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Feit wm were yor Cosa Daveen ele gs or Fico A. Guaten notions ~ Exsleatins in Socal Peyhalay Yoho yo puroya vee e250 pr Poty Pree sesso com Backed Pubs ora Voces its, Fun Ft Lai, 10 269090 tps, A inert np vr soon bi Baal odos os datos reserndcs. Nenhuma pce deta cs poder se eprecuida ‘on tansestda pe qualqua ema eon qigier le (een os mecdnice, tudo fotcpi e revo ou arquivada em qulgut stan oo fSoecry Marina has Feria Nata TERN 0-756 22 tego sees ones) Dados intemacionis de Catalogago na Publica (IP) (ChmaraBreilere do Livre, SP. Brea Mosc Soe Repesrtays sods nega om olga scl Serge ‘Btegate prseisionsxpraonsin sel pyehelogy buona, Gad Tho TE Tho: Invetggten em psp ec) Roprosectages tins: Pacslogi social Socobgia 302.1 SUMARIO Introdupo ~ O poder das tas, 7 1.0 fenémono das representagies sccais, 28 2 Sociedade e tectia em psioalogia social, 111 A histria © a atualidade das representagt 0 conoeita de chemata, 215 Caso Dreyfus, Proust a psicologis social, 251 CConsciéncia social ¢ sua histéria, 283 {dias e seu desenvolvimento ~ Un dlatogo entre Serge Moscovieie Ivana Matkova, 3 blogréficas, 389 genética", para enfatiza: o gentido em que os processos de in {luéncia emergiram nos intercambies comunicativos entre as pes ‘085. 0 emprego do termo " genético’ faz eccar 0 sentido que the fotcado tanta por Jean Piaget, como pot Lucien Goldmann. Em to: ‘das essas insténcies, estuturas especiicas somente podem ser entendidas como as wansformagées deestruturas anteriores (vero tensaio sobre themiata - temas ? capitulo 4 desta publicagao). Na patcologla scial de Moscovics, ¢ através dos incercémbios commu: lcativas que as representagées sociais sdo estruturadas e rans formadas.E essa relagdo diaitica entre comunicagio e tepresen tagho que esté no centso da "imeainagao sociopsicoligica’ de Moscovie e & a razio para se desctever essa perspectiva como «uma psicologia social genética (of. Duveen & Lloyd, 1980). Em to ‘doa os IntercAmbios comanicatvos, ha um esforgo para comore- ender o mundo através de idéias eapecificas e de projetar essas ‘desea de manera a infuenciar quttoe a estabelecescetta manet rade cnat sentido, detal modo que as coisas sao vistas desta ma ‘elra, em vez dequela, Sempre que um conhecimento é expres 0, € por determinada azo, ele nunca é desprovido de interes- se Quando Praga é localizada a leste de Vlena, certo sentido de mundo ¢ um conjunta particular de interesses humanos estéo ‘sendo projetados, A procuta de conhecimentos nos lava de volta ao rumulto da vida humana eda sociedade humana; é aqui queo ‘conhectmenta toma aparéncia e foima através da comunicagao fe, 40 mesimo tempo, contrbui para a configuragdo e formagéo {os interoémbios comunicativos. Através da comunlcagéo, so ros capazes de nos ligat @ outros ou de distanciar-nos deles. [Esoe 80 poder das idéias, ea teoria dastepresentagdes socials de ‘Mescovici procurou tanto reconhecer um fendmeno social especi- fico, come farnecer os meios para torné-lo Inteigivel como um processo sociopeicotéaico, Gerard Duveen B 1, 0 FENOMENO DAS REPRESENTACOES SOCIAIS 1.0 pensamento considerado como ambiente 1.1, Pensamento primitive, ci@ncia e senso comum A crenca em que o pensamento pulmitlve~ se tal temo é ain- da acattvel ~ esta baseado é uma crengs no "pode iimitado da mente” em conformar a realidad, ent penetra eativi-la e ern ‘duzem nada de original por si mesmos. ees eproduzem e, em ccontrapattida, so reproduzidos. Apesar de sua natureza progres ‘sta, esta concepeao esta essencialmente de acorda com a de Le Eon, que afima que as massas nao pensar nem cram; e que s40 ‘apenas cs individuos, a elteorganizada, que pensa e crla. Desco- ‘rimos aqui, quer gostemos ou ndo, a metéfora da caixa prota, coma diferenga que agora ela esta composta de idéas a prontas © Info apenas com ohietos, Parle sex as 9 ca, mak nA NAO O BO- demes garantt, pois, mesmo que as ideologiase seu impacto te 'nham sido arnplamente discatdos, elas ndo foram extensivamen- te pesquisadas, Esso também ft reconhacido por Marx e Wood: “Bm comparacSo, porém, com outras eas, 0 estud da Kdeologia foi relativamente nealigenciado pelos sociclogos, que em geral se ssentem em situagdo mais confortavel estudando a estrutura social 20 comportamento, do que estudando crencas e slmbolos (Marx ‘& Wood, 1975; 382) (que estamos sugerindo, pois, que pessoas e grupos, longe de setem receptores passives, pensampor simesmos, pioduzem e comunicam incessantemente suas prprias e especiicas repre ‘sentagdes e solugdes ds questbes que eles mesms colocam. Nas as, bares, escuitncs, hospital, labortatios, etc. s pessoas ana: lisam, comentam, formulam "flogotias” espontanaas, nao oficial, {que tém um impacto decisivo em suas relacées socais, em suas, escolhas, na manelia como eles educam seus flnos, como plane- jam seu futuro ete. Os acontecimentos, as ciencias #as ideologias ‘apenas Ines formecem 0 “alimento pala o pensaments 2.2 Representacdes socials FE 6bvio que o conceito de representagdes socials chegou até nds vindo de Durkheim. Mas néstemcs ums visio diferente dele — u, de qualquer modo, a psicologia social deve considera-lo de umn Angulo aiferente - de como o faz a sacclogia. A soctoloaa ve, ou ‘melhor, vi a8 reptesentagbes sociais como arificios explant: trios, wredutiveis a qualquer andlise posterior. Sua fungdo teorica era semelhante& do tomo na mecanica tradicional, ou 8 do genes a genética tradicional: isto, atomase genes eram considerados ‘como existentes, mas ninguém se importava sobre o que faziam, «0 com o que se pareciam. Do mesmo modo, sabla-se que as re prasentagdes sociais existiam nas sociedades, mas ninquém se Importava com sua estrutura ou com sua dinamica interna. A psi cologia social, contudo, estaia @ devatia estar pié-ocupada so ‘nent com a éstrutura a dinamica da representagoes, Para nos, iss0 se expica na difculdade de penetra o interior para descobxit os mecanismos internos ea vitalidade das represantapbes sociais ‘omats detalhadamente possive, isto, em “cindlt as rapresenta- Ges", exatamente como os étomos © 03 enes foram divides. © primero passo nessa diregao fol dado por Paget, quando el eets- {dou a representagdo do mundo da ctianca e sua investigagao per- manece, até 0 dia de hoje, como um exemplo, Assim, o que et ptoponbo fazer considerar como um fenémeno o que exa antes visto como um cancate, ‘Ainda mais: do ponto de vista de Durkheim, a¢ representa (c0es coletivas abrangiam uma cadeia completa de formas intelec: uals que inelulam ciéncia, regio, mio, modalidades de tempo e 48 ‘espago, etc, De fato, qualquer tipo de idéia, emogao ou crenca, ‘que ccomesse dentro de uma comunidade, estava ineluido. Isso representa um problems sério, pois pelo fato de querer incl de ‘mais, mclu-se muito pouco: querer compreender tudo & perder tudo. A intulgao, asim como a experiénola, sugere que € imposst ‘yeloobrir um rao de conhecimentoe crengas tso amplo. Conhect- ‘mento e crenga so, em primetro lugar, demasiado heterogéneos @, alm disso, no podem ser defnidos por algumas poucas catac toristices gerais. Como consequéncia, nos estamos abrigados a acrescentar duas qualificagies signifcativas 8) As representagces sociais devern ser vistas como uma ma nlra especifica de comprcender @ comunicar o que nds {@ sabe ‘moa, Elas ecupam, com ofeito, uma posigao curiosa, em algum onto entre concaites, que tem como seu abjetivo abstrakr sentido {do mundo eintroduzir nele ordem e petoepyees, que reproduzam fo mundo de uma foima significativa, Flas sempre possuem duss aces, queso interdependentes, comoduas faces de uma folha de ‘papel: a face icBnica @a face simbilica, Nos sabemios que: epre- ‘sentagio = imagem/significagSo; em outras palavras, a represen tagdo iguala toda imagem a uma kia e toda idéia a uma imagem, ‘Dessa manera, em nossa sociedade, um “neurbtioo”é uma idéia associada com a peicandise, com Freud, com o Complexo de Eal- ‘oe, a0 mesimo tempo, ns vemos oneurético como um indwviduo ‘egocentrico, patologioe, cul conftos parentais no foram ands resolvides. De outro lado, porém, a palavza evoce uma ciéncia, até ‘mesmo o nome de um herd casio e um conceito, que, por ou tras, evoca um po definido, caractetzado por cetos ragose uma biografia facimente imaginavel, Os mecanismos mentais que s80 ‘mobilizados nesse evemplo e que constroem essa figura em nosso ‘universo Ihe déo um significado, uma interpretacéo, obviamente Uifetetn dos mecanimoe cujafunose 6 oolar una percepgso pre ‘isa de uma pessoa ot de uma coisa ede crar um sistema de con: ceitos que as expliquem. A propria linguagem, quando ela cartega representagdes, localiza-se a meio caminho entre oque é chama do de a linguagem de observagS0 e a linguagem da logics. a pt- rmeita,exprescando puioe fates ~ se tas fatos existem ~ ea sequn: is, expressando simbolos abstatos. Este é, talvea, um dos mais ‘marcantes fenémenos de nosso tempo ~ @ uniao da linguagem 1a tepresentagao, Deixem-me explicar: 46 [AtS o inicio do século, a Unguagem verbal comum ara un eto tantode comunicagSo, come de conhacimenta, de idéias co letivas ede pesquisa absiata, pois elaera igual tanto para o sens comum, como para a eiéncia. Hoje em dia, a linguagem nao-ver Dal~ matemética e lgica~ que'se apropriou da esfera ds ciénca, substitu signos por palayas e equacées por proposicdes. O mun: da de nossa experléncta ede nossa realidade se rachou em dois © ‘a8 eis que govern nosso munda ceridiana ndo passuem, agora, TelacS0 diteta com as eis que governam o mundo da ciéncia. Se ns estames, hoje, muitointeressadosem fenémenoslinguisticos, isso se deve, em parte, ao fato de a linguagem estar em declino, so mesmo modo como estamos pisocupados com as plantas, com ‘A natureza @ 0s animals, porque eles esto ameagados de extn ‘ego. A linguagem, exciulda da estore da reslidade material evemerge na esfera da realldade historia e convencional; e, 8¢ ‘la perdeu sua relagdo com a tearia, ela eonserva su relagdo com «a representagao, que ¢ tudo o que eladeisou. Se 0 estudo da lin sjuagem, pois, é cada vez mais preocupagio da psicologia social, ssa no parque a peicolagia social quer imitae 0 que acoatecet ‘coms outrasdisciplinas ou porque quer acrescentar uma dimen- Bo social a suas sbstragbes individusis, ou por qualquer outros motives filantropicos Iso est, simplasmente,ligado & mudanga ‘que nds mencionamos ha pouco e que liga Wo exelusivamente 0 noaso metodo normal, catidiano, de compreender e intetcam: bar nossas maneiras de ver as coisas, 1b) Dusknsim, fel wadiego anstorélica e kantiana, possul uma ‘canceppio hastante estticacessas representapses~ algo pareci- {Uo com a dos estdicos, Como conseriéncia, representagdes. em ua teria, S40 como adensamante da neblina, cu, em oUtras pa- vies, elas agem como supartes paramuitas palavras ou dias — como as camadas de um ar estagnadona atmosfera da sociedade, No qual se diz que pole ser vue cont uns fat. Buubors Bs vo saa nteitamente also, o que ¢ mals chocante ao observador| ‘cantempordineo ¢ seu cardter mével ¢ ccculante; em suma, sua plasticidade, Mais: nés as veras como estruturas dinmicaa, ope sido em um conjunto de relagdes e de comportamentos que su ‘yom desaparecem, junto com as epresantagées. Bo mesmo que ‘iconteceria com odesapareeimento, ce nossos dicionéios. da pa hnwra “neurtico", que itt, com isso, tambem banir certos senti- Ientos, cetos tipos de relacionamento para com algumas pes a s0as determinadas, uma maneita dejulgé-las, consquentemen: te, de nos julgarmos a nés mesinos. Bu acentuo essas aiferencas oom uma finalidade especitica As representagdes sociats que me interessam nao s4o nem as das sociedades primitivas, nem as suas sobrevwventes, no subsolo de nosea cultura, dos tempos pré:histéricos. Elas 830 as de nossa so ciedadeatual, de nosso solo potion, centifico,humano, que nem) ‘sempre tém tempo sufciente para se sedimentar completamente para se tornarem tradicdes imutdveis.E sua importéncia continua a creacer, em praporgio direta com a heterogeneidade ea futua- ‘odes sistemas unficadores - as ciéncias,religides @ideologias ‘fiials~@ com as mudangas que elas dever softer para penetrar 1 vida cotdiane e se tomar parte da tealidade comum, Os meios ‘de comunicagao de massa aceleraram esva tendéncia, multiplica ram tais mudangas ¢ aumentaram a necessidade de um elo ente, de uma parte, nossas cléncias ectengas getais puramente abstia tase, de outa part, nossas atividades coneretas como individuos somes, Em outras palavras, existe uma necessidade continua de re-constituir 0 “senso comum” ou a forma de compreensio que ‘riac substrate das imagens e sentidas, sema qual nenhuma cole: ‘uvidade pode operar. Do mesmo modo, nossas coletvidades hoje 1ngo paderiam funcionar se no se ciassem representacoes socsis, Daseadas no tronco das teotias e ideologias que ela raneformam ‘om realidades compartiadas, relacionadas com as interagbes en tue pessoas que, entdo, passain a constituir uma categoria de fe romenoe a parte, Ea earactetstca espeoifica dessas representa (086 precisamente a de que elas “cotporificam idias" sm expe: Fencias coletvas e interagdes em comportamento, que poder, ‘com mais vantagem, ser compsrad a obras de arte do que ate (9066 mecanicas, O' escniter bibico jé estava consclente disso ‘quando afro que o verbo (a palavta) se fez came; eo manismo ‘confirma isso quando anima que as etas, uma vez cisseminadas fete as massas, s80 € se comportam como forcas mates. [Nés nao salemas quase nada dessa alquimia que transforma _abae metdica de nassasidéias no ouro denosea realidade. Como twansfotmar conceitos em objetos cu em pessoas ¢ 0 enigma que nos pré-ocupou por séculose que 6o verdadeiraobjetivode nossa ‘iénela, como distinto de outras ciéncias que, na realidade, inves tiga o processo inverso. Eu estou bastante consciente que uma 8 distancia quase insuperdvel separa o problema de sua saluglo, ‘uma distancia que bem poucos estan preparados para transpar, ‘Maa eu nao deixaret de repetr que sea psicologia social nao tentat \tanspor esse valor, el fracassara em sua tarefa e com iss0 0 co: ‘mente nao conseguira progredir, mas cassaré mesmo de exist. Para sintetizr: 99, no sentido cisco, as epresantagéee coe: tivas se constituem em um instruments explanatéio ese referer a uma clase geral de ideas e crencas wiéncia, mito, religiio, ete), ara nds, so fenémenos que necesstam ser dese eexphieades ‘io fentimenos especiicos que esto relacionadas com um modo particular de compieender e de se comunicar ~ um modo que cia ‘tanto’ tealdade como osenso comm # para enatizar essa distin ‘eGo que eu uso oferma “social” em vez de “coli 2.3. Ciéncias sagradas e profanas; universos consensuais @ reifleades (O que nos imetessa aqul 6 lugar que as representagdes oct pam em uma sociedade pensante. Anseriormente, este lugar seria =e ate cetto ponto o foi determinado pela distingao entre uma ‘sfeta sagrada digns de espeita e veneragao e desse modo man- luda bastante longe de todas as alvidades intencionais, humanae ~ e uma ester profana, em que sio executadas atividadestivias © ulltarstas. S30 esses mundos separados @ opestes que, em di farentes graus,ceterminam, dentro decada cultura ede cada ind viduo, as asferas de suas forcas propris ealhisias; o que nés pode: ‘mos mudar £0 que nos muda; o que €obra nossa (opus propium) ‘eo que obra alhela (opus allenum), Todo conhecimento pressu: eta visio da reaidade e uma disaplina que estivesse ntetes- sada em wma das esferas, era totalmente diferente de uma dis lina aie estivesce interessada na outa: as iénciassagradas nto teriam nadaem comum coms ciéncias profanas. Sem divide, era ossivel passar de uma para outa, mas so somente ocatia qan- do os contedces fossem cbscwros, Essa distingd0 fol agore abandonada, Pol substitida por outa dlistingdo, mais bésica, entre universee consensuals e reficados. No universo consensual a sociedade e uma ciagéo visive, cont hua, permeada com sentido e finalidada, possuindo uma vee hu: mana, de acordo com a existéncia humana e agindo tanto como 9 eagindo, como wn sar humano. Em outras palavras, 0 ar huma~ ho €. agi, a medida de todas as coisas. No universo retficado, & Sociedade ¢ transformada em um sistema de entidades sobidas, basicas, invaiavels, que sio indiferontes & indwiduslidade © no possuain identidade, Esta sociedade ignora a i mestna e a suas hiagdes, que ela ve somente como dbjotos isolados, tais como pessoas, ids, ambienteseatividades. As vin ciencias que es {Bo interessadas em tais objetos podem, por assim dizer. impor ‘ua autoridade no pensarnento e na experiencia de cada individuo ‘decid, em cada caso particular, oquaé verdadetroe oquendoo Todas as coisas, quaisquer Gue sejam as crcuneténcias, £40, aqui, ¢ medida do ser humano. ‘Mesmo 0 uso dos pronomas “nds” e “eles” pode expressar ‘esse conttaste, onde "nds" eeté em lugar do grupo de individuos ‘com 08 ais ns noa elacionamos-e “eles” ~ 08 franceses, 08 p10 fessotes. os sistemas de estado etc. ~ esta em lugar de um grupo ciferente, ao qual ns no pertencemos, mas podemos ser forcs {dos apertencer. A chstancia entre primeira e terceira pessoa do plural expressa @ distancla que separa o lugar social, onde nos Sentimos incluides, deur lugar dado, indeterminado ou, de qual ‘uer modo, impessoal. Essa falta de identidade, que esta na raiz ‘a ngista psiquica do homem modarno,é um sintoma dessane- ‘essidade de nos vermos em tetmas de “nos” e “eles”, de opor “6s” a “eles; e. por consequinte, da nossa impoténcia de lgar um ao outto, Grupos da individuos tentam superar essa neces Gade tanto dentificando-se com o “nds” e dessa manettafechan: fdo-se em um mundo a parle, ou kentlicando:se com o “ees” © tormando-se os 1ob0s da burocracia e de administragao. Taiscatsgoias de univers conensusis reads sop oxtor de nossa ctu, hum univer conse, son aoe eum grupo de poe go saoigomie ene 4m ‘Sin pools ar em aoe do rapa eco su ausoia Bases maneve, presume se que naohum membeo possve cone: tole xs ata dal pode aa od compen maja rqurida peas cueurtencias. Sob este aspen, a mage con um amar reponse ou come um bseacor es neste foe” ectavoes dtm seco Namo So nei pbons de encnto ees ptios amare, cute ‘tr edorbotes, ssloges,asesemcs, et. podem se enca- 50 {tados expressando suas opinides,revelando seus pontos de vista € construindo a lal, Tal estado de cosas exige certa cumplicidade, {sto é, convengdes hinguistioss, perguntas que no podem ser fe. ‘a5, topioos que podem, ou no podem, ser ignotads. Esses mu dos sio institucionaizados nog clukes, associagbes e bares do hoe, como eles foram nos “saldes" eazademias do passado. Oque es fazem prosperat @ a arte declinante da conversacio B isso ue os mantm em andamento e que encoraja telagdes socials tue, de cutro modo, definhartam. Em longo prazo, a conversacso {os discursos) cna nds de estabilidadee reoarteneta, uma hase co- ‘mum de signiicdncia entie seus praticantes. As regras dessa arte ‘mantém todo um complexo de ambiclidades e convencbes, Sem. ‘octal vida social nao poderia exist. Blas eapacitam as pessoas 2 compartitbarem um estoque implicto de imagens e de idéias ‘gue sio coneideradas certas @ mutuamente aceitas, O pensar € feito em voz alta, le se toma uma atividade ruldosa, pibioa. que =setifaz a necessidade de comunicagan e com isso mantém e con solida.o grupo, enquanto comunica a eaactristica que cada mem bro exige dele. Se nés pensamos antes de ala @ falamos para nos ‘jadarmos a pensar, nés também falamos para fornacer uma real \dade sonora & pressao interior dessae convetsacées, através das «quats © nas quais nés nos ligamos aos outics. Becket sintetizou ‘ssa situagdo em Endgame: (tov: © que hé ai para me manteracui? Hamm: Conversagio Eomotno¢ profuno. Tada pessoa que mantiver seus ouidas tas nos hagas onde as pesons cones, toda pases ue nes com agua ten, proteus a atona dscow verses elem a potindaspebmas metas” nase mona, oe inhsten er nse ian a ees or "nto els povéem um comentario permanent sole ce pinche ‘wonecmentse eaacartess paca, Genes ov uanas © so, por iso, o equivalent modemo do Sr tee cue, mba ‘sexta mane pales Hite, parnnote es ean, Num nies etesd, a sociedad vista como um sistema ve eens paps e clases, js memes sao deg 5. teie a competénc seq determina seu ga de Pala: ‘onde aoordo como meio, se eto delat “cot mea 51 co", “come psicélogo", “coma comerciante", ou de se abster des Ge ue “oles no tenhamn competéncia na materia”. Troca de pa paisa capacidade de ocupar o lugar de outto so muttas mane Tas de adquiir oompeténcla ou de se lola, de ser diferente. Nos hes conftontamos, pots, dentro do sistema, como organizacies presetabelecidas, cada Uma com suas rearas e regulamentos. Dat ’ compnlodes que nes expetienciamos eosentimento de que nés ‘do podemos transformélas conforme nossa vontade, Bxiste um ‘Comportamento adeqvado para cada crcunsténeia, uma formula Tingtistica para eada confiontagaa e, nem & necessirio dizer, ain farmagdo eptopnada para um contexto detecminado Nés estamos presos pelo que prende a organizacio e pelo que corresponde a ln tipo de acorda gerale no a alguma compreensio reciproca. 3 alguna sequéncia de prescrigces, néo a uma sequencia de acor Gos. historia, onatureza, tadas as coisas que sio responsvels ‘palo sistema, sd0 igualmente responsaves pela hiererquia de pa pais e classes, para sua solidaniedade, Cada situacZo contém uma ‘mbiglidade potencial uma vagueza, duasinterpretagdes poss ‘els, ae su28 conotagdes sdo negativas, elas so obstaculos que nas devernos superar antes que qualquer coisa se tome clara, pe: ‘se, totalmente sem ambigudade, Isso ¢ consequido pelo proces Samento da informagdo, pela auséncia de envolvimento do pro Cessador ¢ pela existencia de canais adequados. O computador Serve como o mode para o tipo de relagbes que séo,entao, est belecidas e sua tacionalidade, podemos ao menos esperar, ¢a1&- conalidade do que é computaco, contraste entre os dots universos possui um impacto pico 1ogico. Os limites entta eles dividem a tealidade coletiva, e, de ‘ato, a realidad fisica, em duas. E facimente constatavel que as ‘ldncias $80 08 meios pelos quais ns compreendems o universo feifcarn, enqianta ad repregentacdes socais watam com 0 Unt ‘veiso consensual A finalidade do primeico ¢ estabelecer um mapa das forgas, dos objetos e aconteclmentos que sa0 independentes ‘Se nossos desejos e fora de nossa consciéncis e aos quais noe de ‘vers teagit de mado imparcial © submisso. Peo fato de ocular ‘valores e vantagens, eles procuram encorajr preciso intelecal fe evidéncia empisica, As tepresentagbes, por cult lado, restau fam a consciéncia coletiva e Ihe do forma, explicando os objotos fe acontecimentos de tal mado que eles 93 tomam acessiveis @ ‘Gualquet un e coincidem com nossos interesses imediates. Eles 82 esto, conforme Wiliam James, interessados em: "a realidade prdtica, realidade para nos mesmos;e 2ara se conseguir 159, Um. sbjeto deve ndo apenas aparece, mas le deve parecer tanto Inte- ‘essante como importante. O mundo, cyosobjetas nao sofam nem interessantes, nem importantes, nos 0 atamoa apenas negativa- ‘mente, nésorotulamos como ireat"(W James, 1890/1980: 296), 0 uso de uma inguagem de imagens e de patavas que se ot~ hnaram propriedade comom através da difsio de idéias existentes «la vida fecunda aqueles aspectos da saciedade eda natureza com os quais nbs estamos aquiinteressades Sam duvida~e ies0 60 que. cu decid mostiar ~ a natureza especiica das tepresentagies ex: tessa a natureza especifica do universo consensual, produto do ‘qual elas so ea0 qual elas pertenoem exclusivamente’Disso esl laquea psicologa social soja a ciéncis do ais universos. Aomesmo lempo, nbs vemes com mais clareza 3 natuteza verdadeira das ideclogas, que ¢ de faciitar a transigaode um mundo a outeo isto 6. de transforma categorias consensus em categorasretficadas€ ‘le subordinar as primetsas as segundas Por consequinte, elas n5o hossuem una esirutura especiica © podem ser peroebidas tanto ‘como representagées, como ciéncias. assim que elas chegam a Imletessar tanto & soctologia, como a histonia 3.0 familiar ¢ 6 nio-familiar Para se compreendiero fendmena das epresentagées socais, ‘vontudo, nds temas de inleiar desde comeoa @proaredir pass0 a asso. Atées9e ponto, eu nao fiz nada mais que sugentcertasre- formas etentar defendé-las. Bu ndo podria dewxar deenfatizat de- \erminadas ideias, caso quisesse defender o ponte de vista que eu festava sustentando. Mas, a0 fazer sso, demonstei que: 2) as representagies socials devem ser vistas como uma ‘atmosfera’, em rolacSo a0 individu ou ao grupo: b) as representapdes si, sob certos aspectas, espections de nossa sociedade, or que criamos nds essas reprasertagdes? Em nossas razdes \le cds, o que explica suas propriedades cognitivas? Estas 840, ‘ns questbes cue tat abordar em primao lugar, Nos poderlamoe 53 responder recorrendo a és hipctases tradicional: (1) a hipdtese da desiderabiidade, isto 6, uma pessoa ou um grupo procura crit ‘imagen, constat Sentengas que rio tanto revear, como ocular ‘a ou suas intengSea, sendo essas imagens e sentencas distor- ‘9bes subjeivas de uma realidade objeiva: (2) 3 hipétese do dese ‘quilbro, ito 6, todas as ideolagis, todas as conceppdes de man- ‘do so melos para solucionar tensdes psiquicas ou emoctonais, ‘evidas a um fracasco ou a uma falta de integragio social; $80, portante, compensacdes imaginétias, que teriam a finalidade de restaurar um qrau de estabildade intema; (3) @ hipbtese do con {role isto €, os grupos cxlam representagdes para fltrr a informa ‘cdo que provém do meio ambiente @ dessa maneira controlam 0 ‘omportamente individual. Blas funcionarn, pois, como uma espé- tle de manipulagdo do pensamento e da esteutura da realidade, semelhanies aqueles métodos de controle “comportamental” ede ‘ropaganda que exercem uma coergdo forpada em todos aqueles ‘2 quem eles esto drigidos. ‘Tais hipdteses no esto totalmente desprovides de verdade. ‘As roprecentagies coclais podem, na verdad, responder a deter ‘minada necessidade, padem responder a um estado de deseqult brio: ¢ podem, também, favorecer a dominacao impopular, mas ‘mpossivel de exradicar, de uma paite da sociedade sobre outra, Mas essas hipoteses tm, contudo, a fraqueza comum de sere ‘demasiado gerais; elas ndo explicam por que tas fungdes devam ser eatateftas por esse método de compreender ede comunicar € ‘do por algum outro, como pela cca au areligido, por exemplo, Devemos, pols, rocurar uma hipotese diferente, menos geral © ‘mais de acordo com o que os pesquisadores desee campo tem ob ‘ervada. Alem do mais, par necessidade de espago, uno poss0 hem elaborar mais longamente minhas reservas, nem justticar ‘minha teotia Deverei expor, sam querer causar mais problemas, ‘Uma intuigo e um fate que eu creio que sofam verdadetos, ito 6, (que. finalidade do todas as represantagses é tomar familar algo do fanz, ou @ prépra ndo familnidade, CO que eu quero dizer & que os universos consensuais solo cais onde todos querem sentir-se em casa, a salvo de qualquer tis 00, atito au confito, Tudo 0 que é dito ou ftto all, apenas conti 1a as ctengas ¢ a8 interpretacies adquirdas, cartobora, mais do ‘que conttadtz, a uadigso, Bspera-se que compre acontegam, sem 6 pre de nove, as mesmas situagbes, gastos, déias. A mudanca ‘como tal somente € petoebida @ acalta deede que ela apresente um tipode vivencia eevit2o murchar do dialogo, sab o paso dae Detigdo. Em seu todo, a dindmica das rlagses ¢ uma dinamica de famiarizaglo, onde os objetos, pesscas © acontecimentos sao ercabidos e compreendids em relagda a prévios encontrose pa ‘adiginas. Como resultado disso, a memérla prevalace sobre a de updo, 0 passado sobre o presente, a resposta sobre 0 eatimulo e ‘as imagens sobrea "realidada". Aceitare compreender a que é fs milla, clesoer acostumado a isso e construr um habito 9 partir, isso, & uma coisa, mas & outra coisa completamente difetenta ptefenr isso como um padrao de referincia e medi tudo © que acontee e tudo o que é petoebido, em relagio a ss0, Pos, nese ‘so, nés simplesmente nao registramce o que tipfica um pati lense, uma pessoa “respeitave”, uma mie, um Complexo de Bip ftc,, mas essa consciencia¢ usada tambem como um cntécio para avaliaro que incomum, anormal eassim por diante. Qu, em ou vas palavias, o que ¢ ndo familia Na verdade, para nosso amigo, 0 “tomem da rua" jameagado agora de extingdo, junto com os passeis pela calgadas, a ser ern breve substtuido pelo homem diante da telavisao), a malomta das opinides provindas da ciéncia, da arte eda economia, que se rete rem a universos relicados, diferem, de muitas maneras, das op hides familiares, prétias, quo ele constuiu a partir de tracos © pe- ‘cas das tradigdes centificas, artisticas e econémicas ediferem da, ‘experiéncia pessoal e dos hoatos, Porque eles diferam, ele tende a pensar neles como invsives, seals pois © munda da realidade, ‘somo o reaismo na pintura, 6 basicemente resultado das limita (Sas e/ou de canvengao. Ble, pois, pade experimentar esb2 sent 'o de néo-familaridade quando as fronteiras e/ou as convencoes lesaparecerem, quando a distingbes entre 0 abstata eo concre to se tomarem confusas; ou quando un cbjeto, que ele Sempre ensou set abstato, epentinamenta energe com toda sus con: sretude etc. Isso pode acontecer quanco ele se dafronta com urn ‘yuadto da teconstrucéo fisica de tais emidades puramente nacio ‘its como os étomes e os robs, ou, de fato, com qualquer com: pattamento, pessoa ou rlagia atipicas, que podera impedi-o de eagir como ele o fara diante de um padréa usual. Ee ndo encon Ina oque esperava encontiar e édltxadc com uma sensagéodein ompletudee alestoriedade. E dese modo que os doentes men: 58 tale, owas pessoas que pertencem a outras colturas, nas ineomo: ‘dam, pois estas pessoes so como nds @ contudo no S80 como ig; assim nds podemes dizer que eles sao “ser cultura, "barba to", “tacionais” etc, De fato, todas as coisas, tépicos ou pessoas Dpanidas ov remotas, todas os que foram exilados das fronteitas concretas de nosso universo possuem sempre caraceristicas ima sinarias; © pre-acupam e incomodam exatamente porque esto ‘aqul sam estar aqui, elo so perosbidoe, sem ser percebidos. sua ‘nvealidade ge orna aparente quando nds estamos em sua presen (pa: quando sua tealdade ¢ imposta sobre nds & como se nos en ‘Contréssemoe face @ face com um fantasma ou com um persona ‘gem fctcio na vida teal; ou como a primeira vez que vemos um computador jogande xadtez.Entdo, algo que ns pensames como limaginacdo, se tomna realidad diante de nossos propros olhos, 1s podemos vere focar algo que éramos proibidos {A presena roa de algo ausente, a exatidbo relativa” de um bjeto o que caraceriza ne famianidade. Algo pace servis ‘el, bem ose: semetsnte,embora seco diferente se acess velenentantoserinacessive,Onio-omilar alae niga as pes boas e comunigadss enquano, ab mesino tem, a8 aaa, 25 cong a wornarexpltc os pessupesos impos que 0 Bs tna consenoo. Ess "ead eativa"moomoda eameace oma ocas0 dem obb, quese computa exatament como Uma cit tava, emboca néo possua vida em si mesmo, repeninamarto se tana um monsto Frankenstein, algo que ao mesmo tempo fascina fe ateorzaO medo do ue estat ou dos eens) prtun damentesragado. Fo dbsavado om ciangas dos sis aos nove meses e ozo nmro de jogos infantis soma veréado ur meio de "operaceove medo, de controlar seu objeto Femenas de pico de mules mits vezes provem da mesma cosa eso expres fos us neeme mowimentae dramatiooa do fags ma-eta 80 Be dove 20 ato de que a aeaca de perder cs maton referencia, de pezdercontato com o que propicia um sentido de continue, dd compreensie mit, ume ameaca nsupotvalEquandoaal tered jog sobre sna ora de algo que “nio#eatamen- te" como deve sexs ntntvemente areas, poraue el ameaga a oidem esabeleca 0 ato da re-apresentagéo ¢ um meio de transferir 0 que nos ‘perturba, 0 que ameaga nosso univetso, doextetior para o itetior. 6 do longinquo para o proximo. A transferéncia éefetivada pela ge paragio de concalts e percepoGes normalmente intetigados € pela sua colscacdo em ui context onde o incomium se toma co ‘mum, onde 0 desconhecide pode ser incluido em urna categoria ‘conhecida, Por isso, alaumas pessoas io compatat a uma “oon: fissdo" a tentativa de defini tornar mas aoessve's as préticas do psicanalista paia com seu pactenie~ esse "tratamento médica sem, Femedio" que parece eminentemente paredaxala nossa cultura. O ‘omceito¢ entdo separado de seu contexto analitica e tanapotta: doa um contexto de padres e penitentes, de sacerdotes confesso- re pacadotes atependidas. O metodo delvreass0ciagad 6, en. ao, ligado és regras de confisedo, Dessa maneira,o que primeira ‘mente pareciaofensivo eparadoxal, orna-ge um proceso comum, ‘enotmal.& psicandlise no é mais queuma forma de confssao. B pposteriomente, quando psicandlisefraceita ese tornar uma e- besentagio social de pleno diteto, a zonfissio é vista, mals ou ‘menos como uma forma de peicanalice. Uma vez que/o método da live associanéo tenha sido separado de seu contexto tebnioa et: wha assumido conotagses religias, ele cossa de eausarsurpresa ‘emal-estar e toma, em contiapasicso, am caraterabsolutamente ‘vomum. E isso ndo é, como poderiamas ser tentados a cret, urn uimples problema de analogia, mas uma jungéa rea, socialmente igificante, uma mudanga de valores » gentimentos. ‘esse caso, como também em outros que nés cbsexvamos, as vnagens,idéiss ea linguagem comparidhadas por um determina ‘No atupo sempre parecem ditar a cirecio @ o expedient inicias, ‘om 08 quatsogrupo tentase acertar com onao familia Opensa. unto social deve mats a convengo e4 meméria do que & razdo; ‘ove mais as estuturas tadicionais de que ae estrutarasintelec- 8 ou perceptives correntes, Denise Jodelet (1989/1991) anal: = em um trabalho infatamente ainca nde publicado ~ es ex ‘eves dos habitantes de vatias aldeias aspessoas mentalmente de- Inentes que eram colocadas am geu meio. Esses pacientes, devi ‘In a.sua aparéncis quase normal e apesar das instrugGes que 0s habitantes da aldeia tnham secebido, contiqustam @ ser vistos "imo estrangeiros, apesar de sua presence ter sido acelta por mi Jvw-@ durante muitos anos os pacientes ivessam compartthado 0 is avdiae atéas casas desses aldedes, Temnou se entéo evidente visas opresentagdes que eles provocatam detivavam de visdes e 9 ‘nodes tradicionels equa eram essasrepresentacdes que deter navam as reacies dos aldeses para com eles Contd, emora nds tehamosacapacidade de perce tl siscrepinci, inquém pode iver sedela.& tens sic entre familar eo nf esta sempre estabelecia, em nossos un ‘eros consensual, em fave do primeto, No pesamento set 2 concusdo tam pricridado sore apemissa © nas reacbes so: eva conforme a formula adequada de Nely Stephane, overedicto tem pioidade soe ofulgameato. Antes de vere owt a pessoa, nbs fa algamos; nos a elaseiicamose cames uma imagem Goi, Desoe modo, toda paequisa que fzermos enosss elacas Dara ober infamagoes qve empenharms somete serio pare Enifmar esa imagem Mais: xpenmentcs de aborterio cro boram essa observagso Oreos wks eesti conten supe eau oul uveando a ord om qv detetmanaas csr Ges ioteion As psoas pteoun ear nmaco ta dreedo {Senin acento rea ik ST cuscuetheasadeds poexpentenrato paras aaa Bise busta deteminar se pemisons podem se combnsdae at forma. que toon concn vedo. Ne vera, {seo apa mosta ques eanclusio¢ a premisas sao consi: tease ao que a Const segue das remiss (acon Shnson-Laud 172157 Cuando tuda ¢ ata e feito, as tepresentagdes que nés fabrics ‘mos ~ duma t2oria cientifica, de uma nacio, de um objeto, ete ~ ‘0 sempre o resultado de um esforgo constante de tomnar comum real algo que ¢ incomum (no familia), ou que pos da um senti- mento da nao famfiatidade- através delas nds superamos 0 Pro blerae o integramos em nosso mundo mental fisico, que®, com teso, enriquaeida e transformado. Depots de uma ste ue asta ‘mentos, 0 que estava longa, parece ao alcance de nossa mao, 0 (que parecia abetata, tomna-se concieto © quase normal. Ao ctid-los, porém, ndo estamos sempre mais ov menos conscientes te nossas Intengdes, pois a8 imagens e idélas com as quais nés ‘compraendamas o ndo-usual (incomum) apenas trazem-nos de ‘volta ao que noe & canneciamos e com o qual nds jéestdvamos fa miliarizados ha tempo e que, por isso, nos dé uma impressio se _guta de algo "j8 visto" (46 vu) e jd conhecido (dea connu). Bar cy Ut escreve: “Como jé fol ontado antes, sempre que material ‘mostrado visualmente pretende ser tepresentativo de algum cbe- to comum, mas contém caracteristicas que saa incomuns(nao-fa miliates) 8 comunidade a quem o mataial € apresentado, essas ‘caracteristicas invariavelmente sofrem ansformagaa em dregaa 0 qua é familar” (Bartlet, 1961. 178). como se, ao ocorrer uma brecha cu uma rachadura no que é {geralmente percebido como normal, nossas mentes curem a fetida fe consertem por dentro o que se deu por fora. Tal processo nas confirma e nos confort; restabelece um sentido de continuidade ro grupo ou no individuo amearado con descontinuidade falta te sentido. E por iso que, ao se estuder uma ropresentacao, nds ‘vernos sempre tentar descobrir a caracteristica nao familiac que 9 motivou, que esta absorveu. Mas é particularmente importante ‘que odesenvolvimento de ta caracteristica sea aboorvada no mo: ‘mento exato em que ela emerge na esta social © contraste coma ciénciaé marcante. A clénciacaminha pelo lado oposto; da premissa para @ conelusio, espacialmente no ‘campo da logica, assim como o cbjetvoda le € assegurar a pact: \lade do julgamento sobre o vetedicta. Mas all tem de 92 apotat ‘om um sistema completo de logica provas fim de proceder de ‘uma maneite que & completamente estrnha 20 processa ea fun ‘fo atural do penssmento em um univetso consentual ordinaio la deve, além disso, colocar certas lis ~ no envolvimento,repe- !ieao de expetimentos, distancia do objeto, independncia dau Jotidade e tradigg0 ~ que nunca s4o totalmente plicadae. Pata ‘ormar possvel a toca de ambos os termos da argumentagao, ela ‘a1 um meio totalmente arc, reconendo ao que é canhecido ‘romo a reconstrugdo racional dos fates ideise, Para superar, ois, nossa tendéneia de confitmat o que é familiar, pata prover 6 sine 4 6conheeido 0 cionticta deve fekifcar, deve tents invah- ‘lar suas proprias teorias e confrontar a avidenicia com a nao: ev: \encta, Mas essa nao ¢ toda a hititia. A lel se tomnou madera & ‘toinpeu como senso comum, a céncia se ocupou com sucesso em ‘emolir canstantemente a maiotia de noseas percepgGes © op! ‘ces cortentes. em provar que resultados impossiveis S80 possi- vos @ em desmentr 0 conjunto central de nossas ideias © expe- ‘iccias costumeiras. Em outras palaves,o objetivo da ciéncia é ‘anor familiar no amier em suas equagbes matematicas, como 59 em seus laboraséris. B dessa maneira a ciéncia prova, por con fasta, que 0 ptopésito das representagbes sociais ¢ precisamente ‘que eu j indiquet anteriocmente. 4. Ancoragem @ objetivacio, ou os dois processos que geram representagbes socials, 4.1, Cléncia, senso comum ¢ representagdes socials (Giénciaerepresentaghas socais soto diferentes enttesie a0 ‘mesmo tempo to complementares que nds temos de pensar @alar fem ambcs 08 egistos, 0 filasfo francés Bachelard observou que 0 mundo em que nés vivernas 0 mundo do pensamento no sto um 558 0 mesmo mundo. De fafo, nio podemes continuar desejanto ‘om muni singular e idéntlon¢lutando por eonsequi-o, Ao conte rio do quese acteditava no século psseado, fonge de serem um antt doto conta ae representagies eas idaologias as ciéncias na verda~ {de gerarm, agora, tals representacbes. Nossos mundos reificados ‘aumentam com 2 probiferagao des ciéncias. Na medida em que as feorlas informaghes e acontecimentas se mukiplicam, os mundos