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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

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A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 2

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

3 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

A ARM

nos 75 anos da SMBN

Memória – Testemunho – Futuro

No ano das bodas de diamante da Sociedade Missionária da Boa Nova

21 de Maio de 2005 Cucujães

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 4

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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Ficha Técnica

Título: A ARM nos 75 anos da SMBN – Memória - Testemunho - Futuro

Autores: João Rodrigues Gamboa

Prefácio: Pe. Doutor António Couto (Superior-Geral da S M B N)

Capa: Sara Bandarra

Composição computorizada: Maria de Fátima Vieira Gamboa

Paginação e Impressão: Escola Tipográfica das Missões – Cucujães

Edição: Autor

Data da Edição: 21 de Maio de 2005

Tiragem: 750 exemplares

Depósito Legal: N.º 226276/05

ISBN: 972-98989-1-X

Pedidos para:

Editorial Missões Apartado 40 3721-908 VILA DE CUCUJÃES Tel. 256 899 170 – Fax 256 899 179

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FLORES QUE AINDA DARÃO FRUTO

dos Missionários da Boa Nova FLORES QUE AINDA DARÃO FRUTO Nos 75 anos da Sociedade Missionária

Nos 75 anos da Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN) e nos 60 anos da Associação Regina Mundi (ARM), quis esta oferecer àquela um rico florilégio de documentos fundadores, páginas significativas e belos tes- temunhos, que manifestam a gratidão e o afecto que os antigos alunos nutrem pela Instituição que carinhosamente os acolheu e sabiamente lhes transmitiu pautas de valo- res pelas quais aprenderam a orientar a sua vida. A hora é de gratidão. O livro é de gratidão. Mas é também a hora de a SMBN manifestar à ARM a sua gra- tidão pelo amor, pela grandeza de alma e pela generosi- dade que tantos dos seus membros têm manifestado com a sua presença amiga e assídua nas nossas Casas e no apoio inequívoco e incansável às iniciativas empeendidas no terreno pelos nossos missionários. Florilégio e memória. Memória em tensão para o fu- turo. Florilégio de flores que ainda darão fruto, pois a hora presente lembra cada vez mais o papel decisivo que cabe aos fiéis leigos desempenhar no trabalho do Evan- gelho. Contamos sempre convosco, amigos.

P. António José da Rocha Couto Superior Geral

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 6

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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DA DIRECÇÃO DA ARM

“AARM nos 75 anos da SMBN – Memória-Tes- temunho-Futuro” é publicado pela Direcção da ARM-Associação Regina Mundi dos Antigos Alu- nos da SMBN, sendo a recolha e elaboração dos textos da responsabilidade de Jerónimo Nunes (Par- te I) e João Gamboa (Partes II, III, IV e Futuro). Com a publicação deste livro, pretende-se ex- pressar à Sociedade Missionária a gratidão e o afecto de todos aqueles que, tendo passado pelos seus se- minários, ao longo dos anos, aí assimilaram valo- res básicos e fundamentais, de ordem humana, cul- tural e espiritual, que lhes permitiram sucesso na vida. Possam todos eles continuar a pôr esses valores de matriz humanista e cristã ao serviço do bem e do progresso espiritual e humano – seu e dos ou- tros.

Cucujães, 2 de Maio de 2005 (Dia do 13.º aniversário da morte do Pe. Alfredo Alves, da SMBN)

A Direcção da ARM

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Aos pioneiros e fundadores da SM

e aos missionários que, no terreno, se dedicaram e dedicam com amor

à promoção e crescimento humano e espiritual dos mais pobres, construindo, assim, o Reino de Deus.

Aos fundadores da ARM e aos armistas que generosamente a serviram para que atingisse os seus objectivos.

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AGRADECIMENTO

Tal como foi concebido, a edição deste livro só foi possível graças à preciosa colaboração de va- riadas pessoas: dos armistas que corresponderam ao apelo para testemunharem o seu apreço à SM; daqueles que disponibilizaram fotografias impor- tantes: os armistas Manuel Cândido Basso (a do gru- po “fundador” da ARM - “os 15 magníficos”), António da Costa Salvado e António da Silva To- más, e ainda o formando da SM Eduardo Souza (as dos seminários da Sociedade, no fim do livro); so- bretudo do Pe. Jerónimo Nunes, nosso assistente nacional, que elaborou a Parte I, e da “armista” Ma- ria de Fátima Vieira Gamboa, que abnegadamente compôs o texto em computador. A todos, o mais sincero agradecimento.

O Autor

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INTRODUÇÃO

Os Antigos Alunos dos Seminários da SMBN não podiam ficar indiferentes à celebração dos “75 anos em missão com Ele” que a SM leva a cabo durante o ano de 2005. Por isso a ARM-Associa- ção Regina Mundi, sentindo que a SM é, indubitavelmente, a sua MATRIX e assumindo-se

fiel depositária dessa relação original, pretende, com

a publicação deste livro, atingir os seguintes

Objectivos

1.º – Repartindo algumas migalhas de história dos missionários da Boa Nova, prestar à SM singe- la e jubilosa homenagem – pelo que foi e pelo que

é para todos os que nela beberam o leite formativo

da adolescência e juventude; 2.º – Fazendo breve memória dos seus próprios 60 anos de vida, apontar e lembrar aos armistas seus membros que a força e urgência do ideal que está dentro da ARM só pode frutificar com a dedi- cação e entusiasmo de todos e cada um, como nos mostra o exemplo dos que nos antecederam; 3.º – Antologiando os textos que sabiamente e com beleza alguns foram escrevendo e o Boletim publicou ao longo de 60 anos, estimular, na fideli- dade aos valores desse passado armista, a cons- trução de um futuro vivo e actuante; 4.º – Dando a palavra a todos os que a quiseram tomar para, nela e por ela, testemunharem o seu apreço e gratidão à SMBN, dizer que todos somos necessários e insubstituíveis para fazer a comunhão dentro desta família missionária constituída pela SM e a ARM; 5.º – Gravando em livro a memória, o testemu- nho e o projecto de futuro que a ARM e os armistas transportamos, proclamar as potencialidades da nossa Associação e assumir o compromisso de ge- nerosamente abrirmos o coração a esse projecto e arregaçarmos ainda mais as mangas para o traba- lho.

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PARTE I

VIVER NAS FRONTEIRAS

Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

por

Jerónimo Nunes

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INTRODUÇÃO

A Sociedade Missionária da Boa Nova é um pequeno instituto missionário com 130 membros a testemunhar Cristo em quatro continentes. Nasceu em Portugal, mas os seus membros provêm tam- bém de Angola, Brasil e Moçambique. Além des- ses países, tem ainda pequenos grupos com signi- ficativa presença em dioceses da Zâmbia e do Ja- pão. Junto à SMBN trabalham as Missionárias da Boa Nova, testemunho feminino tão necessário à formação de verdadeiras comunidades cristãs, e os Leigos Boa Nova que formam e acompanham jo- vens voluntários para a Missão. Inseridos nas equi- pas SMBN, há presbíteros diocesanos Associados, testemunhando a natureza missionária da Igreja particular dinamizada pelo Espírito que suscita a diversidade dos dons para a edificação do Reino. Ao longo da história recebeu vários nomes des- de Sociedade Portuguesa para as Missões Católi- cas nas Constituições dadas por Pio XI em 1930, até Sociedade Missionária Portuguesa e Sociedade Missionária da Boa Nova 1 ou simplesmente Missi- onários da Boa Nova. O carisma e a identidade missionária querem permanecer idênticos, na fide- lidade ao Senhor que chama e envia, e na paixão pela salvação do mundo. Pediram-me uma história da Sociedade. Juntei algumas anotações minhas e de outros colegas que sabem fazer da vida testemunho que merece me- mória. A outros caberá a tarefa de analisar, e es- crever uma história crítica e organizada. Dei a primazia a alguns aspectos do trabalho no terre- no. Outros conseguirão aprofundar o seu signifi- cado.

1. AS GRANDES FIGURAS DO ALICERCE

Por trás da fundação de um instituto Missioná- rio está sempre o Espírito Santo que leva a Igreja a abrir-se às dimensões do mundo para comunicar o tesouro do Evangelho a povos e culturas que ainda o desconhecem. Mas o Espírito serve-se de homens que sintonizam com Ele e abrem caminhos organizativos e espirituais para uma realização con- creta do espírito missionário. Para a história do nascimento da SMBN mere- cem destaque três bispos e um grande papa: D.

António Barroso, D. João Evangelista, D. Teotónio de Castro e Pio XI.

1.1. D. António Barroso (05.11.1854 – 31.08.1918)

Nascido em Remelhe, foi o aluno mais ilustre do Real Colégio das Missões Ultramarinas, de Cernache do Bonjardim 2 , no século XIX. Restau- rou a Missão do Congo, foi prelado de Moçam- bique, Bispo de Meliapor e do Porto. Como padre secular formado em Cernache, conhecia o valor e as deficiências dos seus colegas. Desde o primeiro relatório sobre as Missões do Congo até à morte como Bispo do Porto, trabalhou incansavelmente pela superação das fraquezas do missionário isola- do e pela criação duma Sociedade Missionária. Palavras suas:

“O missionário africano actual deve levar ao indígena, em uma das mãos a Cruz, símbolo augusto da paz e da fraternidade dos povos, e na outra a enxada, símbolo do trabalho abençoado por Deus. Deve ser padre e artista, pai e mestre, doutor e homem da terra; deve tão depressa pôr a

estola para confortar com a esperança o padecente, como empunhar a picareta para arrotear uma courela de terreno; deve tão depressa fazer uma

Im-

possível nos é exigir tantos serviços de um só ho- mem. O remédio é estabelecer centros principais de missões. O remédio é a congregação em que os membros sejam ligados por laços morais que sus- tentem a coesão e a continuidade dos serviços. Organizemos esse instituto. Dotemo-lo de meios suficientes, interessemos nesta grande obra a ca- ridade do país” 3 . Estava exilado em Cernache quando o Colégio foi encerrado, em Abril de 1911. Lutou até ao fim pela sua reabertura mas não viu a realização deste sonho. A experiência missionária dos padres secula- res, com os seus êxitos e fracassos, é a matriz gera- dora da Sociedade Missionária. As suas raízes aprofundam-se na história de Portugal presente nos quatro cantos do mundo e na missão específica as- sumida pelos reis de Portugal na Evangelização do mundo, por meio do Padroado.

homilia, como pensar a mão escangalhada

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1.2. D. João Evangelista de Lima Vidal (02.04.1874 – 05.01.1958)

D. João nasceu em Aveiro, então diocese de Coimbra. Estudou em Roma e foi professor na Universidade de Coimbra. Em 1909 foi nomeado Bispo de Angola e Congo. Sentindo o drama da falta de uma casa para formar missionários, em 1914 veio para Portugal. Entregou a diocese ao Vigário Geral e veio lutar pela “reorganização e abertura do Colégio das Missões como solução do problema do pessoal e pela protecção dos serviços missionários portugueses, enquanto eles sirvam os interesses da pátria e da humanidade.” Mas, em Lisboa, encontrou pouco apoio da Igreja e menos ainda do Estado. Dizia ele: “Mas então este desconchavo não tem remédio? Estarão os homens de Lisboa tão cegos e apaixonados para não descobrir o perigo que daí nos ameaça? Mas Deus é omnipotente e basta ele querer para ressuscitar o lagarto morto e mal cheirante! Se não conseguir ter uma casa para formar Mis- sionários nada terei a fazer como Bispo em Ango- la! Se a ruína tiver de consumar-se, não seja, nem um átomo, culpa do meu silêncio!” Como não chegavam as mudanças políticas e religiosas que desejava, aceitou ser Vigário Geral de Lisboa, com o título de Arcebispo de Mitilene. Destacou-se na organização da obra das vocações, da catequese, da liturgia e da ajuda aos pobres. Mas nunca esqueceu o objectivo primeiro da sua vinda para Portugal. Depois de muito trabalho diplomático, os anti- gos missionários de Cernache aliaram-se aos espi- ritanos e conseguiram o revolucionário decreto n.6 322, de 2 de Janeiro de 1920, que permitia a reor- ganização das casas de formação missionária. Os missionários seculares escolheram como seu pro- curador a D. João Evangelista de Lima Vidal para se proceder quanto antes ao recrutamento e forma- ção de pessoal missionário. D. João aceitou a proposta e escolheu como Vice-Procurador Monsenhor Amadeu Ruas, homem de grande experiência diplomática para tratar com o governo. O objectivo era claro: reorganizar a for- mação de padres seculares para as missões e for- mar uma Sociedade. Em 1921, o Convento de Cristo

começou a funcionar como Colégio das Missões. D. João foi o seu primeiro Reitor, mas trabalhou junto do Episcopado e da Santa Sé para a nomea- ção de D. Teotónio Vieira de Castro, Bispo de Me- liapor. Mons. Ruas foi um precioso ecónomo dos Colégios das Missões e da futura Sociedade Missio- nária. D. João continuou em Lisboa até ser nomeado Bispo de Vila Real, onde a Santa Sé o irá buscar, em 1930, para ser o primeiro Superior Geral da Sociedade. D. João Evangelista foi um pioneiro 4 . De Coimbra a Luanda, Lisboa, Vila Real, Cucujães e Aveiro, D. João Evangelista de Lima Vidal dedi-

cou-se sempre à criação de seminários e formação do clero 5 , escreveu livros 6 , lançou em Portugal as reformas da liturgia e catequese, criou obras para assistência aos pobres 7 . Percorreu Portugal inteiro a despertar o povo para a cooperação missionária. Escreveu o seu biógrafo, Mons. João Gonçal- ves Gaspar: Com bondade translúcida, acarinhava os humildes; com caridade paternal, ouvia as ne- cessidades alheias; com compreensão delicada, aconselhava jovens e adultos. Grande e modesto, dedicava-se sem nada perder, dava-se sem se di- minuir, fazia-se maior tornando-se mais pequeno. A sua cultura consagrou-o; os seus livros contêm páginas de antologia; os seus escritos guardam-se como pérolas; a sua virtude enriqueceu Aveiro; a sua vida deixou um rasto luminoso de refulgências de amor. Ele dissera ter sido plasmado de Aveiro; mas era sobretudo plasmado do céu, com os bei- ços a saber a estrelas, a pingar gotas do Evange-

lho por todo o corpo, por toda a alma

8 .

O primeiro Superior Geral foi um digno mode-

lo para os missionários.

1.3. D. Teotónio Vieira de Castro ( 27.07.1859 –

16.05.1940)

Nasceu no Porto, doutorou-se em Teologia e Direito Canónico em Roma, foi professor e Vice- Reitor do Seminário do Porto. Nomeado Bispo de S. Tomé de Meliapor, para substituir D. António Barroso que o sagrou no Porto a 15 de Agosto de 1899, entrou na diocese a 23 de Dezembro do mesmo ano. Na viagem para a Índia, ao passar em Roma, deu continuidade aos trabalhos de D.

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António Barroso para a fundação do colégio Por- tuguês, para sempre marcado pela sua devoção ao Coração de Jesus.

Para criar as bases para a Sociedade Missio- nária, autorizou o P. Vicente do Sacramento a com- prar o convento de Cucujães, conseguiu de novo o edifício de Cernache e construiu a maior parte do que é hoje Cucujães. Foi ele que criou as condições físicas e huma- nas para a formação de missionários seculares e o ambiente para a organização da futura Sociedade Missionária. Além da administração dos três colé- gios durante dez anos, fez as construções necessá- rias e tomou outras iniciativas importantes:

– No Concílio Plenário Português, 1926, foi pre-

sidente da comissão que propôs a criação de uma nova

e forte organização do Clero Secular Português, para a acção eficiente, apostólica e mais económica da evangelização dos domínios portugueses.

– Deu início à imprensa missionária, criando O

Missionário Católico (1924), o Almanaque das Mis- sões (1926) e a Escola Tipográfica das Missões.

– Foi a Paris e Milão para conhecer as Socieda-

des Missionárias ali existentes e pedir missionári- os competentes que o viessem ajudar na fundação. Quando Pio XI decidiu fundar a Sociedade, já os padres de Milão estavam prometidos.

– Entre a sua nomeação como Patriarca e a sua

partida para a Índia, deu todas as orientações para que, no ano de 1930, os colégios já funcionassem dentro do novo espírito querido pelo Papa. Trinta seminaristas desse tempo chegaram a ser Missio- nários da Sociedade. Obra tão grande feita em 10 anos, só foi possí- vel graças à fibra de D. Teotónio: trabalho incansá- vel, capacidade para juntar colaboradores e uma absoluta confiança em Deus. Ficou para a história a sua carta ao Reitor de Cucujães que, sem dinhei- ro, temia não conseguir fazer uma construção com as dimensões que D. Teotónio exigia: “Não tenha V. Revª medo que lhe falte dinheiro. Tratamos com um banqueiro que nunca fez bancarrota e que abor- rece muito que se desconfie d’Ele, como se se tra- tasse de qualquer criatura. Às vezes o dinheiro necessário poderá não estar em Cucujães ou To- mar, mas está no Banco da Divina Providência e isso nos basta.” Começou as obras em Maio de 1925. Pediu a bancos e empresas, desdobrou-se em

conferências, encomendou as obras a S. Filomena, lançou a Medalha Missionária e a Pia Associação de N. S. das Missões. A nova construção foi inau- gurada em 1929. É proverbial o amor de D. Teotónio pelos po- bres. Os planos dos seus ecónomos iam por água a baixo. Na sua casa em Meliapor e em Goa, muitas vezes faltava o necessário porque o seu coração era incapaz de negar ajudas a quem lhe pedia. Homem de oração: conta-se que, ao enfrentar problemas, ia para a capela rezar até ter a certeza da solução.

1.4. PIO XI, o Papa das Missões (1857 – 1939)

Nasceu em Desio e foi eleito Papa em 1922 e ficou conhecido como Papa das Missões. Cuidou da formação do clero indígena e interessou-se pela reforma de todas as Sociedades Missionárias, dan- do-lhes orientações bem concretas. Quando D. Teotónio preparava a fundação da Sociedade Missionária e pediu sugestões para a sua organiza- ção, a Santa Sé mostrou-lhe as constituições já pron- tas. Pio XI decidira intervir pessoalmente para cri- ar a Sociedade. Transferiu D. Teotónio para Goa, como Patriarca das Índias Orientais e nomeou D. João Evangelista como 1.º Superior Geral da Soci- edade no dia 3 de Outubro de 1930. No dia anterior nomeara dois missionários do PIME: o P. Mário Parodi como primeiro Assistente Geral e o P. José Carabelli como Director espiritual. O dia 3 de Ou- tubro de 1930 é a data da fundação da Sociedade. Dispensando todo o caminho que outros institutos têm de percorrer, a Sociedade já nasceu “de direito pontifício”. A Secretaria de Estado manteve contacto per- manente com a nova Direcção, recebia constantes relatórios, dava orientações concretas e ajudava a resolver problemas. Em 24 de Outubro de 1932, às vésperas de os primeiros membros da Sociedade emitirem o seu Juramento (26.10.1932), Pio XI escreveu a carta Suavi Sane que é considerada a carta de erecção canónica da Sociedade:

Porquanto Nos é gratíssimo reconhecer neste número, embora reduzido, de jovens que são os pri- meiros a inscrever-se na Sociedade por Nós tão desejada e promovida, as primícias da magnâni- ma legião de clérigos e de leigos que, não tendo

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outra coisa em vista senão a dilatação do Reino de Deus no meio dos infiéis, se consagrarão para sem- pre, com zelo e entusiasmo de verdadeiros apósto- los, às sagradas Missões. * * * A Sociedade nasceu “do ardor missionário” dos Bispos portugueses. Destacámos os três mais di- rectamente envolvidos. Como Bispos em Moçam- bique, Angola, na Índia e em Portugal, estavam unidos por uma forte espiritualidade missionária e não duvidaram deixar para segundo plano a diocese que lhes fora confiada para se dedicarem a uma obra de interesse universal da Igreja: formação de missionários e de uma sociedade que garantisse a sua eficiência. Todo esse trabalho foi sempre feito em profunda ligação com a Santa Sé que fazia as nomeações oficiais. Tão desejada e preparada pelo clero secular for- mado em Cernache e pelo episcopado português, a Sociedade foi criada oficialmente por Pio XI. A criação de um instituto pelo Papa é um facto extra- ordinário na história da Igreja. Merecem mais es- tudo as motivações de tal estratégia eclesial, a que não serão alheias as políticas do Estado português.

2. MOÇAMBIQUE – SEMEAR A FUTURA IGREJA

No dia 17 de Março de 1937, partiram para Moçambique os jovens padres Garcês e Viegas, com dois irmãos leigos. Foi a 1.ª expedição missionária da Sociedade. S. Paulo de Messano foi o primeiro desti- no. Um ano depois estavam em Unango onde cria- ram a primeira escola de catequistas e o primeiro se- minário do norte moçambicano. No ano seguinte abri- ram a Missão do Mutuáli. Essas duas missões foram o campo de experiência da Sociedade. Ali se cultiva- va uma profunda espiritualidade, intensa dedicação ao trabalho (tanto de evangelização como de constru- ção de igrejas e capelas, escolas, serviços de saúde e promoção da agricultura para sustentar a Missão) e um grande amor aos nativos que eram atendidos e promovidos a catequistas e professores. A partir de lá foi evangelizado todo o oeste da Diocese de Nampula (criada em 1940). Em 1941 foi criada a Missão de Meconta que abrangia todo o leste de Nampula, até ao mar. Construída em terrenos comprados pela Socieda- de, a arquitectura da igreja foi idealizada para ex-

de, a arquitectura da igreja foi idealizada para ex- 1.ª Expedição Missionária da Sociedade. (Em Lisboa,

1.ª Expedição Missionária da Sociedade. (Em Lisboa, na sacristia da Igreja dos Mártires - 1937). Ao centro, D. João Evangelista de Lima Vidal. À sua direita, P. Adriano Garcês; à sua esquerda, P. João Craveiro Viegas.

À direita do P. Garcês: Irmãos Anselmo Gomes, António Rodrigues Costa e Francisco Xavier Macedo.

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pressar o espírito da Sociedade. Também Meconta evangelizou e criou novas escolas que deram ori- gem a novas missões. Podemos dizer que o trabalho da Sociedade (a que mais tarde se juntaram os combonianos) evan- gelizou a maior tribo moçambicana: os macuas. Depois de o P. João Craveiro Viegas ter elabo- rado o primeiro catecismo na língua do povo, a cultura macua foi estudada a sério, e a vários ní- veis, pelos padres Porfírio Moreira, António Pires Prata e Alexandre Valente de Matos que elabora- ram dicionários e gramáticas, publicaram diversos estudos e a literatura oral onde os macuas expri- mem a sua filosofia e colaboraram para a elabora- ção dos actuais livros litúrgicos. De acordo com a teologia Missionária mais ac- tualizada da época, a preocupação maior foi lançar as bases para criar uma Igreja local por meio da formação de leigos e do clero indígena. Em 1957, a nova diocese de Porto Amélia, hoje Pemba, foi confiada a D. José dos Santos Garcia, SMBN. Com um trabalho metodicamente planeado, criou todas as estruturas necessárias a uma diocese:

cúria, seminários menor e maior, escola de professo- res catequistas, colégio, uma congregação religiosa feminina e uma dezena de missões que abrangiam quase toda a área macua (Maríri, Maria Auxiliadora, Chiúre, Metoro, Ocúa, Mieze) e parte da maconde (Macomia e Mocímboa da Praia).

2.1. Diocese de Nampula

A Missão de Santa Teresinha do Mutuáli havia sido criada, em 5/9/38, por D. Teodósio Clemente de Gouveia, Prelado de Moçambique, e foram seus primeiros missionários P. João Craveiro Viegas, P. Celso Pinto de França e os Irmãos Francisco Xavier Macedo e Anselmo Martins Gomes, os quais só chegaram em 31/12/38. Esta foi a primeira Missão, de raiz, da Socie- dade Missionária, na actual Arquidiocese de Nampula. 9 Quatro meses antes, o Sr. P. Adriano da Silva Garcês, primeiro membro da Sociedade Missio- nária, o Sr. P. José Lourenço Baptista e os Irmãos João Augusto Barata Júnior e Manuel Lourenço Farinha haviam sido colocados na Missão de San- to António de Unango, a pouca distância de Vila

Cabral (Lichinga). Convém saber que, já depois de D. Teófilo de Andrade, primeiro Bispo de Nampula, ter entrado na Diocese, a Missão de Santo António de Unango foi escolhida para ali se dar início ao Seminário Diocesano e, concomitantemente, à Escola de Pro- fessores. Com o rodar dos anos, dos primeiros alunos do Seminário haviam de sair, a modo de primícias de bênção do Senhor, dois Sacerdotes de cor, Mons. Miqueias e P. Leandro, felizmente ainda vivos. Também a título de informação, refiro que o Sr. P. Garcês e Sr. P. Viegas, assim como os Irmãos Anselmo Gomes, António Rodrigues e Francisco Xavier, ao chegarem pela primeira vez a Louren- ço Marques em 1937, vindos de Portugal, foram enviados por D. Teodósio de Gouveia para a anti- ga Missão de S. Paulo de Messano, na actual Diocese do Xai-Xai. Mas só lá ficaram pouco mais de um ano. De facto, quando o Senhor D. Teodósio de Gouveia empreendeu uma viagem de reconheci- mento religioso à Província do Niassa, ao passar por Malema, foi recebido por um grupo de cris- tãos e catecúmenos, os quais lhe pediram instan- temente lhes enviasse Padres Missionários. Os poucos cristãos presentes tinham sido baptizados na vizinha Niassalândia (Maláui) ou na Rodésia do Sul (Zimbábuè) e já haviam levantado, por sua

conta e risco, uma igreja católica de pau-a-pique, na povoação de Mucarrua, área do Mutuáli. O chefe e catequista dessa comunidade, Bas- siano Mulessina, preparava o grupo dos catecú- menos para o Baptismo. O encontro com o Senhor

D. Teodósio fora, pois, providencial, porquanto o

Senhor Bispo, tendo observado, ao passar no Mutuáli, que a residência do Posto Administrativo e respectiva Secretaria se encontravam vagas, apre- sentou o caso, de regresso a Lourenço Marques, ao Senhor Governador Geral, o qual, de imediato, cedeu o Posto e todas as suas dependências à futu- ra Missão Cató1ica. A futura Missão Católica viria a ser criada, dentro de pouco tempo, sob a designação de Mis- são de Santa Teresa do Menino Jesus, do Mutuáli, sendo ocupada, em primeira mão, pelo Sr. P. Viegas,

Sr. P. Celso e pelos Irmãos Francisco Xavier e

Anselmo Martins.

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Em 1957, foi criada a nova Diocese de Porto Amélia 10 , tendo sido eleito seu primeiro Bispo D. José dos Santos Garcia, até então Superior da Mis- são de Santa Teresinha do Mutuáli, e acumulando a tarefa de Superior Regional de Nampula. Depois da sagração episcopal de D. José na Catedral de Nampula, acompanharam-no para Porto Amélia P. Moisés dos Santos Morais, P. Luís Filipe Pereira Tavares e outros, começando assim a funcionar a terceira região Missionária em Mo- çambique. Quando, pois, se celebrou a independência de Moçambique, a Sociedade Missionária contava com três Regiões: Nampula, Sul e Pemba, ultra- passando, na altura, os seus membros mais de uma centena 11 . Só na Região de Nampula a Sociedade Missionária tinha, entre Padres e Irmãos, 64 mem- bros. Mas as ocorrências políticas de então e a guer- ra civil que se seguiu determinaram muitos dos nossos missionários a trocar o campo de apostolado de Moçambique pelo Brasil e por Angola. Apesar disso, um grupo razoável de missioná- rios nossos optaram por continuar a trabalhar nas mesmas Dioceses moçambicanas de antes.

P. Alexandre Valente de Matos

2.2. Em Cabo Delgado

A Sociedade Missionária foi para Cabo Delga- do com a criação da Diocese de Porto Amélia, hoje Pemba, a 5 de Abril de 1957, ao ser nomeado seu bispo, a 10 do mesmo mês, um membro da Socie- dade, D. José dos Santos Garcia, missionário na

Diocese de Nampula desde 1945. Sagrado na Ca- tedral de Nampula, a 16 de Junho, entrou na Diocese no dia seguinte e permaneceu até 28 de Janeiro de

1975. 12 .

Deu grande incremento à evangelização, à di- fusão e organização do ensino e à construção. No mesmo ano da nomeação, instituiu o Seminário Menor, para o qual tinha do Superior Geral a pro- messa de padres desde o dia em que recebeu a no- meação, e no mesmo dia decidiu criá-lo; igualmente a Escola de Professores Catequistas – para um e outra aproveitando a escola primária central, a es- cola de artes e ofícios e os princípios de formação

de seminaristas e professores catequistas (disfar- çadamente) que os Monfortinos tinham no Maríri, uma pequena missão que servia de suporte legal a esse trabalho 13 . Criou a congregação de direito diocesano das Filhas do Coração Imaculado de Maria, cuja for- mação foi confiada às Irmãs da Consolata, e come- çou em 1959, no Maríri. Fundou o Colégio liceal de S. Paulo, em Pemba, sobre início de boas vontades, a 11 de Agosto de 1958, o Seminário Maior em 10 de Setembro de

1959 14 , e, em 1970, o Colégio-lar do Maríri, espe- cialmente destinado aos filhos dos colonos da área próxima. Nos últimos tempos, o ensino primário, confiado às missões da Diocese, compreendia cer- ca de 500 professores, número que ele não só pro- moveu, mas teve que defender. Fora do campo de guerra, estava a cobertura feita. Criou as missões de Mutamba, Macomia, Chitolo, Namioca, Metoro, Ocua, Mieze, e as pa- róquias de Mocímboa da Praia, Mueda, Montepuez, Maria Auxiliadora de Pemba e Mecúfi. Tendo os Monfortinos a construção organizada

e muito desenvolvida, subsidiava-lhes a constru- ção. Na parte nova de desenvolvimento, confiada especialmente à Sociedade Missionária, organizou-

a directamente: casas para as aspirantes da futura

congregação e para as irmãs da Consolata no Maríri, instalações provisórias do seminário, o grande edi- fício do seminário, escola primária, ampliação e adaptação da antiga escola dos Monfortinos para

pré-seminário, salão e capela do noviciado da con- gregação religiosa, colégio-lar (inacabado), ofici- nas; residência, igreja, internatos, armazém, carpin- taria e moinho, escola doméstica e posto de saúde em Macomia, sob a direcção do P. Aníbal; o gran- de complexo da escola de professores do Chiúre; a igreja e a residência da paróquia de Montepuez (para os Monfortinos); o paço episcopal, a igreja de Maria Auxiliadora, a ampliação de três residên- cias, o colégio de S. Paulo e o seminário maior de S. José, em Pemba; residências em Mocímboa da Praia, Palma e Mecúfi, por meio das administra- ções locais; 2 residências e 2 escolas (uma com capela e outra inacabada) no Metoro; 2 residências

e escola com capela em Ocua; capela-escola e resi-

dência no Mieze; oficina da Diocese com duas re- sidências, e dois prédios para rendimento na cida-

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

19 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

de de Pemba (o segundo, o maior da cidade); igre-

ja de Mueda com residência inclusa, e igual no Chai,

inacabada, com a colaboração da engenharia mili-

tar.

Em Setembro de 1959 foi criada a missão de Macomia, com a área de cerca de 19 000 Km 2 , para ser o campo missionário da Sociedade. Para lá fo- ram, em Outubro do mesmo ano, os PP. Aníbal e

Paulo e o Ir. Messias. Encontraram uma residên- cia, que depois foi das irmãs salesianas, e foram 10 anos de construção. Está lá a escola primária do 2.º grau (EP2) de Macomia. No mesmo ano de 1960, a Missão de Chiúre foi, então, confiada à Sociedade Missionária, com

o P. Sequeira por superior, e para lá foi transferida

a escola de professores, para animar a vida da sede

da missão, tendo depois sido construída a 1 quiló- metro de distância. Em 1961, o seminário maior foi transferido para Pemba, provisoriamente na paróquia de Maria Auxiliadora. 15 Em 5 de Setembro de 1965, passou para o grande edifício próprio, em construção por muitos anos, e com largos espaços sem projecto definitivo, empreendidos na hipótese de ser neces- sário alojar lá provisoriamente os missionários re- fugiados da guerra 16 . Até aos fins da década de 60, a comunidade cristã centrava-se na escola, sob a direcção do pro- fessor-catequista. As comunidades cresceram e a situação modificou-se, tudo pedia a autonomia da comunidade cristã. Em 1969 e 1970 houve em to- das as dioceses semanas de pastoral, animadas a partir dos estudos pastorais do secretariado de pas- toral da Beira, e lançou-se o movimento da forma- ção da comunidade cristã, com aparecimento de vários ministérios. Os nossos lançaram-se com en- tusiasmo, principalmente os de Ocua, Chiúre e Maríri. Quando a revolução nos tirou os professo- res e os lançou contra nós e a religião, e nos impe- diu de visitar as comunidades, já muitas delas esta- vam em condições de sobreviver e de crescer. 17 Em 1970 atingimos o número mais elevado: 32 membros da Sociedade Missionária presentes na Diocese. Em 1973 começámos a diminuir: não veio ninguém e no fim do ano éramos 29. 18 No ano de 1975, em plena crise política, entre- gámos a direcção do seminário maior aos Mon- fortinos, o colégio de S. Paulo ao P. Carminho, goês

diocesano, e o Maríri e a missão do Mieze aos Pa- dres diocesanos. A paróquia do Mecúfi, do secre- tário da diocese, ficou sem assistência. Em Novembro do mesmo ano, foram todos ex- pulsos do Maríri, que foi transformado em escola secundária do partido Frelimo, e a missão anexa à da Meza.

A 8 de Dezembro, foram todos expulsos da re-

sidência da escola de professores (Chiúre), que foi ocupada pela Frelimo, assim como o colégio de S. Paulo e depois o seminário maior (Pemba).

Já em Julho tinha sido nacionalizado o ensino e

a saúde, e se estavam a meter nas residências. Foi tudo inventariado e os carros confiscados. Os mis- sionários foram admitidos (obrigatoriamente?) a en- sinar nas escolas nacionalizadas ou do Estado e a servir na saúde. Só o P. Paulo recusou ensinar. Os irmãos não foram solicitados. Desde então, as reuniões intermináveis e des- truidoras seguiam-se umas atrás das outras. Aumentaram cada vez mais as restrições, as difamações, os boatos e ameaças, que culminaram na expulsão total dos que estávamos fora da cidade de Pemba, em Dezembro de 1978, e com todas as restrições e opressões que se lhe seguiram, até à difamação e suspensão de todos os professores re- ligiosos. Difamados, perseguidos, oprimidos, ameaça- dos, presos e expulsos, já em 1975 descemos de 30 para 19. E iam cantando vitórias. Em 1976, ficando a paróquia de Mocímboa da Praia sem padre, foi para lá o P. Gonçalves. (O úl- timo pároco capelão militar foi o P. Pino, que saiu em fins de 1974). Ensinou na escola primária até ao fim de 1977. As visitas que fazia eram vigiadas, contrariadas, limitadas, até à expulsão. Nesse ano baixámos para 18. Em 1977, para 16. Em 1978, amontoados em Pemba. Sair ou fi- car? O testemunho de agora é a permanência. O P. Pereira, expulso. O Ir. António, para o Maputo. Somos 13. O P. Casimiro opta pelo Brasil. No fim de 1979 éramos 11. Em 1980 o Presidente da República propõe à Igreja relações de colaboração. Mas, em Cabo Del- gado, em 1981, limpam-se de missionários as es- colas primárias. Há o partido integrista e o partido conciliador. No fim de 1980 estávamos 10. A 17 de Outubro de 1981, reabre a igreja da

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 20

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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cidade de Montepuez, confiada aos Monfortinos e às irmãs da Consolata. Em 24, a de Mocímboa, com muita resistência local. Volta o P. Gonçalves, proibido de tudo, menos rezar na igreja. Depois anunciou-se a reabertura de Macomia e do Chiúre. O P. Paulo foi para Macomia em 29 de Dezembro e ficou engaiolado numa casa empres- tada, sem poder fazer uma celebração pública. O contra-golpe da direita proibiu a permanência na- queles dois lugares enquanto não construíssem no- vas igrejas e residências. E o P. Paulo recebeu or- dem para regressar a Pemba, no dia 27 de Janeiro de 1982.

Em Janeiro de 1997, veio do Mutuáli para o Chiúre o P. António Augusto Mondoni, de 45 anos, em troca com o P. Libério. O P. José Marques foi escolhido para a forma- ção dos nossos seminaristas, no Lar da Matola, para onde seguiu no passado dia 9 de Janeiro. Ficámos novamente 8: 5 em Pemba (PP. Albino, Gonçalves e Paulo e Irs. Godinho e Messias. Além da Paróquia de Maria Auxiliadora e da de Macomia, de que é pároco o P. Paulo, damos também colabo- ração aos serviços diocesanos e ao seminário, como se diz de cada um) e 3 no Chiúre (PP. Mondoni e Norte e Ir. João, com Chiúre, Metoro, e Ocua).

No meio daquele ano, vencendo muitas oposi- ções, o P. J. Alexandre conseguiu iniciar a constru- ção no Chiúre e, a 11 de Setembro de 1983, foi

Pemba, 9 de Abril de 1997 A. Gonçalves

inaugurada a igreja, ficando o P. José Marques a viver na sacristia, onde chegaram a juntar-se três.

2.3. Evangelização do Sul do Save

No fim de 1982 estávamos 8. No fim de 1983 vol- támos a ser 9, com o regresso do Ir. João. Em 1985 ficámos 8. Em 1987, 7. Nessa altura, começa a abertura efectiva, ainda com oposições graves. As comunidades cristãs saem da clandestinidade, organizam-se, reúnem-se, constroem capelas, recebem visitas – não há mãos

Com a criação das primeiras Dioceses, em 1940, o Arcebispo de Lourenço Marques, D. Teo- dósio, ficou sem os nossos, que automaticamente ficavam sob a jurisdição do primeiro Bispo de

Nampula, o Sr. D. Teófilo. Foi deste facto que re- sultou ser a Diocese de Nampula o campo que ab-

a

medir. Ao sair de Mocímboa, em 1987, deixei 60,

sorveu todo o Pessoal Missionário das primeiras

e

aumentaram. Depois endureceu a guerra. A 6 de Janeiro de 1989 chegou o P. António da

doze expedições missionárias. Em 16 de Julho de 1950, passou por Cucujães

Rocha, de 29 anos. Um alvoroço ao fim de 14 anos. Voltámos a ser 8 por 12 dias. Na viagem para o Chiúre, foi morto numa emboscada, logo a seguir

Sr. Cardeal-Arcebispo de Lourenço Marques, que ia para Roma, e aproveitou para cumprimentar o novo Superior Geral, Padre Viegas, e apresentar

o

à aldeia de Salaue (Silva Macua), um quilómetro e

meio à frente do cruzamento da estrada centro-nor- deste, a 17 do mesmo mês. Está sepultado no Chiúre. Em Abril de 1994 voltámos a ser 8, com o re- gresso do P. Norte. Com a vinda das missionárias da Boa Nova para Ocua, em Outubro de 1994, o P. J. Marques come- çou a residir lá, habitualmente, continuando a per- tencer à comunidade do Chiúre. A 16 de Outubro de 1996, veio o P. Albino Manuel Valente dos Anjos, de 26 anos. Ficou na paróquia de Maria Auxiliadora e dá aulas no semi- nário propedêutico e no colégio liceal D. José dos Santos Garcia, da associação Lumen Gentium, dos antigos seminaristas e alunas das casas religiosas. Aumentámos para 9.

Passado um ano, na 13.ª Ex-

pedição Missionária, o P. Celso foi destinado a Lourenço Marques, aonde esperaria os seus com- panheiros P. João Avelino e Ir. Mota, a trabalhar na Diocese de Nampula. Foi o recomeçar da nos- sa presença no Sul, em resposta aos apelos do Car- deal Gouveia. Reunidas as forças em Lourenço Marques e depois de despachados os caixotes por Caminho de Ferro em direcção ao Xinavane, aí vão os três aventureiros a caminho de Chissano, aonde che- garam, após muitas peripécias no caminho, aos 19

de Novembro do ano de 1951. Iam ao estilo de uma verdadeira aventura, enviados a trabalhar, mas com

o encargo de escolher a sede da Missão que iria

começar a partir do nada. Apoiados embora pela dedicação de famílias amigas de portugueses ali

os seus problemas

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

21 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

radicados no comércio e na agricultura, muito ti-

veram de sofrer, instalados sem as mínimas condi- ções em dois minúsculos quartos de uma velha es- cola, em Licilo. Durante um ano aguentaram aque-

la situação enquanto o Ir. Mota suava as estopinhas

percorrendo diariamente, de bicicleta, os 10 qui- lómetros que os separavam do local escolhido para Sede da Missão, percorrendo matas à procura de paus para a construção da futura Residência, com seis divisões, e da Capela ampla, onde já celebra- ram o Natal de 1952! E ali permaneceram aqueles valentes sem qualquer reforço a não ser do Sr. Pa- dre João Martins Pinheiro que, devido a fortes ata- ques de paludismo, teve de ser internado no Hos- pital, tendo, após a alta, fixado residência no Asilo de Santo António, em Lourenço Marques, como Capelão das Irmãs Vitorianas. Na expedição de 1955 vai o segundo grupo para

o Sul: P. Antunes, P. Aquiles e Ir. Tavares. Após a chegada destes é criada, ou melhor, restaurada a Paróquia do Chibuto (22.11.55), sendo designa- dos para ela os PP. João Avelino e Aquiles, assim como o Ir. Mota. No Chissano ficava o P. Celso com o P. Antunes e o Ir. Tavares. Logo a seguir o Sr. Cardeal cria, com data de 15.12.55, a Missão do Santo Condestável de Fumane, ficando o P. Avelino a assistir à mesma até virem novos missionários. Não há nada. A Eu- caristia é celebrada onde calha, nas varandas das residências ou do Hotel. Mas, graças ao dinamis- mo do P. João, ao fim de um ano havia umas de- pendências com quartos, sala de jantar, cozinha e casa de banho, assim como uma razoável capela feita em material local, e uma espaçosa Escola- Capela em alvenaria começava a erguer-se com ajudas do Governo, na pessoa do Sr. Administra- dor José Videira, grande entusiasta do desenvolvi- mento da paróquia. Na expedição de 1956 mais três Missionários levam destino ao Sul: PP. Julião e Álvaro, com o Ir. Fernando. Os três pedem para ir directamente fazer a sua experiência missionária em equipa na nova Missão do Santo Condestável. Foram come- ços duros. Começou-se mesmo do nada. O local escollhido era mato fechado. A residência de pau- a-pique e caniço, com 3 quartos, uma salinha de jantar e casa de banho, deixou-nos saudades. Em 1960, o P. Alves vem para Lourenço Mar-

ques e P. Benjamim para Fumane iniciar a sua vida missionária com o P. Julião. Profundas alterações se operam nesta altura. 19 O primeiro Capítulo da SM retém em Portugal P. Alves. Era 1964. P. Valente é enviado para to- mar conta da Casa de Maputo. O Superior Geral nomeia novo Regional na pessoa do P. Álvaro e envia um reforço de mais dois: Padres Evangelista Catarino e Farinha Costa. O primeiro vai para Chissano e o segundo para o Alto Changane subs- tituir o P. Serafim que cumpria o serviço militar como Capelão, no Norte. P. Celso regressa em 1966, e substitui no Chibuto o P. Avelino, que foi para o seu novo campo da animação missionária em Portugal. O P. Tomás Borges é enviado em 1967 e vai abrir a nossa primeira Paróquia na periferia de Lourenço Marques, a Paróquia de S. João Baptista, do Bairro do Fomento (Matola). Em 1 de Janeiro tinham sido criadas as Missões de Mahuntsane e de Maniquenique, confiadas respectivamente aos Padres Antunes e Benjamim. P. Orlando é envia- do, logo a seguir ao Capítulo de 68, e vai treinar no Chibuto com o P. Celso. Mas, ainda antes de completar um ano já estava na Capelania Militar no Norte de Moçambique. Entretanto, o P. Ernesto vai estudar para “Lu- men Vitae” e chega o P. Figueiredo Marques, em 69, indo iniciar a sua experiência missionária no Chissano. Em 1971 chegam, para fazer uma nova experiência em Maputo, os PP. Ambrósio, Manuel GonçaIves e Rui Martins. Com a vinda da inde- pendência, todos os planos ruíram. De recordar aqui outra experiência fracassa- da que foi a da Ordenação do Afonso Muchanga, primeiro padre africano da Sociedade, que, depois de ordenado, veio fazer uma experiência missio- nária, primeiro em Chissano e depois em Manique- nique, acabando por pedir a redução ao estado laical. Após a Assembleia Geral de 1964, ao realizar a Assembleia Regional, a Região dividiu-se em duas Pró-Regiões (Maputo e Xai-Xai), ficando a de Maputo 20 confiada ao P. Borges e a de Xai-Xai con- fiada ao P. Valente 21 . Aqui virou uma página trágica a nossa vida no Sul. No meio de muitas dificuldades, registamos a coragem manifestada pelos jovens Virgílio e Si-

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 22

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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mões, que se ordenaram de Presbíteros, o primei- ro em 05.12.76 e o segundo em 28.11.77. E a Revolução joeirou-nos muito bem! P. Antunes, preso, julgado e expulso. P. Farinha Cos- ta, igualmente preso, julgado e expulso. P. José Valente, preso, algo julgado e não expulso. P. Ál- varo, prisão domiciliária, julgado à moda de tri- bunal popular e salvo, “in extremis”, da expulsão. P. Evangelista Catarino, preso, julgado e expulso. Finalmente, como corolário de tudo isto, a morte violenta do P. Cristóvão, ocorrida em 21 de Janei- ro de 91. Merecem referência especial também as vezes que o P. Firmino, sem prisão nem expulsão, foi solenemente julgado e mandado “aguardar” Registo ainda a experiência de um ano do P. Anselmo e o envio do P. João Almendra, que foi trabalhar na Região do Aeroporto onde acabou por ficar, em 1990, como Superior Regional. Em 1992 ordenaram-se em Moçambique os jovens Pinho e Anastácio Jorge.

P. Álvaro Patrício

2.4. Resistência e martírio

Deus donde saíram orientações para o funciona- mento da chamada Igreja Ministerial: cada comu-

nidade deve ser dotada dos serviços essenciais ao seu funcionamento e cada cristão deve assumir um ministério. Na hora da verdade muitos leigos fo- ram verdadeiros heróis para manter a comunidade em funcionamento e desdobraram-se para atender

as vítimas da guerra fratricida. Os poucos presbí-

teros existentes encontraram novas formas de co- laborar com eles e alguns deram a vida, fecundan- do com o seu sangue a nova Igreja moçambicana.

Entre eles, três mártires da Sociedade Missionária da Boa Nova: P. Alírio Baptista – 20.11.1983, P. António da Rocha – 17.01.1989, P. Manuel Cristó- vão – 21.0119.91.

O pequeno número de Missionários da Boa

Nova resistiu nos seus postos de trabalho, dispersos pelas enormes áreas onde antes havia três vezes

mais trabalhadores da Messe. Permaneciam quatro regiões ou pró-regiões da antiga estrutura organizativa da Sociedade. A Direcção Geral sen- tiu que era melhor juntar todos os membros de Moçambique numa só Região que fomente o inter-

Nos 37 anos anteriores à independência, a SMBN fez nascer em Moçambique 41 missões com razoável infra-estrutura, alguns grandes colégios (em Nampula, Maríri, Pemba e Angoche), hospi- tais importantes como o de Malatane e os seminá- rios de Nampula, Maríri e Pemba. A independência trouxe grandes transformações e o marxismo do novo governo trouxe muito sofri- mento. Dos mais de cem missionários que a Socie-

câmbio, a troca de experiências e uma representa- ção a nível nacional. Não foi fácil juntar os peque- nos grupos dispersos desde Pemba e Nampula até Xai-Xai e Maputo numa reflexão comum com uma direcção única para enfrentar os problemas a nível nacional. Como Superior Regional foi eleito o P. João Almendra e os assistentes eram escolhidos como representantes das antigas regiões ou pró-re- giões que agora se designam por “grupos” de Ma- puto Xai-Xai, Nampula e Pemba. 22

dade tinha em Moçambique, muitos foram presos,

A

paz assinada em 1992 veio modificar radi-

alguns expulsos, outros não aguentaram o ambien- te reinante. Cinco anos depois permaneciam qua- renta.

calmente a situação. A Igreja comprometeu-se pro- fundamente na reconciliação entre pessoas e gru- pos políticos e na reconstrução das estruturas es-

A Igreja, porém, não morreu. A transição tinha sido preparada pelas missões e Centros Catequé- ticos como o do Anchilo, em Nampula, e pelas Es- colas de Professores-Catequistas donde tinham sa-

senciais da vida social. Foram devolvidos alguns dos antigos espaços nacionalizados e a Igreja teve de os recuperar para lhes dar nova utilidade (igre- jas, casas paroquiais, escolas, serviços de saúde).

ído homens formados para criar comunidades. Nem

O

testemunho dado nos tempos difíceis frutificou

todos resistiram aos embates políticos. Mas alguns

num número imenso de pessoas a entrar para a Igre-

foram mártires. Outros, no meio de muita luta e

ja

e na volta de alguns que a tinham abandonado.

alguma esperteza, conseguiram manter as comuni-

O

número de catecúmenos aumentou muitíssimo.

dades, mesmo quando o padre não podia visitá-las. Muito ajudou a lucidez dos Bispos que em 1977

Foi preciso formar catequistas e reorganizar a for- mação. As casas de formação para missionários e

promoveram uma grande Assembleia do Povo de

missionárias foram permitidas de novo e muitos

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

23 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova
I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova I Assembleia Geral da SM (1964).

I Assembleia Geral da SM (1964). 1.ª fila: PP. João Valente, Ambrósio, Luís Filipe Pereira Tavares, João Craveiro Viegas, D. José dos Santos Garcia, PP. José Patricio, Marques Vaz, Álvaro Patrício e Manuel Fernandes. 2.ª fila: PP. Celso Pinto de França, António Luís de Carvalho, Alfredo Alves, Albano Mendes Pedro e José Valente.

eram os candidatos. Depois de colaborar com a formação do clero diocesano e de algumas congre- gações religiosas também a Sociedade criou o seu esquema de formação. No início os nossos candi- datos foram recebidos no Seminário Interdiocesano de Nampula onde faziam o Propedêutico 23 e iniciá- mos a construção de um “Lar Boa Nova” na Matola, junto ao Seminário de Filosofia. Mas as dioceses encheram o seminário de Nampula. E durante al- guns anos todos os nossos candidatos, de todos os níveis, se juntaram no Lar da Matola. Por isso a Direcção Regional decidiu enviar para o Brasil os alunos de teologia 24 .

3. EM BUSCA DA UNIVERSALIDADE – INCARNAÇÃO NOUTRAS CULTURAS

Ninguém poderá duvidar de que o ano de 1970 marcou uma data decisiva na história e nos rumos da Sociedade, já que foi nesse ano que a Socieda- de se abriu a novos campos, depois de mais de 30 anos só em Moçambique. Não é fantasia pretensi- osa pensar que a história da Sociedade não seria a mesma sem a abertura ao Brasil e a Angola, em

1970.

P. Manuel Augusto Trindade

Em 1968 os apelos do Concílio à missão uni- versal e os previsíveis problemas futuros de Moçambique obrigaram a Sociedade a descon- centrar as forças missionárias. A III Assembleia

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 24

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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Geral optou por Angola e pelo Brasil. 25 Em 1970 partiu um grupo de 3 padres para cada país, e en- traram nas dioceses de Luanda e Teófilo Otóni.

3.1. Brasil – Evangelização e formação de comunidades

No dia 19 de Janeiro de 1970 chegaram ao Bra- sil os três jovens padres Manuel de Matos Bastos, João Francisco da Silva Mendes e Manuel Jerónimo Nunes. Foram acolhidos por D. Quirino Schmitz na Diocese de Teófilo Otóni, com 500 000 habi- tantes, 30 000 km2 e 45 padres. Encarregou-os de coordenar a pastoral (P. Bastos), evangelizar os jo- vens (P. João) e formar comunidades rurais (P. Jerónimo). Não lhes deu paróquia, deu-lhes servi- ços, com o título de vigários cooperadores de to- das as paróquias. Foram os acontecimentos políticos de Moçam- bique que possibilitaram a passagem da missão do Brasil de 3 para 33 padres num curto período de 5 anos, entre 75 e 80. Presente na periferia de algumas cidades im- portantes onde ajudou a criar uma pastoral urbana (Teófilo Otóni, Belo Horizonte, Chapadinha, Dou- rados), a SMBN dedicou-se também a áreas rurais. Tanto defendeu os direitos dos favelados como não se alheou da injusta situação dos lavradores, de- fendendo os seus direitos por meio da pastoral da terra e outros movimentos. Em 35 anos colaborou com 7 dioceses em 4 estados. Em Minas Gerais:

Teófilo Otóni, Araçuaí e Belo Horizonte; no Ma- ranhão: Brejo e Coroatá; no Paraná: Umuarama; no Mato Grosso do Sul: Dourados.

Minas Gerais – construir uma jovem Igreja

Durante os 17 anos em que trabalhámos na diocese de Teófilo Otóni, a SMBN foi fiel à inspi- ração inicial de se dedicar aos serviços diocesanos, 26 ao mesmo tempo que colaborou directamente nas paróquias 27 de Pavão (1973-1975), Poté (1971- 1986), Fátima (1974-1987), Malacacheta (1977-

1987).

Numa sociedade dividida entre um pequeno grupo de ricos e muitos empobrecidos, a opção da Igreja pelos pobres não deixou de criar problemas. Dedicar-se mais à evangelização de lavradores,

favelados e índios, e defender os direitos humanos

é evangélico, mas não deixa de ter riscos. Muitas vezes a Igreja foi a voz dos pobres. Por exemplo, quando um senhor quis expulsar 300 fa- mílias da Favela do Boiadeiro, a Paróquia de Fáti- ma e a Comissão de Justiça e Paz apoiaram a sua

resistência. Por causa desse conflito, o P. Mamede sofreu um atentado a tiro em Setembro de 82. O clima pastoral após a ordenação de padres locais e a chegada de um novo Bispo criaram difi- culdades à pastoral de conjunto. A SMBN viu-se questionada e abandonou a Diocese a 19 de Janei- ro de 1987. Vizinha de Teófilo Otóni fica a Diocese de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, uma das regi- ões mais pobres do Brasil. Aí, os portugueses ex- traíram ouro nos séculos XVII e XVIII e as multi- nacionais continuam a extrair vários metais preci- osos. As várias fases do “desenvolvimento” leva- ram para lá o eucalipto e o café. Mas a maioria da população não foi beneficiada com esse progresso

e completa a sobrevivência migrando, aos milha-

res, para o corte da cana e a colheita do algodão noutros estados, durante os meses da safra. Evangelizada por franciscanos holandeses des- de o século XIX, aos poucos criando clero local, nitidamente insuficiente.Na década de 70, a diocese apelou a muitas dioceses e congregações a pedir ajuda. Responderam várias congregações, a Dio- cese de Brescia, da Itália, e a Sociedade Missionária. Em 1976, o Padre Bastos estava na Paróquia de Novo Cruzeiro 28 , preparando o caminho para mis- sionários saídos de Moçambique 29 . Na área do eucalipto e do barbeiro (bicho que provoca uma doença incurável no coração), a So- ciedade Missionária tomou conta de Virgem da Lapa 30 e Berilo. A Virgem da Lapa é a padroeira da Diocese. É para lá que todo o ano, no mês de Janei- ro, se dirige a Romaria dos Migrantes que congre- ga os que estão de férias e as suas famílias que bus- cam na fé a união necessária para lutar pela sobre- vivência. A carência de padres obrigou-nos a assumir ain- da as paróquias de Padre Paraíso 31 e Caraí 32 . Um provisório que se prolongou no tempo. No dia 20 de Janeiro de 1987 a Sociedade to- mou posse duma casa no Bairro D. Cabral, de belo Horizonte, destinada à formação dos nossos candi-

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

25 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

datos, que até essa data frequentavam o Seminário de Teófilo Otóni. Foram viver com eles os padres Joaquim Patrício e Jerónimo Nunes (este mais des- tinado aos serviços da pastoral da terra em Minas Gerais) 33 . Por iniciativa do P. António Mamede Fernandes, em 1992, a Sociedade adquiriu uma chácara no Bairro Bom Jesus (Contagem) para onde

foi transferida a Comunidade Boa Nova 34 . Em 2003,

a Arquidiocese criou a paróquia da Senhora da Boa

Nova com os bairros que cercam a nossa casa e nomeou como primeiro pároco o formador P. Ma- mede. Todo o trabalho de formação das comunida- des e construção de espaços de culto e casa paro-

Anisberto Bonfim. Em 1978, a Sociedade passou para a outra mar- gem do Rio Paraná e, na Diocese de Dourados, fo- ram criadas as paróquias de Iguatemí, Sete Que-

das, S. João Baptista de Dourados, Paranhos e foi- nos confiada Tacuru.

A população das paróquias do Paraná era cons-

tituída, na sua grande maioria, por pequenos agri- cultores, alguns proprietários dos seus terrenos,

outros arrendatários. A cultura predominante era o café e o algodão. Mas essas produções têm sofrido grande queda nos últimos anos, principalmente o café.

quial foi feito nos últimos dez anos, sob a coorde-

o

P. Raimundo Ambrósio Inteta, um moçambicano

A

população colaborou muito bem com a pas-

nação do primeiro pároco que teve como sucessor

toral diocesana e paroquial. Foi fácil encontrar pes- soas para os serviços paroquiais ou diocesanos. A

que estudou teologia nesta comunidade Boa Nova 35 .

situação mudou com a queda do café que obrigou

É a paróquia onde os candidatos da SMBN vão experimentando e aprendendo a Missão.

o povo a migrar para áreas industriais, para as gran- des cidades e já não é fácil encontrar os agentes de

Paraná e Mato Grosso do Sul

pastoral necessários. No Mato Grosso, a situação era e é ainda dife-

Em Janeiro de 1975, o Padre António Pereira deixou Lisboa com destino a Umuarama, onde se encontrou com o Bispo Diocesano, D. José Maria Maimone e assumiu a paróquia de Alto Piquiri. A Direcção Geral aprovou essa iniciativa e escolheu Umuarama como novo campo de trabalho missio- nário. Lá foram criadas de raiz as paróquias de

rente, não só por causa das grandes distâncias, mas também por muitas famílias viverem em grandes fazendas e, por conseguinte, terem menos mobili- dade e autonomia. “Vou tentar recordar o que se realizou de obras nas nossas paróquias. Obras que significam muita dedicação das populações e dos missionários: re- sidência paroquial e salas de catequese, no Alto

Cafezal (1976, P.Eugénio Ribeiro e depois P. Aníbal dos Anjos João), S. Jorge do Patrocínio (1977-1988,

Piquiri; três igrejas, salão paroquial, Casa do Andarilho e Creche Criança Feliz e pré-escola, na

P.

Ernesto Pereira), Esperança Nova (1980-2001,

Brasilândia; residência, salão e centro pastoral,

P.

António Antunes dos Santos) e foram confiadas

em Cafezal; centro de catequese, torre, três cape-

à SMBN as paróquias de Brasilândia (1976-2001,

las, casas de banho públicas, residência das Irmãs,

P.

Aníbal dos Anjos João), Pérola (1983-2001, PP.

reforma do salão de festas, em Pérola; igreja, resi-

Francisco Mayor Sequeira, António Martins e Joa- quim Pinho) e Xambrê (1984-1988, P. Benjamim Trancoso). Na Diocese de Umuarama, em que a priorida-

dência e salão, na Boa Esperança; igreja, creche e salão, duas capelas, em S. Jorge do Patrocínio; duas igrejas, centro de catequese, residência das Irmãs, ampliação da casa paroquial e novo salão,

de era e ainda é as Comunidades Eclesiais de Base,

em Iguatemí; residências dos padres e irmãs, sa-

e

em que se estabeleceu em bases sólidas a pasto-

lão e colégio, em Sete Quedas; igreja, residência e

ral do dízimo, os missionários assumiram essas pastorais, sem descurar outras, como a Vocacional. É consolador verificar que de todas as nossas paró- quias saíram padres diocesanos ou religiosos e vá- rias Irmãs religiosas. Em 20 de Fevereiro de 1994, foi ordenado, no Cafezal, o primeiro padre brasi- leiro e estrangeiro da Sociedade Missionária, P.

Lar vocacional em Dourados; Centro de catequese, em Paranhos. Mas a atenção dos missionários voltou-se es- pecialmente para a formação do povo e particu- larmente de lideranças cristãs. As CEBs foram promovidas e incentivadas para levar a um melhor conhecimento do Evangelho e a

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 26

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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vivenciá-lo na realidade familiar, política e social. A par das comunidades eclesiais de base sur- gem outros movimentos que, de algum modo, vão vivificá-las com os seus carismas próprios. Neste sentido, gostaria de sublinhar alguns que mais in- fluência tiveram na nossa pastoral de conjunto. Os Encontros de Casais com Cristo, grande apoio para a pastoral familiar, que têm como ob- jectivo principal levar os esposos a encontrar-se consigo e com Cristo e a caminhar com Ele pela vida fora. Para quantos casais não foram estes En- contros a âncora e a tábua de salvação! Os Encontros de Jovens com Cristo: para os jovens, uma parada na caminhada e um olhar e um encontro mais consciente e mais pessoal com Cristo. Foram inúmeros os jovens que depois des-

te encontro consigo mesmos e com Cristo, o eterno

sedutor e modelo, ficaram cativados por Ele. A sua vida ganhou sentido e dedicaram uma parte do seu

tempo à Pastoral da Juventude e ao trabalho de evangelização de jovens e adultos em suas comu- nidades. Além destes movimentos, temos os Cursos de Preparação para o Matrimónio, os Cursilhos de

Cristandade (em algumas paróquias), a Renova- ção Carismática Católica, a Legião de Maria e o Apostolado da Oração. Todos estes movimentos estão voltados para a formação dos seus membros

e a construção da comunidade. São movimentos de evangelizados para evangelizar.” P. Francisco Mayor Sequeira

Maranhão nos porões da humanidade

A implantação da Sociedade no Brasil não es- taria completa enquanto não colocássemos um gru- po na Amazónia, diz o Relatório do Superior Geral para a IV Assembleia Geral, em 1980. Iniciou em 1978 e atingiu seu auge em 87, quando deixámos Teófilo Otóni. O pioneiro foi o P. Manuel Bastos, membro itinerante da Direcção Geral. Fez o reconhecimen- to do terreno e viu no Brejo uma diocese sem o mínimo de condições para atender o povo, católico de nome. Eram 8 padres numa superfície de 23 340 Km2 e 415 000 habitantes. Começou o trabalho, junto com o P. Manuel Neves, que chegou em Outubro de 1978 para ser

Pároco em Chapadinha. P. Américo Henriques e P. Casimiro chegaram no mês de Agosto seguinte. Atendiam também a Paróquia de Santa Quitéria, onde, mais tarde, o P. Américo foi morar. Em Outubro de 1983, o P. Mamede assumiu as

Paróquias de Vargem Grande, Nina Rodrigues e Presidente Vargas, na vizinha Diocese de Coroatá 36 . Mantivemos uma equipa de 3 até à morte do P. Trin- dade e, depois de quase 20 anos de eficiente traba- lho, entregámo-las à diocese. Começaram pelo começo: visitar o povo para

ir formando comunidades. As distâncias são enor-

mes e as estradas muito ruins. Andavam a pé, de bicicleta, de carro, de moto. A moto foi a grande

heroína que ultrapassava areia, pedras e rios. Onde

o povo começava a reunir-se, os padres começa-

vam a ir todo o mês para ir esclarecendo as pesso- as, formar uma equipa que organizasse uma cele- bração dominical. Começou a formação bíblica e catequética. Começaram os cursos para dirigentes. Com essa clareza de prioridades, lançou-se um tra- balho de raiz que, pouco a pouco, foi formando cristãos missionários. Todo esse trabalho pastoral atraiu um povo muitíssimo pobre, dominado pela prepotência po- lítica de alguns “coronéis” que controlavam todas as formas de poder. A própria formação de comu- nidades já constituía uma valorização imensa para

o povo habituado a ser só massa de manobra dos

poderosos. Ser tratado como gente, Filho de Deus, capaz de ser protagonista do Evangelho, era uma promoção enorme. Junto com esse trabalho de for- mação do Povo de Deus era necessário construir as estruturas necessárias para o culto, a catequese, os encontros de líderes. Foram reformadas as Igrejas de Chapadinha, Vargem Grande, Mata Roma, Pre- sidente Vargas e construídas novas em Santa Quitéria e Nina Rodrigues, além de muitas capelas nas comunidades. Foi adquirido o centro catequético e o centro de formação de Chapadinha, foram construídos os de Nina Rodrigues, Vargem Grande (este, enorme, para acolher os peregrinos da festa de S. Raimundo) e Mata Roma. Embora os Bispos pedissem trabalho paroquial, o Maranhão era terra de missão e assim foi tratado:

evangelização, organização das comunidades e dos serviços eclesiais. Desde o início começaram a aparecer proble-

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

27 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

mas graves de direitos humanos. Na política ma-

ranhense era bem tradicional a vingança. A polícia estava ao serviço do político que ganhava as elei- ções, para maltratar e até prender os que perdiam. Eram injustiças flagrantes. Os padres começaram

a visitar e libertar os injustamente presos, qualquer que fosse o partido deles. Era coisa muito normal em qualquer parte do mundo, mas no Maranhão era uma revolução. Os fazendeiros de Chapadinha foram reclamar ao sr. Bispo que muitas vezes concordou com eles

e algumas vezes foi celebrar nas capelas deles, guar-

dado por polícia, com medo do povo. As comuni- dades organizaram-se para falar com o sr. Bispo. Mas ele não soube entender. A Igreja Católica Bra- sileira também foi chamada pelos fazendeiros para fazer festas e baptismos em multidão. Foi preciso muita persistência dos padres e das comunidades para resistir a esses ataques e manter uma proposta pastoral de futuro. Outro conflito que atingiu muitas comunidades foi a expulsão de lavradores. No Maranhão as ter- ras eram quase todas do Estado. Os chefes políti- cos assenhoreavam-se delas e deixavam as famíli- as morarem “de favor”, com algumas exigências:

fazer uma cerca à volta da terra plantada (para o gado do fazendeiro andar à vontade no resto da ter- ra); vender o coco babaçu (nativo) para o fazendei- ro; votar no “patrão”. Trata-se de exigências ile- gais que muitas vezes os pobres não podiam cum- prir. Por exemplo, não podiam ficar com todo o prejuízo quando o gado resolvia quebrar uma cer- ca. Quando o conflito estourava e a comunidade se unia para se defender, os padres apoiavam os seus direitos e iam tirar os presos da cadeia, sem olhar a que partido pertenciam. Vale a pena citar o caso de Cantinho, na Paró- quia de Vargem Grande, onde era pároco o P. Trin- dade. Num dia em que os líderes de comunidade estavam reunidos num curso de formação, uma comunidade foi totalmente destruída, a mando ile- gal do Juiz que cumpria ordens do Prefeito. A soli- dariedade da Igreja foi total. Mas este é um caso entre muitos. D. Afonso, Bispo do Brejo, nunca entendeu o trabalho dos padres e muito menos o compromisso

social da Igreja. Apesar de ter só 8 padres para toda

a Diocese, em Outubro de 1983 impôs a retirada

dos padres da Paróquia de Chapadinha, sob pena de suspensão. O apoio de outros Bispos e da Di- recção Geral concretizou-se no recurso directo à Santa Sé que fez suspender a injustificada e injuri- osa decisão. Em 1986 a Santa Sé nomeou o Arcebispo de S. Luís, D. Paulo Ponte, como Administrador Apos- tólico do Brejo. Confiando totalmente nos nossos padres, pediu-lhes para assumirem as paróquias de Anapurus e Mata Roma (1986) e Urbano Santos

(1988).

D. Valter Carrijo tomou conta da Diocese em 1989. Continuou o bom relacionamento com a Diocese. Mas, infelizmente, o número dos nossos padres estava a diminuir 37 . Uma novidade do trabalho do Maranhão foi a “quase geminação” da Diocese de Aveiro com a de Brejo, por meio da SMBN. Leigos e padres de Aveiro têm passado bons períodos a colaborar com Chapadinha. Destacamos o nome do Prof. Jorge Carvalhais que lá viveu dois anos e meio e vai vol- tar; e do P. Pedro Correia que, depois de três anos, renovou o seu compromisso por mais dois e meio.

Missionárias da Boa Nova

Todo este trabalho pastoral teve a colaboração

de várias congregações religiosas. Vamos destacar

o testemunho e o serviço das Missionárias da Boa

Nova, que chegaram ao Brasil em 1977. A primei- ra equipa de três ficou em Ladainha e as duas que foram no ano seguinte formaram outra equipa na Vila Pedrosa, bairro de Teófilo Otóni. Em 1987 saíram também dessa diocese e formaram uma úni- ca comunidade em Mata Roma e Anapurus que depois foi desmembrada, e nova casa foi aberta no Bairro do Areal, em Chapadinha. As missionárias não substituem o padre, elas são de facto as mães da comunidade. Escutam o povo com o carinho que só uma mulher tem. Intuem facilmente as suas necessidades, congregam crian- ças, jovens e adultos. Animam os líderes sem os substituir. Formam-nos para desempenharem bem

o seu serviço. Além dessa presença que, por si só, cria Igreja, elas têm feito, com rara competência, serviços im- portantes: jardim infantil, educação das mulheres em clubes de mães, grupos de jovens, formação de

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 28

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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catequistas e animadores de comunidade, apoio à criação de associações, movimentos populares, sin- dicatos, pastoral da criança, pastoral da terra. Gostaria de destacar estas duas últimas. A Pas- toral da Criança está em quase todos os municípios

do Brasil. O seu objectivo inicial era estancar a mortalidade infantil, através de acções concretas e simples: soro caseiro para curar a diarreia, vaci- nas, alimentação mais sadia e barata, educação das mães. De facto, ela tem sido uma grande formado- ra de mulheres líderes. Em cada rua duas mães cui- dam das crianças mais pobres, reúnem com ges- tantes, controlam mensalmente cada criança, ensi- nam a cuidar das doentes.

A Pastoral da Terra anima os lavradores, reúne-

os, ajuda a pensar os seus problemas e a organizar- se para os resolver. A grande Romaria da Terra do Estado do Maranhão, neste ano de 1995, realizou- se em Anapurus. Certamente por causa dos muitos conflitos de terra que existem na diocese do Brejo mas também porque tinham o apoio das Missionárias que, junto com os lavradores, tudo prepararam.

3.2. Angola – Testemunho na guerra

A Direcção Geral escolheu dois homens já ma-

duros para serem o alicerce da Missão de Angola:

os Padres Albano Mendes Pedro e Manuel Fer-

nandes. O primeiro, além de missionário em Moçambique durante alguns anos, tinha sido con- sultor eclesiástico do então Ministério do Ultramar. Esse cargo dera-lhe uma grande visão da acção evangelizadora nas colónias portuguesas e mesmo noutros países africanos. O segundo, além de mis- sionário em vários lugares de Moçambique, havia sido Superior Geral e até o grande entusiasta pela vinda para Angola durante o seu mandato como Superior da Sociedade.

O P. Albano chegou a Luanda a 21 de Setembro

de 1970. Pediram-lhe o serviço de secretário da conferência episcopal e D. Manuel entregou-lhe, pouco tempo depois, a Paróquia de Viana, a gran- de zona industrial de Luanda. 38 Também em Agos- to de 71 chegou a Viana o P. António Tavares Martins. Além de vigário cooperador foi também professor no seminário maior de Luanda. Este não era, porém, o campo destinado à Soci-

edade. O Arcebispo tinha como grande preocupa- ção pastoral o Kuanza Sul. Para liderar este projec-

to a Direcção da Sociedade vai buscar a Moçam-

bique o P. Manuel Fernandes que pouco tempo an- tes para aí havia sido reenviado. O P. Francisco

Fernando Martins das Eiras passou quase três me- ses com o Revmo Cónego Moura, antigo aluno do Seminário de Cernache do Bonjardim, e agora de saúde muito abalada. O P. Fernando é aí iniciado nas lides missionárias e recebe do Cónego Moura a Missão do Dúmbi 39 no mês de Março desse ano. Entretanto vindo de Moçambique, o P. Manuel Fernandes chega a Luanda, onde se encontra com

o Cónego Moura, seu antigo condiscípulo em

Cernache. Recebidas as primeiras instruções do Arcebispo de Luanda sobre a condução da Missão do Dúmbi, aí chega a 25 de Março. Esta equipa só fica completa a 13 de Outubro com a chegada do P.

Augusto Farias, recém-ordenado em Portugal. Era uma equipa bastante diversificada em idades e men- talidades, mas que sempre funcionou bem e lançou

as restantes equipas do Kuanza Sul. Estas foram as duas primeiras equipas da Soci- edade Missionária em Angola, com três membros no Dúmbi e dois em Viana. Nessa altura a Direcção da Sociedade apostou

seriamente nos jovens. Por isso, no ano seguinte, em Outubro de 1972, chegaram ao Kuanza Sul mais dois jovens: os Padres Laurindo Neto e Aníbal Fernandes Martins Morgado, ambos acabados de ordenar em Portugal. Com este reforço reorgani- zam-se as equipas. O Arcebispo de Luanda confia aos cuidados pastorais a vizinha Paróquia de Vila Nova do Seles. 40 É-lhes dada posse em Novembro.

A equipa fica completa em Março de 1973 com a

vinda de outro padre jovem, o P. Armindo Alberto Henriques que, além da pastoral, dedica parte do seu tempo ao ensino na Escola Comercial e no Colégio das Irmãs do Amor de Deus. Esta era uma experiência nova para a Socieda- de. Dominavam os jovens. Os dois primeiros anos foram para ver, até porque não tiveram qualquer iniciação missionária. Nesses dois anos visitaram todas as aldeias das duas Missões. Desse encontro com a realidade começam a emergir algumas prio- ridades pastorais. Destaca-se a formação de catequistas locais e gerais para os quais se organi- zam encontros e cursos, quer a nível local quer a

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

29 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

nível da Vigararia do Kuanza Sul. Dá-se priorida- de à evangelização sobre a sacramentalização de- vido à fraca formação dos cristãos. Presta-se muita atenção à promoção humana, quer na área do ensi- no, quer da saúde, quer da formação feminina. Na

Missão do Dúmbi, em quatro anos, quintuplicou- se a população escolar e os seus agentes, nos quais se investiu muito na sua formação a todos os ní- veis. Na formação feminina ajudaram muito no Dúmbi as Irmãs Reparadoras do Sagrado Coração que já aí encontrámos, e no Seles as Irmãs do Amor de Deus que, para além do Colégio, se começaram

a dedicar à pastoral directa. A outra opção pastoral, de certo modo inova- dora em toda a nossa acção em Angola, foi a dinamização das comunidades a partir da estrutura tradicional do “ondjango”. Neste capítulo foi de- terminante e providencial a chegada à Arquidiocese do novo Bispo Auxiliar de Luanda, D. Zacarias Kamuenho, sagrado em Novembro de 1974. A sua

primeira visita pastoral como Bispo foi à Missão do Dúmbi, quinze dias após a sua sagração. Além de orientações muito concretas nessa matéria, esti- mulou-nos a lançarmos os pequenos conselhos das aldeias como órgãos dinamizadores e corespon- sáveis pela vida cristã. Era uma experiência incipiente mas que, a partir daí, começou a dar os primeiros passos. É nessa altura que se dá a Revolução do 25 de Abril em Portugal. Num primeiro momento isso nada afectou a nossa dinâmica pastoral. A entrada dos movimentos de libertação trouxe alguma agi- tação. Houve gente atrelada à Igreja que começou

a distanciar-se. É um tempo de purificação. Há tam-

bém quem tome já as suas opções políticas e co- mece a questionar o seu passado e até a posição da Igreja. Foi nesse contexto de polémica que o P. António Tavares Martins achou oportuno deixar Angola. Essa ausência é preenchida nos últimos dias de Dezembro com a chegada do P. Adelino Fernandes Simões, que fica em Viana como vigá- rio cooperador. Esta foi a fase de lançamento da Sociedade em Angola. Quer em Viana quer no Kuanza Sul as co- munidades começam a crescer e a assumir as suas responsabilidades. Todo o trabalho de formação, a constituição de conselhos paroquiais e de aldeia vão ser testados nos tempos que se avizinham. Os gru-

pos encontram-se periodicamente e põem em co- mum as inquietações pastorais que os animam. Em Março de 1975 realiza-se a Assembleia Regional no Dúmbi com a presença dum Assistente Geral, o

P. Manuel Bastos, que nos coloca perante toda a

dinâmica da Assembleia Geral realizada em Portu- gal no Verão anterior. Estiveram presentes todos os membros da Sociedade em Angola. Decide-se que o P. Farias vá estudar e que após o seu regresso haja sempre um membro do grupo em reciclagem, de modo a manter o grupo continuamente em ati- tude de renovação teológica e pastoral. Por isso, em Julho desse ano o P. Farias vai para férias e frequenta o Instituto de Pastoral em Madrid.

Tempo da provação

Os primeiros anos de Missão em Angola foram tempos de juventude, de sonho, de projectos. Ha-

via muitas ambições pastorais em todos os domí- nios da nossa acção. Foi com alegria que os mem- bros da Sociedade se associaram às esperanças do povo angolano nos tempos que precederam a inde-

pendência.

Com o início dos conflitos armados entre os três movimentos de libertação começa o tempo da pro-

vação. Logo em Julho de l975 há buscas à Missão

do Dúmbi e são torturados alguns leigos que aí re- sidem. Pouco tempo depois é cortada a ligação com

o Seles e os dois grupos ficam sem comunicação

durante seis meses. Foi durante estes conflitos que se deu o grande êxodo dos europeus dessa zona. O

P. Armindo Henriques, que estava a ter problemas

no Seles com um dos movimentos, enquadrou-se

numa dessas colunas e foi para o Lobito. Daí saiu para Luanda numa traineira para apanhar a ponte aérea para Portugal. As comunidades do Dúmbi e Seles ficam reduzidas a dois membros cada uma. Também do Dúmbi as Irmãs foram levadas para o Huambo e daí saíram para Portugal. Apesar de to- dos os riscos, os Padres Fernandes e Aníbal deci- dem ficar quando todos os europeus haviam saído

e mesmo as pessoas das aldeias se refugiaram nas

montanhas e nas lavras. Esta atitude de risco e de coragem foi muito apreciada pelos cristãos que não sabiam qual o paradeiro dos seus missionários. Quando se inteiraram da sua opção vieram de al- gumas comunidades com o seus géneros para que

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 30

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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nada lhes faltasse. Este gesto foi a confirmação de quatro anos de vida e por isso de grande credibi- lidade evangélica. Agora eram mesmo os “nossos missionários”. A 10 de Agosto é criada a Diocese de Novo Redondo, desmembrada da Arquidiocese de Luan- da. No dia 31 desse mês, D. Zacarias Kamuenho, Bispo eleito da nova Diocese, toma posse na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, elevada agora à categoria de catedral. Os companheiros do Dúmbi sabem do acontecimento pela rádio nacional e acompanham a tomada de posse através do Rádio Club do Kuanza Sul. O próprio Bispo não sabe se estão vivos ou mortos. O mesmo acontece com a Direcção Geral do Instituto. Foram meses de mui- ta tensão e sofrimento para eles e para toda a So- ciedade. Só em Janeiro de 1976 é possível o primeiro contacto entre as duas equipas do Kuanza Sul. O P. Fernando e algumas Irmãs do Amor de Deus do Seles e a Ir. Irene, da Congregação Jesus Maria e José, do Sumbe vão ao Dúmbi para estarem uns dias com os Padres Fernandes e Aníbal e para lhes fazerem companhia depois de seis meses de blo- queio total. Com o avanço dos cubanos contra a UNITA, que controlava toda essa zona, os visitan- tes ficaram também eles isolados e sem possibili- dade de regresso ao Seles. Aí fazem a vida possí- vel. Foi, porém, a partir dessas circunstâncias difí- ceis que se criaram grandes laços de amizade entre estes grupos missionários. Há, porém, um acontecimento que deve cons- tar para a história da nossa presença em Angola. Quando, no dia 4 de Fevereiro de 1976, os cubanos passaram pela Missão, uma parte da residência foi atingida por um obus. Prestados todos os esclare- cimentos e ultrapassados todos os equívocos, essa força militar avançou. Antes de partir, porém, como já se tinha esgotado ao P. Fernandes todo o tabaco, o comandante ofereceu-lhe um pacote. A situação mais dramática aconteceu com a chegada de nova brigada que apanhou os padres e alguns leigos quan- do se dirigiam pela avenida da Missão para enter- rar o militar que havia sido morto. Interceptados pelos cubanos foram obrigados a deitarem-se no chão. Quando tudo se preparava para serem fuzila- dos, aí mesmo foram salvos milagrosamente gra- ças a um maço de tabaco cubano que a brigada an-

terior lhes tinha oferecido e que o P. Fernandes lhes mostrou. Foi um incidente que marcou para sem- pre as suas vidas. Apesar de todos estes riscos, op- taram por ficar. Ainda mais aumentou a considera- ção do povo pelos seus missionários que estavam aí para dar a vida por ele. Passado este incidente, de Março a Setembro de 1976, fizeram um traba- lho normal. Chegaram a visitar toda a área da Mis- são. Em Setembro, porém, começaram a sentir a guerrilha na área de Cassongue e lentamente a apro- ximar-se da Missão. Em Dezembro chegou a visita do P. Castro, Superior Geral. Com ele e com o Se- nhor Bispo, foi decidido sair da Missão e residir no Seles, o que veio a acontecer em Janeiro de 1977. Nunca mais se pôde ir à Missão. Ainda se conse- guiu ir ao Capolo e aí fazer o último conselho pa- roquial. Foi um momento doloroso quando tive- ram que deixar o povo que amavam e os sonhos que acalentaram. Mesmo a partir do Seles o P. Aníbal sempre fazia umas incursões missionárias a uma grande parte da Missão. Agora passa a Su- perior da Missão no exílio porque o P. Fernandes vem de férias a Portugal. Nessa altura o Bispo diocesano pede ao P. Fernandes que lhe vá fazer companhia e assuma o cargo de Secretário Geral da Diocese, onde era preciso organizar tudo. Durante esse ano há várias mudanças de pesso- al. Depois de várias tentativas, os Padres António Valente Pereira e José da Silva Mendes conseguem visto de entrada em Angola. Foi concedido a 13 de Maio desse ano de 1977. Foram os primeiros vis- tos a serem concedidos a missionários estrangeiros depois da independência, graças à intervenção e influência do Bispo diocesano. Pouco tempo de- pois seguem para a Missão da Hanha, na diocese de Benguela, para um tempo de iniciação missionária e aprendizagem da língua Umbundo. Nessa altura o P. Fernando Eiras deixa Angola e regressa a Portugal. Fica o P. Laurindo Neto à fren- te da Paróquia na companhia do P. Aníbal. Também em Luanda há alterações. Em Viana fica o P. Adelino como Pároco e ao P. Albano é confiada a Paróquia de Santa Ana, 41 acumulando também o cargo de Vigário Geral da Arquidiocese. No regresso do curso de iniciação pastoral o P. Valente Pereira começa a fazer parte da equipa do Seles. O P. Mendes, após pouco tempo no Seles, vem para Luanda, onde faz equipa com P. Albano.

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

31 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

Em Novembro regressa o P. Farias a quem é confi- ada a estruturação e lançamento do Secretariado diocesano de pastoral. Fica no Sumbe, onde faz equipa com o P. Fernandes e com o Bispo dioce- sano. Devido ao abandono da Paróquia de Porto Amboim, 42 ia para dois anos, o Sr. Bispo confia- lhe também esta Paróquia em Janeiro de 1978, que assiste a partir do Sumbe. Este ano o grupo de Angola é reforçado com mais dois membros, os Padres Cândido Coelho da Silva Ribas e Delfim Pires, este associado da Diocese da Guarda. É a primeira vez na história da Sociedade que um padre associado é integrado numa das suas

equipas. São destinados à paróquia do Wako Kungo 43 e tomam posse em Agosto deste ano. Estamos em pleno marxismo. Há uma forte pressão ideológica. As comunidades são muito pro- vadas e alguns cristãos são perseguidos por causa

da sua fé. Há, porém, relativo espaço de manobra e

possibilidade de acção pastoral, exceptuando o

Dúmbi, que está praticamente ocupado pela UNITA.

O P. Aníbal já só consegue ir a algumas aldeias de

Amboíva e, por vezes, com grande risco. De 1978 a 1982 há um certo relançamento pas-

toral. À pressão ideológica corresponde uma certa resistência e até militância cristã. É o tempo em que se formam bons grupos de jovens que se com- prometem na acção pastoral. Nos fins de 1981 chega a Angola um novo re- forço. É o P. Manuel Armindo de Lima e o Irmão João Lopes Balau, ambos colocados na Paróquia

de Viana, onde fazem equipa com o P. Adelino. Na

segunda quinzena de Dezembro visitam as nossas Paróquias/Missões do Kuanza Sul. Assim tomam contacto com a Missão de Angola. É exactamente neste período que se dão as primeiras emboscadas a caminho do Wako Kungo e se intensifica a guer- rilha em todo o Kuanza Sul.

A experiência do martírio

Aproxima-se entretanto o momento da prova para o grupo da Sociedade. No dia 3 de Fevereiro de 1982, quando o P. Manuel Armindo de Lima se dirigia para uma das comunidades da Paróquia de Viana, foi emboscado e morto juntamente com uma noviça Mercedária da Caridade, um jovem e uma senhora casada grávida. Outra noviça e um jovem

foram também atingidos, mas vieram a recuperar. Só saiu ilesa uma senhora que viajava precisamen- te ao lado do P. Lima. Esse comando esperava o Padre, como eles mesmos comentaram quando o carro passou pelo lugar onde eles estavam. Todas as semanas, naquele dia e naquela hora, a equipa de evangelização passava por aquele local. Ainda houve hesitação porque não conheciam aquele pa- dre que por ali passava pelas primeiras vezes. Exceptuando o P. Mendes que ficara em Luan- da e o P. Lima em Viana, todos os outros membros da Sociedade em Angola estavam em retiro no Se- les. Só na manhã do dia 4 de Fevereiro foi aqui recebida a brutal notícia. Foi uma emboscada premeditada e preparada para apanhar o Padre. Na euforia marxista, a voz profética do Padre era incómoda. Só que erraram no alvo. E acabou por ser o recémchegado a vítima das balas assassinas. Este acontecimento abalou profundamente o gru- po. Juntámo-nos todos em Viana para o funeral do P. Lima e seus companheiros. Ao reflectirmos juntos, sentimos que essa provação era um estímulo para nos darmos ainda mais e melhor. A sua falta teria que ser preenchida por mais doação do grupo. A presença

amiga de vários bispos angolanos e de quase todo o clero e religiosas de Luanda foi o sinal visível da co- munhão eclesial e da amizade pela Sociedade. Atra- vés deste trágico acontecimento sentimo-nos ainda mais vinculados a esta terra de adopção. O caminho do calvário estava ainda no princí- pio. A 27 de Abril desse ano, nova emboscada no caminho do Lobito apanha o P. Laurindo Neto e a

Ir. Celeste, do Amor de Deus, quando se desloca-

vam àquela cidade em busca de meios de sobrevi- vência para o povo do Seles. A Irmã foi morta e o

P. Neto levado para a mata pela UNITA com al-

guns ferimentos. Foram tempos de angústia por- que não se sabia o seu paradeiro, nem se estava vivo ou morto. Só passados vários meses nos che- garam as primeiras informações de que estava a caminho da Jamba. Foi um longo cativeiro de 5 meses após uma marcha de cerca de 1 500 km a pé. Durante essa marcha várias vezes esteve em peri- go de vida quer pelas doenças de que foi vítima quer pelos bombardeamentos do governo para per- seguir a UNITA. Só em Setembro de 1982 chegou a Portugal no limite das suas forças.

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Após o rapto do P. Neto, fica no Seles apenas o P. Aníbal, porque o P. Valente Pereira havia sido transferido para o Wako Kungo quando o Cândido Ribas abandonou o ministério sacerdotal. Ficam nesta Paróquia o P. Delfim como pároco, e o P. Valente Pereira como vigário cooperador. Entretanto, é nomeado para Angola o Ir. Artur Augusto Paredes. Até à sua chegada ao Seles a 13 de Junho de 1982, o P. Manuel Fernandes volta de novo ao Seles para fazer companhia ao P. Aníbal. Devido ao seu precário estado de saúde, deixou o Seles em Dezembro desse ano e foi para Portugal para tratamento. Após os acontecimentos de Abril desse ano o caminho do Seles, pelo morro do Dinguir, é fechado por causa da guerrilha, que co- meça a cercar o Seles. A única via de acesso é pela Conda e só em coluna militar.

Nova estratégia pastoral

O espaço de movimentação é cada vez mais re-

duzido. Em muitos lugares só é possível o contac- to epistolar. Nota-se, porém, uma grande adesão à Igreja. Começa o desencanto do paraíso marxista. As igrejas enchem-se. Domina a camada jovem, até agora dominada pela estrutura da JMPLA. Sur- gem os grupos de jovens organizados que se em- penham na vida pastoral, até agora muito entregue aos adultos, os mais velhos. É uma mudança subs- tancial na vida desta Igreja.

A par desta pastoral, e como resultado dela, surge

a pastoral vocacional. Esta foi uma das apostas em

todas as nossas missões. Os Padres e Irmãs que estão

a ser agora ordenados e a fazer profissão religiosa são

o fruto desse movimento vocacional. Quase todas as Paróquias/Missões entregues aos cuidados da Socie- dade Missionária tinham uma equipa de animação vocacional e um dia por semana para reflexão, ora- ção e acompanhamento dos vocacionados. Como era difícil e arriscada a saída para as aldei- as, optou-se por um movimento inverso. Vinham os

catequistas e outros agentes de pastoral às sedes das Missões para receberem a formação. Organizaram- se cursos para animadores do culto dominical na au- sência do sacerdote, cursos para ministros extraordi- nários da comunhão, lançamento do catecumenado, preparação de jovens para a catequese diversificada

Foi um novo tipo de pastoral para a

nas suas aldeias

qual as circunstâncias nos impeliram, mas que terá sido providencial em ordem ao futuro que se avizinhava. Nessa fase deu um grande contributo à dinamização pastoral das zonas do litoral a chega- da dos refugiados da guerra. Esta gente, com mai- or tradição cristã, veio dar novo impulso às paró- quias ribeirinhas, de cristianismo mais morno e pouco comprometido.

Nova etapa pastoral

Após os primeiros entusiasmos revolucionári- os, o marxismo começa a ceder e até a cair no des- crédito. A guerra com a UNITA intensifica-se e o partido não quer criar outras frentes de combate. Daí as imensas possibilidades que surgem para a Igreja, embora parte da diocese de Novo Redondo tenha ficado bloqueada. Com a chegada dos Padres Dominicanos a An- gola, o Senhor Bispo pede-nos para lhes entregar- mos a Paróquia do Wako Kungo, onde reside des- de há muitos anos uma comunidade de Irmãs Dominicanas do Rosário. Foi uma saída dolorosa para os Padres Valente Pereira e Delfim porque ti- nham começado um trabalho muito sério e profun- do e que estava apenas no seu início. Felizmente os Padres Dominicanos assumiram essa linha pas- toral com muito entusiasmo e saber e deram um grande incremento pastoral àquelas comunidades desejosas de crescer na fé. A equipa do Wako vem tomar conta da Paróquia da Gabela, 44 no Amboim, onde foi empossada pelo Bispo diocesano a 26 de Dezembro de 1982. Aí começa um grande trabalho pastoral. O P. Delfim entra na escola como profes- sor e aí tem grande influência entre a juventude. Dá grande incremento à pastoral juvenil e à pasto- ral vocacional. O grupo de Angola é reforçado a partir de Agos- to de 1983 com a vinda do P. Viriato Augusto de Matos e do Dr. Francisco Camello, leigo associa- do. Em Angola já havia a experiência com clero secular associado, na pessoa do P. Delfim. Agora é a vez do primeiro leigo associado. Foi uma experi- ência muito válida em ambos os casos. É pena que não tenha sido continuada. Com este reforço remodelam-se as equipas. Assim, o P. Viriato fica em Santa Ana e o P. Albano regressa a Viana para fazer equipa com o P. Adelino.

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

33 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

Daí havia saído pouco tempo antes o Ir. Balau que

fora viver com o P. Farias em Porto Amboim. De- pois da ida do P. Fernandes para Portugal , o P. Fa- rias, embora continue como director do Secretaria- do Diocesano de Pastoral, fixa-se mais em Porto Amboim. O Dr. Francisco é integrado na equipa da Gabela onde trabalha no Hospital local. No final do ano chegam a Angola os Padres António Ramos Martins, vindo do Zimbábwe, com destino a Porto Amboim, e o P. Agostinho Alberto Rodrigues para fazer equipa em Santa Ana, Luan- da. Como o grupo do Seles era o mais isolado e desfalcado, para aí segue o P. Mendes em Novem- bro desse ano.

A partir desta remodelação, as equipas ficam

assim constituídas:

Viana: Padres Adelino e Albano Santa Ana: Padres Viriato e Agostinho Rodrigues

Porto Amboim:

Martins e Ir. Balau Seles: Padres Aníbal, José Mendes e Ir. Artur Gabela: Padres Delfim e Valente

Padres Farias, Ramos e

Pereira e Dr. Francisco Pela primeira vez o grupo de Angola passa a ser constitucionalmente Região Missionária.

O grupo de Luanda tem grande influência no

conjunto da arquidiocese: P. Albano é Vigário Ge- ral, P. Adelino investe grande parte das suas ener- gias na produção catequética. Os seus catecismos têm muita divulgação a nível nacional e ele come- ça a fazer parte do Secretariado diocesano e nacio- nal de catequese. O P. Viriato, além de professor na Academia Musical de Luanda, é também profes- sor no Seminário Maior e responsável diocesano da juventude, cargo antes exercido pelo P. Men- des. Igualmente o P. Agostinho assume aulas no Seminário Maior e no ICRA, além de membro do Secretariado de Pastoral de Luanda. Também no Sumbe, o P. Farias continua à fren- te do Secretariado diocesano de pastoral e membro do Secretariado nacional de pastoral, além de res- ponsável pela escola diocesana de catequistas. O P. Delfim é o responsável pelo Ecumenismo na diocese; P. Valente Pereira, responsável pela Co- missão de Liturgia; e o P. Aníbal, pela Comissão do apostolado dos leigos.

Nova experiência pascal

É nesta fase que a UNITA começa a fazer o cer- co às grandes cidades. A zona mais afectada é o Seles. As entradas estão praticamente bloqueadas. Já não se consegue sair para fora da vila. Devido a essa situação decide-se que o P. Aníbal vá de férias

em Junho de 1984 e faça um tempo de reciclagem em Madrid. Igualmente vai de férias o Ir Artur. Fica apenas o P. Mendes com as Irmãs do Amor de Deus. De acordo com o Senhor Bispo, a Direcção Regio- nal decide deixar periodicamente o Seles porque havia grande perigo de ataque e de rapto. Por isso, pouco tempo após a saída do P. Aníbal, também o P. Mendes deixa o Seles juntamente com as Irmãs do Amor de Deus e vêm para a Gabela. P. Mendes passa também a viver na Gabela donde assiste o Seles, particularmente a Conda. Com o abrandar da tensão militar vai de novo ao Seles com duas Irmãs do Amor de Deus para fazer uma série de casamentos que havia preparado. Foi no decorrer dessa visita, a 9 de Agosto de 1984, que a UNITA atacou a vila do Seles e ele foi raptado com a Ir. Gabriela e Ir. Carmen e algumas aspirantes, além de muito povo. É mais uma nova provação para estes dois grupos missionários. Após uma viagem de meses a pé pela mata, percorrem a última etapa em camiões até chegarem à Jamba, Quartel Gene- ral da UNITA. Depois de meses de recuperação, a UNITA de- cide repatriá-los. Os três missionários, com a Ir. Maria, missionária alemã da Congregação do SS. Salvador, também raptada e colega de cativeiro, vendo as imensas necessidades de trabalho pasto- ral nessa zona controlada pela UNITA, decidem fazer uma exposição comum ao Presidente do Movimento, pedindo a sua permanência nessa área e a autorização para exercerem o seu múnus pasto- ral. Esse pedido é aceite a 22.10.1984 por carta do Dr. Jonas Savimbi:

“Meus Irmãos em Cristo. Com júbilo respondo à vossa carta feita em forma de memorandum. Os caminhos do Senhor não são descortinados pelo Homem.

A comunidade cristã das zonas libertadas da

UNITA acolheria como uma bênção do céu a vos- sa vocação de quererem ficar connosco.

O Partido só pode prometer ajuda em tudo den-

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tro das limitadas possibilidades materiais. A nossa vontade de melhor servir, esta não conhece limites.

Abraços fraternos do irmão

Savimbi”.

missionária na Jamba muitas coisas aconteceram na vida do grupo que vivia nas áreas controladas pelo governo.

Esta foi mais uma das experiências únicas na

a

ro

é

O

de

Nova experiência do martírio

história da Sociedade. Com os outros padres aí pri- sioneiros elaboram um grande plano pastoral (cf.

Após o regresso de férias, o P. Aníbal e o Ir.

Boa Nova, n.º 726, de Março de 1987, págs. 30 e 31). Fundam a Paróquia de Santa Maria Mãe de Deus. Acompanham este povo abandonado religi-

Artur, ambos a residir na Gabela, continuam a as- sistir a Paróquia do Seles. Devido ao grande risco de ir à sede da Paróquia, assistem particularmente

osamente, ou melhor, apenas com possibilidade de

Conda, onde iam com certa regularidade, depois

realizar o culto protestante, já que aos católicos não havia sido dada possibilidade de expressão religio-

de obtida a informação favorável dos catequistas. Porque havia relativa segurança decidem ambos ir

sa. A comunidade missionária realiza uma tarefa

celebrar a festa da Epifania do Senhor, em Janei-

muito importante que é acompanhada com grande interesse pela Conferência Episcopal de Angola e pela Santa Sé. O Delegado Apostólico em Luanda pede ao Superior Regional para que peça à Direc- ção Geral do Instituto para não dar outro cargo ao Padre Mendes, já que a sua presença era insubsti- tuível nestas circunstâncias. As próprias autoridades da UNITA reconhecem

de 1984. Foi no decorrer dessa visita, quando nada o fazia prever, que a UNITA ataca a Conda na noite de 6 de Janeiro. O P. Aníbal refugiou-se no vão da escada. O Ir. Artur fugiu para se esconder com o povo. Foi nessa fuga que, interceptado pela UNITA, foi barbaramente assassinado. Encontrado o cor- po, o P. Aníbal foi obrigado a fazer o seu funeral

o valor desta presença eclesial, como se pode ver na carta do Presidente Savimbi na despedida para férias da equipa missionária (cf. Boa Nova, Março de 1987, pág. 33). Esse testemunho de presença e de doação tor- nou-se ainda mais credível quando, passados vári- os meses de férias, regressam de novo à Jamba, assumindo todos os riscos de bombardeamentos projectados pelo tropas governamentais. Ninguém acreditava que eles regressassem. O amor ao povo

acompanhado por um pequeno grupo de cristãos que se juntaram e deram roupa para vestir o Ir. Artur. Morreu como viveu: sempre pobre. Está sepultado no Cemitério da Conda, onde os cristãos ergueram um pequeno monumento. Foi um momento doloroso para todos, mas par- ticularmente para o P. Aníbal que, para além das situações difíceis por que passou, perdeu já três companheiros: o P. Laurindo Neto e P. José Men- des que foram raptados, e agora o Irmão Artur, que

que aí encontraram estava acima de tudo e por isso voltam de novo. Uma vez na Jamba, a Direcção do

morto. A actividade no Kuanza Sul começa a ficar cada

Movimento permite que o P. Mendes siga para uma posição mais avançada onde vai reestruturar as co- munidades que até esse momento não tinham qual-

vez mais reduzida. O Seles e Conda ficam pratica- mente fechados. Também na Gabela, sobretudo no Município da Kilenda, é perigosa qualquer visita.

quer tipo de assistência religiosa.

mesmo acontece em Porto Amboim, sobretudo

O rapto do P.Mendes e seus companheiros foi

nas zonas limítrofes com a Gabela.

um momento doloroso para o grupo de Angola. Tornou-se, graças ao seu dinamismo e espírito de

Empenho pela Missão

doação, uma das experiências mais ricas do grupo de Angola ao longo destes 25 anos de presença

Sem aventureirismos inúteis, a maioria dos mis-

missionária. Esta acção terminou nos primeiros meses de 1990 quando o P. Mendes foi chamado

sionários da Sociedade jogou a vida por este povo. Para além das situações de martírio e de cativeiro

pela Direcção Geral para os serviços de formação

descritas, muitas outras houve de grande risco

em Portugal.

vida. Não constam de relatórios nem nunca nin-

Durante estes seis anos de actividade

guém as conhecerá. Nem isso interessa. O impor-

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

35 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

tante é o que significam de doação e de entrega, e também de identificação com o povo que servimos. Esse foi o grande testemunho e, até certo ponto, o sinal de credibilidade da nossa acção. O povo cris- tão notou isso. Houve muita mobilidade de pessoas e de luga- res de evangelização. No Kuanza Sul passámos por todas as Paróquias/Missões a poente do Rio Queve, além das Paróquias do Wako Kungo, Ebo e Gabela, da parte nascente. Apesar da orientação pastoral e do novo dinamismo pastoral dado pelas equipas que nos sucederam, sempre que algum dos nossos pa- dres passa por essas missões é recebido e acolhido como o “nosso missionário”. Também a hierarquia, o clero e as religiosas nos têm mostrado o seu apreço pelo trabalho que reali- zámos, apesar dos muitos limites e erros da nossa acção. É significativo que D. Zacarias tenha pedi- do ao Santo Padre em 1982, no cinquentenário da Sociedade Missionária, a comenda Pro Ecclesia et Pontifice para o P. Manuel Fernandes. E, como fri- sou na entrega da medalha pontifícia durante a ce- lebração do cinquentenário, em que distinguiu to- dos os padres da Sociedade a trabalhar na diocese com uma estola que mandou fazer para o aconteci- mento, é o reconhecimento da Igreja, na pessoa do P. Fernandes, pela dedicação de todos os membros da Sociedade. Também o P.Aníbal foi distinguido com igual dig- nidade em Outubro de 1985, por ocasião do X Ani- versário da Diocese, pelas grandes situações de risco a que várias vezes expôs a sua vida. O P. Aníbal este- ve três vezes debaixo de fogo na contingência de ser morto. E sempre assumiu esta situação como algo de normal na vida dum missionário. Em Luanda foi o Senhor Cardeal que pediu ao Papa igual comenda para o P. Albano por ocasião das suas bodas de ouro sacerdotais. Durante a do- ença de D. Muaca, esteve dois anos, ainda que de maneira intermitente, à frente da arquidiocese. Evidentemente que nunca passou pela cabeça de nenhum de nós trabalhar para receber honras e dignidades humanas. Seria a negação do Reino em que empenhamos as nossas vidas. Mas foi signifi- cativo que as Igrejas locais tivessem notado e dis- tinguido essa dedicação. Por outro lado, também não podemos deixar de estar gratos aos Bispos com quem trabalhámos pela confiança e amizade que

sempre em nós depositaram. Tudo isso é motivo de acção de graças e de estímulo para novo empe- nhamento apostólico. Se a Sociedade Missionária da Boa Nova já se tornou angolana por ter aceite nas suas fileiras al- guns dos filhos desta terra, ela já o era antes pelo “pacto de sangue” contraído pelo sangue dos seus mártires. Isso mesmo o declarou D. Zacarias Kamuenho, no Cemitério de Viana, na tarde de 5 de Fevereiro de 1982, diante do corpo do P. Lima e seus companheiros, quando estavam para ser en- terrados.

P. Augusto Farias

Lar Boa Nova em Viana

O relato anterior fala dos primeiros 25 anos da SMBN em Angola. Merecem uma palavra duas ini-

ciativas mais recentes: a formação de missionários

e a paróquia da Senhora da Boa Nova onde ela fica

situada. A Assembleia Regional realizada em Porto Amboim a 13.10.1987, decidiu fazer avançar a acei- tação de vocações de jovens angolanos para a So- ciedade Missionária da Boa Nova. Vários jovens, nas missões onde trabalhávamos, de modo parti- cular na Diocese do Sumbe, mostravam desejo de ser missionários da Boa Nova. A 22.11.1987 foi admitido o primeiro aspirante, Eduardo Daniel, da paróquia de Wako Kungo. Entrou no 1.º ano de Teologia, no Seminário Maior de Luanda. No ano

seguinte veio o Kaquinda Dias, da paróquia do Seles. Ambos ficaram a residir na Paróquia de Santa Ana. Para instalação mais permanente comprámos

a quinta “Katequero”, pertencente a Carlos Teixeira,

de parceria com as Irmãs Teresianas. Deram à casa de Formação o nome de Lar Boa Nova. 45 Foi ne- cessário reconstruir e construir novos espaços para atender todos os que nos procuram para a forma- ção. 46

Paróquia da Boa Nova – Viana

Foi criada a um de Outubro de 1995, em terri- tório da Paróquia de Viana. O P. António Valente Pereira é responsável único, com muita colabora- ção dos seminaristas e seus formadores e de várias congregações religiosas. É um mundo de cerca de

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A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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200 000 habitantes, parte deles deslocados de to- das as províncias de Angola. Para além da catequese normal têm sido muito dinamizadas e difundidas as comunidades de fé es- palhadas por toda a área da Paróquia, cada qual com os seus líderes. Este é o quadro onde a nível local se vivencia a fé quer na oração e leitura da bíblia quer mesmo na organização de base. Há vários movimentos laicais. Vale a pena des- tacar a PROMAICA (Promoção da mulher angola-

na na Igreja católica) que tem liderado muitas cam- panhas e está presente em muitos sectores da vida social e eclesial. Outro grupo importante tem sido

a Comissão paroquial justiça e paz que tem actua-

do muito sobretudo na cadeia de Viana que fica na

área da Paróquia e é o maior centro prisional de

Angola. Na área social há a destacar o centro de nutri- ção a crianças deslocadas, o posto de saúde e o cen- tro de atendimento de medicina alternativa onde diariamente são atendidas dezenas de doentes.

A nova Igreja paroquial, ainda inacabada, já

funciona. Em 2004, a área do Km 9 transformou- se em paróquia Nossa Senhora do Rosário, atendi- da pelos padres deonianos.

3.3. Zâmbia – fora do espaço de língua portuguesa

1. Foi em finais de Julho de 1980 que o P. José Guedes chegou à diocese de Ndola, na Zâmbia. O Bispo Dennis de Jong pensou em mandá-lo para Mishikishi, uma missão rural a 50 km de Ndola, entregue aos Padres Missionários Obreros de

Salamanca, mas depois aceitou que fosse viver com

o P. Ramón, então Superior Regional dos Missio-

nários do IEME, em Kitwe, na Paróquia de Kwacha

- Bulangililo. Os primeiros seis meses foram dedicados ex- clusivamente à aprendizagem da língua local, o Bemba. Passados seis meses, deixou Kitwe e foi viver para Chingola, também com os Padres do

IEME, na Paróquia de Chiwempala, ficando en- carregado da Paróquia de Lulamba, que estava sem pároco.

A 1 de Agosto de 1981 foi para Chililabombwe,

tendo tomado imediatamente conta de Kamenza.

A 4 de Outubro, dia de S. Francisco de Assis, com

a presença do Bispo, tomou conta das paróquias de

Konkola e de Lubengele. Dias depois, a 12 de Ou- tubro de 1981, chegou o P. Manuel Castro Afonso. Os seus primeiros seis meses foram para iniciação ao Bemba, nas três paróquias com o P. Guedes, ten- do tomado conta de Kamenza oficialmente na Pás- coa de 1982. 47

Em 1985, em Kawama, uma aldeia a 6 km de Chililabombwe, um soldado bêbado atirou sobre o P. Norte. As marcas ficaram no carro, mas feliz- mente o P. Norte não foi atingido. No fim de 1985, voltou a Portugal, onde ficou a trabalhar na anima- ção missionária. O P. Horácio tomou conta de Konkola. Entretanto, em 1986, o P. Carlos tomou conta da Paróquia de Mindolo, em Kitwe. Primeiro, vi- veu com os Padres Irlandeses do SMA. A seguir, viveu em casa das minas, arrendada. A casa estava isolada, e uma noite, juntamente com o Horácio que o tinha ido visitar, tiveram de lutar com os la- drões. Por isso, deixou a casa e foi viver com os Jesuítas. Quando o P. Castro foi escolhido Superi- or Geral em 1990, o P. Carlos deixou Mindolo e veio para Chililabombwe, tomando conta de Kamenza. O Horácio continuou com Konkola, e o Guedes com Lubengele. Os cinco anos do P. Carlos em Kitwe foram uma experiência muito rica. O nosso sonho, apadrinha- do pelo Bispo, continua a ser constituir uma comu- nidade nessa enorme cidade mineira, coração do Copperbelt. O apostolado neste Copperbelt é urba- no entre operários mineiros. É uma parte muito ca- racterística do continente africano.

2. Quem iniciou a evangelização na Província do Copperbelt (a cintura do cobre) foram os leigos – grupos de cristãos vindos para as minas, que co- meçaram a reunir-se, a organizar-se e a dar teste- munho do Evangelho. Depois vieram os Francis- canos Conventuais em 1931. A Chililabombwe começaram a vir de maneira regular na década de 50. Vinham a partir de Chingola. O sr. Camilo Lukalanga foi o precursor. O primeiro lugar para a assembleia dominical foi junto do poço n.º 3 das minas. Os primeiros livros de baptismos, que são de Lubengele, começam em 1956. Depois passa- ram a ter missa no salão das minas. Entretanto, em Kamenza, construía-se a residência dos padres que

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

37 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

se tornou no primeiro lugar para a assembleia do- minical. Depois foi construído o salão paroquial, também em Kamenza, que, por muito tempo, ser-

viu de igreja. Em Lubengele, a igreja foi construída em 1967 pelo P. Mizzi, conhecido por todos pela alcunha de Katyetye um pequeno passarinho sem- pre a saltitar (como o pardal). Foi ele também que construiu o salão de Kamenza. Mais tarde foram construídas as igrejas de Konkola e de Kamenza. Os Franciscanos fizeram um bom trabalho, não só construindo todas as estruturas necessárias à pastoral, mas principalmente evangelizando e cons- truindo a comunidade cristã. 3.1. Chililabombwe (que em lamba significa “a

rã que canta”), uma das cidades mineiras da diocese

de Ndola, tem sido o nosso campo de trabalho. Chililabombwe está a 20 km da fronteira e a 25 km de Chingola, na estrada internacional que vem de Cape Town para o Zaire. É uma cidade que existe por causa das minas e que vive das minas. Sem elas desaparecerá. Mas a área de Chililabombwe tem os maiores depósitos de cobre na Zâmbia. Por isso, Chililabombwe é considerada a cidade mineira do futuro. Há planos para novos desenvolvimen-

tos, mas falta o capital e as minas de Chililabombwe são as minas com mais água no mundo, o que torna

a extracção do cobre bastante cara. Há planos para

desviar o leito do rio Kafue. 3.2. Toda a região do Copperbelt se encontra em terra da tribo Lamba. Quando as minas come- çaram, a maioria dos lambas mostraram-se reni- tentes e ainda agora se mostram em aceitarem trabalho lá. Foram eles que perderam. A zona foi invadida por gente de todos os lados à procura de trabalho, vindos da Tanzânia, do Malawi, até de Moçambique e de Angola, mas principalmente do

norte da Zâmbia da tribo Bemba e das tribos afins.

E Bemba tornou-se a língua do Copperbelt, ensi-

nada mesmo na escola primária. Os Lambas

sentem-se colonizados. A sua presença nas cidades

é mínima, e até as zonas rurais estão a ser invadi- das por gente das mais variadas tribos. 48

4. Durante estes 12 anos, a Zâmbia passou por várias mudanças sociais e políticas. Em 1980, houve greve, com as minas paralisa- das, tendo o governo imposto então o recolher obri- gatório. Houve a seguir a descoberta duma tentati-

va de golpe de estado; os golpistas foram presos, julgados e condenados à morte (embora nunca fos- sem executados). Mais tarde, houve motins em Lusaka e no Copperbelt, devido ao aumento do preço da farinha. A tropa foi mandada para as ci- dades e estabeleceu controlos em todas as estra- das. Várias pessoas foram mortas – em Chililabom- bwe 2. Mas Kaunda foi obrigado a cancelar o au- mento dos preços e o povo tornou-se consciente do seu poder. A partir daí, os controlos tornaram-se permanentes. Para Chililabombwe não era possí- vel passar com nenhuma mercadoria sem previa- mente ter recebido autorização do quartel. Até pa- recia que não fazíamos parte da Zâmbia. A economia parece ir de mal a pior. O trata- mento do FMI não parecia dar muito resultado. O

governo não sabia o que fazer e tinha medo das reacções violentas do povo a medidas económicas drásticas. Os produtos essenciais – farinha, açúcar, sal, óleo – eram escassos e a candonga tornou-se a maneira normal de obter tais produtos, até porque

o contrabando dos mesmos produtos para o Zaire to- mou proporções alarmantes. Em aldeias como Mibyashi e Lubansa houve gente que abandonou o

trabalho agrícola para se tornar contrabandista. Ao princípio os soldados eram duros e rigorosos. Chega- ram a matar várias pessoas, mas em breve também eles faziam parte do sistema. Desde que recebessem

a sua parte, eles mesmos acompanhavam os contra-

bandistas, dando-lhes protecção. E tudo passava, desde

o saco à cabeça ou a bicicleta com 4 ou 5 sacos até ao camião com toneladas de farinha. Em Chililabombwe,

a maioria dos desempregados ganhava a vida no con-

trabando ou na candonga, sem necessidade de roubar para ter dinheiro. Kaunda e o seu governo tornaram-se cada vez mais impopulares. Em 1990, o capitão Luchembe tentou um golpe de estado, tomando conta da rádio e da televisão e proclamando o fim da era de Kaunda. A população veio para a rua cantar e dan- çar. Até grupos de soldados se juntaram à festa, mas os generais tiveram medo e mantiveram-se fiéis a Kaunda. Luchembe foi preso, mas a roda da sorte tinha começado a girar de novo e Kaunda foi ce- dendo às exigências duma oposição cada vez mais forte. Primeiro aceitou o referendo, a seguir acei- tou pura e simplesmente o multipartidarismo (sem recorrer ao referendo). Quando ele queria impor

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ao país uma constituição talhada à sua maneira, totalmente rejeitada pela oposição, os responsáveis das Igrejas – da Conferência Episcopal, do Conse-

lho Cristão e da Confraternidade Evangélica (das Igrejas Pentecostais) – intervieram, levando as duas partes ao diálogo e à preparação duma constitui- ção aceite por todos. Realizadas as eleições no fim de Outubro de 1991, Kaunda e o seu partido sofre- ram uma derrota quase total, tendo sido eleitos Chiluba e o seu partido MMD. Com muita ordem e muito civismo, passou-se do partido único ao multipartidarismo e agora está

juntos. Há, por assim dizer, 3 conferências episco- pais, 2 protestantes e uma católica. Na Zâmbia sempre houve completa liberdade religiosa. Por isso, pode encontrar-se em qualquer

parte a maior variedade de igrejas e de seitas, des- de as mais antigas até às mais recentes. As Igrejas Protestantes juntam-se no Conselho Cristão. As Igrejas e seitas pentecostais juntam-se na Confra- ternidade Evangélica. E há grupos que não se jun- tam a ninguém, como as Testemunhas de Jeová. Com os membros do Conselho Cristão é relativa- mente fácil cooperar, mas muitas das seitas são

a

passar-se duma economia planificada e socialista

anticatólicas e é impossível qualquer cooperação.

a

uma economia de mercado. Os preços são livres

A presença e a influência protestante levam-nos

e

tudo se tornou mais caro, mesmo a tão essencial

a

pôr mais ênfase em uns aspectos do que em ou-

farinha de milho. Os pobres estão a tornar-se mais pobres. O povo ainda tem esperança, mas a lua de mel com o MMD já passou. E novos partidos ten- tam a sua chance. As minas são o esteio económico do país. São

tros. A Igreja é muito menos ritualista e dá menos importância aos santos e às devoções. A Bíblia (a Palavra de Deus) ocupa um lugar fundamental, prin- cipalmente nas reuniões das comunidades cristãs. Por outro lado, é evidente – e as pessoas por vezes dizem-no – que o catolicismo dá mais importância

elas e quase só elas que ganham divisas estrangei- ras. A agricultura nunca teve grande importância na política económica do país. Para facilitar o con-

componente comunitária e às implicações soci- ais e políticas da fé.

à

trolo total do governo, na década de 1970, as mi- nas foram nacionalizadas e juntas numa única com- panhia, a ZCCM. O seu presidente e administrador geral foi feito membro do Comité Central do Parti-

6. Quanto à nossa acção pastoral, ela procura estar em consonância com as linhas pastorais diocesanas.

do. Muito do dinheiro ganho pelas minas, em vez

a)

As Comunidades cristãs já tinham sido inici-

de ser usado para a renovação do equipamento ou para novos investimentos, ia para o partido e para

adas, quando nós chegámos. Temos procurado desenvolvê-las e fortalecê-las, fazendo delas o prin-

o governo. Devido à crise económica, tentaram re-

organizar a companhia, despedindo muitos traba- lhadores. Passado pouco tempo, aceitaram nova gente, principalmente jovens, diminuindo assim as hostes dos rapazes desempregados que vagabun- deavam pelas ruas. Com o novo governo e a nova política económica, as minas estão a readquirir a sua autonomia e fala-se mesmo em privatização. Sendo Chililabombwe uma cidade mineira, tudo isto tem impacto na vida pastoral das nossas paró- quias. Assim, a maioria da gente nas missas do do- mingo é jovem. São poucos os que têm mais de quarenta anos. Com mais de 50 são poucos, pois é idade para receber a pensão e voltar para a aldeia.

5. A Zâmbia é um país de colonização inglesa onde a influência protestante é grande. Os católi- cos são mais ou menos tantos como os protestantes

cipal objectivo da nossa acção pastoral e relegan- do as associações (ou irmandades) e movimentos para um plano muito secundário, mesmo a clássica Acção Católica ou Legião de Maria.

b) Com as Comunidades, a participação e a par-

tilha de responsabilidades são crescentes. Não há decisão importante que possa ser tomada sem pré-

via discussão no Conselho Paroquial ou até nas Co- munidades. E esforçamo-nos por alargar essa res- ponsabilidade e essa participação.

c) Para que isso seja possível, é necessária a

formação permanente de todos aqueles que estão envolvidos na pastoral. Desde o início, essa tem sido uma das nossas grandes preocupações, com um dia semanal de formação para os líderes das Comunidades e com a organização de seminários sobre temas específicos e para grupos especiais. Este trabalho é muitas vezes feito em conjunto e

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

39 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

em coordenação com as outras paróquias a nível de arciprestado.

d) As Comunidades reúnem-se à volta da Pala-

vra de Deus, para a ouvir e a partilhar. Já lá vai o tempo em que os católicos se sentiam envergonha- dos e eram acusados pelos protestantes de não co- nhecerem a Bíblia. Agora a Bíblia está sempre pre- sente. Eles sabem encontrar passagens para todas

as ocasiões e para todos os problemas. Há por ve- zes o perigo dum literalismo exagerado e dum

fundamentalismo que só aceita o que está escrito na Bíblia. Mas um esforço constante é feito para,

ao lermos a Bíblia, conhecermos a vontade de Deus no momento em que vivemos.

e) Um outro aspecto da nossa pastoral é levar a

uma fé atenta à vida, à realidade social; uma fé que exige compromisso, uma fé que seja uma manifes- tação e um testemunho do amor de Deus vivido no concreto da nossa existência. Não é suficiente ou-

vir a Palavra de Deus, é preciso deixar que ela ques- tione e desafie as nossas vidas e a realidade social em que vivemos. O nosso Deus não está nas nu- vens; Ele é um Deus-connosco.

f) A Catequese ocupou sempre um lugar im-

portante na nossa pastoral. Os catequistas são ho- mens e mulheres empenhados, que sentem a ne- cessidade de aprender. Uma boa parte dos encon- tros de formação das nossas paróquias são organi- zados pelos catequistas. Mesmo assim, precisamos

de mais e melhores catequistas. Os catecismos usa-

dos na Diocese também deixam muito a desejar.

g) A juventude é uma das áreas importantes mas

difíceis. Procuramos que a catequese para a confir-

mação seja dirigida de maneira especial à juventude.

A maioria das comunidades têm o seu grupo de ju-

ventude. Há, além disso, outros grupos de juventude. As actividades da juventude são coordenadas a nível de Arciprestado. Organizam-se seminários, retiros e encontros, mas precisamos de encontrar actividades mais atraentes para a juventude. Reu- nir-se só para rezar e ouvir a Palavra de Deus é pouco atractivo.

h) O casamento e a família são também um de-

safio permanente. A instabilidade familiar e os di- vórcios estão a aumentar. É preciso preparar a ju- ventude para um casamento que seja um compro- misso de amor, vivido no diálogo e no respeito mú- tuo. E é preciso encorajar as famílias a renovarem

o seu compromisso de amor e a vivê-lo de maneira

mais harmoniosa e feliz. Por isso, a preparação para

o casamento é feita muito a sério, orientada por

casais previamente preparados e com uma experi- ência de diálogo num amor fiel e comprometido. i) Um outro esforço constante também em linha com a pastoral diocesana é a de as paróquias serem economicamente auto-suficientes. Temos procurado viver com o dinheiro que recebemos. É suficiente para as despesas normais: comida, água, luz, imposto pre- dial, telefone, manutenção dos carros. Mas não é su- ficiente para despesas extraordinárias. j) Durante estes 12 anos, não têm faltado os pequenos conflitos com grupos ou com líderes nas paróquias. Isso é normal. Umas vezes, porque não deixamos correr e nos tornamos exigentes. Outras vezes, por uma questão de afirmação de autorida- de (alguns gostariam que o padre fosse simples- mente o seu empregado); ou então, por não deixar- mos certos indivíduos dar espectáculo e desorga- nizar tudo, impondo a sua ideia, sem o mínimo de consideração pela comunidade ou pelo consenso obtido. Acontece também que por vezes os confli- tos sociais se manifestam a nível de Igreja, tendo o padre como alvo visível a atacar, como aconteceu aos PP. Guedes, Castro e Carlos na Paróquia de Kamenza. É que a Igreja é o único espaço aberto à manifestação de tais conflitos. Mas depois da tem- pestade vem a bonança.

7. As Pequenas Comunidades Cristãs são uma experiência já com alguns anos. Na Diocese de Ndola, é uma experiência principalmente em zo- nas urbanas, em espaços relativamente pequenos. São comunidades de vizinhos. Isso poderia facili- tar o relacionamento pessoal e uma acção mais com- prometida com a realidade social em que as pesso- as vivem. De certa maneira, a Comunidade substi-

tui o clã; é como se fosse uma família, que dá apoio

e protecção. Por outro lado, a relação de vizinhan-

ça está cheia de bisbilhotice e de pequenas quesílias.

E isso reflecte-se na comunidade, tornando difícil

ou impossível a participação de todos. As Comunidades funcionam também como uma estrutura da Paróquia. É que tudo passa por lá: a contribuição para o sustento da paróquia, assim como a inscrição das crianças para o baptismo. A catequese – ao menos para a 1ª comunhão – é dada

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na Comunidade. De certa maneira, como estrutu- ras, as Comunidades têm que funcionar. E depois há os funerais. As Comunidades preparam, ajudam, prestam assistência, organizam a oração dão o sen- tido de família, dão protecção e apoio. E isso em tempo de sofrimento é essencial: o saber que não estou só, o ter alguém que partilhe a minha dor e o meu sofrimento, o experimentar a solidariedade dos irmãos. De certa maneira, são os funerais que man- têm as comunidades vivas entre estas tribos bantos. As pessoas já mostram um certo cansaço; são poucos por vezes os que participam nas reuniões das Comunidades, e a maioria são mulheres. Esta não é uma apreciação negativa das comunidades, pois elas trouxeram dinamismo, participação, com- promisso e co-responsabilidade. Com elas, a Pala- vra de Deus tornou-se presente e actuante na vida do povo. E a Igreja deixou de ser qualquer coisa estranha e longínqua – coisa de domingo, quando

das. Aí encontram segurança e uma forma de identi- dade. São nascidos de novo, pertencem ao grupo dos puros e dos salvos, já escaparam ao inferno; são ilu- minados pelo Espírito, são possuídos da verdade. Para eles, o importante é o relacionamento com Cristo e a certeza de estar salvos. Quanto a situações sociais de pecado em que vivemos, a fé não leva ao compromis- so, é um assunto individual. Que resposta a dar a este desafio? Ao menos já nos tornámos conscientes deles e já o discutimos a nível de Arciprestado e de Diocese. O nosso traba- lho com a juventude tem de ser revitalizado, usan- do muito mais a música, a canção, o teatro, a dan- ça, e organizando encontros de juventude onde se facilita o encontro pessoal com Cristo e se experi- menta a força e a vida do Espírito. Mas nós não podemos seguir todos os seus métodos. Não pode- mos anunciar uma fé individualista, descompro- metida, parcial.

se vai à missa –, para se tornar uma comunidade de fé, a nossa comunidade. Mas vê-las como a única alternativa ou como a única realidade, já é mais

9. Há ainda outros desafios que se fazem sentir na hora presente.

duvidoso. Desde o início das Comunidades, sem-

9.1.

A inculturação da fé é um desafio constan-

pre houve tensões entre elas e as associações (ir-

te

– principalmente em áreas como a adolescência,

mandades e movimentos); e essas tensões continu-

o

casamento, a morte, a celebração litúrgica. Em-

am. O melhor talvez seja integrar as duas coisas,

bora não sejamos peritos nesses assuntos, não os

mas não é fácil e a tensão permanece.

podemos ignorar e eles exigem a nossa atenção constante.

8. Um desafio que se tem tornado mais forte nos últimos tempos é o dos Pentecostais ou “Born again” (nascidos de novo). São grupos que nascem como cogumelos e que são profundamente anti-

católicos, atacando a confissão, Maria, os Santos,

o baptismo que não seja por imersão

uma experiência nova, cheia de emoção e de certe- zas: baptizados no Espírito e vivendo do Espírito, eles estão salvos e já não pertencem a este mundo. Eles clamam a cura de doentes e a realização de milagres – têm Deus ao seu dispor. Não são diferentes dos outros Pentecostais que andam na Europa e nas Américas. Não lhes falta dinheiro, não venham eles da América. E sabem fazer espectáculo, atraindo com a música, mesmo ao ritmo de dança, com a promessa de milagres e com uma presença emotiva que dá consolo e certe- za de salvação. Muitos jovens sentem-se atraídos por eles. Atraídos pelo seu radicalismo e fundamen- talismo: para eles não há meias tintas e não há dúvi-

E oferecem

9.2. A mentalidade mágica com a crença no fei-

tiço constitui outro grande desafio. Quando alguém

morre, é preciso encontrar um culpado, muitas ve-

zes um vizinho ou um familiar. E quando alguém tem sorte na vida, isso é devido ao uso de feitiço. Todos deviam ser iguais, com uma igualdade em que ninguém tem nada. Nisto as 73 tribos da Zâmbia, embora bastante escolarizadas, são seme- lhantes a todos os povos bantos. 49

9.3. A Sida lança também um grande desafio à

Igreja. Torna-se indispensável uma mudança de

comportamento, abandonando a imoralidade que torna tão fáceis a fornicação, o adultério e a prosti- tuição. Temos de perguntar-nos: Que impacto é que

a nossa fé tem nos comportamentos das gentes? A Sida lança também um desafio à nossa capa- cidade de amor e de compaixão, partilhando o so- frimento dos doentes e ajudando-os na sua dor, cuidando deles e estando com eles. Temos estado atentos a estes dois aspectos a nível diocesano e

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

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paroquial e vamos iniciar grupos para o tratamento dos doentes em casa. 9.4. Um outro problema – a pobreza e a seca. Elas vão juntas. Quem sofre mais com a seca são as zonas rurais e os pobres. O governo procurou diminuir o impacto das suas medidas económicas concedendo a cada distrito uns milhares de Kwa- chas para ajudar os pobres. Em Chililabombwe, o P. Carlos faz parte da comissão que administra esse dinheiro. Em cada paróquia esforçamo-nos por conscientizar as comunidades para estarem atentas ao sofrimento dos pobres e para mostrarem solida- riedade com eles. O P. Horácio mata-se para pro- mover o desenvolvimento da periferia rural. 50 10. Que importância e que impacto tem a nossa experiência na Sociedade? Somos um grupo tão pequeno e tão fora dos campos tradicionais de tra- balho da Sociedade que pouca diferença faz (essa é a minha impressão). Até à última Assembleia Geral nem sequer tínhamos direito de participar. Metiam-nos na Região de Portugal. Era como se não existíssemos. Mas pensamos que a nossa ex- periência é uma janela aberta a um outro mundo, fora da portugalidade que, desde a criação da Soci- edade, tinha servido sempre de marco de referên- cia para a nossa experiência missionária. Por isso é que o traumatismo das independências foi tão gran- de. Por isso é que ainda hoje estamos com tanto medo da universalidade e do que é diferente, das outras culturas ou línguas. Em Moçambique, em Angola e no Brasil, há outras culturas, mas muitas vezes elas não eram mais do que uma sombra e a cultura que nos iluminava era a portuguesa. Daí o medo que muitos têm de aprender uma nova lín- gua. A experiência da Zâmbia vem-nos mostrar que não é difícil nem é fácil; é simplesmente normal para gente normal. Todos nós aprendemos inglês e todos nós falamos bemba. E como nós, muitos outros. Uma língua é uma cultura – uma maneira de pensar e de sentir; é um povo – é o Outro, esse outro que tem a face de Jesus Cristo. Para nós tudo isto se tornou nor- mal, a vida do dia a dia, a nossa missão. P. Manuel Castro Afonso

3.4. Japão – voltando ao Oriente

João Paulo II proclamou que a Missão está a recomeçar e apelou aos institutos missionários que

se voltem para o Oriente das grandes religiões. Ao ordenar o P. Adelino Ascenso, um especialista em diálogo religioso, a SMBN assumiu esse desafio. Escolheu Osaka, diocese onde nos acolheram os missionários do IEME. Dois anos depois seguiu outro jovem – P. Nuno Henriques de Lima. Segui- mos os passos de S. Francisco Xavier nosso padro- eiro. O exemplo deles despertou a vocação missionária do P. Domingos Areais, pároco de Arrifana, diocese do Porto. Depois de anos de discernimento e oração parte para Osaka na Pás- coa de 2005.

A saída para o Japão é um êxodo ainda mais

forte do que a partida para a Zâmbia. As diferenças

culturais e religiosas são muito mais profundas. Depois de 2 anos de aprendizagem da língua japo- nesa numa escola, o padre assume responsabilida- des numa equipa pastoral que atende um bloco de pequenas paróquias onde os leigos assumem gran- des responsabilidades. O desafio é encontrar um caminho para que chegue ao coração do japonês o Evangelho que Xavier levou até Kagoshima há 450 anos mas ainda é considerado estrangeiro. O diálo- go inter-religioso é o caminho a seguir nesta hora.

4. A SOCIEDADE E A ANIMAÇÃO MISSIONÁRIA EM PORTUGAL

O fermento missionário passa sobretudo pelo

testemunho dos que o encarnam na sua vida. Os promotores da Sociedade, a começar pelos Bispos que a dirigiram nos primeiros anos, percorreram

Portugal de norte a sul para abrir as Igrejas Locais para a missão. E foram pioneiros da informação e da formação. Em 1924, D. Teotónio criou O Missi- onário Católico que depois mudou o título para Boa Nova, revista de informação missionária. O Almanque das Missões (hoje Almanaque Boa Nova) foi criado em 1926. E a Cruzada Missionária (hoje Voz da Missão) apareceu em 1933.

A propaganda não basta, é preciso formação.

Nos anos 40, a Sociedade iniciou nos seminários diocesanos a criação de Círculos Missionários. Dos seus encontros anuais nasceram as Semanas

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Missionárias, um dos grandes instrumentos para encarnar o Concílio em Portugal. Para alimentar essas iniciativas com estudos sérios surgiu, em1949, a revista Volumus – hoje Igreja e Missão. A Edito- rial Missões tem sido há mais de 80 anos um servi- ço à formação da consciência missionária do país.

ço à formação da consciência missionária do país. Rosto do 1º n.º de”O Missionário Católico”

Rosto do 1º n.º de”O Missionário Católico” (15.8.1924)

O serviço de Promoção Missionária e Voca- cional da SMBN lançou, em cada época, iniciati- vas para fazer os leigos participarem na Missão:

Associação Nossa Senhora das Missões (1928) e Auxiliares das Missões. Desde o Concílio a Socie- dade quis lançar o povo cristão para a frente da Missão. Em 1968 desafiou as Missionárias da Boa Nova (criadas para serem simples colaboradoras da missão) a tornarem-se missionárias em sentido pleno e por direito próprio. Em 1995 criou os Lei- gos Boa Nova como um movimento aberto a todos

os que querem dar parte da sua vida aos mais ca- rentes. Neste momento retoma o antigo trabalho de promover a formação missionária dos padres diocesanos e acolhê-los como Associados. A Igreja é por natureza missionária. Deve manifestá-la no seu dinamismo evangelizador e na sua paixão pelos pobres do mundo.

NOTAS

1 Na celebração dos 25 anos da presença em Angola, o Arcebis- po de Luanda, D. André Muaca, comentou essa variedade de nomes oficiais e populares ao afirmar: Padre Albano Pedro foi um dos pri- meiros membros do seu Instituto que, desde a infância, eu conheci com diferentes nomes: Padres de Cucujães, Padres da Sociedade Missionária Portuguesa, Padres da Sociedade Ultramarina, etc. Folheavam o Dicionário do Evangelho de Cristo para encontrar um nome que os definisse. Encontraram-no, cinquenta anos depois:

Sociedade dos Missionários da Boa Nova: acertaram em cheio. Sem minimizar os nomes dos outros Institutos de cariz tipicamente mis- sionário, o nome de Instituto da Boa Nova é o mais antigo, o mais

) Toda a

teológico e bíblico. Tem raízes em Isaías e em S. Lucas. (

palavra de alívio, toda a mensagem que salva, tudo o que alimenta

a esperança, é uma Boa Nova. Cristo foi o primeiro missionário da

Boa Nova. (

Que o P. Albano Pedro nos obtenha de Deus a graça

da expansão da Boa Nova trazida por Cristo e da Boa Nova por que Angola aspira há trinta e quatro anos, que é a Paz.

D. Eduardo André Muaca, Homilia na Celebração Jubilar, em Luanda

)

2 Criado por D. João VI, a 10 de Março de 1791, o Real Colé- gio pertencia ao Priorado do Crato. Em 1801, a rainha D. Mariana de Áustria dotou-o com uma renda para formar Padres para a Chi- na. Fechado em 1834 por causa da extinção das ordens religiosas, foi reaberto a 8 de Dezembro de 1855 com o nome de Real Colégio das Missões Ultramarinas. Dependia do Ministério das Colónias

e os reitores tinham a sua acção muito coarctada. No entanto, entre

1855 e 1911, formaram-se lá mais de 300 padres que estenderam a sua acção a imensos territórios: Guiné, Cabo Verde, S. Tomé e Prín- cipe, Angola e Moçambique, Índia, China e Timor. “O Real Colégio criou um nome e cobriu-se de glória, e os seus missionários, mesmo sem qualquer vínculo associativo a uni-los, souberam criar entre si um real e por vezes sobranceiro espírito de grupo, que sempre os caracterizou, mas que nem sempre viria a redundar em verdadeiro benefício, quer para os próprios, quer para a causa da missionação” (P. Manuel Trindade).

3 O Congo, seu passado, seu presente e seu futuro, que apresen- tou à Sociedade de Geografia de Lisboa, em Março de 1889, publi- cado no Boletim da mesma Sociedade, de 1888-1889.

4 Foi o primeiro Bispo de Vila Real e de Aveiro (restauração da Diocese), primeiro Superior Geral da Sociedade, abriu o caminho para

a instalação dos institutos missionários religiosos em Portugal, traba- lhando para a instalação em Portugal dos Missionários da Consolata (o primeiro instituto a entrar depois do Acordo Missionário).

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

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5 Reorganizou o Seminário de Luanda (1909), instituiu a Obra das Vocações e dos Seminários de Lisboa (1916), criou o Seminário das Missões no convento de Cristo, em Tomar (1921), pôs a funci- onar o Seminário Menor de Vila Real, em Poiares (1926), construiu

e

pôs a funcionar o Seminário de Vila Real (1930), pôs a funcionar

o

Seminário de Santa Joana Princesa, em Aveiro (1939), preparou a

restauração do Colégio de Calvão para ser seminário (1960), cons- truiu o novo seminário de Santa Joana Princesa.

6 Entre os principais anotamos: O Symbolo dos Apóstolos, Coimbra, 1901 (295 p), Synopse de Teologia Moral, 2 vol. Coimbra (1902-1903), Esplendores do Sacerdócio, Coimbra, 1905 (303 p), Theologia para Todos I, Coimbra, 1908 (415 p), Lições da Nature- za e dos Homens, Coimbra, 1914 (XI + 362 p), Por Terras de Ango- la, Coimbra, 1916 (487 p), D. Teresa de Saldanha e as suas Dominicanas, Cucujães, 1938 (519 p), O meu Diário de Viagem, ed. póstuma, Aveiro, 1967 (254 p).

7 As mais emblemáticas são talvez a Sopa dos Pobres (Lisboa, Vila Real, Cucujães, Aveiro) e a que se dedica às crianças abando- nadas ou vítimas de abuso sexual e que chamou Florinhas da Rua, Lisboa, 1918; Florinhas da Neve, Vila Real, 1927; Florinhas do Vouga (Aveiro, 1939).

8 Lima Vidal no seu Tempo, III Vol., p. 334, ed. da Junta Distrital de Aveiro, 1974.

9 Na Arquidiocese de Nampula, a Sociedade Missionária fun- dou, de raiz, 12 Missões: Mutuáli, em 1938; Meconta, em 1941;

Murrupula, em 1947; Iapala, em 1954; Micane, em 1954; Corrane, em 1964; Iulúti, em 1965; Malema, em 1965; Lalaua, em 1967; Nataleia, em 1969; Momola, em 1969; e Chalaua, em 1969. Fun- dou a Paróquia de Malema, em 1971. Prestou assistência a quatro paróquias: Paróquia da Catedral, em 1942; Paróquia da Ilha de Moçambique, em 1946; Paróquia de Angoche, em 1946; Paróquia de Nacala-Porto, em 1978. Assistiu também às 7 Missões seguintes: Malatane, em 1946; Mecutamala, em 1950; Namaponda, em 1965; Caramaja, m 1969; Namaíta, em 1969; Marrere, em 1969; Luázi, em 1973. Fundou, de raiz, 3 Colégios: Colégio Vasco da Gama, de 1952

a 1963, em Nampula; Colégio de S. João de Brito, em Angoche, de

Paróquias fundadas de raiz

8

Paróquias assistidas

5

Colégios fundados de raiz

4

Seminários fundados de raiz

2

Seminário assistido

1

Escolas de Professores

2

Lar (de S. José)

1

12 O primeiro que seguiu D. José foi o P. Luís Filipe Pereira Tavares, dois dias mais velho que ele, também anteriormente missi- onário na diocese de Nampula, de 1946 a 1954. Deixou a direcção

do probandato, em Cucujães, antes do fim do ano, para vir para esta diocese, no meio de 1957, da qual foi governador na ausência do Bispo, de Agosto a Novembro do mesmo ano; superior pró-regional desde Outubro e depois regional, primeiro reitor do Seminário Me- nor do Maríri e superior da missão. Em 1964 foi a férias e ao pri- meiro Capítulo Geral. Ficou em Portugal. No mesmo ano de 1957 vieram os Padres Joaquim Antunes Lopes Valente, António Tavares da Silva e Aníbal dos Anjos João e

o Ir. Messias Gama. O P. Valente, de 31 anos, licenciado em Direito

Canónico (o primeiro da Sociedade Missionária), foi secretário da diocese, várias vezes governador, vigário-geral e o director do colé-

gio de S. Paulo, hoje escola secundária e pré-universitária de Pemba. Foi delegado à Assembleia Geral de 1974. Regressou a Portugal a 24 de Março de 1975. O P. Aníbal começou pelo Seminário do Maríri. De 1959 a 1969 foi superior e o construtor da missão de Macomia. De 1969 a 1974, foi reitor do seminário maior de S. José de Pemba. A seguir for superior da missão de Metoro, donde regressou a Por- tugal em 1975. O P. Tavares da Silva também começou pelo Maríri

e foi o director da escola de professores-catequistas. Regressou a

Portugal em Novembro de 1975, com a saúde abalada. O Ir. Messi- as, de 41 anos, trabalhou nos serviços domésticos e agrícolas do seminário do Maríri e da missão de Macomia desde a primeira hora. Em Macomia começou os apontamentos de línguas regionais, a que tem dado todo o tempo disponível desde 1979. Em 1968-69, traba- lhou no seminário maior de Pemba e depois voltou para Macomia. Desde o fim de 1972 esteve no Metoro e depois em Ocua até 15 de Dezembro de 1978. Esteve na paróquia de Maria Auxiliadora de Pemba, desde então até 1987, várias vezes como substituto, e desde Maio de 1994. De 1987 a 1994 esteve no Chiúre.

1966

até à independência; Colégio de Santa Maria, de Malema, de

13 Em 1958 vieram os Padres António Tavares Martins, Fran-

14 Em 1959 veio o P. Ambrósio Nunes Ferreira, licenciado em

1971

a 1975.

cisco Mayor Sequeira e Manuel Paulo Lopes, e o Ir. José Lopes. O

Foi-lhe confiado o Seminário Diocesano, desde 1959 até 1975. Foi-lhe confiada, igualmente, a Escola de Professores, Marrere, desde 1969 a 1974, inclusive. Fundou o Lar de S. José, em Momola, em 1969.

P. Tavares Martins trabalhou no Maríri, onde foi construtor e reitor, até 1964, em que saiu doente. De 1965 a 1970 foi professor no se- minário maior e professor e subdirector do colégio de S. Paulo. Fi- cou em Portugal nas férias de 1970. O P. Sequeira trabalhou no

10 Na Diocese de Porto Amélia, a Sociedade Missionária, atra- vés do seu Bispo, D. José dos Santos Garcia, fundou, de raiz: 2 Seminários diocesanos; 1 Colégio Diocesano e 1 Escola de Profes- sores (no Chiúre). Fundou, também de raiz, a Paróquia de Maria Auxiliadora, na cidade, em 1962 e 6 Missões: Macomia, em 1959; Metoro, em 1963; Ocua, em 1967; Metuje, em 1967; Mieze, em 1969; e Mocímboa da Praia, em 1981. Foram-lhe confiadas as Mis- sões: Maríri, em 1957; e Chiúre, em 1960.

Maríri (onde depois foi reitor interino), foi superior da missão do Chiúre desde 1960, onde construiu a escola doméstica. Delegado à segunda Assembleia Geral, foi, a seguir, superior regional até à ter- ceira Assembleia. Em 1973 e 1974 foi pároco dos colonatos da área de Montepuez-Balama. Em 1974 ficou na Direcção Geral. O P. Paulo trabalhou no Maríri. Tinha 28 anos. Desde 1959, esteve na missão de Macomia, superior (pároco) desde 1969. Homem do povo, “é dono da língua” maconde. Foi secretário da diocese alguns meses, em 1964-65. Animou, de Pemba, a paróquia de Macomia de 1978 a

 

11 Em síntese, o trabalho de estruturacão missionária realiza-

1992. Foi pároco de Maria Auxiliadora de 1985 a 1988, e várias vezes substituto. O Ir. José Lopes, de 37 anos, já tinha trabalhado na

do pela Sociedade Missionária para a irradiação do Evangelho entre 21.04.37 (com a chegada dos nossos missionários a S. Paulo de Messano) e a independência de Mocambique – num período de 38 anos – apresenta os seguintes resultados:

25

diocese de Nampula de 1949 a 1958. Trabalhou no paço episcopal até 1966, ano em que foi de férias e ficou em Portugal.

História da Igreja. Foi reitor do seminário maior, que principiou no

 

Missões fundadas de raiz Missões assistidas

12

Maríri, por desenvolvimento do seminário menor, e em 1961 foi

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 44

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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transferido para Pemba. Em 1964 foi delegado ao primeiro Capítu- lo Geral e, depois, superior regional até ao segundo Capítulo, em 1968. Após este, ficou em Portugal. Em 1960 vieram os Padres António Rodrigues Pereira e Martinho Joaquim de Castro e Silva e o Ir. Domingos Augusto Mar- ques. O P. Rodrigues Pereira começou pelo seminário do Maríri;

desde 1968, substituiu o Superior regional; 2.º Assistente desde 1975; vigário geral da diocese, depois de ser secretário, desde 1975; páro- co de Maria Auxiliadora desde Abril de 1977. Faleceu no Maputo, depois de uma intervenção cirúrgica, a 12 de Dezembro de1977. O P. Gonçalves trabalhou no seminário maior, na secretaria da diocese em 1970 e de 1971 a 1975, em Mocímboa da Praia de 1976 a 1978

em 1964 foi para Macomia e depois para a escola de professores do

e

de 1981 a 1987, colaborando nas paróquias de Mueda, Nangololo

Chiúre; em 1965, para o seminário maior de Pemba; foi encarrega-

e

Macomia sem padres residentes. Além dos quase 3 anos em que

do pastoral da área do Metuge, Murrébue e Mecúfi, criando-se, em 8 de Dezembro de 1967, a paróquia-missão do Metuge, depois subs- tituída pela missão do Mieze, onde ele começou a construção da capela-escola e derrubou mata para agricultura. Em 1972 foi para a missão do Chiúre, onde gastou parte do seu património na constru- ção de capelas; em 1975, para o Metoro, onde se dedicou a visitar as comunidades cristãs e as cooperativas agrícolas. Preso em Macomia no fim de Setembro de 1978, e depois no Metoro, foi mandado para o Maputo e expulso de Moçambique em Dezembro desse mesmo ano. O P. Martinho foi secretário da Diocese, prefeito

não foi permitido a nenhum padre, irmão ou irmã estar fora de Pemba, durante cerca de 2 anos foi o único a deslocar-se ao norte desta cidade, com as irmãs da Consolata, e 8 meses sozinho, sempre liga- do à comunidade de Pemba. Esteve no Chiúre de Junho de 1987 ao Natal de 1993, e desde então na paróquia de Maria Auxiliadora, com colaboração à Diocese e ao seminário maior. P. J. Marques foi prefeito e professor no seminário do Maríri, reitor de 1965 a 1968. Esteve no Chiúre e, desde 1969, em Ocua, primeiro padre residente. Em 1973 foi pároco dos colonatos do lado de Montepuez e depois superior da missão do Maríri e professor no seminário. Voltou para

e

professor no seminário maior de Pemba, até 1964, professor no

Ocua, até à expulsão geral de 1978. De 1979 a 1983 foi professor das

seminário do Maríri, professor na escola de professores em 1966- 67, professor no seminário maior em 1967, donde saiu para Portu-

escolas secundária e comercial de Pemba. Primeiro Assistente regio- nal desde 1980, substituiu o Superior regional de 1985 a 1987. Em

gal com problemas de saúde, tendo depois sido nomeado para a região de Nampula. O Ir. Domingos, missionário na diocese de Nampula de 1944 a 1956, foi o construtor do Maríri depois do P.

1982-83 foi director do secretariado diocesano de pastoral. Em 1983 voltou ao Chiúre, vivendo na sacristia da nova igreja, com as paróqui- as de Ocua, Chiúre e Metoro. Com a vinda das missionárias da Boa

Tavares Martins, da escola de Professores-catequistas do Chiúre (com

Nova para Ocua, em Outubro de 1984, passou a residir lá habitual-

a

colaboração de mestres assalariados), das residências do Metoro,

mente. A 19 de Janeiro de 1997 foi para a formação no Lar-seminário

Ocua e Mieze e das escolas com capelas do Metoro e Ocua, e direc- tor das oficinas do Maríri.

da Matola.

15 No mesmo ano de 1961, veio o P. António do Carmo Ribeiro. Trabalhou no Maríri, no Chiúre, algum tempo no seminário maior e novamente no Maríri como director espiritual e professor, até 1969. Bom caçador de leopardos e não só. De 1970 a 1972 esteve na mis- são de Ocua, donde saiu para o Brasil com a saúde muito abalada. Em 1962 vieram os Padres José Lourenço Baptista, Domingos Carvalho e Manuel Norte. O P. Baptista, missionário na diocese de Nampula de 1938 a 1947, foi secretário da diocese, professor no seminário do Maríri, e no de Pemba de 1969 a 1974; depois, na escola de professores do Chiúre, e na escola secundária de Pemba, de 1977 a 1980. Foi encarregado da paróquia de Maria Auxiliadora em 1977-78. Regressou a Portugal a 22 de Fevereiro de 1987. O P.

Domingos foi o pároco de Maria Auxiliadora, criada a 8 de Dezem- bro de 1962, e director espiritual e professor no seminário maior, até 1975, em que foi a férias e ficou em Portugal. O P. Norte traba- lhou no seminário do Maríri e, desde 1964, no Chiúre. Foi o primei- ro superior residente da missão do Metoro, desde 1969. Em 1974 foi a férias e ficou em Portugal. Voltou em Abril de 1994 e ficou na comunidade do Chiúre, pároco do Metoro e depois das três paróqui- as do Chiúre, Metoro e Ocua. Em 1963 veio o P. Manuel Ramos dos Santos. Trabalhou no seminário do Maríri, com alguns meses em Macomia, e novamente no Maríri. De 1971 a 1975 foi superior da missão do Mieze, que organizou e melhorou, dedicando-se também à agricultura. Preso, duas vezes pela Frelimo pouco depois da proclamação da indepen- dência, foi expulso em Novembro. Em 1964 vieram os PP. António Ramos Antunes Martins, Moisés dos Santos Morais, António Gonçalves e José Marques Gon- çalves. O P. António Ramos, missionário na diocese de Nampula de 1956 a 1963, foi reitor do seminário do Maríri em 1964-65, depois capelão militar até 1969. De Portugal foi enviado para a diocese de Nampula. O P. Moisés, missionário na diocese de Nampula de 1956

a 1963, foi professor no seminário maior, escola comercial e colé-

gio de S. Paulo; secretário da diocese desde Fevereiro de 1965; di- rector espiritual e professor de 1971 a 1975; 1.º Assistente regional

16 Em 1965, veio o P. Américo de Oliveira Henriques, de 31 anos. Foi prefeito e professor no seminário do Maríri e, de 1969 a 1971, no de Pemba. De lá foi para o Metoro e, em 1974, para Ocua. Desde Abril de 1975, foi pároco de Maria Auxiliadora de Pemba e professor na escola comercial. Em Abril de 1977 foi expulso de Moçambique, por demasiada simpatia com os jovens. Em 1966 vieram os Padres Casimiro dos Anjos Galhardo João

e o Ir. José Maria Godinho.

O P. Casimiro, de 27 anos, trabalhou na escola de professores

até 1973, ano em que foi superior da missão de Ocua. Em 1979 foi para o Brasil.

O Ir. Godinho, de 30 anos, trabalhou no paço episcopal. De

1969 a 1972 trabalhou no seminário de S. José. Voltou para a secre-

taria da diocese. Em 1976 trabalhou no Metoro. Em 1978, na paró-

quia de Maria Auxiliadora, até agora, onde é administrador da casa

e procurador do Chiúre-Ocua, administrador da Cáritas diocesana

desde 1973, ecónomo da Diocese desde 1995, tesoureiro da igreja

desde 1996.

Em 1967 vieram os Padres Policarpo dos Santos Afonso Lopes

e Manuel dos Santos Neves e o Ir. António Lopes.

O P. Policarpo, a completar 27 anos, trabalhou no seminário do

Maríri, onde foi reitor de 1969 a 1973. Foi a férias e fazer um curso universitário, escolhido pela região, à qual não voltou.

O P. Neves começou pela missão do Chiúre. Em 1969 foi en-

carregado do secretariado diocesano de pastoral e de organizar as comissões diocesanas. Trabalhou muito na investigação, sobretudo

da vida africana regional. Em 1971 foi para Ocua, onde continuou a mergulhar nos costumes do povo e defendeu os despojados. Em

1973 foi a férias, em 1974 foi delegado à Assembleia Geral, após a

qual ficou em Portugal. Começou no tempo dele o Boletim Informativo da Diocese,

por decisão da Conferência Episcopal, que se manteve, aumentado

e regular, até à saída de D. José. Depois, irregularmente, até agora.

O Ir. António trabalhou em Macomia. De 1969 a 1975, no paço

episcopal, voltando para Macomia, onde procurou ajudar o povo na agricultura. Expulso com os outros, em 2 de Dezembro de1978, foi

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

45 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

a férias e, de regresso, ficou no Maputo, como procurador da região de Pemba. Em 1968 vieram os Padres José Alexandre da Conceição Nunes, António Augusto Rodrigues Amado e Joaquim Lourenço Farinha e

o Ir. Manuel da Conceição Lopes.

O P. José Alexandre, de 25 anos, foi director espiritual, prefeito

e professor no Maríri; em 1972 foi prefeito e assistente na escola de professores; de 1973 a 1974 foi para a missão de Macomia e voltou

para a escola de professores. De 1978 a 1981 foi professor nas esco- las secundária e comercial de Pemba. Segundo Assistente regional em 1980, substituiu o Superior regional em 1975. Secretário da Diocese de 1981 a 1983. No Chiúre de 1984 a 1987: pároco do Metoro, professor, encarregado das obras e da economia. Foi a féri- as em 1987, estudou um ano em Madrid e ficou em Portugal. Em Novembro de 1991 voltou para a diocese de Nampula.

O P. Amado, de 28 anos, foi prefeito e professor no Maríri,

reitor em 1973-75. Ensinou na escola secundária de Pemba em 1975- 76. Em Dezembro de 1976 voltou para Portugal.

O P. Farinha, de 26 anos, foi professor do seminário maior.

Desde Agosto de 1969 foi professor no seminário do Maríri, ecóno- mo desde 1971. Faleceu a 19 de Junho de 1973, por explosão aci-

dental de uma granada. Está sepultado no Maríri.

O Ir. Manuel Lopes, de 25 anos, trabalhou na missão do Chiúre.

Desde Março de 1974, praticou mecânica na oficina da Diocese. Regressou a Portugal a 11 de Dezembro. Em 1969 vieram os Padres Cândido da Silva Coelho Ribas e João Baltar da Silva.

O P. Ribas, de 27 anos, trabalhou na missão do Chiúre, onde

foi superior. Foi a férias em Julho de 1975 e não foi autorizado a

regressar.

O P. Baltar, de 25 anos, foi professor e director espiritual no

Maríri. De 1971 a 1974 foi capelão militar na Guiné, voltando a Moçambique em Novembro de 1974. Superior da missão do Metoro, superior regional de 1975 a 1980; pároco de Maria Auxiliadora, ensinando na escola primária e depois na secundária e na comercial. Em 1982 foi a férias e ficou em Portugal. Voltou em Janeiro de 1987, ficando novamente na paróquia de Maria Auxiliadora, de que foi pároco desde o Natal de 1988 a Outubro de 1993. Tomou muitas iniciativas, abriu centros comunitários nos bairros, começou a cons- trução do centro do Alto Jingone e assistiu os refugiados da Mucharra, na área da paróquia do Mieze. Em Outubro de 1993 foi a férias e quedou-se pelo Sul.

17 Em 1970 vieram o Padre Luís Marques Ribeiro e os Irmãos João Gonçalves e António Marques Janela. O P. Luís Marques, de

27 anos, veio substituir o P. Tavares Martins no colégio de S. Paulo, onde foi professor e subdirector. Voltou a Portugal a 25 de Março de

1975.

Ir. João, de 41 anos, trabalhou no Metoro até Julho de 1972,

no Mieze até aos fins de 1975, e em Macomia em 1976-77. Foi a férias, doente, e ficou em Portugal. Voltou em Novembro de 1983. Ficou em Pemba, em situação pouco definida. Em Dezembro de 1984 foi para o Chiúre e, em Setembro de 1985, voltou para Pemba. Depois de meio ano na Namaacha, voltou para o Chiúre em Outu- bro de 1987. O seu trabalho é a agricultura doméstica, que em al-

guns anos alargou substancialmente. Dá grande contributo à susten- tação dos companheiros e é objecto de interrogação do trabalho.

O Ir. Janela, de 28 anos, trabalhou no Maríri, em 1975 no

Metoro, em 1976 na casa diocesana, em 1977 fora, com residência em Maria Auxiliadora. Em 1978 foi para Nampula, onde deixou a Sociedade. Em 1972 vieram os PP. Joaquim Faria Simões e José António da Silva Carvalho. O P. Faria, de 28 anos, trabalhou na escola de professores e depois no colégio de S. Paulo. Em Abril de 1975 vol-

O

tou para Portugal. O P. José António, de 35 anos, trabalhou no Maríri, onde foi ecónomo desde 1973. De 1975 a 1980 foi o primeiro Assis- tente regional e, em 1980, Superior regional. Desde 1975 ensinou na escola industrial e comercial de Pemba. Desde Março de 1978 a Outubro de 1980, e de 1982 a 1985, foi pároco de Maria Auxiliadora. Em 1980 foi delegado à Assembleia geral. Foi nomeado director espiritual da Diocese. Saiu de Pemba em 1985 e, depois da Assembleia Geral em 1986, ficou em Portugal.

18 Em 1974 vieram os Padres Amadeu Pinto de Oliveira e Libério de Sousa Pereira. Foram os primeiros a fazer o curso de inserção no centro catequético-pastoral do Anchilo-Nampula. O P. Amadeu, de 30 anos, foi professor no seminário maior e no colégio de S. Paulo. Depois do curso no Anchilo, em princípios de 1975, foi para o Chiúre, onde foi superior da missão. De Dezembro de 1978 a 1982 esteve em Pemba, com os outros. Foi a férias e ficou em Portugal. O P. Libério, de 31 anos, ensinou na escola de professores do Chiúre. De- pois do curso do Anchilo, esteve em Macomia, desde Junho de 1975. Em Fevereiro de 1977 foi ajudar o P. Gilberto, diocesano, na missão de Meza, onde acabou por ficar só, com as irmãs da Consolata. De Dezembro de 1978 a Novembro de 1980, esteve em Pemba, donde foi para a diocese de Nampula (1980-93), à procura de ambiente mais favorável à oração. Voltou ao Chiúre em Novembro de 1993, onde foi pároco, e em Janeiro de 1997 voltou para o Mutuáli. Desde 1975, viveu connosco, na paróquia de Maria Auxiliadora, Francisco Baptista de Brito Apolónia, de 34 anos, antigo seminarista dos Olivais. A 16 de Abril de 1978 fez o juramento, mas não foi a sério. A 2 de Julho foi para Portugal e não se integrou na Sociedade.

19 O P. Álvaro volta para Fumane, onde fica com P. Benjamim.

P. Julião vai para Chissano substituir P. Celso, que é chamado a

Portugal. P. Alves em Maputo é nomeado Pró-Regional. P. Aquiles, vítima de doença grave, regressa a Portugal, sendo substituído pelo

P. Cristóvão, que começa a sua experiência missionária no Chibuto.

Aprende a língua em pouco tempo devido a uma tenacidade que ficou célebre. P. Antunes substitui P. Aquiles no Chibuto. Chega P.

Ernesto Pereira que vai para Fumane, saltando P. Benjamim para Chissano ajudar P. Julião. Em 1963 chega o P. Serafim. P. Cristóvão vai tomar conta da Missão do Alto Changane, já criada em 1960, e confiada aos Padres de Fumane, e leva consigo o recém-chegado P. Serafim.

20 Na Arquidiocese de Maputo, a Sociedade Missionária fun- dou, de raiz, as seguintes 6 Paróquias: Bairro do Fomento, em 1968; Malanga, em 1971; Nossa Senhora da Esperança (Aeroporto), em 1972; Mavalane, em 1973; Moamba, em 1984; e Sabié, em 1984.

21 Na diocese de Xai Xai, a Sociedade Missionária fundou, de raiz, 7 Missões: Chissano, em 1951; Fumane, em 1955; Alto Changane, em 1960; Mahuntsane, em 1966; Maniquenique, em 1966; Bilene, em 1970; Macia, em 1970. Foram-lhe confiadas três Missões de fundação antiga: S. Paulo de Messano, criada em 1901 e ocupada em 1937; Sagrado Coração de Jesus do Chibuto, criada em 1902 e restaurada em 1955; Sta. Rita de Viterbo da Malehíce, criada em 1909 e ocupada pelos nossos, sem data.

22 O P. João Almendra fez dois mandatos, governando até à Assembleia Geral de 1998. Foi eleito Vigário Geral da Sociedade, mas a doença impediu-o de assumir. Foi substituído pelo P. António da Rocha Couto no cargo de Vigário Geral. Em Moçambique foi eleito Superior Regional para os anos de 1998-2004 o P. Valdemar Dias, de Nampula. E o P. Albino Valente dos Anjos, de Pemba, foi eleito em 2004.

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A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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23 A Igreja de Moçambique determinou que os candidatos a pa- dre devem fazer no seminário um curso propedêutico de três anos que pode iniciar com o décimo ano.

24 O primeiro aluno de teologia foi o jovem Ambrósio da Fon- seca Inteta, de Malema, diocese de Nampula. Ele estudou no Interdiocesano de Nampula, no Seminário de Filosofia da Matola, fez o Ano de Formação na Matola e o Estágio Intermédio de Forma- ção Missionária em Caraí, em Minas Gerais, e estudou a Teologia em Belo Horizonte. Ordenado presbítero em Malema, voltou ao Brasil onde é Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Nova, arquidiocese de Belo Horizonte.

25 Como Instituto somos um sinal da vocação missionária e universal da Igreja. O alargamento da nossa acção a outros cam- pos fora do Ultramar tornará mais visível o carácter específico da nossa vocação: ir aos outros, aos de longe, aos que estão fora. A Sociedade aparecerá como um Instituto mais aberto, mais disponí- vel, mais universal e, portanto, mais ‘missionário’. A maior varie- dade de campos de acção significa também um acréscimo de expe- riência que muito valorizará o Instituto. Propõe-se que num futuro muito breve sejam enviados alguns missionários para o Brasil (Ac- tas da II Assembleia, pg. 13 e 14).

26 Coordenação de Pastoral: P. Manuel de Matos Bastos (1970 a 1974 e 1980 a 1987), P. Manuel Trindade (1975 a 1980); Pastoral da Juventude: P. João Francisco da Silva Mendes (1970 a 1973); Co- munidades Rurais: P. M. Jerónimo Nunes (1970 a 1987); Pastoral Familiar: P. António Mamede Fernandes.

27 Além dos citados na nota anterior, viveram em Teófilo Otóni os padres: António Mamede Fernandes, Joaquim Patrício da Silva Mendes, António Julião Valente, Manuel Silva e António Tavares da Silva.

): P. Alfredo Moreira,

Irmão António Cipriano, e os padres A. Rodrigues Pereira, Manuel Silva, Joaquim Patrício, Justino Maio Vicente, Alberto Fonseca Prata, Ir. Macário de Oliveira Guedes e o P. Fernando Eiras.

28 Trabalharam em Novo Cruzeiro (1976-

29 Além da evangelização e da formação de comunidades, a paróquia apoiou muito a organização dos lavradores e apoio aos migrantes do corte de cana de açúcar. Em 1988, oitenta famílias de sem-terra ocuparam a fazenda Aruega, há muito abandonada, e co- meçaram a plantar. O dono declarou-a área ecológica para preser- var bichos do mato. Mas o povo que estava com fome garantiu a prioridade à vida das famílias humanas. Só 30 puderam ficar, mas as restantes conseguiram, das autoridades e pessoas amigas, um pedaço de terra no município vizinho de Itaipé.

30 Em 1976, a primeira equipa foi constituída pelos padres José Nuno de Castro e Silva e José Alves. Depois vieram sucessivamen- te os padres Júlio Gamboa, Fernando Eiras e Manuel Silva (por do- ença, deixou a paróquia em 2002). O P. Nuno continua até hoje em Berilo onde realizou já notável obra evangelizadora na formação de comunidades e líderes, defesa dos direitos dos pobres, luta contra o barbeiro e a favor dos doentes chagásicos, construiu escolas, servi- ço de água em comunidades rurais, restaurou a Igreja do século XVII, construiu uma nova e um centro catequético.

31 Lá têm trabalhado, desde 1989, os Padres Fernando Eiras, Alfredo Moreira, A. Rodrigues Pereira, Júlio Gamboa.

32 Última paróquia a ser deixada pelos franciscanos holande- ses, ficou à responsabilidade do P. Alfredo Moreira desde 1994, coadjuvado, mais tarde, pelo P. Carlos Correia. Tem sido um campo de estágio dos seminaristas da SMBN.

33 Formadores sucessivos nessa casa: Padres Fernando Eiras e Mamede Fernandes. Nessa casa estudaram teologia os padres Anisberto Bonfim da Silva (da SMBN, ordenado em 1994 ) e Fran- cisco Fernandes de Oliveira (da Diocese de Belo Horizonte), ambos naturais do Cafezal, Umuarama, Paraná e o P. António Augusto Mondoni (de Santa Bárbara do Oeste, S. Paulo, ordenado em 1995).

34 Além dos citados na nota anterior que ali fizeram o último ano de teologia, estudaram nesta casa os padres João de Deus Cavalcanti, José Adauto dos Santos Silva (ambos de Chapadinha, Maranhão), P. Luís Carlos Gomes da Silva (de Paranhos, Mato Gros- so do Sul), Bernardo (natural de Santa Quitéria e incardinado em Sete Lagoas), Sebastião Luís Gonçalo (de três Corações, diocese de Campanha, onde está incardinado), Raimundo Ambrósio Inteta (de Malema, Nampula, Moçambique) e o Diácono Isidro Albino José (de Benguela, Angola)

35 Colaboraram normalmente os padres que se dedicaram à for- mação na Comunidade Boa Nova: padres Júlio Gamboa, Justino Maio Vicente, Kaquinda Dias, Alberto da Fonseca Prata, Pedro Correia, António Martins, Anisberto Bonfim, António Antunes e Manuel Ramos

36 Na equipa de Vargem Grande trabalharam os PP. Mamede, Joaquim Patrício, Laurindo Neto, Fernando Eiras, Tavares da Silva, Manuel Bastos, Manuel Trindade que, sendo Superior Regional de Minas-Maranhão, Pároco de Vargem Grande e Vigário Geral da Diocese, faleceu a 23 de Julho de 1995 em Belo Horizonte, quando participava no V Encontro Latino-Americano de Missões (COMLA V). Estas paróquias foram entregues à diocese pelos PP. Fernando Eiras e Laurindo Neto, em 2001.

37 P. Neves, eleito para a Direcção Geral em 1990, não foi subs- tituído. Em 1995, o P. Neves voltou, mas para substituir o P. Casimiro que assumiu a Animação Missionária em Portugal. Mas as obriga- ções pastorais continuaram as mesmas (excepto em Urbano Santos onde está um padre diocesano).

38 Missionaram nesta Paróquia, além do P. Albano, os PP. Adelino Fernandes Simões, António Tavares Martins, Manuel Armindo de Lima, Orlando Martins e Delfim Pires e Irmão João Balau,. Destes passaram já para a vida eterna o P. Albano e o P. Lima. O primeiro veio a falecer no Hospital Américo Boavida; o segundo foi morto violentamente quando, com um grupo de catequistas, se dirigia a anunciar a Palavra de Deus à área do Bita. Era o dia 03.02.1982. Tinha só dois meses de vida missionária em Angola. Jaz no cemitério de Viana.

39 O primeiro missionário da Sociedade que entrou nesta Mis- são foi o P. Francisco Fernando Martins das Eiras, que nasceu em Malanje, Angola, filho de transmontanos. Chegou ao Dúmbi nos primeiros dias de Janeiro de 1971. No seu curto tempo de perma- nência no Dúmbi, o povo chamava-lhe o Kameme, o Cordeiro, pelo seu temperamento pacífico e acolhedor. Em breve viria a ser o pri- meiro Pároco que a Sociedade teve no Seles. Hoje trabalha no Bra- sil. A equipa missionária que empenhou a Sociedade no Dúmbi fo- ram os Padres Manuel Fernandes, ex-Superior Geral e propositada- mente transferido de Moçambique (chega ao Dúmbi aos 25 de Mar- ço do mesmo ano de 1971). A 13 de Outubro o jovem P. Augusto

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Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

47 Parte I – Migalhas de História dos Missionários da Boa Nova

Farias, ordenado nesse ano, completou a equipa. No ano seguinte o

P. Fernando foi transferido para o Seles e a equipa em Outubro rece-

beu outro jovem recém-ordenado, o P. Aníbal Fernandes Martins Morgado, que já fez 30 anos em Angola.

40 Trabalharam aqui P. Fernando Eiras, P. Laurindo Neto, P. Armindo Alberto Henriques, Padres Manuel Fernandes e Aníbal (ini- cialmente ligados ao Dúmbi); P. António Valente Pereira, Irmão Artur Augusto Paredes e P. José da Silva Mendes.

41 O primeiro sacerdote que a Sociedade apresentou como Pá- roco foi o Senhor P. Albano. Ali trabalharam sucessivamente: o P. José Mendes deu um apoio especial à juventude, então muito con- trolada para receber formação marxista, e veio a ser o responsável pela pastoral juvenil a nível arquidiocesano; o P. Viriato Augusto de Matos dedicou-se às estruturas materiais, tais como as da futura Paróquia do Golfe e a Capela do Palanca; o P. Agostinho Alberto Rodrigues deixou óptimas recordações nesta comunidade; P. Orlando Augusto Martins, actual Pároco, substituiu o P. Viriato e empenhou- se na formação integral e escolar, e é o Vigário Episcopal para o ensino católico. Tem como colaborador o P. António Frazão. Foi esta Paróquia a casa de acolhimento de todos os membros da Re- gião. Foi como que a nossa casa-mãe nestes anos de guerra. Por aqui também passaram o P. Couto e alguns finalistas do Seminário de Valadares. E nesta Paróquia foram então acolhidos os dois pri- meiros aspirantes angolanos da Sociedade, vindos do Quanza Sul, hoje Padres Eduardo Daniel e Kaquinda Dias. O formador era o mesmo P. Albano. Veio a falecer no dia 31.01.1989. Era Vigário Geral da Arquidiocese. Multidão de gente quis acompanhar o seu funeral até ao cemitério de Santa Ana, onde jaz. As Irmãs que aqui se dedicam à pastoral são as da Companhia de Santa Teresa, cujo apoio e estreita união com os missionários muito tem ajudado, desde a primeira hora, nos diferentes campos da pastoral, nomeadamente catequético, juvenil, sanitário e escolar.

42 P. Farias tomou pois como prioridade levar os leigos a um apostolado empenhativo. Em 1983 veio o Irmão João Balau e o P. António Ramos, vindo do Zimbábwe. Em 1986 o P. Farias foi eleito para a Direcção Geral. O P. Delfim foi solicitado para substituir o P. Farias, ficando também como Director do Secretariado Diocesano de Pastoral. Entretanto o P. Artur de Matos veio por dois anos.

43 Em 1975, as Paróquias de Seles e Cassongue ficaram sem missionários. Pelo ano de 1980 regressaram as Missionárias Dominicanas do Rosário. Foi então que a Sociedade Missionária colocou lá o P. Cândido da Silva Coelho Ribas e o primeiro Mem-

bro Associado, o P. Delfim Pires, do clero diocesano da Guarda. Cerca de um ano depois, P. Ribas abandonava o ministério sacerdo- tal. Foi nomeado Pároco o P. Delfim e foi transferido do Seles o P. Aníbal, simultaneamente o Superior da Missão do Dúmbi, cujos cristãos se haviam espalhado também muito pela área do Waco Kungo. O P. Delfim, num autêntico diálogo que sempre soube man- ter com os catequistas, deu início ao que se chamou “Catecismo da Mamã”, também conhecido como “Catecismo para todos” e que muito se divulgou em toda a Diocese. Cerca de meio ano depois, o

P. Aníbal regressou ao Seles. Foi para o Waco o P. António Valente

Pereira.

44 Os Missionários nesta Paróquia foram: P. Delfim Pires, P.

António Valente Pereira, Dr. Francisco Castelo Branco Camello (lei- go associado), P. Manuel Fernandes, P. Aníbal Fernandes, Irmão Artur Paredes, P. António Ramos, P. António Frazão, os diocesanos

P.

Matias Idela e P. Horácio Augusto Laurindo, o P. Augusto Farias,

P.

Paulo Jorge e vários estagiários da Sociedade que aqui passaram

um ano, sendo o último Joaquim Lima.

45 Padres angolanos na SMBN, origem e data de ordenação:

Eduardo Daniel, Wako Kungo, Sumbe, 21.05.1994; Kaquinda Dias, Seles, Sumbe, 13.05.95; António Sebastião Kusseta, Seles, Sumbe, 21.04.2001; Diácono Isidro Albino José, Benguela, 10.10.2004.

46 Os formadores: P. José António Carvalho, Reitor desde o início, e os formadores: Aníbal Morgado, António Valente, João de Deus Lopes Cavalcanti, Manuel Fernandes, Eduardo Daniel.

47 Em 1983, chegou o P. Manuel Norte que, depois do curso de 4 meses de Bemba e de adaptação pastoral em Ilondola (uma das missões dos Padres Brancos, no norte do país), tomou conta da Pa- róquia de Konkola. Mais tarde, no mesmo ano, chegou o P. Carlos Manuel Farinha Gabriel. Depois do curso em Ilondola, substituiu o P. Guedes e, depois, o P. Castro, durante as férias. Finalmente, em 1985, chegou o P. Horácio José Botelho Pereira, que também fez o curso de Ilondola.

48 O Lamba é parecido com o Bemba e a maioria dos Lambas falam uma mistura de Lamba e de Bemba. Os primeiros evangelizadores dos Lambas foram os Baptistas. Foram eles que traduziram a Bíblia em Lamba. Embora haja 5 missões rurais em terra lamba na diocese de Ndola, a Igreja Católica não tem prestado muita atenção à cultura lamba, fazendo toda a sua pastoral em Bemba. Chililabombwe, na sua zona urbana, é constituída por uma mistura de tribos e de gentes, embora a maioria seja das tribos afins aos Bembas. A zona rural é constituída principalmente pelos Lambas.

49 Ainda há pouco andou por cá um caçador de bruxas, com autorização da polícia, obrigando todas as casas a contribuir para ele passar pelos bairros e descobrir os bruxos, aqueles que vivem bem e que supostamente tornam a vida dos outros impossível. Os que não queriam pagar eram ameaçados. E os que ele acusava ti- nham de lhe pagar uma avultada quantia em dinheiro para os livrar do poder mágico que tinham em si sem saber. Aquilo era um pandemónio por onde ele passava, e lá ia enriquecendo à custa do medo e da ignorância das gentes. Tivemos que pregar nas igrejas, que explicar e que conscientizar as comunidades para se protege- rem e lutarem contra a violência e a injustiça do caçador de bruxas, chamado Muçapi (significa lavador, purificador). Este foi um caso extremo, mas esta mentalidade manifesta-se continuamente em várias circunstâncias, principalmente em caso de doença e de morte. Em tais casos, as comunidades podem ter uma acção importante, dando coragem e fortaleza, fazendo crescer na fé em Jesus Cristo.

50 Em 1994, o P. Horácio foi eleito membro da Direcção Geral e, tempos depois, saiu também o P. Carlos. Foram substituídos pe- los PP. Castro Afonso e Eduardo Daniel. Quando este foi estudar para Roma, veio o angolano P. António Sebastião Kusseta.

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2.6. Quadro-resumo dos Estatutos

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 58 2.6. Quadro-resumo dos

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Parte II – ARM: 60 Anos de Vida

59 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida
59 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida * O mandato passou a bienal por

* O mandato passou a bienal por decisão da AG de 8 de Dezembro de 1967, realizada em Valadares (cf Bol 19, Fev 1968, p. 4, A nossa reunião geral).

ANEXO 1 – Cópia dos primeiros Estatutos (de 1960)

). ANEXO 1 – Cópia dos primeiros Estatutos (de 1960) ANEXO 2 – Cópia dos Estatutos
). ANEXO 1 – Cópia dos primeiros Estatutos (de 1960) ANEXO 2 – Cópia dos Estatutos

ANEXO 2 – Cópia dos Estatutos actualmente em vigor (de 1994)

). ANEXO 1 – Cópia dos primeiros Estatutos (de 1960) ANEXO 2 – Cópia dos Estatutos
). ANEXO 1 – Cópia dos primeiros Estatutos (de 1960) ANEXO 2 – Cópia dos Estatutos

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tologia de textos publicados no Boletim da ARM), agora só interessa dizer que, desde o primeiro número, houve um “artigo de fundo”, um texto

de carácter doutrinário; mas só com o n.º 50 (2.ª Série), em Set/Out 1993, começou a classificar-se esse texto, e não sempre, de Editorial. Tal veio

a tornar-se constante a partir de Março de 2001,

com o n.º 71. Quase sempre publicado na primeira página, às vezes na terceira. Esse texto tinha (e continua a ter) como ob-

jectivo fundamental a formação dos armistas, inculcando valores e apontando princípios, ideias

e atitudes, com vista a atingirem-se os fins da As-

sociação. Mas há outros tipos de textos: uns são informativos, outros fazem memória, outros, ainda,

interpelam e dão resposta, outros, finalmente, são cartas dos leitores armistas. Todos procuram criar

e fazer circular o espírito armista e aprofundar a

comunhão entre todos os antigos alunos da SM. Outros aspectos há ainda que interessa dar a conhecer e vão ser apresentados em extenso qua- dro que abrangerá todos os números do Boletim. São eles os seguintes, além do número e data de cada edição: quem era o presidente da Direcção ou o director do Boletim; onde foi este composto e impresso; o seu formato; o número de páginas; se contém ilustrações (ou gravuras) e quantas; o nome dos colaboradores, mesmo usando pseudó- nimos, abreviaturas ou siglas (excepto quando as suas cartas só são parcialmente publicadas); a tira- gem; se apresenta publicidade e quantos anúncios. Assim se ficará a saber a evolução havida desde a primeira edição, em Março de 1961, e o n.º 85, em Dezembro de 2004, com a interrupção conhecida de 18 anos, entre 1975 e 1993.

Quadro-síntese do Bolotim da ARM, do n.º 1 ao n.º 85.

com a interrupção conhecida de 18 anos, entre 1975 e 1993. Quadro-síntese do Bolotim da ARM,
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91 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida 6. O MISSIONÁRIO CATÓLICO E A BOA

6. O MISSIONÁRIO CATÓLICO E A BOA NOVA COMO ÓRGÃO INFORMATIVO DA ARM

Em Maio de 1963, noticiava o Boletim n.º 5 que havia sido pedida “a atenção da direcção do Missio- nário Católico, como órgão oficial da ARM, para o reduzido noticiário que a seu respeito inseria52 .

52 Bol 5, Mai 1963, p. 5.

Justificava-se este reparo e o consequente pedido? Se tivermos em conta que o MC era, estatutariamente, o “órgão oficial da ARM” e se observarmos as notícias nele publicadas sobre as actividades da Associação, não há dúvida de que tal atitude era legítima. Com efeito, até esse momento (Maio de 1963), o MC havia publicado apenas uma fotografia de um grupo de armistas, em 1961, e, em 1962, apresentara duas fotografias em Janeiro e outra em Junho. Nos anos seguintes o rit-

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Parte II – ARM: 60 Anos de Vida

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PARTE II

ARM

60 ANOS DE VIDA

por

João Rodrigues Gamboa

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 50

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INTRODUÇÃO

Não é pretensão deste trabalho fazer a história da ARM, mas tão simplesmente escrever algumas notas sobre a sua vida e trajectória de sessenta anos. Uma existência feita de momentos de ársis e mo- mentos de thésis, de dinamismos e fragilidades, até de paralisações, sem dúvida, mas globalmente rica, acumulando um património simultaneamente afectivo, social e cultural vivido e erguido com generosidade, sentido de partilha e solidariedade, persistência e espírito missionário, por gerações sucessivas de antigos alunos dos seminários da Sociedade Missionária. Desde as longínquas ori- gens situadas no mês de Maio de 1944 até meados de 2004; desde o encontro d’“os 15 magníficos”, na Quinta da Penha Longa, em Sintra, até ao En- contro Nacional da ARM de 2004, em Cernache do Bonjardim, nos dias 15 e 16 do mesmo simbóli- co e sagrado mês de Maio. 1 As fontes consultadas foram o Boletim da ARM, que começou a publicar-se em Março de 1961: ini- cialmente como suplemento do Missionário Católi- co, depois, a partir de Maio de 1968, com o n.º 20, já independente e autónomo 2 embora aquela revis- ta e a Boa Nova sua sucessora continuassem a pu- blicar informações e textos referentes à Associa- ção dos Antigos Alunos da SMBN. Com algumas lacunas, pois os números 6, 7, 11, 12, 15, 16 e 18 nunca se encontraram e não pôde ser colhida a in- formação histórica de interesse que neles está de- positada. 3 Foram também compulsadas as revistas Missionário Católico e Boa Nova e as Actas da Assembleia Geral 4 . Depois das origens, aborda-se a ARM pela pers- pectiva dos estatutos (de 1960, 1964, 1981 e 1994),

1 Foi tendo em conta, muito provavelmente, este Maio de 1944 que, na reunião geral de 30 de Abril de 1978, em Cernache do Bonjardim, a ARM decidiu que o Encontro anual nacional passasse a realizar-se sempre em Maio, e no terceiro domingo.

2 “Independente e autónomo” apenas por deixar de ser designa- do como suplemento do Missionário Católico, embora esta indica- ção se tenha ainda mantido, diluída em caracteres reduzidos e fora do enquadramento do título, nos n. os 21 e 22.

3 Tendo escrito a cerca de vinte armistas dos mais activos nos primeiros anos da ARM, ou às suas famílias, no caso dos já faleci- dos, apenas uma resposta foi obtida dizendo que não possuía ne- nhum daqueles números do Boletim. 4 Somente a partir de 1980; as anteriores, se existem, não as encontrei.

ao mesmo tempo que se olha a crise de 1974/1975

com as subsequentes cessação de actividades até 1978

e suspensão da publicação do Boletim até 1993, as-

sim como a celebração do cinquentenário em 1994. A seguir tratam-se aspectos como: os órgãos sociais da ARM, com relevo para alguns nomes; as Assembleias Gerais anuais e os encontros regionais; o Boletim; as revistas Missionário Católico e Boa Nova como ór- gão informativo da ARM; as delegações; a assistên- cia social aos associados e a solidariedade com os missionários; a publicidade no Boletim; e, finalmen- te, a bandeira e o hino da ARM.

1. AS ORIGENS (1944-1960)

AAssociação Regina Mundi (ARM) nasceu for- malmente em 2 de Outubro de 1960, no Seminário de Cucujães. Os antigos alunos dos seminários da Sociedade Missionária aí presentes – em “mais uma

reunião” e, “desta vez”, no referido seminário 5 –, aprovaram por aclamação o projecto de Estatutos

e os nomes propostos para a Direcção. Mas a ideia

já vinha de longe e as reuniões sucediam-se, ora num seminário, ora noutro, entre Tomar, Cernache do Bonjardim, Cucujães e mesmo outros locais. Umas espontâneas e esporádicas, outras mais com- binadas. A primeira dessas reuniões – considerada mais tarde a reunião fundadora da ARM – realizou-se em Maio de 1944, na Quinta da Penha Longa, em Sintra, e juntou um punhado de antigos alunos e professores da Sociedade Missionária – “os 15 magníficos”, como lhes chamou José Nereu San- tos 6 . Sonhavam com uma associação que congre- gasse à volta da Sociedade Missionária os seus an- tigos alunos. O citado José Nereu Santos e o Dr. António Delgado da Fonseca é que tomaram a ini- ciativa 7 .

5 José Maria Alves, Confraternizando, Suplemento n.º 1 do Missionário Católico para os membros da Associação Regina Mundi, Mar 1961, pp. 3-4. Suplemento que sempre será designado como Boletim (Bol 1), embora só com o n.º 20 tenha tomado formalmente este nome e título (já utilizado anteriormente, por exemplo no n.º 14, p. 3).

6 José Nereu Santos, O meu Postal, Bol 52 (2.ª Série), Jan/Fev 1994, p. 3.

7 Boa Nova, Jun/Jul 1991, p. 33, Feliz por ter sido um dos fun- dadores da ARM (entrevista conduzida pelo Pe. João Avelino).

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“Os 15 magnificos” (aqui só 14, o 15º foi o fotógrafo): Adriano Mateus de Oliveira, P.e José Oreiro Soares Pacheco, Francisco Ribeiro da Cos- ta Terezo, Joaquim Alves Mateus, Dr. Artur Cotrim da Silva Garcez, Dr. António Delgado da Fonseca, P.e Jai- me Afonso Boavida, P.e Cesário Pe- reira da Silva, P.e Luís do Nascimen- to Silveira, Manuel Cândido Basso, Dr. José Nereu Santos, P.e Wenceslau Gonçalo de Almeida Gil, Henrique Lopes Ramos, Dr. José Custódio dos Santos e Arq. António Nunes e Silva Campino. (À fotografia publicada na BN de Jun/Jul 1991, p. 33, preferiu-se esta (cedida por Manuel Cândido Basso) por apresentar melhor qualidade.)

por Manuel Cândido Basso) por apresentar melhor qualidade.) Mais uma reunião documentada realizou-se no Seminário de

Mais uma reunião documentada realizou-se no Seminário de Cucujães, em 8 de Outubro de 1950. Aí confraternizaram antigos alunos dos seminári- os de Tomar, Cernache do Bonjardim e Cucujães 8 .

Antigos alunos reunidos em Cucujães (1950).
Antigos alunos reunidos
em Cucujães (1950).

Outros encontros se foram realizando, como já se disse, e no espírito dos antigos alunos iam ama- durecendo, paulatinamente, a ideia da associação, sua natureza e seus fins. Em 1 de Outubro de 1958, em mais uma reunião realizada no Seminário de Tomar, foi fundada e iniciada com 1 000$00 a “Bol- sa da Vocação Missionária”, que em Abril de 1962 já atingia a importância de 9 416$50 9 e 14 412$00 em Maio de 1963 10 .

8 Lapin du Pré, ARM – Associação Rainha do Mundo, Boletim da ARM, Edição Especial, s/d (Maio de 1986 ?), p. 4.

9 Bol 4, Ago 1962, p. 4. 10 Bol 5, Mai 1963, p. 6.

2. A ARM SEGUNDO OS ESTATUTOS

Os Estatutos da ARM foram elaborados e apro- vados pelos armistas mais atentos e activos em re-

lação aos objectivos da Associação. Traduzem, portanto, o seu pensar e o agir que para ela deseja- vam com vista aos fins pretendidos. Com as nuances de cada época, com o aperfeiçoamento resultante da experiência e da caminhada feitas, e sempre com

o afecto de quem define uma causa e a abraça para

a levar à prática. Após a análise sumária de cada reformulação dos Estatutos, na qual se procura ver as diferenças introduzidas, apresenta-se um quadro-resumo de al- guns aspectos considerados mais operacionais, tor- nando-se assim mais clara, por comparação, a evo- lução e a visão de conjunto.

2.1. Os Estatutos de 1960

Aprovados em 2 de Outubro de 1960, os Esta- tutos definiam como objectivos da ARM:

a) Congregar em redor da Sociedade Missio- nária todos os seus antigos alunos, fomen- tando e estreitando os laços de amizade, com o fim de se ajudarem espiritual, moral e so- cialmente.

b) Proporcionar aos antigos alunos todos os be- nefícios espirituais resultantes da sua união com a Sociedade Missionária, pela partici-

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Parte II – ARM: 60 Anos de Vida

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pação nas orações, missas, sufrágios, tra- balhos e boas obras da Sociedade.

aprovados novos Estatutos, com assinaláveis dife- renças.

alunos dos Seminários da Sociedade e não têm di-

c)

Fomentar o espírito missionário e despertar a consciência da união dos associados en- tre si e com a Sociedade Missionária. 11

Há sócios ordinários, que são todos os antigos

reitos nem deveres; e sócios efectivos, todos os que estejam inscritos na ARM de acordo com os Esta-

O

único órgão dirigente da Associação era a Di-

tutos e são senhores de direitos e deveres que lhes

recção, constituída por um presidente, um secretá- rio e um tesoureiro, “escolhidos anualmente entre

os associados no pleno gozo dos seus direitos”, isto é, inscritos e com as quotas em dia. A quota míni-

permitem participar activamente na vida da Asso- ciação. Os órgãos sociais são agora, além da Direcção, a Assembleia Geral e as Delegações.

ma era de 5$00 mensais (60$00 por ano), paga se-

A

Mesa da Assembleia Geral é composta de um

mestral ou anualmente. Constituíam a Associação todos os antigos alu- nos dos Seminários de Tomar, Cernache do

presidente e dois secretários, que são simultanea- mente os vogais da Direcção, todos eleitos anual- mente.

Bonjardim e Cucujães, mesmo que a frequência se

A

Direcção compõe-se de cinco membros: pre-

tivesse verificado antes da fundação da Sociedade Missionária, em Outubro de 1930. Era definida uma reunião geral anual, na qual eram fixados o local e a data da seguinte. Também eram previstas reuniões de carácter regional, as-

sidente, secretário com funções de vice-presiden- te, tesoureiro e dois vogais, que são também, como se disse, secretários da Mesa da Assembleia Geral, todos eleitos anualmente. As Delegações serão criadas pela Direcção “nos

sim como a momeação de Delegados Regionais. Nestas reuniões, era celebrada “a santa Missa por intenção dos associados, e em sufrágio dos superi- ores e condiscípulos falecidos”. Na reunião anual,

distritos do Continente e Ultramar” e a sua institui- ção será publicada no Boletim da ARM, sendo os Delegados designados pela Direcção. Compete às Delegações:

a Direcção apresentaria um breve relatório das ac- tividades do ano.

a) Auxiliar a Direcção a realizar os fins da As- sociação;

Metade do valor das quotas era destinada a Bolsas de estudo; os outros 50% constituíam um “fundo de assistência aos sócios”.

b) Promover e dirigir as reuniões da respecti- va região;

c) Actuar junto dos associados da sua região,

O

Superior-Geral da Sociedade Missionária é o

contribuindo para a sua maior aproximação

Presidente de honra da Associação e haverá um sa- cerdote Assistente da ARM designado por aquele.

e interesse pelos objectivos da Associação 12 .

O órgão da Associação é a revista Missionário

Católico, antecessor da actual Boa Nova, “distri- buído a todos os associados no pleno gozo dos seus direitos”. Mas a Direcção promoverá a publicação de um suplemento do Missionário Católico para os associados. Eram protectores da ARM os padroeiros da Soci- edade Missionária: Nossa Senhora da Conceição, S. Francisco Xavier e o Beato Nuno de Santa Maria.

2.2. Os Estatutos de 1964

Na Assembleia Geral de 1964, realizada em 4 de Outubro, em Cernache do Bonjardim, foram

Ser-lhes-ão facultados (pela Direcção?) os mei-

os financeiros necessários à prossecução dos seus fins.

A sede da Associação Regina Mundi é na Casa-

Mãe da Sociedade Missionária (nesta altura na Rua Bernardo Lima, 33, em Lisboa).

O órgão de informação dentro da ARM conti- nua a ser designado como “suplemento do Missio- nário Católico”.

A duração do mandato dos órgãos sociais con-

tinuou a ser de um ano, mas, na Assembleia Geral de 1966, o Presidente cessante propôs que a elei- ção se fizesse “por dois anos”, o que obrigaria a

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A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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alterar os novos Estatutos 13 . Essa alteração veio a ser decidida, muito pro- vavelmente, pela AG de 8 de Dezembro de 1967, realizada em Valadares 14 .

2.3. A crise de 1974-1975 e a paralisação até 1978

Com a revolução do 25 de Abril, chegou a crise ao seio da ARM. Eleitos em Outubro de 1973, na Assembleia Geral de Cucujães, para o biénio de 1974-1975, estavam à frente da Direcção armistas das gerações mais jovens. E do choque de ideias e mentalidades com membros da geração mais velha, alguns deles membros fundadores e muito activos desde a pri- meira hora, resultaram dificuldades que não foram

ultrapassadas. Os n. os 51 e 52 do Boletim, mais tar- de considerados ilegítimos juntamente com o n.º 50 15 , são disso espelho. Títulos de textos como os seguintes: O essencial e o acessório, Pátria Futu- ra, Primeiro a Justiça, As escolas comunitárias e a aprendizagem da Democracia (do n.º 51) e Hora decisiva – ARM em causa, Ser ou não apenas da

cor

Cristãos e marxistas face à revolução – Diá-

, logo e cooperação são possíveis, A propósito do último número – Apoliticismo, apartidarismo,

anticomunismo

(do n.º 52), dão bem a imagem

do tipo de confronto ideológico vivido na ARM. Com a Direcção demissionária, a Assembleia Geral convocada para 16 de Março de 1975, no Seminário de Cernache do Bonjardim, nada resol- veu 16 . As actividades cessaram quase totalmente e o Boletim deixou de se publicar.

13 Relatório da Direcção (1966), 7.º – Nova Direcção, Bol 14, 4.º Trim 1996, p. 4.

14 Bol 19, Fev 1968, p. 4, A nossa reunião geral.

15 Com efeito, quando, em 1993, foi retomada a publicação do Boletim da ARM, as edições com os n. os 50, 51 e 52 foram conside- radas inexistentes e estes números voltaram a ser atribuídos (ver à frente, em 5. O Boletim da ARM). Para distinguir estas três edições do Boletim, serão designados como da 1.ª série os n. os de 1974 e 1975 e como da 2.ª série os n. os de 1993 e 1994.

16 Da Ordem do dia constavam assuntos candentes como: Dis- cussão de propostas e sugestões a apresentar pelos sócios acerca da organização e papel da ARM no contexto sócio-político actual (ponto 2.º); Manutenção e orientação do Boletim (ponto 4.º); Elei- ção de novos elementos para ocuparem vagas ocasionadas pela demissão dos membros da direcção (ponto 5.º), in Bol 52 (1.ª Sé- rie), Jan/Fev 1975, p. 1.

2.4. Os Estatutos de 1981

Paralisada desde 1974-1975, a ARM renasceu em 1978, em reunião geral que teve lugar em Cernache do Bomjardim, em 30 de Abril, tendo sido constítuida uma Comissão Directiva provisória. Em 20 de Maio do ano seguinte, no mesmo Seminário de Cernache, realizou-se novo encontro de carác- ter nacional e a Comissão Administrativa então designada teve por missão gerir os destinos da As- sociação até à eleição de novos corpos gerentes 17 . Para isso, e sob a orientação do Dr. José Maria Ri- beiro Novo, iniciou-se a revisão dos Estatutos (de 1964), os quais, apresentados na AG de 18 de Maio de 1980, no Seminário de Valadares, foram discu- tidos e aprovados. Em 24 de Maio de 1981, na Assembleia Geral realizada no Seminário de To- mar, depois de definida a redacção final e por ex- presso desejo da Comissão Administrativa, eles foram finalmente ratificados por aclamação e fo- ram eleitos os novos corpos sociais, repondo-se a normalidade na vida da Associação 18 . Segundo os novos Estatutos, o objectivo geral da ARM, agora chamada Associação Rainha do Mundo, continuou a ser o mesmo: unir em redor da Sociedade Missionária os Associados, aumen- tando e estreitando os laços de amizade entre eles, com o fim de mutuamente se auxiliarem no campo social, missionário e cultural 19 . Há, porém, maior clareza e objectividade quando são definidos “ob- jectivos de ordem social e missionária” e “objecti- vos de ordem cultural”, sendo estes uma novidade. São objectivos de ordem social e missionária os seguintes:

a) Auxiliar materialmente os seminários da Sociedade Missionária com subsídios per- manentes ou eventuais, designadamente Bolsas de Estudo;

b) Criar e desenvolver formas de assistência e previdência entre os associados com prefe- rência para os que exerçam funções sacer- dotais e missionárias;

17 Ver à frente a constituição destas duas Comissões (3. Os Ór- gãos Sociais, anos 1978-1979 e 1979-1980).

18 A Associação “Rainha do Mundo” (ARM) dos antigos alu- nos da Sociedade Missionária está viva e esperançosa!, Boa Nova, Julho 1981, p. 9.

19 Estatutos de 1981, Art.º 3.º.

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c) Prestar todo o apoio possível, de natureza moral, económica e profissional aos associ- ados carecidos;

d) Organizar concentrações a nível nacional ou regional, com vista a aumentar a amizade e convivência entre todos os associados e suas famílias;

e) Promover sufrágios anuais pelos sócios fa- lecidos 20 .

Os de ordem cultural são estes:

a) Organizar, a nível nacional ou local, confe- rências, palestras, seminários, mesas redon- das, sobre temas de interesse sócio-cultural em todos os campos da vida actual;

b) Colaborar na publicação e expansão de jor- nais e revistas de feição doutrinária e cultu- ral, nomeadamente os que forem editados pela Sociedade Missionária;

c) Desenvolver outras actividades de carácter sócio-cultural no campo artístico e recrea- tivo em conjunto com a Sociedade Missio- nária 21 .

Os sócios são efectivos: “todos os antigos alu-

nos, sacerdotes ou não, que frequentaram qualquer seminário da Sociedade Missionária Portuguesa”;

e honorários: as pessoas singulares ou colectivas

que, por motivo de amizade ou serviços relevantes prestados à ARM, “venham a merecer essa distin-

ção”. A Sociedade Missionária é o primeiro sócio honorário.

Os órgãos dirigentes são a Assembleia Geral, que reúne ordinariamente uma vez por ano, com- pondo-se a sua mesa de um presidente, um vice- presidente e dois secretários, eleitos trienalmente,

e a Direcção, formada por um presidente e um vice-

presidente, também eleitos por três anos, os quais escolhem um secretário, um tesoureiro e dois vo- gais. Não há conselho fiscal. Poderão constituir-se Delegações “em qualquer parte, desde que o substrato social o justifique”. No período de Março de 1974/Janeiro de 1975

a Setembro de 1993 não houve publicação do Bo-

20 Idem, Art.º 3.º, § 1.

21 Idem, Art.º 3.º, § 2.

letim e os Estatutos não lhe fazem referência; por isso os sócios deviam “assinar a revista Boa Nova aproveitada como veículo noticioso da Associa- ção” 22 . De facto, no período de 1978 a 1993, em que já havia um órgão directivo mas não se publi- cava o Boletim, a Boa Nova desempenhou a fun-

ção importante de fazer a relação entre a Direcção

e os associados. 23 AARM continuou a ter a sua sede na Casa Cen- tral da Sociedade Missionária (então na Rua Bernardo Lima, 33, em Lisboa), e o Superior-Ge-

ral continuou a nomear um Assistente Missionário que, junto da Direcção, assegurará a ligação entre

a ARM e a Sociedade e “deverá ser ouvido em to- das as iniciativas de carácter eclesial” 24 .

2.5. Os Estatutos de 1994 e a constituição legal da ARM; a celebração dos 50 anos e outras iniciativas

Eleita em Fátima, em 16 de Maio de 1993, a Direcção presidida por Santos Ponciano levou a cabo um conjunto de iniciativas muito importan- tes. A primeira e mais decisiva foi a retoma da pu- blicação do Boletim da ARM, logo em Setembro de 1993 (interrompida, como sabemos, desde Mar- ço de 1974 / Janeiro de 1975), tentando que a sua edição fosse bimestral (objectivo conseguido du- rante alguns meses) e tivesse uma tiragem de 500 exemplares. E apelando à colaboração de todos, com textos e nos custos 25 . A reconstituição 26 das delegações de Bragança, Castelo Branco e Coimbra foi um esforço que se prolongou por vários e longos meses. Assim, em 18 de Abril de 1994, foi fundada a delegação de Castelo Branco 27 ; em 1 de Maio do mesmo ano, em Pinelo, a de Bragança 28 ; e em 28 de Setembro de 1996, a de Coimbra 29 .

22 Idem, Art.º 7.º, alínea e).

23 Ver 6. O Missionário Católico e a Boa Nova como órgão infor- mativo da ARM, nesta Parte II.

24 Estatutos de 1981, Art.º 20.º, § 2.

25 Hibernou, Santos Ponciano, Bol 50 (2.ª Série), Set/Out 1993, p. 5.

26 Reconstituição porque, como veremos à frente (7. As Delega- ções), já em 1963 havia sido criada a delegação de Coimbra e, em 1965, a de Castelo Branco.

27 Castelo Branco já é Delegação, Bol 53, Mar/Abr 1994, pp. 8 e 2.

28 Bragança, a 3.ª Delegação a seguir a Porto e Castelo Branco, Bol 54, Mai/Ago 1994, pp. 8 e 5.

29 Coimbra já é Delegação, Bol 61, Jul/Set 1996, p. 3.

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 56

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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A iniciativa mais profunda consistiu, porém,

indubitavelmente, num conjunto de acções intima- mente ligadas: a legalização formal da Associação, a revisão e aprovação de novos Estatutos e a cele- bração dos 50 anos da fundação da ARM.

O Estatutos (de 1994) foram aprovados na

Assembleia Geral de 15 de Maio, realizada no Semi- nário de Cernache do Bonjardim. Embora houvesse necessidade de serem revistos por motivo de altera- ção do Código Civil e das Sociedades, eles nada apre- sentam de novo, antes consolidam a doutrina e a prá- tica anteriores 30 . Reconhecem que a ARM “existe de facto desde mil novecentos e quarenta e quatro” 31 e registam que ela “é uma associação sem fins lucrati- vos, legalmente constituída em catorze de Maio de mil novecentos e noventa e quatro” 32 . A escritura da sua constituição foi publicada no Diário da República n.º 139, de 18/06/94, III Série, p. 10280-(4). AARM tem a sua sede social na Casa Central da Sociedade Missionária Portuguesa, na Rua da Bempostinha, 30, 1150-066 Lisboa, e é ti-

na Rua da Bempostinha, 30, 1150-066 Lisboa, e é ti- 3 0 Ver, em 2.6., o

30 Ver, em 2.6., o quadro-resumo comparativo das várias formu- lações dos Estatutos.

31 Estatutos de 1994, Art.º 1.º.

32 Ibidem.

tular do NIPC n.º 503 268 372. Este processo foi conduzido pelo Dr. Ramiro Farinha Martins e iniciou-se em 20 de Setembro de 1993, no Registo Nacional de Pessoas Colecti- vas, com a apresentação do pedido de certificado de admissibilidade da ARM – Associação Rainha do Mundo dos Antigos Alunos da Sociedade Missionária Portuguesa, tendo terminado na refe- rida data (14 de Maio de 1994), com a assinatura de escritura pública de constituição da ARM, na Casa Central da Sociedade Missionária (Rua da Bempostinha, 30, em Lisboa), perante o notário do 6.º Cartório Notarial de Lisboa. Foram outorgantes os seguintes armistas: António Moutinha Rodri- gues, Domingos João Raposo de Quina, João Fran- cisco de Jesus, José Domingues dos Santos Pon- ciano, José Francisco Rodrigues, José Nereu San- tos, Ramiro Farinha Martins, Viriato Augusto Fernandes de Matos e Vítor Manuel Silva Borges. Quanto ao cinquentenário da fundação da ARM, ele desempenhou um papel relevante na motiva- ção, mobilização e dinamização das hostes armistas. A Direcção aproveitou exemplarmente essa circuns- tância e esse evento e preparou com entusiasmo a sua celebração, provocando reflexão e discussão sobre o futuro da ARM, nos encontros regionais de Valadares, Lisboa, Castelo Branco e Bragança e na Assembleia Geral de 15 de Maio de 1994, em Cernache do Bonjardim. As celebrações tiveram lugar nessa Assembleia Geral de Cernache do Bonjardim; continuaram nos dias 15 e 16 de Outubro do mesmo ano, no Semi- nário de Valadares, em encontro a que se chamou “Primeiras Jornadas Nacionais da ARM” 33 ; e fo- ram encerradas na Assembleia Geral de 21 de Maio de 1995, em Cucujães. Para assinalar a efeméride, foi cunhada em bron- ze uma medalha comemorativa, da qual foram fei- tos 500 exemplares 34 .

33 Do programa constava o tratamento dos seguintes temas: ARM – Da sua fundação até 1974, pelo Dr. José Francisco Rodrigues; ARM – De 1974 ao presente, por Moutinha Rodrigues; A Sociedade Missionária e a ARM, pelo Pe. Viriato Matos; e Desafio da Igreja ao Leigo, pelo Pe. António Couto. Houve ainda uma exposição de foto- grafias e projecção de filmes vídeo de imagens de encontros da ARM. 34 Em 25 de Novembro de 1994, no encontro regional de Lis- boa, foram agraciados com esta medalha comemorativa do cinquentenário da ARM “todos os presidentes da Direcção desde a sua fundação em 1944” (Bol 55, Out 1994 / Mar 1995, p. 3).

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Parte II – ARM: 60 Anos de Vida

57 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida
57 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida Grupo dos participantes nas “Primeiras Jornadas Nacionais

Grupo dos participantes nas “Primeiras Jornadas Nacionais da ARM”, em Valadares, em Outubro de 1994.

Em Maio de 1995, aproveitando o dinamismo prevalecente e como que coroando este esforço assinalável de renovação, a mesma Direcção pu- blicou a brochura NIHIMO 35 , dividida em duas partes: a primeira contém uma relação, organizada por anos de entrada, de todos os alunos que fre-

organizada por anos de entrada, de todos os alunos que fre- 3 5 Nihimo , como

35 Nihimo, como se explica na própria brochura, é palavra da língua Macua (Moçambique) e significa família alargada; grupo de indivíduos que têm a mesma origem.

quentaram os seminários da Sociedade Missionária, desde 1922 a 1994; na segunda indicam-se os no- mes, endereços, números de telefone e profissão dos armistas constantes, nessa altura, da base de dados da Direcção.

mes, endereços, números de telefone e profissão dos armistas constantes, nessa altura, da base de dados
A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 58

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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2.6. Quadro-resumo dos Estatutos

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Parte II – ARM: 60 Anos de Vida

59 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida

* O mandato passou a bienal por decisão da AG de 8 de Dezembro de 1967, realizada em Valadares (cf Bol 19, Fev 1968, p. 4, A nossa reunião geral).

ANEXO 1 – Cópia dos primeiros Estatutos (de 1960)

). ANEXO 1 – Cópia dos primeiros Estatutos (de 1960) ANEXO 2 – Cópia dos Estatutos
). ANEXO 1 – Cópia dos primeiros Estatutos (de 1960) ANEXO 2 – Cópia dos Estatutos

ANEXO 2 – Cópia dos Estatutos actualmente em vigor (de 1994)

). ANEXO 1 – Cópia dos primeiros Estatutos (de 1960) ANEXO 2 – Cópia dos Estatutos
). ANEXO 1 – Cópia dos primeiros Estatutos (de 1960) ANEXO 2 – Cópia dos Estatutos
A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 60

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 60
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Parte II – ARM: 60 Anos de Vida

61 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida
61 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida
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61 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida
61 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida
61 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida
61 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida
A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 62

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 62 3. OS ÓRGÃOS
A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 62 3. OS ÓRGÃOS

3. OS ÓRGÃOS SOCIAIS

Os órgãos directivos de uma associação são a seiva que dá vida a esse agrupamento de pessoas, são a alma dessa associação. Sem órgãos sociais, nomeadamente sem direcção, não pode haver vida nem dinamismos e não se atingem os objectivos para que nasceu a associação. Dizer os nomes das pessoas que estiveram à frente desses órgãos é quase mostrar os seus ros- tos; inscrevê-los numa relação organizada por anos de mandato é, acima de tudo, prestar tributo a es- ses armistas que sustentaram, animaram e orienta- ram a vida da ARM, sobretudo nos momentos mais críticos, como foi o arranque inicial, em 1960, o enfrentar e suplantar, em 1978, a crise e a paralisa-

ção abertas em 1974/1975, a retoma da publicação do boletim, em 1993. Estamos, portanto, a fazer memória e a home- nagear. E há nomes que, por se repetirem muitas vezes e pela qualidade da sua acção, merecem ser

assinalados pois muito serviram. Por exemplo: Dr. António José Paisana (1921-1982), Dr. José Fran- cisco Rodrigues (1915-2003), Dr. José Nereu San- tos (1917-2003), António Moutinha Rodrigues

(1938-

), José Domingues Santos Ponciano

(1957-

), em Lisboa; no Porto: Dr. Albino San-

tos (1910-1995), José Soares Pacheco ( ? -1993),

Mário Coelho Veiga (o célebre Lapin du Pré) (1927-

- ), Joaquim Alves Pereira (1936-

).

Lapin du Pré) (1927- - ), Joaquim Alves Pereira (1936- ). Dr. António José Paisana Dr.

Dr. António José Paisana

Joaquim Alves Pereira (1936- ). Dr. António José Paisana Dr. José Nereu Santos Dr. José Francisco

Dr. José Nereu Santos

(1936- ). Dr. António José Paisana Dr. José Nereu Santos Dr. José Francisco Rodrigues Dr. Albino

Dr. José Francisco Rodrigues

). Dr. António José Paisana Dr. José Nereu Santos Dr. José Francisco Rodrigues Dr. Albino Santos

Dr. Albino Santos

). Dr. António José Paisana Dr. José Nereu Santos Dr. José Francisco Rodrigues Dr. Albino Santos

José Soares Pacheco

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Parte II – ARM: 60 Anos de Vida

63 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida
63 Parte II – ARM: 60 Anos de Vida A . M o u t i

A. Moutinha Rodrigues

A . M o u t i n h a R o d r i g

Santos Ponciano

Indirectamente, entremostra-se também a con- cepção prevalecente em cada época acerca da im- portância, necessidade e inter-relação dos diversos órgãos sociais e a evolução e aperfeiçoamento ha- vidos ao longo de mais de trinta anos (de 1960 a 1994). Assim, em 1960 bastava haver direcção, mas em 1964 acrescentou-se-lhe a assembleia geral e as delegações. Estas deixaram, muito justamente, de ser órgão social a partir de 1981; e o conselho fiscal só apareceu em 1994. Fica também a saber-se a duração dos manda- tos: um ano de 1960 a 1967, dois anos de 1968 a 1981, três anos a partir de 1981. Registam-se ainda os nomes do Superior-Geral da SM e do assistente da ARM por ele nomeado. Quando não se indicam nomes, ou outros da- dos, é porque se desconhecem. Isso deve-se ao facto de, como já está dito, não se terem encontrado al- guns exemplares do Boletim correspondentes a es- ses períodos – alguns meses dos anos de 1963, 1964, 1965, 1966 e 1967 36 .

Órgãos Sociais

1961 – Eleição em 2 de Outubro de 1960, em

Cucujães (Bol 1, Mar 1961).

Direcção:

Presidente – Dr. José Francisco Rodrigues Secretário – Dr. José Maria Alves Tesoureiro – Manuel Farinha Nogueira Superior-Geral – Pe. Manuel Fernandes Assistente – Pe. Manuel Trindade

36 Veja-se o quadro de 5. O Boletim da ARM, nesta Parte II.

Veja-se o quadro de 5. O Boletim da ARM , nesta Parte II. Mário Veiga Joaquim

Mário Veiga

de 5. O Boletim da ARM , nesta Parte II. Mário Veiga Joaquim Alves Pereira 1962

Joaquim Alves Pereira

1962 – Eleição em 1 de Outubro de 1961, em Cernache do Bonjardim. (Bol 3, Fev 1962, p. 2)

Direcção:

Presidente – Dr. José Francisco Rodrigues Secretário – Dr. José Maria Alves Tesoureiro – José Nereu Santos Superior-Geral – Pe. Manuel Fernandes Assistente – Pe. Manuel Trindade

1963 – Eleição em 30 de Setembro de 1962, em

Tomar (Bol 5, Mai 1963, p. 4).

Direcção:

Presidente – Dr. António José Paisana Secretário – Dr. Manuel José Guerra Tesoureiro – António da Costa Salvado Superior-Geral – Pe. Manuel Fernandes Assistente – Pe. Luís Gonçalves Monteiro

1964

?

1965

– Eleição em 4 de Outubro de 1964, em Cernache do Bonjardim.

(Bol 9, 1.º e 2.º Trim 1965, p. 6)

Mesa da AG:

Presidente – Dr. José Francisco Rodrigues Secretários – António Moutinho Rodrigues José Carlos Pires dos Santos

Direcção:

Presidente – Dr. José Roque Abrantes Prata Sec./Vice-Pres. – Miguel Pires Patrício Tesoureiro – António Ribeiro Coelho Vogais – António Moutinho Rodrigues José Carlos Pires dos Santos Superior-Geral – Pe. Manuel Fernandes Assistente – Pe. Luís Gonçalves Monteiro (?)

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória 64

A ARM nos 75 anos da S M B N / Memória

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1966 – Eleição em ? Mesa da AG:

Presidente Secretários Direcção:

Presidente – Secretários – Direcção:

?

?

Presidente – Dr. José Roque Abrantes Prata

Sec./Vice-Pres.

Tesoureiro – António Ribeiro Coelho

Vogais

?

?

Superior-Geral – Pe. Manuel Fernandes Assistente – Pe. Albano Mendes Pedro (Bol 13, p. 4)

1967-1968 – Eleição em 25 de Setembro de 1966, em Cucujães, com prorrogação por mais um ano, em virtude de alteração dos Estatutos

em AG de 8 Dez 1967. (Bol 14, 4.º Trim 1966, p. 2)

Mesa da AG:

Presidente – Dr. Albino Santos Secretários Direcção:

Presidente – José Soares Pacheco Sec./V.-Pres. – José Nunes Chamusca Tesoureiro – Lucas Borges da Cunha Vogais – Sebastião Dias Lobo Superior-Geral – Pe. Manuel Fernandes Assistente – Pe. João Avelino (Bol 23, Fev 1969, p. 2)

?

1968-1969 – Eleição em

?

(Bol 19, Fev 1968, p. 2)

Mesa da AG:

Presidente – Dr. Albino Santos Secretários – José Nereu Santos José Nunes Chamusca

Direcção:

Presidente – Joaquim Alves Pereira V.-Pres. – Silvério Augusto Mota Secretário – Francisco Costa Afonso Tesoureiro – Abílio Sousa Baldaia Vogais – Jorge Manuel Teixeira Fernandes Abel Pinho da Silva (assumiu o cargo de

tesoureiro após a morte do seu titular, ocorrida em 15 Fev 1968 – Bol 20, p. 4).

Superior-Geral – Pe. Manuel Fernandes / Pe. Alfredo Alves Assistente – Pe. João Avelino / Pe. Manuel

Trindade (Bol 23, Fev. 69, p. 2)

1970-1971 – Eleição em 8 de Junho de 1969, em Cernache do Bonjardim.

(Bol 26, Ago 1969, p. 1)