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Apostila Matemática - Introdução Números Reais

Apostila Matemática - Introdução Números Reais

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PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.

com OS NÚMEROS REAIS FORMAM UM CORPO Isto quer dizer que existem objetos matemáticos chamados de números reais e duas operações primitivas sobre os mesmos que satisfazem a específicos nove axiomas descritos abaixo. As duas operações primitivas são: Adição: Que a cada par de números reais (x e y) associa um único número real denominado a sua soma (x + y) e Multiplicação: Que a cada par de números reais (x e y) associa um único número real denominado o seu produto (x.y). Como apresentados nas linhas anteriores não sabemos o que são os números reais, muito menos como adicioná-los e multiplicá-los. Sabemos apenas que tais conceitos são regidos por estes específicos nove axiomas: I) Axiomas de comutatividade: a) Para quaisquer dois números reais x e y:

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 b) Para todo número real diferente de zero x existe um único número real diferente de zero x-1 (chamado de inverso multiplicativo de x, ou de inverso de x ou de recíproco de x) tal que: x . (x-1) = (x-1) . x = 1 V) Axioma de distributividade: Para quaisquer números reais x, y e z: x.(y + z) = (y + z).x = (x.y) + (x.z) A partir do que foi estabelecido até aqui podemos definir as outras duas operações tradicionais (subtração e divisão) sobre os números reais: Subtração: Que a cada par ordenado de números reais (x e y) associa um único número real denominado a sua diferença: x – y = x + (-y) Divisão: Que a cada par ordenado de números reais (x e y, com y diferente de zero) associa um único número real denominado o seu quociente: x / y = x.(y-1). Conclusões imediatas:

x+y=y+x a) Para todo número real x temos que (-(-x)) = x. b) Para quaisquer dois números reais x e y: x.y = y.x II) Axiomas de associatividade: a) Para quaisquer três números reais x, y e z: (x + y) + z = x + (y + z) b) Para quaisquer três números reais x, y, z: (x.y).z = x.(y.z) Propriedade I: Para todo real x: 0.x = 0 III) Axiomas dos neutros: PROVA: a) Existe um único número real 0 (chamado de zero ou de neutro aditivo) tal que para todo real x: x+0=0+x=x b) Existe um único número real 1 (chamado de um ou de neutro multiplicativo e diferente de 0) tal que para todo real x: x.1=1.x=x IV) Axiomas dos inversos: a) Para todo número real x existe um único número real –x (chamado de inverso aditivo de x, ou de simétrico de x ou de oposto de x) tal que: x + (-x) = (-x) + x = 0 x + (–x) = 0 ((1).x) + (–x) = 0 ((0 + 1).x) + (–x) = 0 ((0.x) + (1.x)) + (–x) = 0 ((0.x) + x) + (–x) = 0 (0.x) + (x + (–x)) = 0 (0.x) + 0 = 0 0.x = 0 C.Q.D
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b) Pra todo número real (diferente de zero) x temos que ((x-1)-1) = x. c) São equivalentes as afirmações: x = y e x – y = 0. d) São equivalentes as afirmações x = y e x / y = 1, desde que x e y sejam ambos diferentes de zero. A partir da caracterização dos números reais como um corpo, podem ser demonstradas inúmeras propriedades úteis, aqui estão as principais:

PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com Propriedade II: Para todo real x: (-1).x = -x PROVA: (0).x = 0 ((1) + (-1)).x = 0 ((1).x) + ((-1).x) = 0

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 Propriedade IV (“Lei de Corte Aditiva”): Para quaisquer números reais x, y e z, as seguintes afirmações são equivalentes: x = y e x + z = y + z. PROVA: i) Se x = y então x + z = y + z, bastando “somar z aos dois lados da igualdade”. ii) Se x + z = y + z então

x + ((-1).x) = 0 (x + z) + (-z) = (y + z) + (-z), E da unicidade do inverso aditivo: x + (z + (-z)) = y + (z + (-z)), (-1).x = -x x+0=y+0e C.Q.D x=y Conclusões imediatas: Pondo x = -1 na última igualdade temos que: (-1).(-1) = -(-1) = 1. E também temos que: (1).(-1) = (-1).(1) = -1 e (1).(1) = 1. Propriedade III (“Regra dos Sinais”): Para quaisquer números reais x e y: a) (-x).(y) = -(x.y) b) (x).(-y) = -(x.y) c) (-x).(-y) = x.y PROVA: x=y a) (-x).(y) = x + (-y) = 0 ((-1).(x)).(y) = (x + (-y)).z = 0 (-1).((x).(y)) = (x.z) + (-(y.z)) = 0 -(x.y) x.z = y.z b) (x).(-y) = C.Q.D. (-y).(x) = -(y.x) = -(x.y) c) (-x).(-y) = -((x).(-y)) = -(-(x.y))= x.y C.Q.D. PROVA: Supondo (por absurdo) que os dois fatores (x e y) são ambos diferentes de zero e usando a lei de corte multiplicativa (em y) na igualdade x.y = 0.y (observe que 0.y = 0), obtemos x = 0. O que é uma contradição! Logo pelo menos um dos fatores é igual a zero. A recíproca é trivial, uma vez que: 0.0 = 0.y = x.0 = 0. C.Q.D.
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Conclui-se de i e ii que as duas afirmações dadas são equivalentes. C.Q.D Propriedade V (“Lei de Corte Multiplicativa”): Para quaisquer números reais x, y e z (z diferente de zero), as seguintes afirmações são equivalentes: x = y e x.z = y.z. PROVA: São equivalentes as seguintes afirmações:

Propriedade VI: Se x e y são números reais então são equivalentes as afirmações: a) x.y = 0 e b) x = 0 ou y = 0.

PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com Propriedade VII: Se x, y e z são números reais então são equivalentes as afirmações: a) x.y = x.z e b) x = 0 ou y = z. PROVA: São equivalentes as afirmações: x.y = x.z (x.y) + (-(x.z)) = 0 (x.y) + (x.(-z)) = 0 x.(y + (-z)) = 0 x = 0 ou y + (-z) = 0 x = 0 ou y – z = 0 x = 0 ou y = z C.Q.D. Duas propriedades imediatas: a) Se x é um número real, definimos o seu quadrado (x2) pela igualdade x2 = x.x, onde 2 = 1 + 1. Deixamos para o leitor provar o fato trivial de que são equivalentes as afirmações: x2 = 0 e x = 0. b) Se x é um número real e n é um número natural, definimos a enésima potência de x (xn) como o produto de n fatores iguais a x se n for diferente de um. Definimos ainda x1 = x. Fica para o leitor provar o fato também trivial de que são equivalentes as afirmações: xn = 0 e x = 0. Propriedade VIII: Para todos os números reais x e y: (x + y).(x – y) = x2 – y2. PROVA: (x + y).(x – y) = C.Q.D

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 Propriedade IX: Se x e y são números reais, são equivalentes as afirmações: a) x2 = y2 e b) x = ± y. PROVA: São equivalentes as afirmações: x2 = y2 x2 – y2 = 0 (x + y).(x – y) = 0 x + y = 0 ou x – y = 0 x = -y ou x = y x=±y C.Q.D. Propriedade X: Se a e b são números reais (com a diferente de zero) então existe um único número real x = b/a tal que a.x = b. PROVA (São equivalentes as afirmações): a.x = b (a-1).(a.x) = b.(a-1) ((a-1).a).x = b/a 1.x = b/a x = b/a

Propriedade XI (“Lei de Corte ‘Simplificativa’”): Se a, b e c são números reais (com a e c diferentes de zero) então b/a = (b.c)/(a.c). PROVA (São equivalentes as afirmações):

(x + y).(x + (-y)) = a.x = b (x.(x + (-y))) + (y.(x + (-y))) = ((x2) + (-(x.y))) + ((x.y) + (-(y2))) = (((x2) + (-(x.y))) + (x.y)) + (-(y2)) = ((x2) + ((-(x.y)) + (x.y))) + (-(y2)) = ((x2) + 0) + (-(y2)) = (x2) + (-(y2)) = x2 – y2 C.Q.D.
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c.(a.x) = b.c (c.a).x = (b.c) (a.c).x = (b.c) x = (b.c)/(a.c). Mas sabemos da propriedade anterior que x é único e igual a b/a. Logo (b.c)/(a.c) = b/a. C.Q.D.

PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com Propriedade XII: Sendo a, b, c e d números reais (com b e d diferentes de zero): a) A igualdade a/b = c/d equivale a igualdade a.d = c.b. b) (a/b) + (c/d) = ((a.d) + (c.b)) / (b.d) c) (a/b) – (c/d) = ((a.d) – (c.b)) / (b.d) d) b = 1/b d’) (b.d) = (b ).(d ) (a.c)/(b.d) e) (a/b) . (c/d) = (a.c) / (b.d) f) (a/b)-1 = b/a (a ≠ 0) g) (a/b) / (c/d) = (a/b) . (d/c) (c ≠ 0) h) Se a/b = c/d então (a.c)/(b.d) = (a/b)2 = (c/d)2. PROVA: a) São equivalentes as afirmações: a/b = c/d (a.d)/(b.d) = (c.b)/(b.d) (a.d) . ((b.d)-1) = (c.b) . ((b.d)-1) a.d = c.b b) (a/b) + (c/d) = ((a.d)/(b.d)) + ((c.b)/(b.d)) = ((a.d) . ((b.d)-1)) + ((c.b) . ((b.d)-1)) = ((a.d) + (c.b)) . ((b.d)-1) = ((a.d) + (c.b)) / (b.d) c) Basta trocar c por -c no item anterior. d) O inverso multiplicativo (x = b-1) do número real diferente de zero b é o único número real diferente de zero (x) tal que b.x = 1. Donde é imediato que x = b-1 = 1/b. d’) Afirmamos que o inverso multiplicativo (que sabemos ser único) do número real diferente de zero b.d é o número real diferente de zero (b-1).(d-1). O que é imediato uma vez que (b.d).((b-1).(d-1)) = 1. Com efeito: (b.d).((b-1).(d-1)) = (b).(((b-1).(d-1)).d) = (b).((b-1).((d-1).d)) = (b).((b-1).(1)) = (b).(b-1) = 1 PROVA:
-1 -1 -1 -1

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 e) (a/b) . (c/d) = (a . (b-1)) . (c . (d-1)) = ((a . (b-1)) . c) . (d-1) = (d-1) . ((b-1) . (a . c)) = ((b-1) . (d-1)) . (a . c) = (a . c) . ((b.d)-1) =

f) Afirmamos que o inverso multiplicativo (que sabemos ser único) do número real diferente de zero a/b é o número real diferente de zero b/a. O que é imediato uma vez que (a/b).(b/a) = (a.b)/(b.a) = 1. g) É imediato da definição de divisão e do item anterior. h) Seja o número real x tal que x = a/b = c/d. Logo: x2 = (a/b).(c/d) = (a/b)2 = (c/d)2 e (a.c)/(b.d) = (a/b)2 = (c/d)2 C.Q.D. Propriedade XIII: Sendo a, b, c e d números reais (com b e d diferentes de zero) tais que a/b = c/d e x, y, x’ e y’ números reais arbitrários (com (b.x) + (d.y) ≠ 0 e (b.x’) + (d.y’) ≠ 0) então: a/b = c/d = ((a.x) + (c.y)) / ((b.x) + (d.y)) = ((a.x’) + (c.y’)) / ((b.x’) + (d.y’))

Seja o número real w tal que w = a/b = c/d, donde é imediato que a = b.w e c = d.w. O seguinte quociente está bem definido e os posteriores desenvolvimentos provam o que é pedido. ((a.x) + (c.y)) / ((b.x) + (d.y)) = (((b.w).x) + ((d.w).y)) / ((b.x) + (d.y)) = (((b.x).w) + ((d.y).w)) / ((b.x) + (d.y)) = (((b.x) + (d.y)).w) / (((b.x) + (d.y)).1) = w/1 = w C.Q.D.

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PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com COMENTÁRIOS (CORPO) a) Foi apresentada a caracterização dos números reais como um corpo e ainda as principais propriedades advindas de tal fato. Tudo que foi dito acima para o corpo dos números reais vale para um corpo qualquer, por exemplo: o corpo dos números racionais e o corpo dos números complexos. O método axiomático foi utilizado de forma estrita na maior parte do tempo, mas nem sempre, sendo clara exceção quando se disse algo relacionado a potenciação. Os nove axiomas utilizados foram um pouco diferentes dos usuais axiomas de corpo uma vez que incluem embutidas as unicidades dos neutros e dos inversos, bem como a condição de ser sempre diferente de zero o inverso multiplicativo quando existe. Como o aprendizado matemático nunca se dá de forma passiva, recomendamos como complemento os exercícios: i) Retire tais afirmações embutidas do seio dos axiomas e as prove como propriedades independentes (no desenvolvimento da teoria apresentada tais provas devem constar logo antes da definição da subtração e da divisão). ii) Todas as conclusões tomadas e descritas como imediatas (ou triviais) no texto devem ser cuidadosamente consideradas. iii) As provas apresentadas são mais longas e detalhadas do que de costume, justamente para que possam ser entendidas precisamente. Etapas por acaso omitidas devem ser identificadas como ausentes e construídas. b) A intuição do aluno é preparada desde cedo para aceitar os axiomas de comutatividade, associatividade e dos neutros. Ele sabe em seu ser que na soma e no produto de vários números quaisquer, ele pode permutá-los de toda a forma e associá-los como bem entender com a certeza que o resultado sempre se mostrará o mesmo, único e correto (o que é um fato ainda não provado da teoria aqui construída e cuja justificativa fica como exercício). A distributividade não costuma trazer problemas desde que retomada com diferentes enfoques ao longo do tempo (numérico, algébrico e geométrico). O inverso multiplicativo normalmente aparece antes do aditivo na matemática elementar e nos dois casos se recomenda muito cuidado nas suas respectivas apresentações. De uma maneira geral é interessante se (re) visitar a Álgebra Geométrica de Euclides. Cabe salientar ainda que: não se divide por zero (a divisão por zero não está definida) uma vez que o zero não possui inverso multiplicativo. c) A Propriedade I garante que todo número real multiplicado por zero é igual a zero. d) A Propriedade II mostra como obter o inverso aditivo de qualquer número real multiplicando-o por -1. e) A Propriedade III é a famosa “regra dos sinais” da Álgebra Elementar. Como vista aqui ela decorre dos apresentados nove axiomas, em particular do axioma de distributividade. e.1) Com efeito, dispensando a Propriedade II e partindo direto para o item a da Propriedade III, temos que para quaisquer números reais x e y: (0).y = 0

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(x + (-x)).y = 0 (x.y) + ((-x).y) = 0 E da unicidade do inverso aditivo: (-x).y = -(x.y). Donde se seguem os itens b e c da Propriedade III. e.2) Para um professor explicando a um seu aluno cabe talvez uma “prova numérica”. Fazendo (por exemplo): x = 2 e y = 5, têm-se que: (0).(5) = 0 ((2) + (-2)).(5) = 0 ((2).(5)) + ((-2).(5)) = 0 E da unicidade do inverso aditivo: (-2).(5) = -((2).(5)) = -10. Donde se seguiriam as demais “provas numéricas”, análogas às provas dos itens b e c da Propriedade III. f) De uma maneira geral as Propriedades IV a X são todas importantes para a resolução de equações, sendo as Propriedades IV e V as fundamentais no assunto. g) A Propriedade VI pode ser enunciada em sua forma geral assim: “Um produto de números reais é igual a zero se, e somente se, pelo menos um dos números é igual a zero”. A sua contraposição é tão útil quanto: “Um produto de números reais é diferente de zero se, e somente se, todos os números são diferentes de zero”. h) A Propriedade VII é deveras relevante, sendo (curiosamente) uma das mais desprezadas. Muitos simplesmente insistem vez após vez em não considerar a possibilidade de ser x = 0. i) As Propriedades VIII e IX são básicas para a resolução de equações quadráticas. Em particular a (curiosamente nebulosa para alguns) notação: x = ± y. j) A Propriedade X garante a existência e a unicidade da solução de uma equação linear com a diferente de zero. Propriedade utilizada na demonstração de algumas das propriedades seguintes. k) A Propriedade XI é uma espécie de generalização da clássica propriedade de simplificação das frações ordinárias. l) As Propriedades XII e XIII algo que generalizam todas as demais propriedades tradicionais das frações ordinárias e cobrem ainda todas aquelas propriedades normalmente apresentadas nos capítulos de “razão e proporção” dos antigos compêndios de Aritmética.

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PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com OS NÚMEROS REAIS FORMAM UM CORPO ORDENADO Isto quer dizer que existem destacados números reais, chamados de positivos, regidos pelos seguintes dois axiomas: I) Axioma de fechamento: A soma e o produto de quaisquer dois números reais positivos são também números reais positivos. II) Axioma de tricotomia: Dado um número real x qualquer, tem-se sempre que uma, e somente uma, das seguintes afirmações é verdadeira: a) x é positivo (-x é negativo) b) x = 0 c) –x é positivo (x é negativo). Definições fundamentais: a) A afirmação x > y (lê-se: “x é maior do que y”) equivale a dizer que x – y é positivo (x – y > 0). b) A afirmação x < y (lê-se: “x é menor do que y”) equivale a dizer que x – y é negativo (x – y < 0). c) A afirmação x ≥ y (lê-se: “x é maior do que ou igual a y”) equivale a dizer que: x > y ou x = y. d) A afirmação x ≤ y (lê-se: “x é menor do que ou igual a y”) equivale a dizer que: x < y ou x = y. Propriedades imediatas: x + (–z) > 0 a) Se x é um número real positivo e y é um número real negativo, então: x > 0 > y. Onde a última afirmação deve ser entendida (e de modo análogo todas aquelas deste tipo) do seguinte modo: x > 0 e 0 > y. b) Se x e y são números reais quaisquer, é verdadeira uma, e somente uma, das seguintes três possibilidades: i) x > y ii) x = y iii) x < y Propriedade I: Para todo número real x: x2 ≥ 0. PROVA: Se x é igual a zero: x2 = (0)2 = (0).(0) = 0. Se x é positivo: x2 = x.x > 0. Se x for negativo, então –x é positivo e: x2 = x.x = (-x).(-x) > 0. C.Q.D. x>z C.Q.D.

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 Observação importante: Pode se concluir então que não é possível um número real x tal que x2 < 0. Também é imediato que o número real 1 é positivo (sendo -1 negativo, é claro).Com efeito: 1 = (1).(1) = (1)2 > 0. Propriedade II: Sejam x e y números reais quaisquer: a) Se x > 0 e y > 0 então x.y > 0. b) Se x > 0 e y < 0 ou x < 0 e y > 0, então x.y < 0. c) Se x < 0 e y < 0 então x.y > 0. PROVA: a) Imediato. b) (x).(-y) = (-x).(y) = -(x.y) > 0, donde x.y < 0. c) (-x).(-y) = x.y > 0. C.Q.D. Observação importante: Considerando um número real diferente de zero e o seu inverso multiplicativo, ambos são positivos ou ambos são negativos. Propriedade III: Para quaisquer números reais x, y e z se x > y e y > z então x > z. PROVA: x>yey>z x + (–y) > 0 e y + (–z) > 0 (x + (–y)) + (y + (–z)) > 0

Propriedade IV: Para quaisquer números reais x, y e z, são equivalentes as afirmações: a) x > y e b) x + z > y + z. PROVA: São equivalentes as seguintes afirmações: x>y x + (-y) > 0 (x + (-y)) + 0 > 0 (x + (-y)) + (z + (-z)) > 0 (x + z) + (-(y + z)) >0 x+z>y+z C.Q.D.

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PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com Propriedade V: Para quaisquer números reais x, y e z (z positivo), as seguintes afirmações são equivalentes: a) x > y e b) x.z > y. z. PROVA: São equivalentes as seguintes afirmações: x>y x + (-y) > 0 (x + (-y)).z > 0 (x.z) + (-(y.z)) > 0 x.z > y.z C.Q.D. Propriedade VI: Para quaisquer números reais x, y e z (z negativo), as seguintes afirmações são equivalentes: a) x > y e b) x.z < y. z. PROVA: São equivalentes as seguintes afirmações: x>y x + (-y) > 0

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 Da Propriedade V: x.x’ > y.x’ e y.x’ > y.y’ E da Propriedade III: x.x’ > y.y’ C.Q.D. Observações importantes: a) Fica como exercício para o leitor a comparação das últimas propriedades apresentadas (de III a VIII) envolvendo desigualdades com aquelas correspondentes envolvendo igualdades. b) Não foi vista anteriormente a propriedade análoga a última Propriedade III apresentada, só que para igualdades. A propriedade omitida se resume ao seguinte fato trivial: Se a = b e b = c então a = c. c) Não foram também introduzidas anteriormente as propriedades análogas as últimas Propriedades VII e VIII apresentadas, só que para igualdades. Fatos que agora introduzimos e cujas respectivas provas ficam também como exercício: c.1) Para quaisquer números reais z, x, y, x’ e y’ são equivalentes as afirmações: i) x = y e x’ = y’

(x + (-y)).z < 0 ii) x = y e (z.x) + x’ = (z.y) + y’. (x.z) + (-(y.z)) < 0 x.z < y.z C.Q.D. Propriedade VII: Para quaisquer números reais x, y, x’ e y’ se x > y e x’ > y’ então x + x’ > y + y’. PROVA: Da Propriedade IV: x + x’ > y + x’ e y + x’ > y + y’ E da Propriedade III: x + x’ > y + y’ C.Q.D. Propriedade VIII: Para quaisquer números reais x, y, x’ e y’ se x > y > 0, x’ > y’ e x’ > 0 então x.x’ > y.y’. PROVA: c.2) Para quaisquer números reais x, y, x’ e y’ são equivalentes as afirmações: i) x = y ≠ 0 e x’ = y’ ii) x = y ≠ 0 e x.x’ = y.y’ iii) x = y ≠ 0 e x’ / x = y’ / y. d) Se x e y são números reais quaisquer as seguintes afirmações são equivalentes: x > y e –x < –y. e) As Propriedades de III a VIII permanecem válidas se trocarmos cada > por um correspondente < e vice-versa, exceto o último > da Propriedade VIII. f) As Propriedades de III a VIII (e as variantes estabelecidas no último item) permanecem válidas se trocarmos cada > por um correspondente ≥ e cada < por um correspondente ≤. g) Demais variações das Propriedades de III a VIII (e quaisquer propriedades em geral não discutidas neste texto) devem ser estabelecidas e demonstradas válidas quando necessárias caso a caso.

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PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com Propriedade IX: Se x e y são números reais é verdade que: a) São equivalentes as afirmações: 0 < x < y e 0 < 1/y < 1/x b) São equivalentes as afirmações: 0 < x ≤ y e 0 < 1/y ≤ 1/x c) São equivalentes as afirmações: x < 0 < y e 1/x < 0 < 1/y d) São equivalentes as afirmações: y < x < 0 e 1/x < 1/y < 0 PROVA:

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 Propriedade XI: Se x, y, x’ e y’ são números reais (com y e y’ positivos) então: x/y ≤ (x + x’) / (y + y’) ≤ x’/y’ ou x’/y’ ≤ (x + x’) / (y + y’) ≤ x/y

Fica para o leitor provar que vale somente de forma simultânea a dupla igualdade e unicamente no caso em que se tem: x/y = x’/y’. Provaremos o caso de ser x/y < x’/y’ com o caso x/y > x’/y’ ficando para o leitor. a) São equivalentes as afirmações:

e) São equivalentes as afirmações: x/y < (x + x’) / (y + y’) y ≤ x < 0 e 1/x ≤ 1/y < 0 x.(y + y’) < y.(x + x’) PROVA: (x.y) + (x.y’) < (x.y) + (x’.y) a) Basta dividir por x.y (que é positivo) a primeira dupla desigualdade. Os detalhes ficam como exercício. b) Idem. c) Dizer que um número diferente de zero é positivo (respectivamente negativo) é o mesmo que dizer que o seu inverso multiplicativo é positivo (respectivamente negativo). Donde decorre imediatamente o resultado. d) Como na prova de a. (x.y’) + (x’.y’) < (x’.y) + (x’.y’) e) Idem. x.y’ < x’.y C.Q.D. x/y < x’/y’ Propriedades imediatas: Fica como exercício provar que, se x é um número real, é verdade que: a) São equivalentes as afirmações: 0 < x < 1 e 1 < 1/x b) São equivalentes as afirmações: 0 < x ≤ 1 e 1 ≤ 1/x c) São equivalentes as afirmações: -1 < x < 0 e 1/x < -1 a) São equivalentes as afirmações: d) São equivalentes as afirmações: -1 ≤ x < 0 e 1/x ≤ -1 Propriedade X: Se x e y são números reais, são equivalentes as afirmações: x2 + y2 = 0 e x = y = 0. PROVA: Considerando x2 = -(y2), o primeiro membro é positivo ou zero, enquanto o segundo é negativo ou zero. Logo a única forma de valer a igualdade é se ter x = y = 0. A recíproca é trivial. C.Q.D. PROVA: É uma conseqüência da Propriedade VIII, os detalhes ficando para o leitor como exercício. C.Q.D. x < y e x 2 < y 2. b) São equivalentes as afirmações: x ≤ y e x2 ≤ y2. De a e b tem-se o resultado desejado. C.Q.D. Propriedade XII: Se x e y são números reais não negativos: x.y’ < x’.y x/y < x’/y’ b) São equivalentes as afirmações: (x + x’) / (y + y’) < x’/y’ y’.(x + x’) < x’.(y + y’)

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PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com Propriedade XIII: Se x e y são números reais (sendo Min (a, b) o menor valor dentre a e b, Max (a, b) o maior valor dentre a e b e sendo necessariamente garantido que Min (a, a) = Max (a, a) = a) é verdade que: a) São equivalentes as afirmações: Min (y, -y) < x < Max (y, -y) e x2 < y2 b) São equivalentes as afirmações: x < Min (y, -y) ou x > Max (y, -y) e x2 > y2 PROVA: a) São equivalentes as afirmações: x2 < y2 x2 – y2 < 0 (x + y).(x – y) < 0 (x < -y e x > y) ou (x < y e x > -y)

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 Conseqüências imediatas: Existem pelo menos mais duas definições alternativas para valor absoluto de um número real (ficando para o leitor provar a equivalência das três definições aqui apresentadas): a) │x│ = Max (x, -x) b) │x│ = - Min (x, -x) Propriedades imediatas: Fica como exercício provar que se x e y são números reais quaisquer e n um número natural qualquer então: a) │x│ ≥ 0 b) │x│ = 0 equivale a x = 0 c) │x│ = x equivale a x ≥ 0 d) │x│ ≥ x ≥ -│x│ e) │x.y│ = │x│. │y│ f) │x/y│ = │x│/ │y│ (y ≠ 0) g) │xn│ = │x│n h) │x│n = xn (n par) Propriedade XIV: Se x e y são números reais é verdade que: a) São equivalentes as afirmações:

Min (y, -y) < x < Max (y, -y) b) São equivalentes as seguintes afirmações: x2 > y2 x –y >0 (x + y).(x – y) > 0 (x < -y e x < y) ou (x > y e x > -y) x < Min (y, -y) ou x > Max (y, -y) C.Q.D. Definição (valor absoluto de um número real): O valor absoluto (│x│) de um número real x qualquer é (um número real) definido da seguinte forma: i) │x│ = x, se x > 0 ii) │x│ = 0, se x = 0 iii) │x│ = -x, se x < 0
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x2 = y2 e │x│ = │y│ b) São equivalentes as afirmações: x2 > y2 e │x│ > │y│ c) São equivalentes as afirmações: x2 < y2 e │x│ < │y│ PROVA: Se pelo menos um dos dois números for igual a zero as equivalências são de fácil verificação o que fica a cargo do leitor. Prossigamos supondo que ambos os números são diferentes de zero. a) São afirmações equivalentes: │x│ = │y│ │x│2 = │y│2 x2 = y2 b) e c) Seguem análogas (ficando como exercício) C.Q.D.
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PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com Propriedade XV: Se x e y são números reais (com y não negativo) é verdade que: a) São equivalentes as afirmações: x=±y e │x│ = y b) São equivalentes as afirmações: x < -y ou x > y e │x│ > y c) São equivalentes as afirmações: -y < x < y e │x│ < y PROVA: a) São equivalentes as afirmações: │x│ = y │x│ = │y│ x =y
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INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 Observação importante: Uma conseqüência importante do item a da última propriedade é que │x│ é o único número real não negativo cujo quadrado é igual a x2. Propriedade XVI (“Desigualdade triangular”): Se x e y são números reais quaisquer: a) │x + y│ ≤ │x│ + │y│ b) │x - y│ ≤ │x│ + │y│ c) │x│ - │y│ ≤ ││x│ - │y││ ≤ │x + y│ d) │x│ - │y│ ≤ ││x│ - │y││ ≤ │x - y│ PROVA: a) São equivalentes as afirmações: │x + y│ ≤ │x│ + │y│ (│x + y│)2 ≤ (│x│ + │y│)2 (x + y)2 ≤ (│x│ + │y│)2 (x2 + y2) + (2.(x.y)) ≤ (│x│2 + │y│2) + (2.(│x│.│y│)) (x2 + y2) + (2.(x.y)) ≤ (x2 + y2) + (2.(│x.y│)) 2.(x.y) ≤ 2.(│x.y│) x.y ≤ │x.y│ Que é uma afirmação sempre verdadeira para quaisquer números reais x e y. b) Basta trocar y por –y em a. c) Use o item a. d) Basta trocar y por –y em c. C.Q.D. Outras propriedades: Fica como exercício provar que dados quaisquer números reais não negativos x e y e um número natural n é verdade que: a) x = y equivale a xn = yn b) x > y equivale a xn > yn c) x < y equivale a xn < yn d) O item a também é verdadeiro no caso de x e y serem ambos não positivos. e) Os itens b e c são também verdadeiros no caso de x e y serem ambos não positivos desde que invertamos o sentido das segundas respectivas desigualdades se n for par.
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x=±y b) São equivalentes as afirmações: │x│ > y │x│ > │y│ x2 > y2 x < Min (y, -y) ou x > Max (y, -y) x < -y ou x > y c) São equivalentes as afirmações: │x│ < y │x│ < │y│ x2 < y2 Min (y, -y) < x < Max (y, -y) -y < x < y C.Q.D.

PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com COMENTÁRIOS (CORPO ORDENADO) a) Foi apresentada a caracterização dos números reais como um corpo ordenado e ainda as principais propriedades advindas de tal fato. Tudo que foi dito acima para o corpo ordenado dos números reais vale para um corpo ordenado qualquer, por exemplo: o corpo ordenado dos números racionais. O método axiomático foi utilizado de forma estrita na maior parte do tempo, mas nem sempre, sendo uma clara exceção quando se falou algo relacionado a potenciação. Os axiomas utilizados foram os tradicionais. Como o aprendizado matemático nunca se dá de forma passiva, recomendamos como complemento os seguintes exercícios: i) Todas as conclusões tomadas e descritas como imediatas (ou triviais) no texto devem ser cuidadosamente consideradas. ii) As provas apresentadas são mais longas e detalhadas do que de costume, justamente para que possam ser entendidas precisamente. Etapas por acaso omitidas devem ser identificadas como ausentes e construídas. b) Que não fique dúvidas quanto a possíveis “múltiplas definições”, quando da apresentação das Definições fundamentais acima. Por exemplo: x > y equivale a dizer que x – y é positivo e por outro lado x – y > 0 equivale a ser (x – y) – 0 = x – y positivo. Logo estamos usando uma simples equivalência e não oferecendo outra definição. c) A Propriedade I garante que em qualquer corpo ordenado um quadrado nunca é negativo. d) A Propriedade II é uma forma mais forte da “regra dos sinais”. e) A Propriedade III expressa transitividade. f) De uma maneira geral as Propriedades IV a VI são as fundamentais para a resolução de inequações. Tenha em mente que uma inequação qualquer é sempre muito mais difícil do que a equação que lhe é correspondente. Muito cuidado com o ensino de inequações (de qualquer tipo). g) As Propriedades VII e VIII são úteis em demonstrações (e são duas nas quais os alunos sentem muita insegurança em particular). Mas sempre tenha em mente que elas não são equivalências. h) A Propriedade IX traz inúmeros itens muito simples que devem ser muito bem entendidos para se dar o estudo de potenciação. i) A Propriedade X pode ser lida de maneira geral como: “Uma soma de quadrados de números reais é igual a zero se, e somente se, cada um dos números é igual a zero”. j) A Propriedade XI pode ser lida de forma geral como: “Dados vários quocientes de número reais, o quociente da soma dos seus primeiros termos e da soma dos seus segundos termos (todos positivos) é sempre maior do que ou igual ao menor quociente dado e menor do que ou igual ao maior quociente dado”.

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 k) A Propriedade XII é importante no estudo introdutório das chamadas “inequações irracionais”. Desta propriedade em diante no texto foi utilizado implicitamente o seguinte fato: “Se x e y são números reais não negativos então são equivalentes as afirmações: x = y e x2 = y2”. l) A Propriedade XIII traz o resultado mais geral a respeito do assunto que trata e se conecta naturalmente ao tópico de valor absoluto logo a seguir. Valor absoluto é assunto em que os alunos costumam ter dificuldade, máxima atenção nas Propriedades XIV e XV que fazem uma espécie de “conexão quadrática” com o mesmo. A Propriedade XVI traz a mais importante propriedade de valor absoluto, a “Desigualdade Triangular”. m) Aqui neste item iremos nos referir a uma coleção arbitrária de números reais (com pelo menos um número) que denominaremos por A: m.1) Diremos que A é limitada superiormente (inferiormente) se existir um número real, dito uma cota superior (cota inferior) de A, que seja maior do que (menor do que) ou igual a qualquer número de A. Uma cota (superior ou inferior) não precisa ser um dos números de A. Uma dada coleção A não precisa ter uma cota superior (cota inferior), mas se tiver uma terá infinitas, uma vez que todo número real maior do que (menor do que) tal cota superior (cota inferior) também será uma cota superior (cota inferior). Diremos ainda que A é limitada se for limitada superiormente e inferiormente ao mesmo tempo. m.2) Diremos que A possui um máximo (mínimo) se existir um número real em A, dito um máximo (mínimo) de A, que seja maior do que (menor do que) ou igual a qualquer número de A. Máximo (mínimo) de A é necessariamente um dos números de A. Máximo (mínimo) quando existe é sempre único. Máximo (mínimo) quando existe é sempre a menor cota superior (a maior cota inferior) de A. m.3) Chamaremos de supremo de A, a menor das suas cotas superiores e ínfimo de A, a maior das suas cotas inferiores. Supremo (ínfimo) de A não é necessariamente um dos números de A. Supremo (ínfimo) quando existe é sempre único. Máximo (mínimo) de A quando existe é também supremo (ínfimo) de A. Se A não tem máximo (mínimo), mas tem supremo (ínfimo), então este último é maior do que (menor do que) qualquer número de A. m.4) A coleção de todos os números reais positivos não tem cota superior, máximo e nem supremo, por outro lado é limitada inferiormente (qualquer número real menor do que ou igual a zero é uma cota inferior), não possui mínimo, mas tem o zero como ínfimo. m.5) A coleção de todos os números reais menores do que ou iguais a um não tem cota inferior, mínimo e nem ínfimo, por outro lado é limitada superiormente (qualquer número real maior do que ou igual a um é uma cota superior) e tem máximo e supremo ambos iguais a um.

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PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com OS NÚMEROS REAIS FORMAM UM CORPO ORDENADO COMPLETO Isto quer dizer que além dos números reais constituírem um corpo ordenado como aqui já estabelecido, eles ainda são regidos pelo seguinte axioma: Axioma do supremo: Toda coleção de números reais (com pelo menos um número) limitada superiormente possui supremo. Propriedade do ínfimo: Fica para o leitor provar (a partir do axioma do supremo) que: “Toda coleção de números reais (com pelo menos um número) limitada inferiormente possui ínfimo”. Observação importante: As duas últimas proposições aludidas são equivalentes (prove isto!). Poderíamos ter chamado a segunda de Axioma do ínfimo e a primeira de Propriedade do supremo (e agido de acordo) sem prejuízo algum para o que se segue. Propriedade I: Se dado qualquer número real positivo a existir um número real positivo x tal que x2 = a (lê-se: “o quadrado de x é igual a a”), então x é único. PROVA: Se existirem dois números reais positivos (x e y) tais que x2 = a e y2 = a então x = y, uma vez que sabemos que as afirmações x2 = y2 e x = y são equivalentes neste caso. C.Q.D. Propriedade II: Dado qualquer número real positivo a existe um único número real positivo x tal que x2 = a. PROVA: Suponhamos a diferente de um, uma vez que o caso em que a = 1 é trivial (Justifique!). Seja F a coleção de todos os números reais positivos cujo quadrado é menor do que a. Seja f um número genérico de F. A coleção F possui sempre pelo menos um número (Min (1, a)). Seja E a coleção de todos os números reais positivos cujo quadrado é maior do que a. Seja e um número genérico de E. A coleção E possui sempre pelo menos um número (Max (1, a)). Do que foi apresentado, f2 < a < e2, o que implica f2 < e2 e por último f < e. Donde se conclui que F é limitada superiormente e possui supremo (Sup (F)) e E é limitada inferiormente e possui ínfimo (Inf (E)). A prova é dividida em três etapas ordenadas de maneira pouco usual. O resultado propriamente dito é estabelecido logo na primeira parte e usa dois fatos que somente são estabelecidos nas duas partes seguintes respectivamente. Se preferir a ordem linear, veja as partes (ii) e (iii) primeiro e depois a conclusão na parte (i).

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 i) Se F não tem máximo e E não tem mínimo então x = Sup (F) = Inf (E). Se F não tem máximo então a ≤ (Sup (F))2. Se E não tem mínimo então (Inf (E))2 ≤. a Logo: (Inf (E))2 ≤. a ≤ (Sup (F))2 Não se pode ter (Inf (E))2 < a o que levaria a uma cota inferior maior do que o ínfimo (o que se mostra de modo análogo a ser impossível ter F um máximo). Absurdo! Também não é possível a < (Sup (F))2 o que conduziria a uma cota superior menor do que o supremo (o que se mostra de modo análogo a ser impossível ter E um mínimo). Absurdo! Logo: Sup (F) = Inf (E) e (Sup (F))2 = (Inf (E))2 = a. Com base no que acabou de ser estabelecido podemos concluir que existe um número real positivo (que já sabemos ser único) x = Sup (F) = Inf (E), tal que x2 = (Sup (F))2 = (Inf (E))2 = a. ii) F não tem máximo. Isto equivale a dizer que não se pode ter um dado f como máximo de F, sendo sempre possível construir f + ε > f em F (onde ε é um número real positivo). Para provar isto analiticamente basta exibir, para todo f dado, um ε tal que f2 < (f + ε)2 < a. Se 0 < ε < 1 então (f + ε)2 < f2 + ε.(2.f + 1) Se 0 < ε < (a – f2) / (2.f + 1) então f2 + ε.(2.f + 1) < a Pondo 0 < ε < Min (1, (a – f2) / (2.f + 1)), a condição (f + ε)2 < a é com certeza satisfeita. iii) E não tem mínimo. Isto equivale a dizer que não se pode ter um dado e como mínimo de E, sendo sempre possível construir e - ε < e em E (onde ε é um número real positivo e menor do que e). Para provar isto analiticamente basta exibir, para todo e dado, um ε tal que a < (e - ε)2 < e2 . Se 0 < ε < 1 então e2 – ε.(2.e) < (e - ε)2 Se 0 < ε < (e2 – a) / (2.e) então a < e2 – ε.(2.e) Pondo 0 < ε < Min (1, (e2 – a) / (2.e)), a condição a < (e - ε)2 é com certeza satisfeita. C.Q.D.

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PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com Propriedade III: Se dado qualquer número real positivo a existir um número real positivo x tal que x3 = a (lê-se: “o cubo de x é igual a a”), então x é único. PROVA: Se existirem dois números reais positivos (x e y) tais que x3 = a e y3 = a então x = y, uma vez que sabemos que as afirmações x3 = y3 e x = y são equivalentes neste caso. C.Q.D. Propriedade IV: Dado qualquer número real positivo a existe um único número real positivo x tal que x3 = a. PROVA: Suponhamos a diferente de um, uma vez que o caso em que a = 1 é trivial (Justifique!). Seja F a coleção de todos os números reais positivos cujo cubo é menor do que a. Seja f um número genérico de F. A coleção F possui sempre pelo menos um número (Min (1, a)). Seja E a coleção de todos os números reais positivos cujo cubo é maior do que a. Seja e um número genérico de E. A coleção E possui sempre pelo menos um número (Max (1, a)). Do que foi apresentado, f3 < a < e3, o que implica f3 < e3 e por último f < e. Donde se conclui que F é limitada superiormente e possui supremo (Sup (F)) e E é limitada inferiormente e possui ínfimo (Inf (E)). A prova é dividida em três etapas ordenadas de maneira pouco usual. O resultado propriamente dito é estabelecido logo na primeira parte e usa dois fatos que somente são estabelecidos nas duas partes seguintes respectivamente. Se preferir a ordem linear, veja as partes (ii) e (iii) primeiro e depois a conclusão na parte (i). i) Se F não tem máximo e E não tem mínimo então x = Sup (F) = Inf (E). Se F não tem máximo então a ≤ (Sup (F))3. Se E não tem mínimo então (Inf (E))3 ≤. a Logo: (Inf (E))3 ≤. a ≤ (Sup (F))3 Não se pode ter (Inf (E))3 <. a o que levaria a uma cota inferior maior do que o ínfimo (o que se mostra de modo análogo a ser impossível ter F um máximo). Absurdo! Também não é possível a < (Sup (F))3 o que conduziria a uma cota superior menor do que o supremo (o que se mostra de modo análogo a ser impossível ter E um mínimo). Absurdo! Logo: Sup (F) = Inf (E) e (Sup (F))3 = (Inf (E))3 = a.

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 Com base no que acabou de ser estabelecido podemos concluir que existe um número real positivo (que já sabemos ser único) x = Sup (F) = Inf (E), tal que x3 = (Sup (F))3 = (Inf (E))3 = a. ii) F não tem máximo. Isto equivale a dizer que não se pode ter um dado f como máximo de F, sendo sempre possível construir f + ε > f em F (onde ε é um número real positivo). Para provar isto analiticamente basta exibir, para todo f dado, um ε tal que f3 < (f + ε)3 < a. Se 0 < ε < 1 então (f + ε)3 < f3 + ε.(3.f2 + 3.f + 1) Se 0 < ε < (a – f3) / (3.f2 + 3.f + 1) então: f3 + ε.( 3.f2 + 3.f + 1) < a Pondo 0 < ε < Min (1, (a – f3) / (3.f2 + 3.f + 1)), a condição (f + ε)3 < a é com certeza satisfeita. iii) E não tem mínimo. Isto equivale a dizer que não se pode ter um dado e como mínimo de E, sendo sempre possível construir e - ε < e em E (onde ε é um número real positivo e menor do que e). Para provar isto analiticamente basta exibir, para todo e dado, um ε tal que a < (e - ε)3 < e3. Se 0 < ε < 1 então e3 – ε.(3.e2 + 1) < (e - ε)2 Se 0 < ε < (e3 – a) / (3.e2 + 1) então a < e3 – ε.(3.e2 + 1) Pondo 0 < ε < Min (1, (e3 – a) / (3.e2 + 1)), a condição a < (e - ε)3 é com certeza satisfeita. C.Q.D. Propriedade V: Se dado qualquer número real positivo a existir um número real positivo x tal que xn = a (lê-se: “a enésima potência de x é igual a a”),onde n é um número natural qualquer, então x é único. PROVA: Se existirem dois números reais positivos (x e y) tais que xn = a e yn = a então x = y, uma vez que sabemos que as afirmações xn = yn e x = y são equivalentes neste caso. C.Q.D.

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PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com Propriedade VI: Dado qualquer número real positivo a existe um único número real positivo x tal que xn = a (onde n é um número natural maior do que um). PROVA: Suponhamos a diferente de um, uma vez que o caso em que a = 1 é trivial (Justifique!). Seja F a coleção de todos os números reais positivos cuja enésima potência é menor do que a. Seja f um número genérico de F. A coleção F possui sempre pelo menos um número (Min (1, a)). Seja E a coleção de todos os números reais positivos cuja enésima potência é maior do que a. Seja e um número genérico de E. A coleção E possui sempre pelo menos um número (Max (1, a)). Do que foi apresentado, fn < a < en, o que implica fn < en e por último f < e. Donde se conclui que F é limitada superiormente e possui supremo (Sup (F)) e E é limitada inferiormente e possui ínfimo (Inf (E)). A prova é dividida em três etapas ordenadas de maneira pouco usual. O resultado propriamente dito é estabelecido logo na primeira parte e usa dois fatos que somente são estabelecidos nas duas partes seguintes respectivamente. Se preferir a ordem linear, veja as partes (ii) e (iii) primeiro e depois a conclusão na parte (i). i) Se F não tem máximo e E não tem mínimo então x = Sup (F) = Inf (E). Se F não tem máximo então a ≤ (Sup (F))n. Se E não tem mínimo então (Inf (E))n ≤. a Logo: (Inf (E))n ≤. a ≤ (Sup (F))n Não se pode ter (Inf (E))n <. a o que levaria a uma cota inferior maior do que o ínfimo (o que se mostra de modo análogo a ser impossível ter F um máximo). Absurdo! Também não é possível a < (Sup (F))n o que conduziria a uma cota superior menor do que o supremo (o que se mostra de modo análogo a ser impossível ter E um mínimo). Absurdo! Logo: Sup (F) = Inf (E) e (Sup (F))n = (Inf (E))n = a. Com base no que acabou de ser estabelecido podemos concluir que existe um número real positivo (que já sabemos ser único) x = Sup (F) = Inf (E), tal que xn = (Sup (F))n = (Inf (E))n = a. ii) F não tem máximo. Isto equivale a dizer que não se pode ter um dado f como máximo de F, sendo sempre possível construir f + ε > f em F (onde ε é um número real positivo).

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 Para provar isto analiticamente basta exibir, para todo f dado, um ε tal que fn < (f + ε)n < a. Se 0 < ε < 1 então (f + ε)n < fn + ε.K (*) Se 0 < ε < (a – fn) / K então fn + ε.K < a Pondo 0 < ε < Min (1, (a – fn) / K), a condição (f + ε)n < a é com certeza satisfeita. (*) Fica como exercício para o leitor provar que existe o número real positivo K (independente de ε) que satisfaz tal condição (Sugestão: Prove por indução!). iii) E não tem mínimo. Isto equivale a dizer que não se pode ter um dado e como mínimo de E, sendo sempre possível construir e - ε < e em E (onde ε é um número real positivo e menor do que e). Para provar isto analiticamente basta exibir, para todo e dado, um ε tal que a < (e - ε)n < en. Se 0 < ε < 1 então en – ε.K’ < (e - ε)n (**) Se 0 < ε < (en – a) / K’ então a < en – ε.K’ Pondo 0 < ε < Min (1, (en – a) / K’), a condição a < (e - ε)n é com certeza satisfeita. (**) Fica como exercício para o leitor provar que existe o número real positivo K’ (independente de ε) que satisfaz tal condição (Sugestão: Prove por indução!). C.Q.D. Observações Importantes: a) Dado a negativo e n ímpar, existe um único número real positivo y tal que yn = –a, o que equivale a se ter um único número real negativo x = –y tal que xn = a. A conclusão é que dado um número natural ímpar arbitrário (n) e um número real qualquer (a) existe um único número real x tal que xn = a e sempre com x.a ≥ 0 (valendo a igualdade somente quando a = 0). b) Dado a positivo e n par, existe um único número real positivo y tal que yn = a, e também existe um único número real negativo –y tal que (–y)n = a. A conclusão é que dado um número natural par arbitrário (n) e um número real positivo qualquer (a) existem exatamente dois distintos valores reais para x (um sendo o inverso aditivo do outro) que satisfazem a: xn = a. c) Se a = 0 no item anterior, existe um único x (x = 0) tal que xn = a. d) Os três itens anteriores preparam o caminho para o estudo completo de potenciação.
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PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com e) Podemos destacar certos números reais, que chamaremos inicialmente de “números naturais”, partindo das seguintes óbvias desigualdades: 0<1 1<1+1 1+1<1+1+1 1+1+1<1+1+1+1 E assim por diante. Estes nossos “números naturais” são então os seguintes: 1 1+1 1+1+1 1+1+1+1 ... Pode se provar (o que fica como exercício de pesquisa) que tais “números naturais” podem ser identificados com os números naturais (descrito de modo informal faz se corresponder simplesmente: “1” com “1”, “1 + 1” com “2”, “1 + 1 + 1” com “3”, “1 + 1 + 1 + 1” com “4” etc.) e se relacionam entre si do mesmo modo que aqueles outros. Posto isto, cometeremos um certo abuso de linguagem e chamaremos a partir de agora estes nossos “números naturais” simplesmente de números naturais e, neste sentido, diremos que todo número natural é um número real. Destacamos ainda os números reais constituídos pela reunião de todos os números naturais, todos os seus respectivos inversos aditivos e o zero. Identificaremos tais números com os números inteiros, chamando-os da mesma maneira. E neste sentido diremos que todo número natural é um número inteiro e que todo número inteiro é um número real. Reunindo todos os quocientes da forma m/n (onde m é um número inteiro e n é um número natural), caracterizamos números reais que identificaremos com os números racionais, chamando-os da mesma maneira. E neste sentido, diremos que todo número natural é um número inteiro, todo número inteiro é um número racional e todo número racional é um número real. (Que tenha sido notado pelo leitor do que foi mostrado que existem infinitos números: naturais, inteiros, racionais e reais.) Existem infinitos números reais que não são racionais (que chamaremos de irracionais), como o próprio leitor irá concluir após fazer os seguintes: Exercícios Dirigidos.

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 f) Exercício Dirigido: Se m e n são números naturais quaisquer prove que: f.1) São equivalentes as afirmações: m é par e m2 é par. f.2) São equivalentes as afirmações: m é ímpar e m2 é ímpar. f.3) São equivalentes as afirmações: m é par e m2 é múltiplo de quatro. f.4) Se m e n são primos entre si é impossível ser m2/n2 =2. f.5) Não existe número racional positivo r, tal que r2 = 2. g) Exercício Dirigido: Com base no que foi estabelecido no item anterior, conclua que o número real positivo x tal que x2 = 2 não é um número racional positivo. Ele é um exemplo de número irracional positivo. (Considerando o item anterior e o desenvolvimento da Propriedade II acima só que agora com as coleções F e E constituídas de números racionais positivos e sendo a = 2, fica claro nestas condições que F não tem por supremo um número racional e E não tem por ínfimo um número racional. Isto constitui uma deficiência dos números racionais, que formam sim um corpo ordenado, porém não completo) h) Exercício Dirigido: Prove que dado qualquer número primo (p), o número real positivo x, tal que xn = p (onde n é um número natural maior do que um qualquer), é irracional. Conclua que existem infinitos irracionais positivos. Tome os inversos aditivos de tais números e conclua então que existem infinitos irracionais negativos. i) Prove que entre quaisquer dois números reais (racionais) distintos existem infinitos números reais (racionais). j) Prove que entre quaisquer dois números inteiros (naturais) distintos, existe somente um número finito de números inteiros (naturais). k) Prove ainda que se o valor absoluto da diferença de dois números inteiros (naturais) é igual a um, não existe número inteiro (natural) entre os mesmos. l) Prove que são equivalentes as seguintes três afirmações: l.1) Não existe número real maior do que todo número natural. l.2) Dados os números reais x e y (com y positivo), existe um número natural n tal que n.y > x. l.3) Dado o número real positivo y, existe um número natural n tal que 0 < 1/n < y. m) Prove que dados dois números reais distintos quaisquer existem infinitos números racionais e também infinitos números irracionais entre os mesmos.

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PROFESSOR CASTANHEIRA E−MAIL: lccs1701@yahoo.com COMENTÁRIOS (CORPO ORDENADO COMPLETO) a) Foi apresentada enfim a caracterização dos números reais como um corpo ordenado completo, enfatizando a propriedade do supremo (e do ínfimo). Como exemplo concreto da aplicação de tal propriedade (que para muitos parece realmente não inteligível e não aplicável em um primeiro momento) optou-se por introduzir a clássica fundamentação teórica para o estudo inicial da operação de radiciação, presumido a ser feito logo a seguir. Recomenda-se afinco do leitor nos três casos tratados (da igualdade xn = a), primeiro com n = 2, depois n = 3 e finalmente um n qualquer. Elimine todas as dúvidas desta etapa antes de seguir em frente, isto é crucial. (Na apresentação dos fundamentos da radiciação como descrito logo acima, foram colocados dois casos particulares e depois o geral, para que a repetição traga justamente uma maior clareza aos pouco acostumados a raciocínios deste tipo. Dentro de cada uma das demonstrações é deixada a possibilidade de se estudar os fatos em duas diferentes ordens, mais uma vez procurando esclarecer a metodologia usada para os não iniciados. Por outro lado, um leitor mais crítico poderia dizer que é necessário apenas uma das coleções F e E em cada caso. Isto é verdade, mas não se pode escapar da dupla desigualdade subjacente mesmo assim, logo preferimos utilizar sempre as duas coleções não somente devido a bela simetria, mas também por expandir o vocabulário do leitor.) b) Sob o nome de Observações Importantes foram tratados de vários tópicos. Os quatro primeiros itens versam sobre a preparação final para o estudo de potenciação (a radiciação faz parte de tal estudo, reparem) na seqüência. O item e faz as identificações numéricas usuais que esperamos tenham ressonância com a bagagem prévia do leitor, sendo mais importante aqui entender as linhas gerais do que é falado do que completar os detalhes técnicos deixados como exercício (ainda que tudo que for deixado como tal deva ser feito eventualmente mesmo assim). Os itens f, g e h formam um trabalho dirigido crucial para o bom entendimento de tudo que foi tratado nesta última parte, tomando como ponto de partida a alegada descoberta dos Pitagóricos de que a raiz quadrada positiva de dois não é um número racional, o que fica para ser provado em tal exercício guiado e muito mais. Os fatos mencionados nos itens de i a m devem ser familiares ao leitor, suas provas não são difíceis, sendo a mais rebuscada a do item m. Este último diz basicamente que os números racionais (e também os irracionais) são densos nos números reais. (Aos realmente curiosos por detalhes a respeito do item e, existe sim uma correspondência biunívoca, chamada tecnicamente de isomorfismo, entre os “números naturais”, como denominados no texto, e os números naturais. Este isomorfismo preserva as operações de adição e multiplicação, bem como a relação menor do que. Os detalhes, mais uma vez, ficam a cargo do leitor)

INTRODUÇÃO AOS NÚMEROS REAIS TELEFONE: (0XX21) 33504053 (O item f orienta o leitor na demonstração do fato que a raiz quadrada positiva de dois não é um número racional, tal prova guiada não utiliza em sua concepção a “redução ao absurdo” como é usual em quase todos os livros disponíveis. Cabe ao leitor fazer o desenvolvimento. Antes, porém, recorde o que é número natural par e ímpar, o que é um número natural múltiplo de outro natural e também o que são números naturais primos entre si.) (Para desenvolver o item h é recomendado que o leitor faça uma revisão do assunto números primos, em particular do fato que existem infinitos primos e também do Teorema Fundamental da Aritmética.) (Desenvolvimento do item i: Consideremos dois números reais (racionais) distintos a e b tais que a < b (sem perda de generalidade). É verdade (verifique isto!) que a recorrência x1 = (a + b)/2 e x(n + 1) = ((xn) + b)/2) gera infinitos números reais (racionais) entre a e b, e que ainda satisfazem a condição: a < ... < x1 < x2 < x3 < ... < xn < x(n + 1) < ... < b.) Finalizando... O presente texto (considerado no seu todo) apresenta uma introdução aos números reais cobrindo todos os fundamentos necessários (sob um ponto de vista algébrico) ao Ensino e a Aprendizagem da Álgebra do Ensino Fundamental. Tal enfoque tendo que ser complementado eventualmente pelas correspondentes visões numérica e geométrica do assunto. Supomos que o leitor tenha acabado de fazer uma revisão de tópicos incluindo: noções de lógica, linguagem de conjuntos e técnicas de demonstração. Uma óbvia continuação para os conteúdos aqui tratados seria um estudo inicial da operação de potenciação, mesmo daquelas potências cuja base é um número real positivo e o expoente é um número irracional. Este material é particularmente destinado a Alunos de Licenciatura e Professores de Matemática e demais entusiastas da Rainha das Ciências. Aqui os interessados encontram um exemplo da utilização do método axiomático ainda que não se objetive em última instância um completo rigor. Várias técnicas de demonstração são utilizadas e é apresentada uma grande gama de construções de provas. Recomenda-se que o leitor refaça os desenvolvimentos oferecidos e depois crie os próprios como uma última etapa. Um já grande (e assustadoramente maior a cada ano) número de pessoas não consegue aceitar muito bem qualquer tipo de tópico envolvendo demonstrações. Alguns simplesmente as odeiam, outros têm extrema dificuldade nas mesmas e outros ainda não tem a menor idéia do que se trata. Neste nível especialmente, alguns resistem por não quererem “demonstrar o óbvio”. Se forem incapazes de justificar “o óbvio”, o que serão capazes de provar então? Pessoa do meio, porém sem entendimento do método axiomático, estará eternamente condenada a uma conduta meramente utilitária, incapaz de explicar aquilo já estabelecido e será vastamente inadequada a desenvolver algo de fato novo. Abracem as demonstrações, os benefícios vão muito além do campo Matemático. Acreditem!

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