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Vera Calich @ Celidéia Vaz IMUNOLOGIA Segunda Edi¢gao Imunologia, Segunda Edgao Copyright © 2009 by Livrara e Editors Revinter Lida, Isp 9788537202050 “Todos o direitos reservados Eexpressamente proibida a reproducio deste vo, no seu todo ou em pare or quaisquer meios, sem o consentimento, or escrito da Editra Contato com as autoras: Yet Lc Ganea CALC Mealich@ieb.usp.be Cceupa. corvaz celvar@usp.be ‘preciso das indeagen a eae adveran alas de doropem pare (erste net bee pode sor ators : ‘responsable tl ecmrinal prot restos pert Er ew toute tal Gata ov ned a asrcesavtarneexeradosCoeaponde {er ol) autores) ears Livraria eEditora REVINTER Lida. Rua do Matoso, 170 ~ Tjuea 20270-135 ~ Rio de Janeto ~R} “Tel: (21) 2563-9700 ~ Fax: (21) 2563-9701 lsraria@revinter.com sy revintercom.br APRESENTACAO 1m 2001, publicamos o livro munologia, também pela Editora Revinter, com a colaboragao de varios ‘colegas do Departamento de Imunologia do Insti- tuto de Cigncias Biomédicas da USP, tendo como obje- tivo levar aos estudantes das éreas de biomedicina as informagoes basicas, essenciais, sobre os 6rga0S, as células eas moléculas que compoem o sistema imune. Durante os sete anos seguintes, os periédicos interna- cionais publicaram iniimeros artigos que demonstra- vvam novos conceitos no campo da imunologia:infor- ‘mages que ajudaram a elucidar melhor os mecanis- _mos de ativagao e regulacao do sistema imune e sas mplicagdes na interagdo parasita-hospedeiro, na imu nobiologia do cancer e em outros tantos processos & patologias em que o sistema imune esteja envolvio. Deve-se destacar a nova énfase com que os mecanis- mos de imunidade inata tém sido investigados e a compreensio da sua influénca sobre aimunidade adap- tativa. (Os recentes avancos nas pesquisas da area de sunologia basica e clinica e, ainda, a boa receptivi- dade que teve a primeira edicao de Imunologia ani ‘maram-nos a publicar uma nova edigio, ampliada, com nova composigao. Ao nosso entusiasmo, aE ‘tora Revinter, novamente, acrescentou apoio irres- trito e sério trabalho, [Nesta segunda edicio, alguns capitulos foram re- visados e atualzados, ¢ outros que no constavam da primeira edigao foram incluidos como, por exemple ‘da imunologia do cancer e o dos transplantes. Sio 17 capitulos bem lustrados, apresentados com 0 mesmo propésito de auxiliar 0 aluno a compreender ‘ sistema imune, suas interagbes e suas fungbes, Para ‘compor esta edicao, contamos com a competente colaboracéo dos professores e pesquisadores do De- partamento de Imunologia do Instituto de Ciéncias Biomédicas da USP, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Instituto do Coracdo do Hospital das Clini cas da FMUSP e do Instituto Butanta de Sao Paulo. Caso algumas impropriedades sejam encontra- das, apesar de todos os nossos esforgos para que no ocorressem, gostariamos de contar com 0 apoio dos leitores em apontétlas. Sugestoes também sero bem-vindas. Esperamos que esta nova edigao possa vir a ser til a todos os estudiosos de Imunologia. As Autoras GLOSSARIO ILUSTRADO ntdeta Unies T CD4* Linteote T cba* cétua NK Nowtotio Basétio Eosindtlo Leueéeitos potimortonucteares Cia apreseniadra do anigono Capitulo iPS ovmecrsago INTROOUC Vera Licia Breve hist Composigio Tipos demu muna aria The Pre ses dap Monécito Fagocito Cala ato Leucscito éula apoptotic . Po —__] Capitulo 2 IMUNIDAL Sonia Jancar Inia i agécios Reconbes fogs Fagocites Outros Banecias Inflamagio ‘Microcir Evens Meiador Civcinas Recrutam infan Regenea Inflamacio Inflamacdo adquirida Pergunias oc Leitura recon MH Molgoua decsce Molécua de casse i & Imunoglobutna (1) SE Imunoplodutna (9) So MHC com peptideo AL recsercenisooriron [seas (Bossa de cass | BOM com peptidoo Capitulo 3 CELULASE Ises de Ame Células par Outras Ieentica SUMARIO. Capitulo ¥ INTRODUCAO A IMUNOLOGIA 1 Vera Lila Gacia Calc e Cella A. Copp Vaz Composiio.e oranizago do sistema mune Tipos de imunidade 4 Imanidade inata 6 Inanidade adapativa 6 Tipos de imunidade adaprativa 8 Propriedades da imunidade adaptativa 10 Fases da resposta imune B Loturarecomendada 15 Capitulo 2 IMUNIDADE INATA £ INFLAMACAQ 7 Sonia jancar Imunidade inata 7 Fagécitos 7 Reconhecimento de microrganismos pelos fagécitos Fagactose e destwicao de microrganismos ‘Outs mecanismos efetores da imunidade inata Barreiras naturais, Inflamacao Microcirculagao. Eventos iniciais da reagao inflamatéria Mediadores da inflamaga0 28 Citocinas da imunidade inata 32 Recrutamento de fagécitos para 0 foco inflamatsrio 34 Regeneracao tecidual 35 Inflamaca0 como causa de doenca 36 Inflamac3o camo elo entre a imunidade inata e a adquirida 38 Perguntas oriertadoras 39 Leitura recomendada, 39 Capitulo 3 CELULAS E ORGAOS DO SISTEMA IMUNE 41 Ises de Almeida Abrahamsohn Células participants da resposta imune 1 (tras células que partcipam da resposta imune 43 Identifcacao de células através de marcadores de superticie 46 A nomenclatura CO {Cluster of Ditterentiation) Orgies do sistema inune ‘Oreos lintsides primarios Timo Medula dssea Orgios linibides secundarios Linionodos Bago Outros 61ga0s tecidos linioides Perguntas orientadoras Leitura recomendada, Capitulo IMUNOGLOBULINAS ~ ESTRUTURA E FUNCAO Vera Lticia Garcia Calich Estrutura basica da molécula de anticorpo. Subunidades (cadeias levese pesadas) Fragonentos enzimaticos Digestdo pela papaina Digestao pela pepsina, Polimorfismo das imunoglobulinas Classes ou is6tipos Sulbclasses (ou i6tipos) das imunoglabulinas. Conceitos de alotipia — marcadores genéticos Alatipia das cadeias leves hurmanas Alatipos humanos de cadeias pesadas Iditipos. Propriedades gerais das imunoglobulinas. Imunoglobulina G Imunoglobulina M Imunogiobulina A IgA secretora Imunoglobulina D Imunoglobulina € Fungo das imunoglobulinas Fundes mediadas por Fab Receptores de liniécitos B (CR) Neutralizagao de toxinas, Fungoes mediadas por Fe lisdtipo-especiicas) Opsonizagao por IgG Ativagao do sistema complemento Citotoxicidade celular dependente de anticorpo |ADCC) Hipersensbilidadeimediata mediada por Ige Transferencia placentaria de IgG Inibigao de linfécits B por inmunocomplexos Ou IgG agregada. Superfamtia das imunoglobulinas Perguntas avientadaras Leitura recomendada, Capitulo 5 GERACAO DA DIVERSIDADE DOS RECEPTORES PARA ANTIGENOS (BCR e TCR) Vera Leta Garcia Caich Geragio da diversdade das imunogiobulinas ‘Mecanismo de ecombinacdo VI e VO] Mudanga de classe de las — switch eh de membrana eight secceiada Sintese da molécula completa de Ig anismos geradores da diversiade GGeragao da diversidade do repetério dos receptores de linfeitosT TCR) Reatranjo génicoe expresio do TCR af Rearanj nico e expessio do TER 8 Perguntasorientadoras Leitura recomendada Capitulo 6 Sits COMPLEMENT Regulacao da ativac 0 do Sistema compl tseenr Spats ativagio do Capitulo 7 MATURACAO, ATIVACAO E RECIRCULACAO DE LINFOCITOS Maristela Martins de Camargo De célula-tronco 3 precursor linfopoiético. De célula.tronco linfopoistica a linfécitos Te & 76 76 78 9 80 92 2 “3 95 97 9 1 02 0 10 106 106 108 109 03 109 09 109 108 108 109 0 1 Selecio positiva de linfécitas, Selegao negativa de linfécitos Aquisigao de competéncia funciona Recirculagao Ativagaa de lini Ativacao de linfactos B Perguntas orientadoras| Leitura recomendada Capitulo 8 COMPLEXO PRINCIPAL DE HISTOCOMPATIBILIDADE E APRESENTACAO DE ANTIGENOS Marcelo de Fanco Estutura molecular do MHC Molécalas de classe Malou Mapa genético do MHC Funga0 do MHC Apresenta¢30 de antigenos endgens por mmoléculos do MHC de classe! -Apresentacaa de antigenos exéger0s por rmoléculas do MHC de clase I Expressao dos genes do MHC Perguntas orientadoras mendads de classe tl Leitura ec Capitulo 9 IMUNIDADE CELULAR José Alexandre Marzagio Barbuto 6 126 13 123 125 126 07 la? 128 129 130 BI 13 3B 135 Fase de reconhecimento da resposta imune celular 136 Processamento e apresentaca de antigenos AtivaGao do linfcito T Fase efetora da vesposta mune cl Ativag3o ce macoia infcitos Fcitoxdxicos Clulas NK Hipersensibilidade tardia Perguntas orientadoras Leitura recomendada Capitulo 10 IMUNIDADE HUMORAL Celidéia A, Coppi Vaz Jeterogeneidade das populagoes de linfécitos B Condigdes para a estimulagio dos linfécitos 8 -Ativagdo dos liniécitos B induzida por antigenos, 136 138) 12 2 145 ur 148 49 150 151 153 1 155, ‘Mudanca da clase de cada posada (switching). 158 Maturagao da afinidade dos anticorpos Cinética da producao de anticorpos Resposta prima Resposta secundéria Ativacio dos linfécitos & independente d conperacao das linfécitos T Immunidade local Ativagao Perguntas orientadora Leitura recomendada 158 160 we 160) 162 162 os linfécitos B nos tecidos de sacraga0 163, 1656 167 Capitulo 11 REGULACA\ José Aivarez Regulacao da Regulagop Regulagao px ‘aconcon Regulacao da fa Regulacio pe da respos Prodcao de TGA, IL Expressao na profission ‘Morte celular Supra-regulagio Perguntas orient Leitura recamene Capitulo 12 TOLERANCIA ‘Ana Maria Cacta Teoria da selecio clonal como imunologiea ‘olerincia imuna Cétulas supre Células re Células Ourras él Teoria da rede Proposta da ane Tolerancia de lint ‘Mecanisines Novos modelos p imunolopica Homunculus’ Tolerincia do Fisiologia con ‘Madelo do pe Uma possivel A guisa de conch Perguntas orienta Leitura recomend Capitulo 13 HIPERSENSIBIL [Mahasti Sahih de Reagaes anal ‘Mecanismo di ‘Analilaxia sist Anafilaxia pas “Anticorpos an Estrutura d Regulagso Heredi Exposi into Receptore Métodas di Capitulo LL REGULACAO DA RESPOSTA IMUNE ..,. 169) José Avarez Regulagao da fase de ativaczo 70 170 RegulacSo por célulasT reguladoras Regulagao por células atvadias e de meméria — mncorténcia enive linhagens 172 Regulagao da fase efetora 1 Regulagao pelos préprios elementos efetores ‘a resposta imune. Produgao de moléculas profisiona C1GEB,1L10, LR Expressdo na superficie celular de moléculas profisionais de regulags0 Morte celular induzida por atvagao Supra-regulagio Porguntas orientadoras Letra recomendada Capitulo 12 TOLERANCIA IMUNOLOGICA. Ana Maria Caetano de Favia Teoria da selegio clonal e a eliminagao clonal como mecanisma para a tolerdnc imunologica aos autocomponentes v9 Tolerincia in ica como um processo alivo. . 184 Células supressoras ou reguladoras 184 Celulas reguladoras naturais ou timicas Células reguladoras geradas na pesiforia Outras células coguladoras 189 Teoria da rede idiotipica 190 Proposta da anergia 19 Tolerancia de linécitos 8 192 ‘Mecanismos de eliminaga0 clonal ou anergia . 192, Novos modelos para explicar a tlerancia imunoligica 192 Homunculus irunolagice 193 Tolerincia dominante 195 Fisiologia conservadora do sistema imune. 197, ‘Modelo do perigo. 198 Uma possivel sintese 09 A guisa de conctusio 2 Perguntas orientadoras 200. Leitura recomencada 201 Capitulo 13 HIPERSENSIBILIDADE IMEDIATA 203 Mahasti Sahihi de Macedo, Reagies anatiliticas ‘Mecanismo da anafilaxia Anafilaxiasistomica loc Anafilaxia passiva ‘Anticorpos anafisicos tra da aE lacao da sintese de Ige Hereditariedadle posicZ0 208 alérgenos 207 infocitos T auxiliares e citocinas .... 208 Receptores para Fe de IgE 208 Matods de deteccio e dosngem de Ig. 209 Mecanismo de ativagaio de mastocitos e basélilos 3 Mediadores da anatilaxia 213 Mediadores pré-formados 23 Mediadares neoformades 215 Controle das reagdes anaflticas 216 Imunoterapia 216 Regulacao da liberacto e da resposta aos mediadores 216 Inibidores farmacologicos 2? Reagdes citotdxicas 217 Mecanismo de lesda, 27 Reacaes por incompatibilidade ABO'e RH... 218 Reacoes induzidas por drogas 218 Reagoes auto-imune bie Reagées por imunocompiexos 219 Mecanismo de lesio, 219 Doenas sistémicas por imunocomplexas 219 Daengas localizadas por imunocomplexas -. 222 Perguntas orientadoras 222 Leitura recomen« 223 Capitulo 14 RESPOSTA IMUNE A PATOGENOS: 225 Eva Burger Resposta imune a bactérias extracelulares 205 (Um paradigma da resposta in Resposta imune a bactérias intracelulares ‘Um paradigma da resposta imune a bactérias intracelulares ~ a tuberculose 229 Resposta imune a virus 239 (Um paradigma da resposta imune a virus ~ 0 arampo 231 Resposta imune a fungos 231 (Um paradigena 3 candiciase Resposta imune a protozodrios Um paradi imunidade antiproxozosrios Resposta imine a helminto (Um paradigma na imunidade ant helmintica — nematédeos 238 Perguntas arientadoras 239 Leitura recomendada, 239 Capitulo 1 IMUNOBIOLOGIA DOS TRANSPLANTES 241 Verdnica Coelho e Jorge Kali Historico 2a Resposta imunologica ao alotransplante 243 Antigens polimérficos ealorreatividade 23 Liniocitos Te vias de alorreconhecimenta.. |. 245 Freauéncia de linfocites Talorreatves, 246, Outros antigenos no transplante 248 Transplante de 6rgio sélido 248 Invlamacao locale ativacao imunologica sstémiea 248 Mecanismos eferores de rejeigao. 248 Diterentestipos celulares no altiarsplante Importincia do é1gi0 transplantado Resposta mune inata no transplante Tipos de rejeigdo. Tolerancia imunoids Modelos experimentais. gica ao aloennerta Tradugdo para a clinica ‘Pacientes com tolerancia aperacional Transplante de eélulas-ronco Xenotransplante Transplante clinice erspectivas do tansplanteclinico Perguntas orientadoras Leitura recomendada Capitulo 16 IMUNOLOGIA DO CANCER José Alexandre Marzagso Barbuto € Patricia Cruz Bergami-Santos Resposta more contra infécitos infiltrates de turnozes (TIL) Linfécitos Tcitot6xicas infécitos T auxiliares Macréfagos &c€lulas gatural Killer (NK) Anticorpos IMecanismos de evasao tumoral Irounoterapia dos tumores Perguntas orientadoras. Leiturarecomendada Capitulo 17 METODOS DE IMPORTANCIA EM MUNOLOGIA Calidéia A. Coppi Vax Valéncia do aeticorpo _Afinidace dos anticorpos forgas que atuam na reagso antigene/anticorpo Propriedade hidrotbbica das moléculas Forcas de Coulomb, Pontes de hideogénio cas de Van der Waals stgios das reagdes antigencianticorpo 250 251 252 252 254 254 256 256 259 259 261 262 263 265 267 267 267 268 268 265 269 273 276 26 278 278 279 279 279 279 280 20 3° estgio ~ maniiestagbes bialégicas Reacio de precipitagaa em meio liquide Reacdes de preciptagao em meio gelificado. lrnunogifusio simples, unidimensional Imvunodiusio dupla, vnidimensional Imunodlfusso simples, ratiah Imunodituso dupa, radhal Imunoeletroforese: Elewoforese em gel contendo aniicarpos ‘Canura-imunocletroforese Eletroforese em ge} de paliacilamida Immynoblotirg, Reagdo de aglutin Fendmeno de pré-20na ‘Amticorpos incompletos ou bloqueadores Reagzo de Coombs. Aalutinagio passiva de hemacias ¢ suportes Reagao de inibiga0 da agiutinaco passiva ou Condicionada Reagi0 de inbicie da aglatinacdo passiva de particulas ines (latex) Reagao de fixac0 da complemento Reacao qualitaiva, Reagao quantitatva Reagées de citoloxicidad= Fnsaios de linfoproiferacao Radioimunoensaio, Radioimunodifusio Reacoes de imunofluorescéncia Tipos de reacbes de duorescéncia imunofluorescéncta direta Imunofluorescéncia indireta ou de dupla Importancia da detecgao da classe do Tecnica do sanduiche Ensaio imunoenzimatieo ~ ELISA (Enzyme Linked Immunosorbent Assay) Tipos de ensaio imunoenzimatico Comipaitins Incite. Sanduiche ou de captura Citometeia de flaxo Anticorpos manoclonais ‘Método des microarranjos de DNA Meérodo dos microarranios de pratenas Apéndice | CARACTERISTICAS DE ALGUMAS MOLECULAS COM DENOMINACAO CD (CLUSTER OF DIFFERENTIATION) INDICE REMISSIVO 280 280 280 280 283 283 283 283 283 286 287 288 290 23 29) 292 293 293 294 294 235 295 297 298 298 298 299 300 300 30 302 302 302 302 303 303 303 304 304 305 306 309 309 3n 317 CAPIT uLo 1 INTRODUGAO A IMUNOLOGIA Vera Lticia Garcia Calich e Celidéia A. Coppi Vaz Jnunidade é um conceito bastante antigo e se refere 4a mecanismos de protecio desenvolvidos pelos ver tebrados quando sto infectadas por micrdbios pato aénicos gte poem a saiide em rscoe, eventualmen te, podem levar os individuos & morte. Esses meca nismos, chamados de resposta imine, sio comple x05 e envolvem a acto sinérgica, porém controtada, de componentes solves tumorais) e celulaes que constvem o sistema imunol6gico, A interacio dos elementos desse sistema com os patogenos gerak- mente leva i climinagio esses e au estado de re sistencia aumentada a Feinfecga0 pelo mesmo mi crorganismo © conhecimento do sistema imune & ferramenta fundamental da biologia para entender os processos fe siolégicos que permitem a0 organism reconhecer as mesinoo proprio] e somente responder a0 estranho {no proprio, Nessa tarefa, mito cedo no deservohi- mento do sistema, deve-se estabelecer uma auséncia de reatvidade 20s proprios components (toleranc imunol6gical e a capacidade de reatiidade ao esta tho (resposta imune) de modo a nao causar danos aos proprios tecidos, porém eliminar ut conter 0 cesce mento de parégenos de naturezas muito dstinas(p ex. vse helmintos, assim como imped ou contro lar crescent de celulas prépris alteradas, como € 0 caso das clus tumoras, Muitas vezes, entretanto, ‘0s mecanismos de tolerancia so imperfeitos e dao oni gem 3s chamadas doengas auto-imunes,slém disso, Fespostas imunes inadequadas podem causar lesto tecidial e desenvolvimento de patologa a0 invés de protecio. Assim. o conhecimento da estrutura, inga0 € regulagio do Sistema inne & fundamental para o entendimento da etiopacogenia de muitas doengas € para o desenvolvimento de processos que permitam a sua regulacio. No caso de eliminacao de patéenos & células tumorais, deve-se buscar a ativacao do sistema (vacnas), enquanto que medidas de reguagio negat va, ou bloqueio, deverdo ser perseguidas quando as respostas inmunes forem deletérias, como € 0 Caso das doencas auto-imunes € na rejeicao dos transplantes, BREVE HISTORIA DOS PRINCIPAIS DESCOBRIMENTOS. Uma breve introducao sobre as principais descober- tas que levaram ao conceito de imunidade e & descr ‘0 do sistema imunol6gico pode facilitar a compre- ensio da importancia protetoca desse sistema nos mecanismos ee interagao dos individuos com o seu ambiente, sempre povoado por mierorganismos que podem causar doengas, e com células tumorais, que representa outra ameaca a vida. A primeira referencia escrita sobre 0 fenémeno de imunidade foi feta em 430 aC. por Tucidides,his- totiador grego que descreveu a imunoprotecio ad- quirida somente pelos individvos gue haviam sido previamente infectadas por uma praga ocorrida em ‘Atenas. Muitos séculos se passaram antes que fosse descrita a primeira tentativa de induzir imunoprote- 80 por um procedimento voluntério, Assim, somente no séctlo XV sao descritos os processos de varioliza «20 utilizados pelos chineses e tutcos para se prote- srerem contra a variola, infeegao fatal na época. Esse rocesso consistia na inoculagao deliberada de cros- tas secas de piistulas de variola nas narinas ou em pequenos cortes da pele de individuos saos. A eficié Gia de tal procedimento foi reconhecida ¢ utilizada por Lady Mary W. Montagu, esposa clo embaixador inglés na China, para imunizar 0s pr6prios flhos. Em 1798, o méico inglés Edward Jenner trouxe nova contribuigao a0 conhecimento da vacinagao contra a varia, Baseado no conhecimento popular de que as mulheres ordenhadoras de vacas desen- 1 2 Vere Leia Garcia Calich e Celia A. Copp Vaz volviam uma variola branda, pois se infectavam no traballio com o virus da vatiola da vaca, descreveu lum processo de vacinagao voluntario em humanos, Apesar do procedimento por ele descrito sofrer for- tes restrigdes éticas hoje, na ocasiao levou a grande avango na profilaxia da variola, pois foi utilizado por mais de um século por toda a Europa na busca de protegao contra essa infeccao viral. Além disso, seus experimentos marcaram 9 inicio da imunologia co- mo ciéncia experimentalist. Assim, Jenner inoculou ‘o liquido de ptstulas de variola de vaca em um meni: no saudavel e, posteriormente, o inoculou delibera: damente com 0 virus da variola humana, obtendo, como esperado, auséncia de doenca. Um século de- pois, 0 procedimento de Jenner foi chamado por Louis Pasteur de vacinagao, pois utilizava material de doenca desenvolvida pelas vacas (vaccinia) Somente cerca de um século apés a descrigao da vacinagao de Jenner é que foi desenvolvide um pro: e550 de imunizagao contra outra doenga infecciosa, a célera avisria. Louis Pasteur ucilizou culturas enve recidas da bactéria Pasteurella multocida para imuini- zat, com sucesso, galinhas. Pasteur estendew esse procedimento a indugio de imunoprotecao contra outros patégenos importantes. Assim, obteve vacina contra o Bacillus antracis usando cepa da bactéria ate rnyada pelo calor e, em 1885, Pasteur realizou a pri- -meira vacinagio em humanos, Inoculou © virus ate- ‘nuado da raiva em um menino mordido por cio rai vyos0 ¢ logrou a protecio e sobrevivéncia do menino, Embora jd existissem os procedimentos vacinais contra algumas doengas, os mecanismos geradores da protecao eram totalmente desconhecidos. Entte tanto, em 1890, 0s pesquisadores von Behring € Kitasato demonstraram que 0 soro sanguineo (por- fo liquida do sangue sem as células verrrethas e brancas} era capaz de transferir protegao contra a difteria para animais nao imunizados, Esse trabalho rendeu a von Behring, em 1901, o primeiro Prémio Nobel cle Imunologia (até o momento, 16 vezes 0 prémio Nobel foi atribuico a pesquisas em Imunol gia, reconhecendo a importante conttibuigio de 25 pesquisadores cla area}. Esta “atividade protetora” do soro recebeu diversas «lenominagdes, mas so mente na década de 1930 é que Evin Kabat demons trou que era mediada por proteinas de baiya mobil dade eletroforética, as chamadas y-globulinas. Essas proteinas so agora chamadas de imunoglobulinas u anticorpos e so 0s principais componentes da imunidade humoral, isto €, aquela presente nos ‘humores" ou fluidos corporais. Foi também no inicio do século XX (1908) que Paul Ehrlich demonstrou a importancia das antitoxines na imunidade contra o botulismo e que Karl Landsteiner definiu como antigeno toda substancia capaz.de indu 2ir a produgao de anticorpos. Naquela época, a reatvi dade imunolégica era sempre associada & aga0 dos anticorpos e existiam varss teorias humorais da ima nidade para explicéla. Uma das mais engenhosas € Visionérias, em razio do nivel de conhecimentos da Epoca, foi a teoria das cadeias laterais de Paul Ehrich, que predizia que as células envolvidas na imunidade apresentavam em sva superficie cadeias laterals (recep- tores) semelhantes aos anticorpos, e que antigeno estimularia a secregao destas. ‘Tabalhando na Franca, o pesquisador russo Elie Metchnikoff pice demonstrar, jé em1883, que, além dos anticorpos, as células também participavam do processo de imunidade. Demonstrou que células braneas, por ele denominadas de fagécitos, eam capazes de ingerir microrganismos e conferir prote- {630 20s individuos. Essa observacao levou Metchri- koffa postular a teoria celular da imunidade que, posteriormente. foi demonstrada como sendo medi- ada vor outras células da linhagem branca, denomi: nnadas linfcitos, a maior parte das vezes em colabo- taro com os fag6citos. Em 1940, Merril Chase lo- ‘Ou transferir imunidade contra a tuberculose atra- és da inoculagao de leucdcitos sanguineos de ani mais imunizados para individuos sadios. Somente em 1950, porém, & que se demonstrou que diferen- tes tipos de linfocitos estavam envolvidos na imuni- dade, alguns associados a produgao de anticorpos e imunidade humoral e outros a imunidade celular, em ue o prépro linfocito exerce a funcao de eliminaro agente estranho. COMPOSICAO E ORGANIZACAO DO SISTEMA IMUNE 0 sistema imune € formado por células, tecidos ¢ rg’ios que compen o chamado sistema linkbide. ‘Todas as células do sistema 20 origindrias de prec sores indiferenciados da medula dssea denominados ‘élulastronco ou células pluripotentes (Fig. 1-1). A existéncia de micronichos ambientais na medula ai da a secrecao de diferentes fatores de crescimento e diferenciacao pelas células do estroma garantem 0 desenvolvimento de varias inhagens celulares que vdo ‘compor os elementos celulares do sangue ou se agri par em 6rga0s linfoides denominados drgios linfo- He Origem e hhematops linigides ____caPiruto 1 + nrrovugao A munovoaia | 3 cau Célula primoraal totpotente ‘lunpotente =~ Calva precursor Celula precursora - (®@) wie a pracun Princpais ctocinas de @© ™ o° @ ness —— [saz] ianesr 9] Princpaisctocinas do ‘ierenciagao [Leucscitos] [eee Tai — WS 16, 7 —{monocitos HiL-3, GV-CSF, m 12,16, 1L7 iL-3, GMOS GOS) 13,15, GME cost LIS. IS. GM-CSF | Scr [1Piaquetas LH] 1-3, GM-CSF, 6 1%. [icxecany] Lf pasoftos }{ 10S, 1b4, GM-CSF FA rigem e maturacao das células do sistema imune. Precursores Hinfoides e mieldides derivados de célula-tronco ou hhematopoiética primordial riginsria da medula dssea dio origem as diversas subpopulagbes celulares dos drgios linfoides e do sangue. 4 Ver cia Garcia Catch Cait A Cop V2 des, 0 timo e a propria medula dssea sa0 denomi- nados Orgaos linfoides primérios ow geradores, ppois ne(es se multiplicam e se diferenciam as duas grandes subpopulacdes de linfécitos, 08 linfocitos T eB, respectivamente, queva0, entao, migrar para os chamados 6rgaos linfoides secundétios ou peri os (baco, linfonodos € outtos tecidos linféides}, onde se desenvolve a resposta imune. As caracteris ticase fungoes das células e 6rgaos do sistema imu: ne esto apresentadas em detalhes no Capitulo 3, Beevemente, as células pluripotentes da medula ‘éssea se diferenciam em progenitores linfoides ou progenitores mieloides, que posteriormente se trans formardo nas outras subpopulagoes celulares que com poem 0 sistema. Os progenitores micloides dao or ‘gem 205 mondcitos e 20s leucécitas polimorfonuciea- res neutraffos, bas6filos e eosin6filos do sangue. Os rmonécitos do sangue posteriormente diferenciamse nos macrafagos teciduais. Os progenitores lines «io origem aos linfcitos que irdo colonizar os dros linfdides perifricos (Fig. 12). Porém, antes de migra rem para os 6rga0slnfoides secunditios, 0s precurso res linfoides recebern a infuéncia dos chamaclos 6r gos linfbides primatios, isto 6 o timo ea prdpria me- ula 6ssea, transformand-se nas duas grandes popu lagbeslinfocitérias do sistema, 05 linficitos Te B, res- pectivamente. No tim, as prectrsores linféides dife- renciam-se em linfcitosT e adquirem competéncia de reatividade aos estimulos estranhos. Sao as céllas res ponsivels pela imunidade celular. Na medula 6ssea {Bone marrow) dos mamnferas oti na Bursa de Fabricius, eentury-long dispute, Nature ken 2003,4:425-28 IMUNIDADE INATA E INFLAMACAO Sonia Jancar Coma descoberta de Pastew ao finaf co século pas- sao, cle que as doencas s20 causadas por germes, uma série de microrganismos com potencial pato- génico foi catalogads. Entretanto, sabemos que um Inicrorganismo patogenico nao causa doenga em {odos os organismos que infecta, pois existem vari agbes individuals quanto a suscetibilidade, Por exemplo, em uma epidemia de gripe, considerando a populagio que entrou em contato com o virus, somente uma parcela fica doente, A maior parte da populaao, embora cenha entrado em contato com Oo virus, nao desenvolve a doenca. Tais individuos so, portanto, resistentes a essa infeccio. O que determina aresisténcia ou suscetibilidade as infec sOes éa eficiéncia da resposta imune para um decer- minaclo microrganismo em particular. Assim, 6 mes- mo individuo pode ser resistente a certas infeccoes € suscetivel a outras. A resposta imune pode ser determinada por mecanismos da imanidade inata ou natural, o& por mecanismos da imunidade adquitidle ou adaptativa (Quadro 2-1) IMUNIDADE INATA. FAGOCITOS Os macréfagos € neutrfilos sao as eélulas centrais da inunidade inota, Na medula dssea, células pre cursoras da linhagem mielice se diferenciam nasi nihagens granulocitica e monocitica, amadurecem e vo para a circulagao sanguinea. Os neutrOflos ori- ginamse da linhagem granulocitica e s4o produzi- dos em grande nimero na medula dssea. Parte dos neutr6filos maduros ics na media dssea como pool GED runidedte nara versus imunidade adauirida [Ares aa : i] Primeira linha de defesa do organismo = Nio guarda meméria E dependemte de fagdcitos e células NK — Reconhecimeno se da através de receptores ‘que reconhecem padrdies moleculares conans a varios microrganismos sistencia 3s infecgbes € determinada por mecanismnos da } alae Tmunidade adquirida fadaptativa) — Demora alguns dias para se estabelecer iuarda meméria —£ dependente de linfocitos ~ Grande diversidade de receptores para anti sgerada por recombinacao de genes, cada clone de linidcitos reconhece um Unico tipo de molécula de reserva e outra parte vai para a circulagao. Fles tem vida média muito curta, sobrevivendo apenas, algumas horas na circulagao. Eles migram rapida- mente para os tecidos inflamados ou infectados onde ficam ativos por um tempo um pouco maior (alguns dias) e depois morrem por apoptose e so fagocitados pelos macréfagos. Para passar do san- gue para o tecido, elesaderem as células endoteliais lo foco inflamatério ou infeccioso e espremem-se cenire duas células endoteliais adjacentes sem dani ficar 0 endotélio. Sao as primeiras células do sangue 1a migrar para o foco infeccieso. Por causa disso, € pelo fato dle possuirem mecanismos extremamente 5 para matar microrganismos, os neut: filos sio considerados a primeira linha de defesa do ‘organismo contra infecsoes. Apés fagocitar e matar (05 microrganismos, os neutréfiles morrem no local a0 contririo dos macrofagos. Algumas bactérias (piogénicas) induzem uma migragao massiva de neutrOfilos, ea morte de ui grande niimero dessas células no tecido & responsavel pela formagao do puss. E t80 importante o papel dos neutrsfilos no controle das infecgdes que individuos cujos neu rofilos apresentam defeitos na atividade fagocita Figvmicrobicida ou nao conseguem migrar para o '0c0 infeccioso (por no expressarem certas mole las de adesao) tém infecgdes recorrentes, septice mia € morrem precocemente, Os macréfagos também s precursoras da medula dssea que se diferenciam em pr6-monécitos. Estes vio para o sangue, onde nadlos de monécitos, e dai migram para os eficien nam de células diferentes tecidos onde se transforniam em p fagos. Essas células, a0 contririo dos neutrofilos, sobrevivem nos tecidos por longo tempo. Deper: dendo «lo iecido onde se insialam, os macréfagos aglquirem fungdes ¢ caracteristica Fenotipicas dis- tintas. S20 chamados de um modo geral de células lo sistema mononuclear fagocitico e se encont no tecido conjuntivo de varios érgaos, como bago, linfonodos, figado (células de Kupffer; em cavida des corporais, como a sinovial, peritoneal e pleucal: has mucosas gastrointestinal e respiratéria {macré: fagos alveolares}jno eérebro (microglia) e nos ossos (osieadlastos). Exisce um grupo de células do siste ma mononuclear constituido pelas células dendriti cas mieldides, assim chamadzs para diferencié-las, de um outro grupo de células desulriticas preser no timo e nos linfonodos e que t ‘cursores linfides. As células dendriticas mieloides, depois dle fagocitarem antigenos nos tecidos, ‘gram para os linfonodos, onde os apresentamr para sem origem de pre 65 linfécitos T, iniciando a resposta imune adquiri Na infecgio, o nimero dle macréfagos no tecido afetado aumenta muito em virtude da migracao de ‘mondcitos do sangue para local. Essa migragao se di mais (ardiamente que a dos neutréfilos. Alen de fagocitar € matar microrganismos, os macrofagos re- mover células mortas, restos celulates ¢ residuos proveniientes de tecidos lesados, senclo essenciais pa- Fa 0 reparo tecidual. Além dessas fungées,os macrofa- gos so as células de ligagio da imunidade natural ‘com a imunidade adquirida, pois eles tém a capacida- de de fagocitat, processar ¢ apresentar os an'igenos de forma tal que estes possam ser teconlrecidos pelos linfécitos. Essa capacidade dos macrfagos é funda- ‘mental para miciar a resposta imune adquirida. A aco ddessas células inicia-se com reconhecimento de moléculas na membrana de microrganismos seguido da fagocitose ou interalizagiio dos microrganistias, quando sao acionadlos varios mecanismos que leva, A destruigao destes RECONHECIMENTO DE MICRORGANISMOS PELOS FAGOCITOS (0s fag6citos possuem na sua membrana 'sensores” de rmicrorganismos conhecidos como receptores, Esses receptores reconhecem padres molecalares repe vos. presentes na superficie de diferentes microrganis- mos e ausentes nas células do hospedeiro, e s20 por isso chamados de receptores de reconhecimento de padres moleculares (PRRs, pattern recognition recep for3).0 reconhecimento de microrganismos por esses recoptores em macréfagos leva & ativacdo de sinais intracelulares que so fundamentais para que essas éluls iniciem o processo de fagocitose e produzam substancias microbicidas e inflamatorias (Fig. 2-1). Di rentes classes de microrganismos expressam dif: rentes padres moleculares que sao reconhecidos pos diferentes receptores presentes em fagécitos. Esses receptores da imiinidade inata reconhecem padrées moleculares, ao contrécio dos receptores da imunida- de adquirida, que exibem uma especificidade muito mais restrita. Um desses receptores em macrofagos € 6 receptor para manose (MR, mannose receptor), que iga carboidratos como manana ou manose terminal Ge glicoconjugados de microrganismos (células humanas nao tem residuos ce manose cerminais em. proteinas e polissacarideos da membrana celular Outro receptor que reconhece polissacarideos €Nec- tina-t, que reconhece B-glucanas, presentes na su: FIG.24 Receptors ‘ranose ts toll (TLR) reatvas di pré-inam invlamato cessis mol perlicie que exist dratos, C de recon compost mos. OU receptor presente’ recendo das. Exist tes 20 tol conserva ram desc zagao po: antimicro 1.2.1 Recoplores da imunidade inata. Os fagécitos: nanose (MR, desencadeiam a fagocit rativas de oxigénio (ROS) © pto-inflamatéria aivacdo do sistema complemento} inslamatério)revestem os mic ss maléculas nos macrolagos (CR) perficie de alguns microrganismos, Hoje se sabe que existem outros receptores semelhantes aos de manose que reconhecem outros grupos de carboi dratos. Cada un desses receptores rem o potencial de reconhecer diferencas sutis na estrutura desses compostos expressos na superficie de microrg mos. Outro grupo de receptores chamados de receptores scavenger (“ixeiro") reconhece estruturas presentes em ctiles apoptéticas ou necroticas, favo recendo assim a remocio de céhaas mortas ou altera das. Exist ainda, um grupo dereceptores semelhgn- tes ao toll (TLR, tll tke queso altamence conservadios entre as especies. Os receptores tll fo ram descobeitos em mosca de frutas, ea via de sina 2acio por eles acionada leva & producao de peptideos antimicrobianos importantes na defesa contra infec cept ossuem receptores que fem microrganismos ou estruturas presentes em células moras. Alguns desses se alivam mecanismos microbicidas. Por outro lad {oll(TLR) nao estimulam a fagacitose, mas induzem forte producto de moléculas microbicidas, como ‘de nitrogénio (NO), assim co CAPITULO? » IMUNIDADE IATA. INFLAMAGAO | 19 ~~ Maerétago Produgaa do ‘lacinas| Fagoctose conhecem padbes moleculares presentes a receplor para ceptores, coma especie 10a producio de vir nas com atividade Je induzitem a fagocitase, geralmente iniber a resposia le da presenga de receptores para (Bes em moscas adultas, A sinaizagao através desses receptores é usada também na defesa da maioria dos organismos pluricelulares, Nos vertebrados, diferen: tes TERS reconhecem distintos produtos microbianos. No hiomem foram identiticados, até 0 momento, 10 -eceptores funcionais pertencentes 3 familia de recep- ‘ores fol. O TLR4 foi o primeiro a ser identificado em vertebrados e reconhecelipopolissacarideos (LPS) pre- sentes na parede celular de bactérias Gram-negativas, 0 LPS associa-se & proteina de membrana CD14 que ‘tia em conjunto com 0 TLR4 para iniciar a sinaliza (20 intracelular. O LPS, também conhecido como en clotoxina, é extremamente potente para ativar macré fagos € outras cétulas € € responsivel pelo choque séptico, uma resposta inflamatoria sist@mica que pode ser fatal 20 | Suaie Jancar (OTLR2 reconhece peptidoglicanos de bactérias Gram-positivas e parede de leveduras {zimosani, € 0 TLRS reconhece a flagelina, componente comum a ‘arias bactérias méveis que possuem flagelos. Nos \ertebrados, a ativacao dos TLRs zesulta na ativacao los fatores dle transcrigdo NFB e de AP-1, que ati- ‘vam os genes para sintese de ctocinas e dé molécue las de adesio, Dessa maneira, so produzidas dife- rentes citocinas e moléculas microbicidas, depen- dlendo do TLR acionado, e, como conseqiiéncia, serao induzidos diferentes padres de ativacio de acordo com o microrganismo. Os TLRS agem nao s6 ‘em combinagao uns com oS outros, mas também ‘com outros receptores da imunidade inata Uma nova familia de receptores para padroes moleculares foi descrta mais recentemente. Fstes receptores chamacos NOD (nucleotide binding ofgome- ‘ization domain) localizamse no ctoplasma dios fagé- Gitos onele atuiam como sensores de antigenos de bat {érias intracelulares. O engajamento clesses receptor res induz a ativagao do NFkB ¢ da caspase-1, culmi- nando na transcrigao dl varios genes e/ov na apopto- se de macrafagos, No caso dle patégenos intracelula- res le macrofagos, este pode ser um clos mecanismos «que contribui para o controle da infecsao. © peptide C3b, gerade por ativacao do sistema complzmento, pode ligarse | membrana de micror- ganismos, senda reconhecido pelo receptor para complemento 1,CRI, expresso em macréfagos ¢ net tréfilos. A forma inativa do C3b {iC3b) se liga aos receprores CR2 e CRS. Ainda, uma proteina de fase aguda (proteina C reativa) pode ligarse a fosfolipé {eos da membrana de microtganismos revestindoos. Desta forma, 0s microrganismos, recobertos por (3b ‘ou proteina C reatva, sao mas facitmente reconkec- dos por receptores presentes em fagécitos, faiitane io a fagocitose. Este fenémeno de tacltagi da fago- citose reeebe 0 nome de opsonizagao, ¢ 0 C3b ¢ a proteina C reatva, entre outras moléaulas que exer ccem fungio semelhante, so chamados de opsoninas, A estimulacio da resposta imune adquirda induz a proclugao de anticorpos especifcos para o patégeno, ‘que o recobrem de modo deixar exposta a regiao da molécula denominada Fe (fragment crstalzable). Os acréfagos e neutréfilos possuem receptores para a regio Fe do anticorpo da classe IgG, denominado FeR, Em resumo, 0s fa6citos reconhtecem microrga- nismos através de receptores capazes de ligar molé- cles presentes na superficie de microrganismos. Dentre esses receptores, temos os receptores para manose, receptores semelhantes 29 tlle receptores para opsoninas. Apés 0 reconhecimento, ocorre a fagocitose do microrganismo ea ativacao celular que resulta na prodiucao de citocinas e de moléculas com. ppotencia! para matar os microrganismos e induzit uma resposta inflamatéria, FAGOCITOSE E DESTRUICAO DE MICRORGANISMOS Apés a adesdo dos microrganismos aos receptores de fagécitos, estes emitem pseudépodos que envok vem 9 microrganismo, formando um vactiolo fag citaio, Este se finde a lisossomos e outros granulos itoplasméticos (Fig. 2-2). O microrganismo pode entao ser degradado pelas varias proteinas conti- das nos grnulos, No caso dos neu 6filos, os isos- somos {grdnulos primarios) contém lisozima, fosfa- tase dcida, catepsinas, elastases, mieloperoxidase e proteinas catiénicas. Os granufos secundatios,além da fisozima, contém lactoferrina, um quelante de ferro que impede o crescimento de varias bactérias ‘que dependem desse elemento para suz multiplica- 40, colagenase, cininogenase ¢ ativador de plasm nogénio, entre outros, A atividade microbicida envove a agao conjunta das proteinas presentes nos lisossomos e gramulos ‘com a produgio de metabsitos do oxigénio, como o “anion superdxido, o perdxido de hidrogenio, o dcido A proc ‘espécies reativas de oxigénio (ROI, reactive oxyzen in termediates) ocorre pela ativagio de um complexo entimético denominado sistema NADPH-oxidase. A ativagae sesse sistema é acompanhada por grande ‘axmento no consumo de oxigénio pelos fagdcitos, que é conhecide como explosio respiratéria. Q site ma da NADPHI-oxidase & composto por arias subunit dades protéicas que se organizam na membrana dos vactiolos fagociticos, Na forma ativada, 0 sistema NADPH-oxidase converte © oxigénio molecular em Anion superdxiio (0°) usando a NADPH como co-fi- {ot 0 anion super6xido ¢ ento dismuutado em peré- xido de hicrogenio (1,03), o qual pode entio reasir com fons de cloro para formar 0 ‘cic hipodoraso (HOCH, em uma reacao cetalisada por mieloperoxida se. Enquanto 0 O® é fracamente bactericida, o HOCIE ‘© componente microbicida mais potente, sendo pro- duzico em grande quantidadle tanto pelos neutréfilas quanto pelos macréfagos em razio ca presence ds encima mieloperoxidase nessas células.#8sa encima & particularmente abundante nos grémulos primarios dos neutrofilos « ¢ liberaca tanto para dentro do fa- _gossomo como para o espaco extracelular FIG.22 Fagocitose e: (1), este passa asso seguint fenzimas e pr na membrans ‘oxigenada, si locorre geragi pprodutos, em os ef fesse pene ti, ta dn juan ams quand sesso Ingest Fusto do fagossomavisossome Morte dla bacteria fe.22 IMUNIDADE INATA EINFLAMAGAG | 21 Fagocitosee atividade microbicida dos fagécitos. Uma vez que 0 microrganismo aderiu 2 membrana do fagécito {Neste passa a emit nseudénodos que englaba o microrganisemo em uma estrutura chamada fagossomo (2). 0 sso sepuinte consiste ma fusda do fagossome com lisassomos (3) e digestso do microrganismo pelas varias fezimase proteinas toxicas presen ‘coire geragao de xido nitrico (NO) a partir Produtos, em geral, causa a morte do microrgar mo (4). hesosemonofesfto. © poco fn! dessa io € 0 dido pico que. no usénca de oxigen, éconvetfoem gt. Ao lca 0 qual, ccumulando-se ns cls, ccsiona | mnaerbica vio “shan” da { uma dining do pH nos vale. minagdo de mirorgonismos. Os macro. ‘judondo na 0s, quando otivades, tombém dervomt os Imo para et via deglcdise anoerdbico, Isso tema vata. _grm adicional de permite que esos cela Ininarmicrorganismos mes em evades w meraboi- 0s fag6citos sintetizam, ainda, o 6xido nitrico INO} formado a partir da Larginina pela agdo das No-sintases. Células endoteliais das vasos e neuré- nis apresentam formas constitutivas dessa enzima denominadas, respectivamenre, eNOS & nNOS. A sintese de NO em fagécitos envolve uma forma in- éuzida da enzima, a iNOS. 0 NO tem miltiplas fun S nos lisossomos. Em paralelo, ocorre ‘a snembrana do fagolisossomo com geragao de varios metabslitos do ox ido hipacloroso, coletivamente chamados de espécies reativas do axigenio (ROS). Além disso, ‘rginina pela a¢30 da NO-sintase (iNOS). A’aca0 desses ativagao do sistema NADPH-oxidase nio, como superoxido, gua es, entre elas a regulagao do fluxo sanguineo, a neurotransmissio e 2 dor. Possui também impor- tante ago microbicida, inibindo as enzimas mito- condriais respansaveis pela respitagao celular, além de reagir com o superdxido, gerando o peroxi to, que é citotéxico, OUTROS MECANISMOS EFETORES DA IMUNIDADE !NATA Desempenham também importante papel na imuni dade inata as c¢lulas NK (natural kil), as quais estao especialmente envolvidas na morte de células tumo- rals e infectadas por virus. Ao matar essas células, 0 também eliminados os reservat6rios de virus, contri buindo para a resolucio da infeccao. As células NK tem papel essencial no inicio das infecgdes virais, antes da atuagao da imunidade adquirida e também 22 | Sonie Jancar produzem IFN-y, que inibe a replicagdo dos virus ‘Além disso, 0 IEN-y_ativa os fagécitos, aumentando sua capacidade microbicida e tumoricida. Infeecao por outros parasitasintracelulares também pode ser erradicada por mecanismos semelhantes. Apesar de pertencer 8 linhagem linfide, a célula NK € conside- rada como elemento da imunidade inata pelo fato de: a) nao desenvolver meméria, que & uma caracte- ristica dos linfécitos T e B: b) seus receptores para antigeno possuirem uma diversidade limitad, a0 conttério dos receptores para antigenos dos linféci tos Te B, que apresentam grande diversidade, gera- dda por recombinacao genica. 0 epitélio das mucosas contém, além das célu- las NK, uma subpopulacao de linfScitos Tintraepite- lias denominada cclulas Ty, que também expres- sam receptores para antigeno (TCR) de clversidade limitada, razap pela qual podem ser consideradas células da imunidade inata como as células NK. S30, importantes na defesa das mucosas, pois secretam itocinas ativadoras de fagécitos. Ascélulas 8), uma subpopulacao de linfcitos B (ver Cap. 10), também possuem receptores para antigeno (BCR) de diversi: dade limitada € produzem anticorpos da classe IgM especificos para antigenos polissacaridicos e lpi cos presentes em varios tipos de bactérias. Fstes anticorpos préformados, chamados de aiticorpos ‘naturals, Se constituem erm um importante mecanis- ‘mo de defesa contra microrganismos que venceram as barreiras epitelias Outro mecanismo microbicida relevante da tes- post2 imune inata € a ativacao do sistema comple ‘mento, que pode levar & lise de microrganismos. A ativagao desse sistema inicia-se pela clivagem (hidrotise espontanea) do componente C3 (va alter nativa) e pela ligacao do fragmento C3b a substan- cias aceptoras presentes na membrana de alguns ‘microbios. partir daf ocorre a ativacao seqliencial de varias proteinas do plasma e a polimerizacao dos componentes finais deste sistema na membra- na da célula-alvo, de modo a formar poros e canse aliente lise do microrganismo. A ativagio do siste ma complemento também acorre através de uma proteina, MBL (manose binding lectin), que liga test ‘duos de manose presentes na superficie de alguns microrganismos (via das lectins). Essas vias de ati: vacio do sistema complemento iniciamse pela ligagao de proteinas plasmaticas a componentes da membrana de microrganismos, componentes estes ausentes em células do hospedeiro (ver Cap. 6). Outro grupo de proteinas plasmaticas que tem agdo protetora contra infeccdes € o das proteinas dle fase aguida, cujos niveis circulantes aumentam muito e rapidamente apds infecgao ou inflamacao. Destas, uma das mais estudadas é a proteina C rea tiva, que se liga a fosfolipideos de microrganismos recobrindo-os, o que facilita a fagocitose. Funcio- ram, portanto, como opsoninas. Os mecanismos de imunidade inata, entretanto, nem sempre conseguem eliminar todos os agentes infecciosos. Os linfocitos, que apareceram evolutiva- mente mais tarde, apenas nos animais vertebrados, compoem um sistema de defesa adicional que apre- senta a grande vantagem de conferir maior especific dade a resposta imune e proteco aumentada a rein- feccao (meméria imunolégica); tem, entretanto, a desvantagem de estabelecer-se apenas apés 4a 7 dias do inicio da infecgdo e, nesse periodo, a imunidade inata tem papel critico no controle das infeccoes. BARREIRAS NATURAIS Os mecanismos de defesa inatos preexistem no ‘organismo e agem imediatamente apos a infeccao. Entretanto, a ocorréncia de infecao € rara, embora, ‘estejamos constantemente expostos aos microrga nismos. Isso se deve as barreiras naturais represen: tadas pela pele e mucosas e pelas substancias anti- microbianas produzidas nesses locais, que so fun- damentais para impedir que microrganismos se ins- talem nos tecidos. pele, além de ser uma barreira mecinica, impe de a instalagdo de microrganismos patogénicos tam- bbém pela acao mictobicida das suas sectegdes, Assim, © cide lactico, a lisozima, 0s acidos graxos insatura- dos, além do pH écido, matam varios microrganismos (ou tém efeito citostatico sobre eles. A continua desca: -magio das células da derme é um fator mecaco que ajuda na eliminagao de microrganismos, ¢ a flora nor ‘mal da pele controla a instatago de organismos pato nicos. epitétio produz. também diversos pepti deos que funcionam como antibidticos naturais de largo espectro, conhecidos como defensinas. [As mucosas que revestem 0s tratos respiraté Tio, digestivo e genitourinario sao também impor tantes barreiras naturais. No trato respiratrio, os sorgae do liquido intersticialjinfa} e S20 respons veis pelo controle dos niveis deste nos tecidas nor mais. Durante a reagao inflamatéria, o aumento do fluxo sanguineo na microcirculagao e o aumenta de permeabilidade vascular favorecem o actimulo de liquido nos tecidos (exsudato inflamatério}, 0 qual 6 entdo drenadio pelos vasos linfticos. EVENTOS INICIAIS DA REACAO INFLAMATORIA 0 processo inflamatsrio inicia-se com uma série estereotipada de eventos que ocorrem na microcir culagéo, comegando por alteragdes no calibre das arteriolas, devidas a contrag3o ou ao relaxamento dos misculos lisos que envolvent esses vasos, com conseqiiente arodificagao do fluxo sanguineo loca Avasodilatacao € responsével pelo maior aportede sangue para a regio inflamada, causando o rubore © calor. Seguem-se alteragdes da permeabilidade clas venulas em conseqiéncia da abertura das jum (CAPITULO 2 = IMUNIDADE INATA E INFLAMACAO | 25 | ~~ ESPINHG Arterola FG.23 Amicrocirculagio ¢ formada por arteriolas,capilares, venulas e vas0s infaticos presentes no tecido conjuntivo, ‘onde também se encontram macrofagos e mastacitos. A intraductio de im espinho induz hemorragia & ‘consequenteativacao de sistemas plasmaticos, com geraco de bradicinina (BKI, e peptideos derivados da ativagdo do sistema camplemento, como 0 C5a. Os mastocites desgranulam liberando histamina (H) e TNFa. Os Imacrofagos s30 também ativados ¢ liberam mediadozeslipidicos como prostaglandinas (PG), leucatrienos (7) € flor ativador de plaguetas (PAF). Essas substancias causam alteracdes no calibre das arteriolas e na peimeabilidade das vénvlas, o que leva ao extravasamento de plasma para o tecido e formacso de edema, Essas ‘shlincias e outras liberadas mais ardiamente promovem a saida de neutrofilos do sangue e 0 seu actimulo no - Aocoinilamatorio. Vasoslinfaticos drenam o plasma extravasada e células parzo linfonodo mais proximo. rocit- p das ento com ches entre as células endoteliais. Experimeantos ele- contraciio das fibras de miosina ¢ actina presentes ocal gantes de quase 40 anos atras, usando particulasde nas células endoteliais das venulas. Tanto as altera ede catbonocoloidal (cinta da China), mostraraminequi- ces que ocorrem nas arterioles como a contragao ore ‘ocamente que o aumento da permeabilidade ocor- das células endoteliais das vénulas sio causadas por fade re nas xénulas por abercura das juncBes entre as substancias liberadas no local da inflamacao, cha jun. céiulas endoteliais. A abertura das jungdesdevese a madas de mediadores inflamatorios. 28 | Sonia Janear Esses mediadores sG0 produzidos em conse- uma proteina do sistema da coagulaclo, o fator XI sensitvas§ aiténcia da ativacio dos mastécitos € macrofagos fator de Hagemann), com moléeuias carregadas tar neurop presentes no local da nflamacao, por estimulacaa de negativamente presentes em micrarganismos ou em tancia Pe sistemas plasmaticos ou, ainda, porestimulacao neu- matriz extraceiularalterada por infeecao ou inflama- atuam dire rogénica, Os mastocitos,céulas presentes no tecido co cem como conseqiigncia imediata a ativagio sando vase conjuntivo ao redor dos vasos sanguineas, quando deste fatot. O fator XI ativado, além de iniciar a cas- vascular, o ativados, desgranulam e conseqiientemente liberam cata da coagulacao, também ative os sistemas fibri- tos que Pp 4 hhistamina entre outras substancias contidas em — nolitico e das cininas, como ilustrado no Quadro 2:3. ‘Alguns me seus granulos. A desgranulagdo pode ser mecanica A ativagao desses sistemas plasmaticos induz a gerz mina, podk ou induzida por ativagao de alguns receptores nes- go de: a) peptideos quimiotaticos derivados da de forma, con sas células, entre eles receptor para o fragmento gradagao da fibrina, b) peptideos C3a e Ca deriva Ca do sistema complemento. A histamina indye dos 2 ativagio do sistema complemento, 0s quais einen contragao das células endoteiais das venulas, au- 40 quimiotaticos para neutzofilos além de induzie euro ‘mentando assim a permeabilidade vascular. ativa- rem aumento da permeabilidade vascular ec} brad nase ao de mastocitos e macrofagos induz, ainda, a sin-cinina, que € potente vasodilatador, aumenta a per- ric. tese de mediadores lipidicos, como prostaglandinas, _ meabilidade vascular e causa dor. eae teucotrienos ¢ PAF (platelet activating facton, as quiais Ap6s estimulag’o de terminagbes. nervosas eed também atuam nesta fase inicial da inflamaclo. co- _sensitvas, da pele. por exemplo, os sinas sao trans uranet mo sera visto mais adiante ritidos para a sistema nervoso central através de benno No local da inflamagao podem ocorrer rompi- _fibras nervosas tipo C, ndo mielinizadas. Entretan- induzem a mento de vasos sanguineos e hemorragia, como, Por to, na regiso de bifurcagao das flvas nervasas, wna ed exemplo, quando da introducio de um espinho na parte do sinal pode volar, estimulando de manera a pele. Em conseqiigncia disso, s40 produzidas varias antidrmica (propagacao de um impulso pelo axé- ‘eat substancias biologicamente ativas. © contato de ajo em ditegae reversa a0 normal) as Cerminagdes uit post 0 fluxo CED *iivacio de sistemas plasinsticos vascular e tum process { FATOR XI ATIVADO, E> Sistema Sisterna : Sena cinins Trombina Plasminogeaio Pré-caticreina —"» Caicre i Reed { so pera = Ee t =] uimitsti fiG.24 neuropepti conseqién lpicicns. sensitivas da pele que, dessa forma, passam a secre- {ar neuropeptideos. Estes, principalmente a subs- tincia P e 0 CGRP (calcitonin gene-related protein), atuam direramente sobre os vasos sanguineos, cau sando vasodilatagao e aumento da permeabilidade vascular, 04, ainda, induzem a ativagao de mastéci tos que passam a liberar mediadores (Fig. 2-4 Alguns mediadores farmacologicos, como a hista ‘mina, podem atuar em nervos sensitivos e, dessa forma, controlar a liberacao de neuropeptidens. (ualquer tipo de inflam agua tom um componente reurogéico em maior aa menor gra. Entretant,em agin ts stories inlamacaoe quae esrtamentenewroge ted respsto do ple aum tapa ou rasp, por exerplo,€ terubor calor seguidos de edema, Experimentalmente foi tito que oestmulagd elércoprolongado determina des rervosassensitivas cous esses mesos snl, eneste caso € -paramenteconseiecia de estimulagoneurogérca Ta fem no caso de pcadosdeinsetos, as tornas muits veces indice desgronulagda de mastcitas eos mediadors lie rads por esas clus atuamdiretamente sobre 0s vaso Sarguineos ou inciretomente, por stimula de nerwos sevstvos. com lberagdo de neuropeptieos reslrondo erm vesolatagdoe aumento da permeabiidade se, ou com mato poco, inftaxo de eucscts. 0 fiuxo de plasma dos espacos intra para o extra- vascular e conseqilente retorno via vasos linkiticos & um processo fisioldgico, mas, durante o processo in Queratina Terminagées ~ 4 Tecido yn Ganglos 38 spina dorsal RG.2-4 lipidicos. - ~ Te CAPITULO? « IMUNIDADE NATAE INFLAMAGAO | 27 flamatério, o aumento da permeabilidade vascular ¢ a -vasodilatacao favorecem 0 actimuio de plasma no tec do, o que ocasiona o eciem ou turgor. O actimulo de proteinas plasmaticas no tecido passa entao a exercer uma pressdo oncética tal que, iesmo apés o Fecha ‘mento das jungdes endaceliais, pode continuar ocor: rendo acimula de liquido no tecido, agora em razdo da saida de agua por difusdo transcitoplasmatica © aumento de permeabilidade vascular é portante para trazet para 0 foco inflamatério os ‘componentes plasmiiticos que podem ajudar na eli minagao dos microrganismos, como € 0 caso das proteinas do sistema complemento, as quais— quan do ativadas ~levam a lise de membranas celulaes. E importante ainda para diluir eventuais toxinas ou venenos e para aumentar a drenagem linfitica e, com isso, carregar antigenos de microrganismos para 0s linfonodos, propiciando assim 0 desencade- amento da resposta imune especifica O liquido acumulado nos tecidos pode pressio- nar terminacdes nervosas e causar dor. A dor infla matéria ocorre também por acao de mediadores. tes poclem atuar diretamente sobre os recepto 's de dor, como € 0 caso da bradicinina, ou, indire- tamente, abaixando o limiar desses receptores de tal modo que concentracdes muito menores de rmediadores algésicos passam a causar dor, como & © caso das prostaglandinas. Os i sr EDEMA wy ula Jy a via Mastoctos Inflamagio neurogénica. A estimulagao antidrOmica de terminagdes nervosas sensiivas leva a lberacao de newropeptideos que induzem a dilatagao e o aumento da permeabilidade vascular nas vénulas, diretamente ou em consequeéncia da despranulacao de mastécitos e consequentelibera¢ao de histamina e produgao de mediadores 28 | Sonia Jancar MEDIADORES DA INFLAMACAO Os mediadores da inflamagao em geral sio substan cias normalmente produzidas no organismo para realizar fungdes fisioldgicas. Cada mediador atua ‘em um out Mais receptores especificos presentes na membrana de varios tipos de células. A ligagao do mediador ao seu receptor gera sinais especificos que sao transduzidos intracelularmente por molé- culas e caminhos caracteristicos para cada tipo de receptor ou de célula. Alguns mediaclores podem ativar a cranscrigao de genes, ¢ 0s produtos desses genes podem determinar agdes celulares especifi cas. Amaiotia dos mediadores € degradada no local da sintese por enzimas especitica. Em situagdes patoldgicas, concentracdes ex: cessivas dessas moléculas, causadas por aumento dda sua sintese ov por degradacao ineficiente, po- «lem causar efeitos deletérios, justificando uma in- tervengdo farmacolégica. Essa intervengao pode ser feita com farmacos que inibem a sintese ou que bloqueiam os receptores especificos do mediador ‘em questo. E importante salientar que, na inflama- fo, vitios mediadores podem exercer a mesma fungio. Essa redundancia sugere que 0 processo in flamatério tenha um valor biolégico importante. Na fase inicial da resposta inflamatéria so importantes as aminas vasoativas, principalmente a hhistamina, que existe pré-formada nos granulos de mastécitos ¢ basdfilos. © receptor Hy medeia 0 aumento da permeabilidade vascular e contragao dda musculatura lisa de varios érgaos e é antagoniza- do por drogas como a mepiramina. Receptores Hz ‘so encontrados nas células secretoras de dcido do estmago e sto antagonizados por cimetidina AA bradlicinina tem papel fisioligico importante ‘no controle da pressao sanguinea, No processo infla- matorio a bradicinina causa aumento da permeabili- dade e do fluxo sanguineo e broncoconstrigao. Alem isso, € importante mediador da dor inflamatéria, ‘agindo de forma indireta, por estimular a liberagao de mediadores hiperalgeésicos, como a prostaglandina, ‘0u direta, por ativagio dos neurdnios sensoriais pri- Iatios presentes na maioria dos tecidos de mamite- tos, Sao conhecidos receptores constitutivos (62) ¢ receptoresinduziveis (B1)-Antagonistas desses recep tores estao sendo submetidos a ensaios cinicos Outro grupo de motéculas importantes no pro «essoinflamatério € 0 dos neuropeptidens, como a substancia P, neurocinina A. VIP (vasoactive intestinal peptide), CGRP, somatostatina e encefalinas. Dos neu opeptideos, a substancia Pe o CGRP tem efeitos pr6:inflamatérios mais bem desctitos e sao respon savels pela inflamacdo neurog@nica. A substancia Pe a neurocininas attam nos receptores NK,, aumen- tando o fluxo sanguineo ea permeabilidade vascular, ‘© em receptores Nk» induzindo broncoconstricao. ‘Os mediadores lipidicos so produzidos como conseqiiéncia da ativagao de fosfolipases que dl ‘vam 05 fosfolipideos constituintes da membrana celular, gerando prostaglandinas, teucotrienos DAF ipceee activating factor, As fosfolipases A, sao uma familia de enzimas ue hidrolisam fosfolipideos, produzindo acidos -Eraxos livres elisofosfolipideos. Essas enzimas so detectaveis em quase todos 0$ tipos celulares e ttc, On AZT \™ ; ba 1 wl PCE, POF, 1 [one | > . _ — iosiolipase axaquidOniea € 0 alquil-iso-fosto ‘amo ciclooxigenases elipoxigenases FPG ‘emo PAF (platelet activating facton Os receptores pata os mediadores lipidicos fazem parte da superfamiia de receptores acopla- «ios proteina G expressos na membrana plasmsti cae também na membrana nuclear. De maneira sgeral,aligagao clos teucotrienos aos seus recepto resinduz uma variedade de caseatas de sinalizacio, epenclente co mediador e de sua concentragio & do tipo celular no qué! ele atua, Esses mediadores tém importantes fungdes in. flamatorias. Essas funcoes esto resumidas no Qua: dro 2-4, As prostaglandinas sao consideradas mediado- ses da reagio inflamatoria, pois foram encontracas em exsudatos inflamstérios; quando injetadas, elas reproduzem os sinais da inflamacao, e drogas que ini bema sua sintese, inibem toda ou parte da reagao in flamatéria. As prostagiandinas sao vasodilatadores po- rentes. las nao aumentam a permeabilidade vascul porém contribuem para o edema por seu efeito vaso: iiatacor. Assim, em assaciagao com a bradicinina e a 21¢ romboxan0 (TXA,}. Pela a¢ao da 5-lipaxigenase sao. Afgui-so-fostolipideo, caso seja de colina, é acetilado, gerando 0 alquil-aceti-glicero-fosfocalina conhecido Gerasio dos mediadores lipidicas. A ativaco de receptores na membrana de fagécitos leva & ativagan do que cliva fostolipideos constituintes da membrana celular na posiga0 2, gerando o cido ideo. © acido araquidénice na forms livre pods Pela acao da ciclooxigenase s30 frer a acao de enzimas radas varias prostaglandinas (PGE, D, ados 05 leucotrienos (LTB, Cy, D,@ E,). O fristamina, as prostaglandinas aumentam o edema, Alem disso, as prostaglandinas estao envolvidas nos processos de dor e febre. As prostaglandinas E2 ea prostaciciina nao causam dor por si $6, porém abai xam 0 limiar de excitagao dos receptores algésicos, causando hiperalgesia, como ja mencionado, Portan to, tanto na dor como no edema, as prostagiandinas atuam de modo sinérgico com outros mediadores, As prostaglandinas sao potentes agentes piré ticos. Em infecgdes bacterianas e virais, os macrofa ‘gos produzem interleucina 1, a qual estimula a sin tese de PGE, em cétitlas nao neuronais, provavel mente nas células endoteliais dos vasos que perfun dem 0 hipotatamo, causando febre. ‘As prostaglandinas podem atuar em diferentes receptores celulares, Muitas de suas acbes S20 atra: ves dos receptores EPI ¢ EP2, os quais aumencam a atividade da adenit-iclase ¢, conseqiientemente, 0s niveis intracelulares de AMPc, Em funcao disso, as prostaglandinas exercem efeitos supressores em 20 | Sania Jancar DER A lguimas funcdes inslamatérias dos mediadores lipidicos |= Febre Prostaglandinas Fi © Hiperalgesia Vasodilatacao ~> potencializacio do edema CContragao ou relaxamento de misculo liso Leucotrieno By «= Aumento da permeabilidade vascular * Recrutamento de neuir6filos para foco inflamatério © Ativagdo de neutréfilos, eosindillos, macrOtagos e células NK ‘= Contragao ou relaxamento de misculo liso Teucotienas C/D, "= Aumento da pean + Produgao de muco biliade vascular + Recrutamento de eosinéfilos para foco inflamatério © Contragao de muascula liso PAF ‘Ativagio de virios * Aumento da permeabilidade vascular © Recrulamento de newtrafilos e easinétilos * Sensibilizacao de macrofagos, neutrilos e endotélio * Contragao de misculo liso ipos celulares algumas céhulas, como nas macrofagos, onde & PGE suprime a atividade microbicida A prostaciclina & produzida pelo endotélio vas- cular constitutivamente e também contribui para 0 edema inflamatério por stra acio vasoditatadora, «causa hiperalgesiae inibe a agregacio de plaquetas 0 tromboxano é encontrado também em exsudatos inflamatorios, sendo produzido por plaquetas e ou tras células. Causa agregacio de plaquetas, aumento dda permeabilidade vascular ¢ contrbui para influxo de neutréfils. ‘As prostaglandinas tém também fungbes fisio- logicas além das inflamatérias, No estomago, as prostaglandinas exercem fungao citoprotetora,tal- vez por seu efeito vasodilataclor que permite um fluxo sanguineo adequado nas mucosas ou, entao, Bor promoverem a sobrevivencia e proliferagio das Células epiteliais das mucosas. No rim, as prosta- glandinas sio responsaveis pela manutengao das funcoes renais. Na gestacdo € no parto as prosta- slandinas tém tambem um papel relevante, contri- buindo para o implante do ovo no inicio da gesta- cio © para a contragao da musculatura do tere durante 0 parto. No sistema nervoso central foi er contrada expressao das ciclooxigenases tanto em areas neuronais como nao neuronais, mas 0 Seu pa pel nessas éreas ainda nao esté esclarecido. As pros taglandinas atuam tanto extra como intracelular mente, ¢ existem evidéncias de que atuam também no fenémeno de crescimento ¢ morte celular. ‘Em 1990 oi descoberta outa isoforma re ciclooxigenase, @COX2, a qual € induzivel por estimulosinflamatéris. | Esso descobertapropicioo desenvolvimento de ris an Tinflamatoris nqves com agdo mais seetva sobre a COX:2, Embor expres de COK.2 sea mais evidente em siti de inlamago © @ COX-1 seo responsive pela maior parte das prostaglandinas sinteticadas no trata _gastrointestial, 0 delneamienta de suas fungdes no to toro, Existem exempos fanto em: estudos em animals amo em estos clncos de que prostaglandinasprodvz as pela COX-1 sdo importantes para a inflamacao outros em que nba apenas da COX:2 nd ¢ sfcente para inbira inflamacde. Exists também enidinctas de ‘que 9 COX-2 ests expressaconsttuivamente no sistema nervosa centrale que a inibigde da COX:2 ota aintegr- dade do eptlo da mucosa gostrointesinal. Observagoes em anincis genetcamente modifcadosveforgan a nd cagdes de que as fungdes fisilogicas também podem ser mediades por COX:?. A Sulipoxigenase (5-L0) induz.a geracdo dos lew ccotrienos. Esta enzima localiza-se no citoplasma € no niicleo (Fig. 2-6). Quando uma célula recebe um estimulo externo, a 5-L0 ea PLA, translocant-se para membrana nuclear. APIA, diva os fastalipideos ibe rando 0 acido araquid@nico, que se liga & proteina FLAP (fiveliponigenase activating protein) e, nessa for- ima, 0 AA Corna-se substrato paraa 5-LO, gerando um. composto instivel, o LTA. Este podera softer hidré- lise gerando LTR, ou entao, pela aco de uma gluta ona S-transferase (a LTC, sintase}, receber um resi duo de 3 aminoscidos: acido glutamico, cisteina e slicina, gerando 0 LC, Com a retirada enzimatiea FG. 2.6 Simtese dos leuco membrana prome até a membrana fos%oipideos tbe se liga a FLAP (fi nessa forma, OAR Sclipoxigenase 6. molécula de Ap leucotrienos ts). riicleo ou, ainds, do decide glutam UTE,, Esses leu nilleucotrienos Dente 0s f Stlipoxigenase, ¢ tantes sobre oss tico para neutral las ao endotéio, ular a desgrar Giiente liberacac lesao tecidual. 0 flamatorios que rativa, doenga di ete. Os csteini portantes no pt constricao, én Eles fora impli ¢ fibrose pulmor ‘Uma impon niidade inata &¢ ‘goes por aumen créfagos. Os le conseqiienteme CAPITULO 2 + IMUNIDADE INATAE INFLAMAGAO | 31 16.26 Sntese dos eucotrienos. A estimulacao de receptores de trenlxana promave a translocacao da cPLA; do citosa aie 9 membrana nuclear, onde a enzima vai elivar faslpideos liberancto 0 acid araquidOnico (AA). Este S@liga a FLAP (five-tipoxigenase activating protein) e, ss forma, 0 AA toxna-se substrato para 8 Slioxigenase (5-10), que inicia a oxidacao da tmocula de AA para formar compostos denominados Ieuctienos (1). Estes vao para o citoplasma ou para o ceo ou, ainda, So liberados para o meio extracelula 4a cid glutamico, formas o LID e, da glicina, 0 A, Esses leucotrienos sto conhecidos como ciste nibleveotienos. Dentre 0s procitos resultantes da athacio da Sipoxigenase, 0 leucotieno B, tem Ringoes impor- lanes sobre os neutrofilos. OTB, €agente quimiot- feo para neutrofils einduz a aderencia dessa cel ls 0 endotelio. Em stuacbes particulares pode esti ular a desgranulagio dos neutrofilos com conse- lente iberacio de enzimas dos granules, causando leo tecdual. 0 8 foi implicado em processos in- famatérios que ocorrem, por exerplo, na coliteulce- rata doenca de Crohn, artrite reumatéie, psorase dtc Os dsteinileucotrienos sto partcularmente im partastes no pulmao, onde causam potente bronco- constico, alm de aumentarem a secregao de muco. Els foram implicados na asma aergica,aterosclerose e irose pulmonar, entre outras doengas Ua importante agao dos leucotrienos na infu nidade inata € a sua capacidade de controlar infec {Bes por aumentar a atividade microbicida dos ma xiagos. Os leucotrienos ativan a NADPH-oxidase e comseqienterente a produgao de espéciesreativas de oxigenio, a producao de dxido nitrico e a secre G20 de defensinas. A ativagio das fosfolipases A2 da membrana celular pode levar ainda a geragao do PAF(1-O-alqui 2-acei-snglicero-3fosfocolina). A fosfolipase A2 cl ¥a0s fosfolipideos de membrana, produzindo quart tidades equimolares de dcidos graxos livres e de iso- fosfolipideos. A posterior acetilacao de lisofosfolip deos de colina gera o alquitacetiF-glicerofosfocolina, que & conhecido como PAF Este ¢ rapidamente de. axadado por aceti-hidrolases que, retirando 0 aceta- to, 0 transformam em lso-PAR e esse composto pode incorporar 0 dcido araquidonico e ser integra- do na membrana celular (Fig. 2-7). Essas enzimas existem dentro de células e no plasma e sao respon- saveis pelo controle dos niveis intra e extracelulares desse mediador. Em muitas células, inclusive em neutrfilos e células endotelais, apenas uma fragio do PAF sintetizado € liberada, o restante fica dentro da célula. O PAF parece ter funcdes intracelulares, porém ainda sio pouco conhecidas. © PAF é também mediador de eventos inflama trios. Ele é um importante ampliicador de sinais Estimalos PLA, Ca ack >) (hasiisocre) tsoPae) (‘neuirecen-aP0) ary) FIG.27 Sintese do PAF. A atvaci0 de fosfolipase A, (PLA,) liva 0 fostolipideo alquil-acil-GPC islicero-fosfocolina), componente da membrai . RO! — not c ae de sci - sana i Clesto waa ‘if — te iss Fea nci0 = nc J sarars Bene ney oot = - Macrétago oe (© Reparo tecidual > free | | sincleae | CGronssto > | proteogicanas is essencials cos pela in- ras ¢ restos ponentes da aso. SA DE ne elimina Po dando lugar ] inflamagao er. co, sea 0 = nicrorganis~ ee _ elmo, co- 10 "por exer = Sto de unl Gxido nitrico (NO) e intermediarios reafivos do oxigénio (ROL) importantes para a eliminag3o de microrganismos, pid porn prencialmentecausadores do les, O: macrolags umbem iberams ctacinas (CF-. POE VEGA) Ther) — Irprtimes paraoreparo ect. Os macr6lagos stivads por IFN. proczide por nectos Th tm sea sfagos. Os Capcidade microbicida e/ou lesiva muito amplificada. Os eosindtilos ativados por IL-4 9u IL-5 produzidas por muito mais fesse meca- Tinkcitos Th? cesgranulam, liberanclo a enzima peroxidase de eosindlilos (EPO) ea proteina basica principal MBP, que sio efetivas na eliminagao cle vermes, mas que, também, podem causa’ lesa fecidual 38 Sonia Jancar ‘utra nao € bem conhecido, e os limites sao bastante tnues (ver Caps. 13 € 14), A inflamagao tem papel fundamental no sentido dle aumentar 0 nimero de fagécitos no foco infeccio- 50, ampliando sobremaneira as chances de elimina- Go dos microrganismos. Entretanto, a capacidade destrutiva dessas células, particularmente dos neu trafilos, t20 util no combate as infeccBes, pode, em condigBes particulares, ser dirigica contra 0s pr6prios tecdos do hospedeiro, causando lesdes teciduais. As enzimas lisossémicas e proteinas catiGnicas contidas «am seus granilos e as especies reativas de oxigénio & nitrogénio proguzidas podem danificar © endotélio vascular, destrir catlagens ou 05503 ¢ modificar a matriz extracelular. Esse mecanismo € responsavel por lesbes, as vezes debiltantes, como as que ocor- rem nas doencas reumaticas, nas pneumonites ocupa- Cionais e em outras situagdes patolégicas desencade- adas por neutrofilos ativacos, como é o caso da artrite gotosa, colite ulcerativa, sindrome do desconforto respiratorio do adultoe les6es decorrentes de reper fusio apés isquemia protongaca. E bom lembrar que a simples presenga de neutréfilos nos tecidos nao causa lesio. A lesdo tecual depende de uma combi- nagio de fatores, incluindo o grau ea dinémica do contato dos neutréfilos com o endotélio ¢ 0 estado de ativagio do neutrafilo ou do endotéli. INFLAMAGAO COMO ELO ENTRE A. IMUNIDADE INATA E A ADQUIRIDA. Ainflamacao fornece sinais que sdo fundamentals para ‘que 0s linfécitos sejam ativados iniciando, assim, a resposta imune adquirida, Microrganismos que indu- zem fraca reag&o inflamatéria, em geral, nao induzem boa resposta imune, Por essa razao, na fabricacao de vacinas, so utilizadas “substancias adjuvantes” que tém por fungio induzir uma resposta inflamaccra no local da inoculacdo da vacina, aumentando sobrema neira 0 seu potencial imunogénico, ‘A reagio inflamatoria aumenta fuxo da linfa carregando antigenos e células apresentadoras de antigenos (céulas dendriticas e mactofegos) para os ‘6rgaos linfoides. Essas células residem na maioria dos tecidos e sio derivadas de precursores miel6i des da medula 6ssea. A semelhanca dos macrofagos, as células dendriticas também possuuem receptores ‘em sua membrana que reconhecem padrées mole- culares comuns a varios microrganismos ¢ os fagoct tam, Apés terem fagocitado, as células dendriticas imaturas migram para os linfonodos mais préximos conde se tomam maduras e passam a funcionar como tor H2 inde supresora:b) dendrtias ex Tevanta.a pas inflanago, iui a um ‘expresso re importante po amotiro.s perpetuar un como, por exe Células apresentadoras de antigeno (APC, antigen pre- senting cell altamente eficientes. A imunidade adquirida depende do reconhect mento do antigeno pelos linfécitos e a sua ativagio. Para que isso ocorra, as APCs tém que expressar mole calles de adesdo e moléculas co-estimulatérias em sua membrana, As citocinasmediadores produzidos no foco inflamatéri, assim como proditos bacterianos, aumentam 2 expressio de moléculas de adesio € induzem a expressio de moléculas co-estimulatorias, como a 87 na membrana cas APCs. 0 reconhecimento simulténeo do antigeno pelo receptor do linficto T {TCR} emconjunto com o reconhecimento da molécu- la BT por sex ligante (CD28) no linfécito é fundamen- tal para que ocorra a ativacio do linfcito 7. Microrga- nisms que possuem LPS tamisém induzem a expres sio de moléculas co-estimulatérias em macréfagos ¢ élulas dendriticas, em razao ca ativacao dos recepto- £5 do tipo tll. Por outro lado, microrganismos que ativam o sistema complemento ficam recobertos com ‘ fragmento C3d, que se liga ao receptor CK2 presen- te em linfocitos 8 maduros. O reconhecimento simul taneo do antigeno microbiano e do C3 ligado a ele ativa of lnfocitos B para a producao de anticorpos. Dependendo do contesto inflamatério, que € determinacio pelo padrao ve citocinas e outros med- adores produzidos no foco inflamatério, e que podem eventualmente ser dreados para o linfonodo, assim como do tipo cle APC acionea,serao ativados prefe reacialmente tinfécitos Th! ou Th2. Por exemplo, em uma inflamiaglo que envolva produsao de IL-12 pela ABC, e essa citocina ative células NK a produzinem IFNy, a apresentagao clo antigeno aos linfécitosT, nos linfonodos, devera ativar preferencialmente linfdcitos ‘Thi. Por outro lado, uma inflamagao que envolva a producao de prostaglandina E2 pela APC e desgram- Tago de mastécitos e, portanto, aliberacdo de histo mina, e a produgao de IL-4 e de mediadores lipidicos, a apresentagao do antigeno nos linfonodes promove 1a ativacao preferencial de linfScitos Th. Portanto, 105 sinais gerados durante a rea3o inflamatéria mao apenas so essenciais para desencadear @ resposta immune como também regular essa resposta Graves DR, G immune sy int the bio receptors Poters-Golden 200753571 Alguns exerpos que iusiram 9 que acabames de dizer Jforany retivados do fneratura recente a) 05 lféctos ‘expres receptores para histamine endo que o nic tos Thi expressom prefeencialmenterecepores do tipo Hi, que stimulator. eo ecepor de histantina do tp 2 est expresso nas dos tpos de hnfocts T, eo hston: na, agindo nesseracepeos,suprime 0 sesposta dos dois pos de linficitas e contribu paraofenameno de oer ‘ie Em clos dendrites Wistamina undo a recep npre aheci- molé- os no ianos, io € torias, mento ico olécu amen ror xpres agos ¢ cepto- 08 que 3scom ese simul pacle podem assim pref fo,em 2 pela virem Tnos citos olva a granu histo icos, mov tanto, ja nao. posta (CAPITULO 2 = IMUNIDADE INATAE I lor 12 indus @ producdo de 1-10, g supresarob] existe evdéncas deities express es para bradiina, 0 qe iberada durante 0 estabelecimento da 5 sposta mune adqu feantaapossbiidade dobre ilmecie nsulor 0 intevsdede nu poo de rapona | ruimiero de células apresentadoras carregando ant imuoe 9 um dado ontgera:ctinfcits Th2 eeosindflos | eNOS para oS Srgaos linfoides; b) aumentar a ex epresam receptor pare 4 prosiagiandina 02, 0 qual é | pressao de moléculas de adesio, entre elas as co He para @ migragiodessas culos para ofocoi- | estimulatérias, nas APCs: c) determinar 0 tipo de fama. Assn produgdo de prostaglandina 02 pode uor un inlamagao io por tnfosios TH2 so gum antigeno, PERGUNTAS ORIENTADORAS. 1. Quais as principais diferengas entre a imunidade natural da? 2. Quais alteracdes vasculares ocorrem no inicio da resposta inflamaté 3. Quais 05 principais mediadores responséveis por essas altera 4, Como se di a migracao dos neutréfilos do san infeccao? 5. Descreva os mecanismos microbicidas dos neutréfilos, 6. Cite algumas diferencas funcionais entre as duas células fagocitérias, 0 neutréfilos e os macrétagos. 0 elo de li ea adguiri- ‘es? para o local da 2. Por que 0 macrofago agdo entre a imunidade inala € adquirida? LEITURA RECOMENDADA. Giaves DR, Gordon $. Thematic review series the Taylor PR, Martinez:Pomaes L, Stacey M eral iymune system and atherogenesis. Recer inights Macrophage receptors and immune recognition into the biology of mzcrophaye scavenger ‘Annu Rev Imma 23.0014 receptors. | Lipid Res 2005;46:11-20 Pers-Golden M, Leukotrienes. Eng! 2007 357:1841-54, Med wamagho | 39 Em resumo, a inflamagao é fundamental para 0 a] aumentar@ fuxo da linfa e, conseqiientemente, 0 resposta imune (Th! ou Th2) que serd ativada fren: CELULAS PARTICIPANTES DA RESPOSTA IMUNE scaractersticas mais importantes do sistema imune $8 especifcidacle e memoria. A especifcidade & a apacidade de reconhecer e reagit a determinada inolécula ea memoria é a capacidade de voltar a reco nhecer ereagic rapidamente a essa mesma molécula, (gandio esta for reintroduzida no organismo. As mole tas que sao reconhecidas pelo sistema imune so amades cle antigenos. O reconhecimento de um angen ocorre pela interagio quimica, nao covalen fe entre segmentos da molécula de antigeno, cha mnados de determinantes antigénicos ou epitopos, com egides especiaizadas de motéculas de glicopro tenas existentes na superficie dos linfécitos. Essas moléculas s30 chamadas de receptores para antige- ose si proteinas integrais cle membrana. las exis tem nas duas principais populagdes de linfécitos amadas linfcitos T—que se diferencia no Timo elinfcitos B, caja diferenciagdo ocorre na Bursa cle Favs nas aves ou namedtla 6sse8 nos mamiferos. Acstrutura molecular dos receptores dos linfé os Te 8 é diferente, bem como os requisitos para 9reconhecimento de antigenos (ver Caps. 5,9 e 10) Osreceptores de linfécitos B interagem diretamente comas conformacies moieculares espaciais dos ep topos de uma molécula de antigeno, Os receptores e linfacitos T, por outro lado, interagem com os aninodcidos de epitopos de antigeno, que podem sariar de 12 a 20 aminoacidos. Esses polipeptideos. sio fragmentos da molécula original de antigeno e, para serem reconhecidos, devem estar positiona dos na superficie de ourtras células, chamadas gene. ricamente células apresentadoras de antigeno (APC), CAPITULO ppituto 3 | CELULAS E ORGAOS DO SISTEMA IMUNE Ises de Almeida Abrahamsohn. Na superficie das APCs, o polipeptideo antigénico estd associado a moléculas do complexo principal de histocompatibilidade, usualmente referidas co- mo moléculas do MHC (major histocompatibility complex), as quais podem ser cle dois tipos: molécu las de classe I (MHC-cl I) ¢ de classe Il (MHC-c ID, Portanto, para que o receptor de linfocito Tse ligue a um polipeptideo e para que o linfécito seja esti mulado, é necessaria a participagao cle outras célu las, coletivamente conhecidas como apresentado- ras de antigeno, que processam o antigeno e mos: tram 05 polipeptideos em associagao com molécu las do MHC (ver Cap. 8}. 0 receptor de linfécitos B, em contrapartida, € capaz de reconhecer direta ‘mente epitopos conformacionais na molécula anti genica e, portanto, a estimulagdo de linfécitos B do requer APC. Sto varias as células que podem atuat como APC pare o linfécito T: macrétagos, células dendriticas, células de Langerhans e os pré prios linfécitos B, As células dendriticas compreendem varias po- pulagdes celulares dispersas pelos varios Grgaos ¢ tecidos clo organismo. As células dendriticas origi nam-se a partir de células precursoras encontradas na medula dssea. A diferenciagao pode ocorrer a pai tir de células precursoras comprometidas com a li inhagem linfide ou com a linhagem mieloide e origi na arias populagbes de células denditicas, reconhe- civeis por exibirem na sua superficie moléculas dis: tintas e diferencas na capacidade de sintese de cit. cinas. Por exemplo, células dendriticas ditas mieléi des, na espécie humana, exibem a molécula CO11¢ (caracteristica da populacio mieldide) e sao CD123° essas células sdo capazes de sintetizar as citocinas que promovem a diferenciagao de uma subpopul 80 de linfocitos T conhecida por Th1.A outra popu: lagao majoritaria de células dendriticas caracteri 4 42. | Iss de Almeida Abrahamson 2a-S€ por expressar CDI23* mas ndo expressar CDIie na sua superficie, s20, portanto, células de fenstipo CDi 1c CD123", conhecidas como células dendriticas linfoides. que sintetizam ctocinas dis- Cintas das produzidas pelas cékuias dendriticas tie- ides. Um tipo especial de células dendriticas iman 145 de origer mieldice s20 as ostulas de Langerhans, que s€ encontram em grande niimero nos epitéios de revestimento; essas células captam antigeno e se desiocam, via vas0s linfaticos, para os linfonodos que drenam uma determinada regiso. Por essa raza0 tem um papel importante no transporte de antige- nos introduzidos ou que permeian os epitélios; no linfonodo tomam-se células dendriticas madras € atuam também coms eficientes APCS, AS células endritcas maguras expressam na sua superficie, além de moléculas de casse Ie classe lt co MHC, va rias outras moléculas chamadas de co-estimulado: as, que si0 essenciais para aativacao de linfécitos T Células de Langerhans e outtas células da linhagem dendritica mieléide apresentam uma organela cito plasmética denominada granulos de Birbeck, nos quais Se concentra unta protefna ligadora de manose encontrada na superficie dessas células chamada de langerina, Acteditase que a langerina se ligue a mo- {écufas ricas em manose, que séo internalizadas e se acumulam nos granulos de Birbeck antes de serem processadias para apresentacd0. AS APCs possuem moléculas de classe Il do MHC. ¢ apresentam antigeno para uma subpopulacao de lint citos T os quais expressam um tipo de moléculacha- ‘mada CD4 na superficie e sio conhecidos como lint tos T ausiares ou, abveviadamente, Te (T heer. A cutra grande subpopulagao de linfécitos T, que expres sa CD8 na superficie, &tambént chamadia de cla T eitatdxica ou etoitica ou abreviadamente Te, porque € ‘eapaz de desenvoher, apos ativagao, a funcao ctotoxica que consiste em destru céulas que expressemt pep- tideo ativador apresentacio em motécula de classe 1 do MHC. Para estes linfctos Te, qualquer cla do orga- nismo [com excegao das hemacias nos mamiferos) que apresente o polipeptideo em assaciagdo com molécu las de classe i co MHC val ser reconhecida e pode atuar coma APE. Entretanco, a ativag iniciat que fev a pro- liferacao e a0 desenvolvimento de atividade citotoxica € muito mais eficiente quando cétulas {CD8* s3o ativa- das por APCS profisionais madras ativadas, que ex ppressam moléculas co-estimulatérias além da alta cexpressio de moléculas de classe e classe i! do NHC. As células que atuam como APC apresentam na sua superficie diferentes tipos de moléculas gue re- conhecem determinados padrdes moleculares recor rentes nas moléculas de antigenos, especialmente aqueles patrdes presentes em agentes patogénicos. Uma série desses receptores & conhecica como mo- léculas do tipo Totblike-receptors (TER) ou receptores do tipo toll. Assim, par exemlo, TLRS reconhece RNA de dupa fita, que nd 6 encontrado em céllas cuca riotas mas que aparece quando ha replicacao viral intracellar.O reconhecimento via TLR ative a célla APC a sintetizar citocinas que vao, em seqiiéncia, at var fungoes de imunidade inata e também co-est ular e amplificar 2 e-sposta imune especitica. Ou- tos TLR reconhecem outros tipos de moléculas:as- sim, TLR4 reconhece lipopolissacarideo (LPS) de or: gem bacteriana, abuindante em bactérias Gramne- sgativas. O5 virios TLR formam um sistema de reco nhecimento de padres moléculares oriundos de pe- FIG.32 Imunidlade e {ogenos PAM pathogenassonated recor putes, |e pecenhea Esse sistem é ltamente conservado a0 longo di | purssntios evolugio {foi descrito originalmente em Drosophila} e perdurar o a € importante tanto para imunidade iata como ps total cle cel ra deflagrar a resposta imune especifica aos organis- aguisicao de mos patogénicos para a espécie. noe Os infociras Tou B nao esimalados so cus ‘com escasso citoplasina que esto na fase Gy do cido. celular (Fig. 3-1). A interagao com o antigeno ata fs seqiencaimente a produgao de novs proteinas pea em Pelo ella pssondo ss para fs doc cel, fa 20me ‘que €seguida pelo periodo sinttico Se depois pe ung mitosee dito celular, odginandoentao das cae tzaneles {as em Gp, as quai seréo de novo estimuladas paraen- [7 50 irven vada em dvs cellar assim por diane ig 3, | @.20.aumew 05 lnitos no extimaados so céuas pegs MCGEE OS (8-10 jum, de diametro), com nticleo de cromatina con important las capazes ¢ eliminagio ¢ ver ui rim -ze5 cle comt Ao long Jinfibcites va infcitos de apoptose (n apes varias ‘que produze plasmécitos: hos tecidos Citos B. vste rnismo. Plas: reticulo end, de Golgi bat primaria de G31 Linfocito de esiregago de sangue. Coloracao: Giemsa. Objetiva 300%, srecor- Imente énicos. no mo: -ptores ce RNA seuca- 90 viral »célula ci, ati- co-esti- ca, Ou- las; as- de ori- am-ne- fe Teco de pa Ate), ngo da phil) e mo pa rganis- RECONMECINEN 16.32 Iunidade especttica ou adquirida. O anti Oreconhecimento expec faa faves Se G2 e mitos lea de células ati faganismo aps a etal elimina. io do a células fo ciclo ativa as pela celular, is pela ss cel ara en g 2). quenas, Aensada ¢ escasso citoplasma. No entanto, a0 progre Airem pelo ciclo celular, aumentam cle tamanho a cus ta do aumento cle citoplasma. Os linfocitos grandes {10-12 um) com cicoplasma mais abundante e rico em Irganelas sio chamacos linfoblastos. Varios ciclos su tessvos de ativacao fevam 3 amplificagao clonal, isto 6 ao aumento do niimero de células capazes de reco- niecer os varios ceterminantes antigénicos ou epito posde uma miolécuia complexa. A ampliicagao clonal importante para prover um grande namero de célu bas capazes de sintetizar moléculas que participam na elininagio clo antigeno ou agente infeccioso ou pro: verum ndmero grande de linfécitos citotéxicos cape zescde combater uma infecgao viral, por exemplo. ‘Ao longo de varios ciclos de dlvisao celular, alguns linfcitos vao sofier dlferenciacao, outros se tornar20 lifcitos de memoria © grande parte morrera por apoptose {morte celular programadal. Linfocitos B, aps varias civisoes, diferenciam-se em plasmécitos que produzem grandes quantidades de anticorpo. Os plusmdcitos sao encontrados nos tecids linfoides ou: as teidos para onde originalmente migraram linfé GitosB visto que piasmécitas nao circulam pelo orga: nism. Pasmécitos possuem abundante citoplasma, retieulo endoplasmatico do tipo granuloso e aparelho Ge Goi bastante desenvolvido consoante sua funcao Primaria de e¢hila secretora de grande quantidacle de CApITULOS « CELULAS onhecido por rece} teliidtos T ou B que os expressam mesmo sem ter tido contato previa com a molecule antigenica, ico leva & ativagio dos linfdcitos, que passam > fase proliferacio|. As células resu pluraro ancigeno, serdo estimuladas de novo a entiarno ciclo celular. Apdis vsrios ciclos de diviso, 0 numero «das tera aumentado muitissimo (amplificagao clonal), © 2s células podem dliferenciar-se para axuisicio de funcdes espectficas e/ou para células de mer AOS 00 SISTEMA IMUNE | 43 IMUNIDADE ESPECIFICA OU ADQUIRIDA (ores expecticos presentes na supericie 11 da ciclo celular e progridem antes da mitose s3o id€nticas as originals e, enquarvo 'a, que permanecem em numero aumentade no proteinas, 0s anticorpos (Fig. 33). 0s linficitos T, apés sua estimulagdo, sao chamados de efetores e nao ‘mudam apreciavelmente sua morfologia ao microsc6- pio 6ptico com relagao a linfécitos que nunca sore ram estinulacao e que podem ser chamados de lint citos virgens ou naive {inocentes, em inglés). Células T citotoxicas efetoras, quando abservacas ao microsc6- pio eletrdnico, apresentam no citoplasma uma quan tidade maior de graos eletrondensos onde se locali- zam moléculas,tais como pesforinas, que participam na destitigdo de outias células. Os linlocitos de memoria, quer sejam B ou T, sao linfocitos pequenos de escasso citoplasma, indistinguiveis morfologica- mente de linféctos virgens que nunca foram ativados OUITRAS CELULAS QUE PARTICIPAM DA. RESPOSTA IMUNE Vimos que para ocorrer a estimulacio dos linfocitos T sao necessétias as APCs que captam e processam antigen para apresentagao. Essas células sao essen- ciais para a resposta imune porque, além de proces- sarem 0 antigeno, possuem outras moléculas na sua superficie que se ligam a moléculas complementares presentes na superficie dos linfocitos. Essa ligacao fa cilita 0 contato entre as superticies celulares ca APCe do linfécito, ativando vias enzimaticas intracelulares 44 | tees de Almeida Abrabarsohn Plasmcitos em reco. Coloragao: hematoxilina/ sina. Objetiva 63 essenciais para a transcticao cle genes do tinfécito ativado. Essas moléculas sao chamadas de co-esti- muladoras ¢ varias elas pertencem a um grupo de proteinas conhecidas como moléculas de adesao. Interagoes entre linfécitas T e B também ocorrem com a ajuda de moléculas co-estimuladoras. Além da ativagio propiciada pelas moléculas co- nuladoras, outras moléculas conltecidas coletiva- nte como ritocinas S20 essenciais para a ative e diferenciaggo 405 linfécitos, As citocinas 830 proce! nas secretadas por vatios tipos celulares, incluindo as APCs e também linfécitos. As citocinas sa0 responsé veis pela pragressao ds linfécitas ativacos 20 longo. dio ciclo celular, pela regulagao positiva ou negativa da ativagao e pelas prineipais agdes efetoras de linfécitos As citocinas sectetadas ligarse a moléculas que -atuam como seus feceptores presentes na superficie de linfbciros e de outras células: a ligagao entre citoct ra e Seu respectivo receptor ativa circuitos dle sinal zagio intracelular que levam & ativagao de fatores nu- cleares de transcricio e, Finalmente, & sintese de no vas proteinas. Além das APCS e dos linfécitos T auxiliares eT citotéxicos, varias outras células participam da res posta a entrada de um antigeno ou de uin microrga nnismo ne hospedeiro vertebrado. No sitio de entra da do antigeno ou do microrganismo e nos respec: tivos linfonodos drenantes também ocotren inte -agbes com oultras células, fagocitarias ou nado. Va vias dessas células produzem citocinas e mediaclo res quimicos cuja sintese é estimulada por mecanis mos independentes «io reconhecimento especifico de antigeno pelos linfécitos. Citacinas so essenci- ais para que haja adesdo ao endotélio vascular de ‘outros Jeucécitos, como mondcitos (Fig, 3-4) poll morfonucleares, e para sua migragdo de dentro dos vasos para o sitio de entrada do antigeno. © conjunto dos mecanismos de defesa inica, do qual participam célulase citocinas ov mediadares por elas sintetizados, bem como proteinas presentes a0 plasma |(p. ex., as proteinas do sistema comple: mento {ver Cap. 6}] além de proteinas secretadas pelas mucosas, & conhecido camo sistema de ira: dade inaea ox aacural, Por outro lado, no sistema de imunidade adquirida ou especifica, 0s linfdcitos Tou B reconhecem antigeno de forma especitica via seus receptores de superficie. A imunidade inata prow tum sistenca de defesa inicial, importante para o orga nismo antes de ocorrer proliferacao de linféicitos em nimero suficiente para sintese e secrecao de quanti dade aprecivel de eitocinas ou de anticorpos, Entre as cétulas que fazem parte do sistema de imunidade inata estao os linfécitos NK (natura kiler, que sao uma populacao distinta dos linfécitos T ox B. 0s linfocitos NK originam-se de precursores rat medula dssea, mas nao passam pelo timo, no de- senvolvem meméria imunoldgica ¢ seus receptor de superficie tém uma especificidade muita mais ampla do que os receptores de infdcitosT e B. Osre- ceptores na superficie de linfécitos NK poder inte ragir com as porcdes protéicas, glicosiladas ou fipid- cas de glicoproteinss ou de glicolipideos presentes nas supetficies de outras células. Morfologicamente infocitos NK 0 ativadios s40 pequenos linfdcitos ¢ io indistinguiveis de linfocitos T ou 8 nao ativados Citocinas secretadas por maasfagos € linfScitos T eestimulam a proliferacao e ativann linfocitos NK que se transforma em células com citoplasma mais FIG. 3-4 Mondcito de esiregaco de sangue. Coloragao: Giemsa Objetiva 100% ._ abundante ticipam da tadas por: linfécitos sua prévia fécitos (t células sac ine-activa finfécitos ina inter incerleucin por cétula produtos | por linc capazes dk feito mier IL, pros parauma s terizada p citocinas ( Macré cleaves tat efetoras de wa! Levedcitos Giernsa. 0 CAPITULO + CELULAS € ORGAQS 00 SISTEMA IMUNE | 45) ahundante e granaloso, Linfcitos NK ativados par- ficipam da destruigdo de células tumorais ou infec tades por alguns tipos de virus. Como a ativacao de lnfcitos NK para uma agao citotéxica devende de 3-4) poli- dentro dos esa inicial, nediadores sua prévia ativagao por citocinas secretadas por lin- spresenites fGcitos (também chamadas de linfocinas), essas pa comple- ‘Gul so ainda denominadas células LAK ihmpho- secretadas Kineactvoted killers). Outra funga0 importante dos ade muni lnfécitos NK € a sua capacidade de sintetizar a cito- sistema de cina interferon-gama {IFNy}, quanéo ativados por iterleucina 12-12), sintetizada por macr6fagos ou por células dendriticas apés a ativagdo destas por frodutos bacterianos ou virais. 0 IFN-y sintetizado or linfocitos NK ativa macréfagos que, entao, sio FIG. 35 ‘apazes de matar microrganismos intracelulares (@- —sacrofagos pevitoneais de camuundongos contendo feco microbicida). Também atua juntamente com a formas amastigotas de Leishmania sp dentro de vacuolos IL12, promovendo a diferenciagio de linfécitos T _fogoctirios. Coloracao: Giemsa. Objetiva: 100% para una subpopulagio conhecida como Tin), carac terizada pelo padrio de produgio de determinadas ppiocnas (ver Cap. 9), nismos efetores finais de eliminacao do antigeno ou Macrofagos (Fig. 35) e leucdcitos polimorforu- de um agente patogénico recoberto por anticorpo deates também participam das chamadas fungdes decorrem ou de sua fagocitose ow da lberacao de tfetoras do sistema imune (Fig. 346}. Assim, os meca- _ substancias téxicas por aquelas células. Bcitos Tou cavia seus nata prove ara wonga fcitas em de quanti- "pos. sistema de tural kiler), icitos T o4F sores nat 0, nao de: receptores muito mais FeB, Os re- adem inte- 2 0 lipili- presenites gicamente, linficitos e oativados. inficitos T tos NK que sma mais 1G.36 Leucdcitos polimiorionuctesres de esfregaco de sangue. Em (A) neuthilo;(B) eosindhilo; C) baséfilo, Coloragao Giemsa. Objetiva 160 > Giemsa. 46 de Almeida Abrahamsohn IDENTIFICACAO DE CELULAS ATRAVES DE MARCADORFS DE SUPERFICIE A nomenclatura CD (Cluster of Differentiation) As clas do sistema imune possuem, na sua super- ficie, moléculas que exercem as mais variadas fun- ‘cBes: reconhecimento de antigeno, adesao a molé- culas sta superficie de outrascélulas,acesao a mol culas de matriz extracelular, transdugao de sinais, receptores que se ligam a citocinas etc. Na sua mai: oria,essas moléculas so glicoproteinas integrais de ‘membrana. presenca de determinada molécula de superficie em uma populagio celular permite a identficagao da mesma e assim varias moléculas de superficie so chamadas também de marcadores (para decerminada populagio celular). Marcadores do titeis na identficacio, quantificacao e no isola mento de populagées celulares. Além disso, 0s mar cadores permitem acompanhar a clferenciagao ce- lular, j8 que, durante os processos de maturacao, aparecem moléculas de superficie caracteristicas dos varios estagios de diferenciagdo e/ou ativacio de determinada linhagem celular. As glicoproteinas de superficie, se injetadas em outra espécie animal, estimulam'a formacao de nticorpos contra seus vérios determinantes anti- {génicos. Os anticorpos que reagem contra determi- nada glicoproteina ou marcador podem ser putt: cados e, por meio de reagées cuimicas, podem ser acoplados (conjugados) a compostos fluorescentes ‘ou 4 biotina. Dispondo-se de uma preparacao de anticorpos dirigidos a determinada glicoproteina e superficie que atue como marcador celular e que foram conjugados a um composto fluorescente co smo, por exemplo, a fluoresceina, faz-se reagit esses anticorpos com uma suspensio de células. 0s anti: corpos irdo se fixar apenas is células que possuem 0 respectivo antigeno {isto ¢, a glicoproteina/mat cador na sua superficie), em seguida, as células S70 lavadas para se remover 0 anticorpo nao aderido e 4 suspensio € examinada em um mictosc6pio de fuorescencia, Apenas as células que possuem 0 mar- cador estarao fluorescentes, permitindo sua conta- gem (ver Cap. 17) Alternativamente, as células possuidoras de Aluorescéncia podem ser contadas automaticamen- te em aparelho chamado citémetro de fluxo (ver Cap. 17). Para isolar populaces celulares especi cas € possivel usar © proprio citometen de fluxo acoplado a um dispositivo de separagio de céluias. células T a teriorment estimulada gos e célul C86. Ainc ios anticoi cador (p. € pesquisada clas, porém dades dist pos; além ¢ Fiantes alél Esse dispositivo permite separar células fluoresce tes de células nao fluorescentes ou células marca das por anticorpos fluorescentes de diferentes co res (p.ex., fluoresceina, que € verde, ou rodamina, que fluoresce em verinelho}, Outra técnica de separagao celular consiste em acoplar os anticozpos a biotin. AOS os anticorpos biotinilados reagirem com a suspensdo celular, adi cionase uma suspensio de micropérolas de ferro ‘magnetizadas, revestidas com um composto cham do estreptoavidina, o qual possui grande afinidade para biotina. Dessa maneira as células que ligaram 9 anticorpo biotinilado iréo se ligar 8s pérolas recober tas por estteptoavidina. Colocanda-se a suspensta celular sobre um fa potente ou passanclo por uma coluna de la de ago imantada, as particulas de fer ‘com células aderidas serao atraidas e assim podem ser eliminadas da suspensao celular. E possivel, em seguida, recuperar as células que ficaram retidas & sepatilas das pérolas magnéticas. Quando as técnicas de identificacdo de células se tornaram corriqueiras, um grande niimero de anticorpos e de populacdes celulares foi descritouti- lizando-se anticorpos desenvolvidos contra moléau las marcadoras da superficie celular. Inicialmente iss0 foi feito utiizando-se anticorpos policionas {5070s imunes} & depois anticorpos monoclonals que reconhecem um tinico determinante antigenica dos mtitiplos existentes em uma molécula de ant ‘zen (ver Cap. 17), Rapidamente se verificou que vir rio soros policionais e diferentes anticorpos mono- clonais, com as mais diferentes denominaces ¢ obtidos por diferentes pesquisadores em diferentes laboratérios de pesquisa, eram na verdade capazes de identiicar uma mesma molécuta ou variantes alé- Ticas de uma mesma molécula e, portanto, uma mes rma populagio celular. 1ss0 evidentemente causod confusao e, para organizar a informagdo disponivele cevitar maior confusio futura, foi estabelecido que a moléculas de superficie celular receberiam a den mminagdo CD (cluster of differentiation) e seviam nue radas assim que fosse determinada a sua estrutura primétia. A expressao cluster of diferentiation significa stupo de diferenciagao e deriva do fato que, original mente, determinadas moléculas marcadoras de s+ perficie eram associadas a estagios especificos da di- ferenciacio dle linhagens de células hemopoiéticas, servindo para identificar a diferenciacio celular a0 longo da linhagem (Apéndice ORG sistema turados e | dos aos epi todo o orga central. En -guem-se os timo, medy que sao re de linfécite tes sio cha ‘obaco, fin cosas doa Payer, ¢ te aparelto re des). Uraa ¢ fides emn allta taxa de realidad. os sdo & vos linfocit petos anti eélulas esta varios érga ORG Timo Otimo éo1 renciagao d quais emg ‘Varios orga -desses proc ‘Beni, de t Assim, por exemplo, 0 antigeno de supecticle celular originalmente chamado Lycl, presente em Wworescen- das marca- rentes CO- rodamina, onsiste em anticorpos rll, adi- is de ferro sto chama- zalinidade eligarain 0 asrecober- suspensao lo por uma as de ferro im poder osivel, em n retidas & de céiulas wimera de scrito ut ra noléct cilmente poiconais noclonais, antigenico lade anti- Duque vé- pos mono- inagBes € diferentes Je capazes antes alé- uma mes- fe causou sponivel e do que as, na deno- sm nume- estrututa esinifca original as de su- cos da di poisticas, chiar a0 superficie ente em __PAPITULO + CELULAS E ORGAOS Do SISTEMA IMUNE | 47 cdlulas 7 com fangdo auxiliar, foi denominado pos- teriormente CD4. Outros, como as moléculas co- ¢stimuladoras B7-1 e 87-2, presentes em macs ose células dendritieas, foram designados CD80 e CD86. Ainda, atualmenee, & possivel encontrar vi- fies anticorpos monocfonais para um mesmo mar- «ator {p. ex, CD8 murino} obtidos por diferentes pesquisadores ou vendidos por firmas especializa- das, porém de isotipos diferentes ou com proptie- fades distintas e que reconhiecem diferentes epito- pos; além clisso, alguns anticorpos reconhecem va fiantes aéticas de um mesmo marcador. ORGAOS DO SISTEMA IMUNE O sisterna imune formado por érgaas bem estrus turados e por agrupamentos de linfocitos associa- dos 208 epitélios de revestimesito em praticamente todo 0 orzanisnan, com exceciea do sistema nervoso ‘eentral, Entre os érgaos do sistema imune distin. guiem-se 0s Orga linfbides primarios ou centrais: timo, medula dssea (ou bursa de Fabricius nas aves), que sio responsiveis pela geracao de populacoes delinfécitos que povoam varias outros érgaos. Es- tes sio chamados de 6rgaos linfoides secun ‘obaco, tinfonodos, tecido finfbide associado as mu: ansas co aparetho digestivo, incluinda placas de Pryer, © tecido linfide associado as mucasas do aparelbo respiratorio (tonsilas palatinas e adendi es), Uma caracteristica importante dos 61s lin- foides em relacdo a outros Srgaes do organismo éa aita taxa de movimento das cétalas linfocitarias. Na realidade, apenas as células do estroma desses 6r gids s30 estéveis, pois continuamente surgem no- ‘slinfécitos originérios da proliferacao estimulada pelos antfgenos. Além disso, os linfécitos nao so ulas estaticas e circulam inteusamence entre os Nitios drgaos linfoides secundacios do organismo. ORGAOS LINFOIDES PRIMARIOS Timo Otimo é 0 drgao onde ocorre a proliferagao e dife- renciagd de células precursoras em linfcitos T, os auaiserigram desse drgio e se distribuem pelos ¥atios érgaos linfdides secundsrios. A maior parte desses proeessos ocorre durante a vida feta fonto- genia, de tal modo que, na espécie fimana, por ocasidio do nascimento, 0s érgaos linfdides ji estao povoados por linfécitos T. A partir do nascimento, 0 timo cresce até a puherdade, quando entio involui ‘gradativamente. Encretanto, mesmo na idacle adul- fa, 0 estroma (ou tecido de sustentagaio} do timo conserva a potencialidade de diferenciar células precursoras em linfécitos T. Isso ¢ observado pela recuperagao das populagdes de linfocitos Tem fu vviduos que receberam transplante de medula dssea apés tratamentos que eliminaram completamente 0 linfcitos T. (timo surge por volta da sétima semana de tagdo como um esbogo de origem endoddérmica ¢ rivado da terceira e quarta bolsas branguiais, Duran te a vida fetal, podem ocorrer malformacdes 10 de senvolvimeato desses esbocos, dando origem a hi poplasia ou mesmo a auséncia do timo, levando & acentuada diminuicao ou a auséncia de linfécitos 7 Como resultado, acorre uma drastica deficiéneia das respostas de imynidade celular ¢ também da sintese de anticorpos por cétulas B, « qual depende da cola oragao de linticitas T. A sindrome dle hipoplasia do timo, que € muitas vezes acompanhada de auséncia das gkindulas paratiresides (também derivadas dos meesmas esbocos) e de deformidades faciais, & cha rmada de sindrome de DiGeorge Nezelot. Durante a fase de formagao do timo, 0 esboco timico de origem endodérmica é povoado por célu Jas precursoras de timécitos e por células precurso- ras de macr6fagos originadas inicialmente do fige do fetal ¢, posteriormente, da medula éssea. AS células derivadas da endoderme originam as cétulas epiteliais timicas. O arcabougo (ou estroma) citorre ticalar do timo é constituido pelas eélulas epiteliats timieas, que estabelecem contato entre si por seus inimeros ¢ finos prolongamentos unidos por cles- mossomas, formando uma mallia com aspecto reti- cular, Por essa razao as células epitelias timicas 30 também chamadas células reticulares epitetiais. As células reticulares epiteliais timicas produzem vi- Tigs fatores conhecidos como horménios timicos (p.ex., a timosina) que afetam 0 creseimento e a di- ferenciacio dos timéecitos. Portanto, em contrast com ps linfonodos € o baco, que apresenitam um ar cabouco de fibras reticulares de origem mesenqui- mal, no timo esse arcabougo & formado pelas eélu- las reticulares epiteliats, As malhas desse arcabouco sa0 povoadas por macrofagos e timécitos 0 timo é um é1ga0 formado por dots lobos, stt- ado no mediastino superior, Uma capsula de tecida conjuntivo reveste cada labo e emite septos que pe- 48 | Ises de Almeida Abrahamsobn FiC.27 Corte de timo eviddenciando a estrutura lobular © 05, septos. Colorado: hematoxilina/eosina. Aumerto 10 netram nos lobos, dividindo-os em grande ntimero de [6bulos timicos. Essa divisao nao é, no entanto, completa, cle modo que 0s labulos timicos sao conti ‘nus entre si (Fig. 3-7). Em cada lébulo timico é pos sivel observar uma regido periférica ou cortical, onde é muito densa a quantidade de linfocitas (cu- jos niicleos sao intensamente corados por hemato- xilina), ea regio mediular, com uma densidacle me- nor de linfécitos e onde podem ser observadas mais FIG.38 Esquera representando parte de um lobo timico. A rede de células epi Iinfscitos na regiaa conical, ea regio medular passui menor niimera dessas céulas, faciimente 2s eéiulas reticulares epiteliaistimicas, com sett abundante citoplasma corado pela eosina, Grande niimero dle céules em processo de degene- raqdo 6 encontrado no timo: essas células apresen- came com nicieos de cromatina condensacia, tém morfologia e marcadores caracteristicos de células em apoptose. De fato, estima-se que, durante os processos de selecdo timica de linfoctos, mais de Ps das celulas geradas nesse dngio sofiam morte celular A diferenciagdo dos timécitos ocorre no Sen- tido da regido cortical para a medular. Na regio me- dular podem ser observadas estruturas conhecias como corpisculos de Hassal, que sio célulasreticr iaresepiteliais queratinizadas cispostas concentra mente e que, as vezes, apresentam actinulo centtal de laminas de queratine; provavelmente represetr tam células reticulares epiteliais envelhecidas ou degeneradas (Figs. 18 e 3.9), Macr6fagos sdo encom trados tanto na regio cortical como mecilar. Che las denciitices originarias da mediula dssea terabém slo encontradas e s80 mais faclmente visiveis na regio medular. ‘A vascularizagao no timo assiume caracterist- «as especiais, que constisuem a chamada barre sangue-timo. Fssa barreira impede a entrada de moléculas protéicas ou de partélas na regigo cor tical. Os processos de selecdo positiva e negativa Corpuisculo ‘de Hassal Jiais 6 densamente preenchida por FG.3-9 ‘Corte de timo my regio medalar bem desenvolvi Aumento 40x. no timo (ver Ca de possiveis a nnismos. Por es de uma barre gue para o int ‘acompanhand¢ medular e cort em arteriolas4 tex onde se rat pilares venoso vénulas na reg gio. Ao se ram te, as arteriola conjuntivo e pc epiteliais acom Assim, cada va muscular e da ‘variavel de con pondente a cai envolvendo-o. timicas, eosina. degene- jpresen- da, tem celulas ante os mais dle n morte no sen- gi me- hecidas s reticu sentrica- rental spresen- idas ou yencon- a, Cel amber iveis na cteristi- parreira rada de iao cor- .egativa 16.39 Cored timo mostrando um lébulo, egiso comical e gito medllaraprosentando corpisculo de Hassa emdesenvolvicio, Coloragsa: hematosilinaveosina, ‘Aumento 40x de possiveis antigenos estran medular ¢ corticomedular, as artérias se ramifica emarteriolas que se orientam de volta para 0 ¢ tex onde se ramificam em capilares arteriais; 0s c pilares venosos drenam o cértex e emergem com 1e,as arteriolas s30 acompanhadas pelos muscular ¢ da membrana basa tariivel de conjuntivo © a ewwolvendo-o. no tima ver Cap. 7) devem ocorrer sem a presenga hos ou de microrga- sismos. Por essa razdo é importante a existéncia de uma barreira & sua possivel passagem do san- ue para o interior da regido cortical. As artérias timicas sao ramos da subclavia e penetram no timo acumpanhando os septos conjuntivos; na regio no énulas na regio medular deixando, entao, 0 61 80. Ao se ramificarem, as artérias e, posteriormen. sptos de ‘onjuntivo e por uma camada de célatas reticulares piteiais acompanhadias peta sua membrana basal. Assim, cada vaso, além do endotélio, da camada terd uma camada jembrana basal corre pondente a camada de células reticulares epiteliais, _ CAPITULO’ + CELULAS E ORGAOS Do SISTEMA IMUNE | 49 As células precursoras de timécitos derivadas da medula dssea entram no timo possivelmente pelos capilares venosos ramificados (nao ha venu las de endotélio alto no timo), e os linfcitos Td xam 0 drgio pelos linfiticos eferentes © pelas vénulas da regio medular. O timo nao possui fin faticos aferentes, Medula éssea As células sanguineas 30 produzidas no compart mento hematopoiético da medula éssea, Este & for ‘mado por uma rede continua de cordées hematopo- iéticos que se dispdem entre os seios venosos. A ci culagao sanguinea na medula dssea & fechada, isto & os capilares arteriais continuam-se diretamente em vvasos de paredes finas que se anastomosam forman do 0s seios verwsos. Entre os vasos ficam 0s corddes de eélulas hematopoiéticas, Nao ha linféticos na | medula éssea, No compartimento hematopoiékico, ha um estroma ce fibras reticulares e células reticula res onde esto ancorados macréfagos ¢ as diversas células em desenvolvimento na medula. Nao ha nit: da demarcagio de teas, mas existem microrregides au ithotas em cue predomiaam determinadas linha- gens celulares, Assim, encontramse agrupados me- acaridcitos, que originardo as plaquetas e ilhotas eritroblasticas onde ocorre a maturagao de hemcias. Também existe n reas ouninhos de diferenciagao de -granulécitos. Embora 30% das células presentes na medula dssea sejam linfécitos, ndo existe delimita- {0 das dreas quee prosiuzem essas células,assi me nao se encontram também areas especificas de produce de monécitos. Na medula dssea de mami- feros, ocorre a diferenciagao dos varios clones de lin- Fécito B, a partir de células precursoras da linha linfocitaria. Os genes que codificam as moléculas de imunoglobulinas, presentes nas células precursoras, 1m Sofrem inicialmente rearranjos que, apés rranscrigao, r+ edigio ¢ tradugao, resultam na sintese dz molécula de imunoglobulina especifica de cada clone (ver Cap. 5). Uma vez diferenciadas, as células penetrain nos seios vescilares, atravessando aberturas encontra dias no endotélio, caem na circulagao venosa € so distribuidas aos diversos érgaos do organism. 05 linfonodos, também chamados ganglios linfti cos ou nddulos linfaticos, tém a forma aproximada 50 | Ises Ue Almeida Abrahamsohn de umgtio de feijao e encontram-se distribuides20 longo sos vasos linfiticos que drenam as diversas regides do onganismo, A linfa & formada pelo liquide reabsorvido nos cecidos conjuntivos que servem de sustentacao aos varios epitélios de revestimento e aos dlversos 6 0s. A porgao liquid da linfa varia em composiga0, dependendo do sitio que é drenado, e serve para o transporte de mactomoléculas e células, principal- mente os linfcitos ¢ as cékilas dendritcas, entre os tecidos e os lnfonodos ¢ entre os varios linfonodos. 0 fluxo de circulagao da linfa & sempre dos tecidos em direcao a0s linfonodes que drenam determinada re- aio e destes em direcao aos linfonodos sucessivos que se ligam por vas0s linfticos progressivamente mais calibrosos que deséguam nas grandes veias que levam o sangue a0 dtriodireito do coragao. Os capile- res inicias linfticos, no tecido conjuntivo perifrico, formam-se como dledos de luva revestidos por mem- bana basal ¢ uma tinica camada de ostulas endoteiais que £ descontinua, permitindo a facil passagem de liquids e células para o seu interior. Nos vasos linfat= cos mais calibrosos, as céulas endotelias formam um. revestimento continuo e encontra-se uma camada ex- terna de tecido conjuntivo com a presenga de células ‘muisculares lsas. A linfa ¢fitrada pelos linfonodos, entrando pelos vasos linfticos aferentes na porgio convexa do linfonodo, caindo em um espaco abaixo da cépsula (seio subcapsular). linfa entao atravessa o estroma eas células do linfonodo, saindo pelos linfat- cos eferentes que emergem na porcao cOncava ou hilo do linfonodo, Peto hilo também entram e saem a artéria e veia principal do linfonodlo. Assim, células @ Iacromoléculas sto carreadas ao interior dos finfo- rnodos. 0s lnfécitos que chegaram podem ficarreti- 40s no lnfonad ¢ outros lnfécitos provenientes do linfonodlo podem sair com a infa pelo linftico eferen- {e, Macromoléculas (antigenos)ficam retidas ne linfo~ nodo e sio ripida e ativamente adsorvidas elou fago- Citadas por eéiulas dendritcas e por macréfagos. A rede de linfiticos e de linfonodos funciona ‘como armadilha para a captacio de moléculas estra- has ¢ local onde os linfécitos com receptores espe- citicos para os determinantes antigénicos podem ser ativados, proliferare se diferenciar para produzir as ‘moléculas que iréo atuar na eiiminacao doxantigeno, Para que 0 encontro entre linfécitos e determinantes antigenicos seja favorecico ao miximo, & necessério {que os linfécitos petiodicamente percorram os linfo- nodlos. Iso porque 0s finfonodes Sao os Srsaos para onde é drenada a maior parte dos antigenos que centram no organism pelas superficies mucosas ¢ plas superficies externas (Fg. 3-10), Enfatizando a necessidade de Raver uma circu ‘cio continua de linfdcitos pelos linfonodos, deve ‘mos lembrar que o néimero de linfécitos capazes de reconhecer certo determinare antigénico nunca previamente encontrado & muito baixo e da osdem de um linfécito para 10° linfécitos T existentes. A otimizacao da circulagao linfoctaria pelos lin fonodos ocorre pela existéncia nos linfoncdos das vnulas de endotéli alto (HEV, high endotefur vera fe}, que sio vEnulas especializadas onde ocorre asa «da de linfécitos do compartimerto vascular (sangul 1neo) para o interior do linfonodo. O linfécito recém- emigrado pode percorrer olinfonodo ¢ ficar detido ou pode sair Seja pelo linfatico eferente seja reen- trando nos capilares venosos. As vénulas de endows lig alto permitem a facil emigragio de linfScitos por possuitem na sua superficie glicoproteinas chama das adressinas address = endereco, porque esto re lacionadas com a destinacio dos leucécitos na cinea- lagao). As adressinas do endotéio interagem com ‘moléculas que se encontram na superficie dos linfé- itos. Uma das moléculas mais importantes na mi- grag linfocittia €a L-selectina, expressa em maior concentragao nos linfocitos ainda nao estimulados ‘ou linfécitos virgens. A L-selecting faz parte da fami lia de motéculas conhecida como selectinas, todas ‘envolvidas na adesdo ou migragao celular de leucéce tos. A L-selectina (C621) figa-se a varias moléculas {ute possuem em sua estructura glicosaminoglicanos sulfatacos expressos na superficie de células endote- lias e, em especial, a molécula CD34, conhecida tam- bém como ligante de L-selectina. Existem varias mo- Iéculas de adeséo nos finfécitos além das selectinas, Algumas sao mais expressas em linfScitos de memé- ria: outras, em finfocitos ativados, e sao importantes Para promover a migragio celular para 0s sitios de inflamacdo. Lintstica, comp associado asm adlesao as quais Tinfocitos de de Tinionodo segue ‘encontrarem an Tinfstico eferent ‘em ductos m: sanguinea, 0s linfona de tecido cos ‘entrada ou sai O arcabouco 0 lares de orige poem 05 linkdc driticas, macré Na regiao cortical onde ‘mente agrupac esfricas den 311 3-12).9 naincia de lint génica, os tin volume do cito ia, a regia « (em fungio da ‘céluas} e rece Outras moléculas de adesdo sao mais expres: sas em linfocitos que foram ativados no tecido fine fide associado as mucosas. Linfécitos T que mic gam preferencialmente entre os compartimentos linféides da mucosa diminuem a expressio de L- selectina e expressam niveis mais altos da integrina 0487, que se liga & molécula MadCAM-1 (mucosal advessin cll adhesion mofecule = moléeula de adesio celular do tipo adressina para mucosas). Essa adres sing € expressa seletivamente por vénulas encon- tradas nos tecidos tevestidos por mucosas. CAPITULO » CELULAS E ORGADS DO SISTEMA IMUNE | 51 ase = os AwL)!)~Ct ; 1 bus vols | fp wn | Bee ® uunca | | | ‘slin- | Ducto ver | ® | Moré eterente © { 3s por | t | Jore: i e associado s mucosas, das vénulas de endotélio alto (HEV), © endotélio dessas venulas expressa moléculas de er adesi0 3s Guais 0s liniécitos se ligam via receptores para essas moléculas, A adosio ¢ seguida pela migragao dos ados WM iar dono dos vaso par. o terior du ivonodar. Os Stes presets ra serila cc hen co a 0s linfonodos sao envolvides por uma cépsilla de tecido conjuntivo intecrompida nos sitios de entrada ou saida de vasos linfiticos ou sanguineos. Oarcabouso ou estroma ¢ formado de fibras reticu: les de origem conjuntiva, entre as quais se dis- gem os linfScitos, grande niimero de células den- éiticas, macréfagos ¢ plasmécitos. Na regio mais proxima a capsula, hé a ve ortical Onde os (infécitos encontramse densa mnente agrupados em estruturas aproximadamente esféricas denominadas foliculos linfoides (Figs. SII e 3-12}, Nessas areas existe grande predomi nancia de linfocitos B. Quando Gcorre ativagao anti génica, 0s linfécitos sio ativados, aumentam 0 tolume do citoplasma e proliferam. Em conseqlén- Core longitudinal de linfonado mestando cériex com <, a regio central do Foliculo rorna-se mais clara faiculon septa paracottica © Popiao mesblor co {em fungao da maior quantidade de citoplasma das condées medulates. Coloragao: hematoxilinafeosina télulas) € recebe © nome de centro germinativo. — Objetiva 10x xpres- 0 ln. entos de Le jesio res 52 | Ises de Almeida Abrahamsohn Estrutura esquemitica do linfonodo. 1A) Linfticos aterentes; (8) linfaticas eferentes; () regiao cortical; (M) zona medular com cordoese seics medulaes, As regides cortical e medular sio timo-independentes, enquanto a paracortical (PC) €imo-dependente. No interior dos foliculos linfoides encontra-se um tipo especial de células dendriticas conhecidas coino células dendriticas foliculares que acurmu- lam, por longe tempo, antigeno ligado a anticorpo na sua superficie, que assim permanece disponivel para manter a ativacao prolongada de linfécitos 8 durante a resposta imuine secundaria. As cétulas dendriticas foliculares, cuja atividade de fagocitose € minima, tm na sua membrana plasmatica recep tores que se ligam a uma regio das moléculas de an- ticorpo —regiao Fe (ver Cap. 4)—que, por sua vez, es to ligadas a antigeno. As células B ativadas nos foticulos linféides migram emo para a regide dita mais interna do lin fonodo —regiao medular ~ onde os linfécitos se dis- paem em corddes separados por espacos tnkiticos. Nos corddes medulares enncontrartse preferencial- mente linfbcitos 8 que irdo emigrare, em linfonocos ‘que foram recentemente estimulaclos com antigeno, grande neimero de plasmécitos decivados da ciferen- ciacio terminal de linfécitos B (ver Cap. 10) tre 0s foliculosfinféides ena zona que margeia 9s foliculos —regido paracortcal — estZo 0s linfScitos T entremeados de células dendriticas e de macr6fa 0s. Antigenos captaclos por essas células poclem ser facilmente apresentados aos linficitos T que recicu Jam por essas éreas. Em conseqiiénca disso, 0 encon tro dos clones de linfécitos T capazes de reconhecer 10s antigenos processados e apresentads pela APCS levari a ativagio e a proliferagio ds fnféctos T Existe grande mobilidade dos linfcitos no ling rnodo em razao cla continua recireulagao (Fig. 3-13, As reas descritas como tendo preclominancia de in- {citos B(foliculos corddes medulares) ou de lin citos T (regio interfolicular ¢ paracortcal s80 sreas conde essas populagdes celulares so preferenca mente encontradas, em especial na ausencia de est mulo antigénico. Na realidade, para que ocorraa at vacao de linfécitos B para a maioria dos antigenos, sao necessiias a cooperagao ea in-eragao dos ln Gtos B com linfécitos Tver Caps. 9 {0). Por outro lado, linfcitos B que interalizaran e processaram artigeno podein funcionar como stimas APCS. Ess teragdes ocorvem no linfonoda nas margens lim trofes das zonas de linfScitos T (para onde migram linfScitos Te B) e dentro do proprio foliculo linfide para onde migram linfécitos T. Nesse local ocorre intensa proiferagao de linfocitos T no centro germi- native apés estimulagdo antigénica e hé permanen cia de linfocitos T enquanto persistira estimulagio, Bago 0 baco é um érgdo localzad na cegido abdominal escuerca superior, situado ats do estomayo mas fora da cavidade peritoneal propriamente dita. 0 bago paticipa da eliminagao Ge edlulas sanguineas Tiniseitos 8 grande que parénquim 495 linjonoe CAPITULO3 = CELULAS € ORGADS DO SISTEMA IMUNE | 53 venula pés-capla jas APCs 8 T 10 lif g. 13). ode ln | te lint © LintéotaT jo reas © Linlecto B rencial- anera tf & Macistago de esti- ela 2? C.denarines raaati- nticg sterente igenos, ps link —— F outro. G.3-13 gg! Exquemna mostrando a localizacio dos linfécitos Te das linféicitos B nos linfonadlos, Em cinza, a regio s.Fssas tinodependente TD; em pontihado, as regides timo-dependentes (Ti), Amaioria dos linfacitos na regia ns limi pretence a subpopulacao migram niécits B que apés 0 @ linfoide germ manén- ulacao. de lnidcitos T que serdo ativades ao encontrar 0 antigeno; nas reyides TI pre nico com 0 antigena e ativacdo irdo-se diferenciar em plasmécitos produto ance quantidacle de anticorpos. Os hnfScitos T circulam constantemente, passando da vénula pos-capilar pa parenquima do lnfonodo, onde entram em contato com as células dendrticas © os hntécitos 8 ‘@slinionodos, 05 lnféc:tos T localizam-se, preferencialmente, na reetdo paracortcal em cinza), de onde atingem as sci medulares através dos quais ganham a circulagao lintatica, jominal go mas dita. O lesadas ou senescentes, em especial hemécias e pla quetes, € da reciclagem de Ferro no organisino Alem dessas fungdes, 0 baco é importante no con- trole de infecgdes sistémicas nas quais 08 microrga rrismos e sets antigenos esta presentes na circula ‘20. Antigenos que alcancam a corrente sanguinea sto captados pelo baco, onde se desenvolve uma vigorosa resposta imune. Q baco nao € essencial sobrevévéncia do individuo, mas aqueles que tive- am o bago removido tornam-se menos resistentes a infeegdes bacterianas sistémicas. 0 bago encontra'se interposto na crculagao san- guinea, Na regido do hilo, encontramse a artéria ea veia esplénica, No interior éo bago nao existem vasos linfticos. Apenas alguns poucos vasos.linfticos podem ser encontrads na cépsula de tecido conju fivo fibroso que envolve o 61340 0x no conjuntivo do bilo. O estzoma do baco & formado por rrabéculas de tecido conjuntivo que penetram no drgao a partir da cipsula e por uma malha delicada de fibras reticula. Fes, Coitando-se um bago, observam-se a otho nt dre as mais claras, esbranquigadas, que se dispoem como nédulos ou como estreitos corddes —a chamada pol paa branca ~ sobre um fundo vermelho-escuro, que recebe o nome de polpa vermelha, ‘Ao microscépio, observa-se que na polpa branca encontra-se 0 tecide tinféide formando nédulos ou , muito rica em protinae cste- iDregren Diawramas de idade: sd0 as chamades regides de hipervaria- ina, denominada regido da cobradiga. Os residuos ppata aleancar Gt exes ce hipervariabilidade e sitio combinatGrio. As regibes de hipervariabiidade COR-1, CDR-2€ CDR 3 de {adkns eves ¢ pesadas justapdem:se, formando a fenda (sitio anticorpico) que ucomodard 0 determinange antiginico conta © qual o anticorpo & especitico idicas Aecisteina estio envolvidos na formagao de pontes ois processos fundamentais foram utilizedos: por dissullidicas intercadeias e seu ntimero varia de redagio, obtiveram as subunidades ou cadeias isola acondo coma classe e subclasse de imunoglobulina. das e, por digestto enzimatica, os fragmentos. Ena regio da dobradica que agem as enzimas pro: teolticas clivando a molécula de anticorpo em fr Tes bem caraceriticos, Apeser de 0s cesiduos__SUBUINIDADES (CADEIAS LEVES E PESADAS) eproling conferirem certa rigidez a essa porgaoda 0 mximero de cadeias polipeptidicas de que a molé rimento), japresen- bre 0 ni minimo 3 mlécilz, a mesma nao € totalmente inflexivel, cata de 1gG é formada foi determinado por reducdo ss regiOes Ambos 0s “bracos” da molécula que contém 0 sitio clas pontes dissulfidicas intercadeias, ou seja, que moka anticotpico ative podem abrir e fechar (Fig, 4-5), ligam as subunidades, Essas subunidades podem i 0 sitio pemmitindo que o anticorpo se ligue a determinan- ser abtidas pela redugao branda das pontes S-S in anticompo, rgdes do, tesantigénicos distantes, nao acessiveis se a molé- _cercadeias com o 2-mercaptoetanol (ou outro agen «ala for inflexive) te redutor) seguida de alquilagao dos grupos SH enomias Muitos investigadores trabalharam durante uma — obtidos na redugao. Essa alquilagao se faz por trata ariedadle década para o estabelecimento da estrututa da IgG. mento com iodoacetamide (Fig. 4-6). nto nas R3 apre- — — éncia de 0.A Figue egides de as interae combina A B c al o anti- lobulinas ca, entre ae-ciste- Dingramas de moléculas de IgG. Os sitios combinatdrios estao muito prdximos na IgG livre (A) € podem afastarse residuos para alcancar determinantes mais afasatos (8), chegandlo ao afastamento maxirno de 180° (C) AG4s 64 | Vera Livia Garcia Calich REDUGAQ, We Hs! 2H (Obtencao das subunidaces da molécula do anticorpe. Na resultando duas cadeias loves ecluas pesadas. Na 2 faz-se a da oxidag Apés acetilagao, as cadeias leves podem ser sseparadas das pesadas por cromatografia de gelil tragao em colunas de Sephadex, em presenga de Acido propidnico, que confere cargas pasitivas aos polipeptideos, diminuindo as forgas hidrofébicas e, assim, permitindo a separacao (Fig. 4-7), A subunidade H possui PM de 50 ea L de 23 kDa, aproximadamente. Assim, 2H e 2L perfazem 0 PM da molécula original e constituem as subunida des formadloras das moléculas de imunoglobulinas. A dissociagao branda permitiu a verificagao de que a cadeia pesada isolada ainda retinha parte da atividade anticérpica e que, apés reassaciagao por reoxidagdo dos grupos SH, recompunham-se mei as-moléculas H-L, aumentando a capacicade de liga- «Glo ao antigeno especifico, ANCIA ABSOREA ELUATOS DA COLUNA FIG.47 afia degel-filtracio para separar idas do Impedinde a reversio clo processo, para, em seguida, separar assubunidades por crommatograta — Cadola pesada (H) Pat Casa eve (L) PM =23 kDa cadeias pesada obtendo-se duas proteinas diferentes, He L, com F fase procede-se & reducio com mercaptoetanc quilago com vedoacetamida para proteger os FRAGMENTOS ENZIMATICOS Pela clivagem enzimatica da molécula de imunogla- | bulina obtém-se porcdes que se convencionow lenominar fragmentos, 0s fragmentes obtidos pela agao de enzimas proteoliticas possuem propriedades quimicas ¢ imunolégicas que os caracterizam, } Digestao pela papaina A digestio de IgG purificada pela papaina resulta na formagio dos fragmentos Fab e Fe que, apesar de cestruturalmente distintos, tém coeficiente de sedi mientacio (3.5 5} e PM {cerca de 50 kDa} semelhantes, ‘A papaina € ativada pela agao de cisteina, ¢ ess igestao é realizada em presenga de cisteina que, 0 kDa (1) das leves (L). Medem-se as absorbSncias das ' propriedacles imunologicas distntas, posterio sobre as isso de Of de uma assim d ligacto of pesada se ligar presenc termina contém redugad CCAPITULO4 » IMUNOGLOBULINAS~ ESTRUTURA EFUNGAO | 65) pesteiormente, verificou'se exercer acio redutiva soe as pontes dssulidicas: 0 processo deve ser, por iso, designado de hidrdlise enzimitica redutiva Offagmento Fab € constituido de uma cadeia Le ema porcio da cadeia pesada (fragmento Fa); foi ‘assim designado por permanecer com atividace de lggdo a0 antigeno (Fab, fragment antigen binding). O fragmento Fe € constituido somente de cadeia pesida (dominios CH, e CHy), nao tem capacidade de seligr 20s antigenos, mas pessui propriedades qué nol (MED, pupos ~ SH bigestio fia, ELA PAPAIN Ds / imunoglo- vencionou Je enzimas micas. & IsouAver FoR casmuzasooy oo Ghowsroomen |S x resulta na f apesar de: ron we de sedi- nelhantes. na, € essa reina que, Dissto enzimati prsenga de s das distintas, Iadugio posterior, separam-se as cadeias leves das po sina Gu ME) wy \e 2 da molécula do anticorpo para preparagzo dos fragmentos, Por d tina, beram-se dois fragmentos Fab formades cada um ce uma cadeia leve e urna porgao NH terminal de cadeta pesada (Fd) e um fragmento Fc; a pepsina am os dais sitios de combinacio, Por uma reducio deste, ob -3es de cadeias pesadas. Fé ligeiramente maior ue Fa micas que the permitem desempenhar importantes fungdes bioidgicas. Esse fragmento denominado Fe cristaliza-se (fragmento cristaizivel) quando se faz dialise do material digerido (Fig. 48}, Combingado os conhecimentos adquiridos atra vés do estudo das suibunidades e dos fragmentos, foi entao possivel arquitetar a estrutura completa da molécula de IgG (¢ subseqiientemente das outras classes de Igs}, o que valeu a seus descobridores, Por tere Edelman, o Prémio Nobel de Medicina em 1972. Digestao PePTiCa REDUCAO VY REDUGAD, gestdo pela papal igere 0 Fe, resullando um fragmento maior (Fab ly, que 1m-se dois fragentos monovalentes Fab’. Por uma