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LPT 1 Pedagogia 2010 - Profa. Yara Marisol

LPT 1 Pedagogia 2010 - Profa. Yara Marisol

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Ao contrário do que muitos pensam, a gíria não constitui um flagelo da linguagem. Quem,
um dia, já não usou bacana, dica, cara, chato, cuca, esculacho, estrilar?

O mal maior da gíria reside na sua adoção como forma permanente de comunicação,
desencadeando um processo não só de esquecimento, como de desprezo do vocabulário
oficial. Usada no momento certo, porém, a gíria é um elemento de linguagem que denota
expressividade e revela grande criatividade, desde que, naturalmente, adequada à
mensagem, ao meio e ao receptor. Note, porém, que estamos falando em gíria, e não em
calão.

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Ainda que criativa e expressiva, a gíria só é admitida na língua falada. A língua escrita não
a tolera, a não ser na reprodução da fala de determinado meio ou época, com a visível
intenção de documentar o fato, ou em casos especiais de comunicação entre amigos,
familiares, namorados, etc., caracterizada pela linguagem informal.

EXERCÍCIOS

1) Coloque um “X” quanto à linguagem utilizada para cada função:
Função

Linguagem

CultaPopular

Aula universitária, conferências, sermões

Conversa entre amigos ou em família

Discursos políticos

Programas culturais e noticiários de TV ou rádio

Novelas de rádio e televisão

Comunidades científicas

Conversas e entrevistas com intelectuais a propósito de temas

científicos

ou artísticos

Irradiação de esportes

Expressão de estados emocionais, confissões, anedotas, narrativas

2) Complete as lacunas de acordo com a linguagem solicitada abaixo:

Culta

Popular

tênue

fraco

ausentar-se

_________________

presenciar

_________________

repleto

_________________

divergir

_________________

tendência, pendor

_________________

bofetada

_________________

acompanhado

_________________

odor

_________________

_________________

sombra

_________________

conversa

_________________

“gandaia”

_________________

fazer

24

_________________

pilantra

3) Reescreva, usando o nível culto, as expressões do nível informal destacadas nas
frases:
1.Você não aproveita as oportunidades. Ainda vai ficar a ver
navios.______________________________________________________________________

2.Pode tirar o cavalo da chuva, que não irá a festa.
._________________________________________________________________________

3.Que pressa! Parece que vai tirar o pai da forca.-
._________________________________________________________________________

4)São verdadeiras ou falsas as seguintes afirmações:

_____ O nível de língua que usamos é independente da situação em que nos
encontramos.
_____ A simplicidade de construção e de vocabulário é característica do nível de língua
familiar.
_____ Na linguagem cuidada é frequente o uso do calão.
_____ Normalmente, os adultos usam o nível de língua corrente.
_____ Qualquer pessoa sabe usar o nível de língua cuidado.
_____ Qualquer pessoa sabe usar o nível de língua popular.

UNIDADE 5

O USO DA VÍRGULA

OBSERVE:

"Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada
aos pobres".

Morreu antes de fazer a pontuação. Para quem ele deixava a fortuna?

Eram quatro concorrentes. O sobrinho fez a seguinte pontuação:

"Deixo meus bens à minha irmã? Não, a meu sobrinho.

Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres"

A irmã chegou em seguida e pontuou assim, o escrito:

"Deixo meus bens à minha irmã, não a meu sobrinho.

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Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres."

O alfaiate pediu cópia do original e puxou a brasa pra sardinha dele:

"Deixo meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho jamais! Será paga a conta do alfaiate.

Nada aos pobres."

Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez esta interpretação:

"Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho jamais! Será paga a conta do alfaiate?
Nada! Aos pobres."

MORAL DA HISTÓRIA

Pior de tudo é saber que ainda tem gente que acha que uma vírgula não faz a menor diferença!

O USO DA VÍRGULA

Regra Geral: a ordem direta de uma oração é sujeito, verbo e
complemento. Qualquer alteração nessa ordem pede o uso da vírgula
para que a leitura não seja prejudicada.
Eliana escreve cartas todo dia. – ordem direta.
Todo dia, Eliana escreve cartas.
Como pôde ser visto, o complemento “todo dia” estava antes do sujeito
“Eliana”, modificando, assim, a ordem direta da oração.

PROIBIÇÃO DO USO DA VÍRGULA

Não se separa por vírgulas o sujeito do verbo e, também, o verbo
de seus complementos:
Eliana, escreve cartas todo dia. (emprego errado)
Eliana escreve, cartas todo dia. (emprego errado)
Eliana, todo dia, escreve carta. (emprego certo, pois houve
alteração na ordem da oração)

Eliana escreve, todo dia, cartas. (emprego correto, pois
houve alteração na ordem direta)

REGRAS ESPECÍFICAS

1)Separar vários sujeitos, vários complementos ou várias orações.
Os professores, alunos e funcionários foram homenageados pelo

diretor.

Gosto muito de redação, literatura, gramática e história.
Fui ao clube, nadei bastante, joguei futebol e almocei.
2)Separar aposto, termo explicativo.
O técnico da seleção brasileira, Zagalo, convocou vinte e dois
jogadores para o amistoso.

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Jorge Amado, grande escritor brasileiro, é autor de inúmeros
romances adaptados para televisão.
O presidente da empresa, Sr. Ferret, deu uma enorme gratificação

a seus funcionários.
3)Separar vocativo.

A inflação, meu amigo, faz parte da cultura nacional.
“Isso mesmo, caro leitor, abane a cabeça” (Machado de Assis)
4)Separar termos que se deseja enfatizar.
Eliana chegou à festa, maravilhosa como uma Deusa, iluminando
todo o caminho por que passava.
5)Separar expressões explicativas e termos intercalados.
A vida é como boxe, ou seja, vivemos sempre batendo em alguém.
O professor, conforme prometera, adiou a prova bimestral.
6)Separar orações coordenadas (mas, porém, contudo, pois, porque,
logo, portanto)

Participamos do congresso, porém não fomos remunerados.
Trabalhe, pois a vida não está fácil.
Antônio não estudou; não conseguiu, portanto, passar o ano letivo.
7)Separar orações adjetivas:
O fumo, que é prejudicial à saúde, terá sua venda proibida para

menores.
8)Separar orações adverbiais, principalmente quando vieram antes da
principal.

Para que os alunos aprendessem mais, o professor trabalhava com

música.

Assim que puder, mandar-te-ei um lindo presente.
9)Orações reduzidas de particípio e gerúndio.
Chegando atrasado, o aluno conturbou a aula.
Terminada a palestra, o médico foi ovacionado pelo público.
10)Para indicar omissão de palavras:
Eu leio romances clássicos; você, policiais. (Foi omitido o verbo

ler.)

O USO DA VÍRGULA COMO O CONECTIVO “E”
a)Separar as orações com sujeitos diferentes.
O policial prendeu o ladrão, e sua esposa ficou muito orgulhosa.
b)Usa-se vírgula antes do e quando precedido de intercalações.
Eliana foi promovida, devido a sua capacidade, e todos do
departamento a cumprimentaram.
c)Usa- se vírgula depois do e quando seguido de intercalações.
Eliana foi promovida e, por ser muito querida, todos do
departamento a cumprimentaram.

O USO DO PONTO-E-VÍRGULA

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Usa-se, basicamente, o ponto-e-vírgula para obter mais clareza em
períodos longos, em que há muitas vírgulas.
Compramos, em 15 de abril, da empresa Lether Informática, 10
mesas para computadores; da Decortex, 15 cortinas bege; em 20 de
abril, da Pen, 5 caixas de canetas azuis e vermelhas.
Fomos, ontem pela manhã, ao clube; faltamos, portanto, à aula.

EXERCÍCIOS

Use vírgulas e/ou ponto-e-vírgula (ou outros sinais de pontuação),
conforme o caso:
a)Eu fui de carro e ela de ônibus.
b)A moça desesperada corria sozinha pelas ruas.
c)Paulo o cozinheiro não veio hoje o que faremos?
d)Paulo o cozinheiro normalmente falta no trabalho.
e)Nós tivemos muitas alegrias eles pobres coitados na vida só
decepções.
f)Maria gosta muito de festas Lúcia sua irmã por sua vez não aprecia

muito.

g)Maria toma banho porque sua mãe pede ela traga o sabonete
h)O fazendeiro tinha o bezerro e a mãe do fazendeiro era também o pai
do bezerro.

PONTUAÇÃO

PONTO-E-VÍRGULA (;)

Este sinal serve de intermediário entre o ponto e a vírgula, aproximando-se ora mais de um ora
mais de outro, segundo os valores pausais e melódicos que representa no texto. Apesar da
imprecisão deste sinal, pode-se estabelecer alguns empregos para ele.

1. Serve para separar orações coordenadas com certa extensão e que possuam a mesma
estrutura sintática, sobretudo, se possuem partes já divididas por vírgulas;

Exemplos:

Das graças que há no mundo, as mais sedutoras são as da beleza; as mais picantes, as do
espírito; as mais comoventes, as do coração.
Nos dias de hoje, é preciso andar com cautela; antigamente, a vida era mais tranqüila.

2. Para separar orações coordenadas assindéticas de sentido contrário;

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Exemplos:

Cláudio é ótimo filho; Júlio, ao contrário, preocupa constantemente seus pais.
Uns se esforçam, lutam, criam; outros vegetam, dormem, desistem.

3. Para separar orações coordenadas adversativas e conclusivas quando se deseja (com o
alongamento da pausa) acentuar o sentido adversativo ou conclusivo dessas orações;

Exemplos:

Pode a virtude ser perseguida; mas nunca desprezada.
Estudei muito; não obtive, porém, resultados satisfatórios.
Ele anda muito ocupado; não tem, por isso, respondido às suas cartas.

Observação:

Em certos casos, a ênfase dada a essas orações pode pedir o emprego do ponto em lugar do
ponto-e-vírgula.

Exemplo:

O exame de física foi bastante difícil. Entretanto, o de português foi bem melhor.

4. Para separar os diversos itens de uma lei, decreto, portaria, regulamento, exposição de
motivos, etc;

Exemplo:

Artigo 187

O processo será iniciado:

I - por auto de infração;
II - por petição do contribuinte interessado;
III - por notificação, ou representação verbal ou escrita.

5. Para separar itens diferentes de uma enumeração;

Exemplo:

O Brasil produz café, milho, arroz; cachaça, cerveja, vinho. (Separando gêneros alimentícios de
bebidas)

6. Para separar os itens de uma explicação.

Exemplo:

A introdução dos computadores pode acarretar duas conseqüências: uma, de natureza
econômica, é a redução de custos; a outra, de implicações sociais, é a demissão de funcionários.

PONTO (.)

O ponto assinala a pausa máxima da voz. Serve para indicar o término de uma oração absoluta
ou de um período composto. Quando os períodos simples e compostos mantêm entre si uma
seqüência do pensamento, serão separados por um ponto chamado de "ponto simples"; e o
período seguinte que expressa uma conseqüência ou uma continuação do período anterior será
escrito na mesma linha. Porém, se houver um corte, uma interrupção na seqüência do

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pensamento, o período seguinte se iniciará na outra linha, sendo o ponto do período anterior
chamado de "ponto parágrafo".
Finalmente, quando um ponto encerra um enunciado, dá-se o nome de "ponto final".
O ponto serve ainda para abreviar palavras.

Exemplo:

V. S. = Vossa Senhoria; prof. = professor, etc.

DOIS PONTOS (:)

Serve para marcar uma sensível suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída.
Emprega-se nos seguintes casos:

1. Antes de uma citação;

Exemplos:

Como ele nada dissesse, o pai perguntou:

- Queres ou não queres ir?
Disse Machado de Assis: "A solidão é oficina de idéias."

2. Antes de uma enumeração;

Exemplo:

Tínhamos dezenas de amigos: Pedro, João, Carlos, Luís, mas nenhum deles entendeu nosso
problema.

3. Antes de uma explicação, uma síntese ou uma conseqüência do que foi enunciado, ou ainda
antes de uma complementação.

Exemplos:

A razão é clara: achava sua conversa menos interessante que a dos outros rapazes.
E a felicidade traduz-se por isto: criarem-se bons hábitos durante toda a vida.
No quartel, quem manda é o sargento: só nos cabe ouvir e obedecer.
Aquela mãe preocupava-se com uma coisa só: o futuro dos filhos.
"Não sou alegre nem sou triste: sou poeta." (C. Meireles)

Observação: Nos vocativos de cartas, ofícios, etc, usa-se vírgula, ponto, dois pontos ou nenhuma
pontuação.

Exemplos:

Prezado Senhor,
Prezado Senhor.
Prezado Senhor:
Prezado Senhor

PONTO DE INTERROGAÇÃO (?)

É um sinal que indica uma pausa com entoação ascendente. Emprega-se nos seguintes casos:

1. Nas interrogações diretas;

Exemplos:

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Quem vai ao teatro hoje?
Que é Deus?

2. Pode-se combinar o ponto de interrogação com o ponto de exclamação quando a pergunta
também expressar uma surpresa;

Exemplo:

- Ana desmanchou o noivado de cinco anos.
- Por quê?!

3. Quando houver muita dúvida na pergunta, costuma-se colocar reticências após o ponto de
interrogação.

Exemplos:

- Então?... Qual o caminho que devemos seguir?...
- E você também não sabe?...

PONTO DE EXCLAMAÇÃO (!)

Neste sinal, a pausa e a entoação não são uniformes, já que somente no contexto em que está
inserida a frase exclamativa poderemos interpretar a intenção do escritor, pois são várias as
possibilidades da inflexão exclamativa como, por exemplo, as frases que exprimem espanto,
surpresa, alegria, entusiasmo, cólera, dor, súplica, etc.

Normalmente se emprega nos seguintes casos:

1. Depois de interjeições ou de termos equivalentes como os vocativos intensos, as apóstrofes;

Exemplos:

- Ai! Ui! - gritava o menino.
- Credo em cruz! - gemeu Raimundo.
- Adeus, Senhor!
"Ó Pátria amada, idolatrada,
Salve! Salve!"

2. Depois de um imperativo;

Exemplos:

- Não vai! Volta, meu filho!
- Direita, volver!
- Não matarás!

Observação: Para acentuar a inflexão da voz e a duração das pausas pedidas por certas formas
exclamativas, pode-se empregar os seguintes recursos:

A) Combinar-se o ponto de exclamação ao de interrogação quando a entoação numa frase
interrogativa for sensivelmente mais exclamativa.

Exemplo:

Para que você veio me contar essas histórias a esta hora da noite!?

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B) Emprega-se a combinação acima mais reticências para dar à frase mais um matiz: o da
incerteza.

Exemplo:

- Coitado! Envolvido com drogas, quem poderá dizer como acabará!?...

C) Repete-se o ponto de exclamação para marcar um reforço especial na duração, na
intensidade ou na altura da voz.

Exemplo:

- Canalhas!!! Não escaparão à Justiça Divina!!!

Observação: Deve-se evitar usar este recurso quando se enviar um texto para uma pessoa cega
que utilize computador com ledores de tela (como o Virtual Vision e o Sistema DOSVOX), que
interpretam estes pontos repetidos apenas como sinais de pontuação, não dando à palavra ou à
frase antecedidas por eles nenhuma entoação especial. Torna-se, neste sentido, obviamente
desnecessária e mesmo inútil o emprego repetitivo dos pontos de interrogação e exclamação,
posto que isto causará somente um extremo incômodo aos ouvidos dos leitores/ouvintes cegos.

RETICÊNCIAS (...)

Serve para marcar a suspensão da melodia na frase. Emprega-se em casos muito variados como:

1. Para interromper uma idéia, um pensamento, a fim de se fazer ou não, logo após, uma
consideração;

Exemplo:

- Quanto ao seu pai... às vezes penso... Mas asseguro-lhe que é verdade quase tudo que se
contam por aí sobre homens que enriqueceram facilmente.

2. Para marcar suspensões provocadas por hesitação, surpresa, dúvida ou timidez de quem fala.
E ainda, certas inflexões de alegria, tristeza, cólera, ironia, etc.

Exemplos:

- Rapaz, veja lá... pensa bem no que vai fazer... - alertou o amigo.
- Você... aí sozinha... não tem medo de ficar na rua a esta hora?
- Eu... eu... queria... um agasalho - respondeu soluçando o mendigo.
- Há quanto tempo não o via... lágrimas vieram-lhe aos olhos... foi um encontro inesquecível.

3. Para indicar que a idéia contida na frase deve ser completada pela imaginação do leitor;

Exemplos:

"Duas horas te esperei.
Duas mais te esperaria.
Se gostas de mim, não sei...
Algum dia há de ser dia."
(F. Pessoa)

4. Para indicar uma interrupção brusca da frase;

Exemplos:

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(Um personagem corta a fala de outro)
- A senhora ia dizer que...
- Nada... Esquece tudo isto.

Observações:

A) Se a fala do personagem continua depois da interrupção, costuma-se colocar reticências no
início da frase.

Exemplo:

- Eu pedi que fizesse a lição...
- Que lição? Não há lição alguma.
- ...a lição sobre a vida de Ghandi.

B) As reticências podem formar uma linha inteira de pontos para indicar a supressão de palavras
ou de linhas omitidas na cópia ou tradução de uma obra. Podem ainda vir entre parênteses no
início e no fim de um trecho selecionado.

PARÊNTESES ()

São empregados para intercalar, num texto, qualquer indicação ou informação acessória de
caráter secundário.

Exemplos em que se empregam os parênteses:

1. Numa explicação;
Beto (tinha esse apelido desde criança) não gostava de viajar.

2. Numa reflexão, num comentário à margem do que se afirma;
Jorge mais uma vez (tinha consciência disso) decidiu seu destino ao optar pela mudança de país.

3. Numa manifestação emocional expressa geralmente em forma exclamativa ou interrogativa;
"Havia escola, que era azul, e tinha um mestre mau, de assustador pigarro... (Meu Deus! Que
isto? Que emoção a minha quando estas coisas tão singelas narro?)"

4. Nas referências a datas, indicações bibliográficas, etc;
Kardec revela-nos em "O Livro dos Espíritos" (1857) os mistérios do Mundo Invisível.

5. Numa citação na língua de origem;
Como disse alguém: "A natureza não dá saltos" (natura non saltit).

Observações:

A) Os parênteses podem ser usados também para isolar orações
intercaladas, sendo mais freqüentes, no entanto, para este
fim, as vírgulas e os travessões.

Exemplo:

Mais uma vez (contaram-me) a polícia tinha conseguido deitar a mão naquele perigoso bandido.

B) Os parênteses muito longos devem ser evitados, pois prejudicam a clareza do período. Na
leitura, a frase que vem entre parênteses deve ser pronunciada em tom mais baixo. Na escrita, a
frase inicia-se por maiúscula somente quando constituir oração à parte, completa, contendo uma
consideração ou pensamento independente. Neste caso, é comum se colocar os parênteses
depois do ponto final.

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Exemplo:

"Existem jovens, por exemplo, que só conseguem crescer se tiverem uma sogra tirana. (É
bastante comum Afrodite "surgir" em sogras. A madrasta má é outro exemplo.)"

C) O asterisco entre parênteses chama a atenção do leitor para alguma observação ou nota final
da página ou do texto.

ASPAS (")

São empregadas nos seguintes casos:

1. No início e no fim de uma citação ou transcrição literária;

Exemplo:

Fernando Pessoa nos revela em um de seus poemas que Júlio César definiu bem toda a figura da
ambição quando disse: "Antes o primeiro na aldeia do que o segundo em Roma".

2. Para fazer sobressair palavra ou expressões que, geralmente, não são comuns à linguagem
normal (estrangeirismos, arcaísmos, neologismos, gírias, etc.);

Exemplos:

O Sistema DOSVOX é um "software" especial para cegos.
Os escravos chamavam meu bisavô de "sinhô" ou "nhonhô".
O diretor daquela escola pública, para todos os alunos, era considerado
"sangue bom".

3. Para realçar o significado de qualquer palavra ou expressão, ou para marcar um sentido que
não seja o usual;

Exemplos:

O vocábulo "que" pode ser analisado de várias maneiras.
Ela deu um "espetáculo" no saguão do prédio. (A palavra ESPETÁCULO
aqui tem o sentido de ESCÂNDALO.)

Observação:

As aspas também podem ser empregadas no lugar dos travessões em diálogos quando da
mudança de interlocutor.

Exemplos:
"Vamos mudar de assunto", disse eu.
"OK, vamos então falar de amor?" replicou Clara.
"Boa idéia!" concordei, sorrindo-lhe.

4. Para fazer sobressair o título de uma obra literária, musical, etc.

Exemplos:

Adorei ler "Nosso Lar", de André Luiz.
Você gostou do disco "Sozinho", do Caetano Veloso?

Observação: Quando as aspas abrangem parte do período, o sinal de pontuação é colocado
depois delas:

34

Na política, ainda são bastante numerosos os "partidários do Brizolismo".

Quando, porém, as aspas abrangem todo o período, o sinal de pontuação é colocado antes delas:

"Nem tudo que reluz é ouro."

Quando já existe aspas numa citação ou numa transcrição, devemos usar a "aspa simples" ('), ou
negrito, ou ainda letras de outro tipo para destacar o termo ou expressão desejados:

Aquele crítico de arte declarou assim: "Todos admiravam o 'feeling' daquele artista".

TRAVESSÃO (-)

Emprega-se nos seguintes casos:

1. Para indicar, nos diálogos, a mudança de interlocutor;

Exemplo:

- Você tem religião?
- Sim, a do Amor.

2. Para isolar, num contexto, palavras ou orações intercaladas;

Exemplo:

O presidente declarou - e nem sabemos quanto lhe custou essa decisão - que estava
renunciando.

3. Para dar mais realce a uma expressão ou oração, pode-se empregar o travessão em lugar dos
dois pontos;

Exemplo:

Era mesmo o meu quarto - a roupa da escola no prego atrás da porta, o quadro da santa na
parede...

4. Para substituir um termo já mencionado (uso comum nos dicionários).

Exemplo:

pé, s. m.: parte inferior do corpo humano; - de-moleque: doce feito de amendoim.

ASTERISCO (*)

Serve para chamar a atenção do leitor para alguma nota ao final da página ou do capítulo.

UNIDADE 6

35

ACENTUAÇÃO GRÁFICA

As palavras são classificadas com base em sua tonicidade em:
Oxítonas: quando a última sílaba é mais forte: café, Pari, paletó.
Paroxítonas: quando a penúltima é a mais forte: caráter, cavalo, férias.
Proparoxítonas: quando a antepenúltima é a mais forte: público, sábado, mágico.

ACENTUAM-SE:

1)monossílabos: são acentuadas as palavras terminadas em: a, e, o, em, seguidas ou
não de s: pá, três, vê-lo, pô-lo.
2)proparoxítonas: todas são acentuadas: clássico, pássaro, rótulo.
3)oxítonas: são acentuadas as terminadas em: a, e, i, o, em, seguidas ou não de s:
guaraná, atrás, lavá-lo, jacaré, repôs, dispô-lo, também, parabéns.
4)Paroxítonas: são acentuadas as terminadas em: l, n, r, x, ps, ão, ã, i(s), u(s),
um(ns), on(s), e ditongos: fácil, amável, pólen, hífen, revólver, repórter, tórax,
bíceps, órgãos, ímã, júri, íris, vírus, álbum, álbuns, próton, elétrons, história, série,
úteis.

5)Ditongos abertos: VER NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO – UNIDADE 8
6)Hiatos: acentuados os I e U que formam os hiatos, quando constituem sílabas
sozinhas ou seguidas de S, e não seguidos de 1, m, n, r, u, z, nh: saúde, balaústre,
raízes, faísca. Não são acentuados, portanto: juiz, rainha, Raul, cairmos. VER
NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO – UNIDADE 8
7)Algumas palavras que geram dúvidas quanto à acentuação: dúplex, látex, lêvedo,
logótipo, rubrica, avaro, pudica, distinguiu, aziago, Pacaembu, tatu, mister, ínterim,
bisturi, moinho.

EXERCÍCIOS

Acentue se necessário:
aparencia facil bone ureter voo insonia genuino bebado rubrica gratuito
prototipo bauxita duplex omega ibero lampada materia piloto palito paleto
Jacarei tatu vandalo juiz juizes Luis Luiz apoio (subs.) chapeu improprio
miudo refem ele contribui estagio sovietico plagio moida eu contribui hifen
itens saci anzol apoio (verbo) abençoo bilingue ele mantem intuito ziper
colher ele obtem tres

A CRASE

Usa-se o acento indicativo de crase quando houver a contração da preposição a e do
artigo feminino a ou com os pronomes demonstrativos aquela e suas variações.
Eu vou a + a feira = Eu vou à feira.

36

Note como houve o encontro da preposição a e do artigo a. Caso trocássemos feira por
mercado, veríamos que ocorreria o encontro da preposição a com o artigo o.
Eu vou a + o mercado = Eu vou ao mercado.

REGRA PRÁTICA

a)Trocar a palavra feminina por uma masculina semelhante. Se ocorrer
com a palavra masculina o encontro ao, com a feminina ocorrerá a fusão
à.

O professor se referiu ao aluno = O professor se referiu à aluna.
b)Trocar a preposição a pela preposição para.
A secretária foi para a reunião = A secretária foi à reunião.

REGRAS ESPECÍFICAS

Nem sempre será possível, aplicar as regras práticas. Haverá casos que solicitarão o
uso de algumas regras específicas.
1)Horas: ocorrerá a crase. Irei ao clube hoje às 14 horas. A reunião será das 15 às 20

horas.

Observação: A palavra desde elimina a ocorrência da crase:
Estou esperando você desde as 2 horas.
Veja que se usarmos meio-dia, não haverá o encontro a + o:
Estou esperando você desde o meio-dia.
2)Dias da semana: ocorrerá crase somente no plural.

Das segundas às sextas-feiras, haverá reuniões.

Observação:
a)No singular não ocorrerá a crase:
Haverá reunião de segunda a sexta- feira.
b)Não ocorrerá crase antes dos meses do ano:
De janeiro a março, teremos dias quentes.
3)Nome de lugares: A ocorrência da crase será constatada com o auxílio do verbo vir

ou voltar.

Irei à Argentina = Venho da Argentina.
Vou à Roma Antiga = Voltei da Roma Antiga.
Irei a Marília = Venho de Marília.
Vou a Roma = Voltei de Roma.
Ao usar o verbo vir ou voltar, deve-se observar a incidência do artigo na preposição de:
da = à
de = a

4)À moda ou à maneira: ocorrerá crase com estas expressões mesmo que
subentendidas:
Comi um bife à moda milanesa ou Comi um bife à milanesa.
Escrevo à maneira de Nelson Rodrigues, ou Escrevo à Nelson Rodrigues.

37

Observação: Esta regra ocorrerá com qualquer palavra subentendida:
Fui à Marechal Deodoro. = Fui à rua Marechal Deodoro.
Esta caneta é igual à que comprei. = Esta caneta é igual à caneta

que comprei.

5)Distância: ocorrerá crase quando é determinada a distância:
Vi sua chegada a distância.
Vi sua chegada à distância de dez metros.
6)Casa: ocorrerá crase quando não existir o sentido de lar ou quando estiver
modificada.

Volte a casa. (sentido de lar)
Vou à casa de meus irmãos. (modificada = de meus irmãos)
7)Terra: ocorrerá crase quando não estiver no sentido de solo:
Cheguei a terra. (solo)
O lavrador trabalha a terra. (solo)
Cheguei à terra natal.
Os astronautas regressaram à Terra tranqüilos.
8)Pronomes: ocorrerá crase somente nestes casos:
a)pronomes relativos a qual e as quais:
Esta é a garota à qual me referi.
b)pronomes demonstrativos aquela, aquela, aquilo:
Referi-me àquele livro.
Note que se usássemos outro pronome apareceria a preposição a:
Referi-me a este livro = Referi- me a + aquele livro.

Observação: Com os pronomes demonstrativos a e as, só ocorrerá crase com verbos que
exigirem a preposição a:
Assisti a todas aulas do dia, menos às de física.
Note que o verbo assistir neste caso pede a preposição a:
Assisti a todas e assisti a + as de física.

c)Pronomes possessivos femininos (minha, tua, sua, nossa...): a ocorrência de crase é
facultativa:

Assisti a tua peça musical, ou Assisti à tua peça musical.
9)Locuções Adverbiais, Prepositivas e Conjuntivas Femininas. Normalmente
respondem às perguntas onde? como? por quê?
Veja: Comerei à luz de vela. – Comerei como? à luz de vela. Caso não usasse o acento
indicativo de crase a frase teria outro sentido. Comerei a luz de vela – Significa que a
luz de vela será comida, o que é incoerente.
Outro exemplo: Adiou à noite. – Adiou quando? à noite.
Adiou a noite. – Significa que a noite foi adiada.
Observe algumas locuções: à risca, às cegas, à direita, à força, à revelia, à escuta, à
procura de, à espera de, às claras, às vezes, às pressas, à paisana, à tarde, à noite, à
toa, à medida que, à proporção que, etc.

EXERCÍCIOS

1)Use o acento indicativo de crase quando necessário:

a)A cigarra vive a cantar junto a janela onde a pobre menina doente descansa.
b)A distância, observava as moças cantarem suaves canções.
c)Irei a Campinas amanhã e a saudosa Araraquara na semana que vem.

38

d)Fomos a Itália e não fomos a Roma.
e)Esta é a rua a que me referia ontem.
f)As cegas, o policial estava a procura do ladrão na mata escura.
g)A discussão é pertinente a gerência financeira.
h)Víamos a distância de dez metros os marinheiros descerem a terra (contrário de

bordo)

i)Aquela é a mulher a qual dediquei metade de minha vida em vão.

UNIDADE 7

DIFICULDADES COM A LINGUAGEM ESCRITA

POR QUE, POR QUÊ, PORQUE OU PORQUÊ?

POR QUE – Utilizado no início de frases interrogativas. Com sentido de razão / motivo
pelo(a) qual.

Por que você não foi à festa?

Gostaria de saber por que você não foi à festa.

POR QUÊ – Utilizado no final de frases interrogativas ou quando estiver isolado.

Você não foi à festa, por quê?

39

PORQUE – Utilizado em respostas, na introdução de causa ou explicação.

Não fui à festa porque estava doente.

PORQUÊ – Com valor substantivo, precedido de determinante. Pode ser substituído por
motivo.

Quero saber o porquê de tanta gritaria.

POR QUE / POR QUÊ / PORQUE / PORQUÊ

TIPO

EMPREGO

EXEMPLOS

Por que

a.Orações interrogativas diretas.
b.Orações interrogativas indiretas
c.Pronomes relativos

Por que você viajou?
Não sei por que você viajou.
O caminho por que passei era
ruim. (= pelo qual).

Por quê

Grafa-se separadamente com acento, quando
ocorrer no final de frases interrogativas
diretas e indiretas e quando houver pausa.

Ela saiu cedo, por quê?
Pedro saiu? Por quê?
Vocês não conversaram com o
diretor, por quê?

Porque

Usa-se nas respostas explicativas. Pode ser
substituído por “pois”. Grafa-se numa única
palavra, quando for empregada como
conjunção causal ou explicativa.

Ele saiu cedo, porque tinha
uma reunião.
Ele foi reprovado, porque não
estudou. (causa da reprovação)

Porquê

Grafa-se numa única palavra e acentua-se,
quando for substantivo. Pode ser substituído
pelo substantivo motivo.

Não sei o porquê de sua
rebeldia.

Seria interessante saber o
porquê de sua tristeza.

A FIM DE ou AFIM?

40

A FIM DE – Com intuito

Nós procuramos a fim de estabelecermos relações comerciais.

AFIM – Com afinidade

São pessoas afins.

ONDE ou AONDE?

ONDE – Usado quando o verbo indica permanência (em que lugar).

Onde está o meu carro?

AONDE – Usado quando o verbo indica movimento (a que lugar).

Aonde você vai agora?

HÁ CERCA DE, ACERCA DE ou CERCA DE?

HÁ CERCA DE – Indica tempo decorrido.

A peça teatral está sendo apresentada há cerca de dois anos.

ACERCA DE – a respeito de.

Falávamos acerca de sua demissão.

41

CERCA DE – Indica arredondamento (perto de, coisa de, por volta de, em torno de,
aproximadamente)

Cerca de 10 mil pessoas compareceram à manifestação.

Obs: Não usar para números exatos. Ex.: “Cerca de 543 pessoas...”

HAJA VISTO ou HAJA VISTA?

A expressão correta é HAJA VISTA, mesmo antes de palavras masculinas.

amos repetir a demonstração. Haja vista o interesse dos participantes.

TAMPOUCO ou TÃO POUCO?

TAMPOUCO – Também não.

Não compareci a festa tampouco ao almoço.

TÃO POUCO – Muito pouco.

Tenho tão pouco tempo disponível para essa tarefa.

A ou HÁ?

A – Preposição, indica tempo futuro, idéia de distância e na expressão a tempo.

Ele chegará daqui a duas semanas.

42

A cidade fica a 20 km daqui.

Não chegaremos a tempo de ver o espetáculo.

HÁ – Indica tempo decorrido, passado.

Há tempo que não trabalho tanto quanto agora.

Saiu há pouco do Rio de Janeiro.

A PAR ou AO PAR?

A PAR – Estar ciente de, sabedor.

Estou a par do ocorrido.

AO PAR – Termo usado em Operadores de Mercado Financeiro (indica paridade ou
igualdade).

O lançamento de ações foi feito ao par (com base no valor nominal).

MENOS ou MENAS?

Forma correta é : “Há menos pessoas aqui do que lá”.

Não esqueça que NÃO existe a forma MENAS.

MÁS, MAS ou MAIS?

43

MÁS – Ruins.

Essas pessoas são muito más.

MAS – Conjunção coordenativa adversativa: entretanto, porém.

A virtude é comunicável. Mas o vício é contagioso.

MAIS – Antônimo de menos.

O jornal de hoje publicou mais fotos da vencedora do festival.

MAL ou MAU?

MAL – Antônimo de bem.

A criança estava passando mal desde ontem.

MAU – Antônimo de bom.

Houve mau uso dos equipamentos eletrônicos.

AO INVÉS DE ou EM VEZ DE?

AO INVÉS DE – Significa ao contrário de.

Maura, ao invés de Alice, resolveu se dedicar à música.

EM VEZ DE – É o mesmo que em lugar de.

Em vez de José, Carlos esteve presente.

44

A NÍVEL DE ou EM NÍVEL DE?

A forma A NÍVEL DE dita com tanta propriedade não existe, portanto deve ser
eliminada ou substituída por EM RELAÇÃO A, NO QUE DIZ RESPEITO A.

A nível de presidente, eu acredito que...(INCORRETO)

No que diz respeito ao presidente, eu acredito que...(CORRETO)

A expressão EM NÍVEL DE pode ser usada quando for possível estabelecer níveis
/patamares em relação ao que se fala.

As decisões tomadas em nível federal (estadual, municipal) poderão ser definitivas.

Obs: Em relação ao mar, aceita-se ao nível do mar ou no nível do mar.

A PRINCÍPIO ou EM PRINCÍPIO?

A PRINCÍPIO – Significa inicialmente, no começo, num primeiro momento.

A princípio havia um homem e uma mulher.

EM PRINCÍPIO – Quer dizer em tese, por princípios, teoricamente.

Em princípio, sou contra a pena de morte.

Ou use simplesmente:

45

Em tese, sou contra a pena de morte.

EM CORES

O pronunciamento do presidente foi filmado em cores ontem.

Conserta-se TV em cores.

NA RUA

Todos moramos em algum lugar e não a algum lugar.

Roberto residia na rua Augusta.

EM DOMICÍLIO ou A DOMICÍLIO?

O correto é entregas em domicílio. É o mesmo que fazer entregas em casa, no

escritório.

Fazemos entregas em domicílio.

Obs.: Só usamos a domicílio com verbos de movimento.

Conduziram o doente a domicílio (melhor: ...ao seu domicílio).

SITO A ou SITO EM?

46

Nosso escritório situa-se na Avenida Brasil.

DIA-A-DIA ou DIA A DIA?

DIA-A-DIA – Cotidiano.

Isso é freqüente no nosso dia-a-dia.

DIA A DIA – Diariamente.

Suas chances de vitória aumentam dia a dia.

SE NÃO ou SENÃO?

SE NÃO – Pode ser substituído por caso não.

Devolva o relatório se não estiver de acordo.

SENÃO – Pode ser substituído por somente, apenas.

Não vejo outra alternativa senão concordar.

SENÃO – Substantivo, significando contratempo.

O show não teve nenhum senão.

PORISSO ou POR ISSO?

NÃO existe a forma PORISSO.

47

A forma correta é POR ISSO.

É por isso que você não vai mais errar.

AO ENCONTRO DE ou DE ENCONTRO A?

AO ENCONTRO DE – Designa uma situação favorável.

Nossas propostas vão ao encontro das atuais tendências do mercado.

DE ENCONTRO A – Dá a idéia de oposição, contrariedade, choque.

Temos pontos de vista diferentes: minhas idéias vão de encontro às suas.

COM CERTEZA OU CONCERTEZA?

Com certeza, é com certeza, separado!

CONTUDO OU COM TUDO?

COM TUDO – Faz referência a algo mencionado anteriormente, invariavelmente
acompanhado do pronome ISSO.

Com tudo isso é possível perceber que estudar é essencial!

CONTUDO – Introduz uma idéia oposta ao que foi mencionado anteriormente, pode ser
substituído por entretanto, porém, todavia, mas.

Contudo não é possível afirmar que todas as pessoas são felizes.

48

DERREPENTE OU DE REPENTE?

Só existe a forma DE REPENTE.

INFELIZMENTE OU INFELISMENTE?

Grafa-se infeliz com Z, portanto o advérbio INFELIZMENTE, derivado de infeliz, deve
também ser grafado com Z.

OQUE OU O QUE?

Trata-se de uma expressão formada por duas palavras, portanto O QUE.

A falta de desenvolvimento sustentável é O QUE acarreta tantos problemas ao

meio ambiente.

QUIS OU QUIZ?

O verbo querer deve ser grafado com S, assim:

Eu não QUIS incomodar você. Ele também não QUIS. Talvez os outros QUISESSEM...

AGENTE OU A GENTE?

AGENTE – é substantivo.

Este é o AGENTE 007.

49

Ele é um AGENTE da Polícia Federal.

A GENTE – forma oral que na linguagem coloquial substitui o pronome NÓS.

- Vocês preferem ir ao cinema ou ao teatro?

- É claro que A GENTE preferi ir ao cinema.

OPNIÃO OU OPINIÃO? / OPITAR OU OPTAR? CORRUPTO OU CORRUPITO?

As formas corretas são OPTAR, OPINIÃO E CORRUPTO.

Palavras homônimas e palavras parônimas – Exercícios

1) . Preencha as lacunas com um dos termos entre parênteses:

1. Em tempos de crise, é necessário.......................a despensa de alimentos. (sortir -

surtir)

2. Os direitos de cidadania do rapaz foram........................pelo governo. (caçados -

cassados)

3. O..........................dos senadores é de oito anos. (mandado- mandato)
4. A Marechal Rondon estava coberta pela...............................(cerração - serração)
5. César não teve..........................de justiça. (censo - senso)
6. Todos os....................................haviam sido ocupados. (acentos - assentos)
7. Devemos uma......................quantia ao banco. (vultosa - vultuosa)
8. A próxima..............................começará atrasada. (seção - sessão)
9. ..................................-.se, mas havia hostilidade entre eles. (cumprimentaram

-comprimentaram)

10. Na........................das avenidas, houve uma colisão. (intersecção - intercessão)
11. O.....................................no final do dia estava insuportável. (tráfego - tráfico)
12. O marido entrou vagarosamente e passou.....................................(despercebido -

desapercebido)

13. Não costume .......................................as leis. (infligir - infringir)

50

14. Após o bombardeio, o navio atingido............................. (emergiu - imergiu)
15. Vários....................................japoneses chegaram a São Paulo nas primeiras décadas
do século. (emigrantes - imigrantes)
16. Não há.......................................de raças naquele país. (discriminação -

descriminação)

17. Após anos de luta, consegui a ........................... (dispensa - despensa)
18. A chegada do....................................... diplomata era........................ (eminente -

iminente).

19. O corpo..................................... era formado por doutores. (docente- discente)
20. Houve alguns.......................................no Congresso. (acidentes - incidentes)
21. Fomos...................................pelos anfitriões. (destratados - distratados)
22. A..................................... dos direitos da emissora foi uma das tarefas do governo.

(seção - cessão)

23. Ali, na...................................... de eletrodomésticos, há uma grande liquidação.

(seção - cessão)

24. É um senhor......................................(distinto - destinto)
25. Dei o .......................................mate ao gerente, por causa do........................ sem

fundos. (cheque - xeque)
26. A nuvem de gafanhotos ..................................a plantação. (infestou - enfestou)
27. Quando Joana toca piano é mais um........................que um............................

(conserto - concerto)

28. Todos eles.............................o prazer da bela melodia. (fruem - fluem)
29. Estava muito.....................para..................quanto custava aquele aparelho. (apreçar -

apressar)

30. Nas festas de São João é comum ......................balões e vê-los.................... .

(ascender - acender)

31. As pessoas foram recolhidas a suas........................ .(celas - selas)
32. Segui a...............................médica, mas não obtive resultados. (proscrição -

prescrição)

33. Alguns modelos.................................serão vendidos. (recreados - recriados)
34. A bandeira de São Paulo tem...................pretas. (listas - listras)
35. Para passar, precisava ..............................mais das lições. (apreender -aprender)
36. O réu..............................suas culpas. (expiará - espiará)
37. Encontrei uma carteira com .........................de cem dólares. (cédulas - sédulas)
38. Iremos à..............para lermos deliciosa....... ................medieval. (xácara - chácara)

51

39. Na hora da................................., os mexicanos dormem. (cesta-sesta)
40. Percebe-se que ele ainda é meio...................., pois não tem prática de comércio.

(incipiente - insipiente)

ERRO NA ACENTUAÇÃO DE ALGUMAS PALAVRAS

Em algumas situações, a acentuação altera não só a classe gramatical, mas

também o sentido da palavra.

influência

influencia

pronúncia

pronuncia

tecnológico

tecnologia

maquinaria

maquinária não existe

mês

meses

vocês

Voces, vocêis, voçês não existem

secretária

secretaria

ERRO NA PRONÚNCIA DE ALGUMAS PALAVRAS

PRONÚNCIA CORRETA

PRONÚNCIA ERRADA

Aeronáutica

Areonáutica

Bandeja

Bandeija

Emagrecer

Esmagrecer

Progresso

Pogresso

Coincidência

Conhicidência

52

Advogado

Adevogado

Mortadela

Mortandela

Bicarbonato

Bicarbornato

Problema

Poblema, probrema, ploblema

Salsicha

Shalchicha

Próprio

Póprio

Sobrancelha

Sombrancelha

Perturbar

Pertubar

Frustrado

Frustado

Cabeleireiro

Cabelereiro, cabeleileiro

Entretela

Entertela

Engajamento

Enganjamento

Mendigo

Mendingo

Meteorologia

Metereologia

Ignorante

Inguinorante

Reivindicação

Reinvidicação

Privilégio

Previlégio

Superstição

Supertição

Lagartixa

Largatixa

Receoso

Receioso

Digladiar

Degladiar

Subsídio

Subzidio

Rubrica

Rubrica

Disenteria

Desinteria

Empecilho

Impecilho

53

Estupro

Estrupo

Beneficente

Beneficiente

Irrequieto

Irriquieto

Prazerosamente

Prazeirosamente

Misto

Mixto

Caderneta

Cardeneta

Xifópagos

Xipófagos

Dignitário

Dignatário

Cinqüenta

Cincoenta

Asterisco

Asterístico

EXERCÍCIOS

1. Preencha os espaços com por que, por quê, porque ou porquê:

a)__________________você pretende sair mais cedo?

b)________________ jamais levanta a voz, todos o admiram.

c) Você se julga uma pessoa melhor do que as outras __________________?

d) _____________leio? Ora. Leio _________________a leitura me faz sonhar.

e) As cidades ____________________ passei são magníficas.

2. Preencha os espaços com mal ou mau:

a) Você fez um _______________ acordo.
b) Era um casa _______________feita.
c) Que_______________ gosto você tem!
d) Isso tudo que você disse faz muito _______________ aos seus amigos.
e) Um edifício _______________ construído é um perigo.
f) Todos falam _________________ de você.

3. Preencha os espaços com eu ou mim:

54

a) Traga os documentos para ________________ assinar.

b) Entre _________________e você não pode haver nenhuma espécie de segredo.

c) Para _______________é difícil dizer não.

d) Venham até ___________________ para que eu possa explicar o que realmente ocorreu.

e) São projetos para ____________________ construir um hotel.

4. Preencha, agora, utilizando más, mas ou mais:

a) Suas intenções não são __________________ .

b) É um bom homem ___________________ ninguém reconhece.

c) Você está ___________________ perto da vitória.

d) Fez o jantar ____________________ não comeu..

e) Chegou tarde, _________________chegou.

f) Apesar de tentarem sempre praticar boas ações, elas são realmente
___________________.

g) Não sei _______________________ nada sobre isso.

h) Hoje você está ______________________ cansado do que ontem.

5. Complete as lacunas com uma das opções entre parênteses.

a) ______________ encontrar seu gerente, entregue os documentos à secretária. (se não
– senão)

b) Nunca entraremos em acordo: suas opiniões vão __________________ meus princípios.
(de encontro a – ao encontro de)

c) Não vejo ________________________ algum em ocupar tal cargo. ( previlégio –
privilégio)

d) Todas as entregas serão feitas ____________________. ( a domicílio – em domicílio)

e) Por favor, coloque os clientes _____________________ do andamento de seus
processos. (a par – ao par)

f) ________________ de evitar problemas e criar _________________ expectativas, o gerente
de vendas resolveu cancelar o evento de lançamento marcado para a próxima semana.
( afim de – a fim de / menas – menos)

6.Preencha os espaços vazios com porque, porquê, por que, por quê.
______ desistir agora de um projeto_______debatemos há tanto tempo?
A situação haveria de mudar___________? Não há razões _______ isso deva ocorrer.

55

__________ águas estamos navegando ninguém sabe dizer. Todos ignoram o ________
dessa instabilidade.
__________ exigir essas coisas dos candidatos aos nossos cargos públicos?
Perguntava __________ aquele espinho doía tanto no peito.
“O trenzinho seguia danado para Belém___________ o maquinista não tinha jantado até
aquela hora.” (Antônio de Alcântara Machado)

7. Elimine o que está sobrando:

a) O gerente tem certeza absoluta do prazo estipulado.

__________________________________________________________________________

b) A taxa vigente no mercado, no momento, é igual à do mês passado.
__________________________________________________________________________

c) A data máxima para pagamento da mensalidade não pode passar além do dia 30 do
mês

de

janeiro.

__________________________________________________________________________

d) As visitas opcionais são de sua livre escolha.
__________________________________________________________________________

e) Os transportes públicos são alvo de vandalismo criminoso.
__________________________________________________________________________

f) Na eleição para presidente, houve unanimidade absoluta de todos os integrantes do
grupo. __________________________________________________________________________

g) Há dois meses atrás, foi comunicado o cancelamento da compra do imóvel.
__________________________________________________________________________

h) A solução para o problema é iminente e imediata.
__________________________________________________________________________

56

i) Ainda não foi encontrado um elo de ligação entre as versões apresentadas pelas
testemunhas. __________________________________________________________________________

j) O lançamento do novo tipo de computador foi um sucesso positivo e excedeu muito
às

expectativas

do

fabricante.

__________________________________________________________________________

UNIDADE 8

LEITURA: IMPORTÂNCIA E ESTRATÉGIAS

: A LEITURA TRABALHADA COMO MÉTODO

A leitura é um processo que envolve algumas habilidades, entre as quais a interpretação do
texto e sua compreensão. O processo inicia pelo reconhecimento das palavras impressas, o que pode
ocorrer sílaba por sílaba, palavra por palavra, conjuntos de palavras ou captação de frases inteiras.
Após o reconhecimento, passa-se à interpretação do pensamento do autor para, a seguir,
compreendê-lo. O passo seguinte será a retenção das idéias do autor e, quando necessário, a
reprodução das idéias de modo pessoal, o que confirma a compreensão.

É interessante observar o mecanismo do processo. A leitura não é simplesmente um deslizar dos
olhos pelas letras impressas. À semelhança de um atleta em movimento, que busca apoio no chão
para impulsionar-se para frente, da mesma forma os olhos só conseguem captar com clareza algo
quando se fixam em algum ponto. Em outros termos, existem os movimentos de saltos e fixações.
Quando o olho salta, ele permanece cego, nada vê. Quando se fixa, consegue ver.

Algumas conclusões podem ser tiradas:

- A boa leitura depende do número de fixações por linha.
- Captar um conjunto de palavras em cada fixação aumenta a velocidade da leitura.
- Quando se lê sílaba por sílaba ou palavra por palavra, além de a leitura ser mais lenta, o
significado permanece truncado.
- Para alguém tornar sua leitura mais eficiente precisa aprender a ler pelo significado, o que se
consegue captando conjuntos de palavras. Isto se percebe pelo seguinte quadro:

M R T B F

LIVRO

AUTOMÓVEL

O BOM LEITOR CAPTA CONJUNTOS

57

A primeira linha se compõe de letras sem significado. A segunda, duas palavras sem
conexão. A terceira, possui um significado. É captada mais facilmente.

Normalmente, o tempo de fixação para o leitor lento e para o leitor rápido é o mesmo. No entanto,
enquanto o lento se fixa em sílabas ou palavras, o rápido se fixa em conjuntos. O mau leitor faz até
doze fixações por linha ao passo que o bom leitor executa a mesma tarefa em duas ou três.

Diversos autores que estudam o processo e o mecanismo da leitura apresentam
classificações diferentes para os diferentes tipos de leitura. Assim, fala-se de leitura crítica,
assimilativa, analítica etc. que poderiam ser sintetizadas em:

- Recreativa, cujo objetivo é trazer satisfações à inteligência.
- Crítica, onde existe um confronto de ideias entre o leitor e o autor.
- Assimilativa, em que o leitor reconhece o autor como autoridade e procura aprender com ele seu
conteúdo.

O universo cultural é constituído pela somatória de todas as experiências que a espécie humana
vivenciou ao longo de sua evolução. Se cada indivíduo tivesse que recapitular todas as experiências
acumuladas pela cultura, teria que passar por todo o processo de evolução. De modo geral, os livros
são a condensação desta evolução cultural que é apresentada nos mais variados estilos: romance,
filosofia, psicologia, matemática, história, sociologia. Ler, portanto, constitui um dever e um direito
de aprender, progredir, desenvolver-se e inteirar-se deste universo cultural. Quem lê, torna-se mais
apto para enfrentar os problemas e situações que a vida social, profissional, política, cultural
apresenta. Em se tratando do universitário, cujo conceito exige um saber globalizante, é
imprescindível a leitura.

Malba Tahan conta a estória do “homem maravilhoso” que intrigava muitas pessoas. Este
homem costumava passar seis horas diariamente na biblioteca, onde solicitava livros volumosos de
temas complicados e escritos em línguas estranhas. À medida que o tempo passava, esta atitude
despertava a curiosidade dos responsáveis pela biblioteca. Até que o bibliotecário decidiu pedir
explicações a um homem tão sábio. Grande foi sua surpresa quando soube que o homem
maravilhoso não sabia ler e se utilizava dos livros para poder dormir confortavelmente na sua
poltrona da biblioteca por ser muito pobre e não poder descansar em outro lugar. Moral da história:
não faz bom leitor o fato de ter sempre um livro à mão.

O bom leitor se faz superando deficiências de leitura tais como:

a) mecanismo ocular _ ignorando o funcionamento deste mecanismo, há pessoas que lêem com
movimentos da cabeça, muito próximas ou muito afastadas do objeto de leitura.

b) sentido truncado _ por ler aos pedaços, não apreende o significado nem as idéias, o que força o
retorno a linhas anteriores, para fixar o sentido.

c) mecanismo fonador _ à medida em que lê, tenta acompanhar os olhos com movimentos labiais,
ou articulando a língua embora com a boca fechada, ou quer fazer “leitura em voz baixa”, ou seja,
está subvocalizando.

A superação das deficiências de leitura é o meio para a formação do bom leitor. Isto se consegue
com a aplicação das indicações que seguem:

58

a) Preparação _ As atividades humanas, de modo geral, envolvem uma expectativa específica para
cada uma delas. Assim, assistir a um jogo de futebol implica um estado emocional e psíquico
diverso daquele com que alguém vai ao cinema ou teatro. Do mesmo modo a leitura exige que se dê
vazão a um estado emocional e psíquico que lhe é próprio. Se alguém vai a um jogo, a cinema ou
teatro sem se predispor a isto acabará por julgar a atividade maçante e cansativa. O mesmo acontece
com a leitura quando encarada como obrigação, que cria uma expectativa negativa, tornando-a
ineficiente. Por não atender a esta exigência de preparação, algumas pessoas vêem no livro um meio
para adormecer rapidamente. A criação de uma expectativa adequada para a leitura envolve fatores
como: ambiente (ônibus urbano nunca foi apropriado para a leitura, nem tampouco cama é lugar
para isso), nível de conhecimento de quem se predispõe a ler (assunto adequado à faixa cultural),
seleção de assuntos (dados sobre o autor, orelha do livro, sumário ou índice, introdução, citações,
bibliografia são indicadores iniciais para o exercício da leitura).

b) Velocidade – Livros técnicos, revistas, jornais, novelas exigem padrões distintos de velocidade,
ou seja, o bom leitor sabe ajustar a velocidade da leitura de acordo com o assunto. No entanto,
convém salientar que o aumento de velocidade não significa diminuição da compreensão. Ao
contrário do que se pensa, a compreensão está na razão direta do aumento de velocidade. Isto
porque, no processo de entendimento, quem comanda é o cérebro, que não lê palavras, mas
unidades de pensamento. A velocidade satisfatória é de 400 palavras por minuto, em média. Como
melhorar o padrão de velocidade?

-O primeiro passo é conhecer a velocidade atual .Para tanto, assinala-se, em um texto
qualquer, 500 palavras.A seguir, faz –se a leitura normalmente, cronometrando o tempo total
gasto.Ex: se o tempo foi de 2 minutos, exatos a leitura corresponde a 250 palavras por minuto, ou
seja, divide-se o número de palavras lidas pelo tempo gasto e obtém-se o número de palavras lidas
por minuto.
-A velocidade da leitura pode ser aumentada através de exercícios como:

1)Escolher um artigo de jornal ou revista, disposto em uma coluna de mais ou menos 5cm.Ler com
saltos de olhos a primeira e a última palavra de cada linha, tentando captar o sentido do artigo.

2)Em um livro não técnico, ler em cada linha somente a palavra inicial, a do meio e a final,
estabelecendo três pontos de fixação e procurando captar apenas o sentido do texto.

3)Com um livro de assunto conhecido, ler tão rapidamente quanto possível, captando apenas o
sentido dos parágrafos.Num segundo momento, reler e verificar se de fato a ideia principal foi
fixada.Para este exercício, anotar o tempo inicial e o tempo final.

4)Com o auxilio de uma régua branca ou cartolina branca, ler um texto, fazendo-a deslizar sobre as
linhas lidas, empurrando, deste modo à leitura.

c) Subvocalização - O uso inconsciente do aparelho fonador da leitura silenciosa age como um freio
sobre o cérebro dificutando-lhe a leitura por unidade de pensamento.

1)Exercícios para evitar a subvocalização podem ser elaboradas com listas de palavras ou frases de
difícil pronúncia, onde se lê o sentido e não a pronuncia.Presta-se atenção unicamente ao sentido,
evitando-se movimentos labiais de língua ou cordas vocais, sinais de subvocalização.Alguns
exemplos:

59

Toco preto, porco crespo.
Pia o pinto, a pipa pinga.
Três tristes tigres comiam trigo no trigal.
A pipa pinga e o pinto pia.Quanto mais o pinto pia mais a pipa pinga
O rato roeu a roupa do rei Ricardo da Rússia.
O tempo perguntou ao tempo: quanto tempo o tempo tem
O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto o tempo tem.
O papo do pato está no prato de prata do padre.

2)Mesmas palavras ou frases de significados diversos.Presta-se atenção ao sentido e não à
pronúncia.

Com pena peguei na pena
Com pena pra te escrever
A pena caiu da mão
Com pena de não te ver.
Vi garça voando
Com penas que Deus lhe deu
Contando pena por pena
Mais pena padeço eu.
3) Palavras e frases escritas de modo semelhante, mas de sentido diverso. Prestar atenção ao sentido
e não à pronúncia. Ex: o velho viu apagar-se a velhinha enquanto procurava a ovelha.

Eu te asseguro que a secura é com água que se cura.
A tática ártica é contra a Antártica.
Divirto-me com a tua discrição na descrição da própria distração.
Quem conta um conto aumenta um ponto; quem corta um ponto aumenta o desconto.
Veja bem a distinção entre a extensão do campo e a extinção do campus.
O animal mau padece de um duplo mal: não sabe que ele é mau e não distingue o bem do

mal.

d) Área de fixação – à medida que se aumenta a área de fixação, aumenta-se também a velocidade
da leitura e, conseqüentemente, a capacidade de compreensão. Com alguns exercícios, torna-se
possível aumentar a área de fixação.

Números

3

4

Fixando os olhos no centro, lê-se facilmente 34

3

2

4

7

6

Fixando –se os olhos no número do centro, lê-se 32.476.

Palavras
Roeu
O rato roeu
O rato roeu a roupa

60

Fixando-se os olhos na palavra”roeu”, lê-se facilmente as outras”o rato” e “a roupa”, com a visão
periférica.

Técnicas de leitura trabalhada

Um bom aproveitamento nos estudos, além da eficiência na leitura, supõe a aplicação
sistemática e habitual de outras técnicas que facilitam a compreensão, a retenção, a memorização e,
ainda a documentação posterior.

A primeira destas técnicas é a SUBLINHA – arte de colocar em destaque as idéias
principais e palavras-chave de um texto. Um texto corretamente sublinhado permite sua releitura
com brevidade, economizando tempo sem prejuízo de conteúdo.
Embora não haja normas fixas para a execução da sublinha, é importante que se crie um
código pessoal, que deve ser mantido. Convém salientar que o hábito de sublinhar se adquire pela
repetição, tornando-a mecânica, como o que acontece com a escrita.

As indicações a seguir servem como elementos auxiliares para a aquisição desta técnica:

Não sublinhar na primeira leitura, a menos que se tenha prévio conhecimento do assunto.

Sublinhar apenas o que é realmente importante: ideias principais, dando destaque às palavras-chave.
A idéia principal, na maioria das vezes, encontra-se na primeira frase de sentido completo de um
parágrafo. Como em uma constelação, a ideia principal está circundada de outros elementos que lhe
servem de suporte explicando-a, apresentando provas, ilustrando-a ou refutando-a.

O texto a seguir, extraído de Délcio Vieira SALOMAN, em como fazer uma monografia p.
45-8 sintetiza o que se falou até agora sobre leitura e possibilita um exercício de sublinha:

BOM LEITOR

O bom leitor lê rapidamente e entende bem o que lê. Tem habilidade e hábitos como:

1- Lê com objetivo determinado. Ex.: aprender certo assunto – repassar detalhes – responder a
questões.

2- Lê unidades de pensamento. Abarca, num relance, o sentido de um grupo de palavras. Relata
rapidamente as ideias encontradas numa frase ou num parágrafo.

3- Tem vários padrões de velocidade.
Ajusta a velocidade da leitura com o assunto que lê. Se lê uma novela, é rápido. Se livro cientifico
para guardar detalhes – lê mais devagar para entender bem.

4- Avalia o que lê.
Pergunta-se frequentemente: que sentido tem isso para mim?
Está o autor qualificado para escrever sobre o assunto?
Está ele apresentando apenas um ponto de vista do problema?
Qual é a idéia principal deste trecho?
Quais seus fundamentos?

5- Possui bom vocabulário

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Sabe o que muitas palavras significam. É capaz de perceber o sentido das palavras novas pelo
contexto. Sabe usar dicionários e o faz frequentemente para esclarecer o sentido de certos termos,
no momento oportuno.

6- Tem habilidades para conhecer o valor do livro.
Sabe que a primeira coisa a fazer quando se toma um livro é indagar de que trata através do título,
subtítulos encontrados na página de rosto e não apenas na capa. Em seguida lê os títulos do autor.
Edição do livro. Índice. “Orelha do livro”. Prefácio. Bibliografia citada. Só depois é que se vê em
condições de decidir pela conveniência ou não da leitura. Sabe selecionar o que lê. Sabe o que
consultar e quando ler.

7- Sabe quando deve ler um livro até o fim, quando interromper a leitura definitivamente ou
periodicamente.

Sabe quando e como retomar a leitura, sem perda de tempo e sem perder a continuidade.

8- Discute frequentemente o que lê com colegas.
Sabe distinguir entre impressões subjetivas e valor objetivo durante as discussões.

9- Adquire livros com frequência e cuida de ter sua biblioteca particular.
Quando é estudante procura os livros de textos indispensáveis e se esforça em possuir os
chamados clássicos e fundamentais. Tem interesse em fazer assinaturas de periódicos científicos.
Formando, continua alimentando sua biblioteca e restringe a aquisição dos chamados
“compêndios”. Tem o hábito de ir direto às fontes; de ir além do livros de texto.

10- Lê assuntos vários.
Lê livros, revistas, jornais. Em áreas diversas: ficção, ciência, história, etc. habitualmente
nas áreas de seu interesse ou especialização.

11- Lê muito e gosta de ler.
Acha que ler traz informações e causa prazer. Lê sempre que pode.

12- O BOM LEITOR é aquele que não é só bom na hora de leitura.
É bom leitor porque desenvolve uma atitude de vida: é constantemente bom leitor. Não só

lê, mas sabe ler.

MAU LEITOR

O mau leitor lê vagarosamente e entende mal o que lê. Tem hábitos como:

1-Lê sem finalidade.
Raramente sabe o que lê.

2-Lê palavra por palavra.
Pega o sentido da palavra isoladamente.
Esforça-se para ajuntar os termos para poder entender a frase.
Frequentemente tem de reler as palavras.

3-Só tem um ritmo de leitura.
Seja qual for o assunto, lê sempre vagarosamente.

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4-Acredita em tudo que lê.
Para ele tudo que é impresso é verdadeiro.
Raramente confronta o que lê com suas próprias experiências ou com outras fontes.
Nunca julga criticamente o escritor ou seu ponto de vista.

5-Possui vocabulário limitado.
Sabe o sentido de poucas palavras. Nunca relê uma frase para pegar o sentido de uma palavra difícil
ou nova. Raramente consulta o dicionário. Quando o faz atrapalha-se em achar a palavra. Tem
dificuldade em entender a definição das palavras e em escolher o sentido exato.

6-Não possui nenhum critério técnico para conhecer o valor do livro.
Nunca ou raramente lê a página de rosto do livro, o índice, o prefácio, a bibliografia etc., antes de
iniciar a leitura. Começa a ler a partir do primeiro capítulo. É comum até ignorar o autor, mesmo
depois de terminada a leitura. Jamais seria capaz de decidir entre leitura e simples consulta. Não
consegue selecionar o que vai ler. Deixa-se sugestionar pelo aspecto material do livro.

7-Não sabe decidir se é conveniente ou não interromper uma leitura.
Ou lê todo o livro, ou o interrompe sem critério objetivo, apenas por questões subjetivas.

8-Raramente discute com colegas o que Lê.
Quando o faz, deixa-se levar por impressões subjetivas e emocionais para defende um ponto de
vista. Seus argumentos, geralmente, derivam da autoridade do autor, da moda, dos lugares comuns,
das tiradas eloqüentes, dos preconceitos.

9-Não possui biblioteca particular.
Às vezes é capaz de adquirir “metros de livro” para decorar a casa. É frequentemente levado a
adquirir livros secundários em vez dos fundamentais. Quando estudante, só lê e adquire compêndios
de aula. Formando, não sabe o que representa o hábito das “boas aquisições” de livro.

10-Está condicionado a ler sempre a mesma espécie de assunto.

11-Lê pouco e não gosta de ler.
Acha que ler é ao mesmo tempo um trabalho e um sofrimento.

12-O MAU LEITOR não se revela apenas no ato da leitura, seja silenciosa ou oral.
É constantemente mau leitor, porque se trata de uma atitude de resistência ao hábito de saber ler.

O significado etimológico de ESQUEMA, a segunda técnica é “esqueleto”, de onde se
conclui que só contém os traços essenciais do texto, o que possibilita realizar as ligações entre os
elementos e o funcionamento do conjunto, permitindo, assim, visualizar o todo porque hierarquiza
as ideias e destaca as diretrizes que estabelecem a unidade e a coerência do texto.
Do mesmo modo, a geometrização também não possui normas fixas. No entanto, algumas
indicações podem auxiliar sua elaboração:

- Ser fiel ao texto - o esquema é extraído do texto e não imposto ao texto. As palavras ou termos
originais, tanto quanto possível, são mantidos.

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- Hierarquizar as idéias, destacando as principais com base nos títulos, subtítulos e palavras-chave.

- Criar um código uniforme com gráficos, setas, desenhos, parêntesis, chaves, etc. Esta codificação,
no levantamento de esquemas, é absolutamente pessoal.

O texto acima, sobre o bom e o mau leitor, pode ser esquematizado da seguinte maneira:

BOM LEITOR - HÁBITOS

- objetivo determinado
- unidades de pensamento
- vários padrões de velocidade
- avalia
- bom vocabulário
- habilidades para conhecer livros
- sabe quando interromper a leitura
- discute o que lê
- forma sua biblioteca particular
- lê vários assuntos
- sabe e gosta de ler

MAU LEITOR - HÁBITOS

- lê sem finalidade
- lê palavra por palavra
- um só ritmo vagaroso
- não avalia
- vocabulário limitado
- não tem habilidades para conhecer o livro
- não sabe quando interromper a leitura
- não discute o que lê
- não forma biblioteca particular
- só lê um tipo de assunto
- lê pouco e não gosta de ler

Da geometrização ou esquema, nasce o RESUMO, que é a complementação da leitura
trabalhada – condensação do texto em seus elementos principais. O resumo bem elaborado tem a
finalidade de dispensar a leitura do original e é escrito para que outras pessoas entendam.

Referência Bibliográfica

BASTOS,Cleverson Leite& KELLER, Vicente. Aprendendo a aprender . Introdução à metodologia
científica.17.ed. Petrópolis:Vozes,2004

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UNIDADE 9

TEXTOS JORNALÍSTICOS

Os textos jornalísticos são, com freqüência, expositivos, ou seja, apresentam
fatos e suas circunstâncias, com análise de causas e efeitos, de forma aparentemente
neutra ou não. Em geral, as redações recomendam que as idéias sejam apresentadas
de forma clara e objetiva.

Para a publicação de uma notícia, leva-se em conta: proximidade do fato,
impacto proeminência, aventura, conflito, conseqüência, humor, raridade, sexo, idade,
interesse pessoal humano, importância, utilidade, oportunidade, suspense,
originalidade, repercussão. Na divulgação do fato noticioso, é necessário reconhecer
três aspectos: a informação, a interpretação e a opinião. Freqüentemente, a
informação baseia-se no quê, a interpretação no porquê, e a opinião apóia-se em juízos
de valor. Geralmente, respondem-se às seguintes perguntas: quem, o quê, onde,
quando, como, por quê.

Nota

Notícia que se caracteriza pela brevidade do texto. Pequena notícia que se

destina à informação rápida.

MÃE MATA GATO DAS FILHAS NA MÁQUINA DE LAVAR

Duas garotas inglesas, uma de cinco anos e outra de 15, foram obrigadas a
assistir na Quarta-feira 7 à morte de seu gato de estimação. O bichano chamava-se
Fluffy e morreu dentro de uma máquina de lavar roupas – em funcionamento. Quem
fez essa crueldade com o animal, e com as meninas, foi nada mais nada menos que a
própria mãe delas, Holly Thacker: “Eu quis puni-las porque elas andam desobedientes”.
Fluffy levou dez minutos para morrer e as filhas não podiam, sequer fechar os olhos.
Holly poderá ser condenada à prisão pela Justiça da Inglaterra.

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Revista IstoÉ, 1874-14/9/2005, p. 23

Responda: Quem? O quê? Onde? Quando? Como? Por quê?

Notícia

Deve ser recente, inédita, ligada à realidade, objetiva, de interesse público, os
fatos relatados devem estar próximos do público, provocar impacto, ter interesse
pessoal e humano, ser relevantes para a sociedade, ser originais.

MODELO RELATA ATAQUE DE GAROTOS

Cláudia seguia para o Anhembi, quando ficou presa no trânsito e foi assaltada
por menores

Cláudia tem 21 anos. Modelo de uma das mais importantes agências do país,
ela foi vítima de um assalto semana passada, na Avenida Prestes Maia, quando seguia
para o Anhembi, para trabalhar num estande da Fenasoft. “Precisei tomar calmante e
até hoje não me esqueço do que aconteceu.”
Ao contrário do que normalmente faz, Cláudia tinha baixado o vidro da porta do
seu Uno naquele dia, depois de demorar mais de 20 minutos para atravessar o túnel do
Anhangabaú. Na saída do túnel, um rapaz de 16 anos encostou e começou a oferecer
barras de chocolate. Em seguida chegou um garoto, de cerca de 14 anos, com um
pano cobrindo a mão. “O rapaz do chocolate ficou bem perto da janela e o outro
mostrou um vidro pontudo e comprido e mandou entregar o dinheiro e o relógio, pois
iria me cortar.”

Cláudia, nervosa, não conseguia pegar a carteira na bolsa. “As pessoas nos
carros por perto não se importavam e o garoto do chocolate começou a instigar o
outro, dizendo para cortar o meu rosto e espetar o vidro no meu pescoço.” Quando ela
conseguiu pegar a carteira, o garoto mais jovem pegou o dinheiro, atirou os
documentos no banco de trás, e o outro tirou o relógio.
Cláudia contou o que ocorrera a um marronzinho da Companhia de Engenharia
de Tráfego parado na Prestes Maia, antes da Senador Queirós, “disse que todos os dias
acontecem assaltos ali e a polícia não dá a mínima.” Com medo de represálias, ela não
apresentou queixa à polícia e pediu para que seu sobrenome não seja revelado. (R.L.)
(Estado de São Paulo, 26/7/95.)

Responda:
a) Quem; b) O quê; c) Onde; d) Quando; e) Como; f) Por quê;
g) Observe a data da publicação e o nome do veículo: o que é a sigla R.L.?;
h) Como se chama e qual a função do parágrafo logo abaixo do título?

Reportagem

Enquanto a notícia sintetiza o fato e pode ser ou não ampliada, a reportagem
trata de assuntos não necessariamente relacionados a fatos novos. Na reportagem,
busca-se certo conhecimento do mundo, o que inclui investigação e interpretação. A
reportagem exige conhecimento de antecedentes, adição de minúcias complementares
à notícia e adequação da linguagem ao leitor. Exemplo:

SAÚDE ADIA DECISÃO SOBRE LIBERAÇÃO DA MACONHA PARA USO MEDICINAL

Da Sucursal de Brasília e da Reportagem Local

Os Ministérios da Saúde e da Justiça vão consultar os oncologistas – médicos
que tratam de câncer – antes de decidir sobre a liberação de uma das substâncias
ativas da maconha, o THC (o tetrahidrocanabinol), para uso terapêutico.

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O secretário nacional de Vigilância Sanitária, Elisaldo Carlini, disse ontem, em
Brasília, em um simpósio sobre o tema, que consulta aos médicos será em outubro,
durante congresso de oncologia que ocorre em Belo Horizonte.
O ministro Adib Jatene, da Saúde, poderia liberar a substância com uma
portaria, mas preferiu esperar. “Queremos antes que o assunto seja discutido pela
sociedade”, disse, na abertura do simpósio.
Não está em discussão a liberação de cigarros de maconha. O THC só será
consumido dentro de hospitais, em cápsulas, por quem faz quimioterapia contra
câncer. O único efeito terapêutico do THC comprovado pela ciência é eliminar vômitos
e náuseas, efeitos colaterais da quimioterapia. Há outros usos em estudo em vários
países, como o glaucoma, epilepsia, certas doenças neurológicas e espasmos. A
bibliografia da homeopatia menciona várias utilidades da maconha.
Carlini é a favor de que o THC seja autorizado para o uso médico. “É uma
posição pessoal. Não há posição oficial do ministério.”
O reconhecimento da utilidade terapêutica do THC pela Organização Mundial de
Saúde, em 91, foi acatado pelas Nações Unidas, com o voto do Brasil.
O oncologista Rene Gansl disse que, quando o THC foi liberado nos EUA, no
início dos anos 80, “era competitivo, mas hoje há drogas mais eficazes e com menos
efeitos adversos, como o Plasil”. Ele admite que o THC poderia beneficiar pacientes
em alguns casos. “Mas, antes, o THC era útil em 30% dos casos; hoje, para menos de
1%. Acho que não se justifica a liberação”, disse.
Em São Paulo, Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica do
Hospital da Clínicas, defendeu a liberação do THC. “Ele não leva à dependência física e
pode beneficiar muitos doentes. O THC pode e deve ser vendido sob rigoroso controle.”
O psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, do Proad – Centro de Prevenção e Estudos
da Escola Paulista de Medicina – defendeu a liberação para uso terapêutico. “Estudos
nos EUA mostram que 90% dos que fumam maconha não ficam dependentes”, afirma.
“Controlado, o THC traria benefícios, não riscos.”
Arthur Guerra , que coordena o Grea - Grupo de Estudos em Álcool e Drogas do
HC -, não concorda. “A discussão é uma jogada em marketing para a liberação da
droga”, disse.

(Aureliano Biancarelli e Paulo Silva Pinto, Folha de S. Paulo, [s.d.])

Responda:

a)Quem; b) O quê; c) Onde; d) Quando; e) Como; f) Por quê?
g) Qual a diferença entre esta reportagem e a notícia lida acima?
h) Onde foi produzida a reportagem?

Artigo

Tipo de texto em que prevalece uma opinião pessoal baseada em análise da
situação ou dos fatos. Se consistente, apresenta naturalidade, densidade e concisão.
Em geral, o artigo procura explicar um fato, e sua motivação apóia-se no desejo do
jornalista em informar, ou interpretar, ou convencer/persuadir. O artigo, como opinião
pessoal, vem assinado pelo autor.

FILHOS DE ESTIMAÇÃO

Li em algum lugar que uma entidade protetora de animais está oferecendo cães
e gatos abandonados a pessoas de bom coração que queiram adotá-los. Os animais
passaram por veterinários, estão ótimos de saúde, não oferecem perigo. Por que foram
atirados à rua? Quem sabe, porque as pessoas enjoam dos bichos quando eles
crescem. Ou porque o bicho dá trabalho. Não sei, porém, se vocês repararam que os
cachorros e gatos vagabundos estão diminuindo nas ruas. Era comum antes topar com

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dezenas de vira-latas perambulando pelas calçadas, cheiriscando muros e latas de lixo.
Agora pouca gente usa lata para guardar lixo. O próprio lixo emagreceu, não tem mais
a atração da fartura de desperdício de tempos atrás. Inflação, custo de vida, essas
coisas. A captura municipal se aprimorou. A campanha de prevenção da raiva alertou
os donos dos bichos. E os automóveis não perdoam cachorro e gato distraído.
Para substituir esses animaizinhos desvalidos surgem novos bandos de crianças
desgarradas em São Paulo. Se antes uma criança pedindo esmola chamava nossa
atenção, hoje nós a olhamos com naturalidade e indiferença. Dar ou recusar uma
esmola, uma moeda, tornou-se um gesto maquinal.
Suponho que o destino desses guris está selado: eles acabarão na cadeia. Ou
nos encostarão contra a parede, a qualquer momento, o revólver em nosso peito.
É possível que amanhã, com outro governo, o Brasil não seja um grande
exportador de armas, mas passe a ser conhecido no mundo como um país de brio que
deu às crianças esquálidas e tristes não direi diploma de doutor, isso seria um enorme
milagre inútil. Mas uma oportunidade de trabalho, ao menos isso, com um pagamento
que lhes permita, depois de aprender uma profissão prática, ganhar a vida com o
coração limpo e honestidade. Podemos sonhar acordados.

(Lourenço Diaféria, Jornal da Tarde, 26/9/84.)

Responda:

a)A que fato se remete o articulista?
b)Com que compara seu objeto de análise?
c)Qual a intenção dessa comparação?
d)Qual a mensagem expressada pelo texto?

Editorial

Texto jornalístico que analisa um assunto de forma valorativa, a partir do ponto
de vista da empresa jornalística. Há certo dogmatismo em todo editorial que, em
conseqüência, é marcado pela adjetivação, por juízos de ponderação, reclamação ou
indignação. O texto não é assinado, pois reflete a opinião do veículo de comunicação.

O lixo, sua coleta e destinação final, transforma-se a cada dia em São Paulo
num problema que tem atormentado tanto as autoridades como a população em geral.
A produção de lixo numa sociedade de consumo indisciplinada como a nossa, é cada
vez mais farta e constante. Não nos incomodamos quando adquirimos produtos em
embalagens descartáveis; mesmo sabendo que essas embalagens possivelmente irão
fazer parte de nossa paisagem; não nos constrangemos em usar e desperdiçar papel,
plástico e vidro, numa quantidade cada vez maior, mesmo sabendo do prejuízo que
causamos à natureza com essa atitude.
Caso não criemos novas destinações para o lixo urbano e não modifiquemos
nossos hábitos de consumo e nossas atitudes frente ao problema do lixo, teremos
dentro de bem pouco tempo uma situação verdadeiramente caótica na Grande São
Paulo.

Cada paulistano produz diariamente um quilo de lixo, que na sua totalidade
transforma-se em uma montanha de 12 mil toneladas, o que é, convenhamos, um
grande obstáculo para qualquer administrador público.
Essa quantidade monumental de lixo precisa ser recolhida e despejada em
algum lugar, longe de nossas vistas e de nossa saúde. E não é com um passe de
mágica que vamos fazer desaparecer essas toneladas diárias de entulho sujo e
malcheiroso.

A um custo altíssimo para os cofres públicos e para nossos bolsos de
contribuinte, grande parte dessa sujeira é destinada a aterros sanitários, usinas de
compostagem e usinas de incineração. Somente uma parcela muito pequena - apenas
10 toneladas diárias é recolhida como "lixo-limpo", passível de ser reciclado.

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O reciclamento desse lixo limpo, que é constituído de metal, vidro, plástico e
papel, se não representa uma solução definitiva para o problema do lixo urbano, é, no
entanto, o melhor caminho para uma mudança de comportamento da população.

(Folha de São Paulo, s.d.)

Responda:
1) Qual o tema do editorial?
2) Qual o tema delimitado?
3) Qual é a opinião do jornal sobre o tema?

4) Segundo o texto a afirmação MAIS correta sobre o lixo em São Paulo é:
a) nossa sociedade de consumo produz farta e constante quantidade de embalagens
recicláveis;
b) além de muito cara, a reciclagem do lixo urbano não é lucrativa para as autoridades;
c) no lixo das cidades há muita matéria aproveitável que em grande parte é
desperdiçada;
d) as autoridades públicas enfrentam sérios problemas com o recolhimento do "lixo
limpo" nas grandes cidades;
e) a quantidade monumental de dejetos que se encontra no lixo urbano não pode ser
incinerada.

5) De acordo com o texto pode-se afirmar sobre o lixo de São Paulo que:
a) não é totalmente reciclado, pois seu custo é muito alto para o bolso do contribuinte;
b) é todo incinerado e depois reciclado, apesar do desperdício que isso representa;
c) apenas uma parcela muito pequena é incinerada;
d) apenas uma parcela muito pequena é reciclada;
e) todo o lixo recolhido é incinerado.
Carta do leitor

Neste tipo de texto jornalístico, é o receptor – o leitor do jornal, da revista –
quem se manifesta e dá sua opinião sobre qualquer fato anunciado ou comentado pelo
veículo de comunicação. Comentando o noticiário relativo às manifestações da
juventude no período em que se discutia a possibilidade de impeachment do
Presidente Collor, o Sr. E. B. M enviou ao jornal Folha de S. Paulo a seguinte carta:
É irritante ler, nas últimas semanas, a cobertura das manifestações contra o
poder central por parte da “juventude”. Excluindo qualquer juízo de valor sobre o
processo, o que se deve ter como verdade é que é extremamente fantasioso se admitir
que a nossa juventude tenha toda essa capacidade de percepção. É notória a cretinice
da juventude brasileira. O “zeitgeist”, o espírito da época, submerge a atual geração
num mar de hedonismo e irresponsabilidade. É lindo fazer revolução com tênis Reebok
e jeans Forum. O que eu gostaria de ver, mesmo, é como essa juventude vagabunda,
indolente e indisciplinada como a brasileira se comportaria diante de um grupo de
choque, como nos confrontos que ocorreram em Seul.

(E.B.M., Painel do Leitor, Folha de S. Paulo, 1/09/92).

A leitura atenta da carta do Sr. E.B.M. permite identificar algumas de suas
opiniões sobre os jovens, expressas mais ou menos diretamente.

CRÔNICAS

69

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