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A Pena Capital e a Lei de Deus

Uma Posição Bíblica para os Evangélicos

“O que absolve o ímpio, e o que condena o justo, são ambos abomináveis ao Senhor”. Provérbios 17.15

Introdução
A pena capital, ou pena de morte, é um assunto atual. A sua validade tem sido discutida em todos os
setores da sociedade. À medida em que aumenta a incidência dos crimes violentos observamos muitos
movimentando-se para que a pena capital seja instaurada em nosso sistema judiciário. 1 As revistas
semanais têm trazido reportagens constantes sobre a violência, relatando uma pressão cada vez maior das
pessoas para a aplicação de punições mais severas. Uma dessas reportagens fala sobre a insegurança
assustadora e relata: “Assassinatos brutais, estupradores frios e estatísticas assombrosas transformam a
violência no maior temor do brasileiro”. Indicando que o número de assassinatos ocorrentes em nossa
sociedade “são de uma guerra civil”, a reportagem mostra que o crescimento nos últimos 7 anos (97%) é
espantoso. Atualmente, mais de 50.000 pessoas são assassinadas por ano em nosso país. “É uma
estatística demoníaca”, diz a revista. 2 Outra publicação, relata a reinstalação da pena de morte nos
Estados Unidos, em 1976, indicando as discussões e estatísticas conflitantes existentes em relação à
questão.3 Já um ensaio publicado na revista Veja, faz troça com os que oram e lêem as Escrituras todos os
dias e têm “Jesus sempre no coração”, mas favorecem a pena de morte. 4
Os evangélicos estão perplexos e divididos. Sabem que a violência tem raízes no pecado. Reconhecem
a necessidade de que algo deve ser feito. Observam a lentidão e falta de resposta adequada da justiça e o
seu afastamento dos princípios bíblicos. Por outro lado, verificam que muitos sentimentos dos que são a
favor da pena de morte, na sociedade secular, são incompatíveis com a postura do cristão. Avaliam que
não existe verdadeira “sede de justiça”, mas um desejo baixo de vingança, ou de causar um mal maior ao
criminoso do que o que foi feito à vítima. Outros, estão conscientes de suas obrigações na pregação do
evangelho da vida, mas não separam as extensas responsabilidades do governo, perante Deus, das nossas
obrigações individuais. Confundem a missão pessoal dos cristãos (de ir e pregar) com as atividades do
governo (reconhecer os que praticam o bem e punir os que praticam o mal – Rm 13). Passam, portanto, a
defender, para as instituições, determinações bíblicas que foram prescritas para as pessoas, para o
indivíduo, não para os governos e governantes. Via de regra, extraem desse dilema um entendimento que
não é coerente com os princípios de justiça estabelecidos por Deus para as nações, nem com o apreço e
seriedade que as Escrituras dão à vida humana. Assim fazendo, alinham-se, em sua grande maioria, com
os oponentes da pena capital.

A Posição de muitos Evangélicos – Alicerçada na Palavra?
Um documento da Associação Evangélica Brasileira, de 1993, exemplifica a posição sobre a pena de
morte que normalmente encontramos no meio evangélico. A AEvB emitiu e distribuiu à nação e aos
cristãos esse “manifesto”, contra um projeto que, na época, tramitava na Câmara dos Deputados visando
a instituição da pena de morte no país. O “manifesto”, escrito em linguagem persuasiva, mas sem conter
uma única citação das Escrituras, se propunha a indicar a visão cristã do assunto, colocando-se

1

Revista IstoÉ, “Pela pena de morte”, por Madi Rodrigues (No. 1494 – 20 de maio de 1998). O texto da
reportagem está disponível no endereço: www.zaz.com.br/istoe/vermelha/149402.chtm.
2
Revista Época, “Insegurança Assustadora” (No. 52 – 17 de maio de 1999). O texto da reportagem está
também disponível no endereço: www.epoca.com.br/edic/ed170599/brasil1.htm.
3
Revista IstoÉ, “Execução, uma Polêmica Mundial”, por Kátia Mello (No. 1567 – 13 de outubro de 1999).
O texto da reportagem está disponível no endereço: www.zaz.com.br/istoe/brasileiros/1999/10/09/001.htm.
4
Revista Veja, “E Depois Terceiro Mundo Somos Nós?”, por Roberto Pompeu de Toledo (No. 1637 – 23 de
fevereiro de 2000) 158.

também que a maioria dos países abriga a pornografia. a pena de morte seria um retrocesso.. da Assembléia de Deus (“. os deputados 5 e a nação “à pena de Vida”. do diretor da Anistia Internacional no Brasil. 98-101. como por várias igrejas. nem o fazer coro com uma visão humanista da vida que determina o que devemos ou não acreditar. Novembro de 1996. 6 mas o manifesto em si. ficou clara a sua persuasão contra a pena de morte. a sentença capital não ajudaria a diminuir os índices de criminalidade e nos países onde ela existe. o seu presidente era o Rev. para que a “sociedade brasileira não precisasse cogitar executar os seus filhos”.” enquanto que.a maioria dos países está deixando a aplicação da pena de morte.. como a OAB7 – . o casamento entre homossexuais. (6) Uma visão positiva da sociedade. ela retrucava: “.. Algumas das reproduções desse documento trazem a citação de João 10. da Comunidade evangélica Agápe (“. no seio da sociedade..frontalmente contra a pena de morte. como a AEvB. são: (1) A pena já existiu e foi abolida no Brasil. se ela fosse um mero reflexo da posição da maioria – ou de organizações de peso. Certamente a maioria dos países não abandona a pena de morte por estar abraçando a “lei maior do amor”. tais como: Antônio Carlos Berenhauser. são os que “se mobilizam pela vida”. é silente com relação a qualquer fundamentação de seus argumentos na Palavra de Deus. (4) Nossa sociedade tem muitos males próprios. . de várias personalidades.. fora do contexto no qual Jesus o pronunciou. o documento atribui a seguinte citação “à OAB”: “de que adiantam leis se não há justiça?”. As razões do “manifesto” contra a pena de morte..”.. (5) Os evangélicos devem insistir na esperança. obviamente. (2) A pena de morte não resolve a causa da violência. aqueles que forem a favor da pena capital são rotulados de “os que decidem sobre a morte”. Curiosamente. em função de erros judiciários. Nada disso significa que estas coisas sejam certas em si— elas foram erradas e continuam erradas.9 Ela traz exemplos de criminosos convertidos e declarações e argumentos não bíblicos. no campo evangélico. para quem comete os crimes da roubar.”. Por mais veraz que seja a constatação ela não é suficiente para estabelecer novos padrões de justiça. e por aí vai. a pena de morte é uma maneira muito rápida de se resolver um problema”). Constatamos. na restauração da vida.. ele. enquanto que os que são contrários.. com relação às citações à favor: “. em 1855. Conclamava. do deputado federal. presidente da Comissão dos Direitos Humanos do Rio de Janeiro (“.. nem para firmar uma posição evangélica sobre a questão. no início do verso. 8 “pena de vida”.10 “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. na contrastante parte final do verso. (3) Existem muitas desigualdades sociais no Brasil e muitos privilégios que promovem injustiça... exatamente a salvação da violência e do pecado (“O ladrão vem somente para roubar. Em 1996. em vez de “pela vida”... posteriormente reproduzido. 6 A relação que se pretende fazer do verso (Jo 10. trazia o subtítulo: Discussão sobre a adoção da sentença capital divide opiniões até entre os crentes.. do pastor Martinho Monteiro. na época. só Deus é o Senhor da vida e da morte. Salatiel Carvalho (“. ou se fosse meramente baseada em trocadilhos inteligentes. Se a persuasão ética e teológica do povo de Deus fosse formada através da dialética e síntese de posições contraditórias... Estatísticas que pretendem demonstrar que a maioria dos países 5 Na ocasião. a vida pertence a Deus e só ele pode tomá-la. e o comentário.). na Revista Vinde.. aceita cada vez mais o divórcio e a dissolução familiar como normal. no perdão. Carlos Idoeta (“. que iria publicar um artigo sobre o tema.10) com o “manifesto” está. Insensível aos argumentos bíblicos que eu apresentava.. no sentido bíblico.. Caio Fábio Filho. uma vez que inegavelmente ele instituiu a pena capital no antigo testamento. 7 A Ordem dos Advogados do Brasil tem emitido repetidos pronunciamentos contra a pena de morte. fui procurado por uma jornalista da Revista Vinde. 9 Danielle Franco. No final do “manifesto”. não ocorreu a redução esperada”). “A Pena de Morte no Banco dos Réus”.. ELE vem para que tenhamos vida). A questão já estaria resolvida com o “manifesto” – deveríamos todos fazer oposição fechada contra a pena capital. o criminoso deve pagar sendo útil à sociedade – doando órgãos. pela condução das perguntas. há quem discorde deles”. contra “pena de morte” – uma colocação que retrata Deus como um ser cruel. Ocorre que os cristãos necessitam alicerçar suas convicções na Palavra de Deus... Não pode ser a “voz corrente da sociedade” que vem ditar o nosso testemunho. Os evangélicos não podem firmar suas posições éticas com base nessas argumentações.. tanto em jornais. o povo. matar e destruir. 8 não precisaríamos dar mais um passo. desvaloriza a vida”). sem injustiça e desigualdades sociais e com um sistema penitenciário reformulado fará com que ela não tenha que “executar seus filhos”.. da pastora Regina Célia. “pela morte”. o homicídio estatal. líder da bancada evangélica. O documento foi apresentado no plenário da Câmara dos Deputados e. O “manifesto” tem a co-autoria de Rubem Martins Amorese. após realizar algumas palestras sobre a pena capital. ou falaciosos. matar e destruir . Durante a entrevista. A reportagem realmente refletiu as pressuposições da repórter e da linha editorial da revista. Ele não está ensinando o livramento da justiça e de suas penalidades. secretário de ética da AEvB.. Jesus está ensinando. São citadas apenas duas vozes a favor da pena de morte. ela não faz justiça). Sob o título “A pena de morte no Banco dos Réus”.

pagará o dobro”.21 lemos. nessa estrada do exame desapaixonado de pontos essenciais contidos na palavra de Deus. nem como meio de reabilitação. Ele sabe o que é melhor para nós e. com contrição. Quando um crime é cometido. completam o quadro apresentado pela reportagem. Desta forma. Ela possuía determinações bem precisas e eficazes contra a banalização e proliferação da criminalidade.4 “. A restituição ou retribuição. Vamos. a Bíblia prescrevia a restituição de quatro ou cinco vezes o que foi subtraído. Nos casos de furto de propriedade que representa o ganha pão ou meio de subsistência do prejudicado.1 “. Mas estes encarceramentos eram estranhos às determinações de Deus. nos Estados Unidos. 4. Logicamente encontramos na Bíblia o registro da existência de cadeias. “. refletindo o posicionamento evangélico. encontramos a idéia de “proteção da sociedade” através da segregação do indivíduo que nela não se integra. dar uma rápida olhada em alguns princípios que encontramos. ou que contra ela age. dentro do sistema romano de punições.se o furto for achado vivo na sua mão.”. na Palavra de Deus. a Lei Civil Bíblica prescrevia a restituição múltipla. diversas vezes. não encontramos. contrário à pena capital. O que é requerido de nós é que nos acheguemos aos seus preceitos. o encarceramento como remédio. relatando uma enormidade de execuções de “inocentes”.se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender. Isso realmente nos intriga. reabilitar ou proteger. cadeias para punir. ou a perspectiva de reabilitação através de longas penas na prisão. ou ovelha. Podemos começar o nossa jornada fazendo uma ligeira verificação do que a Bíblia tem a dizer sobre crimes e punições. portanto. era sempre proporcional ao crime cometido. Em Levítico 24. porquanto não estava declarado o que se lhe devia fazer.. Não podemos superar a sabedoria e determinações de Deus.. Estamos tão enraizados em nossa cultura. por um boi pagará cinco bois. Em Números 15. e pela ovelha quatro ovelhas”.. 2. Muito menos. mas tão contemporâneo e importante. Ou seja.34 lemos: “. o que diz a Bíblia sobre este tema? Qual deve ser a posição do servo de Deus. Não obstante um eventual consenso da maioria. Jeremias foi encarcerado e Paulo.. devia estar na cadeia”! Dizemos com tanta freqüência. Ela responde à quebra da lei com medidas rápidas e que representavam prejuízo econômico para o infrator. meio duvidosos. humildade e predisposição de aceitá-los. pois estamos tão acostumados com essa instituição que não podemos imaginar uma sociedade sem cadeias. seja boi. seja jumento. igualmente. não encontramos.rejeita a pena de morte. no seu caso a punição era a perda da própria vida.e o puseram em guarda. Para os casos de furto. Isso significa que aquela sociedade não tinha meios para lidar com o crime? Ou aplicava a pena de morte em todos os casos de quebra da lei? Não. a punição que pensamos de imediato é a cadeia. A primeira coisa que nos chama a atenção. sobre assunto tão controvertido. no Antigo Testamento. mesmo que estejam contra nossas convicções anteriores. a cadeia era apenas um local onde o criminoso era colocado até que se efetivasse o julgamento devido. Vejamos em Êxodo 22. em seu tempo determinado. portanto. 5.. “Merece cadeia!. é irmos até a Palavra e verificarmos quais os padrões de Deus que nos são ensinados e como aplicá-los aos nossos dias.quem pois matar um animal restituí-lo-á. Isso mesmo! Elas nem existiam como instrumento de punição. é que na Bíblia não existe a provisão para cadeias.. A grande pergunta é. remediar. nas prescrições dadas ao povo de Deus... mas quem matar um homem assim lhe fará”. quando estudamos esse assunto nas Escrituras: 1. ao criminoso. Mas na sociedade de Israel. e alguns números. . O princípio que encontramos na Bíblia é o da restituição. Assim lemos em Êxodo 22. muito mais importante do que o que a voz corrente do povo está propagando.. em como ela trata a questão da quebra da lei. perante este assunto? Gostaríamos de que o leitor caminhasse conosco. nos dará toda paz de espírito e confiança em seus caminhos. que talvez até nos surpreendamos com o encaminhamento dado pela Palavra de Deus à manutenção da lei e da ordem na sociedade civil de Israel. em oração. Crimes e Punições na Palavra de Deus Podemos aprender bastante com os princípios que norteavam o tratamento que a Bíblia dá aos crimes e punições. Como a restituição da vida era impossível. 3. por mais familiarizados que estejamos com esse conceito..

Indo na direção contrária à nossa sociedade. O assassino contumaz. Já há milênios antes de Cristo a Bíblia determinava punições pecuniárias. 10 10. mas não através do encarceramento – uma forma pseudo-humanitária. mas mesmo assim.o homem pois que se houver soberbamente. A Bíblia reconhece a necessidade de proteger a sociedade desses elementos.. não dando ouvidos ao sacerdote..30... se eliminado da sociedade. 11. o crime prospera porque é lucrativo e porque corre impune. não poderá mais assassinar e gerar mais violência contra inocentes. concedido e salvaguardado. o direito de cada um de defesa de sua propriedade era algo abrigado. O que queremos dizer é que. tirando qualquer idéia de proteção que viesse tornar a vítima em acusado também. O sistema penal do Antigo Testamento previa não somente a adequação da penalidade aos crimes cometidos. em apenas um rápido exame das diretrizes bíblicas e um confronto destas com as opiniões que agora surgem.11:“Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra. Nem podemos advocar a aplicação da pena de morte 10 O “manifesto” da AevB. a elas hoje chega. . deviam ser tratados com clemência. que está ali para servir ao Senhor teu Deus. mas encontrado. quando as vítimas ou agentes da lei possuem as mãos amarradas pela excessiva proteção ao criminoso. pagará sete vezes tanto: dará toda a fazenda da sua casa. contrariamente aos nossos dias. o que o feriu não será culpado do sangue”. Lemos isto em Deuteronômio 17. poderíamos falar no efeito didático. Que diferença encontramos entre a forma de tratar o crime na sociedade de Israel e na filosofia e sistema empregados nos dias atuais! Em nossos dias. temos o registo apropriado da Palavra de Deus. nem ao juiz. diz que com a pena de morte “. para o criminoso primário. O sistema bíblico de punição pecuniária é destinado a tornar o crime uma atividade não lucrativa. somente onerosa. tendo fome. o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal”. No que diz respeito àqueles criminosos que se recusavam a obedecer as autoridades constituídas. pois restituição havia sido efetivada.2: “. anteriormente citado. que o homem. mas destinada a produzir frutos permanentes e a gerar a paz e a tranqüilidade em uma sociedade.19 a 21. sendo isto também uma conseqüência da falta de adequação das penas impostas aos crimes cometidos. persistia a obrigação de restituir sete vezes o alimento que furtou do legítimo dono. em condições subumanas.. como criminosos experientes – que se encarregam de formá-lo na escola do crime.. em verdadeiras fábricas de criminosos piores e mais violentos. estava pronto a se reintegrar na sociedade atingida pelos seus desmandos. pagando a indenização devida. As determinações das Escrituras procuravam proteger a vítima e colocar temor no criminoso. 12. reincidindo no caminho do crime. baseado na constatação empírica de que outras medidas não funcionam..não se injuria o ladrão quando furta para saciar sua alma. Com efeito os encarceramentos prolongados. que coloca o criminoso iniciante enjaulado.6. tornando desnecessário o furto. o criminoso primário em Israel. 31: “. Lentidão da justiça é reconhecida até os dias de hoje como uma manifestação de injustiça. em Eclesiastes 8. Isto eqüivale a dizer que a condição de reabilitação na sociedade. Esse não é eliminado pela pena de morte.se o ladrão for achado a minar e for ferido. Essa sociedade não deveria discrimina-lo de nenhuma forma. o tal homem morrerá e tirarás o mal de Israel”. na sociedade atual. Mas a causa de violências é corrigida com a pena de morte. 13.não são eliminadas as causas da violência. hoje aplicados.. mas a sua rápida aplicação. Aqueles que roubavam alimentos para satisfazer a fome. Obviamente não há a possibilidade da aplicação direta e total das Leis Civis prescritas por Deus ao estado teocrático de Israel.”. não produzem reabilitações. imperfeita e impossível de produzir resultados. 7. Nesse sentido. e morrer. como vemos em Deuteronômio 24. 8. na legislação mosaica. Desta forma lemos em Pv.”. era total e absoluta. Vemos então. não são bem sucedidos em conservar o criminoso fora de ação e as prisões constituem-se.. que a aplicação coerente e sistemática desta pena teria nos reincidentes em potencial. a causa primária da violência é o pecado no homem. a sabedoria ali encontrada.. Por outro lado. 9. havia aqueles que se recusavam a obedecer. 6. Vemos isso em Êxodo 22. Além disto. a sentença é a pena de morte..12: “. O sistema encontrado na Bíblia apresenta a efetivação desta proteção de uma forma radical. uma vez que a própria constituição da sociedade já possuía a provisão para atendimento aos carentes. na realidade. Verdadeiramente.

dentro de específicas circunstâncias. em diferente épocas na história da humanidade. constitui a sua Lei e ela representa o que é de melhor para os seus. os Adventistas acertam em considera-la . como exemplo. Neste caso. Era temporal e necessária para época à qual foi concedia. Eles erram em querer aplicar parte dela. Muitos dos princípios encontrados. por exemplo. o apreço pela vida humana. sem cometer a inversão de valores de considerar os criminosos “vítimas do sistema”. e com propósitos definidos. 2. punições e determinações divinas está alicerçada no tema maior da Lei de Deus. Cristo. devemos. A Lei Civil: Tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel. A questão de crimes. Mais uma vez. o chamado constante ao bom senso e à preservação da lei e da ordem. por ex. discernir os diversos aspectos. em sua totalidade.: os crimes contra a propriedade e suas respectivas punições. a visão clara de quem é vítima e de quem é infrator. Quando estudamos a Lei de Deus. da parte de Deus. apresentados na Bíblia. 3. naquela sociedade agrária. O que a Bíblia tem a nos dizer sobre os seus diferentes aspectos? Seria difícil prosseguir em nossa caminhada. Juristas cristãos muito poderiam contribuir para um aprofundamento deste tema. mais detalhadamente.para todas as situações temporais prescritas na Lei Mosaica (como. de falta de compreensão desse aspecto da lei. Como tal. respaldada igualmente em penas severas.: os sacrifícios e todo aquele simbolismo cerimonial. É toda a Lei Aplicável aos Nossos Dias? Quanto à aplicação da Lei. no respeito aos anciãos e às autoridades. foi cumprida com Sua vinda e não se aplica aos nossos dias. a ênfase. Sua vontade para o homem. 2. entretanto. no que diz respeito ao seu comportamento e seus deveres principais. o cuidado todo especial pela preservação de uma sociedade na qual liberdade também significasse ausência de violências e de ameaças trazidas por indivíduos incorrigíveis. Um exemplo de erro de compreensão é encontrado nos Sabatistas (Adventistas do Sétimo Dia). mas foi específica para aquele estado teocrático. Nossa convicção é a de que podemos dividir a Lei de Deus em três aspectos: Os três Aspectos da Lei de Deus. em benefício das vítimas. pela quebra do sábado). Muitos mal-entendidos e doutrinas erradas podem ser evitadas. nem fazê-la requerida. A Lei Religiosa ou Cerimonial—Esta representa a legislação levítica do Velho Testamento. por ex. não apenas com meras palavras. desta lei. A Lei Religiosa: Tinha a finalidade de impressionar aos homens a santidade de Deus e concentrar suas atenções no Messias prometido. A Lei Moral—Representa a vontade de Deus para com o homem. pois nunca vão conseguir aplica-la. Como tal. neste estágio. se possuirmos a visão bíblica do assunto. 1. é aplicável em todas as épocas e ocasiões e assim foi apresentada por Jesus. se não fizermos uma exploração. Mas o que realmente significa este termo. A Lei Moral: Tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres. revelando suas carências e auxiliando-o a discernir o bem do mal. são alguns desses princípios que deveriam estar presentes em qualquer sociedade. fora do qual não há esperança. mas terminam em incoerência. que erram em querer aplicar parte dela nos dias de hoje (como por exemplo as determinações dietéticas) e em mistura-la com a Lei Civil. penetrando a fundo na regulamentação da sociedade veto-testamentária e procurando uma adequação desses princípios às nossas condições. que nunca a aboliu. Como tal. do significado da Lei de Deus. as penas pecuniárias e o peso econômico sofrido pelos infratores. mas com duras penas contra os malfeitores. ao nosso dia-a-dia. são eternos e válidos até os dias de hoje e merecedores do nosso exame e estudo. 3. e da sua relevância aos nossos dias: A Lei de Deus O que é a Lei de Deus? Deus proferiu e revelou diversas determinações e deveres para o homem. não é aplicável normativamente em nossa sociedade. temos os Adventistas. A Lei Civil ou Judicial—Representa a legislação dada à sociedade ou ao estado de Israel. pois destinavam-se a uma nação específica. acima de qualquer outra perda. devemos exercitar a seguinte compreensão: 1. A rapidez das sentenças. entretanto.

foi cumprida em Cristo. e nos acharmos cobertos por sua graça. nestes sentidos. que declara a invalidade dela para os nossos dias. no sentido de que ela continua representando a soma de nossos deveres e obrigações para com Deus e para com o nosso semelhante. resumida nos Dez Mandamentos. Nos dois últimos aspectos. não estamos sob a lei. ao período atual em que vivemos: A APLICABILIDADE DA LEI DE DEUS EM NOSSOS DIAS LEI Validade Lei Civil ou Judicial Lei Religiosa ou Cerimonial Lei Moral (Resumida nos 10 Mandam. portanto. representando a objetiva e proposicional revelação de Sua vontade. temos que considerar os múltiplos aspectos da “lei de Deus”: Lei Civil ou Judicial. .. Se considerarmos que esses três aspectos apresentados da lei de Deus são distinções bíblicas. sob a lei. porem erram em confundi-la e em mistura-la com as duas outras. sem direcionamento ou ações concretas que comprovem este amor? Como vimos acima. efetivado pelo Espírito Santo em nossas pessoas (João 14. no sentido de que ela. que apontava para o Messias. uma vez que estamos sob a graça do evangelho de Cristo. devemos cuidar para não transmitir conceitos falsos e não bíblicos. Muitos ensinamentos no campo evangélico são. tribos e nações. sem a intermediação dos sacerdotes.válida. raças. Mais importante.. estabelecendo uma falso contraste entre a lei e a graça. podemos afirmar: • Não estamos sob a Lei Civil de Israel. • Estamos sob a Lei Moral de Deus. Devemos cuidar. com acesso direto ao trono. e não nos prende sob nenhuma de suas ordenanças cerimoniais. Lei Religiosa ou Cerimonial e Lei Moral. a filosofia que expressa total independência das pessoas para com a lei de Deus. prescrevendo uma aplicação confusa e desconexa. nos sentidos acima.15). Mas o que quer dizer “não estar sob a lei de Deus?” Perdeu ela a sua validade? É apenas um registro histórico? Estamos em uma situação de total desobrigação para com ela? Vamos apenas subjetivamente. • Estamos sob a Lei Moral de Deus. mas sob a graça de Deus. se fomos resgatados pelo seu sangue. para nunca entender essa expressão como algo que invalida a lei moral de Deus aos nossos dias. Teologicamente. em que o evangelho atinge todos os povos. mas sob a graça de Deus. que. Com efeito. na prática e em essência. a própria Lei Moral de Deus é uma expressão de sua Graça. representa a trilha traçada por Deus no processo de santificação. entretanto.) Intensidade da Validade HISTÓRICA TOTAL DIDÁTICA BASTANTE REVELADORA ALGUMA NORMATIVA NENHUMA Estamos Sob a Lei ou Sob a Graça de Deus? Muitas interpretações erradas podem surgir de um falho entendimento das declarações bíblicas sobre esta questão. É verdade. • Não estamos. ainda. mas sob o período da Graça de Deus. Entretanto. portanto. • Não estamos sob a condenação da Lei Moral de Deus. Paulo ensina que “não estamos sob a lei mas sob a graça” (Romanos 6:14). pelo seu Santo Espírito. “amar”. • Não estamos sob a Lei Religiosa de Israel. chamamos de antinomianismo. O seguinte gráfico nos auxilia na visualização da aplicabilidade das Leis de Deus. como se ambos não procedessem de Deus. antinômios e totalmente subjetivos – ou seja.

Não foi o homem cruel que. vemos que as determinações de Deus ao homem proferidas antes da legislação mosaica (como por exemplo: Gen 9. portanto. negam a sua validade e colocam a interpretação subjetiva de cada um acima das determinações objetivas reveladas por Deus. Principles of Conduct 43. como uma antítese à morte. As determinações deste período que não dizem respeito a procedimentos ou práticas cerimoniais religiosas. constituindo a sua vontade permanente para o homem. ou seja. 5. com a alegação — “Ah. sendo este um dos principais argumentos para a sua utilização nos nossos dias. refletem a Lei Moral de Deus. A sustentação da vida: Gênesis 8. porque Deus fez o homem à sua imagem”. 2a. Esta foi a base da instituição da pena de morte.22. esta foi uma determinação para o tempo da lei. Deus manifestou sua graça na efetivação de provisões para a conservação e promoção da vida.desprezam a lei de Deus. verificamos que datam deste período os primeiros registros do dízimo. e nós estamos agora sob a graça. Será que temos a percepção correta de nossas obrigações para com Deus e para com o nosso próximo? Será que prezamos adequadamente a lei de Deus? Será que estamos utilizando o fato de estarmos “sob a graça” como desculpas para desprezarmos a lei de Deus? Vemos.1-7 b. que exercendo os seus princípios de máxima justiça e santidade. Quando examinamos a lei de Deus sob esses aspectos. Considerando os três aspectos da Lei e a sua aplicabilidade. que devemos sempre nos prender à objetiva revelação de Deus em sua palavra. pelo homem terá o seu sangue derramado. Foi o Deus todo poderoso e sábio. . também. sabendo o que é melhor para as pessoas. A Pena de Morte e o Decálogo. representando a vontade deste. enraizada na Lei Moral de Deus. foi revelada em diversas ocasiões. O conceito da pena de morte originou-se. 6”. que qualquer tentativa de descartar as considerações bíblicas e um estudo mais profundo da pena de morte.3 c. aplicando a pena capital contra a sociedade humana. A pena de morte foi instituída por Deus exatamente nesta época. mas exatamente porque Ele considerava esta vida extremamente importante.6. Quando os reformadores defenderam a expressão Sola Scriptura – somente as escrituras. do homem para com Deus e do homem para com o seu semelhante.. encontraria reflexo posteriormente na codificação da Lei Moral de Deus. mesmo antes da codificação mosaica. Esta mesma santidade de vida. ou seja. da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem. nem da lei religiosa daquele povo (que ainda não havia sido emitida de forma codificada e sistemática). 11 John Murray. maquinando uma forma mais cruel ainda e sádica de punição.”. como um reforço à sua determinação: não matarás. não porque Deus desse pouca validade à vida do homem. em todos os tempos. pois certamente não fazem parte nem da lei civil de Israel (que ainda não existia como nação). comanda o próprio governo humano para que execute justiça e puna com a morte todo aquele que ousar atentar contra o ser criado à imagem e semelhança de Deus. na Bíblia. estavam reafirmando exatamente isso.. numa inferência de sua aplicabilidade universal. Como exemplo. sim. Quem derramar sangue de homem. antes das Leis Civis ou Judiciais.5 e 6. para todas as criaturas. pelo dilúvio. em Gn 9. inventou uma forma rasteira de vingança. O teólogo John Murray faz a seguinte colocação sobre essa questão: “Depois do julgamento de Deus. o sangue das vossas vidas. em Deus e não no homem. em Gênesis 9. de todo animal o requererei. A propagação da vida: Gênesis 9. A Lei Moral Existiu Antes dos Dez Mandamentos? A Lei Moral de Deus. e estabelecendo as obrigações e deveres. assim. 11 A instituição da pena capital se deu. Foi comandada a Noé e a seus descendentes. 9. como também do homem. constitui-se em uma afirmação precipitada e sem significado. Desta forma. ele não estava somente entrelaçado à legislação civil ou religiosa da nação de Israel. pois não leva em consideração os diversos aspectos e nuanças da Lei de Deus.6) possuem considerável significado para nós. muitas perguntas são pertinentes e devem ser individualmente respondidas.2b. A proteção da vida: Gênesis 9. Nesse trecho lemos: “Certamente requererei o vosso sangue. Estas provisões são exemplificadas em três instituições: a. perdia o direito à sua própria vida qualquer um que ousasse atentar contra a criatura formada à imagem e semelhança do seu criador. no 6º Mandamento. e não nas especulações ou tradições dos homens.

34-40. e relaciona a lei com amor. O temor do povo perante a santidade de Deus era impressionante! Após ouvi-lo inicialmente. está a de preservarmos a vida desses. Não encontramos. caíram em idolatria. Jesus. É interessante atentar para o contexto histórico da ocasião.1-13). Deus está interessado não apenas no cumprimento externo da lei – naquele evidenciado aos circunstantes. Isto mostra o desprezo do ser humano. em virtude do nosso pecado. mas cumprindo-a e resumindo-a em declarações do próprio Antigo Testamento. sobre a quebra destes mandamentos. guardareis os meus mandamentos”). relatadas a partir do capítulo 19. pela lei. O verdadeiro amor se demonstra em ações concretas que agradam a Deus. tanto na antiga como na nova aliança. em geral. e registrando-a. conjuntamente. Entre estas obrigações. em Mt 22. tamanho era o temor. Deus resumiu a sua Lei Moral apresentando-a formalmente. ou seja nos Dez Mandamentos (Ex. mas naquele cumprimento que procede de uma profunda convicção interna: do amor tanto por Deus como pelo próximo. O seu estudo aprofundado mostra a sabedoria infinita de Deus. Jesus Cristo. evidenciam a fragilidade do Povo de Deus e do homem. pensavam que qualquer que fosse a resposta de Jesus. descartando a lei. entendimento. mas queriam. carregam o peso e a importância anteriormente ordenadas por Deus.18). Perguntaram a ele qual o maior dos mandamentos.15 – “se me amais. caído. Encontramos ele em Mt 22. e os acontecimentos que se seguiram. entretanto. Os Dez Mandamentos estabelecem obrigações e limites para o homem. Revela também nossa insignificância perante Ele. Após tal demonstração de poder e santidade. Nesse sentido. também. Jesus Cristo e os Dez Mandamentos Um incidente bíblico reafirma a validade da Lei Moral de Deus em todos os tempos. iriam indispô-lo com um grupo ou com outro. Esse é o cumprimento que surge de uma vida transformada. Os Dez Mandamentos reforçam nossas obrigações para com os nossos semelhantes. de toda a tua alma. o povo suplicou a Moisés que intermediasse este contato com Deus. e de todo o teu para com Deus. 20.As Tábuas da Lei Na dádiva das “Tábuas da Lei”. nossa dependência e necessidade de redenção. Nossas obrigações para com o próximo. mas faz referência. Eles se entregavam a esse tipo de discussão continuamente e geravam grande controvérsia. para o benefício do seu povo. como sempre. em todos os sentidos. portanto. Inferimos. pelo cumprimento de suas diretrizes (Jo 14. logo se esqueceram de suas obrigações e. que as sanções divinas. confundir a Jesus. com a defesa de um ou de outro mandamento. 37 – Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu Nossas obrigações coração. a dois trechos conhecidos das Escrituras (Dt 6. Mandamentos 5 a 10 – V. fornecendo um resumo dos dez mandamentos: Os dez mandamentos podem ser divididos da seguinte forma: Mandamentos 1 a 4 Nossas obrigações para com o nosso criador – Deus Mandamentos 5 a 10 Nossas obrigações para com o nossos semelhantes Jesus apresenta exatamente esse entendimento da Lei. Todas as pessoas pecaram em Adão e desde então somos incapazes de cumprir a lei de Deus.37-40: Mandamentos 1 a 4 – V. 39 – Amarás o teu próximo como a ti mesmo. O incidente da dádiva da ei. não cita nenhum mandamento específico do decálogo. O seu ensino expande o entendimento anterior. Foi a primeira vez que Deus falou coletivamente ao Seu Povo. Existiram inúmeras preparações necessárias para ouvi-lo.5 e Lv 19. bem assim como a harmonia reinante em Sua Palavra. demonstrando ingratidão. sucinta e objetivamente. Os Fariseus não estavam inquirindo em sinceridade. tocada e operada pelo Espírito Santo de Deus. .

com a aplicação da pena de morte. aqui. f.12 e Nm 35. de forma banal e corriqueira. mais do que a Deus. Nosso entendimento. a Lei.Com efeito. todas as ações que prejudiquem a integridade física do próximo. uma proibição à aplicação da pena capital. sempre para descrever o assassinato premeditado. Cristo derrotou o argumento dentro da própria obrigação que o jovem possuía. O que temos aqui. mas utilizam esta mesma lei quando lhes é conveniente. Ele respondeu que tudo aquilo havia cumprido. mandando que ele vendesse tudo o que tinha e distribuísse com os pobres. no original. anjos. A proibição não se aplica. significa. portanto. no seu livro Old Testament Ethics – “A Lei antiga do oriente prescrevia a pena de morte para crimes contra a propriedade.13) enfatiza a santidade da vida. mas mesmo assim inquiria como alcançar a vida eterna. Consideramos. Por inferência.16-21. O mandamento não está ensinando que toda a morte é errada. desta forma. ao ponto de muitas cerimônias religiosas prescreverem o sacrifício humano. registrado em Mateus 19. muito corretamente. ou seja a aplicação da pena de morte não foi revogada.17-22. nunca aventou a possibilidade de que aquelas obrigações eram hipotéticas ou superadas pela “nova dispensação”. não chegou a enunciar o último mandamento (Não cobiçarás. . a Lei Moral de Deus válida para nossa época. em outro incidente. O “não matarás”. A palavra. mas sob a Graça”.. contrasta com os costumes dos povos pagãos daquela época. criado à imagem e semelhança de Deus. encontrada neste Mandamento e em outras passagens da Palavra de Deus. A visão bíblica da santidade da vida. ocorre 49 vezes no Antigo Testamento. onde a vida humana era algo sem consideração ou valor. ou seja. 20. mas sim para cumpri-la. Ex 21. O argumento é curioso. Isso é óbvio porque a própria Lei Civil de Israel. Em vez disso colocou um teste prático sobre a cobiça. ou abolir. é Deus dando uma determinação bastante objetiva. exercitando o mandato e a autoridade concedida por Deus. c. Nesse momento ele evidenciou a cobiça existente no seu coração e retirou-se triste. que rodeavam a nação de Israel. Subsistem. como estamos ainda a demonstrar. O jovem apresentou-se como tendo cumprido todos os mandamentos. estivessem contrárias ao sexto mandamento. porque via de regra é aplicado justamente por aqueles que negam a validade da Lei Moral de Deus para os nossos dias. proibiria qualquer execução. são passos preliminares no atentado à vida e constituem quebra do 6º Mandamento. Qualquer que pretendesse destruir a qualidade sagrada da vida cometia uma ofensa capital contra Deus”. proibindo o assassinato. ainda subsiste. é de que precisamente o sexto mandamento reforça a aplicação da pena de morte. ou de que o Jovem Rico não estava mais “sob a Lei Moral de Deus.16-26 e em Marcos 10. não cometerás assassinato. mostrando que não cumprira nem o primeiro mandamento. contida nesta Lei. Referimo-nos ao encontro com o Jovem Rico. pois amava algo. consequentemente. d. Nunca é utilizada com relação a animais. O 6º Mandamento e a Pena de Morte Muitos tentam encontrar no 6º Mandamento uma proibição à aplicação da pena de morte.). prescrevia a pena de morte em várias instâncias e ocasiões exatamente pela quebra do sexto mandamento – por exemplo. g. demonstrando que sua alegação de cumprimento era falsa. A santidade da vida do homem. Jesus. Note o desenvolvimento do que ocorreu. naquela ocasião: a. Jesus Cristo demonstra sua afirmação de que não veio para anular. também dadas por Deus. Esse ponto é enfatizado por Walter Keiser. Em vez disso.. b. Ou seja: nenhum indivíduo tem o direito de tirar a vida de outro. ele não é. e. Deus. ou na morte de inimigos no campo de batalha. de cumprir a lei. A santidade da vida é uma determinação divina.. um a um. aos governos constituídos que. Note que Jesus. dizendo que o “Não matarás”. entretanto. Jesus começou perguntando sobre os últimos 6 mandamentos. Este mandamento (Ex. mas no Velho Testamento nenhum crime contra a propriedade é merecedor da pena capital. o ponto focal é o de que a vida é sagrada. não as coisas são sagradas. as sanções à retirada desta vida.. Mais uma vez. nenhum profeta ou pronunciamento registrado na Palavra de Deus levanta a possibilidade de que estas leis civis de Israel. em momento algum. Com efeito. (nossas obrigações para com os nossos semelhantes). passassem a aplicar a justiça e a reforçar o sexto mandamento.

Essas ações e essas pessoas que assim agem. contra os linchamentos realizados por turbas de populares enfurecidos – a maioria dos quais sem qualquer conhecimento até do crime real praticado. mas não recebia sanção para cometer injustiça. Por mais ilegítimos que sejam os governos. os chamados vigilantes – muitas vezes contratados por comerciantes para “limpar” a área. mas à instituição do governo e somente após o julgamento devido. abraçando a idolatria. era o da retribuição.. Elas eliminam a possibilidade de verificação isenta dos fatos e dos possíveis crimes cometidos e a aplicação das justas penalidades. o crente deve ser contra os grupos de extermínio. para sair matando dando vazão à sua fúria. e todos agindo fora de qualquer procedimento legal. estas determinações de Deus permanecem legítimas. dissemos que a não aplicabilidade da Lei Civil aos nossos dias não deveria nos isentar de pesquisarmos os princípios por trás daquela legislação. talvez politicamente “corretos”. não deixam dúvidas com relação à sua posição sobre a aplicação da pena capital.6).Como vimos anteriormente. aprendemos também que a execução desta sentença não foi dada desqualificadamente a indivíduos ou organizações fora do governo constituído. estabelecidas por Deus em Números 35.9-34. a mensagem profética era sempre no sentido de chamar também os governantes à obediência destas mesmas leis. Hoje em dia. sendo esta uma das principais razões por que sua vida deve ser respeitada (Gen 9. tais como: “. o sexto mandamento. na realidade. os argumentos pragmáticos. encontramos qualquer profeta indicando: – “Vamos dar um tempo e suspender as aplicações da Lei de Deus. pois o direito de fazer pagar a vida com a vida não havia sido delegado indiscriminadamente aos parentes ou aos amigos.os nossos governos e governantes são imorais e não podem praticar a justiça. Uma vez aferida a real culpa do acusado. A pena de morte.. com o aumento gradativo da criminalidade e da impunidade que assola a nossa sociedade. Por estes princípios.. Nunca. contra a pena de morte. devemos ter coragem e ousadia. não podem se sobrepor às determinações de Deus. A opinião de João Calvino: As palavras seguintes. mesmo caminhando contra a corrente e pensamentos modernos. apressadas por uma . Naquelas cidades. observamos cada vez mais uma vulgarização da vida. naquela ocasião.” . corretos e tementes a Deus. Estes não possuem nenhum direito sobre a vida de quem quer que seja. promovem na realidade a ausência de ordem. A Teologia da Reforma e a Pena de Morte – Aspectos Confessionais 1. um dos princípios básicos nas punições. a Bíblia diz que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus.”. ali estabelecido. por mais legítima que venham a parecer as causas ou razões. Ao defendermos algo que é determinado por Deus. mas que apresentam soluções estranhas aos parâmetros de justiça de Deus. estabelecida por Deus previamente à Lei Civil.. Estes grupos de pessoas quebram. contra qualquer ação de execução sumária – muitas vezes quando o prisioneiro já está dominado.. do Estado de Israel. Na realidade. tomando o lado do homem. Voltando ao Princípio da Retribuição Quando tratamos sobre a questão da Lei Civil de Israel. A prova disto é a própria instituição das Cidades de Refúgio. e agem contra o princípio de santidade da vida. até os assassinos confessos e declarados mereciam proteção temporária da fúria vingativa dos parentes próximos das pessoas assassinadas. sobre os crimes e suas punições. desrespeitaram abertamente a Deus e a suas Leis. obedece a este princípio da retribuição. por mais aparentemente verdadeiros que sejam. dando a aparência de execução de justiça. o parente próximo poderia até ser o executor. Ele se enfurece contra a criatura bruta. em sua maioria. anarquia e a desconsideração pela vida. até que um governo bom e justo venha a se instalar em nosso país. nem receber esta delegação. e quando vidas não estão mais sendo ameaçadas – praticada fora do legítimo processo de justiça por muitos policiais. entretanto. Se. Pelo contrário. Por outro lado. Escreve Calvino: “Quando Deus diz que ele requererá a punição dos animais quando violarem a vida de um homem.. Ele nos dá isto como um exemplo. No detalhamento da Lei Civil ou Judicial. extraídas de um dos comentários de Calvino. Como já nos referimos. Os governantes de Israel nem sempre foram justos.

mas está falando contra o nosso desejo pessoal por vingança. No capítulo XXIII da Confissão de Fé. encontramos a referência ao governo civil. visando a santidade e a preservação. sobre estes temas polêmicos e atuais. no Sermão da Montanha (“. para incentivo dos bons. Ela não silencia quanto ao assunto da pena de morte. como sendo a legítima aplicadora da pena capital.”. por exemplo. e de que Deus os “. Muitas vezes.. ela é bastante específica. intitulado “Do Magistrado Civil”. da vida dos cidadãos. Nas perguntas Nº 135 e 136. b. para defesa dos bons b. no castigo dos malfeitores. temos que reconhecer que a Confissão de Fé de Westminster considera a Justiça Pública. pelos padrões bíblicos de justiça. que a formularam. 3. Ele não está negando o poder e a responsabilidade do governo. do que entre as determinações do Velho e as do Novo Testamento. para castigo dos malfeitores d. implica na pena de morte. injusta e cruelmente. Vários cristãos. é óbvio que a utilização da espada. seguindo aproximadamente o mesmo roteiro e desenvolvimento. Ele foi formado com a finalidade didática de ensinar as doutrinas expostas na Confissão de Fé. em última análise.. encontramos afirmações que não deixam margens a dúvidas. Pergunta 136--Quais são os pecados proibidos no sexto mandamento? Resposta: . c. no caso de defesa necessária. Ele fala a nós como indivíduos. Os contrastes traçados por Jesus.. ataca um de seus irmãos?” 12 2. Jesus não está argumentando contra o princípio de vida por vida. dentro dos limites de utilização e de autoridade delegada e traçada por Deus. práticas e teológicas do mundo evangélico. Na realidade.armou com o poder da espada” para atuação em quatro áreas: a. acreditavam expressar da forma mais exata possível os ensinamentos da Palavra de Deus. foram corajosamente colocadas em contradição ao contexto histórico em que estavam vivendo aqueles servos de Deus.5.todo o cuidado e todos os esforços para preservar a nossa vida e a de outros. porque deveríamos “virar o outro lado da face”. freqüentemente “esquecem” de consultar as confissões de fé do período e de suas denominações. é o reflexo do que os teólogos. . Sem sombra de dúvida. para fazer licitamente a guerra.ouvistes o que foi dito aos antigos.) é muito mais um contraste entre a tradição dos anciãos e a verdadeira interpretação da Palavra do Deus.o tirar a nossa vida ou a de outrem. Da mesma forma que a execução de uma guerra implica em mortes. Tome-se o caso da Confissão de Fé de Westminster. o que será de um homem que. Mas a vingança não é nossa prerrogativa. em vez de procurarmos vingança. mas do Senhor. O Catecismo Maior (Perguntas 135 e 136) O Catecismo Maior é uma extensão da Confissão de Fé e nos ajuda em sua interpretação. Ali lemos: Pergunta 135--Quais são os deveres exigidos no sexto mandamento? Resposta: . no caso de guerra legítima. no caso da justiça pública. c.. A Pena de Morte no Novo Testamento Nossa convicção é de que a imutabilidade de Deus e de seus preceitos e desejos para o homem estabelecem uma harmonia e não uma dissociação e divisão entre o Velho e o Novo Testamento. O que temos na Confissão de Fé. e de que representa uma das melhores formas de sistematização das verdades bíblicas. se colocam contra a pena de morte. nos ensinando que não devemos 12 João Calvino. Comentário em Gênesis 9.. Como não é nossa prerrogativa revogar as determinações de justiça dadas por Deus aos governos. Não podemos simplesmente descartar o assunto como sendo apenas “um reflexo histórico” da Igreja. e suas respectivas respostas. Estavam isentos e imunes dos argumentos humanistas que posteriormente viriam a permear as convicções éticas. com efeito. na crença de que ela faz justiça à Revelação de Deus para o ser humano. lendo as determinações desse sermão de Jesus. exceto: a. as convicções bíblicas registradas na Confissão de Fé de Westminster. No Sermão da Montanha.. em cair sobre o homem. contrariando o sentido da natureza. A Confissão de Fé de Westminster (1643-1649): Aqueles que abraçam os ideais da reforma e a interpretação calvinista das Sagradas Escrituras.impetuosidade de alimentação.... havendo ocasiões justas e necessárias”. que aqueles teólogos consideravam a pena de morte bíblica e aplicável.

temos alguns registros.. não recuso morrer”. João 19. para o seu cumprimento e manutenção. Os governos recebem a autoridade das mãos de Deus. onde o assunto é mencionado.”). esses dois trechos falam da aplicação da pena de morte não por assassinato. e a determinação profética da dissolução desta mesma nação.. como instrumento legítimo de punição. pela espada morrerão”.11—Paulo. mas o considera legitimo. e nos demais livros.. ruim e primitivo. encontramos na realidade. dos princípios de justiça.. em nossos dias? Existem Situações em que a Pena de Morte foi Comutada. Romanos 1. devemos agir e responder como o próprio Pedro em Atos 5:29: “Mais importa obedecer a Deus. Não concordamos com esta conclusão.. Jesus amplia as prescrições e o significado das determinações da lei moral do Velho Testamento... para a nossa era. Encontramos não a revogação da Lei Civil de Israel. e possivelmente fora da proporção dos parâmetros bíblicos. as determinações eternas de Deus não estavam atreladas à bondade ou não dos governos temporais. No caso específico da pena de morte. como justa punição aos que vivem pela violência e desrespeito à vida. c. por mais distanciados que estejam de Deus. necessário é que à espada seja morto”.13-14: “.se me amardes. mas sim o registro de uma nação fragmentada. Verifique que: a. que especifica as obrigações do governo. 13 John Murray. afirmações de apoio e exortação da parte de Jesus.6. entre os quais se encontram a correta aplicação da pena capital.. mas não as revoga. Essa afirmação parece ser um reconhecimento tácito da legitimidade de aplicação da pena capital. como expressão maior do nosso amor para com Deus (“. os que tais coisas praticam. Neste caso. Apocalipse 13. Paulo reconhece que existiam crimes dignos de morte. entretanto. a não ser quando nos impelem a que desobedeçamos às próprias determinações de Deus.”. Paulo informa que não ofereceria resistência ao recebimento da pena de morte. No Novo Testamento encontramos não a abolição da Lei Religiosa.32—“.. No contexto global do Novo Testamento. A colocação da espada nas mãos do governo é para uma óbvia finalidade. Em harmonia com a afirmação de Cristo. . mesmo quando são injustos ( “. portanto a vontade de Deus seria a sua não aplicabilidade.sujeitai-vos não somente aos bons e humanos. Devemos clamar contra as injustiças. vem do alto.. O governo do contexto do Novo Testamento era bastante injusto..11—“. Seria diferente. Em muitos casos.. em Mateus 26:52. numa inferência de que o princípio de justiça da retribuição. para desobedecê-los. 5. 1 Pedro 2.tentar assumir ou substituir poderes e responsabilidades que pertencem aos governos.”. implicitamente.52—Jesus disse: “. 6. 7. mas também aos maus. b. na Bíblia ? Alguns dizem que em duas instâncias na Palavra de Deus a pena de morte foi comutada. ainda que aplicado ilegitimamente. de igual modo. se de cima te não fosse dado. Paulo. como prescreve a sua instituição. 2. Mateus 26. Romanos 13. que dispensa mais explicações. não havendo indicação de que os pontos básicos de justiça divina tivessem agora sido modificados.. reconhece que alguma autoridade possuía o direito de condenar alguém à morte”. Assim ele nos chama..”. Vamos ver alguns destes trechos: 1.. Semelhantemente ao verificado no Velho Testamento. mas mesmo assim a legitimidade dos governos não foi retirada e nem as responsabilidades de aplicação da justiça correta revogada. como indivíduos a amar os nossos inimigos e voltar a outra face.sujeitai-vos à toda ordenação humana. Ele não contesta este poder.) 120. Paulo reconhece que existem pessoas “dignas de morte” dependendo dos atos praticados. Jesus reconhece que o poder de Pilatos de tirar a vida. guardareis os meus mandamentos. em Gn 9. já tratado na abordagem dada pela Confissão de Fé. Principles of Conduct.—1 Pedro 2:18).10--”Se alguém matar à espada.. disse: “Se eu cometi algum erro e fiz qualquer coisa digna de morte.. continua válido no Novo Testamento. mas não recebemos sanção para considera-los ilegítimos aplicadores da justiça. mas sim a sua complementação e término de sua finalidade em Cristo. sob o domínio de outra nação e de outras leis. 3.que são dignos de morte. na sua defesa perante Festo.121. Em primeiro lugar. no caso de outras execuções. (Trenton: Presbyterian and Reformed Publishing Co. no caso de Jesus. 13 4. ele reforça a autoridade dos governos como promotores da lei e da ordem.todos os que lançarem mão da espada.”.. do que aos homens”. e o seu enraizamento com a lei moral de Deus (quebra do sexto mandamento).1 e versículos seguintes—O conhecido trecho. coloca claramente a espada nas mãos do Governo.nenhum poder terias contra mim. Quanto à Lei Moral. Não recebemos sanção. Atos 25.

Temos. W). não significa uma rejeição da pena em si. para não incentivar o adultério). consequentemente. Os princípios e penalidades foram estabelecidos em outros trechos da Palavra de Deus. merecem um tratamento mais específico: 1. por serem muito comuns. como forma de regular a sociedade? Obviamente que não. Sem entrar na polêmica da contestação textual da passagem. Além dessas considerações. mais uma vez os Fariseus. Objeção: A pena de morte não serve para diminuir a criminalidade. entre uma posição moral certa ou errada. Deus não a instituiu apenas para ser um “freio” com relação aos crimes. 2. quebraria a lei mosaica (Lv. do ponto de vista do crente. A vida é de Sua propriedade e o poder de tira-la pertence a Ele. não contêm este relato.12 e versos seguintes). A resposta dada por Jesus sabiamente evitou a armadilha. Se ele concordasse com o apedrejamento. 20. Resposta: Colocar-se contra. o de Agostinho (que indica uma possível remoção do texto. Escrevendo sobre esse tema. um autor cristão coloca a questão da seguinte maneira: “O ponto focal da discussão. considerados melhores (Aleph. O encaminhamento que Jesus deu à questão. O caso do adultério de David (2 Samuel 11 e 12). O adultério de David levou a pecados maiores – ele tornou-se mandante de um assassinato. . portanto. mas o contexto (parece esclarecer o discurso do Senhor em João 8. sobre os nossos relacionamentos sociais. contrariava os preceitos da própria lei mosaica. pois não a consideram tão sagrada quanto Deus a considera.22). como conseqüência direta do seu pecado.mas na situação específica de adultério – contra o qual a lei civil de Israel aplicava a pena capital. não é se a pena de morte serve ou não para diminuição da criminalidade. Vamos pressupor que a pena de morte não aja como desencorajadora do crime. estão na realidade minimizando a Deus e Seus Mandamentos. B. Não vêem o crime do ponto de vista de Deus”. que aparentemente conhecia o incidente e falava sobre ele). que a pena de morte aja como freio à criminalidade. os testemunhos relacionados com este texto de Eusebius sobre Papias (discípulo de João. Quando uma pessoa tira a vida de alguém ele está assumindo o lugar de Deus. Ele a comanda porque a vida humana é sagrada. Em adição a isso. sua prerrogativa. diga-se de passagem. demonstrando a intensidade da espiral do pecado. (July/August 1988) 34. A.10. O caso da Mulher adúltera (João 7:53-8:11). 15 14 Alguns manuscritos mais antigos. sujeitando-o ao raciocínio humano. mandando o que não tivesse pecado jogar a primeira pedra. Se rejeitasse tal punição. do filho de David. temos que entender que ela é uma passagem histórico/descritiva e não prescritiva. da parte de Deus. agora. quebraria a lei romana. Isso não nos impede. principalmente. é lógico. ao longo de nossa exposição. e nos cursivos).. ou a favor da pena de morte por razões utilitárias é exatamente o oposto do que estamos advocando. Seria esse o fato preponderante para que a apoiássemos? E se chegarmos a conclusão que a tortura também diminui a criminalidade. nos levam a considerar este trecho como parte dos manuscritos originais. 22. vamos aboli-las? Mas vamos supor. independentemente de qualquer legislação. Dt. no passado. A punição a ser aplicada seria. para uma aplicação generalizada. nos textos Koiné. de examinarmos esses argumentos e objeções. Estes degradam a vida. A forma pela qual a turba queria apedrejá-la. exercitando suas prerrogativas de perdão.. É necessário que os cristãos definam a sua ética pela Palavra de Deus. ele não permitiu um processo indevido sem testemunhas. vamos ser a favor da tortura. Isso a torna errada? Os defensores dessa posição. dada pelo próprio Deus. e a sua ocorrência em muitos outros manuscritos também antigos (Codex Bezæ. Os que procuram ver nesse incidente apenas a operação do perdão de Deus terão que explicar a questão ainda mais difícil de perda da vida da criança. jogando-o contra a lei judaica ou romana. Isso não é uma abolição da pena de morte. Quando as pessoas se opõem à pena de morte com bases “humanitárias”. por acaso acham que as cadeias. que tentavam “pegar” Jesus em uma armadilha. mas. Respostas a mais Duas Objeções Contra a Pena de Morte Temos tratados várias objeções à pena capital. Vejamos os dois casos: 1. No que a Palavra silencia. 15 Trecho de artigo por Norman Olson na revista Confident Living. estão cumprindo o propósito e servindo de freio à criminalidade? Se não. Quando examinamos esse incidente concluímos que Deus lidou pessoal e especificamente com a questão. 14 o que vemos é que Jesus chamou para si a administração da questão. L. que sobreveio a ele. mas duas delas. devemos considerar o contexto do incidente. A diferença. N. seguimos os usos e costumes e outros princípios que também emanam de Deus. é se ela é abrigada e sustentada pelas determinações de Deus ao homem.

mais do que outros métodos de punição.250 0 1969 14. que é vigorosamente contra a pena capital. fazendo referência a “estudos realizados”. ensaio da Anistia Internacional (30 de junho de 1995). Veja o salto que deu o número de assassinatos e compare com as execuções em cada ano: Ano Assassinatos Execuções 1959 8.860 0 1971 17.leeds. Jr.500 21 1964 8. quando começa a declinar: A sobreposição do reinício das execuções. que concluiu com a seguinte observação: “Esta pesquisa não forneceu qualquer prova científica que as execuções impedem mais a criminalidade do que a prisão perpétua”. mostra a correlação entre a aplicação da pena capital a diminuição dos assassinatos. Agora. 35. veja. a pena de morte foi praticamente abolida nos Estados Unidos.580 49 1960 9. publica o seguinte declaração: “Estudos científicos têm consistentemente deixado de produzir evidências de que a pena de morte impede. obtível no endereço: http://chem.uk/Amnesty/deathp.850 7 1966 10. ampliando os dados até 1996.830 0 1970 15. Mostrando como as pressuposições marcam as convicções. Challenge Press.600 42 1962 8. com a taxa de assassinatos por milhão de habitantes.Normalmente a objeção acima é colocada.html .950 1 1967 12. o crime”. Observemos os seguintes dados: No final da década de 60 e início da de 70. p. a declaração da Anistia Internacional registra que “é praticamente impossível que tais provas possam ser obtidas no futuro”. conduzido em 1988.400 47 1963 8. mas não são apresentados números. no gráfico abaixo: 16 Facts and Figures on the Death penalty. no gráfico abaixo. Moser. L.090 2 1968 13. temos que reconhecer que o exame dos números prova mesmo é que a pena capital desencoraja o crime. a conhecida organização Anistia Internacional.ac. Arkansas: USA.630 0 Fonte: Capital Punishment. de 1964 até 1980. Referência é feita a um estudo das Nações Unidas. 16 Mesmo sem ser essa a base de nossa convicção. a taxa de homicídio nos Estados Unidos (pessoas assassinadas por milhão de habitantes) nos respectivos anos. Por exemplo.140 56 1961 8. como pode ser visto. M. O efeito é igualmente ascendente.250 15 1965 9.

Resposta: Realmente. A Bíblia é. Mas. o que dizer das vítimas inocentes. baseados nas mesmas premissas. Dizer que a pena de morte não pode ser advocada pelo crente. Deus estabeleceu os princípios da pena capital desde os primórdios da humanidade. mas sim pelos governos constituídos. b.25. esse é um argumento que não deveria ser formulado por um crente nas doutrinas da reforma. mas. entrelaçando a sua aplicação à preciosidade da vida do homem. que os concedeu. é uma atitude coerente com o horror à violência demonstrado na Palavra de Deus. só para demonstrar a posição ilógica desta colocação.. 21. A questão estatística não deve ser determinante de nossa posição contra ou a favor da pena capital. contra o desrespeito à vida. Muitos condenados poderiam ser atingidos pelo evangelho exatamente porque são confrontados com a morte e não vêem escapatória. contra assassinatos. que as pessoas são alcançadas pelo evangelho “por chance”. Mas é importante notarmos que a pena de morte também foi instituída por Deus como um fator para a diminuição da criminalidade (“para que todo o Israel o veja e o tema. procurando uma forma de diminuir a criminalidade. Js 7. voltam às ruas para matar. ele é proferido por muitos. pela lei e pela .. porque aquele criminoso havia-lhes tirado. e uma prova irrefutável da necessidade de regeneração do ser humano sem Deus.”.. prematuramente. ou das muitas vítimas reais e em potencial? Conclusão A defesa da pena de morte.Taxa de assassinatos Execuções Dessa forma. infelizmente. Esta violência.11 e Nm 15. mostram que a objeção não se sustenta: a. ou de qualquer outro posicionamento ético. em Gênesis 9. que foi criado à imagem e semelhança de Deus. O crente é direcionado por princípios na expectativa e na fé de que o Deus.6. que é fruto do pecado. Pv 21.21. Objeção: A pena de morte tira “a chance” do condenado de aceitar o evangelho. não pode ser combatida com a mesma violência da parte de indivíduos ou grupos.20.. vamos presumir. relacionadas com a soberania de Deus na salvação. 19. as vidas? De quem queremos “preservar mais a chance” – dos criminosos. Considerando que muitos dos criminosos.36) 2. vide Dt. por não serem executados. porque o condenado assim perde a “chance” de ser atingido pelo evangelho e salvo. é uma falácia. sabe que eles funcionam no seu devido tempo. Dois contra-argumentos circunstanciais. no final da década de setenta e na década de oitenta muitos estados americanos recolocaram a pena de morte em sua legislação. A Bíblia é contra a impunidade que reina em nossos dias. que morrerão sem terem tido a “chance” de serem atingidas pelo evangelho. portanto.

Resumindo. numa busca desenfreada por aceitação e respeitabilidade. com a sua implantação e aplicação dentro dos parâmetros das Escrituras. deveria ser plenamente a favor da pena capital. protegem assassinos. Em ambos os casos. Muitas vezes os homens querem melhorar o que Deus estabeleceu. em toda a piedade e honestidade”. ou “. Querem demonstrar mais justiça do que Deus demonstra.eu quero é que ele seja colocado em uma cela cheia de marginais para ser tratado pelos demais como ele tratou a vítima”. estamos cada dia mais respeitando as pessoas e os seus direitos.2.. do que a ocasião requer. pessoas dizendo: “A morte é pouco. tornam-se injustos e punem quando não deviam punir. Nesse sentido.”. em 1 Tm 2. para que tenhamos uma vida [tranqüila] e sossegada. a justiça em nossa terra seria menos adulterada e subvertida e a insegurança seria reduzida. deixando a singularidade de nossa posição bíblica. devemos ponderar muito antes de nos alinharmos com os movimentos defensores da pena capital. Supostamente. falta de sabedoria. ou rancor por ter sofrido de alguma forma nas mãos de alguém—ou seja. Paulo. No cômputo final. como o caso do “manifesto” apresentado no início desta exposição. várias delas contrárias à Palavra de Deus e ao espírito cristão que deve nos nortear. mas nem tudo que o homem considera progresso tem respaldo ou vai ao encontro da Palavra de Deus. para esse criminoso. pelo menos. para matardes as almas que não haviam de morrer. que aquele que mata o seu semelhante perde o direito à sua vida. deverão evitar a senda do crime por apreensão quanto às conseqüências da prática do mal. a motivação não é “sêde de justiça”. cada um em sua esfera de atuação. Pela graça de Deus. nossa posição. muitas pessoas são contra ela também sem qualquer consideração aos padrões de Deus.e por todos os que exercem autoridade.. Querem ser mais bondosos e gentis. forçados pelas evidências bíblicas que acabamos de verificar. como cristãos.Rm 13). que continuarão a ceifar vidas. Por outro lado. como sociedade e país. em vez de esclarecê-lo. Querem retratar mais amor e sentimentos do que o amor perfeito de Deus revela. em vez de observarmos a atual situação de amoralidade e desrespeito total à vida humana em que nos encontramos. e somente por ela.19: "Vós me profanastes entre o meu povo. mas vingança pura. pelo tratamento da violência dentro dos parâmetros legais do governo. pois não queremos que as argumentações deles. Refletem o que está escrito em Ez 13. pela pena de morte. Ambos estamos debaixo do mesmo Deus. para que a Sua Palavra seja respeitada e a violência diminua na terra. quando nos afastamos progressivamente de Deus e de seus preceitos. poderíamos. a cada dia. Profanam o nome e a justiça divina. Como cristãos temos que admitir que Deus tem mais sabedoria que o homem de estabelecer a sua forma de justiça retributiva e de colocar bloqueios à quebra de sua Lei. Também por essa razão. mentindo assim ao meu povo que escuta mentiras”. Na maioria das vezes. às vezes inconscientemente. e preservardes com vida as almas que não haviam de viver. e a aplicação dessa penalização foi dada aos governos dos homens (não a grupos de vigilantes.. de tal forma que as pessoas venham a temer a injustiça e procurem a harmonia e respeito com os seus semelhantes. criadas à imagem e semelhança de Deus. por punhados de cevada. estamos mesmo é desrespeitando os princípios básicos da lei de Deus estabelecidos para que possamos ter uma vida com estabilidade e não com convulsão social. Devemos ter também a compreensão de que muitos evangélicos que. justiceiros ou arruaceiros). nós evangélicos. pelo respeito à propriedade e à vida... mas exatamente por respeito à ela. Nesse sentido. o homem pecador e a sua civilização progride na sofisticação de realização do pecado. Não podemos confundir nossa missão individual como cristãos (de ir e pregar) com as atividades do governo (reconhecer aquele que pratica o bem e punir o que pratica o mal . sadismo recolhido. Reconhecemos que muitos são a favor da pena de morte pelas razões mais estranhas possíveis. Devemos ter a convicção de que. formada à Sua imagem e semelhança. se amoldam à visão distorcida da sociedade sem Deus.ordem. com as leis do nosso país estruturadas em uma harmonia maior com os padrões de justiça de Deus. Quantas vezes não temos ouvido. A pena de morte foi instituída não por indiferença à vida humana. muitos são contra porque acham que a pena capital não é ruim o suficiente para a ruindade das pessoas (querem exceder a justiça de Deus). existindo a aplicação coerente de Sua lei. . Deus dá tanta importância à vida humana. e por pedaços de pão.. confundem o descrente. em entrevistas. admoesta Timóteo para que interceda pelas autoridades. viver em mais segurança e respeito real às pessoas. defendem posições humanistas contrárias aos padrões de justiça estabelecidos na Palavra. Sabemos que uma grande maioria pode considerar essa posição ultrapassada. no afastamento dos preceitos de Deus. é uma simples questão de ficar firme e inabalável junto aos padrões de justiça de Deus. Entretanto. Estamos. a nossa razão principal para ser a favor da pena de morte. Se as pessoas não fugirem da prática do crime por convicção dos deveres para com Deus. Na realidade. dizendo que ele deve orar pelos governantes “. sejam colocadas em nossa boca. abrigam um sistema falido e corrupto que coloca nas ruas com extrema facilidade os que já não deveriam ter lugar na sociedade. via de regra sem qualquer consideração aos padrões de Deus.

1998.F. 2000 Direitos Cedidos à Editora “Os Puritanos” . 1992 Revisões principais . Solano Portela Neto .