P. 1
História Geral - Antiguidade Clássica

História Geral - Antiguidade Clássica

5.0

|Views: 28.054|Likes:

More info:

Published by: History História Geral e do Brasil on May 15, 2008
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

08/08/2013

pdf

text

original

UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA

Considerando a divisão já tornada clássica de didaticamente dividir a História humana, considera-se como seu princípio o surgimento das sociedades letradas, ou seja, há aproximadamente 5.000 anos. Assim, todo o período que a antecede (aproximadamente 47.000 anos) considera-se como Pré-História.

Apesar de considerarmos que o chamado homem pré-histórico também fazia história (criava, produzia e modificava a natureza) adotaremos o critério mais utilizado.

• Idade Antiga: entre 3.200 a.C. e 476 d. C. • Idade Média: entre 476 e 1453 • Idade Moderna: entre 1453 e 1789 • Idade Contemporânea: a partir de 1789 1.1.

A Pré-História

Esta fase subdivide-se em outras três considerando a evolução dos instrumentos utilizados pelos homens: pedra lascada (paleolítico); pedra polida (neolítico) e metais. Esta categorização foi feita por volta de 1812 pelo dinamarquês Christian Thomsen e, com algumas variações resultantes de descobertas posteriores, acabou por se tornar referência. Neste processo destaca-se a “Revolução Agrícola” ocorrida durante o neolítico quando os homens sedentarizam-se, especializando suas tarefas e possibilitando o aumento do tempo livre o que permitiu o avanço técnico, o aumento da produção, o crescimento demográfico. No entanto, as primeiras comunidades tinham muito trabalho para produzir seu sustento considerando as intempéries naturais (esgotamento do solo, por exemplo). Assim tornou-se necessário organizar tarefas de irrigação — tanques, canais, diques — que facilitassem a vida sedentarizada. As multidões empenhadas nessas tarefas exigiram um centro coordenador e planejador e surgiram as sociedades do trabalho com sua conseqüente divisão social — devemos considerar ainda a necessidade de proteção dos excedentes produtivos fazendo surgir aí as sociedades nas quais os guerreiros se tornam essenciais. A divisão das comunidades em guerreiros e trabalhadores parece ter sido a origem das desigualdades sociais acrescentando aí a necessidade de legitimá-la e o uso mais de mágicos e sacerdotes como seu dispositivo mais comum. Está formada a idéia de Estado. Daí para frente, assistiremos, na maioria das sociedades de classes, o topo social sendo ocupado por chefes guerreiros que se pretendem defensores da comunidade e escolhidos pelo divino (o inexplicável).

As Primeiras Sociedades Históricas

Sendo a escrita o critério para se distinguir a História da Pré-História, sociedades históricas seriam aquelas que deixaram documentos escritos. Em diversos locais do planeta encontramos registros que podem ser considerados como escrita, no entanto partiremos daquelas sociedades que se tornaram o berço de nossa civilização atual, a chamada civilização ocidental. Todas elas apresentam padrões estruturais comuns: uma multidão de camponeses dominados e explorados por uma forte organização estatal integrada por guerreiros e sacerdotes sob a chefia de um monarca autorizado pelos deuses a dominar a sociedade (teocracia).

Antigüidade Clássica. A Sociedade Grega
Formação e transformação da Grécia Antiga

• Origem: povos indo-europeus (jônios, aqueus, eólios,dórios) estabelecidos na região a partir de, aproximadamente, de 1950 a.C. • Civilização Micênica (entre 1950 e 1100 a.C.): povoamento e formação • Período Homérico (1100 a 800 a .C.): desorganização econômica gerada pela invasão dória. No final do período surgem as primeiras Cidades-estados. • Período Arcaico (800 a 500 a .C.): evolução e amadurecimento das cidades-Estados, destacando-se Atenas e Esparta. • Período Clássico (500 a 338 a .C.): as cidades-estados atingem sua maturidade com o esplendor da democracia ateniense, na época de Péricles. Em 338, Felipe da Macedônia põe fim à independência das cidades-Estados. • Período Helenístico, constituído de duas fases: — de 338 a 323 a .C.: ascensão de Alexandre Magno formando vasto império. — De 323 a 275 a.C.: fragmentação do império e nascimento das monarquias helenísticas (Macedônia; Pérgamo; Ásia e Egito).

As Pólis
As pólis remontam ao processo de desorganização econômico-social resultante da invasão dória e têm como traço comum a origem de organizações familiares agro-pastoris que se espalharam pelo acidentado território hoje conhecido como Grécia. Em meados do século VI a . C. elas já somavam 1500 unidades com governos próprios. A grande novidade na sociedade grega do período arcaico foi a invenção da propriedade privada. Numa sociedade com claro predomínio social do guerreiro, esta inovação trouxe um personagem novo, o guerreiroproprietário. A divisão social (baseada em pequenos, médios e grandes proprietários) tornava mais complexa a sociedade grega que as anteriores.

A conseqüência foi a transferência do poder de antigos reis par um grupo restrito de poderosas famílias de guerreiros que haviam se tornado proprietárias e que podemos chamar de aristocracia. A repartição desigual de terras gerou uma vasta classe de empobrecidos que, necessitando de empréstimos tomados aos mais ricos para sobreviver, passaram a sofrer a escravidão.

A fuga da levou os mais pobres a ocuparem novas áreas ao longo do mediterrâneo(sul da Itália e Sicília; às margens do mar Negro). A expansão colonizadora incentivou as atividades comerciais propiciando o surgimento de uma nova aristocracia — gregos enriquecidos pelo comércio. Com isto a aristocracia se vê diante de um problema: além das pressões populares para deter a pauperização, a pressão dessa nova aristocracia para participar das decisões políticas das pólis.

Atenas, Esparta, Mégara, Corinto, Argos e Mileto foram as principais cidades-estados gregas. As duas primeiras ficaram célebres por suas profundas diferenças. O caso de Esparta, com seu militarismo, foi atípico e representou uma exceção entre as pólis gregas, cuja evolução geral assemelhou-se mais ao desenvolvimento de Atenas.

Esparta Esparta foi fundada pelos dórios na planície da Lacônia, situada na península do Peloponeso, ás margens do rio Eurotas. Isolada pelas montanhas e sem saída para o mar, fechada sobre si mesma e avessa às influências externas, Esparta era uma cidade-estado conservadora, baseada num governo oligárquico-autoritário e numa educação militar. A economia baseava-se na agricultura, ficando o comércio e a indústria em segundo plano. O Estado dividia a terra em lotes iguais distribuídos entre os cidadãos-soldados conjuntamente com um determinado número de escravos encarregados de seu cultivo. O soldado espartano dedicava-se apenas à formação militar e não exercia nenhuma atividade econômica.

A sociedade espartana estava dividida em três classes: • esparciatas: constituíam a aristocracia, eram os cidadãos-soldados (ou “iguais”) e monopolizavam as instituições políticas; • periecos: homens livres, mas sem cidadania, dedicavam-se à agricultura, ao comércio e ao artesanato; • hilotas: escravos, realizavam todos os trabalhos manuais e constituíam a maioria da população de Esparta. Segundo a tradição, a Constituição espartana foi redigida por um legislador mítico, Licurgo, e não podia ser modificada.

As instituições políticas compunham-se: • diarquia: dois reis • gerúsia: conselho aristocrático formado por 28 anciãos; • ápela: assembléia militar encarregada de votar as leis propostas pela gerúsia; • eforado: onde estava o verdadeiro poder, era controlado por cinco éforos ou vigilantes, que controlavam a vida pública e particular de todos os cidadãos espartanos.

A cultura espartana aboliu as artes e as letras limitando seus esforços na educação de seus cidadãos que eram preparados desde os sete anos de idade para ser forte e disciplinado submetendo-se aos interesses do Estado. A mulher espartana gozava de certa liberdade, se a compararmos com a ateniense: era valorizada como procriadora de guerreiros e geria a economia doméstica, mas nunca alcançou status político. Atenas Atenas foi fundada pelos jônios na península da Ática, próxima ao porto de Pireu. A proximidade do mar Egeu contribui para que Atenas desenvolvesse a navegação e o comércio e participasse do movimento de colonização (Segunda Diáspora Grega). A economia ateniense baseava-se na agricultura, indústria e comércio.

Sua sociedade dividia-se em três classes: • Cidadãos: subdividida em três outros setores — Eupátridas (aristocracia fundiária, agrária); Geomoros (pequenos agricultores proprietários de terras) e Demiurgos (artesãos e comerciantes); • Metecos: estrangeiros residentes em Atenas, dedicavam-se, principalmente ao comércio e à indústria; • Escravos: maior parte da população que desempenhavam todas as atividades manuais, desde serviços caseiros até a agricultura.

Sua história política é mais complexa que a de Esparta: a monarquia foi a primeira forma de governo adotada, cujo rei recebia o título de basileus. Esta autoridade foi posteriormente substituída por um regime aristocrático-oligárquico controlado pela aristocracia agrária. No ligar do basileus governavam nove arcontes (arcontado), magistrados eleitos anualmente pelo areópago, conselho eupátrida que exercia o poder legislativo.

As leis propostas pelo areópago eram votadas pela eclésia, assembléia popular formada pelos cidadãos. A participação de Atenas na colonização dos mares Negro e Mediterrâneo impulsionou sua indústria e comércio, enriquecendo os demiurgos e ao empobrecer os pequenos agricultores com a concorrência, aumentou a escravidão por dívidas e o desemprego levando a cidade a uma intensa crise político-social.

Tal crise abriu espaço para o surgimento dos legisladores:

• Drácon: em 624 a.C. , Drácon, arconte eupátrida, elaborou um código escrito para Atenas, cuja severidade contribuiu para aumentar a insatisfação popular. • Sólon: em 594 a C., magistrado e poeta, aboliu a escravidão por dívidas, suspendeu as hipotecas sobre
terras, incrementou o comércio e a indústria. Redividiu, também, a sociedade atenienses em quatro classes que, segundo o critério de riqueza, participariam do arcontado, do areópago, da Bulé (conselho dos 500), da eclésia e da heliéia (tribunal). O insucesso das reformas desencadeou insurreições populares e possibilitou a conquista do poder pelos tiranos.

• Psístrato: primeiro tirano ateniense, em 560 a .C., realizou uma reforma agrária que enfraqueceu os
eupátridas. Seus filhos Hiparco e Hípias perderam o apoio dos demos e o poder foi conquistado por Iságoras, tirano anti-popular. Este, por sua vez, foi derrubado por Clístenes, tirano cujas reformas implantaram o regime democrático.

• Clístenes: fez uma série de reformas que lhe renderam o título de “Pai da Democracia Grega”. Dividiu a
cidade de Atenas em 100 pedaços (demos) que enviava um representante para a Assembléia, criou a pena de ostracismo (exílio obrigatório) para possíveis conspiradores e criou os critérios do que é ser cidadão: Maioridade, sexo masculino e filho de pai ateniense. Democracia que participavam apenas os cidadãos, ficavam marginalizados os estrangeiros, as mulheres e os escravos.

• Péricles: a democracia ateniense atingiu o apogeu durante o século de Péricles que instituiu a mistoforia (remuneração por cargos públicos), a isonomia (todos os cidadãos são iguais), a isegoria (todos os cidadãos tem direito de falar na assembléia) e a isocracia (todos participam do poder).

Esplendor e decadência da Grécia

Durante o século V a.C., as Grécia se envolveu em guerras contra o expansionismo persa e, saindo vitoriosa, atingiu sua glória econômica e cultural (Grécia Clássica). Em 477 a .C., Atenas reuniu as cidades gregas da Ásia Menor e as ilhas do Egeu em uma aliança marítima chamada Liga de Delos, transformando a cidade-Estado na mais poderosa da Grécia. Tal feito deu ao período o nome de “Século de Péricles”, quando Atenas era, ao mesmo tempo, democrática e imperialista chegando a dominar 400 cidades-Estados. As rivalidades entre Atenas e Esparta (Liga de Delos contra Liga do peloponeso) levou à Guerra do Peloponeso (431 a .C.) que, encerrada com a vitória de Esparta, em 404 a .C.), levou ao enfraquecimento da Grécia e a conseqüente invasão e domínio macedônio a partir de 338 a .C.). A Cultura Clássica Grega

Os gregos possuíam numerosos deuses com forma e sentimentos humanos, daí sua religião se considerada antropomórfica. Tais deuses comandavam as forças naturais e humanas. Além deles existiam os semideuses ou heróis, autores de grandes feitos ou vítimas da fatalidade do destino. A religião era o traço de união entre os gregos, cujo pan-helenismo se manifestava através dos oráculos, mistérios e jogos (os mais famosos eram as Olimpíadas). As artes plásticas desenvolveram-se, principalmente, no campo da arquitetura (estilos dório, jônio e coríntio). Nas letras sobressaem a poesia épica (destaque para Homero e sua Ilíada) e o teatro (Èsquilo, Sófocles, Eurípedes e Aristófanes). O apogeu da ciência e da filosofia se dá na Escola de Atenas, onde se reuniam os principais pensadores do

período. Tales de Mileto é considerado seu fundador. Sócrates, Platão e Aristóteles assinalaram o ápice da filosofia grega. Platão concebeu (inspirado em Esparta) uma República governada por filósofos. Aristóteles criou a lógica formal. Sua obra Organon (física, metafísica, política, retórica e moral) sistematizou o saber de sua época e influenciou, mais tarde, a filosofia escolástica medieval). No entanto, foi no campo da política que os gregos mais no legaram: as pólis e a criação de códigos de leis escritas permitiram aos gregos a consciência do que é o espaço público, de todos, fazendo assim, nascer a política — “arte de decidir através da discussão pública” — e, mesmo que o princípio da cidadania ficasse ainda restrito aos cidadãos, ele se estabelece e servirá de paradigma para a sociedade ocidental.

A ANTIGUIDADE CLÁSSICA - ROMA

Formação e Evolução Situada na planície do Lácio, às margens do rio Tibre e próxima do litoral (mar Tirreno), a cidade de Roma originou-se a partir da fusão de dois povos: os latinos e os sabinos. Inicialmente uma aldeia pequena e pobre, numa data difícil de precisar, Roma foi conquistada por seus vizinhos etruscos que fizeram dela uma verdadeira cidade. Sofreu influência, também, dos gregos que, ao sul haviam criado a Magna Grécia. A sociedade romana, assim como a grega, é exemplo de sociedade escravista, embora difira desta em alguns aspectos fundamentais. O processo de concentração de terras pela aristocracia patrícia jamais foi bloqueado, e o poder e a influência dessa nobreza permaneceram praticamente inalterados até o fim. O elemento central da grande estabilidade desfrutada por Roma foi a instituição do latifúndio escravista, que, estabelecido ali numa escala desconhecida pelos gregos, proporcionou aos patrícios o controle da sociedade. À solidez econômica e política dos patrícios somou-se o talento militar dos romanos, que fez de Roma, cidadeestado, a sede de um poderoso império. Como os gregos, os romanos iniciaram sua história sob o regime monárquico, experimentaram a república e decaíram após a construção de um império universal muito semelhante aos orientais. Sua história é dividida nos seguintes períodos: • Monarquia (753-509 a. C.) • República (509-27 a.C) • Império (27 a.C.-476)

Da Monarquia À República Segundo a tradição, durante a Monarquia, Roma foi governada por sete reis (o rei desempenhava as funções de supremo juiz, sumo sacerdote e comandante do exército). O poder era limitado pelo senado, conselho aristocrático formado pela nobreza patrícia (senhores de terras que, segundo a lenda, descendiam dos primeiros habitantes de Roma), e por uma assembléia popular, formada pelos cidadãos romanos que votavam as leis propostas pelo senado. Os quatro primeiros reis foram, alternadamente, latinos e sabinos. Os três últimos foram etruscos e governaram Roma despoticamente. Em 509 a.C., Tarquínio, o Soberbo, foi deposto por uma revolução, que aboliu a Monarquia, expulsou os etruscos e impôs a República em Roma. No início da República, a sociedade romana estava dividida em quatros classes: • Patrícios: aristocracia rural • Plebeus: camponeses, comerciantes e artesãos • Clientes: não-proprietários que, para sobreviver, colocavam-se a serviço de um patrício, denominado patrono • Escravos: pouco numerosos no início da República, ganharão aumento gigantesco e importância em conseqüência das guerras expansionistas, quando as conquistas externas transformaram a economia romana em um sistema de produção escravista.

As instituições políticas, controladas pelos patrícios, eram: • os comícios (assembléias populares encarregadas de votar as leis e eleger os magistrados): havia dois tipos de comícios, os centuriões (cidadãos divididos por sua riqueza em cinco classes que, por sua vez, dividiam-se em centúrias, que eram unidades militares do exército) e os tribais (os cidadãos eram agrupados em tribos e tinham direito a um voto) — como as divisões e subdivisões eram feitas por critérios patrícios, estes sempre venciam (patrícios comandavam 124 centúrias das 193 existentes); • a magistratura: os magistrados, eleitos pelos comícios, tinham um mandato de um ano e cada magistratura era exercida concomitantemente por várias pessoas. Os magistrados mais importantes eram os cônsules (dois homens que, como chefes da República, presidiam os comícios, o senado e, em tempo de guerra, comandavam o exército. Os pretores cuidavam da justiça; os censores recenseavam a população e cuidavam a vigilância dos costumes; os questores arrecadavam impostos e os edis se encarregavam dos espetáculos oficiais e da segurança pública; • o Senado: encarregado da elaboração das leis, era o poder de fato da República. Era composto por 300 senadores, de origem patrícia, que controlava as finanças do Estado, a religião, a administração e a política exterior. Em caso de crise extrema, o senado tinha o poder de nomear um ditador, que governaria por um prazo de seis meses.

As lutas por reformas

A marginalização política, a discriminação social e a desigualdade econômica levaram a plebe romana a se rebelar marcando um longo período (dois séculos desde o início da República) de lutas contra os patrícios. Ao longo desde período os patrícios tentavam reduzir a revolta popular lançando mão da política do pão e circo, tentando fazer crer que o expansionismo iniciado gerava riquezas, também, à plebe. Em 493 a.C., a revolta do Monte Sagrado desencadeou as lutas sociais em Roma: os plebeus abandonaram a cidade e somente retornaram após várias concessões feitas pelos patrícios. As camadas populares conquistaram o direito de eleger seus próprios magistrados (tribunos da plebe) que, eleitos através de plebiscitos podiam vetar ou suspender aplicação de atos dos magistrados ou decisões do senado que viessem a prejudicar interesses dos plebeus. Em 450 a.C. , com a criação da Lei das 12 Tábuas, os plebeus conquistaram a igualdade jurídica impondo a transformação das leis orais em leis escritas, tal legislação seria aplicada a ambas as classes. Em 445 a.C., a Lei Canuléia estabeleceu a igualdade civil ao autorizar o casamento de patrícios e plebeus Em 367 a.C., a Lei Licínia instaurou a igualdade política ao reconhecer aos plebeus o direito de eleger os representantes para as diversas magistraturas. Em 326 a.C., outra medida importante aboliu a escravidão por dívidas. Finalmente, em 300 a.C., os plebeus conquistaram a igualdade religiosa, adquirindo o direito ao exercício de cargos sacerdotais. O expansionismo e a transição para o Império A expansão romana pela Itália (centro e sul) e a conquista da magna Grécia colocavam em perigo os interesses cartagineses no ocidente do Mediterrâneo e acabou desencadeando as Guerras Púnicas entre Roma e Cartago (264-246 a.C.). Vencedora, Roma estabeleceu seu domínio sobre o Mediterrâneo ocidental abrindo caminho para a conquista dos reinos helenísticos (Macedônia, Síria e Egito) e o avanço sobre o Mediterrâneo oriental. As mudanças sócio-econômicas ocorridas em Roma a pós a conquista do Mediterrâneo (Mare Nostrum), foram responsáveis pela crise da República que geraram: a consolidação do sistema escravista de produção; a ruína dos pequenos agricultores e a concentração de terras em mãos da aristocracia e o surgimento de uma nova classe de grandes comerciantes, os “homens novos” ou cavaleiros. As lutas sociais que se seguiram assinalaram o declínio do regime republicano. Os irmãos Tibério e Caio Graco foram sucessivamente eleitos tribunos da plebe e, entre 133-121 a.C., procuraram realizar reformas para solucionar a crise da República. Tais reformas buscavam realizar a distribuição de terras e a recomposição da classe camponesa além de aumentar a participação dos cavaleiros na administração do Estado. Estas propostas esbarraram na resistência da aristocracia chegando ao assassinato dos irmãos Graco.

O fracasso das reformas agravou a crise e abriu caminho para as ditaduras de Mário e Silas. Mário, “homem novo” apoiado pelo exército (profissionalizado e assalariado por ele), realizou reformas favorecendo os cavaleiros e as camadas populares (que entraram em massa para o exército). O general Silas, aristocrata, restabeleceu privilégios de sua classe e a autoridade do senado. Estas ditaduras, apoiadas no exército, permitiram a intervenção dos militares nos assuntos políticos aprofundando a crise da monarquia. A rebelião de Sertório, na Espanha em 78 a.C.; a insurreição de Espártaco (liderando um exército de 50 mil escravos e plebeus sublevados entre 73 e 71 a.C.) e a conjuração de Catilina que, em 66 a.C., pregava a anulação de dívidas, a proscrição da nobreza senatorial e a realização de reforma agrária aceleraram o declínio da República. Em uma aliança formada entre um representante da plebe (Júlio César), um general vencedor da revolta de Sertório (Pompeu) e um ex-cônsul enriquecido (Crasso) estabeleceram o primeiro Triunvirato sob o qual se ampliou o expansionismo romano (Gália e parte da Bretanha). Com a morte de Crasso instalou-se uma luta entre Pompeu e Júlio César que, à frente do poderoso exército obrigou Pompeu a fugir e instalou, em 49 a.C., um regime pessoal — a ditadura vitalícia. O assassinato de César, através de uma conspiração do Senado, fez criar o segundo Triunvirato que, também vivendo lutas internas, levou ao poder Otávio assinalando o fim da República e o nascimento do Império, em 31 a.C. O Império Durante o principado (30 a.C. e 14 d.C.), misto de república e monarquia, Otávio concentrou todo o poder, tornando-se príncipe do Senado, imperador do exército, tribuno da plebe, sumo-pontífice e Augusto (como ficou conhecido desde então). Augusto promoveu a aliança entre nobreza e os cavaleiros, agrupando-os em duas ordens: Senatorial e Eqüestre. Dividiu, também, as províncias do império em senatoriais e imperiais gerando estabilidade política, prosperidade econômica e desenvolvimento intelectual. A paz romana (assentada em violenta repressão) se estendeu por todo o império e o século I, da Era Cristã, ficou conhecido como “Século de Augusto”. Após a morte de Augusto em 14 d.C., sucederam-se várias dinastias que, ora convivendo com as exigências criadas pelo controle sobre vasto império, ora tentando conter pressões internas (acrescidas pela presença ameaçadora dos bárbaros em suas fronteiras), levou Roma, lentamente ao declínio a partir do século III da Era Cristã (fase conhecida como Baixo Império). A decadência do Império Romano deu-se por questões inerentes à sua própria existência e às contradições criadas: a vasta extensão territorial dominada exigindo cada vez um número maior de soldados e fiscais, a paralisia da economia interna gerada pelo afluxo das riquezas coloniais e o reaparecimento de grande contingente populacional empobrecido (em contraste com o luxo e a riqueza da nobreza e dos comerciantes). Nova onda de tensões, agora internas externas, pioradas com a inépcia política de alguns governantes (ora tolerantes, ora violentamente repressores) fragilizou o controle e determinou a decadência da paz, favorecendo um processo de violência interna e externa gerando a ruralização da população romana. Este processo fragilizou ainda mais o império que, convivendo com insurreições coloniais e perda de rendimentos, chegou a lançar mão de estrangeiros (bárbaros) para vigiar as fronteiras. Ondas de saques e incursões estrangeiras aumentaram o processo de ruralização da sociedade romana que buscava se proteger no campo sobrevivendo do que produzia e se entregando à proteção de quem lhes oferecesse guarida. Aos saques seguiram-se as invasões, principalmente de povos germânicos. O Império ainda tentou conviver com estes estrangeiros através de tratados, mas a luta entre os diversos grupos bárbaros não permitiu a sobrevivência de nenhuma aliança. Em 476, os hérulos, liderados por Odoacro (símbolo da queda do maior império da Antigüidade), invadiram a Itália e depuseram Rômulo Augusto, o último soberano do Império Romano do Ocidente. Para muitos historiadores, esta data marca o fim da Antiguidade e início da Idade Média. Na religião da antiga Roma havia uma multidão de deuses funcionais que foram acrescidas e/ou agrupados conforme a influência recebida, principalmente a grega. A relação dos romanos com os deuses era prática, as preces buscavam atender necessidades cotidianas. Havia, também, os cultos domésticos (dirigidos pelo chefe de família) e os oficiais (regulamentados e dirigidos pelo Estado).

A influência oriental introduziu a prática dos cultos em Roma que, posteriormente, se rendeu a uma poderosa religião: o cristianismo. O cristianismo, uma dissidência do judaísmo (primeira religião monoteísta conhecida) surgiu na Palestina. Essa nova religião acreditava ser Jesus de Nazaré, nascido no principado de Augusto e crucificado no reinado de Tibério, o Messias anunciado pelos profetas hebreus e filho unigênito de Deus, mandado à Terra para redenção dos homens. A difusão do cristianismo ocorreu, principalmente entre as camadas populares e os escravos, pois em sua prática, pregavam a resistência à dominação do homem e o culto a seres vivos, ofendendo os preceitos romanos de culto aos imperadores e foi, por isto, alvo de perseguições. As perseguições, no entanto, fizeram crescer a nova religião atingindo até mesmo, as camadas dominantes do Império, abrindo espaço para a institucionalização do cristianismo (em 313, Constantino concede liberdade de culto aos cristãos; em 325 é definida a doutrina oficial da Igreja e, em 395; em 395, Teodósio oficializou o cristianismo na religião de Estado do Império Romano e dividiu o Império em: Oriental que durou até 1453 e o Ocidental que se esfacelou e caiu sob domínio dos germânicos em 176 d C.). A Tetrarquia foi um sistema de governo criado pelo imperador romano Diocleciano como forma de resolver sérios problemas militares e econômicos do império romano. Dividiu o seu poder sobre o império entre os sectores orientais (pars Orientis) e ocidentais (pars Occidentis). Manteve o controle pessoal do sector leste e o seu colega Maximiano controlou o ocidente. Diocleciano não dividiu propriamente o poder com seu companheiro de armas Maximiliano, pois, na realidade, Diocleciano estava colocado em posição superior à de Maximiliano. A partir daí, o Império passou a ter dois Augustos (augusti), cada qual com exército, administração e capital próprios, embora Diocleciano continuasse a ser o chefe do Estado, representando a unidade do mundo romano. Oito anos mais tarde, considerando que era necessária maior concentração em problemas cívicos e militares, decidiu dividir ainda mais o poder ao nomear um "Imperador Júnior", ou César (caesar), reportando a cada "Imperador Sênior", ou Augusto. Os Césares eram chefes militares capazes de governar e proteger o império, adotados como filhos pelos Augustos, a quem sucederiam em caso de morte, incapacidade provocada pela velhice ou decorridos vinte anos de seus governos. Os césares, lugar-tenente dos Augustos, também possuíam capital, exército e administração próprios. A essa organização dá-se o nome de tetrarquia, ou o governo de 4, pois há dois Augustos e dois césares. A Tetrarquia durou até 324 d.C. Ao longo desse processo, foram feitas a centralização da autoridade religiosa e a hierarquização da Igreja. A Cultura e o Direito Romanos Como conseqüência da expansão de Roma para o Oriente, a cultura desenvolvida pelos romanos sofreu forte influência da cultura grega. O apogeu da cultura romana ocorreu durante o “Século de Augusto” com relevância para a literatura (Cícero; Virgílio; Horácio; Ovídio; Tito Lívio e Plutarco, como destaques). No entanto, o mais importante legado foi, sem dúvida o Direito Romano, originado da Lei das Doze Tábuas, dividia-se em três ramos: • jus civile (direito civil), baseava-se nas fontes tradicionais — a lei e o costume — e era aplicado apenas aos homens livres que possuíam a cidadania romana; • jus gentium (direito das gentes), surgiu como decorrência da expansão romana e da conquista dos povos da Itália. Era aplicável aos habitantes do Império — homens livres sem a cidadania romana — e serviu de base para o desenvolvimento do direito internacional; • jus naturale (direito natural), era uma filosofia jurídica que afirmava que, como fim ideal e princípio universalmente válido, a justiça e o direito deveriam refletir a ordem racional da natureza (“O verdadeiro direito é a razão justa, consoante à natureza, comum a todos os homens, consoante, eterna.” CÍCERO). A admiração que os “bárbaros” europeus tinham pelas instituições e pela cultura romana permitiu a sobrevivência de grande parte do seu legado que, adaptado, é matriz do Mundo Ocidental.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->