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Unediston Galarna, hee “MICHEL ARRIVE -eM-BUsCn DE FERDINAND DE SAUSSURE ‘Moet meamaanoont vrei sa ds) 289908 eee Sumario ota do Editor. Abeta Pref uso nie uma nto, o deaou de 810... Capito primero ‘Uma vide ma lingagem ___ Capitulo segundo 0 Curso de initia ger modesto ensato de rele, Capitulo wrcaeo A semiologia sausuttana, ent 0 CLGea pesquisa sabre ends Capito quarto Fra discurso e facaldade da linguagem na reflesio de Sout Capita guint (0 "Tempo na rellesio de Savsure Capita sexto Sautsre volts com aliteratura Capita stimo Eo inconsleneem Ferdinand de Saussure? Capitulo oto Shussure, Barthes, Greimas. a Capito none {Crepitemaserepltomas, perdemas perdomas? ou "Como se'aivam’ ox ceeptantes") Aner Adabert Riot on echo em forma de confsio Biogen Indice de nomes es Indice de nog. pn eS 2 nen Nota do Editor selivo de Michel Are, Em busca de Ferdinand de Saussure chega 0s toes da Parola Editorial como uma publicao de grande destague. [és tinhamos necesidade urgent de om io sobre Saisie em nos ca tdlogo, Agora otemos, acreditamos ter eto excleteecoba Sempre se pode dizer que jé se escreveu demais sobre © mestre GGenebra: milhares de artigo, centenas de lives em todas as linguas Iimaginiveis, 0 Curso de linguistica geal tem incontiveis taduites. Haver, nto, ainda algo a dizer sobre Saussure? Michel Areivé demonstra que sim: Saussure continua a interest, a apainonar, inspira pesquisas,especialmenté pelo estatutoespecifin de sua ‘bra e pelo modo como ea foi dspontbilizada.Pode-e dizer que Saussure ‘lo publicou o que escreveu endo escrevu realmente 0 que fot publicdo sob seu nome, Prater acess auma parte d sua reflec, preciso esperar ‘1916, ano em que ts de seas alunos pubicaram 0 Cure de inguin {eral E, mesmo assim, Sausureprovocou um grande eft sobre pens mento do scale XXecontinusprevoct-lo no seule XXI Seu pensamento serve de pooto de partida ou de intetocucio para Trubetako,Jakobso, Helmsley, Martine, Benveniste, Guillaume, Barthes Greimas, Merleau Ponty, Lavi Straus Lacan outros. ‘A despeto de er publicado bem pouco enquanto vive [aos 21 ans, en LTR, x Mémoire sur esate prim des voyelles dan le langues in: ‘do-curoplennes, depos, 208 24305, em 1884, empl du gif abslu en sani Saussure esreve todos 05 dias, Seu eplio moataamilhares de Pgoas, que permaneceram inte, Em ingstic,eeminogia, sobre ot sagramasna poesia indo-aropea, sobre lend, Pouce a pouco, ess textos vem sendo publiatos, em cntraponto 20 CLG, por iniciativa de Robert Godel, Radelf Enger, Jean Staobinsi, Mar ‘ete Mel, além de outs. {nese movimento de eaproximaro de Saussure que se sun ee jus Lea est Em busca de Ferdinand de Saussure de Michel Arevé Ele aponta ara uma refleio que ainda et por ser fia € desta 0 pensamento de Saussure emo um pensimentodeinado acondas pelo proprio autor, em foemaci,cheodecavernas po explcat Em nove capitlos, M. Ari ntroga um novo Saussure, analsa€ Aiscut as principals nobes de que ele ratou dz da ginese da evolo lisadae pelo autor, a edigio brasileira de Em busca de Ferdinand de Saussure remete sempce 4 paginario das eds frances As tages foram ets 2 pari dae mesmasfonter utliaadss por Ait, paramanter maior coer com uae alts, ' Abreviaturas utilizadas nas referéncias aos textos de Saussure citados nesta obra 16 ~ Cane de inguin gra pablcado por Chale Bally « Ae Se hehe com a claborado de Aber Ridge Lawn Pars, Pao, 1916 Un volmein- e325 pps AS referencias gins se dada de scordo com segunda eli, de 1922 cj paginas deen rime (cab 25 tb Engle 1968-1989), sed retmada tem largo oda eget Poses — Apart de 1972,0eta speentada como wna "li cries rears por Tl de Mauro’ conte a mesma pagina mas € ompe ‘ado do apart cic edas tas do elitor Quando eas ear fe cad, ‘a eericis ada 0 CLG ‘wate, 1922-1904 — Rec des pbltonwietfqu, Gent Sono & ‘aur, Payor, dep Prs- Gene, Satine Un vlume ecaderna ‘deat pigs Sts, Veriton — [Cour de Weiticaton fang], lotsa Ge era Me fe 370158 Ssesre- Godel 1960 — Gel Robert (og) Soaenes de Fd usar on Cemant sauteed, Cars edad de Surat, 1960. 225. (Gade 1957-1969 — Le sours mamerites du Cours delnguiqu gine de Ferdinand de Sausre, Geter, Dre, 1957, sean e301963 Um vs mein de 283 pion, Ege 1968-1989 — ei cts do Ca de igus gra de Ferdinand Susur, 1. As ete is pginas do CLG so dads sacesivamete ‘segundos I ein (1916) depos, de cords com, Wiesbaden. Oto Har ‘owt, 1968" ed), 180 (2 ed). Um volume encadermado in de 515 Pigs. Engle 1974-1990 —iho cca do Cao de igus gral e Ferdinand se Sou 2, Wisden, Onto Hartston, 1974 (hed) 1980024). Um vole in de I-VI pias. Komen — Premiere rae cour apse not de Ringer et Conta ti Tego Unseidade Gash 193, egpeda,Unevolume encanto ina 368 pins Pare, 199-1994 — Lex mani susie de Harvard Chir erdinand Soc, (79.24, Berto Ferdinand de Sais, Exitos de nga gel ext esableio or Simon Bouquet «Radl Engle Pars, Galina 202. Um lume in 8° e355 pass Staonal, 197) — Ler mos sou ke mas. Les anagrams de Fran de Sus, Pari, Gallimard 1971 Ui omen de 1657 pis {EG — Legend emanche, eros eleonadreatatads por Anta Me ‘neti e Marea Me, Ete Pan, Liars Ere Zl, 1986. Un volume In dS pgs “Trtan-Komata, ise, Tebtan- Notes de Sousa The Annual Coen of nae and Stu, Faculdade de Leas, Universidade Glas, vol XXXIT (4985, 49.29. Eu leo Saussure hd mals de cinquenta anos. Com eft, fi em 1955, época em que eu ainda era um estudante secundaria no Lick Heat! IV, ue noso professor de flosofia Louis Guile espeilita em Plato © ‘em Kant e que, de ver em quando olaborava com Temps madermes,chamou ‘a atencd deseus alunos para existéncia de um iro que“renovava abo dager lostica da linguagem”0 Curso delingutica eral, de Ferdinand de Saussure Acho que meus colepas nto manifetaram um enusiatmo dein te aguele temp, of etudospreparatris para a Escola Normal Supeio, ‘ue eram muito “teriris” ¢ muito cisco, fteressvam-t quate nada elas cidnias humanas e quae ao reconhecam a eistincla da Lingus £2, Outro profesor nosso, Maurice Lacroix — experientee muito brilhantd lens, dtado de um humor muito combative autor de um dlcionirio ‘reg fancts, que podeiaperfetamente substitu o antigo Billy —, 20m ‘ava de maneia mordaz,em uma aprovagiopenrica mult serv do titulo «de um coldquio: “Humanidadesectncas humanas' 9 mesmo que dizer "Reaidade ecaicturs™ ‘Se minhasrecondagesdolvro de Saseure sf to boss, par que & que fale inerertar por esa taco, io evasiv? Tale por causa dosesquemas lipicas do sgn, que Gilet exiba, de ange, pars sua dase? Ou por ‘conta ds meng feta plo flo aos concitos de incroniae de daconia, ‘os quai pense|denficar um dtanclamento da istva, que cu detestvat indo sel mais 0 crt. Some ebro de que cos para alivraria das Presses ‘Universtates de France [PUF] — eam que visfaos na pré-histria! ~ € qe compel. incontnene, meu peimeto exemplar do Curso de lngustica {ral Ele ern epoca, adept de suas 37 pina’ um volume relat ‘vamente ie: anda no fora encorgado plo aparato cio e peas notas de “Tullio de Maur, que a6 vieram a ser pabliados a partir da edo de 1972 Depo dist, nunca mals deel de ler Saussure. Estou agora acho no smeu qunto exemplar. que ji chegou 2520 piginas, do Crs de ingutstica ‘ral, Compo sstematiament, + prego redusido, odo exemplar que des ‘eabro em uma lvrara qu et farendoalguma promocio ou em fiat pelo terior. sto sempre &procur, eno exclusivamente a pepo de oce so, da ediio original ade 1916, esencalmente diferente das postrires por uma lige dierencadepaginagio. A partir de 1964, passe ler com um intereseapuixonado os artigos ‘os qual Starobineirevelava a perguss sobre of anagrams. Simultanea- mente 38 tabalhos com os anagrams, de uma manera pouco divulgada, Starobinskipablicar alguns elementos dos trabalhos sobre end, 4 époce rio completamente difeenciados da pesquisa anagramatia. Muito discre- tamente também, extealda de um “eadermo escolar sem tule’ eapubleada "Nota sabre o dzcuea, qual etvareservado um belhante futuro nz Iteratarasaseurans. Ela pode se lida facilmente nos Ecriayp. 277 Experi até 1970 para pblicar um primelro texto relative 2 Sausure 0 ltl cespeita do Cars de ingustica geal em La grammar, lectures, cobra de nila lingustica através de tests, qu ere em calaboragdo com Jean-Claude Chevalier, Depo, publique cece de trina artigos sabre Saussure, nas mais va as publicagies, desde o muito “midiico™ Monde des livres at as mais Ga ein er im de pias CL per spud ei. megane deppar aepiness pens Aiscretsrevistasdehistrada linguistic oa mais confidenciis “mice ines” ou cletineas de ts de coloquiog ‘Vou um pouco adlante ness mit aitbiografa: depots de mais de inte anos, tenho a inten de dedicar a Saussure nfo mais artigos, ma um ivr, parqu preciso de coragem de dizer ical fz muito tempo, tomo ‘como ofensa pessoal tod e qualquer publcagio de um lv sabre Saussure vendo eja meu poe-seimagina,ento, quanas ves me sent wad esse tempo todo, Todas o nosso publiadasvrias obras sobre Saussure, GGragas a Deus, no conheso todas elas, mesin que meus antigo alunos j= oneses oceans, qu se toenaram profesores, nsitam esrupulossmen- teem me pra par de toda e qualquer nova publica em usps me ‘onvidem a prefacir seus livros sobre Saute No ¢ precio diver que me (Engh 168-1909, 5859, Koma 05), ‘Aquisnada de esti, nem mesmo de ierarquirasSo ctr a ingle: teas Simplesmentea dstingo de dois campos primes, e devs de se ‘concentra em um dees. Nada edi acerca dat rzdee para essa limita, Seria muito audaciou ver agai apenara presse da ugéncaepistemeligia? (0 que se impe do modo mais imperioso Angus, tl como concebi or Saussure, € estado da lingua. Mas leet exclu fala de seu campo. Em suma le prev o lar da linguistic da ala do mesmo modo — sim: Plesmente menos explictamente— que situa antecipadamenteavemiclogia no inveniro das ciécias. Benveniste, a0 que me pace, a se enganaré nese aspect, mesmo mantendo grande dtrio. preciso marcar tao sg em fatos do leric, eles mesmos atravancade pela olssemia do terme fa. Contato, difellment se podria contetar quem vrs passgens {fea wlzada como equivalent a enunciagde, por exemplo nessa bela def igo da bls A Bastia 4 de um exrno «out, um proean dei ea conde, de ‘ert modo em bit name de Deas pore ae (P16 1, 2542556 ‘utes exumplos ns pp. 82,2006, epeciaimente nap 29) otranhamente, exteramente a linguisica que qe sempre encon ‘ramos as mas hcidasavalages Sobre a fala eo dlscurso em Sautsre. La ‘an, por exemplo,reconhecer a impertincia da flan flat de Sassuce, ‘Como nos epanta ue to advenhs de am pscanalists, para quem oext- coda fala algo de to fundamental? E ainda precise dizer que apesr de sr exposta como necessria ima slingutica da fla 8 énormalmenteabordada por algumasalusies fugidias no CLG. Potant,¢ convenient etornar lingua, ede imediato rnogio de sistema deegnos. Necesariamente, fel iso em dots tempos: & indispensiveldesreveriniialment os signos par, em seuids,consderar forma dos sistemas que ees constituem, Signo saussuriano precto comer Seguindo Saussure em suas cbservagSespesimistas sabre a erminolgia dos objetos linguistics. Ese € um motivo recorrente fem suas meditages ugar ure terme ques saa (gn, temo, pala eth ele to Fiche ont ce heen a ‘no menos sgnificativo, dss linearidade temporal: inearidade espacial qu afta inevitavelmenteo “signs grificor” quando ele siosubtituidor or "significant: sisticoe Porque aq Saari no hextaem aplar para ‘escrita —em outros gars rebuiads — pata dar apoio suplemencar seu segundo principio (Josie scatins iapdem pens ins do tempo: ses deme terse spresetm um depts do outro: formar una cade Easacaracterie ‘parece imeditarene asim quo represntamos pea esr bain * acesono tego pel inba espacial dos gos gifs (CLG, 109. Estamos vendo: lineriade do sigalficante&exatamente a sujeifo dos “sigificantes acdstics, também chamadas de “lemento’, 20 tempo (Qusnto& wlizaio da escrits como argument aii, elsencoata uma Justlicacdo eeica completamente focmazsda em uma fragmento dos Me ‘uscitoe de Harvard dedicados "fio e fica do som © tempo & par audi 0 gue oepag & paras vio (Pre, 993.198 194206, ‘Ags, convém instr vita de anna ote dif problems: com ‘carter linear do significant, estamos em presenga de ume modo de inte ‘vengio do tempo na linguagem.Adiante, veremos que hé um outro modo: diacronis. A ditngSo ete linearidae diacronia parece, pemeta vst, facil Mito ici: logo nos damos conta de ques fonteira que as separa 80 ‘estngue, De modo que st confuses que poder er gerada do so todas ‘completamente ilgtimas. Lacan ele de novo, sei, por conta de wuss he- stages, uma tetemunha dl: 20s entoar um pouco no terreno ¥ago no «ial ads nogées se encontram, ele questions petinntemente wm Ponto ‘ental do aparat susurino, ‘pci on un fap to amen ed opener abo. {ilo "Oundle ten sep ten ova ecu cone Gea ‘imam fsen stn poser eet me mance ov deta ‘ha Couns iar ct came pnd mp ma pro tene Ab ‘Sitehloaepenncrces ttre bcp Moen coe ao, enjain incdaumene stndutine nape Otome cage ame et ‘Sie Ofna nn cea os ccs hendae pe eo een as ‘Seen aes one 0¢20) Experemos entrada da diaronia em cena para tratar dese problema «por enquanto,Aguemos na lineadade. Em ostrapaseagem do Cusp. 145), depsramos uma nova aus, misito rida o carter Linear. que o toes, talverpreocupados em evitar uma repetgo, eu exremamente se sivei &dificsldae do problems, redstram s dusslinhss(egudss deus ‘referencia & pssagem supractada) as sentengaslongamente desevelvidas or Saussure. Rledlingeranotou na forma absio a parte mals important: Mash agama carats capital da atria le, sind nko sien teenie decades presenti 2 nb com wma cal scsi 0 gue provecsimediatmente oar temporal quo de ter apenas uma dimes Ho Poderiamor der que €um carter linear «cade df, ossament prevents a sco uma linha leo de M Ae so tem um aleance tment pars oda lige posterior qu vik a x etablece Arif renga quliatvs (deen eum voglpars otra de acet) cheque 3 ter aduidasucesvamente NS podemos er s0 mesmo tempo una og scentuadae tom tudo fora unalinha. alls, coma em misc (Godel 1957 1968, 20-206, ng 1981585, 234) atamos vendo: Sausure nto Se embaraga mais com observaces ques toniveissobreo significant como "represetando uma extensio™. Fle des tacaexplictamente que €a“edela da fala" que €afetda pela inearhade © Indica caramente que es sued 2 tempo provémdo carter material dos ‘ements fnicos que aconstuem. user ports de doutrina parecer muito presenes nas Notas em. A terminalogi, claro, éierent: Saussure fala aqui nto de carter linear mas e “uniespacalidade” (Ee, 10), de “temporada” (Berit, 11). Mas ‘muito claamente dito da primeira que el afta o “som, ito etamoe ‘tee gen tin aig trate ap ‘Gre tmbom nara gu an bem erecta can a ah (ui) "> aoa en oe ens coms us La os age 16-29, bcm Sprites cena i pen ta, TT Ml (99 8) 0 mo tment xen tnd de png ‘ono ngs cna" Pr asin ee SS a rn sel pty Sa Ee z cnt tem tse oe lembrados cp. 42), a “figura vocal” Quanto segunda, ela abrecaminho 0 comentro seguite tem A tempoalidade, Quanto mies esus ise queéadvisbéade or rgmentor de empe da cada sone (i fat vibe pe. ‘nara qu cio mesmo tempo, os caracteres |] eases, oo quel each que at eidades ds inguager todos rniadey, 20 aso queda muito simplesmee todos subdivatves no tempoepaaleamente ‘Hane gue podemor tbuca cada fagment de tempo (Ee, 1) Claro ue a pesos jams conheceré os “caraceres” cjasqualidades Saussure dexou em um estado de vazio definitive. Masa parte chelada nota ‘Eelam: ¢eatamente sua maniestago pela cade sonora que confree- porlidade aos elementos ds inguagem, ‘Amit bl, mas muito abscurametifora ds Interna mages (rs, 109100,112) parece conirmar daramente aplicaio ds temporsidade is figures vocals, eapena a elas Mata nogio de “figur sintetintvel” epouss, ‘sem divida, na posilidade, consderada de modo simutaneamente Fug ia e enigmatic, de “abandonaro principio da sucessto temporal’: encon ‘ramos aqui uma reflerso que parece anuncaraqula que encontaremos na pesglsa sobre os anagrams (cf Gandon Le nom de Fabsent, 2007, aqui ‘mesmo. 63) Ao mesmo temp, pensamos na dlcadisima nog de “ent ade sintagmaiaabteta"(CLG, 190-191 Engler, 1968-1988, 78.313, onde ‘nog se articula com a opoio entre dus “orden” dicrsvae fli +) Em sua formulag nat, Sussre parece ter sdo vencido pel timid: fetvamente, tate justamente da possibilidade de integra plenamete 3 sintaxe — tds asintaxe— linguistica da lingua, sabelecendo esse objeto ‘spacentementeauocontraditél: umn etidde de ings fundada em wm {ato defala Exes problemas reapaecerio no cau. ‘Apaguemae eet obscura Interna magica etomemos o esino do (CUG.Reteascriton no léxce defini do CLG, 08 pontos de doutrna pe ‘em claros:osignfcante linear porque material sua materialidade que leva os "lemento” (0s iniicantesacdsticoe") ase maniestarem sues ‘vamente no tempo daa, sto € da atalicago conereta dling. aqu que surge primeia diiculdade:o priacipo parece indicative ‘sc osignificante asinilado so som os sgnificantes cto) for eel mente material: Mas leo ealmente Vimos cima qu Saussure apeients ‘como wma evidécia 0 carter no material do significant: nap. 164 (ct qu p54, edi como evidente a ndo prtndnca do som ing logo depois, no materialidade (le iro carter Vincorpéreo") do significant [Aqui se eeclarece uma dstingSo que srs totalmente frmalizads por Hie mle aquela que no seo do siniicamte (asim como do significado, lis) Aistngue os dos plaos ds forma eda subtancia. Viens acims que em"A Aisiolvelment as dss letras do pine. Vimos anerormente um dos sspectos deste vincula.Aquee que agora se reveanio est em contradigio| ‘com le, le decree do seuinte: pats que a ingua poss sr defini como tam sistema de valores pos €impescndive qu as relages entre a ui dudes lnguistiasndo jam determinadas por nada de externa lingua” 1 pressio do referee — aqua que fri intevir nas lags ent signos “um elemento imposto desde fra” ~ aqui deve ser nla Ese & 0 mativo pelo qual preci insalaro arbitra entteosigne eo eferente Mas emo ater en pum ei pone a pw min tae Corsopenerataconn Vnae refereme no tem, de imediato, nada fer na lingua, oinico meio de instal o abirro &desloct-lo esta ene os ines planos que ém slguma pertingnca linguists: sigaificamte eo significado ‘Uma simples leurs do CLG ¢ sficlente para valida a nterpetaio do sublet cono inditolvelmenteigdo 4 concep da ling conto st tema de valores. nterpretaio, aif, qu fora dade mais ow menos expli- citamente, por alguns dente os melhores letores de Saussure (por exemple, {Casdine Normand, 200, ou Anne Hénalt, 2002 € 2006). As fontes mt- ‘sci? Els confrmam totalmente esa anise, tanto nas notas tomas pelos cavntes nau de dejulho de 91, que aabaros de iar, como na notagiofeita por Constantin algumassemanasantes,exatarente no dia 12 demo io penetramot tat quam secessro no fener do ari] popit mente le pe em presega dus rae ‘Aide de elo arbi interred lags qu & precio dita guircom maar eattde Temes, de wm lado, reaga de queer: (Komatsu 508-302) Vem que o problems do aitririo do sign, a despite desu impor. ‘cia mahistria da lingua, €aqul edunid a uma Fungo come dizer, talver no sobaltern, mas drivada:trata-e apenas da consequécia eos [Saat briana co occa means prom on pe omaepStec "Se deoratdsbsrds consign homanimpor myer Ov man ‘rodeos ar cetera 10) Meares ov de Suu, cere pte cane San ule doa tivo lau (acorazal” eo verbo darchblauen "meer de pancadas”.Apeser ¢:serem totalmente dstintosenquanto sgnosnenbuma regio no nivel de slgnifcado entre os dos Bau), esas duns plavrasnio sto menosassocadas pelos sets falantes abo efito do nico significant, Aqul,eeuvamente, pevebe-s um dicretoenconto com Freud: andie do Witz ou do apso ‘ecote bem osabemos, de acordo com esas asencacSes. i percebemos claramente: 0 funcionamento dos dois tipos de rel es diferente As peimeiras elas, sintagmtcas, se estabelecem entre tnldades igualmente presentes no discurco. por iso que Saseure fal, 2 respeito dels, de “elages in pasta”: As segondas asociatvas, nem termes ausentes da cadeia discursiva: elas recebem o nome de “eagBes fn abentia™ (CLG, 171) Mais tarde, Jakobsoneeformala ¢desenvolvers crs andl, Ee evoardSaussore explctamente,nfo sem ates helenae tama leveeitica post mortem. Em Jakobson,asrelaSessntagmaiase pa radigmaticasdecorceri respectivamente da “combinasio™ eda “slego™ (1968, 48, Sincronia e diacronia De todas as dicotomiatsausutlanas, mio hi dvds de que € da sie rani ¢ da dlacronia que experimentou a mals conserve extenso part fora do campo da ingistica stricto sen. Talver sj de agua utlidade retomar a letra do texto sausueano. ‘A reflexo de Saussure se stua no nivel da eistemologi gral. E do Interested "Yoda 8 ciéncias™ aca mai srupacament oie sabre os guns to stuada at colt ‘equa oupas seria neces dtinglrem odo oagare segundo fic seguine ho cram bos gr cae cai queda tin ‘gob cn porcupine ccm sbi ee aes ero (SSdeam| ows Dl Mare tgiede ce etn olen eave [prathenbe to eran gun et ngs ma armas a Sa pape matic nam ‘rm enfant Sia Fopa eauen snda dee tale 90 50) gue tepecieamen dsc cL iy ape ab 15 Seem oe pers ieee dela 1 iz ds smutanidads (AB, cle rege ete ois coi vente donde quaboerintervengio temporal et exclda.e2 ozo dase esivdades (CD), gu pode considera pa coisa por ve monde das toda cia do prime com sas mangas (CLG. 15) CContodo, ss dstng se impbe As Gnas com uma necessidade va rive. la €expectalmente til as eiéncias que tabalham com valores (por ‘exemplo,aeconomia polit) e absolutamenteindispensiel para aguas {ue tomam como objeto "um stem de valores pros” (CLG, 16 linguis- ‘ha qual"osdadosnaturis lo tém nerhom lugar" —&o seu modelo. que vem ointereste de propor espcicamente para linguistic oma terminlogiacopecifies: ie entio, osugimentodailste dupa sinronia ce dicroma (CLG, 117), ‘Acessa altar, perceberos, uma ve mals, a interconesorigoros tabelecda ene os conceitos da reflec sussuriana: €impossivl pensar a posit dos dos cites em pensar, 0 mesmo tempo, a engi da linge como astra de valores — evi versa Faremos a mesma consttagio — mass depois de um itinersto um ‘pouco mais tortuaso ~ a0 enfentaro problems, apuncadoacima, das Tages entre diacroin ineaidade Com efit, cabamos de nos da conta de que a linguistic dacrnia é agua que eva em conta lingua como submetid aoe efetoe do tempo, Eletos paradox: aparentemente devas ‘adore, eles esti sobmetidos a uma regulalo que permite Kingus sobre vera todas as mutilages que ela padeceeretlizar as aftontas qu Ie so infigidas para reonaiturineessantemente seu proprio sistema. £0 ‘que nos diz abla metfora a roupacaberta de remendos fits de eu pepo pano® (CLG, 235). Maser diaronia oGnico odo deinterveng30 o tempo na Kingua? Cato que no! Vimosacima qo o segundo pring oslo, o do “carter linea o significant’ também lvant o problems —— ee EI vido lado vvend dante visio clos —, aver ps conse ‘enhumaakeraeo tempo no ape sobre ela (CLG, 1 -Apimeia vist a reflexio que pe em cens um individu alan so- nh durante vis sfeulos parece tipcamentestussuriana, Engle, 1968 199,174 reve qu ela fl ntroduida pos edtores. Mas, a meu ver, ela se nscreve perfetamente a argumentario de Saussure. Quant 20 tle. {que tenus levementeaafirmativa, ele et larament epstrado mas nots dos ouvintes. Mas, 2 segui&praticamenteapagado pela argumentacio, que ‘lo o leva minimameate em consderasi, A fSrmula pit —o tempo ‘io agra sobre a? — ¢plenament cateirca. Mas de que tempo se est falandot Do tempo “sbjtvo” da lneardade,inspariel de todo ato de fala, haja ou nto “masa flan"? Ou do tempo “objetivo” da dacrona, Sr cei en ge a inn del dem ‘toda ean aut” Yee spe a eng, {Sts ode kts pe sug enki en eo sole cmopure fale aus eh gue provocs as mutajbes inguin, por sia, ptr do momento em ‘que a massa fant” intervén? Em outro vo", pensei poder considera ‘como “event” antrpretago dese tempo com o tempo da linesridade ‘Niochegarei a pont de me contadizer,escalhendo 0 tempo ds diacronia ‘Mas, agora, me parece que & propriamenteimposivel deci entre ot dois, orgue nese pont, se encontam, en um nb mito bem amarrado, dois ‘Tempos sausurianos odalinearidade do ato de fala — indispensivel deo tugdo da Kngua — e oda discronia que 6 em snes, o mesmo tempo, 2 patie do momento em que a masa flute interés. 1 vimos que taher 2 doplicidade da concepgio sausurians do tem po mio seja mais que aparente. O dnico fator de separago entre o tempo a linearidade e o temo que inervém na evolugio dacrbnica & “mas ‘sa falante™. Para convencer-nes disso basta-nos rele a passage do CLG, 250: a rdagto entre as duas enunciagbessucessvas de Senkores em wm ‘meso dscuso aquela qu se exabelece entre pa eabetantiv:“pasia”) «pas (adverb de negacio) ou entre calidum e chaud no so diferente: “0 segundo problema & apenas um prolongametoe ina complica do ‘rimeio” Em resumo, hi apenas urna nia identidade doe objets lin- {ulsticos no decorer do tempo, aja ese tempo ods linearidade ou 0 ds diacronia. Veros, asim, que esas dans formas do tempo note porque ser distnguidas Quer dizer que o problema est, entko,dfinitivamenteresavie? In ftizmente nko! E Wander — que, explicitamente, leva em conta apenas @ problema das relacées entre linearidade e diseronia — levanta com meza probleme da identdadedscrinica, le esa jstaente as hestacbes de ‘Saussure, chepando a pono e suger qu a solugdo momentamente adots- da aquela que consist em assimilar a entdade ea proveriénca — belra “atantolgi” (1990, 59. Mas € preciso ir mais lngee embrar que a firme cerera exibda pla passage da pigina 250 do CLG sabe a idetidae do signa congo mesmo a lnetridade do discurso esti bem longe de ser uma constants do pen- samento de Saussure. A p. 150, propio da sucenvas ocoréncias de Senhores em una conferéacla, ee inst ns dferengas que separa estas reaizagtes, diferenas po eves “tio aprecives quanto gues que serve, ‘em outras passages, para dsingurplaveasdifeentr (p11), Eleainds, mais explicto na not 10:70 objeto que serve de signo nunc é'o mes! duns wens" (Engle, 1968-1989, 21; Beit, 203 Apatentemente a stuacdo est completamente mudada, Se algumas ‘assagens extabelecem a nicdade do concsito de Wenidade, outa recu sam toda e qualquer posbiidade deo sgnoalancar qualquer ideridade, ‘sincrénica ca laconic, Contradigto? Caramente naga que di espe to conceituslzagio da idenidade do sgno.Etambém no qu serefee 20 feito do tempo bee 0 objeto linguistic. Porque na primeira concepeio, de permite & idemidade se manter,enquant, na segunda, impede que ea se afirmada”, ‘Contudo,havemos denotar qe, paradoualmene esa contradio de> sa itocadns possbilidade de manter a uniidade da concepso do tempo sussurlno, Porque entre as duns pois contaditéis, esta pelo menos go em comums ospagsmento da dferena entre tempo da lieridae € tempo da dacrona. Se qual for seu eet sobre aidentiade do sgno, 0 tempo itervim sem que ses necesito (ou pose) cindi sua concepyi0 ‘em tempo dalinearidade do dacutsa etempo da dictonia. [No momento de can este capitulo, pergunto-mecom uma pont de erplenidade: ere traidoo pesamento de Saussure? £ bem provivel, plo, ‘ens pelo fto de eu ter dexado sombraviiaé ~ endo neslgencisve's— sepectos dle Eo que és grave sem dvi, seguindo-o também eu fl ‘tia dessa “substiniaescoregada” que por defniio, lingua. Mas, neste capitulo inaugural, 0 que etava em pasta era uma inca, progres sivaepropeddtia, ot arcanos das caverassaussuranas,Faa-os ago ‘exploer meticulosamentealgoma da antrctosidades maiscbscuras des. sas caverns ese ser. objeto dos capitulssegulnts, Capito tercero A semiologia saussuriana, entre 0 CLG e a pesquisa sobre a lenda Minha intengio, nest capital, mio € contribu com a hist da se ‘ilogia nem com a da Semitic. Als, extariaimpedido de fata pela ‘specifidade de meu asunto, até mesmo duplamenteImpedide papel fandador do CLG nahiséia das dua discilinas gts jt, quanto 0 tssencial, mite bem descrita. Depots que Barthes e Greimas expuseram, mais ou menos abundantemente,o que que eles dever a0 CLG, viet balhoseslareceram o estatuto da questo (depois de Hénault, 992, ef, por ‘imo, Arie, 2000, aqui mesmo, oeapitito vi). Para pesquisa so- bre alenda — Saussure, 1986, doravant citado come LEG, sabeme, exe ‘efetncaedigio de Manet e Ml 1986 —, 0 fates so interment Aiferents. Por um ldo, porque, nesa pesquisa, ensino propriamentese- iolgic etd incomplete, eedusido a algumas dezenas de piginas dpe sas, quae sempre abandonadas na fae de rascuno. peecso exumias Aelongussimas dsetases sobre isis factual ou de expeculagSes ono