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A HISTRIA DE FLOR-DE-LIS

Fui comprada numa loja de cachorros. A mulher entrou e disse: Quero


uma cachorra carssima e de raa purssima, pra todo mundo achar linda e
ficar sabendo quanto que custou. E a ela ficou sendo minha dona e me
levou pra casa.
Vivia me enchendo de perfume. Eu espirrava o dia todo e pensava.
Puxa vida, se eu sou cachorro por que que eu no posso ter cheiro de
cachorro?
Vivia me enchendo de roupas e pulseiras, e quando chovia me botava
capa de borracha, leno na cabea e botas. Eu morria de vergonha de sair na
rua assim e pensava: Puxa, isso no jeito de cachorro andar. Nunca me
deixava solta. Nem um minutinho. Puxa, vida, cachorro precisa correr. Isso
no vida! eu pensava. E a coleira era sempre to apertada que eu
sufocava. Olha aqui a marca, olha s.
Vivia me enchendo de talco e p-de-arroz, me levava pra tomar parte em
concurso de beleza, e hoje, v se pode, disse que ia furar minhas orelhas pra
botar brinco, e isso eu nunca vi cachorro usar.
Ento eu pensei: Puxa vida, quem sabe esse tempo todo eu t achando
que eu sou cachorro, mas eu no sou cachorro?.... Foi a que eu comecei a
achar que estava meio birutinha e me apavorei. Quando ela abriu a porta pra
uma visita entrar eu fugi. Corri bea at chegar aqui.
Lygia Bojunga Nune, Os colegas, Editora Jos Olympio.

Interpretao de Texto:
Leia o texto com ateno e depois responda estas perguntas:
a) Quem era Flor de Liz?

b) Flor de Liz estava feliz na casa de sua dona?

c) De acordo com o texto, Flor de Liz podia passear em liberdade?

d) Transcreva do texto, um trecho que comprove a sua resposta.

e) Que atitude de sua dona fez Flor de Liz pensar que no era mesmo cachorra?