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Admilson Eustáquio Prates Harlen Cardoso Divino Letícia Aparecida Rocha Ricardo Wilame Santana de Almeida

Psicologia da Religião

Divino Letícia Aparecida Rocha Ricardo Wilame Santana de Almeida Psicologia da Religião Montes Claros/MG - Novembro/2015

Montes Claros/MG - Novembro/2015

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2015

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Ministro da Educação Renato Janine Ribeiro Presidente Geral da CAPES Jorge Almeida Guimarães Diretor de

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Chefe do Departamento de Métodos e Técnicas Educacionais Káthia Silva Gomes

Chefe do Departamento de Política e Ciências Sociais/Unimontes Carlos Caixeta de Queiroz

Autores

Admilson Eustáquio Prates

Doutorando em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP. Especialista em Filosofia e Existência pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Especialista em Bioética pela Universidade Federal de Lavras. Graduado em Filosofia pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Professor no Instituto Federal de Educação, Ciência e tecnologia de Goiás – Câmpus Formosa/GO. Professor no departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes (2004-2014). Coordenador do Grupo de Extensão Filosofia na Sala de Aula – Pró-Reitoria de Extensão/Unimontes (2004-2014). Autor dos seguintes livros: Sala de Espelhos: inquietações filosóficas; e Exu, a esfera metamórfica (publicados pela Editora Unimontes); organizador dos seguintes livros: O fazer Filosófico; Filosofia: educação infantil ao ensino médio; e Temas e estratégias desenvolvidas em sala de aula, também publicados por Editora Unimontes.

Harlen Cardoso Divino

Pós-Graduado em Ciência da Religião pela Faculdade de Educação e Tecnologia da Região Missioneira (FETREMIS). Pós-Graduado em Didática e Metodologia do Ensino Superior e Graduado em Ciências da Religião pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Graduando-se em Pedagogia pela Universidade de Uberaba (UNIUBE). Formação complementar em Docência e Tutoria para EAD pelo CEAD/ Unimontes. Professor Conteudista e Pesquisador na Universidade Aberta do Brasil atuando como Docente Formador do Departamento de Filosofia no Curso de Ciências da Religião UAB/Unimontes. Professor de Ensino Religioso na Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Janaúba-MG (efetivo). Colaborador no Projeto de Inventário para fins de Salvaguarda e de Proteção do Patrimônio Cultural no Vale do Rio São Francisco – pelo Núcleo de História e Cultura Regional (NUHICRE/ Unimontes) e Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG). Egresso do Programa de Educação Tutorial em Ciências da Religião (PETCRE/Unimontes).

Letícia Aparecida Rocha

Especialista em Neuropsicologia Educacional e Ciências da Religião. Graduada em Ciências da Religião pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Professora de Educação Religiosa na Educação Básica. Professora formadora e conteudista UAB/Unimontes.

Ricardo Wilame Santana de Almeida

Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) e em Ciências da Religião pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Pós-Graduado em Didática e Metodologia do Ensino Superior (Unimontes). Pós- Graduado em Ensino da Sociologia pelo Centro Universitário Campos de Andrade (UNIANDRADE) e Pós-Graduado em Ciências da Religião pela Faculdade de Educação e Tecnologia da Região Missioneira (FETREMIS). Atualmente Docente Formador do Departamento de Filosofia no Curso de Ciências da Religião pelo (CEAD - UAB/ Unimontes), e Professor de Sociologia, e Ensino Religioso na Secretaria de Educação de Minas Gerais.

Sumário

Apresentação

9

Unidade 1

11

Os Primórdios da Psicologia Científica e da Psicologia da Religião

11

1.1 Introdução

11

1.2 O Início da Psicologia Científica

12

1.3 O Nascimento da Psicologia da Religião

14

1.4 Teorias Psicológicas de Freud e Jung

17

Referências

20

Unidade 2

23

Aportes Teóricos da Psicologia: Experiência Religiosa

 

23

2.1 Introdução

23

2.2 Teorias Psicológicas sobre Experiência Religiosa: Abordagem de William James

23

2.3 A “Essência” da Experiência Religiosa de Karl Giergensohn: Abordagem

 

“Introspeccionista”

 

24

2.4

O Aspecto Intelectual da Experiência Religiosa, a Abordagem “Ideográfica”

em Allport

25

2.5 Abordagem de André Godin

 

27

2.6 Clássicos: Estudos Psicológicos da Experiência Religiosa

28

2.7 Instituições de Ensino da Psicologia e seus Estudos sobre a Religiosidade no Brasil

.

.29

 

Referências

31

Unidade 3

33

Experiências Religiosas: Vertente Cultural e Psicológica

33

3.1 Introdução

33

3.2 Transe, Êxtase e Possessão

34

3.3 Psicologia e Religião: Fundamentalismo Religioso

37

Referências

40

Resumo

41

Referências Básicas, Complementares e Suplementares

43

Apresentação

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

Admilson Eustáquio Prates

Prezado(a)s acadêmico(a)s, este material de Psicologia da Religião tem como proposta ini- cial compor o arsenal teórico acerca do fenômeno religioso. Nós sabemos que para estudar o fenômeno religioso é necessário entender a pisque humana e como essa categoria interfere e é influenciada pela cultura religiosa. Dessa maneira, o material inicia-se apresentando a origem da Psicologia da Religião e al- guns de seus teóricos clássicos, como Freud e Jung. Antes da exposição sobre a psicanálise e so- bre a psicologia analítica, faz-se um sobrevoo em torno de Wilhelm Wundt, William James, Erich Fromm, Erik Erikson, Viktor Frankl. Na sequência do material será discutida a categoria primordial que envolve o fenômeno re- ligioso: a experiência religiosa. Esta, por sua vez, será refletida sobre a luz das teorias psicológicas referente a William James, Karl Giergensohn, Gordon Willard Allport e André Godin. Os teóricos serão apresentados de forma breve, mas sabemos que há muito o se que discutir sobre eles com relação às experiências religiosas. A próxima temática refere-se à dimensão do êxtase, transe, possessão. Para tanto, o autor discorre sobre o conceito de experiência religiosa e apresenta a diferença e as características de êxtase, transe, possessão. Nesse tópico do material é exposto também apontamentos sobre o fundamentalismo religioso, culpa e maturidade religiosa.

UniDADE 1

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

Os Primórdios da Psicologia Científica e da Psicologia da Religião

1.1 Introdução

Letícia Aparecida Rocha

Prezado acadêmico, esta unidade tem como objetivo principal fornecer elementos concer- nentes acerca do surgimento e desenvolvimento da Psicologia Científica e da Psicologia da Re- ligião. O estudo sobre o surgimento da Psicologia Científica, apesar de não ser o nosso objetivo, será importante para a compreensão do nosso tema central, a Psicologia da Religião. Este estudo possibilitará a você ter um conhecimento da Psicologia da Religião, subdisciplina que compõe o arcabouço da Ciência da Religião. Façamos uma memória rápida do primeiro período do curso, em que estudaram a discipli- na de Introdução à Ciência da Religião e puderam ver e discutir questões atinentes às origens, estatuto epistemológicos, objeto de estudo, as subdisciplinas que envolve essa ciência, entre ou- tros assuntos que você recorda. É sabido que a Ciência da Religião tem como objeto de estudo o fenômeno religioso e suas várias facetas e representações, sobretudo no campo religioso brasi- leiro, que é dinâmico e diverso. Essa ciência possui uma marca multidisciplinar no estudo desse fenômeno, devido a sua abrangência, amplitude e complexidade. Nessa perspectiva, a Ciência da Religião utiliza de outras ciências auxiliares que funcionam como lentes reveladoras no sentido de vislumbrar o fenômeno religioso e ampliar os horizontes, buscando a cientificidade necessária para afastar de convicções pessoais. Iniciaremos nosso estudo evocando a definição de Psicologia Cientifica, uma vez que a Psi- cologia da Religião é uma vertente dessa área do conhecimento. Munidos das considerações re- ferentes à definição, origens, precursores e outras informações importantes sobre a Psicologia Científica, avançaremos no assunto propriamente dito deste estudo que é a Psicologia da Reli- gião. Faremos as definições necessárias em torno do termo, falaremos em definição e não con- ceito, uma vez que em Psicologia da Religião não se admite uma definição que seja definitiva para a religião. Também, conheceremos alguns autores e suas contribuições que são considera- das importantes na construção desse campo do conhecimento. Para terminar a unidade, vere- mos as teorias psicológicas de Sigmund Freud e Carl Gustav Jung, que foram e continuam sendo demasiadamente difundidas no mundo acadêmico. São as mais conhecidas e estudadas. Dessa forma, não podemos furtar nossa atenção desses dois teóricos. Sabemos que outros estudiosos também dedicaram seus estudos a essa área do conhecimento e com suas teorias deram uma contribuição ímpar ao estudo psicológico da religião, o que será trabalhado na Unidade 2. Por ora e momento, nos deteremos nestes já citados. Assim entendidos, comecemos nosso itinerário em busca de compreensão dos principais aspectos, concernentes a essa subdisciplina que tem muito a nos dizer e a nos auxiliar na com- preensão do fenômeno religioso nos diversos espaços da sociedade e, também, em meio aos educandos das escolas onde você atuará brevemente.

Bons estudos!

UAB/Unimontes - 5º Período

1.2 O Início da Psicologia Científica

Até o século XIX, a psicologia estava atrelada a ciência milenar da sabedoria, conhecida como filosofia, considerada uma ciência mãe, visto que se encontra como sustentáculo de to-

das as áreas do conhecimento, inclusive da psicologia. Vale lembrar que o mesmo ocorreu com a Ciência da Religião, antes de ser reconhecida como uma disciplina autônoma e acadêmica, tam- bém esteve sob o aparato da filosofia e ainda, da teologia, conquistando autonomia na segunda metade do século XIX. Faremos um breve retrospecto acerca dessa relação que se estabeleceu entre filosofia e psicologia. Acompanhemos! A psicologia é uma ciência milenar, porém, esteve como serva da filosofia durante todos es- ses períodos, sem força e autonomia. Aparece como tema da filosofia, por isso, nesse momento, torna-se importante um olhar mesmo que breve sobre a filosofia como primeira forma de desen- volvimento do pensamento humano de forma racional, e raiz da psicologia. Os primeiros filósofos gregos, conforme veremos abaixo, envidavam esforços no sentido de compreender e sistematizar o pensamento acerca da pessoa humana. Para esses filósofos,

o ser humano possuía algo além de um corpo com carne e ossos. Dessa forma, dedicavam-se

ao estudo da alma, considerando que o ser humano era dotado de alma segundo os primeiros

pensamentos da psicologia acerca do ser humano. Parece-nos interessante oferecer o significa- do genuíno da palavra psicologia, para fazer uma breve e necessária digressão pela mitologia.

O pensamento mítico perpassou e dominou o universo humano durante vários séculos (X a VII

a.C.). O pensamento mítico foi utilizado para explicar as relações entre os seres humanos na so-

ciedade, a causa e a razão de existência das coisas, as origens de determinados fatos da natureza

e outras ações que as pessoas não alcançavam resposta. Os mitos são formas de explicar e enten-

der as realidades e, por meio deles, muitas situações foram elucidadas e muitas gerações apren- deram dessa forma. Queremos com essa explanação afirmar que a palavra psicologia emana da mitologia grega. Os autores Bock, Furtado e Teixeira salientam:

O termo psicologia vem do grego PSYCHÉ, que significa alma, e de logos, que significa razão. A alma ou espírito era concebida como a parte imaterial do ser humano e abarcaria o pensamento, os sentimentos de amor, ódio, a irracionali- dade, o desejo, a sensação e a percepção. O termo alma foi alvo de inúmeras dis- cussões entre as pessoas uma vez que, queriam entender a função e a natureza deste elemento (BOCK; FURTADO E TEIXEIRA, 2008, p.33).

Nessa perspectiva, o significado de alma vai permear o pensamento dos pré-socráticos Ta- les de Mileto, Pitágoras, Heráclito, Parmênides, que são conhecidos assim por precederem o filósofo Sócrates. Esses pensadores concebiam a alma como parte da realidade universal, uma

abordagem racional, ou seja, que parte da razão. Seguindo esse raciocínio, a alma universal e

a alma humana existem juntas numa relação intrínseca. Com esses pensadores adentramos na

esfera da subjetividade humana, no sentido de voltar para o interior e entendimento da alma humana. O filósofo Sócrates avançou nessa discussão com entendimento de que o ser humano

difere dos animais, ou seja, os humanos são dotados de razão e essa característica os distingue. Nesse sentido, Sócrates inaugura um caminho de teorização da consciência (BOCK; FURTADO E TEIXEIRA, 2008). Em Platão, o pensamento acerca da alma alcançou outras definições. Seu pensamento dife- riu dos pré-socráticos e buscou avançar o pensamento de seu mestre Sócrates. Sua teoria inovou

a forma de pensar tal questão e perdurou por longos anos, adentrou o pensamento cristão da

Idade Média, influenciando os pensadores desse período. Esse filósofo divide o ser humano em corpo e alma. A alma é dotada de supremacia e domínio, é soberana ao corpo, assim, a alma car- rega em si o verdadeiro conhecimento. Para Aristóteles, essas duas realidades não poderiam ser separadas, estariam justapostas. A alma pertence ao corpo, assim como o corpo pertence à alma. Na Idade Média, período de domínio e predomínio do cristianismo, surgem inúmeras correntes filosóficas com ideias diversas, cada uma delas contribuiu sobremaneira para fomentar a discus- são acerca da alma. Mas foram as figuras de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino que se destacaram nessa discussão. Santo Agostinho, como exímio cristão, acreditava que a alma está acima do corpo e de qualquer bem material, da ciência, da moral e também da razão, é a fonte primeira de sentido. Numa outra linha de pensamento, Santo Tomás de Aquino defendia que a alma é única e imortal e tende a voltar para Deus.

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

Caros acadêmicos, após falarmos do pensamento defendido na Idade Média sobre a alma, daremos um salto e passaremos para o Renascimento e a Idade Moderna. No Renascimento, dá-se um processo de valorização do ser humano, que passa a ser o centro do saber. Nesse momento surge o filosofo René Descartes que em muito contribuiu para o progresso da psico- logia. Este rompe com as lógicas teológicas até então estabelecidas e alimentadas pelas esfe- ras cristãs. Ele propõe a separação da mente (alma-espírito) e corpo. Ou seja, a parte pensante corresponde à alma. O corpo corresponde à biologia, a matéria. A parte de Deus corresponde à teologia. No pensamento de Descartes encontra-se a valorização da razão como fruto da mo- dernidade. Nesse período, surge a figura de Auguste Comte, que inicia uma corrente filosófica intitulada positivismo, que busca ter um olhar sobre a pessoa partindo do impessoal, da in- dividualidade. O positivismo acredita que o conhecimento está fora do ser humano. Utiliza o fato, o argumento para responder às questões. Esse pensamento influencia todas as formas de conhecimento a partir do século XIX. O conhecimento psicológico é fortemente influenciado pelo positivismo. Depois dessa breve incursão pela filosofia, a fim de conhecermos os primórdios da ciência psi- cológica, vamos agora entender o processo de re- conhecimento da psicologia como ciência. A psicologia foi reconhecida como um cam- po do conhecimento científico, na Alemanha no final do século XIX, na cidade Leipzig, com a fi- gura de Wilhelm Wundt (1830-1920), que criou o primeiro laboratório de psicologia, em que se for- maram um grande número de psicólogos. Com a criação desse espaço, a psicologia começa a au- ferir autonomia, é o momento em que conquista seu status de ciência à medida que se afasta da filosofia e assume métodos próprios mais próxi- mos à medicina. Assume seu objeto de estudo, nesse caso, o comportamento humano como objeto de análise. Com o status de ciência na Ale- manha, logo ela se expande por outras partes e chega aos Estados Unidos. E é nesse país que essa ciência encontra berço fértil e os estudos avançam. Nesse período surgem as primeiras correntes teóricas da psicologia que deram origem a inúmeras teorias que hoje existem nessa área (BOCK; FURTADO E TEIXEIRA, 2008). Vejamos as primeiras abordagens da psicologia:

Funcionalismo – essa teoria foi desenvolvida pelo americano William James, como veremos à frente, teórico importante no estudo e no desenvolvimento da psicologia religião. Consi- derada a primeira das abordagens psicológicas, consiste em entender o que faz o ser huma- no e o porquê o faz. O principio dessa teoria é conhecer o funcionamento do organismo e como se adapta ao meio onde está. A atenção e preocupação dessa abordagem centra-se na consciência e, a partir dela, busca compreender o funcionamento no espaço em que se encontra.

Estruturalismo - o funcionalismo e o estruturalismo buscam compreender o consciente do ser humano. Essa abordagem foi iniciada por Wilhelm Wundt, mas foi Titchener quem utili- zou o termo estruturalismo pela primeira vez e o diferenciou do funcionalismo. Os estrutu- ralistas se concentraram em estudar as estruturas elementares da consciência. Em outras pa- lavras, o ser humano é entendido como que constituído por estruturas, isto é, inteligência, percepção e raciocínio.

Associacionismo - um dos expoentes dessa teoria é Edward L. Thorndike. Essa abordagem difere das anteriores no sentido de ser a primeira teoria sobre a psicologia da aprendizagem. Para Bock, Furtado e Teixeira (2008, p.42), “o termo associacionismo origina-se da concepção de que a aprendizagem se dá por um processo de associação de ideias”. Acredita-se que a pessoa aprende a partir das ideias mais simples as mais complexas. Após, essa análise perguntamos a você: qual o objeto de estudo da psicologia? Se você pensou no ser humano, no seu comportamento, na sua psique, na sua consciência, concordamos com você, estamos falando na subjetividade da pessoa humana.

você, estamos falando na subjetividade da pessoa humana. GLoSSáRio Positivismo : Corrente filosófica criada pelo

GLoSSáRio

Positivismo: Corrente filosófica criada pelo francês Auguste Comte que sustenta a ideia de unidade de todas as ciências e a aplicação da abordagem cientifica na realidade social huma- na. Ou seja, toda ciência deve ser observável, poder ser verificada pela experiência. (GOL- DENBERG, 2004)

Figura 1: Foto de Wilhelm Wundt.

Fonte: Blog Janet Lynn. Disponível em <http:// planetjanetlynn.blogspot.

com.br/2011/02/steer-clear

-of-religion-and-politics. html>. Acesso em 03 mai.

2015.

UAB/Unimontes - 5º Período

Em outras palavras, a psicologia carrega em si o status de ciência que estuda a subjetividade humana. Nesse sentido, essa ciência se interessa por estudar e conhecer a realidade introspectiva da pessoa e sua relação com o meio. Essa afirmação nos induz a pensar na religião como reali- dade inerente ao ser humano, por isso a psicologia desde os inícios possui uma inclinação por investigar a experiência religiosa. Conforme aponta-nos Rodrigues e Gomes:

Já nos primórdios, a Psicologia encontra interesse no comportamento religioso, considerando-o decorrente dos sentimentos humanos. Wundt vê o comporta- mento religioso destituído de aspectos intelectuais, mas carregado de conteúdo afetivo (RODRIGUES; GOMES, 2013, p.336).

De posse e conhecimento desses dados concernentes, as origens da psicologia científica, convido você, acadêmico, a continuarmos nosso estudo, e conhecer a Psicologia da Religião. Acompanhemos!

1.3 O Nascimento da Psicologia da Religião

Acima vimos que o precursor da psicologia científica Wilhelm Wundt teve uma participação importante na constituição da Psicologia da Religião. Nos estudos realizados em seu laboratório, ele não se dedicou à análise da experiência religiosa propriamente dita, mas a maneira como ele pensou e vislumbrou o comportamento do ser humano favoreceu o estudo psicológico da reli- gião. Ávila (2007, p.22) menciona que, “para Wundt, a religião tem sua origem em processos emo- cionais, principalmente o medo”. Por isso, o elemento afetivo no entendimento de nosso autor se faz importante no reconhecimento e no estudo da experiência religiosa das pessoas. A afirmação de que o medo é a origem da religião nos leva a entender que a experiência religiosa atravessa diversas etapas até alcançar um nível de compreensão e de maturidade por parte dos seres hu- manos. É importante apresentar a definição de religião defendida por nosso autor Wundt, con- forme nos apresenta Filoramo e Prandi (1999, p.159): “religiões são em sua gênese, como repre- sentações fantásticas projetivas, ligadas a reações psicológicas diante do ambiente externo”. Para ele, as religiões não estão no nível do intelecto, mas do sentimento, por isso o comportamento religioso despertou interesse em seus estudos. Seu empenho em entender o comportamento religioso foi decisivo para instaurar os primeiros estudos da Psicologia da Religião. Seu método com base na Psicologia Científica com seus experimentos mensuráveis foi fundamental para que estudiosos da área da Psicologia da Religião empregassem no estudo do comportamento e da experiência religiosa os mesmos métodos utilizados por esse autor. Vale destacar nessa discus- são que nos estudos da Psicologia da Religião encontram-se todas as tendências que existem na ciência psicológica, criadas por diversos estudiosos em todos os tempos. Cada uma tem sua fun- ção em determinados casos e aspectos tratados. Dito isso, vamos definir e conhecer o objeto de estudo da Psicologia da Religião, que é uma área de conhecimento da Ciência da Religião e também da Psicologia Científica, conforme vimos acima. A Psicologia da Religião carrega em si a interdisciplinaridade, uma vez que busca auxílio de outras ciências, como a filosofia, a sociologia e a teologia para compreender o objeto a qual se dedica. Ela destina-se a apreender a experiência religiosa dos adeptos das tradições religiosas e o que advêm dessa experiência. Também, podemos dizer que é a aplicação da ciência psicoló- gica ao estudo do fenômeno religioso. Vejamos uma definição e a descrição do objeto de estudo da Psicologia da Religião proposto por Rodrigues e Gomes:

A Psicologia da Religião é o estudo do comportamento religioso pela aplicação

dos métodos e teorias dessa ciência a este fenômeno, quer pelo aspecto social,

quer pelo aspecto individual. Nesse sentido, seu objeto de estudo não se refere

à prova da existência ou inexistência de um ser ou de seres supramundanos nos

quais se crê, nem se trata da defesa ou crítica de alguma religião ou expressão re-

ligiosa específica; antes, é o estudo científico, descritivo e objetivo, do fenômeno religioso no que se refere ao comportamento humano – por excelência, o objeto

e trabalho da psicologia (RODRIGUES; GOMES, 2013, p.333).

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

Em suma, a Psicologia da Religião funciona como uma lente reveladora no sentido de anali- sar o comportamento e a conduta religiosa em todos os níveis e aspectos possíveis, como forma de entender a experiência religiosa das pessoas inseridas no meio religioso. Chamo a atenção de vocês para o objeto de estudo da Psicologia da Religião: o comportamento religioso ou tudo o que envolve tal conduta é tema de estudo desta área do conhecimento. Também não tem como parâmetro um “deus ou deuses”, ou ainda a ausência desses seres no substrato das tradições reli- giosas. Os autores afirmam que é um estudo científico do fenômeno religioso, ou seja, é um estu- do destituído do componente religioso, e a área do conhecimento do universo científico da Ciên- cia da Religião trabalha com a mesma neutralidade. Embora a Psicologia da Religião tenha surgido no mesmo período em que surgiu a Psicologia Científica, a primeira não possui a mesma relevân- cia e reconhecimento nas academias, devido ao seu objeto ser a experiência religiosa. Também se aponta como um complicador a variedade de referencial teórico e métodos utilizados que advêm da própria Psicologia Científica. Esses são alguns fatos que impedem o seu total reconhecimento. Uma vez definido e esclarecido o objeto de estu- do da Psicologia da Religião e também de conhecer os seus desafios como “ciência jovem”, seguiremos nossa discussão conhecendo outros aspectos da ciência psicológica da religião. Willian James (1842-1910), psicólogo, filósofo e professor, foi uma figura ímpar nos estudos da Psico- logia da Religião e é considerado um dos seus clás- sicos autores. Veremos brevemente alguns aspectos sobre seu trabalho, pois teremos oportunidade de ver com mais detalhes na próxima unidade, que versará sobre os teóricos. Para James, a experiência religiosa antecede a crença em determinado ser superior e encontra-se no nível dos afetos. Ávila (2007, p.27) afirma que “no pensamento de James há uma redução da religião ao

exclusivamente individual”. As emoções, os sentimen- tos e os afetos possuiriam maior importância do que a crença no pensamento desse autor. Esta tendência de estudar apenas a dimensão individual da pessoa humana se deve a sua própria ex- periência religiosa que Ávila (2007, p.25) define como pessoa “um homem inquieto e instável, de uma personalidade complexa, com tendências depressivas, o que se reflete em seus estudos”. W. James é adepto da corrente filosófica surgida nos finais do século XIX, nos Estados Unidos, deno- minada pragmatismo. Nesse sentido, assinala Hock:

deno- minada pragmatismo. Nesse sentido, assinala Hock: ◄ Figura 2: Foto de William James Fonte: Disponível

Figura 2: Foto de William James

Fonte: Disponível em

<http://www.en.wikipedia. org>. Acesso em 11 mai.

2015.

James é considerado um representante do pragmatismo religioso, o que tinha uma influência decisiva sobre o seu conceito psicológico-religioso: segundo ele,

a

pessoa humana procura insistentemente uma atuação que promova sua vida,

e

esse fenômeno encontra sua expressão também no meio de processos psico-

lógicos inconscientes ou pré-conscientes. Segundo James, a religião está sempre configurada na vida individual e, nesse sentido, é também apenas a religião do individuo, a religião subjetiva, “pessoal”, que pode se tornar objeto da Psicologia da Religião (HOCK, 2010, p.164).

Assim, ele emprega esse método no estudo da religião. Reiteramos que a experiência reli- giosa para James está no âmbito restrito da subjetividade, em seu pensamento não coexiste a ideia de que a religião possui uma dimensão coletiva. Esse método foi utilizado por James em sua célebre obra As variedades da experiência re- ligiosa, publicado em 1902. James analisou a experiência religiosa vivida por ele e por outras pessoas religiosas. Ele presume que essa experiência pode ser benéfica ou patológica, tudo de- pende do nível psicológico do indivíduo em questão. Dados autobiográficos de pessoas cren- tes que, tiveram grandes experiências no âmbito religioso serviram de método para compor seu pensamento nessa obra. Tornou-se uma obra de referência no estudo da Psicologia da Religião. Prezados acadêmicos, W. James é apenas um dos inúmeros nomes que construíram a histó- ria dessa Psicologia. Ainda encontra-se em construção essa ciência, muitas foram as teorias cons- truídas, no intuito de analisar o comportamento religioso das pessoas. Vamos conhecer outros três pensadores contemporâneos que concederam ímpar contribui- ção aos estudos da Psicologia da Religião e que não podemos nos furtar de uma breve análise.

UAB/Unimontes - 5º Período

O alemão Erich Fromm (1900-1980) pertence a uma família judaica. Essa tradição religiosa muito influenciou o seu pensamento. Ele estudou sociologia e psicanálise, e foi um dos psicana- listas que mais se preocupou em entender a natureza humana. Essa preocupação encontra-se explícita em sua vasta obra, e aqui citamos algumas: O medo e a liberdade (1941), Ética e Psi- canálise (1947), Psicanálise e Religião (1950), A arte de amar (1957). Seu pensamento e estudos estão em sintonia com os de Freud, e alguns estudiosos dizem que Fromm faz uma releitura do pensamento de Freud, porém difere desse autor, pois, no que concerne a religião, seu pensamen- to está imbuído de uma espiritualidade religiosa. A religião para Fromm, segundo nos aponta Ávila (2007, p.59), é um “sistema de pensamento e ação, seja qual for, compartilhado por um gru- po que dá ao indivíduo uma orientação e um objeto de devoção”. Assim, Fromm concebia a reli- gião como um sistema portador de sentido e referência para as pessoas. Erik Erikson (1902-1994) era também alemão. Estuda as fases da teoria psicanalítica para a formação da personalidade do ser humano. É considerado um dos grandes psicanalistas dos últi- mos tempos. Em certa medida, poder ser chamado de psicanalista freudiano, pois evoca muitas das ideias e pensamentos desse autor, embora divergindo em alguns pontos. Em seu pensamen- to, a vida é entendida como algo dinâmico. Assim, dedica-se de especial forma a analisar a dinâ- mica da adolescência. Ele possui diversos artigos e livros sobre essa temática. O livro Infância e Sociedade (1982) é uma de suas obras mais conhecida e difundida, em que aborda extensamente

a dinâmica vivida pelo ser humano, e ainda sinaliza para os oito estágios do desenvolvimento

humano. Sobre a religião possui uma atitude crítica, advinda da psicanálise, porém, difere-se de Freud. Vejamos o que nos diz Ávila:

Aceita que a fé religiosa dos indivíduos é vulnerável a distorções patológicas e que as religiões aproveitaram-se da fragilidade humana e geraram intolerância, mas admite também, que em sua forma positiva e ativa é vital para a obtenção do amadurecimento humano (ÁVILA, 2007, p.63).

Viktor Frankl (1905-1997), austríaco, médico psiquiatria e judeu foi alguém que viveu as atrocidades dos campos de concentração nazista, durante a Segunda Guerra Mundial e isto o marcou profundamente, auferiu um modo de olhar a vida, o ser humano e também a religião. Nesses campos perdeu sua mãe, pai, um irmão e outros familiares. Ele mesmo experimentou na carne esse fato, por longos anos, foi prisioneiro e sofreu diversas privações. Os campos de con- centração nazista foram espaços de não reconhecimento do humano como verdadeiramente humano. Frankl saiu do campo de extermínio cheio de rancor e amargura, porém, não perdeu o encanto e a esperança pela vida. Talvez inspirado por essa experiência limite, Frankl cria um mé- todo de terapia chamado Logoterapia, que tem suas bases em elementos espirituais, se relaciona com a religião, uma vez que seu fundador a imbuiu de espiritualidade. Assim, tentou extinguir o abismo entre religião e ciência. Acompanhemos a definição de Logoterapia dado pelo próprio Viktor Frankl:

Uma tradução literal do termo “logoterapia” é “terapia através do sentido”. Na- turalmente poderia ser traduzido também como “cura através do significado”, mas isso implicaria num tom religioso alto demais que não está necessariamente presente na logoterapia. Em todo caso, a logoterapia é uma (psico) terapia no sentido (FRANKL, 2005, p. 13).

Depreendemos que a logoterapia é a terapia do sentido, sentido da vida, é a busca pelo en- tendimento dos “porquês”, relacionados à existência humana. Uma realidade subjetiva que não

depende de um meio cultural. Nesse sentido, essa terapia está intrinsecamente relacionada com

a filosofia e, por sua vez, com a teologia, pois com um olhar mais apurado percebemos que am-

bos se interessam em dar respostas à natureza humana. É possível fazermos aqui uma comparação entre o pensamento de Frankl e de seu predeces- sor Freud. Ambos fazem parte do círculo de estudos de Viena e buscavam compreender o sur- gimento e a cura para neuroses. Mas cada um possuía uma visão distinta. Para Freud, a origem destas encontra-se nas desordens e desarmonias dos seres humanos, são causadas por ações in- conscientes. Em contrapartida, Frankl encontra a origem das neuroses na inaptidão de encontrar

o sentido da vida. Citaremos abaixo, algumas das teorias mais recentes no estudo da Psicologia da Religião. Depois, analisaremos as teorias de Freud e Jung. Baseado nos escritos do psicólogo Geraldo Pai- va (2013), apontaremos algumas teorias contemporâneas com o propósito de conhecer as ten-

dências futuras no campo da Psicologia da Religião.

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

BOX 1

Teorias contemporâneas da Psicologia da Religião

Psicologia narrativa: entende a vida psíquica como uma construção e reconstrução dos episódios vividos dentro de uma trama, em geral com começo, meio e fim. O sentido, que a maioria das pessoas procura para seu passado, para o presente e para o seu futuro encontra- se na perspectiva dessa psicologia, muito mais no encadeamento de suas experiências do que numa relação de resposta a estímulos ou na expressão de impulsos em conflito. A narração supõe, o mais das vezes, um ouvinte. Teoria da atribuição de causalidade: lida principalmente com uma especial forma de unidade cognitiva, a saber, a que estabelece unidade entre os disparatados fenômenos da percepção, graças à relação de causa e efeito. Os acontecimentos físicos e humanos, com efei- to, ocorrem numa profusão tal que, não fosse a espécie dotada de filtros perceptivos, o mun- do humano e físico seria vivido como um caos. Teoria das representações sociais: proposta por Serge Moscovici, visa entender os va- lores, ideias e práticas que orientam as pessoas em seu mundo material e social, e lhes possi- bilitam controlar esse mundo e comunicarem-se umas com as outras, por meio de um código de nomeação e classificação dos vários aspectos desse mundo e de sua própria história indivi- dual e grupal. É uma teoria psicossocial e não sociológica. Psicologia cultural da religião: é uma proposta recente para o estudo psicológico da re- ligião como fenômeno cultural. Como em qualquer ciência, uma proposta recente enraíza em posições teóricas mais antigas. O destacado proponente contemporâneo dessa perspectiva é Jacob Belzan, da Universidade de Amsterdam.

Fonte: PAIVA, Geraldo Jose de. Teorias contemporâneas da Psicologia da Religião. In: PASSOS, João Décio; USARSKI, Frank. Compêndio de Ciência da Religião. São Paulo: Paulinas, 2013.

É importante levar em consideração que as tendências recentes se entrelaçam e se interli-

gam com as mais antigas, coexistem juntas, por isso se faz necessário um olhar nas teorias atuais, mas também nas outras teorias clássicas. Após conhecermos algumas tendências contemporâ- neas e com vistas ao futuro da ciência Psicológica da Religião, vamos avançar e conhecer nessa última parte da unidade o legado de dois grandes teóricos do estudo da Psicologia da Religião, que são: Sigmund Freud e Carl Gustav Jung.

1.4 Teorias Psicológicas de Freud e Jung

Para entrarmos nas teorias de Freud e Jung, faremos uma breve incursão pela Psicologia Pro- funda, corrente de estudos de onde advêm os dois autores. Os estudos da Psicologia da Religião receberam uma grande influência e contribuição dessa vertente, intrinsecamente ligada às inves-

tigações no campo da psicanálise (é a ciência que visa ao estudo do inconsciente, e seu objeto de estudo é o inconsciente). A psicanálise é ao mesmo tempo um modo particular de tratamento do desequilíbrio mental e uma teoria psicológica que se ocupa dos processos mentais inconscientes. Freud é o seu fundador e idealizador. Voltemos à compreensão da psicologia profunda.

A Psicologia Profunda, conforme nos apresenta Ávila (2007, p.31), “defende a existência de

uma dimensão inconsciente na personalidade, à qual se dá um papel primordial em sua dinâmi- ca”. Com essa afirmação deduzimos que a Psicologia Profunda lança um olhar às realidades ditas inconscientes, ou seja, alheias a consciência, por exemplo: repressão, sexualidade, complexos e outros. Os estudos empreendidos por essa psicologia foram de fundamental importância para fomentar e alavancar a Psicologia da Religião, uma vez que as abordagens sobre religião e com- portamento religioso se faziam necessárias pelo enfoque psicológico.

Sigmund Freud (1856-1939) nasceu na cidade católica de Friburgo, na Morávia-Tchecoslo- váquia. Havia oito irmãos, sendo ele o mais velho. Casou-se com Martha Bernays e tiveram seis filhos, a última chamada Ana Freud, que se tornou uma grande psicanalista, seguiu os passos do

UAB/Unimontes - 5º Período

pai. Freud foi descendente de judeus, portanto, recebeu instruções e ensinamentos sobre essa tradição religiosa. Embora, conhecido por seu ateísmo e renúncia ao elemento religioso em sua vida, recebeu ensinamentos cristãos e judeus. Graduou-se em medicina e, logo, demonstrou in- teresse pelo campo da psicologia, também transitou pela neuropatologia. Todas essas possibi- lidades e experiências conduziram nosso autor a imiscuir no terreno das neuroses (doença que apresenta variações psíquicas na pessoa, como: depressão, ansiedade, fobias), buscou não so- mente remediar, mas buscar as causas que geram essas doenças. Assim, começa a desenvolver a psicanálise. Os estudos empreendidos por Freud foram de fundamental importância para dar no- vos direcionamentos às concepções acerca da sexualidade humana. Sigmund Freud considerava a sexualidade como base da vida psíquica, sendo assim, defende a sexualidade de forma ampla,

não restrita sexo/genital. Freud retira a sexualidade do campo restrito genital para ser parte inte- grante dos afetos e desafetos humanos, numa perspectiva mais ampla da pessoa. Freudianamente falando, há libido (conceito aplicado por Freud para designar a sensação

de prazer) em qualquer atividade praticada pelo ser humano, para além do desejo sexual, como

dar aula, correr, dançar, bater papo, em um trabalho braçal, etc. Essa teoria possibilitou, academicamente, uma ampla visão concernente à sexualidade hu- mana. Assim, a teoria freudiana contribuiu para desmistificar esse imenso continente chamado sexualidade humana, auferiu novos significados às relações humanas, transformou a maneira de

ver e conceber o termo em sociedade. A revolução sexual desencadeada em meados do século

XX

é atribuída aos estudos freudianos. Seguiremos a partir de agora o pensamento de Freud atinente à religião e sua contribuição

no

campo da Psicologia da Religião. O assunto religião foi algo que permeou a vida de nosso au-

tor, conforme sinalizamos acima. Nesse sentido, escreveu várias obras sobre o tema e cada uma delas aborda determinados aspectos da religião. Citaremos as principais obras: a primeira – TO- TEM E TABU – é considerada uma das suas maiores obras e trata da origem da religião, como o ser humano vê e desvela o universo, e também, o caráter coletivo da culpa que gera a religião

segundo a visão freudiana. A segunda – O FUTURO DE UMA ILUSÃO – aborda a função da reli- gião na vida do ser humano. Freud define-a como ilusão, no sentido de oferecer a pessoa conforto diante dos infortúnios provocados pela natureza humana e a vida social. A terceira – O MAL-ESTAR

NA CIVILIZAÇÃO – e a anterior são consideradas obras de cunho sociológico, pois Freud analisa a

religião tendo em vista a vida das pessoas na sociedade. Nessa obra, traça a origem e a função da religião na cultura atual e os impactos que ela causa sobre a vida humana. A quarta – MOISÉS E O MONOTEÍSMO – foi a última que escreveu antes de morrer e retoma as ideias já escritas em Totem e Tabu. As origens da religião, no entanto, buscam uma análise a partir do judaísmo e, após, no cristianismo. A temática da religião vista como uma neurose permeia esses quatro livros de Freud. No pensamento de Freud, a religião é uma neurose universal, ou seja, de toda a humanida- de. Essa tese é o fio condutor de todo o seu pensamento e não se afasta do mesmo. Mas vejamos em que consiste a neurose. Podemos definir a neurose como um conflito interior de um indiví- duo, que remete ao recalque. O recalque em Freud conforme, apontado por Palmer:

É um mecanismo por meio do qual a mente impede que a experiência traumática passada ou as emoções a ela associadas passem do inconsciente à consciência. Nesse sentido, o recalque é uma espécie de esquecimento, um tipo de guardião ou de censor que posta diante da porta da consciência, impedindo a entrada na memória das reminiscências que julga dolorosas ou vergonhosas (PALMER, 2001, p.28).

Outro ponto de fundamental importância no pensamento de Freud e que está em conso- nância com o que expomos até o presente momento é a ideia de inconsciente. Recorremos uma vez mais a Palmer (2001) para definir esse termo empregado por Freud.

Para Freud, o inconsciente é, por assim dizer, a parte inferior da consciência: é o campo extensivo e dinâmico da vida mental no qual estão as ideias e lembranças censuradas na mente consciente por meio dos fortes mecanismos do recalque (PALMER, 2001, p.125).

18

Em Freud, essa realidade é algo que remonta a hereditariedade e depende da experiência

da pessoa. Esse ponto, ou seja, o inconsciente foi o aspecto que gerou a ruptura entre Freud e

Jung, conforme veremos posteriormente ao falar sobre a teoria de Jung. Para entendermos as questões que foram lançadas se faz necessário, também, um olhar sobre a lenda Complexo de Édipo (lenda grega do rei Édipo, este matou seu pai e casou-se com sua mãe), que consiste na relação entre a ideia de libido no contato entre a criança e seus pais. Veja a lenda no box abaixo:

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

BOX 2

Complexo de Édipo

Quando o menino (a partir dos dois ou três anos) entra na fase fálica de seu desenvolvi- mento libidinal, tem sensações agradáveis em seu órgão sexual e aprende a se proporcionar essas sensações à vontade através do estímulo manual. Nessa fase ele fantasia ser o amante da mãe. Ele deseja possuí-la fisicamente, tentando seduzi-la ao mostra-lhe o órgão masculino que tem orgulho de possuir. Sua masculinidade despertada busca tomar o lugar do pai ao lado da mãe; seu pai foi até então, um modelo invejado para o garoto, em decorrência da for- ça física que este percebe nele e da autoridade de que o considera investido. Seu pai torna-se agora um rival que se põe em seu caminho e de quem ele gostaria de se livrar. Se enquanto o pai está ausente, ele puder partilhar o leito da mãe e se, quando do retorno do pai, banido dele, sua satisfação quando o pai desaparece e sua frustração quando ele ressurge são expe- riências profundamente sentidas. Esse é o tema do complexo de Édipo, que a lenda grega tra- duziu do mundo da fantasia de uma criança numa pretensa realidade. Sob as condições de nossa civilização, ele está invariavelmente fadado a um fim assustador.

Fonte: PALMER, Michel. Freud e Jung. Sobre a religião. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

Interessante apresentar tal conto para entendermos que a religião, no pensamento freudia- no, parte da onipotência, da grandeza e também um sentimento de impotência diante da rea- lidade vivida. A teoria freudiana da religião consiste no que apresenta Palmer (2001, p.27), “sig- nificação de um complexo paterno para a origem da religião; o papel da religião na renúncia a prazeres instintuais e no grau até o qual ela proporciona segurança e proteção”. Para Freud, as origens da religião e das neuroses estão no Complexo de Édipo. Em outras palavras, a neurose é a sexualidade reprimida, assim, Freud acredita que a religião é uma neurose, nes- se sentido, ele sexualiza a religião. Encerra- mos esse exposto sobre Freud concordan- do com a afirmação concedida por Palmer (2001, p.84), acerca da contribuição de Freud no campo da Psicologia da Religião, “a contribuição específica de Freud não está em afirmar que a religião é uma ilusão, mas em localizar a motivação dessa ilusão na história recalcada da primeira infância”. Carl Gustav Jung nasceu em 26 de ju- lho de 1875, na Suíça, e morreu em 6 de junho de 1961. O ambiente familiar favo- receu para que Jung recebesse sólida for- mação acadêmica e religiosa. Seu pai foi um pastor protestante, sua mãe era filha de um vigário. Dos filhos que tiveram, seis tor- naram-se teólogos. Jung casou-se em 1903

com Emma Rauschenbach. Em 1907, Jung encontra-se com Freud. Eis que começaram uma parceria que duraria apenas seis anos. Jung foi discípulo das teorias freudianas. Após esse período acabou a parceria por di- vergências de pensamento. Posteriormente, voltaremos na ruptura entre Jung e Freud. O assunto religião ocupa um lugar importante nas obras de Jung, quase todos os escritos tratam sobre tal temática. Vejamos a declaração de Jung sobre a Psicologia Médica que mostra também a sua percepção com relação à religião. Veremos o que no diz o próprio Jung:

à religião. Veremos o que no diz o próprio Jung: ◄ Figura 3: Foto de Sigmund

Figura 3: Foto de Sigmund Freud.

Fonte: Disponível em

<http://www.horoscopo-

virtual.uol.com.br>. Acesso em 21 mai. 2015.

Considero minha tarefa mostrar o que a Psicologia, ou melhor, o ramo da Psi- cologia médica que represento, tem a ver com a religião ou pode dizer sobre a mesma. Visto que a religião constitui, sem dúvida alguma, uma das expressões mais antigas e universais da alma humana, subentende-se que todo o tipo de psicologia que se ocupa da estrutura psicológica da personalidade humana deve pelo menos constatar que a religião, além de ser um fenômeno sociológico ou histórico, é também um assunto importante para grande número de indivíduos (JUNG, 2008, p.7).

UAB/Unimontes - 5º Período

DiCA

Para entender um pou- co mais do pensamento, da criação da psicanáli- se e também da relação de Carl Gustav Jung e Sigmund Freud, assista ao filme: Um Método Perigoso.

Figura 4: Foto de Carl Gustav Jung

Fonte: Disponível em <http://www.oarquetipo. wordpress.com>. Acesso em 21 mai. 2015.

ATiviDADE

Faça um paralelo entre a teoria Freudiana e a teoria Junguiana. Compartilhe no fórum correspondente.

Sobre tal afirmativa podemos perceber que a religião para Jung exerce grande importância sobre a vida das pessoas e que a psicologia pode contribuir com elementos que lhe são próprios. Em outras palavras, Jung apresenta um conceito positivo de religião, sua visão é positiva diante do fato religioso. Em outro momento, na mesma obra, Jung (2008, p.10) detecta, “a religião como uma atitude do espírito humano”. Para Jung, o entendimento de religião está além de determinadas confissões religiosas. Em sua essência, são os seres humanos construtores do universo religioso. Avancemos em outros pontos que são primordiais no pensamento junguiano. Em uma obra intitulada Símbolos da transformação, lançada em 1911, e a outra parte em 1912, decisiva no pen- samento de Jung por inovar o sentido de inconsciente já apontado por Freud, dando nome de inconsciente coletivo, na visão junguiana este significa uma camada mais profunda do incons- ciente. Todos os seres humanos nascem com inconsciente coletivo, não é algo que é possível adquirir no curso da vida. Jung avança nessa discussão sobre o inconsciente coletivo ao apre- sentar os conteúdos próprios do mesmo que concede o nome de arquétipos. Vamos entender o que Jung quer expressar com esse termo. Para Jung (1961, p.68), “os arquétipos são instintos que podem manifestar-se como fantasias e revelar, muitas vezes, a sua presença apenas através de imagens simbólicas”. As imagens simbólicas a qual se refere Jung é que são os arquétipos. Evocamos essas ideias para o campo das religiões. As religiões são ricas em fornecer imagens simbólicas a seus adeptos. As imagens religiosas, ou seja, os arquétipos considerados sagrados, em certa medida, são construídos coletivamente por seus agentes. Apresentaremos a relação entre Jung e Freud, conforme sinalizamos acima. Nessa questão encontra-se o maior mérito de Jung no estudo concernente à Psicologia da Religião. Sobre a ruptura entre Freud e Jung, cons- ta na bibliografia sobre ambos que Freud con- siderou Jung seu fiel discípulo, alguém desti- nado a levar a cabo sua obra no futuro. Freud

nutriu e estabeleceu em relação a Jung uma interlocução que para muitos soava como possessiva. Jung sentiu que tal relação o privava de independência intelectual e que os sentimentos religiosos latentes em Freud haviam sido pro- jetados em sua teoria da sexualidade. Jung não concordava que a religião poderia ser uma neu- rose, acreditava que a ausência da mesma seria a causa da neurose. A ruptura definitiva entre os dois ocorreu quando Jung publicou a obra Símbolos da transformação. Anteriormente citamos a ideia de inconsciente coletivo que Jung lançou nesse livro que diferia do conceito freudiano. O segundo volume foi fator de desentendimento entre eles, pois Jung volta a rechaçar outro termo utilizado por Freud, e concede outras definições. Dessa vez foi a libido, para Jung, a libido é uma “energia psíquica”, energia, movimento, dinâmica. Ou seja, Jung retira a libido do âmbito estrito sexual e avança em tal ideia. Cada um a seu modo deu significativa contribuição aos estudos da Psicologia da Religião.

contribuição aos estudos da Psicologia da Religião. Referências BOCK, Ana Mêrces Bahia; FURTADO, Odair;

Referências

BOCK, Ana Mêrces Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias. Uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 2008.

FILORAMO, Giovanni. PRANDI, Carlo. As Ciências das Religiões. São Paulo: Paulus, 1999.

FRANKL, Viktor E. Um sentido para a vida: psicoterapia e humanismo. 14. ed. Aparecida: Idéias & Letras, 2005.

FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Rio de Janeiro: Imago, 1997.

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

FREUD, Sigmund. Totem e Tabu. São Paulo: Saraiva, 2003.

GOLDENBERG, Mirian. A arte de pesquisar. Como fazer pesquisa qualitativa em Ciências So- ciais. 10. ed. Rio de Janeiro: Record, 2007.

HOCK, Klaus. introdução à Ciência da Religião. São Paulo: Edições Loyola, 2010.

JUNG, Carl Gustav. o homem e seus símbolos. Nova Fronteira, 1961.

JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. 8. ed. Petropólis: Vozes, 2008.

PAIVA, Geraldo Jose de. Teorias contemporâneas da Psicologia da Religião. In: PASSOS, João Dé- cio; USARSKI, Frank. Compêndio de Ciência da Religião. São Paulo: Paulinas, 2013.

PALMER, Michel. Freud e Jung. Sobre a religião. Edições Loyola, 2001.

RODRIGUES, Cátia Cilene L. GOMES, Antônio Maspoli de A. Teorias clássicas da Psicologia da Re- ligião. In: PASSOS, João Décio; USARSKI, Frank. Compêndio de Ciência da Religião. São Paulo:

Paulinas, Paulus, 2013.

UniDADE 2

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

Aportes Teóricos da Psicologia:

Experiência Religiosa

Ricardo Wilame Santana de Almeida

2.1 Introdução

Religiosa Ricardo Wilame Santana de Almeida 2.1 Introdução Prezado(a) acadêmico(a), nesta unidade serão pontuadas as

Prezado(a) acadêmico(a), nesta unidade serão pontuadas as teorias pragmáticas, introspeccionista, ideográfica e psicanalítica. O objetivo da unidade é o de levá-lo a compreender as relevâncias de teóricos renomados da psicologia, o que vai contribuir para os estudos da Psicologia da Religião. Dessa forma, nosso foco é prepará-lo para aprofundar os estudos relacio- nados ao pragmatismo da experiência religiosa, na qual a psicologia será apresentada como teoria essen- cial para esse estudo. Fecharemos a unidade tendo como principais norteadores os pesquisadores Edênio Vale e Antônio Ávila.

2.2 Teorias Psicológicas sobre Experiência Religiosa: Abordagem de William James

Nessa aula, abordaremos os estudos clássicos, daremos ênfase aos teóricos e suas contribui-

ções para os estudos psicológicos. Assim, vamos fazer um breve relato da biografia do norte-ame- ricano William James (1842-1910) que em Harvard trabalhou como professor ensinando fisiologia

e filosofia. James deu projeção à filosofia norte-americana ao apresentar o conceito de experiên- cia com uma amplitude que antes não lhe havia sido atribuída pelos estudiosos ingleses. William James, em suas conferências sobre pragmatismo, faz questão de reiterar que o pragmatismo é “um novo nome para os velhos modos de pensar”. O pragmatismo guarda em sua essência a própria designação que os antigos dão à filosofia, ou seja, uma atividade inte- lectual altamente comprometida com os temas e os problemas concretos da humanidade. Ele

é claro e direto ao afirmar que “o modo pragmático de considerar a religião é o mais profundo”

(VALLE, 1998, p. 76). Em 1901 coube a William James dar as prestigiosas conferencia em Gifford em Edimburgo na Escócia, onde na ocasião falou sobre “As variedades da Experiência Religiosa”, escritas por ele em 1902 sendo então publicadas depois em um único volume pela The Modern Library em New

York, em 1902. Nessa mesma ocasião, James profere uma palestra sobre a “filosofia”, em que mos- tra a impotência da teologia e do idealismo para dar conta da vida em geral e da experiência mís-

Figura 5: Onde religião e psicologia se encontram

Fonte: Disponível em

<http://www.minutopsi-

cologia.com.br/uploads/

posts/91/onde-religiao-e

-psicologia-se-encontram. jpg>. Acesso em 18 jul.

2015.

DiCA

É possível dividir a obra de William James em

dois momentos: um psicológico (que vai da década de 1870 à de 1890) e outro filosófico (a partir de 1890). O primeiro período tem como marco inicial a criação de um pequeno laboratório de psico- logia em 1875 na Uni- versidade de Harvard;

e o seu primeiro curso

de psicologia, sobre

“As relações entre a fisiologia e a psicologia”. Disponível em <http://

psicologado.com/psi-

cologia-geral/historia-

da-psicologia/william-

james © Psicologado.

com>. Acesso em 20 jul.

2015.

UAB/Unimontes - 5º Período

GLoSSáRio

Pragmatismo: Segundo Mauro Junji Araki (2003), pragmatismo é “caracterizado princi- palmente por defender que a verdade deve ter como critério sua efi- cácia ou utilidade. Um conhecimento é verda- deiro não só quando explica alguma coisa ou um fato, mas, sobretudo quando permite retirar conseqüências práticas

e aplicáveis. William Ja- mes (1842-1910) foi um dos principais represen- tantes dessa corrente filosófica, e em uma sé- rie de oito conferências proferidas entre 1906 e 1907 ele caracteriza o que é o pragmatismo e algumas aplicações dessa teoria. O termo deriva da mesma pala- vra grega prágma, que significa ação, do qual vêm as nossas palavras “prática” e “prático”. Em filosofia foi introduzida pela primeira vez por Charles Peirce, em 1878.” Disponível em <http://

www.ufscar.br/~bdsep-

si/175a>. Acesso em 20 jul. 2015.

DiCA

O Funcionalismo foi uma

consequência lógica da propagação do darwi-

nismo e sua doutrina de “sobrevivência do mais forte.” Psychological fun- cionalismo sublinhou a importância de técnicas como a inteligência testes, controladas e ex- perimentos para medir

a capacidade de animais para aprender e resolver problemas (Galton expe- riências). Disponível em <http://psicopsi.com/pt/

funcionais-de-william-

james/>. Acesso em 20 jul. 2015.

Figura 6: K. Girgensohn

Fonte Disponível em <https://www.google.

com.br/?gws_rd=ssl#-

q=imagem+de+K.+Gir-

gensohn&spell=1>. Acesso em 07 mai. 2015.

tica em particular. William James é um dos pioneiros a tratar do assunto da religiosidade na pers- pectiva psicológica. Segundo Valle (1998), a psicologia, para James, tem três pontos de força principais: o prag- matismo, a atenção dada à emoção individual e a variedade das formas as quais aparecem o (os) comportamento(s) religioso(s). Edênio Valle (1998) escreve ainda que James era consciente de que a religiosidade não é sempre algo sadio e construtivo em termos de concretude pragmática. Para James (1902), exis- tem anomalias neurofisiológicas e patologias psíquicas que se evidenciam com facilidade em ambientes e em personalidades religiosas. James faz a distinção descrevendo dois tipos de reli- giosidades: a doentia e a saudável. Do ponto de vista do pesquisador Edênio Valle, a religião é um fenômeno humano universal de valor psicológico e cultural positivo. Ainda conforme o autor, o segundo ponto de força prin- cipal na Psicologia da Religião de James é a emoção Individual como base para a religiosidade. Edênio Valle (1998) esclarece que James usou materiais de pesquisas para estudar minu- ciosamente casos e depoimentos de pessoas anônimas e de “santos” conhecidos, para chegar à conclusão de que são emoções poderosas que podem transformar por completo os rumores da vida de uma pessoa, o redimensionando inteiramente, de modo imprevisto e rápido, mas, muitas vezes, duradouro. O terceiro e ultimo ponto de força principal na psicologia de James, “As variedades da ex- periência religiosa”, aborda a experiência direta e imediata do religioso, só aí estaria à fonte do conhecimento psicológico da religiosidade humana. James (1902) teve grandes interesses pelos estudos das religiões, em especial o budismo, religião sem Deus. Ainda de acordo com Valle, todos os psicólogos se encontram, assim, antes um dilema: ou estudam caso por caso, sem a possibilidade de generalizar e comparar o que vai descrevendo, ou, então buscam evidenciar que na multiplicidade de formas existentes são verifi- cáveis alguns núcleos comuns e privilegiados os que permitem certo tipo de generalização. Mesmo James (1902) sendo bem definido, ou seja, conhecedor do tema em questão, ele foi cauteloso na escolha do seu objeto de pesquisa. Na época, James se empenhou a estudar os fe- nômenos do parapsíquismo, comprovando através de seus estudos fraudes de materiais escritos sobre os fenômenos parapsíquismo.

2.3 A “Essência” da Experiência

Religiosa de Karl Giergensohn:

Abordagem“Introspeccionista”

Karl Giergensonh nasceu em 1875 em Kaarma, Estônia. Depois de um breve período de estudo em Berlim, nos anos 1900 e 1901, Girgensohn concluiu seu doutorado em 1903 na Uni- versidade de Tartu, onde trabalhou como professor de Teologia Sistemática. Após a declaração de independência da Estônia, em 1918, retorna à universida- de tornando-se professor catedrático e reitor da Faculdade de Teologia de Tartu. Entre 1919 e 1922 foi professor na Universi- dade de Greifswald, em 1922, e depois na Universidade de Lei- pzig, onde morreu em 1925. Giergensonh, em seus estudos, sofreu influências teóricas de vários outros pensadores, entre eles William James, e, assim como eles, enfatizou o lado místico-subjetivo da experiência. Karl Giergensonh foi um crítico de sua época, ele acreditava

ser necessária a distinção entre moral, metafísica e religião. De acordo com Valle (1998), essas três dimensões estabelecem a relação do homem com o absoluto, mas com finalidades dis- tintas e complementares. Karl Giergensohn, durante um período compreendido en- tre os anos de 1910 a 1920, fez observações sobre a teoria hi-

Karl Giergensohn, durante um período compreendido en- tre os anos de 1910 a 1920, fez observações

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

potética postulada por Friedrich Daniel Ernst Schleiermacher. Segundo Valle (1998), Karl Giergen- sohn via nessa teoria a “essência” da experiência religiosa no sentido de absoluta dependência que o ser humano tem do absoluto. Na Alemanha, Karl Giergensohn dava um conceito especial às fontes históricas e comparativas para chegar à natureza do fenômeno religioso. Com suas pesquisas durante quase dez anos sobre a essência da experiência religiosa, Karl Giergensohn usou técnicas complexas e sofisticadas de suas observações para chegar aos seus

resultados, entre uma delas a da “livre associação” (roteiro composto por textos poéticos, relatos

e orações religiosas, como, por exemplo, a oração de São Francisco de Assis, na qual os sujeitos

são apresentados e estimulados as suas livres associações). Com o resultado final de suas observações foi escrito um compêndio de 700 páginas que teve enorme interesse por parte de outros pensadores, mas também foi alvo de muitas críticas. Nas suas pesquisas, Karl Giergensohn identificou três elementos estruturais que comporiam a ex- periência religiosa:

Em primeiro lugar, existem os “sentimentos”, palavra genérica que designa diversos estados, sensações e instituições coligadas a sentimentos de bem -estar/ou de mal-estar. Conectam-se, também, a “funções do ego”.

Imagens ou representações, que Karl Giergensohn define como “reprodu- ções de sensações físicas experimentadas como evidencias tangíveis”.

Processos da vontade, ou seja, “funções do ego combinadas com a cons- ciência da liberdade e da autodeterminação direcionadas para um compor- tamento específico” (VALLE, 1998, p. 83).

Outra forma alinhada são os fenômenos que trazem a evidência de que não é provável a fé

religiosa e a tomada de costume do ego sem que haja elementos reais de referência na mente e no espírito da pessoa. Giergensonh foi um pensador de suma relevância pelas suas contribuições para a psicologia

e principalmente para os estudos da experiência religiosa.

Os “sentimentos”, uma palavra compreendida como genérica, ao qual designa vários esta- dos, sensações e intuições, conectada diretamente as funções do ego.

As “imagens ou representações”, definidas como reproduções de sensações físicas experi- mentadas como evidências que são consideradas tangíveis.

A

“vontade”, esta sendo uma junção combinadas entre as funções do ego junto à consciên-

GLoSSáRio

Parapsíquismo: É o sensitivo homem ou mulher que exerce o parapsíquismo ou fa- culdade psicofisiológica parapsíquica de sentir, perceber ou captar a influência direta das dimensões extrafísicas e

das consciexes, inclusive das consciências intrafí- sicas projetadas do cor- po humano ou soma. Disponível em <http:// parasinapse.blogspot.

com.br/2012/10/parap-

siquismo.html>. Acesso em 20 jul. 2015.

ATiviDADE

Faça uma pesquisa na internet sobre a aborda- gem introspeccionista de Karl Girgenhn, e discuta o resultado da pesquisa com seus cole- gas no fórum desta uni- dade. Obs. Citar a fonte da pesquisa conforme normas da ABNT.

cia da liberdade, chegando assim a um comportamento específico. Dessa forma, suas observações o levaram a descobrir que o pensamento sistemático é de suma importância para a vida religiosa.

2.4 O Aspecto Intelectual da Experiência Religiosa, a Abordagem “Ideográfica” em Allport

A notória contribuição para a psicologia no campo da pesquisa se dá a partir de Gordon

Willard Allport, nascido no ano de 1897 e falecido em 1967. O autor deixou seu legado à psico- logia com a Escala de Allport, definida em seu livro A natureza do preconceito, de 1954. Nesse livro, o pesquisador deixa a fórmula para mensurar a extensão do preconceito numa determi- nada sociedade. Allport (1954) trouxe uma importante contribuição à teoria motivacional, desvendando a

sua natureza dinâmica. Para ele havia uma tendência em acreditar que a motivação seria estática

e pouco interativa. Por essa razão, ele criou a teoria da autonomia funcional da motivação, ou

seja, pode-se começar um comportamento com apenas uma motivação e, com o passar do tem- po, ainda ter o mesmo comportamento, porém, por razões diferentes das iniciais. Allport (1954)

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DiCA

Como suporte instru- cional faça leitura dos livros: A natureza do preconceito (1995) e Filo- sofia y Psicologia (1968). Não sendo possível o acesso a essas litera- turas, buscar em sites especializados artigos com esses referenciais.

Figura 7: Gordon Willard Allport

Fonte: Disponível em <ht- tps://www.google.com.

br/?gws_rd=ssl#q=ima-

gem+de+Gordon+Willar-

d+Allport>. Acesso em 07 mai. 2015.

aplicou conceitos e métodos das ciências sociais para estudos psicológicos e desenvolveu uma teoria original de personalidade, expostos em obras como Personalidade: uma interpretação psi- cológica (1937). O pesquisador Allport, segundo Valle (1998), é considerado um dos eminentes nomes da psicologia mundial do século XX, em função da sua preocupação com a visão integral da perso- nalidade e do comportamento. Ele discute principalmente o aspecto intelectual da experiência religiosa, e da personalidade e da conduta humana, incluída a religiosa. Segundo Rosa (1971), a religião além de ser experiência tipicamente individual, pessoal e íntima, constitui-se como um fator de integração da personalidade do indivíduo.

Para Allport, a religião além de ser experiência tipicamente individual, pessoal

e íntima, constitui-se como um fator de integração da personalidade do indiví-

duo. Nesse caso, assim como a personalidade só pode ser encontrada sob a for-

ma individual, muito embora seja um fenômeno universal; a religião também

se constitui como uma experiência individual, mas ao mesmo tempo universal

e por isso mesmo, a ciência precisa estudar o fenômeno religioso (OLIVEIRA, 2010, p. 24).

estudar o fenômeno religioso (OLIVEIRA, 2010, p. 24). ► Allport apresenta a personalidade como uma organização

Allport apresenta a personalidade como uma organização dinâmica de sistemas psicofísicos que determinam o comportamento e o pensamento do indivíduo, referindo assim à singularidade do sujei- to. A personalidade apresenta-se na individualidade, é claro também que o homem é um ser dialético, ou seja, constitui-se nas relações com os outros, possibi- litando, assim, a passagem do singular ao universal no interior de sua própria personalidade. Uma marca registrada de Allport foi a preocupa- ção como uma visão integral da personalidade e do comportamento. Seu nome está intimamente relacio- nado com o desenvolvimento da psicologia da perso- nalidade, que desde 1920 foi estabelecida como uma disciplina autônoma psicológica. No trabalho de Gordon Allport tem-se como des- taque a singularidade do comportamento humano in- dividual e crítica à teoria freudiana, ao behaviorismo e às teorias radicais de personalidade baseadas, em gran-

de parte, na observação do comportamento animal. Também sublinha a consistência do comportamento e da importância dos determinantes conscientes. Ainda de acordo com Valle (1998), para uma boa compreensão da teoria psicológi- ca da religião de Allport é importante conhecer seu modo de descrever a personalidade, assim como conhecer alguns dos seus conceitos centrais.

A

personalidade é uma organização dinâmica de tendências e caracterís-

ticas próprias (traits) parcialmente inconscientes, mas potencialmente di- rigidas aos processos do ego. Sua evolução ideal conduz a uma passagem nem sempre harmoniosa da desorganização à organização emocional in- telectiva e social. A criança é por definição “desorganizada”, egocêntrica, imediatista, inconsciente de seus impulsos, necessidades e motivações de base e, paralelamente, do mundo e das pessoas que a cercam. Isto já não acontece com o adulto que evolui no sentido de suas potencialidades biopsicossociais;

Allport está interessado, antes de qualquer coisa, em captar o que constitui “o próprio” de cada indivíduo; não o que é comum e sim o que é singular. O objetivo do estudo da personalidade não pode deter-se nas leis gerais e de-

terminações “nomotéticas”, ou seja, ao que define característica e diferencia

o

modo peculiar do ser e do agir de cada um.

O

principio da autonomia funcional das motivações é o ponto-chave da teo-

ria allportiana sobre personalidade. É a chave também para analise de sua religiosidade. Como se disse acima, a motivação, como a própria personali- dade, não é redutível a pulsões e reflexos orgânicos que tem total domínio do comportamento da criança em suas primeiras fases evolutivas (VALLE, 1998, p. 90-91).

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

Uma pessoa que superou os estágios infantis é alguém determinado, pelas capacidades do ego mais que por forças inconscientes, às quais não tem acesso algum. Ainda de acordo com Val- le (1998), o indivíduo tende a outros comportamentos habituais que o distinguem das pessoas infantilizadas. Nos documentos de pesquisa de Allport, três notas são identificadas:

Auto-aceitação que implica a tolerância à função, o bom humor e a segu- rança emocional;

Percepção não-fantasiosa das tarefas do cotidiano;

Last but not least, formação paulatina de uma filosofia unificadora de vida (VALLE, 1998, p. 93).

Segundo Ávila (2007) a religiosidade adulta não é precisamente a mais estudada, em função de ser uma fase estável e sem muitas mudanças importantes na personalidade. Ademais, não existe âmbito algum da personalidade religiosa, razão pela qual é precisamente aqui que deve- mos contar com as maiores diferenças (VALLE, 1998, p. 93). Ainda de acordo com Ávila (2007), a partir das pesquisas de Erikson, formulou sua concep- ção da evolução da pessoa, segundo a qual existem três momentos no desenvolvimento adulto:

um no começo da etapa, outro no meio e o terceiro no final da vida, que denomina, respectiva- mente, de intimidade, generatividade e integridade. Em sua trajetória de pesquisas, Allport analisa o problema da religiosidade subjetiva em fun- ção de quatro elementos constitutivos que, de acordo com Valle (1998):

ATiviDADE

Formem grupos compostos por cincos membros, em seguida façam uma pesqui- sa minuciosa sobre “religião” intrínseca e extrínseca, e em segui- da exponha a pesquisa formatada em texto “doc.” especificamente no fórum de discussão desta unidade. Obs. Não deixe de mencionar as fontes e as suas próprias conclusões, tendo como análise o conteúdo até aqui estudado.

Devem-se levar em conta, as necessidades físicas de base primeiramente “corpóreas”. Needs decorrentes da fome, de calor, proteção, bem como o medo e outras emoções primitivas extras corticais, podem ressurgi em si- tuações que tornam vulnerável nosso organismo como um todo, provocan- do mal-estar interior stress.

Outro aspecto a considerar é o dos “componentes temperamentais”. Como lembrava W. James há indivíduos cujo tônus psicológico é de sofrimento e melancolia, enquanto outros se mostram permanentemente inclinados a ver o lado positivo, a ter segurança e esperar, mesmo em momentos adver- sos e ameaçadores.

Um terceiro componente a ponderar é o chamado por Allport de “valores psícógenos”. Com essa palavra ele quer dizer que as motivações corpóreas (“viscerogenéticas”) e temperamentais não bastam para uma justa com- preensão da religiosidade. Fornecem, sim, satisfações orgânicas importan- tes e podem, ao ser reprimido ou negligenciado, provocar uma série de dis- torções que afetarão infalivelmente os valores psicogênicos.

Mas existe um quarto componente, o “noético”. Substancialmente ele con- siste na busca de significado. Os três fatores antes mencionados compõem o que se poderia chamar de dimensão “emocional”; este último, cognitivo. Não obstante essa distinção, Allport vê a vida psicorreligioso(a) como um tecido composto com fios de sentimento e de razão, de conhecimento e de afeto (VALLE, 1998, p. 95).

Allport conclui que o sentimento religioso em si mesmo já traz um singular valor explicati- vo que para o individuo é mais pregnante e válido que complexos sistemas de conhecimento e crença de cunho racional.

2.5 Abordagem de André Godin

Para Godin, psicólogo de origem belga que se dedicou aos estudos da temática de expe- riência religiosa, dois conceitos são essenciais para entender a experiência religiosa: o de “ilusão” e o de “desejo”. Um dos dois principais conceitos de Godin se refere às “ilusões”, este é comple- mentado pelo conceito de “outro”, cunhado por Lacan. A esse entendimento do termo “outro”, o pesquisador Edênio Valle (1998) pontua que o outro é a realidade pessoal diferente do sujeito que deseja experimentar, com a qual o sujeito busca um relacionamento, consciente ou não. Para Godin, o sentido de “ilusão” produz-se logo que a pulsão sexual ou a pulsão de defesa hostil alimenta-se de fantasma inconsciente não verbalizado. Para Valle (1998), o desejo nasce da separação entre a necessidade, o pedido e suas realiza- ções. No sentido psicanalítico, o desejo não se esgota no apelo ao outro nem em sua satisfação

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GLoSSáRio

Conceito: significa definição, concepção, caracterização. É a for- mulação de uma ideia por meio de palavras. O termo “conceito” tem origem no Latim “conceptus” (do verbo concipere) que significa “coisa concebida” ou “formada na mente”. Conceito pode ser uma ideia, juízo ou opinião. Ex: A discussão começou porque nós temos conceitos muito diferentes de relaciona- mento aberto (FERREI- RA, 2010).

sempre parcial. Valle lembrar ainda que um dos pontos original que Godin chegou, e foi superan- do, foi à visão freudiana da experiência religiosa, vista apenas como ilusão. Os psicólogos norte-americanos da religião sempre tiveram uma predileção pela quantifica- ção e pelos números, os pioneiros não negligenciaram a elaboração de teorias qualitativas, preo- cupavam-se apenas com questionários e tabulações. Valle (1998) explica que as técnicas estatísticas assumiram uma característica cada vez mais sofisticada com o avanço da análises de variação e da fatorial, cujos resultados eram alcançados com a ajuda dos computadores. Os americanos criaram uma psicologia especifica de natureza psicométrica, mesmo que muitos psicólogos “qualitativos” tenham ignorado.

] [

pendentes e independentes que se cruzam na religiosidade das pessoas e dos grupos, não poupam esforços para determinar meios de “individuar”, “medir”, e comparar de alguma forma, os componentes essências da religiosidade (VALLE, 1998, p.100).

os psicólogos, interessados em estabelecer correlações entre variáveis de-

Daí a preocupação em estabelecer quais traços de personalidade, atitudes e outras variáveis externas ou internas poderiam estar mais fortemente correlacionadas com os comportamentos religiosos.

DiCA

A Teoria Cognitiva foi desenvolvida pelo suíço Jean Piaget (1896 – 1980). Os princípios que foram base para o trabalho de Piaget são conhecidos como o conceito da adaptação biológica, portanto não foram ideias originais. Piaget tomou esse conceito pré-existente e o aplicou sabiamente ao desenvolvimento da inteligência dos indivíduos à medida que amadurecem, da in- fância até a vida adulta, baseado em sua própria conclusão de que a ati- vidade intelectual não pode ser separada do funcionamento “total” do organismo.

Figura 8: Anatomia do cérebro.

Fonte: Disponível em

<http://www.energiacra-

neosacral.com/imagenes_

anatomia/cerebro3.jpg>.

Acesso em 20 jul. 2015.

2.6 Clássicos: Estudos Psicológicos da Experiência Religiosa

A experiência religiosa discute a ideia da linguagem e apresenta a relação da experiência do sagrado. Edênio Valle, teólogo e especialista em Psicologia da Religião, em sua obra Psicologia e Experiência Religiosa, apresenta a seguinte concepção de experiência: refere-se à apreensão direta – empírica – da realidade pelo sujeito. É um modo imediato de “saber” que antecede ao enjuizamento reflexivo do objeto apreendido. Para Ávila:

Um conhecimento intuitivo, estável e habitualmente acessível; As vivencias frequentemente afetiva, que surpreendem o individuo, o interpelam e o trans- formam momentânea ou perenemente; o conhecimento fruto de um conceito pessoal e prolongado; As iluminações místicas culminantes de um processo; As visões e revelações privadas (ÁVILA, 2007, p. 98).

Ou seja, na experiência religiosa, que é subjetiva, um indivíduo diz ter tido um encontro com uma entidade divina, ou contato com o transcendente. Ávila (2007) menciona a dificuldade

que tem a psicologia em compreender a religiosidade da humanidade, sendo difícil indicar onde começa e acaba a experiência religiosa, bem como quando ela é a vivência que motiva e susten-

ta os comportamentos e os costu-

mes religiosos, assim como quan-

do não há mais que ações vazias e não a experiência religiosa. Algumas tradições religio- sas veem a experiência religiosa como um encontro direto com

o transcendente ou com outras

realidades “sobrenaturais”. Contu- do, a ótica científica comumente afirma que a experiência religiosa é fruto da imaginação, o que logo se reproduz como uma atividade normal por parte do cérebro hu- mano que evoluiu em algum mo- mento durante o curso da evolu- ção humana.

atividade normal por parte do cérebro hu- mano que evoluiu em algum mo- mento durante o

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

No que se refere ao cérebro humano e sua relação com a religião, a neurociência tem desenvolvido estudos na tentativa de relacio- nar explosões químicas cerebrais a estímulos religiosos, como rituais, orações e outros. Para isso, o cérebro possui partes que respondem a tais estímulos. Na figura 9, que ilustra a anatomia do cé- rebro, podemos observar as partes do cérebro que são relacionadas à experiência. Dessa for- ma, temos o sistema límbico, responsável pela memória e emoção. Ele é uma parte importan- te para experiências religiosa. Quando o siste- ma límbico estimula eletricamente, ele causa sentimentos de transcendentalismo. Pacientes epilépticos em que a convulsão se origina no sistema límbico dizem ter profundas experiências de revelação espiritual.

dizem ter profundas experiências de revelação espiritual. • Lobo parietal: Diminuição de neuro-sinapses levando a

Lobo parietal: Diminuição de neuro-sinapses levando a sensação de união com o universo.

Lobo frontal: Concentração ampliada (meditação) bloqueia outros impulsos neurais.

Lobo temporal: Ativa intensa emoção, como prazer e medo.

Lobo occipital: Processa imagens que facilitam práticas espirituais (velas, cruzes)”. (Dispo- nível em <https://pt.m.wikibooks.org/wiki/Experi%C3%AAncia_religiosa/Ponto_de_vista_ cient%C3%ADfico>. Acesso em 10 jul. 2015.

BOX 3

Base genética para as experiências religiosas:

A hipótese do gene divino propõe que alguns seres humanos carregam um gene que lhes dão a predisposição para episódios interpretados por algumas pessoas como revelação religiosa. A ideia foi postulada e promovida pelo geneticista Dr. Dean Hamer, diretor da unida- de de estrutura e regulação do gene, no instituto nacional do câncer dos Estados Unidos. Ha- mer escreveu um livro sobre o assunto intitulado: O gene divino: como a fé é pré-programada dentro dos nossos genes. De acordo com a hipótese, o gene divino (VMAT2) não é “codificado” para a crença em Deus, mas é arranjado fisiologicamente para produzir sensações associadas, por alguns, com a presença de Deus ou outras experiências místicas ou mais especificamen- te, espiritualidade como um estado da mente. Que vantagens evolutivas isso pode levar e de que esses efeitos vantajosos são efeitos colaterais são questões que ainda estão para serem totalmente exploradas. Dr. Hames teorizou que a transcendência faz as pessoas ficarem mais otimistas, o que levam elas a ficarem mais saudáveis e com mais probabilidade de terem mui- tos filhos.

Fonte: Disponível em <https://pt.m.wikibooks.org/wiki/Experi%C3%AAncia_religiosa/Ponto_de_vista_ cient%C3%ADfico>. Acesso em 10 jul.2015.

Figura 9: Capa do livro de Antônio Ávila Para conhecer a Psicologia da Religião

Fonte: Disponível em

<http://www.webradio-

brasilindigena.wordpress. com>. Acesso em 23 abr.

2015.

DiCA

Leia o livro Psicologia da Religião, de Antonio Ávila, para aprofundar os estudos. Nele o autor distribui o livro em 19 capítulos, sendo que

na segunda parte, no capitulo seis, o autor faz uma minuciosa pesqui- sa sobre a experiência religiosa, dando como destaque a religiosida- de psicológica. Livro Disponível em <https:// books.google.com.

br/books?id=3Vba-

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c=frontcover&dq=pa-

ra+conhecer+a+psi-

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2.7 Instituições de Ensino da Psicologia e seus Estudos sobre a Religiosidade no Brasil

De acordo com os estudos de Barros (2012), no Brasil existem várias instituições de ensino superior que desenvolvem pesquisas na área da psicoterapia-religiosidade, uma dessas institui- ções é a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), que tem o Laboratório sobre saúde, es- piritualidade e religiosidade.

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Há também a Universidade de Brasília (UNB), com o seu Núcleo de Estudos da Religião (NER); entre outras. Ainda de acordo com Barros (2012), temos também a ANPEPP Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia, que desde que foi fundada tem realiza- dos seminários, sempre articulando a psicologia com a religião, com a participação de autores e pesquisadores que escrevem e realizam pesquisas sobre a temática da psicologia e religião. Inclusive, o I Seminário foi realizado em 1997, com o tema “Psicologia e Senso Religioso” que pretendia promover uma discussão sobre as relações entre psicologia, senso religioso e ex- periência religiosa. Vejamos que, de acordo com Barros (2012), estudos sobre a experiência religiosa na visão da psicologia vêm sendo objeto de pesquisas em vários campos da ciência. Um desses pesqui- sadores, Paiva, fez um mapeamento da literatura internacional sobre estudos psicológicos en- volvendo religião e encontrou 2827 pesquisas sobre o tema. As maiores partes das pesquisas em Psicologia da Religião está reunida em materiais internacionais, sendo ainda escasso o nú- mero de pesquisa nessa área no Brasil. Em 1998, na Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Gra- duação em Psicologia (ANPEPP), foi criado o Grupo de Trabalho Psicologia e Religião, que tinha como objetivo ampliar pesquisas de natureza teórica e concreta, cujo objeto era a experiência religiosa. Nesse sentido, o principal objetivo era criar um espaço para o tema, nos programas de pós- graduação dos participantes do Grupo de Trabalho, por meio de projetos integrados de pesqui- sa e cuidar da publicação, preferencialmente conjunta, dos estudos realizados. Ainda de acordo com Barros (2012), entre os temas pesquisados em muitos artigos que abordam a religiosidade, espiritualidade e psicologia podem ser achados superação de trau- mas, qualidade de vida, visão de mundo, doação de sentido à existência, aderência à psicotera- pia. Para Ávila:

A religiosidade de muitas pessoas, não foi um objeto de estudo fácil para a psi-

cologia. Em primeiro lugar, porque é de difícil precisão e observação, a ponto de

ser difícil indicar onde termina propriamente a experiência religiosa, identificar quando ela é a vivencia que motiva e sustenta os comportamentos e as atitudes religiosas, e quando não há mais que atos vazios de experiência. Em segundo lugar, porque supõe a presença de uma realidade última, que excede os limites da psicologia e em alguns casos é confundida com projeções subjetivas, desejos, fantasias ou delírios. Esse último motivo é o que leva autores como W. James ou A.T. Boisen a afirmar que não é a natureza da experiência que define como religiosa, mas seus resultados. O fato é que, embora em algumas experiências religiosas, especialmente nas mais agudas, exista, como nas experiências pato- lógicas, uma desarmonia pessoal, entre ambas há uma grande diferença: seu re- sultado. O que distingue a experiência religiosa de uma experiência patológica

é que a experiência religiosa traz uma solução do que, de outra forma, seria uma derrota devastadora (ÁVILA, 2007, p.99).

Sendo assim, podemos observar, conforme as informações acima, que mesmo diante de um grande número de estudos e pesquisas relacionando psicologia, religiosidade e espiritualidade, são muitas as dificuldades encontradas pelos psicólogos no desenvolvimento de trabalhos rela- cionados ao “fenômeno religioso” e à experiência religiosa.

BOX 4

Conhecimento discursivo, conhecimento imediato e experiência

A palavra “experiência” denota sempre a apreensão imediata do objeto de experiên- cia. Nada se diz da modalidade dessa apreensão, que pode ser primariamente cognitiva ou afetiva. Tampouco se afirma que a apreensão imediata exclui qualquer mediação, de na- tureza social, cognitiva, ou afetiva. Ao contrário, o processo de percepção ou de cognição, sabe-se há muito, realizam-se com a mediação de vários elementos de ordem física e psi- cológica, como a luminosidade, a disposição física dos estímulos, os estados do perceber e outros (HEIDER, 1970). O que a experiência exclui é a mediação de um segundo objeto de apreensão. Nesse sentido, a experiência religiosa se entende como a apreensão do Infinito (Schleiennacher), do Divino (James), do Sagrado (Otto), de Deus, e não de um objeto inter- mediário. Não se exclui, com isso, a mediação processual da atestação, do símile, da ana- logia, da metáfora (Paiva, 1999), mas exclui-se o conhecimento discursivo, tipificado pelo raciocínio, que percorre vários objetos antes de apreender o objeto próprio. Também do

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

ponto de vista afetivo pode-se reconhecer certo discurso ou percurso, igualmente excluído pela experiência. Amar alguém porque “amigo de meu amigo” ou “inimigo de meu inimigo” não é amor de experiência, mas de cálculo e de dedução.

Fonte: PAIVA, Geraldo. José de. Estudos psicológicos da experiência religiosa. Temas em Psicologia. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/tp/v6n2/v6n2a08.pdf>. Acesso em 30 abr. 2015.

Em nossa próxima unidade, leremos experiências religiosas relacionadas ao êxtase, ao tran- se e à possessão. Leremos também reflexões sobre o fundamentalismo religioso.

Referências

ALLPORT, G. The nature of prejudice. Cambridge. Addison-Wesley, 1954.

ÁVILA, Antônio. Para conhecer a psicologia da religião. São Paulo: Edições Loyola, 2007.

FERREIRA, A. B. H. Dicionário Aurélio da língua Portuguesa. São Paulo: Edições Positivo, 2010.

JAMES, W. Tire varielies a/Religião Experience: A Study in Human Nature. New York: The Mo- dem Libnuy (edição original de 1902).

NEVES, João César. As duas faces da Convicção. Disponível em <http://www.dn.pt/inicio/inte- rior.aspx?content_id=986073>. Acesso em 07 mai. 2015.

OLIVEIRA, Hélio Alves de. o vazio e a vontade de sentido: uma análise da religiosidade pós- moderna. Minas Gerais, 2010. Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião.

PAIVA. G. J. Algumas relações entre Psicologia e Religião. Psicologia-USP, 1, 1989.

PAIVA, Geraldo. José de. Estudos psicológicos da experiência religiosa. Temas em Psicologia. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/tp/v6n2/v6n2a08.pdf>. Acesso em 30 abr. 2015.

PEREIRA, Martins Daniela. Experiência religiosa da fé e desenvolvimento humano. Disponível em <http://www.mackenzie.br/fileadmin/Chancelaria/GT2/Daniela_Martins_Pereira_-_PAINEL. pdf>. Acesso em 07 jul. 2014.

PERES, J. F. P.; SIMÃO, M. J. P.; NASEIO, A. G. Espiritualidade, religiosidade e psicoterapia. Revista de Psiquiatria Clínica, v.34 suppl.1, São Paulo, 2007.

VALLE, Edênio. Psicologia e experiência religiosa. São Paulo: Edições Loyola, 1998.

VERGOTE, A. (Org.) Entre necessidade e desejo: diálogos da psicologia com a religião. São Pau- lo: Edições Loyola, 2001.

ROSA, Merval. Psicologia da religião. Rio de Janeiro: Juerp. 1971.

Sites

A experiência religiosa e o mundo dos valores. Disponível em <http://afilosofia.no.sapo.pt/ 10valRelig.htm>. Acesso em 10 jul. 2015.

BARROS, Andrade Rosana. A religiosidade e prática clínica psicológica. A condição humana:

olhares da espiritualidade, educação, saúde e tecnologia. Disponível em <http://m40s.com/hu- manizacao/IEventoEE/2/Autor.html>. Acesso em 07 mai. 2015.

UAB/Unimontes - 5º Período

Espiritualidade, religiosidade e psicoterapia. Disponível em <http://www.hcnet.usp.br/ipq/ revista/vol34/s1/136.html>. Acesso em 07 mai. 2015.

Experiência religiosa/Ponto de vista científico. Disponível em <https://pt.m.wikibooks.org/ wiki/Experi%C3%AAncia_religiosa/Ponto_de_vista_cient%C3%ADfico>. Acesso em 10 jul. 2015.

UniDADE 3

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

Experiências Religiosas: Vertente Cultural e Psicológica

3.1 Introdução

Harlen Cardoso Divino

Caros (as) alunos (as), na presente unidade estudaremos as experiências relacionadas ao êx-

tase, ao transe e à possessão. Veremos também reflexões introdutórias sobre os seguintes temas:

fundamentalismo religioso, culpa e maturidade religiosa.

A respeito do êxtase, do transe e da possessão, vale destacar que eles são comportamentos

religiosos que podem ser estudados à luz da Psicologia e da Psicologia da Religião, uma vez que, conforme mencionamos no início do nosso Caderno, a Psicologia da Religião é:

o estudo do comportamento religioso pela aplicação dos métodos e teorias

dessa ciência a este fenômeno, quer pelo aspecto social, quer pelo aspecto indi- vidual. Nesse sentido, seu objeto não se refere à prova da existência ou inexis- tência de um ser ou de seres supramundanos nos quais se crê, nem se trata da defesa ou crítica de alguma religião ou expressão religiosa específica; antes, é o estudo científico, descritivo e objetivo, do fenômeno religioso no que se refere ao comportamento humano – por excelência, o objeto e trabalho da Psicologia (RODRIGUES E GOMES, 2013, p.333).

] [

É importante enfatizar também que, quando a Psicologia da Religião tem como o objeto

de estudo os comportamentos relacionados ao êxtase, ao transe e à possessão, ela não procu- ra fornecer direcionamento espiritual ou acompanhamentos com fins terapêuticos para os que passam por essas experiências. O objetivo da Psicologia da Religião é “observar, descrever, com- preender, controlar e, se possível, predizer o comportamento religioso humano por meio dos métodos desenvolvidos pelas diferentes abordagens da Psicologia enquanto ciência” (RODRI- GUES E GOMES, 2013, p.333). Sendo assim, a Psicologia da Religião visa obter conhecimentos precisos das estruturas das experiências religiosas relacionadas ao êxtase, ao transe e à possessão. Vale destacar ainda que as experiências religiosas relacionadas ao êxtase, ao transe e a pos- sessão podem ou não ser vistas pela Psicologia como processos psíquicos anormais. De acordo com o psiquiatra e professor de psicopatologia da Unicamp Paulo Dalgalarrondo, esses fenôme- nos religiosos não devem ser interpretados essencialmente como psicopatológicos, uma vez que também “são estados culturalmente constituídos e sancionados com diferentes repercussões

(psicopatologias ou não) sobre os indivíduos” (DALGALARRONDO, 2008, p.173). Desse modo, de agora em diante estudaremos um pouco sobre êxtase, transe e possessão sabendo que não podemos considerá-los como anomalias que precisam ser tratadas pela Psico- logia, mas que são fenômenos religiosos manifestados pelo comportamento humano e que por isso podem ser estudados por várias ciências, entre elas pela Psicologia da Religião.

BOX 5

Posições teóricas da psicopatologia

A psicopatologia é o estudo dos processos psíquicos anormais. A psicopatologia des- critiva preocupa-se em descrever as experiências subjetivas e também o comportamen- to resultante durante a doença mental. Ela não arrisca explicações para tais experiências ou comportamentos, nem comenta sobre a etiologia ou o processo de desenvolvimento.

UAB/Unimontes - 5º Período

A psicopatologia analítica ou dinâmica, no entanto, mais provavelmente tentaria explicar o delírio em termos de conflitos precoces reprimidos no inconsciente e que somente agora são capazes de ganhar expressão na forma psicótica, talvez com base na projeção. O conteúdo do delírio seria considerado uma chave importante para a natureza do conflito subjacente que tem suas raízes no desenvolvimento precoce. A psicopatologia descritiva não tenta dizer por que um delírio está presente: ela somente observa, descreve e classifica. A psicopatologia di- nâmica ajuda a descrever como o delírio ocorreu e por que se trata deste delírio em particular, com base nas evidências da experiência no início da vida desta pessoa.

Fonte: Disponível em <http://www.psiquiatriageral.com.br/psicopatologia/psico_descritiva.htm>. Acesso em 05 mai. 2015.

3.2 Transe, Êxtase e Possessão

Transe, êxtase e possessão são experiências religiosas vistas como desconcertantes, uma vez que são fenômenos, como nos coloca Terrin (1998) “on the boundary, entre realidade e fantasia, entre psique e parapsicologia, entre mundo daqui e mundo do além, entre subjetividade ima- nente e transcendentalidade espiritual”. O mal-estar se instala porque não é possível se aproxi- mar o bastante da mente daqueles que afirmam experimentarem tais realidades, o que impede abordagens precisas sobre as mesmas. Independentemente de acreditarmos ou não, caro aluno, em um universo povoado de deu- ses e demônios, bem como que existem entre nós pessoas que experimentam tal universo, tor- nemos nossa tarefa de abordar as experiências acima mais fáceis, encarando-as como estados alterados da consciência (EAC), ou seja, estados de consciência diversos dos estados de consciên- cia normal (vigília). Nesse ponto, quero lhe chamar a atenção para o que em algumas teorias são considerados como Estado Alterado de Consciência. Os estudiosos norte-americanos pontuam:

Estado alterado de consciência para um dado indivíduo é aquele em que este sente claramente uma mudança “qualitativa” em seu padrão de funcionamento mental, ou seja, ele sente não apenas uma mudança quantitativa (mais ou me- nos alerta, maior ou menor imaginação visual, vividez ou opacidade etc.), mas também que alguma qualidade ou qualidades de seus processos mentais estão “diferentes” (TART, 1990, p.1).

Partimos do pressuposto de que pessoas que as experimentam não possuem uma patolo- gia psiquiátrica, mas são influenciadas por elementos socioculturais. O ambiente religioso brasi- leiro, pode-se dizer, é favorável a essas experiências, especialmente o transe e a possessão. É um ambiente místico e de conflitos acirrados em função da desigualdade social e econômica, o que favorece a busca por religiões em que os estados alterados da consciência ocupam largo espaço.

3.2.1 Êxtase

Segundo Terrin (1998, p.119), o êxtase é um estado alterado da consciência dotado de con- teúdo religioso, usualmente ocorre acompanhado de visões. Para Terrin (1998, p.119), implica imobilidade, silêncio, solidão e privações sensoriais. O êxtase representa, imageticamente, a relação entre sagrado e profano, destacando ele- mentos simbólicos de representação do divino e do humano. Os êxtases atribuídos a Teresa D‘Ávila explicam tal relação à medida que essa grande mística católica – da ordem das carmelitas – em seus relatos explicitava elementos de uma mística feminina.

A mística teresiana, e não apenas ela, está estreitamente vinculada à paixão e

ao desejo de Deus, e nesse sentido há uma estreita relação entre a mística e a erótica. O ser humano pode ser visto como ser desejante, em tensão constante em direção a Deus. Há envolvimento e sentimento que atinge todo o ser, corpo e alma. E isso porque Deus mesmo é também um Deus “desejoso” – Teresa utiliza

o vocábulo “ganoso” (de “ganas”) – em relação à pessoa humana, embora mis-

teriosamente respeitoso da resposta humana. Deus espera o ser humano, mas

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

em tensão, desejo de uma resposta positiva; ele se envolve com o ser humano, é o Deus Trindade. Na expressão de São João da Cruz, ele é o “cervo vulnerado”. Portanto, não se trata do Deus sem paixão da teologia abstrata. Neste sentido, o amor de Deus é também Eros (LÚCIA PEDROSA, entrevista concedida ao site da Revista IHU em 08 de Janeiro de 2012).

O êxtase atribuído a Santa Tereza D'avila é o que se pode chamar de êxtase místico, ou seja, estado alterado da consciência, em que o místico se encontra alheio ao mundo terrestre de for- ma tal que há supressão da sensibilidade cotidiana e ausência de pensamento consciente. Veja- mos dois poemas da mística para nos aproximarmos das suas visões:

BOX 6

GLoSSáRio

Êxtase: Em sua descri- ção, Teresa fala de uma separação que ocorre entre alma e corpo. Dessa forma, ela enfati- za que a dor sentida é, antes de tudo, uma dor espiritual, embora dessa dor participe também o corpo.

GLoSA

Já toda me dei, e, assim,

de tal sorte me hei mudado, que o Amado é para mim

e eu sou para o meu Amado.

Quando o doce Caçador me atirou, fiquei rendida,

por entre os braços do amor minha alma quedou caída,

e cobrando nova vida

de tal maneira hei mudado que o Amado é para mim

e eu sou para o meu Amado.

Com uma flecha que me deita, enarvorada de amor,

a minha alma quedou feita

una com seu Criador; já eu não quero outro amor,

a meu Deus me hei entregado, que o Amado é para mim

e eu sou para o meu Amado.

VERSOS NASCIDOS DO FOGO DO AMOR DE DEUS QUE TINHA EM SI

Não vive em mim meu viver,

e em tão alta vida espero

que morro de não morrer

Fonte: Disponível em <http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/espanha/santa_tereza_de_jesus.html#P>. Acesso em 08 mai. 2015.

Acesso em 08 mai. 2015. ◄ Figura 10: O êxtase de Santa Teresa D’Ávila, Santa

Figura 10: O êxtase de Santa Teresa D’Ávila, Santa Teresa de Jesus.

Fonte: Disponível em

<https://laravazz.wor-

dpress.com/2012/10/15/

ais-do-desterro/ekstaz_sv-

yatoy_terezy_perga-

ment_iz_filma_angely_i_

demony_1920x1200/>.

Acesso em 06 mai

2015.

35

UAB/Unimontes - 5º Período

Além do êxtase místico, há também o xamanico, que se caracteriza fortemente pela dis- junção entre a pessoa e aquilo que ela entende como sendo o seu mundo habitual (seu corpo, sua família, suas relações sociais), e o estético, provocado pelo som, cores, cheiros e imagens em ambientes religiosos durante rituais. Enfim, o êxtase vem a ser um ato de arrebatamento íntimo, ou seja, torna-se um encanto, concernente ao universo dos fenômenos sobrenaturais. O êxtase implica certa imobilidade, silên- cio, solidão.

DiCA

Veja a obra eliadiana “O xamanismo”.

DiCA

Complemente vosso entendimento acerca do estado de transe,

assistindo ao filme “Em Transe” (Trance 2013). Um alucinante suspense com direção de DANNY BOYLE, na trama de assalto, um quadro de Goya (“Bruxas no Ar”) é roubado, só que Simon (James McAvoy) sofre amnésia e não lembra onde o escon- deu. Disponível em <youtubehttps://www.

youtube.com/watch?-

v=Qa50WT5gQTI>

Vale a pena ler as obras

“O livro da vida” e “Ca- minho de Perfeição” de Tereza D'ávila.

Figura 11: “Bruxas no Ar” (1797-1798), de Goya. Quadro da trama em transe.

Fonte: Disponível em

<http://cinegnose.blogs-

pot.com.br/2014/12/nossa-

consciencia-e-uma-ilusao-

no-filme.html>. Acesso em 08 mai. 2015.

3.2.2 Transe

Vale a pena dizer que há entre os estudiosos uma dificuldade em separar ou mesmo distinguir transe e êxtase. Mircea Eliade, por exemplo, tende a identificar os dois termos. A questão que se coloca sobre isso é: pode-se dizer que a experiência religiosa da forma como narrada por Santa Tereza D'avila possui as mesmas características dos transes coletivos das religiões afro-brasileiras ou mesmo do neopentecostalismo? Isto é, a percepção do homem em relação ao sagrado é a mesma? Tais questões nos levam a outras mais profundas: o sa- grado é o mesmo? Sugere-nos Terrin (1998, p.120-121) que tais questões não se enquadram em perspectivas fenomenológicas e antropológica. Segundo essas, e isso interessa à Ciência da Religião, é que não se pode “ater somente às atitudes externas e a Gestalt total do fenômeno estático”. Isso, em função das questões colocadas acima pertencerem ao âmbito de uma “teologia do misticismo”. Interessa-nos primeiro reconhecer os fenômenos e depois diferenciá-los. Enfim, o transe é a possibilidade de mostrar algo de mais profundo, inclusive em situação de dor experimentado por um indivíduo em seu mundo interior. Inclusive não requer necessa- riamente uma mensagem específica ou mesmo religiosa. De toda maneira, diferentemente do êxtase, no transe há movimento, crise da personalidade, estímulos sensoriais induzidos ou não por drogas, música, dança, etc. No que se refere à crise de personalidade, no transe há uma perda de identidade que não está diretamente relacionada ao surgimento de identidades alternativas ou até mesmo ações praticadas. Após o transe, a amnésia se instala havendo supressão da existência de imagens ou visões. Torna-se interessante saber que na maioria dos casos a situação de transe é aceita pela cul- tura do indivíduo como algo pragmático dentro dos padrões culturais ou religiosos a qual ele faça parte. É frequente principalmente nas religiões cujos padrões culturais o associa a ritos ou práticas religiosas. Porém, cabe aqui ressaltar que, embora alguns indivíduos passem por situações de transe ou possessão consideradas normais, ainda as- sim estes podem a vir desenvolver alguns sin- tomas que lhes possam causar sofrimentos. É necessário dizer que é cada vez mais co- mum nos movimentos religiosos na atualidade a presença do transe, inclusive como elemento que sobressai de forma tal que atrai adeptos. O transe tem ocorrido acompanhado de cantos, gestos, músicas, explanações inflamadas, per- formance corporal, entre outros aspectos, ou seja, está circundado de elementos externos.

aspectos, ou seja, está circundado de elementos externos. 3.2.3 Possessão Pode-se dizer que a possessão é

3.2.3 Possessão

Pode-se dizer que a possessão é um ele- mento específico de certos tipos de transe. Significa sempre uma relação instaurada entre aquele que entra em transe e um agente ex- terno ao seu corpo que se acredita poder ser espíritos ou divindades.

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

Nesse sentido, os agentes de posses- são, de forma geral, são de natureza espi- ritual. Para a Umbanda, aquele que sofre a ação de um espírito é visto como possessão, o médium é o “cavalo” que transporta o es-

pírito em direção ao seu objetivo, para con- tatar-se com o ser humano.

A possessão, historicamente tem assus-

tado em função de ocorrer em muitos des- ses estados alterados de consciência, desde automutilações até suicídios ou atentado contra a própria vida. No entanto, em várias religiões, eles são necessários, como forma de aproximar homens e o sobrenatural, sendo prerrogativa apenas de iniciados, ou seja, para a possessão deve-se ad- quirir conhecimento o bastante no propósito

de exercer sobre ela um mínimo de segurança. Segurança essa pautada na confiança que instala, acredita-se, entre homem e sagrado. Como estado alterado da consciência, a possessão pode ser voluntária ou patológica. No entanto, tem se tornado algo comum e encontrado em variadas culturas. Como dito, a possessão, embora tendo também variações bem amplas, é um elemento es- pecífico do transe ou de certos tipos de transe. É possível perceber que, na possessão, existe o aparecimento de uma ou diversas entidades alternativas distintas, com comportamentos, recor- dações e atitudes tipicamente características de tal estado.

e atitudes tipicamente características de tal estado. 3.3 Psicologia e Religião: Fundamentalismo Religioso

3.3 Psicologia e Religião:

Fundamentalismo Religioso

Prezados alunos, agora que já estudamos sobre as experiências religiosas relacionadas ao transe, ao êxtase e à possessão, leremos sobre um importante temas relacionado à religião. Lere- mos alguns apontamentos sobre fundamentalismo religioso.

Fundamentalismo religioso De acordo com o professor e pesquisador Allan G. Johnson, “o fundamentalismo é um movi- mento religioso que enfatiza a verdade absoluta de aspectos essenciais – ou ‘fundamentais’ da fé, em especial os radicados em textos sagrados, como a Bíblia cristã ou o Corão” (JOHNSON, 1997,

p.114). Por isso, a atitude de um fundamentalista religioso, pautando-se pela sua crença, leva-o a imaginar ser o dono absoluto de uma verdade, tendo em vista que seu estilo de vida passa a ser definido com base no grupo ao qual pertence e que têm em comum os mesmo pontos de vista fundamentalistas. Em certos momentos, o fundamentalismo religioso resulta em fundamentalis- mo político.

O fundamentalismo religioso trata-se de uma tendência em que fiéis e/ou pregadores não

aceitam, na maioria das vezes, novas interpretações relacionadas a alguns temas que possam ge- rar polêmicas. Nesse sentido, aos olhos do fundamentalista, esse procedimento é ofensivo ao seu transcendente, ou seja, ao que consideram sagrado (Deus; Alá). A respeito do fundamentalismo religioso, para o professor Luiz Felipe Pondé:

A posição diametralmente oposta ao multiculturalismo é o fundamentalismo religioso. Este é múltiplo, e o simples uso do termo uma prática analógica. Ter- mo nascido no meio protestante americano no início do século XX tomou conta da mídia e da literatura especializada, não sem controvérsias, para descrever a recusa da modernização secular. Recusa, portanto, da cosmovisão científica, da crítica histórica dos livros sagrados, da emancipação feminina, enfim, da secu- larização enquanto tal, mais especificamente no âmbito moral e político, e não necessariamente no uso dos ganhos tecnológicos (PONDÉ, 2013, p. 170-171).

Figura 12: Rito de iniciação – Candomblé Keto.

Fonte: Disponível em <ht- tps://lilamenez.wordpress. com/tag/iyawo/>. Acesso em 08 mai. 2015.

DiCA

Assista ao filme: basea- do em fatos reais “o exorcismo de Emily Rose”, para complemen- tação do entendimento acerca da possessão. Anneliese Michel (1952- 1976) foi uma jovem alemã de família cató- lica que acreditava ter sido possuída por uma legião de demônios, tendo sido submetida

a uma intensa série de sessões de exorcismo

pelos padres Ernest Alt

e

Arnold Renz, em 1975

e

1976. O Caso Klin-

genberg, como passou

a ser conhecido pelo

grande público, deu origem a vários estudos

e pesquisas, tanto de

natureza teológica quanto científica, e serviu como inspiração para o filme. Disponível

em <https://youtu.be/ RlOvXQmpHLU>.

ATiviDADE

Elabore uma síntese de no máximo 1 lauda enfatizando com exem- plos, o que representa cada fenômeno corres-

pondente às expe- riências religiosas. Em seguida envie por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA no fórum correspondente

a esta unidade para o

seu professor(a) avaliar

a

sua produção textual

e

aprendizado.

UAB/Unimontes - 5º Período

GLoSSáRio

Fundamentalismo: ori- ginalmente era a desig- nação dos protestantes norte-americanos, que queriam entender ao pé da letra cada versículo da Bíblia. O movimento fundamentalista surgiu por volta de 1875. Aos conhecimentos cientí- ficos sobre a criação do mundo contrapunha a narrativa bíblica. Hoje em dia são tidas como fundamentalistas todas as correntes religiosas que se apóiam no sen- tido literal da Escritura Sagrada, e não desen- volvem sua doutrina em consonância com o mundo moderno e as descobertas científicas. Do latim “fundamentum” = alicerce, base, funda- mento. (SCHWIKART, 2001, p. 47).

Nesse sentido, aos olhos do fundamentalista cristão, por exemplo, o cristianismo detém o

monopólio da verdade revelada. Nesse caso, Jesus seria o único caminho para a salvação. Daí po- de-se observar um caráter militante e ao mesmo tempo missionário de todo fundamentalista, uma vez que para estes os demais caminhos espirituais não são reconhecidos como certos, pois levam à perdição.

Já ao que concerne ao valor moral, o fundamentalismo é extremamente rigoroso em se tra-

tando de famílias e sexualidade, vendo com certas resistências o homossexualismo e movimen- tos feministas.

O catolicismo, por exemplo, possui também o seu tipo de fundamentalismo. Ele vem sob o

nome de “restauração” e “integrismo”. Nesse caso, procura-se restaurar a antiga ordem, fundada no casamento, tendo assim como inimigo a ser combatido a modernidade, com sua liberdade e seu processo de secularização. Características fundamentalistas se encontram também em setores importantes do pente- costalismo, do catolicismo e nas denominações evangélicas populares.

O fundamentalismo religioso, como uma atitude e tendência, encontra-se em todos os se-

tores de todas as religiões. O fundamentalismo islâmico, por exemplo, quer fazer do Alcorão a

única forma de vida, de moral, de política e de organização do Estado entre os islâmicos em todo

o mundo. Nesse sentido, todos os opositores são para os fundamentalistas islâmicos um obstá-

culo à instauração da “cidade de Deus”, vistos como infiéis merecedores de punição, perseguição

e extermínio.

Figura 13: O livre exame católico

Fonte: Disponível em

<http://heresiascato-

licas.blogspot.com.

br/2014/04/o-livre-exame-

catolico.html>. Acesso em 16 mai. 2015.

catolico.html>. Acesso em 16 mai. 2015. ► Vale destacar que todos os sistemas culturais, científicos,

Vale destacar que todos os sistemas culturais, científicos, políticos, econômicos, artísticos e religiosos que se apresentarem como portadores ou detentores de uma verdade absoluta, e com soluções únicas para todos os possíveis problemas existentes, devem ser considerados como fundamentalistas. No fundamentalismo religioso, a religião é um modo total de vida, na qual a religião assume um caráter absoluto que subordina qualquer outro tipo de significação a uma base definida: o texto sagrado. Assim, a principal característica do fundamentalismo religioso seria a supremacia do texto sagrado em relação a qualquer outra maneira de significação. No Brasil, os fundamentalismos cristãos têm como um dos alvos as expressões religiosas de matriz afro-brasileiras. Outros alvos são as manifestações que são associadas à figura do demô- nio, como o culto aos santos católicos, por parte de pregadores evangélicos fundamentalistas. Os grupos humanos também têm sido vítimas desse fundamentalismo, como, por exemplos, os homossexuais.

Culpa, culpabilidade e maturidade religiosa Veremos agora temas ligados à “moral”, que são importantes nos estudos da Psicologia. Re- ferimo-nos à culpa, à culpabilidade e à maturidade religiosa. Com frequência, encontramos os termos culpa e culpabilidade sendo utilizados como sinô- nimos. No entanto, para determinadas perspectivas da Psicologia, eles possuem sentidos dife- rentes, uma vez que a culpa seria algo mensurável, objetivo, judicial, moral e social; em contra- partida, a culpabilidade possuiria um caráter subjetivo.

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

Com relação à culpabilidade, determi- nas perspectivas da Psicologia classificam-na como sadia e doentia, madura e imatura. As- sim, não se pode afirmar que toda a culpabili- dade seja de fato sadia. De acordo com algumas perspectivas da Psicologia, na culpabilidade madura, o indiví- duo desprende-se de si e percebe a ação cul- pável em relação a tudo aquilo que o cerca. Já na culpabilidade imatura, tudo está centrado em volta do indivíduo e não diretamente no dano cometido por meio de suas ações. Por essas razões, é posto que a culpabilidade nem sempre esteja de acordo, por excesso ou por ausência, com a culpa objetiva. O que pode le- var ao entendimento de que a culpabilidade provoca sentimentos de angústia. Há, portanto, algumas manifestações da culpabilidade consideradas patológicas. Nesse sen- tido, estão diretamente correlacionadas a algumas doenças psiquiátricas, psicopatias, esquizofre- nia e vivências paranoicas. Ao tratar da patologia da culpabilidade, devemos considerá-la em seus três tipos, sendo eles: culpabilidade de tabu, narcisista e legalista. O tabu está diretamente ligado às dimensões da irracionalidade, no qual se revela uma imaturidade com abundância de irresponsabilidade. Já a culpabilidade narcisista, classificação que faz referência ao mito conhecido como “Mito de Narciso”, que fora apaixonado por sua própria imagem. Nesse caso, a culpabilidade está relacio- nada a uma intensa atenção ao ideal de ego que implica em um olhar sobre si mesmo. Por fim, a culpabilidade legalista. Ela procede a partir da dificuldade que experimenta o indivíduo na passa- gem de uma moral convencional e heterônoma para uma moral pós-convencional e autônoma. Em relação à maturidade religiosa, esta se mostra quando o indivíduo, na sua relação com o “Totalmente Outro”, busca por sentido e não apenas a satisfação dos “instintos de sobrevivência”. Desse modo, essa relação pode ter a capacidade de promover o amadurecimento do indivíduo ao lhe dar sentido. Uma vivência religiosa considerada madura é diferente de uma religiosidade classificada como infantil e imatura, uma vez que esta é pobre de sentimento, devido ao fato de possuir caráter negativo de temor, de culpa e insegurança, em que a busca pelo transcendente é motivada por favores, pois se serve da divindade de forma utilitarista. Ao invés de ser interpretada como uma doença (do tipo neurose obsessiva, por exemplo),

a religião sadia pode ser na realidade fator de grande importância no equilíbrio emocional do ser humano. “O homem necessita sentir-se estimado, de um mínimo de carinho que lhe permita reconhecer-se como digno de amor e, por conseguinte, amar-se a si mesmo” (ÁVILA, 2007, p.219). Contudo, ao pensarmos na maturidade religiosa nos seres humanos, devemos antes de tudo compreender que a maturidade religiosa implica para este na convicção da existência de um Ser Supremo e de ideias básicas sobre a vida e o universo. Em síntese, a maturidade religiosa caracteriza-se pela capacidade de permitir ao individuo

amar a si próprio e ao outro, de ter humildade, de ser criativo, de ajustar-se socialmente e, de cer-

ta forma, ser consagrado aos objetivos supremos da vida.

ta forma, ser consagrado aos objetivos supremos da vida. ◄ Figura 14: Sentimento de culpa. Fonte:

Figura 14: Sentimento de culpa.

Fonte: Disponível em <http://www.sissisemprini. com/culpa.html>. Acesso em 01 mai. 2015.

GLoSSáRio

Culpa: Sentimento de pesar por ter agido contra a consciência ou as leis da Moral. Numa palavra, contra Deus. Podemos sentir-nos culpados por termos feito o mal ou deixa- do de fazer o bem. A pessoa deve estar livre em suas decisões para poder julgar-se culpada. Deve ainda estar ciente da sua responsabilida- de ética. As religiões podem influir na cons- ciência e na moral de seus fiéis. Em diversas religiões há ritos que livram a pessoa da culpa (SCHWIKART, 2001, p.

34-35).

ATiviDADE

Elabore um resumo com base nos 3 últimos tópicos desta unidade. Aponte a idéia princi- pal de cada tópico e escreva o seu ponto de vista também. Em seguida, envie por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), no fórum correspondente a esta unidade para o seu

(AVA), no fórum correspondente a esta unidade para o seu ◄ Figura 15: Maturidade. professor (a)

Figura 15: Maturidade.

professor (a) ou tutor (a)

Fonte: Disponível em

discutir e avaliar a perti-

<http://www.prmarce-

nência do conteúdo.

logoncalves.recantodas-

letras.com.br/visualizar. php?idt=4492441>. Acesso em 17 mai. 2015.

39

UAB/Unimontes - 5º Período

Referências

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ÁVILA, Antônio. Para conhecer a psicologia da religião. São Paulo: Edições Loyola, 2007.

DALGALARRONDO, Paulo. Religião, psicopatologia e saúde mental. Porto Alegre: Artmed,

2008.

JOHNSON, Allan G. Dicionário de Sociologia: guia prático da linguagem sociológica. Tradução Rui Jungmann. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1997.

PONDÉ, Luiz Felipe. Religião e ética. In: PASSOS, João Décio; USARSKI, Frank. (org.). Compêndio de ciência da religião. São Paulo: Paulinas; Paulus, 2013.

RODRIGUES, Cátia Cilene Lima. GOMES, Antônio Máspoli de A. Teorias contemporâneas da Psi- cologia da Religião. In: PASSOS, João Décio; USARSKI, Frank. (Org.). Compêndio de ciência da religião. São Paulo: Paulinas; Paulus, 2013.

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Resumo

Unidade 1

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

Nesta unidade você conheceu o processo de constituição acadêmica da psicologia científica

e da Psicologia da Religião. Também, algumas teorias importantes nesse processo.

Unidade 2

Nesta unidade você estudou as principais teorias acerca da Psicologia da Religião e seus fundadores. Estudou pensadores e psicólogos que tiveram contribuições de relevâncias inesti- máveis para o universo da psicologia, assim como para a Ciência da Religião. Dessa forma, você estudou os portes teóricos da psicologia, abordando a experiência religiosa, viu também as teo- rias psicológicas sobre experiência religiosa, com abordagem de William James. Conheceu um pouco de Karl Giergensohn, Allport e André Godin. Por fim, leu breves apontamentos sobre algu- mas instituições de ensino de Psicologia e alguns estudos dessas instituições sobre a religiosida- de no Brasil.

Unidade 3

Nesta unidade, você fez leituras introdutórias sobre o êxtase, o transe e a possessão. Pôde observar através dessas leituras que as experiências relacionadas ao êxtase, ao transe e à pos-

sessão não são necessariamente vistas como patológicas, uma vez que várias ciências, entre elas

a psicologia, interessam-se por estudá-las, porque são fenômenos religiosos explicitados pelo comportamento humano. Nesta unidade você leu também sobre alguns temas relacionados à religião. Leu sobre o fundamentalismo religioso, sobre culpa, culpabilidade e maturidade religiosa.

Referências

Básicas

Ciências da Religião - Psicologia da Religião

ÁVILA, Antônio. Para conhecer a psicologia da religião. São Paulo: Edições Loyola, 2007.

FREUD, Sigmund. Totem e Tabu. São Paulo: Saraiva, 2003.

VALLE, Edênio. Psicologia e experiência religiosa. São Paulo: Edições Loyola, 1998.

Complementares

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BARROS, Andrade Rosana. A religiosidade e Prática Clinica Psicológica. A condição Humana:

Olhares da espiritualidade, Educação, Saúde, e Tecnologia. Disponível em <http://m40s.com/hu- manizacao/IEventoEE/2/Autor.html>. Acesso em 07 mai. 2015.

BOCK, Ana Mêrces Bahia. FURTADO, Odair. TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias. Uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 2008.

DALGALARRONDO, Paulo. Religião, psicopatologia e saúde mental. Porto Alegre: Artmed,

2008.

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Ciências da Religião - Psicologia da Religião

Atividades de Aprendizagem - AA

1) Descreva o contexto de surgimento da Psicologia Científica da Religião.

2) O que é Psicologia da Religião e qual seu objeto de estudo?

3) Das teorias apresentadas, escreva sobre aquela que mais chamou a sua atenção. Justifique.

4) Em que consiste as teorias de Freud e Jung? Descreva com suas palavras.

5) Qualquer experiência, fato, fenômeno ou objeto pode ser hierofânico, isto é, “revelador do di- vino”, para os seres humanos em busca de transcendência, seja qual for essa. A qual autor perten- ce essa citação?

a) Antonio Ávila.

b) Edênio Valle.

c) Rosa Merval.

d) James William.

6) O pragmatismo guarda em sua essência a própria designação que os antigos dão à filosofia. Ou seja, uma atividade intelectual altamente comprometida com os temas e os problemas con- cretos da humanidade. De acordo com seus conhecimentos, identifique o termo pragmatismo segundo James:

a) Corrente filosófica criada pelos deuses gregos.

b) Corrente sociológica atribuída a Karl Marx.

c) Um novo nome para os velhos modos de pensar.

d) Um novo nome dado aos pensadores filosóficos.

7) Segundo Edênio Valle, a Psicologia da Religião de James tem três pontos de força principais. A que pontos estamos nos referindo?

a) O pragmatismo, a atenção dada à emoção individual e a variedade das formas, as quais apare-

cem o (os) comportamento(s) religioso(s).

b) O pragmatismo, a atenção dada à emoção e a variedade das formas, as quais aparecem às ex-

periências religiosas relatadas por vários autores.

c) O pragmatismo, a atenção dada à emoção e a variedade das formas, as quais aparecem às ver-

dades ocultas da Psicologia da Religião.

d) O pragmatismo, a atenção dada à emoção e a variedade das formas, as quais aparecem os ri-

tuais elaborados pelos psicólogos da religião e seus colaboradores.

8) Ao que tange à Psicologia, especificamente as experiências religiosas, percebe-se que estas possuem várias formas distintas. Observe a seguinte afirmativa e responda a assertiva correta:

É propriamente uma experiência do divino, o encontro com o divino de pessoa a pessoa; é um “sentir” a presença do sagrado, um sentir-se tocado por ele no mais íntimo. No momento do tran- se, mesmo que este ocorra como é comum no âmbito do ritual, é um momento da experiência do indivíduo. Trata-se aqui de uma experiência

a) Sacra.

b) mística.

c) Samadhi

d) espiritual.

e) Uniomystica

UAB/Unimontes - 5º Período

9) O termo transe, ao ser observado na ótica espiritual, faz referência direta ao que vem a ser uma condição a que se submete o indivíduo ao estabelecer uma relação direta com o seu sagra- do. Dessa forma, ocorre

a) o transe.

b) o êxtase.

c) a possessão.

d) a Uniomystica.

e) a culpabilidade.

10) Todo fenômeno psicológico tem uma causa real. Assim sendo, a angústia não é conhecida por aquele que a padece, porque funda suas raízes em seu inconsciente. Dessa forma, a culpabili- dade possui dois tipos, sendo:

a) A sadia e doentia.

b) A madura e imatura.

c) A culpabilidade e imaturidade.

d) A psicossomática e imaturidade.

e) A sadia e doentia, madura e imatura.