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Marcas de garantia da Ourivesaria Portuguesa reconhecidas pelo RJOC

18812015

Marcas de garantia da Ourivesaria Portuguesa reconhecidas pelo RJOC 1881 ‐ 2015 APAOINCM—Associação dos Peritos Avaliadores
Marcas de garantia da Ourivesaria Portuguesa reconhecidas pelo RJOC 1881 ‐ 2015 APAOINCM—Associação dos Peritos Avaliadores
Marcas de garantia da Ourivesaria Portuguesa reconhecidas pelo RJOC 1881 ‐ 2015 APAOINCM—Associação dos Peritos Avaliadores

APAOINCM—Associação dos Peritos Avaliadores Oficiais de Ourivesaria e Joalharia

2016

Diário das sessões da Câmara dos Deputados de 2 de Maio de 1879, onde foi apresentada a Proposta de Lei Nº 116-B, assinada pelo Ministro dos Negó- cios da Fazenda António de Serpa Pimentel.

Capa do 1º Regulamento das Contrastarias, editado pela Imprensa Nacional em 1886. Tendo como referência a Carta de Lei de 27 de Julho de 1882, este regulamento entraria em vigor a 1 de Janeiro de 1887, data da abertura das Contras- tarias em Portugal.

O Regime Jurídico da Ourivesaria e das Contrastarias—RJOC, no artigo 3º alínea e) define os artefactos de interesse especial como sendo os de reconhecido merecimento arqueológico, histórico ou artístico que tenham sido fabricados em território nacional anteriormente à criação das Contrastarias e os que contenham marcas de extintos Contrastes Municipais. Para além da questão que é sabermos o que o legislador entende por “território nacional”, nomeadamente em artefactos arqueológicos, colocase também a questão de qual a data em que foram criadas as Contrastarias, até porque as marcas são as que estão em vigor desde 1985, sem a referência á fabricação em território nacional. Podendo este tema ser interpretado por alguns como “bizantino”, é necessário referir que estamos a falar sobre um período histórico que foi posto na ordem do dia por via do RJOC, sendo que a bibliografia existente não se encontra disponível ou facilmente acessível. O Regulamento das Contrastarias de 1886 é desde muito virtualmente impossível de adquirir, e os livros das “Marcas de Contrastes e Ourives Portugueses”, tanto na 1ª, 2ª e 3ª edição encontramse esgotados. A obra de 2003 “História das Marcas e Contrastes”, prefaciada pelo então Director do departamento de Contrastarias, o qual refere que “o presente livro visa apresentar, pela primeira vez, ao que julgamos, uma história coerente das marcas de garantia”, não passou de um mero equívoco, não sendo sequer possível referir os erros nele contidos. É no seu todo um erro com algumas verdades avulsas. Continuando no referido prefácio, é referido “(…) realçando não só a história das marcas de fabrico, como marcas de responsabilidade, mas, também, e particularmente, a das marcas de contraste(…)”. Ora os Contrastes eram os avaliadores, que como é obvio não marcavam os artefactos que avaliavam, acontece é que muitos acumulavam essas funções com a de ensaiadores municipais, daí a confusão entre estas distintas actividades, agravada com a escolha do termo “Contrastarias” para os futuros organismos de análise e marcação de artefactos de metais preciosos. Historicamente, marcas de contraste são as marcas em vigor desde que as contrastarias iniciaram a sua actividade, no ano de 1887, mesmos as designadas marcas provisórias referemse aos punções fornecidos pela Casa da Moeda aos ensaiadores municipais, usadas por estes entre os anos de 1881 e 1886. Todos sabemos que as Contrastarias de Lisboa e Porto iniciaram o funcionamento a 1 de Janeiro de 1887, mas o processo legislativo para a sua criação iniciouse em 1878, com o Decreto de 22 de Outubro de 1878, em que é nomeada uma Comissão encarregue de elaborar uma proposta de Lei com a finalidade de revogar os regimentos de 1689 e 1693, criando um serviço de contrastaria integrado na Casa da Moeda, terminando com os Ensaiadores Municipais. Essa proposta foi apresentada a 2 de Abril de 1879, assinada por Diogo Pereira Forjaz de Sampaio Pimentel e José de Saldanha Oliveira e Sousa, sendo essa a Proposta de Lei Nº116B que o Ministro dos Negócios da Fazenda, António de Serpa Pimentel, apresenta a 2 de Maio de 1879 na Câmara dos Deputados. Em 19 de Junho de 1882, é apresentado o Projeto de Lei Nº218, no essencial igual à proposta de 1879, nomeadamente com o mesmo nº de artigos (48), tendo sido aprovado nessa sessão parlamentar. Ficava em aberto a criação do Regulamento das Contrastarias, sem o qual as mesmas não poderiam entrar em funcionamento. Isso veio a acontecer em 1886, quatro anos depois da aprovação da Lei, iniciando as Contrastarias de Lisboa e Porto o seu trabalho em Janeiro de 1887. Caso a data da criação das Contrastarias fosse a de 1887, os punções atualmente válidos seriam os do Regulamento de 1886, visto em 1882 a Lei ser omissa quanto a marcas e estas terem entrado a serviço em 1887. Ora acontece que nas célebres perguntas e respostas, colocadas no sítio online da Imprensa Nacional Casa da Moeda, primeiramente foi repetido ipsis verbis o que estava no RJOC, sendo que a “nova” versão, no seu capítulo 7º, artigo 3º, alínea c), estipula o ano de 1882 como o ano da criação das Contrastarias, o que está em consonância com o facto de em 2007 terem sido comemorados os 125 anos dessas mesmas Contrastarias. Acontece que na Brochura então publicada, assinada pelo Presidente da INCM António Braz Teixeira e pelo Administrador do Pelouro das Contrastarias João Esteves Pinto, continha o seguinte parágrafo: As antigas marcas municipais foram, então, recolhidas e substituídas por punções provisórios, usados entre 1881 e 1887, altura em que ficou completado o fabrico dos punções das novas Contrastarias”. O ano de 1881 está certo, o de 1887 é que deve ser lido como 1886! Sem dúvida um mero pormenor, que só se torna importante porque alguém em má hora se lembrou de desenterrar o passado.

Efetivamente, toda a bibliografia referente à história das marcas e contrastes refere as marcas provisórias como estando em vigor entre os anos de 1881 e 1886, nomeadamente nos livros das marcas e contrastes editados desde 1958 pela própria Imprensa NacionalCasa da Moeda, existindo no seu arquivo histórico a placa de cobre onde estão puncionadas todas as referidas marcas, usadas pelos ensaiadores de Lisboa, Porto, Braga e Guimarães. A sua divulgação é da maior importância, para que o sector da ourivesaria possa aferir da validade das marcas apostas nos antigos artefactos de ourivesaria, em conformidade com o estipulado no RJOC e nos posteriores esclarecimentos por parte da Imprensa NacionalCasa da Moeda, devendo ser extensível a sua divulgação à própria ASAE, visto a fiscalização estar a ela afeta e o RJOC mencionar a obrigação das lojas terem exposto o atual quadro das marcas em vigor, de que nada serve quando estão em questão artefactos com marcas anteriores a Novembro de 2015. É para colmatar esse lapso que a APAOINCM agora divulga o conjunto de marcas que, segundo o RJOC, estão conforme a lei, não necessitando os artefactos assim puncionados de nova marcação, podendo ser vendidos tal como estão. No referente às marcas da “cabeça de velho”, estamos agora perante uma alteração substancial na sua definição, que descrimina negativamente os artefactos que venham a ser apresentados a marcação, face ao que acontecia até à entrada em vigor do RJOC. Tanto os regulamentos de 1886, 1932(7) e 1979, no referente às peças suscetíveis de serem marcadas com a cabeça de velho com laurel, não mencionavam a necessidade de as mesmas terem sido produzidas em território nacional, e foram marcadas muitas peças de incontestável fabrico estrangeiro, sendo que pelo atual RJOC só as produzidas em território nacional são passíveis de serem marcadas, sendo as marcas as mesmas! Como referimos no inicio, falar em território nacional no âmbito arqueológico, só faz sentido para a localização dos achados, não sendo garantia de que os artefactos encontrados tenham sido produzidos nesse local. Quanto à produção de artefactos depois da fundação de Portugal, o seu território sofreu alterações geográficas gigantescas, ao longo dos últimos 900 anos, o que torna polémica a atribuição nacional a artefactos produzidos em locais tão longínquos como a Índia ou a China. Um outro pormenor que se prende com as marcas da “cabeça de velho”, é que nas mencionadas obras publicadas pela INCM, temos que nas (1958) e 2ª (1974) edições está escrito que as ditas marcas tiveram inicio em 1887, sendo que na 3ª e última edição de 1996 é referido o ano de 1884! Para quem julgue que se poderá tratar de um mero erro tipográfico na marca 133 da página 20, está igualmente referido que as mesmas marcas para Lisboa e Porto estiveram em vigor até 1987. Não só no ano de 1987 não foi publicada nenhuma alteração às marcas, como essa alteração se reporta ao Regulamento de 1979 que cria a marca da “cabeça de velho com laurel” e reforma todas as restantes, acontecendo que todos os novos punções referentes a este novo Regulamento viriam a estar prontos em 1984, entrando em vigor no dia 1 de Janeiro de 1985, basta saltar da página 20 para a 419 para confirmar tal facto. O que se passou foi muito simples, o 87 devia estar em 1800 e o 84 em 1900, uma mera questão de dislexia que trocou o séc. XIX com o XX. Quanto às marcas de reconhecimento, punções que foram usados para validar as peças que se encontravam no mercado à data do inicio de actividade das Contrastarias, tanto em lojas como penhoradas, é sempre referido o período temporal de 1887 a 1893, com a exceção para os “óculos e similares” em que é mencionada a data de 1903 como último ano para a sua utilização. As marcas de reconhecimento eram para vigorar por 30 dias, mas passados dois anos, em 31 de Maio de 1889, ainda na Câmara dos Deputados de discutia o seu prolongamento por mais 10 dias, a pedido de firmas como a casa Rosas do Porto ou a Leitão & Irmão de Lisboa, isto segundo palavras do próprio Ministro da Fazenda (Barros Gomes). O toque mínimo garantido para estas marcas era de 0,750, tanto para o ouro como para a prata, mas não foi bem assim e tivemos casos em que a mesma peça foi levada duas e três vezes até ser marcada, pagando sempre emolumentos… A História tem uma grande tendência para se repetir…! Muito mais haveria para dizer sobre estas marcas e todo este processo, mas isso vou deixar para outra publicação a sair em breve.

Henrique Correia Braga

Marcas Provisórias 18811886

Lisboa, Porto, Braga e Guimarães

Marcas Provisórias 1881 ‐ 1886 Lisboa, Porto, Braga e Guimarães LISBOA

LISBOA

Marcas Provisórias 1881 ‐ 1886 Lisboa, Porto, Braga e Guimarães LISBOA

PORTO

PORTO

BRAGA

BRAGA GUIMARÃES

GUIMARÃES

BRAGA GUIMARÃES

Marcas de Reconhecimento

18871893

Marcas de Reconhecimento 1887 ‐ 1893
Marcas de Reconhecimento 1887 ‐ 1893

Marcas de Interesse Especial

18871984

Marcas de Interesse Especial 1887 ‐ 1984

Marcas de Interesse Especial

1985/2015

Marcas de Interesse Especial 1985/2015 Com o Decreto ‐ Lei nº 57/98 de 16 de Março,

Com o DecretoLei 57/98 de 16 de Março, deixam de se utilizar as marcas para artefactos “grandes”, passando todas as peças a ser puncionadas com as marcas 4132; 4133; 4136 e 4137.

Marcas de Contrastaria

1877/1937

Marcas de Contrastaria 1877/1937

Marcas de Contrastaria

1920/1937

Marcas de Contrastaria 1920/1937 Sempre que é referida a data de 1938, deve a mesma ser

Sempre que é referida a data de 1938, deve a mesma ser lida como 1937. O Regulamento das Contrastarias de 1932 só entraria em vigor em Janeiro de 1938, por força do atraso na criação dos novos punções, o que se viria a repetir em 1979, cujos punções entrariam em vigor em Janeiro de 1985. Como se pode ver no mapa de marcas da próxima página, editado pela INCM, é indicada a data de 1 de Janeiro de 1938 como entrada em vigor dos novos punções, não se compreendendo que os anteriores refiram a data de 38.

Marcas de Contrastaria

1938/1984

Marcas de Contrastaria 1938/1984

Marcas de Contrastaria

1985/1998

Marcas de Contrastaria 1985/1998

Marcas de Contrastaria

1998/2015

Marcas de Contrastaria 1998/2015

Marcas de Contrastaria pós2015

Marcas de Contrastaria pós ‐ 2015

Artigo 17.º Símbolos das marcas de contrastaria

  • 1 - As marcas de contrastaria têm os seguintes símbolos:

    • a) Uma esfera armilar amovível e sobreposta às palavras platina, ouro, paládio ou prata, para

aplicar nas barras desses metais;

  • b) Uma cabeça de papagaio, voltada para a esquerda, tendo na base um dos números, em

árabe, 999, 950, 900 ou 850, para aplicar nos artigos com platina dos respetivos toques;

  • c) Uma cabeça de veado, voltada para a esquerda, tendo na base um dos números, em árabe,

999, 916 ou 800, para aplicar nos artigos com ouro dos respetivos toques;

  • d) Uma andorinha em voo, tendo na base um dos números, em árabe, 750, 585 ou 375, para

aplicar em artigos com ouro dos respetivos toques;

  • e) Uma cabeça de lince, voltada para a esquerda, tendo na base um dos números, em árabe,

999, 950 ou 500, para aplicar em artigos com paládio dos respetivos toques;

  • f) Uma cabeça de águia, voltada para a esquerda, tendo na base um dos números, em árabe,

999 ou 925, para aplicar em artigos com prata dos respetivos toques;

  • g) Uma cabeça de águia, voltada para a direita, tendo na base um dos números, em árabe,

835, 830 ou 800, para aplicar em artigos com prata dos respetivos toques.

  • 2 - Constitui contraordenação muito grave, quando tal não constitua crime, a exposição e venda ao

público de artigos com metal precioso em violação de qualquer uma das alíneas do número anterior.

Artigo 111.º Artefactos marcados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 391/79, de 20 de setembro

Os artefactos de ourivesaria, as barras e medalhas comemorativas, marcados de harmonia com o Regulamento das Contrastarias, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 391/79, de 20 de setembro, alterado pelos Decretos-Leis n.os 384/89, de 8 de novembro, 57/98, de 16 de março, 171/99, de 19 de maio, 365/99, de 17 de setembro, e 75/2004, de 27 de março, e demais disposições legais vigentes à data da publicação do RJOC, ou marcados de harmonia com disposições legais anteriores, consideram- se, para efeito da sua exposição e venda ao público, legalmente marcados.