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ABGP

Marco C. Schinelli - Abril/2011

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Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo

schinelli@oi.com.br

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Marco C. Schinelli - Abril/2011

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Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo

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Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo

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Marco C. Schinelli - Abril/2011

Índice
Capítulos

Páginas

Introdução
Capítulo 1. Características da Atividade de Interpretação
Sísmica

5-10

Capítulo 2. Formatos, Qualidade e Correção dos Dados Usados
em Trabalhos de Interpretação

10-28

Capítulo 3. Comportamento Sísmico das Rochas

29-33

Capítulo 4. Correlação Rocha/Perfil /Sísmica e Relação
Tempo – Profundidade

33-38

Capítulo 5. Importância da Forma de Representação do Dado
Sísmico

39-46

Capítulo 6. Interpretação Sísmica Estrutural

47-64

Capítulo 7. Interpretação Sismoestratigráfica

65-79

Capítulo 8. Atributos Sísmicos

80-87

Capítulo 9. Interpretação de Dados Não Convencionais

89-97

CADERNO DE EXERCÍCIOS

Página

3

1-Construção do cubo 3D
2-Construção de mapa estrutural com seções verticais
3-Construção do sismograma sintético
4-Correlação do sismograma sintético
5-Interpretação de falhas
6-Estimativa do strike de falha em seções arbitrárias
7-Correlação entre time slice e seções verticais
8-Construção de mapa estrutural com time slices e seções verticais
9-Interpretação de AVO
10-Interpretação 4D
11-Cronologia da Interpretação
12-Exercício integrado na plataforma OpenDtect (vários exercícios, com a utilização de
dado sísmico marítimo e respectivos poços de campo do mar do Norte)

schinelli@oi.com.br

com. a experiência desenvolvida ao longo de anos da prática de interpretação sísmica e da atividade docente. Motivado pela contribuição em diminuir tal lacuna.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. para que os participantes possam.br . Página 4 Marco C. em parte. Soma-se ainda outras razões como a rapidez com que evoluem as práticas adotadas no dia a dia daqueles profissionais ou o ainda aspecto multidisciplinar exigido para um desempenho eficaz na atividade o que aumenta sobremaneira o universo de ciências complementares que precisariam ser abordadas em uma publicação voltada para os aspectos fundamentais da interpretação. acrescentamos substancial número de exercícios práticos. disponíveis na indústria do petróleo especialmente no nosso idioma. Schinelli . 2011 schinelli@oi. de que a interpretação sísmica seja uma atividade notadamente subjetiva justifica. ter experiências práticas semelhantes as das rotinas vivenciadas no dia a dia dos trabalhos de interpretação sísmica. o universo básico de conhecimentos necessários para aqueles interessados em explorar preliminarmente todas as competências necessárias ao exercício cotidiano da Interpretação Sísmica. guardadas as devidas proporções. sintetizamos neste material. Como não podia deixar de ser em um curso desta natureza. Schinelli – Abril. o número relativamente pequeno de publicações sobre o tema.Abril/2011 Introdução O conceito. ainda compartilhado por muitos profissionais. inclusive com software industrial. apresentando ao participante.

apresentamos algumas das atividades cotidianas de um intérprete de dados sísmicos na indústria do petróleo: schinelli@oi. na tentativa de transformar todos os dados em uma solução fiel ao contexto geológico que a produziu. com identificação das áreas estruturalmente favoráveis à acumulação de hidrocarbonetos. técnica conhecida como sísmica 4D (capítulo 9).br . rochas geradoras. onde o primeiro pode não se apresentar de forma absolutamente clara no sentido de permitir ao observador caracterizá-lo fielmente. independentes entre si. Estimativa da presença de fluídos através da análise do comportamento de variação de amplitude com o afastamento fonte receptor dos dados sísmicos (técnica conhecida como AVO ou Amplitude Versus Offset.Abril/2011 CAPÍTULO 1 . a ato de interpretar depende fundamentalmente da qualidade e quantidade de informações disponíveis e da experiência e ferramentas de que dispõe o interprete. interpretação sísmica pode ser definida como toda a atividade necessária à construção de um modelo geológico plausível que seja compatível com o dado sísmico observado. e que veremos mais adiante no capítulo 8). Identificação da presença de falhas que possam atuar como barreiras ao fluxo de fluídos durante os processos de produção ou repressurização de reservatórios.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. ao passo que o observador pode. selantes ou outras. Esta definição aponta para um aspecto crucial da atividade: a observação. com sua perspectiva única. Estimativa litológica para predição da existência de reservatórios que possam acumular hidrocarbonetos. Sem enveredar por considerações filosóficas o ato de observar exige objeto e observador.com. (apresentada também no capítulo 8) ou o comportamento de AVO citado anteriormente. A título de exemplo. e competências recomendadas para os profissionais nela envolvidos. Schinelli . podemos citar a estimativa da impedância acústica das rochas... 1. seja sob o ponto de vista da posição estrutural. Identificação do comportamento de fluxo de fluidos durantes os processo de produção através da análise da variação da resposta sísmica ao longo do tempo. seja pela identificação das características apropriadas do sistema petrolífero.1 O que é Interpretação Sísmica? • • • • Geração de mapa estrutural em tempo ou profundidade. Página • 5 Segundo Sheriff (*1).CARACTERISTICAS DA ATIVIDADE DE INTERPRETAÇÃO SÍSMICA Antes de apresentarmos os fundamentos e práticas da Interpretação Sísmica reservamos algum tempo para reflexão sobre aspectos conceituais que suportam a atividade.). identificar o objeto de maneira pessoal e distorcida da realidade (pelo menos da sua realidade. Tais conceitos podem ser úteis na definição da estratégia pessoal de formação para os futuros intérpretes. Dentre as metodologias usadas com este propósito. Ou seja.

Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo 1. o conhecimento da interpretação de perfis de poços pode ser um auxiliar importante na correlação das sismofácies com os diferentes tipos de reservatórios. O maior benefício que se pode extrair dos insucessos é a possibilidade de identificação dos erros cometidos de forma a aperfeiçoar o processo de interpretação. de etapas importantes do processamento dos dados sísmicos com os quais irá trabalhar. alguns dos conhecimentos indispensáveis para o intérprete. especialmente quando existe limitação de informações. É importante perceber que cada diferente trabalho de interpretação exige um “diferente perfil”. especialmente na definição do arcabouço e principais feições estruturais. e) Não se deixar “encantar” pela primeira solução encontrada para o quebracabeça exploratório. existem outras 6 Uma questão muito discutida. etc. fará a interpretação de velocidades para estaqueamento.br . Sem a pretensão de conhecer todas as respostas ou esgotar o assunto apresento. • Participação. durante a fase exploratória. ou seja. alguns requisitos que acho devam merecer atenção dos candidatos à intérprete: schinelli@oi. geoquímico.2 ABGP Marco C. em bacias maduras. e muitas vezes influenciado por prazos apertados. ou fornecerá horizontes interpretados em tempo e suas respectivas amarrações em profundidade em poços existentes na área para construção de um eficiente modelo para calibração da migração PSDM ou conversão TxZ. Na fase explotatória.). Perfil do Intérprete Página a) Conhecer a Geologia da bacia onde irá trabalhar: A evolução da bacia.Abril/2011 • Discussão e fornecimento para profissionais especializados em aquisição sísmica das características da área na qual o intérprete desenvolverá seu trabalho (profundidade dos objetivos. os métodos potencias podem ser um coadjuvante importante. junto com geofísicos do processamento sísmico. migração e acumulação de hidrocarbonetos são. sem ordem de importância. mergulho máximo. em área ainda pouco explorada. Por exemplo. os ambientes deposicionais nos quais se desenvolveram os principais geradores e reservatórios. é sobre as diferentes competências recomendadas à formação de um bom intérprete. ter em mãos todas as informações geradas por trabalhos anteriores na mesma área como forma de evitar retrabalho e iniciar sua atividade com um mínimo de informações úteis. etc. Por exemplo. d) Capacidade de aprender com os erros que inevitavelmente serão cometidos. ajudará na escolha da função mute ou dos filtros de coerência e freqüência que venham a ser usados. isto é. a dinâmica e estilo tectônico. tipos de trapa. b) Pesquisar toda informação necessária ao trabalho a ser desenvolvido. o intérprete indicará a profundidade dos objetivos. esquecendo que freqüentemente. exige conhecimento maior ou menor de diferentes disciplinas. Schinelli . a presença de condições de geração. Freqüentemente. sismoestratigráficos. principalmente pelos responsáveis por treinamento e formação de novos profissionais. c) Conhecimentos básicos sobre métodos potenciais. indiscutivelmente. especialmente aos que forem trabalhar no contexto exploratório. resolução esperada. A análise desenvolvida nos “post mortem” realizados após as perfurações mal sucedidas são uma excelente oportunidade para aperfeiçoamento da metodologia e estratégia exploratória.com. o intérprete adota a primeira solução que se apresenta.

. construção de sismogramas sintéticos. não só na fase de planejamento e parametrização de novas aquisições ou durante o acompanhamento do processamento sísmico. A terceirização de serviços de perfilagem. por si só. g) A interpretação de dados sísmicos exige certa capacidade crítica da qualidade dos dados sísmicos ou de poços. É cada vez maior o número de softwares especialistas manuseados pelo interprete. só para citar alguns. Saber usar tais ferramentas com um mínimo de profundidade não garante. aquisição ou processamento não deve servir de motivo para que o intérprete não se envolva com a parametrização e controle de qualidade da aquisição ou seu posterior processamento. já que o trabalho de interpretação não pode ser considerado com uma ciência exata. Conhecimentos de perfis de poços também seriam recomendados.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. que precisem ser descartados ou corrigidos. até sua disponibilização para o intérprete.Abril/2011 alternativas que precisam ser consideradas. modelagem dos efeitos de substituição de fluidos. Os programas de interpretação se transformaram em plataformas complexas que possibilitam da interpretação convencional ou volumétrica. Página 7 Figura 1. Dessa forma conhecimentos fundamentais sobre aquisição e processamento podem agregar muita eficiência ao trabalho do interprete. Schinelli .com.) intérprete ! schinelli@oi. mas também na depuração e identificação de dados sísmicos impróprios. Hoje existem metodologias para lidar estatisticamente com incertezas e considerar várias soluções que pareçam adequadas para um mesmo problema exploratório. O ideal é que o profissional de interpretação tenha alguma experiência em aquisição e processamento.br . a geração e análise de atributos sísmicos. a eficácia do trabalho.1 – O Super (nem tanto.. mas o tornará mais rápido e ajudará na garantia da sua assertividade. Para confiar na fidelidade dos dados disponíveis são necessários conhecimentos básicos e acompanhamento em toda a cadeia desde seu planejamento e parametrização. f) Conhecer as “ferramentas” que vai usar no seu dia a dia.

enfim. em função destas diferenças. dez diferentes intérpretes. sistemas deposicionais.3 ABGP Marco C.. novos modelos. razão pela qual nem sempre um bem sucedido intérprete exploratório se sente confortável na rotina da interpretação explotatória e vice-versa. Da mesma forma. mas usando tendências diferentes para gridagem e contorno. conectividade indicada pela análise do gradiente de pressão do reservatório observada nos poços. diferentes contatos. de má qualidade e o prazo exíguo podem ser geradas diferentes soluções para um mesmo universo de dados. embora os dois profissionais tutelem. sem que isto caracterize a Interpretação Sísmica como uma ciência inexata. sincronismo. o perfil do profissional mais adequado para cada atividade também é diferente. Naturalmente. com o mesmo conjunto de dados foram produzidos três diferentes mapas. de que com um mesmo conjunto de dados. A este respeito podemos afirmar que a subjetividade da interpretação é inversamente proporcional à quantidade e qualidade da informação disponível.Abril/2011 Interpretação exploratória X de produção Chamamos de interpretação exploratória aquela voltada à identificação de potenciais acumulações de hidrocarbonetos ainda não descobertas. com maior risco. Já no contexto de produção.. apresentam ao interprete certo número de condicionantes que ao mesmo tempo em que tornam seu trabalho mais determinístico. rotas de migração.. e difundido especialmente por aqueles que têm uma compreensão apenas superficial do que seja a interpretação sísmica. o papel do intérprete será o de usar metodologias próprias para otimizar o fator de recuperação da jazida durante a sua vida produtiva. todos honrando os pontos originais. variações da qualidade do reservatório.4 Subjetividade da Interpretação Página 8 Aspecto quase folclórico do imaginário dos profissionais de interpretação. uma das razões pelas quais muitas empresas constituem grupos diferentes de intérpretes para atuarem em cada uma das duas áreas. o suporte de interpretação sísmica da mesma área. seriam capazes de produzir dez mapas substancialmente diferentes. quando os dados são escassos. sendo inclusive. por conseguinte.com. Schinelli . Já no ambiente exploratório afasta-se o intérprete do zoom e quantidade de informações que exige maior atenção aos condicionantes geológicos. a dinâmica de produção do reservatório e outras informações. soluções “mais arrojadas”. é a impressão. e prazo para desenvolvimento dos trabalhos.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo 1. No exemplo apresentado na figura 1. ou explotatório. cada qual ao seu tempo.2. 1. Uma diferença básica está na maior quantidade de restrições existentes no ambiente de produção. onde o maior número de poços.br . com informações sobre aspectos estruturais nem sempre revelados pela sísmica. etc. schinelli@oi. o impedem de ser mais ousado. Normalmente ocorre em situações onde existe certo desconhecimento sobre as características geológicas da área em avaliação e.

de outras ciências coadjuvantes do processo de interpretação.br . mas voce se esqueceu de que ele é o chefe ??? Página 9 Figura 1. diferentes cenários de preços. dentre outras análises que podem levar a se desistir da perfuração de uma oportunidade que aos olhos do cenário de retorno dos investimentos possa parecer desinteressante naquele momento.3 – A importância dos grupos multidisciplinares schinelli@oi. Por exemplo. Schinelli . É necessário estimar o custo da sua produção. especialistas em acompanhamento geológico e perfilagem. todo o auxílio que pode ser proporcionado por aquelas diferentes disciplinas. no processo da interpretação exploratória.Abril/2011 Figura 1. geólogos. engenheiros de perfuração e produção. e outros partícipes do processo de interpretação sísmica.2 – Mapas diferentes para o mesmo conjunto de dados de entrada – A subjetividade da interpretação. a logística para transporte e refino.com. Vamos começar a reunião antes que chegue o engenheiro ! Poxa. será indispensável um exercício de estimativa quantitativa da economicidade de uma possível descoberta em termos de lucro produzido no futuro.5 Grupos multidisciplinares A crescente inserção do interprete em grupos multidisciplinares exige conhecimento. mas um planejamento e metodologia de interpretação que aproveite desde o início dos trabalhos de interpretação. ainda que básico. Para uma proveitosa interação entre geofísicos. seria ótimo.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. é importante não só um vocabulário comum. Mas não basta estimar o volume de óleo recuperável. 1.

com. Por essa razão destacamos a seguir um conjunto de erros muito comuns e que devem ser evitados. etc) Dados de interpretações pré-existentes (horizontes. Os 10 • schinelli@oi. falhas. ao intérprete é fundamental. estradas. Schinelli . CAPÍTULO 2 – FORMATOS. dados de fluidos. antes ou após stack). com o propósito de otimização da sua seleção e exibição em tela. check-shot. Muitas vezes.Abril/2011 Muitas vezes essa análise especializada exige profissionais que se dedicam inteiramente a tais aspectos e tem seu jargão e metodologias próprias. Para o intérprete é portanto. sísmica multicomponente.. essa fase de avaliação minuciosa é dispensada. de poços e outros.) Página Cada dado tem formato próprio. 3D. indispensável. Eventualmente o próprio intérprete tem essa obrigação. saber diagnosticar os erros mais comuns. impedindo o profissional de identificar erros que eventualmente só serão revelados pela broca. inclusive para entender o impacto das informações que ele fornecerá nas estimativas feitas por aquele grupo de profissionais. coerência. 2. Dados de poços (perfis diversos. Qualquer que seja o processo adotado para carregamento de dados a responsabilidade pela confiabilidade na correção do georeferenciamento. linha de costa. Em outras. mapas. blocos exploratórios ou explotatórios vizinhos. o intérprete precisa conhecer a metodologia usada para a estimativa feita pelos engenheiros do comportamento hidráulico dos fluidos no reservatório. Essa estimativa poderá apontar para a existência de falhas ou barreiras de fluxo. em função da urgência do trabalho de interpretação. fator de fluído. mas que podem assumir outros formatos dentro dos softwares de interpretação. conhecer como tal trabalho se desenvolve. No contexto da produção. etc. geoquímicos e outros).1 Tipos de problemas relacionados ao carregamento de dados Dados comumente usados na interpretação sísmica: • • • • Dados sísmicos originais (2D. sísmica de poços. Os dados sísmicos normalmente são providos em formato SEG-Y. mesmo que desconheça as rotinas de carregamento. Em grandes empresas existem muitas vezes profissionais especializados no carregamento de dados sísmicos. precisam ser consideradas no contexto da interpretação explotatória. que mesmo que não sejam imediatamente reconhecidas no dado sísmico. formatos e outras características intrínsecas dos dados de interpretação será sempre do profissional que trabalhará com eles. pressão. etc) Atributos sísmicos diversos (velocidades do processamento.. em tempo ou profundidade. QUALIDADE E CORREÇÃO DOS DADOS USADOS NOS TRABALHOS DE INTERPRETAÇÃO Introduzimos este capítulo para chamar atenção dos itens que devem ser verificados após o carregamento de dados em um projeto de interpretação. costuma-se contratar profissionais das próprias empresas que desenvolveram os programas de interpretação para fazer o carregamento de dados.br .Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. litologia. Por isso. 4D. Dados culturais (mapas com limites das concessões.

Já dados culturais podem ser fornecidos em XYZ ou formato CAD. sua localização.). equipe de registro. se a representação numérica é adequada e outros. de maneira a que se possa avaliar se estão no padrão correto. Localização. (nome/número da linha. etc. se as coordenadas estão na posição esperada dentro do header.Abril/2011 dados de poços podem ser fornecidos em formatos diversos.br . Para carregamento dos diferentes dados nos programas de interpretação é preciso um conhecimento básico sobre diferentes formatos. durante o carregamento. O formato SEG-Y O formato SEG-Y é um padrão da indústria (normatizado pela SEG .Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. no header (cabeçalho) dos traços sísmicos e no tape header (cabeçalho da fita com dados sobre a linha 2D ou bloco 3D. se os dados dispõem de todas as informações necessárias ao carregamento. mas deve-se usar preferencialmente o formato LAS (texto). Em seguida são apresentados o reel e o trace header. Schinelli .com. sistemas de coordenadas e outras) No trecho compreendido entra os bytes um e 3200 está o chamado Header EBCDIC. Página 11 Veja a seguir a s características de um típico registro SEG-Y: schinelli@oi.Society of Exploration Geophysicists) para representação de dados sísmicos e o intérprete deve estar familiarizado com o formato para analisar. uma espécie de cabeçalho com informações diversas sobre a linha sísmica contida no arquivo.

com. Schinelli .br .Abril/2011 Página 12 Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo schinelli@oi.ABGP Marco C.

Abril/2011 Página 13 Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo schinelli@oi.com.ABGP Marco C. Schinelli .br .

Abril/2011 Página 14 Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo schinelli@oi.ABGP Marco C.br . Schinelli .com.

com.Abril/2011 Página 15 Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo schinelli@oi.ABGP Marco C.br . Schinelli .

Abril/2011 Página 16 Figura 1.4 – Descrição do formato SEG-Y schinelli@oi.br .Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.com. Schinelli .

onde estão contidos o número do ponto de tiro e suas coordenadas X e Y (linhas 2D) ou do número da linha e traço e respectivas coordenadas X e Y (3D).com. O formato LAS Página Figura 1.Abril/2011 No processo de carregamento é indispensável à definição das posições no header dos traços. etc. Para isso uma boa alternativa são os programas de dump que ajudam a examinar o header dos traços (existem vários disponibilizados na internet). Embora o padrão SEG-Y defina as suas exatas posições no trace header. por diferentes razões muitas vezes o dado fornecido ao intérprete tem pequenas variações de posicionamento de tais informações no header e que precisam ser investigadas. etc. e que pode ser facilmente visualizado e editado. Schinelli .5 – Exemplo do formato LAS 17 Embora existam vários outros padrões para representação de dados de poços (LIS. CLIS. curvas.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.br .) por se tratar de um padrão ASCII. schinelli@oi. o formato LAS é uma alternativa muito usada na indústria para representação de dados de poços (posicionamento.).

e só irão ser descobertos depois de muito tempo gasto pelo intérprete. dentre outros. Tais erros podem ser divididos basicamente em dois tipos: Erros de posicionamento e erros de formatação.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. ou ainda informações incorretas originadas no processamento ou na exportação do banco de dados geológicos. o processo de carregamento pode introduzir erros graves. e temporal (também chamado de deslocamento estático) ou de profundidade.com.Abril/2011 Página 18 Em conjunto tão amplo de diferentes dados. Seu diagnóstico exige comparação dos dados sísmicos entre si. inclusive desvios). Apresentamos a seguir alguns exemplos com as respectivas justificativas e recomendações schinelli@oi. embora impactantes. referenciadas a um sistema de projeção impróprio. Schinelli . E muitas vezes tais erros são sutis. decimação exagerada. Os erros de posicionamento espacial obviamente decorrem do uso de coordenadas erradas. comparação com outros mapas sísmicos e de poços. No primeiro caso incluímos as situações relacionadas ao posicionamento errado de poços e dados sísmicos.br . Esses erros podem ser de posicionamento espacial (coordenadas de dados sísmicos e de poços. verificação da correlação do poço com o dado sísmico.

br .com. poço ou dado cartográfico) fora da área de interesse o mapa base fica alterado para permitir visualização do conjunto Página 2. isto é.O poço que pode ser observada a sul da mapa base esta carregado com coordenadas erradas o que fez com que o basemap estendesse a área de exibição para comportar também a exibição do poço incluído no projeto.1.Abril/2011 Figura 2. somente o trecho que se sobrepõe á área de interesse. Toda vez que é incluído no projeto um objeto (sísmica.1 .Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo Marco C. 19 Figura 2. Schinelli . A inclusão no projeto de poços e dados sísmicos que se estendem além do ring fence ou área de interesse desperdiça espaço em disco e torna mais lento o acesso e exibições da base de dados do projeto.1 Erros de posicionamento ABGP schinelli@oi.No mapa base ao lado observamos a presença de linhas 2D que se estendem muito alem dos limites da malha 3D e que poderiam ter sido carregadas parcialmente.2 .

como pode ser visto na página seguinte b Página 20 Figura 2.com.br .A seta preta indica a posição correta do 3D. com o fornecimento (digitação manual) dos três pontos extremos e sua associação com linhas e traços do dado sísmico. ou a associação com as referências do dado sísmico (linhas e traços) estiverem incorretas o dado sísmico será posicionado no lugar errado. que foi inicialmente carregado em posição errada (seta vermelha .Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Schinelli .O Carregamento de sísmica 3D é feito após a definição de um grid. Se as coordenadas estiverem erradas.Abril/2011 Figura 2. Esse erro provocou variações de até 250 metros em relação à posição real.3 .4 .b) por engano na conversão do sistema de projeção original para o datum Aratu. schinelli@oi.

Se o valor de decimação for aumentado demasiadamente. resultando na falta de percepção da curvatura (linha sem decimação sobreposta) que a linha original tem.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. as sinuosidades da linha sísmica não serão consideradas. podendo gerar erro de posicionamento significativo.Abril/2011 Figura 2.O processo de carregamento de linhas 2D passa por uma fase de decimação das informações de posicionamento dos pontos de tiro. Schinelli .A decimação usada para o carregamento desta linha foi de 150 metros. Página 21 Figura 2. No exemplo acima as coordenadas dos 815 tiros foram reduzidas a 8 valores após a decimação para uma tolerância máxima de 20 metros. schinelli@oi.br .com.5 .6 . conforme mostrado na figura seguinte.

com. ex. etc. ou critério de distância máxima para exibição insuficiente para que o poço seja projetado sobre a seção. ou falta de informações sobre a profundidade final alcançada pelo poço. os produzidos nos softwares de mapeamento) pois podem também ocorrer erros sutis de posicionamento.A posição de poços no mapa base deve ser confrontada com outros mapas (como p. status do poço.Abril/2011 Figura 2.br . 22 A A schinelli@oi. A B B Página Figura 2. Outra possibilidade de erro é na introdução dos valores de desvio.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Schinelli .7 . Outras possibilidades são a exibição de poços desligada na seção sísmica.Por que o poço não é exibido na seção sísmica? Usualmente por falta de relação tempo x profundidade para aquele poço.8 . nome.

Nas tabelas tempo x profundidade os erros podem ser evidenciados pelos valores de velocidade intervalar anômalos.10 . Schinelli .br . uma referência errada (datum da medida ou datum sísmico) ou ainda usar uma tabela de relação tempo x profundidade com algum erro.9 .O carregamento de picks tambem pode ser feito com valor errado. Normalmente estes erros são evidenciados pelo contexto da informação de outros poços e correlação dos picks com a sísmica correspondente.com. Página 23 Figura 2.Abril/2011 Figura 2.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.Os dados cartográficos podem também ser posicionados de forma errada ou carregados sem individualização das poligonais que terminam sendo emendadas no processo de importação. schinelli@oi.

Schinelli .com. schinelli@oi. nas informações de profundidade final e elevação da mesa rotativa (ao lado) e erros na relação tempo x profundidades (figura abaixo) também podem provocar desajustes entre os dados sísmicos e as informações de poços.br .Abril/2011 Página 24 Figura 2.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.11 .Erros na definição do datum sísmico (figura superior) .

schinelli@oi.12 . especialmente quando os dados sísmicos são de geração (e qualidade) diferentes.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.com.A linha composta. 2D + 3D mostra o efeito de um pequeno erro de posicionamento (150 m em relação a posição correta) da linha 2D em relação a posição correta (abaixo a esquerda).Abril/2011 Página 25 Figura 2. Schinelli . A depender da conformidade estrutural e variação de distância provocada pelo erro de posicionamento a verificação do erro pode ser mais difícil como mostra a figura da direita.br .

2 ABGP Marco C. Página 26 Figura 2. isto é. Esses cuidados além tornar a interpretação mais confiável. Especialmente em projetos 2D.16 ou 32 bits) para todos os dados. é recomendável trabalhar com o mesmo intervalo de amostragem para todo o conjunto de linhas schinelli@oi.Abril/2011 Erros de formatação Os dados sísmicos também exigem uma formatação regular. o mesmo ganho.br . pouparão tempo no desenvolver dos trabalhos. padrão de numeração de linhas. Observar que as escalas de tempo são diferentes em cada lado da seção. que se use a mesma representação numérica (8.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo 2. Schinelli .O desajuste entre as duas linhas observado na figura à direita se deve à utilização de intervalos de amostragem diferentes (4 e 2 ms). etc. em projetos 2D usar um mesmo espaçamento entre traços.1.13 . se possível. A seguir apresentamos alguns exemplos de problemas rotineiros.com. evitar variações de intervalo de amostragem.

Tal deslocamento tem as mais variadas origens. durante sua vida útil por diferentes profissionais. Schinelli . cada um com seu padrão de rotulação. Em situações onde existe boa conformidade estrutural e sequência uniforme de refletores. Este tipo de deslocamento pode também existir entre diferentes dados 3D.Abril/2011 Página Figura 2.A falta de padronização na nomeação das linhas carregadas dificulta sua seleção através do de opções a partir de listas. incluindo também erros durante o carregamento. e atualizado com o carregamento de novas linhas. pode ser difícil diagnosticar a ocorrência de pequenos deslocamentos.com. Da aquisição. schinelli@oi. ou mesmo entre versões de um mesmo dado sísmico.br . onde o uso de diferentes rótulos (as vezes um projeto é carregado. ao processamento.14 .existente entre as duas linhas ( em torno de 300 ms). se não lhe for indicado um preferencial). Observar na figura de baixo a posição correta e melhor ajuste das duas linhas. como pode ser visto na relação mostrada na figura ao lado.15 . 27 Figura 2. após aplicação de diferentes processamentos. 2 ou 3D.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.Na figura superior não foi corrigido o deslocamento estático – mistie .

organização da base Oracle. Schinelli . A depender da quantidade de dados sísmicos e de poços essa avaliação e correções consequentes pode se estender por várias semanas. 2. o PostStack (programa de processamento da plataforma Landmark) pode ser usado para tornar a relação de amplitudes mais uniformes. ganhos. 3. A primeira (A) provocou certo nível de clipping .br . A título de sugestão propomos a seguinte sequencia a ser usada na avaliação do carregamento de dados: Página 28 1.Mais um problema ocasionado pela falta de padronização no formato de armazenamento de dados sísmicos.com. normalmente relacionados a diferenças de tratamento (nível RMS ou função de ganho usada) das linhas durante o processamento. poços e culturais.Verificar a estruturação do projeto. Resumindo. As vezes o formato é o mesmo mas as linhas ainda apresentam certa variação de amplitude como mostrado no exemplo abaixo.Abril/2011 Figura 2.etc).Fazer uma varredura nos dados sísmicos e correlação entre si e com poços. Usar loops.Verificar a nomenclatura da base sísmica e de poços.16 . queremos enfatizar a importância de uma avaliação calma e criteriosa de todo o tipo de dado carregado antes do início dos trabalhos de interpretação. Os histogramas abaixo exemplificam duas representações deficientes. formatação.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.Verificar individualmente dados sísmicos e de poços (erros de posicionamento. A análise de histogramas ajuda na avaliação da distribuição de amplitudes. dados do well header. 4. Em algumas formas de exibição fica impossível um fator de ganho que represente simultaneamente dados de 8 e 32 bits como mostrados ao lado. se possível comparando-os com outros mapas e base de dados. schinelli@oi. Nestes casos. projetos Sísmicos e outros. tabelas T x Z. picks. 5.No mapa base verificar a posição de dados sísmicos. ao final deste capítulo. time slices e linhas arbitrárias. A segunda (B) não utilizou todo o range dinâmico da representação com 8 bits.

composição mineralógica.”. pois antes de se iniciar o trabalho de interpretação. Pode indicar uma reflexão. se a resolução não for satisfatória o intérprete pode recorrer a atributos que otimizem a capacidade de identificação de camadas delgadas. Se a interface se mostra nos sismogramas sintéticos sismicamente invisível.COMPORTAMENTO SÍSMICO DAS ROCHAS Este é um assunto muito importante para os intérpretes. enquanto para sal ou igneas. ou sismofeição. e da razão sinal/ruído do dado sísmico. Por exemplo. refração. Para “evento” Sheriff (ver bibliografia) usa a seguinte definição: “. ou mesmo qual a variabilidade que se pode esperar para o horizonte que será rastreado. da espessura da camada. contraste em relação às rochas encaixantes. existe menor dispersão Já a visibilidade sísmica depende fundamentalmente do contraste de impedância entre os meios. Página O comportamento sísmico das rochas depende de diversos fatores.. conteúdo de fluídos. É fundamental para o intérprete conhecer com a máxima profundidade possível todos estes condicionantes e seu reflexo na expressão sísmica do evento que pretende mapear. pressão litostática e de poros. Acrescentamos que tal evento pode corresponder a um alinhamento de 29 Figura 3. tais como: Características petrofísicas das rochas. porém existe certa superposição o que impede que seja usada como único elemento para discriminação litológica... que tipos de sismofácies serão encontrados. o intérprete poderá rastrear um marco sísmico mais próximo e que guarde semelhança estrutural com o objetivo principal. se a resolução do dado sísmico será suficiente para discriminação dos objetivos.1 – A velocidade de propagação de ondas compressionais é diferente para as variadas litologias.Abril/2011 CAPÍTULO 3 .br . o ambiente deposicional. Tais questões serão fundamentais para a estratégia de interpretação.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Utilizamos propositalmente a palavra “evento” para designar a expressão sísmica. Schinelli .com. daquilo que será alvo de seu trabalho de investigação. difração ou outro tipo de frente de onda. schinelli@oi. denotada por uma mudança sistemática de fase ou amplitude em um registro sísmico. etc. Observe que areias e folhelhos têm muita superposição. é preciso saber qual a sensitividade do método sísmico a seqüência litológica presente na área de trabalho..alinhamento em certo número de traços que indica a chegada de nova energia sísmica.

Schinelli .2 – Na figura a esquerda observamos que uma mesma interface pode mudar de resposta sísmica a depender das mudanças do meio subjacente. etc. indicativos do topo ou base de um reservatório. Variações de composição litológica ou de espessura podem ter efeito direto na amplitude de eventos.br . Apresentados estes conceitos. A mudança de fluidos pode alterar amplitude e forma do pulso sísmico. como é mais comum. Quaisquer que sejam os critérios usados pelo interprete para identificação de sismofeições indicadoras dos potenciais reservatórios é preciso ter fundamentada a relação entre o evento sísmico que se irá estudar e o fenômeno geológico gerador daquela resposta sísmica. Já na figura do lado direito. como certas marcas de aquisição ou efeitos da parametrização utilizada no processamento dos dados. reflete no comportamento do pulso sísmico na interface. a amplitude de tais eventos. schinelli@oi.4 refere-se a diferentes eventos que podem ser utilizados no trabalho de interpretação Página 30 Figura 3. A figura mostrada em 3. observamos como diferentes espessuras e transições entre camadas.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.Abril/2011 Valores máximos. mínimos ou zero cross de amplitude. Pode ser um evento guia sismicamente mais expressivo e que guarde relação estrutural com o reservatório alvo. Um intervalo de tempo com predominância de sismofeição característica da presença de certo tipo de reservatório.com. ou da espessura que separa os dois meios (efeito de tuning). chamaremos de agora em diante de horizonte a representação geométrica mais simples de um evento sísmico. Para tal é importante ter noção das mudanças que podem introduzir variações na sismofeição a ser estudada e sua ocorrência na área em estudo. Isso sem falar em alterações “involuntárias” originadas na aquisição. Valores de isoamplitude volumetricamente conectados. A presença de falhas ou outras feições estruturais podem alterar através da simples convergência ou dispersão de energia.

Página 31 Figura 3. provocando interferência que torna anômalas (muito altas ou muito baixas) as amplitudes correspondentes ao topo do horizonte. conforme mostrado na figura 3.com. Schinelli .Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Por essa razão os mapas de amplitude devem ser preferencialmente avaliados à luz dos mapas de cobertura. Esse atributo do horizonte será particularmente importante durante o processo automatizado de rastreamento. houver mudança nos estratos vizinhos ou mesmo na composição de afastamentos do traço sísmico em função de dificuldades durante a aquisição sísmica.Abril/2011 Figura 3.br . em função da conseqüente variação da coleção de ângulos na seção zero offset. ou mesmo devido à mudança de fluido presente nos poros.3 – Uma interface pode mudar sua refletividade ao longo de uma área em função de mudanças de estilo de terminações dos estratos subjacentes. mínimo ou zero cross. se poderá observar efeito espúrio de variação da refletividade da interface. mas poderá mudar se.4 – Tipos de atributo de horizonte que podem ser associados a uma interface (onset) e variação da refletividade com o ângulo de incidência (AVO). Figura 3.3.5 – O acunhamento de camadas aproxima as reflexões de topo e base. Se houver variação na quantidade de afastamentos em função de obstruções ou outras dificuldades durante o processo de aquisição sísmica na área. o intérprete deverá atribuir características ao horizonte sísmico correspondente: tipo (ou onset) máximo. mostrado na figura esquerda do lado inferior e cuja função e mostrada na figura abaixo schinelli@oi. Definidas as características da interface. Esse é o efeito de tuning.

Nessas situações o estudo da característica da reflexão do fundo do mar (que corresponde a um coeficiente de reflexão positivo) pode ajudar na definição da convenção de polaridade do dado com o qual se irá trabalhar. em que a reflexão do fundo do mar é bem isolada.6 – Em dados sísmicos em águas profundas. a sua avaliação pode servir para definição da convenção de polaridade do dado sísmico correspondente. Página 32 Figura 3.com. Outra alternativa eficiente para estimativa da convenção de polaridade é a correlação do sismograma sintético com o dado sísmico e que será tratada mais adiante. Schinelli . Muitas vezes não se tem informações sobre a convenção de polaridade usada durante a aquisição ou processamento. schinelli@oi.Abril/2011 Uma dificuldade recorrente é a definição da convenção de polaridade dos dados sísmicos.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.br .

normalmente usando informações de velocidade e densidade medidas em poços.com.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.7 – O conhecimento da natureza do ambiente deposicional (como nos depósitos de barra no canto superior direito) pode facilitar a identificação das sismofeições correspondentes. como a deconvolução. schinelli@oi. CAPÍTULO 4 – CORRELAÇÃO ROCHA/PERFIL SÍSMICA E RELAÇÃO TEMPO – PROFUNDIDADE Página 33 O sismograma sintético é a modelagem da resposta sísmica em determinada área. correlação da litologia atravessada pelo poço com sua expressão sísmica. Schinelli . Serve a vários propósitos como a calibração de etapas do processamento sísmico.Abril/2011 Figura 3.br . As seções do canto superior esquerdo mostram exemplo de sismofácies características de sistemas fluviais e nas figuras na parte de baixo temos exemplos de sismofácies de deltas. ou ainda para a estimativa da expressão sísmica de determinada interface.

dentre outras aplicações. ajuda a correlacionar a litologia em profundidade.1 – O sismograma sintético. em tempo.br . Figura 4.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo Litologia ABGP Marco C.Abril/2011 velocidade densidade Km/s g/cm3 ?? t ? z Figura 4. com o dado sísmico.com. Os perfis de tempo de trânsito e densidade são combinados para estimativa da função impedância e posterior estimativa da refletividade. Página 34 Normalmente é obtido pela convolução de uma wavelet estimada (ou extraída do dado sísmico de superfície) com a refletividade estimada com base nos perfis de poços.2 – Etapas para produção do sismograma sintético. schinelli@oi. Schinelli .

a depender da intensidade do arrombamento das paredes do poço. schinelli@oi. ou a equação da Faust.br . Observe a boa (mas indesejável) correlação entre os perfis.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. A correlação entre tempo de transito e diâmetro do poço pode ser um indicativo de que o perfil sônico não é muito apropriado para construção da relação tempo x profundidade ou mesmo do sismograma sintético. ou correlação com outras curvas. Antes de qualquer etapa é necessário avaliar a qualidade dos perfis através da inspeção visual. efeitos que interferem no perfil sônico.com.Abril/2011 Figura 4. ou da espessura de reboco.3 – Diferentes escalas d e medidas no processo de correlação rocha/sísmica. Schinelli .4 – Crossplot entre o perfil sônico e o caliper de um poço. que 35 Figura 4. Página Na inexistência de perfis de velocidade ou densidade aqueles podem ser estimados à partir de outros perfis ou com o uso de formulações empíricas como a fórmula de Gardner (que correlaciona tempo de transito e densidade).

Schinelli .Os sismogramas sintéticos servem não só para a correlação de marcos geológicos com refletores sísmicos mas uma avaliação detalhada do sismograma sintético pode revelar qual o limite de resolução temporal com que o intérprete poderá trabalhar assim como a presença de problemas de tuning(mapas de amplitude.br . Porem. Existem ainda métodos computacionais como a análise multivariada ou redes neurais. • VSP – A sísmica de poço fornece uma estimativa direta da correlação tempo/ profundidade já que geofones são colocados a diferentes profundidades dentro de poços receptor. produzindo medidas diretas da relação tempo/profundidade. na falta de informação mais precisa. mas fenômenos como a dispersão e outros. Com esse objetivo um rigoroso controle da relação tempo x profundidade é fundamental. Observe-se que este método embora independente de dados de poço para calibração. Vejamos algumas: • Perfil sônico + Check Shot – O tempo de transito medido por perfis é uma medida direta das velocidades na área.Abril/2011 correlaciona resisitividade acústica e elétrica. que mede o tempo direto de propagação em algumas profundidades importante.com. como por exemplo no topo dos objetivos geológicos. exigem que o perfil sônico seja calibrado pela medida de alguns pontos de referência do check-shot.etc) Página São várias as alternativas para conversão TxZ.5 . • Velocidades sísmicas – As velocidades utilizadas para correção de sobretempo normal. e para cada posição fonte sísmica é acionada na superfície.análises de AVO. tipo de sísmica de poço. schinelli@oi. Figura 4. Podem ser procedimentos válidos. ou por média de velocidade sônica de vários poços em uma mesma área. • Tabelas de refração e outras – Quase uma tradição. podem ser transformadas para velocidades médias para estimativa da relação tempo/profundidade. Sem tal controle a conversão tempo/profundidade pode por em risco a confiabilidade dos mapas gerados e acarretar falsas estruturas. durante a fase de processamento sísmico. contanto que o intérprete tenha conhecimento da origem da tabela que irá usar. alguns interprete recorrem a tabelas de relação tempo/profundidade produzidas por antigos levantamentos de refração. serão sempre registrados em tempo e o processo de transformação para profundidade depende da existência de informações sobre a relação tempo/profundidade na área. não 36 A tendência crescente é que os dados sísmicos passem a ser apresentados e interpretados em profundidade.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.

Abril/2011 oferece a mesma precisão e depende intrinsecamente da qualidade dos dados sísmicos. informações geológicas envolvidas na relação TxZ Gera um cubo em profundidade.. Sua relação custo/benefício e 37 Figura 4. por isso sempre surge a questão: Qual a melhor opção? Qual a mais usada? Esta questão deve ser considerada no contexto da complexidade do comportamento de variação de velocidades da área estudada.. A tabela a seguir apresenta algumas das alternativas comumente usadas e suas características: Tabela TxZ Perfil sônico Sônico com interpolação Conversão com migração pré-empilhamento Velocidades de estaqueamento Normalmente proveniente de uma média de levantamentos de velocidade(LVV). Página Os VSP’s representam uma técnica bastante útil à área de caracterização de reservatórios e explotação de campos maduros. É de facil/rápida utilização para áreas sem grandes variações laterais de velocidades É mais apropriado para as relações pontuais nas circunvizinhanças dos poços desde que o perfil tenha recobrimento até a superfície(check shot) e as necessárias correções. É uma alternativa boa se a interpolação não for apenas “linear” mas incorporar através de métodos geoestatísticos. Schinelli . O uso de diferentes wavelets permite ao intérprete avaliar se o dado sísmico de que dispõe tem resolução suficiente.. Na ausência de poços ou outras fontes de informação pode oferecer uma aproximação razoável para a relação TxZ. schinelli@oi. O campo de velocidades determinado pelo dado sísmico depende da sua qualidade. afastamentos utilizados e pode também sofrer devido à falta de cobertura em áreas com obstáculos. tipo de informação disponível e natureza da interpretação que será desenvolvida.br . A presença de poços com check shot não garante efeitos associados a variações laterais de velocidade . A dificuldade é o controle tridimensional das velocidades a serem usadas.com. Todas as alternativas têm suas limitações.6 .Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. etc. informações de refração.1 – Comparação de diferentes fontes de relação tempo/profundidade. por exemplo. Tabela 4.Os sismogramas sintéticos também são elementos importantes para que se possa estimar o resolução que se precisa para resolver (identificar separadamente a reflexão de topo e base) determinada camada que se pretende investigar. etc. presença de múltiplas ou conversão P-S.

00 1.00 9. Krohn et al. Figura 4.00 6.00 0.00 0. July 1995.00 1. N.00 1. .00 1.00 2. Nunns.com.00 7.00 8.8 .00 7.00 6.effective reservoir imaging method using multiazimuth offset VSPs.00 3. Geophysical prospecting 1980. especialmente no Brasil.00 0. P. L. tratamento de amplitudes e outras.00 2.00 7. 1994. Bishop and ª G. Talvez por essa razão a técnica não seja tão difundida. Informações adicionais podem ser obtidas nos seguintes artigos: -Vertical seismic profiles: Their application in exploration geophysics.00 3.00 6. T.00 5. C. M.00 2.Abril/2011 relativamente mais baixa que a sísmica tradicional e de menor dificuldade ambiental.00 5.00 4.00 2. -Correcting amplitude.00 3.00 5. 7.00 Página 38 Figura 4. -A guide to current uses of vertical seismic profiles.br .00 6.A cost. E. Geophysics.. A grande dificuldade do uso de VSP’s reside ainda na dificuldade do processamento na separação de campos de ondas.00 0.00 4. 1985. Oristaglio. TLE.00 3.00 5. time and phase misties in seismic data. Geophysics.O mesmo mapa submetido a conversão para profundidade usando tabela relação T x Z constante (esquerda) e velocidades de processamento (direita) schinelli@oi. Schinelli .00 8.00 4.00 4.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.7 – Para correlação VSP/sísmica é recomendável usar diferentes bandas de freqüência já que poderá existir diferença entre a wavelet do VSP e a da sísmica de superfície.00 9. Kennett et al.

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CAPÍTULO 5 – A IMPORTÂNCIA DA FORMA DE REPRESENTAÇÃO DO DADO
SÍSMICO

Embora se observe clara tendência de muitos programas usados hoje em dia
procurarem automatizar a identificação de feições sísmicas que correspondam a alvos
do trabalho de interpretação, pode-se considerar que a maior parte do trabalho de
identificação de padrões ainda é feita visualmente pelos intérpretes, o que exige
especial atenção na hora de definir a forma de representação do dado sísmico. Esta
questão, que para alguns pode parecer de natureza “cosmética”, na verdade deve ser
vista com o máximo cuidado durante os trabalhos de interpretação. Escalas horizontal
e vertical de exibição, a forma de representação do traço sísmico, tabelas de cores e
outros aspectos que influenciam no aspecto com que aparecem mapas e o dado sísmico
podem e devem ser exaustivamente avaliados durante os trabalhos de interpretação,
sempre tendo em vista o tipo de feição que se quer identificar (Figura 5.1, abaixo).

A

B

C

D

Figura 5.1 – Diferentes formas de representação e tabelas de cores podem destacar ou
tornar menos perceptíveis feições sísmicas importantes para o intérprete. a) densidade
variável com tons de cinza; b)wiggle com tons de cinza; c)densidade variável com
paleta variável com 8 cores; d)densidade variável com tons de cinza e marcador
amarelo sobre as amplitudes mais fortes

Página

39

Por exemplo, durante a fase de identificação das feições macro estruturais, as escalas de
exibição do dado sísmico são significativamente diferentes das usadas durante o
mapeamento de detalhe como pode ser visto na figura 5.2. Dados sísmicos ou mapas de
amplitude podem destacar facilmente valores extremos com uso de marcadores na
tabela de cores. Para visualização de atributos complexos é preciso conhecer o intervalo
numérico que podem representar antes de escolher a tabela de cores mais adequada. O
ganho aplicado para exibição pode promover excessiva equalização, impedindo o
reconhecimento dos eventos sismicamente mais importantes ou destacando
desnecessariamente ruídos presentes na seção sísmica (Figura 5.3).

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Figura 5.2 – Diferentes escalas de exibição podem tornar mais evidentes ou sutis feições
estruturais como a falha indicada pela seta.

Página

Não há como negar o trabalho empírico que exigirá do interprete testar, no percurso de
cada trabalho, variadas escalas, fatores de ganho, tabelas de cores e outros parâmetros
que podem produzir resultados muito bons em um projeto, mas de pouca ajuda em
outra área ou em trabalho de diferente natureza. Também não podemos desconsiderar
o aspecto pessoal da forma de representação dos dados sísmicos. Embora exista um
conjunto básico de formas de representação usadas pela maioria, não podemos definir
um padrão que permita a qualquer intérprete trabalhar confortavelmente já que se trata

40

Figura 5.3 – Diferentes fatores de ganho de exibição podem tornar mais contínuos
determinados eventos sísmicos, mas amplificam também, ruídos ou outros eventos não
coerentes.

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da sensibilidade individual. Assim sendo, determinada tabela de cores pode produzir
um mapa com contrastes reveladores de certas feições, aos olhos de determinado
intérprete, mas que podem passar despercebidas por outro, especialmente àqueles
daltônicos...

Página

A Interpretação pode ser definida como uma técnica de identificação de padrões
geométricos nos dados sísmicos. Donde se depreende que as formas de apresentação
(wigle, densidade variável), escalas e outras têm particular importância para o
intérprete. E como o trabalho tem estratégia dinâmica durante a sua evolução é comum
a mudança na forma como o dado sísmico será representado. Por exemplo, em fase
inicial do trabalho, o intérprete trabalhará com escala que destaque as macro feições. No
decorrer do trabalho, já buscando o detalhamento de estruturas as escalas serão
otimizadas para identificação de mudanças sutis.

41

Figura 5.4 - A tabela de cores
usada no mapa apresentado
ao centro tem a mesma
quantidade de cores usada
na representação superior,
mas
com
distribuição
exponencial das nuances de
cinza, no intervalo de valores
que o mapa representa.
Como resultado as feições
alinhadas (que no caso
representam falhas) ficam
mais evidentes com a
segunda
forma
de
representação.
Na
parte
inferior é usada uma escala
de cores que não consegue
evidenciar tão bem as
descontinuidades, mas que
destaca de forma mais
eficiente os valores de
amplitude
extrema
(em
amarelo). Freqüentemente se
torna necessário representar
e analisar o mesmo mapa
com diferentes tabelas de
cores
para
evidenciar
diferentes feições em cada
um deles.

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Não só o dado sísmico. Questões até fisiológicas (como o daltonismo) podem determinar a preferência por determinada tabela de cores. Portanto não há receita para a escolha. direção da linha uso de marcadores e todos os recursos que possam ser usados para dar destaque as feições estruturais ou estratigráficas que se busca identificar.5 – Outro detalhe da diferença entre representação dos traços sísmicos em wigle (esquerda) e densidade variável. Cada pessoa tem uma acuidade e sensibilidade diferentes para cores e por isso podem preferir diferentes tabelas de cores. intervalo do atributo exibido e outros) obscurecer ou destacar diferentes situações geológicas Página 42 Existe um aspecto empírico e mesmo pessoal na escolha de tabelas de cores.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. O interprete deve experimentar diferentes apresentações do mesmo dado para escolher a que possa evidenciar com maior clareza as feições sutis que precisam ser identificadas. mas também diferentes mapas como os de tempo ou amplitude podem . Nos diferentes softwares de interpretação sísmica existem diferentes formas de representação do dado sísmico e cada forma de representação é mais apropriada a determinado propósito.br . a depender dos parâmetros de exibição escolhidos (escalas de cores. ainda que os objetivos de trabalho em termos de reconhecimento de padrões sejam semelhantes. Schinelli .Abril/2011 A representação dos dados diz respeito também a escola da tabelas de cores. Figura 5.com. schinelli@oi. escalas. O intérprete devera experimentar diferentes opções dentre as tabelas que normalmente são fornecidas nos sofwares de interpretação ou até mesmo editar a sua própria tabela.

43 Figura 5.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Schinelli .br . obtido com uso de diferentes escalas de cores. Normalmente a escala de cores usada para os dados sísmicos é diferente da escala usada em mapas.7 – Exemplo de destaque de amplitudes em mapa.O mesmo mapa com iluminações diferentes pode destacar ou esconder determinadas feições estruturais.6 – Diferença obtida pelo uso de duas diferentes escalas de cores. schinelli@oi. Os mapas de tempo ou amplitudes também precisam de escolha empírica da tabelas mais apropriada. Página Figura 5.Abril/2011 Figura 5.com.8 .

Abril/2011 Figura 5.br . Figura 5.Recursos simples como o uso de um marcador na escala de cores de determinado mapa em tempo pode facilitar o entendimento do relevo estrutural ou determinar os limites de determinado valor mapeado. Schinelli .11 – Recursos como transparência volumétrica permitem investigar de forma muito mais eficiente a conectividade em volumes 3D schinelli@oi.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.10 – A representação volumétrica facilita o entendimento do contexto estrutural e estratigráfico Página 44 Figura 5. alem de agilizar sobremaneira o trabalho de interpretação.9 .com. A representação volumétrica dos dados sísmicos é instrumento ainda mais poderoso para visualização do ambiente estrutural e inferências estratigráficas.

Na figura do lago esquerdo a superposição sobre círculos concêntricos da a impressão de que as linhas do quadrado são curvas.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. sobreposição de imagens. Já 45 Quando as indicações de profundidade são usadas de forma diferente nosso cérebro é confundido durante a interpretação das imagens formando as chamadas “ilusões de ótica”. Figura 5. Tais técnicas. como a estereoscopia. A combinação de habilidades humanas (pensamento + visão) permite a percepção tridimensional da natureza.br .Abril/2011 Representação Volumétrica – Existem vários recursos que são utilizados para otimizar a percepção visual do universo bi e tridimensional.com. schinelli@oi. etc). Schinelli . Exemplos podem sem observados nas figuras abaixo. Muitas formas de representação de imagens são bidimensionais (televisão. aumentar a percepção da realidade tridimensional. revistas. associadas à forma do nosso cérebro de interpretá-las é que nos fornece a percepção volumétrica ou 3D. etc. sombras. mesmo assim a ideia de tridimensionalidade ainda nos é transmitida através de técnicas de foco.12 – Recursos para percepção volumétrica Página Figura 5. Todos tem implicações e aplicações na interpretação sísmica volumétrica e tentam com recursos.13 – Exemplos de ilusão de ótica.

ou duplicação de imagens).14 – Diferentes técnicas de estereoscopia. separação espectral. Página 46 Figura 5. com filtros polarizadores nas lentes.com. Existe ainda técnica baseada no uso de video estereoscópios ou outros artifícios para que o cérebro mentalmente reconstitua a ideia de volume a partir das visões distintas. Outra alternativa utiliza a polarização da imagem. na qual cada olho observa o objeto alvo de forma diferente. os polaroides ou a holografia (com uso de laser para sistema de projeção). schinelli@oi. Outra técnica é baseada na separação por membranas polarizadoras da direção da luz.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Dentre eles estão a estereoscopia (por difração. sendo no cérebro formada a composição de percepção 3D.br . muitos são os esforços para gravação/reprodução de imagens com fidelidade à percepção humana. A estereoscopia com anáglifos usa recursos de separação por membranas polaroide com cores diferentes. Schinelli . sincronizada com óculos obturadores sincronizados (de cristal líquido) cria a percepção volumétrica através da alternância da projeção das imagens polarizadas (60 Hz p/ cada olho) nos chamados ambientes de estereoscopia ativa. Reconhecendo a importância da percepção tridimensional na interpretação da natureza.Abril/2011 a superposição dos soldados sobre perspectiva leva a impressão de que eles tem dimensões diferentes.

Portanto não basta o processo mecânico de identificação de falhas. Nos softwares de interpretação normalmente tais horizontes recebem um “nome” identificando a unidade estratigráfica/litológica aos quais estejam associados. Fazendo uma analogia com o capítulo 7. do horizonte interpretado. o intérprete terá total liberdade para estimar o estilo das falhas presentes na área de estudo. Os horizontes são também confundidos com a representação geométrica em determinada área.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo CAPÍTULO 6 – INTEPRETAÇÃO ABGP Marco C. Grid do horizonte: Regularização espacial (normalmente usando algum algorítimo de interpolação) do horizonte interpretado. de determinado evento sísmico calibrado por um processo de correlação perfil-sísmica. Para tal é indispensável que a atividade de correlação rocha/perfil/sísmica tenha sido executada.com. É necessário que a solução estrutural que se proporá esteja em sintonia com o que já sabe sobre a bacia. exige que se tenha confiança de que a evolução da bacia deu margem à existência de todos os ingredientes necessários ao desenvolvimento deste tipo de mecanismo de sedimentação. corpos intrusivos.1 Mapeamento de horizontes Página 47 No jargão da interpretação sísmica chamamos de horizontes a reflexões observadas no dado sísmico e que tenham significado estratigráfico e/ou litológico e que se estendam por determinada área. dobras. uma falha que ocorra em bacia onde não se teve até então qualquer indicação de esforços compressionais. etc.br . e que representa uma unidade litológica ou estratigráfica de interesse. é uma possibilidade. normalmente usada para efeito de representação gráfica em visualização 3D. e de alta densidade amostral. Outras definições do jargão da interpretação sísmica: Horizonte: Representação espacial de determinada reflexão de conotação estratigrafia e/ou litológica e que tenha sido interpretada no dado sísmico 2 ou 3D. onde abordaremos as ferramentas da sismoestratigrafia. Superfície: Uma representação regular. pois podem levar (e precisam estar muito bem justificadas) a novo entendimento sobre a evolução da bacia. Schinelli . mas classificar como reversa. identificar feições sismoestratigráficas indicadoras de um sistema deltaico. Apenas para citar um exemplo. schinelli@oi.Abril/2011 SÍSMICA ESTRUTURAL Uma parte significativa do tempo do intérprete é devotada à identificação do comportamento estrutural dos estratos sedimentares e do seu contexto deposicional. 6. Da mesma forma conhecimentos prévios sobre a evolução geotectônica e estilos estruturais decorrentes serão muito bem vindos nesta fase do trabalho. para que o intérprete possa ter confiança de que irá avaliar o comportamento de evento sísmico que corresponda ao objetivo geológico foco de sua investigação. mas que exige muito cuidado.

br . etc. Uma vez identificado o horizonte sísmico que corresponda ao nosso objetivo geológico deve-se iniciar o que. definindo em que porções da bacia são mais expressivos. Podemos chamar esta linha de “linha de amarração”. talvez seja mais eficaz interpretar um marco geológico cronologicamante próximo a tais eventos e de ocorrência em toda a área. Hoje. a partir de qual propagaremos nossa interpretação para outras áreas do dado sísmico. no jargão da interpretação sísmica. Na existência de vários poços.2 Rastreamento manual e automático de horizontes.Abril/2011 Que horizontes mapear ? A resposta para esta questão depende fundamentalmente do objetivo do trabalho do intérprete. para os quais se tenha desenvolvido o estudo de correlação rocha/sísmica. é chamado de rastreamento de horizontes. 6. o embasamento que representa o fim da sequencia sedimentar.Sendo a primeira vez que trabalha naquela bacia espera-se que sejam mapeados os horizontes que definam os limites da sequencias estratigráficas. como marcadores que correspondam a superfícies máximas de inundação. muitos softwares possibilitam a automatização desta etapa.com. será indispensável que se inicie a interpretação por linhas sísmicas que passem por aquele poço de amarração.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. se procura identificar reservatórios associados a cânions confinados ou canais meandrantes. schinelli@oi. especialmente quando a qualidade sísmica é boa.15). Schinelli . Essa atividade consiste no conjunto de operações que tenha o propósito de definir o comportamento estrutural do horizonte a ser mapeado na área. Página 48 Linha(s) de amarração – Na existência de poços. será possível criar uma linha arbitrária que passe por todos os poços que tenham constatado a ocorrência daquele objetivo geológico que será rastreado na área. Muitas vezes os horizontes mais importantes são os que delimitam os plays exploratórios mais significativos. Já. já que os algorítimos de automatização do rastreamento se baseiam pouca invariabilidade da fácies sísmica que representa o horizonte a ser mapeado. e que possa ser usado para uma análise com ferramentas específicas para a investigação estratigráfica por como os surface slices (Fig 6.

já que normalmente os programas só reconhecem automaticamente linhas e traços em direção associada ao grid de processamento. conforme mostramos na figura 6. – Figura 6.Exemplo de linha arbitrária passando por poços e que pode ser usada como linha de correlação entre a sísmica e o objetivo geológico do processo de interpretação. Schinelli .br . Normalmente os horizontes definidos nos programas de interpretação têm atributos próprios como o nome (em outro capítulo falamos sobre a padronização de elementos de interpretação). mínimos. e que foi devidamente correlacionado com o marcador correspondente em três poços.Abril/2011 Figura 6. etc.1 . Página 49 Para dar continuidade à interpretação. o horizonte a ser mapeado será estendido em várias direções. a partir de outras linhas que passem pela nossa linha de amarração. A linha amarela indicada pela seta mostrada na figura acima corresponde ao horizonte que será propagado para toda a nossa área. schinelli@oi.2). Tais atributos são importantes seja sob a ótica da padronização.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Convém preservar as coordenadas desta linha arbitrária. o comportamento de amplitude do evento sísmico ao qual estão associados (valores máximos. seja para definir o comportamento dos programas durante os processos de automatização da interpretação que veremos a seguir. a cor de sua representação nas seções sísmicas.5.com.

Já o rastreamento automático usa algorítimos de identificação de semelhança entre traços adjacentes para estimar. Observe que no segundo caso. Já durante a interpretação manual feita na seção a direita. o posicionamento do horizonte. a partir de um ponto inicial (normalmente chamado de semente) definido pelo intérprete.com. sempre definindo em cada traço o seu posicionamento em uma amplitude mínima (cores vermelhas) que é o atributo característico daquele horizonte.br . com o posicionamento em traços intermediários sendo feito por interpolação).Abril/2011 Figura 6.2. Schinelli .3). antes de iniciar a propagação da semente para as áreas vizinhas do ponto semente (figura 6. a partir de um ponto semente (circulo preto). muitas das posições do horizonte interpretado violam a característica de amplitude (mínimo) definida para o horizonte. mas com a interpretação manual. o intérprete definiu a posição do horizonte em cada traço (ou em traços afastados. o horizonte pode ter sido definido como de amplitude máxima. o intérprete pode posicionar o horizonte em pontos que violem aquela característica do horizonte. Durante o processo automatizado será rigorosamente observado o atributo de amplitude definido para o horizonte. o posicionamento do horizonte nas duas direções mostradas pelas setas. schinelli@oi.2 – Diferentes atributos de amplitude (onset) usados para horizontes sísmicos No rastreamento manual o intérprete define exatamente a configuração geométrica do horizonte.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. conforme observamos na figura 6.3 – Diferenças entre processo manual e automatizado para rastreamento de horizontes. ainda que ela não esteja ajustada a um determinado evento sísmico. ainda que o ponto de semente for definido em um zero cross. Por exemplo. se o horizonte tiver sido definido como um horizonte de valores máximos. Dessa forma. 50 Figura 6. o processo automatizado irá procurar o máximo mais próximo. Página Na figura a esquerda o processo automatizado identificou. definido pelo intérprete.

c) Naquelas situações em que a interface a ser mapeada não seja sismicamente visível.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.4) do processo automatizado. conforme observamos na figura 6.Abril/2011 Normalmente o processo de rastreamento manual é usado em áreas de qualidade sísmica pobre.com. uma boa alternativa é usar um “horizonte fantasma”. ou seja. 6.4 – Rastreamento automatizado em áreas de qualidade sísmica pobre ou com grande variação de sismofácies. face às dificuldades (e chances de erro. Durante a interpretação voce pode desistir de uma nova estratégia de interpretação e desejar voltar à solução anterior.3 Métodos para redução da incerteza no processo de rastreamento de horizontes A facilidade de rastreamento de horizontes depende obviamente da qualidade sísmica e características da interface que se pretende mapear algumas recomendações podem ajudar nesta tarefa: Página 51 a) Conheça a natureza física da interface que pretende mapear. d) Ao final do rastreamento observe o mapa de progresso (mapa base indicando as linhas sísmicas para as quais o horizonte objetivo já foi interpretado) do horizonte mapeado para avaliar a existência de possíveis erros em sua interpretação. mapear a interface mais próxima e que seja facilmente rastreável e criar posteriormente um horizonte fictício na posição (especialmente se o afastamento do nosso horizonte objetivo para o horizonte guia for constante) do horizonte desejado. Schinelli . f) Crie cópias de segurança do horizonte mapeado (backup). ou influenciada por tuning associado a pequenas espessuras ou provocado por interfaces vizinhas.br . Figura 6. mas com baixo contraste de impedância e principalmente se sua correlação rocha/perfil/sísmica está correta. b) Não se deixe tentar pelo uso de rastreamento automático sem fazer crítica posterior aos resultados e implementar correções onde necessárias. schinelli@oi. Verifique ainda se a interface é apenas de variação litológica. Existe contraste significativo de impedância? Ele é constante em toda a área ? Se possível faça alguns sismogramas sintéticos para avaliar se a interface é bem isolada.

Apresentaremos algumas opções características de softwares de interpretação plana. para a qual o horizonte já tinha sido interpretado. a seta branca indica o ponto onde a L2 intercepta a L1. entre linhas onde o horizonte já foi interpretado. que pode agora ser rastreado na linha L2 como observado na seção inferior. deve-se iniciar o que.br . O processo continua e 52 O horizonte rastreado ao longo de uma linha servirá como semente para o rastreamento em nova linha posicionada em outra direção (normalmente perpendicular). Schinelli . Página Figura 6. com outras onde ainda será rastreado. 6.com. Tais interseções (figura 6. As opções de exibição de linhas sísmicas têm papel importante na confiabilidade do trabalho re rastreamento.5.4 Uso de interseções. schinelli@oi. Aquele ponto de interseção serve de semente para que o identifiquemos a posição do horizonte na linha L2.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Na seção do meio.5). no jargão da interpretação sísmica.Abril/2011 g) Aumente gradativamente o nível de detalhe com que interpreta seu horizonte. é chamado de rastreamento. são importantes elementos para aumento da segurança no processo da interpretação estrutural. Uma vez identificado o horizonte sísmico que corresponda ao nosso objetivo geológico.

Analogamente é como se alguém saísse para um passeio em volta do quarteirão. O horizonte é interpretado naquela linha e depois se verifica a posição de cruzamento do horizonte com linha que cruze a primeira (L2). que volta finalmente a ser propagado pela linha L4. Schinelli . Este recurso.5 Uso de combinações de seções verticais e de time slices.Abril/2011 podemos agora chamar outra linha que intercepte a linha L2. até que o horizonte seja propagado para a linha inicial (L1) e que deverá encontrar o ponto semente na mesma posição (mostrado pela elipse amarela). o loop não fechou. schinelli@oi. pois como se diz no “jargão”.6 – Uso do loop para aumento da segurança na interpretação de horizontes A interpretação se inicia com a determinação de um ponto semente na linha L1. Página 53 Esse recurso pode agilizar o trabalho de interpretação pois permite propagar a interpretação de uma linha. para uma linha muito distante da inicialmente interpretada. o intérprete teria que rever sua interpretação.br .com.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Dando continuidade ao processo o rastreamento é propagado para a linha L3. também chamado de seção “em cadeira” usa o time slice como elemento de conexão e garantia de que o rastreamento se mantenha no mesmo evento sísmico. Uso do “Loop” Figura 6. o que significa que ele tomou um caminho errado. agora na linha L2. 6. A partir da posição de cruzamento é retomado o rastreamento. mas não chegasse ao ponto de partida. e com bastante segurança. e a partir dela propagar o rastreamento do horizonte em outra direção. Caso o transporte do horizonte da linha L4 para a linha L1 não tivesse encontrado o ponto semente. rapidamente.

Abril/2011 Figura 6. schinelli@oi.7 – O uso combinado de seções verticais e time slices agiliza e dá maior segurança no processo de interpretação. Quando a precisão não for possível devido a qualidade sísmica pobre ou dado sísmico muito ruidoso.br . Schinelli . interpolação e/ou suavização.com.6 Extração de amplitudes Página 54 Na medida do possível a extração de amplitudes deve ser feita em horizontes que foram rastreados com processos automatizados. No horizonte amarelo mostrado na figura 6. podem ser extraídas amplitude médias em janelas em torno do horizonte objetivo. já no horizonte inferior a amplitude não terá significado muito litológico e poderá ser avaliada utilizando a média dos valores de amplitude em uma janela localizada ao redor do horizonte. Da mesma forma devem-se evitar fazer extração de amplitudes em horizontes que tenham sido submetidos a processos de clip. com espessura entre oito e 40 ms de largura. Dessa forma o mapa de amplitudes não será contaminado pelo "bias" da interpretação manual. 6.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. centrada ou não no horizonte guia.8 a extração de amplitudes será mais facilmente correlacionavel às variações associadas à interface.

com. schinelli@oi. O mapa de amplitudes extraída do horizonte inferior não parece ter característica geológica.8 – Efeitos da extração de amplitudes de horizontes mais ou menos ruidosos.Abril/2011 Página 55 Figura 6.br . Schinelli .Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.

entre o bloco baixo e alto de uma falha. Tais elementos geológicos introduzem muita incerteza na definição da continuidade dos horizontes sísmicos. características de ambientes compressionais. com sísmica 2D. mesmo com sísmica 3D. além da escassez de informações existe o problema da disposição nem sempre adequada. algumas delas já abordadas.7 Interpretação de falhas Abordaremos agora as técnicas para interpretação de falhas e de outros elementos geológicos que impõem descontinuidade aos horizontes sísmicos.Padrões de falhamento mais comuns. Figura 6. schinelli@oi. ou de cada lado dos flancos de um domo de sal. Schinelli . Por isso.Abril/2011 6. como a interpretação de horizontes em loops. existe até a possibilidade de que não possam ser identificadas. podem eventualmente ser identificadas falhas reversas. tão importante quanto o reconhecimento de falhas.br .Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. são as técnicas que garantem redundância na interpretação. Portanto a primeira etapa para a identificação de falhas é a escolha da direção apropriada das linhas sísmicas. e já que nem todas as linhas serão perpendiculares as falhas.9 . O intérprete deve ter em mente que mesmo em ambientes distencionais.com. Os padrões de falhamento esperados para a área de trabalho depende do contexto tectono sedimentar de evolução da bacia. sólidos conhecimentos sobre os padrões de falhamento que podem ser esperados para aquele tipo de bacia (figuas 6. Página 56 A interpretação de falhas é naturalmente mais segura em dados sísmicos densos e com boa qualidade. especialmente onde a qualidade sísmica não é boa. ou que tenham geometria sinuosa o que também torna difícil sua identificação. ou o uso de polígonos de correlação. cuja correlação nem sempre é evidente.9). das linhas em relação ao strike das falhas. Já. especialmente facilitada para dados 3D. Por isso é indispensável. que serão mostrados mais adiante.

Outra alternativa é observar o fechamento (ou não) de loops durante a interpretação o que pode ser indicativo de falha.13). Schinelli . que é a representação geométrica da falha nas seções verticais. Alguns atributos sísmicos como os cubos de coerência. também são ferramentas poderosas. especialmente para identificação de falhas de pequeno rejeito.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. difíceis de identificar/interpretar visualmente (figura 6. consiste na confecção de várias linhas (3D) dispostas radialmente em relação ao ponto onde se suspeita existir a falha e que aparecerá tão mais claramente quanto mais perpendicular for a linha. principalmente disponíveis para sísmica 3D.Abril/2011 Figura 6.com. voltado ao posicionamento mais preciso do traço de falha. O polígono de correlação é um “pedaço” do dado sísmico extraído do bloco alto (ou baixo) da falha e deslocado até o bloco oposto para as necessárias correlações (figura 6. schinelli@oi.12). em relação ao seu strike (veja exercício correspondente).br . Outro recurso interessante. Os cubos de coerência facilitam a identificação de falhas de pequeno rejeito. Ele reduz a incerteza na continuidade da interpretação de horizontes quando atravessa uma falha. O adensamento de curvas de contorno em mapas estruturais também pode ser indicativo da presença de falhas.10 – Falha identificada em foto aérea da superfície de Marte com o satélite MRO (Mars Recoinassance Orbiter) Página 57 Nos diferentes softwares existem muitos recursos úteis à identificação de falhas.

Figura 6. e funcionam como análise espacial da correlação.A seção sísmica do lado esquerdo é semelhante. em domos e sal ou ainda nas variações da qualidade do dado provocada por variações litológicas e/ou estratigráficas. Podem destacar a presença de falhas. observamos um polígono de correlação. com diferentes escalas de cores. indicar eventos de alto mergulho ou áreas com ausência de reflexões. Convém destacar que outras situações são também passíveis de apresentar anomalias de similaridade como. e que permite extrair um pequeno retângulo da linha sísmica e compará-la com o bloco do lado oposto para definir com precisão a continuidade dos horizontes que estão sendo interpretados. à seção mostrada do lado direito da figura. Já na seção do lado direito.br . por exemplo. Schinelli .A mesma seção sísmica.11 . Um exemplo é o cubo de coerência Os processos chamados para geração dos cubos de coerência são também chamados de ESP (Event Similarity Prediction). por exemplo: footprints ou regiões de artefatos do processamento como nas franjas de migração. pode tornar uma falha mais ou menos visível. mas com variações litológicas schinelli@oi. Página 58 Alguns atributos são mais adequados para a interpretação de falhas. o que pode tornar a falha mais ou menos visível.12 . revelando pequenos ou grandes variações de comportamento estrutural ou estratigráfico. exceto pela escala. áreas de traços ruidosos e ainda regiões sem falhas ou estruturações significativas.com. recurso interessante para interpretação de falhas.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.Abril/2011 Figura 6.

Em muitos dos softwares de interpretação as falhas são interpretadas em seções verticais. schinelli@oi. Figura 6. como ocorre com as seções sísmicas verticais. através dos chamados traços de falha que indicam a projeção do plano de falha na seção sísmica vertical.15. Página 59 A interpretação de falhas também é muito facilitada pelo uso de time slices. Uma vez gerados os atributos eles podem ser avaliados de variadas formas como em seções verticais ou principalmente em time slices.com.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. nos cubos de coerência elas aparecem de forma anômala conforme observamos na figura 6. Na figura 6.13 . Considerando-se que as falhas são áreas de descontinuidade. a expressão da falha interpretada na seção vertical. A repetição da interpretação da falha em outras seções sísmicas paralelas.14. pois eles não dependem. conforme observamos na figura 6.Seção sísmica em amplitude (superior) e em coerência (inferior).16 observamos no time slice.br . possibilitam a construção dos planos de falha. da escolha de direção mais apropriada para a identificação das falhas e permitem muitas vezes a imediata definição do strike das falhas. Schinelli .Abril/2011 e/ou estratigráficas. e que depois são conectados e interpolados.

Página 60 Figura 6.br . schinelli@oi.O time slice retirado de um cubo de coerência permite identificar com maior precisão o strike de falhas de pequeno rejeito.Na seção sísmica vertical são traçados os traços de falha cuja interpretação em linhas subseqüentes.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.16 .14 .O time slice inserido na figura a esquerda permite identificar Imediatamente a variação (sinuosidade) no strike da falha. Figura 6.com.15 . Schinelli . permite a posterior interpolação e identificação do plano de falha mostrado na figura a direita.Abril/2011 Figura 6.

e que se observe a possível variação de amplitudes entre os blocos diferentes.por exemplo. é fundamental que a migração pré-empilhamento em profundidade seja confiável.17 observamos uma zona de transferência. ou quase sub-sísmicas.br . o que pode não ser verdadeiro. a possibilidade de interpretação de falhas de pequeno rejeito. dos horizontes que atravessam a falha. podem ocultar pequenas falhas.Exemplo do risco da correlação de falhas interpretadas em linhas 2D. que se possa avaliar com planos sísmicos ao longo da falha o posicionamento relativo entre os blocos. quando se considera que duas falhas observáveis em linhas 2D próximas são a mesma falha. mas que são particularmente importantes para otimizar o processo de desenvolvimento de produção. Na figura 6. que podem não ser tão importante sob a ótica exploratória.Abril/2011 Conforme comentamos. mais fácil identificar falhas de pequeno rejeito. Esse tipo de erro pode levar o intérprete a identificar fechamento estrutural onde ele inexiste. a interpretação de falhas quando se dispõe apenas de linhas 2D. Schinelli .com.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Existem também outros atributos apropriados à identificação de falhas como. Tal variação de amplitude pode revelar diferentes pressões de reservatório e ajudar a inferir sobre a característica selante da falha. Um dos aspectos mais difíceis na interpretação de falhas é a estimativa de seu rejeito e verificação da relação lateral de posicionamento entre reservatórios e formações impermeáveis. onde a intensidade de processos como o para aplicação de estáticas residuais ou filtros de coerência voltados ao aumento da relação sinal/ruído. que possam conferir à falha papel de selo ou conduto. pode levar a correlacionarmos as duas falhas como pertencentes ao mesmo plano. depende do fluxograma de processamento. Aliás. a absorção ( fator Q) que normalmente apresenta comportamento anômalo em zonas de falhas. que amostrada por linhas sísmicas 2D diferentes.17 . ou ainda o nível de energia que também sofre variações perceptíveis nas zonas de falhas. Quanto maior a resolução espacial e temporal. Figura 6. Para tal controle. Página 61 É importante enfatizar que a precisão na interpretação de falhas depende da resolução dos dados sísmico de que se dispõe. sem que tenhamos elementos para identificar a zona de transferência. impõe risco associado à correlação falsa. schinelli@oi.

especialmente quando se usa dados sísmicos 2D.18 . Uma forma de se evitar tal problema é prestar especial atenção as variações inexplicáveis de rejeito ao longo da falha schinelli@oi. permite identificar com maior acurácia o complexo sistema de falhas. Página 62 A resolução horizontal tambem pode. mostrado na figura a esquerda. como se fosse um único plano devido à inobservância das zonas de transferência entre falhas.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. levarem a interpretação equivocada pela conexão de vários planos independentes.19 – As falhas sindeposicionais são na realidade compostas de sucessivos falhamntos que podem ou não estar conectados.br . Schinelli .O dado com maior resolução espacial e temporal. Figura 6.com.Abril/2011 Figura 6.

Os cubos de coerência também são ferramentas poderosas especialmente para identificação de falhas de pequeno rejeito. conforme constatado no time slice.com. Outras vezes sua presença se manifesta tão somente por uma perda de continuidade e/ou qualidade sísmica que pode equivocadamente ser associada a presença de falhas ou mesmo a falta de cobertura do dado sísmico devida à obstáculos na superfície. Adensamento de curvas de contorno em mapas estruturais também pode ser indicativos da presença de falhas.O Domo de sal é facilmente identificável no time slice à direita.8 Interpretação de dobras e intrusões Página 63 Normalmente a identificação de dobras e intrusões é feita em isotempos (time slices – figura 6. fica mais fácil identificar a presença de tais elementos do que em seções verticais. Naquele domínio. Outro erro comum é associar escapes de gás com a presença de intrusões pois a descontinuidade pode induzir a esse erro especialmente quando não se tem um cubo de onda convertida que é menos afetado pelo fenômeno. Muitas vezes diápiros de folhelho. difíceis de identificar/interpretar visualmente. Observar que o horizonte de alta amplitude do lado esquerdo do domo. Outro recurso interessante é a confecção de várias linhas(3D) dispostas radialmente em relação ao ponto onde se suspeita existir a falha que aparecerá tão mais claramente quanto mais perpendicular for a linha em relação ao seu strike(veja exercício correspondente). Nesses casos pode ser recomendado um tratamento do dado sísmico de forma a destacar variações de razão sinal/ruído. Outra alternativa é observar o fechamento (ou não) de loops durante a interpretação o que pode ser indicativo de falha.Abril/2011 Figura 6. ou através do uso de horizon ou stratal slices.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Nesses casos a comparação de schinelli@oi. domos de sal diques e entes geológicos similares provocam segmentação e arqueamento de estratos adjacentes. não se estende para o seu lado direito. 6. principalmente disponíveis para sísmica 3D. Os cubos de coerência facilitam a identificação de falhas de pequeno rejeito.20). variações na coerência espacial ou mesmo no conteúdo de freqüências do dado sísmico. Existem muitos recursos úteis à identificação de falhas. Schinelli .br . O polígono de correlação é um “pedaço” do dado sísmico extraído do bloco alto (ou baixo) da falha e deslocado até o bloco oposto para as necessárias correlações.20 . o que tambem pode servir de critério para sua identificação e delimitação.

com.21 – As estrutura dômicas são facilmente identificáveis e mais fáceis de delimitar no time slice à direita.br . schinelli@oi.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Schinelli . Página 64 Figura 6.Abril/2011 cubos com diferentes afastamentos fonte-receptor também ajuda na identificação dessa feições.

Schinelli . quimoestratigrafia e outras. Hoje os recursos tornam ainda mais segura e poderosa. 2008). a partir de material sedimentar em suspensão decantado no fundo da bacia. juntamente com Mitchum e Thompson em 1977. tem severas desvantagens em relação à sísmica 3D. Já um diápiro de folhelho ou domo de sal pode se destacar da sismofácie sísmica circundante pela total ausência de reflexões. sedimentologia. que se desenvolvem como resposta às variações do suprimento de sedimentos e criação de espaços para sua acumulação (Posamentier e Allen. e que por razões que serão adiante abordadas. É importante destacar que um mesmo padrão sedimentar pode gerar sismofácies diferentes. como ocorre em depósitos turbidíticos. e apresentados formalmente para a comunidade geocientifica. no Memoir 26 da America Association of Petroleum Geologists.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. cronoestratigrafia. contribuíram para o desenvolvimento da sismoestratigrafia no contexto de suas pesquisas na área da estratigrafia de sequencias. Página 65 Sismofácies: É a expressão sísmica do fácies sedimentar em seções verticais ou horizontais (Schinelli. Muitos outros cientistas como Posamentier. assim como podemos inferir que ambientes deposicionais diferentes podem produzir sismofácies semelhantes. Por exemplo. com foco em metodologia exploratória a ser aplicada pelos profissionais da Exxon. e por isso muitas vezes confundida com o próprio processo de análise estratigráfica de sequencias. Certamente nesse contexto é uma das metodologias mais importantes. Galloway. 1999). Muito das metodologias de trabalho desenvolvido pelos pioneiros da sismoestratigrafia foram baseados em sísmica 2D. 2010).com.br . um conjunto de reflexões caóticas pode caracterizar ambiente deposicional com alta energia de transporte e fluxo.Abril/2011 CAPÍTULO 7 – INTERPRETAÇÃO SISMOESTRATIGRÁFICA A sismoestratigrafia é uma técnica das mais poderosas para subsidiar o exploracionista na análise estratigráfica das sequências deposicionais. Já um canal meandrando em vale inciso pode resultar em sismofácie característica que normalmente só é reconhecida nas seções transversais ao canal. Reflexões plano-paralelas podem representar depósitos feitos em condições de águas profundas. Antes de explorarmos os recursos da interpretação da análise estratigráfica com suporte sísmico vamos apresentar algumas definições básicas que serão utilizadas ao longo deste capítulo: Estratigrafia de sequências: A análise de padrões cíclicos de sedimentação que estão presentes em sucessões estratigráficas. em trabalho intitulado “ Seismic stratigraphy and global changes of sea level”. junto com a bioestratigrafia. muitas vezes de alta resolução agora disponível. Os conceitos básicos da sismoestratigrafia foram aprofundados por Peter Vail nos anos 70. a utilização dos dados sísmicos para suporte estratigráfico. mas também importante para o contexto de produção. Catuneanu e outros. Sismoestratigrafia: Definição da relação temporal de sequencias sedimentares com base na inter-relação geométrica exibida no dado sísmico (Schinelli. Alem disso a sismofácie naturalmente depende das schinelli@oi. se consolidando assim como imprescindível ferramenta exploratória.

Nível de base: Superfície de equilíbrio entre erosão e deposição (Cross. fisiografia. Schinelli .Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. 1999).2 exemplifica os fenômenos de regressão e transgressão. definição dos limites de sequencias através de terminações ou contatos entre reflexões. a partir dos dados sísmicos. após Posamentier . Tratos deposicionais: Resposta sedimentar específica à interação entre fluxo. de referência global. Agradação: Criação de espaço para deposição sedimentar. diversidade azimutal e razão sinal/ruído.Abril/2011 características do dado sísmico disponível. de informações sobre a estratigrafia de uma área (informações sobre a existência de hiatos deposicionais. A figura 7. tectônica e aporte sedimentar. por isso a identificação da sismofácie exige avaliação do seu comportamento com linhas sísmicas em diferentes direções para uma correta caracterização (Figura 7. sem identificação da causa específica. ou Superfície dinâmica. tais como time. sistemas deposicionais predominantes.br Página A sismoestratigrafia colabora com a estratigrafia de sequências que é a técnica para a correlação de pacotes sedimentares geneticamente relacionados (seqüência) utilizando um arcabouço cronoestratigráfico formado por discordâncias e/ou conformidades relativas e o estabelecimento de uma predição litológica mutável no tempo e no espaço utilizando os conceitos de eustasia.estratigrafia de sequências). horizon ou stratal slices também pode ser definida como a sismofácie. (Peter Vail . etc) .com. energia do ambiente e mudanças na acomodação (Posamentier e Allen. mas em função de combinações de fatores como a eustasia e mudanças do nível de base. muitas vezes também chamada de textura sísmica.1) Vale ainda destacar que a sísmofácie não se limita ao comportamento de sequencias geneticamente relacionadas observado apenas nas seções sísmicas verticais. 2006) Transgressão: Processos erosivos e sedimentares. se dip ou strike em relação ao eixo deposicional. A representação sísmica observada em seções horizontais. tratos. formalmente denominados e hierarquizados pela litoestratigrafia tradicional. 66 Definição: Uso de diversas técnicas para obtenção. normalmente associado ao aumento do nível de base. que ocorrem quando acomodação é criada mais rápido do que é consumida pelo processo de sedimentação. são reveladoras do desenvolvimento estratigráfico. na qual os processos sedimentares e erosivos em áreas continentais e a agradação marinha tendem a ocorrer (Cataneanu. Ela enfoca os pacotes sedimentares como unidades genéticas dinâmicas no tempo e no espaço e não como pacotes litológicos estanquemente empilhados. Outro aspecto normalmente negligenciado é de que a sismofácie pode diferir a depender da direção de análise do dado sísmico. principalmente resolução. Sistemas deposicionais schinelli@oi.1991). que ocorrem quando o processo de sedimentação é mais intenso do que a agradação gerada e que normalmente estão associados ao rebaixamento do nível de base. 1970. são fenômenos erosivos e sedimentares. Regressão: Ao contrário da transgresão.

Paralela (Paraconformidade). Erosiva. Três são os tipos de lapout (onlap.É a terminação lateral dos estratos. alem de outros elementos importantes para definir o potencial petrolífero de determinada área. Uma seqüência pode envolver parte. etc.Abril/2011 Padrões de truncamento: Desconformidades. visíveis em diferentes escalas. Truncamento . baselap.1). (figura 7. etc. Lapout é a terminação lateral de um estrato no seu acunhamento deposicional. Schinelli . Tais ambientes são identificados pelas estruturas sedimentares características.É uma unidade estratigráfica composta por uma sucessão de estratos concordantes. Litológica.1996) Ambiente deposicional: Refere-se a determinado ambiente da superfície terrestre. Alguns tipos de sistemas: Eólico. A identificação do sistema deposicional predominante em determinada área. truncados por erosão de sua posição sindeposicional original.br . O reconhecimento dos limites de seqüência (discordâncias e/ou concordâncias relativas) em seções sísmicas é baseado em reflexões que representam terminações laterais de estratos. Em alguns casos. Hiato é o espaço de tempo geológico não representado por estratos devido à erosão ou não deposição. deltaico.É uma superfície de erosão ou não deposição que separa estratos mais jovens dos mais velhos e representa um hiato significativo. podendo ser sindeposicionais (lapout) ou erosivas (truncamento). Entende-se por concordância relativa à superfície conforme correspondente a uma discordância. limitada por discordâncias ou suas concordâncias relativas. toplap. permite predizer os tipos litológicos predominantes. químicas e orgânicas que se diferem das áreas adjacentes. Fluvial. Página Sequência deposicional . lagunar. paraconformidades. 67 Significado de alguns padrões de truncamento: schinelli@oi. Diastema. Evaporítico. Tipos de Discordância: Angular. downlap e toplap).1 – Padrões típico de terminações (modificado de Emery e Myers. onde predominam processos interdependentes de condições físicas. geneticamente relacionados.com. Figura 7. distribuição de geradoras. uma ou mais formações litoestratigráficas Discordância .Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. a distinção entre toplap e truncamento poder ser de difícil percepção. discordância angular. selos e reservatórios e sua relação.

decomposição espectral e outros recursos. Downlap . downlap (setas brancas) e onlap (setas amarelas na seção à direita). contra uma superfície horizontal ou inclinada. Muitos dos conceitos da sismoestratigrafia foram definidos a partir de linhas sísmica 2D. Schinelli .2 – Alguns exemplos de contatos que indicam processos sedimentares de contexto sequencial: offlap (setas verdes).3.Abril/2011 Onlap . mas que não são muito apropriadas para identificação de contatos ou uso de técnicas mais recentes que exigem dados volumétricos.com.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Tipicamente representa um intervalo de "bypass" durante a sedimentação onde o nível de base esta muito baixo.br .É a relação na qual a terminação de reflexões é interpretada como estrato sendo truncado contra uma superfície sobrejacente. O padrão onlap significa um hiato deposicional de duração crescente na medida que estratos mais novos terminam contra uma superfície pré-existente. conforme demonstrado na figura 7. 68 • Página • schinelli@oi.É uma relação na qual estratos inicialmente horizontais terminam progressivamente contra uma superfície inicialmente inclinada. mergulho abaixo. O padrão toplap representa um hiato de duração decrescente na medida que estratos mais novos terminam contra a superfície pré-existente sobrejacente Figura 7. Estratégias para identificação de ambientes típicos baseados na variação de amplitude. não são aplicáveis para interpretação sismoestratigráfica em seções sísmicas 2D. análise volumétrica. Toplap . Este padrão representa um hiato deposicional de duração crescente a medida que estratos mais jovens terminam contra uma superfície pré-existente. ou na qual estratos inicialmente inclinados terminam progressivamente mergulho acima contra uma superfície de maior inclinação. Basicamente as dificuldades da sismoestratigrafia em seções sísmicas 2D podem ser decorrentes de: • A direção da aquisição sísmica das linhas 2D pode não ter sido favorável para a identificação de contatos/terminações típicas.é uma relação na qual as reflexões sísmicas de um estrato inclinado terminam.

hummockey. Figura 7. Classificação automática de sismofácies com ou sem calibração de poços. mas que. etc). Alguns exemplo de técnicas usadas: 69 • • • • Mapas de amplitude em time.com. A linha amarela indica a posição da seção sísmica perpendicular. Schinelli . identificar imediatamente o sistema deposicional predominante no intervalo de investigação através da revelação de imagens que guardam fidelidade ao sistema deposicional que os originou. em virtude da posição inadequada da seção sísmica. horizon e stratal slices.Abril/2011 A impossibilidade de renderização multidirecional (gerar/exibir seções sísmicas sequencialmente em qualquer direção) a partir de dados 3D dificulta a identificação de terminações típicas. sempre que a qualidade dos dados sísmicos permitir. Página • • schinelli@oi. permitindo ao intérprete. downlap. canais. Delimitação em seções verticais de intervalos com contatos sísmicos e sismofácies características baseadas em seus contatos (onlap. mergulho. mostrada no lado direito da figura. na qual a seta localiza a posição dos mesmos onlaps. Hoje as modernas técnicas de visualização volumétrica aliadas a algorítimos de segmentação trazem recursos antes inimagináveis para o processo de interpretação sismoestratigráfica. amplitudes e outros atributos sísmicos. Análise de coerência. Detecção volumétrica. são difíceis de identificar. Decomposição espectral.3 – Observar a facilidade de identificação do onlap indicado pela seta na seção à esquerda.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo • ABGP Marco C.br .

Técnica de processamento sísmico com potencial para gerar imagens sísmicas de alta resolução.br . abaixo de horizonte de interesse a: (a) 68 ms (b) 72 ms (c) 88 ms (d) 120 ms (e) 140 ms e (f) 158 ms. Schinelli . as feições estratigráficas 70 Figure 7.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo A B ABGP C Marco C. que é mais fielmente visualizado no horizon slice. (Cortesia: Arcis Corporation. Observe a clareza com que diferentes feições sísmicas aparecem durante o processo de fatiamento do cubo de coerência. Página Decomposição espectral .Abril/2011 D Figura 7.4 – Time slices em um cubo de coerência de 160 ms de espessura. Mapas típicos de amplitude fornecem uma imagem da estratigrafia cujas espessuras de camada são relativas à frequência dominante. schinelli@oi.Comparação de horizon slice (A) feito ao longo do horizonte identificado pela linha vermelha mostrada em “B”.com. com time slices (C e D) passando pelo horizonte vermelho (ligeiramente acima e abaixo).3 . Se o conteúdo de frequência é baixo. Observe que os time slices não reproduzem em toda a sua extensão o canal. Calgary). extraindo padrões estratigráficos detalhados e ressaltando bem as feições de pequena espessura.

Abril/2011 Página 71 mais espessas serão ressaltadas. se o conteúdo de frequência é alto.br . camadas mais finas serão bem definidas. Schinelli .com.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. schinelli@oi.

• Efeitos 4D provocados por variação de contatos. vales incisos. tuning. planícies de inundação.. 1998.com. segundo Partyka. etc. Esquemático do processo de decomposição espectral. Bottjer. Partyka. 1999. Página 72 Usos para o método de decomposição espectral: • Delinear fácies ou feições estratigráficas (canais. R.br . Gridley.Abril/2011 Figura 7. 1999.. • Estudos de sub-superfície – Geo Hazards. and Lopez. Interpretational application of spectral decomposition in reservoir characterization: The Leading Edge. schinelli@oi. dunas. G. J. Interpretation of incised valleys using new 3-D seismic techniques: A case history using spectral decomposition and coherency: The Leading Edge..5. 353-360. G.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. J. • Identificar a ordem deposicional da estratigrafia presente na área. etc). 1294-1298. L. Leitura recomendada: Partyka.. • Identificar compartimentação do reservatório associados a sistemas complexos de falhas sub-sísmicas. Schinelli . and Peyton.

Abril/2011 Página 73 Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo schinelli@oi.com.ABGP Marco C. Schinelli .br .

Exemplos de resultado da decomposição espectral com diferentes janelas e freqüências de análise. Figura 7.com. revelando sismofeições características de fácies fluviais (esquerda) eólica (direita). Página 74 Observações importantes: schinelli@oi.6. Exemplo da aplicação da decomposição espectral em dados sísmicos de alta resolução em bacia terrestre.Abril/2011 Figura 7.7. Schinelli .Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.br .

5) Naturalmente depende da precisão/focalização do imageamento. Embora seja recomendável aplicar certo nível de suavização antes da decomposição. Eventualmente um cubo sísmico com pequenos ângulos pode otimizar o resultado.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. tampouco pequena demais para a amostragem temporal disponível. incorporar as feições estratigráficas reveladas na estratégia exploratória/explotatória ? Apresentamos algumas possibilidades: schinelli@oi. como o mix de traços. interpolação. tuning. Recomendável repetir o processo a cada nova versão do dado sísmico. e/ou analisar os resultados sob a ótica dos intervalos descontínuos. Aplicar suavização (apenas para aumentar ligeiramente a razão sinal ruído) antes da Decomposição. erosão ou não deposição. Dados com banda muito limitada podem ter removido feições geológicas que queremos resolver. 2) Baixa razão sinal/ruído inibe a obtenção de bons resultados. Schinelli . 3) A janela de conversão não deve ser muito grande. Pela mesma razão prefira dados com representação em 32 bits.com.Abril/2011 1) O método de da decomposição espectral é baseado na polaridade oposta entre topo e base da camada do nível estratigráfico que se quer investigar. durante a interpretação da decomposição espectral. etc). Havendo controle baseado em poços pode ser usado um horizonte guia fora do intervalo de interesse. 4) A não estacionariedade da wavelet pode também ser um falseador do processo. etc. podem reduzir demasiadamente a resolução do método. alguns processos usados pelo processamento sísmico para melhoria da coerência dos dados sísmicos. Fique atento a possibilidade de utilização da técnica para identificar a existência de efeitos 4D provocados por variação de contatos. Eventualmente será recomendável testar a resposta da decomposição com outros horizontes. O sismograma sintético pode também ajudar na investigação da visibilidade sísmica da feição que se pesquisa. 6) Feições sismoestratigráficas não identificáveis com a decomposição espectral normalmente também não são reveladas por outras técnicas de análise estratigráfica baseadas em atributos sísmicos. Recomendações: • • • • • Interpretar com máxima precisão (evitar procedimentos automatizados. Página a) Mapeando manualmente as feições em mapa. Interpolar apenas nos intervalos onde existam descontinuidades associadas à falhas. Testar cubos de tuning de variadas espessuras. 75 Uma pergunta normalmente feitas pelos intérpretes é sobre como.br .

br . que a eletrofácie característica seja definida preferencialmente com base no comportamento dos perfis elásticos. Schinelli . schinelli@oi. e) Avaliando se as feições são coerentes com a informação disponível sobre sistemas deposicionais.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. já que um fácies sedimentar bem representado pelos perfis de raios gama e resistividade. correlação e outros. permoporoso. f) Avaliando a relação da história deposicional revelada pela decomposição. Estes processos exigem na fase de modelagem. d) Correlacionando mapas e seções verticais em tempo. c) Correlacionando as feições estratigráficas com condições de reservatório (lito. de sismofácies características de eletrofácies constatadas em poços. redes neuronais. De posse dos modelos de sismofácies que representam cada eletrofácie cuja distribuição na área se deseja investigar. são usados processos normalmente baseados em geoestatística. A figura 7. Nestes processos normalmente se faz inicialmente a modelagem das diferentes fácies sísmicas correlacionáveis as correspondentes fácies sedimentares e respectivas eletrofácies conforme constatado em poços. Página 76 Classificação ou segmentação de sismofácies – São técnicas que usam metodologias diversas para investigar a distribuição em um cubo de dados sísmicos 3D.Abril/2011 b) Usando polígonos automáticos para definir a forma externa em função da área mínima desejada.com.8 mostra um mapa de distribuição de sismofácies e a sua expressão na seção sísmica vertical. pode não ter uma assinatura característica nos perfis elásticos. Como resultado final é obtido um mapa de distribuição de fácies sísmico ou da correspondente fácies sedimentar na área. etc).

pois normalmente ninguém fura no fácies não reservatório. e distribuindo as variações encontradas no número de sismofácies sugerida pelo usuário. variação de pressão e outros fatores.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. podem afetar a classificação.Abril/2011 Figura 7. sem a utilização da sismofácies modelada em poços. Schinelli . Algumas recomendações para otimizar o trabalho de classificação de sismofácies: • • 77 • Os poços escolhidos devem ser representativos das diferentes fácies existentes (não só do fácies reservatório). conteúdo de fluídos.br . de frequencia (mais críticas se a janela de análise varia muito no tempo) e outras muitas vezes associadas ao fluxograma de processamento. Nestes casos talvez seja preferível trabalhar com uma seção de pequenos afastamentos que reproduz com maior fidelidade a resposta acústica modelada. Variações de espessura do reservatório. Tenha cuidado se o programa que vier a utilizar não for capaz de construir modelos baseados BA resposta elástica.8 Exemplo da classificação de sismofácies Alem da técnica descrita existem os processos de classificação de sismofácies não supervisionados. podem capturar o resultado da segmentação. ou seja.com. Página • schinelli@oi. apenas para calibração do processo. A qualidade dos perfis elásticos é determinante do sucesso do processo. Nesse contexto vale lembra que a população de poços muitas vezes é tendenciosa. introduzindo outras variáveis alem da variação da sismofácies associada ao fácies reservatório. Variações de fase. Estes processos trabalham com métodos estatísticos de segmentação do dado sísmico com base em critérios de semelhança.

pode solicitar que sejam destacados.Abril/2011 Segmentação volumétrica – O processo de segmentação é feito para identificar unidades volumétricas (também chamadas de voxel – figura 7. a estereoscopia) para identificação direta de feições sismoestratigráficas características ambientes deposicionais. no comportamento de amplitude do dado sísmico. renderização (visualização seqüencial de seções verticais ou horizontais) e opacidade. do seu volume sísmico 3D.com. A representação volumétrica reduz normalmente o range de amplitude do dado sísmico para 8 bits. mas não somente. para que a integração dos intervalos de tempo entre o horizonte superior e inferior que delimitam o volume possa 78 Figura 7. Tal recurso só foi possibilitado mais recentemente em função de novos recursos computacionais de visualização (como por exemplo. Para tal o dado sísmico precisa estar em profundidade. reduz o range dinâmico para 8 bits.9) interconectadas e que tenham o mesmo comportamento de amplitude.br . cada qual com uma cor correspondente a amplitude sísmica.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.9 A transformação dos dados sísmicos de wigle para voxel. e tudo se passa como se o espaço volumétrico antes representado por traços representados em wigle. ou alternativamente que se tenha uma estimativa de velocidades médias no intervalo ocupado pelo volume interconectado. Tais técnicas para segmentação. apenas as unidades interconectadas que tenham amplitude entre +80 e +127. (esmaecimento de parte do espaço volumétrico para destaque de conjunto de células cuja amplitude se destaque das demais) baseados principalmente. schinelli@oi.10). fosse preenchido com células cúbicas. pois a técnica utiliza a percepção visual que é limitada a distinção de uma variedade relativamente pequena de nuances de cores. segundo critérios definidos pelo intérprete. o usuário de um desses programas de segmentação volumétrica. ou seja redistribui todo o range dinâmico para apenas 256 valores. -127 128 wigle voxel Página O processo de segmentação volumétrica permite que seja estimado o volume total ocupado pelo conjunto de voxel interconectados. Por exemplo. e que o restante do volume sísmico que não atenda a este critério seja esmaecido no processo de visualização (figura 7. Schinelli .

7 . Exemplo de técnica de transparência em software de interpretação volumétrica. Por exemplo. schinelli@oi. pode ser usado para estimarmos o volume de espaço poroso existente em determinada acumulação.11). Schinelli .6.Detalhe da figura anterior com respectiva interpretação.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. 79 Figura 7.Abril/2011 ser transformada em volume de rocha (Figura 7. um volume detectado em um cubo de porosidade. para análise sismoestrigráfica.br .com. proveniente da estimativa da impedância acústica num processo de inversão. Página Figura 7.

um dado sísmico excessivamente submetido a processos multicanais de filtragem para melhoria da relação sinal-ruído. A escolha imprópria limitará inexoravelmente a confiabilidade no trabalho com atributos. intervalo de amostragem. tempo de trânsito. Página Da mesma forma. 80 informações confiáveis . Permitindo-me a uma adaptação aparentemente despretensiosa para o método sísmico podemos sugerir que atributos são todas as grandezas originadas da aplicação do método sísmico.com. Podem. como FX-Decon. freqüência instantânea. na fase de campo. sempre que possível. qualitativa ou quantitativa. decaimento do conteúdo de freqüência. variação da atitude da reflexão. com escolha do tamanho da cela. em cubos com variados offsets. a grandeza que deverá ser analisada. Outras grandezas são decorrentes de manipulações matemáticas que procuram reunir atributos com expectativa de revelar. ou correlação com sismogramas sintéticos ou VSPs. cubos "alternativos" com menor equalização. Nesta mesma ótica o fluxograma usado no processamento deve ser definido de acordo com a expectativa da interpretação de forma a não subverter amplitudes ou aumentar demasiadamente a coerência em detrimento da confiabilidade do atributo que se pretende investigar.amplitude nas seções zero offset. etc. Essa escolha exigirá permanente acompanhamento do fluxograma usado no processamento.A quality ascribed to any person or thing". sob a ótica da aquisição. variações da amplitude com o afastamento fonte-receptor. ou filtros de coerência. A maior parte destas grandezas pode ser explicada pelos fundamentos do método sísmico como os princípios do modelo convolucional. velocidade de propagação. ou ainda através da análise de slices. na concepção do projeto de aquisição. distribuição azimutal na cela.br . abre espaço para algumas considerações: grandezas . estimativa de impedância.A confiabilidade antes de qualquer outro aspecto passa pela capacidade que o dado sísmico terá de ser fiel ou mesmo subverter através da característica do sinal registrado. intervalo de afastamentos ao nível dos objetivos. Aparentemente. Schinelli . que identifica um membro de um conjunto observado". da ótica. um tanto superficial. Por exemplo. por maior que seja o esforço gasto durante o processamento. etc. Note que algumas representam funções instantâneas do traço sísmico. Por isso a utilização de atributos sísmicos começa. intensidade de difrações. Já no Oxford Dictionary a definição é: "Attribute . com avaliação do impacto das etapas críticas do processamento na variação de amplitude em horizontes-guia. e devem ser gerados. pode ter mascaradas as variações laterais indicadoras de descontinuidades que podem ser importantíssimas na estimativa da compartimentação que pode impactar o fluxo de fluídos no reservatório.Abril/2011 SÍSMICOS Consultando nosso "amigo Aurélio" obtermos algumas definições simples para atributo: "Aquilo que é próprio de um ser" ou ainda "Característica. variação lateral da forma do pulso. a resolução espacial que poderá ser necessária para identificação de ambientes deposicionais de alta complexidade geométrica schinelli@oi.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo CAPÍTULO 8 – ATRIBUTOS ABGP Marco C. a zona de Fresnel pode limitar definitivamente. etc. fase instantânea. através da correlação empírica. e que possam trazer informações confiáveis para caracterização da sub-superfície. algumas características do traço sísmico com capacidade preditiva das propriedades do reservatório. teoria dos sinais. outras medem variações ao longo da propagação ou com o afastamento da fonte.

etc. Vale lembrar que muitos processos não são lineares e o interprete pode aplicá-los posteriormente com ajuda do grupo do processamento. 2005. Schinelli . sísmico ou mesmo usando aplicativos como o PostStack da suíte Landmark de interpretação. A figura 8.1 abaixo identifica a evolução histórica e marcos no uso de atributos sísmicos. schinelli@oi.1 – Evolução histórica do uso de atributos sísmicos.com.Abril/2011 sem filtros de coerência. Página 81 Figura 8.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. o uso de atributos sísmicos é tão antigo quanto o método de reflexão sísmica.br . segundo Chopra e Marfurt. Sob o ponto de vista histórico.

Poucos poços podem induzir a uma correlação errada entre atributo sísmico e propriedade do reservatório..br . check shot. pois um número elevado de atributos pode induzir correlações espúrias (kalkomey. A correlação poço x sísmica depende da precisão do posicionamento dos poços (profundidade) na sísmica (em tempo).Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. E neste sentido surge uma questão fundamental: Como diagnosticar a confiabilidade do atributo sísmico? A resposta pode ser simples: através da correlação entre os atributos e as grandezas medidas por perfis de poços. já que hoje em dia existem dezenas de atributos disponíveis ao intérprete. Porem.Abril/2011 Classificação dos atributos: • primitivos X híbridos • suporte físico X suporte matemático • empíricos X teóricos • estatísticos X instantâneos • multi X monocanais • estáticos X dinâmicos • pré X pós stack • individuais X agrupados • sérios X psicodélicos. 1997). Schinelli . Página A calibração também é fator importante.. e sismograma sintético com boa correlação com o dado sísmico é arriscada a correlação da propriedade do 82 Outra questão é quando se usam múltiplos atributos para predição de propriedades de reservatórios.. Sem curvas de tempo de trânsito de boa qualidade. Mas surge uma questão decorrente: Qual a confiabilidade das correlações poço X sísmica? A visão da análise estatística – a Quantidade (e qualidade) de poços é suficiente para a correlação ? Estão sendo geradas tendências? Figura 8. mais importante que classificar atributos é saber como selecionar e usá-los nas atividades de caracterização de reservatórios .com.. Muitos poços podem dificultar a correlação se não houver uma triagem dos poços usados para a análise. schinelli@oi.2 .

Abril/2011 reservatório com o atributo sísmico. Já a velocidade sísmica determinada pelos perfis sônico é característica para uma faixa de freqüência específica. Mais uma dificuldade reside na tendenciosidade da amostragem realizada por poços. já que normalmente são perfurados com objetivo de atravessar o melhor fácies reservatório. Por essa razão a correlação pode ser muito representativa de todas as variações faciológicas identificadas pelo atributo sísmico.br . com poços desviados e que estimam a propriedade de reservatório com alguma inclinação. Nestes casos a crítica dos perfis por petrofísico experiente. ou velocidade inadequada da ferramenta de perfilagem. Os poços usados para correlação precisam ter trajetória real bem determinada. A medida de poço é feita a cada 20 centímetros ao passo que a amostra sísmica é feita a cada 10 metros.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. schinelli@oi. As propriedades medidas por poços podem refletir problemas ocasionados pela mudança do diâmetro nominal do poço (arrombamento). É importante lembrar que muitas vezes tentamos correlacionar dados sísmicos de zero offset. diferente da usada no método sísmico e portanto as velocidades são ligeiramente diferentes (chamado de fenômeno de dispersão). Página 83 Figura 8. a correlação com perfis de outros poços na área. ou mesmo a calibração das grandezas medidas em perfis com medidas laboratoriais realizadas em plugues retirados de testemunhos pode aumentar a confiabilidades nos perfis de poços.com. em média. Schinelli . e as medidas por perfis de poço e laboratório. leitura de reboco. Já o suporte ou escala é outra fonte de erro.3 – Diferença de velocidades sísmicas.

br . você pode criar cubos de impedância acústica. Igual a anterior exceto pela exponenciação a quarta potência ATRIBUTOS COMPLEXOS Potência média da reflexão Prediz variações litológicas ou estratigráficas assim como anomalias amplitude associadas a presença de gás Frequência instantânea média Pode ser indicadora de variações de absorção associadas a presença gás ou reservatórios fraturados. e a definição (importante) do tipo de normalização a ser aplicada. A tabela a seguir identifica alguns dos atributos mais comuns e recomendações sobre sua utilização. computação. etc). ANÁLISE DO ESPECTRO de no as de É um quantificador da similaridade dos dados É indicado como discriminador litológico Mesmas indicações da frequência instantânea sendo porem mais estável por não apresentar spikes (cliping). O passo inicial é a escolha da opção de atributos de horizontes Deve ainda ser escolhido o nome do atributo (horizonte de saída) atributo de saída.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. Por exemplo. Schinelli . gridagem. ou AVO e através de dados verticais. O dado de entrada normalmente será dado sísmico convencional.Abril/2011 Atributos relacionados a horizontes Estes atributos são extraídos em uma janela de tempo de tamanho fixo ou em torno do horizonte que se usará como referência e o resultado da análise será apresentado como um horizonte sísmico. contorno. 84 Banda efetiva Arc Length valor médio da freqüência de zero cross Freqüência dominante Valor máximo de freqüência do espectro Slope do valor máximo ao valor mínimo de frequência de Página ESTATÍSTICA DE SÉRIES schinelli@oi. Média da fase instantânea Indica mudanças de fase associadas a presença de gás ou variações acamamento das sequências Slope da potência da reflexão É indicado para mapeamento de sequências estratigrafícas com associadas com eventos transgressivos ou regressivos Slope da frequência Indicadora também da variação de absorção relacionada a presença instantânea gás ou fraturamento. Também é um indicador de absorção relativa a presença de gás ou fraturas Tambem auxilia nas variações de absorção associadas a gás ou presença de fraturas Muito bom para indicar efeitos de variação de absorção e tem as mesmas indicações dos anteriores.com. você pode condicionar a entrada de dados e converte-la para dados de significado complexos antes de extrair atributos. Igual a anterior exceto pela exponenciação a terceira potência. Classificação – Tipo | Uso recomendado AMPLITUDES Rms Média da amplitude absoluta Amplitude positivo máximo Amplitude média de máximos Amplitude negativa máxima Amplitude média de mínimos Amplitude máxima absoluta Valor total absoluto Amplitude total Energia média Energia total Amplitude média Variância da amplitude Skew Kurtosi Indica grandes variações de amplitude Não é tão sensível as variações de amplitude Valor positivo mais alto de amplitude na janela É a média aritmética dos valores positivos na janela analisada Valor negativo mais alto na janela É a média aritmética dos valores negativos na janela analisada É o maior valor absoluto de amplitude na janela É a soma de todos os valores absolutos na janela É o somatório dos valores relativos de amplitude na janela É a média do quadrado das amplitudes na janela É a soma do quadrado das amplitudes na janela Simples média aritmética das amplitudes na janela Média do quadrado da diferença entre a média na janela e o valor de cada amplitude. velocidade. O horizonte gerado pode ser alterado ou modificado da mesma forma que qualquer outro horizonte (suavização. Porém. utilizá-los na geração de atributos de horizontes.

Roberts (2001). schinelli@oi. Componentes da correlação Calcula três parâmetros originados da correlação que servem para indicar similaridade espacial. (2002).Abril/2011 Auxilia no mapeamento dos trends estratigráficos regionais. 1994) embora a relação precisa ainda não seja claramente entendida. Schinelli . face ao aumento do interesse de predição da presença de fraturas com uso de dados sísmicos. que poderia estar associada a características deposicionais ou falhas de pequena rejeito. Sigismondi Soldo (2003).Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo Percentual maior que a referência Percentual menos que a referência Energy half time Slope at energy half time Razão de positivos e negativos Número de picos ABGP Marco C. O mesmo uso do atributo anterior. (2003) e outros autores utilizaram medidas sísmicas de curvatura do refletor para predizer a presença de fraturas. Massafero et al. A variação do mergulho. eliminando os efeitos do mergulho regional e enfatizando características de pequena escala. Página Figura 8. Karhunen-Loeve Signal É uma combinação matemáticas do atributo anterior e serve para variações mais Complexity sutis de similaridade espacial Tabela 8. A Curvatura quantifica com ajuste quadrático o grau com que a superfície do comportamento planar.1 – Uma possível classificação para atributos. Hart et al. contatos. Pode indicar variações na estratigrafia. discordâncias ou presença de fluidos. pinch-outs.4 – Resultados da coerência e curvatura computados para o 85 São aqueles de revelam características das superfícies resultante da interpretação de horizontes.com. Dentre os atributos geométricos o mais conhecido é a Curvatura. Atributos Geométricos. strike predominante e outras. A relação entre geologia estrutural e fraturas associadas as variações de curvatura é bem estabelecida (Chicago. Igual ao anterior porem com maior sensitividade Pode ser um indicado do espessamento ou afinamento de sequências Como é uma medida da frequência do espaçamento das reflexões. servem para definir variações estruturais que podem estar associadas a mudanças do ambiente tectôno estrutural associado à deposição.etc Quantificador da qualidade do dado Indicador da continuidade lateral que pode ser usada para mapear variações faciológicas. sendo muito sensitivo a detecção de camadas finas Número de vales Tem a mesma finalidade do atributo anterior ESTATÍSTICA DE CORRELAÇÃO Coeficiente de covariância em relação ao CDP próximo Tempo de deslocamento para correlação com o CDP mais próximo Razão sinal/ruído média Comprimento da correlação Indicado da qualidade sísmica ou razão sinal/ruído e variações de ambiente estratigráfico Indicador de mudanças abruptas de mergulho como as associadas a falhas.br .

(por Lindseth. especialmente no que diz respeito aos processos que alteram as amplitudes e fase do pulso sísmico. Alberta) Observar a boa correlação entre o sônico e a curva de velocidade sintética. Porem como qualquer outro atributo depende fortemente de características da aquisição.com.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. também chamado de AVO – aplitude versus offset). Em (b) observamos a coerência ao longo do horizonte de referencia.br .5 – Seção de impedância de uma área de carbonatos (Formação Swan Hills do campo Kaybob Sothy. Ela remove na wavelet do modelo convolucional da seção zero offset e através de diferentes processos matemáticos inverte a refletividade para seu correspondente em impedância que é muito mais facilmente correlacionável com a litologia que a amplitude. mostrada em (d). é um dos poucos atributos para os quais existe unanimidade quanto ao seu significado e capacidade de predição de propriedades litológicas. da qual falaremos com detalhes em outro capítulo. O exemplo mais conhecido é o da variação da própria amplitude com o ângulo fonte-receptor. O sistema de canais de direção norte/sul fica mais evidente na seção Página Figura 8. fluxograma de processamento. obtida a partir da seção de impedância acústica. schinelli@oi. mostrando claramente a principal falha de direção SW-NE. conhecido como AVA (amplitude versus angle. 1979). Um dos atributos mais usados e de mais fácil correlação com propriedades dos reservatórios é a impedância acústica. Sua capacidade de predição litológica e da presença de fluidos é bem conhecida.Abril/2011 horizon slice mostrado em (a). Schinelli . Por essa razão a impedância acústica. Existem ainda atributos elásticos que correspondem à variação do atributo sísmico com o afastamento fonte-receptor. e as margens dos canais ficam mais evidentes na curvatura baseada em máximos. Apesar de suporte físico robusto. a AVA também 86 de curvatura para mínimos mostrada em (c).

(b) pontos em vermelho. pressões anômalas e outras que podem induzir o usuário a erro..6 – Uso de crossplot 3D para análise do comportamento de AVO em software especialista. O gás da anomalia (azul no time slice. (por Chopra et al.br . sempre que possível a calibração com poços deverá ser usada à exaustão para minimizar tal risco. amarelo. e delimitado pelo polígono roxo) mostra-se com valores negativos para o atributo de fluido (c) Crossplot 3D visto da perspectiva do fator de fluido (d) Crossplot 3D visto somente para o fator de fluído e incluindo apenas a área do polígono roxo. Schinelli . 2003.Abril/2011 incorre em falhas associadas a variações anômalas de espessura (tuning). (a) O polígono com borda vermelha no time slice indica a área em análise. Por isso.) schinelli@oi.com. e polígonos roxos aparecem em agrupamentos diferentes. Página 87 Figura 8. Atributos λ-ρ (time slices com polígonos selecionados) e os clusters correspondentes.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.

é conduzida com estimativa. multicomponente. coadjuvantes na maioria dos casos. • Timming da sua aplicação. Schinelli . de alternativas para a sua interpretação. normalmente baseada em perfis. dentre outros.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. com o propósito de correlação entre as variações observadas ao nível da resposta sísmica do reservatório. Este análise. E por se tratarem de atividades eventuais abordaremos um tanto superficialmente. são exemplos de dados que demandam atenção do intérprete. variação da pressão de poros e outras. embora de forma não rotineira. Sua diferença básica se resume exatamente na capacidade de explicitar a dinâmica de mudança da resposta sísmica do reservatório em função da substituição de fluidos.Abril/2011 CAPÍTULO 9 – INTERPRETAÇÃO NÃO CONVENCIONAL Reunimos neste capítulo noções básicas sobre a interpretação de dados não convencionais.com. O ponto de partida da interpretação de dados sísmicos 4D é uma análise prévia da variação de impedância que se espera registrar. da variação da resposta elástica em função da substituição de fluídos e variação de pressão de poros. 88 Figura 9. para não fugir ao escopo da nossa publicação. microsismica e dados de métodos potenciais. com a dinâmica de produção. e cuja interpretação não constitui o cotidiano do intérprete. 9. . • Onshore / offshore. Assim denominados são os dados geofísicos digamos. chamada de estudo de viabilidade do monitoramento 4D (4D feasibility).1 – Sísmica 4D A sísmica 4D é a técnica que utiliza a repetição da sísmica ao longo do tempo em uma mesma área. • Monitoramento de processos secundários de recuperação. schinelli@oi. em função nas variações ocorridas no reservatório. Sísmica de poço.1 – Exemplo do impacto da sísmica 4D no aumento do fator de recuperação. monitoramento sísmico.br Página Posicionamento da técnica no ciclo de atividades da indústria do petróleo: • Carater explotatório.

Abril/2011 Aumento do fator de recuperação. Face aos elevados custos da técnica estes estudos são fundamentais ao sucesso da sua aplicação. por isso a avaliação conjunta dos efeitos de tais fenômenos é um passo indispensável para a avaliação da sensibilidade sísmica ao monitoramento na área. Página 89 Alguns fenômenos associados aos processos de produção chegam a ser antagônicos. Nessa etapa são analisados os aspectos da viabilidade financeira da aquisição 4D e os pré-requisitos técnicos para que seja aplicada. Schinelli . A pergunta básica a responder é: as variações de conteúdo de fluidos serão detectáveis pela sísmica? Que fatores são críticos para detecção destas variações? Figura 9. schinelli@oi.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo • ABGP Marco C. O uso da técnica exige estudos prévios da viabilidade do monitoramento. para subsidiar a decisão de programar novas aquisições sobre a mesma área.com.2 – Cada dinâmica dos processos de produção assim como variações litológicas relacionadas à gênese sedimentar impactam de forma diversa a velocidade que é fator determinante da resposta sísmica.br .

Schinelli . Um método ainda muito usado é o “Chevron” (Wang. 90 Os estudos de viabilidade seguem o roteiro a seguir: • Ranqueamento de fatores críticos • Modelagem para análise da sensibilidade à mudança de fluidos no reservatório (baseada em perfis) . com base nas informações de simulação).4 – Exemplo de modelagem 4D baseada em perfis. O objetivo é antever dificuldades “operacionais” e de interpretação dos resultados da aquisição 4D. schinelli@oi. etc.Abril/2011 Figura 9. Se avalia o impacto das diferenças. • Análise laboratorial do reservatório (física de rochas).Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.3 – A Depleção do reservatório reduz a amplitude da resposta sísmica. Ajuste perfil x rocha • Modelagem para avaliação do momento de aquisição dos sucessivos registros 3D (quando as variações ao nível do reservatório serão detectáveis. É obtido pela análise de inúmeros fatores críticos relacionados ao reservatório e à aquisição sísmica e comparação relativa à outras aquisições 4D. Página Figura 9. enquanto aumento do gás dissociado pode aumentar as amplitudes. A partir dessa análise alguns fatores devem ser avaliados mais profundamente.com. Behrens e Lumley. • Modelagem sísmica. 1997). Nesse momento já se pode ter a antevisão de dificuldades à interpretação.br . influência do ruído.

5 – A decisão do monitoramento sísmico é função do contraste 4D e da razão sinal/ruído.br Página • 91 A fase final da interpretação inclui: . A tradução da resposta do simulador em variações acústicas permitirá definir quando deverão ser feitas as aquisições subseqüentes. Correlação com simulação > Corresponde a correlação dos mapas de variação de amplitude.Abril/2011 Em seguida é iniciado o planejamento das aquisições base e de monitoramento. Feitas as aquisições é iniciado o processamento das diferentes aquisições. buscando minimizar as diferenças não relacionadas às variações acústicas no reservatório. com os mapas gerados pelos simuladores. No contexto de trabalho totalmente schinelli@oi. em períodos correspondentes ao das aquisições sísmicas feitas para o monitoramento. Schinelli . Questões fundamentais nesta etapa: -Uniformização do fluxograma – O que pode ser variável ??? -Crossequalização – Qual o melhor horizonte guia -Processamento supervisionado. Interpretação qualitativa e quantitativa.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. etc. de saturação de fluídos ou variação de pressão. que deve se preocupar principalmente com a minimização de diferenças entre as diversas aquisições. Principais: • Diferenças de tempo de trânsito • Diferenças de amplitude Derivadas: • Comportamento de AVO • Variação de atributos sísmicos. -Análise de diferenças. Na fase de interpretação devemos analisar as diferenças ao nível do reservatório e tentar correlacioná-las às observações de campo. A segunda maior fonte de erros em sísmica 4D deve-se a diferenças não previstas nas aquisições ! A variação da fonte (particularmente importante nas aquisições onshore) tambem é outra origem de diferenças crítica para a sísmica 4D. e que deve ser feito simultaneamente. Figura 9.com.

Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo • ABGP Marco C. Página 92 Figura 9. Por exemplo.Abril/2011 multidisciplinar.br . 2007) schinelli@oi. geofísicos e engenheiros tentam retroalimentar os modelos geológicos e simuladores com as informações determinísticas ou qualitativas mostradas pela sísmica 4D. perfuração de novos poços e outras.com. um mapa de variações que mostre alguma compartimentação do reservatório pode levar a construção de barreiras de permeabilidade no modelos geológico para novo ajuste histórico e nova simulação com propósito de ajustas as estratégias de EOR. estratégia de recuperação secundária e até mesmo o planejamento da continuidade do monitoramento sísmico.6 – Exemplo de variação da resposta sísmica em Gullfaks e Interpretação conseqüente (StatoilHydro. Nesta fase se muda posição de produtores e injetores. geólogos. Schinelli .

7 – Exemplo de mapa com variação da resposta sísmica e Sua correlação com a saturação de óleo no campo de Gullfaks (Ivar A Sandø.br .2 – Sísmica de poço A sísmica de poço é uma variação do método sísmico em que a fonte de energia é colocada na superfície e os receptores são colocados em várias posições ao longo do poço. também chamada de VSP . 9. StatoilHydro.com.Vertical Seismic Profiling (Sheriff). 2007). Schinelli . schinelli@oi. A técnica. A cada nível receptor no poço. Ola-Petter Munkvold and Rigmor Elde.8 – Exemplo de diferentes geometrias de aquisição para sísmica de poço.Abril/2011 Figura 9. registrando vários eventos como ondas diretas e refletidas.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C. é feita uma detonação em superfície que se repete em vários pontos do poço. possibilita Página 93 Figura 9.

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Algumas variações de geometria e técnica de aquisição conforme mostradas na figura
9.8. Dentre as vantagens, comparada à sísmica convencional podemos citar:



A correlação rocha-perfil-sísmica é “imediata”, muito mais precisa e tem maior
resolução;
É menos afetada por problemas superficiais, absorção, reverberações e outros
efeitos que afetam a sísmica de superfície;
Pode ser usada em áreas onde existam restrições à aquisição de sísmica de
superfície;
A geometria de aquisição é mais simples e conseqüentemente o tratamento dos
dados.

As fontes normalmente são: Offshore : Canhões de ar. Elemento único ou em arranjos
Onshore: Vibradores, explosivos, fontes percussivas ou excepcionalmente canhões de ar
(air guns) em um tanque.
Já os receptores Receptores normalmente são geofones com 3 componentes que
registram movimentos de partículas na direção de propagação (campo compressional),
e movimentos perpendiculares à direção de propagação – (campo cisalhante) - radial e
transversal . A análise de cada uma das diferentes formas de propagação pode trazer
mais informações para caracterização dos reservatórios (diferença do comportamento
sísmico das ondas P e S). Eventualmente podem ser usados hidrofones El algumas
técnicas. O fundamental é que os geofones tenham um acoplamento muito bom com as
paredes do poço que pode estar revestido ou não e alternativamente um sistema de
posicionamento que corrija as variações de posicionamento da ferramenta no poço.

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94

A sua interpretação muitas vezes é semelhante a interpretação da sísmica convencional,
quando a técnica é usada para complementar a sísmica de superfície em situações onde
a sísmica convencional não produz bom imageamento. Exemplos típicos são flancos de
domos de sal em que a alta inclinação das camadas, associada as altas velocidades do
sal, faz com que a sísmica de superfície não consiga imagear adequadamente aquelas
camadas, ao passo que a geometria do poço facilita a obtenção de imagens mais
confiáveis. A figura 9.9 mostra um exemplo típico.

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Figura 9.9 – Seção geológica e raios de propagação da sísmica de poço (alto). Resultado
da sísmica de superfície (meio), e resultado da sísmica de poço, inserida na sísmica
convencional(ao fundo).

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Como pode ser observado na figura 9.9, uma das dificuldades do uso e interpretação da
sísmica de poço é sua “irregularidade amostral” e dificuldade de correlação com a
sísmica de superfície e mesmo com poços. Embora alguns dos softwares mais recentes
já tragam recursos para sua inserção e interpretação junto com dados convencionais,
ainda será necessário ao intérprete certo “jogo de cintura” para alterações de
coordenadas no header, ou simulação do seu carregamento como linhas 2D, para
superar tal dificuldade.
Outro uso inquestionável é a possibilidade de aquisição da onda convertida que muitas
vezes é de logística (e custo) impactantes para a sísmica multicomponente de superfície
(terra) ou OBC (mar). Como os sensores são colocados dentro do poço, existe a
possibilidade de imageamento do campo de onda convertida com inúmeras aplicações.
Uma delas é o imageamento em áreas com nuvem de gás e que impede uma resposta
adequada com sísmica compressional (figura 9.10).

Figura 9.10 – Exemplo do impacto da presença de nuvem de gás na sísmica
convencional (a direita) e uso de VSP para obtenção de imageamento através do uso da
onda convertida P-S, a esquerda (cortesia da READ)
A sísmica de poço ainda pode ajudar na obtenção de informações importantes para a
correlação perfil/sísmica, estimativa do fator de absorção, parâmetros anisotrópicos e
outros usados no processamento sísmico ou ainda calibração dos processos para
remoção de múltipla, dentre outros.

Página

A sísmica multicomponente é qualquer forma de aquisição sísmica que possa registrar,
juntamente com o campo de ondas compressionais, o campo de ondas cisalhantes
(originais ou convertidas). Essa informação adicional traz mais vantagem em relação à
aquisição somente do campo compressional. O campo de ondas cisalhantes é menos
afetado pela presença de fluídos e pode, em conjunto com o campo compressional, ser
usado na identificação de fluídos e caracterização litológica. De forma muito
semelhante a sísmica de poço, a interpretação de sísmica multicomponente exige sua

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9.3 – Sísmica multicomponente

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e portanto isso pode ser interpretado como decorrente da presença de gás no reservatório e não devido à variação litológica (camada de carvão). schinelli@oi. permitindo discriminar variações de amplitude devidas á presença da gás.11 abaixo.br .Abril/2011 comparação com a sísmica convencional P-P.com. O dado P-S não mostra a mesma resposta de amplitude que o dado P-P. como observamos na figura 9. pois neste caso as respostas seriam iguais.Interpretação Sísmica para Geólogos de Petróleo ABGP Marco C.11 – Exemplo de uso da sísmica multicomponente através da sua comparação com a sísmica convencional. já que as duas informações se complementam. daquelas associadas à variações litológicas. Página 97 Figura 9. Schinelli .