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Suma

teológica
Tomas de Aquino

Prima pars PRIMEIRA PARTE .

Em seguida se trata das coisas materiais conhecidas dos anjos.. a. 2. Gent. os seres materiais não podem estar na alma do homem ou na inteligência do anjo. cinco artigos se discutem: Art. cap. Logo.. mas só pela imaginaria. não podem ser conhecidos pela visão intelectual. 1 Se os anjos conhecem as coisas materiais. De Verit. A visão intelectual apreende as coisas que estão na alma pela essência delas. E. 8. Logo. por lhes serem inferiores. pelas essências delas. 10. sobre este assunto. XCIX. a. o objeto inteligido é a perfeição de quem intelige. Ora. os anjos não as conhecem. q. q. Ora. 4) O primeiro discute-se assim. as coisas materiais não podem ser a perfeição dos anjos. Pois. 8. Parece que os anjos não conhecem as coisas materiais.Questão 57: Do conhecimento angélico em relação às coisas materiais. que apreende os próprios . como diz a Glosa. e pela sensível. Demais. 1. que apreende as semelhanças dos corpos. (II Cont.

parcial e multiplicente. no seu ser simples. como Deus. como muito maior razão o pode este último. sendo as mais próximas e semelhantes a Deus. mais e mais perfeitamente participam da bondade divina. Mas. dentre todas as outras criaturas. aqueles contêm eminentemente e por uma certa totalidade e simplicidade. em Deus. que os superiores são mais perfeitos que os inferiores e. porém. Mas. eles as conhecem pelas possuírem nas espécies inteligíveis delas.corpos. O objeto inteligido é a perfeição de quem intelige pela espécie inteligível existente. as espécies inteligíveis existentes no intelecto angélico são deste as perfeições e os atos. O sentido apreende as essências das coisas. 3. em contrário. Demais. pode conhecer as coisas materiais. assim como também não erra o . nem a sensível. Ora. se o intelecto humano. como diz Dionísio1. A ordem dos seres e tal. Logo. inferior ao angélico. o que pode a virtude inferior pode também a superior. por isso. os anjos. Só o intelecto apreende as essências das coisas. como no sumo vértice das coisas. todas preexistem sobresubstancialmente. como o ser está noutro ao está ao modo desse outro. que só apreende as semelhanças dos corpos. diz Aristóteles3. por essência. As coisas materiais não são inteligíveis em ato. mas são cognoscíveis pela apreensão do sentido e da imaginação. SOLUÇÃO. na ordem da natureza. Como. mais simples e imaterialmente do que nelas próprias. E. mais multíplice e imperfeitamente do que em Deus. mas só a intelectual. assim. não podem conhecer as coisas materiais. que é. DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. que o objetivo dele é a qüididade da coisa. em relação à qual o intelecto não erra. estes não as conhecem. os anjos não têm visão imaginaria. o que estes contém de deficiente. portanto. E. e por isso. e sendo os anjos. conhece as coisas materiais. RESPOSTA À SEGUNDA. todas as coisas materiais preexistem. que não existem nos anjos. como diz Dionísio2. Ora. Do mesmo modo a imaginação. mas somente os acidentes exteriores. nos anjos. Portanto. porém. por naturezas inteligentes.

I (lect. De Anima. C. II Sent. III de anima (lect. nom. 1. Ora. de ambos. conforme se viu3.) O segundo discute-se assim. dist. q.. os anjos têm unicamente o intelecto. (Infra. II Cont. assim como a nossa inteligência conhece pelas espécies que torna inteligíveis por abstração. Gent. Parece que o anjo não conhece o singular. III). Há. q. Logo. a. Quodl. 1. o universal1. 20.. cap. hier. porém. Pois. 2 Se o anjo conhece o singular. Todo conhecimento se realiza por certa assimilação do conhecente com o conhecido. a.. Opusc. e. as tornaria inteligíveis em ato. 11. pois. cap. 3. 2. cap. 1. IV. a. certas coisas que estão na inteligência ou na alma. II. há visão intelectual. Qu. 8. ora. 3. 2. segundo já se viu2. necessariamente abstraindo-as. por ambos os modos de ser. Demais. VII. Art. e a matéria é o princípio da . 10. Cael.. XI). Ora. a razão (ou o intelecto). mas as conhece pela espécies inteligíveis. a. a. Assim. 2. 89. a. III. 5. as essências das coisas materiais estão na inteligência do homem ou do anjo. De Verit. a. De div. em ato. cap. diz o Filósofoque o sentido conhece o singular porém. part.sentido em relação ao sensível próprio. De Angelis. Se o anjo recebesse das próprias coisas materiais o conhecimento que delas tem.. XV. como o inteligido está em quem intelige e não pela existência real delas. 3.. XII. como faculdade cognoscitiva. RESPOSTA À TERCEIRA. não é delas que ele tira o conhecimento. como o anjo é imaterial. q. q. XV. 4. das coisas que são conaturais.

porque todo universal se conhece o singular só em potência. o universal não é princípio suficiente do conhecimento do singular como tal. pela inteligência e pela vontade. 14): Todos os espíritos são administradores. . por isso. Mas. o anjo não conhece o singular. derroga o ensinamento da filosofia dizendo que os anjos são os motores dos orbes celestes. o anjo não conhece o singular. o astrólogo. às quais se reduzem todos os efeitos particulares. 11): Mandou aos seus anjos acerca de ti. Ora. certamente. porque os atos têm por objeto o singular. como existente num lugar e momento dados. salvo se o conhecer pelos sentidos.singularidade. segundo lugar. que te guardem em todos os teus caminhos. em contrario. como se um astrólogo julgasse certo eclipse futuro pelas disposições dos movimentos celestes. SOLUÇÃO. em primeiro lugar. os anjos guardam os homens. Ora. 5): Não digas diante do anjo: Não há Providência. derroga a fé católica dizendo que as coisas inferiores deste mundo são administradas pelos anjos. isto é. se não conhecessem o singular nenhuma providência poderiam tomar em respeito do que se faz neste mundo. Mas esta opinião não escapa às dificuldades apontadas. Ninguém pode guardar o que não conhece. Logo. Nem pelas ultimas. a administração. O que vai contra a Escritura (Ecle 5. conforme a Escritura (Sl 90. E. E. logo. Ora. aquele não pode conhecer este. Alguns negaram totalmente aos anjos o conhecimento do singular. porque. pois. conhecendo o eclipse futuro pelo cômputo dos movimentos celestes. não pode haver nenhuma assimilação do anjo com o singular como tal. mas por causas universais. como diz a Escritura (Heb 1. Só por espécies singulares ou por espécies universais é que o anjo poderia conhecer o singular. conhecimento do singular. 3. Assim. não pelas primeiras. Logo. Mas isto. outros ensinaram que o anjo tem. Ora. conhece-o universalmente e não como realizado num lugar e momento dados. a providência e o movimento visam o singular. ele deveria ter infinitas espécies. enquanto relativos de um determinado lugar e tempo. então. porque conhecer de tal modo o singular não é conhecê-lo como tal. Demais.

o singular e o corpóreo. e. porque a ciência divina é causa das coisas. como no homem mesmo se vê. que mais coisas abranja. DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. pela sua única potência cognoscitiva. mas também o que constitui o princípio de individuação. a razão não é a mesma. que. é manifesto que. assim o anjo. Os anjos. não só quanto à natureza universal. Ora. inconveniente é dizer-se que o homem. os gêneros de todas as coisas pelo intelecto o universal e o imaterial. tal modo de inteligir não convém aos anjos. de modo a também serem objeto do conhecimento angélico. pois. por essa mesma abstração das condições materiais. Por isso. quanto mais for um ser superior. mas também conhece a todas. Portanto. assim como Deis. RESPOSTA À SEGUNDA. De Deus efluem as criaturas para subsistirem em as suas naturezas próprias. Pois a ordem das coisa postula que. especifica ou acidental. porém. o intelecto. E. conheça alguma coisa. que só por abstração intelige as coisas. superior ao próprio. conhece tudo o que conhecem os cinco sentidos exteriores. e. como causa. por uma só potência intelectiva tem ambos esses conhecimentos. Quanto ao modo. O Filósofo se refere à nossa inteligência. pelas espécies neles infundidas por Deus. não se assimilam às coisas materiais. pelo qual o intelecto angélico conhece o singular. e o mesmo se dá em outros casos. como já se disse6. do mesmo modo conhece. embora seja uma potência única. por serem elas certas representações multiplicadas da única e simples essência. Deus é a causa da substância total da coisa. não conheça. logo. por natureza. conhecem a coisas. como a diferença entre o branco e o doce. de Deus. o sentido comum. assim também os anjos. por diversas potências cognoscitivas. material e formalmente. pelo sentido. sendo o anjo pela ordem natural superior ao homem. mas como o . podemos explica-lo assim. tanto pelas naturezas universais como pela singularidade delas. tanto mais íntima tenha a sua potência. e certas outras coisas. mas também quanto à singularidade delas.Portanto deve-se responder diferentemente. Ora. eflui para as coisas não só o pertencente à natureza universal. o abstraído torna-se universal. como já se demonstrou5. Aristóteles não admite que uma disputa conhecida de nós Deus a ignore4. por qualquer das suas potências. pela sua essência. que nenhum dos sentidos exteriores conhece. Assim. assim como o homem conhece. que o anjo. como uma coisa assimila a outra por conveniência genérica. Donde. Pela qual causa todas as coisas não só é de todas a semelhança.

Q. De Anima. por este mesmo modo. VII. mas também materialmente. CLIV. 5. 20. por preexistir. 5. 55. cap. q. 2. q. todavia. a. ad 4. Quodl. cap. De Verit. art. 3. 1. as espécies da inteligência angélica. Os anjos conhecem o singular por formas universais. que são certas semelhanças das coisas. 1. assim. ad 4. . 4. cap. 3. a. In Isaiam. De Malo. Q. q. E. Q. a..superior se assimila ao inferior. ad 1. O terceiro discute-se assim. 50. já antes ficou dito7. a. 3 Se os anjos conhecem o futuro.. CXXXIV. III. II. a. I Physic. o sol com o fogo. E.. X). não só formal. a. pela mesma espécie. Q. a. q. 8. 54. 55. Parece que os anjos conhecem o futuro. VII. a. IIa Iiae. 6. q. 16. 7. pela mesma razão. a. III Cont. (lect. q. a. 2. (lect. 3. tanto quanto aos princípios universais como aos princípios de individuação. Em Deus há a semelhança formal e material de todas as coisas. 3. III). 12. RESPOSTA À TERCEIRA. como na causa. Assim. I Sent. XI). 5. XII). Gent. ad 7. que. Theol. (Infra. dist. Compend. De Spirit Creat. dist. 2. 86. 8. 4. a. XXXVIII. 7. 14. Qu. 2. ad 3. 95. 2.. 2. a. q. a. Q. como podem conhecer muitas coisas. tudo o que se encontra nas coisas. a. são semelhanças das coisas. nele.. I de anima (lect. Art. dist. 1. III Metaph. 5.

Ora. Ora. são de todo desconhecidas. ao presente e ao futuro. pois. como. ex. Mas. assim. Ora. os anjos. As coisas. quanto mais universal e perfeitamente conhecem a causas das coisas. Pois. que mais agudamente vêm as causas. o intelecto do anjo está acima do tempo. como o que é casual e fortuito. 2. 3. alguns homens conhecem o futuro. Demais. Demais. estas se referem igualmente ao pretérito. assim como os médicos. mas na minoria dos casos. tanto mais que nós.. são conhecidas. mas por espécies inatas universais.. necessariamente oriundo das suas causas.1. O que é próprio só à divindade não convém aos anjos. Na sua causa. Logo. O anjo não conhece por espécies oriundas das coisas. SOLUÇÃO. os anjos conhecem as coisas localmente distantes. pode ser conhecido pela ciência certa. com maior razão. que o sol nascerá amanha. Este modo de conhecer o futuro o têm os anjos. os anjos não conhecem o futuro. 4. Logo. para o intelecto angélico não difere o pretérito do futuro. conforme a Escritura (Is 41. porém. ao evo. então o futuro. é ficaremos sabendo que vós sois deuses. Porém. e. Ora. não certa mas conjecturalmente. 23): Anunciar as coisas que hão de vir para o futuro. a inteligência se equipara à eternidade. . as coisas oriundas na maioria dos casos das suas causas. O presente e o futuro são diferenças de tempo. melhor prognosticam do futuro estado da doença. Demais. Diz-se que alguma coisa está distante tanto temporal como localmente. também as distantes no futuro. p. Logo. é. Logo. provenientes das suas causas. De dois modos se pode conhecer o futuro. pelo conhecimento. e. Ora. o médico conhece de antemão a saúde do enfermo. resulta que os anjos indiferentemente os conhecem. os quais ele conhece indiferentemente. é-lhe sinal próprio conhecer o futuro. Logo. os anjos são superiores aos homens. em contrário. como diz o livro Das causas1. i.

ou pela revelação de Deus. conforme já antes se disse2. o símile não é o mesmo. Embora. havendo sucessão no intelecto angélico. na sua substância. ao pretérito e ao futuro. não podem ser conhecidas por meio de tais espécies. todavia. não só as provenientes das suas causas necessariamente. por isso. está presente a todo o tempo e o encerra em si. ou na maioria dos casos. Embora o intelecto angélico esteja fora do tempo que mede os movimentos corpóreos. deste modo. Mas. Deus move a criatura espiritual no tempo3. E assim. como também as casuais e fortuitas. senão pelas suas causas. em si mesmas. RESPOSTA À SEGUNDA. assim. só Deis conhece as coisas futuras. RESPOSTA À QUARTA. RESPOSTA À TERCEIRA. de um intuito. é deficiente. assim. estes tempos não se referem igualmente às espécies. podem ser conhecidas. não pode ser conhecido por nenhum intelecto criado. Ao passo que o intelecto angélico. como já e disse. em comparação com a eternidade divina. As distâncias locais já estão em a natureza das coisas e participam de alguma espécie cuja semelhança existe no anjo. quando se tratou da ciência de Deus. o futuro é conhecido em si mesmo. E. p que não é verdade das coisas futuras.Por outro lado. Os homens não conhecem o futuro. as coisa presentes são de natureza a se assimilarem às espécies existentes na mente do anjo e. por estas. pois Deus vê tudo na sua eternidade. como se foram presentes e as vê todas como em si mesmas são. Deus. Pois. E. pois conforme diz Agostinho. sendo simples. Pois esta. a espécies existentes no intelecto angélico igualmente se refiram ao presente. Por onde. o futuro. DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. como qualquer outro intelecto criado. Por isso. os anjos conhecem muito mais sutilmente as coisas futuras. não lhe são presentes todas as coisas feitas na totalidade do tempo. . Logo. nesse intelecto. há todavia. o tempo segundo a sucessão das concepções inteligíveis. as coisas futuras ainda não têm tal natureza e. percorre todas as coisas feitas na totalidade do tempo.

Ora. porém. Prop. que as existentes na fantasia. 1. 3. ora. o corpo. q. a. XXI). Parece que os anjos conhecem as cogitações dos corações.. 14. a. 4 Se os anjos conhecem as cogitações dos corações. 13. como diz a Escritura (Mt 22. (cap. a. Portanto. ou o cristal que. 8. estas. 13. 16..1. um anjo pode ver o que está na consciência do outro. é. Q. vista lhe fica a figura. na beatitude dos ressurgidos. só em potência. 36. Pois. 2. (De Verit. vista foca a espécie inteligível que nela está. lect. resulta que o anjo pode conhecer as cogitações do intelecto. As figuras estão para os corpos como as espécies inteligíveis para o intelecto. a.. cap. XII. De Malo. os ressurgidos serão semelhantes aos anjos. resulta que pode lhes conhecer o pensamento. vista a substância intelectual. As coisas que estão em o nosso intelecto são mais semelhantes ao anjo. como um anjo vê outro. . e. Demais. as existentes na fantasia podem ser conhecidas pelo anjo. 30). Ora. como seres corporais. 2. Art. Opusc. ad litt. X. Demais. a. II) O quarto discute-se assim.. pois. Gregório diz. então.como se trata do intelecto de cada um. Logo. um será conhecido de outro como a si mesmo. a fantasia é uma virtude do corpo. pois aquelas são inteligidas em ato. a consciência é simultaneamente penetrada1. i. 2. a propósito da passagem da Escritura (Jó 28) Não se lhe igualará o ouro. I Cor. Opusc. e mesmo a alma. VIII Super Genes. a. 8. Logo. Logo. 3. II. 38.

o que a seguir se demonstrará3. não só pelo ato exterior. é próprio de Deus conhecer as cogitações dos corações. em contrário. DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA PERGUNTA. embora também diga não se possa afirmar como isso se realiza. assim. quanto mais sutilmente compreendem tais imutações corporais ocultas. 11): Ninguém conhece as coisas que são do homem. pelo pulso. E tanto mais os anjos. Sendo a razão disto que a vontade da criatura racional só de Deus depende e só ele pode agir sobre Lea. o primeiro obstáculo desaparecerá na ressurreição e não existe nos anjos. Por isso Agostinho diz que. Ora. ou espécies inteligíveis em si existentes. SOLUÇÃO. da qual é o objeto principal e o último fim. o que é próprio de Deus não convém aos anjos. diz a Escritura (1 Cor 2. mas também pela imutação do vulto. Ora. a claridade do corpo representará a qualidade da inteligência. mas ainda as concebidas no pensamento. Portanto. Assim que um poderá ver a inteligência do outro. por serem sinais expressos no corpo pela alma2. e tanto mais sutilmente quanto tal efeito for mais oculto. e os afetos. só Deus pode conhecer as cogitações dos corações e os afetos das vontades. Pois. E por isso. às vezes.Mas. . não só pelo anjo. quanto à quantidade da graça e da glória. De um modo. uma cogitação é conhecida. quem tem o hábito da ciência. ou os demônios. as coisas existentes na vontade ou que só dela dependem apenas de Deus são conhecidas. por vezes. é manifesto que só da vontade depende que alguém considere alguma coisa atualmente. segundo a Escritura (Jr 17): Depravado é o coração do homem. pelo seu efeito. não só as exteriorizadas pela voz. que nele mesmo reside. mas também pelo homem. E assim pode ser conhecida. enquanto existentes no intelecto. Atualmente o pensamento de um homem não é conhecido de outro. os anjos não conhecem os segredos dos corações. A cogitação do coração pode ser conhecida de duplo modo. senão o espírito do homem. por duplo impedimento: pela crassidão do corpo. deles usa quando quiser. ou pela vontade que esconde os seus segredos. pois. assim como também os médicos podem conhecer certos afetos da alma. De outro modo. as cogitações podem ser conhecidas. E contudo. E. Mas o segundo permanecerá depois dela e existe atualmente nos anjos. Ora. e impenetrável: quem o conhecerá? Eu sou o Senhor que esquadrinha os corações. enquanto na vontade. compreendem mui facilmente as disposições humanas. Logo.

uma dessas espécies inteligíveis. X. a parte inferior da alma participa. de certo modo. 4. a. nestes. que os anjos conheçam o movimento do apetite sensitivo e a apreensão da fantasia no homem. 1. na sua maior e menor universalidade. 4. mas segue a impressão de outra causa. q. O quinto discute-se assim. V). XVIII. O apetite dos brutos não é senhor do seu ato. dist. conhecer o que está no apetite e na apreensão fantástica dos brutos e também dos homens. cap. antes. da razão. corporal ou espiritual. pode usar destes de diversos modos. Q. Moralibus. 9. I Ethic. lib. não se segue que o anjo. . lect. pode. Embora um anjo veja as espécies inteligíveis de outro. 2. 3. como outro. enquanto movidos pela vontade e pela razão. RESPOSTA À TERCEIRA. pois. como sempre acontece com os brutos. Ephes. qa. 105.RESPOSTA À SEGUNDA. 4. por aí. como obediente à que impera. De divinatione daemonum (cap. (lect.. a. os anjos conhecem as coisas corpóreas e as disposições delas. III).. 4. pois. Art. III. por ser proporcionado à nobreza das substâncias o modo das espécies inteligíveis. E. Contudo não resulta daí necessariamente. XX). Como. Ia IIae. conhecendo o que está no apetite sensitivo ou na fantasia do homem. enquanto. conheça o que está na cogitação ou na vontade. cap. Parece que os anjos conhecem os mistérios da graça. todavia não se segue que um conheça. a. por isso. o apetite sensitivo se atualiza por alguma impressão corpórea. segundo diz Aristóteles4. XLVIII. (IV Sent. 6. porque o intelecto e a vontade não dependem do apetite sensitivo e da fantasia. pensando atualmente. 5 Se os anjos conhecem os mistérios da graça.

7): Porque o Senhor Deus não faz nada sem ter revelado antes o seu segredo aos profetas. senão o Espírito de Deus. muito menos poderá conhecer o que só da vontade de Deus depende: e assim argumenta a Escritura (1 Cor 2. ninguém aprende o que conhece. Mas. os anjos vêm a sabedoria mesma de Deus. quer pela essência deles. dentre todos os mistérios. Ora. conforme diz a Escritura (Am 3. dependentes da vontade deste. se um anjo não pode conhecer os pensamentos de outro. o mais excelente é o da Incarnação de Cristo. Ora. em contrário. onde aos anjos que perguntam: Quem é este que vem de Edom? Jesus responde: Eu. 11): Ninguém conhece as coisas que são do homem. que dependem da pura vontade de Deus.1. de modo que fosse conhecido dos principies e potestades celestes1. e Jesus ensinando-as sem intermediário3. seus servos. Ora. a Sagrada Escritura introduz certas essências celestes fazendo perguntas ao próprio Jesus e aprendendo a ciência da sua divina operação por nós. não podem conhecer is mistérios da graça. pois. interrogam sobre os mistérios divinos da graça e aprendem. Logo. E isto mesmo se vê na Escritura (Is 63. mesmo os mais elevados. Pois. que nele mesmo reside. senão o espírito do homem. os anjos conhecem os mistérios da graça 2. como se vê em Dionísio2. Um. Ora. As razões de todos os mistérios da graça estão contidas na divina sabedoria. Logo. 3. . quer por espécies inatas. pelo qual conhecem as coisas. por este modo. que foi visto pelos anjos aquele grande sacramento de piedade. os profetas conheceram os mistérios da graça. os anjos o conhecem desde o princípio. Logo. Demais. assim também as coisas que são de Deus ninguém as conhece. Pois. 1). que falo a justiça. Demais. pois Agostinho diz. desde os séculos. Os profetas são instruídos pelos anjos. que este mistério estava escondido em Deus. natural. Os anjos têm duplo modo de conhecer. E. E a Escritura diz (1 Tm 3. que lhe é a essência. 16). SOLUÇÂO. os anjos. como se disse. os anjos conhecem os mistérios da graça. os anjos conhecem os mistérios da graça.

na visão de Deus. 100):Mais que os anciãos entendi. Embora os anjos bem-aventurados contemplem a divina sabedoria. os Apóstolos conheceram os profetas. alguns eles os conheceram desde o princípio da sua criação. por este modo. Tudo o que os profetas conheceram sobre o mistério da graça. outros. mesmos superiores. desses mistérios. o qual em outras gerações não foi conhecido dos filhos dos homens. outro modo de conhecimento angélico. DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. 10): A nós. Mas ainda. 4): Por onde podeis. E. desde o princípio. como diz a Escritura (Heb 1. segundo lhes convinham aos deveres. que os torna felizes. em geral. não conhecem necessariamente tudo o que ela encerra. Deus revelou-o por meio de seu Espírito. e Gregório diz que na sucessão dos tempos acentuou-se o aumento do conhecimento divino4. De outro modo. nem a todos os anjos foram todas reveladas. mais excelentemente foi revelado aos anjos. não todos. porém. por certo. o que se realiza pelo mistério da Incarnação. Em geral. lendo-as. conhecem. nesta matéria. aos profetas. não a compreendendo. mais e mais altos mistérios e os manifestam aos inferiores. E embora Deus tivesse revelado. RESPOSTA À SEGUNDA. mas na medida em que Deus quiser lhes revelar. iluminando-os. desde o princípio. conhecer a inteligência que tenho do mistério de Cristo. E isto de maneira que os anjos superiores. certas só mais tarde foram conhecidas dos anjos. nem todos os anjos igualmente. enviados para exercer o seu ministério a favor daqueles que hão de receber a herança da salvação. De duplo modo podemos nos referir ao mistério da Incarnação de Cristo. e assim a todos os anjos foi revelado desde o princípio da beatitude deles. contemplando mais profundamente a divina sabedoria. assim como agora tem sido revelado aos seus santos Apóstolos. RESPOSTA À TERCEIRA. conhecem os mistérios da graça. Por isso é necessário que esse mistério tenha sido revelado a todos comumente. pelo qual vêm o Verbo e neste as coisas. E a razão é que todos os ofícios deles dependem deste princípio geral. conforme está na Escritura (Ef 3. todavia. E.14): Em verdade todos os espíritos são uns administradores. assim. os posteriores conheceram o que não conheceram os anteriores. contudo. podemos considerar o mistério da Incarnação quanto à condições especiais. porém. . segundo a Escritura (1 Cor 2.Há. como se vê pela citada autoridade de Dionísio. antes. o que haveria de fazer para a salvação do gênero humano. segundo a Escritura (118. mais tarde lhes foram revelados. dentre os próprios profetas. porém. pela divina revelação. E.

cap.. hier.. Ad litt. VII. cap. V (cap. Super Gen.1. Cael. 2. 3. XVI in Ezech. . Hom. 4. IV. Hierar. lib.. Caelest. XIX).

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