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Historia de Mato Grosso

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1.0 - PERÍODO COLONIAL (1532 – 1822)1.0 - PERÍODO COLONIAL (1532 – 1822) 1.1.0 – Ocupação de Mato Grosso1.1.0 – Ocupação de Mato Grosso Diversos fatores levaram a ocupação da região do Mato Grosso, dentre elas podemos destacar: - Expedições Bandeirantes - Pecuária - Tratado de Madri (1750) 1.1.1 – Expedições Bandeirantes1.1.1 – Expedições Bandeirantes
(Óleo de Ettore Marangoni / Acervo do Museu Histórico Sorocabano)

ram a organizar expedições para encontrar no sertão brasileiro recursos para serem convergidos para suas vilas. Tais expedições bandeirantes são classificadas conforme seus objetivos, são elas: Caça ao Índio : o objetivo destas expedições era caçar os nativos com o fim de vendê-los como mão-deobra escrava. Tal atividade comercial era lucrativa devido a grande necessidade de escravos na colônia e o baixo preço dos escravos nativos em relação aos escravos negros. Exemplos: - 1718 – Antônio Pires de Campos - 1719 – Pascoal Moreira Cabral Mineração : o objetivo destas expedições era a exploração de ouro e pedras preciosas os quais seriam vendidos a Metrópole conforme ordenava o pacto-colonial. Exemplos: - 1719 – Pascoal Moreira Cabral - 1719 – Irmãos Antunes Maciel Monções : o objetivo destas expedições era praticar o comercio nas regiões mineradoras utilizando os rios, onde normalmente as Cia´s de Comércio não chegavam. De certa forma foram as mais lucrativas pois trocavam seus produtos principalmente por ouro.

Bandeira de Pascoal Moreira Cabral e André Zunega, partindo para o Mato Grosso

Exemplo: - 1722 – Miguel Sutil Sertanismo de Contrato : estas eram expedições tidas como mercenárias, pois os recursos advindos dela vinham principalmente da destruição de quilombos, da busca de escravos fugidos, da proteção de fazendas entre outros. Exemplo: - Domingos Jorge Velho
www.historiadobrasil.net/.../bandeirantes.jpg

Diversas expedições foram organizadas no período colonial, dentre elas as mais importantes foram as Entrada e as Bandeiras, vejamos as principais características destas expedições:

1.1.2 – Tipos de Bandeira1.1.2 – Tipos de Bandeira

Site: www.lyceepasteur-ceb-ccslf.com.br/Pedag/Primaire/BCD/bresil/histoire.htm

No Período Colonial (1532-1822) a região de São Paulo de Piratininga era um dos locais mais pobres do Brasil, por este e outros motivos, os paulistas começaCurso Preparatório para: Agente/Assistênte Prisional

Domingos Jorge Velho

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TEXTO COMPLEMENTAR

cando dos nossos 5 mortos e 14 teridos, e tão maltratados que foram conduzidos em redes para o nosso arraial. Com este infeliz successo, o cabo da tropa, Paschoal Moreira Cabral, estranhando nesta occasido o revez da fortuna contra o valor da sua disciplina sempre triumphante em outras occasiões, não quiz continuar com os exames para maior descobrimento, contentando-se por aquella occasião com as tres oitavas de ouro da primeira amostra. “Do arraial, onde tinha postado a tropa, aviou para S. Paulo a Antonio Antunes Maciel, dando por elle conta com a dita amostra ao general Conde de Assumar, assegurando-lhe que estava a fazer rigoroso exame para descobrir minas de ouro. “Assim o fez já depois da partida de Maciel, e não só achou ouro com abundancia na passagem do primeiro descobrimento, mas tambem em todo a rio Cuxipó. “Foi Antonio Antunes Maciel recebido com alvoroço de contentamento do general Conde de Assumar, com jubilos de alegria dos moradores de S. Paulo e villas da sua comarca, pelas quaes se derramou logo a noticia de sua chegada e da nova descoberta do ouro. Sem demora, o general applicou os meios para o regresso de Maciel, porque escreveu ao cabo Paschoal Moreira Cabral remettendo-lhe a provisão de guarda-mor para a partilha das terras mineraes, na forma do regulamento delles. Porém, quando chegou Maciel já as minas estavam descobertas e dando ouro com muita abundancia: concorreu logo muita gente para as novas minas pela navegação dos rios Pardo e Tieté. “Vendo os moradores das novas minas que já formavam um numeroso concurso em ararial dilatado, trataram de eleger um cabo-maior que os regesse e ordenasse a conquista do gentio barbaro, para melhor explorarem o paiz e poderem tirar ouro sem receio daquelles inimigos que, em repetidos assaltos, mortes e roubos, lhes perturbavam o progresso de sua nova povoação, que não podia permanecer segura. Elegeram de commum accôrdo ao capitão Fernando Dias Falcão, promettendo todos obedecer-lhe nas materias politicas e militares até que tivessem outro governador ou ministro por ordem regia. “Este voluntario accôrdo foi em 1719 e quando ainda no Cuyabá se achavam os dois irmãos Lemes, que supposto ahi chegaram em fins do dito anno, já acharam governando o capitão-mor Fernando Dias Falcão, o qual governou aquellas minas por 5 annos, com os acertos da sua acreditada capacidade, e, chegando a gostosa noticia de que era general da Capitania Rodrigo Cesar de Menezes, se recolheu a S. Paulo na monção do anno de 1723, trazendo o ouro dos reaes quintos. O general Rodrigo Cesar lhe passou patente, a 27 de Abril de 1724, de capitão-mor das ditas minas, para onde voltou com este emprego no mesmo anno.”
(“Notas para historia de Parnahyba”. Pe. Paulo Florência da Silveira Camargo. São Paulo, 4 de Setembro de 1935) Curso Preparatório para: Agente/Assistênte Prisional

PASCHOAL MOREIRA CABRAL “Governando a Capitania de S. Paulo o general della, D. Pedro de Almeida, Conde de Assumar, pelos annos de 1718 (em outros lugares se diz 1719) , fez uma entrada no sertão de Cuybá Paschoal Moreira Cabral, nascido na cidade de S. Paulo, das principaes familias della, como filhos do capitão Pedro Alvares Moreira Cabral e de sua mulher D. Sebastiana Fernandes, filha do capitão-mor povoador André Fernandes, primeiro padroeiro e fundador da capella de Santa Anna, depois igreja matriz de Parnahyba. Levando por fieis companheiros do seu valor e disciplina a Antonio Antunes Maciel, Francisco Velho Moreira e outros de igual nobreza e experiencia, com os soldados que compunham o corpo da tropa em numero sufficiente para a intentada conquista do valoroso gentio Aripoconé. Estabeleceram arraial no sitio que ao presente tempo é conhecido com o nome de Arraial Velho e Casa de Telha, distante da villa de Cuyabá 14 dias de viagem. Nelle se embarcou a gente da tropa, subindo o Cuyabá até a barra do Cuxipó mirim; aqui largaram as canoas e penetrando o sertão por terra romperam trilho do gentio Aripoconé, que se encaminhava para as cercanias e cordilheiras de S. Jeronymo. “Seguindo este trilho passou a tropa o rio Cuxipómirim ao pé da barra do Rio do Peixe, onde toparam as rancharias do dito gentio, que ahi havia conseguido uma muito grande pesca, que beneficiavam seccando os peixes ao sol, dos quaes se aproveitou toda a tropa, que por esta fartura o denominaram “Rio do Peixe”. “Deste lugar continuaram a marcha até a barra do rio Botuca, Que tomou este nome de umas moscas grandes assim chamadas, que ferem não só aos homens como os animaes. Nesta paragem, sem os instrumentos de minerar e só com um prato de pau, no espaço de duas horas, se extrahiu tres oitavas de ouro. “Este descobrimento não impediu por então o curso o trilho que lhes facilitava o encontro da empreza. Na madrugada do dia seguinte deram no alojamento do bravo gentio Aripoconé, e nesta avançada ficaram as nossas armas sem o triumpho que esperavamos, porque a força do gentio foi muito desigual ao nosso partido, fi186 - História de Mato Grosso

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1.1.3– A fundação do Arraial da Forquilha1.1.3– A fundação do Arraial da Forquilha Em 1718, Antônio Pires de Campos, filho do famoso bandeirante Manoel Bicudo, atinge o Rio Coxipó, em busca dos índios Coxiponé e vindo logo atrás estava Pascoal Moreira Cabral, também em busca de nativos para escravizar, este veio de forma acidental descobrir ouro nas barrancas do Rio Coxipó, alterando assim os objetivos de sua expedição de apresamento para mineradora. Logo após a sua descoberta a bandeira de Moreira Cabral é atacada pelos índios Aripoconé, auxiliado pela bandeira dos irmãos Antunes, Cabral vence os nativos. (união das Bandeiras). A fundação de um núcleo populacional era necessária, para se garantir a posse do território e a exploração do ouro, para tanto foi lavrada no dia 08 de abril de 1719, a ata de fundação do Arraial da Forquilha, o qual seria o 1º núcleo populacional do Mato Grosso. Após a fundação, a administração do Arraial foi entregue a Pascoal Moreira Cabral (escolhido pela população) Em 1724, a Coroa Portuguesa, não confirma a escolha nomeando Fernando Dias Falcão como Guarda-MorRegente e um dos irmãos Antunes como Superintendente das Minas. Fique esperto: - As Bandeiras de Caça ao Índio também podem aparecer como Apresamento ou Preação, não existem diferenças entre elas. - As Bandeiras Mineradoras também podem aparecer com outro nome, neste caso como Bandeira de Prospecção - Moreira Cabral, não permaneceu no cargo, pois o mesmo não era eletivo e sim de confiança (uma espécie de D.A.S. da época) - A atividade bandeirante e mineradora deu origem aos arraiais de São Gonçalo Velho localizado as margens do Rio Cuiabá e Arraial da Forquilha, as margens do rio Coxipó - Na verdade as etnias conhecidas como: Aripoconé, Beripoconé e Coxiponé, são conhecidos costumeiramente como Bororo 1.1.4 – As Lavras do Sutil1.1.4 – As Lavras do Sutil Em 1722, chega a região o Sorocabano Miguel Sutil, este encontra ouro no Córrego da Prainha, estabelecendo ali uma pequena lavra a qual logo cresce devido o grande deslocamento populacional tanto da Forquilha quanto de outras regiões. Várias monções passam a abastecer a região. O trabalho era executado basicamente por escravos e homens livres. As Minas de Cuiabá atraíram aventureiros de várias regiões, obviamente a maioria destes da capitania de São Vicente. Eram principalmente mineradores, tropeiros e monçoeiros, todos em busca do enriquecimento rápido.
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Fique esperto: - As Lavras do Sutil, atualmente é o Bairro Baú, no centro de Cuiabá, exatamente onde se encontra a Fato Cursos e Concursos - Por ser de aluvião (superfical) as minas esgotaramse rapidamente 1.2 - ADMINISTRAÇÃO COLONIAL Mato Grosso fazia parte da Capitania de São Paulo, a qual no inicio da ocupação de nossa região, era governada por Rodrigo César de Menezes. Com o interesse de fiscalizar de perto todas as atividades mineradoras, Menezes muda-se para Cuiabá, logo após ter eliminado o poder regional (Os Irmãos Leme) Em 1727, Rodrigo César de Menezes eleva Cuiabá a categoria de Vila (Vila Rela do Bom Jesus de Cuyabá) Conseqüências: - aumento de impostos - fiscalização rigorosa A queda da produção aliada ao aumento de impostos e a fiscalização rigorosa fazem com que a população buscasse ouro em outras regiões o que conseqüentemente leva a fundação de outros povoados: - 1724, Lavra dos Cocais è Livramento - 1734/35, Lavras do Rio Galera e Lavras de Santana è Nortelândia - 1746, Nossa Senhora do Bom Parto è Diamantino - 1751, Arraial de Nossa Senhora do Rosário è Rosário Oeste né - 1777, Tanque de Arinos, Lavra de Ana Vaz è Poco-

1.2.1 – Os Irmãos Leme1.2.1 – Os Irmãos Leme Os irmãos João e Lourenço Leme, exerciam grande poder sobre a região mineradora de Cuiabá. Influenciavam na escolha dos representantes locais e eram extremamente respeitados pela população. Esta liderança regional era perigosa, para as intenções de Menezes, pois poderiam causar empecilhos nas ações do governo, junto às minas. Estrategicamente o governador os convida a compor cargos no governo, (provedor e sargento-mor das minas de Cuiabá) estes negaram, dizendo que só aceitariam o posto mais alto, ou seja, o de Guarda-Mor-Regente ocupado por Fernando Dias Falcão. Revoltado Menezes, inicia um processo de perseguição aos Leme, o qual culminou na execução dos dois bem como de todos os seus escravos Fique esperto na prova: - Facínoras para alguns e heróis para outros, não podemos julgar com precisão a situação histórica destes dois personagens, pois se os mesmos foram prejudiciais ao estado, o estado não poderia registrar outra coisa a não ser que estes eram marginais.
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TEXTOS COMPLEMENTARES
A perseguição aos Leme – Parte I “João Leme da Silva e Lourenço Leme da Silva eram filhos de Pedro Leme da Silva, o Torto, e de D. Domingas Gonçalves. Estes dois eram chamados “irmãos Lemes” de complicada questão. Como vimos acima, estavam em Cuyabá, gozavam das boas graças do capitão general Rodrigo Cesar de Menezes, que fizera ficar no esquecimento as maldades dos dois Lemes. Porém, aconteceu que, voltando de Cuyabá, entregaram a Sebastião Fernandes do Rego grande quantia para compra de negros. Este ato só não fez a compra como instigou Antonio Fernandes de Abreu Filho, furioso contra os assassinos do pai, denunciar perante o ouvidor Godinho Manso dos crimes dos Lemes: 1.º a morte de Antonio Fernandes de Abreu, pae; 2.º as violencias contra as filhas de João Cabral, que por isso enlouqueceu, e 3.º mais duas mortes. Sebastião Fernandes, que desejava apoderar-se do ouro dos dois irmãos, como finalmente conseguiu que Rodrigo Cesar de Menezes mandou por um “bando” que se effectuasse a prisão dos Lemes. Encarregado de preparar a escolta, Rego recrutou os soldados em Parnahyba e Sorocaba e planejou uma emboscada. Deixou os soldados escondidos ao chegar a Itú, de modo que ninguem percebeu. Fingiu visita a João e Lourenço Leme, que lhe offereceram regio banquete. Quando todos dormiam deu o tiro combinado e a casa foi cercada. Perceberam os irmãos Lemes a trahição e fugiram, na confusão de tiros e gritos, para Porto Feliz. Na casa ficaram mortos 5 escravos e sete prisioneiros. Em um sitio montaram guardas, capangas e fizeram abrir caminho, escrevendo, diz Pedro Taques, em lettreiro: “Se o ouvidor aqui vier, este é o caminho”. De facto, veio em pessoa o desembargador Manoel de Mello Godinho Manso com uma tropa de valentes soldados. Atacados, João e Lourenço Leme fogem matto a dentro e a escolta continúa a perseguil-os. Após muitos dias, enfraquecido, resolveu João ir esconder-se no sitio da madrinha Maria de Chaves. Esta, com medo das penas publicadas no edital, mandou avisar ao ouvidor Godinho. Os soldados cercam a casa, mas como estava à margem do Tieté, João Leme, num esforço sobrehumano, atravessa o rio a nado, escapando, assim, ainda uma vez, a seus perseguidores. Depois um grupo da escolta o prendeu. Continou a diligencia da tropa por mais trinta dias, e, afinal, Lourenço Leme, encontrado dormindo no proprio leito foi assassinado. João Leme foi levado á Bahia, diz ainda Pedro Taques, onde foi degolado em 1723. Os paulistas voltavam agora suas vistas para Cuyabá e Goyaz.”
(“Notas para historia de Parnahyba”. Pe. Paulo Florência da Silveira Camargo. São Paulo, 4 de Setembro de 1935) 188 - História de Mato Grosso

A perseguição aos Leme – Parte II “Rodrigo César fita o confidente nos olhos. Com espanto: - Vos mecê é capaz de liquidar os Lemes? - Afirmo-o sobre palavra de honra. Rodrigo César começa a passear pela sala. Não diz palavra. Vai e vem pensativo. Eis que estaca de repente: - Diabo de situação a minha, Sebastião do Rego! Eu, depois desses cargos que dei aos Lemes, eu não posso decentemente, mandar prendê-los sem um motivo aceitável. Está claro, excelência! Mas quem mandará prendê-los não será o general Rodrigues César; será o juiz. Eu arranjo um mandato do desembargador (...) Estava tudo ao talho da foice, tudo velhacamente preparado. Bastava uma palavra do governador; bastava um gesto e os Lemes estariam perdidos. Rodrigo César não vacila: - Nesse caso, Sebastião do Rego, tem vosmecê a ordem, trate da prisão dos Lemes! Nada mais de temperiteros (sic). É preciso, sim senhor acabar com a arrogância dos dois paulistas. Agora, dê no que dei vamos cortar o mal pela raiz: prisão e forca! “
(Setúbal, P, 1948:127-8)

1.2.2 – Os principais Capitão Generais (Governadores)1.2.2 – Os principais Capitão Generais (Governadores) Antônio Rolim de Moura (1751 a 1765) - Estabeleceu a Capitania de Mato Grosso - Fundou a primeira capital (Vila Bela) - Incentivou a colonização - Assinatura do Tratado de Madri João Pedro Câmara (1765 a 1769) - Sobrinho de Dom Rolim de Moura rio - Fundou destacamentos para a proteção do territó- Consolidou as fronteiras Luís Pinto de Souza Coutinho (1769 a 1772) - Considerado um péssimo administrador - Embates com o Marquês de Pombal e Cia de Jesus (Jesuítas) - Expulsão dos Jesuítas Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres (1772 a 1789) - Considerado o maior administrador da história colonial do Mato Grosso - Fundou o Forte Coimbra (1775), a margem direita do rio Paraguai, território espanhol (Fecho dos Morros) - Fundou o Forte Príncipe da Beira, à direita do Guaporé - Fundou o povoado de Albuquerque em 21/01/1781 (Corumbá) - Fundou a Vila Maria em 06/10/1778 (Cáceres) né) - Fundou São Pedro D´el Rey em 21/01/1781 (Poco-

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- Fundou o povoado de Casalvasco em 1783 João de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres (1789 a 1796) - Irmão do governador anterior - Pacificação dos índios guaicuru (famosos índios cavaleiros do pantanal) Caetano Pinto de Miranda Montenegro (1796 a 1802) - Doutor em leis - Fundação do povoado de Miranda em 1797 - Tentativa de invasão espanhola no Forte Coimbra (impedida pela Cel. Ricardo Franco) Manuel Carlos de Abreu e Meneses (1802 a 1807) - Primeiro governador a se posicionar publicamente a favor da transferência da capital de Vila Bela para Cuiabá. - Este sugeriu ao Rei de Portugal em 1804, tal transferência, referindo-se a questões de saúde. - Vila Bela era uma região insalubre, com diversos casos de febre amarela, Malária e outras doenças elevando os índices de mortalidade todos os meses João Carlos Augusto d´Oeynhausen e Gravemberg (1807 a 1819) - Criou a Companhia Franca dos Leais Cuiabanos em 1808 (proteção de Cuiabá) - Fundou a Santa Casa de Misericórdia - Planejamento da distribuição de água em Cuiabá - Inicio do processo de transferência da capital para Cuiabá - Elevação de Cuiabá a cidade (Carta Régia de 17/ 09/1818) Francisco de Paula Magessi Tavares de Carvalho (1819 a 1821) - último Capitão General - Nomeado em 07/07/1817, mas chegou em Cuiabá somente em 06/01/1819, onde toma posse - Criação de um fábrica de pólvora - Construção de uma Olaria - Transferiu da capital para Cuiabá: Casa de Fundição, Junta da Fazenda e várias guarnições militares - Não foi bem aceito pela população cuiabana Curiosidades: - Existe uma discussão sobre o nome anterior de Poconé: São Pedro D´el Rey ou São João D´el Rey, São Pedro seria em homenagem a D. Pedro III e São João homenagem ao santo - 17/09/1818, nesta data Cuiabá foi elevada à categoria de cidade, por Magessi, lego depois em 05/11/1819, a Casa de Fundição foi transferida para Cuiabá. - Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, por quase 17 anos dirigiu o Mato Grosso, sendo o goverCurso Preparatório para: Agente/Assistênte Prisional

nante que por mais tempo administrou este Estado em toda sua História - Caetano Montenegro, foi o único governador não militar do período colonial - O planejamento da distribuição de água em Cuiabá era baseado na construção de canos a céu aberto levando água do rio Mutuca a Cuiabá, o tentativa foi um fracasso pois as técnicas de engenharia da época eram insuficientes para solucionar o problema 1.2.3– Criação da Capitania de Mato Grosso e a fundação de da 1ª Capital1.2.3– Criação da Capitania de Mato Grosso e a fundação de da 1ª Capital Em 09 de maio de 1748, as minas de Mato Grosso, são desmembradas de São Paulo, as viagens dos três primeiros governadores de São Paulo (Rodrigo César, Conde de Sarzedas e D. Luís de Mascarenhas) tinham mostrado as dificuldades de administrar tão extensa área como se fosse uma só capitania. O primeiro governador da então criada Capitania de Mato Grosso foi: Capitão General Antônio Rolim de Moura (posse 17/01/1751) A criação da Capitania de Mato Grosso, era uma estratégia da Coroa Portuguesa para pressionar a Espanha na assinatura de um Tratado para o reconhecimento do território ocupado pelos portugueses. Tal tratado acabou sendo realizado em 1750/51, o Tratado de Madri se baseou em um preceito do Direito Romano o “Uti Possidets” (terra ocupada, terra possuída), o mesmo reconhecia parte do território a oeste de Tordesilhas como sendo território lusitano. Em 19 de março de 1752, obedecendo a todo um plano previamente traçado pela Metrópole Portuguesa, D. Rolim de Moura funda Vila Bela da Santíssima Trindade, erguida às margens do rio Guaporé, a qual seria a primeira capital. Esta foi fundada seguindo as recomendações da Coroa portuguesa através da Carta Régia de 19 de janeiro de 1749, a qual dizia que deveriam proteger a fronteira, manter a navegação pelo Guaporé impedir o comércio entre espanhóis e portugueses, porém manter a amizade entre eles. Suas enérgicas atitudes conseguiram consolidar as posições estratégicas portuguesas por todo o vale do Guaporé.

TEXTO COMPLEMENTAR I
E nasce a Província de Mato Grosso
Em 1748, as minas de Mato Grosso são desmembradas das minas de São Paulo, sendo nomeado como Capitão-General Antõnio Rolim de Moura. A capital da nova capitania foi instalada oficialmente em 1752, nas margens do Guaporé, passando a ser denominada Vila Bela da Santíssima Trindade. A necessidade de povoamento da região do Guaporé se deu em virtude do imperativo de vigilância da fronteira. Por esse motivo, o governo português deu carta branca a Rolim de Moura para
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que escolhesse o local onde deveria ser instalada a sede da capitania. No entanto, foi recomendado ao capitãogeneral que o local escolhido não deveria ser insalubre, ainda que próximo ao rio Guaporé ou a um de seus afluentes navegáveis. As instruções que se seguem são datadas de 19 de janeiro de 1749 e se referem à medida que Antônio Rolim de Moura deveria tomar para administrar a nova capitania: - Fundação da capitania de Mato Grosso. - Criação da Companhia de Dragões. - Erecção de Juiz de Fora e/ou de Ouvidor tal. - Privilégios e isenções para os moradores da capi-

Gomes da Silva, o Barão de Vila-Maria, era genro de João Pereira Leite que, por sua vez, era genro de Leonardo Soares de Souza. O filho de João Pereira Leite, João Carlos, partindo da Jacobina, transpôs o rio Paraguai, e fundou a fazenda Descalvado “que logo povoou de milhares de cabeças de gado”. Seria preciso um livro para dar a dimensão exata da grandeza da Jacobina no século passado. O melhor testemunho é o do francês Hercules Florence, que integrou a expedição Langsdorff ao interior do Brasil entre 1825 e 1829, e foi hóspede da Jacobina. Em seu livro “Viagem fluvial do Tietê ao Amazonas”, ele conta que, em 1827, a Jacobina era “a mais rica fazenda da Província, tanto em área como em produção”. Tinha cerca de 60 mil cabeças de gado, 200 escravos e igual número de alforriados. “As roças abrangiam canaviais, plantações de mandioca, feijão, cereais e café para abastecimento dos núcleos adjacentes. Possuía, também engenho movido por força hidráulica”. A produção era tão farta que D. Ana Maria da Silva, mulher de Leonardo, contou ao viajante que mandara “seis grandes canoas cheias de víveres” ao Forte de Coimbra distante 882 Km, via rio Paraguai - para “sustento gratuito da Guarnição”. O português João Pereira Leite vangloriava-se de possuir “tantas terras quantas o rei de Portugal”. Outro aspecto que não passou despercebido de Hercules Florence foi a força das mulheres que comandaram a fazenda após a morte dos maridos: primeiramente, a de D. Ana Maria e, anos mais tarde, a de sua filha, Maria Josepha de Jesus Leite, conhecida como a “Nhanhᔠda Jacobina. Coube ao segundo filho de Maria Josepha, João Carlos Pereira Leite, ocupar o papel do último grande chefe da Jacobina. João Carlos foi o construtor do atual Cemitério São João Batista e impediu que a epidemia de varíola chegasse a Cáceres após a Guerra do Paraguai, barrando a passagem na estrada de qualquer pessoa procedente de Cuiabá. O episódio mais marcante da biografia de João Carlos está ligado ao herói da revolução baiana conhecida como Sabinada. Segundo os historiadores, Sabino Vieira, condenado ao degredo em 1838, adoeceu na vizinhança da Jacobina, e caiu nas graças do major João Carlos. “As autoridades não querendo, ou mesmo não podendo abrir luta com o major João Carlos, de bom ou mau grado fizeram vista grossa sobre o caso e em Jacobina continuou a permanecer o Dr. Sabino, exercendo com muita competência a sua profissão de médico...”, conta o historiador Estevão de Mendonça, citado por Luís-Philippe Pereira Leite no livro “Vila Maria dos meus maiores”. Sabino Vieira morreu na Jacobina em 1846. Inúmeros fatores contribuíram para alterar a trajetória da Jacobina no século XX, entre eles, o fim da escravidão em 1888, a ascensão dos engenhos de cana-deaçúcar no Nordeste e as leis trabalhistas criadas por Vargas na década de 30. Hoje, a fazenda pertence à família Lara e é um dos maiores atrativos históricos de Cáceres. Conhecer e preservar a sua história é resgatar a nossa própria história e construir a nossa identidade.
Texto: Martha Baptista. Original em http://www.caceres.mt.gov.br Curso Preparatório para: Agente/Assistênte Prisional

- Prevenções e cuidados com vizinhos dos domínios espanhóis e jesuítas. - Informações à coroa para decidir se as comunicações fluviais com o Pará seria permitidas. - Os ataques dos índios Paiaguá. - Os Caiapós. - Proteção aos Pareci. - Fundação de Aldeias para os mansos. - Proibição da extração de Diamantes.
(Moura, C. E, 1982:21)

TEXTO COMPLEMENTAR II

Sede da Fazenda Jacobina. - Foto: Alessandro Pinto de Arruda -

Jacobina - onde começa a história de Cáceres A história de Cáceres confunde-se com a da Fazenda Jacobina. Na opinião do historiador Natalino Ferreira Mendes, Jacobina é a “célula-mater” de Cáceres. O português Leonardo Soares de Souza, que, em 1772, requereu à Coroa as terras conhecidas como Jacobina, foi convocado, em 6 de outubro de 1778, para subscrever a ata de fundação de Vila-Maria de Portugal, hoje Cáceres. Segundo Natalino Ferreira Mendes, Jacobina foi a célula-mãe de todo o vale do rio Paraguai, já que o fundador do Firme (a região conhecida como Nhecolândia, que, hoje, pertence a Mato Grosso do Sul), Joaquim José
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TEXTO COMPLEMENTAR III
O marco de Jauru A peça, lavrada em mármore e secionada em duas partes, cada uma feita por uma das coroas, portuguesa e espanhola, foi construída para celebrar o Tratado de Madrid, de 13 de janeiro de 1750, atualizando a linha do Equador, que foi estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas, de 1494. Em 18 de janeiro 1754 foi plantada à margem do rio Jauru pelo 1.º Governador e Capitão-General da Capitania de Mato Grosso, D. Antônio Rolim de Moura Tavares. Porém, em 1761, o Ajuste do Pardo anula o Tratado de Madri, deixando o Marco do Jauru sem a finalidade a que foi construído. Durante mais de um século permaneceu em mata fechada, até que em 2 de fevereiro de 1883, graças à influência de pessoas como o Marechal Antônio Maria Coelho e o Major João Carlos Pereira Leite, foi transportado para a praça principal de Cáceres, onde foi tombado como monumento nacional, pelo Ministério da Educação. Em cada lado há uma inscrição, de acordo com Hercules Florence em seu trabalho “Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas”:

- A origem do nome Mato Grosso foi atribuída pelos Bandeirantes que encontraram ouro na região dos Pareci e Guaporé, locais onde o mato era denso, fechado e grosso. 1.2.5- A transferência da capital para Cuiabá1.2.5A transferência da capital para Cuiabá A disputa entre Cuiabá e Vila Bela já era históricas, quando Gravemberg e Magessi, passaram mais tempo em Cuiabá do que na capital. - Motivos: Distância dos grandes centros, dificuldade de comunicação, insalubridade da região, bem como os interesses da elite cuiabana pelo poder político A situação era a seguinte: Vila Bela: Residência Oficial dos Governadores (Capital de Direito) Cuiabá: Sede dos governantes (Capital de Fato) Tal fato era eminente visto as atitudes dos últimos governadores de Mato Grosso: - 1812, o Cap. Gen. João Carlos de Gravemberg muda-se para a Cuiabá, este promove constantemente festas, sendo estas utilizadas para alienar a população quanto à verdadeira situação econômica do Mato Grosso (Pão e Circo) -1819, o Cap. Gen. Magessi, transfere grande parte do aparato administrativo e fiscal para Cuiabá, problemas de ordem econômica (salários atrasados) fazem com que o mesmo volte para Vila Bela. Deposto em 20/08/1821, pelo então Ten. Cel. Antônio Navarro de Abreu (cuiabano), foi estabelecida uma junta governativa em Cuiabá e outra em Vila Bela. Em Cuiabá esta junta era liderada pelo Bispo D. Luis de Castro. A disputa só foi resolvida em 1825 quando Cuiabá ganha foro de Capital, pelo Imperador D. Pedro I.

Nos dois primeiros lados acima havia a coroa Portuguesa e Espanhola, respectivamente, hoje já praticamente destruídas.
Fonte: “Monumentos Mato-grossenses” de Luís Philippe Pereira Leite, “Marco do Jauru” de D. Aquino Corrêa e “Primeiro Centenário da Transladação do Marco do Jauru para a Cidade de Cáceres - 02/02/1883 a 02/02/1983” de Natalino Ferreira Mendes.

1.2.4 – A situação da capital Devido à distância e todas as dificuldades da região do Guaporé, foram dados vários incentivos para se colonizar Vila Bela: - isenção de impostos - isenção do pagamento de entrada - suspensão do pagamento das dívidas por 03 anos Mesmo com vários incentivos, as péssimas condições fizeram com que não se deslocassem tantas pessoas para capital. Em 1755, foi instalada a Cia. De Comércio do Grão Pará, a função desta era abastecer a região, mas logo foi desativada, devido às dificuldades já relatadas. Curiosidades: - A capital Vila Bela da Santíssima Trindade, foi erguida seguindo um planejamento urbano. - Antônio Rolim de Moura logo depois de ter sido nomeado governador de Mato Grosso, recebeu o título de Conde de Azambuja e posteriormente 2º Vice-Rei do Brasil
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TEXTO COMPLEMENTAR I
Cuiabá ou Vila Bela
“Transferência da capital, de Vila Bela para Cuiabá Mato Grosso, na primeira metade de século XIX, vivia uma realidade diversa se comparada a do início da sua colonização, pois a mineração estava em decadência e a economia baseava-se principalmente em atividades agropecuárias e no comércio. Com relação aos seus núcleos populacionais, os mais desenvolvidos eram Vila Bela e a cidade de Cuiabá. E nesse período que a elite cuiabana passa a almejar a transferência da capital para Cuiabá, alegando às autoridades govemamentais que Vila Bela deveria deixar de ser a capital porque era um local insalubre, propiciando com isso o aumento da mortalidade, provocado principalmente pela febre amarela. Para a elite cuiabana, engajar-se na luta pela transferência da Capital tinha um sentido mais amplo, uma
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vez que era a possibilidade de inserir Mato Grosso no comércio internacional, abastecendo os países europeus que passavam pela Revolução Industrial e tinham necessidade de matérias-primas. Assim, a transferência da capital se deu quando a elite cuiabana, apoiada por outros segmentos sociais, destituiu o capitão-general Francisco Tavares Magessi de Carvalho e proclamou, após a deposição do governador, uma junta govemativa em Cuiabá no dia 20 de agosto de 1821. Vila Bela tentou resistir, formando também uma outra junta governativa, chegando inclusive a pedir apoio ao governo de Lisboa. Apesar do confronto entre Vila Bela e Cuiabá, em 1822 D. Pedro I acabou aprovando a junta governativa de Cuiabá. A documente a seguir ilustra o processo de transferência da capital para Cuiabá e a conseqüente deposição de Magessi”
Fonte : Enciclopédia Britânica Brasileira

O poder público, através da Câmara Municipal de Vila Bela da Santíssima Trindade, e os proprietários de escravos patrocinaram a bandeira para destruir o quilombo e recapturar seus moradores. A bandeira contendo cerca de trinta homens e comandada por João Leme de Prado, percorreu um mês de Vila Bela até o quilombo, e, de surpresa, atacou-o, prendendo quase a totalidade dos moradores. Alguns morreram no combate que se travou, outros fugiram. Os escravos que sobreviveram foram capturados e levados para Vila Bela, sendo colocados para reconhecimento público, a mando do capitão-general de Mato Grosso Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres e após o ato de reconhecimento, os escravos foram submetidos a outros momentos de castigos, com surras, tendo parte de suas orelhas cortadas e tatuados o rosto com a letra “F” â?” de Fugitivo â?” feita com ferro em brasa. O objetivo da repressão era intimidar novas fugas, porém, a vontade, o desejo e a luta pela liberdade era maior que essa humilhação. Tal conquista esteve presente por um bom tempo e em 1791 â?” duas décadas após a primeira â?” uma segunda bandeira foi organizada para recapturar negros fugitivos e, finalmente, acabar com o quilombo do Quariterê. Comandada pelo alferes de dragão, Francisco Pedro de Melo, a bandeira de 1791 continha 45 homens que destruíram as edificações e plantações do quilombo, recapturando sua população e devolvendo aos seus donos, em Vila Bela. Porém, percebendo a ineficiência dos castigos físicos, os escravos não mais foram torturados publicamente. Outros quilombos na região também foram destruídos, inclusive ao comando do mesmo alferes, Francisco de Melo, que assolou os quilombos de “João Félix” e o do “Mutuca”. No local do quilombo do Piolho, após sua destruição a mando do capitão-general João de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, foi organizada uma aldeia â?” a Aldeia da Carlota â?” que visava o interesse português em garantir a posse da terra num local tão isolado. Os moradores da aldeia contavam com o apoio do governador. Outros quilombos também foram organizados em terras mato-grossenses durante os séculos XVIII e XIX, podendo ser registrados aqui, apenas para exemplificar, os quilombos “Mutuca” e “Pindaituba”, situados na Chapada dos Guimarães, os “Sepoutuba” e “Rio Manso”, próximos a Vila Maria (atual Cáceres). A historiadora Elizabeth Madureira refere-se à organização de 11 quilombos em Mato Grosso, porém registra o pouco que ainda foi percorrido e pesquisado sobre o assunto.
(Fonte: Prof. João de Medeiros Alves )

TEXTO COMPLEMENTAR II
O Quilombo do Quariterê
Este texto é uma colaboração do Professor João de Medeiros Alves Como marco oficial, a História de Mato Grosso iniciou-se, em 1719, nas margens do rio Coxipó-Mirim, com a descoberta de ouro pelos homens que acompanhavam o bandeirante Pascoal Moreira Cabral. Com o sucesso da mineração e a necessidade de garantir para Portugal, a posse de terras além Tratado de Tordesilhas, foi criado em 1748 a Capitania de Mato Grosso, sendo a primeira capital Vila Bela da Santíssima Trindade, na extremidade oeste do território colonial. Para trabalhar na mineração, chegaram, no século XVIII, em Mato Grosso, os primeiros escravos de origem africana. Como resistência à escravidão, as fugas foram constantes, sendo individuais ou coletivas, formando diversos quilombos. Por ocasião da presença da capital â?” Vila Bela da Santíssima Trindade â?” a região do vale do rio Guaporé foi onde houve maior concentração dessas aldeias de escravos fugitivos. O quilombo do Piolho ou Quariterê, no final do século XVIII, localizado próximo ao rio Piolho, ou Quariterê, reuniu negros nascidos na África e no Brasil, índios e mestiços de negros e índios (cafuzos). José Piolho, provavelmente foi o primeiro chefe do quilombo. Depois, assumiu o poder sua esposa, Teresa. Fugidos da exploração branca, os habitantes do quilombo conviviam comunitariamente em uma fusão de elementos culturais de origem indígena e africana. Os homens caçavam, lenhavam, cuidavam dos animais e conseguiam mel na mata; as mulheres preparavam os alimentos e fabricavam panelas com barro, artesanato e roupas. As dificuldades de abastecimento, principalmente de escravos, com que constantemente conviviam os habitantes da região guaporeana, levou-os a organizar uma bandeira para atacar os escravos fugitivos.

2.0 - PERÍODO IMPERIAL (1822 – 1889)
Com a proclamação da Independência do Brasil, todas as antigas Capitanias passaram a ser Províncias, estas controladas pelo Imperador. A situação da Capital
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foi resolvida pelo Império, e o primeiro Presidente da Província foi nomeado em 10 de setembro de 1825, José Saturnino da Costa Pereira 2.1 – A RUSGA (1834) Contexto Histórico: - Abdicação de D. Pedro I - Instalação do Governo Regencial Grupos Políticos: Políticos se organizavam em sociedades, as quais serviam de base para suas reivindicações. Liberais => Sociedade dos Zelosos da Independência (Maioria de brasileiros, defendiam a Constituição a Regência e D. Pedro II) Conservadores => Sociedade Filantrópica (Maioria de portugueses, Monarquista defendiam a volta de D. Pedro I) A Rusga se encontra em um contexto de revoltas do Período Regencial (1831 a 1840), estas pediam entre outras coisas reformas políticas, sociais e administrativas, no caso cuiabano, foi um revolta de cunho político e social com um caráter anti-lusitano, liderada pelos liberais com ajuda da população cuiabana. O que eles queriam? Liberais: tomar o poder da província então governada pelo conservador Antônio Corrêa da Costa. Cuiabanos: Expulsar os portugueses, os quais acreditavam que eram os grandes e verdadeiros culpados de sua situação miserável. O plano dos revoltosos era iniciar o movimento em maio de 1834, na eminência da revolta Antônio Corrêa da Costa se afasta do governo provincial. Assume André Gaudie Ley este após governar por quatro meses entrega o governo novamente para Corrêa da Costa, que depois de alguns dias abandona definitivamente o governo. Com isto Mato Grosso passa a ser governado por um Conselho, que entrega a Presidência da Província ao liberal João Poupino de Caldas. Os Liberais atingem seu objetivo!? Não! Na época os Liberais eram divididos em duas facções: Moderados e Radicais, Poupino era Moderado e os Radicais estavam apoiando a idéia da população, a qual estava prestes a se tornar real. No dia 30 de Maio de 1834 os revoltosos enfurecidos partem do Campo do Ourique em direção ao centro e a golpes de machado invadiram e saquearam as Casa Comerciais portuguesas bem como suas residências assassinando homens, mulheres e crianças de origem lusitana. Muitos foram executados no antigo Largo da Matriz, onde hoje é a Praça da República. O principal líder dos revoltosos foi Antônio Luís Patrício da Silva Manso. A Rusga, conseguiu alterar somente a situação política da Província, problemas de cunho social não foram resolvidos.
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Curiosidades: - Os portugueses eram chamados “carinhosamente” pelos cuiabanos de: Bicudos e Pés de Chumbo - O Campo do Ourique, se encontra onde é a atual Câmara Municipal de Cuiabá, antiga Assembléia Legislativa (transferida em agosto de 2005) bá - Silva Manso ficou conhecido como o Tigre de Cuia-

TEXTO COMPLEMENTAR
Liberais x Conservadores
A Rusga foi um movimento ocorrido em Mato Grosso no ano de 1834, durante o período regencial. Para entendermos esse movimento regional, se faz necessário buscar nesse período marcado por lutas políticas e por vários movimentos sociais, a sua origem. No período regencial dois grupos políticos dominavam a vida pública nacional: os progressistas e os regressistas, mais tarde transformados em Partido Liberal e Partido Conservador, respectivamente. Esses dois partidos passaram a ter um domínio político durante todo o segundo reinado, De ponto de vista ideológico, tinham poucas diferenças entre si; suas discordâncias eram apenas produtos da ambição pelo poder. Outro grupo sem grande expressão nacional eram os republicanos (que se tornou partido de 1870), que engatinhavam seus primeiros passos e apoiavam as mudanças de regime político do Brasil, de monarquia para república. Nas províncias, os grupos políticos liberais e conservadores se organizavam em sociedades. Seguindo essa tradição em Mato Grosso, os liberais se agrupavam na Sociedade dos Zelosos da Independência e os conservadores na Sociedade Filantrópica. Conforme estudo da professora Elizabeth Madureira Siqueira (1990, p. 102) sobre a Rusga, a Sociedade Filantrópica “...desejava recolocar no trono D. Pedro I, assim como verem mantidos no poder político da província de Mato Grosso o grupo que tradicionalmente vinha conduzindo a política, e que, naquele momento, estava simbolizado pelo então presidente Antônio Corrêa da Costa, nomeado por D. Pedro I. A Sociedade dos Zelosos da Independência era responsável pela aglutinação de forças políticas de tendência moderada, uma vez que esta não concordavam com as idéias republicanas [...] Almejavam destituir do governo da província de Mato Grosso o grupo político que, há anos a dirigia e, em seu lugar colocar os liberais.” Portanto, dois grupos políticos disputavam o poder na província de Mato Grosso, como também ocorria em nível nacional. É nesse contexto que ocorreu a Rusga. Os membros da Sociedade dos Zelosos da Independência (liberais) pretendiam tomar o poder que estava com a Sociedade Filantrópica (conservadores).Segundo Elizabeth Madureira, “os revoltosos, liderados pela Sociedade dos Zelosos da Independência, planejavam uma rebelião que teria início na madrugada de 30 de maio de 1834”. O conselho de governo, reunido a 27 de maio, prevendo
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a aproximação da data marcada para a eclosão do movimento, resolveu tentar um contragolpe, elegendo como presidente da província um dos líderes do movimento, João Poupino, que era membro do conselho de governo e pertencia à Sociedade dos Zelosos da Independência. Mas de nada adiantou essa escaramuça. É interessante notar que no dia 30 de maio, data da rebelião, a população saiu pelas ruas de Cuiabá. Membros das camadas inferiores e da guarda nacional gritavam palavras de ordem; armados, roubaram e saquearam casas de comércio e até mortes foram registradas. Podemos levantar uma questão a respeito da deflagração do movimento. Se os liberais (Sociedade dos Zelosos da Independência) haviam conseguido o poder, através da nomeação de Poupino Caldas como presidente da província no dia 27 de maio, por que as camadas mais baixas participaram de uma rebelião que já tinha data marcada (30 de maio de 1834). Tendo como referência o trabalho da professora Elizabeth Madureira participação de populares no movimento não pode ser considerada um ato político consciente. A província de Mato Grosso passava por uma grave crise econômica,

com os cofres públicos vazios, o que sempre resultava em atraso no pagamento de salários, aprofundando, conseqüentemente, a miséria social. Representou mais uma ocasião encontrada para os pobres usufruírem de benefícios passageiros e extravasarem seus anseios de mudanças. É a partir desse contexto que podem ser explicados os saques, roubos e mortes cometidas. Assim também pode ser explicada a repressão ao movimento, promovida por Poupino Caldas, no momento em que a Rusga explodiu
Fonte : Enciclopédia Britânica Brasileira

2.2 – A GUERRA DO PARAGUAI (1864-1870) Choque militar ocorrido na América do Sul, envolvendo os seguintes países:
BRASIL PARAGUAI ARGENTINA URUGUAI

Principais Motivos? - questão da navegabilidade (bacia platina) - pretensões expansionista paraguaias - autonomia econômica do Paraguai

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A situação industrial brasileira no período era caótica, o Brasil não possuía fábricas para abastecer seu mercado interno, tendo de importar produtos da Inglaterra. Os britânicos foram os grandes responsáveis pela inclusão da América Latina no sistema do capital internacional. Enquanto a América Latina entrava neste modelo internacional o Paraguai caminhava no séc. XIX sozinho com seu próprio modelo econômico: auto-suficiente, 80% das terras eram públicas as quais eram entregues a camponeses (produção de matéria-prima) etc... A Inglaterra não aceitava na América Latina ter um país fora do sistema capitalista mundial, isto fica claro nas declarações do embaixador britânico Thorton, onde o mesmo dizia que o regime paraguaio nocivo ao povo. Por várias vezes o Brasil vai entrar em disputa com o Paraguai, envolvendo questões de fronteiras entre Paraguai e MT e de navegabilidade pelo rio Paraguai (rota comercial que ligava o Mato Grosso pelo Estuário do Prata ao mundo). Estas disputas inicialmente foram diplomáticas, vejamos algumas missões diplomáticas: MISSÃO LEVERGER: Chefiada inicialmente por Augusto Leverger, este buscava fazer um Tratado de Amizade entre os dois governos facilitando assim a navegação pelo rio Paraguai (sem sucesso) MISSAO PIMENTA BUENO: chefiada por José Pimenta Bueno (Gov. de MT- 1836 a 1837), este buscava fraquear o rio, ou seja, pagar pela utilização da rota fluvial (sem sucesso) MISSAO PARANHOS: Chefiada por José Maria Paranhos, assim como a missão anterior, buscava a franquia do rio que novamente não foi conseguida. Em 1856, é assinado um tratado de navegação entre Paraguai e Brasil, ligando Mato Grosso ao Rio de Janeiro. As idéias e atitudes políticas do governo brasileiro, não eram aceitas pelo governo paraguaio, sobretudo nos interesses com o Uruguai e a Argentina. Enquanto os paraguaios apoiavam os Blancos, o Brasil apoiava os Colorados (partidos políticos uruguaios), tal apoio contrário faz com que o Tratado de Amizade seja rompido. Os ânimos começam a se esquentar, só faltava um pequeno motivo para a guerra eclodir. A participação da Inglaterra neste momento foi crucial pois a mesma não tinha interesses na pacificação a região, uma guerra seria lucrativa e eliminaria o Paraguai, o qual em sua visão era um exemplo que poderia prejudicar seus negócios na América do Sul. Estopim da GuerraEstopim da Guerra Aprisionamento do Marquês de Olinda Embarcação brasileira a qual navegava pelo Rio Paraguai com destino a Mato Grosso, levando produtos e passageiros dentre eles o governador de Mato Grosso: Frederico Carneiro de Campos O Império brasileiro declara guerra ao Paraguai e quase que imediatamente o Paraguai inicia uma ofensiva sobre o Mato Grosso, invadindo Corumbá e posteriormente Dourados.
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Cuiabá temendo ser atacada organiza as tropas (corpo de voluntários cuiabanos), estes foram comandados inicialmente por Hermenegildo Portocarrero e posteriormente por Augusto Leverger, que acaba também assumindo a presidência da Província (1865-1866), sendo seguido pelo General José Vieira Couto Magalhães (18661868) e novamente Augusto Leverger agora com o título de Barão. O primeiro ponto de resistência escolhido foi à região de Barão de Melgaço e o Morro de Santo Antônio, mas felizmente o inimigo nunca chegou. O desenrolar da guerra foi trágico várias batalhas, centenas de mortes, principalmente do lado paraguaio que rapidamente é derrotado. Em 1867 o Uruguai e a Argentina deixam a guerra para resolverem questões políticas internas, o Brasil continua agora com o objetivo de encontrar o líder paraguaio Solano Lopez, o qual é localizado na batalha do Cerro-Corá e morto por soldados brasileiros. Com o fim da Guerra do Paraguai, reativa-se as rotas fluviais, onde produtos podem ser exportados e importados via Estuário do Prata, Mato Grosso passa a se comunicar com a Europa, América e interliga-se com vários portos Versões É evidente que encontramos diversas versões para a Guerra do Paraguai, e estas diferenças teóricas ficam evidentes quando citamos os dois principais autores do assunto, veja:

Maldita Guerra - FRANCISCO DORATIOTTO O historiador Francisco Doratiotto pesquisou fontes durante quinze anos para compor a obra. Mostra como a Guerra do Paraguai começou com um conflito regional, diferindo estruturalmente da teoria de muitos historiadores. As principais batalhas... A Guerra Contra o Paraguai - JÚLIO JOSÉ CHIAVENATO Que pensar de uma guerra em que morrem 99,74% da população adulta masculina do país “inimigo”? Conflito bélico ou genocídio? Sob a instigação da Inglaterra, a guerra contra o Paraguai - o mais importante conflito em que o Brasil se envolveu.

Fique esperto na prova: - Augusto Leverger, receberá o título de Barão de Melgaço - O governador Frederico Carneiro de Campos, nunca chegou a Cuiabá, morreu em uma prisão Paraguaia - O famoso Morro de Santo Antônio, o qual está estampado no Brasão de Armas, era conhecido como Colina de Melgaço - Os rios que compunham a bacia platina (rio da PraHistória de Mato Grosso - 195

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ta, Rio Paraná e Rio Paraguai) eram de extrema importância na época para o transporte de passageiros e de carga, sendo o meio mais seguro e rápido de transporte, uma viagem terrestre que demorava alguns meses, pelos rios demorava-se alguns dias. - O Uruguai antiga província brasileira (Cisplatina), era uma região estrategicamente importante para o Brasil e para o Paraguai, pois parte de seu território era uma das margens da foz do rio Prata, o qual desaguava do Oceano Atlântico. - A foz do rio Prata era a principal entrada e saída de embarcações de carga e de passageiros da América do Sul. - A invasão paraguaia começou pelo Forte Coimbra, não tendo sucesso partiu para a cidade de Corumbá. - Apesar da guerra não ter chego até Cuiabá, um grande número de habitantes da capital morreram, não a tiros de canhões e espingardas e sim por varíola (bexiga), esta muito pior que a guerra vitimou quase um terço (1/3) da população. - A varíola vai de alastrar pelas regiões de Rosário Oeste, Guia, Diamantino e Rio Abaixo. - O comandante das tropas brasileiras as quais iniciaram uma verdadeira caça a Lopez, foi o genro de D. Pedro II, Conde D´Eu. - O Mal. Floriano Peixoto foi Presidente da Província do Mato Grosso em 1884, inclusive tendo um filho cuiabano

Esta vozes indígenas (quase a totalidade do exército paraguaio de Solano Lopez era formado por soldados guarani), passados cento e vinte oito anos do fim da Guerra do Paraguai continuam aguardando seu lugar reconhecimento pela historiografia oficial não-índia.”
(Paulo Humberto Porto Borges, trecho retirado da Internet)*

3.0 - Período Republicano (1889 – ...)
Após a Guerra do Paraguai, diversos fatos levaram o governo imperial a entrar em isolamento político: A QUESTÃO MILITAR, A QUESTÃO RELIGIOSA E A QUESTÃO ABOLICIONISTA. Estas questões, levaram o Império à desestruturação de suas bases aliadas isolando-o politicamente, levando a QUEDA DO IMPÉRIO e a conseqüente Proclamação da República. As oligarquias rurais passaram a dominar todo o cenário político, fazendo com que o governo seja uma extensão do poder dos chamados Coronéis, (grandes produtores rurais) estes manterão relações eleitorais e políticas promíscuas, fraudulentas e criminosas, (política do café-com-leite, política dos governadores e voto de cabresto) mantendo assim no governo membros ligados à aristocracia rural. 3.1 – CONFLITOS POLÍTICOS DA REPÚBLICA VELHA (1889 – 1930) 3.1.1 - O movimento de 18923.1.1 - O movimento de 1892 - Primeiro movimento armado após a proclamação da República - Antônio Maria Coelho é escolhido para governar o Estado, este cria um novo partido o Nacional Republicano (união de republicanos e conservadores) - Com a queda e Marechal Deodoro, o grupo formado por Manuel Murtinho, Generoso Paes Leme, derrubam Antônio Maria e através eleições Murtinho passa a ser governador. - Grupo oligarca do sul (MS) não aceita e depõe Murtinho à distância - Floriano Peixoto contém a oposição ao seu gov. enviando ao MT tropas (Legião Floriano Peixoto), as quais foram chefiadas por Paes Leme recolocando Murtinho no poder. 3.1.2 – O Massacre da Baía do Garcez (1898-1901)

TEXTO COMPLEMENTAR:
A GUERRA DO PARAGUAI E A QUESTÃO INDÍGENA

“Passados quase um século e meio, este conflito continua revelando-se polêmico e suscitando questões. E, neste momento que a historiografia latino-americana, impulsionada pelo acordos econômicos do MERCOSUL, se debruça sobre o que foi, sem dúvida, a mais prolongada - com exceção da Guerra da Criméia - e a mais cruenta guerra internacional já ocorrida no período entre 1815 e 1914, é necessário ouvir e registrar algumas vozes que ainda não foram ouvidas pela historiografia oficial à respeito deste conflito, vozes que permanecem audíveis apenas na tradição oral e no imaginário de seus respectivos grupos. Como no relato do professor Guarani Pedro Mirim explicando o ‘por quê’ de sua família ter sobrevivido a guerra: “Ymã xeraryi oexa raka’e jurua guery joguero’a jave. Jogue raa ma taperupi vy oexa ma jurua kuery ou ma ramo onhemi okuapy ita kupepy. Kyringue’i onhemi hapy naxei ramo rivema jurua kuery mbojujka pai.” “Minha avó contava o que ela passou na época da guerra com a minha mãe. Ela contou que existia um caminho estreito por onde eles passaram durante essa guerra. Eles se escondiam debaixo das pedras. A sorte é que o nenê não chorou, senão todos teriam sido mortos. Por isso que todos nós chegamos vivos até o final da guerra.”

- CONTEXTO HISTÓRICO: Política dos Governadores / Presidente Campos Sales
- Manuel Murtinho deixa o governo de MT para apoiar seu irmão Joaquim Murtinho (Ministro da Fazenda do Presidente Campos Salles) - Murtinho lança o nome de José Metelo para a sua sucessão, Generoso Ponce lança Peixoto de Azevedo (Rompimento Político)
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- Peixoto de Azevedo vence as eleições e Murtinho inicia um movimento para depor Azevedo - Formação de um grupo armado chefiado por Totó Paes de Barros (usineiro) que sitia o centro de Cuiabá e pela força obriga à Assembléia a anular as eleições, convocando um novo pleito. -Vence o candidato de Murtinho: Antônio Pedro de Barros, que para garantir seu governo monta uma tropa armada (divisão patriótica) chefiada pelo “coronel” Totó Paes. - O objetivo desta tropa era evidente: acabar com quaisquer foco de oposição ao governo - Em 1901 é descoberto um reduto oposicionista na Usina Conceição (Propriedade de João Paes de Barros, irmão de Totó) - Totó Paes cerca o local prendendo os oposicionistas, que são levados até o local chamado de Baia de Garcez, onde foram executados e jogados no rio (com o abdômen aberto em cruz para que não boiassem) - Em 1902, devido uma grande seca, os corpos são descobertos, mas nada acontece com os culpados. 3.1.3 – O Movimento de 1906 - Totó Paes candidata-se e vence as eleições de 1902 (apoiado pelos irmãos Murtinho) - Totó, acreditando que somente o apoio da Presidência da República era o suficiente (Política dos Governadores), se afasta dos Murtinho - Manoel e Joaquim Murtinho se unem com antigos inimigos de Totó: Generoso Ponce, Pedro Celestino, Peixoto de Azevedo entre outros, para derrubá-lo - Generoso Ponce é pressionado por Totó e foge para o Paraguai, abrindo um jornal chamado “À Reação”, o qual atacava o governo de Totó - Líderes oposicionistas de outras regiões reagem e atacam o governo, tornando o controle de diversos redutos governistas, por exemplo a Fazenda Itaici de propriedade de Totó - Preocupado Totó Paes pede ajuda ao Governo Federal, este envia tropas para Mato Grosso - O objetivo da Presidência da República era manter o Governo Estadual (Paes de Barros), mas antes das tropas chegarem até Cuiabá, cidade já estava cercada. Totó renuncia! - Têm inicio uma verdadeira perseguição ao Cel Antonio Paes de Barros, esta termina com seu assassinato. Curiosidades: - Totó é assassinato em seu esconderijo, uma antiga fábrica de pólvora, no Coxipó do Ouro.
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- Após seu assassinato o corpo do Cel. Totó ficou insepulto por vários dias.

TEXTO COMPLEMENTAR:
Morte de Totó Paes faz 100 anos hoje
Grande pecuarista e maior industrial do Estado, o então presidente de Mato Grosso foi assassinado há exatamente um século, no Coxipó do Ouro “Já haviam se passado seis dias desde que o então presidente do Estado de Mato Grosso, Antônio Paes de Barros, o Totó Paes, decidira deixar a zona urbana de Cuiabá em busca de esconderijo em uma fábrica de pólvora na região do Coxipó do Ouro. Com a Capital inteiramente cercada por tropas sob o comando do senador Generoso Ponce, sua única esperança de retornar ao poder era a chegada de uma expedição militar trazendo os reforços prometidos pelo governo federal. O destino, porém, não permitiria tal reviravolta. Traído por um partidário, o fugitivo teve seu paradeiro descoberto por uma guarnição comandada pelo coronel Joaquim Sulpício de Cerqueira Caldas. E, imediatamente após a captura, foi assassinado com dois tiros à queima-roupa. Era o dia 6 de julho de 1906. Político habilidoso, grande pecuarista e maior industrial do Estado – proprietário da então moderna usina de Itaicy (ver matéria) -, Totó Paes saiu da vida para protagonizar em um dos mais controvertidos episódios da história e também da historiografia de Mato Grosso. “Depois do assassinato, veio uma campanha de difamação que se estendeu por décadas. O objetivo, além de ligar seu nome a fatos e crimes dos quais não se tem evidência alguma, era o de eliminá-lo da história de Mato Grosso”, acredita o historiador Paulo Pitaluga Costa e Silva, do Instituto Histórico e Geográfico. Autor da pesquisa “A Visão dos Vencidos: Cem Anos Depois”, Pitaluga é um dos organizadores da série de eventos que nesta semana pretendem relembrar o centenário da morte do político e, principalmente, defender a revisão de seu legado. Descrito por muitos como um déspota, responsável direto por barbaridades como o massacre de 17 opositores na Baía do Garcez e pela manutenção de um regime de terror entre os funcionários de sua usina, Paes seria, a partir desta ótica, um empresário moderno e dinâmico, que acabou por se tornar um político incômodo às antigas oligarquias. “Totó Paes era um líder que, continuando na vida política e na liderança econômico-industrial, por certo impediria, tempos depois, a continuidade do poder de Generoso Ponce e seus correligionários”, aponta o historiador, em seu estudo. Empossado presidente do Estado em 15 de agosto de 1903, Totó Paes vinha obtendo bons resultados com uma administração baseada na austeridade, aponta PiHistória de Mato Grosso - 197

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taluga. “(...) Iniciou um governo de moralização, a iniciar pela normalização das alquebradas finanças do Estado. Era uma mentalidade nova, que afetava muitos interesses”. A derrota para as forças de Generoso Ponce, que conseguiu arregimentar quase 4 mil homens para a chamada “revolução de 1906”, significaria também o início da campanha contra sua memória. “Não queremos colocá-o em um pedestal, acima do chão, como fizeram com aqueles que o assassinaram. Existem idéias e idéias, teorias e teorias. Nosso objetivo é apenas que a verdade seja esclarecida”.
Arquivo: Jornal Diário de Cuiabá- Edição nº 11559 06/07/2006   RODRIGO VARGAS Reporter

- Na busca de mangabeiras, alguns encontraram diamantes, iniciando assim uma corrida em busca da valiosa pedra. Fato violento ocorrido na região leste do Estado (Araguaia) na década de 20 Morbeck (baiano) è Barra do Garça Carvalhinho (pernambucano) è Alto Araguaia - Estes eram Engenheiros, sócios de garimpos de Diamante na região. - Conflito pelo controle político e econômico dos garimpos de diamante - Interesse do Governador Pedro Celestino Correa da Costa (pai de Fernando Correa da Costa) em enfraquecer o Cel. Morbeck e implantar o seu poder na região Motivo: Cel. Morbeck nunca deu apoio político a Pedro Celestino (transferir o poder de Morbeck a Carvalhinho) - Nomeação de Carvalhinho para o cargo de chefe da polícia (poder maior do que o de prefeito) - Carvalhinho inicia uma onda de críticas a Morbeck (provocação) - Morbeck ataca Carvalhinho (disputa dura aproximadamente 20 anos) - Foi no Governo de Mário Correa da Costa que as coisas se apaziguaram. Coube ao Tenente Telésforo Nóbrega a mando do governador garantir e controlar a situação. - Não conformado com a possibilidade de não retomar o poder, Carvalhinho ataca a força estadual, onde morreram muitos soldados inclusive o próprio Ten. Telésforo. - Temendo o revide do governo, fogem para Goiás, mas logo são presos e levados para Cuiabá, onde ficaram presos até 1930, quando foram soltos pelo governo Vargas. Curiosidades: - O conflito entre Morbeck e Carvalhinho, também é chamado com Morcegos contra os Cai Nágua. Isto porque Morbeck iniciou o conflito atacando Carvalhinho no período noturno e Carvalhinho fugiu pelo (rio Araguaia).

3.1.4 – Caetanada (1916)3.1.4 – Caetanada (1916) - Movimento ocorrido em 1916, o qual envolvia questões relacionadas as eleições de Caetano Manoel de Farias Albuquerque (Gen. Caetano) - Caetano, nega exonerar funcionários públicos considerados pelo seu partido (PRC — Partido Republicano Conservador) como adversários - Caetano passa a sofrer pressões de vários políticos da Câmara de Deputados e do Senador Antônio Francisco Azevedo (Vice-presidente do Senado) - Não encontrando saída, Caetano acena com a renúncia e pede licença a assembléia (viagem para o RJ para formalizar a renúncia) - Devido o apoio de Pedro Celestino (Partido Republicano de Mato Grosso) Caetano desiste de renunciar e cerca a Câmara de Deputados - Alegando falta de segurança o Presidente da A.L, transfere os trabalhos para Corumbá, dividindo o governo:

- A.L, pede o impeachment de Caetano Albuquerque, que este procura se defender através de um hábeas corpus (STF) - Wenceslau Braz intervém no estado, colocando como interventor federal Camilo Soares de Moura, sendo substituído rapidamente pelo então Bispo Dom Aquino Corrêa. 3.1.5 – Morbeck e Carvalhinho3.1.5 – Morbeck e Carvalhinho - Na década de 20 muitos migrantes (MG e NE) vieram para a região Leste de Mato Grosso, em busca das “famosas mangabeiras” árvores que se multiplicaram por todo a região do Araguaia.
198 - História de Mato Grosso

- O Brasão de Armas de Mato Grosso foi criado neste período exatamente em 14/08/1918, pela resolução nº 799: D. Francisco de Aquino Corrêa, Bispo de Prusíade, Presidente do : Estado de Mato Grosso. Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Legislativa decretou e eu sancionei a seguinte
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Resolução: Art. 1 ° - O Brasão d’ Armas do Estado de Mato Grosso compõe-se de um escudo em estilo português, isto é, com a ponta redonda, ocupada por um campo de sinople, sobre o qual assenta, lado a lado, um morro de ouro com dois cabeços, sendo um no centro do escudo, e outro um pouco mais abaixo, para a sinistra do mesmo. O resto do escudo é um céu de blau, sobre o qual domina, em chefe, a peça heráldica ultimamente consagrada no Brasão da Cidade de S. Paulo, como símbolo do bandeirante, símbolo este que consiste em um braço armado a empunhar uma bandeira com a flamula quadridentada e ornada com a Cruz da Ordem de Cristo, tudo de prata, exceto a cruz que é de goles. O escudo tem por timbre uma fênix de ouro a renascer da sua imortalidade ou fogueira de goles, e por suporte dois ramos floridos, um de seringueira e outro de erva-mate, enlaçados na base por uma fita que traz a legenda: “Virtute Plusquam Auro”. Art. 2° - Fica o Poder Executivo autorizado a abrir o necessário crédito para as despesas de impressão e propaganda do referido brasão. Art. 3° - Revogam-se as disposições em contrário. Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Resolução pertencer, que a cumpram e façam cumprir fielmente. O Diretor da Secretaria do Governo a faça imprimir, publicar e correr. Palácio da Presidência do Estado, em Cuiabá, 14 de agosto de 1918, 30° da República.

ta, conhecido como Rusga, se caracterizou também como uma luta armada entre a facção tradicional e a elite emergente pelo controle do poder político mato-grossense. O fim da chamada rebelião cuiabana, com a prisão dos líderes nativistas, não acabou com o uso da violência como instrumento de conquista de poder. O advento da República, em 1889, também não modificara em nada esta situação. Muito pelo contrário. O novo regime intensificou o clima de violência no Estado, abrindo maior espaço à situação declarada do coronelismo. Através do sistema de coronelato, reconhecia-se a força de alguns coronéis pelo beneplácito do poder público. Contudo, em muitas ocasiões, esta força política era contestada pelos opositores. Em 1890, por exemplo, o General Antônio Maria Coelho, aliando-se ao Clube Militar “Benjamin Constant”, empreendeu uma luta aberta contra o coronelismo regional via Partido Nacional, além de utilizar-se (no governo estadual) de todos os mecanismos de pressão política e da máquina administrativa do Estado para coagir os partidários ou correligionários do Partido Republicano, na tentativa de enfraquecer a força política do Coronel Ponce. O Coronel Generoso Ponce, no entanto, agiu rápido. Ao lado de Antônio Azeredo e Joaquim Murtinho, forçou a deposição de Antônio Maria Coelho do governo de Mato Grosso pelo então Presidente do Brasil, Deodoro da Fonseca. Em 1892, esse quadro inverteu. O governador deposto e seus aliados destituíram o Presidente eleito do Estado, Manoel José Murtinho. O que levou o Coronel Ponce, á frente de 3.000 homens armados (Legião Patriótica “Floriano Peixoto”) a invadir Cuiabá e derrubar o governo instalado pelo grupo de Antônio Maria. Desse modo, em julho de 1892, Manoel Murtinho pôde retornar ao governo do Estado. Sete anos depois deste episódio, a pistola e a violência voltaram a ser apêndices da política mato-grossense. De um lado, o Coronel Ponce e seus aliados procurando, através de trincheiras, resistir o cerco em que eram submetidos; do outro lado, os Murtinhos e Totó Paes que estreitavam ainda mais a pressão. Sangue, terror e pânico dominaram a Capital. No final do quinto dia de massacre das forças de Totó Paes, o grupo poncista foi destronado do controle político regional. Passando, então, a governar o Estado, Antônio Pedro Alves de Barros, um dos aliados de Totó Paes. A partir de então, ocorreu uma série de violências contra os que se opunham á nova força política oligárquica no poder. A mais tristemente célebre delas, a chacina da Baia do Garcez, em 1901, levou a morte 17 poncistas. Sucederam-se violências de toda ordem: fraudes eleitorais, compra de votos, perseguições, demissões de funcionários ligados a oposição, retaliações, espancamentos e assassinatos. Os membros do grupo que ascenderam às posições de mando, interviam continuamente nos arranjos político-partidários, não medindo as conseqüências de suas imposições.
História de Mato Grosso - 199

TEXTO COMPLEMENTAR:
A cultura política de Mato Grosso I Diante do episódio envolvendo o atentado contra um dos postulantes a uma das vagas na Câmara Municipal de Cuiabá, o eleitor ficou meio assustado e, certamente, procurou respostas convincentes que pudessem explicar tal ato. Não as encontrando, perdeu parte de sua confiança na vida político-partidária e nos políticos. Mal sabe ele que a cultura política de todas as unidades brasileiras foi - e continua sendo - sempre a luta pelo poder, a luta de interesses dos grupos, disfarçados de ideais, a ser usada ou para manutenção ou para conquista de cargos eletivos (e do governo). Nesta luta, a pistola e a violência sempre estiveram presentes. Foi a violência armada, empreendida pelo Governador da Capitania de São Paulo, que destruiu o prestígio dos irmãos Leme e destituiu Pascoal Moreira Cabral do posto de Guarda-mor. O último Governador e Capitão-general da Capitania de Mato Grosso, Francisco de Paula Magessi, caiu em virtude de um movimento violento. Este marcou a passagem do poder das mãos do representante da Coroa portuguesa para uma elite dominante radicada em Cuiabá. A violência transformava-se, então, em instrumento de obtenção e manutenção do poder político no Estado. Isso ficou claro em 1834, quando um movimento nativisCurso Preparatório para: Agente/Assistênte Prisional

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Por essa razão (uma delas), a oposição (liderada por Ponce, Pedro Celestino e os Murtinho) se levantou contra o governo de Totó Paes. Este, sentindo-se pressionado, abandonou o Palácio do governo e escondeuse numa fábrica de pólvora no Coxipó do Ouro. Descoberto, foi friamente assassinado. Com isso, o grupo do Coronel Ponce voltou a controlar politicamente o Estado. Depois de um certo período da chamada “paz armada” (1907-1916), a violência, como estratégia de obtenção e manutenção do poder, voltou a ser empreendida. Desta feita governava Mato Grosso o General Caetano de Albuquerque. No geral, a violência ocorreu tanto no embate jurídico como na luta armada, manifestando-se de forma mais cruel e brutal. A Caetanada chegou ao seu final em 1917, com a intervenção do Presidente da República, Wenceslau Brás. Mato Grosso passou, então, a ser administrado por um Interventor Federal. Registrou-se uma certa trégua. As pistolas e a violência foram substituídas por acordos políticos entre os líderes partidários. A eleição de Dom Aquino Corrêa, por exemplo, foi fruto dessa suposta conciliação. A mesma que promoveu o retorno de Pedro Corrêa da Costa ao governo (1922-24) e foi estendido aos governos de Estevão Alves Corrêa (1924-26) e Mario Corrêa da Costa (1926-30). Apesar dessa conciliação, registravam-se a retaliação e as antigas perseguições políticas; as trincheiras foram reconstruídas e as pistolas, reapareceram-se. Desse modo, nas diversas regiões do Estado, ocorreu a luta pelo poder de mando local (o conflito entre José Morbeck e Manoel Balbino de Carvalho, no garimpo do Garças e do Araguaia, pode ser colocado como exemplo); enquanto na esfera do governo estadual, os membros dos Partidos Conservador e Republicano mantinham vivas as velhas estratégias de ascensão ao poder. Porém, a partir de 1930, as raposas da política são, aos poucos, tiradas do mando político estadual. Em seus lugares, assumem indivíduos que, embora nativos do Estado e identificados com os grupos dominantes, não eram muito ligados às raízes partidárias. esses indivíduos eram os chamados interventores, nomeados pelo Governo Federal. Contudo, a partir de 1935, o sistema de interventorias terminara. O Estado, então, passou a ser administrado por um governador eleito pelos constituintes estaduais, em virtude de uma coligação partidária envolvendo os partidos mais representativos na assembléia legislativa do Estado. Mário Corrêa, no entanto, não conseguiu manter por muito tempo a aliança que o elegera. Mas isso, prezado leitor ou prezada leitora, é tema do nosso próximo artigo.
(LOUREMBERGUE ALVES) Arquivo: Jornal Diário de Cuiabá- Edição nº 9806 11/12/2000)  

Em 1929, com a quebra da bolsa de Nova Iorque, a crise do café chega ao seu limite, fazendo com que as exportações do produto diminuíssem de forma drástica. Devido a própria crise, Washington Luís não atende os produtores (coronéis), com o Convênio de Taubaté, gerando um grande desconforto entre as oligarquias e o governo federal. No inicio do processo eleitoral em 1930, quando Minas Gerais esperava através do seu então governador: Antônio Carlos Ribeiro de Andrada a indicação para a Presidência da República, Washington Luís de forma surpreendente indica o paulista Júlio Prestes. Quebra a Política do Café-com-leiteQuebra a Política do Café-com-leite Andrada então busca apoio em outros estados para formar uma chapa de oposição a Júlio Prestes. Formação da chapa chamada, Aliança Liberal, composta pelos estados de MG., RS. e PB.. A chapa seria composta da seguinte forma: - PRESIDENTE: Getúlio Dorneles Vargas (RS.) - VICE: João Pessoa (PB.) Como toda a Máquina Político-Eleitoral, estava nas mãos do Presidente Washington Luís, era lógico que o vencedor seria Júlio Prestes e não Getúlio Vargas. Em 03 de outubro de 1930, Vargas lidera um movimento golpista, que termina em 24 de outubro do mesmo ano, este impede Júlio Prestes de tomar posse e coloca do poder Getúlio Vargas. 3.2.1 – Os Interventores Vários interventores federais, sucederam-se nos governos de todos os Estados, somente Minas Gerais foi exceção. Para Mato Grosso inicialmente , foi enviado o Cel. Antonino Mena Gonçalves, o segundo interventor foi Artur Antunes Maciel, o terceiro Leônidas Antero de Matos e o último foi Julio Muller. 3.2.2 – A Revolta Constitucionalista e a criação do Estado do Maracajú - 1º divisão do estado - (19311932)
Ã

SÃO PAULO

GETÚLIO VARGAS

3.2 – A ERA VARGAS O último Presidente da chamada República Oligárquica (1889-1930), foi o fluminense Washington Luís (1926-1930), este mantinha todos os acordos (Convênio de Taubaté e Política do Café com Leite) entre as oligarquias regionais.
200 - História de Mato Grosso Soldados paulistas. http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http:// upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d5/ Tunel_1932.jpg/300px-Tunel_1932. Curso Preparatório para: Agente/Assistênte Prisional

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Movimento ocorrido em São Paulo, contra o governo de Vargas. Com a desculpa de querer reconstitucionalizar o país, os paulistas irão entrar em choque com o governo, pedindo a renúncia de Vargas. Na verdade o que os paulistas queriam era a saída de Getúlio para que estes pudessem restabelecer o poder perdido com o golpe de 30 A região sul do Mato Grosso, aproveitando a situação irá participar desta revolta apoiando os paulistas, com o interesse de em um novo governo sem Getúlio, estes conseguiriam a separação do Mato Grosso por um curto período, rapidamente organizaram um governo onde o médico Vespasiano Barbosa Martins, seria então chefe do executivo do Estado do Maracajú, este durou 90 dias, quando o governo federal acaba com a revolta.

3.2.3 – Tanque Novo (1933)

Costa, Maria de Fátima Gomes. Dissertação de Mestrado/ UnB/ (1987)

- Líder: Laurinda de Lacerda Cintra (Doninha) - Baseado nos “dons” místicos de Dona Doninha, o que deu origem a um movimento político “religioso” , que obteve grande repercussão no Estado - Doninha começou a ter visões de urna santa chamada Maria da Verdade (Jesus Maria José), este fato desencadeou uma verdadeira peregrinação ao local (Poconé) - Doninha proíbe a comunidade a consumir bebidas alcoólicas e diariamente eram realizadas procissões - A população cresce rapidamente e seus habitantes passam a ser identificados como oposicionistas a Vargas (inicia a perseguição) - 1932, Tanque Novo é invadido e Doninha é presa (84 dias) em Cuiabá - Situação piora quando os moradores se filiam ao Partido Constitucionalista de Mato Grosso (votação maciça contra o governo que apoiava a Aliança liberal pró Getúlio) - Nova invasão em 1932, agora com uma grande resistência aramada (Doninha é presa novamente) - Doninha foi julgada e libertada em 1934 (morreu em 23/06/ 1973) Curiosidades: - Nhô Tico, prefeito de Poconé, será um dos maiores opositores, promovendo verdadeiras perseguições aos moradores de Tanque Novo, alegando desordem e anarquia - O episódio do Tanque Novo é caracterizado como um movimento político, cujos interesses das forças getulistas era a manutenção do controle do voto no município de Poconé 3.3 – OS GOVERNOS MILITARES Governava o Mato Grosso pela segunda vez: Fernando Corrêa da Costa.
História de Mato Grosso - 201

Soldados da União entrincheirados em Silveiras, Vale do Paraíba http://www.getulio50.org.br/textos/gv6.htm

Fique esperto na prova: - A data do início da revolução foi estabelecida em 14 de julho. No entanto, o início das hostilidades se precipitou com a destituição e passagem para a reserva de Bertoldo Klinger, comandante militar de Mato Grosso, que havia rompido publicamente com o Governo Provisório e prometido apoio das tropas sob seu comando ao movimento paulista. As expectativas eram de que cinco mil soldados sediados em Mato Grosso passassem a fazer parte das forças revolucionárias. - Foi no governo de Julio Muller que o Colégio Liceu Cuiabano foi construído, bem como o Grande Hotel (posterior sede do finado Banco Bemat) e a ponte ligando Cuiabá e Várzea Grande, denominada Ponte Julio Muller. - O que de certa forma oficializou a Política do Café com Leite, foi o Pacto de Ouro Fino, assinado em 1913 na cidade de Ouro Fino (MG) - Em 1943, foi criado pelo Governo Federal, o Território Federal do Guaporé, desmembrando parte do Estado de Mato Grosso e parte do Amazonas, este é o atual Estado de Rondônia (homenagem ao Mal Rondon)
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3.3.1 - A participação do Mato Grosso no golpe de 1964 - MT. Juntamente com SP, MG, RJ, RS, PR, GO, aliaram-se a favor do golpe militar - Tropas cuiabanas (16° BC - 44° BlMtz) partem em direção à Brasília e permanecem lá até a posse do Gen. Castelo Branco - A escolha para Presidente e Governador passou a ser indireta - MT, MG. e Guanabara, por terem elegido governadores os quais eram considerados pelos militares como inconvenientes, foram destituídos pelo AI-5, sendo Pedro Pedrossian o último governador eleito pelo voto direto. 3.3.2 – A 2ª divisão do Estado O governo federal decreta a divisão do estado em 1977, alegando dificuldade em desenvolver a região diante da grande extensão e diversidade. No norte, menos populoso, mais pobre, sustentado ainda pela agropecuária extensiva e às voltas com graves problemas fundiários, fica Mato Grosso. No sul, mais próspero e mais populoso, é criado o Mato Grosso do Sul. De certa forma a divisão do Estado foi necessária devido a grande quantidade de conflitos históricos nas regiões, ocasionadas por divergências políticas entre as lideranças do sul e do norte. Em 11 de Outubro de 1977 é promulgada a Lei Complementar nº 31 que cria o Estado de Mato Grosso do Sul. Em 1979 e efetivada a divisão territorial. Os principais movimentos divisionistas foram: • Final do Séc. XIX => Fundação do Partido Autonomista, liderado por Barros Cassal e João Caetano Muzzi • 1901 => Movimento divisionista liderado por Jango Mascarenhas (João Ferreira Mascarenhas) • 1932 => Região sul apóia os paulistas na Revolta Constitucionalista ocorrida em São Paulo contra o governo de Vargas, chegando a ponto de nomearem Vespasiano Barbosa Martins como Governador da região sul • 1934 => Vespasiano Barbosa lidera um novo movimento divisionista, levando até o Congresso Nacional um manifesto pró-divisão do Estado. • 1937 => Nova tentativa frustrada de divisão no momento da discussão entre os limites de Goiás e Mato Grosso • 1947 => Tentativa de se introduzir na Constituição Estadual, a possibilidade de mudança da Capital do Estado. • Dec. 50 è Grande quantidade de manifestos são apresentados à Câmara dos Deputados, os quais pretendiam a divisão.
202 - História de Mato Grosso

• 1960 => A vitória de Jânio Quadros , para presidência da República, fez com que as intenções de divisão se intensificassem ainda mais pois o mesmo era nascido na região sul de Mato Grosso • 1963 => “Manifesto pró-divisão do Estado de Mato Grosso”, este circulou e pela primeira vez é visto claramente a intenção também do norte para a divisão. • 1977 => E criado o Estado de Mato Grosso do Sul 3.4 – A Nova República 3.4.1 – Histórico dos últimos governadores Governadores do Mato Grosso

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3.4.1.1 – Pedro Pedrossian (Pedro Placa)

Com o slogan “O novo Mato Grosso” , Pedrossian, dá inicio a um grande programa de obras a serem realizadas em todo o estado: - Construção da nova ponte Júlio Muller - Estação de abastecimento de água e captação - Ampliação da produção de energia elétrica - Criou o anel rodoviário (Perimetral) - Concluiu a construção do Hospital Geral - Criou a Universidade Federal de Mato Grosso (1º Reitor Dr. Gabriel Novis Neves)
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3.4.1.2 – José Fragelli

- Surge POLONOROESTE (Programa Integrado de Desenvolvimento do Noroeste do Brasil) - INTERMAT (Instituto de Terras do Mato Grosso) - Ampliação do sistema de abastecimento de água da Capital - Diretas Já, reinicia as eleições diretas para governadores de Estado 3.4.1.6 – Júlio Campos

- Estendeu a rede de transmissão de energia gerada em Urubupungá (região sul) - Implantou a linha de transmissão da Cachoeira Dourada-Cuiabá (região norte) vo - Construiu o C.P.A. – Centro Político e Administrati- Construiu o Estádio do Verdão 3.4.1.3 – Garcia Neto - Primeiro governador eleito pelo voto direto - Construção e pavimentação de estradas (ex. a estrada de Jangada) - Aceleração do processo de colonização da região norte - teve como meta transformar Mato Grosso no “Celeiro Agrícola do Brasil” - Natural de Sergipe, foi eleito de forma indireta pela Assembléia Legislativa, no governo do Presidente Geisel - Ocorreu o processo de divisão territorial do Estado de Mato Grosso - Renunciou ao governo do Estado para ser candidato ao Senado (1978), sendo que foi derrotado pelo Dep. José Benedito Canelas 3.4.1.4 – Cássio Leite de Barros do - Primeiro governador após a divisão de fato do Esta- Plano de extensão da energia termoelétrica - Oficializou o Hino de Mato Grosso (composto por Dom Francisco de Aquino Correa e música de Emilio Heiner) so - Inicio da construção da usina hidroelétrica de Man-

- Construção das hidroelétricas de Apiacás, Caiabis, Primavera, Culuene, Juina, Braço Norte e Aripuanã. - Deixou o governo para se candidatar a Deputado Federal, assumiu o seu vice Wilmar Peres (10 meses) 3.4.1.7 – Carlos Bezerra

- Vice de Garcia Neto, o qual havia deixado o governo para disputar uma cadeira no Senado - Garcia Neto perde a disputa eleitoral 3.4.1.5 – Frederico Campos

- Slogan “Em direção ao Social” - Constituição de 1988 (Presidente José Sarney) - Abriu o Estado para a colonização, trazendo uma grande quantidade de migrantes, os quais fundam várias cidades - Inicio o PROMAT (Programa Especial de Desenvolvimento de Mato Grosso)
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- Abertura democrática da educação (eleição para diretores de escolas) - Criação da Secretaria de Meio Ambiente - Criação da ZPE (Zona de Processamento de Exportação) em Cáceres, para escoar a produção regional
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- Surge a Ferronorte, empreendimento ferroviário, onde procurou interligar Mato Grosso aos portos brasileiros - Atrasos nas folhas de pagamento, torna o governo tumultuado - Deixa o governo em 1990 para concorrer a uma vaga no Senado, assume o vice Edson de Freitas. 3.4.1.8 – Jaime Campos

- Reforma e reestruturação do Estado è Extinção: CODEMAT, COHAB, CASEMAT, BEMAT entre outras, a SANEMAT foi municipalizada. - Conclusão da Usina de Manso - Construção do Ramal Gasoduto Brasil-Bolívia - Privatização da Cemat e Telemat * 2º Mandato - Renegociação das contas públicas; - Lançamento do Programa “Mato Grosso, é Hora de investir” - Mato Grosso assume o segundo lugar na produção de grãos - Aumento significativo do rebanho bovino - A ferrovia chega a Mato Grosso - Na educação implantou a Gestão Compartilhada (consolidou a democracia nas escolas de Mato Grosso)

- Priorizou o transporte ( conservação e restauração de rodovias) - Assinou um acordo em Santa Cruz de La Sierra, ligando a cidade de Cáceres por via fluvial com a cidade de Nueva Palmira no Uruguai via Rio Paraguai - A FIEMT (Federação das Indústrias de Mato Grosso) inicia integração Sul-americana, trabalhando uma saída via Oeste ‘Oceano Pacifico’ -Trabalhou-se um acordo comercial com a Bolívia, Chile, Argentina e Brasil; - Visita do Papa João Paulo II a Cuiabá (1991) 3.4.1.9 – Dante de Oliveira

- Autonomia financeira administrativa e pedagógica nas escolas; - Construiu a Ponte Sérgio Moita, ligando Cuiabá a Várzea Grande - Construiu o Parque Mãe Bonifácia; - Projeto Tucum, Educação lndígena - Criação do PRODEI e FUNDEIC - Secretaria adjunta de comercio exterior (Pró-madeira, Pró-couro, Pró-café, Prodemat e Pró-granja); - Criação do FETHAB - Programa Luz no Campo; - Criação dos Programas PADIN e PADIC voltados para a pequena produção; - Programa PANTAN visa o desenvolvimento sustentável do Pantanal; - Deixa o governo para ser candidato ao Senado. Assume Rogério Salles; - Morre em Julho de 2006, devido uma infecção generalizada causada por uma pneumonia 3.4.1.10 – Blairo Maggi

Um dos políticos mato-grossenses de maior relevância nacional, grande idealizador da emenda constitucional (CB 67) conhecida como: emenda Dante de Oliveira ou emenda das Diretas Já! Foi ministro no governo de José Sarney. * 1º Mandato - Transforma Mato Grosso em grande pólo agroindustrial - Assegura a biodiversidade, promove a integração regional e internacional, assegura o equilíbrio fiscal - Buscou levar Mato Grosso ao Cenário nacional e internacional (“vendia” bem o Estado) - Período marcado também por protestos e prisões, situação política e social complicada
204 - História de Mato Grosso

Gov. Blairo Maggi, o rei da soja - Aos 43 anos Blairo Maggi nasceu em São Miguel do Iguaçu, Estado do Paraná. Foi amador de paus em Boião, engraxate, formado em Agronomia, Produtor Rural e Empresário;
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Fone: (65) 3624-4404 - Eleito em primeiro turno com mais de 60% dos votos, com poucos dias de campanha - Toma posse em 2003 pela coligação “Mato Grosso mais forte” - Em campanha apresentou como proposta: - Trabalhar as reformas estruturais do Estado como a reforma tributária. - Como político antes de eleito Governador foi Suplente e Senador da República por alguns meses; - Eleito Governador trabalha a transparência - Trabalha a idéia de valorização de quem produz e o respeito de quem paga seus impostos; - Por decreto Governamental, baixou o ICMS da carne, do arroz e do feijão produzidos de MT; - Tomou uma medida e racionalizou a Máquina Pública, reduzindo as despesas e gastos nos setores públicos. Reduzir a 50% do orçamento os gastos públicos e todas as Secretarias do Estado. - Em parceria, vem trabalhando a malha viária Estadual, para escoamento da Produção Rural.

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Conceito: Empresas metropolitanas que intermediavam o comércio entre metrópole e colônia 4.1 – SISTEMAS PRODUTIVOS Sistemas produtivos, são os períodos em que determinado produto foi importante para a economia de nossa região. Em toda a história de Mato Grosso encontramos os seguintes sistemas:

4.0 – Economia
Mesmo não sendo (“ainda”) território oficialmente português, Mato Grosso fazia parte da Capitania de São Paulo, sendo assim todas as políticas aplicadas pela Metrópole dentro da colônia eram colocadas em prática também no Mato Grosso. Tais políticas estavam inseridas no sistema colonial, que nada mais era que o conjunto de práticas políticoeconômicas que refletiam até mesmo na sociedade, dentre estas práticas podemos citar: - Pacto-Colonial: Permeava todo o sistema colonial, pois era o que defina as relações econômicas entre metrópole e colônia.

4.1.1 – MINERAÇÃO “Em pó, em pepita ou em grão, só o ouro valia!“ Como já vimos anteriormente, a mineração foi a grande responsável pela colonização e urbanização de algumas regiões de Mato Grosso Características principais: - Mão-de-obra => 1719 a 1889: negra e nativa 1889 ... - Extrativismo mineral - Mercado Externo - Fiscalização Rígida (Casas de Fundição) - Altos Impostos - Ouro de Aluvião (superficial) - Técnicas de retirada arcaicas: Faiscação e Lavra - Sociedade: Urbana, tendências matriarcais e classes sociais : livre

Conceito: podemos conceituar o pacto-colonial de várias formas: - Monopólio comercial da metrópole dentro da sua colônia - Conjunto de obrigações devidas pela colônia a sua metrópole - Companhias de Comércio: mantinha funcionando todo o sistema colonial, através do “comércio” entre metrópole e colônia.

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História de Mato Grosso - 205

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A fiscalização sobre a produção de ouro era extremamente rígida e presente, ou seja os representantes da Coroa Portuguesa, verificavam de perto toda a movimentação das minas. O principal imposto cobrado pela Metrópole era o Quinto este era cobrado nas Casas de Fundição, local onde o ouro era derretido transformado em barras e quintado, ou seja, retirava-se 20% como imposto. Após este processo o ouro era entregue a Coroa, respeitando o Pacto-Colonial. Sociedade

- Período dos Engenhos (Séc. XVIII e XIX) - Período das Usinas (Séc. XIX e XX) Período dos Engenhos (Séc. XVIII e XIX) Características principais do período: - Mão-de-obra predominantemente escrava negra (Guiné) - produção nômade - cultivo primitivo, baseado nas cheias e vazantes dos rios - consumo interno (abastecimento das regiões auríferas) Neste momento a cana-de-açúcar e todos os seus produtos derivados, possuíam uma função econômica paralela ao da mineração, ou seja, convivia economicamente com a extração de ouro e pedras preciosas, fornecendo não só açúcar, mas também aguardente. Tais produtos possuíam uma importância impar para a população garimpeira, servindo de remédio e fonte de energia (glicose e sacarose) devido a dificuldade de se conseguir alimentos de outras regiões. Logo a produção se alastrou por toda a região de Chapada dos Guimarães, Poconé, Livramento e Cáceres (aproveitando as margens dos rios) na metade do século XVIII, a província mato-grossense possuía 19 engenhos. Os engenhos eram construções simples, com tecnologia rudimentar, construídos com madeira e movidos a forca animal e em alguns casos hidráulica. Período das Usinas (Séc. XIX e XX) Características principais do período: - Mão-de-obra escrava e livre - cultivo sistematizado e extensivo - consumo interno e externo A expansão do mercado consumidor, devido a abertura da navegação pelos rios da bacia platina, fez com que as possibilidades de produzir açúcar para exportação aumentassem sobre maneira, mas havia um problema: o açúcar mato-grossense não possuía qualidade suficiente para atender o mercado europeu. O açúcar deveria ser refinado e de boa qualidade, diferentemente do famoso e batizado “potó”. Isto obrigou os antigos senhores de engenho a buscar tecnologia estrangeira para fabricar o produto desejado pelos europeus, surgiam assim as usinas de açúcar. O dia a dia nas usinas O período da safra era entre maio e novembro, dias difíceis de muito trabalho, podemos identificar os personagens das usinas as seguinte forma:
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Curiosidades: - “Nesta sociedade, inicialmente reinava a discórdia e a ambição. Campeava o assassinato, o roubo e toda sorte de crimes. O bandeirante aventureiro, sem qualquer instrução, agia somente em proveito próprio, dando asas à ganância e cometendo as maiores atrocidades para conseguir um punhado de ouro ou uma curva do córrego para batear” - “ O ouro corria livre. Era o padrão monetário oficial do lugarejo. Só com ele, a preços absurdos, compravase o peixe e o charque, o sal e a pólvora, a roupas e as armas. Com ele alugavam-se ou compravam-se as miseráveis palhoças que proliferavam córrego abaixo. Seu peso era o fiel da balança para aquisição de um escravo, índio, negro ou pardo, e ainda, com ele negociava-se a companheira para servir ao senhor e ao mesmo tempo continuar sua prole.” Costa e Silva, Paulo Pitaluga. Casas de Fundição em Mato Grosso. Cuiabá. 1977. - Entre 1825 e 1833, as Casas de Fundição, passaram a cunhar moedas de cobre no valor de 20 réis, 40 réis e 80 réis. - Em 1831, a cunhagem de moedas começou a ser centralizada no Rio de Janeiro (Criação da Casa da Moeda) - Em 1833, foram encerrados os trabalhos da Casa de Fundição de Cuiabá . - No longo do tempo em que as Casas de Fundição cunharam moedas (1825 a 1833), estas atenderam principalmente os interesses do governo, sendo uma verdadeira máquina de fazer dinheiro, sendo utilizada para pagar dividas públicas, salários e soldos. 4.1.2 – Cana-de-Açúcar Trazido pelo Vice-Rei das Índias, Martin Afonso de Souza, a cana-de-açúcar, foi o primeiro produto sistematicamente plantado no Brasil. No caso do ciclo econômico cana, na região do Mato Grosso, teremos dois períodos distintos:
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- Camaradas: trabalhadores que se dedicavam as tarefas mais duras e pesadas, construíam suas próprias casas e cuidavam se sua alimentação (quebra-torto). - Operários: trabalhavam diretamente nas fábricas, costumavam a trabalhar muito cedo (madrugada) e também se utilizavam do quebra-torto - Encarregado da fazenda: responsável pelo gado e sub-produtos cio - Encarregado do armazém: responsável pelo comér-

4.1.3 – Erva Mate

- Encarregado do depósito: responsável pelo armazenamento da produção - Guarda-livros: era o contador, cuidava das finanças das usinas - Chefe da Fábrica: direção da Casa de Máquinas - Encarregado Geral: gerencia a usina como um todo - Coronel: proprietário da fazenda e da usina, utilizava-se da violência para fazer cumprir todas as suas ordens, criando até mesmo um código de leis, que ele mesmo estipulava. Curiosidades: - A Metrópole não via com bons olhos, o fornecimento de aguardente na região, acreditando ser este produto fator principal para uma diminuição da produção aurífera da região. Em 1735, o Conde de Sarzedas, governador da capitania de São Paulo, ordenou a destruição de todos os engenhos de cana-de-açúcar das regiões das minas de Cuiabá, sendo que não teve sucesso. - O açúcar produzido em nossa região era conhecido como “potó”, de cor escura e pouco solúvel (mascavo), este abastecia somente a baixada cuiabana e adjacência - quebra-torto, era uma alimentação completa, ou seja era como se fosse um almoço realizado no final da madrugada, justamente para que o trabalhador pudesse suportar o duro trabalho. - Atualmente a Fazenda Ressaca, onde operava a Usina da Ressava, é um moderno centro de criação de gado, trabalhando inclusive com tecnologia de biologia genética para melhoramento de raça, pertencente à Grendene S.A.. Mas, desde 1902 até 1967 a Fazenda Ressaca funcionou como usina de açúcar e aguardente, produzindo 3.500 sacas de açúcar e 100.000 litros de aguardente por safra, chegando a ter 27.000 hectares de área. O empreendimento foi iniciado por D. Francisco Villanova, em 1872, posteriormente posto a funcionar por Dr. Joaquim Augusto da Costa Marques, com quem sua viúva contraiu núpcias. O prédio da casa de máquinas da Fazenda Ressaca foi construído em pedra canga lavrada, com argamassa de areia e cal, e impressiona pela solidez que vence aos anos. Fonte: Jornal A Notícia, ano II, n.º 56, de 18 a 24/08/ 2000.
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O ciclo da erva mate, verificado entre os anos de 1882 até 1947, foi o grande responsável pelo desenvolvimento e povoamento do Estado.  Segundo consta do relato de alguns historiadores, em 24 de dezembro de 1879, Thomaz Laranjeira enviou uma carta ao “Governo de Cuiabá”, informando que queria arrendar terras de ervais.  Num primeiro momento, mais precisamente em dezembro de 1882, através do Decreto 8.799, o Imperador concedeu permissão a Thomaz Laranjeira para colher “herva-matte”.  Posteriormente, em junho de 1890, o Chefe do Governo Provisório da República editou o Decreto 520 e ampliou a concessão, autorizando a exploração da “Herva-Matte” no Estado de Mato Grosso.  Para melhor ilustrar o documento citado e a preocupação dos Governantes à época, destacamos a redação utilizada no decreto:  ”...O Marechal Manoel Teodoro da Fonseca, Chefe do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brazil, constituído pelo Exército e Armada, em nome da Nação, atendendo à conveniência não só de promover o desenvolvimento da indústria extrativa de produtos florestais de Mato Grosso, como de aumentar a renda pública, resolve conceder permissão ao cidadão Thomaz Laranjeira para a exploração de erva mate em terrenos devolutos ...”  Deste trecho, devemos destacar três características que definem os objetivos da concessão:  1. a concessão foi feita “em nome da Nação”; 2. a concessão almejava o desenvolvimento da indústria extrativa e o aumento da renda pública e, finalmente: 3. a concessão era feita em “terras devolutas”.  Este foi um dos primeiros expedientes legislativos de que se tem notícia, tratando especificamente da exploração de erva mate em terras devolutas do Estado de Mato Grosso.
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 Não é difícil imaginar as dificuldades e obstáculos pelos quais os colonizadores se deparavam a cada dia, na árdua tarefa de povoar nosso Estado.  Os relatos nos contam inúmeros casos de doenças e mortes, houve, por isso, muitas importações de mãode- obra.  O ambiente era selvagem, com animais e insetos de todas as espécies, razão pela qual só o arrojado, o forte se ambientava.  Se estávamos diante de uma região despovoada, então, de onde vieram esses peões e por quê?  ”Vieram, quase todos da República do Paraguai, em dezenas e dezenas de levas, porque não estava compensando o pagamento, na zona ervateira, guarani...”  Mas não foram somente os paraguaios!  No início da “fabricação da erva”, era comum ver-se, changadores, aqueles que vivem de pequenos trabalhos de conclusão rápida, trabalhando em ranchadas ervateiras.  Nesta época, também segundo os historiadores, durante longos anos duas tribos de índios percorriam a fronteira Brasil-Paraguai: Teís e Caiuás.  Eram denominados índios errantes (nômades), pois jamais levantavam aldeias definitivas.  Nada de absurdo encontramos nesta afirmação, uma vez que estas tribos varavam ermos de mais de 600 léguas, tão somente para descobrirem novas paragens.   A tribo errante dos Teís faz parte da história do mate, sem nenhuma dúvida, pois jamais foi de se fixar, mas o pouco que parava – no caso da elaboração do mate, por exemplo, contribuía para a produção.  Os anos de 1882 e 1937 delimitam então o chamado ciclo da erva mate em Mato Grosso, sendo 1882 o início, o apogeu na década de 20 e o declínio em 1937.  A erva mate em Mato Grosso era nativa em vasta região, os ervais estendiam-se desde a foz do rio Pardo no Rio Paraná, por este até Sete Quedas, percorrendo a linha de fronteira com o Paraguai até Ponta Porã, e pela serra de Maracajú até os limites atuais do Município de Sidrolândia, daí pelo rio Pardo até sua foz, no Rio Paraná.  Percebe-se que a extensão dos ervais cobria praticamente todo a Região Sul do Estado, fronteira com o Paraguai.   Mas a época da extração foi terminando.   Com o fim da concessão outorgada e o cancelamento do contrato de exploração, no final dos anos 40, houve a liberação de mais de 2 milhões de hectares de terras do patrimônio do Estado.  Foi a liberação desta área que trouxe o seu desmembramento em milhares de títulos e na formação dos núcleos de povoadores, que se transformaram atualmente em mais de 20 municípios da parte sul de Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul)
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4.1.4 – Poaia (Ipeca)

A poaia passou a ter uma importância econômica em meados do Século XIX, quando começou a ser exportada para Europa. Dessa planta nativa de Mato Grosso, Bahia, Espírito Santo e Pará, eram aproveitadas as suas raízes para fabricação de medicamentos na Europa. Em Mato Grosso, as matas de poaia localizavam-se nas bacias dos rios Paraguai e Guaporé. Nos livros de plantas medicinais brasileiras a Cephaeles lpecapuanha é assim classificada: ‘família das rubiácias, é um arbusto que atinge em média 35 cm de altura, tem folhas ovais opostas, deformas lanceoladas, verdes; flores brancas pequeninas, encontradas em meio a mata cerrada; popular-mente conhecida como Ipeca, Ipecacuanha ou Poaia’. Para a exploração da poaia eram feitos arrendamentos através de empresas de capital estrangeiro ou nacional. No interior da mata instalavam-se as feitorias, barracões e ranchos de palha que serviam de depósito de mantimentos e da poaia e também de moradia para os poaeiros. Os trabalhadores eram contratados nas cidades, por empresas, para fazerem a extração das raízes e o salário pago era correspondente à quantidade de poaia extraída. Como era aproveitada somente a raiz, era necessário arrancar a planta, portanto, o período propício para sua extração era o das chuvas; nos outros meses o trabalhador deveria se autosustentar, então, retornava para a cidade na busca de sua sobrevivência. Assim que o trabalhador era contratado verbalmenCurso Preparatório para: Agente/Assistênte Prisional

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te, ele recebia como instrumentos de trabalho o sapicuá (recipiente de couro ou lona para transportar as raízes e ferramentas de trabalho) e o saraquá (instrumento usado para retirar as raízes do solo). O poaeiro recebia também uma certa quantidade de alimentos. Esses materiais eram descontados em valor monetário no acerto do pagamento, gerando uma dependência do trabalhador para com a empresa. Curiosidades: - Os poaeiros extraiam a ipeca nos meses de chuva e retornavam para casa na maioria das vezes doentes 4.1.5 – Borracha

4.1.6 – Pecuária Primeiramente, o crescimento da pecuária foi responsável pelo abastecimento interno da capitania de Mato Grosso, ainda no transcurso do século XVIII, propiciado pelas condições naturais, como terras e pastos em abundância. Já na segunda metade do século XIX, a criação de gado atendia inclusive parte do mercado internacional. Várias charqueadas iriam proliferar em algumas regiões de Mato Grosso, principalmente após o término da Guerra do Paraguai (1870). Essas “fazendas” produziam charque, caldo, extrato de carne, couro, sebo, que eram exportados para a Europa e algumas regiões platinas. Esse é o momento em que ocorre a expansão do capital dos grandes centros capitalistas para o restante do mundo. Em Mato Grosso esse capital chega para promover a instalação dessas empresas. A primeira charqueada instalou-se na região de Cáceres -Descalvado -, e seu proprietário era o argentino Rafael Dei Sar Mais tarde o saladeiro de Descalvado foi vendido a uma companhia belga, que o transformou em indústria de extrato de carne. Posteriormente, essa propriedade foi adquirida pela Brazil Land & Casttle Packing Co., empresa ligada ao sindicato Facquhr (Alemanha). A produção da pecuária teve seu maior impulso com a construção da ferrovia Noroeste do Brasil (SP/MT), no período da Primeira República. Na região sul de Mato Grosso, várias cidades se formaram a partir da ferrovia, dentre elas: Três Lagoas, Águas Claras e Ribas do Rio Pardo; outras tiveram sua população aumentada, como Campo Grande, Aquidauana e Miranda.

Os seringueiros trabalhadores da extração do látex, eram na maioria nordestinos que fugiam da seca na busca de melhores condições de vida. Estes acabavam encontrando uma mata hostil um exaustivo trabalho, adquiriam a preços elevados alimentos e demais produtos necessários a sua sobrevivência no armazém do seringalista (proprietário do seringal), este pagava um valor muito baixo pelas bolas de borracha do seringueiro, que eram revendidas a preços altos em casas comerciais Em Mato Grosso o látex era extraído principalmente das Mangabeiras de cor branco-azulado, com o qual se fabricava borracha de excelente qualidade, estas eram encontradas as margens dos rios que formam as Bacias do Rio Paraguai e Amazonas. A existência da Mangabeira passa a ser relevante no momento em que Mato Grosso se abriu para o comércio mundial ( 2ª metade do século XIX). Uma vez extraídas e rudimentarmente beneficiadas, essas matérias-primas seguiam para as indústrias nacionais e estrangeiras, através do rio Paraguai – estuário do rio da Prata. Somente com a construção da ferrovia Madeira-Mamoré (século XX) é que a produção da borracha, extraída da região amazônica e mato-grossense, seguia via porto de Manaus.
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O gado, a partir desse momento, passou a ser transportado em pé, do sul de Mato Grosso para a cidade de Bauru, Estado de São Paulo. A seguir, da s um quadro demonstrativo da quantidade de reses existentes por município de Mato Grosso, nas primeiras décadas do século XX :

Fonte: Elizabeth Madureira SIQUEIRA, O processo histórico de Mato Grosso, p. 77. A ferrovia não só impulsionou a produção da pecuária como aumentou o fluxo migratório para Mato Grosso; as terras foram valorizadas, gerando especulação imobiliária.
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01) A partir de 1750, com os Tratados de Limites, fixou-se a área territorial brasileira, com pequenas diferenças em relação a configuração atual. A expansão geográfica havia rompido os limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas. No período colonial, os fatores que mais contribuíram para a referida expansão foram: a) criação de gado no vale de São Francisco e desenvolvimento de uma sólida rede urbana. b) apresamento do indígena e constante procura de riquezas minerais. c) cultivo de cana-de-açúcar e expansão da pecuária no Nordeste. d) ação dos donatários das capitanias hereditárias e Guerra dos Emboabas. e) incremento da cultura do algodão e penetração dos jesuítas no Maranhão. 02) Personagem atuante no Brasil colônia, foi “fruto social de uma região marginalizada, de escassos recursos materiais e de vida econômica restrita (...)”, teve suas ações orientadas “ou no sentido de tirar o máximo proveito das brechas que a economia colonial eventualmente oferecia para a efetivação de lucros rápidos e passageiros em conjunturas favoráveis - como no caso da caça ao índio - ou no sentido de buscar alternativas econômicas fora dos quadro da agricultura voltada para o mercado externo (...)”.
Carlos Henrique Davidoff, 1982.

b) Explique as transformações econômicas que a mineração provocou no Brasil. 04) O bandeirismo foi uma atividade paulista do século XVI e XVII. Suas expedições podem ser divididas em dois grandes ciclos: a) O dos capitães do mato e de prospecção. b) O de expansão das fronteiras e de prospecção. c) Da caça ao índio e o de busca do ouro. d) O dos capitães do mato e de caça ao índio. e) O de expansão das fronteiras e o de busca do ouro. 05) Em 1694, uma expedição chefiada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho foi encarregada pelo governo metropolitano de destruir o quilombo de Palmares. Isto se deu porque a) os paulistas, excluídos do circuito da produção colonial centrada no Nordeste, queriam aí estabelecer pontos de comércio, sendo impedidos pelos quilombos. b) os paulistas tinham prática na perseguição de índios, os quais aliados aos negros de Palmares ameaçavam o governo com movimentos milenaristas. c) o quilombo desestabilizava o grande contingente escravo existente no Nordeste, ameaçando a continuidade da produção açucareira e da dominação colonial. d) os senhores de engenho temiam que os quilombolas, que haviam atraído brancos e mestiços pobres, organizassem um movimento de independência da colônia. e) os aldeamentos de escravos rebeldes incitavam os colonos à revolta contra a metrópole visando trazer novamente o Nordeste para o domínio holandês. 06) O Brasil estava sob domínio ibérico de 1580 a 1640. Neste período os criadores de gado e os bandeirantes, que buscavam metais e pedras preciosas, atravessaram a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas, incorporando ao território brasileiro: a) Minas Gerais, Amazonas e Pará b) Ceará, Piauí e Alagoas c) Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso d) Maranhão, Pernambuco e Bahia e) Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina
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O personagem e a região a que o texto se refere são, respectivamente: a) o jesuíta e a província Cisplatina. b) o tropeiro e o vale do Paraíba. c) o caipira e o interior paulista. d) o bandeirante e a província de São Paulo. e) o caiçara e o litoral baiano. 03) Comentando a Guerra dos Emboabas (1709), o historiador Antônio Sérgio escreveu: “Cedo no Brasil se buscaram as minas. Para isso se organizavam expedições (bandeiras) que se internavam pelo sertão. Enfim, a descoberta fez-se e a notícia atraiu muita gente. Os habitantes de São Paulo consideravam como inimigos todos os que pretendiam, como eles, enriquecer com o ouro”.
(adaptado de Antônio Sérgio, BREVE INTERPRETAÇÃO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL)

a) Quem eram os emboabas e por que os paulistas entraram em guerra contra eles?
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07) Os Bandeirantes paulistas foram responsáveis pela interiorização e expansão do projeto colonial português. Suas expedições visavam ao aprisionamento de índios, com a finalidade de transformá-los em mão-de-obra escrava, e a metais preciosos para seu enriquecimento pessoal ou da Coroa portuguesa. a) Diga como eram chamadas as expedições conduzidas pelos bandeirantes. b) Apresente pontos de divergência, presentes na Historiografia Brasileira, a respeito da ação dos Bandeirantes. 08) Qual destas definições expressa melhor o que foram as Bandeiras? a) Expedições financiadas pela Coroa que se propunham exclusivamente a descobrir metais e pedras preciosas b) Movimento de fundo catequético, liderados pelos jesuítas para a formação de uma nação indígena cristã c) Expedições particulares que apresavam os índios e procuravam metais e pedras preciosas d) Empresas organizadas com o objetivo de conquistar as áreas litorâneas e ribeirinhas e) Incursões de portugueses para atrair tribos indígenas para serem catequizadas pelos jesuítas 09) Podemos afirmar sobre o período da mineração no Brasil que a) atraídos pelo ouro, vieram para o Brasil aventureiros de toda espécie, que inviabilizaram a mineração. b) a exploração das minas de ouro só trouxe benefícios para Portugal. c) a mineração deu origem a uma classe média urbana que teve papel decisivo na independência do Brasil. d) o ouro beneficiou apenas a Inglaterra, que financiou sua exploração. e) a mineração contribuiu para interligar as várias regiões do Brasil, e foi fator de diferenciação da sociedade. 10) “Já se verificando nesta época a diminuição dos produtos das Minas, viu-se o capitão Bom Jardim obrigado a voltar suas vistas para a agricultura (...) Seus vizinhos teriam feito melhor se tivessem seguido exemplo tão louvável em vez de desertar o país, quando o ouro desapareceu.” (John Mawe. Viagens ao Interior do Brasil, principalmente aos Distritos do Ouro e Diamantes.) Segundo as observações do viajante inglês, os efeitos imediatos da decadência da extração aurífera em Minas Gerais foram a) a esterilização do solo mineiro e a queda da produção agropecuária. b) a crise econômica e a consolidação do poder político das antigas elites mineiras.
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c) a instalação de manufaturas e a suspensão dos impostos sobre as riquezas. d) a conversão agrícola da economia e o esvaziamento demográfico da província. e) a interrupção da exploração do ouro e a decadência das cidades. 11) As Bandeiras utilizaram amplamente os rios para penetrar no território brasileiro e atingir regiões distantes do litoral. Entre suas funções, é possível afirmar que a) estavam intimamente ligadas ao tráfico negreiro e buscavam o interior para vender escravas africanos para aldeias indígenas. b) opunham-se às tentativas de catequização de índios pelos jesuítas por considerar os índios destituídos de alma. c) Procuravam, a mando da metrópole Portuguesa. Pedras e metais preciosos no interior do Brasil e no leito dos rios que navegavam. d) fundavam cidades ao longo dos rios e dos caminhos que percorriam e garantiam, posteriormente, seu abastecimento de alimentos. e) eram contratadas, por senhores de terras, para perseguir escravos fugitivos e destruir quilombos. 12) A descoberta do ouro, no final do século XVII e século XVIII, alterou o caráter da colonização brasileira na medida em que: a) a colonização ficou restrita ao litoral, não gerando grandes mudanças administrativas. b) resultou na interiorização da colonização e na entrada maciça de colonos, surgindo uma sociedade urbana e um mercado interno. c) o ouro, rigidamente controlado em sua exploração, não foi alvo de contrabando. d) Portugal equilibrou sua balança de pagamentos, libertando-se da dependência econômica inglesa. e) o trabalho escravo foi suplantado pelo trabalho livre, desenvolvendo-se também as manufaturas com a proteção do governo colonial. 13) Sobre o período da mineração em MT, julgue os itens. (0) O ouro de aluvião foi descoberto pela bandeira de Antônio Pires de Campos em 1719, na região do rio Coxipó, onde se formou o Arraial da Forquilha. (1) O Arraial de Cuiabá surgiu em decorrência do descobrimento do ouro por Miguel Sutil na região da prainha, e este passa a administrá-lo com o cargo de Guarda-Mor Regente.
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(2) Monções de abastecimento eram expedições, que geralmente partiam da Capitania de São Vicente, cujo objetivo era abastecer as regiões mineradoras com produtos, remédios e escravos. A monção responsável pelo abastecimento das minas de Cuiabá era Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão. 14) Sobre o papel das monções de abastecimento, julgue os itens. (0) O povoamento desta distante área colonial foi se efetivando através de um intenso fluxo migratório em direção às minas cuiabanas. Nesse período as monções tiveram importante papel pois traziam para esta região um grande contingente populacional. (1) Foi através do tráfico monçoeiro que os núcleos mineradores foram abastecidos com todas as espécies de mercadorias, medicamentos, escravos e ferramentas de trabalho. (2) O trajeto utilizado pelas monções não trazia grandes dificuldades o que fazia com que seus produtos fossem de fácil aquisição. (3) Trouxe como conseqüência a valorização do ouro das minas, a partir do momento que somente aceitavam este como pagamento pelos seus produtos. 15) Sobre a administração colonial das minas cuiabanas, julgue os itens. (0) Rodrigo César de Menezes pretendia passar a residir em Cuiabá objetivando verificar, pessoalmente a real situação das minas, tanto no aspecto referente à arrecadação dos impostos pertencentes à Coroa Portuguesa como também desejava implantar um novo aparato fiscal na região. (1) Durante sua administração criou-se o quinto, Cuiabá foi elevada à categoria de Vila, o comércio e o índice populacional cresceram grandemente. (2) Apesar da rígida imposição fiscal, a Metrópole portuguesa tardou a chegar a esta região, ocasionando um grande acúmulo de ouro entre os mineradores. 16) (UFMT/99) Em 1998 estão sendo comemorados os 250 anos da criação da Capitania de MT. Identifique alguma das razões dessa medida da Coroa Portuguesa, julgando os itens. (0) A descoberta do prata no Rio Guaporé poderia atrair a atenção dos colonos espanhóis e então ameaçar os interesses lusitanos. (1) O povoamento do extremo oeste da colônia deveria ser garantido e facilitado com a instalação de um aparato político-militar.
212 - História de Mato Grosso

(2) Entre as atividades econômicas desenvolvidas na época, a extração da borracha era atrativa devido ao mercado externo. (3) A presença das autoridades portuguesas impediria o desenvolvimento de idéias revolucionárias, especialmente abolicionista, muito comuns naquele período. 17) Sobre a Capital de MT, Vila Bela, julgue os itens. (0) Antônio Rolim de Moura não escolheu Cuiabá como sede da Capital da Capitania de MT, apesar de ser uma vila povoada e estruturada, porque estratégicamente a nova sede deveria se situar na zona de maior litígio com o Império Espanhol, ou seja, na região do Alto Guaporé. (1) Fundada em 1752, Vila Bela, a primeira capital de MT, recebeu muitos colonos, estimulados pela isenção de impostos oferecidos pelo governo. (2) Vila Bela rapidamente tornou-se auto-suficiente, com uma rica agricultura e um intenso comércio local. (3) Para abastecer a nova capital foi criada pela metrópole a Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, que partia diretamente da capitania de São Vicente. 18) “Viva a Constituição brasileira Viva D. Pedro II Morram os bicudos pés de chumbo” Os gritos dos revoltosos ecoavam pelas ruas.... “Na escuridão da noite apenas se ouvia o barulho dos machados e das alavancas arrombando portas...” Os trechos acima fazem referência à “Rusga”, movimento político-social que eclodiu em 30 de maio de 1834, em Cuiabá. Assinale a alternativa que caracteriza corretamente essa rebelião: (A) liderada por negros libertos e brancos pobres, influenciada pelo ideário positivista, a revolta exigia a imediata abolição da escravidão e o congelamento dos preços de aluguéis e alimentos; (B) representou os interesses dos partidários da Junta Governativa de Vila Bela que promoveram a separação da região do resto do Brasil, pois não aceitavam a independência proclamada por D. Pedro I; (C) articulado pela Sociedade dos Zelosos da Independência, o movimento tinha, inicialmente, objetivos políticos moderados, mas assumiu um caráter violento na medida em que grupos radicais exigiam a expulsão dos portugueses;
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(D) obteve grande apoio das camadas médias urbanas e da burguesia manufatureira que, influenciadas pelo liberalismo, defendiam a imediata proclamação da República; (E) refletiu a ação do Partido Brasileiro, pois os proprietários rurais de Mato Grosso defendiam o fortalecimento do poder imperial, contrariando a orientação federalista do Nordeste. 19) “... uma das grandes tarefas assumidas por todos os governos republicanos, desde a Proclamação, foi a de produzir a unificação territorial e cultural do país e de seu povo... Assim, um verdadeiro arsenal de políticas públicas foi sendo mobilizado, ao longo do período republicano, para que o arquipélago se transformasse em continente ou, como queriam alguns, para que o Brasil efetivamente deixasse de ser um gigante adormecido, e acordasse para o futuro.”
(FREIRE, A. et al.(coord.), A República no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.)

b. Os índios aliados auxiliaram os paulistas como guias nas viagens, uma vez que dominavam as melhores rotas a percorrer, identificavam as cachoeiras, suas transposições e os varadouros. c. Esse sistema era feito duas vezes ao ano e a viagem durava de quatro a seis meses, dependendo do volume das águas. d. As monções que se dirigiam de São Paulo para Mato Grosso percorriam um único roteiro, saindo de Porto Feliz, seguindo pelos rios Tietê, Grande, Pardo, Coxim, Taquari, Paraguai, São Lourenço e Cuiabá. e. Os produtos agrícolas, de primeira necessidade, como o feijão, a mandioca, a farinha de mandioca, a cachaça e o açúcar eram produzidos em localidades próximas a Cuiabá. Tudo o mais de que os mineradores necessitavam, chegavam das capitanias de São Paulo ou do Grão-Pará. 21) Quanto à Rusga, revolta que se desenvolveu em Mato Grosso durante a Regência, pode-se afirmar. a. Foi composta majoritariamente pelos Caramurus, grupo político que desejava o retorno de Dom Pedro I e a volta do Brasil à condição de colônia. b. Havia uma forte articulação dos revoltosos com movimentos semelhantes que se desenvolviam no Pará, na Bahia e no Rio Grande do Sul. c. Foi um movimento popular, tendo sido plural em suas reivindicações, como a defesa da abolição da escravatura. d. Os liberais radicais, liderados por Poupino Caldas, desejavam, com a Rusga, expulsar da província e exterminar o poder dos grandes comerciantes, proprietários de terras e de escravos. e. Foi organizada pela Sociedade dos Zelosos da Independência, composta por elementos da elite burocrática, profissionais liberais e componentes da Guarda Nacional. 22) Nas primeiras duas décadas da República em Mato Grosso, ocorreram intensas disputas políticas, tendo como marca o fenômeno do coronelismo. É característico desse processo. a. Ausência de violência nas disputas políticas e solução das divergências por intermédio de acordos e alianças. b. Em Mato Grosso o poder e influência das oligarquias estavam concentradas nas mãos de diversas famílias, que ora se uniam, ora se separavam, de acordo com seus interesses. c. O poder das oligarquias e dos coronéis foi obstáculo para que os governantes pudessem levar a contento os seus projetos, uma vez que esses se negavam a afirmar alianças e compromissos.
História de Mato Grosso - 213

Uma das políticas públicas republicanas empreendidas com o objetivo de promover a integração e o desenvolvimento do estado de Mato Grosso foi: (A) a formação de várias colônias de imigrantes na parte norte do estado com o objetivo de absorver o grande con ingente de japoneses chegados ao Brasil no período pós-Segunda Guerra; (B) a criação de várias empresas de navegação fluvial, subvencionadas pelo Governo Federal, com o objetivo de promover a integração do estado com o resto do país, conforme previsto no Plano de Metas elaborado para o Governo Juscelino Kubitscheck; (C) a instalação de um pólo siderúrgico no extremo norte, com ampla participação do capital estadunidense, para promover o desenvolvimento da indústria de base no país, meta prioritária do Governo de Getúlio Vargas; (D) a aplicação, na década de 70, de uma política de ocupação e desenvolvimento através da instalação de núcleos de colonos à beira de rodovias conforme previa o Plano de Integração Nacional; (E) a desapropriação, na década de 40, de antigas fazendas de cana-de-açúcar, para promover a reforma agrária através da concessão de lotes de terra aos retirantes nordestinos, que deveriam desenvolver uma agricultura alimentar voltada para o mercado externo. 20) Ao sistema de abastecimento e de transporte de pessoas, implementado através dos rios, que se dirigiam a Mato Grosso no período colonial, deu-se o nome de Monções. Em relação a esse sistema, é incorreto afirmar. a. Os varadouros eram partes do trajeto, em que as canoas e as bagagens eram carregadas no ombro dos índios ou dos africanos, atravessando trechos de terra, localizados entre as cabeceiras dos rios navegados.
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d. As disputas entre o comerciante Generoso Ponce e o usineiro Totó Paes, foram marcadas pela cordialidade e alto nível, chegando sempre a um entendimento aceito por todos. e. A ascensão de Dom Aquino Corrêa ao governo de Mato Grosso significou o predomínio de uma das frações oligárquicas na disputa conhecida como “Caetanada”. 23) Em relação à história do movimento que levou ao processo de divisão do Estado de Mato Grosso, é correto afirmar. a. A divisão do Estado de Mato Grosso e a criação do Estado de Mato Grosso do Sul foram resultado de um processo democrático desenvolvido durante o governo do general Ernesto Geisel. b. Antes da decisão do presidente Ernesto Geisel, de dividir o Estado de Mato Grosso essa questão não havia sido objeto de debates, ações e disputas entre lideranças políticas das regiões sul e norte do Estado. c. Essa cisão territorial representou a concretização de lutas históricas, defendidas por lideranças políticas do sul de Mato Grosso, que remontam ao final do século XIX. d. A divisão não foi um processo tranqüilo porque as lideranças políticas de Cuiabá e Campo Grande tinham interesses e objetivos comuns. e. Os dois Estados, resultantes da divisão, tiveram seu desenvolvimento econômico e populacional comprometidos por aquele processo.

GABARITO 01) B 02) D 03) a) Forasteiros (portugueses) b) Urbanização, estratificação social, fluxo imigrante, transferência do reino econômico do nordeste para o centro-sul, etc. 04) C 05) C 06) C 07) a) Entradas ou bandeiras. b) Para muitos são vistos como heróis que desbravaram os sertões, para outros homens movidos pela cobiça e ganância de enriquecimento. 08) C 09) E 10) D 11) E (gabarito oficial) - Obs.: Há que se levar em consideração que não era função do bandeirante contratado perseguir escravos fugitivos, pois esta atribuição era dos chamados capitães-do-mato.
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12) Resolução: O ciclo da mineração, sucedendo ao ciclo do açúcar na economia colonial brasileira, alterou certas características da estrutura socioeconômica do Brasil. Claro que, com o fim do ciclo minerador e o advento do Renascimento Agrícola, características como a urbanização perderam muito de sua ênfase. Resposta: C 13) F-F-F 14) V-V-F-F 15) V-F-F 16) F-V-F-F 17) V-F-F-F 18) C 19) D 20) D 21) E 22) B 23) C

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