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Sistema defensivo 6-0 - Um Modelo (www.paulojorgepereira.blogspot.com)

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Sistema defensivo 6:0

Estrutura e funcionamento

O exemplo que a seguir é apresentado é um conceito de um sistema defensivo 6:0, possuindo pontos fortes e debilidades como todos os sistemas. Existem diferentes formas de entender a relação entre os defensores que compõem um determinado dispositivo defensivo, pelo que, não devemos ignorar nunca que a eficácia de um determinado sistema defensivo deve considerar as capacidades individuais dos seus constituintes, no sentido de se encontrarem soluções ajustadas. A definição de regras de funcionamento entre os defensores de um determinado sistema, deve atender a variáveis determinantes que condicionam a atribuição de competências dentro do dispositivo, tais como: o espaço, o tempo, a relação com os companheiros e oponentes e a posição da bola.

Extremo com posse de bola:
Competências do defensor exterior (par):
o o o o o o Permanecer próximo da linha de 6 metros, dado o espaço a defender Marcar o extremo Não ser superado para o interior Condicionar o remate diminuindo o ângulo de finalização Não provocar livre de sete metros, quando o remate ocorre no exterior Impedir passes rectilíneos para dentro da área, especialmente ao pivot se está próximo

Fig. 10 – Bola no extremo esquerdo (defensor par)

Extremo com posse de bola:
Competências do defensor contíguo:
o o o o o Fechar a linha de passe entre o extremo e o pivot. Obstruir a trajectória que permita o pivot desmarcar para o exterior Marcar à distância o par (lateral esquerdo) Manter no campo visual o portador da bola e o par Dar cobertura ao defensor exterior

Fig. 11 – Bola no extremo esquerdo (defensor contíguo)

Os restantes defensores, devem dentro do possível (mais difícil para defensores distantes) manter no campo visual o seu par e o portador da bola como ilustra a figura 11 (defensor central). Todos os defensores devem ter uma orientação aproximada de 45° em relação à tangente à área de seis metros próxima da sua zona de acção com o objectivo de antecipar uma possível saída (um dos apoios já está adiantado) bem como ajustar o campo visual. Para se definirem competências em função da localização da bola, é necessário também saber de onde ela provém. Seguindo uma circulação típica da bola (EE/LE), como se observa na figura 12, o lateral esquerdo (LE) pode assumir várias trajectórias de aproximação, com ou sem bola para fixar, ou usar diferentes tipos de fintas ofensivas para finalizar ou assistir. O defensor lateral deve estimar as trajectórias que possam constituir perigo para a integridade do sistema ou permitam finalizar a uma distância eficaz. Este formato defensivo prevê trocas temporárias de posição no sistema quando necessário, podendo ocorrer entre defensores centrais ou entre um central e um lateral.

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Lateral com posse de bola:
Competências do defensor lateral (par):
o o o o o o o Marcar o lateral. Procura não superar os 9/10 metros de profundidade. Regressar rapidamente à posição inicial quando a bola sai do par. Obstruir trajectórias favoráveis. Não ser superado para o interior. Impedir passes rectilíneos ao pivot. Deslizar quando se encontra escalonado com o defensor central, no caso do lateral estar próximo para finalizar ou fintar com perigo. o Trocar de marcação com o defensor central contíguo, no caso do lateral assumir trajectórias interiores distantes. o Trocar de marcação (contra-bloqueio) com o defensor central contíguo perante bloqueio do pivot.

Fig. 12 – Bola no lateral esquerdo (defensor par)

Dada a colocação do pivot, podemos decidir acerca da profundidade a atingir, de acordo com as características do lateral esquerdo a defender tendo em conta pontos fortes e fracos do seu jogo. Estrategicamente, não podemos, nem devemos defender jogadores diferentes, da mesma forma. No caso do lateral esquerdo atacar com bola para o interior, provocando um deslizamento do defensor lateral, a troca de marcação com o defensor central distante pode ocorrer se o pivot desmarcar para o exterior em simultâneo com o cruzamento entre o lateral esquerdo e o central. Neste caso, a troca de marcação ocorre entre postos específicos não contíguos (figura 13), pelo que o defensor central deve antecipar o alinhamento com o defensor lateral.
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Com o pivot entre os defensores centrais, o defensor central distante do portador da bola (LE) pode dissuadir o passe ao central (figura 14). O outro central deve obstruir a desmarcação do pivot para o exterior.

Fig. 13 – Troca de marcação entre postos não contíguos

Lateral com posse de bola:
Competências do defensor central contíguo:
o o o Marcar o pivot. Fechar a linha de passe entre o lateral e o pivot. Alinhar para trocar de marcação (contra-bloqueio) perante bloqueio interior do pivot ao defensor lateral. o Marcar à distância o lateral esquerdo perante bloqueio exterior do pivot ao defensor lateral (contra-bloqueio). o o Dar cobertura ao lateral se o pivot não estiver na zona. Fechar a linha de 6 metros quando o pivot se encontra entre os defensores centrais.

Fig. 14 – Bola no lateral esquerdo (defensor central contíguo)

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Central com posse de bola:
Competências do defensor central (par):
o o o o o o o o Marcar o central. Procura não superar os 9/10 metros de profundidade. Regressar rapidamente à posição inicial (6m) quando a bola sai do par. Impedir passes rectilíneos ao pivot sobretudo se está próximo. Obstruir trajectórias favoráveis. Não ser superado para o ponto forte do central (direita). Deslizar com o central se este estiver a uma distância de finalização eficaz. Trocar de marcação com os defensores contíguos se as trajectórias do central não constituírem perigo para o sistema. o Trocar de marcação (contra-bloqueio) com defensor central (que alinha) perante bloqueio interior do pivot. o Trocar de marcação (contra-bloqueio) com defensor central (que troca de posição por trás) perante bloqueio exterior do pivot.

Fig. 15 – Bola no central (defensor par)

Deve entender-se ponto forte do central, aquele que poderá causar mais desequilíbrios ao sistema, sendo normalmente o ataque para a direita, já que por questões de orientação do tronco e utilização do ciclo de passos, permite ao central dar continuidade ao jogo de forma mais eficaz (possibilidades de remate e passe). Na actualidade, procura-se que o central ofensivo seja, para além de um organizador de jogo, também um atirador por excelência, o que obriga a que sejam tomadas medidas preventivas e activas por parte dos defensores centrais. Por outro lado, a zona central é também uma zona privilegiada de finalização pelos laterais, dada a mobilidade na 1ª linha que hoje caracteriza o jogo ofensivo.

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Por estas razões, é necessário que os defensores centrais sejam capazes de defender em situação de 1X1 em espaço amplo, analisando sistematicamente as condições existentes de forma a impedir finalizações cómodas ou a continuidade do jogo com perigo para o sistema defensivo. Se o pivot se encontrar entre os defensores centrais, emerge um problema inicial relacionado com a atribuição do par. Como se pode observar na figura 15, o par do central ofensivo, é o defensor central mais distante da bola, já que esta solução permite, fechar trajectórias de desmarcação do pivot para a zona da bola (competência do outro defensor central). Por outro lado, um deslocamento sem bola do central (na direcção do LE) pode obrigar à troca de marcação imediata entre os defensores centrais alterando as competências iniciais. Por questões estratégicas, podem ser tomadas decisões no sentido de aplanar a defesa (privilegiar a troca de marcação), se por exemplo o central ofensivo não for um bom finalizador. No entanto, e como já foi referido anteriormente, este formato defensivo está concebido para defrontar uma 1ª linha ofensiva em que todos os constituintes podem finalizar de qualquer zona do campo com eficácia elevada. Está prevista a troca de posição temporária entre os defensores centrais, quando por exemplo se produzem movimentos contrários entre o central e o jogador pivot que desmarca para aclarar uma zona (aclaramento) como se pode observar na figura 16.

Fig. 16 – Troca temporária de posição entre os centrais (movimentos contrários)

Perante acções de penetração de jogadores para o interior do dispositivo, com ou sem transformação do sistema, os defensores devem tratar de conduzir os pares pela frente dos defensor contíguos. É considerado um erro grave, se por exemplo ocorrerem

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penetrações dos extremos por detrás dos exteriores, pelos danos irreversíveis que podem provocar. Após a transformação do sistema ofensivo (3:3/2:4), os defensores laterais devem procurar dissuadir o passe ao seu par. Na zona da bola, as regras são mantidas, no entanto, por não haver central ofensivo, o espaço a defender pelos defensores laterais fica ampliado, o que faz com que contra equipas com uma 1ª linha débil seja mais ajustado aplanar a defesa buscando trocas defensivas. O defensor central próximo da bola, marca o pivot, o outro defensor central, tem como missão obstruir trajectórias de desmarcação do 2º pivot (distante da bola).

Fig. 17 – Sistema ofensivo 2:4

A colocação dos pivots pode variar de acordo com a estratégia ofensiva utilizada, configurando distintos propósitos. A figura 18 mostra um exemplo que tem como objectivo ocupar o terreno de forma a ampliar o espaço de jogo numa determinada zona (pivots situados em metade do campo).

Fig. 18 – Sistema ofensivo 2:4 (2X2 em espaço amplo)

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Localizar desta forma os pivots, permite acções de 2X2 em espaço amplo à direita. O defensor lateral deve dissuadir o passe entre laterais, condicionando uma das linhas de passe existentes. Resta considerar as penetrações efectuadas pelos extremos sem que haja transformação do sistema ofensivo. Neste caso, podemos optar por alterar ou conservar o sistema defensivo por uma razão essencialmente antropometrica. A figura 19 representa uma penetração do extremo esquerdo colocando-se entre o defensor lateral e o defensor central do lado oposto. O defensor exterior, avança para uma marcação em proximidade ao lateral esquerdo. Esta opção ocorre para evitar o duelo na linha de 6 metros com o pivot, que normalmente põe em evidencia a vantagem antropométrica quase sempre existente entre pivots e defensores exteriores. Dá-se assim uma alteração temporária do sistema (6:0/5:1 direccionado ao LE). Por outro lado, o sistema pode manter-se inalterado, implicando que o defensor exterior seja capaz de marcar o pivot cooperando com o defensor lateral no duelo 2X2 que se gera após a penetração do extremo.

Fig. 19 – Sistema ofensivo 3:3 (extremo a 2º pivot)

Acções ofensivas que utilizem o pivot como apoio à 1ª linha, desde que percebidas com antecedência, devem constituir uma vantagem para o sistema defensivo, já que permitem o controlo do pivot longe da linha de 6 metros. A figura 20 ilustra uma acção ofensiva em que o pivot procura (após cruzamento com o central) efectuar um ecrã ou noutros casos uma cortina para que o lateral direito (LD) se aproxime para conseguir uma distancia eficaz de finalização. O defensores lateral e central devem antecipar o alinhamento perto dos 9 metros (alinhamento profundo) no sentido de controlar o pivot longe da linha de 6 metros e marcar em proximidade o LD de acordo com a trajectória que este venha a eleger. Os defensores contíguos (exterior e central)
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devem fechar linhas de desmarcação ao extremo direito e ao central (agora a pivot) dado que existe um espaço por detrás dos defensores alinhados nos 9 metros que pode ser explorado pelo ataque.

Fig. 20 – Alinhamento profundo dos defensores (pivot fora do dispositivo)

O êxito de um sistema defensivo, está condicionado por múltiplos factores, alguns dos quais já foram referidos neste trabalho, principalmente os que têm origem na relação táctica entre os defensores. Esta relação visa a resolução de problemas colocados pelo ataque, podendo ser prevenidos se a defesa assumir uma atitude mais activa do que reactiva como vimos em alguns dos exemplos expostos. Outros factores associados a aspectos psicológicos e físicos são também decisivos, sendo que, a interacção equilibrada entre todos eles vai determinar os níveis de competência atingidos na defesa.

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