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CATADORES DA CULTURA VISUAL Proposta para uma nova ele Rcrs ecole QUADROS E IMAGENS SUMARIO PREFACIO ‘Siar Rangel Viera db Cun € ar Lie Berto 68 SE Be oe [APRESENTACAO:O PROBLEMA ESTA NA NARRATIVA E NARESSTENCIA EM MUDAIA connor en “Caradorer” come metfors come propos. INTROOUCAO: OUTRA NARRATIVA EM EDUCAGAD DBAS ARTES VSUAIS A PARTA BOS ESTUDOS SOBRE MUDANGAS QUE EXIGEM OUTRA NARRATIVA "Arelevinca ch waio dt viiahade no mundo contemporinge 28 "Madaneas ms represents sas sobre sna es jvenude 31 dogs noe les aes wie 2 ‘Nvecoidede de over sabres pars eduegion (05 &STUDOS DE CULTURA VISUAL COMO PONTO DE PARTION PARA UNA OUTRA NARRATIVA aac ‘A cern de reverse narrate donates rm eda das res vival a al (x Erion de Cara Vil come referincia pra a eucgio fis ares vis esbrar tra propsta park de pergntas.._48 (Or mutplosaiteusmos «edna a part du cra vi 2 PARA LEVAR A CUCTURA VISUAL A EDUCAGKO Poscbes em fae clara via nnn ‘A comprennio cca « prormaina for meio de prod da rarso—— [Epora as pra as experienc de borat ‘dred una eduegio crea performamr n |‘. PROPOSTA PARA A COMPREENSAO CRITICA & PERKORMATVA ‘DAS REMESENTAGOES Ok CULTURA VISUAL 7 ‘questi darlene” dos temas S.A BIPENENCIA 00 CORPO NA ENAMIOA DAS CRIANGAS (Os projetos de wabao como pare de Concer rls fl nesertrcias a hs PREFACIO. [No campo da eucac3o am geal Fernando Hernindes pens maior: apresentagdes 20 publica brasileira. Assn, efocamos, nesta conversa prévs, aspectos do vabalho deste professor epesquisador ainda pouco conhecides¢ cexplorados ere ns. ‘Come amigas eparceiras intlectinis de Fernando, ricamos lind des- te"caudor” de imagens, com qiom temo doo rivilgio de conviver ms de perto no lémos anos ou sa. dames acoahecer sob certo apect,"o Lado B fe Ferrando Herder conve. sere sltwon ebm morsd marcas pose profndoe respeliosointerese pelo trabalho daqusles que re dear pensar Sobre éversas experiéncas em educaio eare, ta como, a8 reget ‘nere as evans ea cultura vil at experiéncie como radiotentr, 2 prod es musicals ra escola frmarSo de professore de eatronaunversiade 2 ‘constiuigto do pensament flosdfcocontemporineo entre otras. ‘lim de um"eatador” de imagens, Fernando & também ur "cxtador” de Instr, histras que bem server como pretext para tematzar sus princi ‘ose refloxées Eaprendeu a narr-as como pouco! So prosas que encanta, fazer ir.transpoream pra outros mundos «sages provocande o imag edo se inerlocutorsjnrareunio informal com amigos ou nua palesra ‘um publica dos mis expecalads. Sins tora 0 fandamentadae nese seu elt de ere extar no mundo, ‘de colcionar imagens historias exprineas, persamenos e aig. qu © 220 lide reciclaretransormar os diferentes mateais coletados, de compartihar, generosiments, 05 sous porcursos metodolipcas insects €¢ dea forms {ie el ena a pensar. pesquisa descofar Go que ests dad, raturazad.a ar valor i expenéncas por mals bare qu seam, enfin transforma o ord iro om extraoraniro, "Nest vr, Herninde faz um iventrio de colees de imagens, de “wore, de autores, de seagdes. anea outa asd gor para fname as quests da cultura sual e discus os seus pressupostos mas privet 10 Candee cr vd ‘pag para que olor poss cnsrur suns propriasconcepgese exablecer ‘rlagbes com ose contexto ecom asin experiencia ma uta (© clhar do ator sobre a5 "pritcasordinirias do coin” (Certeau, 1994) sg reflec dos feos Socials das epresentagbes vii, Param ezseroiexder provocagBes acerca dts imagers no mundo contemporineo te waz exemplos coneretos, tendo por base suas experéncns docenter © Investgncvas. que podem fornecervaloss pists pra a construgSo de una ‘metodeloga de wabalho com as imagens. sj no espago da ala dea, rs ‘a a una exposio ou na ale de fenémenes da “cultura popular” aq {ertencda como constaia pos artefstor cultura produ em grande es- Cals industri ecomercal ede i acetagfo pos consumidores). Hernandez provoes seu letra pansr em que medi at eles com altura val produzem olares sobre o munda, sobrends proprio sobre ot ‘2utros como, no contexte educacional que abarea © ensino e2 pesquisa erat _uestbes podem ser problematic @contampiudas em projtes de trabalho e desiia sia Compleridade © que talon dora um eto de ubordiao nde ‘eras se pode atin urd um rol Se spss ploy no guleewsoado Em segundo hg pola minha psi peranea arr gue tem por crgentevar eae conbutbesvnsndarag Estudos de Cur Val Concord com ire 98 que ur ce prions dese np de ess fo ade questoar a xtegra eos eos tes dca ‘sul ps-moderna Ports. compartho comele aide se queacakura rs. 1" uma forma de dicurs, um espagoposdcipnar de imeiiacio eno ‘ura determinada colegio de estos unis, qe cofoe. no centro do debate folio eds educpio.a questo "Goer 6 ogue WO querer lv coee "ued a conrad do projet dara vil Dea mance tina to relents a dspci sbre"quem "come a rar! perp sobre" que vemos” (Exeter 2006) Em were lpr porque os ctadores stuns nh srente recahem amos «agro: ds GRP ae odor os reso conteron prt or Mee ose" como praca rarrativas parle. complements ¢ para trandormar or arent em novo rls meds a dr proprio, pero eclacioRetos ques pert reece wre dances de dualamos subordraySes elt rte pepo enqunen ine porque candor os caadores ara no omen entra do restos os apmentor qe ose: prod pala abandons como parte do excederecoUdanO Ne ars que o consume se manana em ura ent cantante. Com © e"aproprarse ds restos eta elzanco um ato de siberso.na fem que rompam com papels ele sro pls nce de consume. aa menenrar anova fbjetvisde com bse emus ubrersso do venedoicrsumior Ea postr ebro eta arata aoe ear dia. on por exempl, aque qv prt eps peroratvanpropoen-sea defen outros pares. duaade ee reaparéncn rele am de giero-sxo). Gost de ener est prolog sando so lec que encontrar um semeado com reflexbes de ferences ares colada em cagbe, at aide pra qu dope com ova marae que a teendo sempre sum com referencias de apo de que compart Aiunas apace como conporto ao qs i txt Firs coma te de convo ator ar ealcando re corribigSs 30 tuto, om 3 We no conscerar meu texto come concoct aero spores devia Osutor Brighton, Massachuses, mao de 2007 [NARRATIVA EM EDUCACAO DAS ARTES VISUAIS 'A PARTIR OOS ESTUDOS SOBRE CULTURA VISUAL! ona tema de repo or ptgeg (sv semen a pa soa ine ors GGostara de, trodugfo deste vo, presenta posgSo ma qual se bases fundamen teria quanto aproposa educa aqui feta. No cons que os Estudos de Cultura Visual (ECV) consttuam umanovadsiplin se ‘al enendemos um marco concelual e metodolipice arclado de ma singular esstemaea. Cultura vil que em alguns cowextos também se a por estudos vai (Eki, 003; Brea, 2005), um campo de etudos te em tomo d"construio do sul nas ares, mii ena vide cot (Dikoviskaya 2005p.) A partir desta defi, configra-e ura rea. de 30 « um iat crcl (ncrente ra unversdage€2g0"8 r= ra Escola como testemuna este lira) entrada raimagem sal como © cena os process, por meio da qual sgnieaos So produsidos contexts culurals" (Wem!) Como props em trabalhosrecentas (Herindex 20066 ©2006), neo 0+ tosis como os de Curia emargon fal dos anos 82,7 bo um debate que cum etranscendedfereces ciple «produ ua regio saberesvinclads stride are aos estdos dos melos, 205 estudos de qu 3 spas reaonadas com aceneas huranas soci sora de nguage do que resutades de ura busca de verde (agletor, 2005) Re mg wn ti cone wn anti i et con easton pr’ ne Ena ease seh Ba at ‘ngs pias regain Cunt angen rma conor jpn os ata ra aes mE are ort nuh reer ai eon een 22 Canes es vi ‘Sobre debate em tome do que denominamos por cultura isl conver- gs wma srie de propos inelectuas om termos ds pritas cura relaco- ‘dasa oars maneras cultura de ohar na ida contemporines,expeci: mente sobre as pritias que favorecem a representagies de nosio tempo © leramnos repesar a raratias do pasado jie Mathew (2005, 206) en ‘fea emergéncia deste nave campo como expos &necesiade eines ‘pre anal una culture dominada por megane au [Ao referinme & nogio de represenagio™ evo em conta a pogo de Stars Hal (1997,p25) que considera que "nem as ola por si meas. nem os "usuarios d lnguagem, podem ar © sentido da inguagem.As cosa no tom stiado:nos consruimos o senido urnde sstemisderepresentagio com ceitosesnas” Paral este aria o seni deuma aberdage"consruconet” to de eta qs ooresrespetam, coo no romenar ur seta corespondo com gal eda (Vcr erS 205)" Ferando Haier 37 (0s Estudos da Cultura Visual nos ermitem a aproximarSo com estas novasrealdades 3 partir de uma perspecova de reconstrucio das proprias referncias cultura e das maneras das enanas, ovens, arias eedveadores ‘lharem (a) e serem olados Reconstruio no somentedecaritrhstéric, rmasaparor do momento presen. median oabato decampo ouaanise¢ | cragio de txts imagens Reconstrugi que di iase&funco mediadora ‘as subjecviades «das races, formas de represenacio€ producto de novos aberes acerca desta reakades, No caso ds educagho, est taretern ver com 3 propria funeto medadora da Escola com insta Soca com © papel do curiulo em termos da afirmarSolexcuto de forms de poder e de ‘ber, com algumas represeneages que ae autorizam frente auras ‘queseexcluem Plas problemstca educatias que so abordadhs a pari desta perspec ‘ia (Giroux 1996 Siva, 1995:Wakercine, 1998), podese pensar que erar30 ‘em confito com aedueaio fora da Escola: que faze refréncia a0 estudo dos ‘meios de comuniario que trata-t de ncorporar 0 ertodo das manfesagoet Wile © pin (2002) ever Medolgss ‘Antropologi wel, scioogia visu invert emeyata anie de acs loner siconsoga mon Prosser (1996) ieee ‘Anse deforma esto sie sec Emion «Sith 2000) Lecce e200!) ose (2001) Emery (202) Avena deta, a diferengas entre os autores apontads esto reaciona- as a0 que para Kerry Freedman, consti o tema central dos debates pos ‘modernon amodsnga ma esfer cultural Sobrendo 0 aprtcmento de uns cia via que abate 0 060 rasformos da modo unnrtalsraturers de dcr pole, da ero {och eu lenadede cultura A cre val esd om expano da mesma Irancin gue ocampo sats viu- te mpoincl bea res ateleri, ‘cmon eo vas sears rua foxgrta e mods 4 pb, eA revere parargio dean Yorma de crave! ede iberdade com gue ‘sora ru or nies adoras pode ver sprecdoruulaago os Bate aree nor anencns pubes na ape grec pr corpo res Riess enon de ideas non mae (recdman, 200, pp 315316). Apart da ose pode conceber actus vu como endo um assunto a mais, como outa materia escolar, tnda houver sentido em utr esta {erminologa do século XVII Tratase por outro lado, de una perspectva cua lntengio ¢ de propor nexos entre proberas, lugares etermpos, ca fade (348s opor eantoao potencial etocertrisae unidreciona dos enfoques que ‘ontinuam presente nas concepeSes dominante sobre st matérla, cma So- bre omodo come tas concepeesaparecem nos ros texto eas propos © privcas da sla de aul “Tend chepado sexe ponto importante recordar que existom dferon- ‘tes shordagens sobre cultura sal equa. como nos recorda Dunc (2001), tsa dveriade também se elt entre os educadores das ares vinais que se Feferiam clr i [Uma dests bordagenschama a tencSo"Sfancio das imagens ome através de diferentes sociedades,em diferentes momentos” Este enfoque jt aparece em Chalmers (1981), que traz exempios sobre como a8 manfesta- {bes da cultura popular presences as hats em quarinhos na televiso e ‘as charges pollens derempesham um papel similar ao que pntura deser- penhava ha agurs anos Seqvindo esta perspectiva¢ posivel ar relaes ‘entre 3 fotografa de uma pigina naWeb eum retrato deVan Gogh, partindo {So fato de que ambos atuam come substaigdes; também se pode vincular © ingerior da cpu da Capel Sistna a uma telenovela. a partir da perspectira ‘que ambas so narracSes ou propor relagdes entre imagens de contextos “erences, mas. que urtaportas, conttroem uma nova narrativaTambém & potsivel, como nos apresenta Mathews (2005), utlzar as charges polss 52 Caner ae inl seradasa partic do episode It desetembropara explora a construsto 4e um dscurso (com base no medo) que represen sacricar 35 iberdades ‘dads em favor da sequranga edo controle que supostamente.nos hi de proteger do terror, ‘Ao mesmo tempo em que so prods eats nove lags, arpa 0.05 debates em toro a0" cnone do mundodaarteou sobre 9 que ¢ ou no art. Este debate predndo no mesmo tempol gue tages raion 4 mundo da art dalogam e conven Ns Melia expoiges, ra nernet nasrevistasenasmanfestaSes a culturapapdareamautros objeto, agers € artetos que amplam sue sgwiadose permitam propor nova formas de ‘ompreensio lo ini, como spon Mtchal(2000p210)aue“o gen es ‘braiprima nio desapaecer20 do contented Rial mas OO poder 38 formas de prazer que nos proporcinamBRr-se-io mals objeto res de dscursos. parr dei enfoquerococonstrucinst, ‘A parc dessespressupostos, pensar em uma propasta educa que voreca una abordagem roca epeformadva” cultura val em educaio di reer sin -traar de desvelar as piss eestrapas acura vince man feseagbes clear vn ~ desvear um poscioramento corportcade 3 parte do enrecruzimento de" espacos ios geograieos, mena, cura soca, eros corpo. ‘is, wal (..).rompendo-se com concepcio tradicional qv nha por base as cssieagesbinaras-centroiperer: vrtcalhoraontal cima abaixo, noree-sul, lesteceste (.) © politica entrecruzando-se onditonando osbjetvo, para gear reflexdes ea tomada de consciancs sobre idemidade, quer se cnstol apenas parse do gnero dh cas se social da etna mas também geopraicament (Vil, 2005). ‘Apnmeira questo que surge ne momento des transfrmar em pris ‘ais suestbes€a necessdade de ientficar as poses dos docenes ou de ‘utrosprofsionis que exercem um papel ative na cultura vu (edueadores ‘de museus, exertore,lstradores derenhisas de Matis em quadrnhos, east. produtores de teeiso,projetstas de videogames ec) Ura ver Que ‘sia posigbesrofltem valores, temoreseincerezas No quer refre 30 pape ‘edvetive de uma cultura val no eanric,especalmente no que se efre 3 represenagies da cultura popular Parondo dessa consderages baee-e em Alermaan Moone Hageds (1999,99:23.28) que apontam quatro perspectias de ensino reisoradas rele nea que proessorad di cultura popular. Adapts suas poses relacio ‘que os educa dares mantém com as imagens eos areator que azem parce 3 ura va |LA perspec proses: para alguns educadores, a manfetages os rr wat perc por cere emem ae pee pts Ps foc et mcado com prams prosase eine a pe reaceaet $olgs donren Quando vo panr nna pase, ene, area rine ue se deriram de uma represenarSo, mas tambm as defenddas por ead ‘lune ealrapara.a seguir.stuar sus lerentes ides em contentos econ, soci culurais mais amps: desvlando-e,careando-e "lentes através ‘ds guns eliza seus modos de ver Dess forma poderse-o produ repre- sencagfesalternatvas a parti dessesvrio postnamentoseohares, ‘Tomar consciéncin do confit que se estabelece pelo cruzamento fete 0 princpio do prazer © principio dane cra fo que Mirsoet (2006, 7:70) denomina"visulidade verti”. que ocorre a quleuer momenta ‘nos em um process de redaborao de suas props experiincas. Por kimo,o professor nfo deveria evar “autoriarse” com e em face 0s extdantes Vive-se um tempo em que &necessrio manfexar préprio ‘onto de va de manelra argent ers ura ver que profesores am ‘Como modelos de condita moral come exemp9 Bas em termos i tia30 os|ovens na sored, 90 Caos cue vi [Um ponto de chegada: © que se pode aprender desta narratva para a educacio das artes visuais? “Tendo chegadoa ese pono apresento a spur ums stete dos apectos «que surgem do camino percorride, em term de princos/posibidades 2 {rem levados em consideracio em uma perspectia edvetva que pretend favorecerexperéncias de aprender em ctr sal tendo po refertnca aboraagem eric e performaca. (Os enunciados a seguir nfo pretendam ser canchsivs, pois niopressi- em um feckamento outrasopgSeseperspectvas.De cera mane, const= "em uma resposta perguna: que experénclas de aprendzagem se poderia tor ‘partir desta narrativa para educagio das artes suis! Apresenco-r,portan- ‘0,como uma posibiidade, como um amine quealguns de nj comegams a percorer em terms do trabalho de alguns prfeetores nat sake de aula ede nossa atvidades a universidade: Parti do fat de que hi mas do que vemoenaemaniertages dx cultura ‘sual ra qua se ineuem at obras aries pol sho meciadora dos apa ae ets tie fanterdnea do eurso anteran)« be poeue sey N00 Protestors ue Professors: Pero eobare ma? Monee A tpt de des x pres