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Jean Piaget - Trabalho sobre a teoria de Desenvolvimento

Jean Piaget - Trabalho sobre a teoria de Desenvolvimento

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Sumário

INTRODUÇÃO ................................ ................................ ................................ ...................... 6 PRIMEIRO CAPÍTULO ................................ ................................ ................................ ........ 7
A história da Psicologia do Desenvolvimento ................................ ................................ ........................ 7

SEGUNDO CAPÍTULO ................................ ................................ ................................ ......... 8
O conceito de desenvolvimento ................................ ................................ ................................ ............ 8

TERCEIRO CAPÍTULO ................................ ................................ ................................ ..... 12
O desenvolvimento cognitivo na concepção de Piaget ................................ ................................ ........ 12 Factores explicativos do desenvolvimento ................................ ................................ .......................... 13 Os mecanismos de adaptação ao meio................................ ................................ ................................ 14

QUARTO CAPÍTULO ................................ ................................ ................................ ........ 16
Os estádios de desenvolvimento segundo Piaget ................................ ................................ ................ 16
y y y y

Estádio Sensório-Motor................................ ................................ ................................ ............... 18 Estádio Pré-Operatório................................ ................................ ................................ ................ 18 Estádio Operatório Concreto................................ ................................ ................................ ....... 20 Estádio Operatório Formal ................................ ................................ ................................ .......... 20

CONCLUSÕES ................................ ................................ ................................ .................... 22 BIBLIOGRAFIA ................................ ................................ ................................ ................. 23 ANEXOS ................................ ................................ ................................ .............................. 24

Introdução
Falar de desenvolvimento não é uma coisa linear, pois comporta demasiados conceitos, transformações, influências, estudo e dedicação ao assunto e certas referências importantes e inesquecíveis. Desenvolvimento é na sua definição, um conjunto de transformaç ões a vários níveis, sendo a nível físico, fisiológico e psicológico, e marcam significativamente toda a existência do indivíduo dependendo das suas experiências, atitudes e características pessoais. Como futuros psicólogos, uma das nossas dedicações no estudo do desenvolvimento será compreender as razões porque as pessoas mudam sob diversos aspectos ao longo da sua vida e como acontecem estas transformações. Este trabalho vai centrar-se num dos grandes nomes da Psicologia do Desenvolvimento, Jean Piaget, que definiu o desenvolvimento por estádios, os quais serão apresentados posteriormente neste trabalho. Serão então apresentadas noções históricas do desenvolvimento, também a definição do conceito de desenvolvimento, e por fim a Teoria de Piaget sobre o desenvolvimento.

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Primeiro Capítulo
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Durante bastantes anos, o pensamento psicológico sobre o

desenvolvimento cognitivo das crianças era dominado pela per spectiva da maturação biológica, a qua l dava ênfase quase exclusiva à componente ³natureza´ no desenvolvimento, isto é, o sujeito quando nasce é uma ³tábua rasa´, todo o conhecimento é adquirido pela experiência . A percepção das coisas é o resultado da associação ou combinação das sensações elementares recebidas dos sentidos. Este modelo de desenvolvimento cognitivo inspirava -se directamente nas teses empiristas. Mais tarde apareceram outras teses com bases no desenvolvimento ³estrutural´, em que o sujeito nasce já com um conjunto de estruturas inatas que submetem as mesmas aos estímulos do meio externo. As coisas e as situações são percepcionadas como totalidades. Estas estruturas influenciam o modo como percepcionamos e interpretamos os diferentes elementos que as constituem. Estas duas perspectivas, teoria empirista ou associacionista e teoria estruturalista, foram postas em causa por uma nova teoria surgida no século passado, a teoria Operatória, em que emergiu um pensador, Jean Piaget. 

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Segundo Capítulo
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Como se sabe, cada indivíduo tem o seu próprio desenvolvimento, e isso constitui uma história singular que o acompanha desde a sua concepção até à sua morte, o que torna o desenvolvimento um processo de transformação ininterrupto. Assim sendo, além das transformações físicas implicadas pelos factores biogenéticos, o conceito de desenvolvimento abarca todas as transformações e processos internos que permitem que a experiência, o conhecimento e o comportamento adquiram uma diferenciação e complexificação crescentes, integrando e englobando todas as funções do indivíduo. Lembrando o caso do ³Menino Selvagem´, Victor, pode ver-se a importância que têm todos os factores envolventes ao indivíduo, pois o desenvolvimento sofre influência de factores internos, a hereditariedade, e de factores externos, do meio ambiente. As ideias sobre a contribuição relativa de cada um destes factores têm efeitos importantíssimos na vida das pessoas, pois de uma comunidade para outra, o desenvolvimento psicológico é influenciado pelos valores sociais, pelo que as pessoas pensam sobre a natureza humana e pelas diferentes opiniões sobre quais os factores que determinam o desenvolvimento. Existem psicólogos que concordam que os factores internos e externos têm efeitos recíprocos, sendo a hereditariedade e o a mbiente fontes de igual importância para o desenvolvimento, pelo que é incorrecto dar mais importância a um ou a outro. A investigação em psicologia do desenvolvimento, permitiu estudar os factores anteriores, e tornou-se rica com conhecimentos de diversas áreas científicas, quer da psicologia, quer de fora dela, como por exemplo da biologia genética, estudos etológicos, estudos históricos e antropologia. Assim, intensificou-se a investigação nesta área e diversificaram-se os métodos e as técnicas utilizadas. Recorre-se na pesquisa, ao método experimental, à observação naturalista e ao método clínico, que são usados nos diferentes

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ramos

da

psicologia.

Existem

entretanto

preocupações

e

cuidados

deontológicos específicos, pois o objecto de estudo da psicologia do desenvolvimento são privilegiadamente crianças. Mas além das preocupações e cuidados, existem também limitações metodológicas, pois as crianças não se podem auto-observar, as suas respostas a questionários diferentes estão envoltas em fantasia e não se podem utilizar certas metodologias experimentais, como retirar crianças da família e privá -las do contacto materno para se estudar, por exemplo, as consequências do desenvolvimento. Houve uma evolução nos instrumentos de recolha e tratamento de dados, sendo que, hoje é comum a utilização de registos de vídeo e áudio, tratamento informático de dados, etc. Tendo em conta que a psicologia do desenvolvimento estuda isso mesmo, um ser em desenvolvimento, teve de recorrer a métodos privilegiados, como por exe mplo, o método longitudinal, o método transversal e o método transverso-longitudinal. O primeiro método, método longitudinal, baseia -se em estudar de forma continuada e em intervalos de tempo um mesmo grupo de crianças. Este intervalo tem de ser constante na mesma experiencia, mas poderá mudar de grupo de estudo para grupo de estudo. Este método aplica -se a estudos que se prolongam no tempo ± estudos diacrónicos ±, frequentemente durante mais de uma dezena de anos. Facilita a apreensão do processo de tran sformação de certas características e da evolução em geral, o que permite o controle de variáveis, como por exemplo as que se referem a contextos históricos, sociais ou escolares. Este método é no entanto difícil de aplicar, pois exige uma grande planificação a longo prazo e acabam por existir perdas de sujeitos da amostra durante o processo. Existe também outro tipo de estudos longitudinais muito interessante, que são os estudos de casos biográficos. O segundo método, o método transversal, baseia -se numa amostra que é estudada ao mesmo ± estudos sincrónicos ±, envolvendo sujeitos em diferentes fases de desenvolvimento, sobre uma ou mais variáveis. Tem uma aplicação mais fácil e rápida que o método apresentado anteriormente e assim sendo é o mais utilizado na investigação. Neste tipo de estudo, não é possível controlar os aspectos educacionais escolares, pois os sujeitos mais velhos da

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amostra não tiveram a mesma educação escolar do que os sujeitos mais novos, e daí não podemos saber nas características dos sujeitos se deve aos aspectos educacionais. O terceiro e último método, o método transverso-longitudinal, como o nome indica é um estudo misto, que pretende rentabilizar as vantagens dos dois métodos anteriores. Assim sendo, segue-se uma amostra constituída por grupos etários diferentes longitudinalmente com intervalos curtos e um período não muito longo, e ao mesmo tempo que se compara transversalmente a amostra. Partindo de um conjunto de estruturas anatómicas e organizações fisiológica que asseguram o f uncionamento elementar do sistema do indivíduo e a sua possibilidade de vida, denotam -se no ser humano, mudanças de natureza qualitativa e quantitativa. As mudanças qualitativas são aquelas que se traduzem por alterações de estrutura ou organização do indi víduo, como a natureza da inteligência ou a forma como o pensamento funciona. Por outro lado, as mudanças quantitativas são aquelas que se traduzem em quantidade ou número, por exemplo a altura ou o peso, ou ainda o aumento de palavras ou frases que a criança é capaz de dizer. Os psicólogos que concebem o desenvolvimento como uma série de mudanças suaves, de tipo essencialmente quantitativo, tomam parte de uma visão continuista do desenvolvimento, ao contrário dos psicólogos que defendem o desenvolvimento como um conjunto de transformações que diferem qualitativamente entre si e tomam parte da visão descontinuista. Na visão continuista do desenvolvimento, defende -se que o indivíduo apenas aumenta a competência que está a desenvolver em cada área específica do desenvolvimento. Na visão descontinuista, defende -se que a mudança não significa apenas um acréscimo de competências, pois cada alteração significativa provoca uma forma qualitativamente diferente de interpretar a realidade e de interagir com ela. Os psicólogos que de forma explícita ou não defendem a perspectiva descontinuista consideram que o desenvolvimento é uma sucessão de

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estádios, que são transformações qualitativas que ocorrem em determinados períodos do ciclo vital. Um desses psicólogos é então Jean Piaget.

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Terceiro Capítulo
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Embora a maioria dos pais saibam das mudanças intelectuais que acompanham o crescimento físico dos seus filhos, eles teriam sérias dificuldades para descrever a natureza dessas mudanças. O modo como os psicólogos contemporâneos descreveram estas mudanças foi profundamente influenciado pelo psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), que é reconhecido como um dos pensadores mais influentes do século passado. Neste capítulo vou delinear a teoria de estádios de desenvolvimento de Piaget. Devido, em parte, ao resultado das suas observações com os seus próprios filhos, Piaget interessou -se pelo relacionamento entre as capacidades de maturação natural da criança e as suas i nteracções com o ambiente. Ele via ³a criança mais como um participante activo neste processo, do que como um recipiente passivo do desenvolvimento biológico ou de estímulos externos´ (Piaget, 1997). Ele considerava as crianças como ³cientistas investigadores´, que fazem experiências com objectos e acontecimentos no seu ambiente para ver o que acontece. Os resultados destas ³experiências´ são utilizados para construir esquemas, teorias como os mundos físico e social funcionam. Ao encontrar um no objecto ou situação, a criança tenta assimila-lo, ou seja, compreendê-lo em termos de um esquema preexistente. Se a nova experiência não se encaixa com um esquema existente, a criança, como qualquer cientista, modifica o esquema e, deste modo, amplia a sua teoria do mundo. Piaget chamou este processo de ³acomodação´(Piaget e Inhelder, 1969). O primeiro trabalho de Piaget, enquanto estudante de pós -graduação em psicologia, foi como um avaliador de inteligência para Alfred Binet, o inventor do teste de QI. Durante o tra balho ele começou a perguntar a si próprio porque as crianças cometiam certos tipos de erros. O que diferenciava o raciocínio das

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crianças e o raciocínio dos adultos? Piaget observou atentamente os seus próprios filhos enquanto brincavam, propondo -lhes problemas científicos e morais simples sendo-lhes pedido que explicassem como chegaram às suas respostas.

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Existem 4 factores que segundo Piaget explicam o desenvolvimento cognitivo: 1. A hereditariedade e a maturação fí sica 2. A experiência 3. A transmissão social 4. A equilibração

O primeiro factor, a hereditariedade e a maturação física, é constituido pelas mudanças biológicas que ocorrem no indivíduo e que são independentes da experiência. O segundo factor, a experiência, não é o simples registar passivamente os dados da experiência, mas sobretudo a actividade do indivíduo sobre objectos, quer física quer mentalmente e que lhe permite orgnizá -los e distingui-los. Este segundo factor, é importante para a formação de estruturas ou esquemas, e estes possibilitam a acção e a compreensão da realidade. O terceiro factor, a transmisão social, refere-se à influência que a sociedade tem não na nossa actividade, mas na nossa construção de contexto social através da sua observação e educação. E por fim, mas não menos importante, o quarto factor, a equilibração, que é o equilíbrio termo entre a assimilação e a acomodação. Este factor, assegura formas de equilibração cada vez mais estáveis na adaptação ao meio, pois em cada novo estádio dá-se o surgimento de novos esquemas e estruturas ou de esquemas e estruturas mais complexos do que os já

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existentes. Acerca deste quarto factor, de acordo com Rodrigues (2004), ³Para Piaget o desenvolvimento cognitivo implica que a actividade do sujeito na interacção com o meio responda aos desequilíbrios cognitivos procurando atingir um estado de equilíbrio entre a assimilação e a acomodação, mecanismos de adaptação ao meio.´ (p.59)

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Segundo Piaget, qualquer que seja a aprendizagem só é possível se uma determinada fase do desenvolvimento tiver sido antes atingida. Para Piaget, a principal característica do comportamento inteligente consiste na capacidade inata do sujeito se adaptar ao meio. A inteligência é, portanto, um caso particular da adaptação do sujeito ao meio, distinta da adaptação biológica, ligada à sobrevivência. O ponto de partida para essa adaptação é a actividade reflexa já iniciada na vida intra-uterina que o bebé desenvolve desde o nascimento. Para Piage t um reflexo é um esquema primitivo, a unidade básica do funcionamento psicológico, a partir da qual é possível aprender a agir sobre o mundo. À medida que aprendem com a experiencia, os bebés desenvolvem estruturas cognitivas, ou esquemas, mais complexas. Um esquema designa um padrão organizado de comportamento que o indivíduo usa para pensar e agir em situações determinadas. Na infância, os esquemas são conhecidos pelo nome das actividades que envolvem, sugar, morder, abanar, bater, olhar. Os primeiros e squemas são portanto constituídos pela actividade reflexa. Os primeiros esquemas são acções motoras. À medida que as crianças se desenvolvem intelectualmente, novos esquemas vão surgindo: os esquemas do pensamento, que integram e organizam os esquemas motores. Os esquemas do pensamento tornam-se progressivamente mais complexos, indo do pensamento concreto sobre o que se pode ver e sentir, ao pensamento abstracto, que encontra a sua máxima expressão no pensamento filosófico e científico.

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É através do processo de adaptação que os esquemas iniciais se vão consolidando e transformando noutros mais complexos. A adaptação, por sua vez, é o resultado da acção de dois mecanismos que operam em simultâneo: a assimilação e a acomodação. Pela assimilação, as várias experiencias do sujeito são integradas, ou absorvidas, pelas estruturas ou esquemas existentes. A acomodação, por sua vez, designa as modificações que as novas experiências impõem aos esquemas ou estruturas existentes, de modo a que haja adapta ção. Para que haja adaptação é necessário que haja equilíbrio entre a assimilação e a acomodação. Quando o bebé leva um urso de pelúcia à boca, há um desequilíbrio entre a assimilação (o exercício do esquema da sucção) e a acomodação (as transformações necessárias para que se exerça o esquema da sucção). Este desequilíbrio, ou insatisfação, é, no entanto, provisório e desencadeia no bebé uma série de comportamentos de procura da sua resolução, incluindo o recurso ao adulto. É esta procura que conduz a níve is superiores de adaptação. A estes desequilíbrios Piaget chamou conflitos cognitivos. Ao

processo de passagem de patamares de equilíbrio para outros patamares de equilíbrio de nível superior Piaget chamou processos de equilibração. O processo de equilibração é o nosso próprio desenvolvimento, a história da resolução dos nossos conflitos cognitivos durante a adaptação ao meio e a organização do nosso pensamento. Em cada nível de adaptação, o indivíduo cria sistemas de pensamento que dão coerência ao seu co nhecimento sobre o que o rodeia, isto é, organiza as suas estruturas cognitivas. Piaget concebeu a sua teoria como um modelo construtivista do desenvolvimento, visto que ao sujeito é atribuído o papel principal na construção do seu desenvolvimento: ao tentar activamente dominar o ambiente, o sujeito constrói estruturas e níveis superiores de conhecimentos, a partir dos elementos fornecidos pela maturação e pelo meio.

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Quarto Capítulo
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Se, por um lado, há uma continuidade funcional no processo de desenvolvimento cognitivo, a adaptação é um processo contínuo, por outro lado verificam-se mudanças qualitativas importantes que marcam a sua descontinuidade estrutural. Quando a criança domina a linguagem, ou o adolescente o pensamento hipotético -dedutivo, a sua forma de compreender o mundo e os seus padrões de comportamento modificam-se completamente. A estes novos padrões de comportamento correspondem igualmente novas estruturas cognitivas ou esquemas, que caracterizam os diferentes estádios de desenvolvimento. As observações de Piaget convenceram-no de que a capacidade das crianças de pensar e raciocinar progride através de uma série de estádios qualitativamente distintos. Estes, caracterizam-se por: y y Uma estrutura com características próprias; Uma ordem de sucessão constante;

y Uma evolução integrativa, isto é, as novas aquisições são integrativas, isto é, as novas aquisições são integradas na estrutura anterior, organizando-se agora uma nova estrutura hierarquicamente superior.

Segundo Piaget, o desenvolvimento ocorre segundo quatro estádios: y Estádio Sensório-Motor (0-18/24 meses): o Dos reflexos inatos à construção da imagem mental, anterior à linguagem o Coordenação dos meios e fins o Permanência do objecto o Invenção de novos meios, imagem mental e formação de símbolos y Estádio Pré-Operatório (2-7 anos):

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o Inteligência representativa o Egocentrismo ± centração o Pensamento mágico / animismo, realismo, finalismo

y Operações Concretas (7-11/12 anos): o Reversibilidade mental o Pensamento lógico, acção sobre o real o Operações mentais: contar/medir/classificar/seriar o Conservação da matéria sólida/líquida/peso/volume o Conceitos de tempo, espaço, velocidade

y Operações Formais (11/12 ± 15/16 anos): o Pensamento abstracto o Operar sobre operações, acção sobre o possível o Raciocínios hipotético-dedutivos o Definição de conceitos e valores o Egocentrismo cognitivo

Piaget distinguiu duas grandes etapas no desenvolvimento, que dizem respeito a dois tipos de inteligência: o A inteligência prática ou sensório -motora, que é o anterior à linguagem, até cerca dos dois anos de idade, a que chamou o período da inteligência sensório-motora; o E a inteligência interiorizada, verbal ou reflectida, a partir da linguagem e que se desenvolve durante toda a vida, ao longo de três estádios: estádio pré-operatório, estádio das operações concretas e estádio das operações formais.

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Até aos dois anos de idade, período em que os bebés estão ocupados em descobrir os relacionamentos entre as suas acções e as consequências destas acções. Deste modo, eles começam a desenvolver uma ideia de si mesmos como separados do mundo externo. Uma descoberta importante durante este estágio é o conceito de permanência do objecto, a consciência que um objecto continua a existir, mesmo quando não está visível. No entanto com 10 meses de idade a procura é limitada. Se o bebé conseguiu, diversas vezes encontrar um brinquedo várias vezes escondido num determinado sítio, ele irá continuar a procura r nesse sítio mesmo depois de ver um adulto esconder o brinquedo noutro local. Somente com um ano de idade, uma criança irá invariavelmente procurar um objecto onde ele foi visto pela última vez.

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Este estádio divide-se em outros dois: o pré-conceptual e o perceptivo/intuitivo, e no seu todo, compreende idades dos 2 aos 7 anos. As impressões visuais dominam o pensamento pré-operatório, isto é uma das crenças de Piaget. O 1º estádio, o pré-conceptual (desde os 2 anos aos 4/5 anos) caracteriza-se por ser a fase em que a criança começa o ³jogo simbólico´, ou seja, o de procurar fazer ³como se«´, isto significa que a criança é capaz de representar a realidade tanto através do jogo como desenho, da linguagem ou dos sonhos. Durante este estádio do desenvolvimento cognitivo, a criança ainda não compreende certas regras ou operações. Uma operação é uma rotina mental para separar, combinar e transformar as informações de uma maneira lógica. No estádio pré-operatório do desenvolvimento cognitivo, a compreensão da criança da reversibilidade e outras operações mentais está ausente ou é fraca. Consequentemente, segundo Piaget, as crianças pré -operatórias ainda não

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entenderam a conservação, a compreensão de que a quantidade de uma substância permanece a mesma quando a sua forma for alterada. Fazerem-se representações da realidade, quer dizer que se é capaz de ter presente na imaginação algo que está fora do campo da percepção imediata ou, dito de modo diferente, que o que foi experimentado no passado pode ser imaginado no futuro. A criança, ainda com um traço rudimentar, desenha-se a si mesma, ou desenha o sítio onde foi com os seus pais, ou a visita a um parque de diversões. Nesta idade começam a aparecer os medos, precisamente pela capacidade de imag inar a realidade, embora esta realidade seja muitas vezes angustiante. A criança pode recordar imagens de terror e de violência, recordar uma luta com os colegas da escola ou uma zanga entre os pais. Este período também se caracteriza por ser o inicio das primeiras conceptualizações: a criança começa a ser capaz de registar conceitos como as cores ou os tamanhos das coisas. No início o conceito está sempre ligado ao objecto com que aprendeu. Se aprendeu a cor amarela como desenho de uma flor amarela, pensará que todas as flores devem ser da mesma cor; ao aumentar as suas experiências ficará surpreendida ao ver que nem só existem flores de cor amarela mas que também existem flores de cor branca ou vermelha. No estádio perceptivo ou intuitivo (dos 4 aos 5/7 an os) aparece o raciocínio pré-lógico. É a fase em que a criança dá argumentos onde não se têm em conta os aspectos fundamentais, nem todos os atributos do conceito; por exemplo, pode pensar que a tarde ainda não chegou porque ainda não dormiu a sesta. Neste caso está a valorizar um aspecto que não é o que define a tarde, mas que é sim o que está mais próximo das suas experiências, ou seja, a sesta. Por este motivo, a criança pode não reconhecer o seu pai se este cortou a barba ou o bigode. Outra característica central das crianças pré-operatórias, segundo Piaget, é o egocentrismo. As crianças pré-operatórias não têm consciência de perspectivas que não as suas, elas acreditam que todas as pessoas percebem o ambiente do mesmo modo que elas.

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Piaget acreditava que o egocentrismo explica a rigidez do pensamento pré-operatório. Por não serem capazes de apreciar outros pontos de vista que não os seus, as crianças pequenas não são capazes de revisar os seus esquemas a fim de levar em conta as mudanças no ambiente. Daí a sua incapacidade de reverter operações ou conservar quantidade.

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Entre as idades de sete e doze anos, as crianças aprendem os diversos conceitos de conservação e começam a realizar outras manipulações lógicas. Elas são capazes de colocar objectos em ordem, com base em uma dimensão como altura ou peso. Elas podem também formar uma representação de uma série de acções. Crianças de cinco anos sabem ir até casa de um amigo, mas não conseguem ³guiar´ alguém até lá ou traçar o percu rso com lápis e papel, ou seja não têm uma ideia global do trajecto. Em contraste, crianças de oito anos sabem desenhar rapidamente um mapa do percurso. Piaget chama a este período de estádio operatório-concreto: Embora as crianças usem termos abstractos, elas só os utilizam em relação a objectos concretos, ou seja, objectos aos quais elas têm acesso directo.

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O que distingue o estádio operatório formal dos outros estádios é a capacidade para o pensamento abstracto. Assim, o pensame nto do adolescente, entre os 12 e os 16 anos, é um pensamento proporcional, baseado em proposições não obrigatoriamente reais, sendo que ³o que é possível´ assume um estatuto superior ao que é real, ao contrário do que sucede no período operatório concret o, onde só se argumentava e racionalizava sobre dados reais. Uma das implicações deste novo tipo de operações é a possibilidade de pensar na base de hipóteses. Nesta etapa há também diferenciação entre a forma e o conteúdo. Se o pensamento pré-operatório assentava em percepções e o período operatório concreto no real observável, a adolescência, isto é, o período formal, incide sobre um pequeno pensamento hipotético, sobre o virtual e

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simplesmente possível e isto permite que o adolescente lide com um conjunto mais vasto de dados quando tem de tomar decisões e resolver problemas. Aproximadamente aos onze ou doze anos, as crianças atingem os modos adultos de pensamento. Neste estádio, o adolescente já consegue, por exemplo, construir teorias acerca de pessoas, acontecimentos, relações, porque não está limitado a um conjunto restrito de dados, sendo o seu pensamento mais aprofundado e amplo. Neste estádio a pessoa já é capaz de raciocinar em termos puramente simbólicos.

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Conclusões
Apesar de várias teorias de desenvolvimento defendidas por vários psicólogos, Piaget conseguiu formular até agora a que melhor explica o desenvolvimento das crianças. Esta teoria, foi comprovada pelo mesmo, observando os seus próprios filhos e fazendo experiências com outras crianças. Qualquer indivíduo consegue fazer um pouco da análise que fez Piaget, basta observar as crianças que o rodeiam. Numa perspectiva dinâmica e abrangente, o ser humano terá que ser encarado como um sistema aberto, em que todos os aspectos interagem: o meio natural e a família, os amigos, o grupo de vizinhança, a escola, a comunidade. Existem contextos que influenciam activamente os percursos da nossa vida: a mudança de terra/casa, doença, morte, divórcio« Uma questão que se pode levantar é o problema da existência ou não de períodos críticos, isto é, de etapas limitadas de tempo durante as quais o organismo é sensível à estimulação do meio. Com este trabalho concluí que, existem vários níveis de desenvolvimento separados por estádios e divididos em idades. A cada estádio corresponde um nível de desenvolvimento das crianças. Estes estádios são constantes de geração em geração.

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Bibliografia
Piaget, J. (1997). A Psicologia da Criança. Porto: Asa Rocha, A., & Fidalgo, Z. (1998). Psicologia 12º ano. Lisboa: Texto Editora Pires, C., Azevedo, L., Brandão, S. (2006). Psicologia B 12º ano Parte 2 ± A procura da mente. Porto: Areal Editores Rodrigues, L. (2004). Psicologia 12º Ano ± O Essencial para os Exames. Lisboa: Plátano Editora Monteiro, M. & Santos, M. R. (1998). Psicologia: Nova Edição. Porto: Porto Editora

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Anexos

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