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Pré modernismo

Pré modernismo

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Uma pesquisa sobre o movimento pré-moderno no Brasil, incluindo comentários sobre os autores mais importantes da época.
Uma pesquisa sobre o movimento pré-moderno no Brasil, incluindo comentários sobre os autores mais importantes da época.

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Published by: Érica Lima on Mar 27, 2010
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Pré-Modernismo (fim séc.

XIX e início XX)

"Não há um só homem de coração bem formado que não se sinta confrangido ao contemplar o doloroso quadro oferecido pelas sociedades atuais com sua moral mercantil e egoísta" --Euclides da Cunha

O Pré-Modernismo não pode ser considerado uma escola literária, mas sim um período literário de transição do Realismo/Naturalismo para o Modernismo pois não temos um grupo de , autores afinados em torno de um mesmo ideário, seguindo determinadas característic Na as. realidade, Pré-Modernismo é um termo genérico que designa uma vasta produção literária que abrangeria as primeiras décadas do século XX. Aí vamos encontrar as mais variadas tendências e estilos literários, desde os poetas parnasianos e simbolistas, que continuavam a produzir, até os escritores que começavam a desenvolver um novo regionalismo, além de outros mais preocupados com uma literatura política e outros, ainda, com propostas realmente inovadoras, como o uso de linguagem mais próxima da falada e a focalização nos problemas reais do Brasil da época. A maioria de seus membros não se enquadra como Modernistas por não terem sobrevivido o suficiente para participar ou terem criticado o movimento; os mais famosos pré-modernistas são Euclides da Cunha, Lima Barreto, Graça Aranha, Monteiro Lobato e Augusto dos Anjos. Referências históricas y y y y y y y y Guerra de Canudos Ciclo do Cangaço Milagres de Padre Cícero gerando clima de histeria fanático-religiosa Ciclo da Borracha Revolta da Chibata (1910) Revolta da vacina Greves gerais de operários (1917) 1ª Guerra Mundial

Características Na prosa, Euclides da Cunha, Graça Aranha, Lima Barreto e Monteiro Lobato se posicionam diante dos problemas sociais e culturais, criticando o Brasil arcaico e negando o academicismo dominante. Na poesia, Augusto dos Anjos modifica o Simbolismo, injetando-lhe traços expressionistas e revelando uma visão escatológica (cenas de fim do mundo) da vida. Quanto às características, percebe-se um individualismo muito forte, ainda assim pode-se destacar alguns pontos de aproximação desses autores. y y y y y ruptura com o passado, principalmente em Augusto dos Anjos que afronta a poesia parnasiana ainda em vigor denúncia da realidade brasileira, mostrando o Brasil não oficial do sertão, dos caboclos e dos subúrbios regionalismo N e NE com Euclides; Vale do Paraíba e interior paulista com Lobato; ES com Graça Aranha e subúrbio carioca com Lima Barreto tipos humanos marginalizados (sertanejo, nordestino, mulato, caipira, funcionário público) apresentação crítica do real na ficção

Autores Pré-modernos

Augusto dos Anjos (1884/1914) Formou-se em direito, mas foi sempre professor de Literatura. Nervoso, misantropo e solitário, este possível ateu morreu de forte gripe antes de assumir um ca rgo que lhe daria mais recursos, publicando apenas um único livro de poesias, Eu, mais tarde reeditado como Eu e outras poesias. Sua obra é cientificista, profundamente pessimista. Sua visão da morte como o fim, o linguajar e os temas usados por muitos são considerados como sendo de mau gosto, mas caracterizam sua poesia como única na literatura brasileira. Trabalhou, assim como parnasianos e simbolistas, com sonetos e verso decassílabo. Sua visão de mundo e a interrogação do mistério da existência e do estar -no-mundo marcam esta nova vertente poética. Há uma aflição pessoal demonstrada com intensidade dramática, além do pessimsmo. Constância da morte, desintegração e os vermes. "A passagem dos séculos me assombra. / Para onde irá correndo minha sombra / Nesse cavalo de eletricidade?! / Quem sou? Para onde vou? Qual minha origem? / E parece -me um sonho a realidade." Eu, única obra de Augusto dos Anjos, reúne sua obra poética. De linguagem, o poeta mostra uma obsessão com a morte simultânea a sua aversão a ela. Fala de si mesmo, da doença que o vitimou (tuberculose), da humanidade, dos sentimentos, do banal; tudo pessimismo, linguagem e técnica impecável. O vocabulário e as imagens poéticas, que incluem expressões como "escarra esta boca que te beija", levaram os críticos da época a considerá-lo um poeta de mau gosto; não é verdade. Augusto dos Anjos em Eu demonstra uma visão de mundo como a de Machado que não se manifesta do mesmo modo sutil, mas é igualmente poderosa. Parnasiano na forma e simbolista nas imagens, Augusto dos Anjos é um pré -modernista e mostra nesta obra por seu estilo único e inconfundível. Obra Principal: y Poesias - Eu (1912) Versos Íntimos Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão ² esta pantera ² Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te à lama que te espera! O homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera. Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija! --Augusto dos Anjos

Graça Aranha (1866/1931) Aluno de Tobias Barreto, Graça seguiu a carreira diplomática depois de ser juiz no Maranhão e no Espírito Santo. Participou ativamente do movimento modernista, como doutrinador. Colaborou na fundação da ABL (mesmo sem ter livro publicado) e da Semana de Arte Moderna de 22, por isso sendo considerado por muitos um modernista apesar de que sua única obra , "modernista", A viagem maravilhosa, é feita em um estilo extremamente artificial. Obras principais: y y y y Canaã (1902/romance) Estética da Vida (1921/ensaio) Espírito Moderno (1925/ensaio) A Viagem Maravilhosa (1927/romance)

Lima Barreto (1881/1922) Nascido de pai português e mãe escrava, era mulato e pobre. Afilhado do Visconde do Ouro Preto, Lima Barreto conseguiu estudar e ingressar aos 15 anos na Escola Politécnica. Lá sofreu toda sorte de humilhações e preconceitos e, quando estava no 3º ano, teve de trabalhar e sustentar a família, pois o pai enlouquecera. Presta concurso para escriturário no Ministério da Guerra, permanecendo nessa modesta função até aposentar-se. Socialista influenciado por autores russos, Lima Barreto vive intensamente as contradições do início do século, torna-se alcoólatra e passa por profundas crises depressivas, sendo internado por duas vezes. Em todos os seus romances, percebe-se traço autobiográfico, principalmente através de personagens negros ou mestiços que sofrem preconceitos. Mostra um perfeito retrato do subúrbio carioca, criticando a miséria das favelas e dos cortiços. Posiciona-se contra o nacionalismo ufanista, a educação recebida pelas mulheres, voltada para o casamento, e a República com seu exagerado militarismo. Utiliza-se da alta sociedade para desmacará-la, desmitificá-la em sua banalidade. Seus personagens são humildes funcionários públicos, alcoólatras e miseráveis. Sua linguagem é jornalística e até panfletária. Triste Fim de Policarpo Quaresma é a obra que lhe garante notoriedade. Antes de falir, o editor Monteiro Lobato publica Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá e, pela primeira vez, Barreto é bem pago por algum original. Obras principais: y Romance: o Triste Fim de Policarpo Quaresma (inicialmente publicado em folhetins - 1915) o Vida e Morte de M. J. Gonzaga e Sá (1919) o Clara dos Anjos (1948) Conto: o História e Sonhos (1956) Sátira Política e Literária: o Os Bruzundangas (1923) o Coisas do Reino do Jambon (1956) Humorismo: o Aventuras do Dr. Bogoloff (1912) Artigos e Crônicas: o Feiras e Mafuás (1956) o Bagatelas (1956) Crônicas sobre Folclore Urbano:

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Matginália (1956) Vida Urbana (1956)

Monteiro Lobato (1882/1948)

José Bento Monteiro Lobato nasceu em 18/04/1882 como José Renato Monteiro Lobato e mudou seu nome mais tarde para poder usar a bengala com as iniciais JBML do pai. Bacharel em Direito contra a vontade, dizia sempre o que pensava e defendia a verdade. Escreveu livros para crianças e iniciou o movimento editorial brasileiro. Meteu-se em encrenca ao afirmar que o Brasil tinha petróleo (e estava certo). Editou livros para adultos e, desgostoso, voltou a literatura infantil, morrendo em 04/07/48. Uma característica única de Monteiro Lobato é sua linguagem, simplificada, mais até do que a atual gramática oficial. Homem de diversas atividades (escritor, editor, relojoeiro, fazendeiro, promotor, industrial, comerciante, professor, adido comercial etc.). Tem por formação Direito e participa de grupos e jornais literários, entre eles o Minarete. Torna-se editor com a instalação da Editora Monteiro Lobato, que traz grandes inovações para o mercado editorial brasileiro. Ainda assim, Lobato acaba falido. No ano de 1925, funda a Companhia Editora Nacional e começa a escrever sua vasta obra de literatura infantil. Isso se dá por decepção com o mundo adulto, por isso começa a investir no futuro do Brasil. Em 1917, publica no jornal O Estado de São Paulo, o artigo contra a pintora Anita Malfatti (estopim do Modernismo). A Propósito da Exposição Malfatti, expressa uma postura agressiva contra as novas tendências artísticas do século XX, que resultará no seu desligamento dos principais participantes da Semana de Arte Moderna de 1922. Sua crítica acalorada se dá porque ele não admitia a submissão da cultura brasileira às idéias européias, daí ser chamado de Policarpo Lobato. Faz campanhas nacionais favor da exploração das riquezas do subsolo: petróleo e minérios. Funda a Companhia de Petróleo do Brasil, acreditando no nosso desenvolvimento e denunciando o monopólio internacional. Aproxima-se das idéias do Partido Comunista Brasileiro. Controvertido, ativo e participante, Lobato defende a modernização do Brasil nos moldes capitalistas. Faz uma crítica fecunda ao Brasil rural e pouco desenvolvido, como no Jeca Tatu (estereótipo do caboclo abandonado pelas autoridades governamentais) do livro Urupês. Curioso é que, na quarta edição de Urupês, o autor, no prefácio, pede desculpas ao homem do interior, enfatizando suas doenças e dificuldades. Seu outro livro de contos muito famoso, que se junta a sua bibliografia de 30 obras é Cidades Mortas. Obras principais: y Contos: o Urupês (1919) o Idéias de Jeca Tatu (1918) o Cidades Mortas (1919) o Negrinha (1920) y o Mundo da Lua (1923) o O Macaco que se Fez Homem (1923) o O Choque das Raças ou O Presidente Negro (1926) Jornalismo: o A Onda Verde (1921) o Problema Vital (1946) Epistolografia e crítica:

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o Mr. Slang e o Brasil (1929) o Ferro (1931) o América (1932) o Na Antevéspera (1932) o O Escândalo do Petróleo (1936) o A Barca de Gleyre (1944) Literatura Infantil: o Reinações de Narizinho o Viagem ao Céu o O Saci o Caçadas de Pedrinho o Hans Staden o Histórias do Mundo para Crianças o Memórias de Emília o Peter Pan o Emília no País da Gramática o Aritmética de Emília o Geografia de Dona Benta o Serões de Dona Benta o História das Invenções o D. Quixote para as Crianças o O Poço do Visconde o Histórias de Tia Nastácia o O Pica-pau Amarelo o A Reforma da Natureza o O Minotauro o Fábulas o Os Doze Trabalhos de Hércules o O Marquês de Rabicó

Euclides da Cunha (1866/1909)

Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha nasceu a 20 de janeiro de 1866 e morreu envolvido num grande escândalo familiar, assassinado em duelo pelo amante da esposa, a 15 de agosto de 1909. Formou-se engenheiro em 1892, e exerceu a função de engenheiro civil no meio militar. Foi membro da ABL, do Instituto Histórico e catedrático em Lógica pelo Colégio Dom Pedro II. Viajou muito e escreveu Os Sertões pela experiência própria de ter testemunhado a Guerra de Canudos como correspondente jornalístico do Estado de São Paulo. Positivista, florianista e determinista, por alguns autores é considerado um naturalista, mas seu estilo pessoal e inconformismo caracterizam-no como um pré-modernista. Foi o primeiro escritor brasileiro a diagnosticar o subdesenvolvimento do país, diagnosticando os 2 Brasis (litoral e sertão). Obras principais: y y y y y y Os Sertões (1902) Constrastes e Confrontos (1906) Peru Versus Bolívia (1907) Castro Alves e seu Tempo (1908) À Margem da História (1909) Canudos: Diáro de uma Expedição (1939)

Fontes: http://www.graudez.com.br/literatura/premodernismo.html acesso em 26.03.10 às 9:50 am http://www.algosobre.com.br/literatura/pre-modernismo-e-algumas-de-suas-obras.html em 26.03,10 às10H AM. acesso

http://www.colegiodante.com.br/escola/webquest/e_medio/mackenzie/caracteristicasdopre_mo dernismo.htm

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