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| Pyne igmtmns LANGANENTOS Res ROEOS Eduardo Leone Maria Dora Mourio eee Sumério Arto, Coordenagio © 4. A montagem como um todo—___—’ Pro grin tml rahe a Arte-fins " 2. A problematica da montagem. tener araney cman wend pees Cinema © narrativa— ‘ry Normanhe Os problemas espe: | Anton 0 Donnca ‘8 imagem em movimento ih parte pelo todo. “ VCnNTRAL Managem © prossso ti ee ee ane 3. A montagam no reteiro. as | —— no i Principios para a escritura de um filme— 16 | | tivo da pega cinematografica. 18 lisa rx Roteiro e cinema mudo. 9 | Lede SS 4, A espacialidade no roteiro___ As agdes draméticas no texto filmic | ° fidade no roteira_____24 ° = esta | 5, A temporaiidade no roteiro. ag | © tempo diegitic. 7 ISBN 85 08 01874 6 6. Ritmo no roteiro___ 29 1907 7. Montagem e realizaco__ 32 Todos os direitos reservados cailgna’ da ‘pyinnenta, Eaitora Alea SA.-— Rua Bordo co tape, 110 ° seme srs Tel: (PABX) 2700022 — Calxa Postal 658 AA importincia dos enquadramentos——_— End. Telegeifica “Bom ‘Sto Paulo A espacialidade na realizagio A tela como espago pléstico— ‘A temporalidade na realizagio. 39 | Master-shot: 0 tempo e sua dindmica_ 44 Tempo seaiiencial e tempo i © citmo na realizagéo. Ritmo e narrative 8. A montagem propriamente dita 49 Principios da articulagio dos planos. 49 Eisenstein e os aspectos formais. 1 + Formalizagdo dos. mecanismos da montagem—_86 1 Conte © montagem —_s7 @ plano fiimico_—_ gg 7 A montage no plano-seqiléncia 64 Fotograma e articulag 64 9. Conclusao. ee 78 Nossos sgradecimentos 9 Cella Inds SelntPierte Bosco Brasi! 1 A montagem como um todo Neste trabalho, diseutiremos a problemética da mon: agem, Aqui ela no sera analisada apenas como mo- mento especifico onde acontece 0 serd vista em trés etapas distintas: a montagem m0 10- ciro, @ montagem na realizacdo e a montagem propria- mente dita E uma discussio polémica, Para tanto é preciso ter prépria modernidade do cinema. Mesmo que mpréstimo uma terminologia j& consagrada, . em nenhum momento pretendemos ontexto ilmico. como a da Dra fiear fora do Porém, podemos concordar com a postura estética Je que texturas vio sendo criadas na medida em que corre a incidéneia de outras artes na expresso cinema- togréfica, A influéncia que a pintura exerce nesse universo nos levaria a reflexes profundas. As possibilidades das lentes e da propria pelicula permitem que um hibil fot6- grafo ex: trabalho de “pintar” a cena com luz Uma aproximago do cinema com 0 género dramético (el é uma de suas modalidades expressivas) nos permite reco hnhecer o caréter estrutural do texto escrito para a tela Sabiamente, e talvez sem grandes preocupagies te6- ricas, 0 cinema norte-americano indiciou a. problemdtica na propria terminologia usada: screenplay (pega para a tela); este termo nos remete & pega teatra, que & uma esa para um determinado espaco de representacio. ‘Da mesma forma, podemos sentir que o termo edition nos liga & edigéo: um tipo de trabalho anterior a inveneao do cinema. Editar significa montar, escolher, selecionat e ar. ticular, Nossa proposta é a de que a montagem seja vista, no rocesso, como um todo, retrabalhando as discusses ci, Rematogréficas que, muitas vezes, ficaram presas a deter- ‘minadas “‘méscaras”. A montagem, vista num sentido res- {rito, acabou aprisionando a discussio teérica do cinema, Tal discussdo ficou ainda mais confusa com as aproxima. ses de certas semiologias: de um lado, os defensores das sianificagdes, e, de outro, os defensores dos significantes Esse tipo de abordagem parece nio ter fim, e possuit, em ‘suas premissas, tanto de um lado como de outro, um ine passe entre o fazer filmes ¢ o refletir filmes. Devemos defender a postura de que falar do processo € alguma coisa vinculada a uma atividade pritica cm re. lagio a esse processo, prética essa que constitui um os. hecimento necessério para que possamos fazer a distingao entre 0 processo ¢ 0 abjeto, Quando buscamos a montagem no processo como um todo, € porque conhecemos esse fazer. A forma fragmen, titia de se ver o filme permitiu, durante algum tempo, gue as discussdes resvalassem para a seguinte perspective aqui € montagem, acolé é roteiro ou sendo fotografia, ato. res ele. Porém, todas essas coisas se imbricam: a belg fotografia s6 existe quando temos uma acao forte ¢ inte, Fessante, passivel de ser fotografada; uma bela montagem 86 € efetiva quando nos planos existem valores estéticos Para que a transigio de um plano para outro opere uma dinamica na agio proposta, 2 A problematica da montagem en Na infancia foram os cubos colo- vlvdos com moatagens ‘Hon nos pict anos Ge escola erase, als ad ea fifica, sonagens, elabora tm espago para que a natrativa se de~ senvolva. Se considerarmos essa articulagao como sendo bisiea para a produgéo de um texto, nela um processo de montagem, Precisamos entender a montagem nas diferentes ex- Dressdes artisticas © nas suas materialidades espectticas Para aquele que faz filmes, a materialidade € a pelicula impressa, na qual uma ago dramética se desenvolver podemos perceber Cinema e narrativa O cinema é uma arte narrativa. Tomando isto como Ponto de partida, percebemos que, no seu desenvolvimento, Procurou-se mais o fiecional, e, para compreendé-lo, nos valeremos da teoria dos géneros — litieo, épico e drams tieo Notamos que se trata do um posma lrlo (Lirica) quando uma voz central sente um estado de alma © tradue por ‘elo de um discurso mais ou menos ritmica. Espdcies dex, 82 ginero seriam, por exemplo, a ode, 0 hina, a elegia Se nos ¢ contada uma estéria (em verso ou om proce), sabemos que se trata de epic 2, do giner0 narrativo. Es. pécies deste g6 nero serlam, por exemplo. 8 epopéia, Fomance, 8 novela, o conto. E aa o texto se constiulr prin lpalmente de didlogos e se destinar a ser levado a tone or pessoas que atuam por meio de gestos e discuraos 0 paleo, saberemos que estamos diante de wna obra dee mética (pertencente & Dramatics). Se atentarmos ao trecho em que 0 Se © texto se constituir —- Prineipalmente de didlogos © se dlestinar a ser levado & cena por pessoas que atuam por meio de gestos © discursos (...)", pereeberemos que 0 * Rosenpen, ROSENFELD, Anatol, O tawro épco, p. 178. V, Bibliograia co “puma feciona ¢flado pode st insrido nen probe Totaled, 20 108 cl ' Set Pras ino 96 acontece idealmente, jf qUe 08 Tr vets ec om pins nna, € ee sepeidest alpen tle et ee icoks Com 1 chegade do 20 pero dramético; podemos, com seguranca, considers earn case “A ida btsica do modo ae 4 teoria dos géneros, con- hicagio de massa, cinema, ridio ¢ televisio, parece-nos por demais dbvia para ser’ posta em discussio” * Em outra passagem, o mesmo autor reforga: “As téc- ferir em cada caso, porém tais nicas espectiess podem dit \ Uferengas sio meras modificages de uma arte dramtica basen” =e Podemos entender o cinema como expressio dram tica em fungio desse modo dramétio, lembrando que 8 tradiggo da Dramétiea € muito anterior ao surgimento do Cincima, Nao cabe hoje buscar as diferencas que "separ2- da Dramatis, mas justamente aquilo que a del, © aproxima d ‘Uma anatomia do Tidy p85. rama, p. $4, V. “Bibliografia comentads Os problemas especificos cata % Por um lado, um texto que é in varidvel, e, por outro, uma encena : are, , 10 que acontece diante os expeciadores, a0 vivo, © que & diferente a cade sente dian ee teulo inematogréfico, mesmo que seja pre a constant 4¢ és, reveste-se de um aspecto fundar-enen ‘ iso se da antes, ¢ quando olhamos para a tele ox. mos que tudo aquilo que se passa Preparacio de roteiro, G0 Produto. Sabemos, de antemao, tatar-se 4 , tratar-se de uma repre. expan Poeiae,somate 3 idimensonadade 'etdculo cinematogrifico, & suficient te si 9 Problema da usd dentro dea Panes mS isto tems. Rett i 0 imaging (ene ura sin do ator tommandy Se mee Ea ce momento da enceraei. Nemo tage Game de uma cena mecanetmenierettan poe eros refetentes dels com um fot esa mes aqui entendido como retrato daquele mo aes Sau ene ele momento em que ¢ dos ago 0 teto a ado dgica pete, src lempos verbais, a organizagdo da temporalid i fata deo daquls pee a Pe ando © tempo. Chamamos a bem, que isso ndo const ane ei presi rei ,020 comsitu alguma cosa exclusiva da er nos ilusta: ” ™" # SBuinte passagem de Rosenfeld 9 0 flashback (recurso antiquissimo no gBnero épico e muito tipica do cinema, qua é uma arte narrativa), que implica no 6.8 evocario dialogads e sim 9 plano retrocesso cénico 20 pescado, € Impossivel no avango inintarrupto da ago dre imdtica, uo tempo é linear @ sucessivo como o tempo sm pirleo da realidade.« A imagem em movimento Discussées do tipo “cinema 6 imagem’ movimento” sio absolutamente estéreis, se pensarmos que as imagens ¢ os movimentos, obtidas de forma mecat apenas desempenham a’ fungio de suporte para as situa- ses deamaticas que estardo representadas no espaco do quadro (tela). $6 poderemos compreender o cinema, como arte, no momento em que pucermos enxergar a com- plexidade de fatores que concorsem para 0 espeticulo fil- ‘mico: a gestualidade, a cenografia, a marcagio dos atores, (0s dilogos, 0 cromatismo, a trilha sonora etc. Esse universo s6 pode ser pensado a partir de uma modalidade articulatéria; no nosso caso, a montagem. Esta, com lugar privilegiado na manifesta cinemato- grifica, nfo pode e nem deve ser entendida como acon- fecimento exclusivo gerado pelo corte que cria contigii- dades e aproximagio entre dois planos. © filme, enquanto discurso, tem como caracterstica fundamental sua natureza heterogénea. Ele se constt6i pela incidéncia de varias texturas, cujas unidades, previa- mente selecionadas, vio-se concatenando através da mon- tagem e abrindo espaco para a manifestagio da narrativa Portanto, a montagem € 0 processo em que essas tex- turas sio manipuladas, no s6 do ponto de vista técnico, também, como meio que conduz o espectador & Op. ct, p31 Penetrar inadvertidamente nos recintos mais escondidos do imagindrio: as ides se tomam perceptiveis, e, 0 que ¢ mais importante ainda, visiveis, A parte pelo todo Roman Jakobson bem observou os aspectos metoni- ‘micos da construgdo de um discurso cinematogrifico: “Pars Pro to10 & 0 método fundamental da conversio cinemate, gréfica dos objetos em signos. A terminologia da censri 1, com seus primeiras planos, planos médios, primei. rissimos planos & nesse sentido bastante instrutiva”. * Ao falar da terminotogia técnica para se determinar © espago dos planos, Jakobson percebe, através do pars Pro to10, um principio bésico para se construir um filme Isso € a sinédoque, e ele a inclui no eixo da metonimia Podemos dizer, a propésito da uma mesma pesso: corcun ts, narigSo, ou entéo corcunda narigudo, 0 tema de roccg Aiscurso 8 © mesmo nos trés casos, mas os slgnos aio Aiversos. Igusimente, num fe, podemos tomar & mesma hhomem de costes — verse corcunda depois ae fronte — seré mostrado 0 narie —, ou entéo ‘do perfil, ‘assim serio vistos uma o outro, Nessas trés tomsden és bletos funcionemn como signo do mesmo sujeite. Cuenis izemes do.nosso monstrengo simplesmente “corcunda on “narigio”, desvendamos @ natureza sinedéquica da linge em. e850 0 meio analégico do cinema: a camera va ve @ corcunda ou a6 0 nari. Salvaguardados pela sinédoque, entendida como fi: ura inclusa no eixo da metonimia, percebemos que org nizar planos, com uma légica interna, passa a ser a funcap {fingtttica, poeica, cinema, p. 155. V. “Bibliografin comentada” bide pe 133 5 nea da montagem, ov melhor dead, acid ave Cyr ns ds hors de pojeydo (draco de um fe fe ongemsragem). 0 siectidr preberd as muh eS de cortes que irdo gerar as contigilidades. Montagem e processo filmico cette, mas também a mosaldade attain que par- ficipa do conjunto, indo do roteiro até o resultado/pro- duto. Com iso, quromes dr gue montage € 2 a cago de cape dts stra do rt, ge tani chamatenes de pepe cinmataric real go, que também chamaremos de encenagdo da pera, ¢ pee id a aproxi- ftagio stutual com 0 rote: & isso também cham Inos de montage propiamente dia 3 A montagem no roteiro jpios para a escritura de um filme 36 ouvimos visi veres sequin rflerdo: “El Numa dacasio mals pofund, prcebemos, pot um por autos quanio a potncaldage visual de um epe Malo nico nos pete una expcie de "letra das obras, des velhas abuse, mesmo, do mundo, Tio resia « menor divide de que no nosso séoulo 0 cxpreeio dramitca fl inflienciads por eaciores que possum o "snematogico”, ants mesmo do cinema ter Mo Invent: “rth ehegou 8 montagem staves 0 Dntodo de apo parle ¢ 1a de 230 parasa fo tncontadn por ek em Dickens"! © caminto conto para 4 notte refledo sobre a montage como mounlidae astra, no a, ew Eisenstein, Sergei M. Teoria y tenica cinematogrdfieas, p. 225 V. “Bibligratia comeniads contatemos no teatro texto teatel, mesmo sendo ft fatur,ndo se completa caso ndo sje cacenndos "0 pu oxo da literatura dramdica € que ela nto ae cone plementagao nica” Na ligica interna de uma pega teal, o autor fr fa para a luz ete. Nas mdos de um hab ence, te teio adguire a cimensio de especie Como ceenohe podemos citar a encenagho 0 baledo, de lear Goce tim Sto Paulo, pelo encenor argentino Vitor Garda og deada de 70, Tudo aquilo que Garea suslzon eons 8 perencer ao univer do fete, psf! fatamene ate, ¥i da obra de Genet que ele encnttou eemenen mee tes ¢informacées para a encenagdo aresentade No cinema, © problema € anlogo, “0 bom roti, ou melhor, a bos ese cinemalogrdice, ao onan lpia dis ages eo deventlvimento dramatce fl, tiretor no memento ts flmagem. Se'9 ttshe sats um secoportosofistiado para cenirio de uma glo, com, plementado por incieagtes sobre esse espage, saben ro Girtor atvalvar com sae inagens a neenas Io texo. Se o dietor fr infelirna ected cents Sictagdo do roero noe da, pois as imagens serio equivocadas naguito que de esencal deers igen eae No entanta, se © dttor for busaralgom sereponto mi derno, encontraré a base para “constr” m sosivanao idealizada, © a8 imagens 36 harmonizaréo como stnio brevis pela peca cinematognen, Asim send, nesta nossa pequena reflxo,podemos perseber que as detrminagbs do texto sd fundemsae Pra «escola artisica 00 dtr ROSENFELD, Anatol. Op. cit. p. 35 © cardter objetivo da peca cinematografica © escritor da pega cinematografica deveré trabalhar uma eseritura que permita sua objetivagdo nos fragmentos filmicos. E quando falamos em objetivacéo, novamente nos encontrames no domfnio do género dramético: Na Dramatica (de pureza ideal) nfo hé mais quem apresente 05 acontecimentos: estes se apresentam dlante de nés por si_mesmos, como na realidade: fato esse que implica a objetividede , 20 mesmo tempo, a extrema forga inton- sidede do género. A arto se apresenta como tal, nde send filvada_ por nenhum mediador, © termo narrador deve ser entendido como aquele que instaura uma nartagdo ea desenvolve, moldando si- tuagbes, agdes e personagens, podendo interferir e parali- sar o tempo narrativo da estéria que est sendo des volvida, e é ele 0 mediador do texto de Rosenfeld. Ele é préprio do género épico (de pureza ideal). Poderiamos buscar, no trabalho fragmentitio da ci mera ao rodar 0s planos, papel de narrador para aquele que dirige. Porém, na pratica do espetéculo filmico, tanto © narrador quanto o escritor da peca cinematogréfica de- saparecem, pois sero os atores os elementos que iro ob- jetivar as agées, e, portanto, aquilo que seré percebido pelos espectadores no momento da exibigdo: a fébula. Na maioria das vezes, 0 piblico nio sabe, € a ele nao interessa, de quem séo as autorias (roteiro e espeti- culo). E mesmo que um certo piiblico especializado co- hega 0s autores, i880 no é garantia de que os encontra- emos na estéria narrada, a ndo ser por tragos esilsticos, Mid, ibid, p. 29. ‘Assim sendo, novamente devemos pensar o roteiro como pega de uma expressio em que a montagem nos 1 possibilidades de objetivacio pelo espeticulo fil- Roteiro e cinema mudo No cinema mudo, a problemdtica do roteiro era quase inexistente. © valor estético dos filmes concentrava-se ma figura do diretor: aquele que articulava os enquadramen- tos, produzia as imagens e armava 0 espetéculo. ‘Tanto diretores como criticos frufam mais os valores intrinsecos das imagens, ¢ percebiam “possibilidades poé- hos movimentos ¢ nas pantominas que substitufam ciam em forma de legendas dividindo as as falas que apar gies. Eisenstein, cineasta russo da década de 20, ¢ um dos primeiros teéricos da montagem, procurou experimentar fs legendas com contraponto dramético: as diferentes ten- ses draméticas eam, nas legendas, compostas com letras de tamanhos diversos que, segundo esse cineasta, dariam a “sonoridade” necessiria ao espectador, para que este ex- perimentasse énfase dramética, como se fosse emitida pelo ator 0 roteiro, enquanto peca cinematogratica, passa a ser diseutido como decorréncia do cinema falado, na sua rea- proximagio com a Dramatica, quando nele € introduzida 1 ago dial6gica go nfo passava de Enquanto no cinema mudo o di 3 ¢, portanto, um uum texto eserito intermediando as cena discurso visual que paralisava o tempo da agio, no cinema falado 0 elemento acistico/sinerénico eriou 0 continuo das. agoes. 20 {Um dos ais intressantes exemplos dessa fase de Cannio entre o mudo ¢ 0 falado € encontrado ne fines Kinlando na chia, onde, de forma hunostgen” Gene trodusio do. som, 2 Pistia cotidana da indistria.cinematogrticn, ar gan rimasdo com a dramaturgia se dew no moment pelos ator € escrtores da Broadway foram recnaiee Pelos estidios. {130 bastava mais somente uma face fotogénics, mas ceerlgg Btio uma vor para os difiogos, que viiag ane tron Went Faulkner, Hemingway, dos Passos, enc cet dirion *°,5 sificava mais, com o som sincronisnde, oo, qustor apenas preocupado com as imagens scons forga ‘We le poderia obter delas sem a inteferéncia doa sone de ernest de rotetistas se depararam com a dificuldade Ge entender o trabalho dos diretores, « estes uiltimos, por Os cnriclo possuiam a minima vontade de colaboras coon Os escritores. Para os primeiros, a logica intern, coments deixar de estar Ié'na tela, numa releste ae Pare eo ndéncia quase total com os textos dos rencinan pata 98 segundos, valorizando 4 atividade dle artesaos, as agra fais diversas angulaes permitiam que paginns ¢ Paginas fossem negligenciadas, No fundo, tanto os dietores como os esritores nio gal cnani2v2M pela discuss da problemstia filmiea ¢ GraacetOntrames em Eisenstein, um dos raros mea de ineasta preocupado com a teoria A dliscussfo do roeiro, pea cinematogrética, mais do ‘Me nunca vem-se tomando obrigaéia, distante da pote, do chamado grupo do Cahiers du Cinema ; ee cnt fn iv Isso nos obriga a aprofundar nossa reflexdo, e seo O taro eicie pra o Mime, e tase prince pare sno ttn. O ravinas araco coca ee es do ritmo do espetaculo. a : eps realizadores, que pregavam o chahads Gnome de anor "Ox'plachea foe Solaed Chia e Twulfa TT TT TT EYE ER RERERARBREERL] 4 A espacialidade no roteiro As acées dramaticas no texto filmico ‘Ao ser escrita a pega cinematogrética, nfo temos ape nas tum conjunto de ages organizadas. Estas nio exist rlam fora de um determinado cenério, fora de uma geo. Brafia na qual as personagens as desenvolvem, Nao podemos, por um lado, confundir cendrio com cenografia. Além dos aspectos cenogeiicos, as personagens fe valem da dimensio do espaco e dos objetos dispostos nele. esse momento, podemos fazer uma aproximagia entre a escritura do roteiro e a escritura do romance Ao escrever uma esti ia para o cinema, deve-se ine dicar a mares das agbes nessa geografia, ou seja, € o Foteiro que indica qual é a geogratia da tomada, Sobre essa base, teremos ni amentais: a cdmera, através do is de determinagio fun ecorte do enquadramento, os dard relagses mais abertas ou mais fechadas —- planos ferais, médios, primeiros planos, detathes. Essa rubrice técnica de espaco pode ou ndo aparecer nas pecas. Exe fem varias correntes e teses sobre 0 assunto: Pudovkin, sta € teGrico russo contemporiineo de Eisenstein, de- mou de roteiro tenia tse po de const to gual de ler 1 tdgicn do espago através das images fabrcades elo tier. Alled these nos dz: "E sempre a questo de eicolero corte das imagens em fungi dos objtos ie Gemostar o conio (.)"" Em otra passgen, Hitcheock nos joga uma sugesiva pelo esago qe we enconra date da elmer, pots se deve Considerar que, para ober «imagem tn demos pest A estruturaclo das personagens no espago do cenério € complexa; 0 ditetor/encenador deverd “perceber" essa relagdo no roteiro, que, por sua ve2, deverd inform: diversas necessidades para a fluéncia na narrativa, Da mesma forma que um romancista marca a presenga de uma faca, com a qual a personagem iré cometer um sta também se vale de um recurso anilogo, 56 que sua perspectiva € a de ver o seu texto em imagens fabricadas por um diretor, Hirrencecx—Taurravr, Entrevistas,p. 130. V, “Bibliogratia eo Fibid p. 156; 4 © trabalho da espacialidade no roteiro Ao trabalhar a espacialidade, o roteirista cria relac Ses virtuais, isto é, relagdes que poderdo ser atualizades através de imagens © sons. Porém, é importante arene ue essas relagOes, independentemente da escolha do a {ior fazem parte de um nivel estrutural l6gico: se a per, sonagem fala com a personagem 2, a agao dialdeica fasce de um vinculo que ter4, na construgao imagenes luma_equivaléncia A tubrica de roteiro deve trazer embutda a indicagio do espaco, levando-se em conta o seu efeito dramaticn Um dilogo bem-construido & sempre um indicativo de espacialidade; num momento de maior tens Agora, gracas & cémera, 0 puiblico faz parte da cene, © & Breciso sobretudo que a camera nto se tame bruscanente distante © objetva, ob pena de desteir's emosdo nee {oi criada, ‘Todas as rubricas deverio desapatecer no espago da tcl. As relagdes armadas pelo roteiro pertencerao as per sonagens © & textura dramética do espeticulo filmico © roteiro e o escritor Para que alguém chegue a ser um roteirista, € neces- sitio, antes de mais nada, que seja um eseritor, C {fatio no se chegari a resultados satisfatérios. E, alen qeytsctor. 0 roterista necesita compreender em prolun, dade 0 processo cinematografico nas suas tés etapas bd, Ta, Wid, p69 { 25 Q rminada situagdo dramatica que se perderia caso fos- gilice, deverd saber trabelhar as téenicas para prendet 0 mas que também se senteextemamente& vontade mh fun ©,