importante que muitos


contribuintes já me questionaram como proceder nesse caso. Se uma obra foi executada
em certo endereço e já esteja regularizada, a matrícula anterior não pode ser utilizada
para outra obra. Deve-se, portanto, cadastrar outra matrícula CEI para ser utilizada pela
obra nova, reforma ou demolição.

Porém, caso a obra anterior que já esteja com matricula CEI cadastrada, e não tenha
sido ainda regularizada, mesmo que se refira a outro projeto, será possível a utilização
da matrícula anterior. E como nos ensina o § único do Artigo 30, para as obras que
envolvam concomitantemente obra nova, reforma, demolição ou acréscimo, deverá ser
efetuada uma única matrícula CEI.

Art. 30. Para cada obra de construção civil no mesmo endereço será emitida nova matrícula, não se
admitindo a reutilização da anterior, exceto se a obra já executada, inclusive a constante de um outro
projeto, não tiver sido regularizada na RFB.

Parágrafo único. Será efetuada uma única matrícula CEI para a obra que envolver, concomitantemente,
obra nova, reforma, demolição ou acréscimo.

Ainda que uma obra seja executada no exterior por alguma empresa nacional em
que trabalhadores brasileiros vinculados ao RGPS participem dela, será necessário
matricular essa obra no CEI. Essa regra consta do Art. 31 da IN RFB 971-2009.

Art. 31. As obras executadas no exterior por empresas nacionais, das quais participem trabalhadores
brasileiros vinculados ao RGPS, serão matriculadas na RFB na forma prevista nesta Instrução Normativa.

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Parágrafo único. No campo "endereço" do cadastro da obra será informado o endereço completo da
empresa construtora, acrescido do nome do país e da cidade de localização da obra.

2. DA RETENÇÃO

A empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra ou


empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário, a partir da competência
fevereiro de 1999, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal, da
fatura ou do recibo de prestação de serviços e recolher à Previdência Social a importância
retida, em documento de arrecadação identificado com a denominação social e o CNPJ
da empresa contratada, observado o disposto no art. 79 e art. 145 da Lei 8.212-1991.

Antes de tecer comentários à retenção é importante apresentar o conceito de


cessão de mão de obra e empreitada os quais constam dos Artigos 115 e 116 da IN RFB
971/2009.
Art. 115. Cessão de mão-de-obra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas
dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não
com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de
trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974.
§ 1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas
próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços.
§ 2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se
repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja
realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores.
§ 3º Por colocação à disposição da empresa contratante, entende-se a cessão do trabalhador, em caráter
não eventual, respeitados os limites do contrato.

Art. 116. Empreitada é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por
preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou uso de equipamentos, que podem ou não ser
utilizados, realizada nas dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa
contratada, tendo como objeto um resultado pretendido.

Cessão de mão de obra é quando a empresa contratada coloca à disposição da empresa


contratante, trabalhadores para que estes realizem serviços contínuos nas dependências do
contratante ou nas de terceiros. Esses serviços podem ou não ser relacionados com a atividade
fim da empresa contratante. Exemplos mais conhecidos de cessão de mão de obra são os
serviços de vigilância e de limpeza e conservação.

Empreitada de mão de obra é a contratação de uma empresa para a realização de determinado


serviço, tarefa ou obra, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material. A finalidade
é alcançar o objeto pretendido.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Várias são as atividades sujeitas à retenção. Porém, como este presente trabalho é
direcionado à regularização de obras de construção civil, ficaremos adstritos à retenção
que envolve apenas essa atividade;

Mas o que é retenção previdenciária? A retenção vem a ser uma antecipação do


valor de contribuição previdenciária a ser recolhido pela empresa contratada dos
serviços incidentes sobre a remuneração de mão de obra. Pela retenção o contratante
do serviço fica obrigado a reter o percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal da
fatura ou do recibo de prestação de serviços.

O valor deve ser recolhido no CNPJ da empresa contratada a qual poderá se


compensar em GFIP do valor retido ou solicitar a restituição dos valores retidos. A
compensação poderá se dar em qualquer estabelecimento da empresa contratada,
inclusive suas obras de construção civil no prazo de até 5 anos.

A empresa contratada deve informar em sua GFIP o valor retido e o valor


compensado. Deve-se atentar que os valores devidos a Outras Entidades (Terceiros) não
podem ser compensados.

Caso o valor retido seja superior a contribuição devida no mês de competência de


emissão da nota o restante pode e deve ser compensado em competências futuras,
atualizado pela taxa SELIC.

2.1 DOS SERVIÇOS SUJEITOS A RETENÇÃO

Existe uma gama enorme de serviços sujeitos à retenção, porém como já dito
anteriormente vamos apenas nos ater à retenção na construção civil.

De acordo com o Artigo 117, III da IN 971/2009 a atividade de construção civil é


sujeita à retenção quando contratada mediante cessão de mão de obra ou empreitada.

Art. 117. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada,
observado o disposto no art. 149, os serviços de:
I-
II -
III - construção civil, que envolvam a construção, a demolição, a reforma ou o acréscimo de edificações
ou de qualquer benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo ou obras complementares que se integrem a
esse conjunto, tais como a reparação de jardins ou de passeios, a colocação de grades ou de instrumentos
de recreação, de urbanização ou de sinalização de rodovias ou de vias públicas;

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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Observe que a retenção é devida nos casos em que a obra seja de construção,
demolição, reforma ou acréscimo de área.

2.2 DA DISPENSA DA RETENÇÃO

Algumas situações ensejam a dispensa da retenção caso sejam cumpridos os


requisitos determinados pela legislação previdenciária. O Artigo 120 da IN 971/2009
menciona em quais situações a retenção é dispensada.

Art. 120. A contratante fica dispensada de efetuar a retenção, e a contratada, de registrar o destaque da
retenção na nota fiscal, na fatura ou no recibo, quando:
I - o valor correspondente a 11% (onze por cento) dos serviços contidos em cada nota fiscal, fatura ou
recibo de prestação de serviços for inferior ao limite mínimo estabelecido pela RFB para recolhimento em
documento de arrecadação;

Atualmente o valor mínimo estabelecido é de R$ 10,00. O fato de o valor ser inferior


a R$ 10,00 impede que o recolhimento seja efetuado naquele momento, porém se acaso
no mês seguinte a retenção do mês em curso somado com o valor do mês anterior seja
superior a R$ 10,00 deverá ser efetuado o recolhimento do montante apurado nos dois
meses.

II - a contratada não possuir empregados, o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio e o
seu faturamento do mês anterior for igual ou inferior a 2 (duas) vezes o limite máximo do salário-de-
contribuição, cumulativamente;

De acordo com a Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, de 09 de janeiro de 2015 o


limite máximo do salário de contribuição para o ano de 2015 é de R$ 4.663,75 e, sendo
assim o valor do faturamento não poderá ser superior 9.327,50 (Nove mil, trezentos e
vinte e sete reais e cinquenta centavos).
III - a contratação envolver somente serviços profissionais relativos ao exercício de profissão
regulamentada por legislação federal, ou serviços de treinamento e ensino definidos no inciso X do art.
118, desde que prestados pessoalmente pelos sócios, sem o concurso de empregados ou de outros
contribuintes individuais.
§ 1º Para comprovação dos requisitos previstos no inciso II do caput, a contratada apresentará à
tomadora declaração assinada por seu representante legal, sob as penas da lei, de que não possui
empregados e o seu faturamento no mês anterior foi igual ou inferior a 2 (duas) vezes o limite máximo
do salário-de-contribuição.
§ 2º Para comprovação dos requisitos previstos no inciso III do caput, a contratada apresentará à
tomadora declaração assinada por seu representante legal, sob as penas da lei, de que o serviço foi
prestado por sócio da empresa, no exercício de profissão regulamentada, ou, se for o caso, por profissional
da área de treinamento e ensino, e sem o concurso de empregados ou contribuintes individuais, ou
consignará o fato na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços.

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§ 3º Para fins do disposto no inciso III do caput, são serviços profissionais regulamentados pela legislação
federal, dentre outros, os prestados por administradores, advogados, aeronautas, aeroviários,
agenciadores de propaganda, agrônomos, arquitetos, arquivistas, assistentes sociais, atuários, auxiliares
de laboratório, bibliotecários, biólogos, biomédicos, cirurgiões dentistas, contabilistas, economistas
domésticos, economistas, enfermeiros, engenheiros, estatísticos, farmacêuticos, fisioterapeutas,
terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, geógrafos, geólogos, guias de turismo, jornalistas
profissionais, leiloeiros rurais, leiloeiros, massagistas, médicos, meteorologistas, nutricionistas,
psicólogos, publicitários, químicos, radialistas, secretárias, taquígrafos, técnicos de arquivos, técnicos em
biblioteconomia, técnicos em radiologia e tecnólogos.

Tratando ainda sobre a dispensa da retenção é importante informar que alguns


serviços de construção civil não se sujeitam à retenção. Os Artigos 143 e 144 da IN
971/2009 relacionam essas atividades e estipulam regras para a concomitância de
serviços não sujeitos a retenção com aqueles sujeitos à retenção.

Art. 143. Não se sujeita à retenção, a prestação de serviços de:


I - administração, fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras;
II - assessoria ou consultoria técnicas;
III - controle de qualidade de materiais;
IV - fornecimento de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada ou preparada;
V - jateamento ou hidrojateamento;
VI - perfuração de poço artesiano;
VII - elaboração de projeto da construção civil;
VIII - ensaios geotécnicos de campo ou de laboratório (sondagens de solo, provas de carga, ensaios de
resistência, amostragens, testes em laboratório de solos ou outros serviços afins);
IX - serviços de topografia;
X - instalação de antena coletiva;
XI -instalação de aparelhos de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação, de aquecimento, de
calefação ou de exaustão;
XII - instalação de sistemas de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação, de aquecimento, de
calefação ou de exaustão, quando a venda for realizada com emissão apenas da nota fiscal de venda
mercantil;
XIII - instalação de estruturas e esquadrias metálicas, de equipamento ou de material, quando for emitida
apenas a nota fiscal de venda mercantil;
XIV - locação de caçamba;
XV - locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de
mão-de-obra; e
XVI - fundações especiais.
Parágrafo único. Quando na prestação dos serviços relacionados nos incisos XII e XIII do caput, houver
emissão de nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços relativa à mão-de-obra utilizada na
instalação do material ou do equipamento vendido, os valores desses serviços integrarão a base de
cálculo da retenção.

Art. 144. Caso haja, para a mesma obra, contratação de serviço relacionado no art. 143 e,
simultaneamente, o fornecimento de mão-de-obra para execução de outro serviço sujeito à retenção,

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
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aplicar-se-á a retenção apenas a este serviço, desde que os valores estejam discriminados na nota fiscal,
na fatura ou no recibo de prestação de serviços.
Parágrafo único. Não havendo discriminação na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de
serviços, aplicar-se-á a retenção a todos os serviços contratados.

Portanto, a regra é que se houver a contratação de serviços, para a mesma obra,


sujeitos a retenção com aqueles não sujeitos, a retenção será aplicada somente sobre
aqueles sujeitos à retenção. Porém, esses serviços deverão estar discriminados e
separados na nota fiscal, sob pena de se aplicar a retenção sobre todos os serviços
contratados.

2.3 DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA RETENÇÃO

Questão importante e que suscita muitas dúvidas sobre a retenção é a base de cálculo
a ser utilizada para a aplicação da alíquota de 11%.

As dúvidas surgem quando há a ocorrência simultânea de prestação de serviços com


o fornecimento de material ou a utilização de equipamentos próprios ou de terceiros.

Nos Artigos 121 a 123 da IN 971/2009 estão descritas as regras que devem ser
observadas pelas empresas para fins de apuração da base de cálculo da retenção. Após
a análise dos artigos descritos vou exemplificar com valores para fins de fixação do
entendimento.

Art. 121. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos


manuais, fornecidos pela contratada, discriminados no contrato e na nota fiscal, na fatura ou no recibo
de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, desde que comprovados.

Pela leitura do artigo entende-se que a retenção somente será aplicada sobre a mão
de obra e não sobre os valores de materiais ou equipamentos, desde que estejam
discriminados em contrato e na nota fiscal.

§ 1º O valor do material fornecido ao contratante ou o de locação de equipamento de terceiros, utilizado


na execução do serviço, não poderá ser superior ao valor de aquisição ou de locação para fins de apuração
da base de cálculo da retenção.

Se a empresa contratada fornecer o material ou locar equipamentos de terceiros para


serem utilizados na execução dos serviços, os valores do material ou da locação não
poderão ser superiores ao valor de aquisição ou locação para fins de apuração da base
de cálculo da retenção.

§ 2º Para os fins do § 1º, a contratada manterá em seu poder, para apresentar à fiscalização da RFB, os
documentos fiscais de aquisição do material ou o contrato de locação de equipamentos, conforme o caso,

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relativos a material ou equipamentos cujos valores foram discriminados na nota fiscal, na fatura ou no
recibo de prestação de serviços.

A empresa contratada deverá manter em seus arquivos os documentos fiscais de


aquisição do material ou locação de equipamentos para apresentar a RFB que irá analisar
o cumprimento do §1º.

§ 3º Considera-se discriminação no contrato os valores nele consignados, relativos a material ou


equipamentos, ou os previstos em planilha à parte, desde que esta seja parte integrante do contrato
mediante cláusula nele expressa.

Os valores dos materiais ou equipamentos deverão estar consignados no contrato


de prestação de serviços ou constar de planilha, desde que esta seja parte integrante do
contrato.

Art. 122. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos


manuais, cujo fornecimento esteja previsto em contrato, sem a respectiva discriminação de valores, desde
que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de
cálculo da retenção, devendo o valor desta corresponder no mínimo a:

I - 50% (cinquenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços;

Se no contrato de prestação de serviços houver a previsão do fornecimento de


materiais ou utilização de equipamentos, mas não constar os valores, desde que estejam
discriminados na nota fiscal, a base de cálculo de retenção será de no mínimo 50% do
valor da nota fiscal. Veja exemplo abaixo:

Um contrato de prestação de serviços no valor de R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais) previu


o fornecimento de materiais e equipamentos, mas não consignou os valores desses bens. A base
de cálculo da retenção nesse caso será de R$ 500.000,00 no mínimo. Porém, se na nota fiscal
constar o valor dos serviços de R$ 650.000,00 é sobre essa base de cálculo (R$ 650.000,00) que
será aplicado o percentual de retenção. Contudo se na nota fiscal de R$ 1.000.000,00 constar o
valor de R$ 380.000,00 como sendo de prestação de serviços e se acaso não houver a
consignação em contrato desse valor a base de cálculo da retenção será de no mínimo 50% do
valor bruto na nota fiscal.

§ 1º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, desde que haja a
discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, adota-se o
seguinte procedimento:

I – havendo o fornecimento de equipamento e os respectivos valores constarem em contrato, aplica-se o


disposto no art. 121; ou

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Se houver a utilização de equipamento que seja inerente à execução dos serviços


contratados e desde que haja a informação dos valores em contrato, os valores dos
materiais não comporão a base de cálculo da retenção.

II – não havendo discriminação de valores em contrato, independentemente da previsão contratual do


fornecimento de equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, para a prestação
de serviços em geral, a 50% (cinquenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de
prestação de serviços e, no caso da prestação de serviços na área da construção civil, aos percentuais
abaixo relacionados:

a) 10% (dez por cento) para pavimentação asfáltica;


b) 15% (quinze por cento) para terraplenagem, aterro sanitário e dragagem;
c) 45% (quarenta e cinco por cento) para obras de arte (pontes ou viadutos);
d) 50% (cinquenta por cento) para drenagem; e
e) 35% (trinta e cinco por cento) para os demais serviços realizados com a utilização de equipamentos,
exceto os manuais.

Caso não ocorra a discriminação dos valores dos equipamentos em contrato, a base
de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a 50% do valor bruto na nota fiscal,
da fatura ou do recibo de prestação de serviços para os serviços em geral.

Se não houver a discriminação dos valores dos equipamentos em contrato, a base


de cálculo da retenção terá percentuais diferentes se os serviços executados forem de
pavimentação asfáltica (10%), terraplenagem, aterro sanitário e dragagem (15%), para
obras de arte (pontes ou viadutos) – 45%, drenagem (50%) e para os demais serviços
realizados com a utilização de equipamentos, exceto os manuais (35%).

§ 2º Quando na mesma nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços constar a execução de mais
de um dos serviços referidos nos incisos I e II do § 1º, cujos valores não constem individualmente
discriminados na nota fiscal, na fatura, ou no recibo, deverá ser aplicado o percentual correspondente a
cada tipo de serviço, conforme disposto em contrato, ou o percentual maior, se o contrato não permitir
identificar o valor de cada serviço.

§ 3º Aplica-se aos procedimentos estabelecidos neste artigo o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 121.

Art. 123. Não existindo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento,
e o uso desse equipamento não for inerente ao serviço, mesmo havendo discriminação de valores na nota
fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o valor bruto
da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, exceto no caso do serviço de transporte
de passageiros, para o qual a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, à prevista no inciso
II do art. 122.

Parágrafo único. Na falta de discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação
de serviços, a base de cálculo da retenção será o seu valor bruto, ainda que exista previsão contratual
para o fornecimento de material ou a utilização de equipamento, com ou sem discriminação de valores
em contrato.

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2.4 DAS DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO

Algumas parcelas poderão ser deduzidas da base de cálculo da retenção desde que
estejam discriminadas na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. O
Artigo 124, I e II da IN 971/2009 informam quais parcelas podem ser deduzidas:

Art. 124. Poderão ser deduzidas da base de cálculo da retenção as parcelas que estiverem discriminadas
na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, que correspondam:
I - ao custo da alimentação in natura fornecida pela contratada, de acordo com os programas de
alimentação aprovados pelo MTE, conforme Lei nº 6.321, de 1976;
II - ao fornecimento de vale-transporte, de conformidade com a legislação própria.

No §1º do Artigo 124 da referida IN contém uma regra de que o valor relativo à taxa
de administração ou de agenciamento não poderá ser deduzido da base de cálculo da
retenção, mesmo no caso de serviços prestados por trabalhadores temporários e ainda
que os valores constem em nota fiscal, fatura ou recibo.

§ 1º O valor relativo à taxa de administração ou de agenciamento não poderá ser deduzido da base de
cálculo da retenção, inclusive no caso de serviços prestados por trabalhadores temporários, ainda que o
valor seja discriminado no documento ou seja objeto de nota fiscal, fatura ou recibo específico.

§ 2º A fiscalização da RFB poderá exigir da contratada a comprovação das deduções previstas neste
artigo.

2.5 DO DESTAQUE DA RETENÇÃO

Uma das obrigações da empresa contratada é que ela destaque o valor da retenção
na nota fiscal emitida sob o título “Retenção para a Previdência Social”.

O valor da retenção não poderá ser deduzido do valor bruto da nota fiscal e a
informação consignada considerar-se-á mero destaque. O valor da retenção servirá
apenas como parcela dedutível para fins de quitação do referido documento fiscal.

A falta do destaque do valor da retenção constitui infração ao § 1º do art. 31 da Lei


nº 8.212, de 1991.

As regras acima constam do Artigo 126 da IN 971/2009 cujo texto reproduzo abaixo.

Art. 126. Quando da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, a contratada
deverá destacar o valor da retenção com o título de "RETENÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL", observado
o disposto no art. 120.

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§ 1º O destaque do valor retido deverá ser identificado logo após a descrição dos serviços prestados,
apenas para produzir efeito como parcela dedutível no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do
recibo de prestação de serviços, sem alteração do valor bruto da nota, da fatura ou do recibo de prestação
de serviços.
§ 2º A falta do destaque do valor da retenção, conforme disposto no caput, constitui infração ao § 1º do
art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991

De acordo com o Artigo 127 da IN 971/2009 se acaso uma empresa contratada para
realizar um serviço fizer uma subcontratação, os valores recolhidos pela subcontratada,
a título de retenção, poderão ser deduzidos da retenção a ser efetuada pela empresa
contratante. Para que isso possa acontecer são requisitos necessários de que se refiram
a mesma competência e ao mesmo serviço.

Exemplificando: A empresa A contratou a empresa B para a realização de um serviço de


construção civil no valor de R$ 500.000,00. A empresa B por sua vez subcontratou a empresa C
para executar o serviço pelo valor de R$ 400.000,00. O valor a ser retido pela empresa
contratante dos serviços da empresa B é de R$ 55.000,00 (11% de 500.000,00). Mas a empresa
B já havia retido o valor de R$ 44.000,00 da empresa C e recolhido no CNPJ (11% de 400.000,00).
Portanto, o valor a ser retido da empresa B pela empresa A é de R$ 11.000,00 o que corresponde
à diferença entre o valor total a ser retido (R$ 55.000,00) deduzido do valor já retido da empresa
C (R$ 44.000,00).

Para que a empresa A faça a retenção do valor de R$ 11.000,00 a empresa B deverá


apresentar cópia:

a) das notas fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços das
subcontratadas com o destaque da retenção;
b) dos comprovantes de arrecadação dos valores retidos das subcontratadas;
c) das GFIP, elaboradas pelas subcontratadas, onde conste no campo "CNPJ/CEI do
tomador/obra", o CNPJ da contratada ou a matrícula CEI da obra e, no campo
"Denominação social do tomador/obra", a denominação social da empresa
contratada.
Art. 127. Caso haja subcontratação, os valores retidos da subcontratada, e comprovadamente recolhidos
pela contratada, poderão ser deduzidos do valor da retenção a ser efetuada pela contratante, desde que
todos os documentos envolvidos se refiram à mesma competência e ao mesmo serviço.
§ 1º Para efeito do disposto no caput, a contratada deverá destacar na nota fiscal, na fatura ou no recibo
de prestação de serviços as retenções da seguinte forma:
I - retenção para a Previdência Social: informar o valor correspondente a 11% (onze por cento) do valor
bruto dos serviços, observado o disposto no § 1º do art. 112 e no art. 145;
II - dedução de valores retidos de subcontratadas: informar o valor total correspondente aos valores
retidos e recolhidos relativos aos serviços subcontratados;

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III - valor retido para a Previdência Social: informar o valor correspondente à diferença entre a retenção,
apurada na forma do inciso I, e a dedução efetuada conforme disposto no inciso II, que indicará o valor a
ser efetivamente retido pela contratante.
§ 2º A contratada, juntamente com a sua nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, deverá
encaminhar à contratante, exceto em relação aos serviços subcontratados em que tenha ocorrido a
dispensa da retenção prevista no inciso I do art. 120, cópia:
I - das notas fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços das subcontratadas com o
destaque da retenção;
II - dos comprovantes de arrecadação dos valores retidos das subcontratadas;
III - das GFIP, elaboradas pelas subcontratadas, onde conste no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", o
CNPJ da contratada ou a matrícula CEI da obra e, no campo "Denominação social do tomador/obra", a
denominação social da empresa contratada.

2.6 DO RECOLHIMENTO DO VALOR RETIDO ( ARTIGOS 129 A 132 DA IN 971/2009)

A empresa contratante dos serviços deverá recolher o valor retido até o dia 20 do
mês subsequente ao da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. Deverá antecipar o
pagamento caso o dia 20 caia em dia não útil. A Guia de Recolhimento para a Previdência
Social (GPS) deverá ser preenchida com um dos códigos de receita conforme tabela
abaixo:

Código da receita Especificação da Receita


(GPS)
2631 Contribuição retida sobre a NF/Fatura da Empresa Prestadora de Serviço – CNPJ

2640 Contribuição Retida sobre NF/Fatura da Prestadora de Serviço - CNPJ - Uso Exclusivo
do Órgão do Poder Público - Administração Direta, Autarquia e Fundação Federal,
Estadual, do Distrito Federal ou Municipal (contratante do serviço).

2658 Contribuição retida sobre a NF/Fatura da Empresa Prestadora de Serviço – CEI

2682 Contribuição Retida sobre NF/Fatura da Prestadora de Serviço - CEI (Uso Exclusivo do
Órgão do Poder Público - Administração Direta, Autarquia e Fundação Federal,
Estadual, do Distrito Federal ou Municipal (contratante do serviço).

Note que os códigos são separados por tipo de contratante (empresa e órgão público)
e também por prestadora (CNPJ ou CEI).

A Guia de Recolhimento da Previdência Social (GPS) pode ser emitida no seguinte link:
http://www2.dataprev.gov.br/PortalSalInternet/faces/pages/calcContribuicoesEmpresasEOrga
osPublicos/inicio.xhtml

Se uma empresa contratada emite mais de uma nota fiscal sujeitas á retenção no
mesmo mês, para a mesma contratante, a contratante deverá efetuar o recolhimento
dos valores retidos, em nome da contratada, num único documento de arrecadação.

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Modelo da GPS

A falta de recolhimento para a Previdência Social dos valores retidos, dentro do prazo
legal, configura, em tese, o crime de Apropriação Indébita Previdenciária, previsto no
art. 168-A do Código Penal, introduzido pela Lei nº 9.983, de 14 de julho de 2000,
ensejando a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) ao Ministério
Público Federal para a propositura da respectiva ação penal.

Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo
e forma legal ou convencional:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de:
I - recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha
sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público;
II - recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado despesas contábeis ou custos
relativos à venda de produtos ou à prestação de serviços;
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já tiverem sido
reembolsados à empresa pela previdência social.
§ 2o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das
contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à previdência social, na forma
definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal.
§ 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primário e
de bons antecedentes, desde que:
I - tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o pagamento da
contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou
II - o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior àquele estabelecido pela
previdência social, administrativamente, como sendo o mínimo para o ajuizamento de suas execuções
fiscais.

Instrução Normativa RFB 971/2009

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Art. 129. A importância retida deverá ser recolhida pela empresa contratante até o dia 20 (vinte) do mês
seguinte ao da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, antecipando-se
esse prazo para o dia útil imediatamente anterior quando não houver expediente bancário naquele dia,
informando, no campo identificador do documento de arrecadação, o CNPJ do estabelecimento da
empresa contratada ou a matrícula CEI da obra de construção civil, conforme o caso e, no campo nome
ou denominação social, a denominação social desta, seguida da denominação social da empresa
contratante.
Art. 130. O órgão ou a entidade integrante do Siafi deverá recolher os valores retidos com base na nota
fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, respeitando como data limite de pagamento o dia
20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de
serviços, observado o disposto no art. 120.
Art. 131. Quando, por um mesmo estabelecimento da contratada, forem emitidas mais de uma nota
fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços para um mesmo estabelecimento da contratante, na
mesma competência, sobre as quais houve retenção, a contratante deverá efetuar o recolhimento dos
valores retidos, em nome da contratada, num único documento de arrecadação.
Art. 132. A falta de recolhimento, no prazo legal, das importâncias retidas configura, em tese, crime
contra a Previdência Social previsto no art. 168-A do Código Penal, introduzido pela Lei nº 9.983, de 14 de
julho de 2000, ensejando a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP).

2.7 DAS OBRIGAÇÕES DA EMPRESA CONTRATADA (ARTIGOS 134 A 137 DA IN 971/2009)

A Instrução Normativa RFB 971/2009 traz uma série de obrigações para a empresa
prestadora de serviços referente a elaboração da folha de pagamento, GFIP e
demonstrativo por contratante dos seus serviços. Essas obrigações impostas pela IN
servem para subsidiar a Receita Federal quanto aos procedimentos de fiscalização,
controle das compensações e restituições efetuadas via Perd-Comp.
Art. 134. A empresa contratada deverá elaborar:
I - folhas de pagamento distintas e o respectivo resumo geral, para cada estabelecimento ou obra de
construção civil da empresa contratante, relacionando todos os segurados alocados na prestação de
serviços, na forma prevista no inciso III do art. 47;
II - GFIP com as informações relativas aos tomadores de serviços, para cada estabelecimento da empresa
contratante ou cada obra de construção civil, utilizando o código de recolhimento próprio da atividade,
conforme normas previstas no Manual da GFIP; e
III - demonstrativo mensal por contratante e por contrato, assinado pelo seu representante legal,
contendo:
a) a denominação social e o CNPJ da contratante, ou a matrícula CEI da obra de construção civil, conforme
o caso;
b) o número e a data de emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços;
c) o valor bruto, o valor retido e o valor líquido recebido relativo à nota fiscal, à fatura ou ao recibo de
prestação de serviços; e
d) a totalização dos valores e sua consolidação por obra de construção civil ou por estabelecimento da
contratante, conforme o caso.

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Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo à empresa prestadora de serviços por intermédio de
consórcio, em relação à sua participação no empreendimento, e ao consórcio, conforme o caso, nos
termos da Instrução Normativa RFB nº 1.199, de 14 de outubro de 2011, que dispõe sobre procedimentos
fiscais dispensados aos consórcios, e observado o disposto neste Capítulo em relação à retenção e seu
recolhimento.

A empresa contratada que utilizar os mesmos segurados para atender a várias


empresas contratantes, alternadamente, em um mesmo período, fica desobrigada de
elaborar folhas de pagamentos e GFIP distintas para cada estabelecimento ou obra,
tendo em vista a dificuldade de individualizar a remuneração desses segurados por tarefa
ou serviço contratado. Essa regra consta do Artigo 135 da IN 971/2009.

Art. 135. A empresa contratada fica dispensada de elaborar folha de pagamento e GFIP com informações
distintas por estabelecimento ou obra de construção civil em que realizar tarefa ou prestar serviços,
quando, comprovadamente, utilizar os mesmos segurados para atender a várias empresas contratantes,
alternadamente, no mesmo período, inviabilizando a individualização da remuneração desses segurados
por tarefa ou por serviço contratado.

Parágrafo único. São considerados serviços prestados alternadamente, aqueles em que a tarefa ou o
serviço contratado seja executado por trabalhador ou equipe de trabalho em vários estabelecimentos ou
várias obras de uma mesma contratante ou de vários contratantes, por etapas, numa mesma
competência, e que envolvam os serviços que não compõem o Custo Unitário Básico (CUB), relacionados
no Anexo VIII.

A empresa contratada que seja legalmente a manter escrituração contábil


formalizada fica obrigada a registrar, mensalmente, em contas individualizadas, todos os
fatos geradores de contribuições sociais, inclusive a retenção sobre a prestação de
serviços,

O lançamento da retenção deverá discriminar o valor bruto dos serviços, o valor


retido e o valor líquido a receber.

Se os lançamentos das retenções forem efetuados mensalmente, por contratante,


pela soma das notas fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços e pela
soma da retenção, a empresa contratada deverá manter em registros auxiliares, a
discriminação desses valores, por contratante.
Art. 136. A contratada, legalmente obrigada a manter escrituração contábil formalizada, está obrigada
a registrar, mensalmente, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições sociais,
inclusive a retenção sobre o valor da prestação de serviços, conforme disposto no inciso IV do art. 47.
Art. 137. O lançamento da retenção na escrituração contábil, de que trata o art. 136, deverá discriminar:
I - o valor bruto dos serviços;
II - o valor da retenção; e
III - o valor líquido a receber.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
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Parágrafo único. Na contabilidade em que houver lançamento pela soma total das notas fiscais, das
faturas ou dos recibos de prestação de serviços e pela soma total da retenção, por mês, por contratante,
a empresa contratada deverá manter em registros auxiliares a discriminação desses valores, por
contratante, conforme disposto no inciso III do art. 134.

2.8 DAS OBRIGAÇÕES DA EMPRESA CONTRATANTE ( ART. 138 A 141 DA IN 971/2009)

A empresa contratante de serviços tem obrigações a serem cumpridas conforme


determina o Artigo 138 da In RFB 971/2009. De acordo com este artigo, a contratante
deverá manter em arquivo, separadamente por empresa contratada, à disposição da
Receita Federal do Brasil, até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes
das operações a que se refiram, as notas, faturas ou recibos de serviços, cópia das GFIP´s
e comprovantes de arrecadação dos valores retidos.

Art. 138 A empresa contratante fica obrigada a manter em arquivo, por empresa contratada, em ordem
cronológica, à disposição da RFB, até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das
operações a que se refiram, as correspondentes notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços,
cópia das GFIP e, se for o caso, dos documentos relacionados no § 2º do art. 127.

As empresas contratantes, legalmente obrigadas a manter escrituração contábil,


deverão registrar, mensalmente, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de
contribuições sociais, inclusive a retenção sobre o valor dos serviços contratados.

O lançamento da retenção na escrituração contábil deve discriminar o valor bruto


dos serviços, o valor retido, e o valor líquido a pagar.

Os lançamentos efetuados mensalmente, por contratada, pela soma das notas


fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços e pela soma da retenção,
obriga a empresa contratante a manter em registros auxiliares, a discriminação desses
valores, por contratada.

Art. 139. A contratante, legalmente obrigada a manter escrituração contábil formalizada, está obrigada
a registrar, mensalmente, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições sociais,
inclusive a retenção sobre o valor dos serviços contratados, conforme disposto no inciso IV do art. 47.
Art. 140. O lançamento da retenção na escrituração contábil de que trata o art. 139, deverá discriminar:
I - o valor bruto dos serviços;
II - o valor da retenção;
III - o valor líquido a pagar.
Parágrafo único. Na contabilidade em que houver lançamento pela soma total das notas fiscais, das
faturas ou dos recibos de prestação de serviços e pela soma total da retenção, por mês, por contratada,
a empresa contratante deverá manter em registros auxiliares a discriminação desses valores,
individualizados por contratada.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

A empresa contratante que for legalmente dispensada de manter escrituração


contábil deve elaborar demonstrativo mensal, o qual deverá ser assinado por seu
represente legal, relativo a cada contrato. Essa obrigação consta do Artigo 141 da IN RFB
9712009.

Art. 141. A empresa contratante, legalmente dispensada da apresentação da escrituração contábil,


deverá elaborar demonstrativo mensal, assinado pelo seu representante legal, relativo a cada contrato,
contendo as seguintes informações:

I - a denominação social e o CNPJ da contratada;


II - o número e a data da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços;
III - o valor bruto, a retenção e o valor líquido pago relativo à nota fiscal, à fatura ou ao recibo de prestação
de serviços;
IV - a totalização dos valores e sua consolidação por obra de construção civil e por estabelecimento da
contratada, conforme o caso.

2.9 DA RETENÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

O artigo 142 da IN 971/2009 nos ensina que a contratação de obra de construção


civil mediante empreitada parcial, subempreitada, prestação de serviços constantes do
Anexo VII e a reforma de pequeno valor sujeitam-se ao instituto da retenção.

O conceito de empreitada parcial consta da alínea “b” do inciso XXVII do Art. 322 da
IN 971/2009 cuja definição é a seguinte:

Empreitada parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na


área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material

O conceito de subempreitada está definido no inciso XXVIII do Art. 322 da IN RFB


971/2009.

Contrato de subempreitada, aquele celebrado entre a empreiteira ou qualquer empresa


subcontratada e outra empresa, para executar obra ou serviço de construção civil, no todo ou
em parte, com ou sem fornecimento de material

A reforma de pequeno valor está conceituada no inciso V do Artigo 322 da IN


971/2009

Reforma de pequeno valor, aquela de responsabilidade de pessoa jurídica, que possui


escrituração contábil regular, em que não há alteração de área construída, cujo custo estimado
total, incluindo material e mão-de-obra, não ultrapasse o valor de 20 (vinte) vezes o limite
máximo do salário-de-contribuição vigente na data de início da obra

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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Art. 142. Na construção civil, sujeita-se à retenção de que trata o art. 112, observado o disposto no art.
145:

I - a contratação de obra de construção civil mediante empreitada parcial, conforme definição contida na
alínea "b" do inciso XXVII do art. 322;)
II - a contratação de obra de construção civil mediante subempreitada, conforme definição contida no
inciso XXVIII do art. 322;)
III - a prestação de serviços tais como os discriminados no Anexo VII; e
IV - a reforma de pequeno valor, conforme definida no inciso V do art. 322.

2.10 NÃO SE APLICA A RETENÇÃO

Alguns tipos de prestação de serviços executados pelas empresas contratadas não se


sujeitam à retenção. A lista de serviços consta do Artigo 143 da IN 971/2009.
Art. 143. Não se sujeita à retenção, a prestação de serviços de:

I - administração, fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras;


II - assessoria ou consultoria técnicas;
III - controle de qualidade de materiais;
IV - fornecimento de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada ou preparada;
V - jateamento ou hidrojateamento;
VI - perfuração de poço artesiano;
VII - elaboração de projeto da construção civil;
VIII - ensaios geotécnicos de campo ou de laboratório (sondagens de solo, provas de carga, ensaios de
resistência, amostragens, testes em laboratório de solos ou outros serviços afins);
IX - serviços de topografia;
X - instalação de antena coletiva;
XI - instalação de aparelhos de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação, de aquecimento, de
calefação ou de exaustão;
XII - instalação de sistemas de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação, de aquecimento, de
calefação ou de exaustão, quando a venda for realizada com emissão apenas da nota fiscal de venda
mercantil;
XIII - instalação de estruturas e esquadrias metálicas, de equipamento ou de material, quando for emitida
apenas a nota fiscal de venda mercantil;
XIV - locação de caçamba;
XV - locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de
mão-de-obra; e
XVI - fundações especiais.
Parágrafo único. Quando na prestação dos serviços relacionados nos incisos XII e XIII do caput, houver
emissão de nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços relativa à mão-de-obra utilizada na
instalação do material ou do equipamento vendido, os valores desses serviços integrarão a base de
cálculo da retenção.

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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Em relação ao parágrafo único do Art. 143 da IN 971/2009 é importante frisar que


na instalação de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação, de aquecimento, de
calefação ou de exaustão bem como na instalação de estruturas e esquadrias metálicas
a contratante tem por obrigação legal fazer a retenção, caso seja emitida nota fiscal,
fatura ou recibo de prestação de serviços da mão de obra utilizada na execução dessas
instalações. Não terá a retenção se for emitida apenas a nota fiscal de venda mercantil.

O artigo 144 da IN/971 trata de procedimento a ser realizado quando há contratação


de serviços não sujeitos à retenção (Artigo 143) e de serviços sujeitos à retenção. Nesse
caso, a regra é que seja aplicada a retenção apenas aos serviços sujeitos a retenção,
desde que os valores estejam discriminados na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação
de serviços. Caso não seja feita essa discriminação, a retenção deverá ser aplicada sobre
todos os serviços contratados.

Art. 144. Caso haja, para a mesma obra, contratação de serviço relacionado no art. 143 e,
simultaneamente, o fornecimento de mão-de-obra para execução de outro serviço sujeito à retenção,
aplicar-se-á a retenção apenas a este serviço, desde que os valores estejam discriminados na nota fiscal,
na fatura ou no recibo de prestação de serviços.

Parágrafo único. Não havendo discriminação na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de
serviços, aplicar-se-á a retenção a todos os serviços contratados.

O Artigo 148 da IN 971/2009 trata da exigência de se efetuar a retenção na


contratação de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada, quando o
contratante for:

a) Entidade beneficente de assistência social;


b) Empresa optante pelo Simples Nacional;
c) Sindicato da categoria de trabalhadores avulsos;
d) Operador portuário e
e) Cooperativa.

Art. 148. A entidade beneficente de assistência social em gozo de isenção, a empresa optante pelo
SIMPLES ou pelo Simples Nacional, o sindicato da categoria de trabalhadores avulsos, o OGMO, o
operador portuário e a cooperativa, quando forem contratantes de serviços mediante cessão de mão de
obra ou empreitada, estão obrigados a efetuar a retenção sobre o valor da nota fiscal, da fatura ou do
recibo de prestação de serviços e ao recolhimento da importância retida em nome da empresa
contratada, observadas as demais disposições previstas neste Capítulo.

O Art. 149 da IN/2009 refere-se a situações em que não é aplicada à retenção.

Art. 149. Não se aplica o instituto da retenção:

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I - à contratação de serviços prestados por trabalhadores avulsos por intermédio de sindicato da categoria
ou de OGMO;
II - à empreitada total, conforme definida na alínea "a" do inciso XXVII do caput e no § 1º, ambos do art.
322, aplicando-se, nesse caso, o instituto da solidariedade, conforme disposições previstas na Seção III do
Capítulo IX deste Título, observado o disposto no art. 164 e no inciso IV do § 2º do art. 151;
III - à contratação de entidade beneficente de assistência social isenta de contribuições sociais;
IV - ao contribuinte individual equiparado à empresa e à pessoa física;
V - à contratação de serviços de transporte de cargas, a partir de 10 de junho de 2003, data da publicação
no Diário Oficial da União do Decreto nº 4.729, de 9 de junho de 2003;
VI - à empreitada realizada nas dependências da contratada;
VII - aos órgãos públicos da administração direta, autarquias e fundações de direito público quando
contratantes de obra de construção civil, reforma ou acréscimo, por meio de empreitada total ou parcial,
observado o disposto no inciso IV do § 2º do art. 151, ressalvado o caso de contratarem serviços de
construção civil mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada, em que se obrigam a efetuar a retenção
prevista no art. 112.

Caso exista alguma decisão judicial que vede a aplicação da retenção é importante
observar o que dispõe o Artigo 150 da IN 971/2009 sobre o assunto.

Art. 150. Caso haja decisão judicial que vede a aplicação da retenção, prevista no art. 31 da Lei nº 8.212,
de 1991, observar-se-á o seguinte:
I - na hipótese de a decisão judicial se referir à empresa contratada mediante cessão de mão-de-obra ou
empreitada, não sujeita à aplicação do instituto da responsabilidade solidária, as contribuições
previdenciárias incidentes sobre a remuneração da mão-de-obra utilizada na prestação de serviços serão
exigidas da contratada;
II - se a decisão judicial se referir à empresa contratada mediante empreitada total na construção civil,
sendo a ação impetrada contra o uso, pela contratante, da faculdade prevista no art. 164, hipótese em
que é configurada a previsão legal do instituto da responsabilidade solidária, prevista no inciso VI do art.
30 da Lei nº 8.212, de 1991, ressalvado o disposto no art. 157, a contratante deverá observar o disposto
nos arts. 161 e 163, no que couber, para fins de elisão da sua responsabilidade.
Parágrafo único. Na situação prevista no inciso I do caput, quando a contratada pertencer à jurisdição de
outra unidade da RFB, deverá ser emitido subsídio fiscal para a unidade competente da jurisdição do
estabelecimento matriz da empresa contratada, ainda que a decisão judicial não determine que se
aplique o instituto da responsabilidade solidária.

2.11 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL

O presente trabalho tem por finalidade prestar informações necessárias a


regularização de obras de construção civil e para tanto, tratou da retenção
previdenciária, e como não poderia deixar de ser vamos falar também sobre a
responsabilidade solidária, a qual imputa a outras pessoas o cumprimento da obrigação
previdenciária principal na construção civil. A obrigação principal de uma obrigação
tributária é o pagamento do tributo, a qual se inclui a contribuição a Seguridade Social.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Antes de comentar sobre a responsabilidade tributária na construção civil é


importante discorrer sobre os Artigos 124 e 125 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172
de 25.10.1966) que disciplina as questões sobre a responsabilidade tributária.

Nos incisos I e II do Artigo 124 do CTN estão elencadas as pessoas que são
solidariamente obrigadas, sendo aquelas que têm interesse comum na situação que
constitua o fato gerador da obrigação principal e aquelas pessoas expressamente
designada por lei.

O parágrafo único informa que a solidariedade não comporta benefício de ordem e


dessa forma, a Receita Federal tanto poderá cobrar a contribuição previdenciária do
contribuinte ou do responsável solidário.

Art. 124. São solidariamente obrigadas:


I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação
principal;
II - as pessoas expressamente designadas por lei.
Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.

O artigo 125 do CTN menciona quais são os efeitos da solidariedade. O inciso I afirma
que o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais. Isso quer dizer
que se um dos solidários efetua o pagamento do débito, esse pagamento será
aproveitado por todos os outros solidários.

O inciso II afirma que a isenção ou remissão do crédito exonera todos os obrigados,


salvo de outorgada pessoalmente a um deles, e nesse caso subsiste a solidariedade
quando aos demais pelo saldo. Para exemplificar, digamos que em um crédito tributário
foram identificados quatro responsáveis solidários, a saber: João, Pedro, Paulo e Roberto.
Porém, em razão de certas circunstâncias foi concedida isenção ao João. Dessa forma,
subsiste o crédito tributário para os demais responsáveis solidários.

O inciso III diz que a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados,
favorece ou prejudica aos demais.

Lei 5.172 de 25.10.1966

Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade:

I - o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais;


II - a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um
deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo;
III - a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

A Fazenda Pública tem um prazo de cinco anos para iniciar a cobrança do crédito
tributário, após sua constituição definitiva. Porém, esse prazo é sujeito a interrupções e
suspensões. Se após o prazo de cinco anos não ocorrer o início da cobrança, o crédito
tributário estará prescrito e a fazenda não mais poderá cobrar. A isso se chama de
Prescrição e consta do Artigo 174 do CTN.

Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua
constituição definitiva.
Parágrafo único. A prescrição se interrompe:
I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal;
II - pelo protesto judicial;
III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito
pelo devedor.

O artigo 154 da IN 971/2009 elenca os responsáveis solidários com o contribuinte


quanto ao comprimento da obrigação previdenciária principal no que tange a atividade
de construção civil.

Art. 154. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal na
construção civil:
I - o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino de unidade imobiliária, pessoa
jurídica ou física, quando contratar a execução da obra mediante empreitada total com empresa
construtora, definida no inciso XIX do art. 322, observado o disposto no § 3º, ressalvado o disposto no
inciso IV do § 2º do art. 151;
II -.....
III - os adquirentes que assumam a administração da obra, no caso de falência ou insolvência civil do
incorporador, conforme disposto no art. 31-F da Lei nº 4.591, de 1964, com a redação dada pela Lei nº
10.931, de 2004, observado que cada adquirente responderá individualmente pelos fatos geradores
porventura ocorridos resultantes da diferença do custo orçado e o custo efetivo verificado até a data da
quebra, da seguinte forma:
a) na proporção dos coeficientes de construção atribuíveis às respectivas unidades; ou
b) por outro critério de rateio, deliberado em assembleia geral por 2/3 (dois terços) dos votos dos
adquirentes, de acordo com o disposto na Lei nº 4.591, de 1964, com a redação dada pela Lei nº 10.931,
de 2004.

É importante também observar as regras contidas nos parágrafos abaixo, onde são
estipulados o direito regressivo do contratante para o contratado, a exclusão da
responsabilidade solidária relativo ao adquirente de prédio ou unidade imobiliária e a
responsabilidade solidária no caso de repasse integral do contrato.

Artigo 154 IN 971/2009

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

§ 1º Ao contratante, responsável solidário, é ressalvado o direito regressivo contra o contratado e


admitida a retenção de importância devida a este último para garantia do cumprimento das obrigações
previdenciárias.
§ 2º Exclui-se da responsabilidade solidária o adquirente de prédio ou unidade imobiliária que realizar a
operação com empresa de comercialização ou incorporador de imóveis, ficando estes solidariamente
responsáveis com a empresa construtora.
§ 3º No caso de repasse integral do contrato, na forma prevista no inciso XXXIX do art. 322, fica
estabelecida a responsabilidade solidária entre a empresa construtora originalmente contratada e a
empresa construtora para a qual foi repassada a responsabilidade pela execução integral da obra, além
da solidariedade entre o proprietário, o dono da obra ou o incorporador e aquelas, observado o disposto
no art. 158 e no inciso IV do § 2º do art. 151.

No caso de contratação de obra por empreitada total com empresas reunidas em


consórcio o contratante responde solidariamente com as empresas consorciadas pelo
cumprimento das obrigações perante a Previdência Social.

Fato importante a destacar é que se uma das consorciadas executar partes distintas
do projeto total, bem como realizar faturamento direta e isoladamente para a
contratante mesmo assim subsiste a sua responsabilidade solidária.

A responsabilidade da contratante com o grupo de empresas consorciadas também


por ser elidida na forma do Artigo 164 da IN 971/2009 o qual será explicado mais adiante.

O §4º do Artigo 155 prevê que a responsabilidade solidária do contratante com as


consorciadas alcance também as contribuições destinadas a outras entidades e fundos,
denominadas Terceiros.

Art. 155. No contrato de empreitada total de obra a ser realizada por empresas reunidas em consórcio,
nos termos da alínea "a" do inciso XXVII do art. 322, o contratante responde solidariamente, com as
empresas consorciadas, pelo cumprimento das obrigações perante a Previdência Social, em relação às
operações praticadas pelo consórcio, em nome deste ou da empresa líder, ressalvado o disposto no inciso
IV do § 2º do art. 151.
§ 1º Não desfigura a responsabilidade solidária o fato de cada uma das consorciadas executar partes
distintas do projeto total, bem como realizar faturamento direta e isoladamente para a contratante,
observado o disposto no inciso IV do § 2º do art. 322.
§ 2º As consorciadas se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma
por suas obrigações e pelas decorrentes da contratação, pelo consórcio ou pela empresa líder, de pessoas
jurídicas ou físicas, observado o disposto no inciso X do art. 152.
§ 3º A responsabilidade solidária prevista no caput poderá ser elidida na forma do art. 164, observadas
as disposições do Capítulo VIII do Título II.
§ 4º A solidariedade a que se refere este artigo abrange também o recolhimento das contribuições
destinadas a outras entidades e fundos, além da multa por atraso no cumprimento das obrigações
acessórias.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

De acordo com o Artigo 157 da IN 971/2009 o órgão público da administração direta,


a autarquia e a fundação de direito público, quando contratar obra de construção civil
por empreitada total, não respondem solidariamente pelas contribuições sociais
previdenciárias, ressalvado o disposto no inciso VIII do Artigo 152 da IN 971/2009,
conforme abaixo, no qual os mesmos são responsáveis solidários.

Art. 157. O órgão público da administração direta, a autarquia e a fundação de direito público, na
contratação de obra de construção civil por empreitada total, não respondem solidariamente pelas
contribuições sociais previdenciárias decorrentes da execução do contrato, ressalvado o disposto no inciso
VIII do art. 152.
Art. 152. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal:
VIII - o órgão público da administração direta, a autarquia e a fundação de direito público:
a) no período anterior ao Decreto-Lei nº 2.300, de 21 de novembro de 1986, quando contratar obra de
construção civil, reforma ou acréscimo, bem como quando contratar serviços mediante cessão de mão-
de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário; e
b) no período de 29 de abril de 1995 a 31 de janeiro de 1999, quando contratar serviços mediante cessão
de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário;

Uma entidade beneficente de assistência social é beneficiária de isenção das


contribuições sociais e, dessa forma não recolhe a parte patronal previdenciária
incidente sobre a remuneração paga aos seus segurados. Porém, se ela contratar uma
obra de construção civil ela irá responder solidariamente apenas pelas contribuições
sociais previdenciárias a cargo dos segurados que trabalharem na execução da obra.

Caso a entidade beneficente realize uma obra própria de construção civil que seja
executada diretamente por seus segurados empregados, ela estará isenta das
contribuições previdenciárias.

O fato de a entidade beneficente ser isenta do recolhimento das contribuições


sociais em nada altera a obrigação da empresa construtora em recolher os seus encargos
previdenciários.

Art. 159. A entidade beneficente de assistência social que usufrua da isenção das contribuições sociais,
na contratação de obra de construção civil, na forma dos incisos I e II do art. 154, responde solidariamente
apenas pelas contribuições sociais previdenciárias a cargo dos segurados que laboram na execução da
obra.
§ 1º A isenção das contribuições outorgada à entidade beneficente de assistência social é extensiva à obra
de construção civil quando executada diretamente pela entidade e destinada a uso próprio.
§ 2º O disposto no caput não implica isenção das contribuições sociais devidas pela empresa construtora.
O artigo 160 da IN 971/2009 menciona que as demais formas de contratação de
empreitada de obra não enquadradas no inciso I do Artigo 154 e os serviços de
construção civil discriminados no Anexo VII da referida Instrução Normativa, não são
passíveis de responsabilidade solidária, ficando sujeitas à retenção.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

O inciso I do Artigo 154 da IN 971/2009 por sua vez, trata da responsabilidade


tributária do o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino de
unidade imobiliária, pessoa jurídica ou física, com a empresa construtora, quando
contratar a execução da obra mediante empreitada total. Isso implica dizer que a
contratação de obra mediante empreitada parcial está fora do campo de abrangência da
responsabilidade tributária, mas permanece a obrigatoriedade da retenção, quando
houver esse tipo de contratação de serviço.

Quando houver a contratação de serviços de construção civil (é importante verificar


se o serviço a ser contratado consta do Anexo VII da IN 071/2009 como serviço mesmo
ou se está informando como obra) não será aplicada a responsabilidade tributária do
contratante com o contratado e sim a retenção.

Art. 160. Excluem-se da responsabilidade solidária, sujeitando-se à retenção prevista no art. 112 e,
conforme o caso, no art. 145:
I - as demais formas de contratação de empreitada de obra de construção civil não-enquadradas no inciso
I do art. 154, observado o disposto no inciso IV do § 2º do art. 151;
II - os serviços de construção civil tais como os discriminados no Anexo VII, observado o disposto no art.
143 e no inciso III do § 2º do art. 151.

Quando o contratante de uma obra for efetuar a quitação da nota fiscal, da fatura ou
do recibo de prestação de serviços, algumas obrigações e cuidados devem ser
observados. Embora o Artigo 161 da IN 971/2009 traga algumas exigências para as obras
quitadas até 01/1999, deixaremos de informar aqui e apenas trataremos das obrigações
para quitações após essa data.

A empresa contratante deverá exigir da construtora os seguintes documentos:


a) Cópia da GFIP e a GPS com a identificação da matrícula CEI relativo a mão de obra
própria utilizada pela contratada;
b) GFIP sem movimento quando a contratada não utilizar de mão de obra própria e a
obra for realizada mediante subempreitada;
c) A partir de outubro/2002 exigir cópia das notas fiscais, das faturas ou dos recibos
de prestação de serviços emitidos pelas subempreiteiras, com vinculação
inequívoca à obra, dos documentos de arrecadação das retenções e da GFIP das
subempreiteiras com o devido comprovante de entrega;
d) Deve exigir também a partir da competência de Outubro/2002 o Programa de
Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), LTCAT, Programa de Condições e Meio
Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT), para empresas com
20 (vinte) trabalhadores ou mais por estabelecimento ou obra de construção civil,
e Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), que demonstrem
o gerenciamento de riscos ambientais por parte da construtora, bem como a

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

necessidade ou não da contribuição adicional prevista no § 2º do art. 72,


observado, quanto ao LTCAT, o disposto no inciso V do art. 291.
Art. 161. Quando da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, cabe ao
contratante, observado o disposto no § 4º, exigir:
II - da empresa construtora contratada por empreitada total:
a) a partir da competência janeiro de 1999, cópia da GFIP com as informações referentes à obra, da folha
de pagamento específica para a obra e do documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI
da obra, relativos à mão-de-obra própria utilizada pela contratada;
b) a partir da competência janeiro de 1999, cópia da GFIP identificada com a matrícula CEI da obra,
informando a ausência de fato gerador de obrigações previdenciárias, quando a construtora não utilizar
mão-de-obra própria e a obra for completamente realizada mediante contratos de subempreitada;
c) a partir da competência fevereiro de 1999 até a competência setembro de 2002, cópia das notas fiscais,
das faturas ou dos recibos de prestação de serviços emitidos por subempreiteiras, com vinculação
inequívoca à obra, e dos correspondentes documentos de arrecadação de retenção;
d) a partir da competência outubro de 2002, cópia das notas fiscais, das faturas ou dos recibos emitidos
por subempreiteiras, com vinculação inequívoca à obra, dos correspondentes documentos de arrecadação
da retenção e da GFIP das subempreiteiras com comprovante de entrega, com informações específicas
do tomador da obra;
e) a partir da competência outubro de 2002, Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), LTCAT,
Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT), para
empresas com 20 (vinte) trabalhadores ou mais por estabelecimento ou obra de construção civil, e
Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), que demonstrem o gerenciamento de
riscos ambientais por parte da construtora, bem como a necessidade ou não da contribuição adicional
prevista no § 2º do art. 72, observado, quanto ao LTCAT, o disposto no inciso V do art. 291.
§ 1º Nas hipóteses da alínea "b" do inciso I e do inciso II do caput, o contratante deverá exigir da
contratada comprovação de escrituração contábil regular para o período de prestação de serviços na
obra, se os recolhimentos apresentados forem inferiores aos calculados de acordo com as normas de
aferição indireta da remuneração, previstas nos arts. 450 e 451.
§ 2º A comprovação de escrituração contábil será efetuada mediante cópia do balanço extraído do livro
Diário formalizado, para os exercícios encerrados, observado o disposto no § 5º do art. 47, e, para o
exercício em curso, por meio de declaração firmada pelo representante legal da empresa, sob as penas
da lei, de que os valores apresentados estão contabilizados.
§ 3º Aplica-se o disposto neste artigo, no que couber, à empresa construtora contratada por empreitada
total que efetuar o repasse integral do contrato, conforme definido no inciso XXXIX do art. 322, bem como
à empresa construtora que assumir a execução do contrato transferido.
§ 4º Ao órgão público da administração direta, à autarquia e à fundação de direito público contratantes
de serviços mediante cessão de mão-de-obra ou de execução de obras ou serviços de construção civil,
cabe exigir cópia dos documentos referidos na alínea "a" do inciso I do caput, no período de 29 de abril
de 1995 até a competência janeiro de 1999.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

2.12 DA ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA

O Artigo 163 da IN 071/2009 trata da elisão da responsabilidade solidária do


proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador e o condômino da unidade
imobiliária com a empresa construtora. Elidir-se da responsabilidade solidaria é a
possibilidade de não poder ser cobrado pela fazenda pública de valores que a construtora
não recolheu de contribuições sociais. A elisão da responsabilidade solidária dar-se-á
mediante a comprovação do recolhimento, conforme o caso:

I - das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração contida na folha de


pagamento dos segurados utilizados na prestação de serviços e respectiva GFIP,
corroborada por escrituração contábil, se o valor recolhido for inferior ao indiretamente
aferido com base nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação de serviços;

II - das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração da mão-de-obra contida em


nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, aferidas indiretamente,
caso a contratada não apresente a escrituração contábil formalizada na época da
regularização da obra;

III - das retenções efetuadas pela empresa contratante, no uso da faculdade prevista no
art. 164, com base nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação de serviços
emitidos pela construtora contratada mediante empreitada total;

IV - das retenções efetuadas com base nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de
prestação de serviços emitidos pelas subempreiteiras, que tenham vinculação inequívoca
à obra.

O contratante da empreitada total também poderá elidir-se da responsabilidade


solidária mediante a retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal, da
fatura ou recibo de prestação de serviços e a comprovação do recolhimento do valor
retido. Não basta reter é preciso recolher no CEI da obra com a identificação da
contratada. Feito isso a contratante estará elidida da responsabilidade solidária. Essa
regra consta do Artigo 164 da IN 971/2009.

Art. 164. A contratante de empreitada total poderá elidir-se da responsabilidade solidária mediante a
retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de
serviços contra ela emitido pela contratada, inclusive o consórcio, a comprovação do recolhimento do
valor retido, na forma prevista no Capítulo VIII do Título II, e a apresentação da documentação
comprobatória do gerenciamento dos riscos ocupacionais, na forma prevista no art. 291, observado o
disposto no art. 145.
§ 1º A contratante efetuará o recolhimento do valor retido em documento de arrecadação identificado
com a matrícula CEI da obra de construção civil e a denominação social da contratada.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

§ 2º O valor retido poderá ser compensado pela empresa contratada, ou ser objeto de restituição,
observadas as regras definidas em ato próprio da RFB.
§ 3º A partir de 21 de novembro de 1986, não existe responsabilidade solidária dos órgãos públicos da
administração direta, autarquias e fundações de direito público, portanto, a esses não se aplica a retenção
prevista neste artigo quando forem contratantes de obra de construção civil mediante empreitada total.

3. DAS NORMAS APLICÁVEIS A CONSTRUÇÃO CIVIL

Iniciaremos aqui o estudo das normas aplicáveis a construção civil. Nesse tópico
vamos discorrer sobre as informações necessárias ao bom entendimento das regras
aplicadas pela Receita Federal do Brasil quando da regularização de uma obra de
construção civil.

A Instrução Normativa RFB 971/2009 será a base legal para o presente trabalho com
as atualizações promovidas pela IN RFB nº 1477 de 03.07.2014 e IN RFB nº 1505, de 31
de outubro de 2014 as quais trouxeram várias alterações no tocante à regularização das
obras.

As normas aplicáveis a construção civil estão descritas nos Artigos 322 a 394 da IN
RFB 971/2009.

3.1 DOS CONCEITOS

Para as pessoas físicas e jurídicas que vão construir ou já estão construindo é de


suma importância conhecer alguns conceitos utilizados pela Receita Federal do Brasil, os
quais constam no Artigo 322 da IN 971/2009. Vou reproduzir os conceitos obtidos na
referida IN e comentar alguns que julgo de extrema importância.

I - Obra de construção civil: a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de


edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo, conforme
discriminação no Anexo VII;

Note-se de que não é apenas a construção de uma obra nova que é considerada
uma obra de construção e que deve ser regularizada perante a RFB. A demolição, a
reforma e a ampliação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou subsolo são
consideradas como obras de construção e precisam ser regularizadas.

II – Anexo: a edificação que complementa a construção principal, edificada em corpo


separado e com funções dependentes dessa construção, podendo ser, por exemplo, área

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

de serviço, lavanderia, acomodação de empregados, piscina, quadra, garagem externa,


guarita, portaria, varanda, terraço, entre outras similares;

III – Demolição: a destruição total ou parcial de edificação, salvo a decorrente da ação de


fenômenos naturais;

A demolição somente será considerada como obra de construção civil se tiver


intervenção do homem, mediante ação manual ou com uso de equipamento. Se houver
uma ação da natureza (deslizamentos, chuvas, raios.etc) não será considerado obra de
construção civil.

IV – Reforma: a modificação de uma edificação ou a substituição de materiais nela


empregados, sem acréscimo de área;

A reforma de uma área é sempre sem acréscimo de área. Quando houver um


acréscimo, este será considerado uma ampliação.

Exemplificando: uma residência de 130 m2 vai ser totalmente reformada e, além disso,
terá uma ampliação de 40 m2 ficando a residência com 170 m2. Para fins de regularização
da obra, os 130 m2 já existentes serão considerados como Reforma e os 40 m2 serão
considerados como Ampliação. Isso parece bem simples, mas na hora das pessoas
preencherem a DISO Internet isso gera certa confusão na marcação e preenchimento das
quadrículas correspondentes. Importante observar também que os cálculos para
recolhimento do INSS serão efetuados separadamente, pois a reforma tem uma redução
de 65% na remuneração de mão de obra e a ampliação será tributada pelo valor integral.

V - Reforma de pequeno valor - aquela de responsabilidade de pessoa jurídica, que


possui escrituração contábil regular, e de pessoa física, em que não há alteração de área
construída, cujo custo estimado total, incluindo material e mão-de-obra, não ultrapasse
o valor de 20 (vinte) vezes o limite máximo do salário-de-contribuição vigente na data de
início da obra;

Será considerada reforma de pequeno valor a obra em que não ocorra alteração
na área já construída e que o custo (material mais mão de obra) não ultrapasse o valor
de R$ 93.275,00 (20 X 4.663,75). Esse valor é atualizado todo início de ano, através de
uma Portaria Interministerial do Ministério da Previdência Social (MPS) e Ministério da
Fazenda (MF).

VI - Acréscimo ou ampliação - a obra realizada em edificação preexistente, já


regularizada na RFB, que acarrete aumento da área construída, conforme projeto
aprovado;

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

O acréscimo ou ampliação deverá ocorrer em obras existentes e já regularizadas na


RFB e que acarrete um aumento da área construída. Um ponto muito importante a
destacar é saber se a área existente já está regularizada na RFB. O §1º do Artigo 366
define o que vem a ser uma obra regularizada.

Art. 366. No caso de reforma, de demolição ou de acréscimo de área, deverá ser verificado se a área
original do imóvel está regularizada perante a RFB.
§ 1º Considera-se obra regularizada, aquela:
I - já averbada no Cartório de Registro de Imóveis;
II - para a qual já foi emitida CND;
III - comprovadamente finalizada em período decadencial.

VII - Obra inacabada - a parte executada de um projeto que resulte em edificação sem
condições de habitabilidade, ou de uso, para a qual não é emitido habite-se, certidão de
conclusão da obra emitida pela prefeitura municipal ou termo de recebimento de obra,
quando contratada com a Administração Pública;

Uma obra inacabada é aquela que não tem condições de habitabilidade e para a
qual não foi emitido o Habite-se. Para que uma obra seja habitável é necessário que
cumpram alguns requisitos estabelecimentos pelas leis municipais que tratam de
construções civis. Em regra, as condições de habitabilidade são as seguintes:
- Estar em funcionamento as instalações hidrossanitárias, elétricas e demais
instalações;
- Ter o laudo de vistoria do Corpo de Bombeiros;
- Apresentar insolação, iluminação e ventilação conforme projeto aprovado;
- Ter as aberturas (janelas e portas) devidamente instaladas.

VIII - Construção parcial - a execução parcial de um projeto cuja obra se encontre em


condições de habitabilidade ou de uso, demonstradas em habite-se parcial, certidão da
prefeitura municipal, termo de recebimento de obra, quando contratada com a
Administração Pública ou em outro documento oficial expedido por órgão competente;

Diferentemente da obra inacabada, a construção parcial, encontra-se em


condições de habitabilidade pelo menos, em uma parte da obra. A habitabilidade é
comprovada com a emissão do Habite-se parcial.

IX – Benfeitoria - a obra efetuada num imóvel com o propósito de conservação ou de


melhoria;

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X - Serviço de construção civil - aquele prestado no ramo da construção civil, tais como
os discriminados no Anexo VII;

XI – Edifício - a obra de construção civil com mais de um pavimento, composta ou não de


unidades autônomas;

XII - Unidade autônoma: a parte da edificação vinculada a uma fração ideal de terreno e
coisas comuns, constituída de dependências e instalações de uso privativo e de parte das
dependências e instalações de uso comum da edificação, destinada a fins residenciais ou
não, assinalada por designação especial numérica ou alfabética, para efeitos de
identificação e discriminação, observado o disposto no § 4º;

XIII – Bloco: cada um dos edifícios de um conjunto de prédios pertencentes a um


complexo imobiliário, constantes do mesmo projeto;

XIV – Pavimento: o conjunto das dependências de uma edificação, cobertas ou


descobertas, situadas em um mesmo nível, com acesso rotineiro aos ocupantes e que
tenha função própria, tais como andar-tipo, mezanino, sobreloja, subloja, subsolo;

XV - Canteiro de obras: a área destinada à execução da obra, aos serviços de apoio e à


implantação das instalações provisórias indispensáveis à realização da construção, tais
como alojamento, escritório de campo, estande de vendas, almoxarifado ou depósito,
entre outras;

XVI - Área construída - a correspondente à área total do imóvel, definida no inciso XVII,
submetida, quando for o caso, à aplicação dos redutores previstos no art. 357;

XVII - Área total - a soma das áreas cobertas e descobertas de todos os pavimentos do
corpo principal do imóvel, inclusive subsolo e pilotis, e de seus anexos, constantes do
mesmo projeto de construção, informada no habite-se, certidão da prefeitura municipal,
planta ou projeto aprovados, termo de recebimento da obra, quando contratada com a
Administração Pública ou em outro documento oficial expedido por órgão competente;

XVIII – Pilotis: a área aberta, sustentada por pilares, que corresponde à projeção da
superfície do pavimento imediatamente acima;

XIX - Empresa construtora, a pessoa jurídica legalmente constituída, cujo objeto social
seja a indústria de construção civil, com registro no Crea ou no CAU, conforme o caso, na
forma prevista no art. 59 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, ou no art. 10 da
Lei nº 12.378, de 31 de dezembro de 2010;

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XX - Construção de edificação em condomínio - a obra de construção civil executada sob


o regime condominial na forma da Lei nº 4.591, de 1964, de responsabilidade de
condôminos pessoas físicas ou jurídicas, ou físicas e jurídicas, proprietárias do terreno,
com convenção de condomínio arquivada em cartório de registro de imóveis;

XXI – Condomínio - a copropriedade de edificação ou de conjunto de edificações, de 1


(um) ou mais pavimentos, construídos sob a forma de unidades autônomas, destinadas
a fins residenciais ou não, cabendo para cada unidade, como parte inseparável, uma
fração ideal do terreno e das coisas comuns, conforme disposto na Lei nº 4.591, de 1964;

XXII – Condômino: o proprietário de uma parte ideal de um condomínio ou de uma


unidade autônoma vinculada a uma fração ideal de terreno e das coisas comuns;

XXIII - Construção em nome coletivo: a obra de construção civil realizada, por conjunto
de pessoas físicas ou jurídicas ou a elas equiparadas, ou por conjunto de pessoas físicas
e jurídicas, na condição de proprietárias do terreno ou na condição de donas dessa obra,
sem convenção de condomínio nem memorial de incorporação arquivados no cartório
de registro de imóveis;

XXIV - Casa popular: a construção residencial unifamiliar, construída com mão-de-obra


assalariada, sujeita à matrícula no CEI, com área total de até 70m2 (setenta metros
quadrados), classificada como econômica, popular ou outra denominação equivalente
nas posturas sobre obras do Município;

Sobre a construção de casa popular há algumas considerações importantes a


serem feitas. De acordo com a legislação em vigor, uma obra de casa popular necessita
sim de matrícula CEI. A expedição de CND sem a cobrança de INSS será apenas para a
obra que se enquadrar nas seguintes condições:

1) que o proprietário do imóvel ou dono da obra seja pessoa física e não possua outro
imóvel;
2) que a residência seja unifamiliar;
3) que sua área total não seja superior a 70m2 (setenta metros quadrados);
4) que seja destinada a uso próprio;
5) que seja do tipo econômico ou popular; e
6) seja executada sem mão-de-obra remunerada;

A CND será dispensada quando for para se efetuar a averbação no Registro de


Imóveis de obra de construção civil residencial que seja, cumulativamente, unifamiliar,
destinada a uso próprio, do tipo econômico, executada sem mão-de-obra remunerada

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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

e de área total não superior a 70m2 (setenta metros quadrados) cujo proprietário ou
dono da obra seja pessoa física, conforme disposto no inciso I do art. 370.

Porém, quando da solicitação de CND para obra de construção civil executada com
recursos do sistema financeiro, que atenda as condições previstas nos itens 1 a 6 acima,
e para fins de comprovação da execução da obra sem utilização de mão-de-obra
remunerada e liberação da CND sem cobrança de contribuições previdenciárias, o
responsável deverá apresentar o contrato de financiamento.

Se acaso for constatado no contrato de financiamento que existe previsão de


liberação de parcela destinada ao pagamento de mão-de-obra, a CND será liberada
após a regularização das contribuições apuradas mediante a aferição indireta, com
emissão de ARO.

XXV - Conjunto habitacional popular: o complexo constituído por unidades


habitacionais com área de uso privativo não-superior a 70m2 (setenta metros
quadrados), classificada como econômica, popular ou outra denominação equivalente
nas posturas sobre obras do Município, mesmo quando as obras forem executadas por
empresas privadas;

XXVI – Consórcio: a associação de empresas, sob o mesmo controle ou não, sem


personalidade jurídica própria, com contrato de constituição e suas alterações
registrados em junta comercial, formado com o objetivo de executar determinado
empreendimento;

XXVII - Contrato de construção civil ou contrato de empreitada :(também conhecido


como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele
celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o
condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no
todo ou em parte, podendo ser:

a) Total - quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso


XIX, que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços
necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes,
com ou sem fornecimento de material;

Contrato de empreitada total entende-se pelo contrato em que a empresa


construtora execute todas as fases da obra, com ou sem fornecimento de material.

b) parcial - quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na


área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de
material;

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Contrato de empreitada parcial é aquele em que a empresa construtora ou


prestadora de serviços execute parte da obra apenas, com ou sem fornecimento de
material.

XXVIII - Contrato de subempreitada: aquele celebrado entre a empreiteira ou qualquer


empresa subcontratada e outra empresa, para executar obra ou serviço de construção
civil, no todo ou em parte, com ou sem fornecimento de material;

Note-se que um contrato de subempreitada tanto pode ser para executar obra ou
serviço, total ou parcial, com ou sem fornecimento de material.

XXIX - Contrato por administração: aquele em que a empresa contratada somente


administra a obra de construção civil e recebe como pagamento uma percentagem sobre
todas as despesas realizadas na construção ou um valor previamente estabelecido em
contrato, denominado "taxa de administração";

XXX – Empreiteira: a empresa que executa obra ou serviço de construção civil, no todo
ou em parte, mediante contrato de empreitada celebrado com proprietário do imóvel,
dono da obra, incorporador ou condômino;

XXXI – Subempreiteira: a empresa que executa obra ou serviço de construção civil, no


todo ou em parte, mediante contrato celebrado com empreiteira ou com qualquer
empresa subcontratada;

XXXII - Proprietário do imóvel: a pessoa física ou jurídica detentora legal da titularidade


do imóvel;

XXXIII - Dono de obra: a pessoa física ou jurídica, não-proprietária do imóvel, investida


na sua posse, na qualidade de promitente-comprador, cessionário ou promitente-
cessionário de direitos, locatário, comodatário, arrendatário, enfiteuta, usufrutuário, ou
outra forma definida em lei, no qual executa obra de construção civil diretamente ou por
meio de terceiros;

XXXIV – Incorporador : a pessoa física ou jurídica, que, embora não executando a obra,
compromisse ou efetive a venda de frações ideais de terreno, objetivando a vinculação
de tais frações a unidades autônomas, em edificações a serem construídas ou em
construção sob regime condominial, ou que meramente aceite propostas para efetivação
de tais transações, coordenando e levando a termo a incorporação e responsabilizando-
se, conforme o caso, pela entrega da obra concluída, com prazo, preço e determinadas
condições previamente acertadas;

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XXXV - Incorporação imobiliária: a atividade exercida com o intuito de promover e


realizar a construção de edificações ou de conjunto de edificações, compostas de
unidades autônomas, para alienação total ou parcial, conforme Lei nº 4.591, de 1964;

XXXVI - Patrimônio de afetação: aquele constituído na forma do art. 31-B, submetido, a


critério do incorporador, ao regime de afetação, de que trata o art. 31-A da Lei nº 4.591,
de 1964, incluídos pela Lei nº 10.931, de 2004;

O patrimônio de afetação é aquele que a critério do incorporador terá a


incorporação submetida ao regime da afetação, pelo qual o terreno e as acessões objeto
de incorporação imobiliária, bem como os demais bens e direitos a ela vinculados,
manterão apartados do patrimônio do incorporador e constituirão patrimônio de
afetação, destinado à consecução da incorporação correspondente e à entrega das
unidades imobiliárias aos respectivos adquirentes.

De acordo com a Lei 4.591/1964 o patrimônio de afetação não se comunica com os


demais bens, direitos e obrigações do patrimônio geral do incorporador ou de outros
patrimônios de afetação por ele constituídos e só responde por dívidas e obrigações
vinculadas à incorporação respectiva. O incorporador responde pelos prejuízos que
causar ao patrimônio de afetação.

Considera-se constituído o patrimônio de afetação mediante averbação, a qualquer


tempo, no Registro de Imóveis, de termo firmado pelo incorporador e, quando for o caso,
também pelos titulares de direitos reais de aquisição sobre o terreno.

Quando se fala de patrimônio de afetação é importante comentar sobre o Regime


Especial de Tributação (RET) o qual é aplicável às incorporações imobiliárias, e foi
instituído pela Lei nº 10.931, de 2004, tem caráter opcional e irretratável enquanto
perdurarem direitos de crédito ou obrigações do incorporador junto aos adquirentes dos
imóveis que compõem a incorporação.

A opção pela aplicação do RET à incorporação imobiliária, somente será considerada


efetivada quando atendidos os seguintes requisitos, pela ordem em que estão descritos:

I - afetação do terreno e das acessões objeto da incorporação imobiliária nos termos dos
arts. 31-A a 31-E da Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964;
II - inscrição de cada "incorporação afetada" no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica
(CNPJ), vinculada ao evento "109 - Inscrição de Incorporação Imobiliária - Patrimônio de
Afetação";
III - prévia adesão ao Domicílio Tributário Eletrônico (DTE);

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IV - Regularidade fiscal da matriz da pessoa jurídica quanto aos tributos administrados


pela RFB, às contribuições previdenciárias e à Dívida Ativa da União administrada pela
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN); e
V - regularidade do recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
VI - apresentação do formulário "Termo de Opção pelo Regime Especial de Tributação".

De acordo com a Instrução Normativa RFB nº 1.435, de 30 de dezembro de 2013 o


terreno e as acessões objeto da incorporação imobiliária sujeita ao RET, bem como os
demais bens e direitos a ela vinculados, não responderão por dívidas tributárias da
incorporadora relativas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o PIS/Pasep e à
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), exceto as calculadas
na forma do art. 5º sobre as receitas recebidas no âmbito da respectiva incorporação.

O patrimônio da incorporadora responderá pelas dívidas tributárias da incorporação


afetada.

Para cada incorporação submetida ao RET, a incorporadora ficará sujeita ao


pagamento mensal equivalente a 4% (quatro por cento) das receitas mensais recebidas,
que corresponderá ao pagamento unificado de:

I - IRPJ;
II - CSLL;
III - Contribuição para o PIS/Pasep; e
IV - COFINS.

Considera-se receita mensal o total das receitas recebidas pela incorporadora com a
venda de unidades imobiliárias que compõem cada incorporação submetida ao RET, bem
como, as receitas financeiras e "variações monetárias" decorrentes dessa operação.

O pagamento mensal equivalente a 4% (quatro por cento) das receitas mensais


recebidas, aplica-se a partir de 28 de dezembro de 2012, inclusive em relação à
incorporação já submetida ao RET anteriormente.

Até 27 de dezembro de 2012, o pagamento mensal correspondia a 6% (seis por


cento) das receitas mensais recebidas.

Informação importante é a de que até 31 de dezembro de 2014, para os projetos de


incorporação de imóveis residenciais de interesse social, cuja construção tenha sido
iniciada a partir de 31 de março de 2009, o percentual correspondente ao pagamento

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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

unificado dos tributos submetido a sistemática do RET será equivalente a 1% (um por
cento) das receitas mensais recebidas.

XXXVII - Empresa com escrituração contábil regular: aquela que mantém livros Diário e
Razão escriturados e formalizados;

XXXVIII – Urbanização: a execução de obras e serviços de infraestrutura próprios da zona


urbana, entre os quais se incluem arruamento, calçamento, asfaltamento, instalação de
rede de iluminação pública, canalização de águas pluviais, abastecimento de água,
instalação de sistemas de esgoto sanitário, jardinagem, entre outras;

XXXIX - Repasse integral: o ato pelo qual a construtora originalmente contratada para
execução de obra de construção civil, não tendo empregado nessa obra qualquer
material ou serviço, repassa o contrato para outra construtora, que assume a
responsabilidade pela execução integral da obra prevista no contrato original;

XL - Telheiro: a edificação rústica, coberta, de 1 (um) pavimento, sem fechamento lateral,


ou lateralmente fechada apenas com a utilização de tela.

XLI - Destinação do imóvel, a finalidade para a qual se destina a obra, de acordo com as
tabelas previstas no art. 346, observado o disposto no § 7º desse artigo, podendo ser:)

a) residencial: unifamiliar, multifamiliar, edifício, hotel, motel, spa, hospital, áreas


comuns de conjunto habitacional horizontal;)
b) comercial andar livre;)
c) comercial salas e lojas;)
d) edifício de garagem;)
e) galpão industrial;)
f) casa popular; e)
g) conjunto habitacional popular;)

XLII - Categoria da obra - a obra nova, a demolição, a reforma ou o acréscimo.

Os parágrafos seguintes do Artigo 322 trazem mais alguns conceitos e informações


importantes.

§ 1º Será também considerada empreitada total:

I - o repasse integral do contrato, na forma do inciso XXXIX do caput;

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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

II - a contratação de obra a ser realizada por consórcio, constituído de acordo com o disposto no art. 279
da Lei nº 6.404, de 1976, desde que pelo menos a empresa líder seja construtora, conforme definida no
inciso XIX do caput;

III - a empreitada por preço unitário e a tarefa, cuja contratação atenda aos requisitos previstos no art.
158.

§ 2º Receberá tratamento de empreitada parcial:

I - a contratação de empresa não registrada no Crea ou no CAU ou de empresa registrada nesses


Conselhos com habilitação apenas para a realização de serviços específicos, como os de instalação
hidráulica, elétrica e similares, ainda que essas empresas assumam a responsabilidade direta pela
execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a
ela inerentes, observado o disposto no inciso III do art. 26;)

Observe que a regra acima diz que, caso ocorra a contratação de uma empresa que execute
todos os serviços de uma obra de construção civil, mas não seja registrada no CREA, o contrato
receberá o tratamento de empreitada parcial e, nesse caso a matrícula deverá ser de
responsabilidade do contratante da obra.

II - a contratação de consórcio que não atenda ao disposto no inciso II do § 1º;


III - a reforma de pequeno valor, definida no inciso V do caput;
IV - aquela realizada por empresa construtora em que tenha ocorrido faturamento de subempreiteira
diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador, ainda que a subempreiteira tenha sido
contratada pela construtora.
§ 3º Enquadra-se no conceito do inciso XL do caput o galpão rural que mantenha as características nele
previstas, desde que lateralmente fechado apenas com tela e mureta de alvenaria.
§ 4º Não são consideradas unidades autônomas, para fins de enquadramento da obra destinada a
residência, a unidade do zelador, os boxes, as garagens, bem como depósitos, áreas de recepção, áreas
de circulação, banheiros e outras áreas de uso comum.
§ 5º O consórcio definido no inciso XXVI não é sujeito passivo de obrigação tributária relativa a tributo de
que trata esta Instrução Normativa.
Art. 323. Terá tratamento de obra de pessoa jurídica:
I - a construção de edificação em condomínio e a incorporação por pessoa física, desde que atendidos os
requisitos da Lei nº 4.591, de 1964;
II - a construção em nome coletivo, sob responsabilidade de pessoas jurídicas ou de pessoas físicas e
jurídicas, incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964.
Art. 324. A obra de construção civil deverá ser matriculada no CEI, conforme disposto na Subseção I da
Seção III do Capítulo II do Título I.

3.2 DOS RESPONSÁVEIS PELAS OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

São responsáveis pelas obrigações previdenciárias sobre à execução de obra de


construção civil, o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

de unidade imobiliária e a empresa construtora. Caberá ao responsável a regularização


da obra perante a Receita Federal.

A pessoa física, dona da obra ou executora de obra de construção civil é responsável


pelo pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração paga, devida ou
creditada aos segurados que lhe prestem serviços na obra, na mesma forma e prazos
aplicados às empresas em geral.

De acordo com o Artigo 3º, § 4º, inciso VI da IN 971/2009 o proprietário do imóvel,


o incorporador ou o dono de obra de construção civil equipara-se à empresa para fins de
cumprimento de obrigações previdenciária em relação ao segurado que lhe presta
serviços.
Art. 325. São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de
construção civil o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade
imobiliária não incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, e a empresa construtora.
Parágrafo único. A pessoa física, dona da obra ou executora da obra de construção civil, é responsável
pelo pagamento de contribuições em relação à remuneração paga, devida ou creditada aos segurados
que lhe prestam serviços na obra, na mesma forma e prazos aplicados às empresas em geral.

3.2.1 DAS OBRIGAÇÕES DOS RESPONSÁVEIS POR OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL

A pessoa física ou jurídica responsável por obra de construção civil está sujeita ao
cumprimento de várias obrigações seja principal ou acessória. A obrigação principal é de
recolher as contribuições arrecadadas dos segurados e as contribuições a seu cargo,
incidentes sobre as remunerações dos segurados utilizados na obra. Dentre as
obrigações acessórias, destaco as seguintes:

I - inscrever, no RGPS, os segurados empregados e os trabalhadores avulsos a seu serviço;


II - inscrever, quando pessoa jurídica, como contribuintes individuais no RGPS, a partir de
1º de abril de 2003, as pessoas físicas contratadas sem vínculo empregatício e os sócios
cooperados, no caso de cooperativas de trabalho e de produção, se ainda não inscritos;
III - elaborar folha de pagamento mensal da remuneração paga, devida ou creditada a
todos os segurados a seu serviço, de forma coletiva por estabelecimento, por obra de
construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização e resumo
geral.
IV - lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada,
os fatos geradores de todas as contribuições sociais a cargo da empresa, as contribuições
sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as decorrentes de sub-rogação, as
retenções e os totais recolhidos.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

V - prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse


desta, na forma por esta estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à
fiscalização;
VI - exibir à fiscalização da RFB, quando intimada para tal, todos os documentos e livros
com as formalidades legais intrínsecas e extrínsecas, relacionados com as contribuições
sociais;
VII - informar mensalmente em GFIP emitida por estabelecimento da empresa, com
informações distintas por tomador de serviço e por obra de construção civil, os dados
cadastrais, os fatos geradores, a base de cálculo e os valores devidos das contribuições
sociais.
VIII - matricular no CEI obra de construção civil executada sob sua responsabilidade,
dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados do início da execução;
IX - comunicar ao INSS acidente de trabalho ocorrido com segurado empregado e
trabalhador avulso, até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de
morte, de imediato;

Art. 326. O responsável por obra de construção civil, em relação à mão-de-obra diretamente por ele
contratada, está obrigado ao cumprimento das obrigações acessórias previstas no art. 47, no que couber.

Art. 327. O responsável por obra de construção civil está obrigado a recolher as contribuições arrecadadas
dos segurados e as contribuições a seu cargo, incidentes sobre a remuneração dos segurados utilizados
na obra e por ele diretamente contratados, de forma individualizada por obra e, se for o caso, a
contribuição social previdenciária incidente sobre o valor pago à cooperativa de trabalho, em documento
de arrecadação identificado com o número da matrícula CEI.

Se uma obra de construção civil for executada mediante um contrato de empreitada


parcial e subempreitada, o responsável por ela deverá emitir uma GFIP com a informação
de ausência de fato gerador (GFIP sem movimento). Os trabalhadores dessa obra serão
informados na GFIP da empresa responsável pela execução da obra. O código da GFIP
deverá ser o 150 (obra parcial).

§ 1º Se a obra for executada exclusivamente mediante contratos de empreitada parcial e subempreitada,


o responsável por ela deverá emitir uma GFIP identificada com a matrícula CEI, com a informação de
ausência de fato gerador (GFIP sem movimento), conforme disposto no Manual da GFIP.

§ 2º Sendo o responsável uma pessoa jurídica, o recolhimento das contribuições incidentes sobre a
remuneração dos segurados do setor administrativo deverá ser feito em documento de arrecadação
identificado com o número do CNPJ do estabelecimento em que esses segurados exercem sua atividade.

A legislação previdenciária prevê que a pessoa jurídica deve escriturar os


lançamentos relativo a obra em centros de custos distintos separando suas obras
próprias daquelas que executar mediante contrato de empreitada total.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Art. 328. O responsável pela obra de construção civil, pessoa jurídica, está obrigado a efetuar escrituração
contábil relativa a obra, mediante lançamentos em centros de custo distintos para cada obra própria ou
obra que executar mediante contrato de empreitada total, conforme disposto no inciso IV do art. 47,
observado o disposto nos §§ 5º, 6º e 8º do mesmo artigo.

Parágrafo único. Para os fins deste artigo, entende-se por responsáveis pela obra as pessoas jurídicas
relacionadas no art. 325.

Art. 329. Na contratação de empreitada sujeita à retenção prevista nos arts. 112 e 145, a contratada deve
destacar na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços o valor da retenção, observando
o disposto no art. 126.

Parágrafo único. Na hipótese de subcontratação, o destaque da retenção deve observar o disposto no art.
127.

Art. 330. O lançamento contábil da retenção prevista nos arts. 112 e 145, incidente sobre o valor da nota
fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, deverá ser efetuado conforme disciplinado nos
arts. 137 e 140.

§ 1º Na escrituração contábil em que houver lançamento pela soma total das notas fiscais, das faturas
ou dos recibos de prestação de serviços e pela soma total da retenção, por mês, por prestador de serviços
ou por tomador, a empresa responsável pela obra ou a empresa contratada deverá manter em registros
auxiliares a discriminação desses valores, individualizados por prestador de serviços ou por tomador,
conforme o caso.

§ 2º A empresa contratada e a empresa contratante legalmente dispensadas da escrituração contábil


deverão elaborar demonstrativo mensal, assinado pelo seu representante legal, relativo a cada contrato,
contendo as informações previstas no art. 141.

Os contratantes de obras de construção civil devem sempre exigir dos contratados


que, quando da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços,
estes façam a devida vinculação à obra, informando a identificação do contratante, a
descrição dos serviços, a matrícula CEI e o endereço da obra. Isso facilidade, inclusive, no
momento em que a pessoa física ou jurídica for regularizar uma obra por decadência.

Art. 331. A empresa contratada, quando da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação
de serviços, deve fazer a vinculação desses documentos à obra, neles consignando a identificação do
destinatário e, juntamente com a descrição dos serviços, a matrícula CEI e o endereço da obra na qual
foram prestados.

Art. 332. A empresa contratada deverá elaborar folha de pagamento específica para a obra de
responsabilidade da empresa contratante e o respectivo resumo geral, bem como a GFIP com as
informações específicas para a obra, relacionando todos os segurados alocados na prestação de serviços,
observado o disposto no art. 135.

Art. 333. A empreiteira e a subempreiteira, não responsáveis pela obra, deverão consolidar e recolher,
em um único documento de arrecadação, por competência e por estabelecimento identificado com seu

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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

CNPJ, as contribuições incidentes sobre a remuneração de todos os segurados, tanto os da administração


quanto os da obra, e, se for o caso, a contribuição social previdenciária incidente sobre o valor pago à
cooperativa de trabalho relativa à prestação de serviços de cooperados, podendo compensar, no
pagamento destas contribuições, as retenções ocorridas com base nos arts. 112 e 145.

Art. 334. A empresa contratante é obrigada a manter em arquivo, por empresa contratada, em ordem
cronológica, à disposição da RFB, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, as notas fiscais,
as faturas ou os recibos de prestação de serviços e as correspondentes GFIP e, se for o caso, as cópias dos
documentos relacionados no § 2º do art. 127, por disposição expressa no § 6º do art. 219 do RPS.

Parágrafo único. Para os fins do caput, a empresa contratante deverá exigir as cópias das GFIP emitidas
pelas empresas contratadas, com informações específicas para a obra e identificação de todos os
segurados que executaram serviços na obra e suas respectivas remunerações.

3.3 DAS FORMAS DE REGULARIZAÇÃO DE OBRA

São duas as formas de se regularizar uma obra de construção civil: pela


contabilidade da empresa ou por aferição indireta. Importante observar que, para as
pessoas jurídicas sem contabilidade regular e para as pessoas físicas, a regularização de
uma obra será SEMPRE pelo método da aferição indireta.

3.3.1 DA REGULARIZAÇÃO POR CONTABILIDADE - DA AUDITORIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL


PELA ANÁLISE DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS

A regra geral para a regularização de uma obra de pessoa jurídica é de que seja feita
pela análise dos documentos contábeis, ou seja, com base na escrituração contábil.

Sendo assim, para fins de regularização a empresa deve apresentar os documentos


necessários à mesma e dentre estes a cópia do último balanço patrimonial acompanhado
de declaração da empresa, sob as penas da lei, firmada pelo representante legal e pelo
contador responsável com identificação de seu registro no Conselho Regional de
Contabilidade (CRC), de que a empresa possui escrituração contábil regular ou
Escrituração Contábil Digital (ECD) do período da obra. O artigo 380 da IN 971-2009 traz
as regras para a regularização da obra de uma PJ com base em sua escrituração contábil.

Art. 380. A obra ou o serviço de construção civil, de responsabilidade de pessoa jurídica, deverá ser
auditada com base na escrituração contábil, observado o disposto nos arts. 328 e 330, e na documentação
relativa à obra ou ao serviço.

§ 1º Os livros Diário e Razão, com os lançamentos relativos à obra, serão exigidos pela fiscalização após
90 (noventa) dias contados da ocorrência dos fatos geradores.

57
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

§ 2º Aplica-se o disposto neste artigo às obras edificadas na forma do art. 323.

Art. 381. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão-de-obra utilizada na execução
de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4º e 6º
do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações:

I - quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de


forma regular;

II - quando não houver apresentação de escrituração contábil na forma estabelecida no § 5º do art. 47;

III - quando a contabilidade não espelhar a realidade econômico-financeira da empresa por omissão de
qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a
seu serviço, do faturamento ou do lucro;

IV - quando houver sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer documento ou


informação de interesse da RFB;

V - quando os documentos ou informações de interesse da RFB forem apresentados de forma deficiente.

§ 1º Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente será obtida:

I - mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arts. 336, 451 e 455, sobre o valor da nota fiscal,
da fatura ou do recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do contrato de empreitada ou de
subempreitada;

II - pelo cálculo do valor da mão-de-obra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da


obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construída;

III - por outra forma julgada apropriada, com base em contratos, informações prestadas aos contratantes
em licitação, publicações especializadas ou em outros elementos vinculados à obra, quando não for
possível a aplicação dos procedimentos previstos nos incisos I e II.

§ 2º Na contratação de serviços mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada total ou parcial, até


janeiro de 1999, aplicar-se-á, observado o disposto no inciso VIII do art. 152, a responsabilidade solidária,
na forma da Seção III do Capítulo IX do Título II, em relação às contribuições incidentes sobre a base de
cálculo apurada na forma deste artigo, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem.

§ 3º Na contratação de empreitada total a partir de fevereiro de 1999, não tendo o contratante usado da
faculdade da retenção prevista no art. 164, aplicar-se-á a responsabilidade solidária, observado o
disposto no art. 157, em relação às contribuições incidentes sobre a base de cálculo apurada na forma
deste artigo, deduzidas as contribuições já recolhidas, se existirem.

§ 4º As formas de aferição previstas nos incisos I a III do § 1º somente são aplicáveis às obras de
construção civil.

58
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

3.3.2 DA REGULARIZAÇÃO POR AFERIÇÃO INDIRETA

A obra de uma pessoa jurídica será regularizada por aferição indireta se ocorrer uma
das seguintes situações:

I - quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não


a possuir de forma regular;
II - quando sua escrituração não atender ao princípio contábil do regime de competência
e quando deixar de registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de
contribuições sociais de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes
e as não integrantes do salário-de-contribuição, bem como as contribuições sociais
previdenciárias descontadas dos segurados, as contribuições sociais a cargo da empresa,
os valores retidos de empresas prestadoras de serviços, os valores pagos a cooperativas
de trabalho e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de
construção civil e por tomador de serviços.
III - quando a contabilidade não espelhar a realidade econômico-financeira da empresa
por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da
remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro;
IV - quando houver sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer
documento ou informação de interesse da RFB;
V - quando os documentos ou informações de interesse da RFB forem apresentados de
forma deficiente.

Caso a obra seja regularizada por aferição indireta, a base de cálculo a ser aferida
será obtida mediante a aplicação dos seguintes percentuais constantes nos Artigos 336,
451 e 455 da IN 971/2009.

O valor da remuneração será obtido mediante a aplicação da alíquota de 40%


(quarenta por cento) sobre o valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo
de prestação de serviços.

Art. 336. O valor da remuneração da mão-de-obra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido
indiretamente, corresponde no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços contidos na nota
fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços.

De acordo com o Artigo 451, se no contrato houver previsão de fornecimento de


material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, com exceção dos
equipamentos manuais, e se os valores estiverem estabelecidos em contrato, mesmo
que não constantes da nota fiscal, fatura ou prestação de serviços, o valor da
remuneração de mão de obra será de 40% sobre esses valores.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Art. 451. Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento
próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, para a execução dos serviços, se os valores de
material ou equipamento estiverem estabelecidos no contrato, ainda que não discriminados na nota
fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, o valor da remuneração da mão-de-obra utilizada
na prestação de serviços será apurado na forma do art. 450.
Art. 450. Para fins de aferição, a remuneração da mão-de-obra utilizada na prestação de serviços por
empresa corresponde, no mínimo, ao percentual de:
I - 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de
prestação de serviços;
§ 1º Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio
ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, e os valores de material ou de utilização de
equipamento não estiverem estabelecidos no contrato, nem discriminados na nota fiscal, na fatura ou no
recibo de prestação de serviços, o valor do serviço corresponde, no mínimo, a 50% (cinquenta por cento)
do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, aplicando-se para fins de aferição da remuneração da mão-
de-obra utilizada o disposto no art. 450.

Se houver a discriminação de valores de material ou de utilização de equipamento


na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, mas não existir a previsão em
contrato, o valor dos serviços será o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo e sobre
esse será aplicado o percentual de 40%.

§ 2º Caso haja discriminação de valores de material ou de utilização de equipamento na nota fiscal, fatura
ou recibo de prestação de serviços, mas não existindo previsão contratual de seu fornecimento, o valor
dos serviços será o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo, aplicando-se, para fins de aferição
da remuneração da mão-de-obra, o disposto no art. 450.

Caso na execução dos serviços contratados a utilização de equipamento for inerente,


mesmo que não esteja previsto em contrato, o valor do serviço corresponderá a 50% do
valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo e para fins de aferição será aplicado o
percentual de 40% sobre esses 50%.

Exemplificando: Um serviço foi contratado por R$ 500.000,00 e houve a utilização de materiais


e equipamentos. Os valores dos materiais e equipamentos foram informados na nota fiscal,
sendo R$ 200.000,00 de material e de R$ 100.000,00 de equipamentos, porém não havia
previsão em contrato para seu fornecimento. Nesse caso, o percentual para fins de remuneração
de mão de obra será de 40%, o qual incidirá sobre o 50% do valor da nota fiscal, ficando assim o
cálculo:

- Valor da nota fiscal: 500.000,00


- Valor dos serviços: 250.000,00 (50% da NF)

Remuneração de mão de obra: 100.000,00 (40% sobre os 50% da NF, ou 20% sobre
o valor da NF).

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Sobre o valor da remuneração de mão de obra (base de cálculo) será aplicado o


percentual de 36,80%, o que no exemplo atingiria o montante de R$ 36.800,00.

§ 3º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, ainda que não
esteja previsto em contrato, o valor do serviço corresponderá a 50% (cinquenta por cento) do valor bruto
da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, aplicando-se, para fins de aferição da
remuneração da mão-de-obra utilizada na prestação de serviços, o disposto no art. 450 e observado, no
caso da construção civil, o disposto no art. 455.

Na contratação dos serviços de pavimentação asfáltica, terraplenagem, aterro


sanitário, dragagem, obras de arte (pontes e viadutos), drenagem e demais serviços
realizados com a utilização de equipamentos, excetos manuais a IN 971/2009 prevê em
seu Artigo 455 a aplicação de percentuais diferenciados para cada tipo de obra.

Exemplo – Pavimentação asfáltica: Um serviço de pavimentação asfáltica foi contratado por


uma prefeitura municipal de uma empresa pavimentadora por R$ 2.500.000,00. Os valores dos
materiais e equipamentos atingiram o montante de R$ 700.000,00 e R$ 1.800.000,00 referem-
se a mão de obra. Nesse caso, o percentual para fins de remuneração de mão de obra por
aferição indireta será 4% o qual incidirá sobre os 1.800.000,00:

- Valor da nota fiscal: 2.500.000,00


- Valor dos serviços: 1. 800.000,00
- Valor dos materiais e equipamentos: 700.000,00

A remuneração de mão de obra será de 4% sobre os 1.800.000,00 (72.000,00). Sobre


o valor da remuneração de mão de obra será aplicado o percentual de 36,80%, o que no
exemplo atingiria o montante de R$ 26.496,00.

Art. 455. Na prestação dos serviços de construção civil abaixo relacionados, havendo ou não previsão
contratual de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, o valor da remuneração da mão-de-obra
utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior ao percentual, respectivamente estabelecido
para cada um desses serviços, aplicado sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de
prestação de serviços:
I - pavimentação asfáltica: 4% (quatro por cento);
II - terraplenagem, aterro sanitário e dragagem: 6% (seis por cento);
III - obras de arte (pontes ou viadutos): 18% (dezoito por cento);
IV - drenagem: 20% (vinte por cento);
V - demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais, desde que inerentes à
prestação dos serviços: 14% (quatorze por cento).

Importante observar que caso seja executado mais de um serviço da lista acima,
deverá ser aplicado o percentual correspondente a cada tipo de serviço, ou o percentual
maior, caso o contrato não permita identificar o valor de cada serviço.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Parágrafo único. Quando na mesma nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços constar a
execução de mais de um dos serviços relacionados nos incisos do caput, e não houver discriminação
individual do valor de cada serviço, deverá ser aplicado o percentual correspondente a cada tipo de serviço
conforme disposto em contrato, ou o percentual maior, se o contrato não permitir identificar o valor de
cada serviço.

A base de cálculo aferida indiretamente pela Receita Federal do Brasil será obtida:

I - mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arts. 336, 451 e 455, sobre o valor
da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do
contrato de empreitada ou de subempreitada;

II - pelo cálculo do valor da mão-de-obra empregada, correspondente ao padrão de


enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área
construída;

III - por outra forma julgada apropriada, com base em contratos, informações prestadas
aos contratantes em licitação, publicações especializadas ou em outros elementos
vinculados à obra, quando não for possível a aplicação dos procedimentos previstos nos
incisos I e II.

3.4 DA DECLARAÇÃO E INFORMAÇÃO SOBRE OBRAS (DISO)

A Declaração e Informação sobre Obras, conhecida por “DISO” é um documento


que precisa ser preenchido por toda pessoa física ou jurídica para fins de regularização
da obra de construção civil, seja obra nova, reforma, ampliação ou mesmo demolição,
perante a Receita Federal.

Deverá ser preenchida a DISO mesmo para aquelas obras consideradas


“decadentes”.

O referido documento tem por finalidade informar à Receita Federal que a obra já
foi finalizada e possibilidade que o sistema da Receita Federal calcule o valor devido de
INSS a pagar, nos casos de regularização por aferição indireta.

Com a apresentação da DISO será gerado o Aviso de Regularização de Obras (ARO),


bem como a guia de pagamento da contribuição social devida, caso exista algum valor a
recolher.

Após o pagamento da guia de recolhimento será emitida pela Receita Federal a


Certidão Negativa de Débito (CND), documento imprescindível para realizar a averbação

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

da obra no Cartório de Registro de Imóvel (CRI). Sem a CND o cartorário não efetua a
averbação na respectiva matrícula do imóvel.

Até julho de 2014 as empresas e pessoas físicas deveriam apresentar a DISO em


meio papel. A partir da vigência da IN RFB 1477 de 03.07.2014, a entrega da DISO passou
a ser efetuada exclusivamente via internet. No capítulo 4 desse manual eu descrevo
algumas informações necessárias para o preenchimento da DISO Internet.

Art. 339. Para regularização da obra de construção civil, o proprietário do imóvel, o dono da obra, o
incorporador pessoa jurídica ou pessoa física, ou a empresa construtora contratada para executar obra
mediante empreitada total deverá informar à RFB os dados do responsável pela obra e os relativos à obra,
mediante utilização da Declaração e Informação sobre Obra (DISO), disponível no sítio da RFB na Internet,
no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. § 1º Para acesso à DISO é obrigatória a utilização de
senha de acesso, gerada no sítio da RFB na Internet, no endereço constante do caput.

§ 2º Observado o disposto no § 3º, para a transmissão da DISO é obrigatória a assinatura digital efetivada
mediante utilização de certificado digital válido, exceto para as pessoas físicas.)

§ 3º As pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e


Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) que não
possuam certificado digital, nem procurador com certificado digital, deverão apresentar a DISO na
unidade de atendimento da RFB do domicílio tributário do estabelecimento matriz da empresa
responsável pela obra, conforme modelo aprovado pelo Anexo V, observado o disposto no § 13 do art.
383.

§ 4º Na hipótese do § 3º, a DISO deverá ser preenchida e assinada pelo responsável pela obra ou
representante legal da empresa, em 2 (duas) vias, sendo uma delas destinada à unidade da RFB e a outra
ao declarante.)

§ 5º A DISO estará vinculada à unidade de atendimento da RFB do domicílio tributário do estabelecimento


matriz da empresa responsável pela obra ou da localidade da obra de responsabilidade de pessoa física.)

§ 6º Excepcionalmente, até o dia 21 de julho de 2014, a DISO poderá ser entregue, por qualquer
contribuinte, na forma do Anexo V a esta Instrução Normativa, na unidade de atendimento da RFB de que
trata § 5º.

3.5 DO AVISO PARA REGULARIZAÇÃO DE OBRAS (ARO)

O Aviso para regularização de obras (ARO) é um documento gerado pelo sistema da


Receita Federal após a entrega da DISO pelo contribuinte (Pessoa jurídica sem
contabilidade e pessoas físicas).

Esse documento conterá as informações da obra (nº da matrícula CEI, nome do


proprietário, dono da obra ou construtora, endereço da obra, data de início e de
conclusão da obra, a quantidade de meses da duração da obra, a quantidade de meses

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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

decadentes, o tipo da obra, a metragem da obra e a metragem das áreas passíveis de


redução.

O ARO conterá também o valor do CUB relativo ao tipo da obra, o valor do custo
global da obra, os percentuais de remuneração de mão de obra, os valores das notas
fiscais de mão de obra, os valores da notas fiscais de concreto usinado, o percentual de
meses decadentes, o valor da mão de obra a regularizar, o valor de INSS devido (parte
patronal de 20%), o valor do Seguro de Acidente de Trabalho (SAT – 3% ), o valor devido
da parte dos segurados ( 8%) e o valor devido destinados a Outras Entidades (Terceiros
– 5,8%) e o valor total devido de INSS ( 36,80% sobre a remuneração total de mão de
obra).

Caso o contribuinte não assine o ARO, o referido documento será encaminhado ao


setor da fiscalização da RFB para que se proceda ao lançamento de ofício (auto de
infração com a aplicação de multa no percentual de 75%).

Se o contribuinte assinar o ARO, porém não recolher o valor devido até o prazo
legal de pagamento, o mesmo será diretamente inscrito em Dívida Ativa da União (DAU)
e encaminhado para a Procuradoria da Fazenda Nacional que ficará responsável pela
cobrança do débito.

Art. 340. Para as pessoas jurídicas sem contabilidade regular e para as pessoas físicas, a partir das
informações prestadas na DISO, será emitido o ARO pela Internet, no endereço informado no caput do
art. 339, com a seguinte finalidade:

I - informar ao responsável pela obra a situação quanto à regularidade das contribuições sociais incidentes
sobre a remuneração aferida; e

II - comunicar a existência do crédito tributário nele apurado, constituindo confissão de dívida e


instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.)

§ 1º Na impossibilidade de emissão pela Internet, o ARO poderá ser emitido na unidade da RFB, no
momento do atendimento ao responsável pela obra ou ao seu representante legal, desde que as
informações declaradas na DISO referentes à área, à destinação e à categoria da obra sejam as mesmas
constantes em um dos documentos elencados nos incisos III ou IV do caput do art. 383, observado o
disposto no § 5º do mesmo artigo.)

§ 2º A emissão do ARO na unidade da RFB, quando necessária, será feita em 2 (duas) vias, sendo que:

I - uma das vias deverá ser assinada pelo responsável pela obra ou por seu representante legal; e

II - a outra via deverá ser entregue ao responsável pela obra ou ao seu representante legal.

§ 3º No caso de o ARO ter sido emitido na unidade da RFB, será considerada dada ciência pessoal, provada
com a assinatura do responsável pela obra ou de seu representante legal.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

§ 4º Na hipótese prevista no § 3º, havendo recusa na assinatura do ARO, os documentos serão


encaminhados ao setor de fiscalização da unidade da RFB para que seja efetuado o lançamento de ofício.

§ 5º Para fins de cálculo da remuneração despendida na execução da obra e do montante das


contribuições devidas, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da
emissão do ARO, devendo o valor das contribuições nele informadas ser recolhido até o dia 20 do mês
subsequente ao da sua emissão, antecipando-se o prazo de recolhimento para o dia útil imediatamente
anterior, se no dia 20 não houver expediente bancário.

§ 6º Depois do prazo previsto no § 5º, não tendo sido efetuado o recolhimento nem solicitado o
parcelamento, os débitos serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) com os
acréscimos moratórios devidos.

Informação importante e objeto de vários questionamentos no blog é quantas


DISO’s deverão ser preenchidas quando uma regularização envolver ao mesmo tempo
uma demolição da área total e a execução de uma obra nova. A resposta é: Apenas uma
DISO.

Da mesma forma, quando uma regularização envolver uma reforma com demolição
ou acréscimo de área deve ser também preenchida apenas uma DISO.

Art. 341. Será preenchida uma única DISO e emitido um único ARO consolidado, quando a regularização
da obra envolver, concomitantemente, demolição da área total e obra nova, ou 2 (duas) ou mais das
seguintes espécies: reforma, demolição ou acréscimo.

3.6 DA APURAÇÃO DA REMUNERAÇÃO DE MÃO DE OBRA COM BASE NA ÁREA CONSTRUÍDA E


PADRÃO

DA REGULARIZAÇÃO DE OBRA POR AFERIÇÃO INDIRETA COM BASE NA ÁREA CONSTRUÍDA E NO PADRÃO DE
CONSTRUÇÃO

Art. 338. A aferição indireta da remuneração dos segurados despendida em obra de construção civil sob
responsabilidade de pessoa jurídica ou de pessoa física, com base na área construída e no padrão da obra,
será efetuada de acordo com os procedimentos estabelecidos neste Capítulo.

Art. 343. A apuração, por aferição indireta com base na área construída e no padrão da obra, da
remuneração da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil sob responsabilidade
de pessoa jurídica, inclusive a relativa à execução de conjunto habitacional popular definido no inciso XXV
do art. 322, quando a empresa não informar a contabilidade regular na DISO ou não apresentar a
contabilidade no momento da auditoria fiscal, será efetuada de acordo com os procedimentos
estabelecidos neste Capítulo.)

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

3.7 DO CUSTO UNITÁRIO BÁSICO (CUB)

A mão-de-obra empregada na execução de uma obra que for aferida indiretamente


pela Receita Federal do Brasil terá como parâmetro o Custo Unitário Básico (CUB) o qual
vem a ser a parte do custo por metro quadrado da construção do projeto padrão
considerado e divulgado pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (Sinduscon).

Serão utilizadas as tabelas do CUB divulgadas pelos Sinduscon na seguinte ordem:

1) Da localidade da obra, e caso inexistentes essas;


2) Da unidade da Federação, onde se situa a obra;
3) De outra localidade ou de unidade da Federação que apresente características
semelhantes às da localidade da obra, caso inexistam as tabelas previstas nos
incisos I e II deste parágrafo, a critério da unidade da RFB competente, da
jurisdição da obra.

Art. 344. Para a apuração do valor da mão-de-obra empregada na execução de obra de construção civil,
em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do CUB, divulgadas mensalmente na Internet ou
na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (Sinduscon).
§ 1º CUB é a parte do custo por metro quadrado da construção do projeto-padrão considerado, calculado
pelos Sinduscon de acordo com a Norma Técnica nº 12.721, de 2006, da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT), e é utilizado para a avaliação dos custos de construção das edificações.
§ 2º Em relação à obra de construção civil, consideram-se devidas as contribuições indiretamente aferidas
e exigidas:
I - na competência de emissão do ARO;
II - na competência da emissão das notas fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços,
quando a aferição indireta se der com base nesses documentos;
III - em qualquer competência abrangida pela Auditoria-Fiscal de obra para a qual não houve a emissão
do ARO.
§ 3º Serão utilizadas as tabelas do CUB divulgadas pelo Sinduscon:
I - da localidade da obra ou, inexistindo estas;
II - da unidade da Federação onde se situa a obra;
III - de outra localidade ou de unidade da Federação que apresente características semelhantes às da
localidade da obra, caso inexistam as tabelas previstas nos incisos I e II deste parágrafo, a critério da
unidade da RFB competente, da jurisdição da obra.
§ 4º Para obras executadas fora da jurisdição da Delegacia ou Inspetoria da Receita Federal do Brasil do
estabelecimento matriz da empresa construtora, serão utilizadas as tabelas divulgadas pelo Sinduscon ao
qual o Município a que pertence a obra esteja vinculado ou, inexistindo estas, as tabelas de CUB previstas
no inciso II do § 3º.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

IMPORTANTE SABER - Algumas funções não estão incluídas no cálculo do CUB e, caso uma
obra a ser aferida tenha se utilizado desses profissionais, os valores das remunerações
serão excluídos das respectivas GFIP´s, para fins de cálculo, caso tenham sido
informados. O Anexo VIII da IN 971/2009 traz a relação desses profissionais, a saber:

RELAÇÃO DE PROFISSIONAIS NÃO INCLUÍDOS NO CUB, SEGUNDO NBR 12721/2006:


01 - engenheiro e arquiteto projetistas;
02 - encarregado;
03 - almoxarife;
04 - auxiliar de almoxarife;
05 - apontador;
06 - demais administrativos da obra.

3.8 DO ENQUADRAMENTO DE UMA OBRA

Para fins de apuração do valor a recolher de INSS por aferição indireta, a questão
mais importante, a saber, é qual o enquadramento que deve se dar a obra executada. O
enquadramento é único por obra e leva em consideração os seguintes itens:

a) a destinação do imóvel ( se residencial ou comercial, por exemplo);


b) o número de pavimentos ( isso influi no CUB da obra);
c) o padrão da obra ( baixo, normal ou alto) e,
d) o tipo da obra ( alvenaria, madeira ou mista ).

Art. 345. O enquadramento da obra de construção civil, em se tratando de edificação, será realizado de
ofício, de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra, e tem
por finalidade definir o CUB aplicável à obra e o procedimento de cálculo a ser adotado.

§ 1º O enquadramento será único por projeto, ressalvado o disposto no § 3º do art. 346 e no § 3º.

Deve ser observado que o projeto que servir de base para o enquadramento não pode ser
fracionado para alterar o resultado do enquadramento.

§ 2º O projeto que servir de base para o enquadramento será considerado integralmente, não podendo
ser fracionado para alterar o resultado do enquadramento.

§ 3º No caso de fracionamento do projeto conforme disposto nos §§ 1º e 2º do art. 24, o enquadramento


deverá ser efetuado em relação a cada bloco, a cada casa geminada ou a cada unidade residencial que
tenha matrícula própria.

§ 4º As áreas comuns do conjunto habitacional horizontal serão enquadradas em um único projeto, ainda
que nele constem edificações independentes entre si.

67
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Para fins de enquadramento a as obras terão as seguintes destinações que seguiram


suas próprias tabelas do CUB:

a) Projeto residencial;
b) Projeto comercial andar livre;
c) Projeto comercial salas e lojas;
d) Projeto galpão industrial e
e) Projeto de interesse social (PIS).

É importante observar o Artigo 346 no qual estão descritos os tipos de imóveis que
se enquadram em cada uma das tabelas e que devem ser observados pelos contribuintes.

Art. 346. O enquadramento da obra levará em conta as seguintes tabelas:


I - PROJETO RESIDENCIAL, para os imóveis que se destinam a:
a) residência unifamiliar;
b) residência multifamiliar - edifício residencial;
c) hotel, motel, spa e hospital;
d) áreas comuns de conjunto habitacional horizontal;
II - PROJETO COMERCIAL - ANDAR LIVRE, para os imóveis cujo pavimento-tipo seja composto de hall de
circulação, escada, elevador e andar corrido sem a existência de pilares ou qualquer elemento de
sustentação no vão, com sanitários privativos por andar;
III - PROJETO COMERCIAL - SALAS E LOJAS, para os imóveis cujo pavimento-tipo seja composto de hall de
circulação, escada, elevador, andar com pilares ou paredes divisórias de alvenaria e sanitários privativos
por andar ou por sala;
IV - PROJETO GALPÃO INDUSTRIAL, para os imóveis compostos de galpão com ou sem área
administrativa, banheiros, vestiário e depósito, tais como:
a) pavilhão industrial;
b) oficina mecânica;
c) posto de gasolina;
d) pavilhão para feiras, eventos ou exposições;
e) depósito fechado;
f) telheiro;
g) silo, tanque ou reservatório;
h) barracão;
i) hangar;
j) ginásio de esportes e estádio de futebol;
k) estacionamento térreo;
l) estábulo;

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

V - PROJETO DE INTERESSE SOCIAL, para os imóveis que se destinam a:


a) casa popular, definida no inciso XXIV do art. 322;
b) conjunto habitacional popular, definido no inciso XXV do art. 322.

Existem algumas situações de regularização de obras, onde constam no mesmo


projeto obras distintas, como por exemplo, a construção de um edifício residencial
multifamiliar e lojas comerciais. Qual a forma correta de enquadrar uma obra assim?

A IN 971/2009 em seu §§ 1º e 2º do Artigo 346 nos ensina que em uma situação


dessas o enquadramento dar-se-á pela área preponderante, ou seja, pela maior área e
caso ocorra uma coincidência de áreas deverá ser enquadrado como residencial.

Exemplificando: Um projeto de construção com área total de 1.200 m2 consta um prédio


residencial multifamiliar com 5 andares e metragem de 800 m2 e quatro salas comerciais com
metragem de 400 m2. Nesse caso, a obra deverá ser enquadrada como residencial em razão da
preponderância da área residencial sobre a comercial. Se acaso as áreas residencial e comercial
fossem coincidentes o enquadramento da obra seria também como residencial.

§ 1º Quando no mesmo projeto constarem áreas com as características das obras mencionadas nas
tabelas dos incisos I, II ou III do caput, efetuar-se-á o enquadramento conforme a área construída
preponderante, sendo que, se houver coincidência de áreas, a tabela projeto residencial prevalecerá sobre
a tabela projeto comercial - andar livre, que, por sua vez, prevalecerá sobre a tabela projeto comercial -
salas e lojas.

§ 2º No caso de projeto que contenha unidades residenciais e área comercial, quando a área construída
das unidades residenciais for coincidente ou preponderante, efetuar-se-á o enquadramento da obra como
edifício residencial, observado o disposto no art. 348 quanto ao padrão.

Todavia, se no mesmo projeto, por exemplo, constar a execução de obra que seja
residencial e galpão industrial, o enquadramento deverá ser feito em suas respectivas
tabelas.

§ 3º Caso haja, no mesmo projeto, construções com as características mencionadas nas tabelas previstas
nos incisos I, II ou III e construções com as características das tabelas previstas nos incisos IV ou V do
caput, deverão ser feitos enquadramentos distintos na respectiva tabela, sendo que as obras referidas
nas tabelas dos incisos IV ou V serão consideradas, para efeito de cálculo, como acréscimo das obras
mencionadas nas tabelas dos incisos I, II ou III, observado o disposto no § 1º deste artigo e no art. 369.

§ 4º A obra que caracterize acréscimo de área será enquadrada na forma do art. 369.

Caso o contribuinte, no momento que for fazer o enquadramento verificar que sua
obra não está prevista nas tabelas dos incisos I a V do Artigo 346 da IN 971/2009 ele deve
fazer o enquadramento na tabela que mais se aproxime das características de sua obra,

69
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

seja pela destinação ou por semelhança com as construções constantes da relação das
mencionadas tabelas.

§ 5º O enquadramento de obra não prevista nas tabelas dos incisos I a V do caput deverá ser feito com
aquela que mais se aproxime de suas características, seja pela destinação do imóvel ou por sua
semelhança com as construções constantes do rol das mencionadas tabelas.

§ 6º Se o Sinduscon da localidade da obra não divulgar as tabelas do CUB para projetos comerciais, projeto
de interesse social ou para projeto galpão industrial, deverá ser observado o disposto nos incisos II ou III
do § 3º do art. 344.

§ 7º O edifício de garagens será sempre enquadrado na Tabela Projeto Comercial - salas e lojas.

§ 8º As edificações listadas nas alíneas do inciso IV, que contenham, no mesmo projeto, outras
instalações, além das referidas neste inciso, serão enquadradas na tabela projeto comercial - salas e lojas.

O enquadramento nas tabelas do CUB leva em consideração o número de


pavimentos da edificação e será feito de acordo com as seguintes faixas, constante do
Artigo 347 da IN 971/2009:

R1 projeto residencial unifamiliar, independentemente do número de pavimentos


R8 projeto residencial multifamiliar até 10 (dez) pavimentos, incluídos os pavimentos de
garagem e pilotis, se existirem
R16 projeto residencial multifamiliar acima de 10 (dez) pavimentos
CAL 8 projeto comercial - andar livre, para edificações com mais de 1 (um) pavimento superposto
CSL 8 projeto comercial - salas e lojas até 10 (dez) pavimentos, incluídos os pavimentos de
garagem e pilotis, se existirem
CSL 16 projeto comercial - salas e lojas acima de 10 (dez) pavimentos
GI projeto galpão industrial
PIS casa popular e conjunto habitacional popular, independentemente do número de
pavimentos

Conforme descritos no § 1º e 2º do Artigo 347 da IN 971/2009 para fins de


enquadramento as edificações que tenham área com destinação residencial e comercial
serão enquadradas, quanto ao número de pavimentos, da seguinte forma:

I - quando edificadas em um mesmo bloco, o número de pavimentos será o resultante da soma


de todos os pavimentos da obra;
II - quando edificadas em blocos distintos:
a) prevalecendo uma das tabelas previstas no art. 346, o número de pavimentos será o da
edificação comercial ou residencial, conforme seja a prevalência;

70
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

b) no caso de coincidência de áreas e não coincidindo o número de pavimentos, corresponderá


ao da edificação de maior número de pavimentos.
§ 2º As edificações classificadas como áreas comuns do conjunto habitacional horizontal, serão
enquadradas na forma do inciso I do caput e as edificações classificadas como hotel, motel, spa
e hospital serão enquadradas na forma dos incisos II ou III do caput.

Para fins de enquadramento quanto ao padrão da construção deverá ser observado


o seguinte:

Nos projetos residenciais o padrão será dado em função do número de banheiros


constante do projeto da obra, sendo:

a) padrão baixo - para unidades autônomas com até 2 (dois) banheiros;

b) padrão normal - para unidades autônomas com 3 (três) banheiros;

c) padrão alto - para unidades autônomas com 4 (quatro) banheiros ou mais;

Para os projetos - comercial – andar livre e comercial salas e lojas - o padrão será
sempre Normal e independe do número de banheiros.

O enquadramento da obra relativo ao padrão da obra será efetuado de ofício pela


RFB unicamente em função do número de banheiros para os projetos residenciais,
incluindo lavabos, e no padrão normal para os projetos comerciais e independe do
material utilizado.

Atentar para o fato de que a legislação prevê que, para fins de enquadramento no
padrão da obra, o lavabo será considerado banheiro. Dessa forma, uma residência que
tenha três banheiros mais um lavabo será enquadrada como padrão ALTO.

Na impossibilidade de identificação do número de banheiros na obra o padrão será


considerado alto.

As edificações destinadas a hotel, motel, spa, hospital e áreas comuns do conjunto


habitacional horizontal serão enquadradas como uma unidade autônoma em função do
número de banheiros nos padrões alto, normal e baixo.

No caso de edificações que tenham áreas residenciais e comerciais, o


enquadramento no padrão baixo, normal ou alto efetuar-se-á da seguinte forma:

I - prevalecendo área residencial, o enquadramento da edificação será pelo projeto


residencial e o padrão será de acordo com o número de banheiros da maioria das
unidades residenciais;

71
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

II - prevalecendo área comercial, o enquadramento será no padrão normal do projeto


comercial considerado;
III - no caso de coincidência das áreas, o enquadramento da edificação será pelo projeto
residencial e o padrão será de acordo com o número de banheiros das unidades
residenciais prevalecente.

A casa popular e o conjunto habitacional popular terão enquadramento único na


tabela Projeto de Interesse Social.

Para a edificação com destinação residencial multifamiliar, com mais de 10 (dez)


pavimentos, que tenha unidades autônomas com até 2 (dois) banheiros, em razão da não
publicação pelos sindicatos da construção civil, do valor do CUB para a Tabela Projeto
Residencial - R16, padrão baixo, deverá ser adotado o valor constante no padrão normal
daquela tabela.

Art. 348 O enquadramento no padrão da construção será efetuado da seguinte forma:


I - projetos residenciais:
a) padrão baixo, para unidades autônomas com até 2 (dois) banheiros;
b) padrão normal, para unidades autônomas com 3 (três) banheiros;
c) padrão alto, para unidades autônomas com 4 (quatro) banheiros ou mais;
II - projeto comercial - andar livre, padrão normal;
III - projeto comercial - salas e lojas, padrão normal.

§ 1º O enquadramento previsto neste artigo será efetuado de ofício pela RFB unicamente em função do
número de banheiros para os projetos residenciais, incluindo lavabos, e no padrão normal para os projetos
comerciais, independentemente do material utilizado.
§ 2º As edificações destinadas a hotel, motel, spa, hospital e áreas comuns do conjunto habitacional
horizontal serão enquadradas como uma unidade autônoma nos padrões alto, normal e baixo, na forma
do inciso I do caput.
§ 3º No caso de edificações que tenham áreas residenciais e comerciais, o enquadramento no padrão
baixo, normal ou alto efetuar-se-á da seguinte forma:
I - prevalecendo área residencial, o enquadramento da edificação será pelo projeto residencial e o padrão
será de acordo com o número de banheiros da maioria das unidades residenciais;
II - prevalecendo área comercial, o enquadramento será no padrão normal do projeto comercial
considerado;
III - no caso de coincidência das áreas, o enquadramento da edificação será pelo projeto residencial e o
padrão será de acordo com o número de banheiros das unidades residenciais prevalecente.

O enquadramento quanto ao tipo de obra é muito importante e deve ter uma


atenção especial por parte do contribuinte, pois é ele que vai definir qual percentual de
mão de obra será aplicado no Custo Global da Obra de acordo com o escalonamento

72
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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

constante do Artigo 351 da IN 971/2009. Se for efetuado um enquadramento incorreto


corre-se o risco de pagar um valor de INSS a maior.

Veja no quadro abaixo quais são os percentuais de mão de obra de acordo com cada
tipo de obra:

Área % Mão de obra – Tipo 11 % Mão de obra – Tipo 12 Madeira ou 13


alvenaria Mista
Até 100 m2 4% 2%
Acima de 100 m2 até 200 m2 8% 5%
Acima de 200 m2 até 300 m2 14% 11%
Mais de 300 m2 20% 15%

A classificação no tipo 13 (mista) somente ocorrerá quando umas das seguintes


circunstâncias se fizer presente na obra:

a) Se pelo menos 50% das paredes externas forem de madeira, de metal, pré-
moldada ou pré-fabricada;
b) Se a estrutura da obra for de metal, de pré-fabricado ou pré-moldado;
c) Se a edificação for do tipo rústico, sem fechamento lateral, ou lateralmente
fechada, apenas com tela e mureta de alvenaria.

Se o projeto e o memorial aprovados pelo órgão municipal não permitirem


identificar qual material foi utilizado na estrutura ou nas paredes externas, a classificação
será feita no tipo 11 – Alvenaria.
Art. 349. Quanto ao tipo, as edificações serão enquadradas da seguinte forma:
I - tipo 11 (onze), alvenaria;
II - tipo 12 (doze), madeira; e
III - tipo 13 (treze), mista, se ocorrer uma ou mais das seguintes circunstâncias:
a) 50% (cinquenta por cento) das paredes externas, pelo menos, for de madeira, de metal, pré-moldada
ou pré-fabricada;
b) a estrutura for de metal;
c) a estrutura for pré-fabricada ou pré-moldada;
d) a edificação seja do tipo rústico, sem fechamento lateral, ou lateralmente fechada apenas com tela e
mureta de alvenaria.
§ 1º A classificação no tipo 13 (treze) levará em conta unicamente o material das paredes externas ou da
estrutura, independentemente do utilizado na cobertura, no alicerce, no piso ou na repartição interna.
§ 2º Se o projeto e o memorial aprovados pelo órgão municipal não permitirem identificar qual material
foi utilizado na estrutura ou nas paredes externas, a classificação será feita no tipo 11 (onze).
§ 3º Para classificação no tipo 13 (treze), deverão ser apresentadas as notas fiscais de aquisição da
madeira, da estrutura de metal ou da estrutura pré-fabricada ou pré-moldada, ou outro documento que
comprove ser a obra mista.

73
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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

§ 4º A utilização de lajes pré-moldadas ou pré-fabricadas não será considerada para efeito do


enquadramento no tipo 13 (treze).
§ 5º Toda obra que não se enquadrar no tipo 12 (doze) ou 13 (treze) será necessariamente enquadrada
no tipo 11 (onze), mesmo que empregue significativamente outro material que não alvenaria, como:
plástico, vidro, isopor, fibra de vidro, policarbonato e outros materiais sintéticos.
§ 6º Para classificação no tipo 12 (doze) deverão ser verificadas as informações constantes nos
documentos expedidos pelo órgão municipal responsável.

3.9 DO CÁLCULO DA REMUNERAÇÃO DA MÃO-DE-OBRA E DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS

Art. 350. O Custo Global da Obra (CGO) será calculado pela RFB, a partir do enquadramento da obra
conforme procedimentos descritos nos arts. 345 e 349, mediante a multiplicação do CUB correspondente
ao tipo da obra pela sua área total, submetida, quando for o caso, à aplicação de redutores, conforme
disposto no art. 357.

Art. 351. A Remuneração da Mão-de-obra Total (RMT) despendida na obra será calculada mediante a
aplicação dos percentuais abaixo definidos na proporção do escalonamento por área, sobre o CGO obtido
na forma do art. 350, e somando os resultados obtidos em cada etapa:

I - nos primeiros 100m² (cem metros quadrados) será aplicado o percentual de 4% (quatro por cento) para
a obra tipo 11 (alvenaria) e 2% (dois por cento) para a obra tipo 12 (madeira) ou tipo 13 (mista);

II - acima de 100m² (cem metros quadrados) e até 200m² (duzentos metros quadrados), será aplicado o
percentual de 8% (oito por cento) para a obra tipo 11 (alvenaria) e 5% (cinco por cento) para a obra tipo
12 (madeira) ou tipo 13 (mista);

III - acima de 200m² (duzentos metros quadrados) e até 300m² (trezentos metros quadrados), será
aplicado o percentual de 14% (quatorze por cento) para a obra tipo 11 (alvenaria) e 11% (onze por cento)
para a obra tipo 12 (madeira) ou tipo 13 (mista);

IV - acima de 300m² (trezentos metros quadrados), será aplicado o percentual de 20% (vinte por cento)
para a obra tipo 11 (alvenaria) e 15% (quinze por cento) para a obra tipo 12 (madeira) ou tipo 13 (mista).

Parágrafo único. No caso de conjunto habitacional popular definido no inciso XXV do art. 322, utilizar-se-
á, independentemente da área construída:

I - para obra em alvenaria (Tipo 11), o percentual de 12% (doze por cento);

II - para obra em madeira (tipo 12), ou mista (tipo 13), o percentual de 7% (sete por cento).

Para fins de melhor entendimento dos Artigos 350 e 351 da IN 971-2009 vou
demonstrar abaixo, como é efetuado o cálculo por aferição indireta do valor da
contribuição social (INSS + Terceiros) de uma obra de construção civil cujo proprietário
é uma pessoa física.

74
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Se a obra for de uma pessoa jurídica que não tenha contabilidade regular, o cálculo
será efetuado da mesma forma, se a forma de aferição indireta seja aquela decorrente
do padrão da obra.

Dados da obra:

- Tipo da obra 11 – Residência de alvenaria;


- Obra nova;
- Início da obra: 01/02/2012 – Final da obra: 25/10/2014;
- Mês de entrega da DISO: Julho/2015
- Quantidade de banheiros da residência: 04 (padrão alto);
- Metragem da obra: 366 m2
-Metragem das áreas passíveis de redução: 58 m2 (referente a sacadas, varandas e garagem) -
- Essa metragem terá redução de 50% pois se trata de áreas cobertas. Sendo assim, para fins de
cálculo, a área total de 366 m2 será de 337 m2 (366 – 29).
- Valor hipotético CUB padrão ALTO para o mês de 06/2015: R$ 1.830,38
- Na obra houve a utilização de concreto usinado. O contribuinte apresentou notas fiscais do
mês 05/2012 que somaram o valor de R$ 48.000,00.

O cálculo da remuneração de mão de obra fica dessa forma:

Área CUB Custo Global % Mão de Obra Remuneração de Mão de Obra


100 1.830,38 183.038,00 4% 7.321,52
100 1.830,38 183.038,00 8% 14.643,04
100 1.830,38 183.038,00 14% 25.625,32
37 1.830,38 67.724,06 20% 13.544,81
Total 337 616.838,06 61.134,69

Como houve a utilização de concreto usinado no valor de R$ 48.000,00, a legislação


prevê que 5% (cinco por cento) desse valor seja atualizado pela SELIC desde a data de
emissão da nota fiscal até o mês anterior ao da emissão do ARO e o resultado seja abatido
da remuneração de mão de obra. No exemplo será abatido o valor de R$ 3.090,00
(2.400,00 mais 690,00 de atualização)

A remuneração de mão de obra ficou em R$ 58.044,69 (61.134,69 deduzido do


valor de 3.090,00 relativo ao concreto usinado). Esse valor será a base de cálculo para a
aplicação do percentual de 36,80% que corresponde a alíquota total das contribuições
sociais. No quadro abaixo estão discriminadas as contribuições sociais por rubrica, o
percentual relativo a cada uma e o valor devido no exemplo:

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Rubrica Percentual Valor R$


Patronal (INSS) 20% 11.608,94
Segurados 8% 4.643,58
RAT 3% 1.741,34
Outras Entidades 5,8% 3.366,59
Total a Recolher 36,80% 21.360,44

No cálculo efetuado foi considerado que não houve nenhum recolhimento durante o
período da obra. Observe no quadro abaixo como ficam dispostos os dados e valores.

MODELO DO AVISO DE REGULARIZAÇAO DE OBRA - ARO


CEP: 85.813-300 Início Obra: 01/04/2012 Término Obra: 25/10/2014
Meses de Duração: 31 Meses de Decadência: 0
Dados Informados
Nome Existente Acréscimo Reforma Obra Nova Demolição
366,00
Residencial Casa 58,00(Red. 50%)
1(4B) 2(Pav) 1(Unid)
366,00
Total 58,00(Red. 50%)
337,00 (p/ Calc.)
Dados Enquadramento
Área
Categoria da Obra Destinação Padrão Num. Unidades Enquadramento Valor CUB
Enquadramento
Obra Nova Residencial Casa Alto 1 R(01) 1.830,38(PR-1) 337,00
Aferição da Remuneração da Mão de Obra Total
Destinação Área Faixa Custo Global % Desconto Custo Liquido % M.O. Remuneração M.O.
Total 616.838,06 61.134,69
Obra Nova - Residencial Casa 100,00 183.038,00 0 183.038,00 4 7.321,52
Obra Nova - Residencial Casa 100,00 183.038,00 0 183.038,00 8 14.643,04
Obra Nova - Residencial Casa 100,00 183.038,00 0 183.038,00 14 25.625,32
Obra Nova - Residencial Casa 37,00 67.724,06 0 67.724,06 20 13.544,81
Quadro de Áreas e Remunerações
Área Total Área Total Não Área para Remuneração Rem. MO Não
% Não Decadente Rem. MO Tot.
Projeto Decadente Cálculo Atualizada Decad.
337,00 100,00 337,00 337,00 3.090,00 61.134,69 61.134,69
Tot. a
Rem. MO a Código de Segurado INSS Outras
Patronal INSS(20%) RAT(3%) Recolher
Regul. Pagamento (8%) Entidades(5.8%)
(36.8%)
58.044,69 2208 11.608,94 4.643,58 1.741,34 3.366,59 21.360,44

3.9.1 DO APROVEITAMENTO DOS VALORES DECLARADOS EM GFIP E RECOLHIDOS EM GPS


( ART. 353 A 356)

A legislação prevê que quando da regularização por aferição indireta os valores de


remuneração declarados em GFIP, relativo a mão de obra própria e os recolhimentos

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efetuados em GPS serão atualizados pela SELIC desde o mês de pagamento até o mês
anterior ao da emissão do ARO e aproveitados no cálculo por aferição indireta.

Isso decorre porque quando a regularização se dá por aferição indireta, o CUB a ser
utilizado é aquele do mês anterior ao da entrega da DISO e não o da ocorrência dos fatos
geradores.

Exemplificando: uma obra iniciou-se em 01.02.2013, foi concluída em 04.03.2014, a DISO foi
entregue via internet em 05.07.2015. O CUB a ser utilizado para fins de cálculo será o do mês de
junho/2015 e não aquele da conclusão da obra, Março-2014. Caso tenha ocorrido algum
recolhimento durante do período da obra (Fevereiro-2013 a março-2014) esses valores deverão
atualizados pela SELIC desde a data do seu pagamento até o mês de junho-2015.

Art. 353. Caso haja recolhimento de contribuição relativa à obra, a remuneração correspondente a esse
recolhimento será atualizada até o mês anterior ao da emissão do ARO com aplicação das taxas de juros
previstas na alínea "b" do inciso II e no inciso III do art. 402, e deduzida da RMT, apurada na forma do art.
351.
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos recolhimentos efetuados na competência da
emissão do ARO.

A orientação contida no Artigo 354 (ver abaixo) diz que a remuneração relativa à
mão de obra própria, será atualizada até o mês anterior ao da emissão do ARO pela taxa
Selic e será aproveitada deduzindo da RMT.
Isso significa que se uma empresa (ou pessoa física) contratar segurados
EMPREGADOS, como por exemplo, pedreiros, mestres de obras, ajudantes e serventes
os valores de suas remunerações declaradas em GFIP serão aproveitados para fins de
dedução na RMT apurada por aferição indireta, desde que os valores da contribuição
incidentes sobre essas remunerações sejam recolhidos.
Cabe aqui prestar uma informação que é desconhecida pela maioria das pessoas e
empresas que contratam um contribuinte individual (autônomo) ou MEI para trabalhar
em sua obra.

Quando uma pessoa física contrata um Contribuinte Individual (autônomo) para


laborar em sua obra e esse autônomo recolhe sua contribuição previdenciária ao INSS
através de carnê, os valores por ele recolhido não serão aproveitados quando da
regularização da obra na Receita Federal. Isso decorre porque o valor recolhido não está
vinculado a matrícula CEI da obra, tendo em vista que o identificador da guia do
autônomo é o número do seu NIT.

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NIT é a sigla que significa Número de Identificação do Trabalhador. É um número atribuído


pela Previdência Social (INSS) a todo cidadão que pretenda se cadastrar no Regime Geral de
Previdência Social para contribuir mensalmente e ter acesso aos benefícios previdenciários.

O mesmo ocorrerá se a pessoa física contratar contribuintes individuais


(autônomos) para executar sua obra e informa-los na GFIP. Os valores das remunerações
dos contribuintes individuais informados na GFIP não serão aproveitados para fins de
dedução da remuneração de mão-de-obra apurado pelo método de aferição indireta.

Nesse mesmo sentido, se uma empresa realizar uma obra e contratar contribuintes
individuais, informando-os na GFIP os valores de suas remunerações, esses valores não
serão abatidos do cálculo da mão de obra efetuado por aferição indireta.

Quando o sistema for “importar” as remunerações dos segurados empregados e


contribuintes individuais informadas nas GFIP´s das PJ e PF, ele vai ler o código da
categoria do trabalhador e se for um código diferente de 01 – Segurado, o sistema não
vai “importar” essa remuneração.

Isso decorre porque o sistema DISO não aproveita a remuneração do Contribuinte


Individual (inclusive o MEI, já que é um CI também) quando da apuração do ARO e não
deve aproveitar mesmo, pois não há autorização legal para fazer isso.

De acordo com o Artigo 354 da IN 971/2009, entende-se como mão-de-obra


própria apenas a mão-de-obra prestada por segurados empregados. Essa restrição tem
por objetivo desestimular a contratação, em obras de construção civil, de segurados sem
vínculo empregatício.

A decisão de não permitir o aproveitamento da remuneração do contribuinte


individual (autônomo, MEI) é decorrente de falta de normatização legal, pois não existe
na IN 971/2009 dispositivo autorizando isso. Somente no caso específico de contribuinte
individual cooperado contratado com a intermediação de cooperativa de trabalho é que
será possível o aproveitamento da remuneração informada em GFIP.

Art. 354. A remuneração relativa à mão-de-obra própria, inclusive ao décimo terceiro salário, cujas
correspondentes contribuições tenham sido recolhidas com vinculação inequívoca à obra, será atualizada
até o mês anterior ao da emissão do ARO com aplicação das taxas de juros previstas na alínea "b" do
inciso II e no inciso III do art. 402, e aproveitada na forma do art. 353, considerando-se:
I - a remuneração constante em GFIP, com informações específicas para a matrícula CEI, com
comprovante de entrega, desde que comprovado o recolhimento das contribuições correspondentes;

78
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De acordo com o Artigo 354, II da IN 971-2009 os valores recolhidos na matrícula


CEI de uma obra da pessoa física serão aproveitados como remuneração para fins de
cálculo por aferição. A remuneração será encontrada dividindo-se o valor recolhido por
0,368 (trezentos e sessenta e oito milésimos).

Por exemplo, se uma pessoa física recolher uma GPS no valor de R$ 1.200,00 (um
mil e duzentos reais) na competência 05-2014, o valor será dividido por 0,368 e a
remuneração encontrada será de R$ 3.260,87. Essa remuneração deverá ser atualizada
pela SELIC desde a data do recolhimento até o mês anterior ao da apresentação da DISO.
Importante informar também que não será exigida da pessoa física a apresentação de
GFIP para informar essa remuneração.

II - a remuneração correspondente às contribuições recolhidas mediante documento de arrecadação


identificado com a matrícula CEI da obra, não sendo exigida a comprovação de apresentação de GFIP,
quando se tratar de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa física.

No parágrafo único do Artigo 354 da IN-971 contém a resposta de uma dúvida


bastante comum dos contribuintes a qual é se a remuneração relativa ao período
decadencial pode ser aproveitada para fins da dedução do cálculo por aferição indireta.
A resposta é não. Pois nesse caso, vale o princípio da analogia, ou seja, se a Receita
Federal não pode cobrar um débito que já está decadente, o contribuinte também não
pode se beneficiar de valores recolhidos em período já decadente. Sendo assim, para fins
de cálculo os valores recolhidos em período decadente não serão aproveitados.

Parágrafo único. A remuneração relativa ao período decadencial não poderá ser aproveitada para fins da
dedução prevista neste artigo.

O Artigo 355 da IN 971-2009 prevê que quando da regularização por aferição


indireta, os valores de remuneração declarados nas GFIP´s das empresas terceirizadas
(empreiteiras ou subempreiteiras) e os recolhimentos efetuados em GPS serão
atualizados pela SELIC desde o mês de pagamento até o mês anterior ao da emissão do
ARO e devidamente aproveitados no cálculo por aferição indireta.

Art. 355. A remuneração relativa à mão-de-obra terceirizada, inclusive ao décimo terceiro salário, cujas
correspondentes contribuições recolhidas tenham vinculação inequívoca à obra, será atualizada até o
mês anterior ao da emissão do ARO com aplicação das taxas de juros previstas na alínea "b" do inciso II
e no inciso III do art. 402, e aproveitada na forma do art. 353, considerando-se:
I - a remuneração declarada em GFIP referente à obra, identificada com a matrícula CEI no campo
"CNPJ/CEI do tomador/obra", com comprovante de entrega, emitida por empreiteira contratada
diretamente pelo responsável pela obra, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com
base nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação de serviços, emitidos pela empreiteira;
II - a remuneração declarada em GFIP referente à obra, identificada com a matrícula CEI no campo
"CNPJ/CEI do tomador/obra", emitida pela subempreiteira contratada por empreiteiro interposto, desde

79
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

que comprovado o recolhimento dos valores retidos pelo empreiteiro contratante com base nas notas
fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação de serviços, emitidos pela subempreiteira;
§ 1º Nas obras de pessoa física, poderão ser aproveitadas as remunerações de empresas contratadas,
da seguinte forma:
I - no caso de cooperativa de trabalho, a resultante da divisão da contribuição dos segurados cooperados
que trabalharam na obra por 0,368 (trezentos e sessenta e oito milésimos), tomando-se como base as
contribuições individuais descontadas dos segurados cooperados correspondentes a 20% (vinte por cento)
do salário-de-contribuição de cada um, efetivamente recolhidas pela cooperativa, desde que esses
segurados tenham sido informados na GFIP referente à obra emitida pela cooperativa;
II - no caso de empreiteira ou subempreiteira, a remuneração declarada em GFIP referente à obra, desde
que comprovado o recolhimento integral das contribuições constantes dessa GFIP.
§ 2º A remuneração relativa ao período decadencial não poderá ser aproveitada para fins da dedução
prevista neste artigo.

O artigo 356 traz ainda outras formas de aproveitamento de remuneração de mão de obra.
No inciso I consta que os valores contidos em documentos de constituição de crédito
previdenciário (auto de infração ou lançamento de débito confessado) serão aproveitados
quando do cálculo por aferição indireta.

O inciso II do Art. 356 informa que os valores recolhidos pelo contratante de


cooperativa de trabalho também serão aproveitados como remuneração de mão de
obra.
Sobre cooperativa de trabalho tenho a informar que o STF em julgamento realizado
em 23.04.2014 deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a
inconstitucionalidade de dispositivo da Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que previa a
contribuição previdenciária de 15% incidente sobre a nota fiscal de prestação dos
serviços emitida pelas cooperativas de trabalho. A decisão foi tomada no julgamento do
Recurso Extraordinário (RE) 595838, com repercussão geral reconhecida, no qual uma
empresa de consultoria questionava a tributação.
A Lei 9.876/1999, que inseriu a cobrança na Lei 8.212/1991, revogou a Lei
Complementar 84/1996, na qual se previa a contribuição de 15% sobre os valores
distribuídos pelas cooperativas aos seus cooperados.

O inciso III trata da regra para o aproveitamento da remuneração de mão obra


relativo ao concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada utilizada
inequivocamente na obra. O percentual de aproveitamento é de 5% sobre o valor da nota
fiscal independentemente de apresentação do comprovante de recolhimento das
contribuições sociais. O valor referente ao percentual 5% sobre a nota fiscal também
será atualizado pela Selic, desde a data da emissão da nota fiscal até o mês anterior ao
da emissão do ARO.

80
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Art. 356. Será, ainda, aproveitada para fins de dedução da RMT, a remuneração:
I - contida em documento de constituição de crédito previdenciário, relativo à obra, quer seja apurado
com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade
solidária;
II - obtida com o resultado da divisão do valor da contribuição recolhida pelo contratante, incidente sobre
o valor pago a cooperativa de trabalho, cuja nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços esteja
vinculado inequivocamente à obra, por 0,368 (trezentos e sessenta e oito milésimos);
III - correspondente a 5% (cinco por cento) do valor da nota fiscal ou da fatura de aquisição de concreto
usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra,
independentemente de apresentação do comprovante de recolhimento das contribuições sociais.
Parágrafo único. O disposto no inciso III do caput não se aplica à argamassa em pó adquirida para preparo
na obra.

3.9.2 DO MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL – MEI

Recebo constantemente questionamentos referentes à contratação de


Microempreendedor Individual (MEI) para executar uma obra de construção civil. Sobre
o assunto vou prestar algumas informações que julgo importantes.

Microempreendedor Individual (MEI) é a pessoa que trabalha por conta própria e


que se legaliza como pequeno empresário. Para ser um microempreendedor individual,
é necessário faturar no máximo até R$ 60.000,00 por ano e não ter participação em
outra empresa como sócio ou titular.

O MEI também pode ter UM empregado contratado que receba o salário mínimo
ou o piso da categoria.

A Lei Complementar nº 128, de 19/12/2008, criou condições especiais para que o


trabalhador conhecido como informal possa se tornar um MEI legalizado

De acordo a Resolução CGSN nº 94/2011, artigo 104 e §§ 1° ao 4°, o MEI não poderá
realizar cessão ou locação de mão-de-obra.

Cessão ou locação de mão-de-obra é a colocação à disposição da empresa


contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores, inclusive o
MEI, que realizem serviços contínuos relacionados ou não com sua atividade fim,
quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.

Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que


não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços.

81
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da


contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua
atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por
diferentes trabalhadores.

Por colocação à disposição da empresa contratante, entende-se a cessão do


trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato.

De acordo a Resolução CGSN nº 94/2011, artigo 104, §§ 5° e 7°, a vedação


referente O MEI não poder realizar cessão ou locação de mão-de-obra, não se aplica à
prestação de serviços de hidráulica, eletricidade, pintura, alvenaria, carpintaria e de
manutenção ou reparo de veículos.

“Art. 104. O MEI não poderá realizar cessão ou locação de mão-de-obra. (Lei Complementar n º 123, de
2006, art. 18-B)
...
...
...
§ 5 º A vedação de que trata o caput não se aplica à prestação de serviços de hidráulica, eletricidade,
pintura, alvenaria, carpintaria e de manutenção ou reparo de veículos. (Lei Complementar n º 123, de
2006, art. 18-B, caput e § 1 º)”.

Na hipótese da contratação desses serviços, a empresa contratante de serviços


executados por intermédio do MEI deverá, com relação a esta contratação:

a) recolher a contribuição previdenciária de 20% - vinte por cento (cota patronal)


incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas ao contribuinte individual
que lhe prestem serviços;

b) prestar as informações de que trata o inciso IV do art. 32 da Lei n º 8.212, de


1991, ou seja, declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e ao Conselho
Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), por meio da GFIP/SEFIP,
dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição
previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do
FGTS;

c) cumprir as demais obrigações acessórias relativas à contratação de contribuinte


individual, como, por exemplo, elaborar folha de pagamento das remunerações pagas ou
creditadas a todos os segurados a seu serviço.

O disposto acima (alíneas “a” a “c”) aplica-se a qualquer forma de contratação,


inclusive por empreitada.

82
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Importante: A empresa que contratar o MEI para a realização de serviços de hidráulica,


eletricidade, pintura, alvenaria, carpintaria e de manutenção ou reparo de veículos não deverá
descontar a contribuição previdenciária de 11% (onze por cento) do contribuinte individual na
forma do art. 4º da Lei nº 10.666, de 08 de maio de 2003 (ver item “7” desta matéria).

Conforme o art. 18-B da LC nº 123/2006 as empresas que contratarem os


Microempreendedores para a execução de serviços de hidráulica, elétrica, pintura,
alvenaria, carpintaria e de manutenção ou reparo de veículos, tem a obrigatoriedade do
recolhimento a que se refere o inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991,
que trata do recolhimento de 20% (Vinte por cento) sobre o total das remunerações
pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes
individuais que lhe prestam serviços.

A partir da situação exposta no parágrafo acima, entende-se que a Previdência


Social enquadra como Contribuinte Individual o empresário optante pelo Sistema de
Recolhimento em Valores Fixos Mensais dos Tributos abrangidos pelo Simples Nacional
– SIMEI, obrigando a empresa contratante a inseri-lo na sua folha de pagamento na
condição de autônomo para efeito do recolhimento da previdência patronal de 20%
(vinte por cento), incidentes sobre a Nota Fiscal emitida pelo mesmo em contra partida
com os serviços executados no mês.

O Artigo 9º, XXXV da IN 971/2009 classifica o MEI como contribuinte individual.

Art. 9º Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de contribuinte individual:


......
....
.....
XXXV - o Microempreendedor Individual (MEI) de que tratam os arts. 18-A e 18-C da Lei Complementar
nº 123, de 14 de dezembro de 2006. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1453, de 24 de
fevereiro de 2014

Sendo o MEI um contribuinte individual, a Receita Federal não vai aproveitar a


remuneração desse profissional quando da regularização da obra. Porém, se o MEI tiver
um empregado que trabalhe na obra a remuneração do segurado empregado será
aproveitada.

3.9.3 DO CÁLCULO DA REMUNERAÇÃO DA MÃO-DE-OBRA E DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS EM


OBRAS REALIZADAS EM TERRENO NÃO DESMEMBRADO

Quando o contribuinte efetua a construção de várias residências em um terreno


não desmembrado, o cálculo do INSS a pagar será efetuado pela área toda com a

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aplicação das alíquotas de remuneração de mão de obra de acordo com a faixa da


metragem.

Exemplificando: O Sr. Construindo da Silva, proprietário de um lote de esquina conforme


abaixo, resolveu construir 4 sobrados para vender. A metragem de cada sobrado é de 80
m2, com dois banheiros cada. Para tanto foi efetuado um único projeto, foram emitidos
também um único alvará de construção e um habite-se.

Sobrado 01 Sobrado 02 Sobrado 03 Sobrado 04

Área 80 m2 Área 80 m2 Área 80 m2 Área 80 m2

Os dados da obra para a regularização constante da DISO são os seguintes:

- Destinação: Residencial Multi-familiar;


- Tipo 11 – Alvenaria;
- Metragem de cada sobrado: 80 m2
- Quantidade de sobrados: 04
- Metragem total da obra: 320 m2
- Quantidade de banheiros: 2 ( dois) por unidade) – padrão baixo
- Valor do CUB hipotético: Julho-2015: 1.670,00

O cálculo da remuneração de mão de obra fica dessa forma:

Área CUB Custo Global % Mão de Obra Remuneração de Mão de Obra


100 1.670,00 167.000,00 4% 6.680,00
100 1.670,00 167.000,00 8% 13.360,00
100 1.670,00 167.000,00 14% 23.380,00
20 1.670,00 33.400,00 20% 6.680,00
Total 320 534.400,00 50.100,00

A remuneração de mão de obra ficou em R$ 50.100,00 e esse valor será a base de


cálculo para a aplicação do percentual de 36,80% que corresponde a alíquota total das
contribuições sociais. No quadro abaixo estão discriminadas as contribuições sociais por
rubrica, o percentual relativo a cada uma e o valor devido no exemplo:

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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Rubrica Percentual Valor R$


Patronal (INSS) 20% 10.020,00
Segurados 8% 4.008,00
RAT 3% 1.503,00
Outras Entidades 5,8% 2.905,80
Total a Recolher 36,80% 18.436,80

Portanto, o valor do INSS a recolher na regularização desses 4 sobrados será de R$


18.436,80.

Alguns leitores do blog me perguntam por que o cálculo não é feito separadamente,
já que com isso a remuneração de mão de obra iria se enquadrar na primeira faixa (4%),
tendo em vista que as obras são inferiores a 100 m2, e nessas condições o valor do INSS
ficaria menor.

Mas, não é dessa forma que prevê legislação previdenciária. Veja que o Artigo 352
da IN 971-2009 (abaixo) é enfático ao dizer que em caso de edificação no mesmo projeto,
será aplicado o escalonamento da remuneração de mão de obra prevista no artigo 351
(4%, 8%, 14% e 20%) não se permitindo que seja feita por edificação, isoladamente.

Existe, no entanto uma ressalva (§ 3º do art. 345.) onde se admite o fracionamento


do projeto e, nesse caso as matrículas das obras serão efetuadas separadamente quando
houver a construção de casas geminadas em um único terreno onde cada proprietário
seja responsável pela execução de sua unidade. O fracionamento do projeto nesse caso,
consta do §2º, II e III do Artigo 24 da IN 971-2009 cujo texto reproduzo abaixo também.

Art. 352. Caso haja mais de uma edificação no mesmo projeto, aplicar-se-á o escalonamento da tabela
prevista no art. 351 uma única vez para a área total do projeto, submetida, quando for o caso, à aplicação
dos redutores previstos no art. 357, e não por edificação isoladamente, independentemente do padrão
da unidade, ressalvado o disposto no § 3º do art. 345.

§ 3º No caso de fracionamento do projeto conforme disposto nos §§ 1º e 2º do art. 24, o enquadramento


deverá ser efetuado em relação a cada bloco, a cada casa geminada ou a cada unidade residencial que
tenha matrícula própria.

§ 2º Admitir-se-á, ainda, o fracionamento do projeto para fins de matrícula e de regularização, quando


envolver:
II - a construção de casas geminadas em terreno cujos proprietários sejam cada um responsável pela
execução de sua unidade;
III - a construção de conjunto habitacional horizontal em que cada adquirente ou condômino seja
responsável pela execução de sua unidade, desde que as áreas comuns constem em projeto com matrícula
própria.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

À luz da legislação conclui-se que, se o terreno do Sr. Construindo da Silva estivesse


desmembrado em 4 lotes antes do início da obras ou cada proprietário do futuro sobrado
fosse o responsável pela execução de sua própria unidade o cálculo do INSS a pagar seria
efetuado de forma isolada e ficaria assim :

Cálculo da remuneração de mão de obra

Área m2 CUB Custo Global % Mão de Obra Remuneração de Mão de Obra


80 1.670,00 133.600,00 4% 5.344,00
Total 80 133.600,00 5.344,00

A remuneração de mão de obra de cada sobrado fica em R$ 5.344,00 e esse valor


será a base de cálculo para a aplicação do percentual de 36,80% que corresponde a
alíquota total das contribuições sociais. No quadro abaixo estão discriminadas as
contribuições sociais por rubrica, o percentual relativo a cada uma e o valor devido no
exemplo:

Rubrica Percentual Valor R$


Patronal (INSS) 20% 1.068,80
Segurados 8% 427,52
RAT 3% 160,32
Outras Entidades 5,8% 309,95
Total a Recolher 36,80% 1.966,59

Nessas condições, o valor do INSS a recolher na regularização DE UM SOBRADO será


de R$ 1.966,59. Logo, os 4 sobrados recolheriam o valor total de R$ 7.866,36, bem
inferior, portanto ao valor de R$ 18.436,80 caso o cálculo considerasse toda a metragem
(320 m2).

3.10 DAS ÁREAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO

O artigo 357 da IN 971/2009 prevê que, para fins de cálculo, algumas áreas sofrerão
reduções em sua metragem.

Os percentuais de redução serão de 50% (cinquenta por cento) quando for área
coberta e 75% (setenta e cinco por cento) para as áreas descobertas, desde que as
mesmas integrem a área total da edificação e constem do projeto da obra.

Com essas reduções, as áreas para cálculo ficam menores e isso diminui o valor a
pagar de contribuições sociais sobre a obra.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

É de suma importância para o contribuinte observar se no cálculo apresentado pela


Receita Federal do Brasil (RFB) foram consideradas essas reduções.

Fato a ressaltar é que a Certidão Negativa de Débito (CND) da obra que contenha
áreas passíveis de redução será emitida com a mesma área total constante dos
documentos (Alvará de Construção e Habite-se).

A redução deve ser aplicada também para as obras que sejam acréscimos de áreas já
regularizadas, demolições e reformas.

Por exemplo, se em uma obra constar do projeto uma área de garagem coberta com
metragem de 42 m2, para fins de cálculo será apenas considerada a metragem de 21 m2.
(50% de 42 m2)

Outro exemplo: se em uma residência for construída uma piscina descoberta com
área de 60 m2, para fins de cálculo será apenas considerada a metragem de 15 m2, ou
seja, apenas 25% da área.
Art. 357. Será aplicado redutor de 50% (cinquenta por cento) para áreas cobertas e de 75% (setenta e
cinco por cento) para áreas descobertas, desde que constatado que as mesmas integram a área total da
edificação, definida no inciso XVII do art. 322, nas obras listadas a seguir:
I - quintal;
II - playground;
III - quadra esportiva ou poliesportiva;
IV - garagem, abrigo para veículos e pilotis;
V - quiosque;
VI - área aberta destinada à churrasqueira;
VII - jardim;
VIII - piscinas;
IX - telheiro;
X - estacionamento térreo;
XI - terraços ou área descoberta sobre lajes;
XII - varanda ou sacada;
XIII - área coberta sobre as bombas e área descoberta destinada à circulação ou ao estacionamento de
veículos nos postos de gasolina;
XIV - caixa d’água;
XV - casa de máquinas.
§ 1º Compete exclusivamente à RFB, a aplicação de percentuais de redução e a verificação das áreas reais
de construção, as quais serão apuradas com base nas informações declaradas na DISO, sujeitas a
confirmação, quando solicitada, para a apresentação dos seguintes documentos:
I - o projeto arquitetônico aprovado pelo órgão municipal; ou
II - o projeto arquitetônico acompanhado da ART registrada no Crea, ou o RRT registrado no CAU, caso o
órgão municipal não exija a apresentação do projeto para fins de expedição de alvará ou habite-se.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

§ 2º A redução será aplicada também às obras que envolvam acréscimo de área já regularizada, reforma
e demolição.
§ 3º Não havendo discriminação das áreas passíveis de redução no projeto arquitetônico, o cálculo será
efetuado pela área total, sem utilização de redutores, não devendo, neste caso, o responsável pela
regularização declarar tal área por falta de comprovação.
§ 4º Jardins, quintais e playgrounds sobre terreno natural não são considerados área construída e não
deverão ser incluídos no cálculo da remuneração.

3.11 DOS PRÉ-MOLDADOS E PRÉ-FABRICADOS

A utilização de pré-moldados ou pré-fabricados em uma obra dá direito ao


contribuinte de obter uma redução de 70% no valor da remuneração de mão de obra, e
com isso reduzir o valor a pagar. Mas, para tanto deverão ser cumpridos alguns requisitos
que estão expressos no Artigo 364 da IN 971-2009.

Art. 364. A obra de construção civil que utilize componentes pré-fabricados ou pré-moldados será
enquadrada de acordo com o disposto nos arts. 346 a 348 e terá redução de 70% (setenta por cento) no
valor da remuneração apurada de acordo com o art. 359, desde que:

I - sejam declarados e apresentados, quando solicitado, conforme o caso:

a) a nota fiscal ou a fatura mercantil de venda do pré-fabricado ou do pré-moldado e a nota fiscal ou


fatura de prestação de serviços, emitidas pelo fabricante, relativas à aquisição e à instalação ou à
montagem do pré-fabricado ou do pré-moldado;

b) a nota fiscal ou a fatura mercantil do fabricante relativa à venda do pré-fabricado ou do pré-moldado


e as notas fiscais, as faturas ou os recibos de prestação de serviços, emitidos pela empresa contratada
para a instalação ou a montagem;

c) a nota fiscal ou a fatura mercantil do fabricante, se a venda foi realizada com instalação ou montagem;

II - o somatório dos valores brutos das notas fiscais ou das faturas previstas no inciso I, em cada
competência, atualizado com a aplicação das taxas de juros previstas na alínea "b" do inciso II e no inciso
III do art. 402, desde a data da emissão desses documentos até o mês anterior ao da emissão do ARO,
seja igual ou superior a 40% (quarenta por cento) do CGO, calculado conforme o art. 350, observado o
enquadramento no tipo 11 (alvenaria), previsto no § 2º.

§ 1º Pré-fabricado ou pré-moldado é o componente ou a parte de uma edificação, adquirido pronto em


estabelecimento comercial ou fabricado por antecipação em estabelecimento industrial, para posterior
instalação ou montagem na obra.

§ 2º O percentual a ser aplicado sobre a tabela CUB para apuração da remuneração por aferição indireta
será sempre o correspondente ao tipo 11 (alvenaria).

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

§ 3º A remuneração da mão-de-obra contida em nota fiscal ou fatura relativas à fabricação ou à


montagem, de pré-fabricado ou de pré-moldado, não poderá ser aproveitada no cálculo por aferição
indireta da mão-de-obra.

§ 4º A edificação executada por empresa construtora, mediante empreitada total, com fabricação,
montagem e acabamento (instalação elétrica, hidráulica, revestimento e outros serviços
complementares), deverá ser regularizada pela própria empresa construtora, para fins de obtenção da
CND.

§ 5º Nos casos em que o pré-fabricado ou o pré-moldado resumir-se à estrutura, a obra deverá ser
enquadrada no tipo 13 (mista), não se lhe aplicando o disposto neste artigo.

§ 6º Se a soma dos valores brutos das notas fiscais de aquisição do pré-fabricado ou do pré-moldado e
das notas fiscais de serviços de instalação ou de montagem não atingir o valor correspondente ao
percentual previsto no inciso II do caput, o enquadramento da obra observará o disposto nos arts. 346 a
349.

3.11.1 DO CÁLCULO DA REMUNERAÇÃO DE MÃO DE OBRA E CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS QUANDO


O VALOR DO PRÉ-MOLDADO FOR IGUAL OU SUPERIOR A 40% DO CUSTO GLOBAL DA OBRA

Para fins de entendimento do Artigo 364 acima, demonstro um exemplo de como é


efetuado o cálculo do valor das contribuições sociais a pagar de uma obra em que houve
a utilização de pré-moldados e o valor superou os 40% do CGO:

Tipo de obra: Galpão Industrial


Início da obra: 04.08.2013 Final da obra: 16.06.2015
Metragem da obra: 2.000 m2
Valor do CUB/PR Junho/2015: R$ 634,92
Valor das Notas fiscais de aquisição dos pré-moldados já devidamente corrigidas pela SELIC:
R$ 523.540,00

Área Valor do CUB Custo Global Obra (CGO) Com Redução 70% % MO Vlr Mão de Obra
100 634,92 63.492,00 19.047,60 4% 761,90
100 634,92 63.492,00 19.047,60 8% 1.523,81
100 634,92 63.492,00 19.047,60 14% 2.666,66
1.700 634,92 1.079.364,00 323.809,20 20% 64.761,84
Total 1.269.840,00 380.952,00 69.714,22

O custo global da obra (CGO) ficou em R$ 1.269.840,00 com base no CUB e na


metragem. Os valores das notas fiscais de aquisição dos pré-moldados, já devidamente
atualizados pela SELIC desde a data de emissão da nota fiscal até o mês anterior ao da
emissão do ARO, atingiu o montante de R$ 523.540,00 o que corresponde ao percentual

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de 41,22% do CGO. O percentual é encontrado dividindo o valor das notas fiscais já


corrigidas pelo Custo Global da Obra (523.540/1.269.840= 41,22%).

Portanto, em razão do valor das notas fiscais, já atualizadas, atingirem um


percentual maior do que 40% do CGO o contribuinte terá direito a redução de 70% na
remuneração de mão de obra.

Dessa forma, a base de cálculo para a aplicação dos percentuais das contribuições
sociais será o valor de R$ 69.714,22 e os valores separados por rubricas serão os
seguintes:

Rubrica Percentual Valor R$


Patronal 20% 13.942,84
Segurados 8% 5.577,14
RAT 3% 2.091,43
Terceiros 5,80% 4.043,42
Total 36,80% 25.654,83

O valor a pagar de INSS por aferição indireta sobre a obra do galpão industrial de
2.000 m2, no qual foi utilizado pré-moldado será de R$ 25.654,83.

3.11.2 DO CÁLCULO DA REMUNERAÇÃO DE MÃO DE OBRA E CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS QUANDO


O VALOR DO PRÉ-MOLDADO NÃO ATINGIR 40% DO CUSTO GLOBAL DA OBRA

Mas como será o cálculo da remuneração de mão de obra se o percentual de 40%


não for atingindo? Nesse caso, o cálculo do valor a pagar será efetuado da mesma forma,
porém sem considerar o percentual de redução de 70%. Veja o mesmo exemplo, porém
sem considerar a redução:

Área m2 CUB Custo Global Obra % MO Mão de Obra


100 634,92 63.492,00 4% 2.539,68
100 634,92 63.492,00 8% 5.079,36
100 634,92 63.492,00 14% 8.888,88
1.700 634,92 1.079.364,00 20% 215.872,80
Total 2.000 1.269.840,00 232.380,72

A base de cálculo a ser considerada para fins de aplicação dos percentuais de


contribuição será de R$ 232.380,00 e com isso os valores ficam da seguinte forma:

90
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Rubrica Percentual Valor R$


Patronal 20% 46.476,14
Segurados 8% 18.590,46
RAT 3% 6.971,42
Terceiros 5,80% 13.478,08
Total 36,80% 85.516,10

Portanto, o valor a pagar de contribuições sociais sobre a obra do galpão industrial


de 2.000 m2, no qual foi utilizado pré-moldados, mas o valor das notas fiscais não atingiu
o percentual de 40% do CGO será de R$ 85.516,10, já que a redução de 70% não será
concedida.

Outra regra muito importante e que é motivo de dúvidas quanto a sua


aplicabilidade é a constante no §2º do Artigo 364, cujo texto encontra-se abaixo:

§ 2º O percentual a ser aplicado sobre a tabela CUB para apuração da remuneração por aferição indireta
será sempre o correspondente ao tipo 11 (alvenaria).

Isso significa o seguinte: Em uma regularização por aferição indireta em que seja
utilizado pré-moldado, cujo valor da nota fiscal, devidamente corrigida, seja igual ou
superior a 40% do Custo Global da Obra (CGO) o tipo da obra deverá ser sempre o 11
(Alvenaria).

Se ocorrer uma situação em que a estrutura da obra seja de pré-moldado e os


valores das notas fiscais sejam iguais ou superiores a 40% do CGO ela não poderá ser
enquadrada no Tipo 13 (Mista), mas apenas no Tipo 11 (Alvenaria).

Sendo assim, não serão aplicados os percentuais de escalonamento para a


apuração da remuneração de mão de obra para aquelas obras enquadradas no Tipo 13
(mista) se as notas fiscais do pré-moldados forem iguais ou superiores a 40% do CGO.

Para ficar mais clara a explicação vou exemplificar como fica a aplicabilidade do
§2º do Artigo 364 da IN 971/2009.

Dados da obra:

Obra: Galpão Industrial


Início da obra: 10.04.2013 – Final da obra: 05.05.2015
Metragem: 2.000 m2
Obra classificada como Telheiro, portanto terá redução de 50% na área para cálculo: área para
cálculo: 1.000 m2
CUB hipotético: Julho/2015: R$ 676,99

91
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor corrigido das notas fiscais do pré-moldado: R$ 315.150,00


Foram utilizados pré-moldados na estrutura da obra.

Demonstrativo do cálculo de apuração de Mão de Obra

Área m2 CUB Custo Global Obra %Desconto Custo Líquido % MO Mão de Obra

100 676,99 67.699,00 70 20.309,70 4% 812,39

100 676,99 67.699,00 70 20.309,70 8% 1.624,78

100 676,99 67.699,00 70 20.309,70 14% 2.843,36

700 676,99 473.893,00 70 142.167,90 20% 28.433,58

Total 1.000 676.990,00 33.714,11

Observe que, embora a estrutura da obra seja de pré-moldados, o que levaria a ser
classificada como Tipo 13 (Mista) os percentuais de mão de obra aplicado foram de 4%,
8%, 14% e 20%, pois nesse caso, como foi aplicada a redução de 70%, já que o valor das
notas fiscais de pré-moldados atingiu o percentual de 46,55%, a obra é obrigatoriamente
enquadrada no Tipo 11 (Alvenaria).

A base de cálculo a ser considerada para fins de aplicação dos percentuais de


contribuição será de R$ 33.714,11 e com isso os valores são os abaixo:

Rubrica Percentual Valor R$


Patronal 20% 6.742,82
Segurados 8% 2.697,13
RAT 3% 1.011,42
Terceiros 5,80% 1.955,42
Total 36,80% 12.406,79

3.11.3 DO CÁLCULO DA REMUNERAÇÃO DE MÃO DE OBRA E CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS QUANDO


O VALOR DO PRÉ-MOLDADO UTILIZADOS NA ESTRUTURA NÃO ATINGIR 40% DO CUSTO GLOBAL
DA OBRA

Situação bem similar à acima descrita ocorre quando a obra foi executada com pré-
moldados os quais foram utilizados na estrutura da obra, porém o valor das notas fiscais
não atingiu o percentual de 40% do Custo Global da Obra (CGO).

A legislação prevê (Art. 364 §5º) que nesse caso a obra deve ser enquadrada no tipo
13 (mista). Esse enquadramento altera o valor da remuneração de mão de obra para

92
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

menor em comparação com o tipo alvenaria, já que os percentuais de mão de obra do


Tipo 13 (mista) são menores.

Veja como fica o cálculo da contribuição social a recolher considerando os dados


abaixo. Observe que, nesse exemplo o valor dos pré-moldados é inferior a 40% do CGO,
porém os pré-moldados foram utilizados na estrutura da obra.

Tipo de obra: Galpão Industrial


Início da obra: 04.08.2013 Final da obra: 16.06.2015
Metragem da obra: 2.000 m2
Valor do CUB/PR Junho/2015: R$ 634,92
Valor das Notas fiscais de aquisição dos pré-moldados, já devidamente corrigidas pela SELIC:
R$ 350.000,00
Percentual do valor das notas fiscais dos pré-moldados sobre o CGO: 27,56%

Demonstrativo do cálculo de apuração de Mão de Obra

Área m2 CUB Custo Global % MO Mão de Obra


100 634,92 63.492,00 2% 1.269,84
100 634,92 63.492,00 5% 3.174,60
100 634,92 63.492,00 11% 6.984,12
1.700 634,92 1.079.364,00 15% 161.904,60
Total 2.000 1.269.840,00 173.333,16

A base de cálculo para a aplicação dos percentuais das contribuições sociais será de
R$ 173.333,16 e os valores de contribuição separados por rubricas são os seguintes:

Rubrica Percentual Valor R$


Patronal 20% 34.666,63
Segurados 8% 13.866,65
RAT 3% 5.199,99
Terceiros 5,80% 10.053,32
Total 36,80% 63.786,60

Note que, como se trata de uma obra enquadrada como Tipo 13 (mista) os
percentuais de mão de obra são: 2%, 5%, 11% e 15% e o valor a pagar de contribuição
social fica em R$ 63.786,60.

Outra regra importante quando da utilização de pré-moldados ou pré-fabricados


em obras é aquela descrita no Artigo 365 da IN 971/2009 a qual prevê que quando da
apuração do valor da mão de obra por aferição indireta, será aproveitada a remuneração

93
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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

contida em nota fiscal ou recibo de prestação de serviços, relativo aos serviços de


instalação hidráulica, de instalação elétrica e a outros serviços complementares não
relacionados com a fabricação ou com a montagem do pré-fabricado ou do pré-moldado,
quando realizados por empresa diversa daquela contratada para a fabricação ou para a
montagem, ou cuja execução tenha sido contratada de forma expressa, com
discriminação dos serviços e respectivos preços.

3.12 DA REFORMA, DA DEMOLIÇÃO E DO ACRÉSCIMO DE ÁREA (ART 366 A 369 DA IN


971/2009)

Para fins de cálculo do valor do INSS a pagar, no caso de reforma, demolição ou


acréscimo de área é essencial saber se a área original do imóvel já está devidamente
regularizada na Receita Federal. Caso ela não esteja regularizada, o contribuinte deverá
recolher a contribuição sobre essa área também. Caso, se comprove que a obra original
já tem mais de 5 anos a mesma poderá ser regularizada por decadência, e nesse caso
somente se pagará o INSS sobre a área reformada, demolida ou acrescida.
Art. 366. No caso de reforma, de demolição ou de acréscimo de área, deverá ser verificado se a área
original do imóvel está regularizada perante a RFB.
§ 1º Considera-se obra regularizada, aquela:
a)já estiver averbada no Cartório de Registro de Imóvel;
b)Para a qual já foi emitida a Certidão Negativa de Débito (CND);
c)Foi comprovadamente concluída em período decadencial.
§ 2º Tendo sido verificado que a área original do imóvel não está regularizada, serão exigidas do
proprietário ou do responsável pela sua execução as contribuições correspondentes àquela área, além
das referentes à reforma, à demolição ou ao acréscimo.
§ 3º Para fins do disposto no § 1º, exclusivamente em caso de obra pública não averbada em cartório de
registro de imóveis, será considerada área regularizada a área da edificação existente, que poderá ser
definida por laudo técnico de profissional habilitado pelo Crea ou pelo CAU, acompanhado,
respectivamente, da ART ou do RRT.

3.12.1 DA REFORMA (ARTIGO 367 IN 971/2009)

No caso de reforma de imóvel, o valor da remuneração da mão-de-obra deverá ser


apurado com base nos valores contidos nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de
prestação de serviços e no contrato.

Muito embora, como o critério a ser escolhido é exclusivo da Receita Federal e não
do contribuinte, mesmo que se apresentem as notas fiscais a RFB pode entender que o
cálculo deve feito por aferição indireta com base na metragem e no padrão da obra.

94
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Não sendo possível a apresentação, quando solicitada, das notas fiscais, das
faturas ou dos recibos, ou do contrato relativos à prestação de serviços, a remuneração
da mão de obra utilizada na área reformada deverá ser apurada por aferição, mediante
o cálculo do Custo Global da Obra para a área construída final do imóvel, observado o
seu respectivo enquadramento no padrão da obra. Deverá ser aplicada a redução de 65%
(sessenta e cinco por cento) na remuneração de mão de obra.

A comprovação da área objeto da reforma será feita mediante a apresentação do


habite-se, da certidão da prefeitura municipal, da planta ou do projeto aprovado, do
termo de recebimento da obra, para obra contratada com a Administração Pública, do
laudo técnico de profissional habilitado pelo Crea ou pelo CAU, acompanhado,
respectivamente, da ART ou do RRT, ou de outro documento oficial expedido por órgão
competente.

Caso não seja possível a comprovação na forma descrita no parágrafo anterior, será
considerada como área da reforma a área total do imóvel.

Exemplificando: Reforma de uma residência de 285 m2, já deduzidas as áreas de


redução (garagem, varandas, sacadas) com três banheiros (padrão médio) efetuado pelo
método de aferição indireta com base na metragem e padrão da obra. O valor do CUB
hipotético é de R$ 1.423,78 (Julho/2015)

O cálculo é feito como se estivesse regularizando uma obra nova. A diferença é que
vai ser concedida uma redução de 65% na remuneração mão de obra.

Demonstrativo do cálculo de apuração de Mão de Obra


Área CUB Custo Global CGO com redução de 65% % MO Mão de Obra
100 1.423,78 142.378,00 49.832,30 4% 1.993,29
100 1.423,78 142.378,00 49.832,30 8% 3.986,58
85 1.423,78 121.021,30 42.357,46 14% 5.930,04
Total 285 405.777,30 142.022,06 11.909,92

A base de cálculo para a aplicação dos percentuais das contribuições sociais será de
R$ 11.909,92 e os valores de contribuição separados por rubricas são os seguintes:

Rubrica Percentual Valor Contribuição


Patronal 20% 2.381,98
Segurados 8% 952,79
RAT 3% 357,30
Terceiros 5,80% 690,78
Total a pagar 36,80% 4.382,85

95
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Portanto, o valor a recolher será de R$ 4.283,85. Note que, com a redução de 65%
o Custo Global da Obra (CGO) caiu de R$ 405.777,30 para R$ 142.022,06. Sendo assim, o
valor a pagar fica menor proporcionalmente em 65%.

A comprovação da área objeto da reforma dar-se-á pelo habite-se, certidão da


prefeitura municipal, planta ou projeto aprovados, termo de recebimento da obra, para
obra contratada com a Administração Pública, laudo técnico de profissional habilitado
pelo CREA, acompanhado da ART, ou em outro documento oficial expedido por órgão
competente.

3.12.2 DA DEMOLIÇÃO

No caso de demolição de imóvel, a remuneração da mão-de-obra será apurada com


base na área demolida e sofrerá redução de 90% (noventa por cento), sendo que, para
fins de enquadramento, será observada a área construída total do imóvel.

Para a demolição de um imóvel é necessário também recolher o valor do INSS sobre


a mão de obra utilizada para esse fim. O cálculo é feito por aferição indireta com base na
metragem e no padrão da obra demolida e será aplicado um percentual de redução de
90%.

Veja como fica o cálculo do INSS a pagar de uma demolição considerando os dados
abaixo:

- Tipo de obra : Residencial;


- Início da obra: 06.01.2015 – Final da obra: 15.02.2015
- Metragem: 285 m2, já deduzidas as áreas de redução;
- Quantidade de banheiros: 03 (três) - padrão médio;
- Valor do CUB hipotético (Julho/2015): R$ 1.423,78

Demonstrativo do cálculo de apuração de Mão de Obra

Área CUB Custo Global CGO com redução de 90% % MO Mão de Obra
100 1.423,78 142.378,00 14.237,80 4% 569,51
100 1.423,78 142.378,00 14.237,80 8% 1.139,02
85 1.423,78 121.021,30 12.102,13 14% 1.694,30
Total 285 405.777,30 40.577,73 Total 3.402,83

A base de cálculo para a aplicação dos percentuais das contribuições sociais será de
R$ 3.402,83 e os valores de contribuição separados por rubricas são os seguintes:

96
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Rubrica Percentual Valor Contribuição


Patronal 20% 680,57
Segurados 8% 272,23
RAT 3% 102,09
Terceiros 5,80% 197,36
Total a Pagar 36,80% 1.252,24

O valor a recolher será de R$ 1.252,24. Observe que com a redução de 90% o Custo
Global da Obra (CGO) caiu de R$ 405.777,30 para R$ 40.577,73, ou seja corresponde a
exatos 10% do CGO sem a redução, com isso o valor a pagar fica menor também em 90%.

3.12.2 DO ACRÉSCIMO (AMPLIAÇÃO)

O acréscimo é aquela obra efetuada onde já existe uma área anterior construída e
já regularizada. Portanto, para que se possa fazer uma ampliação é necessário que a obra
anterior já esteja devidamente regularizada na Receita Federal.

Se o contribuinte realizar uma obra em um terreno onde já exista outra obra já


devidamente regularizada perante a Receita Federal, essa nova obra será considerada
como ampliação daquela.

Isso é importante observar porque o valor do INSS de uma ampliação ficará maior
do que o INSS a recolher de uma obra da mesma metragem feita isoladamente em um
terreno. Para fins de exemplo, uma obra de 200 m2 realizada em um terreno onde já
exista outra obra terá o INSS a pagar maior do que aquela obra nova executada em um
terreno onde não exista nenhuma obra. Isso decorre pelo fato de que as faixas de
enquadramento iniciais de mão-de-obra já foram utilizadas na obra anterior e com isso
a obra ampliada irá ser enquadrada nas faixas de percentual maior de mão-de-obra, logo
o valor a pagar fica maior. Abaixo eu explico detalhadamente essa questão.

Se porventura, o terreno onde vai ser construída uma nova residência estiver
desmembrado o enquadramento deverá ser como OBRA NOVA e não como ampliação,
já que não estará no mesmo terreno, mas em terrenos distintos.

Art. 369. O acréscimo de área em obra de construção civil já regularizada, para fins de apuração do
montante da remuneração da mão de obra da área acrescida, será enquadrado de acordo com a sua
destinação e respectivo padrão, devendo ser observado o disposto nos arts. 346 e 348, bem como o
disposto no § 5º deste artigo.
§ 1º A obra realizada no mesmo terreno em que exista outra obra já regularizada na RFB será considerada
como acréscimo daquela, mesmo que tenha autonomia em relação a ela, desde que não tenha ocorrido
o desmembramento.

97
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

§ 2º Para fins do disposto no § 1º, considera-se terreno desmembrado aquele separado em unidades
autônomas no órgão municipal competente e no cartório de registro imobiliário.
§ 3º Exclusivamente em caso de obra pública não averbada em Cartório de Registro de Imóveis, para fins
de definição da área da edificação existente, poderá ser aceito laudo técnico de profissional habilitado
pelo Crea ou pelo CAU, acompanhado, respectivamente, da ART ou do RRT.
§ 4º Para fins de escalonamento, a área do acréscimo, observada, se for o caso, a aplicação de redutores
previstos no art. 357, será somada à área existente.
§ 5º Se a destinação do acréscimo se referir a projeto residencial elencado no inciso I do art. 346, deverá
ser considerado, para efeitos de enquadramento no padrão, somente o número de banheiros da área
acrescida.

Para melhor entendimento do Artigo 369 segue abaixo um exemplo de


regularização de uma obra residencial na qual já existia uma área regularizada e o
proprietário do imóvel resolveu fazer um acréscimo. O terreno não estava
desmembrado. Os dados são os seguintes:

Obra existente e já regularizada: 277 m2 com quatro banheiros, padrão alto


Ampliação de 110 m2 (sem redução).
Valor do CUB – padrão ALTO: Julho/2015 : R$ 1.706,89

O cálculo para a apuração da mão de obra utilizada na ampliação fica da seguinte


forma:

Área m2 CUB Custo Global % MO Mão de Obra


23 1.706,89 39.258,47 14% 5.496,19
87 1.706,89 148.499,43 20% 29.699,89
Total: 110 187.757,90 35.196,07
Quadro 1

A base de cálculo para a aplicação dos percentuais das contribuições sociais será de
R$ 35.196,07 e os valores de contribuição separados por rubricas são os seguintes:

Rubrica Percentual Valor Contribuição


Patronal 20% 7.039,21
Segurados 8% 2.815,69
RAT 3% 1.055,88
Terceiros 5,80% 2.041,37
Total a Pagar 36,80% 12.952,15
Quadro 2

Observe que no quadro 1 acima, para se encontrar a remuneração de mão de obra


foi utilizado 23 m2. Esse número corresponde à diferença entre 100m2 do limite do
enquadramento e 77 m2 já utilizado na regularização anterior. O escalonamento para

98
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

fins de cálculo é feito de 100 em 100 metros quadrados de acordo com a IN 971/2009 e
com isso o percentual de mão de obra a ser utilizado deverá ser aquele correspondente
à faixa de metragem.

Dessa forma, foi utilizado para os 23 m2 o percentual de remuneração de mão de


obra de 14%, pois na regularização anterior (277 m2) já foram utilizados os percentuais
de 4% e 8% para as duas faixas iniciais de metragem (100 m2) e para os 77 m2 foi utilizado
o terceiro percentual de remuneração de mão de obra que é de 14%, portanto para se
completar a faixa de 100 m2, faltava 23 m2.

Explicando melhor: Como a obra anterior era de 277 m2 já foram utilizadas as faixas de
escalonamentos e percentuais de mão de obra conforme demonstrado abaixo:

Obra existente
Faixa metragem Percentual de mão de obra
100 m2 4%
100 m2 8%
77 m2 14%

Sendo assim, para a ampliação de 110 m2 devem ser utilizados os seguintes


percentuais de mão de obra:

Faixa metragem Percentual de mão de obra


23 m2 14%
87 m2 20%

3.13 DA CONSTRUÇÃO SEM MÃO DE OBRA REMUNERADA

A Instrução Normativa RFB 971/2009 prevê em seu Artigo 370 que nada será devido
de contribuição social decorrente de obra de construção civil desde que a mesma atenda
aos seguintes requisitos:

I - o proprietário do imóvel ou dono da obra seja pessoa física, não possua outro imóvel e a construção
seja:
a) residencial e unifamiliar;
b) com área total não superior a 70m2 (setenta metros quadrados);
c) destinada a uso próprio;
d) do tipo econômico ou popular; e
e) executada sem mão-de-obra remunerada;
II - seja destinada a uso próprio e tenha sido realizada por intermédio de trabalho voluntário, não
remunerado, prestado por pessoa física à entidade pública de qualquer natureza, ou à instituição privada

99
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de
assistência social, inclusive mutualidade;
III - a obra se destine à edificação de conjunto habitacional popular, e não seja utilizada mão-de-obra
remunerada, observado que o acompanhamento e a supervisão da execução do conjunto habitacional
por parte de profissionais especializados, na qualidade de engenheiro, arquiteto, assistente social ou
mestre de obras, mesmo que remunerado, não descaracterizará a sua forma de execução, cabendo
apenas a comprovação do recolhimento das contribuições para a Previdência Social e das destinadas a
outras entidades ou fundos, incidentes sobre a remuneração dos profissionais;
IV - seja executada por entidade beneficente ou religiosa, destinada a uso próprio, realizada por
intermédio de trabalho voluntário não remunerado.

Caso seja verificado o descumprimento de qualquer das condições previstas acima,


as contribuições relativas à remuneração da mão de obra empregada na obra tornam-se
exigíveis, além das cominações legais cabíveis.

A regularização de obra de pessoa jurídica executada sem a utilização de mão-de-


obra remunerada deverá ser feita de acordo com a escrituração contábil formalizada.

Para comprovar que houve a não-ocorrência de fato gerador das contribuições


sociais, o responsável deverá manter na obra durante a sua execução e, após o seu
término, arquivados à disposição da RFB, pelo prazo decadencial previsto na legislação
tributária, os seguintes documentos:

I - Termo de adesão previsto na Lei nº 9.608, de 1998, relativo a cada colaborador que
preste serviço sem remuneração, na obra executada, devendo dele constar o endereço
e a matrícula CEI da obra, o nome, o número do Registro Geral (RG), o número do CPF ou
do NIT, o endereço residencial completo, a função e as condições de exercício nessa obra;

II - Relação de colaboradores, devendo constar o endereço e a matrícula CEI da obra, o


nome, o número do RG, o número do CPF ou do NIT, o endereço residencial completo, a
função e as condições de exercício nessa obra, de cada colaborador que tenha,
voluntariamente e sem remuneração, nela prestado serviços.

Caso seja constatada a utilização de mão-de-obra remunerada, serão devidas as


contribuições sociais correspondentes à remuneração dessa mão-de-obra.

3.14 DA REGULARIZAÇÃO DE CONSTRUÇÃO PARCIAL (ARTIGO 372 DA IN 971/2009)

O Artigo 322, inciso VIII da IN RFB 971/2009 diz que “construção parcial é a execução
parcial de um projeto cuja obra se encontre em condições de habitabilidade ou de uso,
demonstradas em habite-se parcial, certidão da prefeitura municipal, termo de recebimento de
obra, quando contratada com a Administração Pública ou em outro documento oficial expedido
por órgão competente”

100
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Na regularização de construção parcial o enquadramento é efetuado pela área total,


apurando-se as contribuições proporcionalmente à área já construída, constante em
documento oficial emitido por órgão competente.

Para o cálculo do valor da contribuição social a recolher deverá ser observado o


seguinte, conforme dispõe a Instrução Normativa 971/2009:

I - a Remuneração da Mão de Obra Total (RMT) será calculada mediante a aplicação dos
percentuais de remuneração mão de obra na proporção do escalonamento por área,
sobre o Custo Global da Obra e somando os resultados obtidos em cada etapas
considerando-se, nesse cálculo, a área construída, constante do documento referido no
caput;
II - A área proporcional a regularizar será dividida pela área total, e esse quociente será
multiplicado pelo valor da RMT, apurada na forma do inciso I, obtendo-se, assim, a
remuneração correspondente à área a regularizar;
III - a remuneração correspondente aos recolhimentos efetuados entre a data de início
da obra e a data de expedição do documento referido no caput, se houver, será deduzida
da remuneração apurada para a área proporcional que está sendo regularizada;
IV - sobre a remuneração correspondente à área a regularizar serão aplicadas as alíquotas
de cálculo das contribuições sociais previdenciárias e das contribuições destinadas a
outras entidades ou fundos, totalizando o percentual de 36,80%.
V - Nas regularizações parciais subsequentes, aplicar-se-á o disposto nos incisos I a IV,
devendo ser também considerados, para fins de dedução da remuneração apurada para
a área proporcional que está sendo regularizada, os recolhimentos porventura efetuados
em decorrência de aferições indiretas parciais anteriores;

VI - a cada regularização parcial deverá ser confrontada a área já realizada com todas as
remunerações da mão de obra utilizada na sua execução, desde o início da obra até a
data do último documento declarado e apresentado, se for o caso, dentre aqueles
referidos no caput.)

Caso o somatório das áreas declaradas ou das áreas constantes nos documentos
apresentados pelo sujeito passivo para comprovação das áreas parciais seja menor do
que a área total do projeto aprovado, a diferença será apurada juntamente com a última
regularização, ao final da obra.

A comprovação da área parcialmente concluída será feita, quando for o caso, com a
apresentação do habite-se parcial, a certidão da prefeitura municipal, a planta ou o
projeto aprovado, o termo de recebimento da obra, quando contratada com a
Administração Pública, ou com outro documento oficial expedido por órgão competente.

101
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Todos os documentos que serviram de base para a apuração das áreas


anteriormente regularizadas e para a respectiva certidão atualizada do registro em
Cartório de Registro de Imóveis em que constem as averbações já realizadas, poderão
ser solicitados para a comprovação das áreas regularizadas.

A CND de obra parcial deverá mencionar apenas a área constante na declaração feita
pelo sujeito passivo, que estará sujeita à comprovação, se necessário.

Exemplo – Regularização Parcial - Demonstro abaixo como é efetuado o cálculo de


regularização parcial de uma obra cujo projeto é residencial e comercial. Os dados são os
seguintes:

Área total do projeto: 1.000 m2;


Destinação da obra: residencial multifamiliar e comercial salas e lojas;
Metragem área residencial: 800 m2 relativo ao edifício multifamiliar com 8 unidades. Cada
unidade tem dois banheiros (padrão Baixo);
Metragem área comercial: 200 m2 relativo a duas salas comerciais;
CUB/Pr – Junho/2015: R$ 991,44.

Observe que, como a área residencial é preponderante (maior) o enquadramento


será feito como residencial multifamiliar (R-8).

O proprietário da obra concluiu apenas as duas salas comerciais (térreo) e quer


regularizar somente estas, pois o edifício multifamiliar ainda não foi concluído.

Para fins didáticos não foram consideradas as áreas de redução.

Demonstrativo do cálculo de apuração de Mão de Obra

Área m2 Valor do CUB Custo Global da Obra % MO Remuneração Mão de Obra


100 991,44 99.144,00 4% 3.965,76
100 991,44 99.144,00 8% 7.931,52
100 991,44 99.144,00 14% 13.880,16
700 991,44 694.008,00 20% 138.801,60
Total 1.000 297.432,00 RMT 164.579,04

O valor da Remuneração Mão de Obra Total (RMT) ficou em R$ 164.579,04 para a


obra toda. Porém, como se refere a uma regularização parcial temos de achar a RMT
proporcional. Para isso fazemos o seguinte cálculo:

RMT Proporcional = Área a regularizar dividido pela área total = 200/1000 = 0,20 ou 20%.

102
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Sobre a RMT (164.579,04) vamos aplicar o percentual de 20% e com isso achar a
RMT proporcional referente a área a regularizar (salas comerciais)

164.579,04 X 20% = 32.915,81

O valor R$ 32.915,81 será a base de cálculo para a aplicação das alíquotas das
contribuições, ficando o cálculo das rubricas da seguinte forma:

Rubrica Percentual Valor Contribuição


Patronal 20% 6.583,16
Segurados 8% 2.633,26
RAT 3% 987,47
Terceiros 5,80% 1.909,12
Total a Pagar 36,80% 12.113,02

Portanto, para a regularização parcial da obra em questão o valor a pagar será de


R$ 12.113,02.

Quando o proprietário for efetuar a regularização dos apartamentos, o cálculo será


da mesma forma, porém os valores recolhidos serão atualizados pela SELIC e deduzidos
da RMT.

3.15 DA REGULARIZAÇÃO DE OBRA INACABADA ( ARTIGO 373 DA IN 971/2009)

De acordo com o Artigo 322, inciso VII, “obra inacabada é a parte executada de um projeto
que resulte em edificação sem condições de habitabilidade, ou de uso, para a qual não é emitido
habite-se, certidão de conclusão da obra emitida pela prefeitura municipal ou termo de
recebimento de obra, quando contratada com a Administração Pública”;

Art. 373. No caso de obra inacabada, deverá ser declarado pelo responsável o percentual da construção
já realizada, em relação à obra total, sujeito a comprovação, quando solicitado pela RFB, por meio do
laudo de avaliação técnica de profissional habilitado pelo Crea ou pelo CAU, acompanhado,
respectivamente, da ART ou do RRT, observando-se, quanto à matrícula, o disposto no § 2º do art. 379.
§ 1º O percentual declarado será utilizado para determinação da área que constará na CND de obra
inacabada e que servirá de base para a apuração da remuneração sobre a qual incidirão as respectivas
contribuições, efetuando-se o enquadramento de acordo com a área total do projeto, e apurando-se as
contribuições proporcionalmente à área correspondente à obra inacabada, na forma prevista nos incisos
II e III do § 1º do art. 372.
§ 2º Quando da conclusão da obra, será regularizada a área resultante da diferença entre a área
construída, prevista no inciso XVI do art. 322, e a da CND da obra inacabada, efetuando-se o
enquadramento pela área total do projeto.
§ 3º Na CND de obra inacabada, após o endereço da obra, constará a expressão "obra inacabada".

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

§ 4º A obra para a qual não foi emitida CND de obra inacabada, ao final da construção, poderá ser
regularizada em nome do adquirente ou do proprietário do imóvel e emitida a CND com a área total da
obra ou por unidade adquirida, conforme o caso, desde que sejam recolhidas as contribuições
correspondentes, apuradas com base na área construída total.

O cálculo de uma obra inacabada é efetuado da mesma forma que na


regularização parcial, de forma que, guardadas as devidas proporções, o laudo fornecido
pelo engenheiro tem a mesma função do Habite-se parcial para fins de informar qual a
área ou percentual da obra já estão concluídos, ou seja, se o engenheiro informar no
laudo que apenas 40% da obra estão concluídos o INSS a pagar será de 40% do total do
INSS devido pela obra toda.

3.16 DA REGULARIZAÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL REALIZADA PARCIALMENTE EM


PERÍODO DECADENCIAL (ARTIGO 374 IN 971/2009)

Na regularização de obra de construção civil, cuja execução tenha ocorrido parte em


período decadencial e parte em período não-decadencial serão devidas contribuições
sociais sobre a remuneração de mão-de-obra correspondente à área executada em
período não-decadente, considerando-se, para efeito de enquadramento, a área total do
projeto, submetida, quando for o caso, à aplicação dos redutores de área.

No cálculo da remuneração correspondente a área a regularizar relativa ao período


não-decadencial, serão observados os seguintes procedimentos:

I - a remuneração relativa à área total do projeto submetida, se for o caso, à aplicação de


redutores, será calculada com base na sistemática já conhecida e explicada
anteriormente.
II - a remuneração da mão-de-obra total relativa ao período não-decadencial será o
resultado da multiplicação da remuneração relativa à área total do projeto pelo
percentual não decadente calculado a partir da equação: percentual não decadente = 1
- (número de meses decadentes / número de meses de execução da obra);
III - da remuneração da mão-de-obra total relativa a período não-decadencial, calculada
com base no disposto no inciso II, serão deduzidas as remunerações correspondentes
aos recolhimentos efetuados em período não-decadencial;
IV - o número de meses do período não-decadencial (MND), a que se refere o inciso II,
corresponderá ao número de meses compreendidos entre o início do período não-
decadencial e o mês de conclusão da obra, inclusive;
V - o número total de meses de execução da obra (NT), a que se refere o inciso II,
corresponde à soma do número de meses do período não-decadencial (MND), conforme
definido no inciso IV, com o número de meses do período decadencial a partir do início
da obra comprovado na forma prevista no § 2º do art. 390;

104
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

VI - a remuneração correspondente aos recolhimentos com vinculação inequívoca à obra,


efetuados em período não-decadencial, será deduzida da RMT;
VII - a área correspondente ao percentual decadente, será considerada área regularizada.

Para fins de melhor entendimento das regras constante do Artigo 374 da IN


971/2009 vou exemplificar como é feito o cálculo do valor a pagar de contribuição social
incidente sobre uma obra que foi executada parte em período decadencial e parte em
período não decadencial. O valor do INSS a recolher vai incidir apenas sobre o período
não decadencial. Vamos aos dados da obra:

- Destinação da obra: residencial unifamiliar;


- Metragem da obra: 386 m2 já considerando as áreas de redução;
- Quantidade de banheiros: 04 – Padrão Alto;
- Início da obra constante do Alvará de Construção: 01.02.2009;
- Final da obra constante do Habite-se: 31.10.2012;
- Mês de apresentação da DISO: Julho/2015;
- Valor do CUB/PR – Junho/2015: 1.706,89

Demonstrativo do cálculo de apuração de Mão de Obra


Área m2 Valor do CUB Custo Global Obra (CGO) % Mão de Obra Valor Mão de Obra (RMT)
100 1.706,89 170.689,00 4% 6.827,56
100 1.706,89 170.689,00 8% 13.655,12
100 1.706,89 170.689,00 14% 23.896,46
86 1.706,89 146.792,54 20% 29.358,51
Total 386 512.067,00 Total 73.737,65

A Remuneração de Mão- de-Obra Total (RMT) foi de R$ 73.737,65. Porém, temos


que considerar que parte da obra já está decadente e dessa forma é imprescindível
sabermos qual período é que vai estar decadente.

De acordo com as regras de contagem da decadência com base no Artigo 173 do


Código Tributário Nacional, a Fazenda Pública tem 5 anos para constituir o crédito
tributário, o qual será contado a partir do primeiro exercício seguinte àquele em que o
lançamento poderia ter sido efetuado.
Sendo assim, para esse ano de 2015 a Receita Federal só poderá lançar as
contribuições sociais relativas aos fatos geradores ocorridos até 31.12.2009. Vou explicar
para melhor entendimento.

Se a obra foi iniciada em 01.02.2009 a contagem do prazo para fins de decadência


começa em 01.01.2010, pois não houve pagamento antecipado e a contribuição

105
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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

previdenciária, sendo um tributo por homologação o prazo será contado a partir do


primeiro exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado:

01.01.2010 – primeiro dia do exercício seguinte


01.01.2011 – 1º ano
01.01.2012 – 2º ano
01.01.2013 – 3º ano
01.01.2014 – 4º ano
01.01.2015 – 5º ano (100% decadente)

No exemplo acima a Receita Federal só poderia ter lançado o crédito até o dia
31.12.2014, pois em 01.01.2015 já estaria decadente, isso se a obra estivesse sido
concluída até o dia 31.12.2009, o que não é o caso, pois a data efetiva de conclusão foi
em 31.10.2012, logo, apenas um período estará decadente.

Podemos concluir que os fatos geradores ocorridos no ano de 2009 já estão todos
decadentes e não podem ser mais cobrados a partir de 01.01.2015. Porém, se a obra
continuou a ser executada a partir de 31.12.2009 será devida as contribuições sociais a
partir de 01.01.2010 até a data da conclusão da obra.

Continuando a explicação sobre o cálculo, temos agora de verificar qual o período


de duração da obra e quantos meses foram decorridos desde o seu início até o dia
31.12.2009, para identificarmos quantos meses serão considerados decadentes.

A obra iniciou em 01.02.2009 e foi concluída em 31.10.2012. Vamos a contagem da


quantidade de meses de execução da obra, dos meses decadentes e não decadentes:

- 11 Meses em 2009
- 12 Meses em 2010
- 12 Meses em 2011
- 10 Meses em 2012
Quantidade de meses de duração da obra: 45 meses.
Quantidade de meses decadentes: 11 meses (ano de 2009)
Quantidade de meses não decadentes: 34 meses (anos de 2010, 2011 e 2012)

A quantidade dos meses decadentes (11 meses) corresponde a 24,45% da


quantidade de meses de execução da obra e os meses não decadentes correspondem
a 75,55%.

Sendo assim, para efeito de cálculo sobre a remuneração total de mão de obra (RMT)
já encontrada (R$ 73.737,65) será aplicado o percentual de 75,55% e encontraremos a
remuneração de mão de obra do período não decadente a qual será a base de cálculo
para fins de aplicação dos percentuais das contribuições sociais.

106
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

R$ 73.737,65 X 75,55% = 55.406,59 (Base de cálculo).

A base de cálculo para a aplicação dos percentuais das contribuições sociais será de
R$ 55.406,59 e os valores de contribuição separados por rubricas são os seguintes:

Rubrica Percentual Valor Contribuição


Patronal 20% 11.081,32
Segurados 8% 4.432,53
RAT 3% 1.662,20
Terceiros 5,80% 3.213, 58
Total a Pagar 36,80% 20.389,63

Portanto, o valor a pagar relativo ao período não decadencial ficará em R$


20.389,63.

3.17 DA REGULARIZAÇÃO DE OBRA POR CONDÔMINO OU POR ADQUIRENTE (ART 375 A 379)

O condômino adquirente de unidade imobiliária de obra de construção civil poderá


obter CND na RFB, desde que responda pelas contribuições devidas, relativas à sua
unidade.

O adquirente de prédio ou de unidade imobiliária de obra incorporada na forma da


Lei nº 4.591, de 1964, mesmo não sendo responsável pelas contribuições sociais devidas
pela empresa construtora ou pelo incorporador, poderá regularizar o prédio ou a
unidade adquirida, em seu próprio nome, desde que responda pelo recolhimento das
contribuições devidas.

O adquirente de unidade imobiliária ou o condômino deverá declarar as


informações mediante utilização da DISO e apresentar documentos que demonstrem a
área total da edificação e a fração ideal correspondente à sua unidade.

A comprovação feita por meio da apresentação de habite-se, certidão da prefeitura


municipal, planta ou projeto aprovados, escritura lavrada em cartório, memorial
descritivo registrado, contrato de compra e venda da unidade, convenção de condomínio
ou outro documento oficial expedido por órgão competente.

Para fins da regularização e recolhimento das respectivas contribuições, deverá ser


aberta matrícula CEI sob a responsabilidade da pessoa física ou jurídica, condômino ou
do adquirente, constando no cadastro da obra a área a ser regularizada, a identificação
específica da unidade e o endereço da obra.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

A obra ou a unidade a ser regularizada será enquadrada de acordo com a área total
do projeto, submetida, quando for o caso, à aplicação de redutores sendo que a
remuneração relativa à unidade a regularizar será:

I - o produto da multiplicação da respectiva fração ideal pela RMT, quando não existirem
recolhimentos relativos à obra ou a remuneração correspondente aos recolhimentos
efetuados não seja passível de aproveitamento.

II - quando existirem recolhimentos relativos à obra, cuja correspondente remuneração


seja passível de aproveitamento, o produto da multiplicação da respectiva fração ideal
pelo resultado da dedução da remuneração correspondente aos recolhimentos
efetuados da RMT.

Na regularização de unidade autônoma por condômino serão aproveitadas, para a


apuração da base de cálculo, as remunerações correspondentes aos recolhimentos
efetuados pelo construtor ou pelo incorporador, não podendo ser deduzidos das
contribuições apuradas para um condômino ou adquirente os recolhimentos efetuados
por outro condômino ou por outro adquirente.

Somente serão aproveitados os recolhimentos que constarem na conta corrente da


matrícula CEI original da obra até a emissão da 1ª (primeira) CND de regularização de
unidade individual que porventura tenha sido expedida na mesma matrícula, excluindo-
se o recolhimento efetuado a título de complementação para a expedição desta 1ª
(primeira) CND.

Após o recolhimento das contribuições aferidas indiretamente e a emissão da


respectiva CND, será efetuado o encerramento da matrícula.

A apresentação dos documentos solicitados deverá ser feita na unidade de


atendimento da RFB jurisdicionante.

O condômino ou adquirente de obra inacabada que retomar a execução da obra


deverá providenciar a obtenção de CND de obra inacabada na unidade de atendimento
da RFB jurisdicionante do local da obra ou do estabelecimento matriz da construtora ou
da incorporadora, e a emissão de nova matrícula em nome do novo responsável pela
obra ou da empresa construtora porventura contratada por empreitada total para
finalizar a obra.

Para a regularização da obra o enquadramento será efetuado com base na área total
do projeto, submetida à aplicação de redutores, quando for o caso.

108
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

3.18 DA REGULARIZAÇÃO DE OBRA EM QUE HOUVE RESCISÃO DE CONTRATO (ART. 379 DA


IN 971/2009)

Caso ocorra a rescisão de contrato de empreitada total, a construtora responsável


pela obra deverá regularizar a área construída na unidade de atendimento da RFB.

Para a continuação de obra inacabada, ainda que parte esteja regularizada, será
mantida a mesma matrícula, desde que o responsável seja o mesmo.

Tendo sido emitida a CND de obra parcial ou a CND de obra inacabada, o contrato
com empresa construtora para finalizar a obra incompleta poderá ser considerado de
empreitada total se a empresa construtora matricular em seu nome a área da obra a ser
finalizada.

O contrato entre o proprietário do imóvel, o dono da obra ou o incorporador e uma


outra construtora, com o objetivo de finalizar a obra, será considerado de empreitada
parcial, caso não tenha sido emitida CND parcial ou de obra inacabada.

Caso a empreitada parcial seja caracterizada, deverá ser emitida nova matrícula em
nome do proprietário do imóvel, dono da obra ou incorporador.

Inexistindo CND de obra parcial ou CND de obra inacabada que demonstre a área
construída pela 1ª (primeira) construtora, a regularização da área total da obra, para fins
de obtenção da CND respectiva, será efetuada pelo proprietário do imóvel, pelo dono da
obra ou pelo incorporador, observando-se o seguinte:

I - o proprietário do imóvel, o dono da obra ou o incorporador deverá solicitar a emissão


de matrícula em seu nome, independentemente de a 1ª (primeira) construtora ter ou
não matriculado a obra, na qual será mencionada a matrícula anterior, se houver;

II - as contribuições devidas serão apuradas com base na escrituração contábil regular do


proprietário do imóvel, do dono da obra ou do incorporador;

III - inexistindo escrituração contábil regular, as contribuições devidas serão apuradas por
aferição indireta, aproveitando-se os recolhimentos anteriormente efetuados com
vinculação inequívoca à obra.

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OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

3.19 DA DOCUMENTAÇÃO PARA FINS DE REGULARIZAÇÃO ( ART 383 E 384)

Para que uma obra seja regularizada na Receita Federal, vários documentos deverão
ser apresentados, caso sejam solicitados. O Artigo 383 da IN RFB 971/2009 menciona
quais são esses documentos.
Art. 383. Compete ao responsável ou ao interessado pela regularização da obra, a apresentação da DISO
e, quando solicitado, dos seguintes documentos, conforme o caso:
I) Alvará de concessão de licença para construção ou projeto aprovado pela prefeitura municipal, este
quando exigido pela prefeitura ou, na hipótese de obra contratada com a Administração Pública, não
sujeita à fiscalização municipal, o contrato e a ordem de serviço ou a autorização para o início de execução
da obra;
II) Habite-se, certidão da prefeitura municipal ou projeto aprovado ou, na hipótese de obra contratada
com a Administração Pública, termo de recebimento da obra ou outro documento oficial expedido por
órgão competente, para fins de verificação da área a regularizar;
III) Quando houver mão-de-obra própria, documento de arrecadação comprovando o recolhimento de
contribuições sociais, com vinculação inequívoca à matrícula CEI da obra, a respectiva GFIP relativa à
matrícula CEI da obra e, quando não houver mão-de-obra própria, a GFIP com declaração de ausência de
fato gerador (GFIP sem movimento);
IV) A nota fiscal, a fatura ou o recibo de prestação de serviços em que conste o destaque da retenção de
11% (onze por cento) ou de 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento), conforme o caso, sobre o valor
dos serviços, emitido por empreiteira ou subempreiteira que tiverem sido contratadas, com vinculação
inequívoca à matrícula CEI da obra e a GFIP relativa à matrícula CEI da obra;
V) A nota fiscal ou a fatura relativa aos serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa
de trabalho, que, de forma inequívoca, esteja vinculada à matrícula CEI da obra e a GFIP do responsável
pela obra referente à matrícula CEI da referida obra, na qual foi declarado o valor pago à cooperativa de
trabalho.

Além dos documentos acima mencionados o responsável, quando pessoa física,


deverá apresentar também documento de identificação e comprovante de residência.

O responsável, quando pessoa jurídica, deverá apresentar também, conforme o caso:

- Cópia do último balanço patrimonial, quando exigida pela RFB.

As informações prestadas na DISO são de inteira responsabilidade do proprietário


do imóvel, incorporador ou dono da obra, que responderá civil e penalmente pelas
declarações que fornecer.

A DISO será disponibilizada prioritariamente ao Setor de Fiscalização da Delegacia


da Receita Federal quando se referir a pessoa jurídica cuja CND foi emitida com prova de

110
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Contabilidade Regular. Portanto, se uma CND foi liberada em razão de uma regularização
por contabilidade, a DISO juntamente com os documentos da obra serão encaminhados
ao setor de fiscalização que poderá analisar a conveniência de se abrir um procedimento
fiscal com a finalidade de se averiguar se a contabilidade espelha a realidade econômico-
financeiro da empresa.

A falta dos documentos previstos nos incisos I e II do Artigo 383 poderá ser suprida
por outro documento oficial capaz de comprovar a veracidade das informações
declaradas na DISO em relação à área, à destinação e à categoria da obra.

Depois da confirmação dos dados declarados referentes à área, à destinação e à


categoria da obra, serão devolvidos ao sujeito passivo os documentos relacionados nos
itens I e II do Artigo 383, além dos demais documentos, quando solicitados, exceto a
cópia do último balanço patrimonial.

No caso de obra realizada por empresas em consórcio, contratadas por empreitada


total, a empresa líder e todas as consorciadas deverão declarar as informações relativas
à sua participação na obra mediante utilização da DISO, considerando como unidade de
atendimento da RFB jurisdicionante a do estabelecimento matriz da empresa líder ou a
do endereço do consórcio, quando for o caso.

Os documentos que serviram de base para as informações prestadas pelos


responsáveis pela obra poderão ser exigidos pela RFB, a qualquer tempo, observado o
prazo previsto na legislação tributária.

A DISO entregue pelas pessoas jurídicas de que trata o § 3º do art. 339 da IN 971/2009
deverá ser acompanhada:

I - da planilha com a relação de prestadores de serviços, assinada pelos responsáveis


pela empresa, em 2 (duas) vias, conforme o modelo aprovado pelo Anexo VI;

II - de um dos documentos listados nos incisos III ou IV do caput, observado o disposto


no § 5º;
III - do original ou cópia autenticada do contrato social e suas alterações, para
comprovação das assinaturas dos responsáveis legais constantes da DISO, e se for o caso,
do estatuto, da ata de eleição dos diretores e da cópia dos respectivos documentos de
identidade; e

IV - da declaração da empresa, sob as penas da lei, firmada pelo representante legal e


pelo contador responsável com identificação de seu registro no Conselho Regional de

111
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Contabilidade (CRC), de que a empresa possui escrituração contábil regular ou


Escrituração Contábil Digital (ECD) do período da obra.

3.20 DA CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL

A Certidão Negativa de Débito (CND) relativo a obra de construção civil é o


documento emitido pela Receita Federal do Brasil, a pedido do contribuinte, para atestar
que não existem débitos pendentes de pagamento. A Receita Federal do Brasil tem o
prazo legal de 10 (dez) dias para fornecer a CND a contar da data da entrada do
requerimento da repartição, desde que não haja motivos impeditivos para sua emissão.

A exigência da CND como prova de quitação de determinado tributo consta do


Artigo 205 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172 de, 25.10.1966)

Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita
por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as
informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e
indique o período a que se refere o pedido.

Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e
será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição.

O Artigo 383-A da IN RFB 971/2009 (incluído pela IN RFB nº 1505, de 31.10.2014)


menciona as hipóteses em que o responsável pelo órgão de registro público exigirá a CND
ou Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos relativos a Créditos Tributários
Federais e à Divida Ativa da União referente a obra de construção civil.

Observe que para as obras que atendam as condições das alíneas “a” a “d” do inciso
I do Artigo 370 não serão exigidas a CND. Para tanto, deverá ser apresentada, no cartório
de registro de imóvel, declaração, sob as penas da lei, assinada pelo proprietário ou dono
da obra pessoa física, de que ele e o imóvel atendem às condições ali previstas. As
condições exigidas são as seguintes:

a) que o proprietário do imóvel ou dono da obra seja pessoa física;


b) não possua outro imóvel;
c) a construção seja residencial e unifamiliar;
d) com área total não superior a 70m2;
e) destinada a uso próprio, do tipo econômico ou popular;
f) executada sem mão-de-obra remunerada;

112
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Art. 383-A. A autoridade responsável por órgão de registro público exigirá, obrigatoriamente, a
apresentação de CND ou de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos relativos a Créditos
Tributários Federais e à Dívida Ativa da União (CPEND) referente a obra de construção civil, nas seguintes
hipóteses:

I - do proprietário do imóvel, pessoa física ou jurídica, quando da averbação de obra de construção civil
no Registro de Imóveis, exceto no caso previsto no inciso I do caput do art. 370, observado o disposto nos
§§ 2º e 3º do art. 383-B; e

II - do incorporador, na ocasião da inscrição de memorial de incorporação no Registro de Imóveis.

§ 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput do art. 370, deverá ser apresentada, no cartório de registro
de imóvel, declaração, sob as penas da lei, assinada pelo proprietário ou dono da obra pessoa física, de
que ele e o imóvel atendem às condições ali previstas.

§ 2º A CND ou a CPEND deverá ser exigida do construtor que, na condição de responsável solidário com o
proprietário do imóvel, tenha executado a obra de construção civil na forma prevista na alínea “a” do
inciso XXVII e no § 1º do art. 322.

Art. 383-B. A CND ou a CPEND cuja finalidade seja averbação de edificação no Registro de Imóveis será
expedida depois da regularização da obra nos termos previstos neste Capítulo, na forma definida nos
Anexos XIV ou XV, observado o disposto na Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 1.751, de 2 de outubro de
2014.

Regra importante consta do § 1º do Artigo 383-B da IN 971-2009 na qual fica


dispensada a verificação da regularidade de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica
requerente, bem como outras obras a ela vinculadas quando da expedição da CND ou
CPEND. Isso quer dizer que se a empresa requerer a emissão da CND ou CPEND da obra
X a Receita Federal não poderá condicionar que a obra Y esteja também regularizada.

§ 1º Para a expedição da CND ou da CPEND de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa


jurídica ficam dispensadas a verificação da situação de regularidade de todos os estabelecimentos da
requerente e a verificação da situação de regularidade de outras obras a ela vinculadas.

O parágrafo 2º do Artigo 383-B menciona que no caso de solicitação de CND para


aquelas obras executadas com recursos do sistema financeiro e que atendam as
condições previstas nas alíneas “a” a “d” do inciso I do Artigo 370, o responsável deverá
apresentar o contrato de financiamento para fins de comprovar se houve ou não a
liberação de parcelas direcionadas ao pagamento de mão de obra. Se acaso for
constatado que houve o pagamento de mão de obra a CND somente será liberada com
o pagamento integral das contribuições sociais apuradas mediante aferição indireta.

§ 2º No caso de solicitação de CND para obra de construção civil executada com recursos do sistema
financeiro que atenda as condições previstas nas alíneas “a” a “d” do inciso I do caput do art. 370, para
fins de comprovação da execução da obra sem utilização de mão de obra remunerada e liberação da CND

113
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

sem cobrança de contribuições previdenciárias, o responsável deverá apresentar o contrato de


financiamento.

§ 3º Na hipótese prevista no § 2º, constando no contrato de financiamento verba destinada a pagamento


de mão de obra, a CND será liberada depois da regularização das contribuições apuradas mediante a
aferição indireta, com emissão de ARO.

3.21 DA LIBERAÇÃO DE CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO COM PROVA DE CONTABILIDADE


REGULAR
A regularização de uma obra de uma Pessoa Jurídica, em regra, é efetuada através
de sua escrituração contábil e a liberação da CND fica condicionada ao seguinte:
a) Apresentação da DISO;
b) Apresentação da declaração que mantem contabilidade regular;
c) Esteja em dia com as entregas das GFIP´s;
d) Esteja em com o recolhimento dos valores de contribuição declarados;
e) E que não possua débitos que impeçam a emissão da CND.

Essas exigências constam do Artigo 385 da IN 971/2009, com redação dada pelas
IN RFB 1505 e 1477.

Art. 385. A CND ou a CPEND de obra de construção civil, sob a responsabilidade de pessoa jurídica, será
liberada, desde que a empresa:
I - Apresente a DISO na forma do art. 339, com todas as informações necessárias, inclusive com a
declaração de contabilidade regular;
II - Apresente a prova de contabilidade, na forma prevista no inciso II do § 2º do art. 383; e
III - ainda que em relação somente a essa obra, entregue as GFIP devidas, efetue os recolhimentos dos
valores declarados e não possua outros débitos que impeçam a emissão da CND ou da CPEND.

De acordo com o § 1º do Artigo 385, mesmo que a Receita Federal emita a CND de
uma obra, isso não exime o contribuinte de apresentar a contabilidade para que o
Auditor Fiscal proceda a auditoria fiscal na obra. A Receita Federal tem o prazo de 5 anos,
a contar da ocorrência dos fatos geradores, para fazer essa verificação. Portanto, mesmo
que a CND de uma obra seja emitida, ela poderá vir a ser fiscalizada pela Receita Federal.
§ 1º Independentemente da expedição da CND, fica ressalvado à RFB o direito de cobrar qualquer
importância que venha a ser considerada devida em futura Auditoria-Fiscal.

114
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

3.22 DA LIBERAÇÃO DE CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO SEM PROVA DE CONTABILIDADE


REGULAR (ARTIGO 386 E 387)

Conforme já informado, a regra é que uma obra de uma Pessoa Jurídica será
regularizada através de sua escrituração contábil. Porém, pode ser que no momento da
regularização a empresa não esteja com sua contabilidade em dia. Nesse caso, a
regularização dar-se-á pelo método da aferição indireta com base na área construída e
no padrão ou com base na Nota Fiscal, na Fatura ou no Recibo de Prestação de Serviços.
A empresa tem também a opção de solicitar que a regularização de sua obra seja
efetuada pelo método da aferição indireta, mesmo que esteja com a contabilidade em
dia. Nesse caso, a solicitação da regularização por aferição terá caráter irretratável, ou
seja, escolhendo a regularização por aferição indireta ela não poderá requerer que seja
feita pela contabilidade.
O prazo de validade de uma CND-CPEND é de 180 dias contados da data de sua
emissão. Informação muito importante a registrar é que transcorrido o prazo de validade
da CND-CPEND emitida com a finalidade de averbação de obra de construção civil, e se
o contribuinte, por algum motivo, não tenha efetuado essa averbação, ele poderá
apresentar um novo pedido referente a área anteriormente regularizada e a nova
certidão será emitida com base na CND anterior, não necessitando a apresentação de
todos aqueles documentos apresentados quando da regularização.
Art. 386. Quando a empresa não declarar escrituração contábil no momento da regularização, a CND
será liberada mediante o recolhimento integral das contribuições sociais, apuradas por aferição nos
termos dos arts. 336, 337, 450, 451, 454 e 455, ou nos termos do Capítulo IV deste Título, conforme o
caso.

Parágrafo único. A solicitação da regularização da obra por aferição indireta será irretratável para todos
os efeitos.

Art. 387. Transcorrido o prazo de validade da CND ou da CPEND emitida com finalidade de averbação de
obra de construção civil, caso seja apresentado novo pedido referente à área anteriormente regularizada,
a nova certidão será expedida com base na certidão anterior, dispensando-se a repetição do
procedimento previsto para regularização da referida obra.

3.23 DA DECADÊNCIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Assunto de maior importância e também motivo de várias consultas no blog a


Decadência é um instituto do Direito Tributário. É uma das formas de extinção do crédito
tributário. Consta do Artigo 156, V do CTN (Lei nº 5. 172, de 25 de outubro de 1966).

115
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

A contribuição previdenciária é um tributo por homologação, a qual a legislação


atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem o prévio conhecimento
do Fisco. Essa regra consta do Artigo 150 do CTN conforme texto abaixo:

Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao
sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-
se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo
obrigado, expressamente a homologa.

Para fins de contagem do prazo decadencial a regra é aquela contida no inciso I do


artigo 173 do CTN e inicia-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que
o lançamento poderia ter sido efetuado.

Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos,
contados:

I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;
II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento
anteriormente efetuado.
Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo
nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela
notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.

Fato a ressaltar é que a decadência previdenciária constava do Artigo 45 da Lei


8.112/1990 da seguinte forma:

Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos
contados:
I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído;
II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de
crédito anteriormente efetuada.

Porém, com a edição da Súmula Vinculante nº 8, aprovada em 12/6/2008 e


publicada em 20/6/2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu novo entendimento a
decadência do crédito previdenciário coadunando-se com a norma descrita no Artigo 173
do CTN, ou seja, a decadência será de 5 anos e não de 10 anos.

Sendo assim, se uma obra foi concluída a mais de cinco anos, não pode a Receita
Federal exigir as contribuições sociais incidentes sobre a mão de obra utilizada na
execução dessa obra. Ela estará decadente para fins de cobrança.

Quando da regularização de uma obra é importante o contribuinte saber se sua obra


está decadente ou não. Pode ocorrer também que essa obra esteja “parcialmente”
decadente.

116
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Mas como se dá a contagem desse prazo da decadência?

Antes de demonstrar como é feita a contagem do prazo decadencial é importante


saber que para se beneficiar da decadência o contribuinte deverá comprovar perante a
Receita Federal essa situação. No artigo 390 da IN RFB 971 estão descritas todas as regras
que devem ser observadas para fins de se provar a decadência, bem quais documentos
devem ser apresentados para se comprovar a decadência.

Da Decadência na Construção Civil

Art. 390. O direito de a RFB apurar e constituir créditos relacionados a obras de construção civil extingue-
se no prazo decadencial previsto na legislação tributária.
§ 1º Cabe ao interessado a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em
período abrangido pela decadência.
§ 2º Servirá para comprovar o início da obra em período decadencial um dos seguintes documentos,
contanto que tenha vinculação inequívoca à obra e seja contemporâneo do fato a comprovar,
considerando-se como data do início da obra o mês de emissão do documento mais antigo:
I – comprovante de recolhimento de contribuições sociais na matrícula CEI da obra;
II – notas fiscais de prestação de serviços;
III – recibos de pagamento a trabalhadores;
IV - comprovante de ligação, ou conta de água e luz; ;
V – notas fiscais de compra de material, nas quais conste o endereço da obra como local de entrega;
VI – ordem de serviço ou autorização para o início da obra, quando contratada com órgão público;
VII – alvará de concessão de licença para construção.
§ 3º A comprovação do término da obra em período decadencial dar-se-á com a apresentação de um
ou mais dos seguintes documentos:
I – habite-se, Certidão de Conclusão de Obra (CCO);
II – um dos respectivos comprovantes de pagamento de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), em
que conste a área da edificação;
III – certidão de lançamento tributário contendo o histórico do respectivo IPTU;
IV – auto de regularização, auto de conclusão, auto de conservação ou certidão expedida pela prefeitura
municipal que se reporte ao cadastro imobiliário da época ou registro equivalente, desde que conste o
respectivo número no cadastro, lançados em período abrangido pela decadência, em que conste a área
construída, passível de verificação pela RFB;
V – termo de recebimento de obra, no caso de contratação com órgão público, lavrado em período
decadencial;
VI – escritura de compra e venda do imóvel, em que conste a sua área, lavrada em período decadencial;
VII – contrato de locação com reconhecimento de firma em cartório em data compreendida no período
decadencial, onde conste a descrição do imóvel e a área construída.
§ 4º A comprovação de que trata o § 3º dar-se-á também com a apresentação de, no mínimo, 3 (três) dos
seguintes documentos:
I – correspondência bancária para o endereço da edificação, emitida em período decadencial;

117
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

II – contas de telefone ou de luz, de unidades situadas no último pavimento, emitidas em período


decadencial;
III – declaração de Imposto sobre a Renda comprovadamente entregue em época própria à RFB, relativa
ao exercício pertinente a período decadencial, na qual conste a discriminação do imóvel, com endereço e
área;
IV – vistoria do corpo de bombeiros, na qual conste a área do imóvel, expedida em período decadencial;
V - planta aerofotogramétrica do período abrangido pela decadência, acompanhada de laudo técnico
constando a área do imóvel e a respectiva ART no Crea, ou RRT no CAU.
§ 5º As cópias dos documentos que comprovam a decadência deverão ser anexadas ao ARO emitido.
§ 6º A falta dos documentos relacionados nos §§ 3º e 4º, poderá ser suprida pela apresentação de
documento expedido por órgão oficial ou documento particular registrado em cartório, desde que seja
contemporâneo à decadência alegada e nele conste a área do imóvel.

Após informar quais documentos serão aceitos pela Receita Federal para fins de
comprovar a decadência vou exemplificar abaixo como se efetua a contagem do prazo
da decadência das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de mão de obra
relativo a uma obra:

Para fins didáticos vou utilizar 3 exemplos de contagem de prazo.

a) O exemplo nº 1 será para uma obra com DECADÊNCIA TOTAL;


b) O exemplo nº 2 será para uma obra com DECADÊNCIA PARCIAL;
c) O exemplo nº 3 será para uma obra em que NÃO HÁ DECADÊNCIA.

3.23.1 DA CONTAGEM DO PRAZO DA DECADÊNCIA TOTAL

Exemplo 1 – início da obra 12.05.2007 – Final da obra 05.10.2009 – Decadência Total

A obra foi concluída em 05.10.2009, e de acordo com as regras do CTN, o primeiro


dia do exercício seguinte àquele em que o credito tributário poderia ter sido efetuado
se deu em 01.01.2010. Sendo assim, a contagem se dá da seguinte forma.

- 01.01.2010 – primeiro dia do exercício seguinte


- 01.01.2011 – 1º ano
- 01.01.2012 – 2º ano
-01.01.2013 – 3º ano
- 01.01.2014 – 4º ano
- 01.01.2015 – 5º ano

No exemplo acima, a Receita Federal só poderia ter lançado o crédito até o dia
31.12.2014, pois em 01.01.2015 o crédito tributário já estaria decadente e não mais

118
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

poderia cobrar a contribuição social. Conclui-se que para esse ano de 2015 estarão
totalmente decadentes as obras concluídas até o dia 31.12.2009.

3.23.2 DA CONTAGEM DO PRAZO DA DECADÊNCIA PARCIAL

Exemplo 2 – Início da obra 02.05.2007 – Final da obra 25.08.2010 - Decadência Parcial

Na “decadência parcial”, o direito de a Fazenda Pública lançar a contribuição social


não está totalmente decadente, mas apenas um período.

Fazendo a contagem por ano vamos observar que as obras concluídas até
31.12.2009 já estão totalmente decadentes, como no exemplo nº 1.

Para esse ano de 2015, as obras que tiveram a execução a partir de 01/2010 em
diante NÃO ESTÃO DECADENTES. Dessa forma, no exemplo nº 02, já sabemos que um
período vai estar decadente e outro não.

Vamos a contagem do exemplo nº 02.

Início da obra 02.05.2007 – Final da obra 25.08.2010

Ano de 2007 – meses de execução – 8 meses (decadente)


Ano de 2008 - meses de execução – 12 meses (decadente)
Ano de 2009 – meses de execução – 12 meses (decadente)
Ano de 2010 – meses de execução – 8 meses (não decadente)

No exemplo acima a duração da obra foi de 40 meses de execução. Já sabemos que o


período anterior a 31.12.2009 (32 meses) está decadente e o período posterior a 01.01.2010 (8
meses) não está decadente.

Dessa forma, quando o contribuinte for regularizar a obra ele vai pagar apenas um
percentual do INSS relativo ao período que não está decadente.

3.23.2.1 D O CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS DE OBRA PARCIALMENTE DECADENTE


Exemplificado: Regularização de uma obra residencial de 300 metros quadrados, já
descontados as áreas de redução, iniciada em 02.05.2007 e concluída em 25.08.2010.
Valor do CUB hipotético de julho-2015 - R$ 1.680,00.

119
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

O cálculo para fins de apuração da remuneração de mão de obra será efetuado como
se fosse regularizar uma obra não decadente, como já explicado em exemplos anteriores.
Veja o quadro abaixo:

Área m2 Valor do CUB Custo Global da Obra % MO Remuneração de Mão de Obra


100 1.680,00 168.000,00 4% 6.720,00
100 1.680,00 168.000,00 8% 13.440,00
100 1.680,00 168.000,00 14% 23.520,00
Total 300 504.000,00 RMT 43.680,00

O valor da Remuneração Mão de Obra Total (RMT) ficou em R$ 43.680,00. Porém,


esse valor ainda não é a base de cálculo, pois temos um período que está decadente e
teremos de achar o Fator da RMT relativo ao período não decadente. Para isso fazemos
o seguinte cálculo:

Fator da RMT Período Não Decadente = Quantidade de Meses não decadentes dividido pela
quantidade de meses da obra = 8 meses/40 meses = 0,20 ou 20%.

Sendo assim, para efeito de cálculo sobre a RMT já encontrada (R$ 43.680,00) será
aplicado o percentual de 20% e encontraremos a Remuneração do Período Não
Decadente, a qual vai ser a base de cálculo para fins de aplicação dos percentuais de
contribuições sociais.
43.680,00 X 20% = 8.736,00 (base de cálculo)
A base de cálculo para a aplicação dos percentuais das contribuições sociais será de
R$ 8.736,00 e os valores de contribuição separados por rubricas são os seguintes

Rubrica Percentual Valor Contribuição


Patronal 20% 1.747,20
Segurados 8% 698,88
RAT 3% 262,08
Terceiros 5,80% 506,68
Total a Pagar 36,80% 3.214,84

O valor a pagar relativo ao período não decadencial ficará em R$ 3.214,84 neste


exemplo.

3.23.3 DA CONTAGEM DO PRAZO DO PERÍODO NÃO DECADENTE

Exemplo 3 - Início da obra 04.10.2010 – Final da obra 10.11.2012 – Não decadente

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

01.01.2013 – primeiro dia do exercício seguinte


01.01.2014 – 1º ano
01.01.2015 – 2º ano
01.01.2016 – 3º ano
01.01.2017 – 4º ano
01.01.2018 – 5º ano (100% decadente)

De acordo com o exemplo acima a obra iniciada em 04.10.2010 e concluída em


10.11.2012 somente vai estar totalmente decadente em 01.01.2018.

Caso o contribuinte for regularizar essa a obra no ano de 2015 ele iria pagar o INSS
integralmente, sem nenhum desconto. A obra também não está com decadência
parcial, pois, para esse ano de 2015 somente estão decadentes os fatos geradores
ocorridos até 31.12.2009 o que não é o caso, pois essa obra iniciou-se em 04.10.2010.

3.24 DAS DISPOSIÇÕES ESPECIAIS

3.24.1 DA OBRIGAÇÃO DOS MUNÍCIPIOS FORNECEREM À RFB RELAÇÃO - ALVARÁ/HABITE-SE

Por conta de obrigação legal contida no Artigo 50 da Lei 8.212.91 com redação dada
pela Lei 9.476/97, os municípios devem fornecer mensalmente à Receita Federal do
Brasil arquivo digital contendo a relação dos Alvarás de Construção e Habite-se (ou
Certificado de Conclusão de Obra) concedidos pelo órgão público.

De posse dessas informações a Receita Federal saberá quando uma obra de


construção civil foi iniciada e finalizada e a partir de confrontos realizados com o banco
de dados das matrículas concedidas pela RFB, pelos recolhimentos constantes nas
matrículas CEI e pela emissão ou não de CND na respectiva matrícula, com isso a Receita
Federal tem elementos suficientes para intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos
sobre o andamento da obra sob sua responsabilidade.

Com base nas informações acima a Receita Federal encaminha uma notificação para
o contribuinte solicitando que este informe se a obra sob sua responsabilidade foi
concluída, está sendo executada ou paralisada.

Após o contribuinte ser regularmente intimado a regularizar sua obra, e caso não o
faça, o mesmo será incluído em procedimento de fiscalização e só poderá efetuar o
recolhimento da contribuição a Seguridade Social com multa de 75% (setenta e cinco por
cento) conforme legislação em vigor. Será concedida uma redução de 50% no valor dessa
multa, caso o contribuinte opte em efetuar o pagamento integral ou uma redução de
40%no valor da multa, caso parcele o débito.

121
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Portanto, caso o contribuinte conclua sua obra de construção civil (obra nova,
reforma, ampliação ou demolição) é aconselhável que o mesmo procure uma unidade da
Receita Federal do Brasil e providencie a regularização para que não seja autuado pela
fiscalização.

Veja que diz o Artigo 391 da IN 971/2009 sobre esse assunto.

Art. 391. O Município ou o Distrito Federal, por intermédio de seu órgão competente, deverá fornecer à
RFB, mensalmente, até o dia 10 (dez) do mês seguinte, a relação de todos os alvarás, dos habite-se ou
dos Certificados de Conclusão de Obra (CCO) expedidos no mês, por disposição expressa do art. 50 da Lei
nº 8.212, de 1991.

§ 1º A relação mensal de que trata o caput será apresentada em arquivo digital e atenderá aos critérios
estabelecidos pela RFB.

§ 2º O arquivo digital será gerado com os dados do órgão responsável da prefeitura e deverá ser
transmitido à RFB mesmo que nenhum documento de alvará ou carta de "habite-se" tenha sido emitido
no mês.

3.24.2 DO ENCERRAMENTO DA MATRÍCULA CEI DA PESSOA FÍSICA (ART. 392)

Após a regularização da obra de pessoa física, a unidade de atendimento da RFB


providenciará o encerramento de atividade no cadastro de obras, no prazo de 90
(noventa) dias, desde que tenham sido confirmados os recolhimentos no sistema de
arrecadação.

3.24.3 DAS OBRAS EXECUTADAS PELAS EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES NACIONAL
( ART.393)

A empresa optante do Simples Nacional (LC 123-2006) que for executar uma obra,
inclusive aquela destinada a seu uso próprio, deve recolher os valores de contribuição
social como se fosse uma empresa normal, com exceção da contribuição destinada a
Outras Entidades (Terceiros) já que essas empresas são isentas do pagamento dessa
contribuição.

Portanto, se uma empresa for optante pelo Simples e executar uma obra ela não
estará totalmente “isenta” do pagamento das contribuições sociais. Ela deverá recolher
a parte patronal correspondente ao percentual de 20% e mais 3% relativo ao Seguro de
Acidente do Trabalho (SAT) incidentes sobre a remuneração apurada por aferição
indireta ou declarada em sua GFIP. A empresa deverá ser enquadrada no Anexo IV da LC
123-2006.

122
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Art. 393. As contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de mão-de-obra própria utilizada na
execução de obra de construção civil, inclusive a destinada a uso próprio, por pessoa jurídica optante pelo
SIMPLES de que tratava a Lei nº 9.317, de 1996, associação desportiva que mantém equipe de futebol
profissional, agroindústria ou produtor rural, não são abrangidas pela substituição de contribuições
sociais que lhes é atribuída em virtude de lei, ficando o responsável pela obra sujeito às contribuições
previstas no art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, bem como às destinadas a outras entidades ou fundos.

§ 1º O disposto no caput se aplica às empresas optantes pelo Simples Nacional, salvo quanto às
contribuições devidas a outras entidades ou fundos, de que são isentas nos termos do § 3º do art. 13 da
Lei Complementar nº 123, de 2006.

§ 2º A isenção das contribuições sociais estende-se à obra executada por pessoa jurídica de direito privado
beneficente de assistência social isenta, desde que destinada a uso próprio.

3.24.4 DAS REGRAS APLICADAS À PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO (ART. 394)

Aplicam-se à pessoa jurídica de direito público que executar obra de construção civil
as seguintes regras:

I - o órgão público é considerado empresa, conforme inciso I do art. 15 da Lei nº 8.212,


de 1991 (ver abaixo);
Art. 15. Considera-se:
I - empresa - a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou
rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta,
indireta e fundacional;

II - tratando-se de obra sujeita a matrícula no cadastro específico, cabe ao órgão fazer a matrícula CEI da
dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados do início da execução;
III - se executada por trabalhadores vinculados ao Regime Geral de Previdência Social -RGPS, cabe ao
órgão apresentar GFIP específica relativa à obra, na qual informará, além da matrícula desta, o código
FPAS 582 e o código de terceiros 0000;
IV - se executada por trabalhadores vinculados a regime próprio de previdência, cabe ao órgão apresentar
GFIP específica relativa à obra, na qual informará a matrícula desta e o código indicativo de ausência de
fato gerador;

4. DA DISO INTERNET

A partir do dia 4 de julho de 2014, as pessoas físicas e jurídicas que precisam


regularizar suas obras junto à Receita Federal deverão entregar a Declaração e
Informações sobre Obra (DISO) por meio da Internet, com redução significativa dos
documentos a serem apresentados ao órgão. A regularização das obras de construção

123
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

civil é imprescindível para que seja realizada a averbação do imóvel e para que o imóvel
possa ser utilizado como garantia em financiamentos, por exemplo.

A regularização junto à Receita Federal é necessária para que seja expedida a


Certidão Negativa de Débito (CND) relativa à obra, o que permite a averbação junto aos
cartórios de registros de imóveis. Como já informado a regularização pode ser feita de
duas formas: por meio da declaração de contabilidade regular, no caso de empresas que
mantém a escrituração contábil, ou pela aferição, que consiste em uma estimativa do
custo da mão de obra baseada em uma série de variáveis tais como tipo da obra,
metragem e padrão da construção, dentre outros.

Nos dois casos, exigia-se do responsável pela obra a entrega de uma série de
documentos para serem analisados pela Receita Federal, tais como plantas da obra,
notas fiscais e contratos com prestadores de serviço.

A análise e tramitação dos documentos acarretavam em um tempo médio de espera


que podia chegar a 60 dias, podendo ser ainda maior caso fossem constatadas
irregularidades nos documentos.

Com a nova DISO, que substitui a versão em papel e será processada exclusivamente
por meio da Internet, a Receita racionalizou os procedimentos, reduzindo
significativamente a quantidade de documentos que o responsável pela obra precisará
entregar ao Fisco. Em uma sistemática semelhante a do Imposto de Renda, o contribuinte
irá declarar todas as características da obra por meio da Internet, sendo que, em alguns
casos, até mesmo o documento com o valor da contribuição a ser recolhida será emitido
na Internet.

Após o recolhimento da contribuição, quando for o caso, ou para a continuação do


processo de regularização, o interessado necessitará apenas levar à Receita Federal um
documento oficial da Prefeitura (geralmente o Alvará ou Habite-se), que comprove as
características básicas da obra tais como, a destinação (residencial ou comercial, por
exemplo) e área construída. Sendo assim, o contribuinte deve apenas agendar uma data
para a entrega do documento da Prefeitura, e caso não haja problemas, terá acesso à
Certidão Negativa de Débito ou ao documento com valores a serem recolhidos. Estima-
se que com a nova sistemática o tempo médio de tramitação de documentos para a
regularização da obra caia para cerca de cinco dias úteis caso não haja problemas com a
documentação.

Entretanto, é importante destacar que caso sejam constatadas irregularidades na


declaração, a Receita pode efetuar uma auditoria sobre a obra, caso em que serão
aplicadas multas. Se for constatada fraude na declaração, o responsável pode responder
criminalmente por suas ações. (Informações extraídas do site da Receita Federal do Brasil)

124
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

4.1 PROCEDIMENTOS PARA REGULARIZAÇÃO DE OBRA DE PESSOA FÍSICA.

Para regularização da obra de construção civil, o proprietário, o dono da obra, o


incorporador, deverá informar a RFB os dados do responsável pela obra e os relativos à
obra, mediante a utilização da Declaração e informações sobre Obra (DISO) disponível no
sitio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br > SERVIÇOS >
Declarações e Demonstrativos> DISO (Declaração e Informações Sobre Obra)

Para acesso à declaração é obrigatória à utilização de senha de acesso, gerada na


própria DISO.

1-Para obras sem informações relativas à mão de obra própria (GFIP 155) ou mão de obra
terceirizada (GFIP150) ou ainda sem recolhimentos anteriores (GPS), os seguintes
procedimentos também deverão ser adotados:

• Emitir o Aviso de Regularização de Obra – ARO, no mesmo endereço eletrônico,


ao final das declarações efetuadas.
• Recolher as contribuições previdenciárias oriundas do ARO, dentro do prazo legal
informado no próprio Aviso.
• Comparecer à Unidade de Atendimento da RFB jurisdicionante da localidade da
obra, após cinco dias úteis do pagamento efetuado, munido do documento para
comprovação de área, destinação e categoria da obra, para fins da emissão da
Certidão Negativa de Débitos-CND. Recomenda-se verificar na página da unidade
de atendimento a possibilidade de agendamento deste serviço para sua maior
comodidade.

125
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

2- Para obras com informações relativas à mão de obra própria (GFIP 155) ou mão de obra
terceirizada (GFIP 150), ou ainda com recolhimentos anteriores (GPS), os seguintes
procedimento também deverão ser adotados:

• Enviar a DISO.
• Comparecer à Unidade de Atendimento da RFB jurisdicionante da localidade da
obra, para fins de emissão do ARO. Na oportunidade deverá ser apresentado o
documento para comprovação de área, destinação e categoria da obra.
Recomenda-se verificar na página da unidade de atendimento a possibilidade de
agendamento deste serviço para sua maior comodidade.
• Recolher as contribuições previdenciárias oriundas do ARO, dentro do prazo legal
informado no próprio Aviso, quando for o caso.

Observação:

Após confirmação do pagamento a CND será emitida, dentro do prazo legal,


devendo ser consultada no endereço www.receita.fazenda.gov.br > Certidões e Situação
Fiscal > Confirmação de Autenticidade de Certidão Previdenciária.

ATENÇÃO

Por uma questão de adequação do novo sistema, as pessoas físicas responsáveis


pela matricula/6 devem marcar a opção “Não existem informações a serem prestadas
sobre mão de obra utilizada ou notas fiscais”, quando estiverem preenchendo o
formulário DISO na INTERNET, mesmo quando existirem prestadores de serviço para a
obra. O procedimento de gravar e encaminhar a DISO para emissão do ARO na Unidade
de Atendimento da RFB jurisdicionante da localidade da obra é suficiente para permitir
todos os procedimentos necessários para a utilização da remuneração dos prestadores
de serviço no cálculo da obra.

3- Para obras com informações de período decadencial, os seguintes procedimentos também


deverão serão adotados:

• Enviar a DISO.
• Comparecer a Unidade de Atendimento da RFB jurisdicionante da localidade da
obra, para fins de emissão do ARO. Na oportunidade deverão ser apresentados
documentos para comprovação de área, destinação e categoria da obra, bem
como documentos para comprovação de início ou término da obra em período
abrangido pela decadência. Recomenda-se verificar na página da unidade de
atendimento a possibilidade de agendamento deste serviço para sua maior
comodidade.

126
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

• Recolher as contribuições previdenciárias oriundas do ARO, dentro do prazo legal


informado no próprio Aviso, quando for o caso.

Observação:

Após confirmação do pagamento, ou verificação de decadência total, a CND será emitida


pelo servidor, dentro do prazo legal, devendo ser consultada pelo interessado no
endereço www.receita.fazenda.gov.br > Certidões e Situação Fiscal > Confirmação de
Autenticidade de Certidão Previdenciária.

4.2 PROCEDIMENTOS PARA REGULARIZAÇÃO DE OBRA DE PESSOA JURÍDICA

Para regularização da obra de construção civil, o proprietário, o dono da obra, o


incorporador ou a construtora contratada para executar obra por empreitada total
deverá informar a RFB os dados do responsável pela obra e os relativos à obra, mediante
a utilização da Declaração e informações sobre Obra (DISO) disponível no sitio da RFB na
Internet, no http://www.receita.fazenda.gov.br > SERVIÇOS > Declarações e
Demonstrativos> DISO (Declaração e Informações Sobre Obra )

Para acesso à declaração é obrigatória a utilização de senha de acesso, gerada na


própria DISO.

No caso de regularização de obra de Pessoa Jurídica, haverá a necessidade de


utilização de certificado digital que permitirá a assinatura digital no Requerimento

127
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Padrão para Regularização de Obra por Aferição, nos casos de regularização da obra por
aferição, bem como a assinatura digital na Declaração de existência de escrituração
contábil regular, para os casos de regularização através de declaração de contabilidade
regular.

Empresas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e


Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples
Nacional) deverão observar o tópico próprio.

1- Para obras sem informações relativas à mão de obra própria (GFIP 155) ou mão de obra
terceirizada (GFIP150) ou ainda sem recolhimentos anteriores (GPS), os seguintes
procedimentos também deverão ser adotados:

• Emitir o Aviso de Regularização de Obra – ARO, no mesmo endereço eletrônico,


ao final das declarações efetuadas.
• Recolher as contribuições previdenciárias oriundas do ARO dentro do prazo legal
informado no próprio Aviso.
• Comparecer à Unidade de Atendimento da RFB jurisdicionante da localidade da
obra, após cinco dias úteis do pagamento efetuado, munido do documento para
comprovação de área, destinação e categoria da obra, para fins da emissão da
Certidão Negativa de Débitos-CND. Recomenda-se verificar na página da unidade
de atendimento a possibilidade de agendamento deste serviço para sua maior
comodidade.
• Comparecer ao agendamento munido de documento para comprovação de área,
destinação e categoria da obra, para fins da emissão da Certidão Negativa de
Débitos-CND.

2- Para obras com informações relativas à mão de obra própria (GFIP 155) ou mão de obra
terceirizada (GFIP 150), ou ainda com recolhimentos anteriores (GPS - no caso de
regularizações parciais), os seguintes procedimento também deverão ser adotados:

• Enviar a DISO.
• Comparecer à Unidade de Atendimento da RFB jurisdicionante do
estabelecimento matriz da Pessoa Jurídica, para fins de emissão do ARO. Na
oportunidade deverão ser apresentados documentos para comprovação de área,
destinação e categoria da obra. Recomenda-se verificar na página da unidade de
atendimento a possibilidade de agendamento deste serviço para sua maior
comodidade.
• Recolher as contribuições previdenciárias oriundas do ARO, dentro do prazo legal
informado no próprio Aviso, quando for o caso.

128
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Observação: Após confirmação do pagamento a CND será emitida pelo servidor, dentro
do prazo legal, devendo ser consultada pelo interessado no endereço
www.receita.fazenda.gov.br > Certidões e Situação Fiscal > Confirmação de
Autenticidade de Certidão Previdenciária.

3- Para obras com informações de período decadencial, os seguintes procedimentos também


deverão ser adotados:

• Enviar a DISO.
• Comparecer à Unidade de Atendimento da RFB jurisdicionante do
estabelecimento matriz da Pessoa Jurídica, para fins de emissão do ARO. Na
oportunidade deverão ser apresentados documentos para comprovação de área,
destinação e categoria da obra, bem como documentos para comprovação de
início ou termino da obra em período abrangido pela decadência. Recomenda-se
verificar na página da unidade de atendimento a possibilidade de agendamento
deste serviço para sua maior comodidade.
• Recolher as contribuições previdenciárias oriundas do ARO, dentro do prazo legal
informado no próprio Aviso, quando for o caso.

Observação: Após confirmação do pagamento, ou verificação de decadência total, a CND


será emitida pelo servidor dentro do prazo legal, devendo ser consultada pelo
interessado no endereço www.receita.fazenda.gov.br > Certidões e Situação Fiscal >
Confirmação de Autenticidade de Certidão Previdenciária.

4- Para obras com regularização através de prova de contabilidade regular, os seguintes


procedimentos também deverão ser adotados:

• Enviar a DISO.
• Comparecer à Unidade de Atendimento da RFB jurisdicionante do
estabelecimento matriz da Pessoa Jurídica, para fins de emissão da CND. Na
oportunidade deverão ser apresentados documentos para comprovação, quando
for o caso, da área, destinação e categoria da obra (obras mensuráveis em metros
quadrados). Recomenda-se verificar na página da unidade de atendimento a
possibilidade de agendamento deste serviço para sua maior comodidade.

5- Para obras com regularização através de aferição indireta com base na nota fiscal, na fatura,
ou no recibo de prestação de serviços (obra não mensurável em metros quadrados), os
seguintes procedimentos também deverão ser adotados:

129
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

• Enviar a DISO com as informações gerais e Informações Contratuais (só deverá ser
preenchido quando for obra não mensurável em metros quadrados)
• Comparecer à Unidade de Atendimento da RFB jurisdicionante do
estabelecimento matriz da Pessoa Jurídica, para fins de aferição da obra com base
na nota fiscal, na fatura, ou no recibo de prestação de serviços. Recomenda-se
verificar na página da unidade de atendimento a possibilidade de agendamento
deste serviço para sua maior comodidade.
• Recolher as contribuições previdenciárias oriundas da aferição, dentro do prazo
legal, quando for o caso.

Observação: Após confirmação do pagamento ou verificação da regularidade da obra, a


CND será emitida pelo servidor, dentro do prazo legal, devendo ser consultada pelo
interessado no endereço www.receita.fazenda.gov.br > Certidões e Situação Fiscal >
Confirmação de Autenticidade de Certidão Previdenciária.

4.3 PROCEDIMENTO PARA REGULARIZAÇÃO DE OBRAS DE RESPONSABILIDADE DE EMPRESAS


OPTANTES PELO SIMPLES NACIONAL

As empresas do Simples Nacional que possuem a cerificação digital devem observar


o capítulo “ Procedimentos para regularização de obra de Pessoa Jurídica”

As empresas do Simples Nacional sem certificação digital ou procurador certificado


devem observar os documentos necessários em “Documentos para regularização da
Obra – item 2 “ e adotar os seguintes procedimentos:

• Comparecer à Unidade de Atendimento da RFB jurisdicionante do


estabelecimento matriz, munido dos documentos de acordo com a regularização
pretendida (aferição ou declaração de contabilidade regular). Recomenda-se
verificar na página da unidade de atendimento a possibilidade de agendamento
deste serviço para sua maior comodidade.
• Comparecer ao agendamento munido dos documentos de acordo com a
regularização pretendida (aferição ou declaração de contabilidade regular).

Observação: A certificação é decorrente do fato de ser necessária a assinatura digital no


caso do “Requerimento Padrão para Regularização de Obra por Aferição”, ou da
“Declaração de existência de escrituração contábil regular” previstos na DISO INTERNET.

130
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

4.4 DO CÓDIGO RECOLHIMENTO DA GFIP E GPS NAS OBRAS CONSTRUÇÃO CIVIL

Dúvidas muito comuns dos leitores do blog são relativas aos códigos de recolhimento
da GFIP e de recolhimento da GPS. Para auxiliar nessa tarefa vou demonstrar no
esquema abaixo como fica o preenchimento desses códigos, bem como informo de que
forma se dá a composição da chave da GFIP nos arquivos do SEFIP relativo as atividades
de construção civil.

CONSTRUÇÃO CIVIL X GFIP X GPS

Atividade Cód. Recolhimento GFIP Composição da Chave Qtde arquivos SEFIP Cód. Recolhimento GPS

Construção 150 CNPJ/CEI do empregador 1 arquivo código 150 GPS


civil tomador administração competência 2100 (CNPJ)
+ FPAS 507 2119 (CNPJ - exclusivo Outras
somente tomador(es) empreitada código de recolhimento Entidades)
empreitada parcial 150
parcial
Construção 155 CNPJ/CEI do empregador 1 arquivo código 155 GPS administração
civil tomador administração competência 2100 (CNPJ)
+ FPAS 507 2119 (CNPJ - exclusivo Outras
somente tomador(es) empreitada código de recolhimento Entidades)
empreitada total 155
total 1 GPS no CEI de cada obra
2208 (CEI)
2216 (CEI – exclusivo Outras
Entidades)

Construção 150 CNPJ/CEI do empregador 1 arquivo código 150 GPS


civil tomador administração competência 2100 (CNPJ)
empreitada + FPAS 507 2119 (CNPJ - exclusivo Outras
parcial e tomador(es) empreitada código de recolhimento Entidades)
empreitada parcial 150
total
155 CNPJ/CEI do empregador 1 arquivo código 155 1 GPS no CEI de cada obra
tomador(es) empreitada competência 2208 (CEI)
total FPAS 507 2216 (CEI – exclusivo Outras
código de recolhimento Entidades)
155

Nota 1 - Nas atividades de cessão de mão-de-obra em geral e empreitada, é obrigatória a inclusão do tomador
administração no código de recolhimento 150 ou 155, exceto para a empresa de trabalho temporário por utilizar
FPAS distintos para a administração e trabalhadores cedidos (FPAS 515 e 655).
Nota 2 - As empresas que fazem GFIP com código de recolhimento 150 ou 155, NÃO podem utilizar o código 115.
A utilização do código 115 acarretará a substituição indevida de informações na Receita Federal do Brasil e
Previdência Social.

Nota 3 - Como regra geral, somente o titular da matrícula CEI da obra faz GFIP no código de recolhimento 155.
Todas as demais empresas que prestarem serviços na obra devem fazer GFIP no código de recolhimento 150.

Nota 4 - Quando a obra estiver sujeita à matrícula CEI, todas as empresas que prestarem serviços devem informar
o CEI da obra no campo “Cadastro de Tomador/Obra” do SEFIP.

131
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

5. DA DESONERAÇÃO SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO DA CONSTRUÇÃO CIVIL

A Constituição Federal de 1988, no § 13 de seu artigo 195, acrescentado pela


Emenda Constitucional nº 42, de 2003, prevê, para fins de financiamento da Seguridade
Social, a desoneração gradual da folha de pagamento por uma contribuição incidente
sobre a receita ou o faturamento.
Dando cumprimento a esse comando constitucional, a Medida Provisória nº 540, de
2011, alterou a matriz previdenciária de diversos setores da economia, com substituição
gradual da contribuição sobre a folha de pagamento por uma contribuição incidente
sobre a receita bruta, como forma de estimular a empregabilidade, a competitividade, a
formalização da mão de obra e a redução dos custos de produção e exportação.
A mencionada Medida Provisória foi convertida na Lei nº 12.546, de 14 de dezembro
de 2011, a qual foi objeto de várias alterações, inclusive para inserção de novos
segmentos econômicos e para redução da alíquota fixada em seu art. 7º (de 2,5% para
2,0%), tendo uma dessas modificações sido promovida pela Medida Provisória nº 601,
de 28 de dezembro de 2012 , que inseriu, no regime de tributação substitutivo , algumas
empresas do setor de construção civil, como se pode verificar a seguir:
Art . 7º Até 31 de dezembro de 2014, contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas
canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos
incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, à alíquota de 2%(dois por cento):
IV - as empresas do setor de construção civil , enquadradas nos grupos 412, 432, 433 e 439 da CNAE 2.0

No final de 2011 foi editada a lei 12546/2011 que concedia uma desoneração sobre
a folha de pagamento para alguns setores da economia. Essa desoneração compreendia
a “isenção” da parte patronal incidente sobre a folha de pagamento dos segurados
empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais (autônomos). O
percentual de desoneração é de 20%. Não consta dessa desoneração a contribuição
destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho (SAT) e nem aquelas destinadas a Outras
Entidades (Terceiros).

Em contrapartida, a desoneração exige que a empresa contribua com um


percentual de 1% ou 2% sobre sua receita bruta. Esse formato de contribuição é
obrigatório, portanto a empresa não pode escolher qual forma quer ser tributada.

O inciso IV do art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011, impõe a contribuição previdenciária


substitutiva sobre a receita bruta às empresas do ramo de construção civil enquadradas
nos grupos 412, 432, 433 e 439 da Classificação Nacional de Atividades Econômicas –
CNAE 2.0, comando que, segundo o inciso III do art. 7º da Medida Provisória nº 601, de
2012, entrou em vigor em 01/04/2013. Vale notar, porém, que, como o Congresso

132
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Nacional deixou de apreciar essa Medida Provisória no prazo constitucionalmente


previsto, tal dispositivo perdeu sua validade em 04 /06/2013.

Seguidamente, a Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013 promoveu alterações na Lei


nº 12.546, de 2011, dentre as quais a previsão de retorno das mencionadas empresas ao
regime substitutivo a partir de 01/11/2013. Confira-se, a seguir, as regras de tributação
trazidas pela Lei nº 12.546, de 2011, com as modificações introduzidas pela Lei nº 12.844,
de 2013, para as empresas de construção civil enquadradas num dos citados grupos da
CNAE. Com a lei 12.844-2013 houve também a inclusão das empresas de construção de
obras de infraestrutura (CNAE 421.422.429 e 431):

Art. 7º [...]
[...]
IV - as empresas do setor de construção civil, enquadradas nos grupos 412, 432, 433 e 439 da CNAE 2.0
VII - as empresas de construção de obras de infraestrutura, enquadradas nos grupos 421, 422, 429 e 431
da CNAE 2.0.
.
[...]
§ 9º Serão aplicadas às empresas referidas no inciso IV do caput as seguintes regras:
I - para as obras matriculadas no Cadastro Específico do INSS - CEI até o dia 31 de março de 2013 , o
recolhimento da contribuição previdenciária deverá ocorrer na forma dos incisos I e III do caput do art. 22
da Lei no 8.212 , de 24 de julho de 1991, até o seu término;
II - para as obras matriculadas no Cadastro Específico do INSS - CEI no período compreendido entre 1º de
abril de 2013 e 31 de maio de 2013, o recolhimento da contribuição previdenciária deverá ocorrer na
forma do caput , até o seu término;
III - para as obras matriculadas no Cadastro Específico do INSS - CEI no período compreendido entre 1º de
junho de 2013 até o último dia do terceiro mês subsequente ao da publicação desta Lei, o recolhimento
da contribuição previdenciária poderá ocorrer, tanto na forma do caput , como na forma dos incisos I e III
do caput do art. 22 da Lei n o 8.212 , de 24 de julho de 1991;
IV - para as obras matriculadas no Cadastro Específico do INSS - CEI após o primeiro dia do quarto mês
subsequente ao da publicação desta Lei, o recolhimento da contribuição previdenciária deverá ocorrer na
forma do caput, até o seu término;
V - no cálculo da contribuição incidente sobre a receita bruta, serão excluídas da base de cálculo,
observado o disposto no art. 9º as receitas provenientes das obras cujo recolhimento da contribuição
tenha o corrido na forma dos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991.
§ 10. A opção a que se refere o inciso III do § 9 será exercida de forma Irretratável mediante o
recolhimento, até o prazo de vencimento, da contribuição previdenciária na sistemática escolhida,
relativa a junho de 2013 e será aplicada até o término da obra.

De acordo com os dispositivos acima reproduzidos, as empresas de construção civil


que exercem atividades “enquadradas nos grupos 412, 432, 433 e 439 ” da CNAE 2.0 e
que são responsáveis pela matrícula da obra no Cadastro Específico do INSS – CEI devem

133
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

recolher a contribuição previdenciária substitutiva incidente sobre a receita bruta


prevista no art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011, com observância do seguinte critério:

• obrigatoriamente, para as obras matriculadas entre 01/04/2013 a 31/05/2013 até seu término;
• obrigatoriamente, para as obras matriculadas a partir de 01/11/2013 até o seu término;
•facultativamente , para as obras matriculadas entre 01/06/2013 a 31/10/2013 até o seu término.

A opção será feita pelo contribuinte de forma irretratável mediante o recolhimento,


até o prazo de vencimento, da contribuição previdenciária na sistemática escolhida, e
será aplicada até o término da obra. Para efeitos de confirmação da opção, deverá ser
apresentada na regularização da obra a Declaração de Opção.
Observação: os procedimentos informados nesse item, não se aplicam às empresas de
construção de obras de infraestrutura enquadradas nos grupos 421, 422 ,429 e 431 da
CNAE 2.0 que passaram a ter a contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento
(incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991), substituída pela contribuição
sobre a receita bruta somente a partir de janeiro de 2014.
Por outro lado, as empresas enquadradas nos referidos grupos da CNAE deverão
recolher as contribuições previdenciárias descritas no art. 22, incisos I e III, da Lei nº
8.212, de 1991, com base na folha de pagamento , observando o que segue:

• obrigatoriamente, para as obras matriculadas até 31/03/2013 até o seu término;


• facultativamente, para as obras matriculadas entre 01/06/2013 a 31/ 10/2013 até o seu
término.

Assim, conquanto a Medida Provisória nº 601, de 2012, tenha perdido sua validade
em 04/06/2013, o inciso III do § 9º do art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011, com a redação
dada pela Lei nº 12.844, de 2013, acima transcrito, possibilitou às empresas de
construção civil responsáveis pela matrícula das obras, aí contempladas as construtoras
contratadas para execução de obra por empreitada total (art. 19, II, “c” e art. 26, I, da
Instrução Normativa RFB nº 971/2009), recolherem as contribuições previdenciárias
previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, no regime de tributação
substitutivo, sem solução de continuidade, até a entrada em vigor da Lei nº 12.844, de
2013 (01/11/2013).

Convém observar, neste ponto, que a Lei nº 12 .546, de 2011, ao submeter as


empresas do ramo de construção civil enquadradas num dos grupos 412, 432, 433 ou
439 da CNAE 2.0 ao regime de tributação substitutivo, conferiu tratamento diferenciado
àquelas responsáveis pela matrícula da obra no CEI e às que não são responsáveis por
essa matrícula.

134
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Na hipótese de a empresa contratada não ser a responsável pela execução da


matrícula CEI , como é o caso das obras ou serviços de construção civil executados
mediante contrato de empreitada parcial ou subempreitada (art. 26, II, da Instrução
Normativa RFB nº 971/2009), a contribuição previdenciária enunciada nos incisos I e III
do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, será substituída integralmente pela contribuição
previdenciária incidente sobre a receita bruta, independentemente do momento em que
foi efetuada a matrícula da obra pela empresa contratante ou da data em que foi
celebrado o referido contrato ou, mesmo, de a obra não estar sujeita à inscrição no CEI.

Nesses casos, a Lei nº 12.546, de 2011, com a redação dada pela Lei nº 12.844, de
2013, também admitiu a permanência da empresa contratada no regime de tributação
substitutivo, sem interrupção, desde 04/06/2013 até a entrada em vigor da Lei nº 12.844,
de 2013 (01/11/2013), devendo, para tanto, recolher a contribuição previdenciária
relativa à competência junho de 2013 até o prazo de vencimento, dentro dos critérios do
referido regime, sendo essa faculdade também exercida de forma irretratável (art. 7º, §
7º).

Com isso, a empresa cuja atividade principal acha-se inserida num dos grupos 412,
432, 433 ou 439 da CNAE 2.0, quando da execução de empreitada parcial ou
subempreitada de construção civil, recolherá a contribuição previdenciária substitutiva
incidente sobre a receita bruta prevista no art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011, com
observância do que segue:

• obrigatoriamente, no período compreendido entre 01/04/2013 até 31/05/2013 e a


partir de 01/11/2013, e facultativamente, no período compreendido entre 01/06/2013 a
31/10/2013.

Cingindo-se, ainda, à Lei nº 12.546, de 2011, verifica-se que essa Lei trouxe regra
específica para a tributação das empresas de construção civil enquadradas num dos
grupos 412, 432, 433 ou 439 da CNAE 2.0 e que exerçam outras atividades além daquelas
previstas nesses grupos.
Confira-se:

Art. 9º
[...]
§ 9º As empresas para as quais a substituição da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento
pela contribuição sobre a receita bruta estiver vinculada ao seu enquadramento no CNAE deverão
considerar apenas o CNAE relativo a sua atividade principal, assim considerada aquela de maior receita
auferida ou esperada, não lhes sendo aplica do o disposto no § 1o
.
§ 10. Para fins do disposto no § 9º , a base de cálculo da contribuição a que se referem o caput do art. 7
o e o caput do art. 8 o será a receita bruta da empresa relativa a todas as suas atividades.

135
MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Segundo consta no § 9º do art. 9º da Lei nº 12.546, de 2011, acima reproduzido, as


empresas cuja sujeição à contribuição previdenciária substitutiva esteja vinculada ao seu
enquadramento no CNAE e que exerçam outras atividades não alcançadas por essa
substituição devem recolher a contribuição previdenciária sobre a receita bruta (CPRB)
com base em sua atividade principal, constante no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica
- CNPJ , não se lhes aplicando a regra prevista no § 1º do art. 9º da referida Lei, em que
são devidas, proporcionalmente, contribuições previdenciárias sobre a receita bruta e
sobre a folha de pagamento.

Assim, a empresa cuja atividade principal esteja num dos grupos 412, 432, 433 ou
439 da CNAE 2.0 e que exerça, além da referida atividade principal, outras atividades não
sujeitas ao regime de tributação substitutivo, deverá recolher a contribuição
previdenciária prevista no art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011,com base, exclusivamente,
na receita bruta , independentemente das demais atividades por ela exercidas, não se
aplicando, neste caso, a proporcionalidade de que trata o § 1º do art. 9º da referida lei.

Com relação à base de cálculo a ser utilizada para fins de recolhimento, o § 10 do


art. 9º da Lei nº 12.546, de 2011, estabeleceu que as empresas sujeitas à contribuição
previdenciária substitutiva em função de seu enquadramento no código CNAE deverão
utilizar como base de cálculo a receita bruta da empresa relativa a todas as suas
atividades o que também se aplica às atividades desenvolvidas pelo setor administrativo
da pessoa jurídica.

Observa-se, porém, que, na apuração dessa base de cálculo, a Lei nº 12.546, de


2011, para evitar recolhimento em duplicidade (sobre a folha de pagamento e sobre a
receita bruta), admitiu a exclusão das receitas provenientes das obras cujo recolhimento
tenha incidido sobre a folha de pagamento (art. 7º, § 9º, V), como é o caso das obras
matriculadas até 31/03/2013 e das matriculadas entre 01/06/2013 a 31 /10/2013, na
hipótese de a empresa ser a responsável pela execução da matrícula CEI e ter optado
pelo recolhimento, nesse período, com base na referida folha.

Portanto, se a empresa cuja atividade acha-se inserida no grupo 412 da CNAE,


contemplado no inciso IV do art. 7º da Lei nº 12.54 6, de 2011, o recolhimento da
contribuição previdenciária prevista nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991,
fica substituída pela contribuição previdenciária incidente, exclusivamente, sobre a
receita bruta, ainda que a empresa exerça outras atividades não submetidas à
contribuição previdenciária substitutiva. Porém, serão excluídas dessa base de cálculo as
receitas decorrentes das obras de construção civil cujo recolhimento da contribuição
previdenciária incida sobre a folha de pagamento.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Ainda com relação à base de cálculo, cabe observar que as empresas do ramo da
construção civil sujeitas ao regime de tributação substitutivo, nos meses em que não
auferirem receita, não recolherão a contribuição previdenciária prevista no art. 7º da Lei
nº 12.546, de 2011, nem as contribuições previdenciárias previstas nos incisos I e III do
art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991.

5.1 DA CONTRIBUIÇÃO DOS TRABALHADORES DO SETOR ADMINISTRATIVO

1- A contribuição patronal relativa aos segurados administrativos seguirá as regras


estabelecidas para a empresa, inclusive com observação dos períodos, para os efeitos da
desoneração. A diferenciação estabelecida pelo § 9º do art. 7º da Lei n° 12.546/2011
aplica-se aos segurados vinculados especificamente às obras matriculadas no Cadastro
Específico do INSS-CEI.

a) no período compreendido entre 01/04/2013 a 03/06/2013, empresa com desoneração


da folha, portanto, segurados administrativos com desoneração da folha. Obras
matriculadas no período seguirão o contido na letra “b do item 1.

b) no período compreendido entre 04/06/2013 a 31/10/2013, a empresa poderá ter


optado por permanecer no regime de tributação substituída (§ 7º e § 8º do art.7º da Lei
nº 12.546/2011), sendo também esse regime aplicado a parte administrativa. Obras
matriculadas no período, devem seguir o contido na letra 'c” do item 1.

c) No período compreendido entre 04/06/2013 a 31/10/2013, a empresa poderá ter


optado por não permanecer no regime de tributação substituída, retornando a
contribuição na forma dos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho
de 1991 , sendo também esse regime aplicado a parte administrativa. Obras matriculadas
no período devem seguir o contido na letra 'c” do item 1

2- Se a empresa responsável pela obra estiver elencada nos demais dispositivos do artigo
7º, ou no art. 8º da Lei nº 12.546/2011 deverá ser observado o seguinte:

a) no caso de empresas para as quais a substituição da contribuição previdenciária sobre


a folha de pagamento pela contribuição sobre a receita bruta estiver vinculada ao seu
enquadramento na Classificação Nacional de Atividade Econômica - CNAE deverá ser
considerada apenas a CNAE relativa à sua atividade principal, assim considerada aquela
de maior receita auferida ou esperada.

b) nas situações para as quais a substituição da contribuição previdenciária sobre a folha


de pagamento pela contribuição sobre a receita bruta não esteja vinculada ao seu

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

enquadramento na CNAE, o cálculo da contribuição patronal obedecerá ao disposto no


art.9º § 1º da Lei 12.546, de 2011.

c) nas situações de desoneração, deverá ser observado no caso de obra de construção


civil o período de regência. Ou seja, se a empresa estiver desonerada, a obra de
construção civil também estará desonerada a partir da inclusão da empresa responsável
no regime de substituição, independentemente da data de matrícula.

3- No caso de contratação de empresas do setor de construção civil, enquadradas nos


grupos 412, 432, 433 e 439 da CNAE 2.0, mediante cessão de mão de obra, na forma
definida pelo art. 31 da Lei 8.212, de 1991, deverá ser observado, independentemente
da data de cadastramento da obra, o seguinte:

a) no período compreendido entre 01/04/2013 a 03/06/2013 a empresa contratante


passou a reter 3,5% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços ao
invés de 11% (§ 6º do artigo 7º da Lei nº 12.546/2011, com inclusão do inciso IV ao artigo,
na redação da MP 601/2012).

b) No período compreendido entre 04/06/2013 a 31/10/2013 a empresa contratante


poderia continuar a reter 3,5% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de
serviços, desde que a empresa contratada mantivesse a condição de contribuição
substituída (opção de acordo com o § 7º e § 8º do art. 7º da Lei nº 12.546/2011) ou teria
que voltar a reter com base em 11% (contratada sem exercer opção e com recolhimento
sobre a folha de pagamento).

c) Após 01/11/2013 a empresa contratante passará a reter 3,5% do valor bruto da nota
fiscal ou fatura de prestação de serviços ( § 6º do artigo 7º da Lei nº 12.546/2011, com
inclusão do inciso IV ao artigo na redação da Lei nº 12.844/2013 ) ao invés de 11% .

5.2 DO SIMPLES NACIONAL E A CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA

A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime


Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas
Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, assim prevê:

Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação,
dos seguintes impostos e contribuições :
[...]
VI - Contribuição Patronal Previdenciária – CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de
que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa
de pequeno porte que se dediquem às atividades de prestação de serviços referidas no § 5º-C do art. 18
desta Lei Complementar;

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

De acordo com o dispositivo acima transcrito, o regime do Simples Nacional


contempla a Contribuição Patronal Previdenciária (CPP) prevista no art. 22 da Lei nº
8.212, de 1991. Porém, a parte final do inciso VI do art. 13 da Lei Complementar nº 123,
de 2006, exclui a referida contribuição do Simples Nacional para as microempresas e
empresas de pequeno porte que prestam os serviços descritos no § 5º-C d o art. 18 da
citada Lei Complementar.

Confira-se, a seguir, a dicção do § 5º-C do art. 18 da Lei Complementar nº 123, de 2006:

Art. 18
[...]
§ 5º -C Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação
de serviços seguintes serão tributadas na forma do Anexo IV desta Lei Complementar, hipótese em que
não estará incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei
Complementar, devendo ela ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou
responsáveis:
I - construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada,
execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores;
II – (Revogado)
III – (Revogado)
IV – (Revogado)
V – (Revogado)
VI - serviço de vigilância, limpeza ou conservação.

Como se vê, as empresas optantes pelo Simples Nacional que se dedicam às


atividades de construção de imóveis e obras de engenharia em geral devem recolher a
Contribuição Patronal Previdenciária – CPP “ segundo a legislação prevista para os
demais contribuintes ou responsáveis”

Dentro desse delineamento, o recolhimento da Contribuição Patronal Previdenciária


– CPP deve se dar nos moldes do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, ou seja, deverá incidir
sobre a folha de pagamento ou sobre a receita bruta, caso a empresa esteja sujeita à
contribuição previdenciária substitutiva de que tratam os artigos 7º ou 8º da Lei nº
12.546, de 2011.

Vê-se, assim, que a Contribuição Patronal Previdenciária (CPP) prevista nos incisos I
a IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para as empresas optantes pelo
Simples Nacional que prestam serviços de construção de imóveis e obras de engenharia
em geral (art. 18, § 5º-C, I, da Lei Complementar nº 1 23/2006), não se acha incluída
nesse regime simplificado de tributação, devendo ser recolhida dentro dos mesmos
critérios aplicáveis aos demais contribuintes da Seguridade Social.

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MANUAL DE ORIENTAÇÕES E REGULARIZAÇÃO
OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL

Assim, se a microempresa ou empresa de pequeno porte enquadrada no § 5º-C do


art. 18 da Lei Complementar nº 123, de 2006, exercer atividade contemplada no regime
de tributação substitutivo, ficará sujeita à contribuição previdenciária incidente sobre a
receita bruta na forma da Lei nº 12.546, de 2011 (Anexo IV da LC 123-2006)

5.3 DA MEDIDA PROVISÓRIA 669

Em 27.02.2105 o Governo Federal autorizou por meio da Medida Provisória n. 669


as empresas sujeitas ao regime de desoneração da folha a optarem pela adesão à
sistemática de recolhimento do INSS sobre o faturamento ou sobre os salários.

Apesar da boa notícia para diversos empresários, ela veio acompanhada de outra
medida nada palatável: o aumento das alíquotas da Contribuição Previdenciária sobre a
Receita Bruta – CPRB.

As empresas que eram sujeitas à contribuição sobre o faturamento com alíquota de


1% tiveram seu percentual elevado para 2,5%, enquanto aquelas que recolhiam 2%
passariam a pagar 4,5%. Caso o aumento tivesse um impacto elevado demais para a
empresa, ela poderia optar por recolher da forma como antes, calculando 20% de
contribuição previdenciária sobre sua folha de salários.

Porém, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), devolveu ao


Governo Federal a medida provisória em 03.03.2015. Segundo a Secretaria-Geral da Mesa do
Senado, com a devolução, a medida provisória deixou de ter validade. Pela MP, quem pagava
alíquota de 1% de contribuição previdenciária sobre a receita bruta passaria a pagar 2,5% e
que pagava a alíquota de 2% aumentaria para 4,5%.

Pela MP 669-2015 haveria também a possibilidade de a empresa escolher qual forma de


tributação ela desejaria, ou pela folha de pagamento ou pela contribuição sobre a receita
bruta. Com a devolução da MP, volta a sistemática anterior, com as alíquotas menores,
porém sem a possibilidade de a empresa escolher a forma de tributação.

Após o anúncio da devolução da MP, o governo informou que a presidente Dilma


Rousseff assinou um projeto de lei com urgência constitucional nos mesmos termos da
medida provisória.

A decisão de devolver a MP foi anunciada depois de uma reunião de Renan Calheiros


com líderes partidários. Ao tomar a decisão, Renan se baseou no artigo 48 do regimento
interno da Casa.

Esse artigo estabelece que cabe ao presidente da Casa "impugnar as proposições que
lhe pareçam contrárias à Constituição, às leis, ou ao próprio regimento". O presidente do

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Senado disse que não se pode considerar urgente a medida provisória já que, segundo ele, a
criação ou elevação de tributos tem prazo de 90 dias para entrar em vigor e que, por isso, o
reajuste poderia ser editado por meio de um projeto de lei.

Após a devolução da MP pelo Senado, a Secretaria de Imprensa da Presidência da


República divulgou nota na qual informando que a presidente Dilma Rousseff assinou um
projeto de lei com urgência constitucional nos mesmos termos da MP. Vamos aguardar qual
será o resultado desse projeto de Lei.

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