Você está na página 1de 18

Faculdade de Ciências e Tecnologias

Universidade de Coimbra

Licenciatura em Biologia
Genética

Mutação em
Drosophila
Melanogaster

Trabalho elaborado por:


Ana Carina Maia
Rita Graça
Daniela Oliveira
João Neves
Mutação em Drosophila melanogaster

Coimbra, Janeiro de 2009

2
Mutação em Drosophila melanogaster

Índice

Introdução pp.3

Materiais e Métodos pp.6

Resultados pp.8

Conclusão

pp.14

3
Mutação em Drosophila melanogaster

Introdução
Este trabalho é acerca do estudo do cruzamento de Drosophila melanogaster,
nomeadamente de uma fêmea white (w) e de um macho vestigial (vg). Esta espécie
encontra-se taxonomicamente classificada da seguinte forma:

Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Hexapoda
Ordem: Diptera
Família: Drosophilidae
Género: Drosophila
Espécie: Drosophila melanogaster
Utiliza-se este organismo porque apresenta diversas vantagens:
 Mantêm-se facilmente em laboratório é de manuseamento muito simples
 Muito abundante e fácil de capturar
 Produz uma grande quantidade de descendentes
 Ciclo biológico curto, 10-11 dias, a 25ºC
 Tem apenas quatro pares de cromossomas
O ciclo de vida da Drosophila melanogaster, apresenta quatro estados de
desenvolvimento:
 Ovo
 Larva
 Pupa
 Adulto
O primeiro estado de desenvolvimento do ciclo (ovo) apresenta diversas
características, o ovo pode medir até 0.5 mm e é branco. Apresenta um invólucro forte
com dois apêndices delgados (suspensores) na extremidade anterior. As divisões
mitóticas que ocorrem ao longo desta fase originam um sincício, onde os núcleos
compartilham um mesmo citoplasma, estes dividem-se sincronizadamente de 10 em 10
minutos. Outra característica é a celularização que ocorre 150 minutos depois da
fecundação.
O estado larvar inicia-se quando ocorre a eclosão do ovo (ao final de um dia) e
dele sai uma larva de cor branca e que apresenta mandíbulas negras e um par de

4
Mutação em Drosophila melanogaster

espiráculos com função traqueal em cada extremidade. As larvas são muito vorazes o
que leva a um crescimento muito rápido. Este estado de desenvolvimento é constituído
por três estádios larvares com duas mudas.
Quando as larvas abandonam o meio de cultura e se fixam dá-se o início do
estádio de pupa, esta vai ser constituída por uma cutícula branca e flexível que acabará
por se tornar escura e endurecer. Durante este estado de desenvolvimento vai ocorrer
substituição dos tecidos larvares pelos do adulto. Ao final de cerca de quatro dias irá
aparecer o adulto, último estado de desenvolvimento, o corpo deste irá ser constituído
pela cabeça, tórax e abdómen.
No estado adulto os machos e as fêmeas vão apresentar diferentes
características, o que irá permitir a sua distinção. Essas características podem ser
visualizadas na tabela seguinte:

Macho Fêmea

Dimensões Menores Maiores

Abdómen Arredondado Afilado


Extremidade do Mais escura (bandas Presença de bandas pigmentadas
Abdómen fundidas) mas bem distintas umas das outras

Pente Sexual Presente Ausente


A Drosophila melanogaster apresenta um cariótipo de apenas quatro
cromossomas (2n=8) sendo três destes autossomas (II, III e IV) e um o cromossoma
sexual (I).
Os cromossomas II e III designam-se por isobranquiais ou metacêntricos, o
cromossoma IV por punctiforme, enquanto no cromossoma I o X se designa por
heterobranquial telocêntrico e o Y por heterobranquial acrocêntrico.
.

Cariótipo Feminino Cariótipo Masculino


Uma mutação é definida como uma modificação permanente na informação do
DNA. Estas podem ser espontâneas ou induzidas e ainda afectarem as células da linha
germinativa ou células da linha somática.

5
Mutação em Drosophila melanogaster

Envolvem mutações génicas ou mutações cromossómicas, sendo estas as mais


graves porque afectam um maior número de informação.
Os tipos selvagens são espécies que não apresentam nenhuma variação no seu
genoma. Os mutantes aparecem quando ocorre alguma modificação permanente.
Em Drosophila existem diversas mutações:
• Mutações nos olhos;
• Mutações das sedas e pêlos;
• Mutações das asas;
• Mutações da cor do corpo.
A mutação estudada por nós estava associada á cor dos olhos e ao tamanho das
asas. A mutação ao nível dos olhos era a “white” (w) onde os olhos apresentavam uma
cor branca em vez da habitual cor avermelhada; é uma mutação recessiva, ligada ao
cromossoma I (X).
A mutação ao nível das asas, estava associada ao seu tamanho e era a “vestigial”
(vg) onde as asas se apresentavam mais pequenas do que o normal e com contornos
irregulares; é uma mutação recessiva, ligada ao cromossoma II.
Os objectivos deste trabalho são:
 Cruzar
mutantes diferentes de Drosophila melanogaster
 Observ
ar a descendência de cada geração
 Formul
ar uma hipótese explicativa dos resultados obtidos
 Localiz
ar os genes em autossomas ou cromossomas sexuais
 Explica
r o mecanismo de transmissão
 Usando

o teste do , comprovar estatisticamente a hipótese em estudo.

6
Mutação em Drosophila melanogaster

Materiais e Métodos

Material:
⇒ 1 Frasco de cultura, com cerca de 10 dias, de um mutante simples de Drosophila
melanogaster proveniente de um stock de linhas puras, recessivas para o tipo
selvagem

⇒ Frasco de uma cultura, com cerca de 10 dias, de Drosophila melanogaster tipo


selvagem, proveniente de uma linha pura

⇒ Eterizador

⇒ Pincel

⇒ 20 Frascos

⇒ Morgue

⇒ Rótulos

⇒ Éter

⇒ Papel de filtro

⇒ 14 Frascos com meio de cultura

⇒ Lupa binocular

Métodos:
1) Isolar pupas de raça a fim de obter fêmeas virgens.

2) Cruzar estas fêmeas com machos de raça. Estas moscas são designadas por
progenitores.

3) Rotular os frascos indicando o tipo de cruzamento e data.

4) Após 7 a 8 dias, libertar os progenitores.

5) A nova geração de moscas, resultante do cruzamento de progenitores, é designada


por F1.

7
Mutação em Drosophila melanogaster

a) Observar e registar os fenótipos e respectivas frequências por sexo durante 7 a 8


dias após a eclosão das primeiras moscas.

b) Cruzar F1 entre si. Utilizar 6 a 8 pares de moscas.

6) Rotular os frascos indicando o tipo de cruzamento e data.

7) Após 7 a 8 dias, libertar as moscas de F1.

8) A nova geração de moscas é designada por F2. Observar e registar os fenótipos e


respectivas frequências por sexo durante 7 a 8 dias após a eclosão das primeiras
moscas.

9) Após cada contagem, colocar em álcool as moscas separadas por fenótipos.

10) Formular uma explicação para os resultados do cruzamento efectuado, com base nos
conhecimentos de hereditariedade.

11) Aplicar
o método de análise estatística ( ) á hipótese formulada.

12) Verificar se existe acordo; caso contrário, formular uma nova explicação,
procedendo em seguida ao método de análise estatística.

13) Uma vez comprovada a hipótese formulada, construir um esquema se sumarize, para
cada uma das duas gerações, as conclusões a que chegou.

CALENDÁRIO:

Dia 0: Isolamento das pupas


1º Dia: Início do cruzamento parental

8
Mutação em Drosophila melanogaster

8º Dia: Libertação dos progenitores


13º Dia: Início das contagens de F1
Início do cruzamento F1 × F1
15º Dia: Contagens
17º Dia: Contagens
19º Dia: Contagens
20º Dia: Libertação dos pais (F1)
25º Dia: Início das contagens de F2
27º Dia: Contagens
29º Dia: Contagens
31º Dia: Contagens

9
Mutação em Drosophila melanogaster

Resultados
F1
No cruzamento para obtenção de F1 foram usados como progenitores uma fêmea
white (olhos brancos, asas normais com genótipo Xw Xw vg+ vg+) e um macho vestigial
(olhos vermelhos, asas vestigiais com genótipo Xw+ Y vg vg).
Na geração F1 obtemos 50% da descendência com olhos vermelhos e asas
normais (genótipo Xw+ Xw vg+ vg, ou seja, fêmeas) e 50% com olhos brancos e asas
normais (genótipo Xw Y vg+ vg, machos).


Xw vg+

Xw+ vg Xw+ Xw vg+ vg

Y vg Xw Y vg+ vg

Todos estes resultados podem ser retirados da tabela de contagens de F1.

Fêmea
Frascos Macho (White) Total
(Selvagem)
1 107 96 203

2 85 89 174

3 95 84 179

6 76 79 155

Total 363 348 711

10
Mutação em Drosophila melanogaster

Os frascos 4 e 5 não constam da tabela anterior visto que no início das contagens
foi detectado bolor no seu interior.

11
Mutação em Drosophila melanogaster

F2 – Cruzamento F1xF1
O cruzamento entre um macho e uma fêmea da geração F1, dará origem à geração
F2, da seguinte forma:

Os descendentes da geração F2 poderão ter os seguintes pares de características:


asas vestigiais e olhos “selvagens”, asas “selvagens” e olhos brancos, asas e olhos
“selvagens”, ou asas vestigiais e olhos brancos. Verifica-se isso pelo seguinte quadro
de xadrez mendeliano:

Por este quadro, podemos então concluir que a proporção fenotípica da


geração F2 é a seguinte:

Em termos de sexo, a proporção entre machos e fêmeas é de 1:1.

Geração F2 – Contagens
Para obter a geração F2, foram utilizados 8 frascos, cada um com 2 casais. Foi
feita uma contagem posterior, apresentada na seguinte tabela:

12
Mutação em Drosophila melanogaster

Geração F2 – Teste do x2
Como forma de comprovar se se verificava a proporção acima mostrada,
utilizámos o teste estatístico do x2, considerando-se assim H0 (hipótese nula) a
proporção 6:6:2:2. Apresenta-se de seguida a tabela correspondente a cada frasco.
• Frasco 1

• Frasco 2

13
Mutação em Drosophila melanogaster

• Frasco 3

• Frasco 4

• Frasco 5

• Frasco 6

• Frasco 7

14
Mutação em Drosophila melanogaster

• Frasco 8

Para o número de graus de liberdade neste caso (nºde graus = 3), o x2 crítico
correspondente é de 7,815. Logo, frascos em que valores o x2 tenha um valor superior a
7,815, consideram-se rejeitados, face à hipótese nula, não se verificando nestes a
proporção de 6:6:2:2.
A tabela que resume os valores de x2 de cada frasco, e a sua aceitação/rejeição
face à H0, é a seguinte:

Assim, conclui-se que os frascos 5, 6 e 8 não cumprem as proporções acima


previstas pelo xadrez mendeliano.
Através de um teste de x2, utilizando todas as contagens juntas, averigua-se a
homogeneidade das amostras, como é possível ver nesta tabela:

15
Mutação em Drosophila melanogaster

Logo, as amostras não são homogéneas, como é possível constatar.

16
Mutação em Drosophila melanogaster

Conclusão
Deduzimos que a percentagem de Machos e Fêmeas em F1 é aproximadamente
igual (50%).
711 -- 100
363 -- x x = 363 × 100 = 51%
711
711 -- 100
348 -- x x = 348 × 100 = 49%
711
Ao fazer a apresentação alguns erros foram cometidos. Seguem-se as correcções
referentes aos resultados obtidos da F1.
• O genótipo do macho progenitor é Xw Y vg vg e não Xw Y vg+ vg+.
• O genótipo da fêmea progenitora é Xw Xw vg+ vg+ e não Xw+ Xw+ vg vg.
• Na tabela de cruzamento, os gâmetas Xw+ vg e Y vg correspondem, obviamente,
ao macho e não à fêmea como estava escrito (devido a uma troca dos símbolos
sexuais)
• Os descendentes da F1 não são todos selvagens. Apenas as fêmeas são
selvagens. Os machos têm olhos brancos.
• O genótipo das fêmeas F1 estava correcto mas o dos machos é Xw Y vg+ vg+ e
não o que estava escrito.
• Na tabela de contagens, os machos não têm fenótipo selvagem, mas sim fenótipo
white.
Durante a experiência outros aspectos falharam:
1. Aparecimento de bolor no interior dos frascos
2. Erro nas contagens efectuadas
3. Fuga de moscas
4. Morte de moscas com excesso de éter
5. Moscas retidas no interior do alimento
Este trabalho pretendia mostrar o efeito de mutações ao nível da cor dos olhos e
do tamanho do corpo em Drosophila melanogaster. A mutação da cor dos olhos está
ligada ao cromossoma X.
Obtivemos para F1 as proporções esperadas e em F2 obtivemos uma proporção de
6:6:2:2.

17
Mutação em Drosophila melanogaster

Através do x2 percebemos que não existia homogeneidade das amostras, uma vez
que havia frascos em que foi rejeitada a Ho.

18