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OFicina Lais Bodanzky: “o cinema € nossa memoria” LLais: cinema brasileiro 6 plural, atende ao todo © sos pequenos grupos Usar 0 audiovisual como forma de expressio da vida, como uma voz As hist6rias que se deseja contar. Esta € a ‘oportunidade que 20 jovens de Limeira terdo com a Oficina Tela Brasil, que est com ins- crigdes abertas e tera inicio neste més. A definigio é da ci- neasta Lafs Bodanzky, que coordena o programa com 0 roteirista Luiz Bolognesi, am- bos responsiiveis pelos filmes “© Bicho de Sete Cabecas” € “Chega de Saudade”. ‘A oficina “nasceu” do ci- nema itinerante Cine Tela, que passa por cidades de todo 0 Brasil levando produgdes na- cionais. “Percebemos que de- pois que o cinema sai, fica um vazio. Daf veio o desejo de fa- zera oficina, como uma opor- tunidade para que 0 proprio piiblico conte suas histérias através doaudiovisual”, expli- cou Lafs, em entrevista Ga- zeta. ‘Nas oficinas, patrocinadas pela CCR AutoBAn em par- ceria com a Fundagio Telefo- nica, mais de 900 jovens de 41 cidades passaram pela expe rigncia de contar suas hist6ri- as em roteiro e atuagiio, o que resuliouem 123 filmes de cur- tas-metragens, dezenas deles selecionados em diversos e importantes festivais. “Com instrucZio e pequena nogao, sao produzidas histérias surpreen- dentes”, avalia, Lai frisa que 0 objetivo & além de oferecer wma introdu- (do, formar o cidadao, que tem 0 direito de se expressar, mais do que formar um técnico. No entanto, embora nao seja 0 foco, ela diz que j4 aconteceu de jovens terem feito outros trabalhos, além de contrata- cOes. “E algo muito bacana & estimulante. Mas tudo depen- de do interesse do préprio alu- no”, declara BRASIL NAS TELAS Lajs avalia que fazer cine- maem qualquer lugar é dificil, mesmo fora do Brasil. “E caro e precisa de técnica. E dificil principalmente para estrean- tes”. Para ela, hoje o cinema brasileiro esté em situagdo “mais aconchegante”, devido & yariedade de cursos, facul- dades e concursos, além das politicas cinematograficas, além da criagio da Agéncia Nacional do Cinema (Ancine), como érgio de regulamenta- Gio e fiscalizacio. Por todos esses fatores, ela aponta mai- or organizacdo desde 0 tempo em que comecou, “o que no quer dizer que seja ficil”, com- pleta. Quanto a concorréncia da producdo nacional com as es- trangeiras, ela Tembra que en- tre os blockbusters sempre ha um carro-chefe brasileiro. “O que vementtre os produtos nor te-americanos j4 € um filtro, pois eles tém uma produgao enorme, além da verba para marketing para 0 que é de pri- meiro interesse. No Brasil € ‘outra proporco, mas estamos em casa, com acesso a toda producdo. O cinema brasileiro & bastante plural porque nzo tem sé blockbusters, que sio importantes para a cadlela eco- némica, mas ndo se pode pro- duzir s6 disso. Temos ainda o cinema médio, com focos es- peefficos, como os para ado- Iescentes, os romances, os in- fantis, ou os filmes de gueto, além dos experimentais®. Di- versidade que enriquece a ci- nematografia, atendendo néo 86 a0 todo, mas também os pequenos grupos, afinal, “oci- nema & nossa meméria”, en- fatiza PRODUCOES E ESTREIA Elacita que suaestreia em Iongas, O Bicho de Sete Ca- hecas (2001), teve coma pon- to mais dificil o financiamen- to, “Mas a confecciio e retor- no do ptiblico foram extrema- mente gratificantes”. Hoje, além dea lei de audiovisual ter sido reformulada com metho- rias, hd maior incentivo com concursos ¢ editais para filmes que foram possfveis as pro- ducées, incluindo as de baixo ‘orgamento. Onovo longa, “As Melho- res Coisas da Vida" estreia dia 16 em 150 salas de cinema. A histéria, original, éinspirada na série de livros “Mano” de Gil- berto Dimenstein e Helo’ Prieto, do qual a cineasta fa- lou da expectativa do langa- mento. “No momento é de an- siedade. A Gullane e Wamer investiram e acreditaram e es- tou otimista. Nao é um langa- mento como de um blockbus- ter, mas é 0 maior langamento da minha carreira”, declara, O filme conta a histéria de Mano, que aosI5 anos sofre com uma série de problemas caracteristicos da idade, entre eles a virgindade e a relaco com os pais. “O filme € uina provocacio, quando se pensa no sentido da vida, o que nos move, nos ineomoda, nos faz feliz, contemplando os desejos desde os mais simples até os impossiveis”, explica. Quanto a oficina, ela refor: a0 convite aos jovens. sempre emocionante ver 0 quanto os participantes se transformam ¢ aproveitam a oportunidade”. No final do cur- s0, haverd exibigdo de curtas aberta ao piblico, além de um convidado da érea para 0 en- cerramento. As incrigdes seguem até dia 9, na Escola Municipal de Cultura e Arte (Emcea), na Rua Capitio Bernardes Silva, 14, Centro, onde também se- do as aulas, ou no endereco http://www.telabr.com.br/ oficinas_itinerantes/inscricao. @L)