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RESUMO de Falencia

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RESUMO PARA ESTUDO: FALÊNCIA E CONCORDATA

I - executado, não paga, não deposita a importância, ou não nomeia bens a penhora, dentro do prazo legal; II - procede a liquidação precipitada, ou lança mão de meios ruinosos ou fraudulentos para realizar pagamentos;

LEGISLAÇÃO: Decreto-lei n° 7.661, de 21/06/45 (Lei das Falências). DEFINIÇÃO: - é um processo de execução coletiva, em que todos os bens do falido são arrecadados para uma venda judicial forçada, com a distribuição proporcional do ativo entre todos os credores. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------solvência – é a qualidade de quem pode solver, isto é, pagar, liquidar, cumprir uma obrigação. insolvência – é o estado de pessoa que deve, mas não pode pagar sua dívida. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------CARACTERIZAÇÃO: - impontualidade (art. 1°) – faz presumir o estado de insolvência. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Art. 1°. Considera-se falido o comerciante que, sem relevante razão de direito, não paga no vencimento obrigação líquida constante de título que legitime a ação executiva. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- prática, por parte do devedor, de um ato de falência (art. 2°) – a impontualidade não é único critério, pois ainda que não exista nenhum título em atraso, poderá também ser requerida a falência do comerciante que pratique certos atos suspeitos, aos quais a doutrina dá o nome de "atos de falência".

III - convoca credores e lhes propõe dilação, remissão de créditos ou cessão de bens; IV - realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o fito de retardar pagamentos ou fraudar credores, negócio simulado, ou alienação de parte ou da totalidade do seu ativo a terceiro, credor ou não; V - transfere a terceiro o seu estabelecimento sem o consentimento de todos os credores, salvo se ficar com bens suficientes para solver o seu passivo; VI - dá garantia real a algum credor sem ficar com bens livres e desembarcações equivalentes às suas dívidas, ou tenta essa prática, revelada a intenção por atos inequívocos; VII - ausenta-se sem deixar representante para administrar o negócio, habilitado com recursos suficientes para pagar os credores; abandona o estabelecimento; oculta-se ou tenta ocultar-se, deixando furtivamente o seu domínio. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------SUJEITO PASSIVO: só pessoa jurídica; a pessoa física é decretada a "insolvência civil". - comerciante. - o espólio do devedor comerciante (art. 3°, I). - o menor, com mais de 18 anos, que mantém estabelecimento comercial, com economia própria (art. 3°, II). - a mulher casada que, s/ autorização do marido, exerce o comércio por + de 6 m., fora do lar conjugal (art. 3°, III). - os que, embora expressamente proibidos, exercem o comércio (art. 3º, IV) - devedor que cessou o exercício do comércio há menos de 2 anos (art. 4°, VII). - sociedade irregular ou de fato.

Art. 2°. Caracteriza-se, também, a falência, se o comerciante:

NÃO ESTÃO SUJEITOS: - sociedades civis.

- empresas públicas ou de economia mista. - empresas sujeitas a regime especial para funcionarem - intervenção e dissolução extrajudicial (setor financeiro - bancos, financeiras, seguradoras, cooperativas etc.).

QUEM PODE REQUERER A FALÊNCIA DO DEVEDOR: - o devedor comerciante – "autofalência" (art. 8º). - o credor, comerciante ou não, devendo, porém, se comerciante, provar o exercício regular do comércio, por certidão da Junta Comercial (art. 9º, III). - o sócio ou acionista (art. 9°, II). - o cônjuge sobrevivente, pelos herdeiros do devedor ou pelo inventariante (art. 9º, I). - o credor com garantia real (penhor ou hipoteca), se renunciar a esta garantia, ou, querendo mantê-la, se provar que os bens gravados não chegam para a solução do seu crédito (art. 9º, III, "b"). - o credor não domiciliado no Brasil, se prestar caução (art. 9º, III, "c").

UNIVERSALIDADE DO JUÍZO: declarada a falência, ficam suspensas todas as ações e execuções individuais dos credores sobre direitos e interesses relativos à massa falida; o juízo da falência passa então a ser o juízo universal, ou seja, o único competente para conhecer e decidir todas as questões de caráter econômico que envolvam o devedor falido (art. 7°, § 2º e 24). Portanto, todos os que estavam movendo ações individuais contra o falido, têm de abandoná-las e vir habilitar os respectivos créditos perante o juízo da falência. * exceções: - não suspende o andamento das execuções fiscais em curso, nem impede o ajuizamento posterior de outras. - ações trabalhistas (face da competência privativa da Justiça do Trabalho) - o empregado deverá obter a sentença do juiz do trabalho, reconhecendo os seus direitos, para habilitar depois o seu crédito perante o juiz da falência. - não se suspendem as ações em que a massa falida for autora ou litisconsorte, nem as ações e execuções iniciadas antes da falência referentes a títulos não sujeitos a rateio e os que demandarem quantia ilíquida, coisa certa, prestação ou abstenção de fato (arts. 7º, § 3º e 24, § 2º).

REQUERIMENTO DE FALÊNCIA PELO CREDOR COM BASE NA IMPONTUALIDADE DO DEVEDOR: deve o credor juntar título líquido e certo, que legitime ação executiva, devidamente protestado; mesmo os títulos não sujeitos a protesto obrigatório devem ser protestados para fins falimentares (protesto especial - art. 10). REQUERIMENTO PELO DEVEDOR ("AUTOFALÊNCIA"): o advogado precisa de poderes especiais expressos na procuração para requerer a "autofalência".

ANTECIPAÇÃO DO VENCIMENTO DAS DÍVIDAS: a declaração da falência produz o vencimento antecipado de todas as dívidas do falido e do sócio solidário da sociedade falida (art. 25), mesmo aqueles que tenham títulos ainda não vencidos, devem habilitar-se na falência.

MASSA FALIDA: é o acervo ativo e passivo de bens e interesses do falido, que passa a ser administrado e representado pelo síndico. - ativa – créditos e haveres. - passiva – débitos exigíveis pelos credores.

JUÍZO COMPETENTE: é o do local do principal estabelecimento* do devedor ou da casa filial de outra situada fora do Brasil (art. 7º). * em regra, a sede estatutária da empresa, mas há julgados que entendem que além desta, também o local onde o comércio é efetivamente exercido, ou onde se encontra a maioria dos bens, ou o parque industrial do devedor.

SÍNDICO: é o administrador da massa falida, sob a direção e superintendência do juiz, respondendo civil e criminalmente pelos seus atos; é nomeado pelo juiz, sendo escolhido entre os maiores credores do falido, residentes no foro da falência, devendo ser pessoa de reconhecida idoneidade moral e financeira; não pode ter exercido o mesmo cargo em outra falência encerrada a menos de 1 ano; tem honorários; ninguém é obrigado a aceitar o encargo; se três credores sucessivamente nomeados não aceitarem o cargo, poderá ser nomeado também um estranho (síndico dativo – art. 59 e seguintes).

obrigações (art. 63): - representar a massa falida em juízo; - dar a maior publicidade possível à sentença declaratória; - enviar comunicado aos credores que constem da contabilidade do falido; - arrecadar bens, livros, documentos e tê-los sob sua guarda; - prestar informações aos interessados (horário em que o falido estará a disposição - pelo menos 1 hora por dia); - verificar os créditos; - elaborar relatórios; - organizar o "quadro geral de credores"; - promover a liquidação, vendendo os bens da massa (feita por leilão ou através da venda de melhor oferta) e distribuindo o produto entre os credores; - nomear gerente para continuação do negócio; - manter livros próprios de receitas e despesas da massa; - receber e analisar correspondência do falido; - designar perito contador; - averiguar a existência de crime falimentar (arts. 186 a 199); - cobrar dívidas; - prestar conta da administração da massa etc. * o pagamento dos honorários do síndico será feito depois de julgadas as suas contas - arbitramento pelo juiz. Se houver "concordata suspensiva", são reduzidas a metade.

inventariado e avaliado, ficando o síndico como depositário. - no caso de imóveis, devem ser juntadas as respectivas certidões. - se forem encontrados apenas bens de valor irrisório, ou se nada for encontrado, deve o síndico comunicar o fato imediatamente ao juiz. - se houver sócio solidário, de responsabilidade ilimitada, o síndico arrecadará também os bens particulares do mesmo, levando um inventário em separado (art. 71). - se entre os arrecadados houver bens de fácil deterioração ou cuja guarda seja difícil, perigosa ou muito onerosa, deve o síndico representar ao juiz sobre a necessidade de serem os mesmos vendidos imediatamente na forma prescrita no art. 73. - não podem ser arrecadados os bens impenhoráveis, como os previstos no art. 649 do CPC; contudo, podem ser arrecadados os livros, máquinas, utensílios e instrumentos necessários ou úteis ao exercício da profissão do falido, que não forem de módico valor (art. 41, § único); não podem ser arrecadados os bens dotais e os particulares da mulher e dos filhos do devedor (art. 42), nem os já penhorados em execuções fiscais e os de família. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Art. 649. São absolutamente impenhoráveis: I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução; II - as provisões de alimento e de combustível, necessárias à manutenção do devedor e de sua família durante um mês; III - o anel nupcial e os retratos de família; IV - os vencimentos dos magistrados, dos professores e dos funcionários públicos, o soldo e os salários, salvo para pagamento de prestação alimentícia; V - os equipamentos dos militares; VI - os livros, as máquinas, os utensílios e os instrumentos, necessários ou úteis ao exercício de qualquer profissão; VII - as pensões, as tenças ou os montepios, percebidos dos cofres públicos, ou de institutos de previdência, bem como os provenientes de liberalidade de terceiro, quando destinados ao sustento do devedor ou da sua família;

ARRECADAÇÃO: - após prestar compromisso, o síndico deve arrecadar os livros e os bens do falido, convidando este e o Curador Fiscal de Massas Falidas a acompanhar a diligência. - a arrecadação equivale a uma penhora global de todos os bens do falido; o que for arrecadado é

VIII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se estas forem penhoradas; IX - o seguro de vida; X - o imóvel rural, até um módulo, desde que este seja o único de que disponha o devedor, ressalvada a hipoteca para fins de financiamento agropecuário. Art. 650. Podem ser penhorados, à falta de outros bens: I - os frutos e os rendimentos dos bens inalienáveis, salvo se destinados a alimentos de incapazes, bem como de mulher viúva, solteira, desquitada, ou de pessoas idosas; II - as imagens e os objetos do culto religioso, sendo de grande valor. Art. 651. Antes de arrematados ou adjudicados os bens, pode o devedor, a todo tempo, remir a execução, pagando ou consignando a importância da dívida, mais juros, custas e honorários advocatícios. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

no decorrer do processo o falido conseguir a "concordata suspensiva", os bens serão a ele devolvidos. * a pessoa jurídica não se extingue com a falência, mesmo após a liquidação de seu patrimônio, pode ela voltar às atividades, uma vez extintas as suas obrigações (art. 135). -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------concordata preventiva – serve para prevenir ou evitar a falência; verificando que a empresa está à beira da insolvência, mas ainda tem lastro suficiente para se salvar, pode o devedor comerciante conseguir o seu reajustamento econômico, requerendo ao juiz a concordata preventiva, antes que algum credor lhe requeira a falência – a moeda será de 50% à vista, ou de 60%, 75%, 90% ou 100% se a prazo, respectivamente, de 6, 12, 18 ou 24 meses (o prazo começa a correr a partir do pedido). concordata suspensiva – serve para suspender uma falência já decretada; num determinado momento do processo de falência (normalmente, em 5 dias após o 2° relatório do síndico), pode o falido que preencher certos requisitos, pedir ao juiz que lhe conceda a concordata suspensiva, propondo aos credores quirografários, por saldo de seus créditos, o pagamento de 35% à vista ou 50% num prazo de até 2 anos; esta percentagem é a moeda da concordata, e com ela estarão quitadas as dívidas quirografárias; se o pedido for deferido pelo juiz, os bens são devolvidos ao falido e ele volta a comerciar normalmente, apenas com algumas restrições, referentes à venda de imóveis e à transferência de seu estabelecimento (art. 149), encerrando-se a falência com o cumprimento da concordata. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

TERMO LEGAL: determinado período suspeito, que antecede a falência; ele é fixado pelo juiz na sentença declaratória (art. 14, § único, III), geralmente a partir de 60 dias antes do primeiro protesto; vários atos praticados pelo falido dentro do termo legal não produzem efeito em relação à massa, como o pagamento de dívidas não vencidas e a constituição de garantias reais (art. 52).

SITUAÇÃO DOS SÓCIOS DA SOCIEDADE FALIDA: quem vai à falência é a sociedade falida e não os sócios; dependendo do tipo de sociedade, poderão ser arrecadados também os bens particulares de certos sócios; por outro lado, os diretores, administradores, gerentes ou liquidantes são equiparados ao devedor ou falido nas obrigações pessoais impostas pela Lei de Falências, como o dever de prestar as informações necessárias e de não se ausentar do lugar da falência (art. 37), equiparamse eles também ao falido no que tange à responsabilidade penal (art. 191).

A ANULAÇÃO DE CERTOS ATOS: certos atos praticados pelo falido antes da falência podem ser anulados ou revogados; em princípio, são revogáveis todos os atos realizados pelo devedor com a intenção de prejudicar credores mediante fraude; o art. 52 estabelece várias hipóteses em que os atos praticados não produzem efeito em relação à massa, ainda que não tenha havido intenção fraudulenta (ex: renúncia à herança até 2 anos antes da declaração da falência).

A PERDA DA ADMINISTRAÇÃO DOS BENS: com a falência o falido não perde a propriedade de seus bens, perderá apenas o direito de disposição e administração; quem passa a administrá-los é o síndico, que relaciona o ativo e o passivo, vende-os e paga as dívidas; se houver sobras após a liquidação, estas serão restituídas ao falido; da mesma forma, se

A CONTINUAÇÃO DO NEGÓCIO: o falido normalmente tem que encerrar as suas atividades, mas, excepcionalmente, poderá o negócio continuar a funcionar durante certo tempo, mesmo após a falência, quando nisso houver interesse para os credores; autorizada a continuação, será nomeado um

gerente, proposto pelo síndico, sendo que os negócios serão feitos só a dinheiro (art. 74).

judicial (apuram-se os fatos que possam servir de fundamento para a ação penal por crime falimentar).

O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE COISA ARRECADADA EM PODER DO FALIDO (art. 76): quando seja devida em virtude de direito real (ex: penhor) ou de contrato (ex: compra), mesmo que a coisa já tenha sido alienada pela massa; das coisas vendidas a crédito e entregues ao falido nos 15 dias anteriores ao requerimento da falência, se ainda não alienadas pela massa.

ANDAMENTO DOS AUTOS

= PRINCIPAIS = (com exceção das habilitações de crédito – "autos de declarações de crédito" e do inquérito judicial – "autos de inquérito judicial", que correm em autos apartados, todos os outros assuntos da falência correm nestes autos).

OS CONTRATOS DO FALIDO: os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser executados pelo síndico, se achar conveniente para a massa; o contratante pode interpelar o síndico, para que dentro de 5 dias, declare se cumpre ou não o contrato; a declaração negativa ou o silêncio do síndico, findo esse prazo, dá ao contratante o direito à indenização, cujo valor, apurado em processo ordinário, constituirá crédito quirografário (art. 43).

1ª fase: preliminar (ou declaratória) – vai do pedido inicial até a sentença que decreta a falência. - requerimento (pedido inicial) – dá início aos autos principais. - pedido apresentado pelo devedor comerciante – o juiz decretará imediatamente a falência, mediante a simples verificação dos pressupostos legais, tornando-se portanto extremamente curta a fase preliminar (ou declaratória). - pedido apresentado por algum credor – a fase preliminar será mais dilatada, para a citação do devedor e a apresentação de sua defesa; a defesa terá de ser apresentada dentro de 24 horas após a citação, podendo o devedor alegar qualquer motivo que extinga ou suspenda o cumprimento da obrigação ex: falsidade do título, prescrição, pagamento já realizado etc. (art. 4º); a defesa mais segura será a que for acompanhada pelo depósito da quantia reclamada, pois nesse caso, mesmo que os argumentos apresentados pelo devedor não sejam aceitos pelo juiz, a falência não será declarada de forma nenhuma, limitando-se a discussão ao levantamento da quantia depositada, como se fosse uma simples "ação de cobrança" (art. 11, § 2º); mesmo após expirado o prazo de defesa, mas antes da sentença, o depósito elide a falência, por se evidenciar que não há insolvência; depois da defesa, se houver, e das providências necessárias, o juiz dará uma sentença declarando ou não a falência, encerrando a fase preliminar (ou declaratória). - sentença declaratória – conterá os requisitos do artigo 14, § único, da Lei das Falências: - nome do devedor. - hora da declaração. - fixação do termo legal (período suspeito).

OS CRIMES FALIMENTARES: se antes ou depois da falência o falido praticar certos atos previstos na lei (ex: desvio de bens), poderá ele ser processado criminalmente; poderão ser também incriminados vários outros participantes do processo falencial (arts. 186 a 199); na prática a maioria dos processos falimentares tem girado em torno dos art. 186, VI (irregularidades nos livros obrigatórios), 186, VII (ausência de rubrica do juiz nos balanços), 188, I (simulação de capital), e III (desvio de bens), nessa ordem, com enorme preponderância do tipo citado em primeiro lugar.

INTERVENÇÃO E LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL: no direito brasileiro certas empresas estão sujeitas a regime especial, de intervenção e liquidação extrajudicial; as leis sobre o assunto abrangem empresas dependentes de autorização especial para existir e que estão sob a fiscalização permanente das autoridades.

FALÊNCIA: PROCEDIMENTO A falência processa-se em 3 autos, distintos porém interdependentes; além dos autos principais, formados com o pedido inicial, surgem na fase de sindicância mais 2 outros autos paralelos, com finalidades específicas: os autos de declarações de crédito (examinam-se as habilitações de crédito apresentadas pelos credores) e os autos de inquérito

- nomeação de um síndico (escolhido geralmente entre os maiores credores) - os prazos para os credores habilitarem os seus créditos (varia entre 10 e 20 dias) - diligências convenientes aos interesses da massa (podendo ordenar inclusive a prisão preventiva do falido) etc. - principais efeitos decorrentes: a) quanto aos direitos dos credores: - intervir, como assistente, em quaisquer ações ou incidentes em que a massa falida seja parte ou interessada. - fiscalização da administração da massa falida. - examinar, em qualquer tempo, os livros e papéis do falido e da administração da massa, independentemente de autorização do juiz. b) quanto à pessoa do falido (art. 34): - assinar termo de comparecimento ao processo, devendo declarar, na ocasião, as causas determinantes da falência, quando esta for requerida pelos credores. - depositar em Cartório os seus livros obrigatórios, a fim de serem entregues ao síndico. - não se ausentar do lugar da falência, sem motivo justo e autorização do juiz. - comparecer a todos os atos do processo da falência. - entregar, sem demora, todos os bens e documentos ao síndico. - prestar, verbalmente ou por escrito, todas as informações solicitadas pelo juiz, síndico e demais interessados legais. - auxiliar o síndico com zelo e lealdade. - examinar a declaração de crédito apresentada. - assistir ao levantamento e à verificação do balanço e exame dos livros. - examinar e dar parecer sobre as contas do síndico. * se deixar de cumprir qualquer um dos deveres acima relacionados, poderá ser preso por ordem do juiz; esta prisão não pode ultrapassar 60 dias.

* as sociedades falidas serão representadas pelos seus diretores ou gerentes, os quais ficarão sujeitos a todas as obrigações já mencionadas, sob pena de prisão. * a lei assegura ao falido que for prestativo e dedicado no cumprimento dos seus deveres o direito de requerer ao juiz módica remuneração pelos serviços; se a massa comportar, a remuneração poderá ser concedida pelo juiz, depois de ouvir, a esse respeito, o síndico e o representante do MP. c) quanto aos bens do falido: - o devedor perde o direito de administrá-los e deles dispor (abrange todos os bens do devedor, inclusive direitos e ações; estão incluídos os já existentes à época da falência, como os posteriormente adquiridos; não abrange os bens absolutamente impenhoráveis, os bens dotais e dos particulares da mulher e dos filhos). d) quanto aos contratos do falido: - contratos bilaterais: a declaração da falência não significa anulação pura e simples dos contratos que o falido mantinha com outras pessoas; os contratos podem ser executados pelo síndico, caso julgue conveniente aos interesses da massa falida; se o síndico resolver romper o contrato, cabe à outra parte receber indenização por perdas e danos; a indenização será apurada em processo judicial, e seu valor constituirá "crédito quirografário" (sem privilégio ou preferência de pagamento) - contratos de conta corrente (consistem no acordo feito entre as partes para o envio e recebimento de mercadorias e valores, vencendo-se juros de ambos os lados, e, no final, apurando-se o saldo): as contas correntes do falido consideram-se encerradas no momento da declaração da falência, verificando-se o respectivo saldo. - as dívidas do falido: compensam-se as dívidas do falido vencidas até o dia da declaração de falência, provenha o vencimento da própria sentença declaratória ou do término do prazo estipulado; não se compensam os créditos constantes de títulos ao portador, os transferidos depois de decretada a falência (salvo o caso de sucessão por morte), bem como os créditos, ainda que vencidos antes da falência, transferidos ao devedor do falido, em prejuízo da massa, quando já era conhecido o estado de falência, embora não judicialmente declarado. * compensação: quando duas pessoas forem credoras e devedoras uma da outra, as duas obrigações se extinguem até onde se compensarem.

2ª fase: de sindicância (ou investigatória) – vai da sentença declaratória de falência até o início da liquidação; apuram-se os débitos e os créditos, bem como a conduta do falido. - surge com a decretação da falência. - o resumo da sentença declaratória será afixado à porta do estabelecimento falido e remetido ao representante do MP, à Junta Comercial e outros órgãos (em 24 horas). - o escrivão, por outro lado, comunica às estações telegráficas e agências postais da cidade (em 3 horas) a decretação da falência e o nome do síndico, a quem daí em diante deverá ser entregue a correspondência do falido. - além disso, a sentença é imediatamente publicada no órgão oficial, providenciando o síndico para que também o seja nos jornais locais. - o síndico nomeado deve assinar um termo de compromisso e o falido um termo de comparecimento. - imediatamente, após o compromisso, deve o síndico, com a assistência do representante do MP, dirigir-se até o estabelecimento falido e proceder à arrecadação de todos os bens e livros do falido, lavrando um inventário do que foi arrecadado, avaliando os bens em seguida; o falido será também convidado a assistir à arrecadação. - após a arrecadação, o síndico indica e o juiz nomeia o perito contador, para proceder ao exame de escrituração do falido. - o perito apresentará, em 2 vias, o laudo do exame procedido na contabilidade do devedor, examinando o ativo e o passivo, bem como a regularidade da escrituração e a existência de eventuais indícios da prática de crime falimentar. - expirado o dobro do prazo para as habilitações (20 ou 40 dias), apresentará o síndico, em 24 horas, o seu 1° relatório, também em 2 vias, descrevendo minuciosamente a situação da massa falida e a conduta do falido (art. 103). - deve este relatório, que a lei chama de "exposição circunstanciada", vir acompanhado do laudo do perito contador. - a 2ª via irá para os "autos principais"; a 1ª via e documentos anexos servirão para a formação dos "autos de inquérito judicial". - nesse ponto os autos principais entram num compasso de espera, aguardando que para eles venha o resultado final dos autos paralelos, ou seja, ficam à espera do "quadro geral de credores", elaborado nos autos paralelos de "declarações de créditos", e do

despacho que resolve o destino do "inquérito judicial". - tanto pode chegar antes o "quadro geral de credores" como a solução do "inquérito judicial", dependendo tudo dos incidentes havidos nos respectivos autos. - em 5 dias após a chegada do último dos 2, apresentará o síndico o seu 2° relatório, que é semelhante ao 1°, porém mais completo (art. 63, XIX). - dentro dos 5 dias seguintes ao do vencimento do prazo para a entrega, em Cartório, do 2° relatório do síndico, poderá o falido requerer ao juiz que lhe seja concedida a "concordata suspensiva", sendo concedida, serão devolvidas a ele os seus bens, suspendendo-se a falência; caso contrário, passa-se para a 3° e última fase, a da liquidação.

3ª fase: de liquidação - os bens arrecadados são vendidos judicialmente e o dinheiro assim obtido é distribuído, proporcionalmente, entre os credores aprovados. - os bens da massa só podem ser vendidos por leilão ou por propostas, englobada ou separadamente (arts. 116, 117 e 118). - quem decide por uma dessas formas é o síndico, salvo se assumirem a opção credores que representem 1/4 dos créditos habilitados (art. 122). - todavia, credores que representam 2/3 dos créditos habilitados podem autorizar qualquer forma de liquidação (art.123), mesmo não prevista na lei, como a venda por negociações particulares segundo a praxe comercial, organização de sociedade para assumir o negócio do falido, cessão do ativo a terceiros etc. - os dissidentes serão pagos pela maioria, em dinheiro, na base da avaliação. - à medida que for entrando dinheiro com a venda dos bens, o síndico fará a distribuição do mesmo entre os credores aprovados, mediante rateios proporcionais, completando-se assim a fase de liquidação. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ordem das preferências: - o síndico não distribuirá o dinheiro entre todos os credores ao mesmo tempo. - terá primeiro que chamar uma determinada classe de credores, que serão pagos com preferência.

- só depois de pagos e satisfeitos todos os credores da 1ª classe, e se sobrar dinheiro, será chamada a 2ª classe, e se sobrar dinheiro, será chamada a 3ª classe, e assim por diante. 1° - créditos trabalhistas e acidentários (de acidente de trabalho). 2° - créditos fiscais (União, Estados, Municípios) e parafiscais (INSS, FGTS, SENAI, SESI etc.). 3° - encargos da massa (custas judiciais) – art. 124, § 1°. 4° - dívidas da massa (feitas pelo síndico) – art. 124, § 2°. 5° - créditos com direito real de garantia (penhor, hipoteca). 6° - créditos com privilégio especial sobre determinados bens (créditos por aluguel de prédio locado ao falido, sobre o mobiliário respectivo). 7° - créditos com privilégio geral (debêntures). 8° - créditos quirografários (duplicatas, notas promissórias, letras de câmbio, cheques etc.). -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- terminada esta fase, c/ a venda dos bens e a distribuição proporcional do dinheiro, o síndico deve prestar contas e apresentar o seu 3° e último relatório (art. 131), requerendo outrossim que o juiz arbitre a sua remuneração (art. 67). - em seguida o juiz profere a sentença de encerramento da falência (nos termos da lei, a falência deve estar encerrada dentro de 2 anos, a partir da data da sua declaração (art. 132, § 1º). - o credor que não teve satisfeito o seu crédito, por causa da pobreza da massa, pode pedir uma certidão da quantia que ficou em aberto, para eventual execução futura. - embora se trate de hipótese rara, o encerramento da falência pode ocorrer muito antes, não chegando às vezes o procedimento a passar por todas as fases examinadas. - para conseguir o "levantamento da falência", a qualquer tempo e em qualquer fase, com a extinção de suas obrigações, basta que o falido obtenha a quitação ou a novação de todas as suas dívidas (art. 135 a 138).

= DE DECLARAÇÕES DE CRÉDITO = - na sentença declaratória o juiz marca o prazo de 10 dias, no mínimo, e de 20 dias, no máximo, conforme a importância da falência, para os credores apresentarem as suas declarações de crédito (art. 14, § único, V e art. 80). - este prazo começa a correr a partir da publicação da sentença declaratória por edital, contado da data da primeira inserção no órgão oficial (art. 204, § único). - no prazo marcado pelo juiz devem os credores apresentar em Cartório, mediante recibo, declaração por escrito, em 2 vias, com a firma reconhecida na 1ª via, mencionando a importância exata de seus créditos (art. 82). - cada credor terá de fazer a sua declaração individual, não se admitindo declarações em conjunto, salvo o caso do representante de debenturistas, previsto no artigo 82, § 3º. - à 1ª via da declaração, o credor juntará o título de crédito, em original. - à medida que for recebendo as declarações de crédito, o escrivão entregará as 2ª vias ao síndico, e organizará com as 1ª vias e documentos respectivos, os "autos de declarações de crédito" (art. 83). - nesses autos, todas as declarações são colocadas em conjunto, sendo errônea a autuação em separado de cada declaração. - só se houver posterior impugnação é que a declaração e respectivos documentos serão desentranhados e autuados em separado. - autuam-se porém em separado as habilitações retardatárias que derem entrada em Cartório após o prazo legal. - as 1ª vias e documentos ficam em Cartório, dentro dos autos apropriados, para exame dos interessados. - as 2ª vias ficam com o síndico, com as quais realizará as seguintes diligências: - exigirá do falido informações por escrito sobre cada declaração. - fará o confronto da declaração com os livros, papéis e assentos do falido, procedendo ao extrato da conta do credor. - realizará as diligências que entender necessárias, requerendo-as ao juiz, se for o caso. - juntará os documentos que julgar pertinentes.

- dará seu parecer sobre cada declaração, no próprio corpo da mesma, juntado extrato de conta. - tanto as informações do falido, como o parecer do síndico, serão dados na própria 2ª via de cada declaração (art. 84, § 1º). - considera-se desde logo impugnado o crédito quando a informação do falido ou o parecer do síndico forem contrárias à sua legitimidade, importância ou classificação. - podem o falido ou o síndico indicar as provas que julgarem necessárias para demonstrar a verdade do alegado (art. 84, § 2º). - terminadas as diligências, o síndico devolverá ao Cartório as 2ª vias das declarações, devidamente informadas, para serem juntadas aos "autos de declaração de crédito". - durante o prazo de 5 dias após a devolução das 2ª vias, o credor habilitado pode também impugnar a habilitação de qualquer outro credor, sendo que o impugnado, por sua vez, terá 3 dias para apresentar a sua contestação à impugnação. - em seguida, vão os autos com vista ao representante do MP, pelo prazo de 5 dias. - com o parecer deste, sobem os autos à conclusão e então o juiz toma duas séries de providências - julga por sentença os créditos não impugnados e as impugnações que entender suficientemente esclarecidas. - profere despacho nas impugnações restantes, designando para cada uma audiência de verificação de crédito e realização de provas. - na audiência de verificação de crédito, que é de instrução e julgamento e se realiza de acordo com o roteiro exposto no artigo 95, o juiz ditará a sentença, acolhendo ou repelindo a impugnação apresentada. - finalmente, na conformidade das decisões do juiz, o síndico elabora o "quadro geral de credores", que é juntado aos "autos principais" e publicado no órgão oficial. - a habilitação do síndico tem rito especial, previsto nos artigos 62, § único, e 85, § 1° e 2º. - os credores retardatários podem habilitar-se na forma do artigo 98; eles não sofrem nenhum gravame, salvo a perda dos direitos aos rateios que já tenham sido distribuídos (art. 98, § 4º).

= DE INQUÉRITO JUDICIAL = - nos crimes comuns, quando há indícios para tanto, faz-se em regra um inquérito policial para a apuração dos fatos; nos crimes falimentares, porém, o inquérito preliminar é feito diretamente em juízo. - vimos que o síndico apresenta o seu 1° relatório (art. 103) em 2 vias; a 1ª via é autuada em separado, juntamente com a 1ª via do laudo do perito contador, formando-se então os "autos de inquérito judicial". - tanto o relatório como o laudo já conterão referências valiosas sobre a existência ou não de indícios da prática de algum crime falimentar (previstos no art. 186 e seguintes). - se não houver nenhum indício, e ninguém se manifestar, os autos de inquérito judicial serão apensados aos autos principais, o que equivale ao arquivamento. - havendo indícios de crime, a apuração dos fatos se processará nesse autos, culminando, se for o caso, com a formulação da denúncia pelo representante do MP. - a denúncia é recebida pelo juiz cível da falência, em despacho fundamentado, e encaminhada ao juiz criminal (no Estado de SP os crimes falimentares passaram para a competência do próprio juiz da falência), para prosseguimento pelo rito ordinário, funcionando porém perante o juízo criminal o mesmo representante do MP da falência. - o escrivão certificará nos "autos principais" o desfecho do "inquérito judicial": apensamento ou denúncia. - o apensamento produz efeitos relevantes nos "autos principais", destacando-se a faculdade de requerer "concordata suspensiva", que então se oferece ao falido que não foi denunciado no "inquérito judicial". - a ausência de denúncia do MP não impede que qualquer credor habilitado promova a ação penal (arts. 108, § único, e 194).

PROCEDIMENTOS FALIMENTARES ESPECIAIS

FALÊNCIA FRUSTADA: quando o síndico, na arrecadação, não encontra bens do falido ou encontra apenas bens de valor irrisório, insuficientes até para as custas do processo; neste caso deve ele comunicar o fato imediatamente ao juiz; publica-se então um

edital de aviso aos interessados (art. 75); se ninguém indicar a localização de bens, nem se candidatar a pagar as custas do prosseguimento normal, passa-se então para um rito especial, mais simplificado, o rito da falência frustada; os poucos bens porventura arrecadados são vendidos desde logo, e o síndico apresenta apenas 1 único relatório, ao invés de 3; paralisam-se os "autos de declaração de crédito"; suprime-se a fase de liquidação, vez que não há o que liquidar; não se suprime porém o "inquérito judicial"; após a solução do inquérito (apensamento ou denúncia), o juiz encerra a falência.

- em regra, ao invés de fazer nova escolha, o juiz nomeará como síndico o próprio comissário (art. 162, § 1°, II). - na rescisão de "concordata suspensiva", o juiz ordenará que o síndico reassuma as suas funções (art. 151, § 3º). - o prazo de habilitações de crédito é marcado apenas para os credores que não se habilitaram anteriormente na concordata (arts. 153 e 162, § 1º, III).

FALÊNCIA SUMÁRIA: quando o valor dos créditos declarados pelos credores é inferior a 100 vezes o salário mínimo, será a falência processada de modo sumário (art. 200). caracterizam o rito sumário: - simplificação da verificação dos créditos, que são todos julgados e aprovados numa única audiência (art. 200,§ 2º). - não há "quadro geral de credores", que é substituído pela sentença que aprova os créditos, dada na audiência (art. 200, § 2º) . - o síndico apresenta apenas 2 relatórios: - o 1° dentro de 48 horas após a audiência de verificação de créditos (art. 200, §3º). - o 2º na fase final, na liquidação, após a prestação de contas (art. 131). - não há alteração na fase de liquidação, que se fará exatamente nos moldes comuns.

ANDAMENTO DOS AUTOS

= PRINCIPAIS = (com exceção das habilitações de crédito – "autos de declarações de crédito" e do inquérito judicial – "autos de inquérito judicial", que correm em autos apartados, todos os outros assuntos da falência correm nestes autos).

1ª fase: preliminar (ou declaratória) – vai do pedido inicial ("requerimento") até a sentença que decreta a falência ("sentença declaratória"). 2ª fase: de sindicância (ou investigatória) – vai da "sentença declaratória" de falência até o início da "liquidação"; apuram-se os débitos e os créditos, bem como a conduta do falido. 3ª fase: de liquidação - os bens arrecadados são vendidos judicialmente e o dinheiro assim obtido é distribuído, proporcionalmente, entre os credores aprovados.

- FALÊNCIA INCIDENTE: quando a concordata ou o pedido de concordata se transforma em falência; ocorre na rescisão da "concordata preventiva" ou "suspensiva", ou no decorrer do processamento do pedido de "concordata preventiva", passando o devedor da qualidade de concordatário para a qualidade de falido; é portanto uma falência de decretação secundária, que incide sobre uma concordata; a lei não estabelece fórmulas completas para o andamento da falência incidente, mas apenas algumas normas básicas, com amplas lacunas na seqüência das formalidades, que deverão ser preenchidas pelo intérprete, de acordo com os princípios gerais; regra básica será o aproveitamento, dentro do possível, dos atos que já foram realizados na concordata; a verificação dos créditos, por exemplo, feita na concordata, pode em regra ser aproveitada na falência incidente; a sentença declaratória conterá os requisitos de praxe, porém com as seguintes modificações:

- os bens da massa só podem ser vendidos por leilão ou por propostas, englobada ou separadamente (arts. 116, 117 e 118). - quem decide por uma dessas formas é o síndico, salvo se assumirem a opção credores que representem 1/4 dos créditos habilitados (art. 122). - todavia, credores que representam 2/3 dos créditos habilitados podem autorizar qualquer forma de liquidação (art.123), mesmo não prevista na lei, como a venda por negociações particulares segundo a praxe comercial, organização de sociedade para assumir o negócio do falido, cessão do ativo a terceiros etc. - os dissidentes serão pagos pela maioria, em dinheiro, na base da avaliação.

- à medida que for entrando dinheiro com a venda dos bens, o síndico fará a distribuição do mesmo entre os credores aprovados, mediante rateios proporcionais, completando-se assim a fase de liquidação. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ordem das preferências: - o síndico não distribuirá o dinheiro entre todos os credores ao mesmo tempo. - terá primeiro que chamar uma determinada classe de credores, que serão pagos com preferência. - só depois de pagos e satisfeitos todos os credores da 1ª classe, e se sobrar dinheiro, será chamada a 2ª classe, e se sobrar dinheiro, será chamada a 3ª classe, e assim por diante. 1° - créditos trabalhistas e acidentários (de acidente de trabalho). 2° - créditos fiscais (União, Estados, Municípios) e parafiscais (autarquias - INSS, FGTS, SENAI, etc.). 3° - encargos da massa (custas judiciais) – art. 124, § 1°. 4° - dívidas da massa (feitas pelo síndico) – art. 124, § 2°. 5° - créditos com direito real de garantia (penhor, hipoteca). 6° - créditos com privilégio especial sobre determinados bens (créditos por aluguel de prédio locado ao falido, sobre o mobiliário respectivo). 7° - créditos com privilégio geral (debêntures). 8° - créditos quirografários (duplicatas, notas promissórias, letras de câmbio, cheques etc.). -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- terminada esta fase, c/ a venda dos bens e a distribuição proporcional do dinheiro, o síndico deve prestar contas e apresentar o seu 3° e último relatório (art. 131), requerendo outrossim que o juiz arbitre a sua remuneração (art. 67). - em seguida o juiz profere a sentença de encerramento da falência (nos termos da lei, a falência deve estar encerrada dentro de 2 anos, a partir da data da sua declaração (art. 132, § 1º). - o credor que não teve satisfeito o seu crédito, por causa da pobreza da massa, pode pedir uma certidão

da quantia que ficou em aberto, para eventual execução futura. - embora se trate de hipótese rara, o encerramento da falência pode ocorrer muito antes, não chegando às vezes o procedimento a passar por todas as fases examinadas. - para conseguir o "levantamento da falência", a qualquer tempo e em qualquer fase, com a extinção de suas obrigações, basta que o falido obtenha a quitação ou a novação de todas as suas dívidas (art. 135 a 138).

= DE INQUÉRITO JUDICIAL = - nos crimes comuns, quando há indícios para tanto, faz-se em regra um inquérito policial para a apuração dos fatos; nos crimes falimentares, porém, o inquérito preliminar é feito diretamente em juízo. - vimos que o síndico apresenta o seu 1° relatório (art. 103) em 2 vias; a 1ª via é autuada em separado, juntamente com a 1ª via do laudo do perito contador, formando-se então os "autos de inquérito judicial". - tanto o relatório como o laudo já conterão referências valiosas sobre a existência ou não de indícios da prática de algum crime falimentar (previstos no art. 186 e seguintes). - se não houver nenhum indício, e ninguém se manifestar, os autos de inquérito judicial serão apensados aos autos principais, o que equivale ao arquivamento. - havendo indícios de crime, a apuração dos fatos se processará nesse autos, culminando, se for o caso, com a formulação da denúncia pelo representante do MP. - a denúncia é recebida pelo juiz cível da falência, em despacho fundamentado, e encaminhada ao juiz criminal (no Estado de SP os crimes falimentares passaram para a competência do próprio juiz da falência), para prosseguimento pelo rito ordinário, funcionando porém perante o juízo criminal o mesmo representante do MP da falência. - o escrivão certificará nos "autos principais" o desfecho do "inquérito judicial": apensamento ou denúncia. - o apensamento produz efeitos relevantes nos "autos principais", destacando-se a faculdade de requerer "concordata suspensiva", que então se oferece ao falido que não foi denunciado no "inquérito judicial". - a ausência de denúncia do MP não impede que qualquer credor habilitado promova a ação penal (arts. 108, § único, e 194).

PROCEDIMENTOS FALIMENTARES ESPECIAIS

FALÊNCIA FRUSTADA: quando o síndico, na arrecadação, não encontra bens do falido ou encontra apenas bens de valor irrisório, insuficientes até para as custas do processo; neste caso deve ele comunicar o fato imediatamente ao juiz; publica-se então um edital de aviso aos interessados (art. 75); se ninguém indicar a localização de bens, nem se candidatar a pagar as custas do prosseguimento normal, passa-se então para um rito especial, mais simplificado, o rito da falência frustada; os poucos bens porventura arrecadados são vendidos desde logo, e o síndico apresenta apenas 1 único relatório, ao invés de 3; paralisam-se os "autos de declaração de crédito"; suprime-se a fase de liquidação, vez que não há o que liquidar; não se suprime porém o "inquérito judicial"; após a solução do inquérito (apensamento ou denúncia), o juiz encerra a falência.

devedor da qualidade de concordatário para a qualidade de falido; é portanto uma falência de decretação secundária, que incide sobre uma concordata; a lei não estabelece fórmulas completas para o andamento da falência incidente, mas apenas algumas normas básicas, com amplas lacunas na seqüência das formalidades, que deverão ser preenchidas pelo intérprete, de acordo com os princípios gerais; regra básica será o aproveitamento, dentro do possível, dos atos que já foram realizados na concordata; a verificação dos créditos, por exemplo, feita na concordata, pode em regra ser aproveitada na falência incidente; a sentença declaratória conterá os requisitos de praxe, porém com as seguintes modificações: - em regra, ao invés de fazer nova escolha, o juiz nomeará como síndico o próprio comissário (art. 162, § 1°, II). - na rescisão de "concordata suspensiva", o juiz ordenará que o síndico reassuma as suas funções (art. 151, § 3º). - o prazo de habilitações de crédito é marcado apenas para os credores que não se habilitaram anteriormente na concordata (arts. 153 e 162, § 1º, III).

FALÊNCIA SUMÁRIA: quando o valor dos créditos declarados pelos credores é inferior a 100 vezes o salário mínimo, será a falência processada de modo sumário (art. 200). caracterizam o rito sumário: - simplificação da verificação dos créditos, que são todos julgados e aprovados numa única audiência (art. 200,§ 2º). - não há "quadro geral de credores", que é substituído pela sentença que aprova os créditos, dada na audiência (art. 200, § 2º) . - o síndico apresenta apenas 2 relatórios: - o 1° dentro de 48 horas após a audiência de verificação de créditos (art. 200, §3º). - o 2º na fase final, na liquidação, após a prestação de contas (art. 131). - não há alteração na fase de liquidação, que se fará exatamente nos moldes comuns.

CONCORDATA

CONCEITO: processo que o comerciante pode mover contra os seus "credores quirografários", para obrigá-los a um prazo mais longo no pagamento ou receber menos, a fim de permitir-lhe uma reorganização econômica e evitar ("preventiva") ou suspender ("suspensiva") a falência.

ALÉM DAS PESSOAS IMPEDIDAS DE COMERCIAR, NÃO PODEM IMPETRAR CONCORDATA, AS SEGUINTES ENTIDADES: - instituições financeiras, corretoras de títulos, de valores e de câmbio, empresas seguradoras; - sociedades em conta de participação e sociedades irregulares; - empresas de serviços aéreos.

- FALÊNCIA INCIDENTE: quando a concordata ou o pedido de concordata se transforma em falência; ocorre na rescisão da "concordata preventiva" ou "suspensiva", ou no decorrer do processamento do pedido de "concordata preventiva", passando o

OBSERVAÇÕES:

* a concessão não depende da concordância ou da boa vontade dos credores. * se o "concordatário" não cumprir a concordata, poderá o prejudicado pedir a sua rescisão – da "preventiva" acarreta a falência do devedor e da "suspensiva" acarreta o prosseguimento da falência, que tinha sido apenas suspensa. * os credores posteriores à concordata não estão impedidos de requerer a falência do "concordatário".

Serve para prevenir ou evitar a falência; verificando que a empresa está à beira da insolvência, mas ainda tem lastro suficiente para se salvar, pode o devedor comerciante conseguir o seu reajustamento econômico, requerendo ao juiz este tipo de concordata, antes que algum credor lhe requeira a falência - a moeda será de 50% à vista, ou 60% em 6 vezes, 75% em 12 meses, 90% em 18 meses, 100% em 24 meses, sendo que nas duas últimas hipóteses, devem ser pagos pelo menos 2/5 (40%) no primeiro ano, o prazo começa a correr a partir do "pedido"; ao ingressar em juízo, deve o requerente expor minuciosamente o seu estado econômico e as razões que justificam o "pedido", juntando os seguintes elementos: a) a proposta de pagamento (na forma anteriormente exposta); b) o contrato social em vigor, em se tratando de sociedade;

ESPÉCIES:

SUSPENSIVA Serve para suspender uma falência já decretada; num determinado momento do processo de falência (normalmente, em 5 dias seguintes ao do vencimento do prazo para a entrega, em Cartório, do 2° relatório do síndico), pode o falido que preencher certos requisitos, pedir ao juiz que lhe conceda este tipo de concordata, propondo aos "credores quirografários", por saldo de seus créditos, o pagamento de 35% à vista ou 50% num prazo de até 2 anos; esta percentagem é a moeda da concordata, e com ela estarão quitadas as dívidas quirografárias; se o pedido for deferido pelo juiz, os bens são devolvidos ao falido e ele volta a comerciar normalmente, apenas com algumas restrições, referentes à venda de imóveis e à transferência de seu estabelecimento, encerrando-se a falência com o cumprimento da concordata; é processada nos próprios autos da falência; apresentando o pedido, vão os autos conclusos ao juiz, para a verificação dos requisitos legais; a primeira condição para o processamento do pedido é a ausência de denúncia ou de queixa recebida no inquérito judicial, caso o juiz tenha recebido-as, ele será indeferido liminarmente; verificará também se não existem os impedimentos arrolados no artigo 140; estando o pedido em ordem, o juiz mandará publicá-lo por edital, intimando os credores de que durante 5 dias poderão opor "embargos" à concordata, estes "embargos" só poderão se fundamentar num dos motivos previstos no artigo 143; se não houver "embargos", ou se estes forem rejeitados, o juiz concederá a "concordata suspensiva" por sentença, desde que atendidos os requisitos legais; mas se os "embargos" forem procedentes, ou se não foram preenchidos os requisitos legais, o juiz indeferirá o pedido, prosseguindo-se então na falência, com a liquidação.

c) a prova de não ter título protestado; d) prova de exercício regular do comércio há mais de 2 anos (certidão da Junta Comercial); e) prova de que não foi condenado por crime falimentar, furto, roubo, apropriação indébita, estelionato e outras fraudes; f) prova de que não impetrou concordata nos últimos 5 anos; g) duas demonstrações financeiras, do último exercício e a levantada especialmente para instruir o pedido; h) ativo que corresponda a mais de 50% do passivo quirografário; i) a lista nominativa de todos os credores, com os endereços e quantias devidas a cada um; j) os livros obrigatórios. Se o "pedido" não estiver formulado nos termos da lei, ou se não vier devidamente instruído com os documentos necessários, ou estiver caracterizada a fraude, o juiz decretará, em 24 horas, aberta a falência; a falência poderá ser decretada desde logo, na inicial, e também em qualquer momento posterior, durante o andamento do "pedido" de concordata, se o próprio devedor requerer a sua falência, se ficar provada a existência de qualquer dos impedimentos do artigo 140, a falta de qualquer das condições do artigo 158, ou a inexatidão de qualquer dos documentos mencionados no artigo 159, § único, se não forem pagos certo impostos e contribuições (art. 174, I), se não forem depositadas as quantias que se vencerem antes da sentença que conceder a concordata (art. 175), se o juiz indeferir a concordata (art. 176) etc.

PREVENTIVA

Se o "pedido" estiver em ordem e acompanhado dos documentos necessários, o juiz determinará o seu processamento mediante despacho próprio; esse "despacho de processamento" não concede ainda a "concordata preventiva", admite apenas o seu processamento; o "despacho de processamento" produz vários efeitos importantes, chamados "efeitos pré-concordatícios"; dentre os "efeitos préconcordatícios" podem ser apontados a suspensão de ações e execuções contra o devedor, por "créditos quirografários" e o vencimento antecipado das dívidas quirografárias. O "despacho de processamento" ordenará a suspensão das ações contra o devedor por "créditos quirografários", nomeará um "comissário" (escolhido de forma idêntica à do síndico), para fiscalizar as atividades do devedor, que continuará a comerciar normalmente salvo as restrições do artigo 149, e marcará o prazo de 10 a 20 dias para os "credores quirografários", porventura omitidos na relação inicial, apresentarem as suas declarações de crédito. A nomeação do "comissário" obedecerá aos mesmos trâmites e requisitos previstos para a nomeação do síndico (art. 161, § 1°, IV; art. 60); são diferenças básicas entre o síndico e o "comissário": a) o síndico trabalha na falência; o "comissário" no processamento da "concordata preventiva", até a sua concessão; b) o síndico é um administrador; o "comissário" é apenas um fiscal. Após o "despacho de processamento", publica-se um edital para conhecimento dos credores. O "comissário" presta compromisso entrando desde logo no exercício de suas funções, expedindo avisos e circulares aos credores e fiscalizando o procedimento do devedor. Na "concordata preventiva" a verificação dos créditos é feita da mesma forma como na falência; a única diferença é que na concordata não precisam habilitar-se todos os credores, mas apenas os quirografários que foram omitidos na relação inicial. Os créditos não impugnados, desde que relacionados na inicial, são automaticamente incluídos no "quadro geral de credores", independentemente de declaração e verificação, no valor indicado pelo devedor. Vemos assim que o "quadro geral de credores" é elaborado com base na relação nominativa inicial, dos credores sujeitos à concordata, bem como nas sentenças do juiz, proferidas em impugnações, ou declarações de créditos (só os "credores quirografários" estão sujeitos à concordata; os credores privilegiados não são por ela atingidos). O "quadro geral de credores", na "concordata preventiva", é elaborada nos próprios autos principais, e não em autos paralelos como ocorre na

falência (na "concordata preventiva" cabe também o "pedido de restituição"). Se não houver impugnações, nem declarações de crédito em separado, o juiz simplesmente homologará como quadro geral a lista nominativa dos "credores quirografários", apresentada com a inicial, dentro de 90 dias a contar do "despacho de processamento" da concordata. Uma vez elaborado o "quadro geral de credores", apresentará o "comissário" o seu "relatório" (único). Entregue o "relatório", mandará o juiz publicar um aviso aos credores, de que durante 5 dias poderão opor "embargos" à concordata, sendo que esses "embargos" só poderão fundamentar-se num dos motivos previstos no artigo 143; os "embargos" são processados na forma do artigo 144, § único e seguintes. Se não houver "embargos", ou julgados improcedentes os apresentados, o juiz concederá por sentença a "concordata preventiva", desde que presentes os requisitos legais; mas se houver "embargos" julgados procedentes, ou se o devedor não preencher os requisitos legais, o juiz decretará a falência. A desistência do pedido de "concordata preventiva": pode o "concordatário" desistir da concordata, desde que não haja má fé ou prejuízo aos credores, nem motivo legal para a decretação da falência; entende-se de má fé o pedido de desistência feito para eximir-se do depósito das prestações; se o pedido de desistência for apresentado depois do despacho que determinou o processamento da concordata, deverão ser publicados editais, na forma do artigo 205, dando ciência aos credores da desistência, para que possam manifestar-se em prazo designado; da decisão que homologa a desistência cabe "apelação". O cumprimento da "concordata preventiva": o prazo para o cumprimento da "concordata preventiva" inicia-se na data em que o devedor ingressa com o "pedido" em juízo; deve o "concordatário", sob pena de decretação de falência, depositar em dinheiro as quantias correspondentes às prestações que se vencerem antes da sentença que concede a concordata, até o dia imediato ao dos respectivos vencimentos; os depósitos independem do "quadro geral de credores" e de cálculo do contador do juízo, cabendo ao "concordatário" efetuá-los com base na lista inicial de "credores quirografários", bem como nas sentenças que aprovarem outros créditos não relacionados; -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Art. 140. Não pode impetrar concordata:

I - o devedor que deixou de arquivar, registrar ou inscrever no registro do comércio os documentos e livros indispensáveis ao exercício legal do comércio; II - o devedor que deixou de requerer a falência no prazo legal; III - o devedor condenado por crime falimentar, furto, roubo, apropriação indébita, estelionato e outras fraudes, concorrência desleal, falsidade, peculato, contrabando, crime contra o privilégio de invenção ou marcas de indústria e comércio e crime contra a economia popular;

garantia será computado tão-somente pelo que exceder da importância dos créditos garantidos. III - não ser falido ou, se o foi, estarem declaradas extintas as suas responsabilidades; IV - não ter título protestado por falta de pagamento.

CONCORDATA IV- o devedor que há menos de 5 anos houver impetrado igual favor ou não tiver cumprido concordata há mais tempo requerida. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Art. 141. O devedor que exercer individualmente o comércio é dispensados dos requisitos I e II, se o seu passivo quirografário for inferior a 100 vezes o maior salário mínimo vigente no país. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Art. 143. São fundamentos de "embargos" à concordata: I - sacrifício dos credores maior do que a liquidação na falência ou impossibilidade evidente de ser cumprida a concordata, atendendo-se, em qualquer dos casos, entre outros elementos, à proporção entre o valor do ativo e a percentagem oferecida; II - inexatidão do relatório, laudo e informação do síndico, ou do "comissário", que facilite a concessão da concordata; III - qualquer ato de fraude ou de má fé que influa na formação da concordata. § único. Tratando-se de "concordata preventiva", constituirá fundamentos para os embargos a ocorrência de fato que caracterize crime falimentar. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Art. 158. Não ocorrendo os impedimentos enumerados no art. 140, cumpre ao devedor satisfazer as seguintes condições: I - exercer regularmente o comércio há mais de 2 anos; II - possuir ativo cujo valor corresponda a mais de 50% do seu passivo quirografário; na apuração desse ativo, o valor dos bens que constituam objeto de CONCEITO: processo que o comerciante pode mover contra os seus "credores quirografários", para obrigá-los a um prazo mais longo no pagamento ou receber menos, a fim de permitir-lhe uma reorganização econômica e evitar ("preventiva") ou suspender ("suspensiva") a falência. ALÉM DAS PESSOAS IMPEDIDAS DE COMERCIAR, NÃO PODEM IMPETRAR CONCORDATA, AS SEGUINTES ENTIDADES: - instituições financeiras, corretoras de títulos, de valores e de câmbio, empresas seguradoras; - sociedades em conta de participação e sociedades irregulares; - empresas de serviços aéreos. OBSERVAÇÕES: * a concessão não depende da concordância ou da boa vontade dos credores. * se o "concordatário" não cumprir a concordata, poderá o prejudicado pedir a sua rescisão - da "preventiva" acarreta a falência do devedor e da "suspensiva" acarreta o prosseguimento da falência, que tinha sido apenas suspensa. * os credores posteriores à concordata não estão impedidos de requerer a falência do "concordatário". ESPÉCIES: SUSPENSIVA Serve para suspender uma falência já decretada; num determinado momento do processo de falência (normalmente, em 5 dias seguintes ao do vencimento do prazo para a entrega, em Cartório, do 2° relatório do síndico), pode o falido que preencher certos requisitos, pedir ao juiz que lhe conceda este tipo de concordata, propondo aos "credores quirografários", por saldo de seus créditos, o pagamento de 35% à vista ou 50% num prazo de até 2 anos; esta percentagem é a moeda da concordata, e com ela

estarão quitadas as dívidas quirografárias; se o pedido for deferido pelo juiz, os bens são devolvidos ao falido e ele volta a comerciar normalmente, apenas com algumas restrições, referentes à venda de imóveis e à transferência de seu estabelecimento, encerrando-se a falência com o cumprimento da concordata; é processada nos próprios autos da falência; apresentando o pedido, vão os autos conclusos ao juiz, para a verificação dos requisitos legais; a primeira condição para o processamento do pedido é a ausência de denúncia ou de queixa recebida no inquérito judicial, caso o juiz tenha recebido-as, ele será indeferido liminarmente; verificará também se não existem os impedimentos legais; estando o pedido em ordem, o juiz mandará publicá-lo por edital, intimando os credores de que durante 5 dias poderão opor "embargos" à concordata, estes "embargos" só poderão se fundamentar num dos motivos previstos em lei; se não houver "embargos", ou se estes forem rejeitados, o juiz concederá a "concordata suspensiva" por sentença, desde que atendidos os requisitos legais; mas se os "embargos" forem procedentes, ou se não foram preenchidos os requisitos legais, o juiz indeferirá o pedido, prosseguindo-se então na falência, com a liquidação. -----------------------------------------------------------------------------------Art. 140. Não pode impetrar concordata: I - o devedor que deixou de arquivar, registrar ou inscrever no registro do comércio os documentos e livros indispensáveis ao exercício legal do comércio; II - o devedor que deixou de requerer a falência no prazo legal; III - o devedor condenado por crime falimentar, furto, roubo, apropriação indébita, estelionato e outras fraudes, concorrência desleal, falsidade, peculato, contrabando, crime contra o privilégio de invenção ou marcas de indústria e comércio e crime contra a economia popular; IV- o devedor que há menos de 5 anos houver impetrado igual favor ou não tiver cumprido concordata há mais tempo requerida. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Art. 141. O devedor que exercer individualmente o comércio é dispensados dos requisitos I e II, se o seu passivo quirografário for inferior a 100 vezes o maior salário mínimo vigente no país. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Art. 143. São fundamentos de "embargos" à concordata:

I - sacrifício dos credores maior do que a liquidação na falência ou impossibilidade evidente de ser cumprida a concordata, atendendo-se, em qualquer dos casos, entre outros elementos, à proporção entre o valor do ativo e a percentagem oferecida; II - inexatidão do relatório, laudo e informação do síndico, ou do "comissário", que facilite a concessão da concordata; III - qualquer ato de fraude ou de má fé que influa na formação da concordata. § único. Tratando-se de "concordata preventiva", constituirá fundamentos para os embargos a ocorrência de fato que caracterize crime falimentar. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Art. 158. Não ocorrendo os impedimentos enumerados no art. 140, cumpre ao devedor satisfazer as seguintes condições: I - exercer regularmente o comércio há mais de 2 anos; II - possuir ativo cujo valor corresponda a mais de 50% do seu passivo quirografário; na apuração desse ativo, o valor dos bens que constituam objeto de garantia será computado tão-somente pelo que exceder da importância dos créditos garantidos. III - não ser falido ou, se o foi, estarem declaradas extintas as suas responsabilidades; IV - não ter título protestado por falta de pagamento. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------PREVENTIVA

pedido devidamente instruído e relação de credores o juiz decreta a falência se o pedido ao juiz for irregular ou houver fraude

despacho de processamento em separado compromisso do comissário

impugnações de créditos relaciona- dos na inicial (os não impugnados incluem-se automaticamente no "quadro geral de credores") avisos do comissário designação do perito verificação de créditos omitidos p/ devedor mas declarados p/interessados compasso de espera elaboração do "quadro geral de credores" relatório

razões que justificam o "pedido", juntando os seguintes elementos: a) a proposta de pagamento (na forma anteriormente exposta); b) o contrato social em vigor, em se tratando de sociedade; c) a prova de não ter título protestado; d) prova de exercício regular do comércio há mais de 2 anos (certidão da Junta Comercial); e) prova de que não foi condenado por crime falimentar, furto, roubo, apropriação indébita, estelionato e outras fraudes; f) prova de que não impetrou concordata nos últimos 5 anos; g) duas demonstrações financeiras, do último exercício e a levantada especialmente para instruir o pedido; h) ativo que corresponda a mais de 50% do passivo quirografário; i) a lista nominativa de todos os credores, com os endereços e quantias devidas a cada um; j) os livros obrigatórios. - a falência poderá ser decretada desde logo, na inicial, e também em qualquer momento posterior. - o despacho de processamento não concede ainda a "concordata preventiva", admite apenas o seu processamento; produzirá vários efeitos importantes, chamados "efeitos pré-concordatícios" (ex.: a suspensão de ações e execuções contra o devedor, por "créditos quirografários" e o vencimento antecipado das dívidas quirografárias), nomeará um comissário (escolhido de forma idêntica à do síndico, a diferença entre eles, é que o síndico trabalha na "falência" e é um administrador, enquanto o comissário trabalha no processamento da "concordata preventiva" até a sua concessão, sendo apenas um fiscal das atividades do devedor, que continuará a comerciar normalmente salvo as restrições previstas em lei). - após o despacho de processamento, publica-se um edital para conhecimento dos credores; o comissário presta compromisso entrando desde logo no exercício de suas funções, expedindo avisos e circulares aos credores e fiscalizando o procedimento do devedor. - na "concordata preventiva" a verificação dos créditos é feita da mesma forma como na falência; a única diferença é que na concordata não precisam habilitar-se todos os credores, mas apenas os quirografários que foram omitidos na relação inicial.

o juiz decreta a falência se ainda não conclusos ao juiz houve pgto dos impostos e do INSS aviso aos credores p/ embargos - 5 dias não há embargos há embargos (oferecidos pelos credores) contestação em 48 horas deferimento das provas conclusos ao juiz audiência de instrução e julgamento ----------------------------------------------------------------o juiz concede a concordata SENTENÇA o juiz decreta a falência ----------------------------------------------------------------PREVENTIVA Serve para prevenir ou evitar a falência; verificando que a empresa está à beira da insolvência, mas ainda tem lastro suficiente para se salvar, pode o devedor comerciante conseguir o seu reajustamento econômico, requerendo ao juiz este tipo de concordata, antes que algum credor lhe requeira a falência - a moeda será de 50% à vista, ou 60% em 6 vezes, 75% em 12 meses, 90% em 18 meses, 100% em 24 meses, sendo que nas duas últimas hipóteses, devem ser pagos pelo menos 2/5 (40%) no primeiro ano, o prazo começa a correr a partir do "pedido"; ao ingressar em juízo, deve o requerente expor minuciosamente o seu estado econômico e as

- os créditos não impugnados, desde que relacionados na inicial, são automaticamente incluídos no quadro geral de credores, independentemente de declaração e verificação, no valor indicado pelo devedor. - o quadro geral de credores, na "concordata preventiva", é elaborada nos próprios autos principais, e não em autos paralelos como ocorre na "falência" (na "concordata preventiva" cabe também o "pedido de restituição"); se não houver impugnações, nem declarações de crédito em separado, o juiz simplesmente homologará como quadro geral a lista nominativa dos "credores quirografários", apresentada com a inicial, dentro de 90 dias a contar do despacho de processamento da concordata. - elaborado o quadro geral de credores, o comissário apresentará o seu relatório (único). - entregue o relatório ao juiz, ele mandará publicar um aviso aos credores para embargos, de que durante 5 dias poderão opor embargos à concordata, fundamentados nos motivos previstos em lei. - não havendo embargos, ou julgados improcedentes os apresentados, o juiz concederá por sentença a "concordata preventiva", desde que presentes os requisitos legais, - se houver embargos julgados procedentes, ou se o devedor não preencher os requisitos legais, o juiz decretará a "falência". A desistência do pedido de "concordata preventiva": pode o "concordatário" desistir da concordata, desde que não haja má fé ou prejuízo aos credores, nem motivo legal para a decretação da falência; entende-se de má fé o pedido de desistência feito para eximir-se do depósito das prestações; se o pedido de desistência for apresentado depois do despacho que determinou o processamento da concordata, deverão ser publicados editais, dando ciência aos credores da desistência, para que possam manifestar-se em prazo designado; da decisão que homologa a desistência cabe "apelação". O cumprimento da "concordata preventiva": o prazo para o cumprimento da "concordata preventiva" inicia-se na data em que o devedor ingressa com o "pedido" em juízo; deve o "concordatário", sob pena de decretação de falência, depositar em dinheiro as quantias correspondentes às prestações que se vencerem antes da sentença que concede a concordata, até o dia imediato ao dos respectivos vencimentos; os depósitos independem do "quadro geral de credores" e de cálculo do contador do juízo, cabendo ao "concordatário" efetuá-los com base na lista inicial de "credores quirografários", bem como nas sentenças que aprovarem outros créditos não relacionados;

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