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TEMA IV – Geologia, problemas e materiais do

quotidiano
Introdução

"A ocupação pelo Homem das camadas superficiais da Terra tem provocado nos últimos anos
perturbações excepcionalmente numerosas, intensas e rápidas1. Os subsistemas terrestres litosfera, atmosfera, hidrosfera e biosfera - têm sido explorados e modificados pela espécie
humana e o aumento da população a nível mundial, bem como as exigências crescentes dos
países desenvolvidos, tende a agravar uma série de problemas resultantes da interacção TerraHomem. O estudo destes problemas necessita de uma aproximação interdisciplinar para a qual a
geologia pode fornecer contributos importantes, ao lado de outras disciplinas, como a biologia, a
física, a química, a economia, a sociologia, etc.

O conhecimento geológico é essencial para a construção de acessibilidades (estradas, pontes,
túneis, ...), para a construção de infra-estruturas básicas como os aeroportos e os portos, para a
construção

de

barragens,

para

a

protecção

de

zonas

costeiras,

para

a

definição de regras de ordenamento do território, etc.. O desconhecimento dos materiais e dos
processos geológicos tem conduzido, por vezes, a situações graves.

Por isso, é importante que um cidadão do século XXI possua informação sobre os
materiais e os processos que constituem e moldam a superfície do planeta sobre o
qual vive."

Carta de exploração geral do Tema IV

1. Ocupação antrópica e problemas de
ordenamento:
1.1 Bacias hidrográficas

DINÂMICA FLUVIAL
As catástrofes naturais fazem parte de um planeta dinâmico. O Homem, conhecendo origens dos
fenómenos, medidas preventivas a fim de minimizar os estragos e evitar, em muitos casos a
morte.
As situações de risco geológico associados à morfologia dos terrenos, designam-se por riscos
geomorfológicos e estão associados a fenómenos de erosão: bacias hidrográficas: erosão
fluvial, cheias e exploração de inertes (extração de areias); zonas costeiras: erosão costeira;
zonas de vertente: movimentos de massa e erosão de vertentes.
Na verdade, com o crescimento das populações e a ocupação de determinados locais,
naturalmente perigosos, a própria irresponsabilidade do ser humano, provoca no ambiente um
desequilíbrio e coloca o Homem em risco(probabilidade de um acontecimento perigoso
ocorrer num determinado local e num certo período de tempo, com prejuízo humano).
É necessário que definam regras de ordenamento de território a fim de evitar o agravamento
dos riscos naturais (vulcões, tsunamis, sismos, deslizamento de terras, inundações, tufões,
secas, tornados, pragas, etc.), e que este, seja uma tradução de políticas económicas, social,

cultural e ecológica da sociedade. Entende-se por ordenamento do território um processo de
organização do espaço biofísico de acordo com as capacidades desse espaço.
Há necessidade, por parte das autoridades e no âmbito do ordenamento do território e proteção
civil, e tendo em conta o conhecimento dos especialistas, nomeadamente geólogos, elaborar
planos de ocupação do solo de forma a assegurar o bem estar das populações.
Nas cheias: Os espaços da área do leito de inundação devem estar livres de construção, com
espaços verdes juntos ao rio. As zonas limítrofes do leito de inundação devem ter pouca
construção e devem estar prevenidas com estruturas adaptadas às cheias, como a utilização de
pilares.

Bacias hidrográficas
Os leitos dos rios, desde cedo na história da humanidade, foram os locais preferenciais de
ocupação humana.
A água que fornecem (uso doméstico, comercial e industrial), a fonte de alimento quer ao nível
de peixe, quer ao nível de solos férteis por deposição de sedimentos nas margens e pelo facto
de serem vias de comunicação, fez com que o Homem se fixasse nos seus leitos. Viver junto aos
leitos acarreta riscos, por vezes podem ocorrer cheias e inundações que podem

ser

catastróficas e originar destruição de estruturas e mortes.
O papel do geólogo é de fundamental importância no levantamento dos riscos e na
prevenção das populações. Deve intervir: nos estudos de previsão e prevenção de catástrofes
geológicas; nos estudos do impacte ambiental; na prospeção e exploração de matérias primas;
na construção de obras de engenharia de grande envergadura (estradas, pontes e barragens);
estudo de medidas para proteção costeira e contribuir com os seus conhecimentos para o
ordenamento do território.
Conceitos referentes aos rios
A bacia hidrográfica é um área de território drenada por uma rede hidrográfica, por sua vez
a rede hidrográfica é o conjunto hierárquico de todos os cursos de água (regatos, ribeiros,
ribeira e rio) que se ligam a um rio principal. Os cursos de água estão organizados
hierarquicamente em que os de menor dimensão escoam a água para os de maior dimensão,
por ação da gravidade, até desaguarem no mar.

mas em época de cheias. transporte e sedimentação dos materiais rochosos. alargando as margens. os vales são mais fechados e à medida que se desloca para a foz (JUSANTE). diminuindo o declive e alargando as margens. Junto à nascente (MONTANTE). os sedimentos vão se depositando nas margens e até chegar ao mar. a velocidade das águas. é o espaço que ocupam as águas do rio. esse é o leito ordinário. O leito do rio não é apenas o canal fluvial que habitualmente vemos quando observamos o rio. como horizontalmente. tanto verticalmente. Esta erosão é provocada pela água e pela carga sólida (detritos ou sedimentos) que o rio transporta. . assim. o rio sobe e ocupa uma determinada área. A ação de transporte. A ação das águas em movimento contínuo provoca a erosão no substrato por onde a água passa e subsequente rebaixamento da superfície. os materiais mais pesados e de maiores dimensões vão ficando para montante e os de menores dimensões e mais leves para a foz. O rio desempenha um triplo papel geológico: erosão e meteorização. este tende a ter um perfil longitudinal que tende para a regularização. ocupada por menor quantidade de água (no verão quando o rio tem menos água. Com a evolução do rio. Temos ainda o leito de estiagem que corresponde à zona mais profunda do canal fluvial (mais escavado). e se o transporte acaba. esta circula no leito de estiagem). que são transportados pela ação da gravidade e movimento das águas. das zonas mais altas para as mais baixas. A água desloca os sedimentos originados pela erosão. chama-se leito de cheia.Leito do rio. vais diminuindo à medida que se caminha para jusante. as margens são mais largas e mais aplanadas e os vales mais abertos. aprofundando o leito. Os rios mais recentes têm vales encaixados e os mais antigos os vales são mais largos.

AS CHEIAS. mas nem todas as inundações são causadas por cheias (uma maré viva.RISCO GEOLÓGICO Sempre que um rio transborda o seu leito normal diz-se que há um cheia.Junto à foz. nos rios mais evoluídos. chamados de aluviões. formam-se planícies que resultam da acumulação dos sedimentos trazidos pelo curso do rio que se designam por PLANÍCIES DE INUNDAÇÃO e que correspondem às zonas que ficam inundadas em época de cheias e época em que há grande deposição de sedimentos. que corresponde ao leito ocupado em época de cheia e leito menor ou ordinário. o leito normal do rio e ainda o leito de estiagem que corresponde à época de seca. Tem-se assim o leito maior (leito de cheia). pode fazer com que haja inundações nas planícies de inundação e a causa não foi uma cheia). Causas naturais das cheias . As cheias originam inundações. um tsunami.

e a chegada de fontes de matéria orgânica que irá servir toda a diversidade de seres marinhos. as cheias podem ter alguns benefícios. se as chuvas forem intensas e prolongadas em bacias grandes. as populações perdem a "memória e continuam imprudentemente a ocupar os espaços que pertencem naturalmente ao leito de inundação. muito perigosa porque apanha as populações desprevenidas. por materiais transportados pelos rios que podem bloquear troços de rios e por desmoronamentos das margens dos rios. fertilizam os solos. chuvas intensas). Pelo facto de o espaço de tempo entre duas cheias ser muito grande (período de retorno). nomeadamente a deposição de sedimentos em alturas de cheias. e esta não tem preço. com a velocidade da água que escoa para o mar.As cheias estão ligadas aos factores climáticos. à própria ajuda económica que as pessoas afectadas têm dos governos. Para além dos factores climáticos (degelo. aleado a isto. . não ajuda a que as pessoas saiam destes lugares. às épocas de chuva em que a precipitação pode ser muito intensa. os aluviões. as cheias são progressivas e correspondem ao aumento progressivo do caudal do rio. Com a impermeabilização dos solos. A ação do homem O Homem com a sua ocupação junto aos leitos. como as barragens. Se a bacia for pequena e se a precipitação for muito intensa pode ocorrer uma cheia rápida. com a construção de obras de engenharia. o subsolo fica mais rico em água havendo um reabastecimento das reservas hídricas subterrâneas. levando. com a destruição da cobertura vegetal. há um encaminhamento das areias para as praias o que faz com que haja um equilíbrio entre a erosão costeira e a deposição destes sedimentos. pode ser causa (não natural) das cheias. Apesar de todos os riscos inerentes a uma população. mantendo-se assim a área costeira. as cheias podem também ser causadas pela elevação do nível do mar. não permite que a água se infiltre e ela é obrigada a escorrer superficialmente e os riscos de cheia aumentam. por vezes a arriscar a própria vida.

Tejo. Norte do País. O rio Douro origina. que possibilita a antecipação de ações de mitigação. a identificação e caracterização do risco de cheia no âmbito da elaboração e acompanhamento dos planos de ordenamento do território. devido à existência de zonas montanhosas. Sado. Minho." Com a ocupação desenfreada das populações nas bacias hidrográficas. com elevado impacte no tecido socioeconómico das zonas ribeirinhas. As inundações por cheia afetam sobretudo as bacias dos rios Douro. e a monitorização. Ave. grandes cheias cíclicas. complementada com a previsão de risco. Vouga. Vila Nova de Gaia e Peso da Régua. bem como Chaves e Amarante. nalguns troços. Leça. são frequentemente assoladas. no rio Tâmega. com a impermeabilização dos solos nas construções e com a desflorestação das vertentes. Localidades como o Porto. Cavado. Lima. Guadiana.Zonas de inundação em Portugal continental Medidas preventivas "A ação preventiva constitui a estratégia mais eficaz no combate a este tipo de situações extremas. Desde logo. no rio Douro. os vales onde correm os cursos de água são abruptos. Arade e Gilão. Mondego. a água e os . dadas as suas graves consequências. que permite detetar e conhecer em cada instante o grau de gravidade da situação. pelo que as inundações têm ocorrências localizadas.

Esta água armazenada poderá será utilizada mais tarde em épocas de seca.sedimentos escorrem com mais facilidade para os leitos dos rios. Barragens Vantagens e desvantagens das barragens: Vantagens A geração Desvantagens de electricidade Algum controle em 1998) clarifica que as grandes barragens de algumas inundações O fornecimento A Comissão Mundial de Barragens (fundada podem provocar: A de destruição de florestas e habitats selvagens que levam ao desaparecimento água potável/irrigação de espécies de campos agrícolas A degradação das áreas a montante. mantendo os caudais dos rios acima do natural. devido Recreação à inundação da área do reservatório náutica/turismo A possibilidade de redução da biodiversidade aquática Eliminação da vegetação nativa Alteração da fauna e flora regionais Problemas na saúde pública Alterações climatéricas: Através de estudos . arrastando partículas sólidas que vão assorear os rios e água dos leitos é obrigada a transbordar. Destas estruturas destacam-se as barragens. os diques e os canais de derivação. Na tentativa de combater as inundações o homem tem criado estruturas de forma a armazenar a água em épocas de chuva reduzindo os caudais dos rios a jusante.

tem uma longevidade máxima que ronda os 100 anos (o excesso de carga sólida pode fazer com que a barragem rompem). Um negócio fácil e muito rentável mas com graves riscos nas construções do próprio homem. Inundações por assoreamento dos rios As albufeiras retêm a maior parte dos sedimentos que supostamente iriam ser distribuídos ao longo do perfil do rio até chegarem ao mar. redução de biodiversidade nos estuários e perda de estabilidade nas obras de engenharia ligadas aos rios. utilizado na construção. como sejam a alteração das correntes. como ocorre com os lagos naturais. contribuindo também para a erosão costeira. alternância de regressões (períodos glaciares e interglaciares o que faz com que o nível da água do mar desça) e transgressões (períodos de fusão das grandes massas de gelo. gases que contribuem para o efeito de estufa. Na zona a montante da barragem é frequente a extração de inertes (exploração dos sedimentos). o nosso litoral já assistiu a várias subidas e descidas do nível do mar. pois a extração irracional pode provocar graves desequilíbrios.efectuados verificou-se em a algumas emissão de barragens. o desassoreamento do rio e a consequente falta de areias que vão ser transportadas para a foz e daí para as praias. As alterações climáticas que levam a estes fenómenos de regressão e transgressão. foram. 1. o que faz com que o nível da água do mar desça). o movimento das ondas nas rochas são responsáveis pela ação destrutiva do litoral (abrasão marinha). nomeadamente barragens que por acumulação de sedimentos na albufeira. . devido à decomposição de vegetação. As zonas costeiras são talhadas pela ação do mar no litoral. e pontes. ao longo da vida da Terra. A subida e a descida das águas das marés. Na vida da Terra. responsáveis por várias extinções em massa. são responsáveis por estas alterações.2 Zonas costeiras (Análise de uma situação-problema).

pequenas enseadas. Só no litoral abrigado. trazidas essencialmente pela ação das marés.Atualmente na história da Terra assiste-se a um aumento progressivo da subida do nível do mar. provocando um recuo na linha do litoral cerca de 5cm em cada 25 anos. onde ocorre a sedimentação das areias. . é que é possível ocorrer a sedimentação das rochas detríticas. muitos destes relevos são formados por rochas sedimentares e marcam o nível do mar no passado. baias. a praia propriamente dita. formada por uma zona mais ou menos aplanada e de declive suave. causado pelo degelo das calotes polares. tem a plataforma de abrasão marinha. formando as praias de areias tão apreciadas por nós. Este período teve o sei inicio há cerca de 20000anos e durante este tempo a água subiu 150m. Com toda a certeza já observaste que a grande maioria das praias portuguesas tem falésias ou arribas. e mais junto ao mar.

o que origina o degelo das calotes polares e a fusão do gelo tem consequências no litoral. efeito de estufa. os incêndios. emitem grande quantidade de gases libertados para atmosfera e provocam um aumento da temperatura do planeta. .As barragens que aprisionam uma série de sedimentos nas suas albufeiras.A ocupação da zona litoral com construções e estruturas de lazer que interferem no equilíbrio natural da distribuição de sedimentos ao litoral. a desflorestação que reduz a quantidade de oxigénio versus dióxido de carbono na atmosfera. . O Homem tem grande responsabilidade no agravamento deste fenómeno. sedimentos esses que deveriam ser depois encaminhados para as várias praias e que diminuiriam o efeito da erosão no litoral. Erosão costeira Cerca de 90% dos litorais estão em acelerado processo de erosão. eis algumas causas: -A libertação do dióxido de carbono da queima dos combustíveis fósseis. .As investidas das marés nas arribas desgastam-na e consoante o tipo de rochas que as forma e a sua morfologia procede-se ao recuo da linha de costa.

Os enrocamentos são estruturas em pedra longitudinalmente (como se fossem paredes). O Espigão (Esporão termo brasileiro) e os molhes (servem para tornar barras navegáveis. Os sedimentos deixam de se depositar a jusante e essas praias ficam sem areia. Estas construções podem ser um perigo para os banhistas. supostamente protetoras das investidas do mar. são estruturas perpendiculares à praia que a protegem e podem ser formada de rochas amontoadas. o Homem vai construindo outras estruturas para reter as areias dessas praias. barreiras naturais que evitam a aceleração da erosão no litoral.A construção desenfreada junto à costa. Normalmente estão associadas a portos de abrigo. pois alteram o percurso natural das correntes marítimas e criam autênticas armadilhas mortais na praia..A destruição das dunas da praia quer pelo piso contínuo quer pela destruição das espécies vegetais que "consolidam". por exemplo as marinas). Para diminuir os estragos provocados pela natureza mas principalmente pelo Homem. . sobre pedra que protegem as praias . Na tentativa de reparar o estrago a jusante. têm surgido construções. sendo a erosão superior à sedimentação. de betão ou de tetrápodes de betão.A exploração de matérias primas para a construção (exploração de inertes). os esporões. resolvem localmente o problema das água mas transferem-no para outros locais. cerca de 3/4 da população portuguesa vive junto ao litoral. molhes e os enrocamentos. .

Foi também elaborado o Programa FINISTERRA. pois a dinâmica da água vai retirando as areias depostas. promover a reabilitação das áreas afetadas. -Injecção de areias com custos menos elevados que as construções anteriores e co menos impacto na paisagem. mais recentemente. como intuito de requalificar e reordenar o litoral português e de levar a cabo os POOC. elaborar medidas a tomar nas zonas afetadas e estabelecer regras. e destruição de construções em áreas de risco. para além de serem esteticamente feios. terem um custo muito elevado e de serem de curta duração. -Planos de ordenamento do litoral. É eficiente para o local mas pode ser prejudicial para outros locais a jusante. . com estudos prévios. cujos objetivos são: identificar áreas de risco potencial. invasão pela água dos campos de cultivo. desaparecimento das areias. ficando os calhaus de maiores dimensão. estreitamento e desaparecimento de praias. No programa FINISTERRA existem as seguintes ações: estabilização de dunas. construções de quebra-mares. alimentação artificial das praias. Medidas de prevenção: -Construção dos paredões e quebra-mares.de forma a proteger o litoral português elaborou-se os Planos de Ordenamento da Orla Costeira (POOC).Consequências da erosão: destruição das construções. É uma medida temporária. anteriormente referidos.

As zonas de vertente são locais. de constituição rochosa. Existem dois tipos de factores que são responsáveis por este movimento em massa: . como o nome indica.1. e corresponde à erosão das gotas da chuva e o seu escoamento pelas vertentes. Quanto à erosão.3 Zonas de vertente (Análise de uma situação-problema). a hídrica processa-se de uma forma mais lenta e gradual que a dos movimentos de massa. A erosão ocorre depois de se dar a meteorização e a mecânica tem um papel mais rápido que a meteorização química que só tem mais expressão em climas quentes e húmidos. que apresentam um declive acentuado e que estão sujeitos à acção rápida e intensa de processos de meteorização e erosão. corresponde. A erosão dos movimentos em massa. normalmente responsável pelo desmoronamento de pequenas quantidades e de pequenas dimensões dos materiais rochosos. a grandes quantidades de materiais que se deslocam pelas vertentes de uma forma brusca.

. .e os factores desencadeantes que resultam de uma alteração brusca nas condições da vertente.-os factores condicionantes que correspondem a condições permanentes e fortemente condicionados pela ação da gravidade.

modificando o seu perfil são: escavação nas bases para a construção. sobrecarga no topo e desflorestação.elaborar uma carta geológica detalhada.Factores Antrópicos Procedimentos perigosos exercidos pelo Homem nas vertentes. Medidas preventivas As medidas preventivas devem ser pensadas antes da ocupação do território e aqui pode-se proceder a : . .

pesquisar movimentações. já tinham . perigo de deslizamento B. -reavaliar a ocupação do território. -evitar aumentar a sobrecarga em declives de muita inclinação. .1 Principais etapas de formação das rochas sedimentares. -elaborar mapas de riscos. -não desflorestar o local. -tentar diminuir a inclinação das vertentes. tipo de muros redentores A. de tal forma que a grande maioria dos minerais. Os recursos minerais foram desde o inicio da humanidade muito importantes na atividade humana. Processos e materiais geológicos importantes em ambientes terrestres. -deve-se evitar cortar as vertentes (construção de estradas). -construção de muros redentores -medidas de contenção. 2. e reflorestar -controlar a drenagem. -manter as populações sobreaviso -e proceder à monitorização contínua.Muro de suporte com drenagem 2. por exemplo se há árvores inclinadas. constituintes das rochas.-avaliar as propriedades físicas das rochas e do solo. -verificar a ocorrências de episódios antigos.Muro de suporte sem sistema de drenagem.

a litosfera. dizem-se anédricos. cristalina bem definida (geometricamente regular).sido estudados e classificados há muitos séculos atrás. dispostos numa rede. o ciclo das rochas. e desde Lineu para cá. Para conhecermos as rochas é necessário conhecer os seus constituintes. tridimensional. Existem três grandes grupos de rochas: magmáticas. que originam outras e estão dependente da dinâmica interna e externa da Terra. . metamórficas e sedimentares que são caraterizadas pelos seus minerais que foram formados em condições e processos distintos. se não apresentarem uma forma perfeita. A dinâmica interna é alimentada pelo calor interno do planeta que aciona os mecanismos de movimentação das placas litosféricas ao fazer circular as correntes de convecção. determinadas pela sua geometria da estrutura cristalina. A pressão. iniciando o ciclo da água e consequentemente a meteorização e erosão. Por vezes apresentam formas geométricas perfeitas. O que é uma rocha? É um associação natural de um ou mais minerais compatíveis entre si e nas condições em que foram geradas. a profundidade. e dizem euédricos. independentemente da sua estrutura cristalina. os fluidos em circulação. este fornece a energia suficiente para que ocorra a evaporação. poucos foram os novos minerais descobertos. As rochas estão condicionadas a uma pequena faixa superficial da Terra. A dinâmica externa é alimentada pelo Sol. os minerais. ou seja. O que é um mineral? É uma associação natural de um ou mais elementos químicos. os agentes de meteorização e de erosão são factores responsáveis pelo tipo de rocha que se forma e desencadeiam um ciclo em que cada rocha pode ser transformada numa outra. a temperatura. É aqui que se formam. Se forem formadas por um tipo de mineral dizemse monominerálicas e por mais que um poliminerálicas.

. As propriedades destes polimorfos são distintas pois a estrutura cristalina é diferente. fósforo. designam-se quimicamente por alótropos (diferentes substâncias simples formadas por um mesmo elemento químico) e são polimorfos. pois apresentam uma diferente estrutura cristalina .Há minerais formados por apenas um tipo de elementos químicos. Vejamos um exemplo da Grafite e do Diamante. carbono e enxofre. Os elementos químicos que formam estas substâncias são: oxigénio.

Brilho. clivagem.É a verdadeira cor do mineral. alocromáticos. algumas delas muito sofisticadas que exigem equipamentos de laboratórios dispendiosos. brilho. vítreo. As propriedades que podem ser estudadas são variadas: óticas. metálico. se for superior a risca é incolor.5. Para que o mineral deixe o seu traço na porcelana é necessário que tenha uma dureza inferior a ela. Pode não corresponder à verdadeira cor do mineral.É a cor que o mineral apresenta à vista desarmada. nacarado. magnéticas. radioativas. podemos identificá-los. adamantino. dureza.Pode ser: baço (sem brilho). (Cerca de 70% dos minerais tem brilho vítreo). já estudadas no teu terceiro ciclo. . ou seja. Minerais que apresentem sempre a mesma cor são designados por idiocromáticos e os que podem têm mais que uma cor. PROPRIEDADES DOS MINERAIS Cor. Risca (ou traço). a cor que o mineral deixar na porcelana é a verdadeira cor do mineral. na verdade a porcelana não consegue desfazer o mineral. Na prática utiliza-se a porcelana. elétricas. As propriedades dos minerais que iremos ver em amostra de mão. risca. Há várias técnicas que permitem a identificação dos minerais. químicas e físicas. corresponde à cor do mineral reduzido a pó. gorduroso. são: cor.Os minerais possuem entidade própria e através do estudo das suas propriedades que resultam da composição química e da sua estrutura cristalina. inferior a 6-6. diafaneidade e densidade. sedoso.

É a resistência que o mineral tem de se deixar riscar por um outro mineral ou objeto.Clivagem .5. Existem duas formas de medir a dureza dos minerais Escala prática de dureza Unha-2 a 2. A clivagem está ligada à fraqueza de ligações químicas na estrutura cristalina. Dureza.5 aço-5 vidro. facilmente identificável a olho nu e pode ter uma clivagem em mais que uma direção.É a propriedade que alguns minerais apresentam de se poderem separar (partir) por superfícies planas (sempre nas mesmas direções). O mineral pode ter clivagem perfeita.5 quartzo 7 .

cozinha) Cl-.F-) 6 Feldspato / ortóclase (pode ser arranhado com uma liga KAlSi3O8 de aço) 7 Quartzo (capaz de arranhar o vidro. Ex.Escala de Mohs: Dure Mineral za 1 Talco (pode ser arranhado facilmente com a unha) Fórmula química Mg3Si4O10(OH) 2 2 Gipsite (ou gesso) (pode ser arranhado com unha com um CaSO4·2H2O pouco mais de dificuldade) 3 Calcita (pode ser arranhado com uma moeda de cobre) CaCO3 4 Fluorita (pode ser arranhada com uma faca de cozinha) CaF2 5 Apatita (pode ser arranhada dificilmente com uma faca de Ca5(PO4)3(OH-.: ametista) SiO2 .

pode arranhar C qualquer outro e é arranhado apenas por outro diamante) Diafaneidade.1.8 Topázio (capaz de arranhar o quartzo) Al2SiO4(OH-. -(c) translúcidos (deixam passar alguma luz). caso particular dos transparentes) Densidade- A densidade de um corpo poderá ser determinada pela quantidade de massa que o corpo possui dividido pelo volume que esta massa ocupa. 2. A densidade pode ser determinada pela expressão matemática.F)2 9 Corindo (capaz de arranhar o topázio. Na prática pega-se num mineral de densidade conhecida que seja mais ou menos do mesmo tamanho que o mineral que pretendemos determinar e sentimos qual é o mais pesado.: safira e rubi) Al2O3 10 Diamante (mineral mais duro que existe. É uma relação entre peso e volume. .É a propriedade que os minerais têm de se deixarem atravessar.1. -(b) transparentes (deixam passar toda a luz). ou não. pela luz e podem ser: -(d) opacos (não deixam passar luz). Rochas sedimentares. Exs. -(a) Hialinos (completamente transparentes.

. O calor solar fornece energia suficiente para que. iniciando-se o ciclo da água e. ocorra a evaporação. anteriormente referida. a meteorização e a modelação do relevo.Rochas sedimentares As rochas sedimentares forma-se à superfície ou muito próximo da superfície. através de processos que resultam da interação com a hidrosfera. atmosfera e biosfera. consequentemente. na superfície da Terra. Quando uma rocha (ao percorrer o seu ciclo) chega à superfície via estar sujeita a diferentes condições de pressão e temperatura onde foi formada e vai ser alterada por processos físicos e químicos que ocorrem na superfície terrestre resultantes da interação. que por sua vez também resultaram de outras rochas e de restos de seres vivos. Resultam de rochas pré-existentes (cerca de 80%). Os restantes 20% resultam da precipitação de substâncias.

alívio de pressão. Meteorização física ou mecânica Água no estadolíquido A água da chuva e a variação cíclica do teor de água nas rochas (alternância de períodos secos e húmidos). Por vezes da meteorização resultam novos minerais. A este conjunto de fenómenos dá-se o nome de SEDIMENTOGÉNESE. desidratação e cimentação). temperatura. Posteriormente pode ocorrer a DIAGÉNESE que é o conjunto de fenómenos que leva à formação de uma rocha sedimentar coerente (compactação.levando à fracturação e desagregação do material rochoso. designa-se por meteorização. Tipos de meteorização Meteorização física ou mecânica – a rocha fica fragmentada sem haver alteração química na rocha original. através da ação da água (sólido e líquido). A erosão é o conjunto de fenómenos que ocorrem a seguir. Os que resistiram dizem-se minerais herdados ou residuais. crescimento de minerais e seres vivos. . que é o conjunto de processos físicos e químicos que alteram a rocha. Quando o transporte acaba dá-se a sedimentação (domínio das rochas sedimentares móveis). dizem-se minerais de neoformação. promove a remoção dos materiais das rochas alterados pela meteorização que serão transportados.A alteração das características primárias das rochas. provoca variações de volume e gera tensões .

e as rochas expandem-se por alívio de pressão e fraturam-se . podendo formar-se novas diáclases levando à desagregação da rocha. que penetra nas diáclases da rocha.as raízes são responsáveis pelo aparecimento e alargamento de fendas. o deserto em que as amplitudes térmicas são máximas. as rochas que estão por cima já foram erodidas. como consequência dar-se –á um aumento das fraturas.A água líquida. Estes minerais formados exercem uma força nas rochas onde se instalaram e contribuem para a desagregação da rocha. Seres vivos Seres vivos . como por exemplo. pode gelar o que irá provocar um aumento de volume exercendo pressão. Alívio de pressão (descompressã o) Alívio da pressão – as rochas formadas em profundidade sofreram grade pressão. Podemos ter então: . Este fenómenos designa-se por CRIOCLASTIA.originando as diáclases. e ainda a intervenção de substâncias produzidas pelos seres vivos. Certos animais escavam tocas ou galerias que aumentam o grau de degradação da rocha ou a expõem ainda mais a outros agentes de meteorização Meteorização química – dá-se a alteração na composição química da rocha o que implica que há minerais que são destruídos e outros novos minerais podem ser formados. Gelo A água é uma poderosa substância dissolvente e quando está retida nas diáclases pode conter substâncias dissolvidas e que podem precipitar e formar minerais. os gases da atmosfera (oxigénio e dióxido de carbono). quando estas ascendem à superfície. Há climas mais propícios. Este fenómenos designa-se por HALOCLASTIA. Crescimento deminerais Temperatura As rochas estão sujeitas às variações de temperatura ao longo do dia estão sistematicamente a dilatar e a contrair o que leva à fracturação da rocha. Este fenómenos designa-se por TERMOCLASTIA. através da água e suas substâncias dissolvidas.

Muitos minerais contêm ferro na sua constituição que reage com o oxigénio e formam óxidos.a hidrólise dos silicatos é fenómeno responsável pela formação dos minerais argilosos. O CO2 atmosférico reage com a água e forma o ácido carbónico que atua nos silicatos (feldspatos) e origina um novo mineral. Oxidação .Hidrólise . como o calcário. Os catiões do silicato são substituídos pelo hidrogénio proveniente da água ou do de um ácido. Dissolução . mineral de argila (Caulinização).se as águas acidificadas reagiram com o carbonato de cálcio (calcite).o oxigénio atmosférico reage com os minerais formados em ambiente redutor e estes oxidam. As águas acidificadas reagem com os minerais das rochas e altera-os. principalmente em rochas solúveis e em particular as carbonatadas.O dióxido de carbono atmosférico ou dos solos acidifica a água e forma o ácido carbónico. Carbonatação . a caulinite. formam-se produtos solúveis que serão removidos em solução (sai o cálcio e o .

no caso dos calcários (rochas formadas por calcite. uma rede de diáclases que irão formar as grutas. A terra rossa. Esta reação origina o alargamento das diáclases e pode formar. O seu nome deve-se à cor vermelha da argila que vem dos óxidos de ferro que a compõem.hidrogenocarbonato mas as impurezas ficam no local). Os materiais em solução. é uma argila que resulta das impurezas não solúveis (sílica e argila misturadas no carbonato de cálcio na formação do calcário) que não são removidas do calcário. por exemplo). podem precipitar e formar as estruturas das grutas (estalactites. estalagmites. Exemplo do que acontece com um granito .

DETRÍTIC AS QUIMIOGÉN ICAS sediment origem os ou química clastos de tamanho variado resultante s da meteoriza ção das rochas préexistentes. por exemplo) com química de os detritos ou na precipitação. quimiogénicas ou de precipitação química e biogénicas ou organogénicas. BIOGÉNICAS OU ORGANOGÉNICAS origem biogénica resultam da resultam da agregação de restos de precipitação seres vivos (conchas. substâncias dissolvidas na água .As rochas classificam-se quanto à sua génese em: detríticas.

... vento.). temperatura. águas da chuva.. ventos. .estes materiais vão sofrer TRANSPORTE (acção da gravidade. acção dos seres vivos. 1. gelo.-EROSÃO) actuam nas rochas mobilizando os materiais desagregados.A rocha foi meteorizada e os agentes erosivos (chuva. glaciares.1-ROCHAS DETRÍTICAS Observa com atenção a figura e tenta perceber o que se está a passar. 2.

Isto é a COMPACTAÇÃO. formando um CIMENTO natural que irá ligar os sedimentos uns aos outros.Assim que acaba o transporte os materiais (sedimentos) vão depositar-se (SEDIMENTAÇÃO). As rochas detríticas podem então. 4. Os sedimentos mais finos. As rochas coerentes resultam da compactação e da cimentação dos sedimentos das rochas móveis. há cada vez menos espaço e água entre eles. os sedimentos mais grosseiros como os calhaus. dá-se a CIMENTAÇÃO. 5. . sofreram diagénese. geralmente em grandes depressões existentes nos fundos dos mares (bacia de sedimentação).3.Se a erosão continuar a actuar irá continuar a existir transporte para a Bacia. começam a compactar. os sedimentos devido à pressão exercida. as areias chegam à foz e são conduzidas pelas marés. restando alguma entre os grãos. ser móveis ou consolidadas (ou coerentes). A rocha passa de MÓVEL a COERENTE.Os sedimentos ficam mais apertados e a água que os envolve "migra" para as camadas superiores(DESIDRATAÇÃO). Os sais dissolvidos na água que ficou entre os grãos precipitam . só se depositam em ambientes muito calmos como os fundos marinhos ou ambientes lagunares por exemplo. vão em suspensão nas águas. são depositados pelo caminho antes de atingirem o mar. como as argilas.

e os calhaus chamam-se brecha se os calhaus forem angulosos e conglomerados se os calhaus forem arredondados. . os siltes em siltitos. areias em arenitos.Classificação dos grãos das rochas detríticas Os grãos quando cimentados transformam asas argilas em argilitos.

Tipos de cimento Os tipos de cimento são variados. depende dos elementos químicos que as bacias sedimentares "carregam". silicioso 2. Quando a concentração destes sais chega a um determinado limite e o transporte acaba. A água transporta sais. Os cimentos mais frequentes são: argiloso. pH. Este limite qua faz a passagem para a precipitação está condicionada por: concentração do soluto. Silicosas (sílex) e Evaporíticas (salgema e gesso). condições ambientais (temperatura. etc) e evaporação. óxido de ferro. Ferruginosas. os sais precipitam. travertinos e tufos calcários). carbonato. .QUIMIOGÉNICAS OU DE PRECIPITAÇÃO QUÍMICA São rochas que se formam pela precipitação de soluções químicas nas bacias sedimentares e dividem-se em: Rochas Calcárias (calcários. para além de partículas sólidas.

chamados domas salinos ou diapiros. através de estudos gravimétricos.mineral halite (cloreto de sódio). O salgema . Os sais precipitam e depositam-se nos lagos ou mares poucos profundos. Quando ascendem à superfície são facilmente erodidas e os relevos rebaixados em relação aos terrenos envolventes. pode ascender formando grandes massas de sal.A evaporação origina os evaporitos. originado depressões por onde os rios. Enquanto não ascende trata-se de uma anomalia gravimétrica negativa (pois tem menos densidade que as rochas encaixantes). são os vales tifónicos. é pouco denso e plástico. . e quando se encontra em profundidade. rodeada por relevos calcários. Um exemplo é a planura dos campos da região de Caldas da Rainha. Estas anomalias gravimétricas negativas dão-nos a sua localização. Exemplos: a salgema (cloreto de sódio) e gesso (sulfato de cálcio). facilmente se encaixam.

Formação do Petróleo . São misturas mais ou menos complexas de hidrocarbonetos (compostos químicos constituídos por hidrogénio e carbono).BIOGÉNICAS OU ORGANOGÉNCIAS São formadas pela junção de matéria orgânica em bacias de sedimentação.3. O carvão e o petróleo englobam-se na génese das rochas sedimentares biogénicas. por exemplo as areias da praia comumente têm restos de conchas. ou podem ter origem detrítica. por exemplo: calcário conquífero e recifais. Podem ser bioquimiogénicas ou quimiobiogénicas e os restos dos seres vivos estiverem a inseridos numa matriz química. embora não sejam consideradas verdadeiras rochas porque o petróleo bruto está no estado líquido e por serem ambas quase exclusivamente orgânicas (os seus constituintes não encaixam na definição de mineral).

gasosos (gás natural) e sólidos (betumes ou asfaltos) que ficam retidos na Rocha-Mãe. d) Quando encontram uma rocha impermeável (Rocha Cobertura).a) A matéria orgânica de origem planctónica. A betuminização é um processo lento e envolve um aumento de temperatura na ordem dos 120 a 150ºC. c) No processo de betuminização formam-se os hidrocarbonetos líquidos (petróleo bruto ou nafta). esporos. criando-se as condições anaeróbias necessárias que levam ao processo de betuminização. os hidrocarbonetos têm tendência a subir se tiverem espaço para o fazer ou se as rochas envolventes forem porosas. Na deposição os hidrocarbonetos dispõem-se por densidades (os mais densos são os betumes e ficam em baixo. por pressão. os fluidos gasosos e líquidos que são mais leves que os restantes sedimentos e mais leves que água salgada. a cerca de 2000 a 3000 metros de profundidade. algas. Com a deposição de novos sedimentos. depois o petróleo bruto e em cima o gás natural). ocupando todos os espaços vazios que. normalmente seriam ocupados pela água salgada (Rocha Armazém). b) a matéria orgânica juntamente com materiais argilosos. grãos de pólen acumula-se nos fundos oceânicos sem turbulência. vai ficar subterrada. . o movimento dos hidrocarbonetos pára e impregnam as rochas subjacentes.

domas salinos. onde se acumulam os hidrocarbonetos fluidos. geralmente. porosa. dobras. constituídas por uma rocha porosa coberta por uma rocha impermeável: a superfície que separa as duas rochas deve ter.A. Formação do carvão O carvão mineral foi formado pelos restos soterrados de plantas tropicais e subtropicais..Rocha Armazém .Rocha argilosa que se localiza por cima da rocha armazém e que forma uma camada impermeável.Rocha Cobertura .. no seu conjunto.Rocha Mãe . especialmente durante períodos Carbónico e Pérmico (há cerca de 300 milhões de anos) em zonas pantanosas. Sempre que uma armadilha fica preenchida por hidrocarbonetos passa-se a chamar um jazigo petrolífero ou jazida petrolífera. uma forma convexa (há mais tipos) para a parte superior. ao ascenderem até serem armazenados passam por uma série de armadilhas petrolíferas que dependem do tipo de rocha (permeáveis e impermeáveis) e das estruturas existentes (falhas.). C. B.onde se formam os hidrocarbonetos num processo que leva milhões de anos. Os hidrocarbonetos ao serem formados. .Rocha permeável. As armadilhas petrolíferas são.

lenhito. azoto e hidrogénio. Existem quatro tipos principais de carvão mineral: turfa. Este processo é um tipo de fossilização que se designa por Incarbonização. Vai empobrecendo em oxigénio. hulha e antracite (em ordem crescente do teor de carbono). aprox. com aprox. . mais puro se considera e mais potencial energético tem. azoto. pode ser: -do tipo turfa -do tipo lenhite -do tipo hulha com com com aprox. O mais puro dos carvões. os materiais orgânicos ficam comprimidos com o peso dos sedimentos e sujeitos a uma maior pressão e temperatura e vai sofrendo transformações progressivas levando à génese do carvão. aumentando. com a sedimentação de mais argilas. relativamente.A argila dos pântanos impede o apodrecimento da matérias orgânica (vegetal). aprox. Ao longo do tempo. À medida que se dá um enriquecimento relativo de carbono.do tipo antracite 80 a 60% de carbono. a quantidade de carbono. carbono e hidrogénio. ao longo de milhões de anos. Dependendo do tempo decorrido do processo de fossilização. é considerada .. O carvão mineral ou carvão natural é um produto da fossilização da matéria orgânica que é constituída essencialmente por oxigénio. a antracite. Quanto maior o teor de carbono. 70% de carbono. subterrada. 85% de carbono. o carvão tem cada vez menos água e voláteis na sua composição. 90% de carbono.

túneis escavados pelos seres vivos. . Só se consideram fósseis os vestígios orgânicos com mais de 13. etc. marcas ou vestígios de seres vivos que viveram em épocas muito recuadas e que ficaram preservados nos sedimentos em que viveram. Por exemplo: uma pegada de dinossauro é encontrada onde se formou mas um dente. pode ter sofrido transporte. Os fósseis e processos de fossilização Fóssil do latim fossilis. como tal. por exemplo.rocha metamórfica. pois quando ascende à superfície e sofre erosão podem sofrer transporte e não se encontrarem no local onde foram formados. As rochas sedimentares formam-se. folhas. dentes. 2. Os icnofósseis são muito importantes para reconstituir paleoambientes. como já se referiu. são testemunhos da história da Terra. na superfície ou muito próximo da superfície e resultam dos processos geológicos e da sua interação da biosfera e atmosfera. arquivos históricos da Terra. As rochas sedimentares. por exemplo: moldes. tirado da terra. São restos. como por exemplo: restos de troncos. Quando se tem restos de seres vivos. ovos. conchas. cropólitos (excrementos). pois representam o comportamento dos seres vivos e o fóssil é encontrado no local onde se formou.1. ossos. Os somatofósseis são muito importantes para conhecer a espécie mas não tão importantes para o conhecimento do paleoambiente. Fornecem-nos pistas sobre as condições ambientais em que se formaram (paleoambientes) e os seres vivos que viveram noutras épocas geológicas (fósseis). designa-se por Somatofóssil (do grego soma. corpo).000 anos (idade aproximada da última glaciação do Quaternário). As marcas e vestígios são designados por Icnofósseis (icnos do grego significa traço ou vestígio).2. pegadas.

ou usando os métodos de datação radiométrica que consistem em medir a proporção de dois isótopos radiativos relacionados (um origina outro). e isto é a GEOCRONOLOGIA RELATIVA. Existem dois tipos de fósseis que nos permitem fazer estes estudos: -Fósseis característicos ou de idade Fóssil característico ou de idade: é um fóssil que nos fornece indicações quanto à idade dos sedimentos. grande abundância . Tem de ter vivido num curto espaço de tempo e com uma grande distribuição geográfica. ou usando os princípios que relacionam a idade dos estratos utilizando os conceitos: anterior. contemporâneo e posterior. Os fósseis de idade são os fósseis usados na geocronologia que pode ser feita de duas formas.Interesse científico dos fósseis Já se falou da importância dos fósseis para o estudo da evolução das espécies. e isto é a GEOCRONOLOGIA ABSOLUTA. . só assim se consegue reconstituir a história da Terra e dos seres vivos. relacionados com o padrão geométricos que os estratos apresentam. dos paleoambientes e da idade das rochas (geocronologia). presentes nas rochas.

Estuarinos. os continentes…) Os fósseis de fácies dão-nos o ambiente de formação das rochas sedimentares que se dividem em três domínios: marinhos. Permitem fazer reconstituições geográficas…(onde estava o oceano. Batiais ou de talude continental e Pelágicos ou oceânicos. Lagunares e litorais Os de transição são: Fluviais. Os marinhos são: Neríticos ou de plataforma continental.-Fósseis -Fornecem-nos de informações ambiente sobre as ou características do de ambiente em fácies que viveram- (Paleoambientes) e do ambiente de formação das rochas que os contem. Desérticos. Lacustres. continentais e de transição. Os continentais são: Deltaicos. Glaciares e Cavernícolas .

relacionados com o padrão geométricos que os estratos apresentam. ou usando os métodos de datação radiométrica que consistem em medir a proporção de dois isótopos radiativos relacionados (um origina outro). . e isto é a GEOCRONOLOGIA ABSOLUTA. presentes nas rochas. Geoistória Através da geocronologia foi possível construir uma escala de tempo geológico que já conheces.Os fósseis de idade são os fósseis usados na geocronologia que pode ser feita de duas formas. ou usando os princípios que relacionam a idade dos estratos utilizando os conceitos: anterior. e isto é a GEOCRONOLOGIA RELATIVA. contemporâneo e posterior.

2 Magmatismo. provida de mobilidade (estado "pastoso". TEXTURAS . ao longo do tempo. proveniente as astenosfera. É formado à custa da fusão dos materiais do manto superior e da crosta.2. As rochas magmáticas são formadas a partir do magma (mistura silicatada. Rochas magmáticas. acaba por consolidar. Tem na sua constituição gases e está a altas temperaturas (rondam os 800 a 1500ºC). nem sólido nem líquido. Ao deslocar-se para a superfície encontra temperaturas mais baixas e vai arrefecer. O magma é menos denso que as rochas e se encontrar uma abertura pelas rochas envolventes. ascende.

etc. com textura holocristalina (também se diz textura fanerítica) -as que se formam em profundidade menores que as intrusivas mas próximo destas. Quando se observa uma rocha magmática é frequente encontrar cristais maiores que se destacam dos outros e a estes dizemos e designam-se por fenocristais e a textura de uma rocha com fenocristais diz-se porfírica se tivermos na presença de uma rocha plutónica e porfiróide se for uma rocha vulcânica. o potássio e o magnésio. ferro. A quantidade de sílica permite classificar os magmas em pobres de sílica. um lento em que os cristais tiveram tempo de se desenvolver e outro. o sódio. fluor. etc.). cloro.Possuem. quando o magma ascende. flúor. Normalmente são destes pegmatitos que se retiram os minerais para venda. para além destes elementos químicos.Consoante o local na litosfera onde consolidam as rochas magmáticas vão apresentar texturas diferentes e classificam-se em: -vulcânicas ou rochas extrusivas. as rochas plutónicas ou intrusivas. tem textura vítrea (vidros vulcânicos). Al2O3. as Hipabissais ou sub-vulcânicas. formadas à superfície. silício. os restantes minerais cristalizam. cálcio. com textura holocristalina.. quando a rocha apresenta alguns cristais num meio de uma pasta afanítica ou vítrea. A composição silicatada do magma é rico em sílica (SiO2) e os elementos químicos mais abundantes da sua composição são: oxigénio. As hipabissais têm textura intermédia entre fanerítica e afanítica e por isso diz-se que a textura é microfanerítica ou microgranular.quando os minerais não são visíveis à vista desarmada ou ainda. . A existência dos fenocristais indicam-nos que houve vários tempos de cristalização. indicando-nos que a cristalização foi fracionada. alumínio. praticamente ao menos tempo. que correspondem ao magma basáltico. intermédios e ricos em sílica. o magma andesítico e o magma riolítico. arsénio. água. Estes elementos químicos normalmente vêm expressos em forma de óxidos (SiO2. -as que se formam em maiores profundidades. Por vezes estes fenocristais assumem grandes dimensões relativamente à restante massa da rocha e a textura dessa rocha designa-se por pegmatítica. respetivamente. hemicristalina. ou afanítica. boro.

.ORIGEM Quanto à origem o magma basáltico provém da fusão dos materiais do manto. oriolítico porque provém da fusão das rochas da crosta são os magmas secundários. formados por peridotitos e diz-se primário.

têm maior quantidade de minerais ferromagnesianos (minerais máficos . Cristalização e diferenciação de magmas Quando o magma começa a arrefecer com a diminuição da temperatura. os sucessivamente de ponto de fusão mais baixo e menos densos. Os minerais não se formam todo ao mesmo tempo. têm aproximadamente a mesma quantidade de minerais félsico e máficos e diz-se que têm tonalidade mesocrata. O mineral ao arrefecer pode ser decomposto e dar origem a novos minerais até à sua cristalização definitiva. dá-se início à cristalização. seguindo-se-lhes. As rochas de composição intermédia. As temperaturas dependem da profundidade e variam entre os 500º aos 1500ºC. As rochas ácidas (granito) têm maior quantidade de sílica. Este é um processo lento. os minerais não têm "tempo" de se formar e originam vidros. . ou seja à formação dos minerais.TONALIDADE As rochas básicas (basalto) e as ultrabásicas (peridotitos).magnésio +ferro) que são escuros e por isso conferem à rocha uma tonalidade escura.feldspato + sílica) e a tonalidade da rocha é leucocrata. que são aqui também os mais densos. se for rápido. os minerais são claros (félsicos . designando-se por rocha melanocrata. primeiro cristalizam os de ponto de fusão mais elevado. numa sequência.

magmas de composição básica. séries de Bowen. pois são mais ricos em sílica em detrimento dos metálicos. têm uma densidade mais elevada dado que são constituídos por um maior número de catiões metálicos sendo os magmas de composição ácida menos densos. No que respeita à temperatura de fusão. passando pela Bitaunite . . sendo mais pobres em sílica. o que significa que a reação entre o material cristalizado e a solução não origina minerais diferentes (minerais isomorfos) diferindo apenas nos teores relativos dos elementos químicos (por serem semelhantes na dimensão e em carga) que entram na sua composição. em 1928 criou duas séries. podendo atingir aos 1500º C. A série contínua é a família das plagióclases que varia entre a anortite (plagióclase cálcica) à albite (plagióclase sódica). -Uma das séries é contínua. Labradorite .DENSIDADE A densidade do magma varia principalmente em função do conteúdo em sílica (SiO2). estas são mais altas nos magmas básicos. enquanto que nos magmas ácidos rondarão temperaturas de fusão entre os 700 e os 900º C. Andesina. VISCOSIDADE A viscosidade do magma é mais elevada nos magmas ácidos do que nos magmas básicos. em que ordena os principais minerais das rochas magmáticas segundo o seu arrefecimento em que ocorrem reações entre as substâncias já cristalizadas e as que se encontram ainda em solução. Oligóclase. Assim. SÉRIES DE BOWEN Bowen.

Os minerais mais leves tendem a acumular-se na parte superior da câmara ajudados pelos gases (CO2 e vapor de água. se na cristalização fracionada se formou o quartzo e o feldspato potássico é um granito. e podem depositar-se. como já foi referido. Os minerais caracterizam as rochas. Este gráfico representa as séries de Bowen com a rocha que se forma. são os que têm o ponto de fusão mais alto e são também os mais densos. por ação da gravidade. Esta deposição . Por exemplo.-e outra das séries é descontínua quando a reação dos materiais cristalizados e as substâncias em solução. Durante o arrefecimento os primeiros minerais a formarem-se. por exemplo) e a água presentes na câmara. originam minerais diferentes. na base da câmara magmática podendo ficar preservados da reação com a solução.

A mistura de magmas também contribui para a diferenciação magmática. A diferenciação magmática. uma ação combinada entre a cristalização fracionada e adiferenciação gravítica. nos maciços de Sintra. é assim. as mais densas em baixo e as menos densas em cima. a este fenómenos dá-se o nome de Diferenciação gravítica. A assimilação magmática contribui também para a diferenciação magmática o magma ao instalar-se funde as rochas encaixantes se se encontrar a temperaturas superiores do ponto de fusão dos cristais que constituem essas rochas alterando a composição original do magma.por diferença de densidades faz com que no mesmo reservatório possam co-existir rochas diversas entre si e entre o magma parental. Quando duas câmaras magmáticas se fundem origina a mistura de magmas e o resultado produzirá uma rocha diferentes dos magmas originais. partes sólidas podem ficar retidas no magma.resulta da assimilação magmática . importantes para o conhecimento da história geológica da região. Se a fusão for parcial. originados os encraves ou xenólitos. Xenólito . Esta diferenciação magmática pode ser vista mesmo perto de nós.

todos os outros que podem estar no granito são acessórios. por exemplo biotite. Os acessórios não caraterizam a rocha mas dão-lhe o segundo nome. designam-se por essenciais e os que podem estar ou não presentes na rocha. Por exemplo: Os minerais essenciais do granito são o feldspato e quartzo. Se o granito tivesse. o nome seria granito biotítico.Os minerais que caraterizam a rocha. por acessórios. Um exemplo muito frequente sãos as micas (moscovitebranca e biotite -preta). CLASSIFICAÇÃO DAS ROCHAS MAGMÁTICAS .

2. vão ficando sujeitas a condições de pressões e temperaturas diferentes das que lhes deram origem podem sofrer deformação. . deformação esta que afeta a forma e/ou volume da rocha. Estas diferentes condições são da responsabilidade do dinâmica interna da Terra que origina tensões que traduzem o aparecimento de estruturas geológicas como as falhas e dobras.3 Deformação dos materiais: regime frágil e dúctil. ao longo do seu "percurso" pela litosfera. Falhas e dobras. As rochas.

. todos os materiais.Quando uma rocha sofre uma determinada força externa ela reage com uma força interna que tende a manter ou a restaurar a sua forma original. plástico e frágil. diz-se que a rocha está em estado de tensão e é este estado de tensão que conduz à deformação das rochas. originando falhas e dobras. As tensões geradas podem ser de diferentes tipos. plasticidade e viscosidade) que dependem da própria composição química e que quando sujeitas a determinadas condições diferentes das da sua origem. as rochas sofrem deformações. As rochas da litosfera apresentam deformações devido à acção de forças de pressão exercidas pelo peso das rochas que estão por cima e das tensões provocadas pela mobilidade das placas litosféricas. neste caso geológica. reagem tendo um comportamento. O estado de tensão aplicada as rochas mostra que as rochas apresentam três tipos de comportamento: elástico. Todos as rochas. dependendo dos limites tectónicos onde ocorrem. apresentem determinadas propriedades (elasticidade. A tensão é a força exercida por unidade de área. originando uma deformação que se manifesta numa determinada estrutura. Submetidas a estados de tensão. na verdade.

Comportamento frágil – o material fratura.As rochas sujeitas a temperaturas e pressões elevadas tendem a dobrarse sem fraturarem. quando a tensão cessa. Regime Frágil . B.As rochas sujeitas a temperaturas e pressões baixas tendem a fratura-se originado as falhas.a rocha deforma mas.ou fraturar. Verifica‐se quando a força aplicada sobre a rocha é superior ao seu limite de plasticidade. . Comportamento plástico – é permanente. A rocha deforma-se elasticamente até um certo limite. quando este é ultrapassado a rocha pode: A - permanecer com a deformação e já não volta ao estado normal - comportamento plástico. permite classificá-las em: Regime Dúctil . A deformação das rochas respondendo aos tipos de comportamento.Comportamento elástico. a rocha volta à a sua forma/volume iniciais. o material fica deformado mas não parte e verifica‐se quando a força aplicada sobre a rocha é superior ao seu limite de elasticidade e inferior ao limite de plasticidade.

O comportamento que a rocha irá apresentar vai depender de factores intrínsecos à
própria rocha, a composição mineralógica e textura, e de factores extrínsecos, a temperatura,
o tempo, a pressão de fluidos, e do tipo e intensidade da tensão. A mesma rocha pode
apresentar comportamento frágil numas circunstâncias, e dúctil noutras, dependendo das
condições em que se encontra.
Diz-se temperatura e pressão confinante às temperaturas e pressões que são exercidas
em todas as direções sobre uma rocha no interior da crosta.
O aumento da pressão e da temperatura favorece a deformação plástica, assim, é fácil de prever
que à superfície as rochas apresentem um comportamento frágil e à medida que se "caminha"
para o interior da litosfera, porque a pressão e a temperatura aumentam, o comportamento das
rochas é dúctil. Se caminharmos mais para o interior as rochas passam a ter um comportamento
viscoso e no limite à fusão.

Deformação de uma rocha em função das condições físicas
TEMPERATUR

TEMPO

A
Baixa

Curto espaço de

TENSÕES -

COMPORTAME

ESTRUTURAS GER

ESFORÇO

NTO

ADAS

Repentino

Frágil

Fraturas/falhas

Repentino

Frágil

Fraturas/ falhas

Gradual

Dúctil

Dobras

tempo
Média

Curto espaço de
tempo

Média

Grande espaço de
tempo

alta

Intermédio entre

Entre pequeno

Dúctil

grande e curto

e grandeesforço

Dobras

espaço de tempo

As rochas estão sujeitas a vários tipos de forças que geram diferentes tipos de tensão:
tensão de compressão (forças compressivas); tensão distensivas (forças distensivas ou
de tração) e tensão de cisalhamento (forças tangenciais).
As tensões compressivas conduzem à redução do volume da rocha na direção paralela à
actuação das forças e ao seu alongamento na direção perpendicular. Podem, também, provocar
a

fratura

da

rocha.

As tensões distensivas conduzem ao alongamento da rocha, na direcção paralela à atuação
das

forças,

ou

à

sua

fratura.

As tensões de cisalhamento causam a deformação da rocha por movimentos paralelos em
sentidos opostos.

DEFORMAÇÃO CONTÍNUA - DOBRAS
Os elementos de dobra, que
caracterizam a geometria das
dobras, são:
- FLANCOS, ou vertentes da
dobra,
porções
de
menor
curvatura.
- CHARNEIRA, que é a linha que
une os pontos de máxima
curvatura, corresponde à zona de
convergência das camadas de
cada
flanco.
- NÚCLEO,
formado
pelas
camadas mais internas da dobra.
- PLANO AXIAL, plano que contém
as charneiras dos diferentes
estratos dobrados, dividindo a
dobra
em
dois
flancos
sensivelmente
iguais.
- EIXO da dobra, que corresponde
ao ponto de interseção do plano
axial com a charneira.

http

designam-se por ANTICLINAIS. por exemplo pode haver um sinforma anticlinal ou antiforma sinclinal. comparando com o regime dúctil e formação das dobras.com a concavidade virada para baixo (U invertido). As falhas formam-se em regime frágil. DEFORMAÇÃO DESCONTÍNUA. sinforma e neutras) e segundo a idade das rochas que as constituem (anticlinal e sinclinal): ANTIFORMA . As falhas são fraturas nas rochas e que originaram um movimento. A grande maioria das vezes o anticlinal corresponde ao antiforma e o sinclinal ao sinforma mas em rochas em que a deformação intensa pode ter havido inversão na posição das camadas. que caracterizam a geometria das falhas.As dobras podem ser classificadas segundo o seu aspeto geométrico (antiforma. SINFORMA . e SINCLINAL se as rochas mais recentes se encontram no núcleo da dobra. Tomam o nome de Anticlinal e Sinclinal depois de se analisar a idade do núcleo das dobras. Os elementos das falhas. NEUTRAS . a pouca profundidade e num curto espaço de tempo.quando a concavidade é lateral e o plano e o eixo da dobra é vertical (dobras deitadas). e se as rochas mais antigas se encontrarem no núcleo. são: .FALHAS A deformação é uma resposta mecânica dos materiais quando sujeitas a campos de tensões durante um certo intervalo de tempo.com a concavidade virada para cima (forma de U).

plano que pode ser referenciado através da direção e da sua inclinação ou pendor.bloco que está por baixo do plano de falha ATITUDE (plano de falha).linha de interseção do plano de falha com um plano horizontal.PLANO DE FALHA . REJEITO .superfície de fratura http da qual ocorreu o movimento dos blocos.bloco que está por cima do plano de falha MURO. TETO. http://www.dc TIPOS DE FALHAS .

Agentes de metamorfismo. Rochas metamórficas .4 Metamorfismo.DEFORMAÇÃO E TECTÓNICA DE PLACAS 2.

também. As rochas metamórficas formam-se durante um período de alguns milhares ou milhões de anos. Durante o metamorfismo ocorrem uma série de transformações originando uma rocha final distinta da que lhe deu origem. Fluidos: Entre as rochas na litosfera existem espaços preenchidos por fluídos (gasoso e líquido) que influenciam a formação de rochas de baixo metamorfismo. ao contrário das que levam menos tempo que tem um aspeto granular fino. temperatura.A origem de seu nome vem do grego (meta = forma. A rocha sujeitas a novas condições de pressão e temperatura reajusta-se e origina a novos minerais (recristalização) que são estáveis para as novas condições e ocorrem. A água provoca diversas reações químicas que contribui para as alterações químicas e mineralógica necessárias ao metamorfismos. influenciadas pelas altas pressões e temperaturas. diz-se que as rochas foram remetamorfizadas. influenciado também por serem um produto de baixas pressões e temperaturas. fluídos e tempo. Se as rochas metamórficas sofrerem metamorfismo. Tempo: O tempo é um fator muito importante para a formação deste tipo de rochas. excluindo o caso particular do metamorfismo de impacto. Um dos fluidos mais importantes é a água que é um excelente dissolvente e que transporta as substâncias em solução. de textura e estrutura das rochas preexistentes e ocorre entre os 10 a 30km de profundidade. O metamorfismo envolve uma recristalização parcial ou total e alterações de composição mineralógica. Os agentes de metamorfismo são: Pressão. Todas as rochas podem sofrer metamorfismo. . mórficas = mudança). Uma rocha metamórfica forma-se a partir de uma rocha pré-existente sem que haja alteração física dos materiais. Temperatura: com a pressão litostática os materiais tendem a descer em profundidade na litosfera ficando em novas condições de temperatura que facilita o metamorfismo. variações na textura da rocha inicial. As que se formam num maior período de anos apresentam um aspeto granular grosseiro (os novos minerais tiveram tempo de crescer). metamorfismo de maior profundidade. Pressão: devido ao peso das camadas superiores (pressões litostáticas) e também provenientes dos movimentos laterais das placas litosféricas.

Tipos de metamorfismo Existem muitos tipos de metamorfismo. pelo aumento de temperatura e pelos fluidos derivados do magma. Um metamorfismo localizado. Os minerais das rochas encaixantes. . Metamorfismo de contacto: Forma-se a partir do contato da intrusão magmática com as rochas encaixantes. sofrem um rearranjo estrutural originando novos minerais que sejam estáveis às novos condições. Os novos minerais distribuem-se dentro (endometamorfismo) e fora (exometamorfismo) da intrusão na auréola de metamorfismo. interessa-nos aqui conhecer os principais o metamorfismo regional e de contacto. principalmente voláteis. abrange a área da intrusão.

e que é causado por pressões e . são as auréolas de metamorfismo.As rochas deste tipo de metamorfismo designam-se genericamente por corneanas e à volta da intrusão magmática formam-seauréolas que manifestam vários graus de metamorfismo. mineral semiprecioso. regiões de formação de cadeias de montanha). daí o seu nome. A granada. forma-se por metamorfismo de contacto. Formação de granadas no metamorfismo de contacto Metamorfismo regional: é um tipo de metamorfismo que afeta extensas áreas. Exemplos de rochas: quartzito e mármore.

diretamente relacionada com as pressões das placas (compressão cizalhamento) tectónica). que Resulta produzem de forças uma tectónicas orientação (compressivas. nas grandes bacias de sedimentação a profundidades médias e nos limites convergentes das placas associados ao aumento da espessura da crosta na formação de cadeias de montanha. associadas a soluções aquosas.temperaturas muito elevadas. Pressão dirigida (não litostática). Resulta do peso da massa rochosa suprajacente e exerce-se igualmente em todas as direções. . preferencial de distensivas alguns e de minerais. Este tipo de metamorfismo está associado aos limites convergentes das placas litosféricas. A pressão que este tipo de metamorfismo sofre é de dois tipos: Pressão litostática. relacionada com o local onde se formam este tipo de rochas. fazendo diminuir o voluma da rocha (metaforização) e aumentado a densidade dos minerais.

o micaxisto e o gnaisse. Exemplo de algumas rochas deste tipo de metamorfismo são a ardósia. leptinitos. filádios. são os minerais . No ambiente de metamorfismo regional à medida que aumenta a pressão e a temperatura. para metamorfismo de grau médio a alto e diz-se que as rochas apresentam uma textura foliada. Entre as rochas mais típicas desses diferentes graus figuram as indicadas seguidamente. xistos cloríticos. anfibolitos. Diversos minerais que se encontram nas rochas metamórficas são usados para estudar o metamorfismo. Estas transformações graduais que originam novas recristalizações formam assim certos tipos de minerais que são exclusivos destas rochas e por essa razão caracterizam as rochas onde se formam. médio e alto. o filito. de acordo com os graus de metamorfismo: Baixo – ardósias. estes três graus passam gradualmente uns aos outros. distinguimos os graus seguintes: baixo. sendo usados para estudar o grau de metamorfismo. granitos de anatexia. gnaisses (parte). Médio – micaxistos. À medida que as rochas vão sofrendo o progressivo aumento de pressão e temperatura a rocha original vai sofrendo diferentes graus de transformações (metamorfismo) e uma dada rocha inicial pode dar origem a outros tipos de rochas metamórficas.Este tipo de metamorfismo é caracterizado pela existência de orientação paralela ou subparalela de grãos minerais de diferentes dimensões a que se dá o nome de xistosidade. no seu conjunto. Alto – gnaisses (parte).

outros são exclusivos das rochas metamórficas. As diferentes zonas metamórficas são delimitadas por superfícies de igual grau de metamorfismo. Se as rochas metamórficas continuarem o seu "percurso" descendente pela litosfera. o quartzo e o feldspato são estáveis com as variações de pressão e temperatura. etc. sendo definidas pelos pontos onde ocorrem pela primeira vez determinados minerais-índice. corneanas. micaxistos e gnaisses (ordem por grau de metamorfismo crescente) .associado ao metamorfismo de contacto. magmatismo secundário. folhas finas e baças. considerados termómetros e barómetros geológicos. Resulta do rocha caracterís ticas Rocha -mãe Xisto Gão muito fino Argilito Argiloso e foliação pouco acentuada. granada. Foliadas: ardósias. . devido às pressões litostáticas. Textura Folia da Clivage m ardosífe ra Estas rochas dividemse ao longo de planos paralelos. Alguns minerais como a calcite.-índices ou minerais indicadores. e as rochas aí formadas designam-se por migmatitos (são constituídos por uma parte clara que resulta da fusão da rocha e uma parte escura que não chegou a fundir). Classificação das rochas metamórficas Esta classificação baseia-se na textura da rocha e existem as rochas com textura foliada. quartzitos. não foliada e fracamente foliada. filitos. clorite. as pressões e temperaturas são tão elevadas que se chega ao domínio de transição com as rochas magmáticas.associado ao metamorfismo regional Não foliadas: mármores. o Ultrametamorfismo. epídoto. Exemplos: estaurolite. Depois de ultrapassar o ultrametamorfismo os migmatitos são fundidos e originam rochas magmáticas de segunda geração. cordierite.. chamadas isógradas. xistos.

Ardósia normalmente e scura. Textura característica dometamorfismo de grau médio. Xistosid ade As rochas dividem-se em superfícies lisas ou ligeiramente onduladas e brilhantes. Tem granularidade fina e os minerais índice não se distinguem à vista desarmada. granito Granularidade elevada. Corneana escura e muito dura Argilito . Têm granularidade média a alta e distinguem-se os minerais índice. constituída por Filito micas que lhe dão brilhos no plano de foliação. clorites. Bandad o gnaissic o As rochas apresentam alternância de bandas (cor clara e cor escura). em que há fenómenos intensos de recristalização. Têm granularidade elevada e é característica do metamorfismo de alto grau. Grão fino. Textura característica do metamorfismo de baixo grau. como micas e Argilito. Resultam do alinhamento e crescimento de minerais tabulares (micas). ou basalto constituída por Gnaisse quartzo.alinhamento de minerais tubulares. Grão fino. Não foliada Grão fino. feldspatos e minerais máficos que alternam. como as micas. Grão grosseiro e foliação acentuada que micaxis to resultam do rearranjo dos minerais tubulares.

Formada por cristais de calcite de grandes dimensões..constituída por minerais tubulares dispostos ao acaso Formada por Quartzito grãos de Arenito d quartzo e quartzo recristalizados. Mármore Pode ser formada no metamorfismo regional e de contacto Composição e grau de metamorfismo das rochas foliadas Calcário .

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