P. 1
LPT 1 Pedagogia 2010 - Profa. Yara Marisol

LPT 1 Pedagogia 2010 - Profa. Yara Marisol

|Views: 14.073|Likes:
Publicado porElvistheking1

More info:

Published by: Elvistheking1 on Apr 03, 2010
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

08/15/2013

pdf

text

original

Sections

O parágrafo é uma unidade de composição do texto em que é desenvolvida uma
idéia central a que se agregam outras secundárias, estabelecendo entre si sentido e
lógica.

Muito comum em textos dissertativos, o parágrafo-padrão estrutura-se em tópico
frasal, desenvolvimento e conclusão.

Introdução, também conhecida denominada tópico frasal, é formada de uma ou de
duas frases curtas que expressam, de maneira sucinta, a idéia principal do parágrafo,
definindo seu objetivo.
Desenvolvimento: corresponde à ampliação do tópico frasal, à sua fundamentação ou
que o esclarecem ( exemplos, detalhes, demonstração e fatos, comparações, referências
históricas ou científicas).
Conclusão: nem sempre presente, especialmente em parágrafos mais simples e curtos, a
conclusão retoma a idéia central, levando em consideração os diversos aspectos
selecionados no desenvolvimento.

OBSERVAÇÃO: Cada um dos parágrafos do texto deve apresentar necessariamente
um tópico frasal.

Observe o parágrafo a seguir em que estão destacados cada um dos elementos

que constituem o parágrafo.

A comunicação por computador ameniza as distâncias - físicas ou de hierarquias.

Um jornalista americano surpreendeu-se ao descobrir que o mais humilde empregado de

144

Bill Gates, o mitológico criador e presidente da Microsoft, empresa que domina o Mercado
mundial de programas de computador, pode facilmente comunicar-se com ele apenas
enviando uma mensagem para o endereço eletrônico. A tendência é cada vez mais
empresas terem as próprias redes internas de comunicação eletrônica. Pode-se prever
que haverá uma revolução nos sistemas de administração baseados em níveis
hierárquicos. A comunicação está correndo solta, livre de rédeas. Ultrapassa os
organogramas
. “Isso vai acirrar a competitividade, porque a real eficiência das pessoas
poderá vir à tona”, prevê a antropóloga Claudine Bichara de Oliveira.

EXERCÍCIOS

1. Divida o parágrafo em introdução, desenvolvimento e conclusão – utilize barras.

Vantagens e riscos da nanotecnologia ao meio ambiente

“A manipulação da matéria na escala nanométrica, num bilionésimo de metro, tem
produzido efeitos positivos na área ambiental. As resinas magnéticas têm a capacidade
de remover metais de um meio aquoso, o que pode ser utilizado no tratamento de
efluentes. As nanopartículas são capazes de remover contaminantes onde não há
eficácia de outros processos químicos. Há quem defenda a nanotecnologia como a
garantia de que o mundo atingirá, enfim, o desenvolvimento sustentável. Entretanto, ao
mesmo tempo que as vantagens dessa tecnologia são nítidas para o meio ambiente,
alguns especialistas começam a atentar para o impacto dos nanomateriais na saúde do
ser humano e na natureza. Tornando-se, assim, necessário o estudo contínuo desse
novo processo.”

(adaptadohttp://www.mct.gov.br/html/template/frame)

2. Leia atentamente o texto abaixo, divida-o em parágrafos e, a seguir, responda ao que
se pede.

Viver em sociedade

A sociedade humana é um conjunto de pessoas ligadas pela necessidade de se ajudarem
umas às outras, a fim de que possam garantir a continuidade da vida e satisfazer seus

145

interesses e desejos. Sem vida em sociedade, as pessoas não conseguiriam sobreviver,
pois o ser humano, durante muito tempo, necessita de outros para conseguir alimentação
e abrigo. E no mundo moderno, com a grande maioria das pessoas morando na cidade,
com hábitos que tornam necessários muitos bens produzidos pela indústria, não há quem
não necessite dos outros muitas vezes por dia. Mas as necessidades dos seres humanos
não são apenas de ordem material, como os alimentos, a roupa, a moradia, os meios de
transportes e os cuidados de saúde. Elas são também de ordem espiritual e psicológica.
Toda pessoa humana necessita de afeto, precisa amar e sentir-se amada, quer sempre
que alguém lhe dê atenção e que todos a respeitem. Além disso, todo ser humano tem
suas crenças, tem sua fé em alguma coisa, que é a base de suas esperanças. Os seres
humanos não vivem juntos, não vivem em sociedade, apenas porque escolhem esse
modo de vida; mas porque a vida em sociedade é uma necessidade da natureza humana.
Assim, por exemplo, se dependesse apenas da vontade, seria possível uma pessoa muito
rica isolar-se em algum lugar, onde tivesse armazenado grande quantidade de alimentos.
Mas essa pessoa estaria, em pouco tempo, sentindo falta de companhia, sofrendo a
tristeza da solidão, precisando de alguém com quem falar e trocar idéias, necessitada de
dar e receber afeto. E muito provavelmente ficaria louca se continuasse sozinha por muito
tempo. Mas, justamente porque vivendo em sociedade é que a pessoa humana pode
satisfazer suas necessidades, é preciso que a sociedade seja organizada de tal modo que
sirva, realmente, para esse fim. E não basta que a vida social permita apenas a satisfação
de algumas necessidades da pessoa humana ou de todas as necessidades de apenas
algumas pessoas. A sociedade organizada com justiça é aquela em que se procura fazer
com que todas as pessoas possam satisfazer todas as suas necessidades, é aquela em
que todos, desde o momento em que nascem, têm as mesmas oportunidades, aquela em
que os benefícios e encargos são repartidos igualmente entre todos. Para que essa
repartição se faça com justiça, é preciso que todos procurem conhecer seus direitos e
exijam que eles sejam respeitados, como também devem conhecer e cumprir seus
deveres e suas responsabilidades sociais.

(DALLARI, Dalmo de D Viver em sociedade. São Paulo: Moderna, 1985. p. 5-6)

a)Que idéia Dalmo de Abreu Dallari defende em seu texto?

146

b)Releia o primeiro parágrafo e responda: qual é a sua função em relação aos
demais parágrafos que formam o texto?

c)No texto, o autor nos apresenta uma série de argumentos, ordenados logicamente,
a fim de convencer o leitor. Quais são esses argumentos e como eles nos são
apresentados?

d)Qual a função do último parágrafo? Que idéias ele defende?

TÓPICO FRASAL

Um parágrafo padrão inicia-se por uma introdução em que se encontra a idéia principal
desenvolvida em mais períodos. Segundo a lição de Othon M. Garcia em sua
Comunicação em prosa moderna (p. 192), denomina-se tópico frasal essa introdução.
Depois dela, vem o desenvolvimento e pode haver a conclusão. Um texto de parágrafo:

“Em todos os níveis de sua manifestação, a vida requer certas condições
dinâmicas, que atestam a dependência mútua dos seres vivos.
Necessidades associadas à alimentação, ao crescimento, à reprodução ou a
outros processos biológicos criam, com freqüência, relações que fazem do
bem-estar, da segurança e da sobrevivência dos indivíduos matérias de
interesse coletivo”.
(FERNANDES, Florestan. Elementos de sociologia teórica 2 ed. SP: Nacional,

1974, p. 35.)
Neste parágrafo, o tópico frasal é o primeiro período (Em .... vivos). Segue-se o
desenvolvimento especificando o que é dito na introdução.

147

Se o tópico frasal é uma generalização, e o desenvolvimento constitui-se de
especificações, o parágrafo é, então, a expressão de um raciocínio dedutivo. Vai do
geral para o particular: Todos devem colaborar no combate às drogas. Você não pode
se omitir.
Se não há tópico frasal no início do parágrafo e a síntese está na conclusão, então o
método é indutivo, ou seja, vai do particular para o geral, dos exemplos para a regra:
João pesquisou, o grupo discutiu, Lea redigiu. Todos colaborando, o trabalho é bem
feito.

O PARÁGRAFO CHAVE

O primeiro parágrafo do texto deve ser criativo, deve atrair a atenção do leitor.
Assim é preciso evitar expressões desgastadas como: nos dias de hoje, hoje em dia,
atualmente, a cada dia que passa, desde os primórdios, desde épocas remotas, no
mundo de hoje, na atualidade, o mundo em que vivemos.

Para auxiliar seu trabalho, observe abaixo dezoito formas de começar um texto,
sugeridas pelo professor Antônio Carlos Viana.

Algumas formas para você começar um texto

1. Uma declaração

(tema: liberação da maconha)

É um grave erro a liberação da maconha. Provocará de imediato violenta elevação do
consumo. O Estado perderá o precário controle que ainda exerce sobre as drogas
psicotrópicas e nossas instituições de recuperação de viciados não terão estrutura
suficiente para atender à demanda.

Alberto Corazza, Istoé, 20 dez. 1995.

A declaração é a forma mais comum de começar um texto. Procure fazer uma
declaração forte, capaz de surpreender o leitor.

2. Definição

(tema: o mito)

O mito, entre os primitivos, é uma forma de se situar no mundo, isto é, de encontrar o seu
lugar entre os demais seres da natureza. É um modo ingênuo, fantasioso, anterior a toda

148

reflexão e não-crítico de estabelecer algumas verdades que não só explicam parte dos
fenômenos naturais ou mesmo a construção cultural, mas que dão também, as formas da
ação humana.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia.
São Paulo, Moderna, 1992. p. 62.

A definição é uma forma simples e muito usada em parágrafos-chave,
sobretudo em texto dissertativos. Pode ocupar só a primeira frase ou todo o
primeiro parágrafo.

3. Divisão

(tema: exclusão social)

Predominam ainda no Brasil duas convicções errôneas sobre o problema da exclusão
social: a de que ela deve ser enfrentada apenas pelo poder público e a de que sua
superação envolve muitos recursos e esforços extraordinários. Experiências relatadas
nesta Folha mostram que o combate à marginalidade social em Nova York vem contando
com intensivos esforços do poder público e ampla participação da iniciativa privada.

Folha de S. Paulo, 17 dez. 1996.

Ao dizer que há duas convicções errôneas, fica logo clara a direção que o
parágrafo vai tomar. O autor terá de explicitá-las na frase seguinte.

4. Oposição

(tema: a educação no Brasil)

De um lado, professores mal pagos, desestimulados, esquecidos pelo governo. De outro,
gastos excessivos com computadores, antenas parabólicas, aparelhos de videocassete. É
este o paradoxo que vive hoje a educação no Brasil.

As duas primeiras frases criam uma oposição (de um lado / de outro) que
estabelecerá o rumo da argumentação.

149

Também se pode criar uma oposição dentro da frase, como neste exemplo:

Vários motivos me levaram a este livro. Dois se destacam pelo grau de
envolvimento: raiva e esperança. Explico-me: raiva por ver o quanto a cultura ainda é
vista como algo supérfluo em nossa terra; esperança por observar quantos movimentos
culturais têm acontecido em nossa história, e quase sempre como forma de resistência
e/ou transformação. (...)

FEIJÓ, Martin César. O que é política cultural. São Paulo, Brasiliense, 1985. p. 7.

O autor estabelece a oposição e logo depois explica os termos que a compõem.

5. Alusão histórica

(tema: globalização)

Após a queda do Muro de Berlim, acabaram-se os antagonismos leste-oeste e o mundo
parece ter aberto de vez as portas para a globalização. As fronteiras foram derrubadas e
a economia entrou em rota acelerada de competição.

O conhecimento dos principais fatos históricos ajuda a iniciar um texto. O leitor é
situado no tempo e pode ter uma melhor dimensão do problema.

6. Citação

(tema: política demográfica)

“As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não chorarem mais,
trazerem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem as costas e irem embora.” O
comentário, do fotógrafo Sebastião Salgado, falando sobre o que viu em Ruanda, é um
acicate no estado de letargia ética que domina algumas nações do Primeiro Mundo.

DI FRANCO, Carlos Alberto. Jornalismo, ética e qualidade. Rio de Janeiro, Vozes,
1995. p. 73.

A criação inicial facilita a continuidade do texto, pois ela é retomada pela palavra
comentário da segunda frase.

7. Citação de forma indireta

150

(tema: consumismo)

Para Marx a religião é o ópio do povo. Raymond Aron deu o troco: marxismo é o ópio dos
intelectuais. Mas nos Estudos Unidos o ópio do povo é mesmo ir às compras. Como as
modas americanas são contagiosas, é bom ver de que se trata.

Cláudio de Moura e Castro, Veja, 13 nov. 1996.

Esse recurso deve ser usado quando não sabemos textualmente a citação. É
melhor citar de forma indireta que de forma errada.

EXERCÍCIOS

1. Seguem abaixo alguns tópicos frasais para serem desenvolvidos de acordo com
a maneira sugerida.

a) Anacleto é um detetive trapalhão. (por enumeração de detalhes: forneça a
descrição física e psicológica do personagem).
b) As novelas transmitidas pela televisão brasileira são muito mais atraentes que

nossos filmes. (por oposição)

c) As cidades brasileiras estão se tornando ingovernáveis. (por exemplo

específico)

d) Nunca diga que algum ser humano é uma ilha: tudo que acontece a um
semelhante nos atinge. (por exemplificação)

2. Dadas as idéias centrais, desenvolva os parágrafos abaixo tentando, inclusive,
concluir tais idéias.

a) Dois são os principais motivos que contribuem para o empobrecimento acelerado da
sociedade_________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_______________

b) Nos últimos dez anos, a internet tornou-se necessária a todas as pessoas que desejam
ser

bem

sucedidas

________________________________________________________________

151

_________________________________________________________________________
_______________________________________________________________

3. Dadas as conclusões, escreva o início do parágrafo expondo a idéia principal a
ser tratada e o seu desenvolvimento. Indique a técnica usada para iniciar os
parágrafos.

a)__________________________________________________________________
________________________________________________________________________
__________________________________________________________ por isso o Brasil
está nestas condições!

b)__________________________________________________________________
________________________________________________________________________
_______________________________________ Portanto, diante de tudo isso,
precisamos urgentemente reorganizar toda a estrutura das vias públicas da cidade de São
Paulo.

Sobre Política e Jardinagem

Por Rubem Alves

" Escrevo para você, jovem, para seduzi-lo à vocação política. Talvez haja um jardineiro adormecido
dentro de você"

De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim
"vocare", quer dizer "chamado". Vocação é um chamado de amor por um "fazer". No lugar
desse "fazer" o vocacionado quer "fazer amor" com o mundo. Psicologia de amante: faria,
mesmo que não ganhasse nada.

" Política" vem de "polis", cidade. A cidade era, para os gregos, um
espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da
felicidade. O político seria aquele que cuidaria deste espaço. A vocação política, assim,
estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade.
Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam
com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oásis. Deus não
criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu "o que é
política?", ele nos responderia: "A arte da jardinagem aplicada às coisas públicas".
O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos.
Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si
mesmo. De que vale um pequeno jardim se a sua volta está o deserto? É preciso que o
deserto inteiro se transforme em jardim.

Amo a minha vocação que é escrever. Literatura é uma vocação bela e
fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação
é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de
verdade.

152

A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação
tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisavam possuir nada: bastar-lhes-ia o
grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado,
melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por
vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.
Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a
felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no
ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a
amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que
recebe dela. É um gigolô.

Todas as vocações podem ser transformadas em profissões. O jardineiro
por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para
construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumente o
deserto e o sofrimento.

Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então,
enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a política é a mais vil. O que explica o
desencantamento total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, questionado por
Günter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: "Eu jamais poderia ser político com
toda essa charlatanice da realidade. Ao contrário dos legítimos políticos, acredito no homem
e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em
eternidades. Eu penso na ressurreição do homem".

Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma
árvore leva anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.
Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos
por profissão. O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de
atendê-lo, por medo da vergonha de ser confundido com gigolôs e de ter de conviver com
gigolôs.

Escrevo para você, jovem, para seduzi-lo à vocação política. Talvez haja
um jardineiro adormecido dentro de você. A escuta da vocação é difícil, porque ela é
perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais, medicina, engenharia,
computação, direito, ciência. Todas elas são legítimas, se forem vocação. Mas todas elas são
afunilantes: vão colocá-lo num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o
destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar dos destinos do
jardim?

Acabamos de celebrar os 500 anos do Descobrimento do Brasil. Os
descobridores, ao chegarem, não encontraram um jardim. Encontraram uma selva. Selva
não é jardim. Selvas são cruéis e insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma
selva é uma parte da natureza ainda não tocada pela mão do homem.
Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não foi. Os que
sobre ela agiram não eram jardineiros, mas lenhadores e madeireiros. Foi assim que a selva,
que poderia ter se tornado jardim, para a felicidade de todos, foi sendo transformada em
desertos salpicados de luxuriantes jardins privados onde poucos encontram vida e prazer.
Há descobrimentos de origens. Mais belos são os descobrimentos de
destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se apossarem do jardim, poderemos
começar a traçar um novo destino. Então, em vez de desertos e jardins privados, teremos
um grande jardim para todos, obra de homens que tiverem o amor e a paciência de plantar
árvores em cuja sombra nunca se assentariam.
Rubem Alves é educador, escritor, psicanalista e professor emérito da Unicamp.
(Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 19/05/2000.)

Exercícios

153

1.

Podemos afirmar que o texto de Rubem Alves é uma carta argumentativa. Que
elementos estruturais nos levam a essa afirmação? Justifique sua resposta com elementos
do texto.

2.

Centre sua atenção no assunto tratado pela carta. Poderíamos afirmar que há
um “tema” abordado pelo autor. Que tema é esse?

3.

Com base na leitura dos quatro primeiros parágrafos, responda:

a.

De qual argumento/afirmação parte Rubem Alves no primeiro parágrafo?

b.

Retire do texto dois argumentos por definição empregados pelo autor para

justificar/explicar tal afirmação.
c.

Há algum argumento por alusão histórica? Qual?

d.

A partir daí, o autor conclui que “político por vocação
é............................................................
e.

.”, abrindo mão do
“...................................................................................................................”
f.

Dessa forma, o autor pretende fazer com que o leitor aceite como ( ) válida
( ) falsa a primeira afirmação sobre a “natureza política”.

4.

No 5º parágrafo, o autor afirma que a “literatura é uma vocação bela e fraca”.

a.

Qual o sentido dessa afirmação na estrutura argumentativa da carta?

b.

Em qual parágrafo ele retoma esse argumento? Por quê?

5. Agora, volte sua atenção para as idéias que estão expostas nos parágrafos 7 e 8.

a.

O autor explica a diferença entre vocação e profissão. Que diferença é essa?

b.

O objetivo do autor é, a partir dessa diferenciação, definir um outro tipo de
político: o “político profissional”. O que significa, segundo o autor, ser esse tipo de político?

6. No 9º parágrafo, Rubem Alves enuncia uma outra tese, conforme ele próprio afirma. Que tese
é essa?

7. De que maneira Rubem Alves conclui seu texto?

UNIDADE 14

ORGANIZAÇÃO DO TEXTO – COERÊNCIA E COESÃO

Leia o texto a seguir e observe sua construção.

COMO SE CONJUGA UM EMPRESÁRIO

Mino

Acordou. Levantou-se. Aprontou-se. Lavou-se. Barbeou-se. Enxugou-se. Perfumou-se.
Lanchou. Escovou. Abraçou. Saiu. Entrou. Cumprimentou. Orientou. Controlou.
Advertiu. Chegou. Desceu. Subiu. Entrou. Cumprimentou. Assentou-se. Preparou-se.
Examinou. Leu. Convocou. Leu. Comentou. Interrompeu. Leu. Despachou. Vendeu.
Vendeu. Ganhou. Ganhou. Ganhou. Lucrou. Lucrou. Lucrou. Lesou. Explorou. Escondeu.
Burlou. Safou-se. Comprou. Vendeu. Assinou. Sacou. Depositou. Depositou. Associou-

154

se. Vendeu-se. Entregou. Sacou. Depositou. Despachou. Repreendeu. Suspendeu.
Demitiu. Negou. Explorou. Desconfiou. Vigiou. Ordenou. Telefonou. Despachou.
Esperou. Chegou. Vendeu. Lucrou. Lesou. Demitiu. Convocou. Elogiou. Bolinou.
Estimulou. Beijou. Convidou. Saiu. Chegou. Despiu-se. Abraçou. Deitou-se. Mexeu.
Gemeu. Fungou. Babou. Antecipou. Frustrou. Virou-se. Relaxou-se. Envergonhou-se.
Presenteou. Saiu. Despiu-se. Dirigiu-se. Chegou. Beijou. Negou. Lamentou. Justificou-se.
Dormiu. Roncou. Sonhou. Sobressaltou-se. Acordou. Preocupou-se. Temeu. Suou.
Ansiou. Tentou. Despertou. Insistiu. Irritou-se. Temeu. Levantou. Apanhou. Rasgou.
Engoliu. Bebeu. Dormiu. Dormiu. Dormiu. Dormiu. Acordou. Levantou-se. Aprontou-se...

Analisando e interpretando
1. O que nos mostra o texto?
2. Que classe de palavras foi usada no texto?
3. O que falta ao texto lido?
4. Mesmo com essa falta, pode-se entender o texto?
3.O que quer retratar o autor do texto?

ARTICULAÇÃO ENTRE OS PARÁGRAFOS

A articulação dos/entre parágrafos depende da coesão e coerência. Sem um deles,
ainda assim, é possível haver entendimento textual, entretanto, há necessidade de ter
domínio da língua e do contexto para escrever um texto de tal forma. Dependendo da
tipologia textual, a articulação textual se dá de forma diferente. Na narração, por
exemplo, não há necessidade de ter um parágrafo com mais de um período. Um
parágrafo narrativo pode ser apenas “Oi”. Já a dissertação necessita ter ao menos um
parágrafo com introdução e desenvolvimento (conclusão; opcional). Assim também
varia a necessidade de números de parágrafos para cada texto. Para se obter um bom
texto, são necessários também: concisão, clareza, correção, adequação de linguagem,
expressividade.

COERÊNCIA E COESÃO

Para não ser ludibriado pela articulação do contexto, é necessário que se esteja atento
à coesão e à coerência textuais.

Coesão textual
É o que permite a ligação entre as diversas partes de um texto. Pode-se dividir em três
segmentos:

1. Coesão referencial

É a que se refere a outro(s) elemento(s) do mundo textual.
Exemplos:

a) O presidente George W.Bush ficou indignado com o ataque no World
Trade Center. Ele afirmou que “castigará” os culpados. (retomada
de uma palavra gramatical – referente “Ele” + “ Presidente George W.
Bush”)

b) De você só quero isto: a sua amizade (antecipação de uma palavra
gramatical – “isto” = “a sua amizade”

c) O homem acordou feliz naquele dia. O felizardo ganhou um bom dinheiro
na loteria. ( retomada por palavra lexical – “o felizardo” = “o homem”)

155

2. Coesão seqüencial – é feita por conectores ou operadores discursivos, isto é,
palavras ou expressões responsáveis pela criação de relações semânticas (causa,
condição, finalidade, etc.). São exemplos de conectores: mas, dessa forma, portanto,
então, etc. (olhar a lista no final desse capítulo ). Exemplo:
a)Ele é rico, mas não paga suas dívidas.

Observe que o vocábulo “mas” não faz referência a outro vocábulo; apenas conecta
(liga) uma idéia a outra, transmitindo a idéia de compensação.

3. Coesão recorrencial – é realizada pela repetição de vocábulos ou de estruturas
frasais semelhantes.
Exemplos:

a)Os carros corriam, corriam, corriam.
b)O aluno finge que lê, finge que ouve, finge que estuda.
c)

Coerência textual é a relação que se estabelece entre as diversas partes do texto,
criando uma unidade de sentido. Está ligada ao entendimento, à possibilidade de
interpretação daquilo que se ouve ou lê.

OBS: pode haver texto com a presença de elementos coesivos, e não apresentar
coerência. Exemplo:

O presidente George W.Bush está descontente com o grupo Talibã. Estes
eram estudantes da escola fundamentalista. Eles, hoje, governam o
Afeganistão. Os afegãos apóiam o líder Osama Bin Laden. Este foi aliado
dos Estados Unidos quando da invasão da União Soviética ao
Afeganistão.
Comentário: Ninguém pode dizer que falta coesão a este parágrafo. Mas de que se
trata mesmo? Do descontentamento do presidente dos Estados Unidos? Do grupo
Talibã? Do povo Afegão? De Osama Bin Laden? Embora o parágrafo tenha coesão, não
apresenta coerência, entendimento.

Ao construir-se um texto, há palavras e expressões que garantem transições bem
feitas e que estabelecem relações lógicas entre as diferentes idéias apresentadas no
texto. Vejamos algumas palavras que ajudam a dar coesão e coerência ao texto:

RELAÇÃO LÓGICA

PALAVRAS E EXPRESSÕES

Adição,

seqüência

de

informações,

progressão

discursiva

E, não só...mas também, não só...como também, bem
como, não só... mas ainda

Alternativas, escolhas

Ou, ou...ou, ora...ora, quer...quer, seja...seja

Oposição entre significados
explícitos ou implícitos de duas
partes do texto

Mas, porém, contudo, entretanto, todavia, no entanto

Conclusão

Logo,pois, portanto, por conseguinte, por isso, assim,
para concluir, finalmente, em resumo, então

Justificativa ou explicação de um Que, porque, pois, porquanto, como, pois que, uma vez

156

fato

que, visto que, já que

Contradição e concessão
(admissão de um argumento
como válido pra, em seguida,
negar seu valor argumentativo)

Embora, ainda que, mesmo que, se bem que, posto que,
por mais que

Condição ou hipótese necessária
para que se realize o fato

Se, contanto que, salvo se, desde que, a menos que, a
não ser que, caso

Explicitar, confirmar ou ilustrar o
que se disse anteriormente

Assim, desse modo

Introdução de argumento ou
inclusão de um elemento a mais
dentro de um conjunto

Ainda, ademais, igualmente importante, adicionalmente,
também.

Conformidade de um pensamento
com outro

Conforme, de acordo com, como, segundo

Introdução de argumento decisivoAlém do mais, além de tudo, além disso

Finalidade ou objetivo do fato

Para que, a fim de que, porque, que

Tempo

Quando, enquanto, assim que, logo que, todas as vezes
que, desde que, mal, sempre que, assim que, antes,
após,

previamente,

subseqüentemente,

simultaneamente,
Recentemente, imediatamente, atualmente

Comparação

Como, assim como, tal como, como se, tão ...como,
tanto ...como, tanto quanto, tal, qual, tal qual, que
(combinado com menos ou mais)

Conseqüência

De sorte que, de modo que, de forma que, sem que,
tal ...que, tamanho... que, tanto ...que

Similaridade

Igualmente, da mesma forma, assim como

Causalidade

Em decorrência de, devido a, por causa de

Esclarecimentos ou retificações

Isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras

Verossimilhança

Na verdade

Proporcionalidades

À medida que, à proporção que, ao passo que, quanto
mais...menos, quanto mais ...mais, quanto menos... mais,
quanto menos... menos

157

Obs.: As preposições também são importantes elementos de coesão: de, em, por, a,
ante, até, após, com, contra, de, desde, em, entre, para, por , perante, sem, sobre,
sob, trás

EXERCÍCIOS

1.Use os mecanismos de coesão textual nas frases a seguir:

a) O presidente esteve na França ontem. O presidente disse na França que o Brasil
está controlando bem a inflação.

b) Comprei muitas frutas e coloquei as frutas na geladeira.

c) Acabamos de receber dez caixas de canetas. Estas canetas devem ser
encaminhadas para o almoxarifado.
d) As revendedoras de automóveis não estão mais equipando os seus automóveis a fim
de vender automóveis mais barato. O cliente vai à revendedora de automóveis com
pouco dinheiro e, se tiver que pagar mais caro pelo automóvel, terá prejuízo.

e) Eu fui à escola, na escola encontrei meus amigos que há muito tempo não via, eu
convidei alguns amigos da escola para ir ao cinema.

f) O professor chegou atrasado, e ele começou a ditar matérias sem parar um instante,
o professor é meio estranho, ele mal conversa com a classe, a classe não gosta muito
do professor.

i) Minha namorada estuda inglês. Minha namorada sempre gostou de inglês.

2.Ligue os períodos com auxílio de conjunções (conectivos):

a)Todos participaram das festas. Alguns não gostaram muito.

b)Estudamos muito para o vestibular. Conseguiremos a vaga tranqüilamente.

c)O réu não depôs. Não se sentia bem no dia.

d)É importante a contribuição de todos no revezamento de veículos. Possamos
respirar um ar saudável.

e)O tempo vai passando, vamos ficando mais experientes.

f)O fumo deveria ser proibido em locais públicos. O fumo faz muito mal à saúde.

g)Você tenha tempo, apareça aqui para tomarmos um café.

h)Ela tem bastante dinheiro. Ela viajará nas férias.

158

i)O professor de matemática é muito sério. O professor de redação é um figurão.

3.Leia o texto a seguir e responda às questões propostas:

“João Carlos vivia em uma pequena casa construída no alto de uma colina, cuja frente
dava para leste. Desde o pé da colina se espalhava em todas as direções, até o
horizonte, uma planície de areia. Na noite em que completava 30 anos, João, sentado
nos degraus da escada colocada à frente de sua casa, olhava o sol poente e observava
como a sua sombra ia diminuindo no caminho coberto de grama. De repente, viu um
cavalo que descia para a sua casa. As árvores e as folhagens não o permitiam ver
distintamente; entretanto observou que o cavalo era manco. Ao olhar de mais perto
verificou que o visitante era seu filho Guilherme, que há 20 anos tinha partido para
alistar-se no exército, e, em todo este tempo, não havia dado sinal de vida. Guilherme,
ao ver seu pai, desmontou imediatamente, correu até ele, lançando-se nos seus braços
e começando a chorar”.

(Fonte: CEREJA, R. W. e MAGALHÃES, T.C. Gramática reflexiva. São Paulo: Atual, 1999,
p. 38)

a)Além do domínio vocabular e sintático da língua, o texto também apresenta marcas
de coesão. Destaque do texto:
b)dois exemplos de coesão, nos quais uma palavra retoma um termo já expresso;
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
____

c)dois exemplos de marcadores temporais que dão idéia de seqüência dos fatos;
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
____

d)um conector (conectivo, conjunção) que estabeleça uma relação de oposição entre
duas idéias.
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
____

e)Apesar de aparentemente bem redigido, o texto apresenta sérios problemas de
coerência, o que o torna inadequado. A fim de constatar os problemas de coerência
do texto, encontre pelo menos duas incoerências e explique-as.
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
____

159

4.Reelabore as seguintes frases, usando o conectivo apropriado que está entre
parênteses:

a)Faça o trabalho prometido, ou você terá problemas. (sem que, embora, a menos
que, contanto que)
Você terá problemas...

b)Ele não teve condições de se preparar, no entanto esforçou-se em fazer uma boa
apresentação. (embora, visto que, desde que, porque)
Esforçou-se em fazer uma boa apresentação, ...

c)Insiste em entrar na reunião, ainda que não pertença à diretoria do clube. (porém,
se bem que, portanto, por isso).
Não pertence à diretoria do clube...

d)Não sabendo a resposta, quis olhar a prova do colega. (logo que, porque, para que,

por isso).
Quis olhar a prova do colega...

5.Reescreva os trechos a seguir de forma a eliminar a incoerência:
a)Fazendo sucesso com a sua nova clínica, a psicóloga Iracema Leite Ferreira Duarte,
localizada na rua Campo Grande, 159...
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
____

b)Embarcou para São Paulo Maria Helena Arruda, onde ficará hospedada no luxuoso
hotel Maksoud Plaza.
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
____

c)“A oncocercose é uma doença típica de comunidades primitivas. Não foi
desenvolvido ainda nenhum medicamento ou tratamento que possibilite o
restabelecimento da visão. Após ser picado pelo mosquito, o parasita (agente da
doença) cai na circulação sangüínea e passa a provocar irritações oculares até a
perda total da visão.”

(F.S.P., 2/11/90)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
____

160

d)“O presidente americano (...) produziu um espetáculo cinematográfico em
novembro passado na Arábia Saudita, onde comeu peru fantasiado de marine no
mesmo bandejão em que era servido aos soldados americanos”.
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
____

(Veja, 9/1/91)

e)“Zélia Cardoso de Mello decidiu amanhã oficializar sua união com Chico Anysio”.

(A Tarde, 16/9/94)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
____

6.Explique como poderíamos solucionar estes problemas:
a)O marido desconfia que sua esposa o trai com seu chefe, um colega mostra a foto
dos dois, possíveis amantes, em uma loja de roupas íntimas femininas.
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
____

b)(Unicamp/SP) Quando o treinador Leão foi escolhido para dirigir a seleção brasileira
de futebol, o jornal Correio Popular publicou um texto com muitas imprecisões, do
qual consta a seguinte passagem:
“Durante sua carreira de goleiro, iniciada no Comercial de Ribeirão Preto, sua terra
natal, Leão, de 51 anos, sempre impôs seu estilo ao mesmo tempo arredio e
disciplinado. Por outro lado, costumava ficar horas aprimorando seus defeitos após os
treinos. Ao chegar à seleção brasileira em 1970, quando fez parte do grupo que
conquistou o tricampeonato mundial, Leão não dava um passo em falso. Cada atitude e
cada declaração eram pensadas com um racionalismo típico de sua família, já que seus
outros dois irmãos, Edmilson, 53 anos, e Édson, 58, são médicos”.

(Correio Popular, Campinas, 20.10.00)
I)O que aconteceria com Leão se ele, efetivamente, ficasse “aprimorando seus
defeitos”? Reescreva o trecho de maneira a eliminar o equívoco.
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
____

161

_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
______________________________

Por que o emprego da palavra “racionalismo” é inadequado na passagem “Cada
atitude e cada declaração eram pensadas com um racionalismo típico de sua família, já
que seus outros dois irmãos, Edmilson, 53 anos, e Édson, 58, são médicos”?
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
___
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
___

UNIDADE 15

RESUMO E RESENHA – TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO

“Resumo é a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto em seqüência
de frases articuladas. (...) O tema principal vem na primeira frase. Use a terceira
pessoa do singular, com verbo na voz ativa, de preferência em frases afirmativas. (...)
Num resumo, é necessário decidir o que é fundamental e o que é acessório. É a
procura da idéia principal.(...) Como o resumo é uma operação de síntese, pressupõe
uma análise que decompõe o texto, possibilitando agrupar os elementos semelhantes
e distinguir os que são diferentes”.
(Fonte: NADÓLSKIS, H. Comunicação Redacional Atualizada. 10. ed. São Paulo: Saraiva,
2004.)

Passos a seguir num resumo:
1. ler o texto e procurar palavras desconhecidas;
2. reler;
3.sublinhar;
4.esquematizar;
5.resumir.

Exemplo:
Aprender a escrever é, em grande parte, se não principalmente, aprender a pensar,
aprender a encontrar idéias e a concatená-las, pois, assim como não é possível dar o
que não se tem, não se pode transmitir o que a mente não criou ou não aprovisionou.
Quando nós, professores, nos limitamos a dar aos nossos alunos temas para redação
sem lhes sugerirmos roteiros ou rumos para fontes de idéias, sem, por assim dizer, lhes
“fertilizarmos” a mente, o resultado é quase sempre desanimador: um aglomerado de
frases desconexas, mal redigidas, mal estruturadas, um acúmulo de palavras que se

162

atropelam sem sentido e sem propósito; frases em que procuram fundir idéias que não
tinham ou que foram mal pensadas ou mal digeridas. Não podiam dar o que não
tinham, mesmo que dispusessem de palavras-palavras, quer dizer, palavras de
dicionário, e de noções razoáveis sobre a estrutura da frase. É que palavras não criam
idéias; estas, se existem, é que, forçosamente, acabam corporificando-se naquelas,
desde que se aprenda como associá-las e concatená-las, fundindo-as em moldes
frasais adequados. Quando o estudante tem algo a dizer, porque pensou, e pensou
com clareza, sua expressão é geralmente satisfatória.
(GARCIA, O. M. Comunicação em prosa moderna. 6 ed. Rio de Janeiro: Getúlio Vargas,
1977, p. 275)

Sublinhado:
Aprender a escrever é, em grande parte, se não principalmente, aprender a pensar,
aprender a encontrar idéias e a concatená-las, pois, assim como não é possível dar o
que não se tem, não se pode transmitir o que a mente não criou ou não aprovisionou.
Quando nós, professores, nos limitamos a dar aos nossos alunos temas para redação
sem lhes sugerirmos roteiros ou rumos para fontes de idéias, sem, por assim dizer, lhes
“fertilizarmos” a mente, o resultado é quase sempre desanimador: um aglomerado de
frases desconexas, mal redigidas, mal estruturadas, um acúmulo de palavras que se
atropelam sem sentido e sem propósito; frases em que procuram fundir idéias que não
tinham ou que foram mal pensadas ou mal digeridas. Não podiam dar o que não
tinham, mesmo que dispusessem de palavras-palavras, quer dizer, palavras de
dicionário, e de noções razoáveis sobre a estrutura da frase. É que palavras não criam
idéias; estas, se existem, é que, forçosamente, acabam corporificando-se naquelas,
desde que se aprenda como associá-las e concatená-las, fundindo-as em moldes
frasais adequados. Quando o estudante tem algo a dizer, porque pensou, e pensou
com clareza, sua expressão é geralmente satisfatória.

Esquema:

Aprender a escrever = aprender a pensar
Não se transmite o que não se criou ou guardou
Temas sem roteiro = mau resultado
Não bastam palavras e conhecimentos gramaticais
Se pensar com clareza, a expressão é satisfatória

Resumo:

Aprender a escrever é aprender a pensar, encontrar idéias e ligá-las. Só se pode
transmitir o que a mente criou ou guardou. Se o professor dá o tema e não sugere
roteiros, o resultado é desanimador, mesmo que o aluno tenha as palavras e
conhecimentos gramaticais. Se pensar com clareza, a expressão será satisfatória.

EXERCÍCIOS

1) Leia e releia o texto a seguir. Sublinhe, esquematize e resuma-o.

Saúde

ESTUDO LEVA À CRIAÇÃO DE MINIFÍGADO

Cientistas britânicos anunciaram nesta terça-feira que conseguiram criar em
laboratório um fígado humano em miniatura, medindo menos de três centímetros. O
mini órgão, na verdade parte do tecido de um fígado normal, foi reproduzido
artificialmente a partir de células-tronco de um cordão umbilical, por uma equipe de
pesquisadores da Universidade de Newcastle, Inglaterra.

163

Segundo os cientistas, o tecido poderá ser utilizado para testar drogas e produtos
farmacêuticos, o que evitaria o emprego de cobaias humanas ou animais neste
processo. Em algumas décadas, eles acreditam, será possível reproduzir um fígado de
tamanho real, para ser usado em transplantes.
Os coordenadores da pesquisa, Nico Ferraz e Colin McGuckin, disseram que, em 10
ou 15 anos, a técnica que eles utilizaram poderá ser aplicada na recuperação de partes
do fígado de pacientes doentes. O tecido foi criado com um chamado biorreator,
equipamento desenvolvido pela Nasa para simular a ausência de gravidade. O efeito
da falta de peso permite que as células se reproduzam a um ritmo mais acelerado.
O professor Ian Gilmore, especialista em fígados no Royal Liverpool Hospital,
levantou também o aspecto ético do estudo. "Os pesquisadores conseguiram criar o
fígado a partir do sangue colhido no cordão umbilical, sem precisar de embriões. Isso é
um grande avanço ético", afirmou o professor à BBC.
No entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido até que a ciência possa
reproduzir um fígado inteiro. De acordo com Gilmore, "o fígado tem seu próprio
fornecimento de sangue, seu próprio esqueleto fibroso, e os pesquisadores estão
apenas produzindo células individuais de fígado. Mas qualquer coisa que dê esperança
aos pacientes que aguardam um transplante, mesmo em um período de dez anos, é
motivo para celebração", disse.

(Copyright © Editora Abril S.A. - todos os direitos reservados Fonte: Revista Veja On
line http://vejaonline.abril.com.br. 31.10.2006)

RESENHA

A resenha é um tipo de redação técnica que pode ser definida como um
resumo minucioso ou crítico. Há resenhas descritivas (objetivas) e resenhas críticas
(subjetivas). O objeto de uma resenha pode ser um acontecimento, uma exposição,
textos, obras culturais, como romance, peças de teatro, filmes. O resenhista terá
sempre um procedimento seletivo e o relato dependerá de sua finalidade. O objetivo é
conduzir o leitor para mensagens referenciais, por isso a linguagem deve ser objetiva,
em 3ª pessoa. Incluindo variadas modalidades de textos – descrição, narração e
dissertação – esse relato detalhado pode ser um instrumento de pesquisa ou
atualização bibliográfica.

Na resenha descritiva, é importante ressaltar a estrutura da obra (partes,
número de páginas, capítulos, assuntos, índices, nome do tradutor), o resumo do texto,
a perspectiva teórica, o gênero (crítica literária, livro de negócios, romance, teatro,
ensaio), o método adotado.

Na resenha crítica acrescentam-se comentários e julgamentos do resenhista,
comparações com outras obras, avaliação da relevância do texto.

RESENHA CRÍTICA

Resenha crítica é a apresentação do conteúdo de uma obra. Consiste na leitura,
no resumo e na crítica, através da qual se estabelece um conceito sobre o valor de um
livro. A resenha exige que o indivíduo, além do conhecimento sobre o assunto, tenha
capacidade de juízo crítico. Também pode ser feita por estudantes, neste caso, como
um exercício de compreensão e crítica. A prática social da resenha é formar a opinião
do leitor. A resenha crítica tem um marketing duplo: o primeiro é de venda da obra
resenhada e o segundo, o da competência do resenhista. A resenha crítica apresenta a
seguinte estrutura ou roteiro (nem todos os elementos podem aparecer nela):

164

1.Resumo;
2.Avaliação crítica;
3.Dados técnicos da obra;
4.Comparação com outra obra congênere;
5.Dados sobre o autor da obra;
6.Público-alvo ou destinatário;
7.Título da resenha (não deve ser o mesmo da obra resenhada);
8.Dados do resenhista (assinatura).

RESENHA DESCRITIVA

Livro

SCLIAR, Moacir e outros. Vozes do golpe. 4v. São Paulo: Companhia das Letras, 2004,
336p.

Por meio de relatos pessoais e histórias de ficção, Carlos Heitor Cony, Zuenir Ventura,
Luis Fernando Verissimo e Moacir Scliar relembram o golpe militar de 1964. Refazem o
clima da época, reconstituindo os últimos momentos do governo João Goulart e
recordando um dos períodos da história do Brasil.

Filme (cinema)

ROUBANDO VIDAS (TAKING LIVES, EUA, 2004). Suspense – 14 anos – 103 min. Direção:
D.J. Caruso. Com: Angelina Jolie, Ethan Hawke

Illeana Scott (Angelina Jolie) é uma especialista do FBI que é convocada a trabalhar na
captura de um serial killer, que age há 20 anos e assume a identidade de cada nova
vítima. Os métodos utilizados por Illeana são desprezados pelo FBI, o que faz com que
ela trabalhe sem parceiros da polícia. O único a ajudá-la é Costa (Ethan Hawke), o
funcionário de um museu que é encarregado em ajudar na busca por um professor de
artes, que está desaparecido.
Ficha Técnica:
Roteiro: Jon Bokemkamp, baseado em livro de Michaael Pye
Produção: Mark Canton e Bernie Goldmann
Música: Philip Glass
Fotografia: Amir M. Mokri
Desenho de Produção: Tom Southwell
Direção de Arte: Serge Bureau
Figurino: Marie-Sylvie Devreau
Edição: Anne V. Coates
Efeitos Especiais: Les Productions de l’Intrigue Inc.

RESENHA CRÍTICA

Livro

(Valor Econômico, 26/3/2004)

SCLIAR, Moacir e outros. Vozes do golpe. 4v. São Paulo: Companhia das Letras, 2004,
336p.

O CORO DOS PERPLEXOS

Vozes do Golpe reúne diferentes pontos de vista de quatro autores sobre o 31 de
março de 1964

165

A renúncia do presidente Jânio Quadros, em agosto de 1961, inaugurou uma grave
crise político-institucional no País. No curto prazo, ela foi contornada com a posse de
João Goulart, o Jango, vice de Jânio. Para viabilizar essa transição, foi aprovado às
pressas um regime parlamentarista que durou apenas dezesseis meses, derrubado no
plebiscito de janeiro de 1963.
Todavia, as raízes da crise eram bem mais profundas. Jango tentou conciliar seus
compromissos históricos com as chamadas “reformas de base” pregadas pelas
esquerdas, em especial a agrária; e a necessidade de apoio dos setores mais
conservadores. Sua estratégia mostrou-se inviável, pois as forças políticas se
radicalizavam, mais dispostas ao confronto que ao entendimento. Assim, no início de
1964 a ruptura da ordem institucional parecia quase inevitável.
A queda de Jango e a instauração do regime autoritário que se prolongaria por vinte e
um anos, seriam marcadas pelo golpe de 31 de março, acontecimento de triste, mas
obrigatória memória, que completa 40 anos. Se para os mais jovens este espaço de
tempo pode começar a sugerir “distância”, é necessário saber que seus reflexos
continuam presentes na vida de todos os brasileiros.
Daí a importância e oportunidade deste lançamento, Vozes do Golpe, reunião de quatro
narrativas sobre aqueles duros dias, criadas por quatro consagrados escritores e
jornalistas brasileiros contemporâneos: Zuenir Ventura, Carlos Heitor Cony, Moacir
Scliar e Luis Fernando Verissimo. São dois relatos pessoais e duas histórias de ficção.

Teatro

(Fonte: vejanoitebusca.abril.com.br; 11/4/2004)

3 VERSÕES DA VIDA. Teatro Renaissance. Censura: 12 anos. Valor: R$ 40,00 (Sex. e
dom.) e R$ 50,00 (Sáb.). Endereço: Alameda Santos, 2233. Bairro: Cerqueira César.
Telefone: 3069-2233. Lugares: 462. Horário: Sexta, 21h30; Sábado, 21h; Domingo,
19h.

Longe do teatro há sete anos, Denise Fraga volta ao palco numa corrosiva comédia. A
trama enfoca o mundo de Sônia (Denise Fraga) e seu marido, o físico Henrique (Marco
Ricca). Em um jantar não planejado com seu chefe (Mario Schöemberg) e a mulher
(Ilana Kaplan), o encontro acaba por revelar segredos profundos da vida desses casais.
Três pontos-de-vista diferentes examinam essa realidade. Direção de Elias Andreato.

EXERCÍCIOS

1. Leia as resenhas abaixo e
a)indique se são descritivas ou críticas
b)analise-as de acordo com os oito elementos da estrutura de uma resenha, quando

for crítica

1) A PAIXÃO DE CRISTO (THE PASSION OF THE CHIST, EUA, 2004). Drama – 14 anos –
127. Direção: Mel Gibson. Com: James Caviezel, Monica Bellucci.
Uma narrativa sobre as últimas doze horas de vida de Jesus Cristo (J. Caviezel), antes
de sua crucificação.
No posto de diretor, produtor e co-roteirista, o astro Mel Gibson teve a intenção de
fazer aqui um retrato ultra-realisra das últimas doze horas de Jesus Cristo – e assim
causar comoção na platéia. Mas seu drama bíblico tende a provocar repúdio. Não
apenas por responsabilizar os judeus pela crucificação do Nazareno (daí a polêmica
gerada), mas pela violência ultrajante que domina esse desnecessário e provocador
espetáculo de retalhação humana. O passado de Jesus é visto em flashbacks-
relâmpago. Gibson concentra a ação no calvário. Nas bilheterias, ele conseguiu o que

166

queria. Mesmo falada em aramaico e latim, a fita já arrancou mais de 250 milhões de
dólares nos Estados Unidos. Com Monica Bellucci, na pele de Maria Madalena. Estreou
em 19/3/200.

Ficha Técnica:
Roteiro: Mel Gibson e Benedict Fitzgerald
Produção: Brce Davey, Mel Gibson e Stephen McEveety
Música: John Debney
Fotografia: Caleb Deschanel
Desenho de Produção: Francesco Frigeri
Figurino: Maurizio Millenotti
Efeitos Especiais: Keith Vanderlaan’s Captive Audience Productions

2) Teatro

(Fonte: Vejanoitebusca, 11/4/2004)

À MEIA-NOITE UM SOLO DE SAX EM MINHA CABEÇA & FICA FRIO. Teatro Faap. Censura:
14 anos. Valor: R$ 40,00 (qui. e sex.); R$ 45,00 (dom.); R$ 50,00 (sáb.). Endereço: Rua
Alagoas, 903. Bairro: Pacaembu. Telefone: 3662-1992. Lugares: 408. Horário: Quinta a
sábado, 21h; domingo, 19h.

A montagem reúne dois textos. Em Fica Frio, sobre as diferenças entre dois
irmãos (Chico Carvalho e Renato Chocair), Raul Cortez atua como coadjuvante. Na
seqüência, ele e Mário César Camargo estrelam À Meia-Noite um Solo de Sax em Minha
Cabeça, cômica história de dois amigos, do berço à maturidade. Sérgio Ferrara e Cibele
Forjaz respondem pelas respectivas direções.

3) Arte

(Fonte: vejaonline, 11/4/2004)

Picasso na Oca. Parque do Ibirapuera, portão 2, tel. 3253-5300. Ter. a sex., 9h às 21h;
sáb. e dom., 10h às 21h. R$ 5,00 (estudantes) e R$ 10,00. Grátis para menores de 5
anos, pessoas com mais de 65, aposentados, deficientes físicos e grupos de escolas
pré-agendados (agendamento@brasilconnects.org ou tel. 3253-7007). Até 2 de maio.

Desde a década de 50, ele já atraiu mais de 1 milhão de visitantes aos museus
de São Paulo. Desta vez, não é diferente: a Oca tem recebido uma média de 4.000
pessoas por dia durante a semana e 7.000 nos fins de semana.
As telas de Pablo Picasso foram expostas, pela primeira vez, na Bienal
Internacional de 1951. Dois anos mais tarde, na Bienal que antecipava as
comemorações do quarto centenário de fundação de São Paulo, foi exposta a obra
Guernica (3,49 metros de altura por 7,76 metros de largura), que leva o nome de uma
cidadezinha bombardeada durante a Guerra Civil Espanhola. Em 1996, a sala a ele
dedicada foi eleita pelo público a melhor da 23ª Bienal. Juntas, as principais mostras do
artista do cubismo vindas para cá receberam mais de 1,2 milhão de visitantes. Desde o
último dia 28 de janeiro, o pintor malaguenho tem provocado novamente longas filas,
agora na Oca do Parque do Ibirapuera. Há a expectativa de que, em três meses, 1
milhão de pessoas vejam os 126 trabalhos emprestados pelo Museu Picasso de Paris.
Nestes primeiros dias, cerca de 4.000 pessoas passaram por lá diariamente. A média
aumenta nos finais de semana, com 7.000 visitantes diários. Essa atração faz parte dos
programas organizados para os festejos do aniversário da cidade.

167

UNIDADE 16

ESTRUTURA DO TRABALHO ACADÊMICO

Normas ABNT para trabalhos acadêmicos.

Trabalhos acadêmicos: Normas da ABNT

O objetivo destas normas é o de uniformizar a publicação de conhecimentos.
Todas as normas estão sujeitas a atualização sem periodicidade estipulada.
As FIRB utilizam as normas bibliográficas da ABNT.

NBR 14724:2001 Informação e documentação - Trabalhos acadêmicos - Apresentação
- Informações pré-textuais
- Informações textuais
- Informações pós-textuais
- Formas de apresentação
NBR 10520:2001 Informação e documentação - Apresentação de citações em
documentos
- Regras gerais
NBR 6023:2000 Informação e documentação- Referências- Elaboração

NBR 14724:2001 Informação e documentação - Trabalhos acadêmicos - Apresentação

Dissertação: muito conhecido como "tese de mestrado", o que não existe.
Tese: termo utilizado somente para trabalhos que visam o título de "doutor".
Trabalho acadêmico: trabalho de graduação ou conclusão de curso, são os trabalhos
denominados TCC, TG, TGI e outros.
A estrutura do trabalho é composta por 03 partes: Pré-textuais; Textuais e Pós-

textuais.

Para cada etapa existem informações obrigatórias e opcionais.

Pré-textuais:

Capa (obrigatório): nome do autor; título; subtítulo (se houver); número de
volumes (quando houver mais de um); local da instituição onde será apresentado; ano

168

de entrega.

Folha de rosto (obrigatório): Anverso: a) nome do autor; b) título (deve ser claro,
preciso e identificar o conteúdo do trabalho); c) subtítulo (se houver, deve evidenciar
sua subordinação, através do sinal de dois pontos; d) número de volumes (se houver
mais de um, deve constar em cada respectiva folha de rosto; e) natureza (dissetação,
tese e outros) e objetivo (aprovação em disciplina, grau pretendido e outros), nome da
instituição a que é submetido, área de concentração; f) nome do orientador e, se
houver, do co-orientador; g) local da instituição e h) ano da entrega. Verso: Deve
conter apenas a ficha catalográfica.

Errata (opcional): deve ser logo em seguida da folha de rosto, se houver erro e,
encartada ou avulsa acrescida ao trabalho depois de impresso. Ex.:

ERRATA

Folha Linha Onde se lê Leia-se
32 3 publiação publicação

Folha de aprovação (obrigatório): contém autor, título e subtítulo se houver,
local e data de aprovação, nome, assinatura e instituição dos membros componentes
da banca examinadora.

Dedicatória (opcional): o autor presta homenagem ou dedica seu trabalho.

Agradecimentos (opcional): àqueles que contribuíram de maneira relevante, ou
mesmo instituições de fomento (Fapesp, Capes, CNPq etc.)

Epígrafe (opcional): o Elemento opcional, traz a citação de um pensamento, que
de certa forma serviu de base ao trabalho, seguida de seu autor.

Resumo na língua vernácula (obrigatório): deve ser um texto claro e conciso,
não apenas tópicos. Precisa ser objetivo para não passar de 500 palavras no máximo.
E, logo em seguida, apresentar as palavras mais representativas do conteúdo do texto,
ou seja as palavras-chave.

Resumo em língua estrangeira (obrigatório): idêntico ao ítem anterior, apenas em

língua estrangeira.

169

Sumário (obrigatório): consiste na enumeração das principais divisões, seções e
outras partes do trabalho, na mesma seqüência em que aparecem. Não tem o mesmo
objetivo do índice.

Lista de ilustrações (opcional): deve apresentar na mesma ordem em que
aparece no texto. Recomenda-se uma lista para cada tipo de ilustração. Ex.: (quadros,
gráficos, plantas etc.)

Lista de abreviaturas e siglas (opcional): relação em ordem alfabética, seguida
das palavras ou expressões correspondes grafadas por extenso. Recomenda-se uma
lista para cada tipo.

Lista de símbolos (opcional): deve apresentar na mesma ordem em que aparece
no texto, com seu devido significado.

Textuais

Introdução: deve constar a delimitação do assunto tratado, objetivos da pesquisa
e demais elementos necessários para situar o tema.

Desenvolvimento: parte principal, contém a exposição ordenada e pormenorizada
do assuntos, divide-se em seções e subseções. Varia em função da abordagem do
tema e método.

Conclusão: parte final, apresentam conclusões correspondentes aos objetivos ou

hipóteses.

Pós-textuais

Referências (obrigatório): conjunto padronizado de informações retiradas do
material informacional consultado.

Apêndice (opcional): texto utilizado quando o autor pretende complementar sua
argumentação. São identificados por letras maiúsculas e travessão, seguido do título.
Ex.:
APÊNDICE A - Avaliação de células totais aos quatro dias de evolução

170

Anexo (opcional): texto ou documento não elaborado pelo autor para comprovar
ou ilustrar. São identificados por letras maiúsculas e travessão, seguido do título. Ex.:
ANEXO A - Representação gráfica de contagem de células

Glossário (opcional): lista alfabética de expressões técnicas de uso restrito,
utilizadas no texto e suas respectivas definições.

Formas de Apresentação

Formato: papel em branco, formato A4 (21,0 cm X 29,7 cm), digitados no anverso
da folha. Recomenda-se a fonte tamanho 12 para o texto e tamanho 10 para as
citações longas e notas de rodapé.Margem: esquerda e superior de 3,0 cm e direita e
inferior de 2,0 cm.

Espacejamento: todo o texto deve ser digitado com 1,5 de entrelinhas. As citações
longas, as notas, as referências e os resumos devem ser digitados em espaço simples.
Os títulos das seções devem ser separados do texto que os sucede por uma entrelinha
dupla ou dois espaços simples.

Notas de rodapé: digitadas dentro da margem, ficam separadas com espaço simples
de entrelinhas e um filete de 3,0 cm a partir da margem esquerda.

Indicativo de seção: o indicativo numérico precede seu título, alinhado à
esquerda, somente com o espaço de um caractere. Para os títulos sem indicação
numérica, ficam centralizados.

Paginação: a numeração é colocada a partir da primeira folha da parte textual, em
algarismos arábicos, no canto superior da folham a 2,0 cm da borda superior, ficando o
último algarismo da borda direita da folha. Se o trabalho tiver mais de um volume a
seqüência deve ser mantida no volume seguinte, a partir do texto principal.

Numeração progressiva: é utilizada para destacar o conteúdo do trabalho. Pode-
se usar demais recursos existentes, como caixa alta, negrito etc.

Citação: menção de uma informação extraída de outra fonte. Abreviaturas e siglas:
quando aparecem pela primeira vez, deve-se colocar por extenso e a sigla entre

171

parênteses.

Equações e fórmulas: aparecem destacadas no texto, de forma a facilitar sua leitura.
Na seqüência normal do texto, é permitido o uso de uma entrelinha maior que
comporte por exemplo, expoentes, índices etc. Quando destacadas devem ser
centralizadas. Quando fragmentadas, por falta de espaço, devem ser interrompidas
antes do sinal de igualdade ou depois dos sinais de adição, subtração, multiplicação e
divisão.

Ilustrações: Figuras: elementos autônomos que explicam ou complementam o texto.
Qualquer que seja seu tipo (gráfico, planta, fotografia etc.) deve ter sua identificação
como "Figura" seguida de seu número de seqüência de ocorrência no texto em
algarismos arábicos. A legenda deve ser breve e clara. Tabelas: de caráter
demonstrativo, apresentam informações tratadas estatisticamente. O título aparece na
parte superior, precedido da palavra "Tabela" seguida de seu número de seqüência de
ocorrência no texto em algarismos arábicos. Para tabelas reproduzidas, é necessário a
autorização do autor, mas não é preciso esta menção. Se não couber em uma única
folha, deve ser continuada na folha seguinte e, nesse caso, não é delimitada por traço
horizontal na parte inferior, sendo o título e o cabeçalho repetidos na nova folha. As
separações horizontais e verticais para divisão dos títulos das colunas e para fechá-las
na parte inferior, evitando separação entre linhas e colunas. Para os dois casos, sua
inserção deve estar próxima ao texto respectivo.

NBR 10520:2001 Informação e documentação - Apresentação de citações em
documentos

Existem 04 definições para citação:
Citação: menção, no texto, de uma informação extraída de outra fonte;
Citação direta: transcrição textual do autor consultado;
Citação indireta: transcrição livre do autor consultado;
Citação de citação: transcrição direta ou indireta em que a consulta não tenha sido

no trabalho original.

Regras Gerais

1- Quando o(s) autor(es) citado(s) estiver no corpo do texto a grafia deve ser em
minúsculo, e quando estiver entre parênteses deve ser em maiúsculo.

172

2- Devem ser especificadas, o ano de publicação, volume, tomo ou seção, se houver

e a(s) página(s).

3- A citação de até 03 linhas acompanha o corpo do texto e se destaca com dupla

aspas. Exemplos:
Barbour (1971, v.21, p. 35) descreve "o estudo da morfologia dos terrenos"
"Não se mova, faça de conta que está morta" (CLARAC; BONNIN, 1985, p. 72)

4- Para as citações com mais 03 linhas, deve-se fazer um recuo de 4,0 cm na
margem esquerda, diminuindo a fonte e sem as aspas. Exemplo:
Devemos ser claros quanto ao fato de que toda conduta eticamente
apropriada pode ser guiada por uma de duas máximas fundamentalmente e
irreconciliavelmente diferentes: a conduta pode ser orientada para uma "ética das
últimas finalidades", ou para uma "ética da responsabilidade". Isso não é dizer que
uma ética das últimas finalidades seja idêntica à irresponsabilidade, ou que a ética de
responsabilidade seja idêntica ao oportunismo sem princípios (WEBER, 1982, p.144).

5- Para citações do mesmo autor com publicações em datas diferentes, e na mesma
seqüência, deve-se separar as datas por vírgula. Exemplo:
(CRUZ, 1998, 1999, 2000)

6- Nas citações que aparecerem na seqüência do texto podem ser referenciadas de
maneira abreviada, em notas:
- apud - citado por, conforme, segundo;
- idem ou id - mesmo autor;
- ibidem ou ibid - na mesma obra;
- opus citatum, opere citato ou op. cit. - obra citada;
- passim - aqui e ali (quando foram retirados de intervalos);
- loco citato ou loc. Cit. - no lugar citado;
- cf. - confira, confronte;
- sequentia ou et seq. - seguinte ou que se segue.
Somente a expressão apud pode ser usada no decorrer do texto.

7- Para a monografia, o autor deverá escolher qual o tipo de chamada usará:
- Autor-data: quando a chamada para a citação é feita pelo sobrenome do autor e

a data de publicação, ou

173

- Numérico: quando a chamada é feita pelo número correspondente na lista de
referências bibliográficas, previamente alfabetada.

NBR 6023:2000 Informação e documentação- Referências- Elaboração

Monografia no todo

AUTOR(es)//Título:/subtítulo (se houver).//Indicação de responsabilidade se
houver).//Edição.//Local:/Editora,/Ano.//Dados complementares (características físicas,
Coleção, notas e ISBN)

1 autor:

MOTTA, Fernando C. P. Teoria geral da administração: uma introdução. 22.ed. São
Paulo: Pioneira, 2000.

2 autores:

LAUDON, Kenneth C.; LAUDON, Jane P. Management information systems: new
approaches to organization & technology. 5 th ed. New Jersey: Prentice Hall, 1998.

3 autores:

BIDERMAN, C.; COZAC, L. F. L.; REGO, J. M. Conversas com economistas brasileiros.
2.ed. São Paulo: Ed. 34, 1997.

Mais de 03 autores (nestes casos, acrescenta-se a expressão et al, após o primeiro

autor):
SLACK, N. et al. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 1997.
________________________________________

Teses e Dissertações

MIYAMOTO, S. O Pensamento geopolítico brasileiro: 1920-1980. 1981. 287f.
Dissertação (Mestrado em Ciência Política) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo
________________________________________

Manual

BRASÍLIA. Ministério da Fazenda. Secretaria do Tesouro Nacional. Sistema integrado de

174

administração financeira do governo federal. Brasília, 1996. 162 p. (Manual SIAF, 5).
________________________________________

Parte de monografia

AUTOR(es).//Título:/subtítulo da parte(se houver).//In:/Referência completa da
monografia no todo.//informar ao final a paginação correspondente à parte.
________________________________________

Capítulo de livro

ROVIGHI, S. V. Ontologia existencial e filosofia da existência. In: ________. História da
filosofia contemporânea: do século XIX à neoescolástica. Tradução por Ana Pareschi
Capovilla. São Paulo : Loyola, 1999. Cap. 15, p. 397-412.
________________________________________

Informações retiradas da Internet

AUTOR(es).//Título:/subtítulo da parte ou do todo .//Edição.//Local:/Editora,
/Data.//Descrição física do meio ou suporte.
________________________________________

No caso de documentos online, apresentar a URL entre os sinais<> precedido das
expressão "Disponível em:" finalizando com a data de acesso como mostra o exemplo
abaixo.
ENCICLOPÉDIA da música brasileira. São Paulo, 1998. Disponível em:
. Acesso em: 16 ago. 2001
________________________________________

Publicação periódica

TÍTULO.//Local de publicação:/Editora,/Data de ínicio da coleção e encerramento
(quando houver).//Periodicidade.//ISSN.

REVISTA BRASILEIRA DE ECONOMIA. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1947- .
Trimestral. ISSN 0034-7140
________________________________________

Parte de publicação periódica

AUTOR(es).//Título do artigo:/subtítulo quando houver.//Título da publicação.//volume,
número,/página inicial e final do artigo.//Data de publicação.

175

REZENDE, C. S.; REZENDE, W. W. Intoxicações exógenas. Revista Brasileira de Medicina
. v. 59, n. 1/2, p. 17-25. jan./fev. 2002.

OBS: ARTIGO MERAMEMENTE INFORMATIVO (INFORMAÇÕES CONTIDAS NO SITE DA
ABNT/ E SITES VÁRIOS.)

UNIDADE 17

FICHAMENTO

1 - FICHAMENTO
(O texto abaixo foi adaptado de: LEAL, Junchem Machado e FEUERSCHÜTTE, Simone
Ghisi.
Elaboração de Trabalhos Acadêmicos-Científicos. Itajaí: Universidade do Vale do Itajaí,
2003)
• Conceito
Fichar é transcrever anotações em fichas ou folhas avulsas para fins de estudo ou
pesquisa.
O fichamento é uma técnica de trabalho intelectual que consiste no registro
sintético e documentado das idéias e/ou informações mais relevantes (para o leitor)
de obras científica, filosófica, literária ou mesmo de uma matéria jornalística.
Fichar um texto significa sintetizá-lo, o que requer a leitura atenta do texto, sua
compreensão, a identificação das idéias principais (tema, problematização, tese e
argumentação) e seu registro escrito de modo conciso, coerente e objetivo. Pode-se
dizer que esse registro escrito – o fichamento – é um novo texto, cujo autor é o
"fichador", seja ele aluno ou professor. A prática do fichamento representa, assim, um
importante meio para exercitar a escrita.
A importância do fichamento para a assimilação e produção do conhecimento é
dada pela necessidade que tanto o estudante, como o docente e o pesquisador têm de
manipular uma considerável quantidade de material bibliográfico, cuja informação
teórica ou factual mais significativa deve ser não apenas assimilada, como também
registrada e documentada, para utilização posterior em suas produções escritas, sejam
elas de iniciação à redação científica (tais como os primeiros trabalhos escritos que o
estudante é solicitado a produzir); de textos para aulas, palestras ou conferências, no
caso do professor; ou, então, de elaboração da monografia de conclusão de curso do
graduando, da dissertação de mestrado ou do relatório de pesquisa do pesquisador.
A principal utilidade da técnica de fichamento, portanto, é otimizar a leitura,
seja na pesquisa científica, seja na aprendizagem dos conteúdos das diversas
disciplinas que integram o currículo acadêmico, na Universidade.
O fichamento tem como objetivo:
a) identificar as obras consultadas;
b) registrar o conteúdo das obras;
c) registrar as reflexões proporcionadas pelo material de leitura;
d) organizar as informações colhidas.
Assim sendo, os fichamentos, além de possibilitar a organização dos textos
pesquisados e a seleção dos dados mais importantes desses textos, funcionam como
método de aprendizagem e assimilação dos conteúdos, constituindo-se em
instrumento básico para a redação de trabalhos científicos.

176

• Propósitos do fichamento

Seja como técnica auxiliar da pesquisa bibliográfica, seja como técnica auxiliar
de estudo de obras, artigos e textos teóricos, o fichamento será tanto mais eficiente
quanto mais claros forem para o estudante ou para o pesquisador os propósitos desse
trabalho.
Dependendo dos seus propósitos, podem ser considerados dois tipos de
fichamento:
a) o fichamento que é solicitado ao estudante universitário como exercício
acadêmico, com o propósito de desenvolver as habilidades exigidas para o estudo e
assimilação de textos teóricos, ou assimilar o conteúdo ou parte do conteúdo de uma
disciplina; nesse caso o fichamento consiste, em geral, no registro documentado da
síntese do texto indicado pelo professor.
b) o fichamento que é feito pelo estudante, pelo docente ou pelo pesquisador,
no contexto de uma pesquisa ou de uma revisão bibliográfica, com o propósito de
registrar sistematicamente e documentar as informações teóricas e factuais
necessárias à elaboração do seu trabalho, que tanto pode ser uma resenha, um artigo,
uma monografia, um seminário ou um relatório de pesquisa.
No primeiro caso – fichamento como exercício acadêmico –, o simples
propósito de sintetizar o texto é o propósito dominante. Assim, o critério organizador
do fichamento será dado pela própria lógica do texto.
No segundo caso - fichamento no contexto da pesquisa ou da revisão
bibliográfica –, o fichamento está a serviço da pesquisa que o estudante, o docente ou
o pesquisador se propôs. Ora, como toda e qualquer pesquisa está centrada num tema,
a decisão sobre o que retirar de um texto ou de uma obra e registrar sob a forma de
síntese ou de citação, terá como critério selecionador os propósitos temáticos dados
pelo próprio tema da pesquisa e suas ramificações. São esses propósitos temáticos
que orientarão a seleção de idéias, conceitos ou fatos que interessam sintetizar ou
registrar nos fichamentos que fará das obras selecionadas.
Dessa forma, no primeiro tipo de fichamento (a) é o raciocínio, a argumentação
do autor da obra ou do texto que "comanda" o trabalho de síntese do fichador. No
segundo tipo (b), são os propósitos temáticos de quem estuda as obras consultadas
que "comandam" a seleção das idéias, conceitos, elementos teóricos ou factuais que
integrarão a síntese.

• Procedimentos
São variados os tipos de fichas que podem ser criados, dependendo das
necessidades de quem estuda ou pesquisa.
As fichas, sejam elas de cartolina ou de papel A-4 (que substituíram as de
cartolina pelas facilidades oferecidas pela informática), devem conter três elementos:

• cabeçalho: no alto da ficha ou da folha, à direita, um título que indica o
assunto ao qual a ficha se refere; pode ser adotado o uso, após o título geral, de um
subtítulo;
• referência: o segundo elemento da ficha será a referência completa da obra
ou do texto ao qual a ficha se refere, elaborada de acordo com a NBR-6023/2002 da
ABNT;
• corpo da ficha, ou seja, o conteúdo propriamente dito, que variará conforme
o tipo de fichamento que o estudante ou pesquisador pretenda fazer.
Embora muitos tipos de fichas possam ser elaborados no contexto de uma
pesquisa ou de uma revisão bibliográfica, como já foi dito, apenas dois tipos de fichas
serão a seguir apresentados, por serem considerados os mais essenciais.

177

• Tipos de Ficha

Ficha bibliográfica
Destina-se a documentar a bibliografia relativa a um determinado assunto
(tema).
As fichas de documentação bibliográfica são organizadas de acordo com um
critério de natureza temática. No alto e à esquerda, apresenta-se a referência
bibliográfica completa. No primeiro parágrafo, apresenta-se uma visão de conjunto,
um apanhado amplo sobre a obra (esses dados podem ser obtidos a partir da leitura do
sumário, das orelhas do livro, do prefácio ou da introdução). Em seguida, faz-se
apontamentos mais rigorosos (exigem uma leitura mais aprofundada), ou seja, síntese
dos capítulos.
OBSERVAÇÃO: as informações devem ser seguidas pela indicação, entre
parênteses, das páginas a que se referem.
TEMA (título)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA (completa)
VISÃO GERAL DA OBRA
(apanhado amplo do assunto geral da obra)
SÍNTESE DO CAPÍTULO 1
SÍNTESE DO CAPÍTULO 2
SÍNTESE DO CAPÍTULO 3
Ficha de leitura (ou Ficha de transcrição)
Fichas de leitura ou de transcrição destinam-se à reprodução fiel de trechos de
artigos, livros ou capítulos.
É importante abrir a ficha com o assunto (tema), as indicações necessárias à
identificação da obra, do autor e dos trechos transcritos.
Esse tipo de ficha destina-se ao registro sintético do conteúdo (ou de parte do
conteúdo) das obras lidas.
O corpo da ficha consistirá na síntese da obra ou da parte da obra que interessa
ao fichador. Assim sendo, deverá apresentar as características de um resumo de
qualidade, ou seja:
– ser sucinto, seletivo e objetivo,
– respeitar a ordem das idéias e fatos apresentados,
– utilizar linguagem clara, objetiva e econômica,
– apresentar uma seqüência corrente de frases concisas, diretas e interligadas.
O corpo da ficha de leitura deve apresentar a síntese do conteúdo, e as
citações, ou seja, transcrições mais significativas de trechos do conteúdo, sempre
entre aspas e com indicação da respectiva página, o que tornaria a ficha mais
completa.
A organização da ficha deve ser feita de tal modo que permita identificar
posteriormente a página da obra onde se localiza esse ou aquele conceito, idéia ou
argumento, bem como distinguir as expressões ou palavras do autor da obra – isto é,
as citações, que deverão estar sempre entre aspas – das expressões ou palavras
próprias do fichador. É importante salientar que a inclusão de citações no fichamento
não significa que este se confunda com um mero exercício de "recorte e colagem" de
trechos da obra.
Exemplo:
Ficha de Leitura ou de Transcrição
ALFABETIZAÇÃO
Educação de Adultos
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler, em três artigos que se
completam. São Paulo: Autores Associados/Cortez, 1984.

178

“Inicialmente me parece interessante reafirmar que sempre vi a
alfabetização de adultos como um ato político e um ato de conhecimento,
por isso mesmo, como um ato criador. Para mim seria impossível
engajar-me num trabalho de memorização mecânica dos ba - be - bi - bo -
bu, dos la - le - li - lo - lu. Daí que também não pudesse reduzir a
alfabetização ao ensino puro da palavra, das sílabas ou das letras. Ensino
em cujo processo de alfabetizador fosse ‘enchendo’ com suas palavras as
cabeças supostamente ‘vazias’ dos alfabetizados.” (p. 21)
......................................................................................................................
“É preciso, na verdade, que a alfabetização de adultos e a pósalfabetização,
a serviço da reconstrução nacional, contribuam para que o
povo, tomando mais e mais a sua História nas mãos, se refaça na feitura
da História. Fazer a História é estar presente nela e não simplesmente
nela estar representado.” (p. 47)

• Avaliação
As orientações para avaliação do fichamento referem-se ao primeiro tipo de
fichamento, ou seja, aquele que é solicitado como exercício acadêmico.
As seguintes perguntas poderão orientar na avaliação do fichamento:
A síntese é sucinta e objetiva?
as idéias principais do texto estão contidas no fichamento?
o conteúdo do fichamento mantém fidelidade ao texto? (ou há
deturpação das idéias?)
o fichamento respeita a ordem das idéias apresentadas pelo autor do
texto?
a linguagem utilizada obedece a norma culta?
a obra fichada está corretamente referenciada?
as normas técnicas de apresentação de trabalhos acadêmicocientíficos
foram observadas.

UNIDADE 18

NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Texto de Douglas Tufano Guia prático da nova ortografia (adaptado) 10/7/2008
14:27:21; © 2008 Douglas Tufano; Professor e autor de livros didáticos de língua
portuguesa; © 2008 Editora Melhoramentos Ltda. Diagramação: WAP Studio; ISBN:
978-85-06-05464-2; 1.ª edição, agosto de 2008; São Paulo – SP – Brasil (Disponível em:
http://mail.mailig.ig.com.br/mail/?
ui=2&ik=4fea903c1f&view=att&th=11ee0bee069ed725&attid=0.1&disp=vah&realatti
d=0.1&zw)

Mudanças no alfabeto

O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w e y.
O alfabeto completo passa a ser: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V WX Y Z
Usam-se as letras k, w, y em:
a) na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W
(watt);
b) na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados): show, playboy,
playground, windsurf, kung fu, yin, yang, William, kaiser, Kafka, kafkiano.

179

Trema

Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve
ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui. Exemplos:
Aguentar; arguir; bilíngue; cinquenta; delinquente; eloquente; ensanguentado;
equestre; frequente; lingueta; linguiça; quinquênio; sagui; sequência; sequestro;
tranquilo
Atenção: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas.
Exemplos: Müller, mülleriano. O trema não existe mais, mas a pronúncia permanece.

Mudanças nas regras de acentuação

1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas
(palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba). Exemplos:
alcaloide; alcateia; androide; ele apoia (verbo apoiar, 3ª p.s.); eu apoio (verbo apoiar,
1ª p.s.) apoio; asteroide; boia; celuloide; claraboia; colméia; Coreia; debiloide; epopeia;
estoico; estreia; eu estreio (verbo estrear); geleia; heroico; ideia; jiboia; joia; odisseia;
paranoia; paranoico; plateia; tramoia;
Atenção: essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam a
ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis. Exemplos:
papéis, herói, heróis, troféu, troféus.

2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando
vierem depois de um ditongo. Exemplos:
baiuca; bocaiuva; cauila; feiura
Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos
de s), o acento permanece. Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

3. Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s). Exemplos:
abençoo; creem (verbo crer); deem (verbo dar); doo (verbo doar); enjoo; leem (verbo
ler); magoo (verbo magoar); perdoo (verbo perdoar); povoo (verbo povoar); veem
(verbo ver); vôos; zoo.

4. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/ pela(s),
pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera. Exemplos:
Ele para o carro. / Ele foi ao polo Norte. / Ele gosta de jogar polo. / Esse gato tem pelos
brancos. / Comi uma pera. /
Atenção:
• Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo
poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3a pessoa do singular.
Pode é a forma do presente do indicativo, na 3a pessoa do singular.
Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.
• Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição. Exemplo:
Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.
• Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir,
assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.).
Exemplos: Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros. Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm
de Sorocaba. Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra. Ele convém aos
estudantes. / Eles convêm aos estudantes. Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.
Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas.
• É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma.
Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Veja este exemplo: Qual é a
forma da fôrma do bolo?

180

5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles)
arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.

6. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como
aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir etc. Esses verbos
admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente
do subjuntivo e também do imperativo. Veja:
a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas.
Exemplos: verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue,
enxágues, enxáguem.
verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas,
delínquam.
b) se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas.
Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pronunciada mais fortemente
que as outras):
verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues,
enxaguem.
verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua, delinquas,
delinquam.
Atenção: no Brasil, a pronúncia mais corrente é a primeira, aquela com a e i tônicos.

Uso do hífen

Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo. Mas, como se trata
ainda de matéria controvertida em muitos aspectos, portanto ainda não é definitiva a
regra. A Academia Brasileira de Letras está elaborando uma regra mais esclarecedora
As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos
ou por elementos que podem funcionar como prefixos, como: aero, agro, além, ante,
anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper,
infra, inter, intra, macro, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró,
pseudo, retro, semi, sobre, sub, Bsuper, supra, tele, ultra, vice etc.

1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h. Exemplos:
anti-higiênico; anti-histórico; co-herdeiro; macro-história; mini-hotel; proto-história
sobre-humano; super-homem; ultra-humano;
Exceção: subumano (nesse caso, a palavra humano perde o h).

2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se
inicia o segundo elemento. Exemplos:
aeroespacial; agroindustrial; anteontem; antiaéreo; antieducativo; autoaprendizagem;
autoescola; autoestrada; autoinstrução; coautor; coedição; extraescolar; infraestrutura;
plurianual; semiaberto; semianalfabeto; semiesférico; semiopaco;
Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando
este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar,
coocupante etc.

3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento
começa por consoante diferente de r ou s. Exemplos:
anteprojeto; antipedagógico; autopeça; autoproteção; coprodução; geopolítica;
microcomputador; pseudoprofessor; semicírculo; semideus; seminovo; ultramoderno;
Atenção: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-rei, vice-almirante
etc.

181

4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento
começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras. Exemplos:
antirrábico; antirracismo; antirreligioso; antirrugas; antissocial; biorritmo; contrarregra;
contrassenso; cosseno; infrassom; ;microssistema; minissaia; multissecular;
neorrealismo; neossimbolista; semirreta; ultrarresistente.; ultrassom;

5. Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar
pela mesma vogal. Exemplos:
anti-ibérico; anti-imperialista; anti-inflacionário; anti-inflamatório; auto-observação;
contra-almirante; contra-atacar; contra-ataque; micro-ondas; micro-ônibus; semi-
internato; semi-interno.

6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento
começar pela mesma consoante. Exemplos:
hiper-requintado; inter-racial; inter-regional; sub-bibliotecário; super-racista; super-
reacionário; super-resistente; super-romântico;
Atenção:
• Nos demais casos não se usa o hífen. Exemplos: hipermercado, intermunicipal,
superinteressante, superproteção.
• Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-
região, sub-raça etc.
• Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e
vogal: circum-navegação, pan-americano etc.

7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento
começar por vogal. Exemplos:
hiperacidez; hiperativo; interescolar; interestadual; interestelar; interestudantil;
superamigo; superaquecimento; supereconômico; superexigente; superinteressante;
superotimismo

8. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen.
Exemplos:
além-mar; além-túmulo; aquém-mar; ex-aluno; ex-diretor; ex-hospedeiro; ex-prefeito;
ex-presidente; pós-graduação; pré-história; pré-vestibular; pró-europeu; recém-casado;
recém-nascido; sem-terra.

9. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu e mirim.
Exemplos: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.

10. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se
combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares.
Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.

11. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição.
Exemplos:
girassol; madressilva; mandachuva; paraquedas; paraquedista; pontapé

12. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação
de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte. Exemplos:
Na cidade, conta-

o diretor recebeu os ex-

-se que ele foi viajar.

-alunos
Resumo - Emprego do hífen com prefixos - Regra básica
Sempre se usa o hífen diante de h: anti-higiênico, super-homem.

182

Outros casos
1. Prefixo terminado em vogal:
• Sem hífen diante de vogal diferente: autoescola, antiaéreo.
• Sem hífen diante de consoante diferente de r e s: anteprojeto, semicírculo.
• Sem hífen diante de r e s. Dobram-se essas letras: antirracismo, antissocial,
ultrassom.
• Com hífen diante de mesma vogal: contra-ataque, micro-ondas.

2. Prefi xo terminado em consoante:
• Com hífen diante de mesma consoante: inter-regional, sub-bibliotecário.
• Sem hífen diante de consoante diferente: intermunicipal, supersônico.
• Sem hífen diante de vogal: interestadual, superinteressante.

Observações
1. Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r sub-
região, sub-raça etc. Palavras iniciadas por h perdem essa letra e juntam-se sem hífen:
subumano, subumanidade.
2. Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e
vogal: circum-navegação, pan-americano etc.
3. O prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se
inicia por o: coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.
4. Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen: vice-rei, vice-almirante etc.
5. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição,
como girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista etc.
6. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen:
ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação, pré-
vestibular, pró-europeu.

REFORMA ORTOGRÁFICA: Minivocabulário

Palavras e expressões com ou sem hífen
Inez Sautchuk*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Palavras e expressões mais usadas com ou sem hífen, atualizadas conforme o Acordo
Ortográfico.
A
a fim de
à queima-roupa
à toa 1
à vontade
abaixo-assinado
ab-rupto 2
acerca de
aeroespacial
afro-americano
afro-asiático
afro-brasileiro
afrodescendente
afro-luso-brasileiro
agroindustrial
água-de-colônia

E
em cima
embaixo
entre-eixo
euro-asiático
eurocêntrico
ex-almirante
ex-diretor
ex-presidente
ex-primeiro-
ministro
ex-secretária
extra-alcance
extraclasse
extraescolar
extrafino

P
pan-africano
pan-americano
pan-hispânico
para-brisa
para-choque
para-lama
paraquedas
paraquedismo
paraquedista
para-raios
pé-de-meia
pingue-pongue
plurianual
poli-hidratação
pontapé

183

além-Brasil
além-fronteiras
além-mar
amor-perfeito
andorinha-do-mar
anel de Saturno
anglomania
anglo-saxão
ano-luz
antessala
antiaderente
antiaéreo
antieconômico
anti-hemorrágico
anti-herói
anti-higiênico
anti-ibérico
anti-imperialista
anti-infeccioso
anti-inflacionário
anti-inflamatório
antirreligioso
antissemita
antissocial
ao deus-dará
arco e flecha
arco-da-velha
arco-íris
arqui-inimigo
autoadesivo
autoafirmação
autoajuda
autoaprendizagem
autoeducação
autoescola
autoestima
autoestrada
auto-hipnose
auto-observação
auto-ônibus
auto-organização
autorregulamentaçã
o
ave-maria
azul-escuro
B
Baía de Todos-os-
Santos
belo-horizontino
bem-aventurado
bem-criado
bem-dito

extraoficial
extrarregular
extrassolar
extrauterino
F
faz de contas
(um ...)
feijão-verde
fim de século
fim de semana
folha de flandres
francofone
G
general de divisão
geo-história
giga-hertz
girassol
grã-fina
grão-duque
grão-mestre
Grão-Pará
guarda-chuva
guarda-noturno
Guiné-Bissau
H
habeas-corpus
(o...)
hidroelétrico
hidrelétrico
hidrossolúvel
hidroterapia
hipermercado
hiper-raquítico
hiper-realista
hiper-requintado
I
inábil
indo-chinês 7
indochinês 8
indo-europeu
infra-assinado
infra-axilar
infraestrutura
infrassom
inter-hemisférico
inter-racial
inter-regional
inter-relacionado
intramuscular
intraocular
intraoral
intrauterino

ponto e vírgula
por baixo de
por isso
porta-aviões
porta-retrato
porto-alegrense
pós-graduação
pospor
pós-tônico
predeterminado
preenchido
pré-escolar
preexistente
preexistir
pré-história
pré-natal
pré-nupcial
pré-requisito
pressupor
primeiro-ministro
primeiro-sargento
pró-ativo
proeminente
propor
pró-reitor
pseudo-
organização
pseudossigla
Q
quem quer que
seja
R
reabilitar
reabituar
reaver
recém-casado
recém-eleito
recém-nascido
reco-reco
reedição
reeleição
reescrita
reidratar
retroalimentação
reumanizar
S
sala de jantar
segunda-feira
sem-cerimônia
semiaberto
semianalfabeto
semiárido

184

bem-dizer
bem-estar
bem-falante
bem-humorado
bem-me-quer
bem-nascido
bem-te-vi
bem-vestido
bem-vindo
bem-visto
bendito (=
abençoado)
benfazejo
benfeito
benfeitor
benfeitoria
benquerença
benquerer
benquisto
bico-de-papagaio
(planta)
bio-histórico
biorritmo
biossocial
blá-blá-blá
boa-fé
bumba meu boi
C
café com leite
calcanhar de aquiles
cão de guarda
carboidrato 3
causa-mortis (a...)
centroafricano 4
centro-africano 5
circum-murado
circum-navegação
coabitação
coautor
cobra-d'água
coco-da-baía
coedição
coeducação
coenzima
coerdar
coerdeiro
coexistente
coexistir
cofator
coirmão
comum de dois
conta-gotas

inumano
J
joão-de-barro
joão-ninguém
L
latino-americano
lenga-lenga
luso-brasileiro
lusofobia
lusofonia
M
macroestrutura
macrorregião
madressilva
mãe-d'água
má-fé
mais-que-perfeito
mal de Alzheimer
mal-acabado
mal-afortunado
malcriado
malditoso
mal-entendido
mal-estar
malgrado
mal-humorado
mal-informado
má-língua
mal-limpo
malmequer
malnascido
malpassado
malpesado
malquerer
malquisto
malsoante
malvisto
mandachuva
manda-lua
manda-tudo
maria vai com as
outras
médico-cirurgião
mesa-redonda
mestre-d'armas
microcirurgia
microempresa
microestrutura
micro-ondas
micro-organismo
microssistema
minicurrículo

semicírculo
semi-interno
semiobscuridade
semirrígido
semisselvagem
sem-número
sem-vergonha
sobreaquecer
sobre-elevação
sobre-estimar
sobre-exceder
sobre-humano
sobrepor
social-democracia
social-democrata
sociocultural
socioeconômico
subalimentação
subalugar
subaquático
subarrendar
sub-brigadeiro
subemprego
subestimar
subdiretor
sub-humano
subfaturar
sub-reitor
sub-rogar
sul-africano
superestrutura
super-homem
super-racional
super-resistente
super-revista
supraocular
suprarrenal
suprassumo
T
tenente-coronel
tico-tico
tio-avô
tique-taque
tomara que caia
U
ultraelevado
ultrarromântico
ultrassecreto
ultrassensível
ultrassom
ultrassonografia
V

185

contra-almirante
contra-ataque
contracheque
contraexemplo
contraindicação
contraindicado
contraofensiva
contraoferta
contraordem
contrarregra
contrassenha
contrassenso
coobrigação
coocupante
coocupar
cooptar
cor de café
cor de café com leite
cor de vinho
cor-de-rosa
couve-flor
criado-mudo
D
decreto-lei
dente-de-leão
depois de amanhã
desumano
deus nos acuda
(um...)
dia a dia 6
disse me disse
(um...)
doença de Chagas

minissaia
minissérie
multissegmentado
N
não agressão
não fumante
não me toques 9
não violência
não-me-toques 10
neoafricano
neoexpressionista
neoimperialista
neo-ortodoxo
norte-americano
O
olho-d'água

vaga-lume
vassoura-de-
bruxa
verbo-nominal
vice-almirante
vice-presidente
vice-rei
vira-casaca
X
xique-xique 11
xiquexique 12
Z
zás-trás
zé-povinho
zigue-zague
zum-zum

1 como adjetivo ou como advérbio.
2 preferível esta forma a "abrupto", também correta.
3 a forma carbo-hidrato também está correta.
4 refere-se à República Centroafricana.
5 refere-se à região central da África.
6 como substantivo ou como advérbio.
7 quando significar Índia + China; indianos + chineses.
8 referente à Indochina.
9 significando "facilidade de magoar-se".
10 planta.
11 chocalho.
12 planta.
Este quadro está apoiado nas obras:
BECHARA, Evanildo. O que muda com o Novo Acordo
Ortográfico. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2008.
INSTITUTO ANTÔNIO HOUAISS. Escrevendo pela Nova
Ortografia. Rio de Janeiro/São Paulo, Houaiss/Publifolha,
2008.

186

GOMES, Francisco Álvaro. O Acordo Ortográfico. Porto, Porto
Editora, 2008.

*Inez Sautchuk é doutora em Letras pela USP, professora universitária aposentada,
autora de livros sobre produção de texto e morfossintaxe

187

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->