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A Funcao Notarial-Parte Inicial

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A Função Notarial

Curso On-line Registos e Notariado

Introdução A Natureza da Função Notarial

São várias as posições acerca da natureza da função notarial. Vão desde a orientação tradicional que vê o notário como funcionário público encarregue de autenticar determinados actos e contratos, até outra mais avançada que o apresenta como profissional do Direito, cuja missão consiste em redigir e dar forma legal a esses mesmos actos e contratos, passando por várias posições intermédias, introduzindo novos elementos ou comungando de alguns aspectos de uma ou de outra daquelas posições. As teorias referidas sobre a função notarial são, em regra, redutoras da actividade notarial, cingindo-se apenas a determinados aspectos da função, não abrangendo a diversidade dos fins e características daquela. Importa apenas fazer uma breve referência à teoria da fé pública, dada sua importância histórica, e tomar posição sobre a natureza da função notarial. Curso On-line Registos e Notariado 2

Introdução A Natureza da Função Notarial

A teoria da função notarial como função autenticadora (teoria da fé pública) é a mais antiga e, tradicionalmente, a mais seguida, que tem tido um papel preponderante nas definições legais de notariado. A função notarial visa a segurança formal ou instrumental do documento notarial e a segurança substancial, que requer um negócio válido num documento redigido de maneira clara, sem contradições, ambiguidades ou lacunas, apto para satisfazer as necessidades práticas que as partes perseguem. A existência de um negócio válido requer, por isso, um controle da legalidade por parte do notário. A função do notário compreende uma vertente profissional, um officium civile ou profissão jurídica de natureza privada e uma vertente funcional ou officium publicum, função certificadora, autenticadora ou certificante.

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Introdução A Natureza da Função Notarial

A função privada refere-se ao conteúdo do documento e traduz-se, por um lado, na recolha e interpretação da vontade das partes, no auxílio à formação dessa vontade e, por outro lado, na adaptação desta ao ordenamento jurídico, na escolha e conselho dos meios adequados à realização dos fins pretendidos pelos interessados (função assessora), na redacção e conformação do próprio instrumento notarial à lei (função configuradora) e na explicação às partes do conteúdo e efeitos do acto. A função pública reportase ao documento como contendo, na sua expressão externa de autenticidade dos factos ou das declarações de vontade do acto ou da relação jurídica. Assim, constituem a função notarial 1.°- A dação de fé pública aos actos jurídicos extra judiciais 2.° - A formulação de juízos de legalidade, de conformidade do acto notarial à lei adjectiva e substantiva 3.°- A assessoria das partes na determinação do conteúdo do instrumento, mediante o conselho, pedagogia e auxílio na formação da vontade das partes, na recepção desta e na sua interpretação.
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Introdução A Natureza da Função Notarial

No uso do poder de formulação de juízos de legalidade, o notário pode formular duas espécies de juízos, conforme a natureza negocial ou não negocial do facto: um juízo de licitude destinado a verificar se, de um modo geral, o acto é proibido por lei ou é contrário à ordem pública ou aos bons costumes; ou um juízo de legalidade tendo em vista averiguar, a partir do exame dos pressupostos e elementos de facto, a sua idoneidade para produzir os efeitos jurídicos queridos pelas partes, de acordo com a ordem jurídica estabelecida. Quando o facto é negocial, o notário formula uma série de qualificações ou juízos de valor sobre a capacidade dos outorgantes, sobre o nomen juris do acto, sobre a qualidade e suficiência dos poderes de representação, sobre a legalidade do acto. O juízo de legalidade é um pressuposto do exercício da função notarial, pois dele depende que o notário recuse ou autorize o instrumento. É o juízo de legalidade que permite dotar o negócio documentado da presunção juris tantum de validade do acto, salvo quando o notário a destrua expressamente, no todo ou em parte, mediante as oportunas advertências feitas no texto do instrumento outorgado. On-line Registos e Notariado Curso 5

Introdução A Natureza da Função Notarial

Quando o conteúdo do documento não é negocial, o art. 1.° exige, do mesmo modo, que o notário actue conforme a lei. Em princípio, o juízo que o notário há-de formar não é, neste caso, um juízo de legalidade, mas de licitude da actuação notarial. De acordo com o disposto no artigo 1.º do Código do Notariado, “A função notarial destina-se a dar forma legal e conferir fé pública aos actos jurídicos extrajudiciais. Para esse efeito, pode o notário prestar assessoria às partes na expressão da sua vontade negocial”. Vê-se que, para o legislador português, o núcleo essencial da função notarial é constituído pela dação da fé pública aos actos jurídicos extrajudiciais e pela actividade de conformação dos mesmos actos à lei substantiva e adjectiva. A prestação da assessoria está, portanto, legalmente subordinada, directa e obrigatoriamente, à Curso On-line Registos e do notário 6 prática dos actos da competênciaNotariado

Introdução A Natureza da Função Notarial

A possibilidade de o notário prestar assessoria distingue-se do dever que ao mesmo cabe de dar informações. A missão do notário não é limitada à autenticação dos acordos das partes, mas estende-se ao esclarecimento das mesmas sobre o conteúdo e efeitos das convenções por elas assinadas. Não se pode separar uma coisa da outra: a autenticação do acto e a informação das partes. A perfeita informação dos signatários sobre o conteúdo do acto deve ser considerada como condição de autenticação. Não se pode considerar autêntico (lat. authenticu < auctor) um acto de que as partes desconhecem o conteúdo e efeitos. Daí que, paralelamente à qualificação da função notarial, simultaneamente como função pública e privada, considera-se o notário como oficial público e profissional do direito, encarregado de receber, interpretar e dar forma legal à vontade das partes, redigindo os instrumentos adequados a esse fim e conferindo-lhes autenticidade, de conservar os originais e expedir fotocópias do seu conteúdo. Curso On-line Registos e Notariado 7

A Competência do Notário

A competência do notário verifica-se, quer em função da matéria, quer do lugar da celebração do acto e é delimitada pelos casos de impedimento legal do notário.

COMPETÊNCIA MATERIAL
Compete em geral ao notário, redigir o instrumento público conforme a vontade das partes, a qual deve indagar, interpretar e adequar ao ordenamento jurídico, esclarecendo-as do seu valor e alcance (art. 4.°, nº 1). Compete, em especial, ao notário (art. 4.°, nº 2): Autorizar testamentos Elaborar outros instrumentos públicos Lavrar termos de autenticação de documentos particulares Certificar situações e quaisquer factos que tenha verificado Certificar, ou fazer certificar traduções de documentos; Passar certidões de instrumentos públicos, de registos e de outros documentos arquivados
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A Competência do Notário
É necessário acrescentar a esta enumeração do art. 4.°, os actos para os quais a lei exige, sob pena de nulidade, a forma de escritura (art. 80.°); as habilitações notariais (declarações de sucessão), as justificações notariais destinadas a suprir a falta de títulos para registo predial e comercial e os actos que importem revogação, rectificação ou alteração de negócios que, por força da lei ou por vontade das partes, tenham sido celebrados por escritura pública. Para além destes casos contemplados na lei notarial, outros há, em que expressamente se exige a celebração por escritura pública, como por exemplo: no Código das Sociedades Comerciais (art.º 182.º/2), no Código Civil (arts. 1143.º, 1239.º, 1232.º, 1419.º, 1710.º, 1795.º-C, 1853.º/c), etc). Curso On-line Registos e Notariado 9

A Competência do Notário
COMPETÊNCIA TERRITORIAL

Há dois princípios aplicáveis no que respeita à competência territorial do notário: por um lado, esta competência é limitada à prática de actos dentro da área do concelho em que se encontra sediado o respectivo cartório notarial (art. 4.°, nº 3 do CN); por outro lado, neste limite territorial, o notário pode praticar todos os actos da sua competência que lhe sejam requisitados, ainda que respeitem a pessoas domiciliadas ou a bens situados fora dessa área (art. 4.°, nº 3). Este princípio tem excepções, como é, por exemplo, o caso do protesto de letra, que deve ser requerido ao notário do domicílio indicado na letra para a aceitação ou pagamento (art. 120.° do CN) e da abertura de testamento depositado, a qual tem lugar no cartório onde o testamento se encontra eventualmente depositado (art.s 111.°, nº 2 do CN).
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A Competência do Notário
O desrespeito das regras legais da competência territorial do notário origina a incompetência do notário em razão do lugar, prevista no art.º 71°, resultante do facto de o notário autorizar a celebração do acto, para além dos limites geográficos da sua área de competência, invadindo a área de outro cartório. Ovício da incompetência do notário em função do lugar é, porém, sanável (artigos 71.º/3 e 73.º do CN).

IMPEDIMENTO LEGAL

Os casos de impedimento legal do notário vêm previstos no art. 5.°, a saber: 1. O notário não pode realizar actos em que sejam partes ou beneficiários, directos ou indirectos, o próprio notário, o seu cônjuge ou qualquer parente ou afim na linha recta ou até ao 2.° grau da linha colateral (nº 1); 2. O impedimento é extensivo aos actos cujas partes ou beneficiários tenham como procurador ou representante legal alguma das pessoas compreendidas no número anterior (nº 2). Exceptuam-se desta regra os casos previstos no n.º 3, do mesmo artigo 5.º do CN. O impedimentoe Notariado do notário é extensivo aos Curso On-line Registos 11 ajudantes, conforme prescreve o art. 6.°, nº 1.

O Instrumento Público Notarial

Introdução: A função do notário tende, em regra, a objectivar-se através do documento. A regra é a de a actividade notarial culminar com a outorga do documento. A função notarial, na sua dupla vertente, pública e privada, tende para o documento. Com efeito, o contributo do notário para a realização da certeza e segurança jurídicas é prestada fundamentalmente através da especial eficácia da autenticidade e legalidade formal e substancial do instrumento público. Instrumento público é o documento autorizado por notário competente a requerimento da parte, com as formalidades legais, nos livros de notas ou em papel avulso, e que contém, revela ou exterioriza um facto, acto ou negócio jurídico, para sua prova, eficácia ou constituição, assim como as cópias ou reproduções dele.
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O Instrumento Público Notarial

Os documentos notariais são os documentos autênticos exarados com as formalidades legais por notário, não impedido legalmente para o efeito, e dentro do círculo de actividades que lhe é atribuído. Não é a qualidade, a proveniência ou o timbre do papel que o qualifica como autêntico, o que importa é a origem e a qualidade de quem o exarou. São autênticos os documentos lavrados pelas autoridades públicas, pelo notário ou outro oficial provido de fé pública, nos limites da sua competência. De entre os documentos lavrados pelo notário, ou em que ele intervém, distinguemse os documentos autênticos, os autenticados e os que têm apenas o reconhecimento notarial, conforme preceitua o art.º 35º do CN. Os documentos notariais têm efeitos probatórios e executórios privilegiados.
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O Instrumento Público Notarial

Espécies: Como já foi referido acima, os instrumentos notariais dividem-se em instrumentos nas notas e instrumentos avulsos (fora das notas). Os primeiros compreendem os testamentos públicos e as escrituras públicas (art.ºs 80.º e seguintes), os segundos abrangem os instrumentos de aprovação de testamentos cerrados e de testamentos internacionais, instrumentos de depósito de testamentos e sua restituição (art.ºs 109.° e 110.°), instrumentos de abertura de testamentos cerrados e de testamentos internacionais (art.ºs 111.° a 115.°), procurações, substabelecimentos, consentimentos conjugais (art.ºs 116.° a 118.°) e protestos (art.ºs 119.° a 130.°).
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Requisitos do Instrumento Notarial

REQUISITOS

I. COMPARÊNCIA
II. EXPOSIÇÃO OU ANTECEDENTES

III. ESTIPULAÇÕES OU PARTE DISPOSITIVA IV. FECHO OU ENCERRAMENTO

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Requisitos do Instrumento Notarial
Os requisitos exigidos pela lei notarial e que constituem as várias partes ou fases do instrumento público, ou são exigidos em relação à generalidade dos actos notariais (requisitos gerais), ou apenas requeridos para certos actos (requisitos especiais). Os primeiros estão previstos nos art.s 46° a 53° e os segundos, nos art.s 54° a 64°.

I. COMPARÊNCIA
É a parte do instrumento relativa ao nome do acto, à data e lugar de celebração do mesmo, aos sujeitos actuantes e ao notário autorizante. 1. Nome do acto ou nomen juris: A denominação do acto não constitui uma exigência legal. Contudo, encontra-se muito generalizada a prática de os actos notariais serem encimados e iniciados por um título ou cabeçalho, contendo o nomen juris do acto documentado. Curso On-line Registos e Notariado 16

Requisitos do Instrumento Notarial
2. Data e Lugar I. O primeiro requisito que a lei exige na elaboração do instrumento notarial é a menção da data e do lugar em que o mesmo foi lavrado ou assinado (art. 46°, nº 1, al. a). A indicação da morada completa onde o instrumento é assinado apenas é necessária, nos actos celebrados fora do cartório. II. A falta de menção do dia, mês e ano ou do lugar em que o acto notarial foi lavrado, provoca a nulidade por vício de forma (art. 70º, nº 1, al. a). Esta nulidade, porém, considera-se sanada mediante averbamento oficioso contendo os elementos em falta, se, pelo texto do instrumento ou pelos elementos existentes no cartório, for possível determinar a data ou o lugar da celebração (art.s 70°, nº 2, al. a) e 132.°, nº 7). 3. Identificação do notário autorizante respectivo cartório Curso On-line Registos e Notariado e do
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Requisitos do Instrumento Notarial
4. Identificação dos outorgantes: O art. 46.°, nº 1, al. c) manda identificar os outorgantes, ou seja, as pessoas que intervêm no instrumento, por si ou em representação de outrem. a) Outorgantes em nome próprio: Identificação Verificação da identidade (civil, fiscal) – 46.º/1 d) e 48.º Capacidade, legitimidade dispositiva, legitimidade conjugal; a capacidade presume-se, não há lugar a menção no documento b) Em nome alheio. Representação (legal, voluntária, orgânica): Identificação, menção e verificação da identidade do representante nos termos gerais expostos para o outorgante singular em nome próprio;
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Requisitos do Instrumento Notarial

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Identificação do representado: 1.°) Pessoa singular, nos termos indicados; 2.°) Sociedades (art. 171.° do CSC) ; 3.º) Demais pessoas colectivas (art. 46.°, nº 1, al. c) Verificação e menção da qualidade, poderes e documentos de representação Representação orgânica: pessoas colectivas sujeitas a registo (art.º 49.°); outras pessoas colectivas (art.46º, nº 1, al e) Representação voluntária: há lugar à verificação da qualidade de procurador Representação legal: há lugar à menção dos documentos comprovativos dos poderes de representação e à menção de terem sido verificados esses poderes (art. 46.°, nº 1, al. e), excepto no caso dos representantes do menor serem os respectivos pais (art. 46.°, nº 5); Verificação da capacidade do representante e do representado.
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Requisitos do Instrumento Notarial

A identificação dos outorgantes faz-se pela menção documental do seu nome completo, estado, naturalidade e residência habitual (art. 46.°, nº1, al. c). Se algum dos outorgantes não for português, deve fazer-se constar da sua identificação, a respectiva nacionalidade, salvo se intervier na qualidade de representante, ou na de declarante em escritura de habilitação ou justificação notarial (art. 46.°, nº 4). Nos instrumentos destinados a titular actos sujeitos a registo, a identificação das partes do acto a registar deve conter ainda a indicação do nome dos seus cônjuges, se forem casados, e do respectivo regime matrimonial de bens (art. 47.°, nº1, al. a). Curso On-line Registos e Notariado 20

Requisitos do Instrumento Notarial

Verificação da Identidade A verificação da identidade dos outorgantes pode ser feita por alguma das seguintes formas (art. 48.°, nº 1): a) Pelo conhecimento pessoal do notário; b) Pela exibição do bilhete de identidade, de documento equivalente ou da carta de condução, se tiverem sido emitidos pela autoridade competente de um dos países da União Europeia; c) Pela exibição do passaporte; d) Pela declaração de dois abonadores, cuja identidade o notário tenha verificado por uma das formas previstas nas alíneas anteriores. A alteração da residência constante de documento de identificação, não obsta a que aquele documento sirva para verificar a identidade do outorgante (art. 48.°, nº 2).
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Requisitos do Instrumento Notarial
Verificação da qualidade e poderes de representação

Os outorgantes podem intervir em nome próprio ou em nome alheio, por si ou em representação de pessoas singulares ou de pessoas colectivas. No caso de representação de pessoas singulares, o instrumento notarial deve conter o nome completo, estado, naturalidade e residência habitual dos outorgantes, bem como das pessoas singulares por estes representadas, nos termos acima expostos. Se o representado for casado e o acto estiver sujeito a registo, indicar-se-á, além da sua naturalidade e residência, o nome do seu cônjuge e o respectivo regime matrimonial de bens. No caso de representação de sociedades comerciais ou sociedades civis sob forma comercial, devem mencionar-se os elementos de identificação destas, referidos no art. 171.° do Código das Sociedades Comerciais; na representação das demais pessoas colectivas deve indicar-se a respectiva denominação e sede (art. 46.°, nº 1, al. c). Curso On-line Registos e Notariado 22

Requisitos do Instrumento Notarial

O instrumento notarial deve ainda conter a menção das procurações e dos documentos relativos ao instrumento, que justifiquem a qualidade de procurador e de representante (46.º, n.º 1, al. e) e n.º 5). A prova documental da qualidade de representante de pessoa colectiva sujeita a registo e da suficiência dos seus poderes faz-se por certidão do registo comercial, válida por um ano (art.º 49.º, n.ºs 1 e 2) A prova documental da qualidade e poderes dos representantes das pessoas colectivas não sujeitas a registo, faz-se pela apresentação dos respectivos estatutos, das actas contendo as deliberações dos seus órgãos de representação, e, eventualmente, da acta de deliberação da assembleia geral, ou dos documentos oficiais (no caso das pessoas colectivas de direito público), comprovativos da nomeação dos respectivos representantes e dos seus poderes.
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Requisitos do Instrumento Notarial

Por fim, é obrigatória menção de terem sido verificados os poderes necessários para o acto, nos casos de representação legal e orgânica, dispensando-a no caso da representação voluntária. Verificação da capacidade O exercício da actividade notarial compreende a formulação de juízos de valor sobre vários dos seus pressupostos, como, por exemplo, a capacidade dos outorgantes, a qualidade e poderes de representação. c) Requisitos respeitantes aos intervenientes acidentais: Nome, estado e residência habitual (art. 46.°, nº 1, al h). Referência ao juramento ou compromisso de honra dos intérpretes, peritos e leitores (art. 46.°, al. i) e ao cumprimento das formalidades legalmente previstas (46.º/1, j).
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Requisitos do Instrumento Notarial

Intervenientes acidentais A lei considera como intervenientes acidentais, os abonadores, os intérpretes, os peritos, os tradutores, os leitores e as testemunhas (art.s 65.° e segts). Como a própria expressão indica, trata-se de pessoas que intervêm acidentalmente no acto, em circunstâncias especiais: para identificação das partes (abonadores), para transmissão de vontades dos outorgantes que não compreendam a língua portuguesa, ou então, que sejam mudos ou surdos-mudos (intérprete), para atestar a sanidade mental dos outorgantes (peritos), para leitura dos actos em caso de surdez de algum outorgante (leitor), ou para constatarem o acto, dada a natureza específica deste (testemunhas). Os intervenientes acidentais devem satisfazer determinados requisitos de capacidade, como se conclui a contrario do art. 68.°, e de idoneidade (art. 68.°, nº 3).
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Requisitos do Instrumento Notarial
A escolha das pessoas concretas que hajam de servir como intervenientes acidentais cabe aos interessados, excepto naqueles casos (intervenção de peritos e de testemunhas), em que a intervenção resulte de exigência do documentador, nos quais a indicação poderá pertencer ao notário. A menção dos elementos de identificação dos intervenientes acidentais é feita no texto do instrumento, como já foi referido, mediante a indicação do seu nome completo, estado civil e residência habitual (art. 46.°, nº 1, al. h) e modo como foi verificada a identidade. 1) Abonadores - Os abonadores são intervenientes acidentais, devendo, por isso, satisfazer as exigências de capacidade legalmente previstas para estes (art.68º) e possuir também a idoneidade requerida, segundo o juízo pessoal do notário (art. 68.°, nº 3). O juízo de idoneidade em si é indispensável, mas a sua menção instrumental é desnecessária.
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Requisitos do Instrumento Notarial
Na intervenção dos abonadores no instrumento notarial, deve mencionar-se apenas que se verificou a identidade dos outorgantes por declaração dos abonadores. 2) Intérprete - A intervenção de intérprete pode verificar-se em virtude de algum outorgante desconhecer a língua portuguesa, e devido a mudez ou surdez-mudez dos outorgantes (artigos 65.º e 66.º). A função do intérprete é, ainda neste caso, transmitir verbalmente o conteúdo do documento ao outorgante e a declaração de vontade deste ao notário. O intérprete está sujeito a juramento (art.º 69.°), o qual deve ser prestado nos termos da lei de processo (art.º 46.º, n.º1, al. i). A falta do cumprimento das indicadas formalidades previstas na lei, determina a nulidade do acto notarial por vício de forma (art. 70.°, nº 1, al. b).
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Requisitos do Instrumento Notarial

O elemento cuja falta é susceptível de ser sanada ou revalidada é apenas a menção instrumental de terem sido cumpridas as formalidades legais para a intervenção de quem não entenda a língua portuguesa ou de mudos ou de surdos-mudos, quando tais formalidades foram efectivamente cumpridas. 3) Leitor (art.º 66.º/1) - A intervenção do leitor nos actos notariais rege-se pelas regras acima apresentadas para a intervenção do intérprete. 4) Tradutor - O tradutor efectua a versão para a língua portuguesa do conteúdo do documento escrito em língua estrangeira, ou a versão para uma ou mais línguas estrangeiras do conteúdo de um documento escrito em língua portuguesa (art.º 44.º/3).
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Requisitos do Instrumento Notarial
e) Peritos - Trata-se de peritos médicos, os quais intervêm no acto a pedido das partes ou do notário, para abonarem a sanidade mental dos outorgantes (art. 67.°, nº 4). A intervenção dos peritos visa assessorar o notário no juízo de qualificação da capacidade dos outorgantes ao nível intelectual (capacidade de entender) e ao nível volitivo (capacidade de querer), apenas quando este tenha dúvidas. O parecer dos peritos não é vinculativo para o notário. f) Testemunhas - As testemunhas, que a lei designa "testemunhas instrumentárias ", são, como a expressão sugere, testemunhas do facto da documentação. Ao contrário do que sucede com os restantes intervenientes acidentais, a sua função é simplesmente passiva, limitandose à mera presença ou assistência ao acto notarial e pela assinatura. A intervenção de testemunhas nos actos notariais é excepcional (art. 67.°, nº 1).
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Requisitos do Instrumento Notarial
II. EXPOSIÇÃO OU ANTECEDENTES

É a parte do instrumento em que se estabelece o objecto, e, por vezes, a causa do negócio. Requisitos referentes ao objecto, à sua identificação (prédio, direitos prediais ou mobiliários, participações sociais, estabelecimentos comerciais e industriais, etc.): a) Menções relativas ao registo (predial, comercial, etc.) artigos 54.º, 55.º, 57.º e 62.º do CN); b) Menções relativas à matriz (valor patrimonial, artigo matricial, omissão na matriz (art. 57.°, nº 1). Sua prova (art. 57.º nºs 2 e 3); c) Menções de elementos de natureza administrativa: autorizações, licenças, participações. Sua prova: certidões, alvarás, documento camarário ou projecto de construção para a constituição ou modificação da propriedade horizontal (art.º 59.°);
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Requisitos do Instrumento Notarial
d) Menções de elementos de natureza fiscal: pagamento de imposto municipal de sisa (art. 190.°). Sua redução e isenção. Menção do conhecimento de sisa no texto documental (art.º 46.°, nº 1, al. f); e) Menção do valor dos bens: nos actos sujeitos a registo, o valor de cada bem e o valor global (art. 63.°, nº 1 ). Prova do valor dos bens (art.º 63º nº 2).

Requisitos referentes à causa do negócio III. ESTIPULAÇÕES OU PARTE DISPOSITIVA

Refere-se às relações que se criam entre as partes, pelo acordo de vontades entre elas celebrado, que se reduz a instrumento público.
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Requisitos do Instrumento Notarial
IV. FECHO OU ENCERRAMENTO
É a parte do instrumento que contém: 1. Menção de todos os documentos que fiquem arquivados (art. 46.°, nº 1, al. f) e que sejam exibidos (art. 46.°, nº 1, al. g); 2. Indicação dos outorgantes que não assinam por não poderem ou não saberem fazê-lo (art. 46, nº 1, al. m); 3. Leitura e explicação do conteúdo do acto (art. 50.°). Menção no texto do documento (art. 46, nº 1, al. l); 4. Advertências sobre a anulabilidade e ineficácia do acto (art. 174.°, nº 2), sobre a obrigatoriedade da sujeição do acto a registo (art.º 47.°, nºs 2,3 e 4), sobre as consequências de não registarem os direitos adquiridos (art. 56.°, al. b); 5. Outorga: Ratificação formal ou prestação de consentimento pelas partes ao teor do instrumento. Assinatura (art.º 46º, al. n) e 52º). Impressão digital (art. 51.°); 4. Autorização: É a sanção (homologação) pública, que consiste na imposição da fé pública notarial ao documento, formalmente expressa na assinatura (art. 46, nº 1, al. n) e rubrica do notário ( nos instrumentos avulsos art. 52.°)
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Requisitos do Instrumento Notarial
FORMALIDADES COMUNS
Número de Contribuinte - É obrigatória a menção do número de identificação fiscal, quer se trate de pessoas singulares (NIF), quer se trate de pessoas colectivas e entidades equiparadas (heranças indivisas, sociedades irregulares, etc. - NIPC) - Considerando, para além do exposto, que os notários devem enviar à direcção de finanças da área do respectivo cartório, em suporte informático ou por cópia, uma relação dos registos de escrituras diversas e das procurações passadas no interesse do procurador ou de terceiro (art. 186.°, nº 1, al.a), conclui-se que o número fiscal de contribuinte, ou o número do cartão de identificação de pessoa colectiva ou entidade equiparada, deve ser mencionado no texto de qualquer instrumento contendo actos com incidência tributária. e Notariado Curso On-line Registos 33

Requisitos do Instrumento Notarial

Menção de documentos O lugar próprio para a menção dos documentos que servem para instruir o acto notarial e não respeitem à pessoa dos outorgantes, é, em princípio, o fecho ou encerramento do instrumento. Devem ser mencionados os documentos comprovativos do pagamento de impostos, as certidões matriciais e prediais, licenças, etc, exibidas ou arquivadas para instruir o acto (art. 46.°, nº 1, al.s f) e g). Leitura, explicação do conteúdo e advertências Após a presença física dos intervenientes, seguem-se a leitura do instrumento, a explicação do seu conteúdo e as advertências a que houver lugar. A leitura e explicação do conteúdo do instrumento levam este ao conhecimento das partes, habilitando-as assim a dar-lhe o seu consentimento ou outorga; dado esse conhecimento, deverá o documento ser assinado de seguida, de modo que nenhuma alteração lhe seja introduzida. A certeza que a função notarial prossegue assim o exige. É por isso que o art. 53°, nº 1 34 determina que a Curso On-line explicação, outorga e assinatura leitura, Registos e Notariado

Requisitos do Instrumento Notarial
Entende-se que, em direito notarial, não há consentimento em relação àquilo que não tenha sido objecto de leitura. O documento notarial apenas obriga o seu autor, se este conhece o seu conteúdo (si sciebat contenta). O documento que não tenha sido lido não obriga quem o assina (scriptura non lecta, non praeiudicat suscribenti). É precisamente a intervenção do notário que assegura a leitura efectiva, garante que as partes conhecem o conteúdo da acto lido e assegura a fé pública da narração dos factos contidos no documento. O notário deve ainda explicar-lhes o conteúdo do acto e advertir os comparecentes do significado e consequências legais das cláusulas do instrumento de modo que fiquem devidamente informadas do significado e alcance dos seu actos. Há casos em que, para além da explicação do conteúdo da acto e advertência, deve-se ainda proceder a menções especiais (art.º 47º, nº 1), a saber:
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Requisitos do Instrumento Notarial
1ª - A advertência de que o registo deve ser requerido no prazo de três meses, se respeitar a actos sujeitos a registo comercial obrigatório (al. b). 2ª - A advertência ao representante legal que intervém no acto, se algum dos beneficiários for incapaz ou equiparado, de que deve requerer o respectivo registo no prazo de três meses (al. c); 3ª - A advertência ao doador da obrigatoriedade de requerer o registo a favor do donatário, no prazo de três meses Para além disso, também nos actos anuláveis e ineficazes, o notário deve advertir as partes da existência do vício e consignar no instrumento a advertência que tenha feito (art. 174.°). A leitura do instrumento lavrado pode ser dispensada pelos intervenientes, bem como a explicação do seu conteúdo, 36 mas há que fazerCurso On-line Registos e Notariado menção (n.º 2 do expressamente essa

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Assinaturas O instrumento notarial deve conter, a seguir ao contexto, as assinaturas dos outorgantes que saibam e possam assinar, bem como as de todos os intervenientes e a assinatura do funcionário, que será a última. É obrigatória a menção no documento notarial (art.º 46.°, nº1, al. m) e n). O instrumento notarial deve ainda ser assinado por todos os intervenientes acidentais, que caso não saibam assinar, não poderão intervir acidentalmente no instrumento notarial. A falta de assinatura de qualquer outorgante, interveniente ou do próprio notário, determina a nulidade do acto notarial, por vício de forma (art.º 70.°, nº 1, als. d), e) e f). Nulidade sanável (art.º 70.º/2 als. c) e d) e 73.º, als. d) e e).
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O acto nulo por falta de assinatura do notário era, até 01 de Janeiro de 2002, insusceptível de sanação, mas podia ser judicialmente revalidado, quando se provasse que era conforme à lei, representasse fielmente a vontade das partes e fosse presidido pelo notário, que não se recusasse a assiná-lo (art.º 73º, al. f). Hoje a falta de assinatura do notário é saciada nos termos da alínea f) do nº 2 da artº 4º do Decreto-Lei nº 273/2001 de 13 de Outubro, no sentido de ser o notário, cuja assinatura está em falta, poder declarar através de documento autêntico, que esteve presente no acto e na sua realização e foram cumpridas todas as formalidades legais (artigo e70.º, n.º 2, alínea e). 38 Curso On-line Registos Notariado

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Impressões Digitais A impressão digital deve ser aposta nos instrumentos pelos outorgantes que não saibam ou não possam assinar (art. 51.°). A impressão digital nos documentos é considerada usualmente como sucedâneo da assinatura, envolvendo, do mesmo modo que esta, uma vinculação jurídica, material e psicológica ao acto. Estatística e Conta A última menção que deve constar dos instrumentos, já fora do respectivo contexto, é a indicação dos verbetes estatísticos (art. 185.º), se a eles houver lugar, e a referência ao número de Curso On-line Registos e 39 registo da respectiva conta.Notariado

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Conta - Logo de seguida à realização do acto notarial, o notário elabora e apresenta às partes a respectiva conta, na qual menciona os encargos a que aquele acto está sujeito, em impressos com duplicado obtido a papel químico (quanto a actos exarados nos livros de notas) ou no próprio documento (quanto a instrumentos avulsos). Não estão sujeitos a esta última regra os documentos que não são entregues às partes, por ficarem arquivados no cartório: instrumentos de abertura de testamentos cerrados, actas e procurações previstas no art. 116.° (as passadas no interesse do mandatário ou de terceiro). A conta de tais instrumentos é feita em impresso próprio. A conta do acto notarial está sujeita a registo em livro próprio sob um determinado número que deve ser mencionado no final do instrumento. A menção do número da conta é a última do instrumento e deve ser rubricada nos termos expostos. Os encargos a que a conta respeita são os Curso On-line Registos e Notariado 40 emolumentos e o selo.

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REQUISITOS ESPECIAIS

I. Menções relativas ao registo (art. 54.° a 56.°) Conforme foi referido acima, a propósito das menções respeitantes à identificação dos outorgantes nos actos notariais, o instrumento destinado a titular actos sujeitos a registo (predial, comercial), deve conter a menção do nome do cônjuge e regime de bens, se a pessoa a quem o acto respeitar for casada (art. 47.°, nº 1 a). Nenhum instrumento respeitante a factos sujeitos a registo pode ser lavrado sem que no texto do instrumento se mencionem os números das descrições dos respectivos prédios na conservatória a que pertençam ou hajam pertencido, ou sem a declaração de que não estão descritos (art. 54.°, nº 1). Os instrumentos pelos quais se partilhem ou transmitam direitos sobre prédios, ou se contraiam encargos sobre eles, não podem ser lavrados sem que também se faça referência à inscrição desses direitos em nome do autor da Curso On-line Registos 41 herança, ou de quem os aliena, e Notariado ou à inscrição do prédio em

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Esta exigência, tornada uma forma indirecta de decretar a obrigatoriedade do registo predial, não se aplica: nos casos previsto no artigo 54.º, n.º 3 e 55.º do CN. A exigência do registo prévio deve ser entendida no sentido de não se aplicar a negócios não expressamente previstos nas regras legais, tais como a divisão de coisa comum, a constituição da propriedade horizontal, o testamento (art. 61.º). A falta de menção do registo prévio não afecta, pois, a validade do negócio titulado. 1.2 Menção relativa ao registo do título constitutivo ou modificativo de propriedade horizontal. É matéria constante do art. 62.°, segundo o qual "Nenhum instrumento pelo qual se transmitam direitos reais ou contraiam encargos sobre fracções autónomas de prédios em regime de propriedade horizontal pode ser lavrado sem que se exiba documento comprovativo da inscrição do respectivo título constitutivo no registo predial" (nº 1). A Curso no Registos e Notariado 42 excepção a isto é feitaOn-linen.º 2 do mesmo artigo.

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1.3 Menções específicas A lei (art. 56.°) obriga ainda, que se façam duas menções específicas nos instrumentos que contenham factos sujeitos a registo, contidas nas alíneas a) e b), a saber: o modo de comprovação da urgência (não há para o efeito prova vinculada, pelo que a urgência pode ser comprovada por atestado médico, por peritos que intervenham no próprio acto, inspecção e mesmo por juízo do próprio documentador) e a advertência das consequências de não se registar os direitos adquiridos (trata-se no fundo de prevenir as partes de que, se não registarem os direitos adquiridos, não poderão, em princípio, alienar ou onerar, no futuro, esses direitos). 1.4. Prova dos elementos registrais A prova dos números das descrições prediais e das referências relativas às inscrições na conservatória, é feita pela exibição de certidão de teor, passada com antecedência não superior a seis meses, ou ainda, quanto a prédios situados em concelho onde tenha vigorado o registo obrigatório, pela exibição da respectiva 43 caderneta predial, Curso On-line que qualquer um destes últimos desde Registos e Notariado

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2. Menções relativas à matriz (art. 57.°) 2.1 Menções exigidas Nos instrumentos em que se descrevam prédios rústicos, urbanos ou mistos, deve indicar-se o número da respectiva inscrição na matriz ou, no caso de nela estarem omissos, consignar-se a declaração de haver sido apresentada, na repartição de finanças competente, a participação para a inscrição, quando devida (art. 57.°, nº 1). A expressão "quando devida" contida no referido artigo 57.º/1, vem do tempo em que havia prédios não sujeitos a inscrição na matriz: os terrenos para construção. O Código de Contribuição Autárquica acabou com essa situação, pelo que hoje a inscrição na matriz de prédios ou terrenos para construção é sempre devida. 2.2 Prova dos elementos matriciais A prova dos artigos matriciais é feita pela exibição da caderneta predial actualizada ou da certidão de teor da inscrição matricial, passada com antecedência não superior Curso On-line Registos e Notariado 44 a um ano (art.º 57.º/3).

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3. Harmonização com a matriz e o registo O artº 58.°/1 que dispõe o seguinte: "Nos instrumentos respeitantes a factos sujeitos a registo, a identificação dos prédios não pode ser feita em termos contraditórios com a inscrição da matriz e com a respectiva descrição predial”. Ressalvam-se as situações previstas no art. 58.º/1, 2.ª parte. As excepções vêm consagradas nos números 2 e 3 do mesmo artigo. 4. Menções próprias da propriedade horizontal 4.1. Constituição Os instrumentos de constituição de propriedade horizontal só podem ser lavrados se for junto documento passado pela câmara municipal comprovativo de que as fracções satisfazem os requisitos legais (art. 59.°, nº 1). Em obediência a tal imperativo, a escritura deve conter, a referência ao arquivo e à natureza do documento camarário Curso On-line Registos e Notariado 45 (art. 46.°, nº 1, al. f).

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O mencionado documento camarário pode ser substituído pela exibição do projecto de construção ou de alteração (art. 59.°, nº 2). 4.2. Modificação Os instrumentos de modificação do título constitutivo da propriedade horizontal, que importem alteração da composição ou do destino das respectivas fracções, só podem ser lavrados se for junto documento camarário comprovativo de que as alterações satisfazem os requisitos legais (art. 60.°, nº 1). 5. Actos relativos a pessoa colectiva e a E.I.R.L. Nos instrumentos de constituição de estabelecimento individual de responsabilidade limitada ou de constituição de pessoa colectiva, de alteração dos respectivos estatutos que determine a modificação da firma, denominação ou objecto social, deve ser mencionada a exibição (art. 46.º/1 g) de certificado comprovativo de admissibilidade de firma ou denominação ou da sua manutenção em relação ao Curso On-line Registos e Notariado 46 novo objecto (art. 47.°, nº 3).

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6. Valor dos bens O valor dos bens releva fundamentalmente para a determinação dos encargos fiscais do acto (art. 63.°, nº 1). A prova do valor dos bens e, consequentemente dos actos, é feita, por uma das formas previstas no art. 63.º/2 (declaração das partes, apresentação dos documentos necessários, etc), mencionando-se no instrumento, o valor patrimonial indicado no documento, natureza, data e repartição de emissão ou actualização. A regra do nº 1 do art. 63.° refere-se expressamente a "actos sujeitos a registo predial". Deve, no entanto, ser aplicada mutatis mutandis aos actos de registo comercial. 7. Menção da anulabilidade e ineficácia do acto A intervenção do notário não pode ser recusada com o fundamento de o acto, cuja prática lhe tenha sido requisitada pelas partes, ser anulável (ex. actos praticados contra o disposto nos arts. 261°/1, 268.°/1, 471.°, 1682.°/1 e 3, 1682º-A, 1682º-B e 1683.° do CC). Nestes casos de anulabilidade e de ineficácia, o acto deve ser celebrado, Curso On-line Registos e Notariado 47 mas o notário deve advertir as partes da existência do vício

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1. Legalidade A lei atribui ao documento notarial um especial grau de eficácia que contrasta com a que atribui ao documento particular. A par da função estritamente documental, o notário exerce uma função jurídica que corresponde, além de outras tarefas, à adaptação, adequação ou conformação da vontade dos particulares ao ordenamento. Daqui resulta a presunção de legalidade ou conformidade do conteúdo do documento notarial à lei. 2. Autenticidade A lei atribui ao documento notarial um especial grau de eficácia probatória plena, em virtude da autenticidade da sua origem e conteúdo, manifestada na impossibilidade de pôr em dúvida os actos praticados pelo notário ou por ele constatados. Além de presumivelmente legal, o documento notarial é, pois, um documento autêntico, ou seja, verdadeiro, dotado de fé pública, cuja falsidade apenas pode ser judicialmente provada.
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O documento notarial goza de autenticidade corporal, isto é, prova-se a si mesmo como coisa, de autenticidade externa, subjectiva ou de autoria, tanto no que respeita ao notário, como no que concerne às partes, de autenticidade interna, também chamada autenticidade de fundo, autenticidade de conteúdo ou autenticidade ideológica, referida ao pensamento que no documento se expressa A autenticidade não abrange por igual todas as partes do documento notarial. É plena e, consequentemente, pleno é o efeito probatório do documento notarial, no que respeita aos actos do próprio notário, àquilo que o notário afirma (a sua presença, a comparência dos intervenientes, a apresentação de documentos, as advertências legais, a leitura do documento e a sua outorga, etc), e no que concerne aos factos que o notário constata através dos próprios sentidos (presenças, declarações de vontade, consentimento, aposição da assinatura, entrega de valores, etc.). Curso On-line Registos e Notariado 49

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Nesta matéria, a verdade contida no documento é imposta pelo ordenamento erga omnes, até que, porventura, seja declarada judicialmente a sua inexistência por falsidade da declaração ou narração que contém. O documento notarial compreende uma ainda uma outra verdade, constituída fundamentalmente pelo conteúdo das declarações das partes e restantes intervenientes no documento e pelos juízos do notário sobre a identidade e capacidade dos outorgantes, idoneidade dos intervenientes acidentais, ausência de vícios, legalidade do acto, qualidades e poderes dos representantes no instrumento, a notoriedade de factos, cuja verdade é apenas suposta ou presumida juris tantum e, como tal, susceptível de ser afastada por prova do contrário, sem necessidade de arguição e prova da falsidade do documento. 3. Força executiva A lei portuguesa reconhece força executiva ao acto notarial para qualquer espécie de obrigações. Quer os documentos exarados por notário (documentos autênticos) quer os documentos lavrados pelos particulares e autenticados por notário (documentos autenticados) que importem a constituição ou o reconhecimento de qualquer obrigação podem servir de base à execução (art. 46.°, al. b) do CPC). Curso On-line Registos e Notariado 50

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