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NELSON KAGAN CARLOS CESAR BARIONI DE OLIVEIRA ra] sake (ey CeM 10) 21:70 INTRODUCAO _AOS SISTEMAS , red an aval i” a oe ae ee Lat. = yes Sek ais » Ha ae ae fr am ee ae ye i i) Aes cat ie Me re Ld A 4 = ay a A V/M % ba ih k : {| i " \ " 4 ‘ | Vy \ ih l Mid j Vi kik ' HI ‘ a if aaa INTRODUCAO AOS SISTEMAS DE DISTRIBUICAO DE ENERGIA ELETRICA ———__ | veda F - Of : A Lei de Direito Autoral (Lei n° 9.610 de 19/2/98) no Titulo VII, Capitulo Il diz: — Das sangées civis: ‘Art. 102 O titular cuja obra seja fraudulentamente reproduzi- da, dvulgada ou de qualquer forma utilizada, poders requerer a apreensao dos exemplares reproduzidos ou @ suspenso da divulgacéo, sem prejuizo da indenizac3o cabivel. Art. 103 Quem editar obra literdria, artistica ou cienttfica sem autorizagso do titular perder para este os exemplares que se apreenderem e pagar-lhe-4 o prego dos que tiver vendido. Pardgrafo nico. Nao se conhecendo o nimero de exemplares que constituem a edi¢ao fraudulenta, pagard o transgressor o valor de trés mil exemplars, além dos apreendidos. ‘Quem vender, expuser & venda, ocultar, adquirit, distribuir, tiver em depésito ou utilizar obra ou fonograma reproduzidos com fraude, com a finalidede de vender, obter ganho, vantagem, proveito, lucro direto ou indireto, para si ou para outrem, serd solidariamente responsavel com 0 conttafator, nos. termos dos artigos precedentes, respondendo como contrafatores o importador e 0 distribuidor em caso de reproducso no exterior. { pen NELSON KAGAN Professor Associado Escola Politécnica da Universidade de Sao Paulo CARLOS CESAR BARIONI DE OLIVEIRA Professor Doutor Escola Politécnica da Universidade de Sao Paulo ERNESTO JOAO ROBBA Professor Titular Escola Politécnica da Universidade de Sao Paulo INTRODUCAO AOS SISTEMAS DE DISTRIBUICAO _ DE ENERGIA ELETRICA [ vwiy EDITORA EDGARD BLUCHER ©2005 Nelson Kagan Carlos César Barioni de Oliveira Ernesto Jodo Robba I* edigdo - 2005 6 proibida a reprodugdo toal ou parcial por quaisquer meios ‘som autorzapo eserita da edtora EDITORA EDGARD BLUCHER LTDA. Rua Pedroso Alvarenga, 1245- cj. 22 4531-012 ~ Sao Paulo, SP - Brasil Fa: (Oxx11)3079-2707 e-mail: editora@ blucher.com.br site: wwwwiblucher.com.br Inpresso no Brasil Printed in Brazil ISBN 85-212-0355-1 FICHA CATALOGRAFICA Kagan, Nelson Introdugio aos sistemas de distribuigao de energia elétrica {Nelson Kagan, Carlos César Barioni de: Oliveira, Ernesto Joao Robba. 1 edigdo — Sav Paulo: Edgard Blticher, 2005. ISBN 85-212-0355-1 1, Energia elétrica 2, Bnergia elétrica - Distribuigao 3, Bnergia elétrica - Sistemas 4. Energiaelétrica - Transmissao Oliveira, Carlos César Barioni de If. Robba, Emesto Joao IIL Titulo. 04-7837 CDD-621.31 indices para catalogo sistematico: 1, Sistemas de distribuigio de energia: Engenharia elética 621.31 setor elétrico brasileiro, assim como em muuitas partes do mundo, tem sofrido grandes transformagées nos tiltimos anos. Por um lado, houve urn proceso de grandes mucaneas em sua estrutura, com a desverticalizagao das empresas de energia elétrica e a criagao de empresas com fungées ¢ responsabilidades especificas de geragio, transmissio e distribuicio. Da privatizagao de grande parte das empresas distribuidoras, surgiu a neces- sidade de 6rgios reguladores para o estabelecimento de novas regras para ‘a prestago dos servicos publicos de fornecimento de energia elétrica aos consumidores finais. Ao mesmo tempo, a incrivel evolugao teenalégica, que crioua chamada era digital, propicia o surgimento de equipamentos elétri- cos cada vez mais sofisticados, porém altamente sensiveis & qualidade de fornecimento da energia elétrica, Finalmente, a creseente conscientizacao da populagio brasileira com relagao os seus direitos de consumidor, ea ne- cossidade premente de garantir a universalizagso do acesso, tornaaenergia celétrica um produto indispensével ¢ que requerido cada vez mais, nao $6 em intensidade como também em qualidade. ‘Todas essas mudancas trouxeram novos desafios aos profissionais que atuam nas enapresas do setor elétrico. Particularmente aqueles das empresas de distribuigéo, que s&io 0 elo direto de conexso dos consumidores com 0 sistema, necessitam hoje de uma formagio técnica bastante sélida e ampla, para a correta compreensdo dos problemas e das possiveis solugdes a serem adotadas. Os autores deste livro se especializaram, ao longo de suas carreiras profissionais, além de suas atividades didéticas como professores de enge- nhariaelétrica na Escola Politécnica da Universidade de Sto Paulo, no estudo e desenvolvimento de projetos de pesquisa © desenvolvimento voltados aos problemas técnicos dos sistemas de distribuigio, em suas varias 4reas: pla- nejamento, operago, protegdo, engenharia ¢ qualidade, dentre outras. ‘Tanto nos cursos de graduacdo, como de pés-graduagao e de especiali- zago ministrados, e também nos contatos com nossos colegas engenielros das empresas, sentimos falta de referéneias bibliogrdficas mais especificas que fornecessem o embasamento tedrico, com o grau de profundidade ne- cessério, para o entendimento dos aspectos técnicos basicos que regern 0 funcionamento dos sistemas de distribuicdo. Isto nos motivou a escrever este livro, com o intuito de auxiliar na for- ‘ago ¢ especializagio de engenheiros elétricos para atuagao na area de distribuigéo de energia elétrica. ‘Trata-se de um livro introdutério, podendo ser utilizado nos nfveis de graduacdo ou de pés-graduagao. Os capitulos foram preparados de forma tal que podem ser consultados de maneira independente, conforme 0 interesse Introdugo aos Sistemas de Distribuig&o de Energia Elétrica ounecessidade do leitor, sera a obtigatoriedade de seguir a ordem em que fo- ram organizados, embora exista uma seqtiéncia légica em sua composigto. No primeiro capitulo apresentamos uma visdo geral da constituigso dos sistemas de poténcia, enfocando os sistemas de geracéo, transmissioe distribui¢do, com maior énfase, obviamente, neste itimo. Sao apresentados, de forma geral, os principais tipos de configuragées ou arranjos ¢ formes operativas das redes de subtransmissio, subestagoes, redes primérias, transformadores de distribuicao e redes secundirias. O segundo capitulo trata da classificagéo da carga e dos fatores tipicos utilizados para sua tepresentacdo nos estudos das redes de distribui- ‘cdo, Séo apresentados os conceitos ¢ as definigdes de demanda, diversidade da carga, fatores de demanda, de utilizagto, de carga e de perdas. Também so apresentados conceitos basicos de tarifacao da energia elétrica, sem no entanto abordar este tema de forma mais detalhada, que foge 20 escopo deste livro. No terceiro capitulo tratamos do estabelecimento da corrente admis- sivel dos condutores utilizados em linhas de distribuicdo, Apresentamos 08 conceitos € 0 equacionamento térmico para a obtenc&o da corrente admissivel em regime permanente, ou seia, para condicao normal de ope- ragdo, e em regime de curta durag&o, ou seja, quando da ocorréncia de um curto-circuito na rede. Para a corrente admissivel em regime permanente, so considerados 0s cabos nus, muito utilizados em redes aéreas, os cabos protegidos, que vém sendo cada vez mais utilizados em éreas urbanas, © 08 cabos isolados, utilizados principalmente em redes subterrdneas. (0 quarto capitulo é dedicado ao célculo de pardmetros elétricos de linhas aéreas e subterrdneas. Apresentamos 0 célculo das chamadas constantes quilométricas, impedancia série e capacitancias em derivagao, em termos de componentes de fase e de componentes simétricas, para as linhas aéreas, com a utilizago do método das imagens, e para linhas que utiliza cabos isolados. Neste caso o célculo torna-se mais complexo, e s40 considerados separadamente no célculo a parte interna dos cabos e 0 meio externo onde estdo instalados. 0s transformadores de distribuicio sio objeto do quinto capttulo, Inicialmente, relembramos de forma sucinta o prinefpio de funcionamento ea determinacao do circuito equivalente para um transformador monofé- sico. Em seguida analisamos os transformadores trifasicos, com enfoque ao célculo de desequilibrios de tensdio e de corrente para transformadores, nas ligagdes em triangulo e em estrela. Consideramos aqui que o leitor ja conhece a anélise dos vérios tipos de ligagdo de transformadores trifési- cos, com o céleulo de correntes e tensdes de fase e de linha, pare sistemas equilibrados ou desequilibrados, pols o assunto j4 oi amplamtente abordado em varias outras publicacées. Finalmente, abordamos com maior grau de profundidade o problema do carregamento admissivel de transformadores. ‘Apresentamos 0 equacionamento térmico de transformadores resfriados a 6leo, €0 célculo da perda de vida e da vida wtl estimada em fungdo da curva de carga digria No sexto capftulo enfocamos o estudo de fluxo de poténeia da rede. Iniciamos o capitulo pela modelagem da carga ¢ da rede. Para a represen- Introducdo aos Sistemas de Distribuicéo de Energia Elétrica USE tacdo da carga no sistema, analisamos seu comportamento em fungao da tens, através dos modelos de poténcia, corrente e impedancia constante com a tenséo. Analisamos também a distribuigso da carga na rede, carga concentrada e umiformemente distribuida, a representagio da carga por sua demanda maxima e pela utilizacdo de curvas de carga tipicas. Apresentamos os modelos de linha curta (impedaneia série), linha média Gr nominal) € linha longa (w equivalente), ¢ o célculo da queda de tensao em um trecho de rede, em fungao do modelo utilizado para a representagao da carga. Em soguida, detalhaos as formulagGes para os estudos de fluxo de poténcia em redes radiais, considerando os casos de redes trifésicas simétricas com cargas equilibradas e sua extensio para redes assimétricas com cargas de- sequilibradas, Finalmente, apresentamos os métodos para estudo de fluxo de poténcia em redes que operam em malha, com a representagdo matricial da rede e os métodos de Gauss e Newton-Raphson, Os estudos de curto-cireuito sto 0 objeto do sétimo capitulo. Intro- duvzimos o assunto analisando a natureza da corrente de curto-circuito as ‘suas componentes transitérias e de regime permanente. Apresertamos ert seguida 0 equacionamento paraa obtengao das correntes, tensbes e poténcias, nos estuidos de curto-circuito trifasico, fase-terra, dupla-fase e dupla-fase & terra, Nos defeitos envolvendo a terra, sao considerados os defeitos francos eos com impedancia de defeito. Apresentamos ainda uma andlise da relagio centre as correntes de curto-circulto e dos fatores de sobretensao em fungdo dasimpedéncias de sequéncia nulae direta, definindo os sistemas aterrados eisolados, Finalizamos 0 capitulo estendendo as formulagées dos estudos de curto-circuito para redes era malha, com a representacio matricial da rede para o céleulo das impedancias equivalentes de Théverin. No oitavo e tiltimo capitulo, tratamos do tema da qualidade do servigo, basicamente entendida como a continuidade do fornecimento de energia elétrica. Iniciamos com uma introdugao sobre a qualidade de energia elétrica, apresentando os conceitos bdsicos de qualidade do servigo e de qualidade do produto. Bm seguida, apresentamos os principais indicadores utilizados para a avaliacdo da continuidade de fornecimento, como DEC, FEC, END, DIC, FIC, Na seqiléncia, mostramos a metodologia utilizada pela ANEEL para o estabelecimento de metas de qualidade de servigo a serem obtidas pelas ‘empresas distribuidoras, Finalmente, apresentamos uma metodologia para, avaliacdo da continuidade de fornecimento a priori, ou seja, um método de simulagao para se obter estimativas dos indicadores. Os autores Sao Paulo, novembro de 2004 viii Introdugao aos Sistemas de Di qa 12 13 14 Fatores tipicos da carga. 21 2.2 Fatores t{picos utilizados em distribuigaio 2.8 Conceitos gerais de tarifagao. Constituigaéo dos sistemas elétricos de poténcia. Introdug4e....-ernr Sistema de geracéo.. Sistema de transmissio Sistema de distribuigao ... 14.1 Sistema de subtransmissio .. 14.2 Subestagies de distribuigéo.. 14.3. Sistemas de distribuigdo primatia.....u. 14.3.1 Consideragbes gerais. 14.8.2 Redes aéreas ~ Primario radial 14.33 Primério seletivo .. 14.94 Redes subterranens ~ Primario operando ert matha aber: 14.3.5 Redes subterraneas ~ Spot network «nn 144 Estagdes transformadoras. nen 14.5 Redes de distribuigso secundiria... 14.5.1 Introducéo.... 1452 Redes secundérias aéreas 14.6.3 Rede reticulada ....... Classificagao das cargas . 2.1.1 Introducdo... 2.1.2 Localizagao geogratica, 2.1.8 Tipo de utilizagdo da cnergia.. 2.14 Dependéncia da energia elétrica. . 2.1.5 Bfelto da carga sobre o sistema de distribuicdo... 2.1.6 Tarifacgo.. . 2.17 ‘Testo de fornecimento. 2.2.1 Demanda 2.2.2 Demanda méxima 2.2.3 Diversidade da carga... 2.2.4 Fator de demanda. 2.2.5 Fator de utilizacao .. 2.2.6 Pator de carga... 2.2.7 Pator de perdas..nnnnn 2.2.8 Correlagado entre fator de carga e fator de perda 2.2.9 Curva de duragio de carga... Corrente admissivel em linhas. .... a1 32 Constantes quilométricas de linhas aéreas € subterréneas. 4.1 Introducao... 42. Constantes quilométrias de inhas aéreas 43 Introducao aos Sistemas de Distribuigéo de Energia Elétrica introdugéo 205 Se eee Introdugao. 3.1.1 Consideragoes gerais.. BL2_ Secdes da série milimétrica... 3.13 Segées definidas pela American Wire Gage 3.14 Cabos isoladbos...... ; Corrente admissivel em cabos. 8.2.1 Introdugdo. 3.2.2 Bquacionamento térmico ~ Pequenas varlagdes de corrente 3.2.3 Equacionamento térmico — Grandes variagdes de corrente 3.2.4 Corrente de regime - Cabos nus. 8.24.1 Consideragées gerais... 3.2.4.2 Dispersio do calor por convecgao... 3.2.4.3. Dispersio de calor por irradiacao.... 3.2.44 Calor absorvido por radiagéo solar 3.2.5. Corrente de regime ~ Cabos protegidos 3.2.5.1 Coneeitos basicos de transferéncia de calor - Modelo andlogo ... 3.2.5.2 Céleulo de condutor protegido imerso 80 AF wn : 3.2.6 Corrente de regime ~ Cabos is01ad08 en 3.2.6.1 Introducao... 3.2.6.2 Perdas no conduttoT enero 3.2.63 Perdas na blindagem e na armagao 8.2.64 Perdas dielétricas na isolagso 3.2.6.5 Procedimento geral de caleulo para redes com mtuas termicas. 8.2.7 Corrente admissfvel — Limite térmica . 3.2.7.1 Cabos nus... 32.72 Cabos protegido: 82.7.3 Cabos isolados : 2.1 Consideragoes gerais.. 2.2 Céleulo da admitancia em derivagao ~ Capacitancia.. 425 Blemenoe are Impedancia.. Constantes quilométricas de cabos isoladbos.. 43.1 Introduego..n..0- 43.2. Impedaneias série. 43.3. Capacitincia em derivag& Transformadores de poténcia. ba 52 53 BA Fluxo de poténcia. 61 62 63 64 Introducéo aos Sistemas de Distribuicao de Energia Elétrica xi Introdugao. ‘Transformadores monofésices 52.1 Consideragdes gerald... 5.2.2 Prinefpio de funcionamento 5.2.3. Corrente de magnetizacko. 5.24 Circuito equivalente.. ‘Transformadores trifésicos .... 53.1 Consideragdes gerais. 53.2. Ligagso triangulo 53.8 Ligacdo estrela. Carregamento admissivel de transforrnadores... 54.1 Introdugéo... 54.2 Equacionamento térmico. 5.4.2.1 ‘Temperatura do dleo durante transitérios.... 5.4.2.2 Temperatura do leo em regime permanente. 54.2.3 Constante de tempo térmica do éleo. 5424 Equacio térmica do ponto quente.. i 5.42.5 Corregio do valor de tesisténcia hice do enrolamento 138 5.4.2.6 Variagao da temperatura ambiente... 542.7 Perda de vida de transformadores 5.4.2.8 Valores caracteristicos para transformadores 5.42. Vida itil de transformadores Introdugio... Modelagem da rede e da carga... 62.1 Consideracdes gerais.... 622 Representagao de ligagoes de rede. 62.2.1 Representagao de trechos de rede. 6.2.2.2 Representacao de transformadores... 6.2.3. Representagao da carga em fungdo da Lensdy de fornecimento 6.2.2.1 Consideragées gerais... 6.2.82 Carga de povéncta constante com a tensio 6.2.3.3. Carga de corrente constante com a teNsf0 0 6.2.3.4 Carga de impedancia constante com a tensfo.. 6.2.3.5 Composigao dos modelos anteriores. Arepresentagio da carga no sistema. cal 6.3.1 Consideragoes gerats.... 63.2 Carga concentrada e carga uniformemente distrbutda 6.38. Carga representada por sua demanda maxima. 634 Carga representada por curvas de carga tipicas.. Célculo da queda de tenséo em trechos de rede 64.1 Consideragées gerais..... 6:42 ‘Trecho de rede trifésica simétrica com earga equlibrada “ 643 Trecho de rede trifasica assimétrica com carga desequilibrada wolf? ABB ABB 156 187 58 dB 169 sve BL 181 161 162, 163 165 165, Introdugdo aos Sistemas de Distribuiggo de Energia Elétrica 65 66 179 179 180 Estudo de fluxo de poténcia em redes radiais 6.5.1 Consideracdes gerais. 6.5.2 Ordenagio da rede.. 6.53. Fluxo de potdneia em redes radiais trifésicas simétricas e equilibradas 184 6.5.4 Calculo do fluxo de poténcia nos trechos € perdas Na EME vennnennnn so 85 6.5.5 Céleulo do fluxo de poténcia com representagéo complexa. 193 6.5.6 Calculo do fluxo de poténcia em redes assimétricas com carga desequilfbrada......204 Bstudo de fluxo de poténcia em redes em mala ...euesnunnns 207 6.6.1 Consideragdes gerais... 207 6.6.2 Métodos de Solugio.. 209) 66.2. Consideragtes gerais, 6.6.2.2 Solugdo do sistema de equagdes pelo método de Gauss a... 210 6.6.2.3 Solugao do sistema de equacées por triangularizagdo da matriz.. 6.6.2.4 Solugio do sistema de equagées pelo método de Newton-Raphson 0 216 Curto cireuito... ene sone B2L 71 Introdugdo e natureza da corrente de eurto-circuto .. . 221 7.2 Andlise das componentes transitérias e de regime permanente .. 13 74 15 76 1 721 Consideragoes gerais... Sltcttattat tat alrtel ; 722 Componente de regime permanente... ss 224 7.2.3 Componente unidirecional 226 Estudo de curto circuito trifasico a - 231 7.3.1 Célculo da corrente de curto circuito........ vee BBL 7.3.2 Poténcia de curto circuito ..... 239 7.3.3 Barramento infinito e paralelo das poténcias ‘de curto cireuito.. 243 Bstudo do curto circuito f98e terF@.rcnsemnnsn 247 7A1 CAlculo de correntes € tens6es.......... 247 74.2 Curto circuito fase & terra com impedancia. . 253 74.3 Poténcia de curto circuito fase a terra... 7 - 255 Estudo dos curtos circuitos dupla fase e dupla fase & terra - 256 7.5.1 Curto circuito dupla fase... 256 7.52 Curto circuito dupla fase a terra... 1.258 75.3 Curto circuito dupla fase a terra com impedancia 260 Andlise de sistemas aterrados ¢ isolados.... 262 7.6.1 Consideragdes gerais.... 262 7162. Anélise de defeito fase & terra... 262 763, Andlise de defeito dupla fase & terra 264 764 Sistemas aterrados ¢ isolados.... 266 Estudo de curto circuito em redes em malha .. 771 Consideragses gerais. ane 77.2 Representagio matricial da rede 713 CAlculo das correntes de curto circuito 210 270 21 274 ribuigdo de Energia Elétrica xiii Quatidade do servico. 8.1 Introdugio — Uma visto de qualidade de energia. 82 Continuidade de fornecimento. 8.2.1 Avaliagio da continuidade de fornectmento a posteriori. 8.2.2. Avaliacdo da continuidade de fornecimento a priott... Anexo I - Matrizes de rede... ALL Consideracbes gerais....usnun AL2. Matriz.de admitancias nodais AL2.1 Definigéo... AL2.2Montagem da matriz de admitancias nodais.. AL Matriz de impedancias nodais nnn ALB. Definigd0 vn ‘AL3.2 Montagem da matriz de impedéneias nodais . AL4 Correlagio entre tens6es e correntes numa rede... ALB Solugdo de sistemas de equagées lineares. ALB.L Introducd0.nnueun AL5.2 Retro-substituigdo..... A153 Triangularizacéo da matriz, AL6.4 Corregao do termo conhecido apds a triangularizagao da matriz Anexo II - Ordenagéo da Rede no Método de Newton Raphoon.. rene SS AIL1 Método de ordenacao do Jacobiano. zea tad eth CONSTITUICAO DOS SISTEMAS ELETRICOS DE POTENCIA 1.1 INTRODUCAO Os sistemas elétricos de poténcia tém a fungtio precipua de fomecer energia elétrica aos usuérios, grandes ou pequenos, com a qualidade ade- quada, no instante em que for solicitada, Isto é, 0 sistema tem as fungdes de produtor, transformando a energia de alguma natureza, por exernplo, hidréulica, mecdnica, térmica ov outra, em energia elétrica, e de distribuidor, fornecondo aos consumidores a quantidacte de energia demandada, instante a instante, Em rio sendo posstvel seu armazenamento, 0 sisterna deve contar, como serd analisado a seguir, com capacidade de producio e transporte que atenda 20 suprimento, num dado intervalo de tempo, da energia consumida 8 maxima solicitagio instanténea de poténcia ativa. Deve-se, pois, dispor de sistemas de controle da produgao de modo que a cada instante seja produ- zida a energia necesséria a atender & demanda e as perdas na produgao e no transporte. Identificar-se-4, em tudo quanto se segue, os blocos de producio cde energia por sua designagao corrente de “blocos de geragdo”; destaca-se a impropriedade do termo, de vez que, néo hé geracdo de energia, mas sir, transformaggo entre fontes de energia diferentes. Aqui, no Brasil, face 20 grande potencial hidrico existente, predomina a produgdo de energia elétrica pela transformagio de energia hidréulica em elétrica, usinas hidroelétricas, e estando os centros de produgao, de modo geral, afastados dos centros de consumo, é impreseindivel a existencia de um elemento de interligacao entre ambos que esteja apto a transportar a cnergia demandada, Sendo omontante das poténcias em jogo relevante e as distancias a serem percorridas de certa monta, torma-se inexeqiivel 0 transporte dessa energia na tensio de geracio. Assim, no diagrama de blocos da fig. 1.1, suced= ao bloco de geragdo 0 de elevagao da tensao, no qual a tensdo € elevada do valor com o qual foi gerada para o de transporte, “tensdio de transmissdo" 0 valor dessa tenstio é estabelecido em fungao da distancia a ser percorrida edo montante de energia a ser transportado. Por outro lado, em se chegando aos centros de consumo, face & grande diversidade no montante de poténcia demandada pelos varios consumidores, varidvel desde a ordem de grandeza de centenas de MW até centenas de W, € inviével o suprimento de todos os usuérios na tensdo de transmissio. Fig. 141 Diagrama de blocos do sistema, 1. — Constituigo dos Sisternas Elétricos de Poténcia Exige-se, pottanto, um primeiro abaixamento do nfvel de tensio para valor compativel com a demanda dos grandes usuarios, “tensdo de sub- transmissdo". 0 abaixamento de tens&o ¢ feito através das “subestagdes de subtransmissdo", que s4o suptidas através de linhas de transmissio, suprin- do, por sua vez, linhas que operam em nivel de tensto mais baixo, “tensiio de subtransmissdo” ou “alta tenséio”. Ulteriores abaixamentos no nivel de ‘tensfio, em funcio das caracteristicas dos consumidores, so exigidos. Assim, © sistema de subtransmissdo supre as “subestagdes de distribwigéo", que so responsdveis por novo abaixamento no nivel de tensio para a “tensiio de distribuigéo priméria” ou*média tensdo", A rede de distribuigio primétia, Por sua vez, ird suprit os transformadores de distribuigo, dos quais se deriva arede de distribuigao secundétia ou rede de baixa tensdo, cujo nivel de verso € designado por “tensdo secundéria” ou “baizea tensaio”. * idréuitca Transforma energia » Térmica” em Eltrica + outa v Si Bead ce ransrisio leva a tensto de gerapao para tensfo de transmissd0 ¥ Sistema de ransmissao “Transport a energia dos centos de produgo 208 ceios 08 consumo ¥ ‘SE Abaixadora de subtransmissio Reduza tansdo de transmissdo para a desubiransmisséo. —¥ Sistemas de subtransmissio ‘Consumidoes em tenséo Dia nega team fp} Consumigores em ten ¥ ‘SE de dstribuigao Roda tensa de subtransmisio para a do lsribuido primaia ¥v Sistema de distribu priméria Distrib a energa em tenséo de dstrbuigao prima CConsumidores em tenséo >} de transmissi0 Consumidores em tenséo [>| ce distibugao maria v ‘Transformadores de distribuigéo Reduz a tonsdo priméria para a oe troup secunda ae ‘Sistema de distrbuigao secundaria ‘Cangumidores em tensio Disb acne ‘em tensdo de >) cecistruigao secundaria Introdugéo nS Assim, conforme apresentado na fig. 1.1 os sistemas elétricos de poténcia podem ser subdivididos nos trés grandes blocos: © Geragdo, que perfaz a fungao de converter alguma forma de energia em energia elétrica; * Transmissiio, que ¢ responsével pelo transporte da energia elétrica dos centros de produgio aos de consumo; + Distribuicéo, que distribui a energia elétrica recebida do sistema de transmissio aos grandes, médios e pequenos consumidores. Os valores eficazes das tensdes, com freqtiéneia de 60 Hz, utilizados no Brasil, que esto fixados por decreto do Ministério de Minas e Energia, esto apresentados na Tab. 1.1, onde se apresentam as éreas do sistema nas quais sto utilizadas. Apresenta-se também algumnas tenses nio padronizadas ainda em uso. No sistema de geragao a tensao nominal usual é 18,8 kV, encontrando-se, no entanto, tensoes desde 2,2 kV até a ordem de grandeza de 22 kV. Desta- ca-se ainda a existéncia de pequenas unidades de geraco, que podem ser conectadas diretamente no sistema de distribuicao. Na fig. 1.2 apresenta-se um diagrama unifilar tipico de um sistema elétrico de poténcia, onde se destaca a existéncia de trés usinas, um conjunto de linhas de transmissio, uma rede de subtransmissio, uma de distribuicgo priméria @ trés de distribuicdo secundaria. Observa-se que o sistema de transmissio ‘opera, no caso geral, em mulha, o de subtransmissao opera radialmente, po- dendo, desde que se tomer cuidados especiais, operar em malha. O sisterna de distribuigio priméria opera, geralmente, radial e o de distribuigo secundaria pode operar quer em malha, quer radialmente. Fig. 1.2 Diagrama unifiar de sistema elético de poténcia, 1 Ponte: site wirwitalpu.govibr Ee co.z20o to ey 1.— Constituicdo dos Sistemas Elétricos de Poténcia 1.2-SISTEMA DE GERACAO Obtém-se energia elétrica, a partir da conversio de alguma outra forma de energia, utilizando-se maquinas elétricas rotativas, geradores sincronos ou alternadores, nas quais 0 conjugado mecanico 6 obtido através de um processo que, geralmente, utiliza turbinas hidréulicas ou a vapor. No caso de aprovel- tamento hidraulico o potencial disponivel é definido pela queda d’égua, altura de queda e vazio, podendo ter-se usinas desde algumas dezenas de MW até muilhares de MW. Assim, a tftulo de exemplo, a usina Henry Borden, na Serra do Mar, em. ‘Séo Paulo, conta com poténcia instalada de 864 MW, ao passo que a Usina de Itaipu conta com poténcia instalada de 12.600 MW. Por outro lado, dentre as usinas térmicas, que se baselam na conversio de calor em energia elé- trica, hé aquelas em que o vapor produzido numa caldeira, pela queirna do combustivel, aciona uma turbina a vapor que fornece o conjugado motor ao alternador, Como combustivel dispde-se, dentre outros, do dleo combustivel, carv&o, bagago de cana, ou madeira, Nas centrais atémnicas, como é 0 caso da Usina de Angra dos Reis, o calor para a producao do vapor € obtido através da fissao nuclear. As usinas hidréulicas apresentam um tempo de construgéo bastante longo, com custo de investimento elevado, porém, seu custo operacional 6 extremamente baixo. Para melhor visualizagao do vulto das obras necessérias, cita-se, a titulo de exemplo, a usina de Itaipu', que dispde de 18 unidades geradoras, 9 operando em 60 Hz e 9 ern 50 Hz, com tensio nominal de 18 kV (+ 5% ~ 10%), potencia nominal 823,6 MVA, para as unidades ern 50 Hz, ¢ 737,0 MVA, para as em 60 Hz, tendo cada unidade peso total de 3.348 t (50 Hz) e3.242 t (60Hz). Apresenta bacia hidrogréfica com area de drenagem de 820.000 kin’, reservatério com érea de 1.350 km’, extensio de 170 km, cota maxima de 220 m e volume de égua de 29 X 10°m°. Suas barragens principais celaterais, que so construidas em eonereto, terra e enrocamento, apresentar umn comprimento total de 7.760 m, altura méxima de 196 m e exigiram, em sua construcdo, volumes de 8.100 m® de concreto e 13,2 x 10°m® de terra e en- ere = aeooen, coaas, ee 1.2 — Sistema de Geracio rocamento. Seu vertedouro apresenta largura total de 390 m, comprimento total da calha mais a crista de 483 m, contando com 14 comportas de 20 X 21,34 m® e com capacidade maxima de descarga de 62.200 m'/s. Seus condutos forgados tém comprimento de 142 m e diémetro de 10,5 m que garantem descarga nominal de 690 m’/s, A entrada em operagao das primei- ras duas unidades geradoras deu-se em 1984, e completou-se a entrada em operagao das dezoito unidades em 1991. Por sua vez as usinas térmicas apresentam tempo de construgao e custo de investimento sensivelmente menores, apresentando, no entanto, custo operacional elevado, em virtude do custo do combustivel. As primeiras situam-se, geograficamente, onde haja disponibilidade de gua com desnivel que permita a construcao, através de barragens, do reserva- t6rio, exigindo, em geral, a construgio de sistema de transmissao, Destaca-se ainda como inconveniente o alagamento de reas férteis, perda de terrenos produtivos, e possiveis modificagées no clima da micro-regiao. As térmicas, por sua vez, também necessitam de agua, para a condensagéo do vapor, po- rrém, em ordem de grandeza menor que a consumida pelas hidrdulicas, o que permite maior grau de liberdade em sua localizagao, podendo situar-se em maior proximidade dos centros de consumo. Tal fato se traduz. pela reducao de investimentos no sistema de transmissdo. Apresentam como inconveniente aernissao, na natureza, de poluentes, residuos da combustdo, e, conforme seu tipo, a utilizacao de eombustivel nao renovével. De modo geral, sempre que haja disponibilidade de energia hidréulica a opgo de maior economicidade 6a das usinas hidrelétricas. Atualmente vao ganhando espago as turbinas a gés, que jé permitem a construcao de unidades geradoras de até 500 MW. Outro aspecto assaz importante da geracao é representado pelo “uso mauiltéplo”, isto 6, 0 vapor produzido na caldeira, usualmente supersaturado, € utilizado para 0 acio- nartento da turbina a vapor que produz eletricidade, e sua descarga libera vapor, & temperatura mais baixa, para aplicagdes industriaise para, através de méquina térmic, produgio de frio. Este tipo de aplicagdo aumnenta muito 0 rendimento de todo o processo, chegando a viabilizar sua utilizacao em grandes induistrias ou grandes centros de consumo. Salienta-se, ainda, a “cogeragao”, ‘em que indiistrias de grande porte geram a energia elétrica que nenessitam injetam o excedente na rede de distribuicao. © Brasil, que dispde de um dos maiores potenciais hidrdulicos do mundo, conta, basicamente, com quatro grandes bacias: Bacia Amazénica; Bacia do Sao Francisco; Bacia do Tocantins; Bacia do Paran4; das quais a Ultima, por sua maior proximidade com os grandes centros de consumo, é a mais explorada, A bacia AmazOnica est4 praticamente inexplo- Tada, 0 que é justificado por seu afastamento dos centros de consumo, que exigiria a construgio de sistema de transmissdo sobremodo caro. Além disso, em se tratando de regigo de relevo sensivelmente plano, seria necessério 0 alagamento de enormes reas. SS 1. — Constituigéo dos Sistemas Elétricos de Potencia 4.3 SISTEMA DE TRANSMISSAO sistema de transmissao, que tem por funcéo precipua o transporte da energia. elétrica dos centros de producéo aos de consumo, deve operar interligado. ‘Tal interligagio é exigida por varias razées, dentre elas destacando-se a con- fiabilidade e a possibilidade de intercambio entre éreas. A titulo de exernplo, destaca-se a existéncia de ciclos hidrologicos diferentes entre as regides de ‘Sao Paulo, onde o perfodo das chuvas corresponde a0 vero, ¢ do Parané, onde tal perfodo concentra-se no inverno, Deste modo a operacko interligada do sistema permite que, nos meses de vero Sao Paulo exporte energia para ‘© Parand, e que no inverno importe energia do Parand. esgotamento das reservas hidricas, préximas aos centros de consumo, imps que fosse iniciada a exploracdo de fontes mais afastadas, exigindo 0 desenvolvimento de sistemas de transmnissdo de grande porte, envolvendo 0 transporte de grandes montantes de energia a grandes distancias. Este fato cexigiu que as tensdes de transmissdo fossern aumentadas, com grande esforgo de desenvolvimento tecnol6gico. Atualmente, no mundo, ha linhas operando em tensbes préximas a 1.000 kV. Outra dea que ganhou grande impulso ¢ a transmissio através de elos em corrente continua, atendidos por estagio retificadora, do lado da usina, e inversora, do lado do centro de consumo. O Brasil apresenta-se dentre os pioneiros nessa tecnologia, tendo em operavio zo sistema o elo em corrente continua de Itaipu, que é um dos maiores do undo pela poténcia transportada e pela distancia percorrida. Opera com dois bipolos nas tensées de + 600 EV ¢ ~ 600 kV em relagéo & terra, que cor responde a tenséo entre linhas de 1.200 KV. Desenvolve-se desde Itaipu até Ibitina, SP, cobrindo uma distancia de 810 km e transportando uma poténcia de 6,000 MW. Para distancias relativamente pequenas, que representam a maioria do sistema de transmissio, as linhas efo triffisicas e operam em tenso na faixa de 230 a 500 KY, percorrendo centenas de quilometros. Subestagoes, SEs, de transmissdo ocupam-se em realizar as interligagées e compatibilizar os varios nfveis de tensdo. Baige-se elevada confiabilidade dos sistemas de transmissio, de vez que sfio os responséveis pelo atendimento dos grandes centros de consumo. Esse objetivo é atendido através de rigorosos critérios de projeto e de operacaoe da existéncia, obrigat6ria, de eapacidade de transmissao ociosa e de interli- ‘gagoes. Na fig, 1.3 apresentam-se as principais linhas de transmissdo e bacias. nidrogréficas brasileiras. 1.4 SISTEMA DE DISTRIBUICAO 1.4.1 SISTEMA DE SUBTRANSMISSAO Este elo tem a funcio de captar a energia em grosso das subestagdes de subtransmissio e transferi-la as SEs de distribuigdo e aos consumidores, em tensdo de subtransmissao, através de lirihas trifésicas operando em tensdes, usualmente, de 138 kV ou 69 KV ou, mais raramente, em 34,5 kV, com capaci- dade de transporte de algumas dezenas de MW por cireuito, usualmente de 20 1.4 — Sistema de Distribuigao 4.150 MW. Os consumidores em tensdo de subtransmisséo sio representados, usualmente, por grandes instalagdes industriais, estagdes de tratamento € bomibeamento de agua. O sistema de subtransmissao pode operar em configuracéo radial, com possibilidade de transferéncia de blocos de carga quando de contingencias. Com cuidados especiais, no que se refere & protego, pode também operar em malha. Para elucidar este conceito, na fig.1.4 apresentam-se trechos da rede de transmissio, ern 345 kV, e 0 fechamento de malha através da rede de subtransmissdo, 138KV. Na condicao normal, fig 1 4a, observa-se, inicialmente, a impossibilidade de controle da distribuigao do fuxo de poténoia na rede de subtransmissio, isto é, ter-se-A sua distribuigao em obediéncia as leis de Fig. 1.3 Bacias hidrogréficas brasileiras (Fonte: wweons.crg by INTEGRAGAO ELETROENERGETICA, a rea 8 1. —Constituicdo dos Sistemas Elétricos de Poténcia (2) Condigdo normal {(b) Condigdo contingénoia Rede de transmissto| 345 KY 198 KV 345 kV 138 KY Fig. 1.4 Operagao da subtransmisso em maha. ‘Ohm e Kirchhoff. J4 na condi¢ao de contingéncia, fig.1.4b, quando, devido a existéncia de defeito, ocorrerd a isolacdo do trecho de transmissio, pela abertura dos dois disjuntores extremos, passando a carga a jusante do sistema de transmissio a ser suprida pela rede de subtransmissao, com inversao no sentido do fluxo pelo transformador. Evidentementa, esta situagao é invivel, exigindo-se que o sistema de subtransmissiio conte com dispositivos de prote- ‘g20 que bloqueiem o fluxo de poténeia em sentido inverso nos transformadores das SEs de subtransmissio. Observa-se que 0 fechamento de malha entre as redes de transmissio ¢ do subtransmissio exige cuidados especiais no que tange a filosofia de protegao a ser adotada, Na fig. 15 apresentam-se esquemas tipicos utilizados em redes de sub- ‘transmissdo, onde se destacam arranjos com suprimento tinico, configuracao radial fig. 1.5.9, e arranjos com duas fontes de suprimento. Dentre estes, oda fg, 1.5. apresenta maior continuidade de servico ¢ flexibilidade de operagéo, Em. todos os arranjos o bloco situado imediatamente a montante do transformador, “chave de entrada’, representa un disjuntor, urna chave fusivel ou uma chave seccionadora. A seguir analisarse-4, sucintamente, cada um dos arranjos, ‘+ Rede I: este arranjo, fig. 1.5.a, que apresenta, dentre todos, omenor custo de instalagso, € utilizavel quando o transformador da SE de distribuigio no excede a faixa de 10 a 15 MVA, como ordem de grandeza. Sua con- fabilidade est4 intimamente ligada ao trecho de rede de subtransmissao, pois, como é evidente, qualquer defeito na rede ocasiona a interrupcao de fornecimento a SE. A chave de entrada, que visa unicamente a protecio do transformador, é usualmente uma chave fusivel, podendo, no entanto, ser utilizada uma chave seccionadora, desde que o transformador fique protegido pelo sistema de protecao da rede de subtransmissao; + Rede2: neste arranjo, fig. 1.6.b, observa-se que, para defeitos a rontan- te de uma das barras extremas da rede de subtransmissao ou num dos trechos da subtransmissao, 0 suprimento da carga nao ¢ interrompido permanentemente. As chaves de entrada sao usualmente disjuntores ou. haves fustveis, dependendo da poténeia norninal do transformador. Estas chaves tém a fungao adicional de evitar que defeitos na SE ocasionem desligamento na rede de subtransmisszo; 1.4 — Sistema de Distribuigo (@) Rede 1 Subtransmisséo (b) Rede 2 a (e) Rede 3 ‘+ Rede3:neste arranjo, fg. 1.5.¢, 0 barramento de alta da SE passa a fazer parte da rede de subtransmiisséo e a interrupeao do suprimento € com- parével com a do arranjo anterior, exceto pelo fato que um defeito no barramento de alta da SE impée 0 seccionamento da rede, pela abertura das duas chaves de entrada, Elimina-se este inconveniente instalando-se ‘amontante das duas chaves de entrada uma chave de seccionamento, que opera normalmente aberta, As chaves de entrada so usualmente disjuntores; * Rede4: este arranjo, fig. 1.5.4, que € conhecido como “sangria” da linha, 6 de confiabilidade e custo inferiores acs das redes 2 ¢ 3. 6 uilizdvel em regiGes onde ha varios centros de carga, com baixa densidade de carga, "As chaves de entrada devem ser fustveis ou disjuntores, tendo em vista a protegao da linha. 1.4.2. SUBESTACOES DE DISTRIBUICAO As subestaghes, SEs, de distribuicso, que séo supridas pela rede de subtrans- rnissio, séo responsdveis pela transformagio da tensio de subtransmissio para ade distribuicao priméria. H4 intimeros arranjos de SEs possiveis, variando com a poténeia instalada na SE. "Assim, em SEs que suprem regides de baixa densidade de carga, trans- formador da SE com poténcia nominal na ordem de 10 MVA, é bastante fre- Fig. 15 ‘Aranjos tipleos de redes de subtrans- miss. 10 1 — Constituicao dos Sistemas Elétricos de Poténcia 1.4 — Sistema de Distribuigo 11 Fig.1.6 | Fig. 1.7 ‘SE com barra simples. ‘SE com dois transformadores. obmtahe L “oom NAL ° D 8 Dd D eh emp TIT? JIitl ¢ J TTITitdd 1 4 Barra simples (b) Barra simples (c) Saida dos: (@) Barra dupa (b) Saida dos moreuto de Be ctaiosce ntti bos esa de sirinent Mentaes suprimenta suprmento brimérios siméios gente a utilizagio do arranjo designado por “barra simples”, fig. 1.6, que apresenta custo bastante baixo. Este tipo de SE pode contar com uma tinica Jinha de suprimento, fig. 1.6a, ou, visando aumentar-se a confiabilidade, com das linhas, fig. 1.6. Quando suprida por um tnico alimentador, dispor4, na alta tensfo, de apenas urn dispositivo para a protecdo do transformador. Sua confiabilidade € muito baixa, ocorrendo, para qualquer defeito na subtranstnissio, a perda do suprimento da SE. Aumenta-se a confiabilidade dotando-se a SE de dupla alimentagéo radial, isto 6,0 alimentador de subtransmissao € consiruldo em circuito duplo operando-se a SE com uma das dias chaves de entrada aberta. Havendo a interrupeio do alimentador em servizo abre-se sua chave de en- trada, NF, e fecha-se a chave NA do citcuito de -eserva, Para a manutengo do transformador ou do barramento é necesséric 0 desligamento da SI5, Nor- malmente, instalam-se chaves de interconexio, na safda dos alimentadores primérios, fig. 1.6.¢, que operam na condigao NA, @ quando se deseja proceder a manutengdo dos disjuntores de sada transfere-se, em hora de carga leve, por exemplo, de madrugada, toda a carga de um alirnentadar para o outro e isola-se o disjuntor. Em regides de densidade de carga maior aumenta-se o nimero de trans- formadores utilizando-se arranjo da SE com maior conflabilidade e maior flexibilidade operacional. Na fig, 1.7, apresenta-se o diagrama unifilar de SE com dupla alimentagéo, dois transformadores, barramentos de alta tensio independentes e barramento de média tenso seccionado. Neste arranjo, ocorrendo defeito, ou manutenéo, num dos transformadores, abrem-se as chaves a montante ea jusante do transformador, isolando o. A seguir, fecha- se a chave NA de seccionamento do barramento e opera-se com todos os circuitos supridos a partir do outro transformador. Evidentemente cada um dos transformadores deve ter capacidade, na condigéo de contingéncia, para suprir toda a demanda da SE. 8 usual dafi- nir-se, para SEs com mais de um transformador a poténcia instalada, Sas, como sendo a soma das poténcias nominais de todos os transformadores, € “poténcia firme”, Sieme, aquela que a SE pode suprir quando da saida de servico do maior transformador existente na SE. No caso de uma SE com “n” transformadores, de poténcias nominais Syqqi), comi= 1, ..,n, admitindo- se que o transformador “k” é 0 de maior poténcia nominal e que, em condicao de contingéncia, os transformadores podem operar com sobrecarga, em pu, €e fay, Valor cléssico 1,40, isto é, 40% de sobrecarga, e que seja possivel a tansferéncia de poténcia, Sans, para outras SEs, pela rede priméria, através, de manobras répidas de chaves, ter-se-é para a poténcia firme o valor: Spar =D Som) Same = fen 2 Soin + Sins Son ay A titulo de exemplo, seja uma SE com dois transformadores de 60 MVA, com fator de sobrecarga em contingéncia de 1,20. Nestas condigoes, sem transferéncia de carga para outras SEs, resulta para a poténcia firme 60 1,2.= 72 MVA. Ou seja, em condigéo normal de operagao cada transformador operaré com somente 36 MVA, que represerita 60% da poténcia nominal. Destaca-se que, quando a poténcia firme é maior que a instalada, fixa-se a firme igual a instalada, Exemplificando, no caso de uma SE que dispoe de 4 transformadores de 25 MVA, que o fator de sobrecarga em contingéncia 6 1,40 e que seja possivel a transferéncia, pela rede priméria, quando de con tingéncia de até 5 MVA, resulta: Spg) 24-255 100MVA Seno =H4 3. 254+5=L10MVA Para este caso, a poténcia firme ¢ fixada em 100 MVA. Para a manutengéo dos disjuntores dos circuitos primérios, o procedi- mento utilizado € 0 mesmo do arranjo precedente. 12 Fig. 1.8 ‘SE cam barramentos duplicados. Fig. 1.9 ‘SE com bara principal ede transteréncia, Constituicdo dos Sistemas Elétricos de Potencia Uma evolugdo desse arranjo esté apresentada na fig. 18 em que se distribuiu 08 cireuitos de safda em varios barramentos, permitindo-se maior flexibilidade na transferéncia de blocos de carga entre os transformadores. Uma possibilidade de aumentar a flexibilidade para atividades de manu- tengo dos disjuntores da SE, € a utilizagao do arranjo de barra principal ¢ transferéncia, Na fig. 1.9 apresenta-se o diagrama unifilar deste arranjo, des- tacando-se que: todos os disjuntores so do tipo extratvel, ou contam com. chaves seccionadoras em ambas as extremidades; o disjuntor que perfaz a interligagao entre os dois barramentos é designado por disjuntor de transfe- réncia. Em operagaio normal o barramento principal é mantido energizado e B] out 1 F] chave de aca ne] [F]na Berramento de transferéncia D]NA Barramento principal ne] [F]na neo] [Ena + T 1.4 — Sistema de Distribuigao o de transferéncia desenergizado, isto 6, 0 disjuntor de transferéncia é man- tido aberto. Desejando-se realizar manutencio, corretiva ou preventiva, num. qualquer dos disjuntores o procedimento resume-se nos passos a soguit: + Fecha-se o disjuntor de transferéncia, energizando-se 0 barramento de transferéncia; + Pecha-se a chave seccionadora do disjuntor que vai ser desligado, pas- sando a safda do circuite a sor suprida pelos dois barramentos; © Abre-se o disjuntor e procede-se & sua extraggo do cubiculo, ou, caso do seja extraivel, abre-se suas chaves seccionadoras, isolando-o; + Trensfere-so a protego do disjuntor que foi desenergizado para o de transferéncia, ‘Ao término da manutengdo 0 procedimento € o inverso, isto é Insere-se 0 disjuntor no cubieulo, ou fecham-se suas chaves; «© Abre-se a chave seccionadora de transferéneia; + Abre-se o disjuntor de transferéncia e retorna-se a protego ao disjuntor principal Neste arranjo de SE, para a manutengao do barramento principal, é ne~ cesséria sua desenergizacdo, impossibilitando o suprimento aos alimentadores. Este inconveniente pode ser sanado utilizando-se um barramento adicional, “barramento de reserva”. 1.4.3. SISTEMAS DE DISTRIBUICAO PRIMARIA 1 As redes de distribuigao priméria, ou de métia tensdio, escopo primordial deste livro, emergem das SBs de distribuigao e operam, no caso da rede aé- rea, radialmente, com possibilidade de transferéncia de blocos de carga entre cireuitos para o atendimento da operagdo em condigées de contingencia, devido a manutengio corretiva ou preventiva. Os troncos dos alimentadores emmpregam, usualmente, condutores de secao 336 4 MOM permitindo, na ten- sdo de 13,8 kV, o transporte de poténcia maxima de cerca de 12 MVA, que, face & necessidade de transferéncia de blocos de carga entre alimentadores, ‘ca limilada a cerca de 8 MVA. Estas redes atendem aos consumidores prims- rios e aos transformadores de distribuigdo, estagdes transformadoras, ETS, que suprem a rede secundétia, ou de baixa tenso, Dentre os consumnidores primérios destacam-se indiistrias de porte médio, conjuntos comercials (“sho- ping ceniers”), instalagbes de iluminagao publica, ete. Podem ser aéreas ‘ou subterrineas, as primeiras de uso mais difundido, pelo seu menor custo, e, as segundas, encontrando grande aplicagao em areas de maior densidade de carga, por exemplo zona central de ura metrépole, ou onde ha restrigoes paisagisticas. 1 Consideragées gerais ‘As redes primérias aéreas apresentam as configuragées + Primario radial com sovorro; * Primario seletivo; @-as redes subterrdneas podem ser dos tipos: * Primétio seletivo; + Primério operando em malha aberta; + Spot network, 13 a 14 Fig. 1.10 Diagrama unfiar de rede priméra, 1. — Constituicao dos Sistemas Elétricos de Poténcia 1.4.3.2 Redes aéreas — Primério radial [As redes aéreas sto construfdas utilizando-se pestes, de concreto, em zonas urbanas, ou de madeira tratada, em zonas rurais, que suportam, em seu topo, acruzeta, usualmente em madeira, com cerca de dois metros de comprimento, na qual sao fixados os isoladores de pino, Utilizam-se condutores de alurninio comalma deaco, CAA, ousemalma de aco, Ca, nus ou protegidos. Em algummes situagbes particulares, utilizam-se condutores de cobre. Os cabos protegidos contam com capa externa de material isolante que se destina & provecdo contra contates ocasionais de objetos, por exemplo, galhos de arvores, sem que se destine a isolar os condutores, A evoluco tecnolégica dos materiais isolantes permitiu a substituigao da cruzeta por estrutura isolante, sistema “spacer cable”, que permite a sustentagdo dos eabos protegidos. Este tipo de construgao apresenta custo por quilémetro maior que o anterior. Apre- ssenta como vantagens a reduco sensfvel da taxa de falhas e, pela redugdo do espagamento entre os condutores, a viabilizaeto da passagem da linha por regides em que, face a presenca de obstéculos, era impossivel a utilizagao da linha convencional, com eruzeta, As redes pritnétias, fig. 1.10, contam com umm tronco prineipal do qual se derivam ramais, que usualmente sdo protegidos por fusiveis. Dispoem de chaves de seccionamento, que operart na condigio normal fechadas, “chaves normalmente fechadas, NF”, que se destinam aisolar blocos de carga, para permitir sua manutengao corretiva ou preventiva. F usual instalar-se num resto cireulto, ou entre circuitos diferentes, chaves que operam abertas, “chaves normatmente abertas, NA”, que podem ser fechadas em manobras de transferéncia de carga. Na fig. 1.10 estao apresentados dois circvitos que se derivam de uma mesma subestagiio. Supondo-se a ocorréncia de defeito entre as chaves 01 02, do circuito 1, ter-se-é, inicialmente, 0 destigamento do disjuntor na safda da SE e, posteriormente, aequipe de manutencéo iden- tificard o trecko com defeito e o isolard pela aber:ura das chaves 01 © 02. Apés aisolagio do trecho com defeito fecha-se o disjuntor da SE restabelecendo-se ‘osuprimento de energia aos consumidores existentes até a chave 01, restando 08 jusante da chave 02 desenergizados. Fechanso-sea chave NA de “socorro exierno” 08 restabelece-se 0 stprimento desses consumidores através do circuito 02. Destaca-se que 0 citeuito 02 poderia derivar-se de outra SE, Loy Circuito 07 Sa SE el cn. ofa Gireuio 02 4.4 — Sistema de Distribuiggo Evidentemente o cireuito 02 deve ter capacidade para transporte da carga transferida, Assim um critério usual para a fixagdo do carregamento de cireui- tos, em regime normal de operacao, é o de se definir o ntirnero de circuitos que irfo receber a carga a ser transferida. Usualmente dois circuitos socorrem um terceiro, ¢ estabelece-se que o carregamento dos cireuitos que receberao carga ndo exceda 0 correspondente ao limite térmico. Assim, sendo: nN mimero de cireuitos que irdo absorver carga do circuito em contingén- cia, . Stem catregamento correspondent 2o limite térmico do efreuito; Seq_ carregamento do citcuito para operagio em condigbes normais; resulta para cada um dos circuitos que teria absorvido a carga do cireuito em contingéncia, um carregamento dado por: donde o carregamento de regime é dado por: a Ls, aay ee aey em que no caso de dois circuitos de socorro corresponde a 67 % da capacidade de limite térmico, O advento da automacao, cor chaves manobracias & distancia, permite aumentar a flexibilidade (maior “n") e, consequentemente, maior carregamento dos alimentadores em operagao normal, Sieg 1.4.3.3 Primério seletivo Neste sistema, que se aplica a redes aéreas e subterrdneas, alinha é construida ‘em circuito duplo e os consurnidores sao ligados a ambos através de chaves de transferéncia, isto é, chaves que, na condigao de operago normal, conec- tain o consumidor a um dos cireuitos e, em emergéncia, transferem-no para ‘outro. Estas chaves usualmente sio de transferéncia automatica, contando com relés que detectam a existéncia de tensdo nula em seus terminais, veri- ficam a inexisténcia de defeito na rede do consumidor, e comandam o motor de operagéo da chave, transferindo automaticamente o consuridor para 0 outro citeuito, Evidentemente a tensio do outro circuito deve ser néo nula, Na fig. 1.1] apresenta-se diagrama unifilar de primério seletivo. 15 Fig. 1.11 Primério seletvo. (@) Diagrama uniflar (b) Detalne da chave de transteréncia - CHT 16 Fig, 112 Primrio em malta aberta, 1 —Constituigao dos Sistemas Elétricos de Poténcia Neste arranjo cada circuit deve ter capacidade para absorver toda a carga do outro, logo, o carregamento admissivel em condigdes normais de operagio deve ser limitado a 50 % do limite térmico. 1.4.3.4 Redes subterraneas — Primario operando em malha aberta Na fig.1.12 apresenta-se o diagrama unifilar de circuito primétio operando em malha aberta Este tipo de arranjo apresenta custo mais elevado que o anterior, sendo aplicével to somente em regides de altas densidades de carga, com grandes consumidores. Usualmente € construfdo somente em alimentadores subter- raneos Neste arranio, fig. 1.12, 05 consumidores sto agrupados em barramen- tos que contam com dois dispositivos de comando nas duas extremidades (isjuntores) e o alimentador, que se deriva de duas SEs diferentes, ou de dois disjuntores das mesma SE, esté seccionado, num ponto conveniente, através de disjuntor que opera aberto na condigio normal, NA. Quando da ‘ocorréncia de defeito num trecho qualquer da rede tem-se sua isolagio, pela abertura dos dois disjuntores da extremidade do trecho, ¢ os barramentos que restaram desenergizados passam a ser supridos pelo disjuntor NA, que ter seu acionamento comandado automaticamente. Este arranjo, que apresenta custo elevado, exige um sistema de protecao sobremodb sofisticado. O eireuito ‘opera, em condigo normal, com 50 % de stia capacidade, porém, deve dispor de reserva para absorver, quando de contingéncias, a carga total «}-ole als [= }-ols 1,4,3.5 — Redes subterraneas — Spot network Nestas redes, cada transformador de distribuigao, com poténcia nominal de 0,5. 2,0 MVA, € suprido por dois ou trés circuitos. Os circuitos que compéera o spot network podem derivar-se de uma tinica SE ou de SEs distintas, Na fig. 1.18 apresenta-se o diagrama unifilar de uma rede do tipo spat ‘network com dois circuitos que se derivam de uma mesma SE. Observa-se, no barramento de paralelo dos dois circuitos, nos transformadores, a existéncla de uma chave especial, VP, designada por “network protector”, que tem por finalidade impedir 0 fluxo de poténcia no sentido inverso, Assim, assumin- do-se a existéncia de um curto-circuito num dos trechos da rede ter-se-4 a circulagao de correntes apresentada na fig. 1.14. Observa-se que todos os NP do circuito onde se estabeleceu o curto-circuito so percorridos por corrente emsentido inverso e, de conseqtiéncia, iro abrir, lsolando-se, apés aabertura do disjuntor da SE, todo o circuito com defeito. As cargas do sistema estarao energizadas pelo outro circuito. 1.4 — Sistema de Distribuigo fue] [ee {0} «T_T WA BA fF BA A confiabilidade deste sistema é muito alta, porém o custo das redes em spot network é muito elevado, justificando-se sta utilizagio somente em areas de grande densidade de carga. A rede do Plano Piloto de Brasfia foi construfda em spot network com dois ¢ trés cireuitos que se derivam de SEs. diferentes, 1.4.4 ~ Estagées transformadoras Asestagoes transformadoras, Bs, s2o constituldas por transformadores, que reduzem a tensdo priméria, ou média tensdo, paraa de distribuigdo secun- aria, ou baixa tensdo. Contam, usualmente, com para-raios, para.a protecao contra sobretensdes, ¢ elos fusiveis para a protegdo contra sobrecorrentes, instalados no primério, De seu secundério deriva-se, sem protecto alguima, a rede secundiria, Nas redes aéreas utilizarn-sc, usualmente, tranaformador trifésicos, instalados diretamente nos postes. Em geral, suas poténcias nora nais so fixadas na série padronizada, isto 6, 10,0 — 16,0 - 30,0 - 45,0 ~ 75,0 = 1125 e 150 kVA, No Brasil, a tenséo de distribuicao secundéria esta padronizada nos valores 220/127 V e 380/220 V, havendo predominio da primeira nos Estados das regides sul e sudleste e da segunda no restante do pais. O esquema mais usual consiste na utilizagio de transformadores trifésicos, com resfriamento a dleo, estando os enrolamentos do primétio ligados em triangulo € os do secundério em estrela, com centro estrela aterrado. Utilizam-se ainda, em alguns sistemas, transformadores monofésicos ¢ bancos de transformadores monofésicos. Na fig. 1.15, ustra-se um banco de dois transformadores mono- {fésicos na ligagéo tridngulo aberto no secundério. Um dos transformadores, que supre os consumidores monofésicos de baixa tensdo a dois ou trés fios, conta, no secundério, com derivagao central, apresentando tensao nominal, nio padronizada, de 230/115 V. As cargas trifésicas sao supridas através das fases A, Be C. Observa-se que 0 valor eficaz da tensdo entre o ponto Ce a Fig. 1.13 ede spot network. Fig. 114 Correntes de defeito em rede spot ne- ‘work Fig. 1.15, Transformador na igapo trdnguo aberto, 1 — Constituigao dos Sistemas Elétricos de Poténcia 230% derivacao central, pontoN, 6 Vey = 230, ite 189,2 V, inviabilizando a ligagao de qualquer carga entre esses dois terminais. O fio que se deriva do ponto C é correntemente chamado de “fase alta”, Nas redles subterraneas, a PT, usualmente utilizando transformador tri- fasico, pode ser do tipo “pad mounted”, quanco ¢ transformador é instalado abrigado em estrutura em alvenaria ao nivel do solo, ou em cubfculo subter- rAneo, “vault”, quando o transformador deve ser do tipo submersivel ve 1.4 — Sistema de Distribuigao 1.4.5 REDES DE DISTRIBUICAO SECUNDARIA 1.4.5.1 Introdugéo, Da BT, deriva-se a rede de baixa tenstio, 220/127 V ou 380/220 ¥, que pode operar em malha ou radial e que supre os consumidores de baixa tensio, consumidores residenciais, pequenos comércios e industrias. Alcanga, por ircuito, comprimentos da ordem de centenas de metros. Destaca-se 0 pre- dominio, nesta rede, de consumidores residenciais. Observa-se que a natureza de cada segmmento do sistema define implici- tamente o grau de confiabilidade que dele é exigido, em funcao do montante de poténela transportada. Assim, como é evidente, nesta hierarquia de res- ponsabilidade, 0 primeiro elemento é a SE de subtransmissio, responsavel pola transferéncia de poténcia da ordem da centena de MVA, e o tiltimo é a rede de baixa tensdo, na qual a poténeia em jogo é da ordem de dezenas de KVA. Nesse contexto a rede de distribuigao secundria usualmente néo conta com recurso para o atendimento de contingéncias 1.4.5.2 Redes secundarias aéreas As redes secundarias aéreas pociem ser radiais ou em malha. Na fig, 1.16 apresenta-se a evolugio da rede, que inicia em malha, fig. 1.16 a, ¢ quando aleanga seu limite de carregamento, evolui para configuragio radial, através da instalagao de outro transformador e secefonamento da malha nos pontos AeA’, fig. 116 b, (a) Rede inci (b) Rede subdividida 1.4.5.3 Rede reticulada Arede reticulada, como o préprio nome indica, é constitufda por um conjunto de malhas que sdo supridas por transformadores trifésicos, com seus terminals de balxa tensio inseridos diretamente nos n6s do reticulado, conforme fig 1.17. Entre dois nds 6 usual utilizar-se, em cada fase, trés cabos em paralelo. Isto 6 feito visando aumentar a confiabilidade e a capacidade de carregamento do sistema, Destaca-se que este tipo de rede, face a apresentar custo extre- Evolugéo de rede de baixa tens, 20 Fig. 1.47 Rede secundaria reticlada, A mamente elevado, nao é mais construido, Existe em areas centrais de grandes metrépoles, S40 Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, etc., onde foi instalado ha mais de trinta anos. FATORES TiPICOS DA CARGA 2.1 CLASSIFICACAO DAS CARGAS 2.1.1 INTRODUGAO As cargas dos consumidores suprides por um sistema de poténcia tém varias caracteristicas que Ihes so comuns, tais como: localizagao geogréfica, finalidade a que se destina a energia fornecida; dependéncia da energia elétrica; perturbacdes causadas pela carga ao sistema; tarifacdo; tensto de fornecimento, ¢,a partir de tais caracteristicas tipieas pode-se fixar critérios de classificagaio dos consumidores, ou melhor, da carga de tais consumicores, cuja andlise seré objeto de itens subsequentes, nes quais serdo fixados eritérios de classificaca sem que haja preocupacao com suas implicagdes na estudo da evolucto da demanda, “mercado”. 2.1.2 LOCALIZAGAO GEOGRAFICA Osistema de distribuicgo deve atender consumidores de energia elétrica situa- dos nas cidades e nas zonas rurais, portanto, ¢ dbvia adivisto da érea atendida pelo sistema em zonas, tais como: zona urbana, zona suburbana ¢ zona rural Destaca-se as peculiaridades tipicas de cada 2ona, por exemplo, nos bairros ccentrais da zona urbana tem-se, em geral, densidade de carga elevada, com consumidores constituios por escritérios e lojas comerciais, tendo periodo de funcionamento bastante bem definido e habitos de consumo comuns a todos eles. Alem disso, tal zona geralmente esté toda edificada sendo raro 0 surgi- mento de novos consumidores, do que resulta crescimento de carga apenas vegetativo, isto 6, devido ao surgimento de novos equipamentos elétricos. Jé nos bairros periféricos, tem-se densidade de carga menor, com predominio de 2. —Fatores Tipicos de Carga consumidores residenciais, podendo existir, ainda, consumidores comerciais e industriais. Finalmente a zona rural caracteriza-se por densidade de carga muito baixa, consumidores residenciais ¢ agro-industriais, com hébitos de consumo bastante diferentes cos demais. 2.1.3 TIPO DE UTILIZACAO DA ENERGIA ‘A finalidade para a qual o usudrio consome a energia elétrica pode servir de critério para a classificagao das cargas, destacendo-se: * cargas residenciais, © cargas comerciais de iluminagao e concicionamento do arem prédios, lojas, edificios de eseritérios, ete.; + cargas industriais trifésicas em geral, com predominio de motores de indugéo; + cargas rurais de agroindiistrias, irrigacdio, ete; ‘+ cargas municipais ¢ governamentais (servicos e poderes pabli- 08); © carga de iluminagao priblica, Estes critérios de classificagdo so importantes em estudos de planeja- ‘mento, pois permite identificar, no caso geral, habitos de consumo, instantes em que hé a maior demanda e variagtes de tersio produzidas, por exemplo, pela partida de motores, 2.1.4 DEPENDENCIA DA ENERGIA ELETRICA Levando-se em conta os prejuizos que a interrup¢éo no fornecimento de energia elétrica ocasiona ao consumidor, as cargas podem ser classificadas ‘em sensiveis, semi-sensiveis e normais, Por cargas sensivels entende-se aquelas em que a interrupgao, mesmo momentnea, no fornecimento de energia elétrica acarreta prejufzo enorme devido a perda de produgao jé feita ou, entio, causa danos a instalacdo. Exemplificando: durante o processo de produezo do fio rayon havendo inter- rrupgdo de fornecimento ocorrers a ruptura do fio com a conseqiiente perda da produgaio jé feita. Por outro lado, em altos forros, com sopradores acionados eletricamente, a interrupgao do fornecimento ozasiona o escoamento da massa fundida com a obstrucdo dos canais de insuflamento de ar, exigindo a parada do alto foro por meses. Num hospital a interrupe4o, mesmo momentanea, Oe em risco a vida humana: centros cirtirgicos, centros de tratamento inten- sivo, CTI, ou unidades de tratamento intensivo, UTI. Evidentemente, essas inotalagdes contardo com sistamas “no-break”” As cangas semi-sensiveis sfio aquelas em que interrupedes de cerca de 10 minutos néo ocasionam os prejutzos apresentados pelas senstveis, perda de produgdo ou danificagao da instalacdo, porém, interrupgdes de maior uragio provocardo o mesmo tipo de prejuizos. Por exemplo, nur microcom- putador, operando com “no-break”, que usualmente conta com antonomia de 15 minutos, que esteja processando um czso que demore algumas horas 2 = Classificagio das Cargas ter-se-d a perda de toda a atividade jé desenvolvida. Por outro lado, no caso de um edificio comercial, cuja ventilagao seja felta através de instalagio de condicionamento de ar centralizada, a interrupgéo do fornecimento poderé obrigar a suspensio de todas as atividades. Finalmente, cargas normais so aquelas em que a interrupgdo do for- necimento nio acarretara os prejuizos citados, porém, € indubitével que gualquer interrupeao sempre causa prejuizos, por exemplo, num prédio de ‘apartamentos o condéimino somente poderé aleangar seu apartamento subindo a pé pelas escadas, ou, niéo havendo bombeamento de gua dos reservatérios enterrados para os da cobertura, ocasionard falta de agua, Numa residéncia, além de impossibilitar ao consumidor de desfrutar de suas horas de lazer, pode ocasionar prejuizos com a deterioragao de alimentos ou produtos conservados no freezer ou na geladeira, Para a concesstondria a interrupgdo sempre causa prejutzo & sua ima- gem, ao seu faturamento, além das eventuais penalidades impostas pelos ‘Srgkos reguladores. Por outro lado, & nagdo causa prejutzo devido a nao haver produgao ¢, de consequéncia, estas interrupgdes podem afetar 0 PLB. do pats. 2.1.5 EFEITO DA CARGA SOBRE 0 SISTEMA DE DISTRIBUICAO Conforme o ciclo de trabalho as cargas podem ser classificadas em: ‘+ transitérias efcticas; © tansitérias actelicas; © continuas. Assim, as primeiras duas so aquelas que néio funcionam continuamente, porém o fazern, a primeira, com ciclo de trabalho periédico, ¢ a segunda com ciclo aperiddico. As cargas transitérias impéem ao projeto do sistema solugoes mais elaboradas, especialmente em se tratando de cargas de grande poténcia, de vez que podem ocasionar perturbagées indesejaveis. 2.1.6 TARIFAGAO Outro critério de classificagio das cargas € 0 modo como ¢ faturada a energia fornecida, isto 6, os usuérios sao divididos em categorias, por faixa de tensio, acada uma delas correspondendo tarifacao diferenciada. A classificagao usual de consumidores por este critério é: residenciais, comerciais; ndustriais; poderes publicos; servicos ptiblicos; suminacao pitblica; rural 23 24 Fig. 2.1 (Curva dita de demanda, 2.— Fatores Tipicos da Carga 2.1.7 TENSAO DE FORNECIMENTO Como o préprio nome indica 0 critério de classificacao, neste caso, baseia-se na classe de tensio nominal de fornecimento. Assim, genoricamente, tem- se; consurnidores em baixa tensdo ou secundérios, consumidores em média tenséo ou primérios, consumidores em tensio de subtransmissao e consumi- dores em alta tensdo ou em tenstio de transmissio, conforme detalhado no capitulo anterior. 2.2 FATORES TiPICOS UTILIZADOS EM SISTEMAS DE DISTRIBUICAO 2.2.1 DEMANDA Em conformidade com as normas técnicas, define-se: “A demanda de uma instalagdo ¢ a carga nos terminais receptores tomada em valor médio num determinado intervalo de tempo”. Nessa definigao entende-se por “carga” a aplicagao que esté sendo medida em termos de poténeia, aparente, ativa ou reativa, ou ainda, em termos do valor eficaz da intensidade de corrente, conforme a conveniéneia.O perfodo no qual é tomado o valor médio 6 designado por “intervalo de demanda”. Observa- se que, fazendo-se o intervalo de demanda tender a zero, pode-se definir a “demanda instanténea”. Para cada aplicagéo pode-se levantar, nur determinado periodo, por exemplo o dia, a curva da demanda instantanea em fungao do tempo, obtendo-se a “curva énstantanea de demanda no perfodo”. Evidentemente, nessa curva ocorrerio flutuagdes muito grandes nna demanda, sendo, portanto, pratica corrente tomar-se.a curva de demanda do perfodo considerando-se umn intervalo de demanda nao nulo, usualmente 10 ou 15 minutos. Na fig, 2.1 apresenta-se curva de carga digria genérica, com intervalo de demanda nao nulo. Destaca-se que se a demanda representar poténcia ativa a drea sob a curva corresponderé & energia consumida diariamente. 25. TTT TT Demanda maximal 20. g15 i \ & S10 \ 5 | 4 6 8 0 2 4 8 1 0 2 2 ‘Tempo (horas) Fatores Tipicos Utilizados em Sistemas de Distribuicéo. 25 2.2.2 DEMANDA MAXIMA ¥ Ainda em conformidade com as normas técnicas, define-se: “A demanda ‘Ss maxima de wma instalagdo ou sistema é a maior de todas as demandas que ocorreram num pertodo especificado de tenzpo". Nao se deve confundir 4” operiodo durante o quala demanda foi observada com o invervalo de demanda, Assim, 6 evidente que quando se fala em demanda méxima é imprescindivel ‘que se especifique o perfodo durante o qual a demanda, com intervalo de demanda pré-fixado, foi observada, ou seja deve-se dizer: demanda méxima digria, mensal, ou anual, conforme o perfodo de observacao tena sido 0 dia, 0 més ou ano, respectivamente, Usualmente omite-se o intervalo de demanda que € tomado em 10 ou 15 minutos. Exemplo 2.1 ‘Um consumidor industrial tem uma carga que apresenta demanda instantanea de 20 kW, que se ‘mantém constante durante dois minutos, ao fim dos quais passa bruscamente para 30 KW, mantém-se constante durante dois minutos e assim continua de 10 em 10 KW até atingir 70 kW, quando semantém _ constante por dois minutos ao fim dos quais cai abruptamente para 20 kW ¢ repete 0 ciclo, Pede-se determinar a demancla dessa carga com intervalos de demanda dle 10, 15 e 30 minutos, admitindo-se que o instante inicial seja 0 correspondente ao princfpio dos dois minutos com 20 kW. Solucao a Demanda com intervalo de demanda de 10 minutos. A energia nos primeiros 10 minutos, fg. 2.2, & dada por: ejomin, = (20 + 80 + 40 + 50 + 60) 2 = 400 KWrinao logo a demanda ¢ dada por: Dion = 400/10 = 40 kW Demanda fa) A so} - > 10 2 co ‘Tempo (inutos) ig. 22— Curva de demanca ‘Observa-se que 20 longo do tempo a demanda, com intervalo de demanda de 10 minutos, iré variar em fungdo da variagao cfclica da demanda instantanea, conforme apresentadé na tabela 2.1. 26 2 — Fatores Tipicos de Carga 40 a mn 6 480 8 500 50 400 40 b. Demanda para intervalo de demanda de 15 minutos. Para os 15 minutos iniciais, tem-se: Cignin, = (20 +30 + 40 + 50 + 60 +70 +20) X 2 +30 X 1 = 610 kWninun logo a demanda ¢ dada por: Dismin, = 610/15 = 40,6 kW ‘Deixa-se ao leitor 0 célculo da dernanda para os intervalos de tempo subsequentes, Demanda para invervalo de demanda de 30 minutos, Para os 30 minutos iniciais, tem-se: 50 min, = (20 +30 + 40 + 50 + 60 + 70+ 20 +30 + 40 +50 + 60 +70 + 20 +30 + 40) x2 = 1.260 kWrimazo Jogo a demanda é dada por: : ‘Deo min, = 1-260/30 = 42 kW. Deixa-se ao leitor a determinagdo da demanda nos intervalos de tempo eubsegtlentes, 2.2.3 DIVERSIDADE DA CARGA Um alimentador opera durante o dia com carga varidvel, logo, deveré ser estudado para a eondigdo de demanda maxima, pois é cla que imporé as condigdes mais severas de queda de tensao e de aquecirnento. Assim, no es- tabelecimento da demanda maxima pde-se a questo: serda demanda maxima de um conjunto de consumidores igual A soma de suas demandas méximas individuais ? Obviamente, a resposta € nao, pols existe em todos os sistemas uma diversidade entre 03 consumidores resultando para a demanda maxima do conjunto valor, via de regra, menor que a soma das demandas méximas individuais. Assim, define-se: “A demanda diversificada de um conjunto de cargas, num dado instante, é a soma das demandas indawiduats das cargas, naquele instante”. Formalmente, para um grupo de “n" cargas cuja emanda diaria 6 dada por D\(t), com = 1, 2, ...,n, a demanda diversifieada do conjunto de cargas € expressa pi 2 — Fatores Tipicos Utilizados em Sistemas de Distribuicao Day(= YX DiC) i @) Em particular, a demanda maxima diversificada corresponde ao instante fq, em que ocorre a demanda maxima do conjunto de cargas, isto é: Dav(t.= Dt.) a (22) Se Define-se, ainda, a demanda diversificada wnitdrta do conjunto de n cargas, day(t), como sendo: yy row (23) Define-se, também, 0 fator de diversidadle do conjunto de cargas como:“O fator de diversidade de wm conjunto de cargas ¢ a relagdo entre a soma das demandas mézimas das cargas ¢ a demanda maxima do conjunto”. Formalmente tem-se: vb fae Jo nee 4 X Prac 7m fay (24) Darntt hoon Ete SC pasa ta Evidentemente, o fator de diversidade, que é um adimensional, é sempre ndo menor que um, alcancando a unidade quando as demandas méximas de todas as cargas do ediiuiito ocorrerem no mesinio instante. ot Define-se, ainda, o fator de coincidéncia, que é o inverso do fator de diversidade, isto é: Deis D Dane 25) ian que também é adimensional, porém nao maior que um. Finalmente, define-se o fator de contribuico: “O fator de contribuigtio de cada wma das cargas do conjunto é definido pela relagao, em cada ins- tant, entre a demanda da carga considerada e sua demamia mdacima”. Este fator, que ¢ adimensional, é sempre néo maior que um, Em particular, seu valor é unitério quando, no instante considerado, sua demanda coincide a demanda méxima, Destaca-se que o fator de contribuigdo € sobremodo im- portante para o instante da demanda maxima do conjunto, quando ¢ definido como ‘faior de contribuicdo para a demanda méima”. Observe-se que, conhecendo-se a demanda maxima, Dye © 0 fator de contribuigao para @ dermanda maxima, fog de cada utna das 1 cargas (I= 1,2.) que compoem ‘um conjunto, obtém-se a demanda méxima do conjunto pela equacao: Dyscoeons = Datynis = DL Drei foe? 26) 27 St to BO yak ~ fon cu te A th ok ele Ouest ah inplacte & fe peouede duvev oh vera feat. 2 WR jtla)” ash iaunetg oOo. Lo, hor, 2 pO. bY 2-—Fatores Tipicos da Carga ‘A.eq, (2.6) permite estabelecer a correlagao entre os fatores de contri- buigdo de coincidéncia, isto é E Ppuss bones CA foxine = SH an DD vcs ‘Ha dois casos particulares que devem ser destacados: a, Cargas com demandas maximas iguais Neste caso tem-se Dyngx,i =D, logo resulta EPpaufanh®D-T foul? D fasta? a i 28 Friee = SE aD Tofino C8) isto 6, o fator de coincidéncia ¢ igual ao valor médio do fator de contri- buigao. bo. Cargas com fatores de contribuigao iguais Neste caso temn-se foun fron logo resulta © Pye fob) fone ~ Bs Pts isn Lome = —_ aa sie Zs © Davis ed) isto 6, 0 fator de coincidéncia ¢ igual ao de contribuigdo, independente- mente das demandas maximas de cada carga. Para melhor ilustrar os conceitos envolvidos, seja 0 caso de um conjunto de consurnidores residenciais que disponham de um chuveiro elétrico de po- téncia xa, como tinica carga, Nessas condigées a demanda méxima de todas as residéncias ser4 igual, porém, devido a habitos de consumo diferentes entre 0s consumidores, por exemplo: um consuraidor utiliza o chuveiro demanha e tarde, outro somente pela manha, outro somente noite e assim por diante, 0s fatores de contribuigao nao serao iguals, assuraindo valores 1 ou 0, conforme ousudrio utilize ot no o chuveiro elétrico no instante da demanda maxima Assumindo-se que n’ consumidores utilizem 0 chuveiro elétrico na hora da Ap gdemanda maxima, resultaré para o fator de coineidéncia valor n’/n, ou sea, {igual ao fator de contribuigao médio das cargas, conforme eq. 2.8. Supondo-se agora, para andlise da demanda méxima do mesmo grupo de consumidores, que a tinica carga de cada consumidor seja uma geladeira, e que as mestnas sejam de poténcias distintas, Nestas condigées as deman- das maximas das residéncias serao diferentes, visto que as capacidades das geladeiras nfo sio iguais, porém, os fatores de contribuigio, considerando ‘mesmo ciclo de funcionamento de todas as geladeiras, sero aproximadamente iguais entre si ¢ unitérios, logo, o favor de colneldéncia, que sera igual a0 de err 2.9, assumiré valor unitério. 2.2 — Fatores Tipicos Utilizados em Sistemas de Distribuicgo 29 Assim, pode-se alcangar a demanda méxima do conjunto de consurni- dores residenciais, agora dispondo dos chuveiros elétricos e das geladeiras, Jembrando que os eventos funcionamento do chuveiro ¢ da geladeira so independentes, através dos passos a seguir: + Ademanda méxima de cada um dos consumidores, ‘i’, seré dada pela soma das poténcias instaladas do chuveiro elétrico e da geladeira, isto & Darix,i = Potusi + Pyoti © Ademanda maxima do conjunto contaré coma soma das demandas de 1’ chuveiros elétricos e com a soma das poténcias instaladas em geladeiras, isto é: D, n’.P, a +E Pay pao tele Gr W ducks, ev ta te fate Observa-se que, aplicando-se o mesmo raciocinio as demais cargas de uma residéncia pode-se estimar, com boa aproximagao, os fatores de coincidéncia de contribuigao de todo 0 conjunto. néx-coni = a te deeds Exemplo 2.2 Um sistema elétrico de poténcia supre uma pequena cidade que conta com 3 circuitos, que atendem, respectivamente, cargas industrials, residenciais e de iluminagao publica. A curva diria de demanda de cada um dos circuitos, em termos de poténcia ativa, kW, esté apresentada na Tab. 2.2. Pede-se: © Acurva de carga dos trés tipos de consumidores e a do conjunto. ‘+ As demandas méximas individuais ¢ do conjunto. * Ademanda diversificada maxima. * Ofator de coniribuicao dos trés tipos de consumidores para a demanda maxima do conjun- to. Solucao Da fig. 2.3, onde se apresentam as curvas de carga dos trés tipos de consumidores € a do con- ‘junto, resulta: Dace = 50 KW rae Res = 1.450 kW das 18 ds 19 horas Danas na. = 1.100 KW das 13 as 15 horas Date Conj = 1.900 kW das 18 5 19 horas 3s fatores de diversidade e coincidéncia sto dados por: 1, = 50+1450+1,100 _ 2.600 tot ae 1.900 1,900 731 2.— Fatores Tipicos da Carga See a O41 Te ("2 oe a 5-6 &1 78 69 5 1000 9-10 85, 1000 10-11 = 35 900 12 7 700 600 1200) 360 1000) 300 700 200 200 200 50 30 200 Beet ‘Ademanda maxima do conjunto ocorre das 18 4s 19 horas, portanto, os fatores de contribuigio. dos trés tipos de consumidores so dados por: 400,0 1100, 2000 ——7—T DDemanda méxima coniugada 1.800 1.600 1.400 ~ bema L__Domanda = 1200 ‘maxima z instal 1.00 z . & ww ‘nf m o 2 4 6 6 © w 4 1 o m 2 Tempo fas) Fig. 2.3~ Curvas de carga para ex.2.2 2.2 — Fatores Tipicos Utilizados em Sistemas de Distribuico 2.2.4 FATOR DE DEMANDA fator de demanda de um sistema, ou de parte de um sistema, ou de uma carga, num intervalo de tempo 7, 6 a relacdo entre a sua demanda maxima, no intervalo de tempo considerado, ¢ a carga nominal ou instalada total do elemento considerado. Destaca-se que a demanda maxima do sisterna ea carga nominal do sistema deve, obrigatoriamente, ser medidas nas mesinas unidades, quer de corrente, quer de poténcia, ou sejam, ambas as grandezas devern estar expressas em A, ou em W, ou em VAr ou em VA, Formalmente resulta: 2.10) onde Dpge demanda maxima do conjunto das “n” cargas, no intervalo de tempo considerado Domi Poténcia nominal da carga i, O fator de demanda, que é um adimensional, geralmente nao maior que um, No entanto, pode alcancar valores maiores que um quando 0 elemento considerado est operando em sobrecarga. Por exemplo, para um motor, cuja corrente nominal € de 100 A, e que no intervalo de tempo considerado est ‘operando em sobrecarga, absorvendo corrente de 120 A, resultaré fator de demanda de 1,2. Para melhor esclarecer 0 conesito de fator de demanda, seja.o caso de um trecho de alimentador primdrio que supre conjunto de trés transformadores, cujas poténcias nominais, poténcias instaladas, e demandas maximas mensais esto apresentadas na fig. 2.4 s fatores de demanda individuais dos trés transformadores sao dados por: sem tro 875,0 a : fem-trsos = 300,0 250 Wis Sy = 375 KVA ‘Sp = 60 KVA 92 ige= O88 Tato? TERA 31 Fig. 2.4 Bloco de carga de allmentador primero. Neen 32 2 —Fatores Tipicos da Carga , para 0 conjunto resulta: B, 1+ C08 + Sy. COS y+. COS— 4 160,0 . 0,85-+ 60,0 . 0,98+ +375,0 . 0,92 = 539,80 kW Q, =S,. seng, +S,. seng,+8,. seng ,=160,0 . 0,527 + 60,0. 0,199+ Exemplo 2.3 AAs poténcias instaladas, em kW, para 0s consumidores do ex. 2.2 sto: Tuminagao publica. 50 kW Cons. Residenciais. 2.500 KW. © Cons, Industriais 1.600 kW Pede-se os fatores de demanda, didrios, individuais dos consumidores e total da cidade, Solucéo ‘Temse: Bog 7 HO= 100,05 1.450,0 0,58 = 58,0% 2500,0 1.100,0 0,68 Keane = gp 9) = SST = 88.748 f I 1900,0. 1.900, ‘em-cond "50,0 + 2.500,0+ 1.600,0 4.150,0 458 = 45,8% 2.2.5 FATOR DE UTILIZACAO O fator de utilizagdo de um sistema, num determinado perfodo de tempo +z, €arelacio entre a demanda maxima do sistema, no perfodo 7, e sua capa- cidade. Obviamente essa definicao aplica-se também a parte de um sistema. Este fator, que ¢ adimensional, é calculado definindo-sea demanda maxima € a capacidade nas mesmas unidades. Destaca-se que a capacidade do sistema ¢ obrigatoriamente expressa em unidades de corrente ou de poténcia apa- rente, Seu valor ¢ usualmente nao mator que um, porém, quando o sistema 2.2 — Fatores Tipicos Utilizados em Sistemas de Distribuicao estd operando em sobrecarga, assume valor maior de um. Evidentemente esta tiltima condigao operativa, no caso geral, nao deve ser aceita, Formalmente, sendo: Dmix demanda maxima do sistema no perfodo 7; Cas. capacidade do sistema; fiay fator de utilizacgo do sistema, resulta: D, = Pte 2 Cay van be Destaca-se que, enquanto o fator de demanda oxprime a poreentager da poténcia instalada que est4 sendo utilizada, o de utilizago exprime @ por centagem da capacidade do sistema que esté sendo utilizada. No exemplo do item precedente, fig. 2.4, 0 tronco do alimentador tern capacidade para transportar 1,2 MVA, logo, seu fator de utilizagao 6: 592,08 fou = 7 200,00 0,4934 = 49,3496 ou seja, sob o ponto de vista de carregamento, o tronco esté operando com uma reserva de 50,66%. 2.2.6 FATOR DE CARGA. Define-se fator de carga de um sistema, ou de parte de um sistema, como sendo a relagdo entre as demandas média ¢ méxima do sistema, correspondentes a.um periodo de tempo +. O fator de carga, que € adimensional, ¢ sempre néio maior que um. Observa-se que para fator de carga unitario corresponde umn sistema que est operando, durante o perfodo de ternpo +, com demanda constante. Formalmente, sendo: Dpeéciy Cemanca média do sistema no periodo +; Ding demanda maxima do sisterna te perfodo'¥; Cf) demanda instantanea no instante t; faa fator de carga do sistema no perfodo 7, resulta: Dewan _ faCd.ct f. = (2.12) bas T= ea ‘Multiplicando-se numerador e denominador da equagdo que exprime 0 fator de carga pelo perfodo de tempo resulta: Dowais 7 _ Energia absorvida no perfodot farsa Dt Daa? (2.18) ou = Dye t+ foarga = Dts + Hag @.14) 33 —————————— 2.— Fatores Tipicos da Carga onde, 0 produto do fator de carga pola duragio do periodo, +, é definido por “horas equivalentes”, Haq, teptesentando o perfodo durante o qual o sistema, deveria operar com sua demanda maxima para se aleancar a mesma energia que operando em sua curva de carga. Exemplo 2.4 Pede-se determinar para 0 ex. 2.2 0 fator de carga didrio des trés tipos de consumidores e do conjunto. Solugito As energias absorvidas diariamente sao dadas por: ap. = 12.50 = 600 kWh enes= 4 X 70 + 80 + 95+ 90 +3 85 4 95 + 100 + 130 +90 +2 X 80+ 100 + 420 + 1450 + 1200 + +1000 + 700 + 200 + 50 = 6.495 kWh ayy = 3 X 200 + 850 + 400 + 600 + 700 + 8 1.000 + 900 + 600 + 900 +2 X 1.100 + 1.000 + 800 + +2. 400 + 850 + 300 +3 X 200 = 14.000 kWh econy = 600 + 6495 + 14000 = 21.095 kWh donde resulta 600 6495 fearga-w = ppg 050" 50% fuga = [465 94 7 OSS = 18.6% 14.000 21.095, s Feaga-tno = [499 59 = 0°580= 68.0% Kanga-cons “T-g9q aq 7 0462 = 46,20 Exemplo 2.5 Estabelecer o valor da tarifa mensal, em termos de energia, a ser aplicado a uma carga de modo que se remunere a demanta méxima, com custo Caan, © 2 energia, com custe Cen, Solucéo Ademanda méxima, Dice, de uma carga que absorve energia mensal e, com fator de carga fase» 6 dada por: e TD ge D, 2.2 — Fatores Tipicos Utilizados em Sistemas de Distribuigs0, 35 demanda maxima e da energia, o custo mensal, Cyan Sex dacio por: G, Cnessat 720. fearga ou seja, a tarifa mensal, Try, & Ser aplicada sobre a energia é dada por: G, Seen 20 frags OM ‘em que 6 fator 720 representa o nimero de horas do més. Ora, como se deseja a remuneragao da Dre Gantt: Ou (sate « 2.2.7 FATOR DE PERDAS: Define-se, para um sistema, ou parte do sistema, 0 ‘fator de perdas” como sendo a relacdo entre os valores médio, Preaio © MAXIMO, Paxinos da potencia dissipada em perdas, num intervalo de tempo determinado, 7, isto é Pet ee p(t).dt — Potda_média emt _ Press 218) onde p(t) representa o valor da perda instantanea no instante t. Analogamente a0 procedimento adotado no item precedente, multi- plicando-se numerador e denominador da equagao acima pelo intervalo de tempo, 7, resulta Prosaia Tt _ Energia perdida no intervalot f 2.16 es rts Prsina ers) ou seja, a energia perdida no intervalo de tempo + & dada por Eras Pras “€- Spots = Presa Hea, ean onde o produto do intervalo de tempo pelo fator de perdas exprime as “horas equivalentes para perdas”, Hyg. isto 6, 0 ntimero de horas que a instalagio deverd funcionar com a perda maxima para que o montante global das perdas seja igual aquelas verificadas no perfodo considerado, Exemplo 2.6 Conhecendo-se: a. Qcomprimento da linha, 10 km; oe b. Aimpedancia série da linha 1,0 + j 2,0 ohms/km; ¢. A curva didria de carga do corjunto de cargas (fig. 2.5), pede-se 0 fator de perdas ¢ a energia dissipada na linha. ‘Um alimentador trifasico, operando na tensao nominal de 22 KV, supre um confunto de Neen eee Te 36 2.—Fatores Tipicos da Carga 2.2 — Fatores Tipicos Utilizados em Sistemas de Distribuicao 37 Solucao a. CAlculo do fator de perdas ‘A poténcia ativa dissipada na linha, em cada instante, édada por pt)=3 R F(t) onde, R é a resisténcia éhmica da linha (10 X 1,0 = 10 ohms), I(t) 60 valor eficaz da corrente no ‘tempo t. Assumindo-se que a tensao seja mantida constante pode-se transformar a curva diéria de carga, dada em termos de poténcia aparente,na curva didria de carga, dada em termos de corrente (A). De fato, dividindo-ce as ordeniadas por /3 V obtém-se as correntes, pois que: SH) 8) I= = = 0,026243xS()A © By Bx me ‘onde a poténcia aparente S(t) € expressa em kVA. 4.600 4.000 3.800 3.000 2.500 2.000 4.500 1.000 Demanda (k¥A) Horas do dia Fig. 2.5 ~ Curva didria de erga Por outro lado, pode-se converter a curva didria de carga, em termos de poténcia aparente, na curva didria de perdas, em termos de poténeia ativa, bastando, para tanto lembrar que: 2 sw) 3.10 yy 2 pt)=3 n.e9-9.8.( £2] + 87(t) = 0,020661 . $2(t) W B.V (@ 2 p(t) = 20,661 . 10°°. $?¢¢) KW donde se conelui que é suficiente multiplicar a escala de ordenadas ao quadrado pela constante acima, Da fig. 2.6, onde esta apresentada a curva diéria de perdas, em termos de KW, obtém-se perda diaria de energia de 2.343,178 kWh e perda maxima de 330,578 kW, donde: Observa-se que o céleulo pode ser simplificado, sem que haja necessidade da determinacao da curva didria de perdas, lembrando que a perda em cada intervalo de tempo é dada por: K.D?.t, onde: 93 energia perdida no intervalo de tempo i de duragio ty Dy demanda, em termos de poténcia aparente, no intervalo de tempo i de duragZo t, K__fator multiplicativo para célculo da perda. 0 fator de perdas seré dado, conforme sua definic&o, por abet Che me) aay isto 6,independe da constante K, logo independe da resisténcia do trecho e da tensio nominal, sendo fungo t4o somente do aspecto da curva de carga. Para o exemiplo temn-Sé: 8007.7 + 1.500?.5 + 2.800°.6+ 4.000" 3+ 1,000.24 800.1 _ 118,410.10° _ 9 oo. = 4.000724 84.10% 350 $30,578" 00 — 230 = E 200] a 161,983 g E 150] 109 46,488 50 13.208 61 dl ao 4-4-4 == 4-4 4 o 2 4 6 8 wW 2 Ww i iS 20 2 2% Horas do dia Fig. 2.6 ~ Curva ciia de perdas, Destaca-se que quando a curva de carga didria é fornecida em termos de poténcia ativa, ou poténcia reativa, com fator de poténcia varidvel durante o dia impée-se que ela seja convertida em curva de carga diria, em termos de poténcia aparente. eee Fatores Tipicos da Carga 2.2.8 CORRELAGAO ENTRE FATOR DE CARGA E FATOR DE PERDAS Neste iter proceder-se-4 a pesquisa da correlagio entre os fatores de carga e perdes. A andlise teré por base consumidor euja curva de carga, com duragio T, apresente demanda dada por: D=D,parad st 1.000 m) Qeony = 364,1618 8° , 6975, 9125 (Wk) b. 01s < 1,000 Qeone = 1.000. (1,01 + 0,3710 . 8) . tren -@ (Wik) onde: “Term Condutividade térmica do ar, Wim.°C; 8 3,2 — Corrente Admissivel em Cabos fer) elevagaio da ternperatura do condutor sobre o ambiente, em °C. c. 1,000 5 8 < 18.000 (Numero de Reynolds entre 1.000 ¢ 18.000) Qeony = 1695. RF 0. treara CWA) (25) Os valores das constantes fisicas do ar, viscosidade, densidade e conduti- vvidade térmica, em fungao da temperatura estao apresentados na Tab. 3.4, 61 00. 0,0618 1,297 10749 08874 07289 o,0793 50 0.0627 1.2708 41,0572 0.8780 07160 o,ca07 100 0,0685 42478 1.0380 0.8570 07032 0,0820 180 0,044 1.2054 41,0188 0.8426 0.6904 0,083 200 0,065 4.2046 4,028 0.8282 06792 0,0843. 250 0,066 4,1854 0.9868 08138 0,6680 0,086 300) 0,0670 11662 oa707 10,8009 0.6584 0.0869 350 0.0678 41,1469 09847. 0,7881 6472 0.0860 400 0,0686 4277 09687 07783 0.6369 0.0893 450 0,0605 1n01 0.9243 0.7625 06263 0.0905, 50,0 0.0704 10941 0.9009 0,7513 06167 o.0at7. 550. grit 110765 0,8864 0,740 0.6071 o.09a0 600, 0.0720 10588 0.8810, 0.7273 05975 0.0942 650 0.0728 10444 08682 o7176 05879 0.0954 700 0.0736 41,0300 0.8670 0,7080 og8is 0.0967 750 0.0744 41,0156 09482 0.6084 05736 0.0978 800 0.0752. 10048 0,836, 0,6904 05671 0.099% 850 00759 0,968 0218 og776 0.5559 0.1003 900) 0.0766 0.9738 08105 0.6696 05494 0.1015, 950 00775 0,9595 7977 0,¢600 sata 01028 500.0 0.0783 0.9467 o7e81 0.6504 08334 i040 62 — Corrente Admissivel em Linhas 3.2.4.3 Dispersio de calor por irradiagao Para o calor disperdido por irradiacdo tem-se, pela equagdo de Stefan-Bolt- aman: Qher = 0,00017825 d . ©. (Teon* = Trase*) CWikcmn) (3.26) onde: Toon temperatura do condutor, K; ‘Tyyp temperatura ambiente, K; e emissividade da superficie do condutor. A literatura técnica fixa para condutores novos ¢ condutores negros va~ ores da emissividade de 0,23 e 0,9, respectivamente. Usualmente utiliza-se valor médio da emissividade de 0,5, considerando-se os cabos envelhecidos. 3.2.4.4 Calor Absorvido por Radiagio Solar ‘A equagio completa para o calor absorvido do sol &: Qear= 7. QA. senry (Wie) @2n onde, ‘Qeq) calor recebido do sol, em Weim; ¢ coeficiente de absorgio da radiagao solar, Q, calor total irradiado pelo sol, erm W/kan*; A’ rea projetada do condutor, em m? por km de comprimento, € 1 = 008" [008 He. c08(Ze - %4)] 28) com H, Altitude do sol, em graus; Zc Aziraute do sol, em graus; %, Azimute da linha, em graus. Valores tipicos do coeficiente de absorcao da radiagao solar sao: 0,23, para condutores novos e 0,91, para condutores enegrecidos. Valores tpicos do calor recebido por urna superficie exposta acs raios do sol, ao nivel domar, esto apresentados na Tab. 3.5. Observa-se que 0 eflleulo do calor absorvido pelo condutor devide & irradiagdo solar pode ser feito utilizando-se a equacao aproximada, eq. 3.29, valida para o territério brasileiro, estimada a partir de valores médios dos parametros envolvidos: Ques = 500.000. (Ween) @.29) 3.2 — Corrente Admissivel em Cabos 3.2.5 CORRENTE DE REGIME - CABOS PROTEGIDOS 3.2.5.1. Conceitos basicos de transferéncia de calor — Modelo analogo Quandonura meto existe um gradiente de temperatura, a experiencia demons- tra que hé uma transferéncia de energia no sentido da regido da temperatura maior para a menor. A transferéncia de calor por unidade de érea pode ser cexpressa pela equagio: a_ 1 irate Pum ox w (830) onde, W representa o calor transferido através daareaAe a 6/axéo gradiente de temperatura na diregao do fluxo de calor. A constante K é designada por “condutividade térmica” do material e seu inverso, Prem, 6a “resistividade térmica" do material. 0 sinal negativo, na eq, (3.30), que € chamada de “let de Fourier da condugéo de calor”, indica que 0 fluxo de calor ocorre no sentido da diminuicgo de temperatura. Pode-se observar que a eq. 3.30 é formalmente andloga & equagao de um. campo elétrico,ou seja OE 63 64 3 — Corrente Admissivel em Linhas ow onde J densidade de corrente; g condutividade elétrica do meio; E campo elétrico; 9 resistividade elétrica do meio; I corrente elétrica V diferenca de potencial; isto €: © Offuxo de calor que fiui, em watts, 6 anélogo & corrente, em arnpe- res; © Aresisténcia térmica, em °C/W ou em °K/W, é andloga & resisténcia elétrica, em; * A ccapacidade de um corpo em absorver calor, na condicgo transi- toria (capacitancia térmica em Joule/*C ou Joule/*K) € andloga & capacitaneia elétrica, em Farad. Na Tab. 8.6 apresenta-se as grandezas pertinentes aos campos térmicos e suas andlogas elétricas, Assim, seja um condutor cilindrico, com diametro d,, envolvido por capa protetora de material isolante com didrmetro extemo dq. condutor esté sendo pereorrido por corrente I, logo, esta produzindo, por efeito Joule, quan- tidade de calor W = I’r, Deseja-se estabelecer a relacdo entre as elevagées de temperatura, sobre o ambiente, na superficie do condutor, 6,, e na capa de protecao, i,q. Assim, da fg 3.6, considerando-se num raio genético x, com 0,5 de = x = 0,5 da, um elemento de espessura dx € Sendo pears 2 Tesistivi- dade térmica da capa de protegdo, a relagao entre a variagio de temperatura, 6, por quantidade de calor, W, absorvida pelo elemento dx, por unidade de comprimento do condutor, resulta, da eq. 3.30 ake OR= = Prem Sac Resitvdede (0mm) Resiténca Rain = Pun 1/5 °C) R=p.1/S(0) Fore de campo Dierenca de temperatura 0 °C), ‘Diferenga de potencialV( Fino Fix térmico W (0) Corrente 1A) elago basica| 0=W. Ray Venu (Calor absorvido ou isperdido num volume devido Carga ou descarga de um capactordevdo a varagéo| ferworanesonria [ON rap cotompwnra 0) stan. A0 | aad opoune a 3.2 — Corrente Admissivel em Cabos 65 Fig. 3.6 Sa Condutor com capa potetora. Capadeprotesgo que estendido a toda a camada protetora, resulta: Re f Bea ax eee (3.32) Para 0 caso de um cabo protegido imerso no ar tern-se o circuito elétrico andlogo representado na fig. 3.7, resultando as equagdes: cape = Sond, ~ W Prem capa © reo * capa ~ WRege mein 8 Scene. = Rete capa + Res neo ¥ (3.33) Bene. Ba Bas=0 : Fig.3.7 Circuito oltico andlogo ao térmico. Exemplo 3.4 ‘Um cabo protegido, imerso ao ar, est4 operando com temperatura de 90°C, a temperatura externa da capa de protecdo é 71,4°C ea temperatura ambiente 6 30°C. Os didmetros externos do condutor e da capa de protecdo valem, respectivamente, 12,4 min ¢ 22,0 mm. A resisténcia Ohmica do cot dutor, medida em corrente alternada na temperatura de operacdo € 0,1589 Q/km € a resistividade térmica da capa € de 8,5 m°G/W. Pede-se a corrente que esta fluindo pelo condutor € a resistén térmica do meio. ae 66 Solugdo Aresisténcia térmica da capa de protegdo vale: R= Peer jp, Seana 22, hem = pen = Om dag 28124 ree = 0,000819°CAW. kre =0,319°CAW.m on As elevagbes de temperatura do condutor e da capa de protegéo valem: Sona = 90-30 = 60°C © cana = T14-80 = 41,4°C donde o fluxo de calor, PR, 6 dado por: pu lamt tape _ 60=41,4 000318 ne = 58.307,21 Wikm eer donde: 605,76. A resisténcia térmica do meio, Raeie, € dada por: 41,4 = = 7,092 10 CAV, ime sanoran 8% R, 3.25.2 Célculo de condutor protegido imerso ao ar Na pratica, a temperatura da capa de protegio no é conhecida a priori, impossibilitando a solugio direta do equacionamento térmico, resultando na necessidade de utilizagdo de processo iterativo. Este processo iterativo, que esté ilustrado no diagrama de blocos da fig. 3.8, resume-se nos passos & seguir: Passo 0 - Inicializa-se a temperatura da capa de protec no valor da tempe- ratura do condutor; Passo 1 - Caleula-se, para a temperatura da capa externa, o calor transferido ao melo (ft. item 3.2.4); Passo 2- Calcula-se a temperatura no condutor através da eq. (8.39); Passo 3 - Caso no tenha sido alcangada a convergéncia corrige-se a tempe- ratura da capa de protecao utilizando-se um fator de aceleraciio @ retorna-se ao passo 1. Repete-se 0 procedimento até se aleangar a convergéncia ou até se alcangar o niimero maximo de iteragdes. No diagrama de blocos as grandezas indexadas com “(i)” referem-se & iteragio "y” € Fuceer Tepresenta 0 fator de aceleragao. or 3.2 — Corrente Acmissivel em Cabos 67 Fig. 3.8 Diagrama de blovos. Inkaizaonimero de teragées, i= 1 Fira al = Oot Caloula car, 0( transterido ao meio Te Caloula a elevagao de temperatura do condutor Bema = Bap) + 00). Pagal + = Cal) + A fy + +t Exemplo 3.5 [oe Para um condutor protegido sao dad [ a, Diametro do condutor: 12,4 mm; Temperatura de regime permanente: 90°C; c. Resisténcia do condutor em corrente alternada: na paupeare de operagao: 0,1589 d. Material de protegao EP, com resistividade: vermica, 3 5 mY, Diametro externo da capa de protecéo: 22 mm- eae a0 nivel do mar, velocidade do vento « de 2 kwh e° temperatura ambiente. es &Biissidade de supertie do condutor 0 Co : _ Pede-se determinar a corrente de regime permanente de modo que o condutor¢ pete com sua _ temperatura estabelecida. Solucéo ara a iteragdo inicial, assumindo-se a temperatura da capa de protecao igual a 89°C, um pouco inferior & do condutor, tem-se, para a temperatura média, 0,5 (89 + 30) = 695°C: Densidade do ar, interpolada linearmente na Tab. 3.4: 1,06057 ke m°; Viscosidade do ar, interpolada linearmente na Tab. 3.4: 0,07191 ke mah; Condutividade térmica do ar, interpolada linearmente na Tab. 3.4: 0,02866 W/m.°C; ‘Niimero de Reynolds: gp = QBY. = 9,022 1,05057 2000.0 _ 4g, g97 # 0.071981 logo, da.ea, (3.24): Qn, = 1.000(1,01+ 1,507 xR) Cpe = = 1.000 (1,01+ 1,507 x 648,097") x 0, 02866 x (89-90) = = 67.937, 45 Wim edaeq. (3.26) Qe = 9,00017825 9 € (Tey ~ Ths)? = = 0,00017826 x 0,022 0,5 [era+20)' =O + 30)¢] = 17.144,08 Win Q logo, sendo a resisténcia térmica da isolago <5 = 0,000819°CW + kr a elevacao da temperatura do condutor sera: : Ola ava + eure * Pie) Brn = = 59,0-+ (67.997, 45 + 17.144,08)<0, 000819 = 86,1722°C a qual corresponde temperatura de 116,1722°C, donde corresponds corregio: A = 90,0 116,1722 =-26,1722°0 ea nova temperatura da capa de protegao, com fator de aceleracao igual a 0,6, ser: 89,0 - 26,1722 x 0,5 = 76,9199°C (Os valores para os passos sucessivos esto apresentados a Tab. 3.7. onde o célculo fol interrom- pido quando o desvio em duas iteragdes sucessivas foi nao maior que 0,0001 ‘Ao final do processo iterativo resultou temperatura na cobertura de 71,039°C e a corrente mé- xima é dada por: : [47 540,724+11.024,87 p= SRR ee = 607,098 0,1589 a 3.2 — Corrente Admissivel em Cabos 69 59,500 | 1.06057 | oo7ig1 | eaggar | g7aaaas | 1714408 | 1161722 | -26.1722 52.957 | 1,08369_| 0,07081_| 673,248 | s2aaa.06 | 1253303 | 96,8060 | -6,6060 51,265 | 1.08068 | 007058 | 679.355 | 4aaas,o9_ | 1141570 | 91,7890 | -1,7800 50,808 | 1.09126 | 007051 | 680.940 | a7ori.ie | 11127,65_| 90.4720 | -0.4720 50,690_| 1.0067 | 0,07050 | 68,350 _| 4760.28 | t10s1.e7_| 90.1246 | -0,1248 50.659 | 1,00178 | 007049 | 681.470 | 4756614 | iiosia1 | 90,0820 | -0,0929 50.650 | 100161 | 70a | asia | a7sa7oa | 1102663 | 90,0087_|-0,0087 50.649 | 1.09162 | 0.07009 | 681,507 | 47542,00 | 1102524 | 900028 | -0,0023 50.648 | 1.09182 | oo7o4a [681,509 | 47540,72 | 1102487 | 90.0006 | _ -0,0008 3.2.6 CORRENTE DE REGIME - CABOS ISOLADOS 3.2.6.1 Introdugéo 0s cabos isolados, conforme jé fol visto, além do condutor conta, cbrigato- riamtente, com a isolagao e podem contar com capas metélicas: blindagem € armagio. AS capas metdlicas, quando existirem, esto, usualmente, aterradas, ogo, sio sede de circulacao de corrente e portanto fontes de injegdo de calor pelo efeito Joule, Além disso, a isolagdo, estando situada entre o condutor € ablindagem serd sede de perdas dielétricas, Assim, por exemplo, para o caso deum circuito constitufdo por trés cabos unipolares diretamente enterrados, suficientemente afastados para que seja possivel desprezar a influéncia mi- tua dos condutores, ter-se-A 0 cireuito elétrico andlogo representado na fig. 3,9, Destaca-se que o cabo conta com os blocos: condutor, semicondutora, isolagdo, semicondutora, blindagem, capa interna 1, armago, capa interna 2 e cobertura. AléIn i830 ®neia = 0. No circulto elétrico andilogo foram omitidas as camadas semicondutoras por apresentarem espessura muito pequena. & bs ts Fig. 3.9 Circuito elétricn analogo. ss cs es cee es SS TT ee 70 3.— Corrente Admissivel em Linhas Quanto aos tipos de cabos utilizaveis destacam-se: unipolares, bipola- res, tripolares e pré-reunidos, estes ultimos sendo instalaveis sornente ao ar. Quanto ao modo de instalagao destaca-se: ‘Ao ar com ou sern exposigdo & radiacéo solar; ‘Ao ar em cletrodutos, com ou sem exposigio ao sol; Diretamente enterrados; Enterrados em eletrodutos; Em canaletas enterradas; Em bancos de dutos; © 0 equacionamento, no caso geral, depende do tipo de cabo e do modo de instalagao, 3.2.6.2 Perdas no condutor A “resisténcia dhmica efetiva”, R,, de um condutor é dada pela relago entre apotencia dissipada no condutor, por efeito Joule, ¢ a intensidade de corrente ‘que o percorre. Assim, a uma temperatura “t’ do condutor tem-se: Poténcia dissipada nocondutor r (34) onde R, é medido em Q/kmn, a poténcia dissipada em W/km e a intensidade de corrente em A. Destaca-se que, haveria a igualdade entre a resisténcia em corrente continua e a efetiva somente quando a distribuigao do campo de correntes no interior do condutor fosse untforme. Por outro lado pode-se calcular a resistencia efetiva a partir da resisténcia em corrente continua, cortigida para a temperatura de operacdo, levando-se em conta os efeitos pelicular e de proximidade com outros condutores. A existéncia, no interior do condutor, de campo variével no tempo ocasiona 0 adensamento cla cor rente na superficie do condutor, efeito pelicular, que se traduz por aumento na resisténcia. Por outro lado 0 earmpo produzido, no interior do condutor, ‘por cabos vizinhos produz nova distorgo na distribuigdo de correntes, efeito de proximidade. A resisténcia em corrente continua de um condutor, Reet), € dada por: é Reg (=p 5 @ meg 835) onde, para a resistividade, comprimento ¢ drea da segdo reta pode ser uti- lizado qualquer conjunto de unidades compativeis. Usualmente define-se a resisténcia Ohimica, Roo(t), em O/Am, resistividade, p,, em ©. mm®/ km, tcomprimento do cabo, €, 1 lea, ¢ &, ego reta do condutor, em mm, Por ‘outro lado a resistividade dos materiais condutores varia linearmente coma temperatura, obedecendo a equagao PCE) =P2O).[1+ O99(t-20)] (8.36) ‘onde o coeficiente de variagao da resistividade, age, 2 20°C vale 0,00893°O"! para o cobre e 0,00403°C“ para o aluminio. 3.2 — Corrente Admissivel em Cabos 7 Considerando-se o escopo deste livro, nao se procederé ao estudo analf- tico dos efeitos pelicular e de proximidade, recomendando-se texto de eletro- magnetismo € 0s artigos apresentados na bibliografia, A equacdo geral para a corregio da resisténcia em corrente alternada devido 2o efeito pelicular é: x} Snf Y¥,=——*—> onde X}= 107K, 192+0,8X? Roo @3n em que Reg resisténcia em corrente continua, para a temperatura “t”, em /kmn; { freqiiéncia da rede, em Hz; K, coeficiente determinado experimentalmente que leva em conta o tipo de construcdo do cabo, Tab. 3.8. Para efeito de proximidade para cabos tripolares ou unipolares utiliza~ se a equacdo: a vno{) es — "2 s0,27 192-4 0,8X) com x3 = 504K, oc 8.38) em que: Kp cocficiente determinado experimentalmente que leva em conta otipode construgao do cabo, Tab. 3.8; 5 média geomeétrica da distancia entre os eixos dos trés cabos, em mun; di, diametro do condutor, em mn, a S Redondo encordoado normal ‘Redondo compactado Redondo segmentado ‘Anular Setorial [Fete ABNT NBR 1130/1900) Finalmente a resisténcia dhmica do condutor ¢ dada por: Rea =Reo (1 + Yat Yp) 39) 72 3 — Corrente Admissivel em Linhas 3.2.6.3 Perdas na blindagem e na armacéo ‘As perdas na blindagem sao devidas & presenca de correntes circulantes e de correntes parasitas. Seu célculo depende do tipo de cabo, do material utiliza- do na blindagem e de seu modo de construcgo, do tipo de aterramento, e de seu modo de instalagao, Assim sendo, seu equacionamento foge ao escopo do livro, Recomenda-se a consulta a livros texto de cabos e a norma ABNT NBR 1301/1990. As mesmas observagées sio validas para as armagdes. As perdas nas blindagens e armacdes sao expressas em fungdo da perda Joule no condutor, isto 6, define-se o fator de perdas da blindagem ou armagao, A, como sendo a relacdo entre a perda na capa metélica e ano condutor, 3. As perdas diclétricas na isolagéo sao dadas por: 4 Perdas dielétricas na isolaco W, =2nfCv? -“ (240) em que ‘Wg, perda dielétrica por condutor de fase, em W/m; £ frequéncia de operacio, em Hz; C capaciténcia da isolagio por fase, em p. F/km; V__ valor eficaz da tenstio entre o condutor e a blindagem da isolagao, em KV; tg 8 fator de poténcia dielétrica da isolagao. 3.2.6.5 Procedimento geral de calculo para redes com mittuas térmicas Quando os cabos que constituem os varios circuitos esto instalados proximos ocorerd, pelo meio onde esto instalados, transferéncia de calor entre eles. Para levar este efeito em consideracto definem-se as “tituas térmicas” que representam a quantidade de calor transferida de um cabo para 0 outro. Define-se “grupo de condutores” que é constitufdo, para cabos unipolares, pelo conjunto de condutores contiguos de um circuito e para os multipolares pelo conjunto de veias isoladas que os compéem. Observa-se que entre os condutores que compdem um grupo, por estarem em contato, no hé ml- tua entre eles. Deste modo o conceito de miituas térmicas é estendido para “grupos de condutores”. Oprocedimento de célculo baseia-se na resolugGo, iterativa, de um siste- ma matricial obtido a partir da representagdo dos cabos ou grupos de cabos que compéem os circuitos em estudo através de redes térmicas andlogas. Na anélise serdo considerados os seguintes modas de instalagao para circuitos monofisicos a dois ou trés fios ou trifésicos a trés ou quatro fios: + Diretamente enterrados: Enterrados em eletrodutos: © Embancos de dutos, Para cireuitos instalados diretamente enterrados, enterrados em eletro- dutos ou em bancos de dutos, assume-se a linearidade do meio e aplica-se 0 3.2— Corrente Admissivel em Cabos método das imagens para o célculo da transferéncia de calor entre cabos nao contiguos de um circuito e entre cabos de circuitos distintos. Assit, a titulo de exemplo, fig. 3.10, tem-se: © Circuito instalado na configuracio horizontal, ou vertical, espacado, onde cada cabo constitui um grupo, G-1, G-2, ..., G1 * Gireuitoinstalado na configuracéo trifélio cerrado, onde os trés cabos em trifolio constituem um grupo, G-i; © Gireuito instalado na configuragao horizontal, ou vertical, contiguo, onde os trés cabos constituem um grupo, G-k ; © Circuito construfdo utilizando cabo multipolar, onde as tres veias isoladas constituem um grupo, Gj Deste modo, a temperatura de um condutor genérico “i”, pertencente um grupo, é aumentada devido aos demais grupos de condutores, de um total de “n” grupos, de: ARC an lie Paw [aco under] (ar ker onde: AG() elevacdo na temperatura de um condutor do grupo “i” em graus K; ‘Wyu(k) calor dissipado nos condutores do grupo “k” em Wek; Peco Fesistividade térmica do meio em kre.K/W; Dy distancia entre o eixo central do grupo “i” ¢ o eixo central da imagem, em relagio & terra, do grupo “k’, em min; Dy distancia entre os eixos dos grupo “i” € “k”, em man, Fig, 9.10 ~ Grupos de condutores. sce es TT TST a a a 74 Fig. 9.11 Fede elétrica andioga para cabo unipolar centerredo, 3— Corrente Admissivel em Linhas ‘Admitindo-se o caso de “n” grupos de cabos imersos nur meio homogé- neo, resulta, para um cabo de umn grupo genérico i”, pertencente a um circuito triffisico com cabos unipolares ndo contiguos, a rede térmica equivalente da Fig. 3.11, ¢, sendo: Soom _elevagto da temperatura do condutor “i" sobre o ambiente, graus Kk ®sq) _elevagdo da temperatura da isolario do condutor ‘i" sobre 0 am- biente, graus K; Scan _elevagiio da temperatura da capa nfo metélica 1 do condutor “i” sobre o ambiente, graus K; Scag elevagdo da temperatura da capa nio metélica 2 do condutor “i” sobre o ambiente, graus K; Gen _elevacdoda temperatura da superficie externa do condutor “I” sobre o ambiente, graus K; PB calor dissipado por efeito Joule no condutor “i”, W/km;, Piig calor dissipado pelas perdas dielétricas no condutor i”, Wek; AutP, calor dissipada pelas perdas na capa metalica 1, W/km; Ag"P, calor dissipada pelas perdas na capa metallica 2, W/km; Ty, _resisténcia térmica da isolagdo do cordutor "i", kmK/W; Ty _resisténcia térmica da capa néo metdlica 1 do condutor "i", kmK/ Ww Ty _resisténcia térmica da capa néo metélica 2 do condutor “i”, kmK/ Ww Ty resistencia térmica do meio para o condutor “N", kraK/W; My mndtua térmica entre o grupo “k” e 0 “", kmK/W, para: k = 1, 2, 8, ss ek diferente de i; Para 0 circuito considerado resulta: Ty (14 Ay) Tait (14 Ags +i) (Ta a) + 4, a] Bet +I AT | Ree tS [Cee Hae) Pt Phd 3.2 — Corrente Admissivel em Cabos ‘onde My representa a mitua térmica entre 0 grupo “ke o grupo “i", que & dada por: = MRP soo jp Pre (3.43) an Dy onde m, representa o ntimero de condutores ativos presentes no grupo “k” & as demais varidveis tém o mesmo significado apresentado na eq. (3.41). Lembrando que a perda dielétrica, P,.9, depende somente da tensio, isto 6, independe da temperatura, pode-se agrupar 05 elementos da eq. (8.42) separando-se os termos que deperdem da temperatura daqueles que independem, isto é: Gy =[T H(O+ hy): Tey (14 y+ oy)-(Ta + Tu) PE ) Pe Mg + (3.44) + [Benen en] Pat DWM en 2 Aca. (3.44) estendida a todos os grupos presentes no estudo resulta no sistema de equagdes expressas matricialmente por: (Toon) = [A] - [P] + (B] . [Pisal G45) em que: [Teoxl vetor das clevagdes de temperatura, sobre o ambiente, nos eabos de cada grupo; 1A] matriz.quadrada dos coeficientes de perdas Joule, nen; P]__ vetor das perdas Joule nos condutores dos grupos; {B] _ mmatriz.quadrada dos coeficientes das perdas dielétricas; Peal vetor das perdas dielétricas nos condutores dos grupos. Das eqs. (8.44) e (8.45) observa-se que os elementos da diagonal das matrizes (4] ¢ [B] so dados por Ay=Ty #(14+%y). To, #+(4¢ y+ Aq). (Ta +T) By= he Ty +I +7 68) 08 elementos fora da diagonal sto dados por: Proto tp, Pie, Ayg=(L hy ag) Ba ang ee By = Pasty Due ; ean Dy Lembrando que, os cabos podem estar operando com a temperatura do condutor fixada a priori, condigdo 1, quando se quer determinar a corrente admissivel, ou, com a corrente do cabo fixadaa priori, quando se quer deter- 75 3,2 — Corrente Admissivel em Cabos 77 minar a temperatura, condigao 2, Assim, orclenandlo-se as equagbes dos grupos donde resulta: de condutores de modo que os grupos com condigio operativa 1 precedam os com condicao 2 e particionando-se as matrizes em correspondéncia altima equacéo de grupos com condigao operativa I resulta o sistema matri Gee (258) 8, Binin | Anas |[ Pu], [ Binur | Bs P, conse |_| Ainan | Aina |[ Pan] | Brun | Bouse || Poonse | soy ‘ (+a, +%,)T, Sconin | [Adan | Sands || Pax | [Banin | Beate | | Pons ; : ; Na hip6tese de cabo imerso ao ar protegido da radiaco solar o valor de 746 dado por: onde: 1 (Coonpal vetor das elevagdes de temperatura conhecidas dos condutores, an 54) conidigao operativa 1; nanos (Toonsn] vetor das elevacées de temperatura incégnitas dos condutores, onde o pardmetro h é obtido em funglo das condigSes de instalagao (ctr. condigéio operativa 2; NBR 11301), [Py] __vetor da perdas Joule a serem determinadas; : [Peal vetor da perdas Joule conhecidas; A partir das eqs 3.55 € 8.54, determina-se a temperatura externa por Pisouunl_ votor das perdas diclétricas dos grupos com condigao operativa 1; processo iterativo. {Pysoxpal vetor das perdas dielétricas dos grupos com condigao operativa 2; i A partir de processo iterativo sobre a equacio matricial (2.48) deter- Exemplo 3.6 minam-se as temperaturas dos condutores na condica0 1 e as correntes dos Determinar a corrente admissfvel num circuito trifSsico constituido por trés cabos unipotares condutores da condigao 2. isolados, na configuragao trifélio cerrado. Sio dados: Para o caso de um tinico cabo, isto €, quando todos os cabos dos grupos * Condutor: diametro 12,92 mm; drea da segao reta: 120 mm’, material aluminio compactado; ‘que constituem a rede esto suficientemente afastados para que as rituas resisténcia em corrente continua a 20°C: 0,253 ay, ‘ermicas possam ser corsideradas nulas, vern-se 0 equacionamento a seguir, : ‘© Camada senicandutora: espera 0.6 mum: que se embasa no circuito elétrico andlogo da fig. 3.11. * Isolagdo: XLPE, termofixa, resistividade térmica: 3,5 m.K/W; constante dielétrica relativa: 2,5; Para o melo tem-se fator de poténcla dielétrica: tg 8 = 0,004, tensao infnima para eélculo das perdas dieléiricas: 127, KY, espessura: 3,0 mm; Ogg = (1D, + hy) PT, + Pay, as ‘+ Camada semicondutora: espessura 0,8 mm; - ‘+ Blindagem: coroa circular de flos de cobre; 16 flos de diametro 0,70 mm, passo de 300 mm; Jee aterrada nas duas extreruidades de cada secdo elétrica; \ * Cobertura: material PE; resistividade térmica: 3,5 m.K/W, espessura 1,6 mmm; 9, B, ‘+ Temperatura maxima do condutor: 90 °C, temperatura do meio: 25 °O, resistividade térmica do - Pea 132, +2,)T, 144, +p a solo 1,0 mKAW; ‘Tenso de operagso 13,8 kV com freqiiéncia de 60 Hz; Cabos diretamente enterrados com distancia do centro do grupo a superficie do solo de 1.000 Para todo 0 circuito tem-se: mi. A resistividade térmica do solo 6 de 1 mK/W. ut =P ee +[, (14%) + (14, +a) JP (Benen a G51) Solugao a. Didmetros externos dos blocos: = gy ‘doond = 12,92 rom Substituindo-se o valor de P da eq. (3.56) na (3.57) resulta: deny = 12,92 42 X06 = 14,12 mm ne(tea ellen #4,)7, digg, = 14,12 +2 X 3,5 = 21,12 ram Ggayg =] 4 oe ( Me f 2) Jeu Goong = 21,12 + 2 X 0,8 = 22,72 mm (142, +4g).Ty hyp, = 22,72 +2 X 0,7 = 24,12 mim (52) = % #0) OMIT (To on dogg, = 24,12 42 X35 = 81,12 mam 142, +h : +7 | [Pas donde a distancia entre os eixos dos cabos 31,12 rm. Neer eee 78 3— Corrente Admissivel em Linhas 3.2 — Corrente Admissivel em Cabos 79 b. Resisténcia do condutor Rgp = 0,253 . [1 + (90-20) x 0,00403] = 0,9244 Om Fatores para ofeito pelicular e de proximidade: logo: 08244 donde: x 0.216083 XE, 0, 216083 g og ot \*Tpt08 xf 192+0,8%0,216083 9.001 x (= 118 ie = {|S 7 192+0,8.X3 (Seq MB ar 10240,8xx/ 2 2 12,02 12,92 118 = 2 ( ooones( 23) [om (B83 + gootiaa 0,27 [9.00084 logo Roaon = 0,244 . (1 + 0,001124 + 0,000854) = 0,32460/2an, c. Perdas dielétricas |As perdas dielétricas serio deoprezadas, pols que, devem ser consideradas para tensées de operacdo superiores a 127 kV. d. Blindagem ‘A segdo equivalente da blindagem € calculada através de (cfr. NBR-11301): 2 2 Rd, | (2342 Trane) = eR nx16x0,7 41,08 1 dy AF “ia Ohnica a 20°C é dada por: Resin 20 = 17,241/5,9781 = 2,8840 O/am, 65,9781 mm? 290°C tem-se Roja, go = 2,840 (1 + 0,00398 x 70) = 8,674 Oem © fator de perdas para a blindagem é dado por: = Raw com camo | (Ruyaso x X=4ntio+ = 4m x60%107 in 22212 - 9 073694 Or 23,42 y= 2874 1 00455 60,8246 | 4. (3,6774/0,073604)" fe. Resisténcias térmicas da isolagao e da capa de cobertura Para a isolagao tem-se: Para a cobertura tem-se: Po jp oows _ 8:5, BILE Digs = 2 in Seb She oa al gen Ge = Bn ey UMNO EW £. Resisténcia térmica do meio Para o solo sendo o fator “u” dado por (cfr. NBR-11301): resulta: = 18x 1x[In(2x 64,2673) —0,690]=2,017861 mig g Célculo da ternperatura externa Da eq. (8.59) particularizada para o caso em estudo, ‘onde se destaca o fator 3 no denominador, fig 3.12, resulta: ee BAH, 00456 x0 141040, 3x 1,00455 x 2,017861 50, 4565°C 80 3 — Corrente Admi 3(14NP ——> Fig. 8.12 ~ Circutoelétrico andlogo, Por outro lado da eq, (3.62) resulta, para os trés cabos em trifélio: 8, 60,4565, Pg ope 80 it~ TR.) Tgp 1,008652,017801 0. Wn P, P= Bal =9,9417 Wim donde as elevages de temperatura das varias partes: ‘Tyq = 05,0~9,9417 . 0,814493 = 61,8740°O Oxon = Spat ~ B-(1#2) Taos = = [61,8740 - 9,9417 . 100455 . 0,141940 = Bact = Peon ,4565°C A seguir deve-se corrigir a resisténcia da blindagem, que depende da temperatura, ¢ proceder a novas iteragéee até ee aleangar a convergéncie. Deixa-se esta atividade ao leitor Ap6s a convergéncia, resulta P = 9,9604 W/m e a corrente: PB _ [99604 _ Roxoo Toogsaas 17517 8 Corrente Admissivel em Cabos 3.2.7 CORRENTE ADMISSIVEL — LIMITE TERMICO 3.2.7.1 Cabos nus A corrente admiss{vel de uma linha aérea, também chamada “corrente admissivel de limite térmico”, é definida em funcao da elevagao tolera- vel da temperatura dos condutores, sobre o ambiente. Na definigao desse valor ha varios fatores que devem ser levados em conta, dentre os quais se destaca: + Afftecha méxima que se verifica numa linha aérea e, de conseqiténcia, 0 vio livre rnimo, a ser mantido entre os condutores energizados © 0 solo, “clearence” minimo, esté ligado & tensio operativa da linha, sendo, pois, um dado do projeto mecAnico da linha, Por outro lado, tal flecha uma fungao crescente da temperatura do condutor, impondo, quando do projeto mecanico, que se defina a temperatura maxima de operacao. usual, no projeto mecénico, definir-se o valor de projeto da temperatura ambiente eo da elevagao da temperatura do condutor, Assim, por exem- plo, para uma linha definida por 30 + 60°C entende-se que seu projeto mecdnico foi elaborado para temperatura ambiente de 30°C ¢ elevacko da temperatura dos condutores de 60°C; * As emendas dos cabos, que representam o ponto de maior ocorréncia de defeitos, impoem restrigoes & temperatura maxima na qual ele deve operar. De fato, com as varlagdes de temperatura, 20 longo do dia, as ‘emendas dilatam-se e contraem-se permitindo a penetragio de umidade e impurezas do ar, que iro se traduzir por um aumento da resisténcia de contato entre o condutor e a emenda, Com o aumento da resisténcia de contato tem-se aquecimento localizado no ponto da emenda o que ind agravar o problema, Destaca-se que esse fenmeno é cumulativo introduz ulterior restrigSo na temperatura operativa de condutor; Quando a linha é percorrida pela corrente de curto-circuito aceita-se aumentara temperatura admissfvel no condutor até o limite da perda de suas caracteristicas mecanicas, visto que, tal corrente é de curta duracao, orden de grandeza maxima de segundos. Este limite pode ser fixado em até 340°C para cabos do tipo OA, cabo de aluminio sem reforgo, ¢ em até 645°C para ‘03 cabos GAA, condutor de aluminio com alma de ago. Destaca-se que neste tiltimo caso todo o esforco mecinico 6 suportado pela alma de ago, que nessa temperatura ainda mantém suas caracteristicas mecdnicas (temperatura de fusio do aco 1.450°C). O valor da corrente que corresponde a essa temperatura 6 definido como “corrente admissivel em curto-circuito”, 3.2.7.2 Cabos protegidos Nestes cabos o elemento mais critico aos efeitos da temperatura ¢ a capa de protec&o, que é de material termopléstico ou termofixo. Assim as corres pondentes aos limites térmico e de curto-circuito so fixadas em fungao do material de cobertura. 81 82. 3— Corrente Admissivel em Linhas 3.2.7.3 Cabos isolados ‘Tal como no caso anterior as temperaturas para o estabelecimento dos limi- tes térmico e de curto-circuito sio fixadas em fungao das especificagoes do cabo. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS [1] HOUSE, H. B. e TUTTLE, B.D. Current Carrying Capacity of ACSR. AIEE ‘Transactions, pp. 58-41, February 1958 [2] ABNT, Calouto da capacidadde de condupto de corrente de cabos isolados ema ‘regime permanente (fator de carga 100%) - NBR 11301 ~Set./1990. {8} IBC, Calewation ofthe continuous current rating of cables (100% load factor) ~ 180287 - 1982 [4] IBC, Calculation of the cyolic and emergency current rating of cables ~ IEC 853 ~ 1985 15] WEEDY, B. M, Underground transmission of electric power — John Wiley & Sons, 1980. (6) KING, 8. ¥, HALPER, N. A., Underground power cables, Longman Ine. New York, 1982 CONSTANTES QUILOMETRICAS DE LINHAS AEREAS E SUBTERRANEAS 4.1 INTRODUCAO Qualquer linha, seja ela aérea ou subterrénea, apresenta pardmetros série: resisténcias dhmicas, induténcias proprias ¢ muituas, ¢ parémetros em deri- vacdo: condutdncias, geralmente despreziveis, e capaciténcias. Ao conjunto desses parametros dé-se 0 nome de “constantes quilométricas” da linha, originando-se seu nome do fato que os parametros sto medidos ou caleulados para comprimento de linha de um quildmetro. As constantes quilométricas sto definidas quer em termos de componentes de fase, quer em termos de ‘componentes simétricas. Destaca-se que as distincias entre os condutores de fase, por razdes construtivas, ndo séo iguais entre si, O mesmo ocorre entre os cabos de fase e oneutro. Este fato, conforme sera visto posteriormente, levaa existéncia de impedancias préprias e maituas diferentes entre os cabos de fase. Na prética ‘essa situagdo é contornada realizando-se “transposi¢des" ao longo da linha, isto €, a cada tergo do comprimento total os cabos das fases A, B e C sofrem rotactio de posigdes. Em outras palavras, no primeiro terco da linha os cabos das fases “A”, “B" 6 “C” ocupam as posigdes Pl, P2 ¢ P3; no segundo tergo da linha passam a ocupar as posigtes P2, P3 e Pl; finalmente no tercetro terco sio transpostos para as posicdes P3, Pl e P2, Nessas condicGes 0 valor total da impedincia série, por exemplo, sera a soma das componentes de cada posicdo. Visando que os cabos de fase ocupem a mesma posigao no Infcio € fim da linha € usual efetuar-se 4 transposigdes, como indicado na fig. 4.1. 84 Fig. 41 “Transposigéo de nna Fig. 4.2 ‘Método das imagens ¢ sistema de coor denadas. 4 —Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas e Subterraneas 4.2 CONSTANTES QUILOMETRICAS DE LINHAS AEREAS 4.2.1 CONSIDERACOES GERAIS Océleulo das constantes quilométricas é realizado utilizando-se ométodo das imagens (1, 2, 7, 8} isto ¢, considera-se a rede constitufda por seus condutores pelas suas imagens em relacao ao plano do solo, Fig. 4.2. Numerara-se, se- atiencialmente, os condutores de fase e, a seguir 0s cabos guarda, ou oneutro, se existir, e definem-se as coordenadas do centro de todos os condutores, num sistema de coordenadas cartesianas ortogonais, com o eixo das abcissas coineidente com o plano do solo. Dada as diferencas de tratamento para os elementos em derivagio € em série, divide-se sua determinacao nos tépicos a seguir. 5 Opeabos te garda P38 ‘Ciabos de fase T 4.2 —Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas 4.2.2 CALCULO DA ADMITANCIA EM DERIVACAO — CAPACITANCIA Para. obtengiio das capacidades da linha aérea 0 procedimento seguido resume-se em: ‘+ Monta-se a matriz, [PJ, dos coeficientes de potenciais de Maxwell, cujos ‘termos sao dados por: @6n én e izk) J onde, K=2Xc?x 104= 18 x 10°kiw/F = 18 kivpF (A unidade 1/F € definida, por ‘muitos autores como sendo “daraj"); © Gavelocidade da luz, em knvs; Dy: 6a distancia entre o centro do condutor i e sua imagem i'; Dy € a distancia entre o centro do condutor ie o da imagem, k’, do condutor & Dy, 62 distancia entre o centro do condutor i e 0 do condutor k; 1, Goraiodo condutori. (Destaca-se que as unidades de todas as distancias ea do raio deve, obrigatoriamente, ser iguais) A matriz, [P], dos coeficientes de potencial, que é montada seguindo- sea ondem de numeracio dos condutores, é particionada na linha e coluna correspondente a0 iiltimo cabo de fase P|, Pye ts (a) Ppp B, onde [Pq] representa a submatriz dos cabos de fase; [Pg] = [Pal represente a submatria das muituas entre os cabos de fase € 05 cabos guarda; ([P,glrepresenta a submatriz dos cabos guarda; © Caleula-se, pela inversio da matria [P], a matriz, [Y], das admitancias nodais. Ye | 1 (=p =ieLPT (42) Mor | Yes onde [Yq] representa a submatriz das admitancias dos cabos de fase; [Vig] = [Yed! representa a submatriz. das admitancias muituas entre os eabos de fase e 05 cabos guarda; [Yq] representa a submatriz das admitancias dos cabos guarda. 85 Neen eee eee 86 4 —Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas e Subterraneas Assim, 0 equactonamento da linha é: 1] _[%e [%e | 1% i a a Le as Ng | | Yor | ¥en) (Ye onde, {fj e [i] representam, respectivamente, as submatrizes das correntes nos cabos de fase e de guarda (neutro), e [Vj] ¢ V_] representam, respectiva- mente, as submatrizes das tensdes no cabos de fase e nos de guarda; ‘¢ Blitminam-se os cabos guarda, se existirom; Para a obtencéo da matriz equivalente, sem os cabos guarda, destacamn- se os dois casos a seguir: al. Cabo guarda aterrado, quando [Vg] = 0, resultando: Ue] = (Yaf¥e] € Ug) = [Xe 1c] (44) logo a matriz equivalente A rede apés a eliminagao dos cabos guarda, (Wogh € a mate [¥l a2, Cabo guarda isalado, quando [I,) = 0, , da eq. (4.3), resulta: U0 = (Val VA + Wel Val Ug = fp [Ve] + Wal Val ou Vg =~ (ash Wal (Va Ue) = (Va) (VA = Wg) gh Ml (Val = (Wie) ~ ag) (ag) VA donde, a matriz equivalente apés a eliminagiio des cabos guarda (neutro), é dada por: (Neg) = [al ~ Deg) Mag? [Yeo 5) [Apés 0 céleulo da tensio nos cabos de fase calcula-se a tensio nos, cabos guarda. © Bfetuam-se as transposigdes, se existirem; Cada elemento da matriz da rede com transposigio € obtido pela média aritmética dos valores da admitancia considerada nas diversas transposi¢ées, ‘Assim, por exemaplo, no caso de uma linha trifésiea, com um cabo por fase, completamente transposta, fig. 4.8, resulta: GS Calan My | Ga Pang + Caen | bin ¥en ¥E¥n (|e te eNas Yn [ Calan laden tis | Clie * bates + ¥a FE [EX Flan tea¥a, [Clint eNas Ean [lan Ny + Oahee 4,2 — Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas * Obtém-se, através da transformacdo “spinor” a matriz das admitancias 1fafa {t]=|1 Je? | a | emaque a=12120° ilo [a 4.2.3 ELEMENTOS SERIE - IMPEDANCIA Para o tratamento da impedancia série 0 procedimento pode ser resumido hos passos a seguir: ‘* Monta-se, considerando-se a condutividade do solo infinita, matriz de impedancias dos elementos série seguindo a ordem de numeracao dos condutorcs, cujos termos, em O/kmn, edo obtidos a partir de: Dy Zy 00+ j4nf10% In (i=L6n e i#k) (4.6) se 2, =Ry +i4ef104 In De 7 G=1e0) an onde: { freqiiéncia da rede, em Hz; r', raio médio geométrico do condutor, em unidade compativel com Dy; Ry resisténcia Ghmica do cabo, em corrente altemnada, corrigida para a ‘temperatura de operacao e Jevando em conta os efeitos pelicular e de proximidade; 87 Fig. 43 “raneposigo da ina ss rs on ae eT eee 88 4 — Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas ¢ Subterraneas 4.2 — Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas 89 © Considerando-se a condutividade do solo finita, psojo, modifica-se a matriz a2, Cabos guarda isolados, quando [I,] = 0 de impedancias através dos termos corretivos obtidos pelas equagbes de [Vl = (Zyl Ue] = Za Ul Carson {3}: id = Wd Ud = Wu (8 e By = Ry AR +i[K + 4X] G=LEn) (gl = (2) (ld @u) Os termos corretivos sio obtidos a partir da série infinita de Carson. Para efeitos praticos, é suficiente considerar-se somente as primeiras parcelas, © Modifica-se a matriz para levar em conta o efeito das transposigdes; isto é Para as transposigdes 0 procedimento é andlogo ao do caso das capaci- ak, = of 1,9708-0,0020402 0... | ho a Proto © Obtém-se, através da transformagio “spinor”, a matriz. de impedancias série em termos de componentes simétricas, 1 | as) Exemplo 4.1 aang, RUctAnd o Pede-se as constantes quilométricas de uma linha trifasica de distribuigao primaria, operand: ‘ ‘em 13,8 kV, 60 Hz. Sao dados: a. Condutores utilizados nas fases e no neutro: CA, Tulip, 336,4 MCM, com diarnetro de 16,90 mm, raio médio geométrico de 6,45 ram, resisténcia dhimica em corrente continua, a 20°C, de 0,169 O/km, temperatura de operagao 90°C; b, Geometria da cruzeta: altura do solo de 9,0 m, afastamento das fases B e C da fase A, respecti- vamente, 0,80 m e 1,80 m Particionando-se a matriz segundo a linha ea coluna correspondente a0 ‘¢, Neutro: altura do solo de 7,0 me afastamento horizontal da fase A de 1,30 m, multi-aterrado; ultimo cabo de fase, resulta: d. ‘Transposigdo: alinha est4 completamente transposta, sendo a sequéncia de transposicao: A-B-C; mein C-A-Be B-O-A, com comprimentos de 33,33; 33,83 ¢ 33,34 % do comprimento total da linha. We" ame 9) fe. Resistividade do solo de 100 O.m. 8 Lag an 8 Solucdo + Bliminam-se os cabos guarda (neutro), se existirem. Tem-se dois ca- ‘a. Sistema de coordenadas 0s! Fixou-se um sistema de coordenadas com 0 eixo das abcissas no plano do solo e o das ordenadas al. Cabos guarda aterrados (neutro multiaterrado), quando [Vg] = 0 e: coincidindo oom o centro do condutor da fase A, resultando as coordenadas para 0s cabos das fases (Vd = (Zl Ud + (Ze) Ug) A, Be G, identificados por 1, 2 e 3 e do neutro, identificado por 4: e 1 = 0,00 my y; = 9,00 my; xp = 0,80 m; yp = 9,00 m; [Wg] = (2a) Ue) + ga) Ue) xq = 1,80 m; ys = 9,00 m; x = 1,30 m; ¥4 =7,00 m. eee eye oer el a i [As distncias entre 08 centros dos cabos e suas imagens so dadas por: logo: 7 oN a. Day: = Dap: = Day = 18,0 me Dyy = 140m os NY (VA = Gh Wd Teal Ch d= Dua Dat © 0,60.me Das = Da = 1.00 Und ~ Cig) (ag)? el %, Djp: = Day = ¥0,807 + 18,0° =18,0178m ou (ag) = Zyl ~ Wal aad Fa (4.10) 90 4 —Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas e Subterrdneas = i,80? +18,07 = 18,0808 fi00? £18.08 =18,0277m 1,30? + 16,0? =16,0527m. 0.50? +16.0° =16,0078m ‘0,60? + 16,0 = 16,0078 By oda {Gea 2,9854m Dyg=Dg =Da, =D = 0.50" +2,0° b. Corregao da resisténcia dhmica do condutor 0615. Os fatores de correcio para as efeitos pelicular e de logo 0.2167 donde: 4a fx 10 = 0075998, tem-se: Bye la-Ia= 24g = 2a =0,0-+ An DE 18,0 2172 + j.0,075398 in A resisténcia em corrente continua a 90°C é dada Por: Reco = Recao [1 +. (90~20)] = 0,1690(1 + 0,00408 x 70) =0,2167 Am 3.2.6 x 60% 1 002517 380 20,2172. Tongass 0-217 + J0,5982183 oem proximidade sao unitérios, (cfr. cap. 3) ot 695876 ),0 + J0,234828 Oram 4.2 — Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas 91 Zn =0,04 IAD = 0,0 + jain BSS «004 5,170980 ia Dy h = Tag = =00+)An De = 00+ san S227 9.92 0.218045 Oem Drs Ki vain 0.0 1a tn 100527 = 0,04 jAm 2H ~0,0+ jain 1 0-50 148748 Oem 7 Dy 23854 D, 16,0078 21, De 0078 yg Bag 40+ ADEE = 0.04 JAIN TETE 00+ 0.154599 em 2yy=2q "00+ jain ce 00+ ange ),0 + j0,164539 Om a Yyy= 02172 Jan AEE 0.21724 JAIN % 0,00645 ou = 0,2172+ j0,579264 Crk. 0,2172+ j0,598213 [_0,0+ 0.234828 | 0; (0+ 10,173986_ | _0,0+j0,149748 0,0+ 30,234828 | 0,2172+ jo,598213 |” 0, 0+ j0,218045 | 0,0 30,154539 Dros JF Pace} 0,0+50,173086 | 0,0+ j0,218045 [0,2 172+ j0,608213 | 0,0+ }0,154539 0,04 §0,143748 0,0+30,154539_ | 0, 0 j0,154539 | 0,217 + jo, 579264 dd. Matria de impedéncias da rede completa ~ Condutivid: Procedendo-se as corregdes de Carson resulta lade do solo 100 .m 0.275241 + j0,890297 | 0,057892. + j0, 526837 | 0,057801 + 30,465605 | 0,058034 + j0, 444919 le, ic (0,057802.+ j0,526837 | 0,275241 + j0,890207 | 0,057892 + j0,510013 | 0,058084'+ j0, 455319 ‘ee [[0,057801 + 10, 465606 | 0,057892:+ j0,510018 | 0,275241 + j0,800297 | 0,058084 + j0, 468018 058084 +10,444313. 0,058034 + j0, 485313 | 0.058034 + j0,455313 | 0,274980-+ j0, 889002 ‘em particular, para i= 2e k= 3 resulta: ty atg tae a = 0,057890-+ 0, 51001 (2052024 0,455818) (0, 058034 + j0,455913) _ 0, 274980 + j0,889992 = 0,068317 + j0,284084 Oviem 92 4 — Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas e Subterréneas 4.2 — Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas 93 repetindo-se o céloulo para todos os elementos resulta: 0, 288840 + j0,674923 | 0,067386 + 50,306248 | 0,067385 + j0, 245105 0, 067885 + j0,306248 | 0, 285666 + j0,664968 | 0,068317 + j0,284084 [ease 0,067385 + j0,245105 | 0,088317 + j0,284084 | 0,285666 + j0, 664968 ‘Transposigao Para a transposigto terse: 3893.21, + 0,8939 Zp + 0,853422, )BB3B Zp + 0,3383 25g + 0,39342), 0,838.74, +0,88332/, + 0,33342/, fy = 0,3333Zi, + 0,3383Z5, + 0,3384 24, 2 =0,8898 2, +0,989324, + 0,889424, donde resulta: eg 2h, =0,3833Z\q +0,939325, +0,933425, ¥* (4 , 687886 | 0,067696 + j0,278476 | 0, 067606 + j0, 278476 0,067606 + j0,278476 | 0,285058-+ j0,667886 | 0.067608 + j0, 278476 0, 067606 + 30,278476 | 0,067696 + j0,278476 | 0, 285058 jo, 667886 Matriz. de impedancias em componentes simétricas Resulta: [oa]= ay ey iit (0,285058 + J0, 667886 | 0, 067696 + J0,278476 | 0,067696+ j0,278476 ? | | 0,067696 + j0, 278476 | 0,285058 + j0, 667886 | 0,067696-+ j0,278476. 1 [a | « | [0.067696 + jo, 278476 [ 0,067606 + J0,278476 | 0,285058-+ j0, 667886 I 1 | [0420449 + j1,224844 00 00 L a |= 00 (0.217862 + j0, 380407 0.0 to fot 0,0 0,0 0,217362+ j0,389407. Matriz dos coeficientes de Maxwell Tem-se =Py= =18. ng pees =197, 961991 By =P), =18. nga 8 n BOE = 56,061067 km/uF - Py 518 Ine 1,596108km/aF 8 Pry yon = ren 827 59 54370 ue Dy x 527 =18in Dee. - "i In gay” 94 SI71SAcaM AE vaste ee 2" = gin 18.0078 _ 56 soso kina Bu 2,0815 16,0078 =18in2# = 18in 33560 ki 20615 ~ 99899 = 133,427631ke/AP 0008465 1. Matriz de admiténcias da rede completa A partir da Inversio da matriz [ P ] resulta a matriz de admitancias [Vege 0,009126 | -0,002887 | -0,001944 | -0,001178 ia —0,002887 =0,001844 | -0,002450 | —0,008075. | 0,001458 Go oni | =,001350 |, 00145| 008565] [ince ‘Na fig. 4.4 apresentam-se as capacidades presentes na rede. Para sua obtencdo, lembra-se que gs clementos fora da diagonal, ¥, representam a admitdncia, com o sinal trocado, entre os nésie k, e que a soma dos elementos de uma linha i da matriz.(Yrel tepresenta a admitancia entre.ond ic a terra. Observa-se a existéncia de capacidade entre o cabo neutro a terra, pois que, 0 neutro esté ee = Gra = 0,001844 jF/Km G0 = 0.002887 B22 Cie = 0.002450 feu 8, 410—1F-—O—1 Oa Fm uFaan Can = 0001259 Fig. 4.4— Capacidades da rede completa. 0,009690. [=0,002450 |[=0,001250 | pram 1 ba 0 a 94 4 — Constantes Quilométricas de Linhas Agreas ¢ Subterraneas J, Matriz de admitancias apés eliminagio do neutro O neutro é multi-aterrado, logo: 0009126. [-0,002887 [=0,001844 [Yuu] = so] =0,002887 | 0,009680 | =0,002450 -0,001344 | -0,002450 | 0,008975. [Apds a definicgo de neutro multi-aterrado seu potencial passou a ser o de terra ¢, portanto, 0 capacitor Cyy fica curto-circuitado e néo mais aparece na matriz das admitdncias capacitivas. Obser- vva-se que 03 capacitores Car ¢ Can Cat @ Cans Cor € Cox, foratn conectados em paralelo, fig. 4.5. 0.002887 B=2 Cac =0,002480 Fig.4.5 ~ Capacidades apés a eliminagao da neuro. kK. Matriz apés transposicao. ‘Com tratamento anélogo ao das impedancias, resulta para as capacidades: 0000264 [=0,002227 | ~0, 002227 [¥i0 ]= jo] -0,002227 | 0,009264 | -0, 002027 oceear | -0,00anar | 0, 008264 ‘A matriz de admitancia das capacidades, 6.45, passoue conten com capacidedes i cabos de fase ¢ entre estes € a terra. z a Cao 00227 pF km Cu = 0.002227 B=? Coc = 0,002227 nF”, APIA (ar = 0,004810 er = 0,004810 Fk Fig. 4.6 ~ Capecidades apés a transposiggo. 4,3 — Constantes Quilométricas de Cabos Isolados 95 1. Matriz das capacidades em termos de componentes simétricas Através da transformacéo “spinor” alcanga-se a matriz, das capacidades em componentes si- métricas, Alternativamente, da fig. 4.6 observa-se que a capacidade de seqiéncia zero ¢ dada pela capacidade entre os cabos de fase e terra, isto ¢ Go = 0,004810 pF/km, A capacidade de seqiéncia direta, Cz, que é igual a de sequéncia inversa, C,, ¢ obtida transfor- mando-se 08 capacitores em trifngulo na estrela equivalente e associando-os em paralelo com os de terra, isto é Ca= BX 0,002227 + 0,004810 = 0,011491 p/m, 4.3 CONSTANTES QUILOMETRICAS DE CABOS 7 ISOLADOS “e ad 43.1 INTRODUGAO ~s A metodologia utilizada no célculo de constantes quilométricas de cabos isolados [4,5] considera separadamente a parte interna do cabo e a do meio que o circunda. Assim, no caso de um sistema com “n” cabos, as equagdes diferenciais que regem o funcionamento da rede sio: Stv)--C2l) a (4.12) Fl--010) . em que, [VJ e [I] representam os vetores das tensdes € correntes & distancia “¢" ao longo de eixo coincidente com 0s eixos dos cabos. 2] ¢ [Y] representatn as matrizes de impedancias e de admitancias dos cabos envolvidos. No caso da rede ser constitulda por cabos unipolares, contando com trés elementos metalicns, condutor, blindagem e armagko, imersos no at ou diretaneste enterrades tem-se: (2) = [2] + [2ol 3) ‘em que, 0 sufixo “i” indica a parte interna do cabo e 0 “0” o meio externa. Destaca-se que as matrizes [Z;] e[ P,] tém, para cabos com trés componentes metdlicos, dimens&o 8n X 3n, isto €: 0 ee ()-(D Tal 1) TT Ws] — Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas e Subterréneas _4.3 — Constantes Quilometticas de Cabos Isolados Fig. 4.7 em que cada elemento, Zi, representa uma matriz, com dimensio 3 X 3, Detalhe do cabo. ‘eujas linhas e coluunas correspondem, ta ordem, ao condutor, a blindagem € Aarmacio, isto é: oct | Boyes | Beant all em que, Zocis Zao © Zann Fepresentam, respectivamente, as impedancias préprias do condutor, da blindagem e da armagio. Os demais elementos i representam as mutuas entre os trés elementos. ‘Na hipétese dos cabos estarem embutidos em dutos metélicos adiciona- se, As matrizes da eq. (4.13), matriz correspondente & parte interna do duto ea matriz.de conexao entre o cabo ¢ 0 duto. | 4.3.2 IMPEDANCIAS SERIE Retomando a matriz de impedéncias para o sistema com “n” fios/eabos iso- i Jados: t (2) = 2i] + (Zo) (414) a resulta conforme (4,5) a matriz da parte interna: [Zi] matriz das impedancias internas dos cabos. [Zo] matriz.das impedéncias do meio externo aos cabos (impedanciade retorno. Vv. Zee | Zou | Zeanm |[ le elo solo) 7 : Va |F| Sete | Zero | Zot arm ly A matriz [Zo] € nula para 0 caso de condutividade infinita do solo. No v 7. lz. be. 1 caso de condutividade finita, esta matriz representa as corregdes de Carson [3] a7 eam | Cawmtt | armarm J [Sin (4.15) para cabos aéreos eas corregoes de Pollaczek [6] para cabos enterrados, coro seré visto a seguir. Para o equacionamento geral da matriz de impedaneias internas de um cabo considerar-se-4 0 caso de condutor unipolar, contando com: condutor, isolacao, blindagem metélica, capa no metalica ¢ armacao metdlica externa, fig. 4.6, para o qual sendo: Ry Hyg aj tag + La 2st ge Ey ~2-(Zan +200) yg Lng +aj by * Bag —2- (amy * Zen) ou = Zane Ry resisténcia dhmica do condutor; str = Pare = Lae + Ey —Zirn resisténcia dlimica da blindagem; Re resistencia 6hmica da armagio metélica; Zagty = Ba + lay Bay # Dae + Bay Za. impedancia superficial da parte interna da blindagem; | ay ann = Zann tre = 250 +254 ~ Zon Za, impedancia superficial da parte externa da blindagem; \ 7k Zy, impedancia superficial da parte interna da armago metélica; i aaa Se ee (4.16) Zag itapedancia superficial da parte externa da armagao metalica; a % impedancia do solo; | Zoyy impedéncia rmitua entre as superficies interna e externa da blindagem; Oty Zon. impedancla muitua entre as superficies interna e externa da armacso, maya” Ze impedancia mitua entre as superficies do condutor e da blindagem; 7 on Zq4 impedancia mitua entre as superficies da armagao e do solo; May = Vem © tam = Farm —Feap f freqiléncia da rede (w = 2 w f— pulsago); al (7) by. permeabilidade relativa da blindagem; | | Zoy impedancia mitua entre as superficies da blindagem e da armagio; Humpermeabilidade relativa da armagao; | 98 4 — Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas e Subterraneas aan ae ee ee Stee tems: ay My fy CEA Cy ty) gq = Rag, Man Yn CCA a) 1 Senin ty 1 ‘am Yarn Sen Gg ta) enh Oar born) (4.18) =Ry my, Zam Bag, = Rare Mi Para a correcio da impedancia devide & condutividade do solo nao ser infinita, que representa a matriz de impedancias da parte externa aos ca- os, utlliza-se para cabos instalados ao ar, fig. 4.82, os primeiros termos das ‘equagdes de Carson, em {/kmn, eq, (4.8) e para cabos enterrados, fig.4.8b, as ‘equagées de Pollaczek: AR, = 01,5703 +0,0026402%2%h, | fio a Poa inS58, 898 _o,o025492n, | + ho Pesto 2a) an, jt Pao fio AR, ~ofsane ¥-0,0026492(), +, ) he Prato noth, fe | o,o0zeas2 2 Ven 10“ Pata (4.19) Destaca-se que no caso de blindagem isolada ter-se-4 corrente de blin- dagem mula, No caso de blindagem atcrrada ter se 4 tensio de blindagem (b)Instalagéo enterada, (a) instatagao ao ar Fig. 4.8 ‘Mois de instalagdo. 4.3 — Constantes Quilométricas de Cabos Isolados nula, (Of. item 4.2.3), Analogamente no caso da de armagaio isolada ter-se-4 corrente de armacdo nula ¢ no caso de armagio aterrada ter-se-4 vensio de armagio, nula, (Cfr. item 4.2.3) Para a matriz de impedancias referente a parte externa (Cit. item 4.2.3) tem-se: 2h, 410% para j=1,6n ead Ry + jen: %,=0+ j20In10" para j=1én ¢ jak i (4.20) Apés a montagem da matriz de impedancia dos cabos procede-se nos pasos a seguir Eliminam-se as blindagens e armagées, se existirem; Modifica-se a matriz para levar em conta o efeito das transposi- oes; * — Obtém-sea matriz de impedancias série em termos de componentes simétricas através da transformagao de Spinor. 4.3.3, CAPACITANCIA EM DERIVACAO Retomando a matriz dos coeficientes de potencial de Maxwell, eq. (4.8), para o sistema com “n” cabos isolados, instalados ao ar, tem-se: [P] = [Pil + (Po) @21) em que: [ P; J matriz dos coeficientes de potenciais internos dos cabos; [Po | matriz. dos coeficientes de potenciais externos aos cabos. No caso de cabos diretamente enterrados a matriz [P,] é ula, resultando para a matriz dos coeficientes de potencial: (Pl= (Pd (4.22) Amatriz.dos coeficientes de potencials, referentlea parte internado cabo, considerado unipolar, fig. 4.9, é dada por: P+ Py + Pam Put Porm Parma Pat Poem Put Pan Poem Poon Poem Posen 7 (4.23) onde kavyF Be eo Tooneseré i nam gh Trex 99 100 — Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas e Subterraneas es ee fig. 4.9 Diagrama de capacitades. Paraa parte externa, instalagao ao ar, o equacionamento é andlogo ao do. item 4.2.3. Apés amontagem da matriz dos coeficientes de potencial procede- se nos passos @ seguir: © Inverte-sea matriz dos coeficientes de potencial obtendo-se a matriz de admitancias; © — Eliminam-se as blindagens e armagoes, se existirem, lembrando-se que, para blindagens ou armag6es alerradas resulta V = 0 e para blindagens ou armacées isoladas resulta I = 0; Efetuam-se as transposigées, se existirem; Obtém-se a matriz de capacidades em termos de componentes simétricas através da transformagao “spinor”. Exemplo 4.2 Pede-se determinar as constantes quilométricas para um circuit trifésico constituide por trés cabos unipolares operando na tensdo de 18,8 KV com frequéncia de 60 Hz. $80 dados: ‘a, Condutor de cobre com 19 fios, redondo normal, classe de encordoamento 1/2, témpera mole, com revestimento, diametro 12,40 mm, segio 120mm’, resisténcia Ohmnica em corrente continua 020°C de 0,1540 O/kan, temperatura de operagéio 90° b. Camada semicondutora com espessura de 0,8 zum, diémetro 14,00 mm; ¢. _Isolagdo em XLPE, termofixo, com espessuta de 8,00 mm, diametro 20,00 mm, constante die- \étrica relativa 2,50; 4. Camada semicondutora com espessura de 1,00 mm, didmetro 22,00 ram; fe. Blindagem, corea helicoidal com flos de cobre de 2,0 mm, didmetro 26,00 mm, passo da héliee de 300 ram; Capa interna em PVC, com espessura 3,00 mm, didmetro 32,00 mm, constante dielétrica relativa 8,00; g _Armacée em tubo liso de chumbo, com espessura 2,00 mrn, didmetro 35,00 min h. Cobertura em PE, com espessura 5,00 mm, diémetro 46,00 mm, constante dielétrica relativa 2,80; i, Cabos com 4 transposigdes, com comprimentos: 16,67; 33,33; 33,33 e 16,67% do comprimento total. Seqiténeia de transposigio: fase A~ 1, 2, 3 € 1; fase B~2,3, 1 € 2; fase C-3, 1,23; InstalagSo ao ar, com os eixos dos cabos espacados de 0,50 m, altura de montagem 2.0.10; Resistividade do solo 100... 4.3 — Constantes Quilométricas de Cabos Isolados 101 Solugéo a. Céleulo das capacidades A partir dos dados do cabo determina-se: . 14,00 mam, diametro do condutor incluindo-se a camada semicondutora; ‘+ DIAM2 = 20,00 mm, didmetro externo da camada de isolacdo; + DIAMS = 26,00 mm, didmetro externo da blindagem; 32,00 mm, didmetro externo da capa interna; DIAMS = 36,00 mm, diametro externo da armacao; + DIAMG = 46,00 mm, didmetro externo da cobertura. ‘Além disso, as constantes dielétricas da isolagao, capa interna e cobertura valem, respectiva- mente, 2,5; 8,0 €2,3. Os coeficientes de potencial do condutor, da blindager e da armacao so dados por: ae 0 ° Ks ° 0 i216 | 0 a __|_18166 0 ams | 0 arm] o | i966 [0 o | 1166 | 0 0 | 19166 onde, na order, as linhas e colunas representam: condutores dos cabos 1, 2 ¢ 3 (C1, ¢2 ¢); blinda~ gens dos cabos 1, 2 € 3 (bly, blze bly) € armagoes dos cabos 1, 2 € 3 (army, arm arma). Por outro Jado, estando a linha instalada ao ar, deve-se considerar, através do métovio das imagens, 0 efeito da parte externa na matriz dos coeficientes de potencial, isto 6, acrescenta-se aos elementos da diagonal, ‘APs € aos fora da diagonal, APj, fig. 4.10, as parcelas: AP, =18,0.In 2 eR, Pe emir Tots Dur a 102 4 —Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas e Subterraneas eo Ee 4,3 — Constantes Quilométricas de Cabos Isolados 103 26. O-- Fig. 4.10~ Método das imagens. 'As distancias entre os centros dos cabos ¢ suas imagens so dadas por: X 2,00 = 4,00 m 1231 m (0.5? + 4,0%) = 4,031 m Resultando para a matriz dos coeficientes de potencial da parte externa: [oes eS SOs [Sami army =| arma “srsasz | 2sars? | 97604 | 37.5062 | 24.4575 | o2,roo | 37,5362 | 24.4575 “el _ar.sas2 | 92,7604 | 97,5352 | 97,5352 | 92,7608 | 7.5352 | 37.5362 | o2,7oa0 | 37.5262 ~es| z5ars7 | s7s35e | 02,7508 | 244575 | o7.sase | 92.7504 | 244575 | 37.5852 | 02,7604 ‘a | 90.7608 [97.5052 | 24.4575 | o2,7e0e | a7saso | 2easrs | 92,7008 | 97,5952 | 24.4575 wy] a7.s3se | 02.7604 | 7.5952_| 97.5352 | o2.7eos | o7.saeo | 97.sasz | 92,7608 | 97.5952 ‘bi| 24.4575 | a7.sase_| 92,7004 | 24.4575 | 97,5062 | 92,7600 | 244575 | 97,5362 | 92,7604 sin,| 92,7004 | 37585 | 2n4oro | o2,r604 | 7.5952 | 24.4076 | o2,7ose | 97,5052 | 244675 iam) 7.sasa_| szro04 | 27.5052 | o7sosa_| ozreos | a7.ssa | 7.saso | o2roas | 27.5002 ‘am, [24.0575 | 37.6352 | 92.70% | 2aasrs | a7.s352_[ 92.7604 | 25.4575 | 37.sase_| 02,7604 Finalmente a matriz dos coeficientes de potenciais 6 Ee eee aie al ov 705 1506 | 37.5362 | 244575 | 94.6860 | 37,5952 | 24.4075 ag 57,5952. 97,5362 _| 95,1528 | 37,5382 | 97,6352 _| 946860 | 97,5352 =a 25,4757 24,4575 | 37,5352 _| 95,1528 | 244575 | 97,5352_| 94,6860 95,1628 95,1528 | 97.5952 | 24,4575 | 94,6080 | 97,5362 | 24,4575 37,5352 37,5352 | 95,628 | 97.5352 | 97.5352 | 94,6880 | 97,5952 24.4575, 24.asTs | s7.5362 | 96,1526 | 244575 | 97.5952 | 94,0580 ‘24860 | 97.6362 | 24.4575 | 94,6060 | 27.5352 | 244575 | 94060 | 37.5352 _| "24.4576 37,5352 | 46860 | 27.6352 | a7.5352 | 04.6000 | a7.sos2 | 97,s952_| 946360 | 97.5062 244575 | 67,5952 | 04.6860 | 24,4575 | 97.5352 | 94,6860 | 240575 | 97,5952 | 94,0860 ‘Amatriz de admitancias nodais das capacidades, em mho/km, € obtida pela inversio da matriz: dos coeficientes de potencial, isto é: 10° (Py resultando para [PT 0 Baa | 0.0083 | 2.1351 Para a climinagio das blindagens e armagées particiona-se a matriz. de admitancias pelas linkas ecolunas finais, respectivamente, dos condutores, indice c, das blindagens, indice b, ¢ das armagoes, indice a, resultando a equagao: Jogo a matriz [Voq] Seré igual 8 [Ygq] isto 6, para 0 caso em tela resulta: 03807 [0 0 jolo*| 0 _[osse7 | 0. 0 0 [0.3897 ‘No caso de blindagens e armagdes isoladas ter-se-4: 1, Vv, Ya Pe + le aly ty |_| Me [fon [Mea | LM Le Yip [Ye | [Ye : 104 4— Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas e Subterraneas oa 1 Vo |__| Mw [Me | | Mee | 57 i Yon | You | [Zac | donde 1 ¥ ¥ T-lGe)-fe De Pes te tifv, 7 7 You [Ya | Yee You! [% 7 7 ta] | Moe “ Yo | [Moe Procedendo-se a eliminagao de Gauss, para o exercicio, resulta: 0,0122. | -0,0040 | -0,0016. jo10*| -0,0040 | 0,0138 | -0,0040 —0,0016 | -0,0040 | 0,0122 Para as transposigoes, sendo Yq um elemento genérico da matriz e ¢, 0 somprimento, em por unidade do camprimento total da linha, da transposicao “i”, resultam as equardes: nt Yat + €1e Yoo + €a You oa Yia® ra You * €1 Yar Yi + bre You + €1o Yoo. ins Yoo + Cra Yo1 + bra Yaa Para o caso de blindagens e armag0es isoladas resulta: 10,0126 | -0,0032 [=0,0082 Jato} -0,0032 | 0,0126 | -0,0032 0,002 |-0, 0082 [0,016 Para a obtengdo da matriz, de admitancias, em termos de componentes simétricas, utilizam-se as transformagdes “spinor”, isto é: Yow LP Yous @ A matriz de admitancias seqitenciais, em mho/km, 6 dada por 10,0000 + j0,0080 0 0 0 0,0000- j0,0158 0 0 0 0,0000-+ j0,0158. 4,3 — Constantes Quilométricas de Cabos Isolados ————————E 105 >. Céleulo de impedéncias © corrigida pelo efeito pelicular e de proximidade, isto 6 Recreg = Recon [1 + c4a9 (tres ~ 20)} = 0,1540 [1 + 0,0039(90 - 20)) ou Recieg = 0,1960 Ovkrn Para os efeitos pelicular e de proximidade, fatores Y, e Yp, tem-se: 0,0008 x £ _ 0,0008 2 60,0 0,7692 Roo 0,960 2 ye = 074x107 sor 08x a o,o124 i ga Y0,50x1,00%0,50 118 2 118 | 0,312 d? + |= 3,074 x10 x 0,01968"| 0,312 x 0,01968" + —— : al yy +027 7 7 3,074 x10 + 0,21 Yp=514x.10% Roses Roy (0+ ¥, + ¥p)=0,1960( 1,043,074 x10" +5,1410°) = 0,1969 obmtan dada por: i Bec | Som | Zeam |] le Va || Sue | Zo Be arm Ty Var Basen c | Barnes | Bane aem Tam f onde: Zag 2 Re #2yg + y+ Lay +25 2s, +2 +24 ~2(2am + Zam) 22pg Tag +2 +g #2 (lan * 2a) Dosen = Banne = 236 * Bea ~ Bain Day ty = Zing + Zag + Bay + Zyq + Zag ’ 24 arm = Barm te ing + Egy ~ Bom aga sems = Bae * 24 | com: : my = fee F410 Ha 9 10% |b (cosas + sen 5°) | Pa Pu Pu | my, =0,044088 ,|120:0%10 450 —gay7za(1+ i) 124i Inicialmente determina-se a resistencia ohmica do condutor referida & temperatura de operagio A seguir, com mesmo procedimento, corrige-se a temperatura das capas motélicas, blindagens e armagées, para a temperatura de regime do condutor. A matriz de impedancias de cada cabo € 4.3 — Constantes Quilométricas de Cabos Isolados 107 106 — Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas e Subterrneas A= Consens Se analogamente ‘Além disso: Lembrando que: (are) _¢~G@+P) _ e* (cosb + jsenb)— e"*(cosb- jsenb) oe ecumen (cosb+jsenb) jsenb) _ 2 2 =) = =cosha.cosb+ jsenha.senb Cot) 4 er) senh(a+ jo)= 5 senha. cosh + jeosha.sen ‘Substituindo-se os valores efetuando os cAlculos, resultar, em ohmes/km: ‘= “Armagao: : ‘Zp = Zyuj =1,282228 + j0,002957 Zam = 1,282226 — }0,001478 Zana = 0,000000 + j0,018482. * ~~ Blindagem y= oy = 0,876585 + j0,026180 Zag = 0,876264 ~j0,012560 Zag = 0,000000 + j0,015656. * Condutor R, = 0,1970 + 50,0000 Ze = 0,0000 + j0,0641 _ Para a corregao da impedancia, devido & condutividade do solo néo ser infinita, utiliza-se para ahos instalados a0 ar, fig. 4.10, os primeiros termos das equagdes de Carson: of sms-oneasioxexe, It io Vo ese en o {| o [fer | 2 | ° | fans | ° | © fora | © | ¢ | pm | © | © | oe | 2 | feo | ¢ | | Gare |e || eaves o | > [pee | |e | Bee | 2 | gem | © | 9 [Sows |e | ° | eau | 9 a a wow | ° | | ious | ° | ¢ | iene | o o [ime Le [oe [iene |e [8 | pious ‘A matriz de impedancias completa, soma da parte interna com a externa, 6 dada por 108 ei % 55 bh by By | army 4.— Constantes Quilométricas de Linhas Aéreas e Subterréneas 0,2564+ | 0,0589+ | 0,0569+ | 0,0592+ | 0.058 | O0589 | 00580+ joa760_| j9s612 | jososo | jos741 | joer | josoe9 | jo,2163 esas | 0.2564 | 0,0880+ | 0.0589 | 0.0592+ | 0058+ | 0058+ jos612_| jo9760 | jossi2 | joseiz | joera | jasere | jo,s6i2_| 0,0580+ | 0,058 | 0,2564+ | 0.0589+ | 0,0580+ | 0059+ | 00589 josoxe. | jo.5612 | jo9760 | josoeo | jose12 | joe7a1 | 0.5089 0.0592 ] 0,0589+ | 0,058 | 0.93544 | o.058e+ | o0s69 [1341+ os7ai | joset2_| 105089 | _jos616 | jose12 | josoe_| jogi43 0.0580 | 0,0592+ | 0,0589+ | 0,0580+ | 0,9354+ | 0.0580 | o0se0+ jose12_| jog7s1 | josei2 | joso12 | joeor | josore | jo,se12 0,0589+ | 0,058+ | 0,0592+ | 0,058 | 0.0580+ | o.9354+ | 005e9+ josoe9_|_jo5612_| jo,e741 | 0.5009 | 05612 | jo.e6t6_| 0.5080 0580+ | 0,0589+ | 0,0589+ | 1,3411+ | 0,0580+ | 0.0589 | 1.94t1+ jogr6s_| j0.5612 | j0.s0s9 | ots | jos612_| oso | jo,erse 0,0580+ | 0,0580+ | 0,0500+ | 0,058+ | 1,g4r1+ | 0.058% | 005a+ jossi2_| joaies_| jossi2 | jos62 | josras | jos6i2 | jo.s612 0.0580 | 0,0580+ | 0.0589 | 0580+ | 134114 | o.0s80+ 089_| jos6i2_| 0.8163 | s0e0 | jo,s612 | joci48 | 0,5009 Estando as capas metélicas, blindagens e armagdes, isoladas, [f] = 0 € J eliminacdo das capas metélicas, a matriz de impedancias: (0,2564 + 30,9760 | 0,05899+ 30,5612 | 0,05899 + 10,5089 0,05800 + j0,5612 | 0,2564-+ j0,9760_| 0,05899 + j0,5612 0,05899 + 50,5089 | 0,05800 + 30,5612 | 0,2564- j0,9760 Qk em 0.058¢+ 0,5089 0.0588 50,5612 0.0580 (0.8163 0,0585+ | 0,0589+ jos812_| 5089 134tt | 0.0580 joes | joser2 0,058" | 134i jo.5612_| 8148 0.0588" | 0,0580+ jo,ss12_| 5089 1341t+ | 0.0580 jo,e148_| 5612 o,0588+ | 1,34t1+ yose12_| 0,648 0, resulta, apés a Ap6s a transposigio, resulta a matriz de impedancias, em termos de componentes de fase: (0,2564 + j0,9760_ | 0,05899 + j0,5438 | 0,05899 + 50,5438, 0,05899 + j0,5438 | 0,2664 + j0,9760_| 0, 05809 + 30,5438 10,05890 + j0,5488 | 0,05899 + j0,5438 | 0,2564-+ j0,9760, Efetuando-se a transformagao “spinor”, obtém-se a matriz de impedancias da linha, em termos de componentes simétricas: 0,3748+ 72,0636 0 0 [Zao] 0 0,1975-+ j0,4322 0 0 0 01975 + 30,4323, Q/ km Q/ ian Referéncias Bibliogréficas REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS (1) JARDINI,J.A. 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Os transformadores desempenham papel preponderante nos sistemas de distribuigdo, quer no suprimento da rede de média tensdo, quer no su- primento da rede de baixa tonsio. No suprimento da rede de média tenséo, transformadores de SE, utilizarn-se, predominantemente, transformadores trifésicos de dois ou de trés enrolamentos, Por outro lado, no suprimento da rede de baixa tensfo, transformadores de distribuigéo, utilizarn-se transfor- madores monofasicos, bancos de dois ou trés transformadores monofésicos e transformadores trifésicos. 5.2 TRANSFORMADORES MONOFASICOS 5.2.1 CONSIDERACOES GERAIS Neste item proceder-se-4 2 andlise sucinta do prinefpio de funcionarnento de um transformador monofésico, da forma de onda de sua corrente de magnetizacio, corrente de vazio, € de seu circulto equivalente, com especial enfoque em suas perdas. 5.2.2 PRINCIPIO DE FUNCIONAMENTO Soja o transformador, representado na fig. 5.1, que conta com N, ¢ Nz espiras nos enrolamentos primario e secundério, respectivamente, Assume-se, como hipétese simplificativa, que a resisténcia dhmica dos enrolamentos é nula, que 0 niticleo de ferro é ideal, no apresentando perdas no ferro, histerese ¢ Foucault, com fluxo de dispersao nulo, isto €, todo 0 fluxo produzido no 112 Fig. 5.1 ‘Transformador em vazio. 5 — Transformadores de Poténcia Primaria Ns espiras Secundério Ne espiras enrolamento primério concatena-se com 0 enrclamento secundério. Nessas condigées, aplicando-seno primdrio do transformador tenséo senoidal,v) = Viy, sen wt, resultarda clrculagao da corrente de vazio que produz forca magneto mottiz, famn., Jo = Na ig, que dé lugar a fluxo @, varidvel senoidalmente no tempo. Observa-se que, sendo Ra relutancia magnética do micleo tem-se: 3p =Ny iy =Ndy oD) (O fiuxo produzido cria nas bobinas, porindugio, forca eletro motriz, £e.m., 1, que deve ser igual & tensdo aplicada. Pela lei de Lenz tem-se: Vy senot=e, =N, 62) Por outro lado, o fluxo induz no enrolamento secundério tensio, que varia senoidalmente no tempo, dada por: a v, = Vy senot=N, 63) = Vee ot Da relagdo entre as eq. 5.2 ¢ 5.3 resulta vy _Vuysenot Ny Vp Vypsenat Ny 4) isto 6, as tensdes, primdria e secundaria, tém a mesma frequéncia e valores eficazes na relagéo do ntimero de espiras, Por outro lado, inserindo-se uma carga no secundario, por simplicidade, puramente resistiva, ter-se-4 citculacdo de cozrente senoidal no secundario com mesmia freqiiéneia da tensfo. Esta corrente criara, no enrolamento se- cundétio, Lamm. 32 = Nog, que produ fluxo, és, que tende a reduair 0 fluxo 0 ¢, de consegiiéncia, tende a destruir a igualdade da eq. 5.2. Ora, nessas condig6es a corrente primiria deveré sofrer acréscimo de modo a criat Ln.n., i= Ni i, que anule a produaida pelo enrolamento secundario. Isto é, com 8 sentidos apresentados na fig. 52, sera: 9, =N,i, =3, =Nyip 5) 5.2 — Transtormadares monofésicos Primero Secunia Ni; espiras, Ni espiras ve |R Ou seja, a corrente de carga, no secundatio, impde a circulagio de cor- rente priméria cujo valor eficaz est relacionado com o da secundaria pela, relagao de espiras desses enrolamentos, isto €: Ny i, Ny 6.) 5.2.3 CORRENTE DE MAGNETIZACAO Para a determinacao da corrente de magnetizagao de um transformador é importante considerar que 0 niicleo de material ferromagnético 6 no lear e que apresenta histerese magnética. Assim, sendo a tensdo de excitacao dada por v; = Vy sen ot, da eq. 5.2 € evidente que o fluxo magnético deve ser senoidal e dado por: 9, = Vr4i.0 COS 67) sendo draco = Van/(N; @). Nessas condicdes a determinagio da corrente de magnetizagdo ¢ feita resolvendo-se o circuito magnético constitufdo pelo iicleo de ferro excitado pelo enrolamento primatio, isto €: SH=N,i, =KO, (68) onde a reluténcia do circuito magnético € dada por: BS em que: € €0 comprimento do circuito magnético; S 6a area da secao reta do nucleo; p= BH 6 a permeabilidade magnética do micleo; B_ éadensidade de fluxo magnético no ncleo; H_ a intensidade de campo magnético no nucleo. Fig. 5.2 Transformador om carga 113