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Resumo

Cap. 1 - O filho de brâname

Sidarta é um jovem promissor que vive num povoado brâname. Talentoso,


bonito, ávido pelo saber, Sidarta era adorado por todos. Estava avançado nos
ensinamentos brânames e todos viam nele um futuro brilhante. Pressentia-se nele
um sábio, um sacerdote, um príncipe entre os brânames. E quem mais o adorava era
seu amigo Govinda. Mas para si mesmo, Sidarta não dava alegria. Para si mesmo não
era fonte de prazer. Abrigava em suas entranhas o descontentamento. Sentia que o
amor que recebia de todos nem sempre teria força para alegrá-lo. Também sentia
que já tinha absorvido os principais ensinamentos brânames, mas não eram o
suficiente. Questionava a validade dos rituais: “As abluções, por proveitosas que
fossem, eram apenas água; não tiravam dele o pecado; não curavam a sede do
espírito; não aliviavam a angústia do coração. Excelentes eram os sacrifícios e as
invocações dos deuses- mas que lhe adiantava tudo isso? Propiciavam os sacrifícios a
felicidade? E quanto aos deuses: foi realmente Prajapati quem criou o mundo? E não
o Átman? Ele, o único, o indivisível?”...”Quem merecia imolações e reverência, senão
Ele, o único, o Átman? E onde se podia encontrar o Átman, onde morava ele... a não
ser no próprio eu, naquele âmago indestrutível que cada um trazia em si?”
Insatisfeito com isso, resolveu unir-se a um grupo de samanas (sábios mendigos
nômades) que passavam pela cidade, para encontrar sua felicidade e o seu caminho.
Depois de receber a permissão de seu pai (que tristemente a deu), partiu para os
samanas junto com Govinda.

Cap. 2 - Com as samanas

Com os samanas, Siddharta aprendeu a jejuar. “A carne sumia-lhe das pernas


e da face”. Passando pelas cidades, olhava a vida nela com desprezo. “... nada disso
era digno de ser olhado. Tudo era mentira, tudo fedor; tudo recendia a falsidade,
tudo criava a ilusão de significado, felicidade, beleza e, todavia, não passava de
putrefação oculta. Amargo era o sabor do mundo. A vida era um tormento”. O
objetivo de Sidarta era tornar-se vazio, vazio de sede, vazio de desejos, vazio de
alegria e de pesar. “Exterminar-se, distanciando-se de si mesmo; cessar de ser um
eu”.
Esse era o objetivo e a filosofia de vida dos samanas. Assim, meditavam,
jejuavam, transferiam sua alma para garças e viviam a vida das garças, transferiam
sua alma para chacais mortos e vivenciavam a auto-decomposição. Encarnavam
pedras, troncos, folhas e árvores. Os dois passam três anos na companhia dos
Samanas. Sidarta notou que o modo de vida samana é uma forma de fugir da vida e
do eu, e resolve parar de segui-los, fator catalisado pelo surgimento de Buda, que
estava arrebanhando vários discípulos e que havia alcançado a Iluminação. Há um
diálogo interessante entre Sidarta e Govinda em que Sidarta diz: “O que é a
meditação? O que é o abandono do corpo? Que significa jejum? E a suspensão do
fôlego? São modos de fugirmos de nós mesmos. São momentos durante os quais o
homem escapa à tortura de seu eu. Fazem-nos esquecer, passageiramente, o
sofrimento e a insensatez da vida”. Sidarta também nota que nenhuma doutrina é
capaz de fazer a pessoa atingir a iluminação, apenas a vivência tem essa capacidade.
E os dois vão ao encontro de Buda.

Cap. 3 - Gotama

Nesse capítulo os dois amigos encontram Buda e ouvem sua doutrina. Govinda
resolve unir-se aos discípulos de Buda, enquanto, Sidarta confirma sua teoria de que
nenhuma doutrina, somente a vivência, pode levar e iluminação.

Ouvindo Buda, Siddharta não manifestou muito interesse em sua doutrina,


mas observou atentamente sua silhueta, seus gestos, sua voz, os ombros, os pés.
“Parecia-lhe que as falanges de cada dedo eram doutrina, falavam, respiravam,
exalavam aroma, derramavam o brilho da verdade”.

Em um diálogo entre Buda e Siddharta, Siddharta manifestou seu apreço pela


doutrina, e disse que não seria seu discípulo, pois a iluminação não pode ser ensinada
por doutrinas, só por vivência, e que Buda não contara como foi sua experiência na
hora da iluminação, porque isso era impossível de ser descrito. Portanto, seguiria o
seu próprio caminho sem nenhuma doutrina e nenhum mestre, até alcançar seu
destino ou morrer. Buda disse que o desígnio de sua doutrina é a redenção do
sofrimento, nada mais. Nesse diálogo, há um trecho muito interessante em que
Sidarta diz: “... Nós, os samanas, procuramos a redenção do eu, ó Augusto. Ora, seu
eu fosse um dos teus discípulos, ó Venerável, poderia acontecer-me... Assim receio...
que meu eu só aparentemente, falazmente, obtivesse sossego e redenção, mas na
realidade continuasse a viver e a crescer, uma vez que eu teria então a tua doutrina,
teria o fato de ser teu adepto, teria meu amor a ti, teria a comunidade dos monges e
faria de tudo isso meu eu”. Govinda viu nas palavras de Buda um ideal de vida. Já
Siddharta viu em Buda um modelo, um exemplo a ser seguido.

Cap. 4 - Despertar

Despertar é um capítulo curto e denso, no qual Siddharta reavalia toda sua


vida passada e a abandona, sentindo-se incomparavelmente só, pois não pertenceria a
mais nenhum grupo, seria apenas Sidarta. Antes fora brâname, samana... agora,
apenas ele mesmo “... lhe parecia que o verdadeiro pensar consistia no
reconhecimento das causas e que, desse modo, o sentir se convertia em saber, o
qual, em vez de dissipar-se, criaria forma concreta e irradiaria seu teor”.

“Mas que desejaste aprender dos teus mestres e extrair dos seus preceitos?
Que será aquilo que eles, que tanto te ensinaram, não conseguiram propiciar-te?”...
“Era meu desejo conhecer o sentido e a essência do eu, para desprender-me dele e
superá-lo. Apenas logrei iludi-lo. Consegui, sim, fugir dele e furtar-me às suas vistas.
Realmente, nada neste mundo preocupou-me tanto quanto esse eu, esse mistério de
estar vivo, de ser um indivíduo, de achar-me separado e isolado de todos os demais,
de ser Sidarta! E de coisa alguma sei menos do que sei quanto a mim, Siddharta!”

“O fato de eu não saber nada a meu próprio respeito, o fato de Sidarta ter
permanecido para mim um ser estranho, desconhecido, tem sua explicação numa
única causa: tive medo de mim; fugi de mim mesmo! Procurei o Átman, procurei o
Brama, sempre disposto a fraturar e a pelar o meu eu, a fim de encontrar no seu
âmago ignoto o núcleo de todas as cascas. Mas, enquanto fazia isso, perdi-me a mim
mesmo”.

“Olhou para o mundo a seu redor, como se o enxergasse pela primeira vez.
Belo era o mundo! Era variado, era surpreendente e enigmático! Lá, o azul; acolá, o
amarelo! O céu a flutuar e o rio a correr, o mato a eriçar-se e a serra também! Tudo
lindo, tudo misterioso e mágico! E no centro disso tudo se achava Siddharta, a
caminho de si próprio...” “Não havia mais aquela multiplicidade absurda, casual, do
mundo dos fenômenos, desprezada pelos profundos pensadores brânames, que
rejeitam a multiplicidade e esforçam-se por achar a unidade...” “... O sentido e a
essência das coisas não se achavam em algum lugar atrás das coisas, senão no seu
interior”.

“... “andei deveras surdo e insensível”...”Quem puser a decifrar um


manuscrito, cujo significado lhe interessar, tampouco menosprezará os sinais e as
letras, qualificando-os de ilusão... senão os lerá, estudá-los-á, amá-los-á, letra por
letra. Eu, porém, que almejava ler o livro do mundo e o livro da minha própria
existência, despreze os sinais e as letras, em prol de um significado que lhes
atribuía de antemão. Chamei de ilusão o mundo dos fenômenos. Considerei meus
olhos e minha língua apenas aparentes, casuais, desprovidas de valor. Ora, isso
passou. Despertei. Despertei de fato. Nasci somente hoje.” ”