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Neurociência

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Introdução ao Conheciemnto de Neurociência

A neurociência é um termo que reúne as disciplinas biológicas que estudam o sistema nervoso, normal e patológico, especialmente a anatomia e a fisiologia do cérebro interrelacionando-as com a teoria da informação, semiótica e lingüística, e demais disciplinas que explicam o comportamento, o processo de aprendizagem e ISOL cognição humana bem como os mecanismos de regulação orgânica.
EAD IES 14641 Educação Socializada

2010

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Introdução ao Conheciemnto de Neurociência

A neurociência é um termo que reúne as disciplinas biológicas que estudam o sistema nervoso, normal e patológico, especialmente a anatomia e a fisiologia do cérebro interrelacionando-as com a teoria da informação, semiótica e lingüística, e demais disciplinas que explicam o comportamento, o processo de aprendizagem e cognição humana bem como os mecanismos de regulação orgânica. Tanto do ponto de vista histórico como teórico não se pode deixar de considerar as contribuições da cibernética, hoje a neurociência computacional que se define como a ciência da comunicação e controle no animal e na máquina. Essencialmente é uma prática interdisciplinar, resultado da interação de diversas áreas do saber ou disciplinas científicas como, por exemplo: neurobiologia, neurofisiologia, neuropsicologia, neurofarmacologia (neuropsicofarmacologia), estendendo-se essa aplicação à distintas especialidades médicas como por exemplo: neuropsiquiatria, neuroendocrinologia,neuroepidemiologia, psiconeuroimuno endocrinologia, psicofarmacologia, neurortopedia bucal etc.

Cérebro humano: Fissura Inter-hemisférica e os Hemisférios Cerebrais
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1 Acerca de nomes e métodos 2 O cérebro, a mente e os seus problemas 3 Um pouco de história 4 Grandes Autores 5 Bibliografia

6 Ligações externas

Acerca de nomes e métodos Observe-se que a maioria dos vocábulos com prefixo neuro podem ser substituídos ou associados ao prefixo psico, a moderna neurociência tende a reunir as produções isoladas face ao risco de perder a visão global do seu objeto de estudo: o sistema nervoso, contudo a complexidade deste, e em especial do sistema nervoso central da espécie humana, exige o estudo isolado de cada campo e o exercício da interrelação de pesquisas. Existem pelo menos 5 maneiras de estudar a relação entre sistema nervoso e comportamento e/ou sua fisiologia:
1. O espectro animal – diversidade de modelos que a natureza

oferece e os padrões reconhecíveis de comportamento e de estrutura anatômica e bioquímica.

O cérebro de um gato
2. As

diversas patologias e lesões anatômicas e suas conseqüências funcionais. Para deficiência mental, por exemplo, já se conhece pelo menos 200 causas.

3. Os estágios do desenvolvimento humano/animal e envelhecimento. Existem estágios previsíveis de modificação anatômico-funcional e comportamental nas diversas fases do desenvolvimento humano.
4. Efeito de drogas em diferentes sítios anatômicos, Existe certo

consenso quanto a 3 formas básicas de efeito farmacológico de drogas no sistema nervoso. As substâncias psicoativas podem ser classificadas como lépticas (estimulantes); analépticas (depressoras) e dislépticas (modificadoras). É nesse último grupo que se enquadram as substâncias conhecidas como alucinógenos ou enteógenos.
5. Estudo da mente (psique) e/ou comportamento. Para um

grande conjunto de alterações comportamentais estudadas pela psicopatologia e criminologia ainda não existe consenso sobre suas causas biológicas e psicossociais. O mesmo pode ser dito

para alterações psiconeuroendócrino fisiológicas da experiência religiosa ou êxtase religioso e estados alterados de consciência induzidos por técnicas como meditação e yoga. Múltiplas interrelações entre esses diversos métodos e possibilidades de estudos são possíveis, contudo ainda não existe grandes teorias que façam da neurociência uma única teoria ou método científico com suas múltiplas aplicações práticas na área médica (Neurologia, Psiquiatria, Anestesia, Endocrinologia, Medicina Psicossomática) ou paramédica (Psicologia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional etc.). Uma forma distinta de conceber a diversidade de metodologias com que podemos estudar o cérebro é, como proposto por Lent, 2004, acompanhar, em princípio os distintos níveis anatômicos – funcionais que a biologia utiliza para o estudo dos seres vivos. Estabelecendo então: Neurociência molecular; Neurociência celular como níveis de análise equivalentes as bem estabelecidas disciplinas da bioquímica e citologia; A Neurociência sistêmica orientada pelos princípios histológicos, estruturais e funcionais dos aparelhos e sistemas orgânicos; A Neurociência comportamental em princípio acompanha os níveis de organização básica do indivíduo ou seu comportamento equivalendo aos estudos da Psicobiologia ou Psicofisiologia e finalmente a Neurociência cognitiva ou estudo das capacidades mentais mais complexas, típicas do animal humano como a linguagem, autoconsciência etc. que também pode ser chamada de Neuropsicologia.

Serotonina Observe-se que não há um plano ou nível privilegiados de análise e nem sempre a melhor explicação de um nível situa-se necessáriamente no anterior (ou posterior). Paradoxos complexos podem ser criados como o estudo molecular da consciência ou o entendimento da consciência e comportamento como propriedades emergentes relativamente independentes do estudo do sistema nervoso. Um entendimento pleno deve considerar como verdadeiras e igualmente importantes todas as maneiras de estudo do cérebro e sistema nervoso. O cérebro, a mente e os seus problemas

Além da tarefa ainda não concluída em milhares de anos de pesquisas, especulações, tentativas, erros e acertos sobre a anatomia e fisiologia do cérebro e de suas funções sejam o comportamento/pensamento (psique) ou os mecanismos de regulação orgânica e interação psicossocial alguns problemas se impõem aos pesquisadores, destacam-se entre estes os que podem ser reunidos pela patologia. Ressalte-se, porém a inconveniência de reduzir a neurociência à clínica e anatomia patológica como na história da medicina já se fez, e perdermos de vista a possibilidade de construção de um conhecimento da saúde (não redutível ao oposto qualificativo da doença) considerando também as dificuldades de aplicação dos conceitos da patologia às variações genéticas e bioquímicas das espécies e natureza da psique e/ou comportamento. Assim esclarecido temos duas estratégias básicas para abordar os problemas da mente-cérebro e/ou a principal aplicação prática da neurociência:

Encefalite mostrada no lado direito do cérebro O estudo da função nervosa e suas alterações ou seja O coma, alterações da consciência e do sono; Alterações dos órgãos dos sentidos, delírios, alterações do intelecto e da fala; Distúrbios do comportamento, ansiedade e depressão (lassidão, astenia); Desmaios, tontura (vertigens) e estado convulsivo; Distúrbios da marcha e postura (tremores, coréia, atetose, ataxia); Paralisias e distúrbios da sensibilidade e dor (cefaléia e segmentos periféricos); Espasmos, incontinências e outras alterações da regulação orgânica. O estudo etiológico das patologias do sistema nervoso Malformações congênitas e erros inatos do metabolismo; Doenças do desenvolvimento, degenerativas e desmielinizantes; Infecções por grupo de agentes e sítio anatômico (meningites, encefalites,etc.); Traumatismo no sistema nervoso central e periférico; Doenças vasculares (hipoxias, isquemias, infarto hemorragias); Neoplasias (tumores malignos, benignos por tecido de origem e cistos); Doenças neuroendócrinas, nutricionais, tóxicas e ambientais; Transtornos mentais e distúrbios do comportamento

Para uma classificação mais detalhada de tais patologias, consultar os capítulos V: Transtornos mentais e comportamentais; VI (Doenças do Sistema Nervoso); e VII (Doenças do Olho Ouvido e Anexos) da Classificação Internacional das Doenças 10ª Revisão – CID 10. Um pouco de história Se não considerarmos que o conhecimento de métodos de tratamento invasivo como trepanações das medicinas antigas e pré colombianas; utilização de plantas psicoativas e outras técnicas de modificação da consciência e anestesia (similares à yoga e acupuntura), fazem parte da neurociência, podemos tomar como data de criação desta interdisciplina a publicação de De morbis nervorum em 1735 , de autoria do médico holandês Herman Boerhaave, considerado o primeiro tratado de neurologia, ou a descoberta da função cerebral; que se atribui ao grego Alcmaeon da escola Pitagórica de Croton em torno de 500 aC, que discorreu sobre as funções sensitivas deste, reafirmado por Herófilo, um dos fundadores da escola de medicina de Alexandria (século III aC.), que descreveu as meninges e a rete mirabile (rede maravilhosa) de nervos (distinguindo este dos vasos) e medula com suas conexões com cérebro, cujo conhecimento foi sistematizado e demonstrado empiricamente, através do corte seletivo de nervos, por Galeno (130211 aC.) Grandes Autores Essa lista propõe-se a identificar os principais autores dos diversos países que contribuíram para o desenvolvimento do que hoje entendemos por neurociência classificados provisoriamente por área de desenvolvimento, a saber: Psicofísica e estudos da percepção
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Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) Ernst Heinrich Weber (1795–1878) Gustav Theodor Fechner (1801–1887) Hermann Ludwig Ferdinand von Helmholtz (1821–1894) Wilhelm Maximilian Wundt (1832-1920) Max Wertheimer (1880-1943) Kurt Koffka (1886-1941) Wolfgang Köhler (1887-1967) Thomas Willis (1621-1675) Franz Joseph Gall (1758-1828) Marie Jean Pierre Flourens (1794-1867) Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936) Santiago Ramón y Cajal (1852-1934)

Estudos das correlações entre a forma e função no sistema nervoso

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Charles Scott Sherrington (1852-1952) Henry Head (1861-1940) Charles Bell (1774-1842) Pierre Paul Broca (1824–1880) John Hughlings Jackson (1835-1911) Karl Wernicke (1848-1905) Arnold Pick (1851-1924) Sergei Sergeievich Korsakoff (1854-1900) Alois Alzheheimer (1864-1915) Kurt Lewin (1890-1947) Lawrence K. Frank (1890-1968) Norbert Wiener (1894-1964) Lawrence S. Kubie (1896-1973) Warren Sturgis McCulloch (1899-1969) Arturo Rosenblueth (1900-1970) Ralph W. Gerard (1900-1974) Paul Lazarsfeld (1901-1976) John von Neumann (1903-1957) William Ross Ashby (1903-1972) Gregory Bateson (1904-1980) Max Delbrück (1906-1981) Molly Harrower (1906-1999) W. Grey Walter (1910-1977) Heinz von Foerster (1911-2002) Julian Bigelow (1913-2003) Claude Elwood Shannon (1916-2001) Leonard Jimmie Savage (1917-1971) Walter Pitts (1923-1969)

Estudos das correlações entre o sistema nervoso normal e patológico

Estudos da engenharia do cérebro, inteligência artificial e cibernética

Estudos sobre as emoções e interação mente-corpo (psicossomática), desenvolvimento da psiquiatria e psicanálise
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Philippe Pinel (1745-1826) Jean-Martin Charcot (1825–1893) Theodor Hermann Meynert (1833-1891) William James (1842-1910)

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Emil Kraepelin (1856–1926) Sigmund Freud (1856-1939) Paul Eugen Bleuler (1857-1939] Korbinian Brodmann (1868–1918) Walter Bradford Cannon (1871–1945) Hans Berger (1873–1941) Carl Gustav Jung (1875–1961) Karl Theodor Jaspers (1883-1969) Carl Georg Lange (1885-1912) Ernst Kretschmer (1888-1964) Karl S. Lashley (1890–1958) Franz Alexander (1891—1964) Wilhelm Reich (1897-1957) Jacques-Marie Émile Lacan (1901-1981) Lev Semionovitch Vigotsky (1896-1934) Jean Piaget (1896-1980) Alexander Romanovich Luria (1902-1977) Albert Hofmann (1906 - 2008 ) Hans Hugo Bruno Selye (1907-1982) Jean Delay (1907-1987) Oliver Wolf Sacks (1933 - )

Neurofisiologia, psicofarmacologia, neuropsicologia contemporânea

Cibernética

Cibernética (do grego Κυβερνήτης significando condutor, governador, piloto) é uma tentativa de compreender a comunicação e o controle de máquinas, seres vivos e grupos sociais através de analogias com as máquinas cibernéticas (homeostatos, servomecanismos, etc.). Estas analogias tornam-se possíveis, na Cibernética, por esta estudar o tratamento da informação no interior destes processos como codificação e descodificação, retroação ou realimentação (feedback), aprendizagem, etc. Segundo Wiener (1968), do ponto de vista da transmissão da informação, a distinção entre máquinas e seres vivos, humanos ou não, é mera questão de semântica. O estudo destes autômatos trouxe inferências para diversos campos da ciência. A introdução da idéia de retroação por Norbert Wiener rompe com a causalidade linear e aponta para a idéia de círculo

causal onde A age sobre B que em retorno age sobre A. Tal mecanismo é denominado regulação e permite a autonomia de um sistema (seja um organismo, uma máquina, um grupo social). Será sobre essa base que Wiener discutirá a noção de aprendizagem. É comum a confusão entre cibernética e robótica, em parte devido ao termo ciborgue (termo que pretendia significar CYBernetic ORGanism = Cyborg). A cibernética foi estudada em diversos países tanto para o planejamento de suas economias como para o desenvolvimentos de maquinarias bélicas e industriais, como foram os casos da antiga URSS (onde se preocuparam com a gestão e controle da economia soviética propondo as perguntas: Quem produz? Quanto produz? Para quem produz?), da França, dos EUA e do Chile (GEROVITCH, 2003; MEDINA, 2006). Referências

GEROVITCH, Slava. "Cybernetics and Information Theory in the United States, France and the Soviet Union". In: WALKER, Mark (Dir.). Science and Ideology: a comparative history. Londres: Rotledge, 2003. Disponível em: <http://www.infoamerica.org/documentos_word/shannonwiener.htm>. MEDINA, Eden. "Designing Freedom, Regulating a Nation: Socialist Cybernetics in Allende’s Chile". Journal of Latin American Studies, n. 38, 2006. Disponível em: <http://informatics.indiana.edu Neurociência computacional


A neurociência computacional é a área da neurociência que tem por objetivo propor modelos matemáticos e computacionais para simular e entender a função e os mecanismos do sistema nervoso. Por sua própria natureza ela é uma ciência interdisciplinar que combina diferentes campos do saber, como a neurobiologia, a física, a ciência da computação, a engenharia elétrica, a matemática aplicada e a psicobiologia. A neurociência computacional tem suas raízes históricas ligadas aos trabalhos de pessoas como Andrew Huxley, Alan Hodgkin, Wilfrid Rall, Donald Hebb e David Marr. Hodgkin e Huxley desenvolveram a técnica do grampo (ou fixação) de voltagem e criaram o primeiro modelo matemático para a geração do potencial de ação em um neurônio. Wilfrid Rall iniciou a modelagem computacional biofisicamente realista de neurônios e dendritos, usando a teoria do cabo para construir o primeiro

modelo compartimental de um dendrito. Donald Hebb foi um dos pioneiros na tentativa de se encontrar um substrato biológico para os fenômenos mentais, propondo mecanismos sinápticos e neurais capazes de levar grupos (cell assemblies) de células dispersas pelo cérebro a atuar brevemente como sistemas únicos. David Marr impulsionou a abordagem computacional do cérebro, criando modelos para o funcionamento de estruturas como o hipocampo, o neocórtex e o cerebelo. A neurociência computacional se diferencia da área da psicologia conhecida como conexionismo e das teorias sobre aprendizagem de disciplinas como aprendizado de máquina, redes neurais e teoria estatística de aprendizado, pois ela enfatiza descrições funcionais ou biologicamente realistas de neurônios e sua fisiologia e dinâmica. Os modelos da neurociência computacional buscam capturar as características essenciais do sistema biológico em escalas de tempo múltiplas, desde correntes de membrana e oscilações químicas até aprendizado e memória. Esses modelos computacionais são usados para testar hipóteses que possam ser verificadas diretamente por experimentos biológicos atuais ou futuros. No momento o campo está passando por uma rápida expansão, provocado pelo acúmulo de dados experimentais e pelo aparecimento de pacotes de programas computacionais para a execução de simulações biologicamente detalhadas de neurônios individuais e redes de neurônios, como o NEURON [1] e o GENESIS [2], que permitem a construção rápida e sistemática de modelos neurais em larga escala para estudos in silico.

A REVOLUÇÃO DAS EMOÇÕES

“Não gostar de emoções negativas é tão útil quanto não gostar de inverno. O inverno virá você querendo ou não, assim como as emoções. Melhor do que gostar ou não gostar é saber lidar com elas”. Percebemos que nos dias atuais as qualidades emocionais estão sendo cada vez mais exigidas. Mais exigido que o QI, agora o QE (coeficiente emocional) que esta sendo o pré-requisito cada vez mais solicitado em diversas empresas. Os maiores especialistas do mundo em análise comportamental alertam que o mais importante nos nossos dias não é o quanto se sabe, mas sim como se relacionar

melhor consigo mesmo e conseqüentemente com as pessoas que conosco convivem. Para melhorarmos o nosso QE é necessário expandirmos nossa inteligência emocional. É comum a pessoa buscar somente um desenvolvimento técnico. O que diferencia os homens dos animais é o raciocínio, portanto vivemos procurando desenvolvê-lo, mas a formação racional e técnica não mais determinam o sucesso. Passamos por uma grande fase de desenvolvimento industrial, tecnológico, mais recentemente assistimos a grande evolução da informática. Mas ultimamente o desenvolvimento técnico tem sido cada vez mais similar entre as pessoas, o que torna o mercado de trabalho mais competitivo. Qualquer criança já sabe usar um micro. A maior parte das pessoas tem a consciência de que estudo é imprescindível e essa maioria de pessoas se esforça e consegue, mesmo que com muito esforço terminar uma faculdade. O mercado de trabalho encontra-se cada vez mais concorrido e a qualidade dos candidatos cada vez mais similar. Por tal motivo, a comunidade científica mantém seus olhos cada vez mais fixos no estudo das emoções. Não somente os cientistas, mas as pessoas que contratam também. O maior diferencial que um candidato pode apresentar não é mais um curso no exterior, ou um aperfeiçoamento em sua área profissional. Esse tipo de diferencial pode encontrar de baciada hoje em dia. O maior diferencial a ser apresentado hoje são qualidades emocionais. Psicólogos de empresas de RH afirmam ser esse o critério mais utilizado no momento da seleção. Dizem que o que tem interessado mais, ultimamente, é a maneira como a pessoa lida com as demais pessoas do que um currículo exemplar. O que alegam é que pessoas com milhares de cursos é muito fácil encontrar. Quando elegem um candidato que apresenta algum problema técnico na função que ira executar, apenas pouco tempo de treino pode sanar o problema. Já problemas de fundo emocional, como autoritarismo, descontrole, são muito mais difíceis de trabalhar em um funcionário. Isso em todas as áreas. Não adianta formar um jogador de futebol tecnicamente perfeito, para depois ele chutar a câmera que o mostra para o mundo. Antigamente para uma vaga de emprego eram avaliados somente currículos. Hoje são realizadas dinâmicas em grupo para avaliar os candidatos em amplos aspectos. Não basta mais somente avaliar o lado técnico. Podemos perceber então que mais do que nunca é necessário possuir o controle das emoções para que em determinado momento ela não venha nos atrapalhar. Ou você entende suas emoções ou você se torna vítima delas. Algumas pessoas acreditam que possuir o domínio das emoções é deixar de sentir aquelas que parecem ser prejudiciais, deixar de sentir emoções como raiva, medo, qualquer

emoção que traga sentimentos desagradáveis e possíveis descontroles. Ter o domínio das emoções é bem diferente disso. É algo muito maior do que gostar ou não gostar, ou até mesmo maior que buscar meios para impedir a existência de tais emoções. O melhor caminho para obter o controle de suas emoções é compreendê-las de maneira mais completa, como um mecanismo fisiológico. Cada emoção possui uma função fisiológica positiva, se conseguir compreender que mesmo as emoções que são aparentemente negativas, possuem uma função fisiológica positiva é possível tirarmos um resultado positivo de todas as emoções. Com a correria dos tempos modernos, nosso tempo se torna cada vez mais escasso e nossa atenção cada vez mais voltada para o meio externo. Temos que nos preocupar realmente com muitas coisas. Com o trabalho, com a faculdade, com os filhos, com as compras de casa, com o almoço, jantar. São muitos itens que prendem nossa atenção ultimamente. Com a atenção dirigida para fora, sobram menos conduções para dirigir nossa atenção às emoções. Não darmos a devida atenção a elas não significa que elas não estão acontecendo, muito pior, elas vão ficando embutidas dentro de nós, mas em determinado momento ela vai aflorar, e isso pode ocorrer de maneira mais intensa do que o necessário. Daí vem o surgimento de algumas formas modernas e realmente mais intensas de ansiedade. Cada uma de nossas emoções merece a atenção necessária. Acontece com inúmeras pessoas ir empurrandoas com a barriga. Não dar atenção às suas emoções ou tentar levar com a barriga como se nada tivesse acontecendo é como segurar um vazamento de água em um cano com as mãos. Vai ter uma hora que vai estourar. É necessário seguirmos por outro caminho. Essa energia gerada pelas emoções pode ser utilizada em nosso favor. Se aprendermos dirigir a energia gerada por essas emoções na conquista de objetivos ou na busca de uma vida mais saudável, teremos bons resultados e ainda teremos saído sábios no uso adequado de nossas emoções. Não existe emoção positiva e emoção negativa, todas as emoções possuem uma função biológica. Você vai vivenciar as emoções por toda a sua vida de uma forma ou de outra. São quatro emoções básicas que regem a nossa vida: raiva, tristeza, medo e alegria. Estas emoções são responsáveis por todas as demais emoções que sentimos. Como falamos cada uma com uma função fisiológica positiva. Para obter o controle de nossas emoções é necessário compreender cada uma delas. Assim poderemos abrir nossa mente na busca de novos caminhos onde poderemos expressar todo nosso potencial. A RAIVA

A raiva é uma emoção intensa e possui uma característica destrutiva. Pode aparecer em diversos graus de intensidade, desde uma leve irritação até explosões que pode causar danos maiores. Em momentos de raiva, as pessoas falam sem pensar e normalmente direcionam essa raiva para cima de outra pessoa. De modo geral essa emoção é muito mal utilizada. Geralmente é direcionada para a pessoa amada ou para aquelas que estão mais próximas, família e amigos. Dizemos palavras de raiva para as pessoas mais próximas, pessoas que mais amamos que não diríamos para um estranho na rua. Certa vez foi colocada uma câmera escondida na casa de um traficante. A polícia analisava a vida desse traficante para que pudesse dar um flagrante. Um dia ele estava brigando com a esposa e seu filho, uma criança, estava brincando com um carrinho. Nervoso, quando o filho passou perto dele, ele gritou: “Sai daqui moleque!”. A criança tem o costume de testar então ela continua e dessa vez ele gritou: “Sai daqui seu burro e idiota!”. A criança já começa a acreditar no que ele diz. Numa terceira vez ele chuta a criança de forma tão agressiva, que ela cai na parede e perde o ar. Nesse momento a polícia entrou e o prendeu. Esse traficante jogou a raiva que estava sentindo em cima de uma criança que nada tinha a ver com a situação. Bater em uma criança nada mais é que descontar sua raiva. Você bate quando não tem mais o que fazer. Fala, pede, briga, da bronca, nada adianta então você se irrita e para descontar sua raiva bate. Bater em criança é falto de recurso do pai. É possível utilizar outros recursos para convencer uma criança sem bater. Usar a raiva dessa maneira gera cicatrizes nas pessoas. Às vezes nem cura e já vem outra marca. É necessário tomar cuidado com as marcas causadas em outras pessoas. Acontece também, em outros casos, da pessoa ser treinada para não sentir raiva, o que é impossível. Vimos que a raiva é caracterizada como destrutiva, imagina como será guardar algo destrutivo dentro de você por algum tempo. Com certeza essa ação não trará bons resultados. Se não for bem canalizada, a raiva pode levar a doenças como úlcera gástrica, hipertensão, disfunções cardíacas entre outras. Mal dirigida, a raiva pode ainda se tornar intensa a ponto de fazer com que uma pessoa perca o limite de uma conduta razoável e tenha comportamentos dos quais possa vir a se arrepender. A raiva surge quando algo contraria as intenções das pessoas. Ela deve ser usada para corrigir esse desvio. A forma adequada de se utilizar a raiva é canalizá-la para a conquista de seus objetivos. Para isso é necessário usar a raiva contra o problema que a causou. Usando-a assim você poderá ter ganhado imensos. Vamos supor que você esteja próximo ao final do ano e tenha uma prova de uma matéria que odeia. Você necessita tirar uma nota alta,

mas não suporta nem a idéia de ter que estudar aquilo. Essa prova surge contra as suas intenções conseqüentemente surge à raiva. Um amigo mesmo sabendo que você necessita tirar uma boa nota te chama para tomar uma cervejinha. Jogar a raiva pra cima desse amigo não trará resultados, pode sim acabar com uma amizade. Você deve utilizar a raiva para corrigir o que a causou. Se tirar uma boa nota pode se vê livre da matéria. Você fica com muita raiva por não poder sair com os amigos e tomado por essa raiva você pode conseguir forças para estudar e alcançar o êxito na matéria. Assim a raiva será bem canalizada. Ela esta sendo canalizada para a conquista de um objetivo: passar de ano. Você a joga em cima do problema que a causou. A TRISTEZA A tristeza é uma emoção que te faz refletir. Ela é um mecanismo de alerta para mostrar quando algo não vai bem à nossa vida e tem a intenção de nos fazer solucioná-los. Embora não seja agradável sentir-se triste é importante darmos atenção a essa emoção, a esse mecanismo de alerta. A tristeza é um verdadeiro alarme. Pense na tristeza como uma lâmpada vermelha que se ascende quando algo não conveniente acontece, quando algo não esta legal. Se você perdeu seu emprego, por exemplo, você sente-se triste, a lâmpada ascendeu, o alarme esta ligado. O que indica que você deve encontrar uma solução para o problema. Qualquer outro tipo de problema: financeiro, pessoal, relacionamento, fatores que levam à tristeza. Você sente-se triste, a lâmpada ascendeu. Ela esta te induzindo a buscar uma solução. Ninguém gosta de sentir-se triste, sendo assim a pessoa procura achar uma solução para dar fim a esse sentimento desagradável. Quando a solução para o problema é encontrada, a lâmpada então se apaga. Algumas soluções são mais fáceis, outras requerem um poço mais de cuidado e atenção. O grande problema dessa emoção é que algumas pessoas não dão atenção ao alarme. Elas não buscam uma solução e seguem a vida na esperança de que há um dia ela se apague. A pessoa segue a vida sem buscar uma solução ao que causou a tristeza. Então a lâmpada começa a brilhar ainda mais forte, mostrando que realmente algo não esta correto. Neste caso a tristeza tende a aumentar. Continuar nesse caminho pode levar a algo bem pior, a uma tristeza muito mais forte, o que pode ocasionar uma forte depressão. Portanto é necessário buscar uma solução pro problema. Sempre há uma maneira de se resolver um problema. Importante lembra-se que a tristeza é um alarme. Ela não resolve o problema e sim o ajuda a identificá-lo. De modo geral, encontrar problemas e solucioná-los é uma tarefa fácil, basta dedicar tempo a você mesmo e empenho em encontrar uma solução. Na grande maioria conseguimos resolver nossos

problemas sozinhos. Porem em alguns casos a procura de pessoas especializadas para a busca de soluções em determinados momentos pode ser necessário. Resolver as tristezas que surgem em nosso cotidiano faz parte do caminho para a felicidade. O MEDO O medo é uma emoção que surge para protegermos nossa vida. Você não sobreviveria sua infância, por exemplo, se não sentisse medo. Sempre que vamos executar uma ação da qual coloco, de alguma maneira, nossa vida em risco, sentimos o medo. Se for saltar de pára-quedas, por exemplo, sentiremos medo no momento do salto. A intenção é apenas proteger sua vida. A função principal do medo é proteger, porem ao mesmo tempo em que ele te protege ele também bloqueia, impede realizações. Muitas vezes o medo pode te prejudicar por te impedir de fazer algo. É normal uma pessoa sentir medo de altura, isso vai te proteger de uma possível queda. Um empreendedor que possui várias empresas possui medo de comprar uma nova empresa. Nesse caso o medo surge por falta de informações. Esse tipo de medo é absolutamente plausível. Quando você deseja fazer algo novo e sente medo, por exemplo, comprar uma empresa, um relacionamento amoroso novo, essas são coisas que você deseja fazer porem sente medo porque falta informação por enquanto. Você ainda se sente inseguro em relação a essas coisas. O medo esta tentando te proteger de uma situação não apropriada. Na sua última relação amorosa você sofreu demais. A pessoa com quem você se relacionou te magoou muito, então quando surge um novo relacionamento você sente medo de sentir tudo aquilo novamente. Ele esta tentando te proteger, mas ao mesmo tempo te impedindo de ter um possível relacionamento amoroso fantástico. Em casos assim, o ideal é você se munir de informação e perceber quais os cuidados deve tomar para não acontecer tudo o que te fez sofrer novamente, mas você deve tomar cuidado para não acabar desistindo das coisas que você deseja por medo. Um segundo caso comum é a pessoa sentir medo de falar em público. O medo esta protegendo a pessoa de se expor. Ele esta protegendo a auto-estima da pessoa, pois ela pode se expor a uma situação ridícula. Mesmo trabalhando com público há muitos anos, levei algum tempo para perder totalmente o medo antes de falar para um número muito grande de pessoas. Porém eu sempre me preocupei em não permitir, de forma alguma, que o medo me impedisse de realizar o meu trabalho e mesmo sentindo um pouco de medo, falar em público é uma das coisas que sempre executei bem. O que é preciso fazer para perder medo é ganhar segurança. Tomar o maior conhecimento da matéria, ter controle sobre o assunto, estudar técnicas para se falar em público. Quando você estiver dominando esse assunto o medo desaparece e

assim você consegue realizar o que deseja. É também o caso da pessoa que tira carta de motorista e não dirige por causa desse sentimento. Se a pessoa tirou carta significa que sabe dirigir um carro, mas ela se sente insegura no transito. O medo esta a protegendo de uma possível batida. Essa pessoa deve começar aos poucos, dirigindo com uma outra pessoa, alguns minutos por dia. Uma hora ela vai ganhar segurança então perderá o medo e começará a dirigir sozinha. Devemos tomar cuidado com essa emoção, pois ela pode tornar-se algo limitante. Sentir medo é algo absolutamente normal, porem você deve ser ponderado e saber quando esse sentimento esta atrapalhando sua vida. Você pode começar a desistir de muitas coisas por causa do medo e é nesse momento que se deve ficar atento. Faça uma reflexão dos últimos tempos, e observe quantas coisas você deixou de fazer por causa de tal sentimento. Para vencer o medo duas dicas básicas: aprendizagem e treinamento. A ALEGRIA A Alegria é a emoção mais prazerosa de se sentir. O ser humano nasce para ser feliz então ele vive na busca dessa emoção. Ao contrário do que muitos pensam, não é preciso muito para nos sentir felizes, alegres. Não existe uma vida plena, constantemente feliz. O que existe é momento feliz. A vida é constituída destes momentos como já dissemos anteriormente. Pequenas coisas nos deixam alegres e devemos realmente buscar momentos de alegria em nossas vidas. Às vezes uma situação boba que faz com que a gente de risada já é algo que nos fez felizes por um momento. Existem dois tipos de alegria: a alegria de curto prazo e a alegria de longo prazo. Alegrias de curto prazo: É um tipo de alegria fundamental para a nossa vida. É uma alegria momentânea. A sentimos quando vamos a uma festa, ouvimos uma piada, vemos um filme engraçado. No momento dessa alegria soltamos a criança que existe dentro de nós. Quando somos criança, somos extremamente criativos, não temos vergonha. Manter esse tipo de atitude é ótimo para nossa vida. Muitas pessoas supõem que para amadurecer é necessário deixar de lado toda a criança que existe em você. Isso não é verdade, não precisamos abandonar toda a criança que temos conosco para alcançar a maturidade. A maior prova de maturidade é saber cuidar de nossas “cinco saúdes” e não matar a criança que existe em você. Esse tipo de alegria é excelente, porém requer certo cuidado. O que pode ocorrer com a alegria de curto prazo é a falta de limite. Sair um dia da semana para bater um papo com os amigos e dar risada é fundamental e devemos realmente possuir esse tipo de hábito. O que acontece é que você sai uma, duas, três, quatro vezes pó semana e quando percebe esta saindo todos os dias com os amigos.

Isso com certeza não causaram um bom resultado com o seu parceiro, ou mesmo com sua mãe. Como a sensação que você sente é prazerosa, a tendência é continuar. Isso pode ocasionar em certo arrependimento futuro. Algumas pessoas acabam caindo em estados mais drásticos: droga, bebidas alcoólicas, pode ate mesmo citar o ato sexual sem os cuidados necessários, o que pode ocasionar em doenças ou em um filho na monta inadequado. A alegria de curto prazo pode fazer com que a pessoa perca coisas preciosas de sua vida por essa falta de limite, que é uma de suas características. É necessário ficar atento.

Alegrias de longo prazo: Essas são aquelas alegrias que vamos conquistando ao longo de nossas vidas. Conforme caminhamos na busca de nossa missão. As conquistas que vamos realizando em cada passo que damos nesse caminho, cada passo vão gerando esse tipo de alegria. Esse caminho é prazeroso. Muitas vezes esse tipo de alegria esta ligada às pessoas de nosso convívio que amamos. Ela esta muitas vezes junto de nossos familiares. Essa alegria é a mais importante e devemos buscá-la constantemente. Do livro Defina seu Rumo.

Dr. Neil Hamilton Negrelli Jr.

QUANDO EU DEVO LEVAR A CRIANÇA PARA EXAME OCULAR?

Não há idade fixa para ir ao oftalmologista! Recém-nascidos que apresentem fotofobia, olhos vermelhos ou com secreção, pupila branca, lacrimejamento constante, estrabismo ou olhos esbranquiçados devem ser levados de imediato. Também deve levar, se você notar que a criança: • • • Reclama de dor de cabeça e/ou lacrimejamento durante ou após esforço visual (na escola, TV, leitura); Aperta ou arregala os olhos para ver melhor; Aproxima-se da TV ou do livro para ler

• • • • •

Evita brincadeiras ao ar livre; Apresenta desinteresse na leitura; Apresenta caspa nos cílios; Possui olhos assimétricos ou que se entortam; Ao tapar um dos seus olhos, chora ou fica agoniada.

Também deve ser levado ao oftalmologista o quanto antes. Quando os pais tiverem problemas oculares como estrabismo (olho torto), grau alto de óculos ou visão baixa, deve fazer exame já nos primeiros anos de vida. Os principais problemas que uma criança pode vir apresentar desde o nascimento são: Catarata, cristalino opaco; Glaucoma, aumento da pressão intra-ocular; Estrabismo, desvio ocular; Retinoblastoma, tumor intra-ocular; Ptose, pálpebra caída; Obstrução dos canais lacrimais. Para as que não apresentam quaisquer destes problemas acima, a primeira consulta deve ser entre os 3 e os 4 anos de idade. Para prevenir o aparecimento de problemas na vista, são três as recomendações básicas: consultar o oftalmologista com regularidade, não coçar os olhos e ter uma alimentação rica em vitaminas A (ovos, peixes gordurosos, vegetais verde-escuros e vísceras) e E (frutas secas, óleos vegetais e gérmen de trigo). Mas não adianta ingerir altas doses de vitaminas depois que o problema aparece, pois elas não desfazem o estrago. Ética, Educação e Odontologia

A sociedade vem sofrendo inúmeras mudanças quanto ao processo produtivo; novas tecnologias invadem o mundo do trabalho substituindo as formas tradicionais, seja no campo da educação, da comunicação, da ética individual e coletiva, estabelecendo outros laços de relacionamento. É bem verdade que atualmente surgem conflitos na área da educação pela massificação do ensino, com disputa em torno do excedente de profissionais, do meio ambiente e qualidade de vida, o valor da saúde, processamento de riscos nos ambientes de trabalho, ou seja, tudo o que era organizado em torno do trabalho material torna-se pequeno. Nos conflitos que se estabelece entre os diferentes atores

coletivos das diferentes classes profissionais, a luta que se apresenta é pela expressão da própria identidade cultural. Assim, o capital cultural passa a se tornar relevante, os certificados, títulos treinamentos nos processos de aprendizagem ganham importância, uma vez que estabiliza o status. Para que se possa obter o monopólio e controle da profissão, nos dias atuais, é necessário o aumento do capital cultural, do controle do poder tecnológico e do conteúdo profissional, autonomia, eficiência, eficácia. Sair do isolamento, do próprio mundo das práticas clínicas, pautarem o trabalho de orientação coletivista, na conexão multiprofissional em forma de redes, e de ter conhecimento formal abstrato transmitido pelo conhecimento profissional. Segundo o autor Klaus Eder (2002), em seu livro “A nova política das classes" afirma: "A luta pela qualificação formal alterou de forma drástica as diferenças entre as classes médias e mais baixas, tanto qualitativa quanto quantitativamente. A figura-chave nesta nova luta por status é o trabalhador especializado que, tendo adquirido novas qualificações formais, distanciou-se do trabalhador normal não-especializado que se juntou as fileiras das velhas classes médias baixas. Seu tipo de luta, viabilizada pela expansão do sistema educacional, tornouse central nas sociedades modernas avançadas. A classe trabalhadora está ficando separada entre trabalhadores propriamente ditos e trabalhadores marginais. As qualificações para cima e para baixo (que conduzem a ascensão e descenso) são resultado de novas maneiras de construir papéis ocupacionais no sistema de trabalho" (op. cit., p.146-147) As mudanças acontecem em grande velocidade, à competição aparece, mas desaparece quando a incapacidade não acompanhar o mercado em transformação. A própria globalização cria um mundo caótico, pois princípios utilizados no passado não se aplicam mais. O profissional Dentista que no passado trabalhava com a auxiliar treinada por ele, e que executava os procedimentos com todas as "viciações" adquiridas do profissional que a treinava, não ocupa mais lugar nos dias de hoje. Até mesmo para auxiliá-la odontológica se exige a freqüência nos cursos de formação, além de atualizações constantes. A qualidade do trabalho humano como resultante de um processo de qualificação coletiva, de acordo com as organizações sociais atuais, requerem no seu conteúdo a ser apreendido o domínio do trabalho flexibilizado e a oportunidade

de manejar novas tecnologias. Ter capacidade de estabelecer um bom relacionamento interpessoal, ter iniciativa, saídas rápidas para enfrentamento de problemas, saber trabalhar em equipe, ter capacidade de aprender continuamente, são competências importantes no mundo produtivo. Portanto, para uma organização de trabalho em saúde num sistema de renovação há que se permitir à qualificação do trabalhador, ética profissional, sensibilização e humanização na prestação de serviços, aliados à remuneração compatível ao trabalho exercido em equipes, propiciando vínculos entre os profissionais com os usuários, à democratização dos serviços e das instituições quanto à construção de uma nova identidade profissional. Profª Márcia Boen Garcia Liñan Mestre em Denteologia e Odontologia Legal pela FOUSP Doutoranda em Administração Escolar e Economia da Educação pela FEUSP

Construtivismo, ABP e formação de professores Por Ana Maria Klein e Verônica Guridi

Nas últimas décadas temos experimentado um relativo consenso na área educacional em relação ao construtivismo e às formas pelas quais os sujeitos aprendem. Nas literaturas educacionais vários autores sintetizam alguns pontos convergentes nos novos discursos educacionais sobre o construtivismo: • Os estudantes chegam à compreensão pela seleção ativa e construção de seu próprio conhecimento e não pela recepção e acumulação do mesmo. • O sujeito traz uma bagagem de pressupostos, motivações, intenções e conhecimentos prévios a qualquer situação de ensinoaprendizagem. • O processo de construção do conhecimento acontece através da atividade individual e social. • A natureza das atividades influenciará a qualidade do

conhecimento adquirido. Essa mesma literatura destaca alguns pressupostos para a aprendizagem que se pauta pelo construtivismo: (1) conteúdo (o que aprendemos) e natureza da aprendizagem (como aprendemos) são inseparáveis. (2) Os conflitos cognitivos e a perplexidade diante do novo/desconhecido são estímulos para a aprendizagem. Daí decorre que o propósito do aprendiz é central para determinar o que ele aprenderá. (3) O conhecimento se desenvolve por meio da negociação social e da valorização da compreensão individual. Os princípios construtivistas conjugam-se à prática da ABP (Aprendizagem Baseada em Problemas) que tem como ponto de partida o uso de problemas para aquisição do conhecimento. O aluno aprende a partir destes, algumas vezes formulados pelos próprios alunos, outras pelos docentes. Cabe aqui esclarecer que a ideia de problema presente nessa abordagem metodológica refere-se a um enunciado que apresenta um obstáculo aos sujeitos e que pode ter mais de uma solução possível ou não ter solução. De qualquer forma trata-se de problemas contextualizados na realidade, o que favorece a motivação e o estímulo para que se compreenda e se olhe criticamente para o mundo com vistas à sua transformação. O uso de problemas como ponto de partida para a aprendizagem capacita os alunos a irem além de respostas previamente estabelecidas e a buscarem respostas às perguntas que os inquietam uma vez que os problemas não têm respostas prontas ou únicas. O conhecimento prévio do sujeito sobre o tema contribui tanto para a formulação de suas dúvidas quanto para a busca de respostas. Quando esses processos se realizam em grupo, ou seja, quando os problemas são propostos e desenvolvidos com vistas a um trabalho coletivo, as possibilidades de troca de conhecimento entre os sujeitos aumentam significativamente. A aprendizagem, no entanto, não fica restrita ao conhecimento prévio dos alunos, eles devem buscar respostas utilizando-se de procedimentos investigativos e do conhecimento disponível nas mais diferentes fontes. Assim, a ABP é um meio não só para a aprendizagem de conceitos, mas também proporciona o desenvolvimento de competências direcionadas à tomada de decisões, ao aprender a aprender, à pesquisa, à utilização da informação, à autonomia e à criatividade. Competências relacionadas ao convívio em grupo como cooperação e tolerância também são desenvolvidas através desse tipo de aprendizagem. Podemos destacar dois pontos relevantes nesse processo de construção do conhecimento através da ABP: o aluno aprende fazendo, assumindo um papel ativo na sua aprendizagem; e desenvolve competências metacognitivas relacionadas à tomada de consciência sobre as atividades que realiza e das suas responsabilidades diante do processo de aprendizagem. Além de considerar aspectos intrínsecos à aprendizagem dos

sujeitos, o trabalho com a ABP pode favorecer o desenvolvimento de habilidades demandadas pelo novo contexto mundial, pois os estudantes aprendem pela (e na) complexidade da realidade, sendo instigados à identificação, análise e avaliação de problemas e concepção de soluções. O trabalho com ABP através de projetos em grupo possibilita o desenvolvimento de capacidades relacionadas ao trabalho em equipe, à reflexão e à tomada de decisão. Defender e pretender uma educação que se paute pelos princípios construtivistas e que seja sensível às demandas sociais contemporâneas nos obriga à reflexão sobre a formação docente. Que professor desejou para o século XXI? O professor que atua pautado pelos princípios construtivistas e adota a metodologia do ABP diferencia-se muito do papel tradicionalmente atribuído aos docentes. Ele deixa de ser a fonte transmissora de conhecimento e assume o papel de facilitador, tendo por função central a orientação dos alunos no desenvolvimento dos passos da ABP, além de estimular e encorajar os discentes para que problematizem as questões, justifiquem suas interpretações e reflitam sobre diferentes e novas formas de analisar uma mesma situação. Para tanto, não basta o domínio de conteúdos específicos; o perfil desse profissional pressupõe o conhecimento de processos de construção do conhecimento e competências para guiar o trabalho em grupo, cuidando para não dar as respostas prontas aos alunos, mas sim, estimulando-os a questionar e buscar por si próprios algumas explicações possíveis ao problema proposto. No entanto, nos últimos cinquenta anos, as práticas dos professores se alteraram pouco. Os professores tendem a ensinar da mesma forma como aprenderam nas escolas e na universidade. Assim, nos parece de suma importância que o ensino superior adote novas metodologias em suas disciplinas coerentes com a forma que desejamos fomentar nas práticas pedagógicas dos futuros professores. Portanto, não basta formar o docente pela resolução de problemas, mas também para o uso da resolução de problemas, ou seja, para que ele promova a aprendizagem por meio dessa metodologia. Vivenciar a ABP como aluno em cursos de licenciatura ou de pedagogia certamente contribui para esse processo e poderá servir como uma referência para o futuro profissional, mas seu uso na formação docente pode ir além dessa vivência. Destacaremos três usos distintos da ABP com essa finalidade, mencionando as instituições que as desenvolvem. Convém ressaltar que as instituições citadas são meramente ilustrativas e não traduzem a amplitude do uso da ABP no ensino superior. Uma breve pesquisa sobre a utilização da ABP em cursos de formação docente nos mostrou que várias experiências têm sido desenvolvidas nas universidades. No Brasil, a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo proporciona

aos alunos de licenciatura em ciências da natureza o contato com essa metodologia através de duas disciplinas oferecidas no currículo básico, comum a todos os cursos da unidade. A Universidade Federal do Vale do São Francisco adota a ABP em seu curso de licenciatura em ciências da natureza como eixo estrutural através de uma organização curricular problematizadora e interdisciplinar. A Sultan Idris Education University, na Malásia, também utiliza a ABP com o objetivo não apenas da aprendizagem dos discentes, mas também incentivando que estes adotem a ABP nas suas práticas pedagógicas. A Universidade do Aveiro, em Portugal, adotou a metodologia de projetos através da ABP em seus cursos de licenciatura. Essas experiências nos mostram o quão diverso pode ser o uso dessa metodologia na graduação, presente pontualmente em disciplinas, utilizada de forma ampla e abrangente na estruturação curricular, sendo referência para a prática docente de futuros profissionais. Um passo a mais na formação docente está sendo dado por universidades que empregam a ABP no desenvolvimento de projetos que deverão ser implementados na prática docente. Ou seja, os alunos utilizam essa metodologia em experiências concretas de ensino. Na Universidade de Indiana e na Universidade de Elon, ambas norte-americanas, encontramos o relato de experiências na formação docente que aliam a ABP ao desenvolvimento de estágios. Com isso, os futuros professores desempenham o papel docente segundo concepções educacionais que rompem com aquelas que geralmente predominam nas escolas. Outra relação possível entre a ABP e a formação dos professores concretiza-se em cursos de extensão universitária que se propõem a capacitar docentes para o uso dessa metodologia. Uma das estratégias utilizadas na formação continuada é oferecer aos professores da educação básica cursos de extensão sobre ABP, a fim de que esta metodologia passe a fazer parte do contexto educativo das escolas. Por exemplo, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo ofereceu um curso de formação continuada aos professores de geografia da educação básica. Algumas universidades europeias, como Miguel Hernandez e Alcalá na Espanha, propõem-se a capacitar professores do ensino superior para o uso dessa metodologia. A utilização da ABP na formação de professores pode aproximar os futuros profissionais de pressupostos construtivistas, sensibilizandoos para a importância de processos educativos que se pautem pelo respeito ao interesse e conhecimento prévio dos discentes, que favoreçam um ambiente de cooperação, compreensão e tolerância entre os alunos e que se desenvolvam a partir da ação do aluno, compreendido como sujeito de seu próprio processo de aprendizagem. Acreditamos que uma proposta formativa dessa natureza guia-se por princípios desejáveis ao perfil do futuro profissional, tais como a atitude reflexiva, a capacidade de

articulação entre teoria e prática, o desenvolvimento de ações educativas sensíveis aos desafios locais e globais e à consideração e promoção da aprendizagem autônoma que confere destaque ao papel do aluno. Com isso, as finalidades da educação podem ser compreendidas de forma mais ampla e o papel docente no contexto social pode ser redimensionado, enfatizando sua responsabilidade na formação crítica e no despertar da consciência dos educandos em relação à sua participação transformadora na sociedade. Ana Maria Klein e Verônica Guridi são professoras da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, da Universidade de São Paulo. Contatos: anaklein@usp.br e veguridi@usp.br. Dr. Ernani Marques BorgesÀ Luz da Ciência Carlos Vogt I Os avanços do conhecimento, nos últimos anos, na área da Neurociência, têm modificado, progressiva e profundamente, os cenários que se desenharam ao longo do século XX, em decorrência da possibilidade de uso de técnicas e métodos que envolvem desde a genética molecular até a sofisticação de imagens do cérebro humano in vivo. Compreender a dinâmica do cérebro e de suas conexões com as funções psíquicas, tanto em estado de normalidade como em estados patológicos é, de modo geral, o objetivo da Neurociência. Pela riqueza dos fenômenos envolvidos e pela complexidade de seu objeto de estudo, entende-se que a Neurociência se caracteriza, cada vez mais como campo do conhecimento eminentemente multidisciplinar e, operacionalmente, multi-institucional. No Brasil, vários grupos de pesquisa se destacam e algumas iniciativas de programas agregadores têm sido tomadas e buscam ser implementadas. Uma dessas iniciativas é a que se organiza em torno do Projeto CInAPCe - Cooperação Interinstitucional de Apoio a Pesquisas sobre o Cérebro - que visa à formação de uma rede de grupos de pesquisa e laboratórios voltados exatamente ao estudo da dinâmica cerebral normal e patológica. Vário grupo de pesquisa, de diferentes instituições, pretende-se que participem ativamente do projeto que hoje está organizado em duas linhas principais, a de Neurociência, propriamente dita, e a de Técnicas, Tecnologias e Modelos. Esta segunda linha compreende as seguintes áreas temáticas, com ênfase nas técnicas, nas tecnologias e nos métodos que a Biofísica pode oferecer: ressonância magnética; neurofisiologia; medicina nuclear; redes neurais, modelos teóricos e simulações;

instrumentação. A primeira linha, de Neurociência, compreende: epilepsia; doenças neurodegenerativas; desenvolvimento e plasticidade; neuropsicologia/neuropsiquiatria. II Desse modo, um dos focos do programa sendo a epilepsia, organizou-se também um projeto voltado especificamente para o tema. Articulado, em nível nacional e internacional com várias instituições e organizações de saúde, o projeto ASPE- Assistência e Saúde de Pacientes com Epilepsia - reúne profissionais de diversas áreas do conhecimento e tem como objetivos principais, como se pode ler no site http://www.aspe.hc.unicamp.br, gerar procedimentos que melhorem a identificação e o manejo de pessoas com epilepsia de área urbana de atendimento primário à saúde já existente e com a participação da comunidade, além de desenvolver um modelo de tratamento integral da epilepsia que possa ser aplicado em nível nacional. O projeto é como diz o professor Li Li Min, da Unicamp, um dos responsáveis por sua organização e coordenação, uma adaptação das diretrizes da Campanha Global contra Epilepsia - Epilepsia Fora das Sombras -, lançado em 1997 e liderado pela Organização Mundial de Saúde (WHO), Liga Internacional Contra Epilepsia (ILAE) e Associação Internacional dos Pacientes com Epilepsia (IBE). Trata-se, pois, de uma iniciativa para integrar o Brasil nos grandes movimentos internacionais para tratamento da doença e que envolve, além dos aspectos assistenciais de saúde, de metodologias de diagnóstico, de técnicas de abordagem terapêutica, de formas de apoio psicológico e social, pesquisas científicas fundamentais em vários campos do conhecimento e o uso de tecnologias avançadas para compreensão dos mecanismos de funcionamento do cérebro humano, criando, por interação necessária, áreas epistemológicas em que se cruzam, convivem e se complementam a física, a biologia, a medicina, as ciências sociais e as tecnologias de informação. III A epilepsia tem sido, aliás, no Brasil, objeto de estudos de vários e importantes grupos de pesquisa também do ponto de vista farmacológico. Um desses grupos é o que se organiza, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em torno das pesquisas do professor Ésper Cavalheiro (leia entrevista com Ésper Cavalheiro) que desenvolveu juntamente com o polonês Lechoslaw Turski, um método experimental para o estudo das lesões associadas ao mal epiléptico e que consiste na administração de uma dose elevada de pilocarpina para induzir em ratos o estado de excitação neuronal que é

conhecido como mal epiléptico. A pilocarpina é uma droga derivada da planta sul-americana Pilocarpus jaborandi, utilizada como colírio no tratamento do glaucoma, sendo que o jaborandi, conforme se pode ler em José Ribeiro do Vale, A Farmacologia do Brasil, foi introduzido em Terapêutica em 1874, pelo médico pernambucano Sinfrônio Coutinho. Por outro lado, o jaborandi e o curare parecem ser ambos no século XIX, segundo especialistas, as duas únicas inovações farmacêuticas do Brasil até há anos recentes. De qualquer modo, no domínio da Farmacologia para o tratamento da epilepsia, o país tem avançado e na própria Unifesp, apoiado pela FAPESP, um grupo de pesquisadores da equipe do professor Luiz Eugênio Araújo de Moraes Mello (veja artigo do pesquisador), do Laboratório de Neurofisiologia, vem desenvolvendo um importante medicamento a base de sais de escopolamina, substância usada para provocar amnésia e que poderá contribuir fortemente para evitar o surgimento da epilepsia pós-traumática, decorrente de traumas provocados por fortes pancadas na cabeça. Os grupos de pesquisa da Unifesp, dada a sua importância científica e relevância social de seus trabalhos, foram objetos de reportagem de capa da revista Pesquisa FAPESP, no número 66, de julho de 2001. IV Há, pois, no país, um potencial muito grande para tirar a epilepsia definitivamente das sombras, quebrando, de vez, o estigma social que acompanha os pacientes, notáveis alguns, como o grande escritor Machado de Assis, anônimos milhares, mas uns e outros, em geral, escondidos em si mesmos, no segredo pesado de uma doença que se dita, socializada, diagnosticada pode ser tratada e cujo tratamento pode permitir, além do conforto físico e espiritual do paciente, uma melhor compreensão dos intrincados mecanismos de funcionamento de cérebro humano.

Qualidade de Vida para Pessoas com Epilepsia

Hanneke M. de Boer

Traduzido por Paula Teixeira Fernandes A epilepsia tem um maior impacto na vida cotidiana de pessoas portadoras desta condição do que suas famílias ou amigos. Crianças e adolescentes sofrem freqüentemente de superproteção nas suas famílias e na escola. Os professores geralmente são mal informados sobre a epilepsia e os alunos têm medo de ter crises dentro da sala de aula por temerem as reações dos colegas. Na vida adulta, pessoas com epilepsia falam de problemas relacionados a conseguir e manter um emprego, o que é confirmado por pesquisas, que descrevem que o desemprego nesta população é 2 ou 3 vezes maior do que na chamada "população normal". Pessoas mais velhas, assim como as mais jovens, sofrem com a perda de confiança. Elas podem perder a independência funcional, como, por exemplo, a habilidade para dirigir, o que pode levar a um isolamento social. Todas as doenças crônicas têm um impacto na qualidade de vida, porém, o impacto da epilepsia parece ser maior, particularmente por causa da imprevisibilidade das crises e do estigma associado. Nos últimos anos, houve um aumento do reconhecimento de que a avaliação do impacto da epilepsia vai além das crises, significando que não só estas crises determinam a qualidade de vida das pessoas com epilepsia. Conseqüentemente, surgiram várias iniciativas para se mensurar a qualidade de vida das pessoas com epilepsia. O tratamento da epilepsia, por razões óbvias, continua sendo de extrema importância, envolva ele o tratamento com drogas antiepilépticas ou cirurgia. As desigualdades e lacunas no tratamento da epilepsia (treatment gap) são um grande problema na Europa Oriental, bem como nos países em desenvolvimento. Entretanto, não só as crises precisam ser tratadas, a pessoa precisa ser olhada pelo médico sob um ângulo psicológico e social e um tratamento amplo parece ser o caminho para este novo século.

Qualidade de vida Qualidade de vida refere-se ao bem-estar geral e cotidiano das pessoas e pode ser dividido em três componentes principais: saúde física, mental e social [1]. Questões sobre qualidade vida são extremamente relevantes nas desordens crônicas como a epilepsia, onde problemas mentais e sociais estendem-se além dos sintomas usuais da doença. Porém, por incrível que pareça, as opiniões dos médicos e pacientes,

relacionadas à qualidade de vida, variam bastante, como revelam várias pesquisas. Provavelmente a melhor definição conhecida sobre o que qualidade de vida realmente significa é a seguinte: "Qualidade de vida é a resposta do indivíduo para suas circunstâncias de vida, o equilíbrio entre estas circunstâncias e a habilidade para lidar com as mesmas. Em outras palavras: a habilidade entre o que você é e que você quer na vida. Para as pessoas com epilepsia, isto precisa estar estritamente relacionado, pois entre as crises as pessoas querem viver a vida em todo o seu potencial".

Qualidade de vida, crianças e adolescentes Epilepsia é a desordem cerebral crônica mais comum na infância. Sua incidência é maior nos dez primeiros anos de vida, significando que as crianças são afetadas desde o início de sua vida escolar. Nós sabemos agora que, do ponto de vista médico, muitas das epilepsias infantis são benignas e caminham para a remissão das crises ou para o controle com o tratamento apropriado. Mas quais são os efeitos na qualidade de vida destas crianças? Ann Jacoby apontou que, comparando trabalhos realizados em adultos, a pesquisa do impacto da epilepsia na qualidade de vida de crianças e adolescentes é dificultada pelas rápidas mudanças físicas, cognitivas e emocionais que acontecem neste período. Apesar de existirem pesquisas recentes com o objetivo de desenvolver métodos para obter informações sobre essas crianças, estudos nessa área normalmente dependem da avaliação dos pais. Além disso, muitos estudos foram realizados em clínicas onde as crianças com epilepsia de difícil controle estão envolvidas. Estudos mostram, por exemplo, que a taxa de disfunção social é substancialmente maior em amostras de clínicas do que em amostras de comunidade Uma importante descoberta, entretanto, foi que crianças e adolescentes com epilepsia parecem ter uma qualidade de vida relativamente mais restrita do que as crianças com outras condições crônicas [8]. É relatado que estas crianças parecem ter autoconceitos mais baixos do que as crianças com asma e maiores problemas de relacionamentos. É desnecessário dizer que o desenvolvimento da epilepsia e a imprevisibilidade das crises têm uma significativa influência na qualidade de vida de crianças e adolescentes. Mas como já falado antes, esta influência vai além do número e da freqüência de crises. Por exemplo, os pais relataram tornar-se superprotetores e, como resultado, têm medo de conceder independência à criança nos

momentos sem crises. Além disso, achados de pesquisas mostram que famílias que possuem uma criança com epilepsia tendem a evitar a comunicação adequada e assim, transformam as crianças em "pessoas com quem ninguém quer conversar". Os pais também expressam ansiedade a respeito do impacto de ter uma criança com epilepsia nos outros filhos [11]. Ward e Bower relataram que irmãos de crianças com epilepsia ficam usualmente perturbados pelas limitações impostas para todos os membros da família, como resultado das crises epilépticas. Apareceram ciúmes devido à preocupação dos pais com a criança portadora de epilepsia e ressentimento ao aumento das responsabilidades deles por terem que ajudar o irmão com epilepsia. Estes são apenas alguns dos aspectos que influenciam a qualidade de vida de crianças com epilepsia. Eu não mencionei as conseqüências do preconceito e do estigma proveniente de pais e professores. Irei lidar com esses assuntos mais adiante, mas eles também têm uma significativa influência na qualidade de vida destas crianças, não só nos países em desenvolvimento, como também nos países desenvolvidos . Qualidade de vida e adultos A incidência de epilepsia é menor nas idades entre 20 e 60 anos de idade e a literatura nos diz que na maioria destes casos as crises são bem controladas. Porém é durante este período de vida que as pessoas têm que enfrentar o peso das restrições legais, como por exemplo, dirigir, conseguir emprego e também preconceito, estigma e discriminação. Muitas pesquisas mostram que um número significativo de pessoas com epilepsia sente-se estigmatizadas. Scambler & Hophins relataram que aproximadamente um terço das pessoas com epilepsia que se casaram depois do início das crises, não contaram para seus maridos ou esposas sobre sua condição e o outro um terço usou eufemismos como "desmaios", "ataques", etc. Mais da metade das pessoas com epilepsia nunca contou para os seus chefes sobre a sua condição e 18% dos que contaram tiveram incidentes que prejudicaram suas carreiras. Estes dados foram mais tarde confirmados por Ann Jacoby, na Inglaterra. Estar empregado é um importante fator para a qualidade de vida das pessoas com epilepsia [15], que também reconhecem que o trabalho é uma parte importante da saúde social. Um estudo feito por Emlen e Ryan sugeriu que os índices de desemprego das pessoas com epilepsia são, em geral, 2 a 3 vezes mais altos do que os da

população geral. Outro estudo realizado no Reino Unido sugeriu uma taxa de desemprego de 46% para pacientes com epilepsia. Uma pesquisa recente realizada nos Países Baixos confirma mais ou menos estes achados. Nela, 48% estão empregados, 35 pacientes informaram receber benefícios, 59% relataram estar em dívida devido à epilepsia. Todas estes dados foram significativamente menos favoráveis para as pessoas com epilepsia do que para a população em geral. É interessante notar que existe uma relação entre o número de drogas utilizadas, a freqüência das crises e a capacidade de trabalho, mas não existe relação entre a capacidade de trabalho e o tipo de crise. Ann Jacoby coletou dado a respeito do estigma em mais de 5000 pacientes, que viviam em 15 países da Europa. Ela descobriu que 51% das pessoas com epilepsia sentem-se estigmatizadas e 18% informaram sentirem-se muito estigmatizadas [16]. Altos índices foram correlacionados com preocupação, sentimentos negativos sobre a vida, problemas de saúde antigos, danos e efeitos colaterais das drogas anti-epilépticas. Todos estes dados sugerem que existe uma relação entre as variáveis clínicas e o emprego, mas também parecem claro que outros aspectos, como motivação, desordens psiquiátricas, preconceito e estigma, às vezes exageram questões como freqüência e tipo de crises. É claro que são necessárias mais pesquisas para definir como reduzir o estigma associado à epilepsia.

Qualidade de vida e idosos Durante muito tempo e até recentemente, a epilepsia era incomum e sem importância para as pessoas idosas, como resultado essas pessoas tenderam a ser excluídas de estudos realizados com tratamentos específicos e com o impacto da epilepsia . Agora nós sabemos que durante o século XX, houve um aumento dramático na incidência da epilepsia. Pesquisas mostram que a incidência da epilepsia em pessoas com mais de 75 anos é maior do que nos dez primeiros anos de vida. Dados estatísticos mostram que aproximadamente 1-2% das pessoas com mais de 65 anos têm epilepsia. Muita coisa mudou. “Quando apresentação, recebi uma edição informativo da “Epilepsy Ontário”, para idosos com epilepsia”, onde gostaria de compartilhar com você. eu estava preparando esta especial do “Sharing”, relatório com o título: Novos horizontes adquiri alguma informação que

Receber o diagnóstico de epilepsia em qualquer idade é difícil. Pessoas idosas que recebem o diagnóstico de epilepsia têm suas expectativas afetadas e acreditam que a epilepsia é algo a ser mantido em segredo. Pessoas com crises se acham incapazes de manter um estilo de vida diferente do que eles quando eles eram mais jovens. Em pessoas mais velhas a incerteza da sua condição e a imprevisibilidade de seu curso pode ser acompanhada por uma perda da independência. Eles podem enfrentar a perda de alguns papéis e da habilidade dirigir, que pode levar a um isolamento social. Estas pessoas possuem alguns questionamentos, como os mostrados a seguir:

Eu me sinto fora do controle quando tenho uma crise A epilepsia levou o controle de minha vida longe de mim. Eu estou caminhando como um "zumbi" com todos estes medicamentos Eu não conhecia outra pessoa que teve epilepsia depois dos 60 anos de idade Eu tinha medo e vergonha de sair da casa quando eu comecei a ter crises. Os "baby-boomers" estará fazendo 65 anos na década que se aproxima, então, é melhor estarmos preparados.

Qualidade de vida e tratamento Eu gostaria de dizer algumas palavras sobre qualidade de vida e cirurgia: a remissão completa de crises é obviamente o resultado desejado na cirurgia de epilepsia, de fato foi mostrado que, geralmente, ela melhora o bem-estar do paciente mais do que outras modalidades terapêuticas. As medidas de avaliação focalizavam, até recentemente, a ausência de crises. Porém é imperativo que a avaliação da cirurgia inclua os efeitos sobre o bem-estar e o funcionamento psicossocial dos pacientes. Sobre o tratamento com drogas antiepilépticas, estudos realizados em pacientes com epilepsia refratária sugerem que a melhoria da qualidade de vida associada com a medicação antiepiléptica pode ser independente da redução da freqüência de crises. Doze drogas antiepilépticas principais estão disponíveis atualmente. Como seus mecanismos de ação bem como seus efeitos colaterais diferem

consideravelmente, elas também podem diferir nos efeitos sobre a qualidade de vida. Infelizmente, estas diferenças ainda não foram investigadas em estudos bem elaborados, de longo prazo. Como Martin Brodie já descreveu o controle de crises não melhora automaticamente a qualidade de vida, visto que outras conseqüências da condição freqüentemente permanecem. A epilepsia pode resultar em aposentadoria precoce, desemprego e limitações sociais. Pessoas com epilepsia necessitam de um acesso fácil para o diagnóstico, tratamento e orientação. Elas precisam de ajuda adicional para superar as conseqüências negativas da sua condição. Programas de cuidado (Comprehensive care programmes) parecem o melhor caminho a se seguir. Entretanto, embora esses programas sejam bastante baratos, como informou Peter Wolf, e desta maneira têm sido implantados em vários países europeus, o cuidado a muitos pacientes permanece inadequado por causa de falta de informação/acesso.

Em muitos países, a epileptologia não é reconhecida como uma especialidade e os pacientes podem ser compelidos a consultar um neurologista ou um neuropsiquiatra, cujo conhecimento de epilepsia pode não ir além dos fatos médicos. A ILAE (Brodie et al, 1997) desenvolveu diretrizes que definem um padrão apropriado de cuidado, formulado para responder às diferenças entre os países no que diz respeito à qualidade de cuidado disponível para pacientes com epilepsia

Conclusão e recomendações Quando comecei a preparar esta apresentação, eu pretendia apenas falar sobre pesquisa e depois dizer também o que mais deveria ser feito nas pesquisas e realmente mostrei figuras e fatos. Agora eu percebo que falei sobre viver, viver com epilepsia nas várias fases da vida e os problemas encontrados pelas pessoas com esta condição. Estes problemas parecem ser: médicos psicológicos sociais e da sociedade e todos eles são simultaneamente causa e conseqüência para qualquer problema que essas pessoas encontrem e têm uma influência significativa na qualidade de vida de pessoas com epilepsia. Concluindo, epilepsia é ainda mal entendida, levando ao segredo, estigmatizarão e risco de penalidades sociais e legais. Em alguns países da Europa, a epilepsia ainda não é reconhecida

como uma desordem cerebral e mais de 40% das pessoas com epilepsia podem não estar sendo tratado, o que gera o tão conhecido “treatment gap. Está claro que esta ação precisará ser continuada. Prioridades definidas. Como disse Martin Brodie: nós temos as ferramentas para melhorar a qualidade de vida das pessoas com epilepsia, para fazer a epilepsia "sair das sombras", agora use-mo-las. Hanneke M. de Boer é Chairperson of the GCAE Secretariat.

Exatas e humanas experimentam nova metodologia Por Cristiane Paião

Ainda são poucos no Brasil os cursos na área das ciências humanas e exatas que adotam integralmente a filosofia do ensino baseado em problemas (do inglês Problem-based Learning – PBL), mas é possível encontrar experiências pontuais que estão indo nessa direção, principalmente nas áreas que envolvem negócios, educação escolar, arquitetura, engenharia, direito e trabalhos sociais. Disciplinas específicas de cursos de graduação e pós-graduação, cursos à distância, projetos pedagógicos e competições, como as voltadas para estudantes de engenharias, são alguns exemplos. O cenário é bastante diversificado: enquanto algumas são umas misturas de elementos de práticas de ensino, outras parecem ser uns passos importantes para a implantação do método. Ainda que não o sigam à risca, ajudam a ampliar o debate em torno do tema e têm buscado alternativas ao ensino tradicional, na tentativa de estimular os alunos e de aproximá-los à realidade da profissão. Um dos poucos exemplos de ensino baseado em problemas fora da medicina é o curso de graduação em engenharia biomédica da PUC-SP. De acordo com Ana Lúcia Manrique, o curso está estruturado de modo a contemplar cinco diferentes eixos temáticos que são tratados de maneira especial em cada ano, e vão se integrando ao longo do curso. “Ao contrário do ensino tradicional, em que os conteúdos de uma disciplina são esgotados em um único período letivo, no PBL esses conteúdos estão distribuídos ao longo dos vários anos, e serão apreendidos conforme a importância dos mesmos na resolução dos problemas”, explica. Manrique conta que foi preciso investir não apenas em estruturas físicas, mas principalmente em recursos humanos, para elaborar o projeto pedagógico e para cuidar da formação dos professores para atuar no curso.

Isto porque a implantação do PBL exige uma concepção diferente daquela exigida para um curso tradicional e as dificuldades são de toda ordem: envolvem questões culturais, práticas, institucionais, financeiras, familiares e pessoais; e os desafios para a implantação efetiva do PBL ainda são muitos. Os pais dos alunos, por exemplo, questionam se a metodologia será capaz de formar seus filhos para o mercado de trabalho; os alunos, por sua vez, demoram a assumir seus papéis, e têm dificuldades em se adaptar ao método; e a instituição demanda muitas reuniões para compreender a estrutura de um curso em PBL e decidir a melhor maneira de implantá-lo. Da mesma forma, também os professores têm dificuldades em lidar com grupos com habilidades diferentes, e em se adaptar à metodologia, que exige uma dedicação maior e que é muito diferente daquela em que eles foram formados. Muitos são vencedores no currículo convencional e, portanto, não vêem razão para mudar. De acordo com Luis Roberto Ribeiro, que recentemente lançou o livro Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL): uma experiência no ensino superior (São Carlos: EdUFSCar, 2008), são muitos os problemas encontrados por aqueles que desejam implantar o PBL, como, por exemplo, falta de apoio da alta-administração escolar; conflito com diretrizes e normas tradicionalmente estabelecidas, como a exigência de provas dissertativas individuais; currículos abarrotados; avaliações de programas do tipo do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) que testam a capacidade de memorização dos alunos, e não necessariamente de seu aprendizado; avaliação de desempenho docente pautada na pesquisa; falta de estrutura física; uma cultura positivista da instituição, que valorize o conhecimento científico frente aos conhecimentos da prática e/ou tácitos; e o entendimento de que a prática profissional resume-se à aplicação de modelos fixos e acabados, fornecidos pela pesquisa científica. “Certamente existem dificuldades práticas, como a necessidade de construção de laboratórios, bibliotecas e ambientes que possibilitem o tipo de interação aluno-aluno e aluno-tutor inerente ao PBL, a realocação de carga horária de professores, para que possam atuar como tutores, sem mencionar a concepção do currículo em torno de problemas, a concepção dos próprios problemas, o dimensionamento do tempo necessário para sua resolução (estudo autônomo dos alunos), a reelaborarão das disciplinas de suporte (modelo híbrido) para que informem os problemas que estão sendo trabalhados no momento de sua oferta. As dificuldades práticas não são poucas, mas acredito que não sejam intransponíveis, se há comprometimento de administradores educacionais e professores”, complementa Ribeiro. Na área das ciências humanas, USP e Unicamp vêm esboçando alguns esforços no sentido de adotar a filosofia do PBL, ainda que em ações pontuais. De acordo com José da Silva Simões, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, várias práticas que vêm sendo adotadas pela faculdade podem ser entendidas como PBL. Embora a filosofia não seja inteiramente adotada, essas atividades são um passo

importante para a adoção do método porque leva em consideração o fato de que não só as aulas presenciais são responsáveis pela formação de profissionais, mas, também, outras atividades paralelas, muitas vezes à distância. Simões vem aplicando conceitos do PBL em disciplinas na licenciatura em letras, com habilitação em alemão, e com seus orientandos de iniciação científica. “Como a maioria dos alunos da habilitação só aprende essa língua na própria graduação, pensei que talvez pudesse ajudá-los a entender a sua formação como futuros professores, a partir da prática de docência, entendida como uma situação problema”, explica. As novas tecnologias de informação e comunicação, as chamadas TICs, são ferramentas que auxiliam os cursos estruturados em PBL. Ferramentas como MSN, Skype, Moodle, e ambientes virtuais de aprendizagem especialmente desenvolvidos para esse fim contribuem com a interação dos alunos, com a multidisciplinaridade e a flexibilidade cognitiva exigidas pela metodologia. “Tenho usado muito a plataforma Moodle em meus cursos e percebi que esse é um instrumento poderoso de comunicação entre os membros de uma comunidade. Ainda quero desenvolver melhor o uso dessa plataforma. Diante do grande potencial da rede de informações, sinto-me novamente um profissional em formação. Vou aprendendo com meus alunos. Dividimos o nosso conhecimento (para a soma) e vamos aprendendo”, conta Simões. A professora Inês Signorini, do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, conta que também está utilizando alguns conceitos do PBL em suas disciplinas, como a de Teorias da Interpretação. Por meio de problemas de interpretação propostos logo no início do curso – que vão sendo desenvolvidos com o auxílio de bibliografia – os alunos são estimulados a entender melhor, por meio de debates, a teoria envolvida na disciplina. De acordo com Signorini, o Departamento de Linguística Aplicada do IEL aprovou recentemente uma proposta de um curso de graduação baseado em metodologias ativas, sobretudo em PBL, que está sendo avaliada pelo instituto, e não há, portanto, prazo para ser implantado. Caso seja aprovada, a graduação em Linguagens e Interfaces da Comunicação será oferecida em parceria com o Instituto de Computação da Unicamp, ou seja, um curso interdisciplinar, que envolve conceitos da computação e da linguística – totalmente diferentes, e bastante complexos – e que demanda uma forma distinta de abordagem. Ainda que, prioritariamente, os cursos que estão adotando o PBL de maneira mais expressiva sejam os da área da saúde, os entusiastas da metodologia defendem que qualquer curso pode adotar os preceitos da Aprendizagem Baseada em Problemas, bastando para isso empenho e dedicação. “Da raiz do nome é possível depreender o ideal que deveria permear todo e qualquer processo de aprendizagem, em nível escolar ou universitário: o ideal da pesquisa, da aprendizagem baseada no questionamento sobre problemas que se apresentam, na discussão entre pares e na troca entre o conhecimento daqueles que, num determinado nível, se mostra mais experientes com os educandos e formandos”,

afirma Simões. Para Maria Carolina Sanchez, gerente do Instituto de Ensino e Pesquisa de São Paulo (Insper, antigo Ibmec), “as pessoas tendem a dar respostas voltadas a esse ou aquele conteúdo. Na minha experiência, os cursos com mais facilidade de adotar PBL são aqueles ministrados por docentes que “compraram” a filosofia – não só em termos de formato, mas de epistemologia de ensino”. Atualmente, a instituição utiliza o PBL como técnica de ensino em diversas disciplinas de graduação e pós em administração e economia, mas planeja adotar a metodologia integralmente em seus currículos a partir de 2011.

Estudantes de engenharia têm experiências que aproximam teoria e prática Muitos cursos de graduação não aplicam a metodologia do PBL, mas têm buscado alternativas para estimular os alunos e aproximálos da realidade da profissão e da comunidade que os cerca, adotando iniciativas bastante próximas aos conceitos e práticas do PBL. Um bom exemplo são as competições promovidas pela SAE Brasil (Sociedade de Engenheiros Automotivos) que agitam anualmente os estudantes de engenharia de todo o país: a competição Baja SAE Brasil, a SAE Brasil Aerodesign, e a Fórmula SAE Brasil. Nessas competições, as equipes são compostas geralmente por estudantes de diversas áreas da engenharia e por um professor orientador, que auxilia os competidores no desenvolvimento dos protótipos, que leva em média um ano para ser realizado. As estudantes Keren Dantas, da equipe Baja da Escola Politécnica da USP, e Mariana Cunha Firmino, da equipe Baja Unicamp, contam que o desafio na modalidade Baja é projetar e construir o protótipo de um carro off - Road. Como as equipes são compostas por estudantes de diferentes períodos, é comum que eles ainda não tenham tido acesso ao conteúdo teórico necessário para a construção dos protótipos, o que faz com que a teoria seja buscada conforme vão surgindo às necessidades para a resolução dos “problemas”, o que na maioria das vezes, acontece antes que a teoria envolvida tenha sido estudada. Para Ribeiro, embora essas experiências se pareçam com a metodologia do PBL, na realidade, elas apenas ilustram o que poderia ser feito nas engenharias caso a metodologia fosse adotada. “Parece-me que essas estratégias de aprendizagem se assemelham ao PBL na medida em que envolvem processos de resolução de problemas e de tomada de decisão, e buscam, de forma sistematizada, o desenvolvimento de habilidades e atitudes profissionais desejáveis. Muitas delas não são necessariamente associadas ao conhecimento específico do curso que os alunos fazem; entretanto, as diferenças entre o PBL e essas atividades

crêem eu, está na essência desta metodologia: no PBL os problemas (melhor dizendo, desafios) são sempre apresentados antes da teoria necessária para resolvê-los”, explica Ribeiro. No caso das competições isso ocorreria apenas ocasionalmente.

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