DAN PORTO

PEQUENO MANUAL DO

VESTIBULAR
N OVITAS
2009 1ª Edição Santa Cruz do Sul – Rio Grande do Sul Brasil

DAN PORTO

PEQUENO MANUAL DO

VESTIBULAR

Página de Catálogo ___________________________________________________________

Para a professora Liane Roos, então coordenadora do Programa UNISC Escolas, pela atenção, acolhimento e solicitude . Para os amigos que acreditaram e me encorajaram. Para os estudantes que participaram das palestras que originaram o texto deste livro.

Só você é capaz de escolher por você.

Página de índice (aqui ou final)

Dan Porto

APRESENTAÇÃO
A adolescência talvez seja a fase da vida onde as decisões carreguem maior peso; com 16 ou 17 anos precisamos decidir coisas importantes para o futuro, muitas vezes sem conhecer aquilo que escolhemos. O Pequeno Manual do Vestibular foi elaborado com o objetivo de levar ao estudante mais informações que possam auxiliá-lo na empreitada que é a preparação para a prova do vestibular e a escolha da profissão. O livro nasceu de encontros com estudantes de ensino médio de escolas públicas e privadas, nos quais muitas informações foram trocadas e diversas inquietações vieram à tona. As falas denunciaram uma preocupação com a escolha da profissão e o incômodo com a pressão dos pais, da sociedade e dos professores. Nada mesmo pode ser comparado ao encontro com as pessoas, mas quero dividir as idéias que construímos nas palestras com você leitor e espero que lhe sejam úteis. Espero ainda que possa melhorar alguma coisa em você esclarecendo algumas dúvidas. Se outras dúvidas surgirem é bom, significa

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que está em movimento. O livro está dividido em três capítulos, desenvolvidos em linguagem simples e de fácil compreensão: - a preparação para o vestibular; - a prova do vestibular; - a escolha da profissão. Boa leitura!

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INTRODUÇÃO

Quantas vezes você já foi bombardeado com a pergunta fatídica: - Já sabe o que vai ser quando crescer? Desde muito cedo, ainda criança, todo ser humano ganha uma “identidade”, uma espécie de marca registrada, no mínimo discutível. O sujeito é bom ou mau aluno, é inteligente ou desinteressado, tem algum talento ou não, como se a única coisa que importa na vida é se encaixar em algum modelo, ser isso ou aquilo. Muitas vezes, nessa pressa de verificar a eficiência da criança pais, professores e outras pessoas próximas podem induzi-la a fazer alguma coisa – balé, futebol, natação, equitação, tênis... Nada contra – até a favor – pois penso que as crianças devam estar envolvidas com diversas atividades, mas pelo fato de virem a conhecer coisas diferentes e não para praticar um esporte pensando em ser um astro da liga, por exemplo.

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Depois, aí pelos 12 anos, começa a pressão para que você decida a profissão. Será a do papai ou da mamãe? Ou a que dá mais dinheiro? E é isso, começando lá pelos seis ou sete anos com “O que você vai ser quando crescer?” e se arrasta por muito tempo. Haja paciência para ouvir muitas perguntas dessas por dia, em casa, na escola, na rua, no clube, nas festas. Chega um ponto que enche mesmo. Tudo o que se quer é parar o mundo e descer. Eu confesso que me enchi com esse papo muitas vezes e pensei em fugir para o Chile com uma mochila, mas nunca de fato o fiz. Hoje acredito que todas as coisas pelas quais passamos na adolescência são uma experiência inédita. Veja bem: um adolescente com todos os problemas dessa fase da vida – escola, namorado(a) –, e ainda a pressão para decidir por um caminho. Um caminho desconhecido. Você precisa decidir o que você vai fazer pelo resto da vida sem conhecer nada disso. É possível? Você se sente preparado para enfrentar isso tudo, esse momento importante? Se a resposta for sim, se a resposta for não, ou se for não sei, você com certeza vai relaxar um pouco depois dessa leitura. A prova do vestibular é só mais uma prova que nós prestamos na vida. O que a torna tão importante é a pressão

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que a cerca. Nada que um pouco de pesquisa e conversa não resolvam.

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CAPÍTULO

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A PREPARAÇÃO PARA O VESTIBULAR

Felizmente ou não – particularmente até a 4ª série, mas segundo meus colegas até na faculdade – carreguei o peso do status de ser classificado como CDF. O aluno CDF é o taxado como “acima da média”. Enquanto você é criança você curte isso, se acha o mais popular, e o queridinho da professora. Mas no meu caso, chegou em um ponto que incomodava. Por ser considerado o melhor aluno na escola, tinha a obrigação de o ser sempre. Mas como ser o melhor sempre, se ninguém é perfeito e muito menos acerta toda vez? Se sua redação foi boa, em geral esperam que a próxima seja igual ou melhor que a primeira, mas esquecem que você pode não estar muito bem no dia de escrever a dita cuja, pode ter brigado com alguém, estar com dor de cabeça, ter dormido mal, enfim até mesmo não estar a fim de realizar aquela atividade. Para pensar sobre esse conceito de CDF, vamos examinar também uma outra sigla – CEDAF –, que está relacionada

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com o assunto. Pessoalmente “CDF” significa “correndo da festa”. Isso mesmo, Não é preciso ser CDF para passar no vestibular, muito menos isso é determinante para o sucesso na vida profissional. Nem sempre é garantia de espaço no mercado de trabalho ou sucesso financeiro ser um aluno apenas de notas 10, haja visto que quem sempre ganha não sabe perder e quando perde não sabe como agir, o que já é bem mais fácil para quem perde uma vez ou outra. Não estou dizendo que devemos lutar por notas baixas para nos preparar para a vida e sim que não há certezas, assim como pouca (e às vezes nenhuma) relação entre escola e mercado de trabalho. Já o aluno “CEDAF” é aquele que vive “correndo em direção à festa”. Mas calma! O aluno CEDAF não é aquele que só faz festas e não estuda. A festa que falo é a festa da sua vida, aquilo que realmente importa para você, que faz a diferença. A característica principal desse tipo de aluno é a curiosidade. São os que sugerem, estudam fora de sala de aula por prazer – para satisfazer curiosidades – e tudo isso com utilidade definida por cada um. Não se trata de estudar o conteúdo obrigatório, mas sim de encontrar no conteúdo obrigatório um sentido, pinçar dele coisas que lhe façam mais experiente. Muitas vezes o que é estudado não é aplicado mais tarde para a sobrevivência ou na sua profissão.

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Se pararmos um pouco e observarmos, veremos que muita coisa está sendo ou será útil e o que determina isso é a maneira que as encaramos. É certo que concordo: certos conteúdos são extenuantes, densos e por vezes chatos mesmo. Mas devo dizer que “a apresentação do prato conta tanto quanto o sabor da comida”. Podemos tratar da diferença entre aluno CDF e CEDAF de uma forma mais atraente, já que falamos disso a pouco, sendo também mais fácil de exemplificar. Assim como são diversos profissionais e até cada um de nós (em nossa vida pessoal) é possível classificar os estudantes em duas categorias: o Estudante Saudável e o Estudante Doente.

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O Estudante Saudável

O indivíduo que encontra harmonia entre estudo, vida pessoal e interesses diversos (lazer ou trabalho, por exemplo). Em geral é mais calmo, centrado em si mesmo e focado em seus objetivos, que foram traçados de forma clara e divididos em curto, médio e longo prazo.

O Estudante Doente

Tipo 1 – aquele que prioriza o estudo e deixa a vida pessoal em segundo plano; Tipo 2 – o que dá preferência à vida pessoal e confere pouca ou quase nenhuma atenção aos estudos e qualificação. Basicamente o indivíduo que não consegue se concentrar, tem dificuldade de estabelecer metas até porque não permanece até o fim para o cumprimento das mesmas. Essas duas “classes” de estudantes são separadas por uma linha imaginária muito fina, e essa linha não pode estar muito esticada, forçando para um lado ou outro, é preciso que

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encontremos harmonia em tudo, equilíbrio entre a vida de estudante e a vida pessoal. Mesmo porque estudar, a formação individual, é um componente ativo do ser humano. Pobre daquele que perder a curiosidade e a vontade de encontrar respostas, por mais supérfluas que possam parecer. Inclusive, o indivíduo saudável é uma exigência no atual mercado de trabalho. Em meio à loucura da globalização, da competitividade, dos prazos apertados e da revolução tecnológica, cada vez mais as empresas e as organizações em geral, estão investindo na qualidade de vida de seus funcionários e diretores e, portanto, querem funcionários sadios em empresas sadias, pessoas capazes de resistir as pressões, tomar decisões, definir prioridades. Um estudante saudável é um indivíduo assim, organizado e planejado, mas flexível, pronto a tomar decisões importantes. Em qual das categorias acima mencionadas você se encaixa: estudante doente ou saudável? Visto isso, vamos partir para algo mais prático. Seguem alguns pontos que devem ser observados na preparação para o vestibular, a ver:

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Organização básica

Antes de começar a estudar, se organize. Não adianta sair por aí, lendo tudo o que aparece na frente. É importante separar o material que você já tem em casa, como livros, cadernos da escola, apostilas. Procure acessar o site da universidade onde você pretende prestar o vestibular: em geral estão disponíveis as provas de anos anteriores, num espaço especial para os vestibulandos. Acredito que as provas podem fornecer uma idéia do estilo das perguntas, grau de dificuldade, linha de raciocínio, etc. Os sites também são ótimas fontes de pesquisa, mas leve em conta a origem das informações. A internet é terra de ninguém, ou seja, há na rede inúmeros sites sobre milhares de temas, mas nem todos são escritos por profissionais capacitados. Converse com seus professores, eles podem indicar bons sites com conteúdos que você pode confiar. Verifique também a compatibilidade do currículo de sua escola com o da universidade que pretende prestar a prova (a escola sempre segue um currículo de conteúdos e algumas vezes ele pode ser fornecido por uma universidade). Caso encontre dificuldade nessa tarefa, o (a) orientador (a) pedagógico de sua escola certamente poderá auxiliá-lo (a).
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De posse do material de estudo é hora de descobrir a melhor maneira de estudar. Você sabe como consegue apreender melhor aquilo que estuda? Existem vários métodos para isso e as mais variadas formas particulares. Algumas pessoas estudam com música e outras em um lugar silencioso, particularmente a música clássica favorece as conexões cerebrais, aumentando assim a assimilação daquilo que se estuda. A memorização é a famosa “decoreba”, que pode sim surtir algum efeito, contudo é um método não muito confiável, talvez antes da prova você já tenha esquecido o que decorou. Acredito que o ideal é sempre entender o que se estuda. Você pode escrever, visualizar ou até mesmo decorar com o objetivo de fixar as informações. Mas certamente entendendo o assunto, você passa a pensar sobre ele toda vez que necessário, então fica muito mais fácil na hora da prova. Lembre-se que muitas vezes será necessário ir além do conteúdo específico para entender o tema! Estudar num local calmo, arejado, sem muito barulho e interrupções é sempre bom. A cada vez que paramos o que estamos fazendo, levamos 24 minutos para voltar a nos concentrar efetivamente. Tente, se possível, encontrar um local de estudo favorável, em casa ou numa biblioteca.

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Liberdade com Responsabilidade

Se você está consciente que é preciso estudar, programe algumas horas por dia para fazer isso. Se por exemplo, você se propôs a estudar 4 horas a cada dia – e essa é uma marca a fim de vencer todo o conteúdo até o dia da prova, – e num dia só estudou 2 horas por qualquer motivo, avalie se será necessário estudar 6 horas no dia seguinte ou não. Nem sempre a quantidade supera a qualidade. Nesse momento você passa a ser responsável por suas escolhas; é a partir daqui que você gradativamente assume a direção da sua vida. A decisão de quanto tempo estudar também precisa ser levada em consideração, dada a quantidade de conteúdo a ser vencido. Se você faz cursinho, seus professores possuem o cálculo correto do tanto de conteúdo deve ser vencido em quanto tempo, mas se está estudando sozinho está na hora de se organizar para não ter dor de cabeça depois. Assuma a responsabilidade. Só você é capaz de escolher por você!

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Fatores que influenciam no desempenho

Vários fatores influenciam em nosso desempenho nos estudos, alguns de forma positiva e outros negativamente. Um deles é o stress. Essa palavrinha caiu no gosto popular e tornou-se febre, principalmente nas grandes cidades. Todos estão estressados. Pois o stress pode mesmo atrapalhar! A pressão gerada em torno do vestibular faz dele quase um mito, quando na verdade o vestibular é só mais uma prova das tantas a que fomos e seremos submetidos em nossas vidas. Falaremos mais sobre isso no segundo capítulo.

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Exercício Físico

Para aliviar essa pressão causada por horas de estudo – seja no cursinho ou na escola –, é interessante programar um tempo para se exercitar, se movimentar. Não se assuste: dá tempo para tudo. Há alguns exercícios que seriam mais indicados que outros, como os de relaxamento, alongamentos, etc., mas possivelmente o exercício que você mais gosta, se gosta, tem a ver com sua personalidade. Não adianta me mandar fazer Yoga por exemplo... Eu não tenho paciência para mais de uma aula, preciso de coisas mais agitadas, como corrida, trekking, etc. Lembro que quando me preparava para o vestibular, enquanto meus colegas estudavam horas e horas seguidas, eu estudava num tempo programado, com certa disciplina e depois corria todos os dias, e isso me garantia mais concentração, foco e como estava fisicamente bem preparado, gastava menos energia em tarefas simples, o que me possibilitava mais pique para estudar.

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De um modo geral o exercício físico quando praticado regularmente, no mínimo 30 minutos por sessão e três vezes por semana, aumenta a capacidade de atenção e concentração, ajuda a relaxar, oxigena mais o cérebro e serve como descarga para as tensões acumuladas durante o dia. Você gostando ou não de praticar exercício físico, aconselho procurar uma atividade relacionada com movimento, que dê prazer e faça você relaxar, algo que, como já disse, está muito relacionado com sua personalidade. Isso lhe fará muito bem. Um encontro com os amigos, um show, cinema, enfim, o importante é ser um estudante saudável, lembra?

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A PROVA DO VESTIBULAR

De certa forma, com toda a pressão em volta do vestibular, nos esquecemos que é apenas mais uma prova e que desde muito cedo estamos habituados com elas. O sistema de educação nos empurra provas desde sempre, o que deveria “supostamente” já ter nos familiarizado com elas, mas no entanto não é o que acontece. Sim, estamos tratando de uma prova, mas que prova é essa? Existem diversas provas: prova de amor, prova de comida, prova de automobilismo, de atletismo... Todas elas testam alguma coisa. O vestibular testa conhecimentos. Teoricamente, o objetivo é separar os que estão “preparados” para ingressar no meio universitário daqueles que não estão. E isso é feito obedecendo ao resultado dessa prova: o vestibular. A título de curiosidade, menos de 10% da população brasileira hoje, é composta de universitários.

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Nessa empreitada por separar os “preparados” dos “menos preparados”, muitos estudantes sentem o peso do principal fator que influencia no resultado dessa prova: a ANSIEDADE.

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Ansiedade

É o principal fator de influência no resultado dessa prova. É aquela sensação de expectativa, misturada com medo. Durante a prova, a mais clara manifestação disso é O BRANCO, o esquecimento total, o lapso de memória. Pois o cortisol (hormônio produzido pelo cérebro de pessoas expostas a estresse excessivo) bloqueia as sinapses e impede o acesso à memória. Isso é o que ocorre quando temos um branco. Sabemos a resposta, mas não conseguimos acessá-la na memória. Existem algumas coisas que podem ajudar a aliviar essa ansiedade, como familiarizar-se com a prova, por exemplo. “Veja provas de anos anteriores da universidade para a qual você está prestando o vestibular. Resolva as questões e depois estude com a prova”. Muitas universidades dispõem das provas para download num espaço específico do site, como dito anteriormente. Portanto, acesse o endereço eletrônico da universidade para a qual você pretende prestar o vestibular e mãos à obra!

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A Redação

A redação é um ponto importante a ser considerado durante a preparação, pois para muitos cursos é decisiva. Entendo que existem alguns itens básicos quando se trata de escrever – assim como outros que influenciam – mas podem ser mais bem explorados. • Dominar a gramática é uma regra, sem dúvida nenhuma, BÁSICA para escrever qualquer texto seja qual for a finalidade. Precisamos dominar o idioma oficial do país. Está certo que a língua portuguesa é um código secreto, mas ao mesmo tempo, é fantástico desvendá-lo.

ATENÇÃO: Fique atento para as mudanças decorrentes do Acordo Ortográfico!

• Exercitar a escrita é outro item BÁSICO. Só corre ou canta bem quem exercita tais habilidades, assim como só escreve bem aquele que exercita sua escrita.
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Escrevendo você toma conhecimento de diversos temas, pratica a gramática e estilos de escrita, testa linhas de raciocínio. Busque temas em livros de redação, internet, jornais, revistas.

• Saber pensar é certamente uma coisa importantíssima para quem quer se sair bem. No caso da redação, se você tiver pela frente um tema que não manja muito ou não manja nada, sabendo pensar, arquitetar as idéias, você escreve alguma coisa mesmo sem dominar o assunto. Um ótimo exercício para pensar é estudar ou ler filosofia ou sociologia.

• Mesmo que os professores falem, nunca é demais lembrar: as leituras (jornais, revistas, literaturas) serão úteis nas escritas e também na vida. Quais?

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Há leituras obrigatórias, que se forem muito densas ou difíceis de entender, pode-se ter uma boa idéia delas em livros comentados. Nesses livros você encontra a linha da história e ainda algumas considerações sobre a obra e o autor.

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A Prova

Procure não estudar no dia anterior nem do dia da prova, pois podem surgir dúvidas que não poderão ser sanadas em um tempo curto e causar insegurança. Nesses dois dias procure relaxar, mantendo a concentração, o foco. Evite festas, durma cedo o suficiente para não ficar com sono nem cansado demais; mantenha uma alimentação leve e rotineira – nada de pratos ou temperos novos. No dia da prova, chegue um pouco antes, dentro do tempo solicitado pela universidade. Vista uma roupa confortável, que permita sentar sem problemas. Água, barras de cereais ou chocolate são sempre boas opções para se ter na bolsa ou bolso. Balas e chicletes nem pensar, desconcentram e dão sede. Por precaução, leve 2 canetas, 2 lápis ou lapiseira e a documentação necessária para a entrada nos prédios e na sala da prova. Na hora da prova desligue o celular.

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Depois disso, é com você. Confie no seu “taco” e boa prova!

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A ESCOLHA DA PROFISSÃO
Você já escolheu sua profissão? (Olha a pergunta fatídica aí outra vez!). Neste capítulo vamos tratar do tema que, pela minha experiência em encontros e debates com adolescentes, mais preocupa os alunos de ensino médio: que profissão escolher? O que deve ser levado em conta na hora de decidir entre um curso e outro, ou entre um curso e uns 10 mais? Eu mesmo fiz as contas e descobri que antes de começar a faculdade de Educação Física, já quis fazer uns 20 outros cursos, começando por Medicina Veterinária. Você já trabalhou ou está trabalhando no momento? Acredito que as experiências de trabalho influenciam nossas escolhas, se trabalhamos em alguma área paralelamente a escola, coisa muito comum. Vários estudantes acumulam a escola num turno e o trabalho em outro, muitas vezes trabalhando manhã e tarde e tendo que estudar à noite. A pergunta básica sobre a escolha da profissão é a seguinte:

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A profissão é algo para toda vida ou mais uma escolha? Dizem os estudantes que não se trata de uma escolha para a vida toda, nem de mais uma escolha, mas de uma escolha importante, porque se deve pensar muito em satisfação quando se pensa num trabalho. Quando eles dizem isso eu fico muito feliz, porque aí sei que independente da profissão que escolherem eles estarão preocupados com realização pessoal, acima mesmo do ganho financeiro. A maioria dos estudantes com quem conversei está bem consciente da necessidade de harmonia entre ganhar dinheiro e realização pessoal. Em alguns estudantes pude perceber a frustração quando no momento não poderiam cursar a faculdade desejada, por motivos financeiros, por exemplo. Se isso está acontecendo com você, a opção por outro curso na mesma área pode ser uma saída, pois no futuro você poderá trocar para o curso que deseja e ainda pedir aproveitamento de algumas disciplinas já cursadas que sejam comuns. Digo aos estudantes: “nunca abandone a sua escolha, se não tiver condições financeiras agora para cursar a faculdade que você quer, não desanime. As coisas têm um tempo certo

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para acontecer que não é determinado por nós, mas pelo andamento do universo”. Não desista por um motivo que pode não existir daqui a pouco. Se você não consegue resolver algo isso não é um problema e se consegue de alguma forma ou em algum momento também não é. Trata-se de uma posição filosófica que gera bastante participação nas palestras. Outra coisa importante de deixar registrado é que a formação superior – a faculdade – não é a única opção na vida. Nem sempre a formação superior é responsável por garantir sucesso profissional e realização pessoal. Outra pergunta importante para ajudar a refletir sobre a escolha da profissão é:

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O que são escolhas? Decidir sobre uma coisa importante requer reflexão, ponderações, pesquisa. Não deve ser na correria. Perceba também os fatores que podem influenciar nas nossas escolhas: Embora muitos digam que não, os pais influenciam muito nossas escolhas. Geneticamente falando nós somos quase iguais aos nossos pais – somos na verdade uma cópia deles com poucas alterações – então é totalmente compreensível que tanto as profissões quanto as opiniões dos pais influenciem nossas escolhas. Eu digo aos estudantes que, para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve. Isso quer dizer que se estamos perdidos, sem sabermos como agir em relação nossa vida, estamos sensíveis a aceitar uma opinião/decisão alheia. A profissão dos pais pode favorecer também um estágio na empresa da família e a continuidade do negócio. Mas pergunto: posso conhecer o mundo de dentro do meu mundo?

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A região também influencia as escolhas da profissão, por exemplo, muitos jovens que residem na zona rural optam por cursos como Agronomia ou Engenharia Ambiental, ou para permanecerem na propriedade dos pais ou até para trabalharem com coisas que já estão familiarizados (inclusive esse caso é típico de harmonia entre ganhar dinheiro e satisfação pessoal). As experiências que vivemos também estão relacionadas com as escolhas que fazemos por toda a vida. Quando decidi pelo curso de Educação Física, por exemplo, talvez o principal motivo tenha sido a possível proximidade desse curso com a Dança, já que eu dancei desde os sete anos de idade. Os jovens que trabalham durante o ensino médio, muitas vezes escolhem um curso técnico ou de nível superior relacionados a esse trabalho e com essa qualificação passam a ganhar mais e permanecem na empresa. E claro, o dinheiro, o salário depois de formado, exerce forte influência sobre muitas escolhas. Eu mesmo conheço pessoas que escolheram sua profissão de acordo com a remuneração ou o espaço livre no mercado de trabalho. Pode ser inteligência, não sei ao certo. O que acredito é que a remuneração pelo trabalho realizado vem sempre como conseqüência: quanto melhor for o trabalho mais dinheiro você ganha. E acredito a inda que os melhores profissionais são os

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que trabalham com aquilo que gostam e acreditam. Afinal, a influência dos sonhos sobre nossas escolhas. Qual o seu sonho? Como já disse, acredito que os profissionais que desempenham funções as quais eles sonharam em fazê-lo são os mais competentes, os mais requisitados, os que obtêm mais sucesso. O sonho nunca deve ser deixado de lado. Pode até ser adiado, mas nunca abandonado. Se você parar de sonhar... morreu. Pois bem, aqui vão algumas dicas para escolher uma profissão. • Tem algo que você gosta de fazer? Aqui se trata mesmo de Satisfação Pessoal. Se há algo que você goste de fazer, visite um profissional dessa área e veja como é o seu trabalho. Mas visite os profissionais dessa área em diversas possibilidades de atuação. O campo de atuação de cada profissional hoje é muito amplo e a tendência é que se amplie ainda mais. Um fisioterapeuta não está mais condicionado a atender numa clínica. Ele pode atuar também em ONG’s, projetos gover-

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namentais com as mais diferentes populações, nos programas de Saúde da Família do Governo Federal, Clínicas Geriátricas e muitos outros campos de trabalho.

• Entenda que talvez os concursos e as formas tradicionais de trabalho estejam ultrapassados. Podem dar estabilidade financeira, mas não realização profissional. É também um pouco da dica número um. Eu digo isso aos meus colegas de trabalho: “Preparem-se para atuar em coisas novas, criar, colocar o currículo debaixo do braço e muitas vezes mais um projeto e ir à luta”. As vagas fáceis, de trabalho engessado e repetitivo já foram ocupadas.

• Prepare-se em qualquer área para empreender, para ser diferente. Prepare-se para superar você mesmo, para vencer a

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si mesmo. Saiba que o mundo gira muito rápido e que nesse movimento as idéias também mudam.

• Qual o seu sonho? Pense objetivamente: ser rico não é um sonho. Um sonho pode ser obter sucesso financeiro como médico cardiologista, por exemplo. Descubra qual é o seu sonho e vá realizá-lo. Lembre-se: nem sempre o caminho é o que imaginamos; às vezes é preciso dar voltas que queremos passar direto, sendo que são justamente as voltas que dão graça ao percurso, que mudam a paisagem.

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ALAVRAS

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O mais importante é: independente de quem você seja, da profissão que você escolha e do trabalho que você venha a realizar, saiba que vencer não será tarefa simples ou fácil. Escolha acima de tudo ser feliz, viver em paz e sentir orgulho daquilo que você faz e daquilo que você é. É chegado o momento de você pegar a sua vida e seguir em frente. Esse momento de escolhas não está aqui por nada, é a deixa para você assumir o que você é. Só você é capaz de escolher por você. Muito sucesso nas provas e felicidades com a profissão que você escolher! De repente nos encontramos por aí, pelas voltas do percurso.

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SOBRE O AUTOR

Dan Porto é gaúcho, nascido em 03 de setembro de 1983. Licenciado em Educação Física, atualmente morando em Santa Cruz do Sul, atua como professor, palestrante e escritor. Possui vasta experiência com os mais diferentes grupos, de crianças e adolescentes a idosos, atuando desde 2000 nos mais diversos espaços, como academias, instituições de ensino públicas e privadas, clubes, empresas e grupos independentes. A arte está presente desde muito cedo, aos sete anos de idade começa sua carreira na Dança, que se estenderia até o momento, agora como professor, coreógrafo e bailarino. Especialmente dedicado ao estudo do ritmo argentino Tango, mantém continuamente aulas e cursos em desenvolvimento. Contato com o autor para Palestras e Workshops: danporto@editoranovitas.com.br

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