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APRENDA A LER
E ENTENDER
o s MOVIMENTOS DO CORPO
Aprenda, por exemplo:
• Como se aproximar de alguém, eliminando as chances de ser evitado!
• Como ler o movimento dos ombros. (A pessoa com quem você se encontra agora está de bom humor? Irritada? Amedrontada?)
• A linguagem corporal entre parceiros sexuais. Como transmitir sentimentos e desejos sem palavras.
• Como entrar num ambiente cheio de estranhos, observar a postura do
corpo e dizer quem são as pessoas "importantes".
• Como usar a Linguagem do corpo para assumir a liderança
grupo.
• Como você pode usar essa "nova" linguagem para competir
guagem verbal.

de um

com a lin-

AGRADECIMENTOS

O autor gostaria de expressar sua gratidão às seguintes pessoas, pela ajuda
na preparação deste livro: dr. Arnold Buchheimer, Psicólogo e ProfessorTitular de Educação na City University of New York, dr. Albert E. Scheflen,
Professor-Titular de Psiquiatria no Albert Einstein College of Medicine,
Michael Wolff, Doutorando em Psicologia Social, City University of
New York, Jean Linden, Pesquisador, Interscience Information, Inc.

Este livro é dedicado a todos os passageiros do segundo vagão do
trem F do Independent Subway, linha que percorre a região Leste,
saindo da Quinta Avenida, às 5h22min da tarde.
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As máscaras que os homens usam 44 O sorriso que esconde a alma • Tire a máscara • A máscara que nunca tiramos • Quando uma pessoa é uma não-pessoa? • O masoquista e o sádico • Como deixamos a máscara cair 6. O maravilhoso mundo do toque 53 7 . Quando o espaço é invadido 32 Defendendo zonas corporais • Conselho para aqueles que buscam status • Como ser um líder • O espaço que mantemos inviolável • Do espaço e da personalidade • Sexo e relacionamento impessoal • Como você age ao sentar-se ao lado de alguém * 5. Dos animais e territórios 14 A luta simbólica • Podemos herdar uma linguagem? • "O imperativo territorial" • De quanto espaço o homem precisa? 3. Como lidamos com o espaço 21 Um espaço só seu • Uma ciência chamada proxêmia • espaço público e social • Como diferentes culturas lidam com o espaço • Como o mundo ocidental lida com o espaço 4.SUMÁRIO 1. O corpo é a mensagem 9 Uma ciência chamada cinesiologia • Um novo sinal do inconsciente • Como diferenciar as garotas • Tocar ou não tocar • Um toque de solidão 2.

outros olhares • Um olhar demorado para si mesmo • Quanto tempo dura um olhar? 10. pontos e posturas 77 Um pedido de ajuda • O que sua postura diz? • Lugares diferentes. olhares e aproximações • Ela está disponível? • Vale a pena se proteger? • Programas de "todos os tipos" • Escolha sua postura • Encontros semi-sexuais 8. Um alfabeto cfc> movimento 102 Haverá uma linguagem das pernas? • O ABC da linguagem do corpo • Rotulando os cines • Cultura e cinesiologia • Siga o líder 11.Segure minha mão • As máscaras debilitantes • Você é o que sente ser • Como romper a proteção • A festa em que era proibido falar • Participando de jogos que fazem bem à saúde 7. Linguagem do corpo: Use e Abuse 113 Vamos conversar com os animais • Símbolos em um mundo sem sons • Saúde mental por meio da linguagem do corpo • Falseando a linguagem do corpo • Juntando tudo Referências selecionadas 8 127 . Piscar e acenar * 92 O Olhar que desumaniza • Um momento para olhar • O olhar incômodo • Olhares indiscretos • Outras culturas. A Silenciosa linguagem do amor 63 Atitudes. posturas diferentes • O movimento e a mensagem • Posturas e apresentações • Lutando pela posição • Três pistas para o comportamento da família 9. Posições.

embora tanto ela como os familiares possam não estar conscientes disso.Uma ciência chamada cinesiologia Nos últimos anos. as palavras da mãe podem negar sua liderança. Hess anunciou a uma convenção recente da American College of Medicai Hypnotists (Faculdade Americana de Hipnose Médica) um 9 . Um novo sinal do inconsciente O dr. a forma como os integrantes de uma família. Um exemplo clássico é uma jovem mulher que dizia ao seu psiquiatra que adorava seu namorado enquanto balançava a cabeça de um lado para outro. ela estabelece a liderança. Edward H. pois ela pede conselhos ao marido e aos filhos. movem os braços e as pernas. A linguagem corporal também lançou nova luz à dinâmica das relações interfamiliares. revelando um lado negativo subconsciente. Por exemplo. Estudos clínicos revelaram que a linguagem do corpo pode contradizer as comunicações verbais. mas a cinesiologia ainda é tão nova como ciência que as autoridades no assunto podem ser contadas nos dedos da mão. um estudioso do assunto perceberia como essa família é constituída. Tanto o estudo científico quanto a literatura sobre essa ciência foram denominados cinesiologia. a partir da pista não-verbal dada pela mãe. A linguagem do corpo e a cinesiologia baseiam-se em padrões de comportamento da comunicação não-verbal. De fato. Mas. aõ se sentarem. para que seus familiares a sigam. uma nova e intrigante ciência foi descoberta e passou a ser aprofundada: a linguagem do corpo. a líder. pode ser bastante reveladora. Se a mãe cruza as pernas primeiro e o resto da família faz o mesmo. visto que sua ação é seguida pelos familiares.

onde a festa já havia começado. 10 . Na prática. faltou a Allen captar a mensagem não-verbal que ela lhe transmitiu! Ele a seguiu. quando há qualquer resposta inconsciente. Allen viu uma jovem morena. e ele cita o uso do novo princípio cinésico para detectar o efeito de um comercial de televisão: enquanto a propaganda está sendo mostrada a uma audiência selecionada. Enquanto Ted lhe oferecia algo para tomar. atraente atravessar a rua à sua frente e então começou a subir o quarteirão. muitas vezes interpreta mal o que vê. cerrando os dentes. e continuava a andar da mesma maneira insinuante. Certa noite. É a dilatação inconsciente da pupila quando vemos algo agradável. O homem comum. O dr. deu um sorriso irresistível e lhe disse: "Olá". Allen encheu-se de coragem e. sem conhecimento das especificidades culturais da linguagem do corpo. de todo o corpo ou parte dele. Allen tinha certeza de que se tratava de uma provocação. em outras palavras. Como diferenciar as garotas Allen era um garoto de uma pequena cidade que tinha ido visitar Ted. ao ver a foto de uma mulher nua. Quando o semáforo mudou. admirado com seu andar provocante. Mas. favorável ao comercial. Para entender essa linguagem corporal não-verbalizada. ela desapareceu. que caiu na risada. Finalmente. ele pode ter certeza de que o outro está com boas cartas. o sinal fechou. assim como seu adversário não sabe que está revelando sua própria sorte. se um jogador está procurando "adivinhar" a posição de seu adversário. seu rosto enrubesceu de vergonha. para transmitir uma mensagem emocional ao mundo externo. os especialistas em cinesiologia precisam levar em consideração diferenças culturais e ambientais. onde haveria uma festa. O filme é cuidadosamente estudado para detectar quando há dilatação da pupila. ela virou-se furiosa e. lhe disse: "Se você não me deixar em paz eu vou chamar a polícia". percebendo que a garota sabia que ele a seguia. numa cidade grande. ele contou a história ao amigo. A linguagem corporal pode incluir qualquer movimento reflexivo ou não-reflexivo de uma pessoa. a caminho do apartamento de Ted. aproximando-se da moça. Para sua surpresa. Ele se apressou para chegar ao apartamento de Ted.novo sinal cinésico recém-decoberto. isso pode ajudar num jogo de pôquer. Quando a pupila de seu adversário se dilata. os olhos dos espectadores são fotografados. Allen seguiu-a. Allen ficou chocado. O jogador pode não perceber suas habilidades de ler esse sinal. Hess descobriu que a pupila de um homem normal aumenta de tamanho duas vezes.

essa pode andar livremente. no entanto.. Allen descobriu que nos países latinos as meninas podem transmitir uma mensagem direta de interesse por alguém.— Cara. — É assim que ela reage. Ela me disse. por que será que ela é tão. a transmissão e a recepção da mensagem.. — Mas Janet gosta de você. Ela me dá a impressão de que eu não conseguiria nada com ela. Ted. ela constrói suas próprias defesas por meio de uma série de mensagens não-verbais que indicam claramente: "não se aproxime". parece que ela não queria me deixar tocar nela. em que as meninas são vigiadas e há códigos estritos de comportamento social. De fato. Numa cidade como Nova York. Você não entendeu a mensagem dela. ainda surpreso. uma jovem pode exibir sua sensualidade com segurança. — Eu nunca entenderei esta cidade —. eu não sei. se não fosse para provocar alguém. Quando a festa estava terminando. Peça a ela para ficar. cruza as pernas ao sentar-se. esqueceu-se do vexame. Ted explicou. A noite toda ela não permitiu que me aproximasse dela. disse Allen. o andar que Allen interpretou como uma provocação seria considerado natural. — Estamos próximos a moradores de origem hispânica. cruza os braços e usa outros gestos defensivos. aos poucos. — Cara. ela aprende a enviar uma mensagem dizendo: " não se aproxime/'. ela mantém uma postura rígida. você se enganou. Allen começou a circular pela festa e. Margie também vai ficar e poderemos jantar juntos. apesar de terem aparência expansiva. aquela eu gostaria de conhecer. Toda situação envolve dois elementos da linguagem corporal. aproximar-se de uma menina estranha na rua. são muito recatadas —. Se Allen tivesse sido capaz de receber as men11 . Ted chamou Allen de lado e lhe perguntou: — Está interessado em alguém? — Naquela Janet — disse Allen. tornando. sem medo de criar problemas. O que Allen não entendeu é que numa cultura como a de muitos países de língua espanhola. — Não sei. de acordo com as regras da cultura. Quando o homem não pode. enquanto a postura ereta e rígida de uma mulher americana provavelmente seria considerada sem graça e nada natural. Em países onde é menos freqüente uma menina andar acompanhada. qualquer tipo de contato físico impossível. mais solta. principalmente numa festa. — Mas. tão. As meninas. — Está brincando! — Não. mas feliz. — Mas — disse Allen perplexo —. onde uma menina pode esperar quase tudo. — Muito bem. nenhuma garota de família iria andar daquele jeito. Para isso.

também pode servir para romper defesas. se entendida e usada habilmente.sagens corretamente. Um homem de negócios que estava tentando fechar um contrato muito lucrativo descobriu que interpretou erroneamente os sinais. São pessoas que tocarão e tentarão agradar aos outros em momentos em que estão sendo bombardeadas de mensagens para não fazerem isso. ele estava convencido de que o contrato seria bom para ambos. tocar ou agradar pode ser um sinal muito forte. Achç que. como empresário de uma cidade grande. em termos da cidade grande. Mas ele só conseguiu cometer um ataque não-verbal. Um toque de solidão Contudo. É uma cidade muito pequena. ele teria se poupado daquela situação embaraçosa na rua e poderia ter sentido mais segurança para se aproximar de Janet na festa de seu amigo. além de enviar e receber mensagens. Tom era de Bountiful e estava em Sait Lake City. — Era um negócio — ele me disse — que seda lucrativo não só para mim como também para Tom. Vamos nos aproximar". e ele era o garoto inocente. Tocar um objeto inanimado pode servir como um sinal claro. Tocar alguém com as mãos. pode expressar uma mensagem mais vívida e direta que centenas de palavras. Ao ignorar as defesas de Tom. em termos culturais. no fundo. ele estava tentando dizer: ''Confie em mim. Há pessoas que tocam compulsivamente os outros. mas não confiava em mim. colocar o braço no ombro de alguém. mas a quilômetros de distância. que não ficava longe. ou como um apelo para ser 12 . prestes a ser trapaceado. pondo meu braço em seu ombro. O que meu amigo empresário fez foi violar a barreira de defesa de Tom com um gesto não-verbal sem uma base estabelecida. Tocar ou não tocar A linguagem corporal. o toque precisa vir no momento e contexto certos. Eu era o homem de negócios da cidade grande. lá em cima. E isso pôs tudo a perder. o empresário ansioso arruinou o negócio. que parecem ignorar todas as mensagens que recebem de amigos e companheiros. Muitas vezes. e Tom tinha certeza de que qualquer um numa cidade grande seria c^paz de enganá-lo. Em linguagem corporal. comandando e fazendo o negócio. — Tentei quebrar a imagem que ele fazia de mim. o tipo mais rápido e óbvio de linguagem corporal é o toque. geograficamente. Mas. Mais cedo ou mais tarde todo garoto aprende que tocar uma menina no momento errado pode fazê-la esquivar-se abruptamente.

enviamos nossas pequenas mensagens para o mundo. Encolhemos os ombros por indiferença. não quero problema para ninguém. Estou muito carente de companhia. Alguns familiares achavam que ela ficaria melhor num asilo bem-dirigido e agradável.. piscamos o olho numa situação de intimidade. estou deprimidd'. Até que finalmente a família captou a mensagem. Esfregamos o nariz. Dizemos:"Ajudem-me. tamborilamos com os dedos por impaciência. como esfregar o nariz em sinal de perplexidade ou cruzar os braços para buscar proteção.disse ela gentilmente . Essa senhora idosa tornara-se o centro de uma discussão de família. com independência e liberdade? Tia Grace não interferiu muito na discussão. Incrível como ninguém a tivesse captado antes. Levem-me com vocês. Deixem-me só.r Tia Grace foi morar com uma sobrinha e um sobrinho. Ajudem-me. todos nós. O estudo da linguagem do corpo é um estudo da combinação de todos os movimentos corporais. um a um. Grace tinha uma renda generosa e um apartamento muito confortável. Ela estava lhes dizendo em linguagem corporal: 11 Estou sozinha. Por que ela não poderia viver onde estava. desde que passou a viver sozinha. Erguemos uma sobrancelha. Sentou-se junto à família. indicando perplexidade.compreendido. estou sozinho. enrugamos a testa devido a um esquecimento nosso. o que aquelas carícias estavam dizendo. E raramente enviamos nossas mensagens conscientemente. onde se tornou uma mulher diferente. . enquanto tia Grace tocava todos os objetos ao seu alcance. alguns deles. embora alguns sejam deliberados e outros sejam quase deliberados. 13 . sentindo o entalhe da madeira. são os mais inconscientes. mas só naquele momento foram entendendo. São inúmeros os gestos e. A família não chegava a decisão alguma e continuou a discutir o problema. mostrando descrença.O que a família decidir para mim esta bom . onde houvesse alguém para tomar conta dela e ela tivesse muita companhia. Era uma mensagem muito óbvia. Da mesma forma que tia Grace. incluindo aqueles que se aplicam apenas a uma cultura. e podia muito bem viver sozinha. Tia Grace tocava e acariciava tudo a seu alcance. ou os que rompem todas as barreiras culturais. tocando seu colar e meneando a cabeça. Veja o caso de tia Grace. Acionamos sem perceber nossa linguagem não-verbal. pegando um pequeno vaso de alabastro e acariciando-o. deslizando a mão pelo sofá de veludo. O resto da família achava que seria crueldade colocar Tia Grace "para fora". de uma maneira ou de outra. Toda a família sabia disso. dos mais deliberados aos completamente inconscientes. Cruzamos os braços para buscar isolamento ou proteção.

mordendo. há dúvidas de que sejam comportamentos hereditários. Muitos de nossos conhecimentos sobre a comunicação não-verbal vêm de experiências com animais. por ser mais agressivo. o vôo de certas vespas e o coaxar dos sapos. Um deles vencerá. os cientistas que criaram pássaros conseguiram ensinar a eles o fragmento de uma canção popular para substituir a música da espécie. Isso não nos leva a dizer que a briga não seja verdadeira. podem reagir de diversas formas. Quando dois machos se encontram. geração após geração. talvez mais forte e com investidas mais duras que as do outro. a mesma melodia simples ou complexa. Os dois animais estão realmente competindo pelo domínio. O dono que conhece o cão observa a briga. Outro tipo de comportamento animal que há muito foi considerado instintivo é a briga simbólica dos cães. Um pássaro que cresça isolado nunca será capaz de se acasalar.A luta simbólica A relação entre a comunicação animal e humana só agora está começando a ser entendida. Por muitos anos os cientistas acreditaram que essas notas. As 14 . Os pássaros se comunicam pelo canto. como a linguagem dos golfinhos. esse canto dos pássaros. Os cientistas criaram certos pássaros isolados dos outros de sua espécie e esses filhotes nunca foram capazes de reproduzir o canto típico da espécie. mas a mais comum é rosnando. De fato. Atualmente. As experiências parecem indicar que o canto dos pássaros é aprendido. O observador inexperiente irá separar os animais aparentemente irritados. pois o canto dos pássaros está envolvido em todo o processo de acasalamento. eram comportamentos hereditários. entretanto. entoando a mesma seqüência de notas. percebendo o quanto ela é simbólica. simulando uma briga mortal.

independentemente de crescerem ou não em contato com outros de sua espécie. rola e expõe a garganta ao vencedor. no entanto. O vencedor reage simplesmente ficando sobre o derrotado. Então. nem sempre acabará em morte. O que é válido para os animais nem sempre o é para os homens. Então. mas vamos deixar isso para lá e brincar." Por outro lado. depois de demonstrar irritação e bater as asas no prelúdio de uma luta feroz. A luta simbólica dos cães é considerada herdada por muitos cientistas e. Entre corças machos em época de acasalamento. é herdada da mesma forma que os instintos. o canto é realmente instintivo. O cão derrotado deita-se.brigas terminam quando ambos os cães percebem que um é o vencedor. essas brigas semi-simbólicas podem se tornar embates verdadeiros e. um treinador de cães me assegurou que esse comportamento é aprendido. Ao estudarmos qualquer comportamento no mundo animal devemos ser cuidadosos para não generalizar. Não. esse tipo de comunicação. embora nenhum deles tenha sofrido qualquer lesão. "Observe uma cadela quando seus filhotes estão brigando. enquanto os emberizas herdam a habilidade de entoar o canto característico. mas a luta. mostrando sua superioridade. Você é mais forte e eu lhe exponho minha garganta vulnerável'. em seguida. a ponto de machucar o outro. um cão precisa aprender o comportamento simbólico. Se um deles vence e tenta se impor. sendo transmitida de uma geração a outra. em outras. mostrando suas presas e rosnando por um instante. os dois se afastam e a briga é esquecida. O derrotado diz: "Eu me rendo. A controvérsia sobre a luta simbólica de cães e outros animais é se essa conduta. O vencedor diz: "Realmente. Os animais aprenderam a arte de exibir relacionamentos por meio de atuações próximas da linguagem do corpo. curiosamente. se é inerente ao padrão genético da espécie. . ou se é aprendida a cada geração. há cães. como os cães esquimós da Groenlândia." É interessante fazer um aparte para observar que praticamente em nenhuma espécie de animais superiores um membro da espécie mata outro por qualquer razão. acontece uma coisa curiosa. Os pintarroxos aprendem seu canto. Um procedimento não-verbal ocorreu. mas sim num ritual de derrota. Certos pássaros. sou mais forte e vou grunhir e mostrar essa força. acertam suas diferenças atacando furiosamente o ninho. O que é válido para uma espécie de pássaros não é necessariamente válido para outra. O antílope pode usar os chifres para atacar. ensinando-o a respeitar a derrota de seu irmão. que parecem ter uma enorme dificuldade para aprender o comportamento simbó15 . embora possam brigar entre si por vários motivos. embora seja furiosa. Mencionei que em algumas espécies de pássaros o canto deve ser aprendido. os animais atacarão as árvores próximas e não um ao outro. a mãe imediatamente o faz parar. entretanto.

que acompanhasse emoções específicas. Nem todo comportamento é aprendido. sempre indica um sim? Podemos afirmar que todos esses movimentos são universais e. mesmo nos humanos. no início da década de 50. expressem um significado para todos os demais seres humanos. escreveram. independentemente da cultura. ser aprendidos. isso significa sempre um não? Quando a balançamos de cima para baixo. E isso nos traz de volta para a comunicação não-verbal. independentemente da raça. Os filhotes machos transgridem constantemente os limites desses territórios. Ele fundamentou sua crença na origem evolucionária do homem. Niko Tinbergen.lico. diz que esses cães possuem territórios definidos para cada matilha. nesse caso. após trinta anos de estudo. No entanto. e por isso são constantemente punidos pelos machos mais velhos que estabeleceram os limites. Após a primeira cópula. não precisando. que a capacidade de fazer tais movimentos é decorrente de uma dada emoção que herdamos? Se pudéssemos encontrar um conjunto completo de gestos e sinais. que as melhores pesquisas disponíveis indicavam que não havia um padrão inato. Será esse um processo de aprendizagem que foi reforçado com os anos e então se efetiva? Ou será um processo instintivo que apenas se desenvolve com a maturidade sexual? Podemos herdar uma linguagem? A herança do instinto não é uma questão simples. Esses movimentos da abelha são herdados. mais do que é herdado. Haverá gestos e expressões universais culturalmente independentes e verdadeiros para todo ser humano em todas as culturas? Existem coisas que todo ser humano faz que. cor. Temos uma forma de comunicação herdada? Darwin acreditava que as expressões faciais da emoção são similares entre os seres humanos. 16 . naturalista holandês. então nossa comunicação não-verbal poderia ser como a linguagem dos golfinhos ou como a linguagem não-verbal das abelhas. parecem não aprender os limites. invariável. tornam-se conscientes dos limites. Enquanto ainda são filhotes. nem o é o processo de aprendizagem. Estes passam a ser respeitados quando eles atingem a maturidade sexual. que por certos movimentos definidos pode atrair toda uma colméia a uma fonte de mel recém-descoberta. É difícil identificar o quanto um sistema de comunicação qualquer é herdado e o quanto é aprendido. um sorriso indica sempre alegria? Franzir a testa é sempre sinal de desprazer? Quando balançamos a cabeça de um lado para outro. portanto. de alguma forma. Bruner e Taguiri. credo ou cultura? Em outras palavras. dois pesquisadores.

eles enumeram outras expressões e regras que "variam de uma cultura para outra e são aprendidas desde muito cedo na vida ". Brasil e Japão.E então. tristeza. Eles também sentem que há concordância dentro de uma cultura quanto ao reconhecimento de diferentes estados emocionais. Bornéu. O trabalho deles parece ter provado que podemos herdar. desgosto. ao cinema e à imprensa. temor. Nós do Ocidente fazemos um aceno com a cabeça para indicar não. De acordo com os três pesquisadores. erguer as sobrancelhas. reações físicas básicas. sociedades pré-letradas. reconhecem algumas das mesmas emoções quando lhes é mostrado um conjunto de fotos com expressões faciais". Califórnia) e Sorenson (do National Institute ofNeurological Diseases and Blindness) descobriram que novas pesquisas sustentavam a crença de Darwin. "Essas regras—dizem e l e s — prescrevem o que fazemos para exibir cada afeto em diferentes ambientes sociais. Eles acreditam que esse reconhecimento universal esteja apenas indiretamente relacionado à herança. Por outro lado. isso significa que o cérebro de todos os homens é programado para voltar os lábios para cima quando estão contentes.. surpresa. três pesquisadores. apesar da facilidade cada vez maior de acesso à televisão. medo. catorze anos depois.. alegria. Ekman. isso contradiz uma teoria de que as expressões faciais de emoção são aprendidas socialmente. em três continentes diferentes. É claro que isso não contradiz o fato de muitos gestos terem significados diferentes de uma sociedade para outra. raiva. nessas culturas. Em outras palavras. e voltálos para baixo quando estão descontentes. sem contato nenhum com os meios de comunicação. levantar um lado da boca e assim por diante. cinco culturas totalmente diversas. conhecidos por outros seres humanos. Citam uma teoria que postula a existência de: ". Friesen (do Langley Porter Neuropsychiatric Institute. alegria. em nossa constituição genética. Podemos manifestar ódio. Podemos nascer com a capacidade de nos comunicar não verbalmente. e a balançamos de cima para baixo para indi17 . Estados Unidos. Eles realizaram estudos na Nova Guiné. variam com o papel social e as características demográficas e deveriam variar de acorco com as culturas. desprezo e vergonha". procuraram estudar regiões isoladas e. tristeza e outros sentimentos básicos. programas subcorticais inatos ligando certos evocadores a expressões faciais universais para cada um dos afetos primários— interesse. e descobriram: "Os observadores. franzir a testa. sem nunca ter aprendido como fazer isso." Os pesquisadores tentaram evitar condicionamentos culturalmente determinados o máximo possível. Assim. de acordo com o sentimento que está sendo alimentado no cérebro. quando possível.

Uma das peças de teatro mais assustadoras dos tempos modernos é Home (Lar). Famílias inteiras vivem suas vidas confinadas em um ambiente sem ver nem mesmo o céu ou a terra. e pode ser que boa parte desse impulso seja inata. pouco se duvida que os seres humanos tenham necessidade de preservar seu território. segundo ele. Os homens vivem em células. embora o grau de imperatividade ainda permaneça indeterminado. nem sempre podemos estender as conclusões de estudos com seres humanos para o mundo animal e vice-versa.car sim. A partir desses extensos estudos de animais. pássaros. Mas. Pode haver um impulso em todos os homens pela posse e defesa de um território. em uma gigantesca colméia de metal que abrange todo o planeta. Para outras espécies animais. são permanentes. ou qualquer outra célula. é o território. Postula um mundo do futuro em que a explosão populacional faz com que a noção de território seja descartada. ele descreve um código inato de comportamento no mundo animal que vincula a reprodução sexual à defesa territorial. parecemos estar nos encaminhando para a abolição do território. Entretanto. nos animais e nos homens. Mais tarde veremos como esse aspecto imitativo é importante na comunicação verbal e não-verbal. veados. Encontramos famílias amontoadas e confinadas em ambientes que são fincados uns 18 . O imperativo territorial pode existir em todos os animais e em alguns homens. e apresenta uma justificativa interessante para sua opinião. A chave do código. A cultura pode fortalecer esse imperativo em alguns homens e enfraquecê-lo em outros. "O imperativo territorial" Uma das coisas que é herdada geneticamente é a noção de território. mas há sociedades na índia onde ocorre exatamente o oposto. de Megan Terry. Em nossas cidades modernas. ele discute a delimitação e a guarda de territórios por animais. para se apoderarem de uma dada área e a defenderem. The Territorial Imperative (O Imperativo Territorial). e o imperativo territorial é o impulso. Robert Ardrey escreveu um livro fascinante. Talvez esta seja a razão do grande impacto da peça. Ardrey acredita que" a natureza territorial do homem é genética e impossível de ser erradicada". Para algumas espécies os territórios são temporários. o território foi completamente abolido. peixes e primatas. Nesse livro. sim. mudando a cada estação. em que descreve essa noção territorial no reino animal e humano. parcialmente ensinada e parcialmente imitativa. que nossa linguagem não-verbal é parcialmente instintiva. O movimento para cima e para baixo significa não e de um lado para outro. então. Nessa profética história de terror. Podemos entender.

A regra. amplas áreas abertas no interior. metade para mim e metade para você. a uma pequena mesa elegante. colocando-a ao lado do maço. Coloquei-o numa posição em que você deveria se impor. tão apinhados que não podemos mover os braços ou as pernas. Entretanto. Tomamos elevadores e metrôs lotados. como abre mão desse espaço? Pouco tempo atrás almocei com um amigo psiquiatra. Isso varia de um abrigo apertado do morador da cidade até um espaço mais amplo. existe. debruçando-se sobre a mesa. — Mas como? O que você fez? — perguntei a ele. e isso o incomodou. ele ficou com pena de mim e me disse: — Eu só lhe fiz uma demonstração de uma movimentação básica em linguagem do corpo. em comunicação não-verbal. no entanto. Num determinado momento ele tirou um maço de cigarros. Sem saber o que eu tinha feito. movi deliberadamente meu cigarro para -na área. Como ele reage e como o defende. seja um espaço ou um território. devemos entender o que acontece a um homem quando ele está privado de todos os direitos territoriais. ele tentou expor uma opinião. em nosso estudo de linguagem do corpo. Ambos estabelecemos um território mentalmente. acendeu um e colocou o maço perto de meu prato. dividimos a mesa por um comando não-verbal e civilizado. Finalmente. chegando a alturas vertiginosas. — Movi meu maço de cigarro para começar — ele explicou. o que acontece a um indivíduo quando esse abrigo. confuso. violando a regra. mas é importante determinar. e mais perturbado ainda quando ele aproximou toda a guarnição de mesa para perto de mim. dividimos a mesa ao meio. — Qual era?— perguntei. — Essa divisão não foi consciente. próximo ao meu lugar na mesa. você se sentiu ameaçado. sentiu-se perturbado. como uma casa e um terreno num subúrbio ou. No entanto. — Ameacei-o agressivamente e o desafiei. ainda. Então. De quanto espaço o homem precisa? Não sabemos quanto espaço é necessário para cada indivíduo. Sentamo-nos num restaurante agradável. De modo geral. que o homem aprecia. e à medida que eu procedia agressivamente à vio19 .sobre os outros. — Por uma regra não verbalizada. Sabemos que o homem tem noção de território e precisa de um território que o abrigue. mas fiquei perturbado por alguma razão que não conseguia definir. é ameaçado ou invadido. Tive dificuldade em apreciá-la porque estava ficando cada vez mais perturbado. Ele continuou falando e eu continuei a ouvi-lo. — É claro que não. ainda sem compreender.

Desde então. finalmente. você foi se sentindo cada vez mais perturbado. Esses são aspectos da comunicação não-verbal. como penetramos em outros territórios. Então. ele mudou sua cadeira. meus talheres. Dessa brincadeira inocente surgem vários dados básicos. A guarda dessas zonas é um dos primeiros princípios básicos. seu guardanapo e. Incomodado. ele colocou a garrafa de volta no lugar. movendo meu prato. lentamente. Como guardamos nossas zonas e como agredimos as zonas dos outros faz parte integral de como nos relacionamos com as pessoas. minha esposa e eu dividimos uma mesa num restaurante italiano com outro casal. A maneira como defendemos essa área e como reagimos à invasão dela e. Ao sairmos para jantar noite dessas. 20 . mudou seu prato de lugar. tentei aplicar a mesma técnica de invadir a zona de alguém quando a pessoa não está ciente do que eu estou fazendo. colocando o guardanapo e a garrafa na zona dele. movi a garrafa de vinho para a "zona" de meu amigo. mas continuou sem saber por quê. Não importa o quanto a área em que os seres humanos vivam esteja lotada. deslocou-se para o lado. em muitos casos. num movimento compulsivo. Foi minha primeira demonstração do fato de que cada um possui zonas de território. usada construtivamente. repentino. Só para experimentar. comecei a invadir. ainda.lação do território. e depois eu mesmo invadindo seu espaço. Carregamos essas zonas conosco e reagimos de formas diferentes quando elas são quebradas. Ele reagiu defendendo sua zona e retaliando. pode ser observada e descrita e. cada um de nós mantém uma zona ou território à nossa volta — uma área inviolável que tentamos preservar. ainda conversando.

muitas vezes o faz contrariado. viu um quacre com barba. o sol da manhã batia nas janelas antigas com doze vidraças. É ape21 . A mãe tem sua cozinha e não gosta quando sua mãe a visita e assume a cozinha "dela". apesar de o templo estar vazio. mas isso acontece. e assim por diante. Sentou-se. seus bancos preferidos no rarque. apesar de lhe terem dito que apenas um ou dois quacres ainda freqüentavam cultos lá. embora possa tolerar que um visitante sente-se nela. um homem idoso que bem poderia ter saído das páginas da história. era uma construção adorável. conta-se a história de um amigo urbano que visitou um templo religioso numa pequena cidade do interior. e o quacre que morava na cidade grande decidiu visitá-la num domingo. ao olhar. determina seu próprio lugar. Embora não fosse mais usado. De repente. Ele sorriu. depois que você freqüenta qualquer igreja por um período de tempo. Era surpreendente a insistência daquele senhor em sentar-se em seu lugar. as fileiras de bancos estavam vazias e o silêncio era absoluto. ouviu uma tosse abafada e. mas o velho quacre franziu a testa e tossiu novamente.Um espaço só seu Entre os quacres. próximo ao banco onde ele estava sentado. Naquele domingo. Em sua casa. Invariavelmente. Os homens têm seu lugar preferido no trem. dia da celebração de cultos. suas cadeiras preferidas em conferências. ele entrou na igreja e não havia ninguém. e então !he disse: "Desculpe-me se eu o ofendo. mas o senhor está sentado em meu lugar". deixando a paz do silêncio tomar conta dele. o pai tem uma determinada cadeira e.

se a mesa dele for colocada de forma que ele toque uma parede ao se inclinar para trás. Se o funcionário apoiar o corpo para trás sem tocar uma parede ou prateleira de livros. numa tentativa de padronizar a ciência da proxêmia. diz ele. Edward T. Um escritório pode ser adequado para um profissional ou pode parecer pequeno demais. se tal contato acontece entre dois homens. em termos de intimidade. uma situação de aproximação íntima é aceitável. de um lugar que seja seu. para amigos muito próximos e para crianças em contato com um dos pais ou entre si. Quando um homem e uma mulher não têm intimidade. embora numa cultura árabe essa aproximação seja aceitável entre dois homens. apóia-se em sua capacidade de se relacionar com as outras pessoas. embora seja moldada pela sociedade e cultura numa variedade de formas. há muito está fascinado em estudar a reação do homem ao espaço que o cerca. Talvez seja uma necessidade inata e universal. áreas que aumentam à medida que a intimidade diminui. não devido ao tamanho real da sala. A distância íntima pode ser próxima. Todo homem. tem suas necessidades territoriais. O uso que o homem faz do espaço. de senti-las como próximas ou distantes. em nossa cultura. Como podemos inferir. 3) distância social e 4) distância pública. Hall cunhou a palavra proxêmia para descrever suas teorias e observações sobre as zonas territoriais e como usá-las. ou seja: um contato real. O Dr. as zonas simplesmente representam diferentes áreas pelas quais nos movemos. Quando você está numa distância bastante íntima. O dr. mas à disposição da mesa e da cadeira. 2) distância pessoal. Ele relaciona essas zonas como: 1) distância íntima.nas uma necessidade de possuir um território. tem plena consciência de seu parceiro. o escritório pode lhe parecer apertado. geralmente a sala parece suficientemente grande. a maneira como utiliza esse espaço e como seu uso espacial comunica certos fatos e sinais a outros homens. ou afastada. Hall. Mas. Entre duas mulheres. e chegou a quatro zonas distintas em que a maioria dos homens opera. Os homens freqüentemente andam de mãos dadas na Arábia e em muitas localidades do Mediterrâneo. uma situação de aproximação íntima pode provocar embaraço. Hall dividiu essas necessidades. acredita o dr. Hall. de 15 a 20 centímetros. professor de antropologia na Northwestern University. em uma sala mais ampla. A fase próxima da distância íntima é usada para se fazer amor. Por essa razão. 22 . É mais natural entre um homem e uma mulher. Uma ciência chamada proxêmia O dr. pode gerar estranheza ou constrangimento.

virou-se e retrucou: " O senhor nunca viu uma moça antes. comunicam-se com seus vizinhos. afastam-se imediatamente ou mantêm os músculos contraídos na área em que houve contato." A segunda zona de território estabelecida pelo dr.. aproximando-se delas. enquanto ela saía e me perguntou: "O que eu fiz? Diga-me. ao fazerem isso. numa condução coletiva ou num elevador lotado. seu velhaco imundo!" Meu amigo. Essa ação diz: " P e r d ã o por ter invadido o seu espaço. Ela enrubesceu e quando o elevador parou no saguão da recepção. Eles ficam o mais imóveis possível.. Olhe e desvie o olhar quando você estiver em contato íntimo com um estranho. eles automaticamente observam certas regras rígidas de comportamento e. estariam cometendo a pior gafe social possível. num tom aparentemente inocente: "Não faça isto!" simplesmente porque o homem tir. ainda na casa dos trinta. Uma jovem bonita entrou no 142 andar e meu amigo olhou para ela distraído. tentando não tocar qualquer parte das pessoas a seu lado. encarar ninguém. ele diferencia duas áreas. Se os tocam. mas demoradamente.ha se esquecido das regras e relaxado. Recentemente. Aqui. Se. o que eu fiz de mal?' Ele tinha rompido uma regra fundamental de comunicação não-verbal. Hall é chamada de zona de distância pessoal. mas se outra mulher se des23 . seu . e então devemos desviar o olhar rapidamente. Nem devemos. O homem imprudente que passa desse intervalo de tempo estabelecido arrisca todo tipo de conseqüências desagradáveis. uma distância pessoal próxima e uma distância pessoal afastada. mas a situação me forçou a isso e evidentemente eu respeitarei sua privacidade e não deixarei que haja nenhuma intimidade entre nós''.A fase de afastamento da distância íntima ainda é próxima o suficiente para se dar um aperto de mãos. também. Quanto ao significado. por outro lado. eles relaxassem em tal situação e deixassem seus corpos se moverem livremente contra o corpo da pessoa ao lado e se permitissem sentir prazer com o contado e com o calor do corpo. mas não é considerada uma distância aceitável entre dois homens adultos norte-americanos. virou-se para mim perplexo. A área próxima é de 45 a 75 centímetros. Você pode pegar ou tocar a mão de seu parceiro a essa distância. Muitas vezes vi mulheres num metrô lotado dizer a um homem. ele nota que uma esposa pode ficar dentro da zona de distância pessoal próxima de seu marido. estava no elevador de um edifício empresarial junto com um outro senhor. Há um determinado intervalo de tempo durante o qual podemos olhar. Quando um metrô ou um elevador os aproxima por estarem lotados.

loca para essa zona, presume-se que tenha alguma intenção. E, no entanto,
esta é obviamente a distância confortável em reuniões sociais. Permite uma
certa intimidade e talvez descreva uma zona íntima, mais do que uma zona
pessoal. Mas, uma vez que a padronização nada mais é do que uma simples
tentativa feita pelo Dr. Hall em uma ciência ainda incipiente, pode ser necessário fazer vários esclarecimentos antes que a proxêmia seja reconhecida.
A fase de afastamento da distância pessoal é fixada pelo dr. Hall entre 75
e 120 centímetros e chamada de limite do domínio físico. Você não pode tocar
facilmente seu parceiro a essa distância e, então, esta preserva uma certa privacidade a qualquer encontro. No entanto, a distância é pequena o suficiente para que certo grau de discussão pessoal possa ocorrer. Quando duas
pessoas se encontram na rua, geralmente param a essa distância uma da outra,
para conversar. Numa festa, elas tendem a se aproximar, situando-se na fase
próxima de distância pessoal.
Várias mensagens sãò transmitidas por essa distância e elas variam de:
"Estou mantendo-o ao meu alcance", para "Escolhi você para ficar um pouco
mais perto de mim que os outros convidados". Aproximar-se mais quando
você está num relacionamento pessoal distante com um conhecido é considerado atrevimento ou, dependendo do arranjo sexual, sinal de interesse pela
pessoa. A distância pode expressar algo, mas, para que esta signifique alguma coisa, deve ser acompanhada.
Espaço público

e social

A distância social também tem uma fase de proximidade e uma fase de
afastamento. A fase de proximidades
de 1,2 a 2,1 metros de distância e geralmente é a distância em que tratamos de negócios impessoais. E a distância que
assumimos quando, nos negócios, nos encontramos com o cliente de fora da
cidade, o novo diretor de arte ou com o gerente do escritório. É a distância
que a dona de casa guarda do profissional que faz consertos, do funcionário
de uma loja ou de um menino que lhe faz uma entrega em casa. Assume-se
essa distância numa reunião social informal, mas esta pode ser uma distância
manipuladora.
Um chefe utiliza exatamente essa distância para dominar um funcionário
que está sentado — uma secretária ou uma recepcionista. Para o funcionário,
ele tende a ser ameaçador e a ganhar altura e força. Ele está, na verdade, reforçando a situação "você trabalha para mim", sem ter de dizê-lo.
A fase de afastamento da distância social, de 2 metros a 3 metros e meio,
é observada em relacionamentos de negócios ou para relacionamentos sociais
mais formais. O "chefão" terá uma mesa suficientemente grande para colocálo a essa distância de seus funcionários. Ele também permanece sentado a essa
24

distância e olha para um funcionário sem perder o status. Ele tem a visão do
homem de corpo inteiro.
Para voltar aos olhos, a essa distância não é apropriado olhar rapidamente e desviar o olhar. O único contato que você tem é visual, e assim a tradição
dita que você dirija o olhar para a pessoa durante a conversa. Deixar de olhar
para a pessoa é o mesmo que excluí-la da conversa, de acordo com o dr. Hall.
No aspecto positivo, essa distância permite uma certa proteção. Você
pode continuar trabalhando à distância sem ser rude, ou pode parar de trabalhar e conversar. Em escritórios, é necessário preservar essa distância social
reservada entre a recepcionista e o visitante, para que ela possa continuar a
trabalhar sem ter de conversar com ele. Uma distância menor tornaria tal ação
indelicada.
Marido e mulher em casa à noite supõem essa distância social reservada
para relaxar. Eles podem conversar, se quiserem, ou simplesmente ler em vez
de conversar. O clima impessoal desse tipo de distância social torna-se quase
obrigatório, no caso de uma família numerosa, mas muitas vezes a família
>egue essa separação educada e seus membros devem ser aproximados para
„ma noite mais íntima.
Finalmente, o dr. Hall cita a distância pública como a extensão maior de
n essa sujeição territorial. Novamente, há uma fase próxima e outra distante,
uma distinção que pode nos fazer pensar por que não há oito distâncias em
ez de quatro. Mas, na realidade, as distâncias são estabelecidas de acordo
: ?m a interação humana, e não com a medida.
A fase próxima da distância pública é de 3,5 a 7,5 metros, e é adequada
rara reuniões mais informais, a distância que um professor guarda dos alunos
numa sala de aula ou que guarda um chefe, numa reunião com os operários. A
rase distante da distância pública, acima de 7,5 metros, geralmente é reservada
comícios políticos, em que a distância também é um fator de segurança ou
garantia, como acontece com os animais. Certas espécies animais deixarão um
h rmem se aproximar somente a essa distância, antes de ir embora.
No entanto, quando se aborda o assunto em relação à espécie animal e à
.i -tância, há sempre o perigo de interpretar mal o verdadeiro sentido da dispneia e das zonas territoriais. Um exemplo típico é o leão e o seu domador.
m leão se afastará quando um homem se aproximar demais e entrar em sua
: : na de "perigo". Mas, quando ele não puder mais retroceder e o homem continuar a avançar, o leão virará e se aproximará do homem.
O domador de leões tira vantagem disso e se aproxima do leão, na jaula.
I animal retrocede, como é de sua natureza, para o fundo da jaula, enquant a domador do leão avança. Quando o leão não pode mais se afastar, ele se
ira e, novamente de acordo com sua natureza, avança sobre o domador,
~_gindo. Invariavelmente, ele avança seguindo em linha reta. O treinador,
unindo vantagem disso, coloca o estrado do leão entre ele e o leão. Este, apro25

ximando-se em linha reta, sobe no estrado para alcançar o treinador. Nesse
momento, o treinador afasta-se rapidamente da zona de perigo do leão, e o
leão pára de avançar.
A platéia, ao ver isso, acha que o leão se afastou devido ao chicote que o
treinador empunha, ou ao chicote e à cadeira, de acordo com suas próprias
necessidades e fantasias internas. Acha que ele está dominando um animal
perigoso. Essa é a comunicação não-verbal da situação. Isso é o que, em linguagem do corpo, o treinador está tentando nos dizer. Mas aqui a linguagem
do corpo mente.
Na verdade, o diálogo entre o leão e o domador é o seguinte: Leão:"Saia
da minha esfera ou eu o atacarei'. Domador: "Estoufora de sua esfera ". Leão:
"Certo, Então eu paro por aqui'.
Não importa onde o "aqui" seja. O domador manipulou as coisas para
que o "aqui" seja o alto do estrado do leão.
Da mesma forma, a esfera pública distante de um político ou ator num
palco contém várias declarações em linguagem do corpo que são usadas para
impressionar a audiência, e não necessariamente dizer a verdade.
É a essa distância pública que é difícil falar a verdade ou, dizendo de
outro modo, a essa distância pública maior é mais fácil mentir com os movimentos do corpo. Os atores sabem disso, e por séculos utilizaram a distância
entre o palco e a platéia para criar várias ilusões.
A essa distância os gestos do ator devem ser estilizados, afetados e muito
mais simbólicos que seriam a distâncias públicas mais próximas, sociais ou
íntimas.
Na tela de televisão, como num filme, a combinação de tomadas a distância e próximas requer outro tipo de linguagem do corpo. Um movimento da
sobrancelha ou da pálpebra ou um tremor do lábio num close-up pode transmitir uma mensagem muito mais significativa que um movimento do braço ou
do corpo todo, a longa distância.
Num close-up, os movimentos gerais costumam se perder. Essa pode ser
uma das razões pelas quais os atores de televisão e de cinema têm tanta dificuldade para se adaptar ao palco.
O palco muitas vezes requer uma atuação rígida, correta, devido à distância entre os atores e os espectadores. Hoje, contrariando essa técnica, há correntes teatrais que tentam eliminar a distância pública entre o ator e o palco.
Misturam-se aos espectadores, ou convidam o público a dividir o palco
com eles. Uma peça, sob essas condições, deve ser muito menos estruturada.
Não se pode ter garantia de que o espectador reagirá da maneira desejada. A
peça, portanto, adquire uma estrutura mais solta, geralmente sem um roteiro
e apenas com a idéia central.
A linguagem do corpo, sob essas circunstâncias, torna-se um veículo difícil para o ator. Ele deve, por um lado, abandonar muitos dos gestos simbóli26

As casas árabes são. Como os japoneses. Isso se evidencia não só em seus arranjos florais e na -ne.e. Charlie Chaplin. Mas. Eles consideram essa área como particular e se res. com seus trejeitos. tão culturalmente orientados. Os gestos do palco tradicional têm sido aprimorados m anos de prática. nà i importa o quanto ele "viva" seu papel.miem com qualquer intrusão. opaçosas e vazias. em suas p" prias casas. não se sabe. isso é sinal de afeto e agradável intimidade. No Japão. por exemplo. os árabes têm espaço demais. onde partes do espaço mesclam-se harmon sãmente para formar um todo integrado. Hall aborda as implicações inter_ varais de sua proxêmia. contém seus próprios ges: . Hall acredita que os japoneses preferem ambientes lotados. em filmes mudos. por exemplo. Hall vê isso como um reflexo do conceito japonês de espaço. não gostam de estar sozinhos e mesmo em . Não pode confiar na linguagem do corpo natural para as emoções que ele deseja projetar. As divisões entre os cômodos geralmente são evitadas porque. se possível. a cultura ainda é o fator que orienta toda a linguagem do corpo.vo conjunto de símbolos e movimentos corporais estilizados que também irão mentir para a audiência.tão universais que conseguia arrancar risadas praticamente de qualquer . . os ocidentais vêem o espaço como a distância entre objetos. Há ainda um vínculo cultural envolvido com os gestos palco. que escreveu Living Japan. quando as pessoas ficam aito juntas. na vida privada. Entretanto. Seguná . Donald Keene. apesar do desejo de espaos árabes. porque não funcionarão para distâncias curtas.jura. entretanto. isso não significa que esse conceito não exista. linguagens corporais que podem transcender linhas culirais. Em certas situações. 27 . e as pessoas se reúnem numa área pequena. ele deve desenvolver um .-ias casas espaçosas preferem estar juntos aos familiares. inclusive de culturas tecnologicamente não avançadas da África. observa que na linguagem : onesa não há palavra para exprimir privacidade. O teatro japonês kabuki. Se essa mentira em close-up será mais eficiente que mentir à distância do pr scênio. Logo. Como diferentes culturas lidam com o espaço Há. e ss é verdadeiro para zonas corporais.s que usou. Para os japoneses. mas em seus jardins também. Os japoneses atribuem um significado tangível à forma e à disposição do espaço.--paço é vazio. Para nós. embom em público eles estejam invariavelmente juntos. paradoxalmente. fazia movimen. os árabes também tendem a estar juntos. : :retanto. O dr. que mais da metade deles pode -a-sar despercebida por uma platéia ocidental.refinados. a privacidade existe : termos de suas casas. O fato de se reunirem com outras pessoas não ifasta a necessidade de terem espaço para morar. O dr.

preciso me retirar em meu abrigo". Para o árabe. o corpo é sagrado. 28 . e esse recolhimento é respeitado por seus colegas. o que indica certa atitude em relação ao corpo. Da mesma forma que a inexistência de um vocábulo japonês para expressar privacidade indica uma certa atitude com relação às pessoas. Entretanto. Para um norte-americano. como se quisesse algo pessoal. É interpretado na linguagem do corpo como"Preciso de privacidade. os árabes não dispõem de uma palavra para estupro. olham-se nos olhos com grande intensidade. De fato. estivesse procurando intimidade". Hall destaca que o árabe às vezes precisa estar sozinho. Se um árabe se retirasse na presença de um americano . ele sirpplesmente corta as linhas de comunicação. puxar e até mesmo beliscar as mulheres em público. em sua linguagem do corpo. e se puder furar fila. Quando ele está esperando em fila. O americano carrega uma bolha de 60 cm de privacidade em volta dele. Entretanto. lida com o espaço onde vive. como um "tratamento frio". e a maneira como um americano o faz. senti-lo e cheirá-lo. este tenderia a considerar isso um insulto. acha que é um direito seu fazer isso. A retirada seria interpretada. há um empurrar e um compartilhar no mundo árabe que os americanos acham desagradável. em sua proximidade. mesmo entre as nações ocidentais. que costuma empurrar. Quando dois árabes conversam. a violação do ego por insulto é um problema sério. por exemplo. tal intensidade pode ser interpretada como um desafio à masculinidade de um homem. "Não gostei do jeito que ele olhou para mim. mantêm a formalidade e a reserva. Ele se retira. é uma reação típica de um americano ao olhar de um árabe. Os japoneses. Para negar uma amizade sua respiração deve estar contida. O mesmo olhar intenso. Juntamente com essa proximidade. Eles conseguem tocar e ainda assim manter limites rígidos. acredita que esse lugar dele é inviolável. O árabe não tem conceito de privacidade num recinto público. O árabe elimina esses limites. E seria interpretada como um insulto.A diferença entre o "aconchego" árabe e a proximidade dos japoneses é imensa. O árabe gosta de tocar em seu companheiro. há amplas diferenças. Para estar só. o Oriente e o Extremo Oriente em oposição ao Ocidente. Há uma diferença distinta entre a forma como um alemão. Para um americano. não importa o quanto deseja ficar próximo de seu amigo. há limites num lugar público. Embora esteja com vocês. a violação do corpo é uma coisa de pequena importância. em contato com vocês e morando com vocês. raramente ocorre entre homens. Como o mundo ocidental lida com o espaço Até aqui consideramos a linguagem do corpo em termos de diferenças espaciais em culturas amplamente díspares. na cultura norte-americana.

Na Alemanha. Se alguém se intromete numa conversa íntima naquela sala sem incluí-lo. de uma zona privada definida que não invada a zona de ninguém. Recentemente. Hall observa que assim que podiam. especula Hall. o ego do alemão seja extraordinariamente exposto". .a discussão logo começou. por que vocês não aguardam sua vez? . — Por que formar fila? É mais fácil ir direto à bilheteria. dois jovens que. mas quando um alemão deseja privacidade. — É isso o _ _ie há de errado com vocês. Para um alemão. Portanto. As portas são invariavelmente mantidas fechadas. Tal rigidez pode ser uma defesa ou máscara. Quando um árabe quer privacidade r r se recolhe para dentro de si. eram poloneses.->re mim em alemão. Ao entrar no saguão.e se um amigo conversa com ele sobre questões íntimas. -r>erar na fila — um dos poloneses gritou. fui a um cinema situado numa comunidade germano-ame.ina. Voltem para a fila. ele pode se sentir ofendido. com um sorriso . Na Segunda Guerra Mundial. Esperava na fila para comprar o ingresso quando ouvi comentários . eles estabeleciam uma divisão da cabana para ganhar um espaço privado. Em tendas abertas. eles se aproximarão suficiente para que suas bolhas especiais se fundam.e se isola num ambiente a portas fechadas. é rxemplificado por seu comportamento em filas. — Vão para o inferno! Estamos num país livre! Ninguém lhes pediu para . — Ei! Estamos esperando na fila. os prisioneiros alemães untavam construir suas próprias unidades privadas. Os quintais são bem murados e nas sacadas são postas telas. depois entendi.. — O que vocês estavam tentando fazer lá fora? Começar um tumulto? — Só estávamos agitando um pouco — disse um deles. as casas são construídas para se ter o máximo de privacidade. O "ego exposto" do alemão pode ainda ser responsável por uma rigidez de postura e pela falta de movimento corporal espontâneo. — É isso mesmo. ele fará tudo para preservar sua rsfera privada. seus cabeças de repolho. uma -ala inteira em sua própria casa pode ser uma bolha de privacidade. entra-_m à frente da fila e tentaram comprar seus ingressos. 29 . -elo. O início de tumulto foi controlado por dois policiais.me aproximei dos furões da fila. Esse desejo alemão de privacida de. e. num campo do exército. em contraste com o árabe. Talvez. enquanto nos mantínhamos em fila. para não revelar verdades demais por meio de movimentos não resguardados. organizadamente. os prisioneiros de guerra alemães riam abrigados em grupos de quatro numa barraca. aproximando-se da bilheteria à força — Vocês estão na fila feito cordeiros — o outro disse irritado. quando faltavam poucas pessoas para chegar a minha vez de mprar o ingresso. De repente.

como os árabes. — O que o faz pensar que isso seria uma apresentação? Na Inglaterra. a menos que tenha a mesma condição social que ele. — Mas. Há a história de um formando numa faculdade americana que encontrou uma senhora inglesa num cruzeiro para a Europa. a senhora X respondeu: — Acho que não fomos apresentados. A linguagem do corpo dos ingleses que diz: "Estou procurando ter um momento de privacidade. para sua surpresa. os poloneses consideram que o comportamento civilizado não deve respeitar as autoridades e regulamentos. O sistema social inglês atinge sua privacidade por meio de relacionamentos cuidadosamente estruturados. ele foi a um jantar muito formal em Londres. certamente a senhora se lembra de mim? Então. ele se retira. os ingleses que querem ficar sós tendem a se recolher. até chegarmos à Europa. é muitas vezes interpretada pelos americanos como: "Estou irritado com você e por isso o estou tratando com frieza". Embora os ingleses sejam diferentes dos alemães na forma de tratar o espaço — eles valorizam pouco a privacidade de seu próprio quarto —. e entre os convidados. É um fato cultural baseado na herança do povo inglês. Possivelmente devido à falta de espaço privado e por crescerem em berçários. Os franceses. Um mês depois. também gostam de estar juntos. mas suas diferentes heranças culturais levaram a um resultado cultural diferente. mas sim conforme a posição social. Nos Estados Unidos. viu a senhora X. Embora a aglomeração de pessoas tenha levado os ingleses a desenvolver um respeito 30 .. você conversa com o vizinho devido ã proximidade.Descobrir que eram poloneses me ajudou a entender a atitude deles. — E daí? — a senhora X perguntou friamente. eles também são diferentes dos americanos. mas também é resultado dos habituais ajuntamentos ou aglomerações de pessoas na Inglaterra. Ao contrário dos alemães.. Aproximando-se. mais encorajado. Você não é necessariamente amigo de seu vizinho. Quando o americano deseja se isolar. que querem saber exatamente onde estão e acham que somente a obediência a certas regras de conduta garante um comportamento civilizado. — o jovem gaguejou perplexo —. ser vizinho de alguém não garante que você o conheça ou fale com ele. O rapaz foi seduzido pela inglesa e eles tiveram um affair apaixonante. Na Inglaterra. cumprimentou-a: — Olá! Como vai? Olhando para ele com ar de superioridade. acrescentou: — Pois no mês passado dormimos juntos durante a viagem. como os ingleses. numa atitude introspectiva. as relações não se desenvolvem de acordo com a proximidade física.

Em cz de admiração.Durante a queda de energia na região nordeste dos EUA todos correram : ara aiudar uns aos outros. do que se beneficia a arquitetura. metrôs. e quando esses mundos são força. Não querem invadir essa privacidade. transmitem uma mensagem não-verbal. A invaé a maior transgressão. para dar conforto. eles gritam:"Estou sendo forçado a encostarem :' e mas minha rigidez lhe diz que eu não quis invadir seu espaço". entram num estado catatônico para evitar uma interpretação r _ aivocada de seus motivos. Em Nova York. mesmo na cidade.de modo alarmado. Na linguagem do corpo. -eu vizinho. Eles . Entretanto. 31 . Em Paris. Os . as mulheres são muito observanas ruas. e então perce.. -la ou falar com você. Posso nunca conhe. mum pela privacidade. Então. .a se juntar.. -i mesmo modo formal e reservado que na grande cidade. As pessoas cumprimentam estranhos. O nova-iorquino é conhecido tradicionalmente por sua atitude não amigável e. Na França. apoio. a aglomeração é parcialmente responsável pelo envolvimend >s franceses.i ngas horas a cidade se tornou um espaço coloroso e vital. há uma atie mais amigável. De fato. Só em épocas de grande crise as barreiras são derrubadas. Também é responsável pela preocupação com espaço. com seu modo de olhar. a energia voltou e todos voltaram a suas zonas rígidas de privacidade. isso seria interpretado como grosseria por um americano. de repente. Fale com um estranho em New York City e ele rea. Os americanos reagem ao espaço de um modo diferente. da de densamente habitada. mas são tímidos e assusta.. mais receptiva. nzam suas áreas abertas. Marcham em seus pequenos mundos. em pequenas cidades norte-americanas. em ruas lotadas. a população desenvolve a necessidade de priVJ idade.r. fez com que os franceses ficassem muito envolvii s uns com os outros. or de :odos se conhecem e há pouca privacidade. mas admiro-a. sor. e durante aquelas poua. no entanto. Um francês olha diretamente em seus olhos quando está falando com :è. Os franceses. assustado. e muitas vezes conversam. e olha diretamente para você. e então ignoram-se uns _ .arques franceses tratam o espaço de modo diferente dos americanos. nâo admiradas.utros em elevadores. " Gosto de você. Fora de Nova York.cm-se. muitas mulheres americanas que voltam de Paris sen'. tal atitude é desenvolvida por respeito à privacidade .que os nova-iorquinos não são tão hostis. o estranho pode ser trata. em cidades muito pequenas." Nenhum homem norte-americano olha para as mulheres dessa forma.

que foi declarado tabu desde a infância. não poderemos perceber o que acontece quando esses territórios são invadidos. Nossas reações à invasão de nosso território pessoal estão muito ligadas à linguagem do corpo. Foi o reconhecimento precoce de como o ser humano pode se tornar defensivo quanto às suas zonas corporais e à privacidade pessoal que levou Stacpool a explorar esse tema. Talvez o relato mais tocante sobre a inviolabilidade das zonas corporais seja um romance escrito por H. conhece uma jovem polinésia e apaixona-se por ela. pode parecer difícil perceber o relacionamento exato entre espaços. com a ajuda de um maço de cigarros. se não entendermos os princípios básicos de territórios individuais. ensina-o a ser auto-suficiente e em seguida morre. linguagem do corpo. O marinheiro cria o menino. mencionei um psiquiatra que. por sua 32 . O menino cresce sozinho.Defendendo zonas corporais À primeira vista. Ela cresceu proibida de se permitir ser tocada por qualquer homem. O romance trata do caso amoroso dos jovens. Ele. mas apenas na última década os cientistas começaram a entender o significado complexo do espaço pessoal. É a história de um jovem náufrago que vive numa ilha tropical em companhia de um velho marinheiro. Deveríamos conhecer nosso comportamento agressivo e nossas reações às agressões dos outros. deu-me uma lição sobre a invasão de espaço. meio século atrás. zonas ou territórios de uma pessoa e a cinesiologia. para ficarmos atentos aos sinais que estamos enviando e recebendo. A luta entre os dois para que ela rompesse o condicionamento e permitisse que ele a tocasse forma uma história fascinante e comovente. Num capítulo anterior. DeVere Stacpool. Mas. intitulado The Blue Lagoon.

transmitiam uma mensagem corporal óbvia. Eles colocaram dois atores para interpretar um executivo e um visitante. tiras para os oficiais não comissionados e barras. O status era considerado maior quando ele andava até o meio da sala e maior quando ia diretamente até a mesa e ficava de pé em frente ao executivo. um homem estava sentado à mesa enquanto o outro. que estava sentado. por suas maneiras e porte. onde não há insígnias e nem são usados outros símbolos claros. ou em empresas. folhas. Mas. e como faz para lidar com colegas que ocupam uma posição equivalente? Uma tentativa de estudar isso foi feita por dois pesquisadores numa série de filmes mudos. num banheiro. 33 . Por sua vez. onde há uma ordem definida de domínio. O visitante mostrou o menor status quando parou à porta para conversar com o homem que estava sentado. Um hospital para doentes mentais é um microcosmo fechado e. muitas vezes reflete e exagera atitudes do mundo exterior. o atendente deve responder à enfermeira e ela é subordinada ao médico. Como ele o faz? Que recursos ele usa para sujeitar os subordinados. No exército. Há uma verdadeira hierarquia nessas instituições e ela é refletida no mundo exterior em organizações como o exército. Os sargentos. Vi internos. tratarem sargentos com deferência. a ordem hierárquica permanece. mesmo sem as insígnias. bate à porta. como tal. É um teste de dominância. sem saber quem eles eram ou quais eram seus postos. aprendeu muito do que sabia sobre a reação de pacientes em hospitais para doentes mentais. o poder de comando é indicado por um sistema de símbolos. pássaros e estrelas para os comissionados. que indicava a posição. fazendo o papel do visitante. Mas. um hospital para doentes mentais também é um lugar muito especial. Em qualquer hospital para doentes mentais um ou dois pacientes se dirigirão aos superiores com um comportamento agressivo. O grau de agressividade de um paciente mental depende da posição da outra pessoa. Conselho para aqueles que buscam status No mundo dos negócios. Um certo conjunto de regras começou a emergir das classificações. Os internos são mais suscetíveis ã sugestão e agressão que os homens e mulheres psiquicamente saudáveis. O grupo que assistiu aos filmes deveria classificar o executivo e o visitante em termos de status. Na cena. e freqüentemente suas ações distorcem as ações de pessoas normais. o executivo demonstra a mesma capacidade de projetar uma noção de superioridade.vez. abre-a e se aproxima da mesa para discutir questões de negócios. e trocar de papéis em diferentes tomadas. mas eles sempre podem ser intimidados por um dos atendentes.

era o intervalo de tempo em que o visitante batia à porta e entrava e. O quanto o visitante penetra no território e a rapidez com que o faz ou. o chefe geralmente afirmará seu status ficando de pé diante de seu subordinado. tinham escritórios sem as janelas de canto. 34 . Com a venda de tranqüilizantes. e por esse arranjo o executivo automaticamente assume um status superior. Se o subordinado está atendendo o telefone. quanto mais se demorava para responder. nunca entrava numa área urbana ou um hotel sem usar terno e maleta. maior o status dele. à vista dos observadores. As grandes empresas instituem uma série de símbolos de status. uma grande empresa farmacêutica na Filadélfia ganhou dinheiro suficiente para construir um novo prédio para abrigar seus funcionários. até que tenha permissão para entrar. Abaixo deles ficavam os funcionários que ficavam em cubículos. Deve ficar claro que o que está envolvido aqui é uma questão de território. Esses dois símbolos lhe davam uma certa autoridade que o diferenciava do negro na mesma cidade. Os subalternos tinham escritórios sem janelas. Os dos cantos no último andar eram reservados para o pessoal mais graduado. Quanto mais rápido o visitante entrava na sala.Outro fator que determinava o status. enquanto que os do nível imediatamente inferior trabalhavam em cubículos com vidro transparente. e portanto os símbolos que denotam status tornam-se uma parte necessária da mudança. para o executivo sentado. O subordinado aguarda fora da sala do executivo. maior o status do executivo. Ele me disse que. Se o chefe estiver ao telefone. A planta do edifício podia conter escritórios e salas de trabalho sem distinção. após ouvir as batidas na porta. até que ele murmure: " Volto a ligar mais tardé'. mas ainda importantes. mas insiste em carregar a maleta simplesmente porque esta é importante para a imagem que ele precisa projetar. a maneira como desafia o espaço pessoal do executivo indica seu próprio status. Os funcionários mais rasos tinham mesas numa sala aberta. e então dê toda a atenção ao seu supervisor. A maleta carregada por um executivo é o símbolo mais óbvio. cujo número estava crescendo rapidamente. O visitante tem permissão para penetrar no território do executivo. O "chefe" entra na sala do subordinado sem ser anunciado. o tempo que este demorava para responder. Conheço um padre e educador negro nos Estados Unidos que viaja muito pelo país. Eles tinham paredes de vidro opaco e não havia portas. e todos nós sabemos da piada do homem que só carrega seu almoço na maleta. o subordinado pode sair sem ser notado e voltar mais tarde. Os escritórios de canto no andar inferior eram reservados para o pessoal de chefia. quando ia para uma cidade do Sul. Em relação ao executivo. Os executivos menos graduados. mas a empresa fixou deliberadamente um símbolo de status na distribuição e divisão dos escritórios. Há uma mudança contínua de status ou disputa para alcançar uma posição no mundo dos negócios. em outras palavras.

A hierarquia foi estabelecida por uma equação, dependendo do tempo
de casa, da importância do cargo, do salário e do título acadêmico. O título de
doutorado em medicina, por exemplo, dava a qualquer um, não importando
o salário ou tempo de casa, o direito a um escritório fechado. O profissional
com mestrado podia ter ou não um escritório, dependendo de outros fatores.
De acordo com esse sistema, muitos outros detalhes poderiam demonstrar o grau de status. Cortinas, tapetes, mesas de madeira em contraste a mesas
de metal, móveis, poltronas, cadeiras simples e, evidentemente, secretárias,
tudo isso estabelecia uma hierarquia.
Um elemento importante nesse conjunto era o contraste entre os cubículos de vidro fosco e de vidro transparente. Ao ser visto pelos outros, o homem
no cubículo com vidro translúcido era automaticamente reduzido em sua
importância ou posto. Seu território era suscetível à invasão visual. Ele era bastante vulnerável.
Como ser um líder
A abertura de um território e a invasão dele são funções importantes da
posição nos negócios. E a liderança? Por meio de que artifícios ou de que linguagem do corpo um líder se afirma como tal?
Voltando aos anos que precederam a Segunda Guerra Mundial, Charlie
Chaplin fez um filme chamado O grande ditador. Como todos os filmes de
Chaplin, este envolvia muita linguagem do corpo, mas a seqüência mais sensacional era aquela que se passava numa barbearia.
Chaplin no papel de Hitler e Jack Oakie interpretando Mussolini estão
sendo barbeados lado a lado. A cena concentra-se nas tentativas que cada um
deles faz para se colocar numa posição dominante, para afirmar sua superioridade como líder. Presos em suas cadeiras e cobertos por uma capa, só há um
modo de atingir o domínio, e é controlando a altura das cadeiras. Eles podem
abaixá-la e levantá-la. Aquele que conseguir levantar mais a cadeira vence, e
a cena se desenrola em torno da tentativa que cada um deles faz para erguêla o máximo possível.
O mesmo posicionamento ocorre com os outros seres humanos. Todos
nós sabemos que devemos nos curvar diante de um rei, de ídolos, de altares.
Abaixar a cabeça e se curvar, em geral, são formas de demonstrar superioridade ou inferioridade pela altura. São ações que transmitem a mensagem corporal: "Você é superior, portanto, é quem domina".
Um jovem que conheço, com bem mais de 1,80 m de altura, teve muito
sucesso nos negócios devido a sua capacidade de mostrar compreensão pelos
colegas. Observando as atitudes dele em algumas transações de negócio bemsucedidas, percebi que, sempre que possível, ele parava, inclinava o corpo ou
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se sentava, para permitir que seu colega ficasse numa posição de domínio e
se sentisse superior.
Em família, geralmente o pai senta-se à ponta da mesa, caso ela seja retangular ou oval. Muitas vezes, a presença de uma mesa redonda numa casa revela a constituição da família. Da mesma forma, em discussões em grupo, em
torno de uma mesa, o líder automaticamente assumirá o comando sentandose à ponta.
A história do Rei Artur e os cavaleiros da távola redonda mostra que esse
conceito não é novo. A mesa era redonda para que não houvesse questão de
domínio e todos os cavaleiros pudessem compartilhar a mesma honra de
estarem sentados à mesa. Entretanto, essa idéia foi enfraquecida pelo fato de
que o próprio Artur, sempre que se sentava, tornava-se a figura dominante e
o status de cada um diminuía à medida que aumentava a distância entre o
lugar onde o cavaleiro estava sentado e o rei.
O escritório do diretor de uma grande empresa farmacêutica onde trabalhei possui, além de sua mesa e escrivaninha, um sofá, uma cadeira de braço
e uma mesa de café com uma ou duas cadeiras em volta. Esse homem anuncia a formalidade ou informalidade de uma situação pelo local onde se senta
ao receber um visitante. Se quer tratá-lo de uma maneira informal, ele conduz
o visitante até o sofá, à poltrona ou à mesa de café. Dessa forma, ao se posicionar, ele indica o tipo de entrevista que o visitante terá. Se tiver de ser um
encontro extremamente formal, ele permanecerá sentado à sua mesa.
O espaço

que mantemos

inviolável

A necessidade de espaço pessoal e a resistência ã invasão do espaço pessoal é tão forte que mesmo numa multidão cada membro exigirá um certo
espaço. Esse fato levou um jornalista chamado Herbert Jacobs a tentar aplicálo a multidões. Visto que a estimativa do tamanho de uma multidão tende a
variar conforme o observador seja ou não favorável a essa aglomeração, o
número de pessoas presentes em comícios de políticos, encontros pela paz e
manifestações é aumentado pelos participantes e subestimado pelas autoridades.
Jacobs, estudando fotos aéreas de multidões onde podia contar o número de participantes, concluiu que as pessoas, em aglomerados densos, precisam de 3 a 6 metros quadrados, enquanto as pessoas em aglomerados mais
abertos requerem uma média de 9 metros quadrados. O tamanho da multidão, Jacobs finalmente concluiu, poderia ser medido pela fórmula, comprimento vezes largura dividido por um fator cie correção que levava a
densidade da multidão em conta. Esse cálculo podia determinar o número de
pessoas em qualquer aglomerado.
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Ao tratarmos de aglomerados, é importante perceber que o território pessoal das pessoas num aglomerado é destruído pelo próprio ato de se aglomerar. A reação a essa destruição pode, em alguns casos, mudar o humor da
multidão. Os homens reagem fortemente quando seu espaço ou território pessoal é invadido. Quando o aglomerado aumenta e fica mais compacto, a situação pode piorar. Um aglomerado menos denso pode ser mais fácil de
controlar.
A necessidade de espaço pessoal foi reconhecida por Freud. Para serem
atendidos, seus pacientes deitavam-se num divã, enquanto ele se sentava
numa cadeira, fora da visão deles. Dessa forma, não havia invasão do espaço
pessoal do paciente.
A polícia reconhece a importância do espaço pessoal de um indivíduo e
tira vantagem disso ao interrogar prisioneiros. Um livro-texto sobre interrogatório e confissão criminal sugere que o interrogador se sente próximo ao suspeito e que não haja mesa ou outro objeto entre eles. Qualquer tipo de
obstáculo, o livro adverte, dá ao homem que está sendo interrogado um certo grau de alívio e confiança.
O livro também sugere que o interrogador, embora possa começar o
interrogatório com sua cadeira de 60 a 90 cm de distância, deve mover-se para
mais perto, à medida que o interrogatório prossegue,"até que um dos joelhos
do sujeito fique entre osjoelhos do interrogado f .
Comprovou-se, na prática, que essa invasão física do território do homem
pelo policial, à medida que ele é interrogado, é extremamente útil para romper a resistência do prisioneiro. Quando as defesas territoriais de um homem
são enfraquecidas ou invadidas, sua segurança tende a diminuir.
Numa situação de trabalho, o chefe que tem conhecimento disso pode
fortalecer sua posição de liderança, invadindo espacialmente seu subordinado. Quanto mais o superior se debruçar sobre a mesa do funcionário, mais o
desequilibrará. O chefe de departamento que se aproxima do operário
enquanto está inspecionando seu trabalho faz com que o trabalhador se sinta constrangido e inseguro. De fato, o pai que ralha com o filho debruçandose sobre ele está complicando a relação entre eles, provando e reforçando seu
próprio domínio.
Essa invasão do espaço pessoal pode ser usada para provocar medidas
defensivas nos outros, ou podemos, ao evitar a invasão, impedir também as
conseqüências, por vezes perigosas, que esta acarreta? Sabemos que é perigoso não guardar distância do carro que está à nossa frente, do ponto de vista
da física. Se o carro da frente brecar rapidamente, podemos nos chocar contra ele. Mas não comentamos a reação provocada no motorista do carro da
frente, quando alguém "cola" nele.
Um homem que está dirigindo um carro muitas vezes perde uma parte
essencial de sua humanidade e, por estar protegido por uma máquina, fica
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Um carro. muitas vezes perde a função quando ele está dirigindo. chegou à mesma conclusão após realizar um experimento bastante inteligente. determinava que." O estudante. Todos nós já ficamos irritados quando alguém nos corta a frente. os introvertidos tendiam a se manter a uma distância maior das pessoas. uma tese de mestrado de John L. sente-se na sala ao lado até que o entrevistador possa falar com você. adotamos uma atitude civilizada e permitimos que as pessoas cortem a nossa frente para tomar um ônibus ou um elevador. Leipold. A polícia tem dados estatísticos para mostrar que centenas de acidentes são causados quando isso acontece. para discutirem sua classificação. e sabemos da fúria irracional. Outro estudo para uma tese de doutorado. que funciona tão bem para ele fora do carro. elogio e neutras. Foram chamados de instruções de stress. Três tipos de instruções aos estudantes foram dados pelo pesquisador. Nossas tonas de privacidade expandem-se. Por favor. pelo menos em parte. O homem que é reservado precisa de maiores defesas para assegurar a inviolabilidade de seu estado de isolamento. alguns homens sonham em agir ou reagir dessa forma.destituído de suas características humanas. As instruções de stress eram dadas para preocupar os estudantes. Williams. Na entrevista neutra. à extensão de nossos territórios pessoais quando estamos num carro. entrava na sala com uma mesa e duas cadeiras. parece se tornar uma arma perigosa nas mãos de muitos motoristas. em comparação aos extrovertidos. Numa situação social. feito por William E. e então eram mandados para uma sala. que às vezes pode invadir o motorista. Do espaço e da personalidade Têm sido feitos muitos estudos na tentativa de descobrir em que medida a reação à invasão do espaço pessoal está relacionada com a personalidade. Sem a máquina. devido à perigosa reação daquele que foi "cortado"." Vimos que as notas de nosso curso estão muito baixas e que você não está tentando dar o melhor de si. mas alguns psicólogos teorizaram que isso se deve. 38 . a zona de privacidade do carro se torna muito maior e nossa reação a qualquer invasão nessa zona é maior ainda. entretanto. A entrevista de elogio começava com um estudante sendo informado de que suas notas estavam boas e que ele estava indo bem. A comunicação corporal. uma na frente da mesa e outra atrás. Pode destruir muitos de nossos controles e inibições. então. Um deles. Primeiro os estudantes recebiam um teste de personalidade para determinar se eles eram introvertidos ou extrovertidos. ao ter seu espaço invadido. durante uma conversa. Não sabemos por que isso acontece.

Os introvertidos e os ansiosos sentavamse mais longe que os extrovertidos. quem chega à biblioteca se isola dos outros pesquisadores. Os resultados do estudo mostraram que os estudantes que eram elogiados sentavam-se próximos da cadeira do entrevistador. 39 . Além de se retirarem do local e se dirigirem para outro lugar. o dr. ele relatou. Sua presença me deixa incomodado". A próxima série de sinais da linguagem do corpo é fechar os olhos. É uma atmosfera tranqüila. Com isso bem mapeado. Sommer mostrando-se inquietos e finalmente retirando-se do local. tentativas de mover-se sem mcomodar o outro". sentando-se próximo a eles nos bancos e entrando nas enfermarias e salas onde ficam durante o dia. ele invadia sistematicamente a privacidade dos pacientes. Os pacientes reagiam à intrusão física do dr. sentando-se a certa distância dos demais. Dessas observações e das observações de outras pessoas. Esses sinais indicam: "Vá embora. Sommer descobriu toda uma área da linguagem do corpo que o indivíduo usa quando seu território privado é invadido. balançar as pernas ou bater com os dedos em alguma superfície próxima. Ela descreveu "gestos defensivos. Você está me invadindo ". e eles expressam: " Você está próximo demais. Sommer cita outra pesquisadora no campo de invasão espacial. Não quero você aqui. Concluiu que se todos os sinais da linguagem do corpo usados por uma pessoa fossem ignorados. Esses são os primeiros sinais de tensão. esta acabaria por mudar-se de lugar. descreve uma série de experimentos conduzidos em um ambiente hospitalar onde. que induz à privacidade. O dr. O dr. Na maioria dos casos. que usou uma biblioteca como seu palco de atuação. mudanças na postura. professor de psicologia e titular do departamento de Psicologia da Universidade da Califórnia. vestindo o jaleco de médico para ganhar autoridade. há ainda uma série de outros sinais. Robert Sommer. sob as mesmas condições. Essas intrusões. o passo seguinte foi determinar as reações dos homens e mulheres quando seu território era invadido. constatou que a maioria usava a linguagem do corpo para transmitir o que estava sentindo. como balançar o corpo. aproximar o queixo do peito e encolher os ombros. ou sentava-se bem em frente à pessoa. Nancy Russo. Embora ela não verificasse nenhuma reação universal nas pessoas das quais se sentava perto. Uma biblioteca é um local perfeito para se observar reações. Os estudantes que sofreriam stress sentavam-se mais afastados e aqueles que receberam instruções neutras sentavam-se no meio. invariavelmente incomodavam os pacientes e os faziam retirar-se de suas cadeiras ou áreas especiais. Nancy Russo tomava uma cadeira ao lado e então se aproximava ainda mais da vítima.as instruções eram simplesmente: "Estamos interessados em saber o que você está achando do curso".

Kinzel chama de "característica violenta em surto rápido entre grupos de guetos 'superlotados' e a polícia" pode ser atribuído à fal40 . Cada um deveria dizer: "Pare!" quando este estivesse próximo demais. ele notou que certos homens preferiam celas solitárias. Quando alguém se aproximava demais de um deles. um território ou uma bolha definidos. Kinzel. Esses homens. entravam num pânico infundado quando alguém invadia suas zonas corporais mais do que o normal. foi induzida em detentos violentos a mesma sensação que aquela por eles sentida quando atacaram outros prisioneiros por "mexerem com eles". queixavam-se que suas vítimas tinham "tentado reagir". cada homem percebeu que tinha uma zona corporal.Apenas um em cada oitenta estudantes cuja área foi invadida pela pesquisadora pediu verbalmente a ela para se afastar. Eles precisariam dç mais espaço para manter seu autocontrole? O dr. um espaço pessoal que o dr. O que poderia esclarecê-los? Para descobrir. Embora trabalhasse numa prisão em que os internos cumpriam pena por ação violenta contra a sociedade. de acordo com o dr. Kinzel conduziu um experimento na prisão. Oito tinham histórico de violência e sete não. " O grupo violento". Kinzel notou que os animais freqüentemente reagirão com violência a qualquer intrusão de seu território pessoal. S. Descobriu que esses mesmos detentos às vezes apresentavam reações violentas sem razão aparente. O dr. Kinzel. Esse pânico e a violência resultante ocorriam a uma distância que as outras pessoas considerariam normal. embora uma investigação cuidadosa revelasse que eles tinham assaltado pessoas que não reagiram. com quinze detentos voluntários. o dr. ele resistia como se o intruso estivesse "ameaçando" ou "transgredindo". Nesse experimento. Em seus primeiros estudos com animais. Kinzel constatou que muitos deles. Depois que o experimento foi repetido várias vezes. Kinzel nomeou de "zona de amortecimento corporal'. Augustus F. Os surtos de violência eram provocados de forma similar dentro e fora do presídio. apesar das privações impostas por elas. Suas zonas de amortecimento corporal tinham uma densidade quatro vezes maior que as zonas dos integrantes do grupo não violento. Medicai Centerfor Federal Prisoners (Centro Médico Norte-Americano para Prisioneiros Federais) que pode apontar um meio de se detectar. O restante usou linguagem do corpo para comunicar o desagrado que aquela proximidade provocava. predizer e mesmo tratar o comportamento violento de um indivíduo. Os homens deviam ficar de pé no centro de uma sala vazia enquanto o "experimentador" se aproximava lentamente. condenados por assalto com violência. disse o dr. o dr. que trabalha no New York Psychiatric Institute (Instituto Psiquiátrico de Nova York). desenvolveu uma teoria enquanto trabalhava no U. Kinzel. Muito do que dr. a atmosfera do presídio não podia explicá-los." mantinha o experimentadora uma distância duas vezes maior que o não violento". logo. mas apenas se aproximaram deles.

Pode. Aqui é necessário se afastar para resistir a uma situação constrangedora. de repente. podem se ressentir da situação em que se encontram. geralmente coloca. sua atitude pode ser considerada um pouco grosseira. Uma garota que penetra o território de um homem encontra um conjunto de sinais diferente do que encontraria se adentrasse o território de uma mulher. porque os passageiros tendem a desconsiderar os outros como pessoas. no contexto de uma situação de negócios. Simplesmente isso não é feito. por parte da polícia. Não me importo com você". Esse sinal. Nossa pesquisadora da biblioteca notou um homem que ergueu a cabeça e olhou para ela friamente. da inviolabilidade de zonas corporais. reafirmar a liderança do chefe. o assunto tem uma forte ligação com a questão sexual. O sinal que invariavelmente é enviado pelos intrusos é: "Não o considero como pessoa e. onde há um acordo tácito das necessidades territoriais existentes até que o homem interfira. portanto. ela se sentiu agredida. A mesma situação revertida. por exemplo. Há mais aceitação e a possibilidade de um flerte diminui a probabilidade de o homem se ressentir com a intrusão. As pessoas só suportam metrôs lotados. Num metrô lotado há uma interpretação ligeiramente diferente de sinais. Lá é importante que duas pessoas mantenham uma relação impessoal. 41 . O contrário também é verdadeiro. em vez de ser a agressora. O estudo do dr. Ela sentiu a desaprovação desse homem com tanta intensidade que foi incapaz de prosseguir o experimento pelo resto do dia. nem mesmo em Hollywood. o fato de elas serem forçadas a ficar tão intimamente próximas pode ser estranho. com que direito você está me invadindo?' Ele estava usando linguagem do corpo para resistir à intrusão dela e. Se eles forem forçados a reconhecer a presença de cada um devido a uma parada abrupta. Sexo e relacionamento impessoal Quando se fala em invasão. Caso contrário. De fato. posso invadi-lo. uma pessoa se ressentirá ao ser ignorada.ta de entendimento. indicando com linguagem do corpo: "Sou um indivíduo. entretanto. Nunca vimos filmes em que um rapaz e uma garota encontram-se num metrô lotado. e como detectálas e contorná-las. Kinzel parece indicar que estamos apenas começando a entender as origens de reações violentas nos seres humanos.a mulher numa posição defensiva. A pessoa que invade outra verbalmente em um metrô lotado é recriminada por fazer um galanteio embaraçoso. Em uma situação em que as pessoas não estão aglomeradas. na verdade. Esses ataques de violência raramente ocorrem no reino animal. pode ser desmoralizante para o funcionário e útil para o chefe. segundo Sommer.

uma "não-pessoa". Em outras situações outros procedimentos são adotados. cuja privacidade ela estava invadindo. envia um conjunto de sinais de deferência. Em linguagem do corpo você abaixa os olhos ao se sentar.Sua incapacidade de continuar foi porque o homem. Quando você se senta num ônibus lotado. ou tentar obter privacidade mantendo toda a mesa para si. envolve o uso de sinais. gestos e posturas adequadas da linguagem do corpo. Em linguagem do corpo você diz: "Compartilhe minha 42 . Nem há qualquer problema em invadir o espaço pessoal de uma não-pessoa. Essa capacidade de reconhecer os outros como seres humanos é uma chave extremamente importante para explicar como agimos e reagimos em linguagem do corpo. Como exemplo. Assume uma posição de retração. Verbalmente você se desculpa e pergunta: "Esse lugar está ocupado?". geralmente procediam de duas formas: podiam procurar privacidade posicionando-se o mais longe possível de outras pessoas que pudessem distraí-lo. Defender o espaço pessoal. que serve o jantar enquanto os convidados debatem a questão racial. Mesmo o servente que esvazia o cesto de lixo num escritório pode não se incomodar em bater ao entrar. O que você faz quando se senta a uma mesa vazia e deseja desencorajar outras pessoas a se sentarem junto com você? Que linguagem do corpo você usa? Um estudo feito por Sommer entre estudantes universitários mostrou que. ao se sentarem a uma mesa vazia. Sommer. é recomendável que você olhe para a frente e evite olhar para a pessoa que está sentada ao seu lado. O servente não é uma pessoa real para ele. Se você procura privacidade se isolando dos outros. não pode invadir o espaço pessoal de alguém. O dr. ou a empregada negra numa casa onde moram brancos. enfrenta o problema esquivando-se. bem como a escolha de um lugar. Como você age ao sentar-se ao lado de alguém A maneira como reconhecemos e reagimos a invasões inclui o que Sommer chama de "cerimônia de reconhecimento". observou-o como ser humano e não como objeto. bem como em todos os relacionamentos. pela primeira vez no experimento. tanto quanto uma árvore ou uma cadeira. deixou-a sem defesa e ela. Sommer cita as enfermeiras de hospital que discutem a condição do paciente ao lado de seu leito. de acordo com o dr. nem o ocupante do escritório se preocupa com essa intrusão'. Em circunstâncias normais. quando você invade o território de outro numa biblioteca ou lanchonete. Sommer destaca que um objeto. Ele é ignorado como pessoa. quando queriam privacidade. assim como o funcionário no escritório é ignorado como pessoa pelo servente. geralmente situando-se no canto da mesa.

vou me sentar bem longe. sou superior". Sommer. a linguagem do corpo envolvida inclui um conjunto diferente de sinais. ao fazer isto. Dessa forma. mas não na ponta. estarão de frente para a porta. Se você está disposto a dividir seu banco e sua privacidade. o ponto mais alto do tribunal. Se você não quer compartilhar o banco. A outra abordagem seria tentar manter toda a mesa para si. devo ser respeitado". A maioria dos estudantes que se isolou e tomou a defensiva. será mais provável que você se sente numa das pontas."Não me importo em dividira mesa. então se sentará num dos lados. Você não pode se sentar sem me incomodar. mas não me incomode. os estudantes que se sentaram ao centro da mesa estavam afirmando seu domínio. mas um sinal de localização. que estão na defensiva. impedindo que os outros se aproximem. citamos as seguintes: os estudantes que se retraem. para dizer:" Você não tem direito nenhum. 43 .mesa se desejar. e não um sinal de movimento corporal. se posicionará no centro e comunicará: "Quero este banco só para mim. digo: 'Não se aproxime' ou 'Sente-se aqui mas não seja invasivo'. violando sua zona pessoal. O introvertido procurará a sua privacidade compartilhando seu lugar com os outros. podemos ter nossa privacidade. O estudante que se sentou ao canto da mesa deixou implícito seu desejo de ficar sozinho. ficarão longe da porta. e estaria dizendo: " Deixe-me em paz. para sinalizar:"Estou bem acima de vocêe portanto meu julgamento é superior"-. preferiu o fundo da sala e preferiu mesas pequenas ou mesas encostadas na parede." Isto é parecido com o sinal que transmitimos quando o nosso corpo assume várias posturas em relação ao ambiente: atrás da mesa num escritório. ou próximo de outra pessoa. Indicam que o extrovertido tenderá a ir atrás de sua privacidade. indicando: " Se você precisar se sentar aqui também. Eu invado o seu espaço o quanto eu quiser e. Essas atitudes para preservar a privacidade refletem nossa personalidade. Em linguagem do corpo. mas mantendo-se à distância. então encontre outra mesa!" Entre outras conclusões do estudo do dr. portanto. Em ambos os casos. " Sentei-me aqui e." O mesmo acontece em bancos de parques. mas se ofizer. há espaço suficiente para me deixar só'. no alto da cadeira do juiz. para indicar:"Mantenha-se ã distância. Você deveriafazer o mesmo. Aqueles que desejam monopolizar a mesa toda. que desejam estar o mais longe possível dos outros. Estou aqui no canto para que a pessoa que se sentar aqui possa ficar o mais distante possível de mim". Se você quer privacidade e sentar num banco vazio. sua capacidade de lidar com a situação e também seu desejo de ter a mesa para si. Seria uma atitude ofensiva e quem agisse assim agressivamente se sentaria ao centro. Sente-se e estarã me invadindo".

como nos horários de maior movimento no metrô. em que as máscaras que usamos com tanto cuidado escorregam um pouco. Esses transmitem uma mensagem da linguagem do corpo a nossos amigos e colegas. O estudo dele.O sorriso que esconde a alma Muitos são os métodos que usamos para defender nossas zonas pessoais de espaço. O dr. descuidada e justificadd'. Goffman acredita que em lugares públicos espera-se que o homem padrão de nossa sociedade esteja bem-vestido e barbeado. e um deles é a máscara. O dr. um metrô ou trem lotados durante a hora do rush. com o cabelo penteado e as mãos e rosto limpos. afirma que uma das evidências mais claras desse procedimento é a forma como cuidamos de nossa aparência pessoal. mostramos o que realmente somos. Está de acordo com um ideal geral. cansados ou exasperados. uma aparência que lentamente está ganhando aceitação. Goffman ressalta que há momentos. quase peculiar. das roupas que escolhemos e do modo como nos penteamos. Mas esta aparência é esperada ou formalizada. Deixamos as defesas caírem e. Veja o quanto o ser humano desmascarado revela todas as suas faces. não barbeados e de aparência mais descontraída ou descuidada. nos esquecemos de controlar nossos rostos. de cabelos longos. A face que apresentamos ao mundo exterior raramente é nossa verdadeira face. escrito há anos. Somos cuidadosos quando se trata de revelar expressões faciais e corporais. em seu livro Behavior in public places. após um dia de trabalho. Erving Goffman. e " num tipo de exaustão temporária. Mostrar o que realmente sentimos por meio de expressões faciais ou de ações é um comportamento excepcional. Procure observar um ônibus. O dr. 44 . não levava em conta os jovens de hoje.

Sorrimos constantemente. de defesa ou até mesmo uma saída escapista. para nossos vizinhos. exagerando nos sorrisos. Certas mulheres. mas me desculpe. contraímos os músculos do estômago e apertamos a cinta. sorrimos para nossos filhos. ou ficam negligentes com sua aparência. Perdão". Meu corpo esbarra no seu num elevador apinhado e meu sorriso diz: "Não estou sendo agressivo. mas também de desculpas. Sento-me próximo a você num restaurante lotado. Com idade avançada. mas este é o único lugar vago". com o passar dos anos têm dificuldade. E assim sorrimos o dia todo. Mascaramos todo o corpo. quando na verdade nosso sorriso esconde nossas irritações e constrangimentos. As expressões de nosso rosto variam. Num carro. pelas manhãs. em funerais e mesmo no presídio. As mulheres usam sutiãs para manter os seios no lugar e mascarar sua sexualidade. principalmente quando usam saias curtas. Tire a máscara Novamente. há certas situações em que a máscara cai. Com o passar dos anos vêm os tiques. quando nossas zonas corporais são ampliadas. Mantemos uma postura rígida e abotoamos nossas camisas. muitas vezes nos sentimos livres 45 . o dr. Eles simplesmente são as máscaras que usamos. nossos maridos. entretanto. habituadas à sua beleza facial durante toda a juventude. para compensar a apatia protetora do dia. de qualquerformd'. Phillips observa que os prisioneiros aprendem a usar uma expressão apática e sem personalidade. Quando estão sós. por descuido. de "recomporem o rosto". O ônibus breca bruscamente e sou jogado contra alguém. as mandíbulas perdem a firmeza. Num livro chamado Prison etiquette. os detentos reagem intensamente. Os homens idosos tendem a perder a vaidade e babam. as máscaras que usamos freqüentemente se tornam mais difíceis de usar. Os homens usam roupa íntima que geralmente prende os órgãos genitais. sorrimos aos clientes. deixaram de esconder. na escola. conforme estejamos em festas. Na vida profissional. B. com medo de que nossos corpos gritem mensagens que nossas mentes. aos funcionários.Dia após dia cobrimos esse ser humano desnudo. pois um sorriso é sinal não apenas de humor ou prazer. e praticamos uma variedade de máscaras faciais. as linhas de expressão ficam bem marcadas e as rugas são visíveis. Controlamo-nos. Um sorriso tênue diz: "Não quero invadir seu espaço. aos nossos chefes. esposas e . nas risadas e no ódio que sentem dos guardas. fechamos os zíperes. As mulheres aprendem a sentar-se de certo modo para esconder a sensualidade.parentes. e muito poucos de nossos sorrisos têm grande significado. O processo de mascaramento vai além dos músculos faciais. meu sorriso diz: "Não quis machucá-lo.

mas como não conseguiu. então. Mas. evidentemente. Na presença de todos. como a pessoa idosa. se agir de uma forma sadia. soltando todos os impropérios do mundo.para deixar cair a máscara e. Essa mensagem. pode negligenciar as máscaras mais aceitas. da forma que se supõe que as pessoas devam agir. seja agindo de um modo peculiar. O dr. Diz a coisa certa ou errada. como roupas. O paciente mental. levantando a saia. muitas vezes é um dos sinais mais claros do comportamento psicótico. Pode limitar ao máximo sua comunicação pela linguagem do corpo. Em outras palavras. se alguém nos corta a frente ou encosta atrás de nós. freqüentemente não se usam máscaras. Deixar cair a máscara nos diz muito sobre a necessidade de usá-la. Ele perde ainda o contato com o mundo real. Por que nos sentimos tão fortes em situações tão insignificantes? Que grande diferença faz se um carro nos corta a frente ou "cola" na traseira de nosso carro? Mas. o homem insano precisa demonstrar sua insanidade por meio de ações e. Faz declarações que pessoas normais manteriam em segredo. também o faz dizer coisas distantes da realidade e provoca confusão na linguagem do corpo. simplesmente tirou o vestido e acertou a peça. geralmente é um grito pedindo socorro. num momento de descontrole. Assim como o comportamento psicótico faz o paciente perder contato com a realidade e torna sua comunicação verbal confusa. aqui está uma situação em que geralmente somos invisíveis e não há necessidade de usar máscaras. E. por definição. vestiu-se novamente. essa liberação da linguagem do corpo pode ser a chave para entendermos melhor o paciente mentalmente perturbado. ou agindo normalmente. Goffman descreve o caso de uma mulher que estava internada em uma instituição para mulheres e estava com uma peça íntima mal colocada. ela não pode parar de se comunicar por meio da linguagem do corpo. então enviará o mínimo de informações usando a linguagem do corpo. nossas reações podem ser exacerbadas. se ela se comportar de uma forma normal. ela tentou acertá-la. é uma pessoa sã. Livra-se das inibições impostas pela sociedade e age como se não tivesse mais consciência das pessoas que o estão observando. em seguida. com muita tranqüilidade. ao fazer isso. a melhora em instituições mentais muitas vezes é avaliada pelo interesse que se tem pela aparência pessoal. Em instituições mentais. envia uma mensagem ao mundo. Por isso. no caso do mentalmente perturbado. no entanto. Haverá outros critérios para identificarmos a sanidade? Logo. mas não pode ficar sem dizer nada. Embora uma pessoa possa parar de falar. Essa atitude de ignorar os recursos comuns de mascaramento. Por outro lado. de negligenciar a aparência e o cuidado pessoal. podemos perder a compostura e liberar as emoções. Isso lança uma 46 .

se vocêfor mulher. embora seja universal. Um livro sugere que é errado esfregar o rosto. O medo pode ser ocultado quando nos empenhamos vigorosamente a fazer o que mais tememos. "só por motivos muito sérios. a escuridão não basta para permitir o desmascaramento. Uma situação tensa pode nos fazer transpirar. "Uma moça decente não faz isso à luz do dia. a classe média tende a ser mais aberta a experimentações e menos apta a encobrir suas emoções. tocar os dentes ou limpar as unhas em público." "Os órgãos sexuais são feios". O livro de etiquetas dela descreve até como ignorar as mulheres. A chave para a maioria dos mascaramentos em nossa sociedade é freqüentemente encontrada nos livros de etiqueta. Podemos encobrir essas reações colocando nossas mãos nos bolsos. Mesmo no escuro elas não conseguem se livrar das barreiras que ergueram para se proteger durante o intercurso sexual. isso pode ser. e parte é ensinada especificamente. sentando-nos para tirar o peso das pernas. e abre novos caminhos para a terapia. Mas. Em outra situação desconfortável. responsável pela alta incidência de frigidez apresentada por mulheres da classe média. e nunca para uma mulher se vocêfor um homem". varia de uma cultura para outra. nossas mãos ou pernas podem tremer. Temos tanto medo do que podemos dizer a nossos parceiros por meio da linguagem do corpo. mentalmente perturbadas. Kinsey mostrou que as classes trabalhadoras apresentam tantas barreiras ou mais. como a relação sexual. ou do que podemos revelar com nossos rostos. Certos 47 . "Não é decente olhar. Há certas situações. Para muitas outras pessoas. Se houver alguma diferença.perspectiva inteiramente nova sobre as ações estranhas das pessoas. Parte do que sabemos sobre o uso de máscaras é aprendido ou absorvido de nossa cultura. nas quais o mascaramento deveria ser evitado para aproveitarmos o relacionamento amoroso ao máximo e. Mas a técnica de mascaramento. Segundo o dr. em termos da prática sexual. O mascaramento não pode encobrir as reações involuntárias. e não há como mascarar isso. ou nos movimentando tão rapidamente que o tremor não seja notado. muitos de nós somos capazes de tirar a máscara apenas em total escuridão. que tentamos eliminar completamente a visão do ato sexual e erguemos uma barreira moral para nos ajudar a fazer isso." E assim por diante. O que fazemos com nosso corpo e rosto quando encontramos amigos ou estranhos é cuidadosamente descrito por Emily Post. Estes ditam o que é adequado e o que não é em termos de linguagem do corpo. e ela não pode ser tirada. Goffman. no entanto. A máscara que nunca tiramos A necessidade de máscara muitas vezes é tão profunda que o processo se torna permanente. Ela discute como ignorar alguém acintosamente. em parte.

pessoas de status mais elevado agirão assim com pessoas de status inferior. São não-pessoas. Tudo nelas. talvez não. Os negros no Sul dos Estados Unidos são conscientes do "olhar de ódio" que um branco do Sul pode dirigir a eles sem nenhuma razão óbvia. neste caso. há momentos em que deixar a máscara cair é permissível. para serem educados. que diante dessas não-pessoas não é necessário ter nenhuma máscara. nem a patroa diante de sua empregada. considera-o um objeto que não merece respeito. não são pessoas reais. demonstrava riqueza e sua postura confirmava isso. Quando uma pessoa é uma não-pessoa? Em qualquer cultura. Estava num restaurante recentemente com minha esposa. Não nos preocupamos com a mágoa que podemos causar a uma não-pessoa. No Sul. 48 . dizendo:"Estou passando por branco". um negro. Na verdade. O que queremos fazer é o que realmente importa. e portanto não podemos constranger ninguém". embora fosse uma conversa íntima e particular. embora sua pele seja tão clara que poderia passar por branco. O chefe pode não se incomodar em se mascarar diante de seus funcionários. Com outro tipo de olhar pode sinalizar para outro negro. Uma das razões pelas quais a máscara pode ser derrubada. devem conversar sem olhar nos olhos uns dos outros. As crianças em nossa sociedade muitas vezes são tratadas como não-pessoas e os subalternos também.aborígines. desde o uso de peles ao penteado. inclusive nós. O mesmo olhar ou demonstração clara de hostilidade sem máscara pode ser dado por um branco para outro branco. Em linguagem do corpo essas duas mulheres estavam dizendo: "Vocês não têm importância nenhuma para nós. pelo branco do Sul é que este não vê o negro como pessoa. Um negro pode indicar pelo olhar que ele também é um irmão. exceto a cor da pele. como estes podem ser feridos? Essa atitude geralmente está associada a classes sociais. Para manter a ilusão de privacidade. Pessoas de uma classe social agirão sem máscaras com pessoas de uma classe inferior à sua. e nas culturas do Sul dos Estados Unidos um negro nunca tem permissão para fazer isso a um branco. Se ela não tem sentimentos humanos. todos os presentes. enquanto no Ocidente é educado dirigir o olhar para o parceiro enquanto conversamos com ele. e numa mesa distante duas senhoras idosas estavam tomando um coquetel. entretanto. No restaurante lotado elas conversavam tão alto que suas vozes ecoavam em cada canto. muito menos o pai diante de seus filhos. talvez conscientemente. para nos desligar da conversa das duas senhoras. fingíamos não ouvir ou conversávamos animadamente. diante de uma provocação. Sentimos. os negros têm seus sinais particulares.

mantemos nossas máscaras. tirar a máscara. muitas vezes. diante do menor sinal de encorajamento. No século XVIII. mas o volume de voz que usavam para falar que transmitia a mensagem. Ele descreve um homem de meia-idade. O dr. a seus pedidos e à possível tentativa de nos deixar constrangidos. que andava com um jornal dobrado e um guarda-chuva fechado. Aqui temos a técnica incomum de ter duas mensagens transmitidas por um único meio. ao revelarmos nosso verdadeiro eu. O masoquista e o sádico Em muitos casos. Nesses países. Quando nos aproximamos de um pedinte na rua.Em vez de usar seus corpos para sinalizar essa mensagem. nos abrimos a interpretações desagradáveis. essas senhoras usaram o volume de voz. de uma forma ou de outra. Há simplesmente muitas pessoas à nossa volta. a linguagem do corpo é tão bem reconhecida que se torna um fato aceito a idéia de que um homem. embora. e a razão de as conservarmos é importante. Tirar a máscara diante de uma não-pessoa. desviamos o olhar e passamos rapidamente. pelo menos nas áreas urbanas. casada com Ralph. Não podemos perder tempo para trocar palavras e amabilidades. mas nos sujeitaríamos a seu importunismo. Goffman deixa isso claro no ambiente de uma instituição mental. e a altura da voz transmite outra. Firmamos a máscara no lugar. na verdade. usando uma expressão de quem está atrasado para uma reunião. Veja o caso de Annie. Se nos permitíssemos tirar a máscara para ver o pedinte como indivíduo. ele não estivesse enganando a ninguém além dele mesmo. o significado das palavras transmite uma mensagem. Muitas vezes é perigoso. é importante fingir que ele não está lá e que não o vemos. Esses são casos em que a máscara é derrubada. e há menos mascaramento. a máscara pode ser física. O mesmo acontece em tantos encontros casuais. o mascaramento pode ser usado como um instrumento de tortura psicológica. Nos subúrbios ou no interior é diferente. O véu permite à mulher esconder a parte inferior de sua face e qualquer gesto não intencional que possa ser interpretado como encorajamento. e não era o entendimento do que diziam. não é tirá-la verdadeiramente. tentará forçar uma mulher ao intercurso sexual. com a mesma finalidade. O costume de usar véus serve basicamente para permitir que as mulheres escondam suas verdadeiras emoções e se protejam de qualquer agressão masculina. se não queremos lhe dar nada. Fazer-se passar por um homem de negócios normal era extremamente importante para esse paciente. Também. mas de uma forma quase desdenhosa. Na maioria dos casos. um homem 49 . que seguravam por uma haste. as mulheres usavam leques e máscaras. teríamos de enfrentar nossas consciências. Nos países orientais.

Manipulando cuidadosamente sua máscara. de uma forma estranha e um pouco pervertida. A vida é maravilhosa. por sua vez. Annie precisava estar com o jantar pronto exatamente às seis e meia. miraculosamente. faminta e muito satisfeita. mas acrescentou seus próprios temperos. Ralph pratica seu ato de tortura ou recompensa. observando o rosto impassível de Ralph. Como deixamos a máscara cair Os benefícios do mascaramento. enquanto Annie morria de angústia até finalmente ele dar um sorriso de aprovação. Ela sentia uma ansiedade na boca do estômago. Ralph sabia que ela o observava. o corpo todo tenso. No entanto. não se igualava a ele. Annie o chamava para a mesa e se sentava. Ele usa a mesma técnica à noite. Podemos. miserável e um silêncio total. quando ele e Annie estão deitados. O relacionamento sado-masoquista de Annie e Ralph beneficia a ambos de uma forma estranha. para a maioria dos usuários de máscaras. enquanto comiam. agora saboreando a comida. estar forçando um 50 . de repente.idoso. mais velho e mais instruído e muito consciente do fato de que Annie. Ela retoma a refeição. nos tornam relutantes em deixar a máscara cair. Não lhe dá sinal do que sente. Isso não o impedia de envolver Annie num jogo que incluía um mascaramento complexo e preciso. olhava e por um momento mantinha o rosto impassível. Não. Contudo. Annie explode de paixão. Depois. e Annie passa pelo mesmo jogo elaborado:"Será que ele me tocará? Será que ele me ama? Como me comportarei se ele me rejeitar?' "Quando finalmente Ralph se aproxima e a toca. Ralph não gostou. Será que errou? Sim. Ela. Sèus lábios não estão esboçando um ligeiro desagrado? Ralph. Todos os dias. os benefícios de usá-las são mais realistas. controlando sua linguagem do corpo. entre outras coisas. nem se fará amor com ela. Ralph é seu amado e ela se sente extremamente contente. O uso de uma máscara para torturar é o que devemos considerar. do ponto de vista intelectual e social. vivendo o mesmo drama. percebia que ele sabia. Então. após o trabalho. não nos cabe decidir se Annie é vítima ou cúmplice. Annie construía uma novela em sua cabeça. havia um ritual padronizado. Ralph amava Annie e achava que ela era a melhor esposa para ele. Teria ela preparado o prato corretamente? Temperou-o bem? Seguiu a receita. Ralph não dava nenhuma indicação de gostar ou não da refeição e. Será que Ralph gostou da comida? Quando a refeição não lhe agradava. mas. Ele chegava em casa às seis. Annie comia ansiosa. quando Ralph voltava para casa. observando-o furtivamente. deve ter sido isso! Sentia o coração apertado. Mas nenhum dos dois admitia isso. real ou imaginário. ela sabia o que esperar: uma noite fria. tomava um banho e lia o jornal da tarde até seis e meia. nem mais cedo nem mais tarde. Annie ficava exultante de alegria.

ela conseguiu convidá-lo a entrar para tomar uma Coca. embora odeie admitir. impostas pela sociedade. Ele. mas é incapaz de fazer isso.relacionamento que outra pessoa não deseja. uma moça de dezessete anos que procurou minha esposa para ajudá-la. e assim foi. mas no momento em que se instala um certo clima. A máscara de Cláudia é desnecessária e prejudicial. em vez de aproveitar uma oportunidade. Não me toque. Não é esse o seu desejo. Dessa forma. e ele desce no mesmo ponto e eu não o conheço. Cláudia é atraente. rejeita primeiro. Tolice? Talvez. No trabalho ela é uma grande colega e já saí com ela. um deles explicou. Não quero isso. Ele ajudou-a com os pacotes e ela foi obrigada a tirar a máscara. por costume. mas os homens com quem se encontra percebem o que acontece. pela experiência. Com seus trinta e poucos anos. Por trabalhar numa grande empresa de investimentos. para que os pacotes voassem. "Ela não deixa você se aproximaf. mas há máscaras necessárias. se ser rejeitada é a pior coisa que poderia lhe acontecer. mas ele é bonito e eu gostaria de conhecê-lo. Então. ainda é virgem. Para Cláudia é. Ela é uma mulher afetuosa e vê com horror a perspectiva de vir a ser uma solteirona sem filhos. Então. Ela nunca é rejeitada porque quem rejeita primeiro é ela. mas como vou deixar que ele se aproxime?" Minha mulher. Ganhamos tanto quanto perdemos? Veja o caso de Cláudia. Mas ela ainda é solteira e. e quando chegaram à casa dela. e marca muitos encontros. por que ela não consegue se envolver com um homem tanto do ponto de vista emocional quanto sexual? Cláudia não entende por que. visto que eles eram os únicos passageiros que desceram do ônibus naquela parada. também. e acho que ele se interessa por mim. Cláudia entra em contato com muitos homens durante o dia. sugeriu que ela carregasse alguns pacotes pesados da próxima vez que tomasse o ônibus. Para minha surpresa. assim que ela descesse do ônibus. ela vive sozinha. Cláudia insiste. mas funciona. sentindo terror de ser rejeitada. funcionou. eia vira uma pedra degelo e envia uma mensagem muito clara. antes que qualquer clima se instaure. o próprio uso da máscara pode afetar relacionamentos que desejamos ter. Quem precisa disso?" E quem precisa? Quem consegue ver por trás da fachada fria de Cláudia a mulher afetuosa que ela é? Cláudia. "Adoro a Cláudia. A pessoa que se mascara de acordo com essa regra pode querer desesperadamente usar a linguagem do corpo para se comunicar. 51 . "No caminho de volta para casa um rapaz toma o mesmo ônibus que eu todos os dias. O incidente suscitou a única reação possível. No entanto. ela nunca se dará mal. e tomasse um tombo cuidadosamente ensaiado. Um exemplo desse uso de máscara é uma jovem amiga adolescente. pôde tirar a máscara. Ou nos arriscamos a ser rejeitados.

para outros. há também uma necessidade paradoxal de transmitir mensagens franca e livremente. Às vezes a máscara pode ser tirada quando é substituída por outra. O grande problema com todos nós é que. desde a escolha do parceiro até a satisfação sexual. assim. e é capaz de dar piruetas. de tirar a máscara e ver se a pessoa que escondemos é um ser com seus direitos. O mesmo anonimato pode se manter e permitir. não nos conhecemos. em resumo. Mas. Juntamente com a constante necessidade de vigiar a linguagem do corpo. O homem que se veste de palhaço para um projeto de teatro amador muitas vezes oculta suas inibições como o faz com sua vestimenta. esses são simplesmente casos de dupla máscara. O uso da escuridão como máscara permite a alguns de nós a liberdade para fazer amor sem máscaras e. Afinal. mais liberdade. deve ser derrubada para que o indivíduo cresça e se desenvolva e qualquer relacionamento significativo seja iniciado. portanto. a máscara do anonimato serve ao mesmo propósito. isso ocorre quando um homem visita uma prostituta. sem dizer seus nomes nem saber os nomes de seus parceiros. de erguer outra defesa para que uma delas possa ser derrubada. e quem liga para o que fazemos ou dizemos?' Até certo ponto. invariavelmente: "Mas isso torna o encontro mais excitante. brincar e "fazer palhaçadas" com desembaraço e liberdade. de gritar e receber respostas. Quando perguntava como eles poderiam ficar tão íntimo's sem saber os nomes de seus parceiros. Posso relaxar efazer o que quiser.Na hora certa. de dizer ao mundo quem somos e o que queremos. manter um controle estrito dos sinais que se envia. de ganhar a liberdade para nos comunicar livremente. a máscara deve ser tirada. depois de usarmos uma máscara a vida toda. 52 . não é fácil tirá-la. a resposta era. Conheci homossexuais masculinos que me disseram ter encontros com homens.

Na hora que fiz isso. Harold passou a se comportar. ele foi um pouco longe demais. tinha catorze anos e era encrenqueiro desde a infância. e eu o agarrei com as duas mãos. eu o deixei se levantar e descobri. Na quinta aula. ainda confuso. ao mexer com as meninas.Segure minha mão Tempos atrás. ofereci-me como voluntário para dar aulas de redação criativa a jovens em nossa igreja local. Harold fazia inimigos sem nem mesmo se esforçar para isso. mas nada funcionou e Harold continuava a ser uma força insistente. O que poderia fazer agora? Deixá-lo ir? Ele se sentiria vitorioso. Tentei de tudo. depois acabou caindo na risada. pendurando-se em meu braço ou em meu pescoço. um dos jovens que freqüentou as aulas. Ao fazer cócegas. Daquele dia em diante. e se aproximando fisicamente de mim o máximo que podia. certa noite. Bater nele? Dificilmente. desde a compreensão e receptividade ã irritação e disciplina. grande para sua idade e muito falante. com a diferença de idade e tamanho. coloquei-o no chão e comecei a fazer cócegas nele. 53 . Bonito. Só quando ele me prometeu. estava desesperado. Primeiro ele urrava de raiva. se comportar. empurrando-me ou esmurrando-me. Harold. percebi meu erro. ofegante. destrutiva. invadi sua zona corporal e impedi que ele a usasse como defesa. que tinha criado um monstro. embora geralmente ele tentasse. e também se tornou meu companheiro inseparável. De minha parte. Numa inspiração repentina. Então. todos o odiavam e ele estava prestes a desfazer o grupo. como se fosse um Frankenstein.

O adulto pode achar que embora a máscara o ajude a manter sua privacidade e impeça qualquer relacionamento indesejado. Califórnia. William C.Retribuí a aproximação. máscaras debilitante. antes de serem cerceadas pela nossa sociedade. Então. também se torna algo limitante e impede os relacionamentos que ele deseja ter. para tocar. tocam a si mesmas. mas uma função do grupo. seu nível de percepção mediante o toque é reduzido. e de alguma forma nós dois a favorecemos naquela aula. Percebi. baseada na linguagem do corpo. com pesquisas feitas com grupos de homens isolados que vivem na Antártica e em seminários realizados em todo o mundo. O dr. excitação ao sentir coisas frias. busca romper com essas imobilizações físicas e trabalhar retroativamente com a imobilização mental. que tem por objetivo preservar a identidade do homem em meio à pressão exercida pela sociedade de hoje. Infelizmente. Mas. ganham em proteção. à medida que as crianças se tornam adultas. sem adentrar o espaço pessoal. A liberdade talvez não seja algo individual. daquele encontro. Elas aprendem a proteger seu corpo. segurança na textura de seu cobertor. que há momentos em que as máscaras precisam cair e precisamos nos comunicar pelo contato físico. exploram seu mundo pelo toque. ele também se torna fisicamente imobilizado. Para mostrar o quanto os sentimen54 . em muitos casos. O mundo tátil é restringido. Elas tocam seus pais e se aninham em seus braços. A nova terapia baseada em experiências no Esalen Institute em Big Sur. A consciência desse fato levou um grupo de psicólogos a formar uma nova escola de terapia. acariciar e interagir fisicamente com outras pessoas. ao invadir sua esfera pessoal. encontram prazer em sua genitália. mas também preocupada em romper com o processo de mascaramento por meio do contato corporal. chamados grupos de encontro. Schutz escreveu muito sobre a nova técnica de grupos de encontro. usando máscaras como proteção. me comuniquei com ele pela primeira vez. ao crescerem.s As crianças. violando seu território. suaves ou ásperas. O que me fascinou foi que. as máscaras muito freqüentemente ficam endurecidas e rígidas e deixam de ser uma proteção para exercer uma função debilitante. Elas acreditam que o que perdem em expressão. tornam-se conscientes de suas necessidades corporais em termos de sua cultura e descobrem que o uso de máscaras pode impedi-las de serem magoadas. o adulto fica mentalmente imobilizado. por serem as qualidades mentais tão facilmente traduzidas em qualidades físicas. quentes. Não podemos alcançar a liberdade emocional. embora também as impeça de sentir diretamente as emoções. Mas.

Você é o que sente ser Talvez o conhecimento dessa ligação entre a postura e a emoção faça um exército exigir que seus soldados fiquem retos e rígidos.tos e os comportamentos são expressos em linguagem do corpo. podemos entender a sugestão do dr. não pode ter o ego forte de um homem que mantém a coluna ereta. é menos flexível. de acordo com a dra. Ele vai adiante. Rolf acredita que isso afetará sua personalidade e fará com que você sorria mentalmente. Cada uma delas expressa verbalmente uma emoção e. o dr. Se você congela a face com um sorriso habitual. A coluna reta. Quando consideramos essas frases. O homem que está constantemente infeliz habitua-se a franzir a testa e isso passa a fazer parte de seu semblante. depois que se aprendeu a interpretã-la". de que as emoções endurecem o corpo seguindo padrões estabelecidos. Uma pessoa com uma postura encurvada. "Não bápalavras tão claras quanto a linguagem da expressão corporal. O homem agressivo. ombros retos indicam arcar com responsabilidade. As emoções dele. que sinaliza a mesma emoção. ombros encurvados sinalizam que estão arcando com uma carga. Schutz de que as "atitudes psicológicas afetam a postura e o funcionamento do corpo". um ato corporal. Rolf. Lowen acha que ombros retraídos representam raiva reprimida. em seu livro Physical dynamics of character structure(dinâmica física da estrutura de caráter). a dra. empinar o nariz. Ida Rolf. desenvolve essa postura e não consegue mudá-la. físico. por outro lado. Por sua vez. É difícil separar os fatos de fantasias literárias em muitas dessas sugestões de Lowen. essa postura organiza as emoções. mostrar os dentes e assim por diante. A esperança é que eles venham a se tornar decididos e determinados. principalmente quando ele afirma que a sustentação da cabeça é 55 . ficar de queixo caído. acredita ele. ao associar a função corporal à emoção. O mesmo é válido para o franzir da testa ou para posturas corporais menos óbvias. O interessante é que essas expressões também são frases da linguagem do corpo. Ele cita a observação da dra. fazem sua postura ou expressão congelar-se numa dada posição. Entre eles estão: olhar por cima dos ombros. diz ele. também. Alexander Lowen. o clichê do velho soldado com uma "vara para manter as costas retas" e uma personalidade rígida tem um fundo de verdade. Certamente. que impulsiona a cabeça para frente o tempo todo. confirma esse conceito fascinante ao afirmar que todos os problemas neuróticos são mostrados pela estrutura e função do corpo. O dr. ombros erguidos estão relacionados ao medo. Schutz cita várias expressões interessantes que descrevem comportamentos e estados emocionais em termos corporais. o peso de uma grande carga.

ou seja. nota que grupos de pessoas muitas vezes sentam-se com os braços e pernas cruzados para indicar rigidez e reserva. Se o jeito de uma pessoa falar. a mão esquerda da adolescente ainda escondia os olhos. pedindo com um grito quase audível da linguagem do corpo:" Toque-me! Pelo amor de Deus . parece haver muito sentido na relação que Lowen faz entre os estados emocionais e suas manifestações físicas. Numa fita uma mulher branca. se sua linguagem do corpo indica seu humor e personalidade e capacidade de se aproximar dos outros. perturbada e extremamente introvertida. entender as defesas que você construiu. mas preciso me proteger. também abrirá essa pessoa para a comunicação com o resto do grupo. a fim de poder aliviá-la. ou de um pescoço curto. resistência contra qualquer um que tente se aproximar. Não sei como lidar com a situação. num centro de treinamento e aconselhamento na New York University. Ela não olhava. A menina sentou-se à mesa com a cabeça baixa. agradando e convidando. muito gentil estava entrevistando uma menina negra. O importante é saber o que a pessoa está dizendo com esses braços e pernas cruzados. Recentemente. então deve haver formas de fazer uma pessoa mudar. "Estou assustada e não consigo tocá-la. embora fosse bastante articulada. ficar em pé. Ele fala de um pescoço longo. Como romper a proteção Como você rompe sua proteção? Como se aproxima dos outros? O primeiro passo para se libertar precisa ser: entender a proteção. descruzar as pernas e os braços. À medida que a entrevista progredia. de catorze anos." 56 . Schutz acredita. bem vestida. em seu livro Joy (Alegria). sentou-se com as pernas e os braços cruzados.uma função da força e da qualidade do ego. que mensagem está enviando. os dedos movendo-se. sentar-se. uma de suas primeiras entrevistas. A atitude física dela espelhava claramente sua atitude mental. movimentar-se. escondendo o rosto. alterando a linguagem do corpo. vi uma série de videoteipes de entrevistas entre conselheiros que estavam aprendendo a técnica de aconselhamento e crianças com problemas que estavam sendo aconselhadas. denotando força e resistência. mas a mão direita deslizou pela mesa e aproximou-se da conselheira. retraindo e avançando.toque-me! Pegue minha mão e meforce a olhar para você!' A conselheira. No entanto. de aparência fina. a mão esquerda cobrindo os olhos e a direita esticada sobre a mesa. que indica orgulho. Ela deve identificar as razões para sua própria tensão. Pedir a uma pessoa para se destravar. Schutz. Também é importante para a própria pessoa saber que mensagem pretende enviar. inexperiente em técnicas de aconselhamento e assustada com a experiência.

Dê-me segurança. ambições e problemas a meu amigo. mas também físico. sua própria rigidez e inflexibilidade. nada disso aconteceu. deslizando para o outro lado da mesa. a conselheira. seguiu-se uma discussão profunda de como ela havia reagido e por quê. constrangido e se afastar. foi capaz de chegar ao cerne do problema da menina num nível verbal. Para minha surpresa. a menina pediu. O contato ou invasão de privacidade necessária para romper as barreiras e tirar a máscara nem sempre precisa ser físico. Não se invade a privacidade de um homem dessa maneira. andávamos pela rua quando passamos por um restaurante estilo. dando e recebendo ajuda. ele estava encantado e entusiasmado. seria incentivada a examinar seus próprios medos e hesitações. para meu absoluto constrangimento. Pareceu-me uma atitude de péssimo gosto. O porteiro estava trajado com um uniforme típico do período e impunha sua presença. Quando nos despedimos. Eu tinha certeza de que a reação do porteiro seria ficar ofendido. Pode ser verbal. Meu novo amigo parou e. O porteiro respondeu. por meio da linguagem do corpo. ela também conseguiu abraçá-la e dar à menina um pouco do carinho de que ela precisava. Ele tinha a capacidade incomum de demolir as máscaras e as barreiras das pessoas verbalmente. depois de um minuto de hesitação. e a tentar na próxima sessão conseguir primeiro um contato físico com a menina e depois um contato verbal. Juntamente com isso. ao cruzar os braços e sentar-se com uma postura rígida. dizia: " Toque-me. treinando e analisando seu próprio comportamento.Como essa situação poderia ser desfeita? O dr. professor titular de educação na universidade. conheci um jovem notável que estava no mesmo hotel. Nessa situação. perguntei a meu novo amigo: —Você costuma fazer isso sempre? 57 . Antes da série de sessões de aconselhamento. A conselheira. perguntando sobre sua família. dizia: " Tenho medo: não consigo tocá-la nem permitir que você invada minha privacidade. Estou com medo". meados do século XIX. A outra mão. e nem dez minutos depois ele estava confessando suas esperanças. suas expectativas de vida e suas realizações. Não posso olhar para você. Numa viagem recente a Chicago. então. A conselheira. A cabeça baixa e a mão cobrindo os olhos diziam: "Estou com vergonha. Certa noite. um contato físico. começou uma conversa íntima com o porteiro. Chocado. Sua reação física foi o primeiro passo para iniciar uma resposta verbal. Só quando a invasão mútua tornou-se possível e houve contato físico direto é que as duas se encontraram. Faça contato comigo". Arnold Buchheimer. no momento apropriado para ajudar a menina. explicou que o primeiro passo para destravar seria mostrar a fita de vídeo (gravada sem o conhecimento da conselheira ou da orientanda) ao orientador.

Participando de jogos que fazem bem à saúde O dr.Participamos de um jogo de salão. com os olhos fechados. Schutz reuniu uma série desses "jogos de salão". Schutz sugere técnicas para expressar sentimentos na linguagem do corpo. tocando e explorando uns aos outros com as mãos. Para que ele tomasse consciência do que estava fazendo. Outro jogo que Schutz chama de "pressão cega" requer que o grupo. a tornar a linguagem do corpo compreensível e a romper com as barreiras que erguemos para nos proteger. Não há perdedores e o resultado final é um entendimento mais profundo das pessoas com quem você está brincando. seu grupo de terapia tentou fazê-lo dizer à pessoa de quem ele menos gostava no grupo seus verdadeiros sentimentos em relação a ela. Um deles é chamado por Schutz como "Sentindo o espaço". Há outros jogos destinados a estimular a comunicação. dizendo que não conseguiria fazer isso. esticarem as mãos e "sentirem" o espaço à sua volta. Quando ele protestou. gostam de entrar em contato com certas pessoas e com outras não. ele observa. Maine. Além dessas explorações experienciais. desmascarar a si e aos outros e torná-lo consciente da linguagem do corpo e de sua mensagem. O resultado final é semelhante àquele de "Sentindo o espaço". Inevitavelmente. Muito da técnica de grupos baseia-se na demonstração concreta de um problema emocional. As interações. com os olhos fechados. capaz de fazer alguém antipatizar com ele. Era mais fácil para ele fugir do que arriscar-se a ser magoado. alguns da UCLA School of Business e outros do National Training Laboratories em Bethel. Algumas gostam de ser tocadas e outras não. Todos eles têm o objetivo de romper as barreiras. Algumas pessoas. aqueles que tocam e os que são tocados podem encontrar uma nova consciência de si mesmos e dos vizinhos. tocam e exploram uns aos outros e reagem a esse contato e à intrusão do vizinho. eles entram em contato com os outros. com uma ligeira diferença. O isolamento físico dele o fez perceber que ele preferia se isolar a enfrentar alguém com franqueza e sinceridade. 59 . Por exemplo. Ele preferia se afastar de um grupo que arriscar fazer algo que pudesse provocar uma situação desagradável. combinações e permutações possíveis muitas vezes farão as emoções ocultas vir à tona. Ele dá instruções a um grupo de pessoas para se sentarem juntas no chão ou em cadeiras e. Se essas forem discutidas em seguida. ele faz um relato de um jovem que evitava qualquer relacionamento direto que pudesse magoá-lo. pediram-lhe para sair do grupo e sentar-se num canto. se mova pela sala encontrando. alguns coletados do Califórnia Institute of Technology.

em termos claramente físicos. Na técnica de Schutz. Ele considera que isso torna a realidade da pessoa mais clara para seus companheiros de grupo. tocados e cheirados. o homem que sente um ódio reprimido. descrito em termos de linguagem do corpo. Expressar emoções com o corpo. é capaz de expressar seu amor pelo pai. entretanto. Freqüentemente. o modo que você acha que sente ou como os outros o vêem? Enviamos certos sinais da linguagem do cor60 . levará aquele que está batendo a um estado emocional em que a hostilidade a esse pai pode ser liberada. serem cutucados. Ele é encorajado a bater no travesseiro enquanto expressa sua raiva e fúria. Outra técnica para expor um homem a si mesmo é fazer um grupo de pessoas formar um círculo com os braços fechados e deixar que a pessoa que está lutando para se entender lute para entrar no círculo. é seu pai. observados. O que ele está dizendo com seu andar. O que aconteceu a ele foi a liberação de uma emoção e da capacidade de odiar. Um membro do grupo pode ser observado pelos outros e. sugerida por Schutz. misturado a um verdadeiro amor pelo pai. expressa-se na linguagem do corpo o que já existia em termos emocionais. seus gestos? O que pensamos que ele está dizendo é o que ele realmente está dizendo? Uma discussão dos sinais enviados e recebidos pode esclarecer alguns aspectos a uma pessoa. assim como de amar. então. ficarem diante do grupo para serem examinados fisicamente. A maneira como ele lida com a situação pode ajudá-lo a entender seu verdadeiro self e suas verdadeiras necessidades. Ao se expressar dessa forma. uma técnica interessante. um amor que sempre foi escamoteado por ressentimento e hostilidade. como fazer cócegas em um dos participantes até que ele se desloque deixando-o entrar no círculo. permite entendê-las melhor. empurrados. é fazer os participantes. as emoções podem ser liberadas em interações entre pessoas.Em outro nível. pode perceber essas emoções conflitantes e lidar melhor com elas. um a um. com sua postura. Eu sugeriria que outra técnica pudesse basear-se na linguagem do corpo. Muitas vezes. ele deixa de sentir um profundo conflito e. Algumas pessoas forçarão a entrada para fazer parte do círculo. Quando um novo grupo de encontro está sendo formado. por sua vez. Algumas procurarão entrar conversando e outras usarão de malícia ou esperteza. digamos um travesseiro. fingindo que um objeto maleável. bater furiosamente no travesseiro (se este não romper e encher o ar de plumas). em vez de um objeto inanimado como um travesseiro. Quais as mensagens que você envia? Seu andar expressa a maneira como você realmente se sente.

êxtase. "Eles chegaram a ponto de não poderem ficar na mesma sala sem explodir. como podemos começar a entender nossos próprios sinais? Há várias formas. Depois. pesar ou desgosto. e então mostrar o filme a ele e discutir seus próprios sinais. e. Sem as técnicas aprimoradas de filmar e fazer videoteipes. Aquele que está tentando projetar a idéia de repente tem ciência de si mesmo. sua linguagem do corpo. sem dizer nada. de como ele se porta e como se move. servirá como uma força libertadora e fará as inibições desaparecerem. Essa é a representação de uma nova personalidade. de aceitar uma nova personalidade. isso pode ser parte de nosso fracasso em nos integrar ao mundo. quando o grupo discute o sucesso ou fracasso de sua tentativa de se expressar usando a linguagem do corpo. ouvindo a interpretação que os outros fazem deles. Apresentamos nosso verdadeiro eu ao mundo? As mensagens que nossos amigos recebem são aquelas que pensamos enviar? Se não forem. Os psicólogos têm conhecimento disso há muito tempo. Tudo o que elefaz está errado para ela. e ela sempre o está repreendendo. Ele tentou transmitir timidez e conseguiu. e a técnica de filmar um homem em um relacionamento com outros. tenta entender uma idéia ou emoção como alegria. de seus próprios gestos e sinais. Sem apelar para gestos simbólicos. Um homem ou uma mulher num grupo sai da sala e em seguida volta de novo. Um amigo meu me disse recentemente que em sua própria família ele estava tendo problemas sérios entre a filha de dezessete anos e o filho. Muitas vezes. a liberdade repentina de agir de uma nova maneira. permitindo que a pessoa com novo nome entenda-se num nível diferente. Essa pode ser a pista para entendermos nossos fracassos na vida. arrogância? Ele expressou entusiasmo no lugar de dor. ele toma consciência da reação deles aos sinais por ele enviados. Há outras variações de "representação" que podem se prestar à mesma função." 61 . de catorze. provou ser efetiva para que ele abra os olhos para a realidade. será que ele também confunde os seus sinais? Ou são corretamente interpretados? Esta é uma questão que deveríamos considerar. isso se torna um problema de projeção da personalidade. Então a pessoa deve agir de acordo com o novo nome que o grupo lhe deu. em vez disso. Outro jogo que pode ajudar o auto-entendimento é pedir a um grupo para dar a um de seus integrantes um novo nome. auto-afirmação em vez de incerteza? No espelho maior da vida. e talvez a mais direta e mais fácil seja por meio de um jogo parecido com resolução de charadas — mas diferente.po e é possível aprender mais sobre nós mesmos. um nome que seja adequado aos seus movimentos corporais. mas também de uma personalidade que ela preferiria ter.

pelas ações dela. sem usar palavras. raramente era tão séria quanto antes e. para a surpresa do resto da família. esses exercícios de sexualidade e amor podem se tornar intensamente significativos e ajudar no desenvolvimento e crescimento de um relacionamento. ele me disse depois. A mesma comunicação sem palavras. em si. Sem palavras ela não conseguia criticá-lo. transmitir uma mensagem definida um para o outro. No amor e em encontros amorosos a palavra falada pode encobrir a verdade. 62 . apenas com elementos táteis da linguagem do corpo. ela parecia fazer o papel de mãe dele. contribui muito para ocultar a verdadeira mensagem. Você não faz isto ou aquilo de modo correto". e as constantes repreensões eram menos de natureza crítica e mais de um amor possessivo de mãe." Sem as palavras. a verdade encontrará uma forma de se impor. Posteriormente. e de repente ela o recebeu nos braços. mas com o sentido visual em vez de tátil. Ela realmente se sentia a mãe dele. meu amigo me disse que. Então. eparecia não saber o que fazer. havia um novo entendimento e afeto entre-os dois. é muito mais fácil para muitas pessoas olhar para o corpo do parceiro depois de tê-lo tocado." " Você não está sendo suficientemente exigente.Seguindo a minha sugestão. na total escuridão. De alguma forma. tornou-a consciente disso e também a alertou. O que acontece em qualquer relacionamento é que a própria linguagem se torna uma máscara e um meio de ofuscar e confundir o relacionamento. Se a linguagem falada é abolida e a única comunicação que resta é a linguagem do corpo. " eles ficaram perdidos." O resultado disso. de que outra forma poderia se relacionar com ele. ele tentou fazer um jogo não-verbal com os dois. por trás disso. pode ser um segundo passo para fazer um relacionamento amoroso amadurecer. foi que toda a família concordou que. embora eles continuassem com sua rixa. Eu o farei feliz!'. A linguagem do corpo dela. Um dos exercícios terapêuticos mais úteis para um casal é tentar. Tentar dizer para seu parceiro: "Preciso de você. e disse a eles para fazerem tudo o que quisessem. ao aconchegá-lo. numa discussão posterior. "Por um momento". ele se aproximou de onde ela estava sentada e deu um sonisofranco para ela. A linguagem falada. " Você é exigente demais. Ou "Estou zangado com você.

" Mike não é muito bonito. Mas eles não sabem por quê." E então. Eu recebo sinais. "Estou disponível. transmite automaticamente sua mensagem. Sou direto e sei como agir. Em meia hora ele já a conquistou e está indo para casa com ela — para a casa dele ou dela..Atitudes. olhares e aproximações Mike é um homem que nunca perde uma garota. sou másculo. Ele é muito inteligente. dependendo da que for mais perto. Ele tem essa antena ligada. Mike tem um comando inconsciente da linguagem do corpo e usa-a com inteligência." Veja Mike em ação. Veja-o fazer contato e sinalizar sua disponibilidade. e a primeira coisa que sei. "Não sei. Há algo excitante em você e eu quero descobrir o que é. O que Mike tem? Bem. Todos nós conhecemos pelo menos uma pessoa como Mike.. quando ele se aproxima da pessoa que escolheu. e invejamos sua habilidade. Como Mike consegue isto? Outros homens que passaram metade da noite ganhando coragem para se aproximar de uma garota verão Mike entrar e dominar rápida e efetivamente. Ele é capaz de entrar numa festa cheia de estranhos e dez minutos depois sentir-se íntimo de uma garota. os sinais dizem: "Estou interessado em você. e respondo a eles. Mike a encontrará. Quando Mike entra numa sala. tem algo bem mais importante para esse tipo de encontro. acho que é isso. Se há uma menina disponível. Você me atrai. Parece que Mike tem quase um sexto sentido. Qual é a linguagem do corpo que ele usa? 63 . Pergunte às meninas e elas encolherão os ombros. se ele não é bonito nem é brilhante. mas não é isto o que o torna atraente. ou ela o encontrará.

Bem. Sou muito homem e quero você!" 64 . uma espécie de aura". a figura da sensualidade ameaçada. não é nada disso. é uma combinação de vários aspectos. na postura e na confiança de sua movimentação. o vilão que os homens odeiam e as mulheres — bem. em direção aos genitais. como se estivessem erguidos e as pernas geralmente estão afastadas uma da outra. mas efetivo. A mensagem pode ser decomposta na forma como eles se portam. a atração de Mike. Ele tem dezenas de pequenos gestos." O que é considerado agradável para uma mulher é perturbador ou desafiador e. Há algo de sensual nessa postura. as jaquetas e as gravatas. e os dedos apontam para baixo. Veja Mike quando ele fica em pé. é o caso de Paul Newman. nada tão vago quanto uma aura. O homem que tem esse andar precisa de pouco mais para virar a cabeça de uma mulher. Um homem que conheceu Mike não foi tão generoso. o comprimento da costeleta — tudo isso contribui para sua atração imediata. essa é comum. Alguns atores têm esse mesmo jeito de se movimentar. as camisas. o que elas sentem é mais complexo que ódio ou desejo ou medo e. Uma mulher descreveu isso como um "charme natural". há uma sensualidade definida nele. Em parte é a maneira como Mike se veste. Na verdade. Não a aparência com a qual nasceu. seus acessórios de couro." Mas sexy como? Não em seus traços físicos. nessa posição. e ele reagiu caracterizando a qualidade com desdém. com isso. Quando você olha para ele. direto. uma mulher experiente dirá. é uma combinação de todas essas coisas. Sou um homem perigoso quando estou só com uma mulher. ao se recostar na cerca do curral. a mulher explicará: "É algo que ele tem. eles podem transmitir uma mensagem claramente sensual. Rip Tom e."Mike é um homem muito sexy. no entanto. mas a forma como ele usa a aparência para transmitir sua mensagem. Você certamente já viu a mesma posição centenas de vezes em filmes de faroeste. o tipo de calça que usa. "Evidentemente. em geral não tomadas com o herói. a clareza não-verbal de Mike. Se for pressionada. mas o mais importante é a postura de Mike e seu jeito de andar. Marlon Brando. No entanto. Mas Mike tem esse algo mais. A aparência dele faz parte disso. "Sou uma ameaça sexual. um tipo de graça arrogante que despertaria a inveja de um homem e atrairia uma mulher. detestável para um homem. bem acima dos bolsos. talvez inconscientes. os quadris estão ligeiramente inclinados para frente. portanto. Com sua linguagem do corpo declarada. Quando Mike se apóia na lareira de uma sala para apreciar as mulheres. Mike move-se com charme. "Ele é afetado. que enviam sua mensagem sexual. Ele apóia os polegares no cinto. a forma de ele pentear o cabelo. a virilha proeminente e os dedos apontando para baixo. ele está enviando um sinal óbvio. mas com o bandido sensual.

invade a consciência dela. Mike envia a mesma mensagem. Não lhe fez nenhuma observação sugestiva. Mike toca a língua nos lábios. enquanto conversam. Ela retribuiu as atenções dele. E. Eles passam demoradamente pelo pescoço da mulher. A proximidade dele. Isso serve para sinalizar suas intenções. Ignora seu fingimento corporal e. mas a invasão física sem toque. Ele invade o território ou zona corporal da mulher. Ela está sem graça. O próprio Mike explicou como proceder depois disso. Mike se aproxima de uma mulher. com o rosto contraído? Ele sorri e descontrai seu rosto. de qualquer modo. Senão. e agora está envolvida demais para protestar. não tão perto para que ela possa fazer qualquer objeção. pelo corpo dela. do ponto de vista racional. Então. uma aura se você quiser. Ele é. Não deixo que o olhar dela se desvie. pela invasão visual. e fixo o meu olhar. pelos seios. mas aquela mulher suscetível que respondeu ao jogo inicial de Mike. abre-se para Mike. criar uma atmosfera. sua linguagem do corpo não pára aí. Pela forma de ficar em pé ou sentada. é suficiente para mudar a situação entre eles. Mike não toca sua presa desnecessariamente. responderá. menos gritante. seu próximo passo é a invasão física. no entanto. Em suma. Aproxima-se o suficiente para que ela se sinta incomodada e. Mas. Mas. visto que não a conheço. contra o que ela protestaria? O que Mike fez? Ele não a tocou. Fascina as mulheres disponíveis e interessa ou mesmo irrita as não-disponíveis. mais ou menos assim. Mike tem um instinto infalível para perceber a linguagem do corpo defensiva de uma mulher e romper com suas barreiras. como eu observei certa noite numa festa. não é apenas o olhar insistente de Mike que conta. Os olhos de Mike falam muito mais que sua voz. como inconscientemente ela quer realmente se abrir. um cavalheiro perfeito. Como? É fácil. quando sua linguagem do corpo recebe a mensagem de sua disponibilidade. E então faço minha escolha e chamo a atenção dela. sua intrusão no território dela. Mike leva essa invasão adiante. — Como você chama a atenção dela? — Olho um pouco mais demoradamente do que deveria. esqueço. ao fazer isso. Os braços dela estão cruzados defensivamente? Ele abre os seus. de acordo com todos os padrões da sociedade. O que eles dizem não importa realmente. A postura dela é rígida? Ele relaxa à medida que conversam. fixa os olhos e invariavelmente a mulher fica inquieta e excitada. Se ela estiver interessada.Numa escala menor. — Percebo qual é a mulher que está interessada. ele responde aos sinais corporais com sinais opostos e complementares e. Se o olhar dele for 65 . Lembre-se de que ela não é uma mulher qualquer. Detêm-se sensualmente e com promessas. Depois do contato por sinais.

por que ela não iria gostar? Mike a está cobrindo de atenção. andar. ainda. Basta um simples: "Vamos!" Ela está disponível? * Como Mike escolhe sua presa? Que linguagem do corpo uma garota disponível numa festa usa para dizer:"Estou disponível. Uma mulher disponível move-se de uma forma estudada. outros. Não importa o quanto ela possa estar disponível. fazendo um jogo lânguido com os quadris. Além da atenção que dispensa a uma mulher. Mas. a mensagem é mais discreta. a disponibilidade das mulheres era vista de uma forma burlesca pela rotina " venha me ver um dia". Estou interessada". muitas vezes tão discreta que o homem que não sabe usar a linguagem do corpo pode ignorá-la completamente. o nível em que Mike atua. no entanto. de uma forma convidativa. normalmente não é necessário nenhum esforço de persuasão. Alguém como Raquel Welch transmite a mensagem. Isso a desvalorizaria. Alguns movimentos dela são estudados e conscientes. numa época mais cínica. principalmente dos quadris e ombros. Ela pode sentar-se com as pernas afastadas. Um homem pode dizer que ela está se exibindo.insistente demais. mais intimamente. Pode passar levemente a mão pelos quadris enquanto fala ou. quando Mike sai com a garota de sua escolha. Como ela faz isso? Grande parte do tempo ela transmite sua mensagem pela postura ou movimentação. considera-se grosseiro demonstrar isso abertamente. Mike nunca comete o erro de demonstrar interesse por mais de uma pessoa. inconscientemente. é uma questão de interpretação. Na maior parte das vezes. uma sala de estar. basta a ela ser áspera e se afastar. Se isso não lhe agrada. voltamos à sensualidade direta. Uma geração posterior voltou-se para o rosto angelical e para a voz sussurrada e ofegante de uma Marilyn Monroe — uma falsa inocência. de Mae West. porque Mike raramente se engana. Num ambiente fechado. Algumas gerações atrás. Quer-o conhecê-la melhor. Mas. Uma garota em nossa sociedade tem um problema adicional nesse jogo de encontros sexuais. ela deve deixar transparecer sua intenção. mas a movimentação de seu corpo. Deve haver um conjunto definido de sinais. Você não é igual às outras mulheres. completamente inconscientes. está dizendo:" Você me interessa. demonstra sua disponibilidade. essas não são as mensagens diretas dos filmes. ou pode fazer um gesto em que uma mão toca o seio de uma forma displicente. outra mulher a considerará afetada. Hoje. Ele se concentra em alguém. conversa apenas com uma mulher e usa fortemente sua linguagem do corpo. E. É a única mulher aqui que me interessa". No fundo. Mesmo o homem que 66 .

há outra interpretação igualmente válida." Você tem fósforo?' Acender o cigarro para ela permite-lhe um momento de contato de pele que pode ser efetivamente perturbador. Não lhe darei ouvidos". Por exemplo. Os policiais foram extremamente hostis ao médico. o rosto fechado e sisudo. ela usa a intmsào territotial para deixar claras suas intenções. para que um homem use efetivamente a linguagem do corpo. Estou fechado. Quando alguém cruza os braços. a essa altura do jogo. aproveitando-se dessa situação de embaraço para deixá-lo perturbado. ela se moverá. Um toque no braço pode ser um golpe para desarmá-lo. apesar de ele ser responsável pela forma como a maioria deles e seus filhos foram criados. Os braços cruzados podem expressar: "Estou frustrado. Como exemplo. Essa é a interpretação clássica dos braços cruzados. Eles estavam dizendo claramente: "Estou sentado aqui com a mente fechada. O rosto dela está aflito e contraído de frustração? Ela está sentada numa posição rígida ou relaxada? Ela desvia os olhos quando você tenta olhar para ela? Todos os sinais corporais precisam resultar num todo expressivo. tocar o homem.entende um pouco do assunto pode se enganar. Eles demostraram sua hostilidade verbalmente. Mas. é perfeitamente permissível para uma mulher. Não importa o que você esteja dizendo. mas também muito mais claramente pela linguagem do corpo. Quando o homem se vira e demonstra inquietação. A mulher que dá sinais claros de sua disponibilidade também age de uma forma previsível. esta é uma interpretação comum. Posso ser abordado e facilmente disponível Embora o homem que conhece pouco da linguagem do corpo possa interpretar mal esse gesto. Na foto que ilustrou o artigo. enviando outros sinais. Senta-se muito perto do homem em que está interessada. Não estou conseguindo o que preciso. em sua discussão. foi publicada recentemente nos jornais uma reportagem sobre uma palestra do dr. trancado. Esse toque pode acentuar a excitação do homem. Ela faz vários trejeitos com o corpo para deixar claro que está disponível. as policiais estavam sentados com os braços cruzados. o homem que a atende melhor captará a mensagem correta dos sinais complementares enviados pela garota. 67 . tirando vantagem do desconforto que essa proximidade provoca. sem saber por que está perturbado. Spock para uma turma da Academia de Polícia. se for agir respeitosamente. Embora um homem não possa tocar a mulher. Deixe-me sair. Simplesmente não conseguimos nosentendef. Como Mike faz. uma mulher que cruza os braços pode transmitir o sinal clássico: " Estou fechada a qualquer tentativa de aproximação. em cujo território ela penetrou. não estou disposto a ouvi-lo. conhecida pela maioria dos psicólogos.

O truque de usar a voz para transmitir uma mensagem com um significado verbal inócuo é extremamente eficaz porque a presa. embora sutil. pelas regras do jogo. a que já assisti. a cadência e a inflexão vocal exalavam sensualidade. está preocupado em demonstrar respeito por sua vítima. é relativamente fácil dar o bote final. Vale a pena se proteger? Mas. no jogo da sedução. especialmente se são inseguras. o toque e o cheiro ainda não representam o arsenal completo da mulher nessa guerra. Se você perturba seu parceiro. As atrizes francesas entendem bem disso. se acontecer no momento certo. Para ser sexualmente agressivo. Um dos números de teatro de revista mais interessantes. com certa razão: "Mas o que eufiz? O que eu disse?' Isso envolve um esquema de proteção. precisa evitar a humilhação de qualquer maneira. inclinando o tronco para frente. é um uso muito comum. sedutora da voz. consistia de um ator e uma atriz fazendo uma "cena" de um filme francês: cada um enumerava uma lista de vegetais em francês. ou sua mão descuidadamente resvalando pela coxa do homem pode ser devastador. de modo a agir sem a necessidade de forjar esquemas para se proteger de um possível fracasso. os lábios pronunciados — mas também pelo olfato. Do outro lado da moeda. mas o francês é uma língua que se presta à sensualidade. O perfume certo na quantidade certa. não pode ser feita arriscando-se a "quebrar a cara". O atacante. A aproximação direta de uma mulher pode ser feita não apenas pela linguagem do corpo — acertar uma saia ao sentar-se próximo. O som é uma parte decisiva da abordagem. Para a mulher que demonstra claramente estar disponível. masculina ou feminina. se o protesto é feito. Na área do amor e do sexo. precisa se fazer 68 . a presa na caça inevitável. a visão. Conforme descrito antes. fora da Broadway. o convite por trás das palavras. descruzar as pernas. neste livro. dar-se mal é uma ocorrência devastadora e humilhante. mas a voz dela.O contato com a coxa de uma mulher. é uma parte importante da aproximação direta. não pode protestar. É um truque usado. tanto pelos homens quanto pelas mulheres. Se ele (ou ela) tem sucesso em sua investida. realçar os seios. não importa o que esteja sendo dito. para dar um aroma excitante. deixando-o agitado. um homem ou mulher precisa ter segurança e determinação suficientes. Nem sempre é o que ela diz. Para muitas pessoas. trata-se do uso de uma banda de comunicação para transmitir duas mensagens. o tom e a qualidade íntima. a pessoa sexualmente insegura. mas o tom de voz. sempre pode voltar atrás e dizer. para poder manipulá-la. pode servir para desarmar o homem. pois não importa o quanto a perseguição do amor ou do sexo tenha sido intensa.

Então. ele explica: "Passo por ele e então olho para trás. sem dúvida. o que a presa faz? Afasta-se e arrisca erguer a sobrancelha. ele olhará para trás também. ou se sujeita à manipulação de um pervertido para não atrair atenção para si. e o medo de ser humilhada pode impedi-la de protestar. Sofrer uma decepção depois disso seria humilhante demais. Olhar rápido para a virilha. e é difícil lhe dizer como sefaz isso. " Fazer contato é relativamente simples. o atacante adentra o território da presa e.. Suponha que ela tivesse interpretado mal as atitudes dele. "A primeira coisa a fazer é identificar seu homem. com tara sexual. Quando. Se há qualquer interesse. ou mesmo agredindo-o. O homem marginal. Ela suporta ser perturbada por um pervertido que toca o seu corpo. em uma pesquisa. ou mostrando alguma satisfação. Alguns são o jeito de ele andar. acho que é o contato pelo olhar.respeitar. O atacante pode manipular a presa. Se a vítima reagisse rindo. o atacante é bem-sucedido em seu jogo. Sabemos que muitos pervertidos sexuais sentem satisfação ao se expor e causar o constrangimento e a vergonha de suas vítimas.. e então os olhos dele podem viajar pelo seu corpo. essa seria uma experiência devastadora para o marginal. Os homossexuais "passeando" pelas ruas podem identificar uma alma simpatizante sem trocar uma só palavra. O mesmo tipo de interação é usado pelo agressor sexual marginal. depende de seu susto e insegurança para mantê-la quieta. Programas de "todos os tipos" Falando em comportamentos que fogem dos padrões. devagar." Analisando seus próprios sinais. explicou recentemente. Nos aproximamos um do outro . fala sobre banalidades óbvias. na maioria dos casos. Isso a coloca numa desvantagem tremenda no jogo. efazemos contato!" 69 . entre homossexuais masculinos ou femininos há sinais bem determinados de linguagem do corpo que podem estabelecer a comunicação íntima. Ele o olha um pouco mais demoradamente. Na maioria das vezes. "O que você achou que eu queria?" Supor que o atacante tem uma atração sexual por ela é atribuir mais valor a si mesma do que ela realmente acredita possuir. por exemplo. A mesma dinâmica está em ação. uma pista. paro para olhar a vitrine de uma loja. ameaçando-a de humilhação. usando uma voz sedutora. fora de uma situação social. que tenta tocar ou acariciar uma mulher ao vê-la passar pela rua no meio da multidão. Você olha e sabe. embora muitos de nós andem como homens heterossexuais. em seguida desviando é. porque há vários pequenos sinais. Logo. um jovem homossexual.

Os sinais do homossexual para iniciar contato não são muito diferentes dos sinais do homem que deseja se aproximar de uma mulher. parasse para olhar a maquiagem. A técnica dele se baseava na linguagem do corpo. Primeiro ela fingia que as tentativas dele não eram bem recebidas. ela risse e respondesse a ele. Meu amigo então parava. caso estivesse acompanhada. Andando pelas ruas ou. perambulando. quando eu era soldado e estava de folga em Boston. Vamos levar isso adiante'. se exibe e segue um procedimento formal para atrair a fêmea. olhava-a mais demoradamente e erguia uma sobrancelha. Observe dois pombos no parque. um amigo me convenceu a sair com ele para "pegar mulheres". e cada passo é rigidamente esquematizado e o jogo deve ir até o fim. fizesse comentários comigo. fazia parte do ritual e permitia que ele iniciasse um contato verbal. Percebeu que se pedisse fósforo a qualquer um do bar isso seria entendido como um sinal: "Estou interessado. quando viu que não tinha fósforo. Muito tempo atrás. as negociações podem ser facilmente rompidas por um dos parceiros. esse era um dos vários sinais de retorno que significavam: "Sei que você está me olhando e talvez esteja interessada. A qualquer momento." Os sinais são rígidos eformalizados. Esse é um requisito fundamental para uma caçada tranqüila e bemsucedida. mais apropriadamente. ou fizesse comentários sobre ele a uma amiga. enquanto ela finge indi70 . entre adolescentes. Era inexperiente nisso. onde o macho circula. Se. para arrumar a meia ou olhar uma vitrine na rua. e ás vezes eles não são falados. mas tive de bancar o "sabichão". com outra pessoa. sobre o vestido dela. O início de encontros entre certas espécies animais segue um ritual semelhante." O dr. ele comprou uma caixa de fósforos do balconista. Se essa fase demorasse demais. então isso indicava um crescente interesse. Evocê?" No final. a caçada terminava com meu amigo ao lado da garota. pois não podia confessar minha ignorância. Acompanhei-o e observei atentamente meu amigo. Segui-la. um recurso que mantinha o respeito e evitava que ela ficasse ofendida. no entanto. conversando com ela com uma familiaridade evidentemente hesitante. seu olhar — tudo de uma forma bem-humorada. Meia hora depois ele tinha conseguido cinco garotas e escolheu duas para nós. sem entrar em contato com ela. ele captava o olhar de uma interessada. Se a garota andasse mais devagar. Eventualmente. sua maneira de andar. Goffman nos conta sobre um homossexual que parou num bar "gay" para tomar um drinque. mas não tinha interesse em arranjar companhia. sem que ninguém se ofenda. Ele pegou um cigarro. Já vi a mesma técnica usada hoje. se estabeleceria um acordo mútuo de que essas tentativas não eram aceitas. mas traduzem urna mensagem verbal. virava e seguia a garota por um quarteirão.

o dr. por sua vez. Esses passos dados pelo homem. e só então. estudou e estabeleceu padrões de insinuação amorosa ou flerte e o que ele chama de "quase-flerte" nos seres humanos. O dr. Todo comportamento humano é padronizado e sistemático. e num estudo dos elementos que compõem nossas relações sexuais. Scheflen constatou que em reuniões de negócios. ou não passar para o próximo passo. Ele explica isso dizendo que. Depois do beijo inicial.ferença. Nielsen sugere que o rapaz (ou a moça) seja rotulado "apressado" ou "lento" em termos da ordem de cada passo. indicando um "vá-em-frente". em festas. pode bloquear essa tentativa. Studies in Self-Confrontation (Estudos sobre Autoconfrontação). e da mesma forma. mas não espera realmente chegar lá antes de beijá-la repetidamente. na escola e em muitos outros tipos de reuniões. e também é formado por pequenos segmentos regulares dispostos em grandes unidades. é ser lento. "Pularpassos ou invertê-los é ser apressado". Ele pode deslizar a mão pelas costas dela e se aproximar do seio. Uma linguagem do corpo bem-definida é usada. quando um rapaz segura a mão da garota. Isso é igualmente válido para o comportamento sexual. deve esperar até que ela pressione sua mão. antes de tomar o próximo passo de entrelaçar os dedos com os dela. entre os seres humanos. o uso extremamente importante da linguagem do corpo no que ele chama de "dança da sedução" do adolescente norte-americano. 71 . Um passo deve seguir o outrp. professor-titular de psiquiatria no Albert Einstein College of Medicine em New York City. Esse quase-flerte é o uso do flerte ou insinuação para atingir metas não relacionadas a um relacionamento sexual. O dr. pressionando o braço contra o tronco. e as respostas dadas pela mulher. até que ele possa colocar seu braço no ombro dela. o dr. ele pode tentar tocar o seio dela outra vez. Scheflen. embora não tivessem um objetivo sexual em mente. de acordo com dr. Nielsen descobriu vinte e quatro passos entre o " contato inicial entre o jovem e a garota e o ato do coito". segundo ele. descreve em seu livro. do Laboratório Psicológico da Universidade de Copenhagen. Albert E. por trás. Escolha sua postura O dr. as pessoas usavam esses elementos sexuais. assim como proíbe o primeiro beijo antes de segurar a mão. Scheflen. O protocolo proíbe-o de se aproximar do seio dela pela frente. Gerhard Nielsen. no jogo da sedução. Ela. e não do tempo que leva para cada iniciativa. da mesma forma que ignorar o sinal para ir em frente para o próximo passo. têm uma "ordem coerciva". Analisando o procedimento da sedução de um ponto de vista objetivo e clínico.

Scheflen. A medida que ocorrem mudanças. arranjar a gravata ou endireitar o vinco da calça. o homem ou a mulher pode começar a usar certos gestos que o dr. de acordo com as investigações do dr. embora não estejam cientes do que estão fazendo. Aquele que estiver à direita cruzará a perna direita sobre a esquerda. Mesmo os olhos parecem mais brilhantes. puxar as meias. Observe um homem e uma mulher numa festa. arrumará as roupas ou afastará o cabelo do rosto. se um casal estiver dividindo um sofá e uma terceira pessoa estiver numa poltrona de frente para eles. O corpo fica mais reto. Esses são sinais corporais que dizem: "Estou interessado. O segundo passo nesses encontros sexuais consiste de posicionamento. Quem estiver à esquerda há de cruzar a perna esquerda sobre a direita. arrumar as roupas. enquanto a pele pode enrubescer-se ou ficar mais pálida. Entretanto. firme e alerta. Eles podem resolver o dilema tendo o melhor dos dois mundos. Eles podem fazer isso dispondo seus braços em círculo. eles ficarão divididos entre duas compulsões. Como eles se sentam? Eles ficarão de frente um para o outro. Às vezes. Há menos "papada" no rosto e "bolsas" em volta dos olhos. A postura deles se torna mais jovial. ou — e mais provavelmente — que o comportamento sexual envolve certos sinais característicos da linguagem do corpo quando não é usado com a finalidade de intercurso sexual. passam por inúmeras mudanças corporais que os levam ao estado de prontidão. e a outra é a responsabilidade social de ter de incluir a terceira pessoa. Sou um homem— uma mulher— atraenté'. Podem cruzar as pernas para indicar que estão num círculo fechado. Os músculos de seus corpos se tornam ligeiramente tensos e "prontos para a ação". Scheflen chama de "comportamento de exibição" . ou cruzando os pés um de frente para o outro. seus estômagos se encolhem e os músculos da perna ficam contraídos. Uma delas é o desejo de se fechar em seu próprio espaço. um casal que esteja se conhecendo e apresentam um interesse sexual crescente um pelo outro. Uma mulher tocará o cabelo ou verificará a maquiagem. quando um homem e uma mulher preparamse para um encontro sexual. lembrando uma época mais primitiva em que o olfato era um sentido extremamente importante nos encontros sexuais. Note-me. enquanto o homem pode pentear o cabelo. De fato. isso impede que uma terceira pessoa se junte a eles — da cintura para baixo. Pode haver mudanças no odor de seus corpos. abotoar o casaco.Ele chegou à conclusão de que os norte-americanos se portam sexualmente quando se reúnem sem objetivos sexuais. Inclinam-se um para o outro e tentam bloquear uma terceira pessoa. Você me agrada. para bloquear qualquer outra pessoa. a responsabili72 . O que são esses padrões de comportamento sexual? Bem.

Gostaria de conhecê-lo melhor." Agora. ou esses sinais não têm uma conotação sexual? Ou há algo errado com nossa interpretação da linguagem do corpo? Em um seminário de psicoterapia de grupo. Eles podem enviar sinais que parecem ser os mesmos de um encontro sexual. mas num grau menor.dade social diante de uma terceira pessoa pode fazê-los virar a parte de cima de seus corpos de modo a olharem-na diretamente. Ele. Na sala de conferência de uma grande empresa industrial. ele descobriu que os sinais da linguagem do corpo enviados quando um encontro sexual era esperado não eram os mesmos que aqueles enviados para outras finalidades. Estão usando a linguagem do corpo que em o. um psicoterapeuta usa a linguagem do corpo para se aproximar de uma mulher. Havia diferenças sutis que anunciavam: "Estou interessado em você e quero fazer negócios com você. abrindo-se para ela. mexe os quadris. Todos esses são sinais aceitos que enviam uma mensagem sem o uso de palavras. reage como se estivesse de acordo. onde os dois possam formar uma unidade. por sua vez. Ele está saindo da linha e violando seu código de ética? Ou isso faz parte de sua terapia? Ou. cruza as pernas ou expõe o pulso ou a palma da mão. coloca a cabeça para um lado. no entanto. novamente.utras circunstâncias convidaria a avanços sexuais e. ela age como a mulher sexualmente agressiva o faz. um homem e uma mulher executiva discutem os custos de produção com outros executivos. " Venha e sente-se perto de mim. Eu o acho atraente. um pouco de linguagem do corpo além da linguagem do corpo 73 . Scheflen constatou que freqüentemente sinais sexuais eram enviados quando as pessoas envolvidas não tinham intenção de ter qualquer encontro sexual. Encontros semi-sexuais O que devemos fazer para deixar claro que não temos nenhuma intenção de ordem sexual? Fazemos isso enviando outro sinal juntamente com o primeiro. vamos tomar uma situação sem conotação sexual. Quando uma mulher numa reunião deseja colocar um homem numa situação de intimidade. mas não se trata de interesse sexual'. Utiliza a linguagem do corpo que inclui olhares sedutores. Estarão eles flertando. Eles estão mascarando seus verdadeiros sentimentos e têm realmente um desejo sexual um pelo outro? Ou estamos interpretando mal a linguagem do corpo deles? Num seminário de faculdade um observador inexperiente interpreta os sinais corporais de uma estudante como o convite para um encontro sexual com o professor. olhares demorados. obviamente esses dois profissionais estão voltados para a questão de negócios que têm em mãos. são sinais confusos? Depois de cuidadoso estudo dessas situações e de outras semelhantes. Entretanto. o dr.

ou erguer a voz para incluir todos na sala. mas ainda com uma forte interação homem-mulher. e não namoradots". o caráter sexual desaparece. braços dispostos de modo a incluir apenas o parceiro ou qualquer sinal que indique intimidade. Um modo de deixar um parceiro saber que os sinais sexuais não devem ser levados a sério é referir-se. O intelectual usa-a como auxílio na sala de aula. um elemento vital ao encontro sexual deve estar faltando. ou colocar os braços para fora. e o terapeuta usa-a para ajudar numa situação psicológica. entretanto. Uma certa rotina de negócios é seguida. Isso nos faz voltar à crença do dr. Não são raros os casos de professores atraídos por alunas. uma voz baixa e particular. sem qualquer expectativa de satisfação sexual. de alguma forma. numa reunião de negócios. Em cada caso. ainda estão explorando o fato de que há diferença sexual entre eles. omitir uma parte importante deles. também ocorrem entre pais e filhos. Os homens de negócios usam sinais da linguagem do corpo para conseguir um certo relacionamento. garantia de que em qualquer parte dessas situações a sexualidade não se desenvolverá. pois esses encontros envolvem um clima insinuante e até uma promessa. de executivos atraídos por executivas. Além de acontecer fora de casa. e de terapeutas por pacientes. Duas pessoas sentadas perto uma da outra. ou de uma aula. hóspedes e anfitriões. e mesmo entre duas mulheres ou dois homens. Outro truque para separar sexo de negócios é emitir sinais incompletos na linguagem do corpo sexual. ou para os outros membros presentes. o padrão final será diferente. Esses encontros semi-sexuais ocorrem tão freqüentemente que fazem parte de nossa cultura. ao fato de que se trata de uma reunião de negócios.habitual. Podem quebrar o contato com o companheiro com os olhos. O elemento que falta pode ser a ligação através do olhar. Nesse caso. trata-se de outro caso em que dois sinais são enviados numa única banda de comunicações. para incluir outros em seu círculo privado. Poderia ser alguma coisa tão simples quanto um gesto ou um movimento dos olhos ou da cabeça para uma autoridade. e não objetivando a satisfação sexual. Isso traz ã situação um enfoque adequado e esclarece ao parceiro: "Somos amigos. ou de um grupo de psicoterapia. mas todos sabem que estão simplesmente explorando seu poder de sedução. Scheflen de que o comportamento ocorre em unidades específicas que formam padrões globais. podem adotar um relacionamento sexual olhando uma para a outra. Outra forma de deixar clara a ausência de interesse sexual é referir-se a uma conversa com a esposa. Os participantes. mas podem manter-se afastadas. Uma coisa que precisa ser esclarecida sempre nesse relacionamen74 . um amigo ou noivo. meio insinuante. Não há. Se alguma das unidades for omitida. mas condimentada por um forte sabor de sensualidade.

colocando a perna cruzada na frente da mãe e. sexual. cruzaram as pernas. cruzava as pernas e as estendia. mas deve deixar clara sua posição não-sexual. filha.to sexual-não-sexual é que não deve ser real. Scheflen descreve a situação de uma família em uma consulta com um terapeuta: a mãe. evidentemente. para envolver os pacientes na terapia. pelas mulheres e pelo pai sem que qualquer um deles tivesse consciência de seu próprio uso de sinais. Quando o terapeuta respondeu inconscientemente às "investidas" dela. elas são facilmente confundidas. uma reunião de negócios ou uma aula. De um estudo cuidadoso de comportamento sexual-não-sexual. de cada lado da mãe. de forma alguma"."-. parou de enviar os sinais sexuais e recostou o corpo para trás. Ela procurava ser atraente. identificar os sinais definidores e caracterizadores que distinguem as aproximações com intenções sexuais das nâo-sexuais. O sinal — balançar o pé para cima e para baixo! E tudo isso era feito pelo terapeuta. Há pessoas que. para que um parceiro de repente diga: "Mas eu pensei que você queria. Talvez o mais interessante sobre toda a charada fosse que ela era sempre "fechada". "fechando-a". Scheflen observa que há alguns psicoterapeutas que usam esse jogo de atração conscientemente. começa a transmitir sinais sexuais em linguagem do corpo. isso também acontece quando um participante é ignorado ou excluído pelos outros. não. Desde o início. Uma paciente desinteressada pode ser induzida a falar abertamente devido a uma aproximação sexual por parte de seu terapeuta. a mãe. tanto a menina quanto a avó. em termos de linguagem do corpo. Scheflen conclui que geralmente ele ocorre entre duas pessoas quando uma se preocupa ou se afasta da outra por alguma razào. O importante de tudo isso é conhecer os sinais. Sempre que o terapeuta conversa com a filha ou a avó. Quando outro integrante de um grupo se retira. um tipo de insinuação que é muito comum entre mulheres quando não estão sendo o centro das atenções. para transmitir interesse sexual. Ele pode arranjar a gravata. O dr. 75 . avó e o pai. por sua vez. não foi isso o que aconteceu. há pessoas que confundem regularmente tanto o envio quanto o recebimento desses sinais sexuais e seus atributos.. Não se deve deixar a menor dúvida. O dr. colocava a mão nos quadris e inclinava o corpo para a frente. os esclarecimentos devem ser feitos. Num grupo grande.. pela filha e pela avó a um sinal do pai. Ela. isso pode ser usado pelo resto do grupo para chamá-lo de volta. Realmente. Na opinião de Scheflen. a meia ou o cabelo de uma maneira exibicionista. Isso serviria para chamar a atenção do terapeuta para ela. O membro excluído pode se exibir de uma forma sensual para voltar ao grupo. arrumando a gravata ou inclinando-se para a frente. e outro protestar: "Ah. de fato. que se sentou entre elas. uma família.

Essas pessoas ficam sem ação em situações comuns. Por outro lado. quando não é essa a intenção delas. além de provocar investidas sexuais. interpretam as ações das pessoas como tentativas de sedução. Essas pessoas. pode enfrentar muitos problemas. não podem levar um encontro sexual adiante. mas ainda agem de uma maneira sexualmente sedutora. Scheflen cita aquelas pessoas que não identificam os sinais característicos que lhes dizem que a aproximação de uma pessoa não envolve nenhum interesse sexual. Para ele. por uma razão ou outra. além de identificar as características que podem destituir as aproximações de qualquer apelo sexual. ou a garota que tem certeza de que todos a desejam. um indivíduo se isolou dessa sociedade e não aprendeu a interpretar adequadamente esses sinais. Quando.por razões psicológicas. principalmente quando não deveriam. 76 . a linguagem do corpo pode ser desconhecida no nível consciente e não usada no nível inconsciente. e se retraem. Essa é a "excitação" típica que todos nós conhecemos. É difícil explicar como a linguagem do corpo usada nessas situações é aprendida e como sabemos dar as interpretações e os esclarecimentos corretos. sem apelo sexual. Alguns são aprendidos e outros são absorvidos da cultura.

Você ameaça se suicidar toda semana. Don tinha ameaçado se matar antes. e sentava-se demonstrando apatia. o olhar vago. Algo o incomodava. como se alguém tivesse pensado melhor e. olhando para a porta. Por que essa ameaça lhe parecia diferente? Por que ele estava perturbado dessa vez? Ele se lembrou de que tinha se sentido inquieto durante a sessão. Quando descansava. mas não conseguiu." O menino se levantou e encolheu os ombros: — Que amanhã?Não se preocupe com amanhã. tentara apagar seus traços. algo sobre o rapaz. Lembrou-se dos gestos dele. 77 . desistindo de criá-lo. Tenho certeza de que não vou passar de hoje ã noite. "Por hoje é só. dezessete anos. Em vez disso. O terapeuta olhou para o relógio disfarçadamente. pois o garoto mantivera-se passivo. À porta. Quando se mexia. Don. até amanhã.Um pedido de ajuda O paciente era pouco mais que um menino. muitas vezes. veja só. mas aparentava menos. e deveria se sentir tranqüilo. nos últimos seis meses". tinha um ar curioso. ficava caído e passivo. Don era o último paciente do dia. aliviado por ter terminado o horário. sua inquietação foi aumentando. e forçou um sorriso. Não haverá nenhum amanhã para mim. Tentou trabalhar com suas anotações por um momento. Seria o jeito de falar. o terapeuta disse: "Agora. mas só conseguiu borrá-los. O menino olhou para ele desanimado e foi-se embora. de sua incapacidade de fixar o olhar. Vestia-se com descuido e desleixo. de se mover muito pouco. Pálido e magro. os braços cruzados. seus movimentos eram tensos e restritos. indefinido. e o olhar do terapeuta tornou-se estático. sua ameaça de suicídio? Mas.

Perturbado. que pista o menino tinha lhe dado. Na linguagem do corpo. passivo. Ele me deu sinais mas não sei agora — talvez fosse a expressão do rosto dele ou seus olhos. Depois disso. mas vinte anos atrás. sem vida. Tudo nele me dizia que dessa vez ele estava determinado. os psicólogos se tornaram cada vez mais atentos à importância e utilidade da linguagem do cor78 . mas o tom de voz era monótono. — Por que você foi à casa do garoto? — Não sei. tomou um vidro de comprimidos da caixa de remédios da família e trancou-se no quarto. Ele tinha ido direto para casa. Ele tinha de confiar naquela mensagem. e voltou a fita para ouvi-la. Os pais foram avisados imediatamente e o médico da família conseguiu lavar o estômago do menino com uma medicação emética. mas também saberia como a mensagem foi enviada. Hoje. uma boa piada. de qualquer coisa diferente ou incomum. O rosto inexpressivo. o progresso foi imenso — Mas por quê? — a esposa do terapeuta perguntou mais tarde. tudo expressava um significado tão claro quanto qualquer palavra. O terapeuta estava certo. ou as mãos. mesmo sem saber decifrá-la. muitas vezes. o que ele tinha dito que fosse diferente? O que tinha dito que não dissera em cada uma das sessões anteriores? O terapeuta dirigiu-se ao console com o gravador escondido. Entretanto. de que dessa vez o menino tinha a intenção de se suicidar. O menino tentou suicídio. ligou para sua esposa. De alguma forma tinha se convencido de que dessa vez tinha sido diferente. De alguma forma. meio incomodado e meio aliviado. Esse incidente não aconteceu hoje. que era sua forma de preservar o conteúdo das sessões. vinte anos para cá. em vão. — não foi nada que ele disse. Sua inquietude cresceu. Esse incidente teve um aspecto positivo: foi um marco na terapia do garoto. mas alguma coisa gritava para mim que dessa vez ele queria mesmo se matar. O que sua postura diz? Desde que esse incidente aconteceu. O resto da história é simples e deduzível. o menino estava dizendo ao terapeuta o que ele queria fazer. Ele não precisou usar palavras. quase qualquer terapeuta bom não só saberia interpretar a mensagem. Talvez até a forma de ele se controlar e o fato de ele não rir da piada que fiz. as mãos cruzadas. uma mensagem havia sido transmitida naquela sessão. Felizmente. e teve de recorrer a uma forma mais primitiva e básica de transmitir sua mensagem. o terapeuta chegou a tempo. disse-lhe que chegaria em casa mais tarde e foi até a casa do rapaz. nas palavras do rapaz. Usou-as para gritar. o terapeuta tentou recapitular o que tinha ocorrido naquela última hora. a postura impassível. nem nos últimos dez anos. As palavras não eram mais necessárias. Finalmente. Não havia nenhuma sugestão.

antes que seja criada uma tensão. Como ela deve lidar com eles? Exibi-los. ou que esfregar o nariz significa desaprovação ou rejeição. nem sempre podemos dizer que cruzar os braços significa:"Não o deixarei se aproxima f. As linguagens corporal e oral. poucos faziam isso conscientemente e muitos não tinham idéia de todo o trabalho realizado no campo da cinesiologia por estudiosos como o dr. mas só fazem sentido no contexto de todo o padrão de comportamento de uma pessoa. podemos distorcer muito. O interessante é que embora muitos deles usassem a linguagem do corpo na prática. posicionando os ombros para trás? Ou deve colocar os ombros para a frente e esconder os seios? O que ela deve fazer com os braços e ombros. Birdwhistell. mas quando toda a sua explicação não basta. e o que fazer com sua mãe que lhe diz toda hora: "Endireite as 79 . Às vezes são corretas e às vezes não. é uma jovem adolescente que precisa aprender o que fazer com seus seios que acabaram de se desenvolver. Birdwhistell ajudou a desenvolver o conceito de "tempo moral de olhar". Os psiquiatras em particular. Se ouvimos apenas as palavras quando alguém está falando. dependem uma da outra. ele recorre a dois exemplos clássicos da linguagem do corpo que são bastante elucidativos.po na terapia. Essas são interpretações ingênuas da linguagem do corpo e tendem a transformar uma ciência num jogo. Ray L. nem a linguagem do corpo sozinha nos dará o significado completo. A linguagem oral não nos dará todo o significado do que uma pessoa está dizendo. sobre o potencial de comunicação da linguagem do corpo. Scheflen e o dr. que iniciou a maioria dos trabalhos fundamentais sobre o desenvolvimento de um sistema de notaçàol para a nova ciência da cinesiologia. Birdwhistell. tanto no observador quanto na pessoa observada. em si e por si. de acordo com o dr. o rosto. segundo o dr. O dr. ele explica. Ao orientar médicos residentes. professor titular de pesquisa em antropologia na Temple University. da mesma forma que se observássemos apenas a linguagem do corpo. médicos recém-formados. Na tentativa de orientá-los como fazer isso. devem estar atentos tanto à linguagem do corpo quanto à oral. as pernas e outras partes do corpo por um determinado tempo. Ele acredita que uma pessoa pode observar os olhos de outra. Em outras palavras. Um detalhe interessante é que o dr. adverte que " nenhumaposição ou movimento corporal. em que explica alguns métodos usados para conscientizar residentes. ele publicou um artigo chamado " C o m m u n i c a t i o n Analysis in Residency Setting' (Análise das comunicações no ambiente da residência médica). Um deles. Birdwhistell. ele ressalta que quase toda parte do corpo que se movimenta pode conter alguma mensagem para o médico. Birdwhistell. que dar tapinhas na cabeça é sinal de aprovação e erguer os dedos indica superioridade. o abdômen. possui um significado preciso".

ou mesmo um pedido de ajuda. estudou a comunicação não-verbal em pacientes psiquiátricos e publicou um artigo intitulado: "Uma Abordagem ao Estudo da linguagem do corpo em Psicoterapia". Devemos perceber que o corpo todo é para a linguagem do corpo o que os órgãos da fala representam para a linguagem oral. O médico residente deve ser alertado que mudanças na postura de uma menina podem indicar depressão. interesse por alguém. você poderia notá-los. Se estiver deprimido. servindo como máquina do tempo para se rever qualquer parte de uma entrevista. disse o dr. Vou conservá-los em bronze para a posteridade. Cada movimento ou posição do corpo. ele poderá relaxar demais esses músculos e sua barriga ficará protuberante. Birdwhistell usa para residentes é o que ele chama de "Admirável capacidade de distensão e contração do abdômen e do ventre no homem". ele será capaz de reconhecer e interpretar alguns dos diferentes problemas de seus pacientes adolescentes ao observar sua postura. 80 . Teoricamente. Orgulhe-se de seu corpo". O grau de tensão desses músculos pode dizer muito sobre a condição emocional e mental de um homem. ocorreu numa entrevista com uma pessoa extremamente problemática que não sabia como se sentia em relação a um amigo com quem estava envolvida. ela disse à mãe: — Não são demais? Se eu morrer.costas. excitação. e os seios desenvolvidos recentemente se tornaram um problema. State University of New York. Wachtel. comparando a linguagem do corpo à comunicação verbal. raiva. mas na verdade os movimentos são rápidos demais e muitas vezes passam despercebidos numa entrevista. o dr. e o resto do tempo diz: "Não ande 'empinada ' desse jeito! Você não deve usar blusas tão apertada s". ao ouvir um paciente. A maioria das adolescentes não tem esse tipo de orgulho pelo corpo. Wachtel do Downstate Medicai Center. Outro exemplo que o dr. de acordo com o dr. afirma ele. expressivas e defensivas. tem funções adaptativas. em sua própria prática. "Procuramosfazer uma avaliação clínica completa do que significa o uso que um paciente faz de seu corpo". Ao flertar. Para obter seus dados. Eventualmente. Uma coisa que ele aprendeu ao ver os filmes foi quando procurar gestos significativos. Wachtel. O filme pode ser passado em câmera lenta várias vezes. algumas conscientes e outras inconscientes. Paul L. vimos que o homem contrairá os músculos abdominais e encolherá a barriga. Um exemplo de como a linguagem do corpo ajuda. Wachtel filmou entrevistas psiquiátricas e passou várias vezes os filmes. O dr. pouco importa se cremarem meu corpo. Olhando-se no espelho enquanto experimentava um biquíni. Tenho uma amiga adolescente que é extremamente desinibida e segura de si.

Se os trouxermos para nossa consciência. Wachtel considera a linguagem do corpo uma tentativa consciente ou inconsciente. Entretanto. Se precisamos pensar no que estamos fazendo. O psiquiatra pode aprender o que esperar de seu paciente e o cidadão comum pode aprender muito sobre o que esperar de seus amigos. Quando ela repetiu esses mesmos gestos ao mencionar o nome do amigo. Um paciente que ele estudou reclinava-se para trás e batia as mãos quando o terapeuta tocava em certas áreas problemáticas. evidentemente. corremos o risco de os utilizar de maneira incorreta. e acrescenta que há ainda menos posturas corporais capazes de transmitir qualquer significado na comunicação. ele conseguiu mostrar como ela se sentia em relação a ele. de se comunicar com o terapeuta. Scheflen escreve. O dr. embora num nível inconsciente. é muito difícil ganhar controle de todos os diferentes métodos de comunicação. Wachtel. se entender que eles reagem usando a linguagem do corpo e a oral. ele observa que a forma como as pessoas se posicionam nos diz muito sobre o que está acontecendo. Quando começamos a receber e interpretar sinais que os outros estão enviando. freqüentemente se torna muito mais difícil executar nossas ações. em questão de minutos. fazia certos gestos. Apesar disso. "Os norte-americanos não usam mais que trinta gestos tradicional'. e que cada uma delas ocor81 .No filme. disse o dr. Num artigo na revista Psychiatry. o primeiro passo para lidar com elas. posturas diferentes Aceitar a idéia de que o homem usa mais de uma forma de comunicação traz vantagens claras tanto para o psiquiatra quanto para o cidadão comum. Há literalmente milhares de informações trocadas entre os seres humanos. "essa seja uma expressão relativamente comum de resistência". quando monitoramos nossos próprios sinais e conseguimos um controle maior de nós mesmos. Uma mente alerta não é necessariamente tão eficiente quanto uma inconsciente. por parte do paciente. Scheflen interessou-se particularmente pelo significado da postura em sistemas de comunicação. a consciência da linguagem do corpo de uma pessoa e a capacidade de interpretá-la cria uma consciência da própria linguagem do corpo. Entender suas emoções é. Alguns homens parecem capazes de interpretar a linguagem do corpo e manipular as pessoas com o corpo e com a voz. quando duas ou mais pessoas estão juntas. O dr. Essa consciência da linguagem do corpo muitas vezes é a chave para relacionamentos pessoais e pode ser o segredo que tantos homens usam ao manipular os outros. Lugares diferentes. o dr. passamos a atuar com mais eficiência. " Talvezf. os psiquiatras continuam a estudar todos os aspectos da comunicação corporal. Nossa sociedade nos programa para lidarmos com esses dados. ele notou que sempre que ela estava irritada. Além disso.

Por gestos específicos. notará um movimento da cabeça quando uma resposta é esperada. O movimento da cabeça no final de cada sentença é um sinal para o outro falante começar sua resposta. ainda não apareceu. "How are you?" (Como vai você?). Embora as diferentes posturas que os norte-americanos possam assumir sejam reconhecidas por todos os cidadãos do país. ele observa que uma postura como sentar-se recostando o tronco para trás raramente é assumida por um vendedor que esteja tentando vender algo para um cliente influente. A entonação é ascendente no "you". Se a entonação for ascendente. Pergunte: "What time is it?" (Que horas são?) e observe como sua voz se eleva no "it". Eleva-se no "job". O movimento e a mensagem O dr. e com tamanha perfeição que chamavam a atenção das garotas. Scheflen acredita que um especialista em linguagem do corpo poderia nos dizer de que parte do país seria um homem. mas também qual a sua ocupação profissional. Um estudante universitário de dezenove anos. em seu trabalho em cinesiologia. Se você filmar uma conversa típica entre dois norte-americanos e então passar o filme em rotação mais lenta para estudar os elementos da postura. Todos nós reconhecemos diferenças regionais na linguagem do corpo quando assistimos a uma apresentação de um mímico talentoso. entretanto. a observação de duas pessoas conversando daria uma boa pista da nacionalidade delas.re num número limitado de situações. Uma das coisas que ele descobriu é que todo norte-americano mexe a cabeça várias vezes durante uma conversa. Birdwhistell. muitos dos rapazes não atléticos imitavam o andar dos jogadores de futebol americano. Na língua inglesa. o mímico pode nos dizer não só de que parte do mundo é o personagem. pela forma de ele mover a sobrancelha ao conversar. usará posturas diferentes de uma dona de casa do Centro-Oeste. Permite uma troca sem a necessidade de dizer: "Você terminou? Agora vamos conversar".* * Em português.) 82 . na época em que os jogadores de futebol americano eram heróis da faculdade. e um operário de construção no estado de Washington exibirá posturas diferentes de um vendedor em Chicago. observa-se o mesmo esquema de entonação. O dr. Tal especialista. Para comprovar isso. a mudança na entonação no final de uma sentença pode ter vários significados. "Do you like your new job?" (Você gosta de seu novo emprego?). Esta é uma das formas usadas para conduzir nossas conversas. Quando eu era universitário.T. É claro que os sinais serão diferentes em outras regiões do mundo. tentou apontar que gesto é usado para enviar cada mensagem. (N. isso não significa que todos usem todas elas. Teoricamente. de Nova York. o emissor está fazendo uma pergunta.

é descendente em "pie". sua cabeça permanecerá erguida. No folclore judaico. a mão e a pálpebra também abaixam. A mão. mas mesmo assim. Os escritores sabem disso e também sabem que o movimento da cabeça está ligado não só ao que estamos dizendo mas também ao conteúdo emocional. um escritor o fará parecer insensível. Para caracterizar uma pessoa "fria". os olhos e as mãos ficarão imóveis. ao estudar ses83 . mesmo diante da morte. As pálpebras também se levantam ao final da pergunta. sua voz manterá a mesma entonação. foi interpretado por Sean Connery num estilo insensível. olham ao mesmo tempo para a direita. de Ian Fleming. Birdwhistell descobriu vários marcadores cinésicos que suplementam os marcadores lingüísticos. tende a se erguer com a elevação da altura da voz. Esse movimento para cima no final de uma pergunta não se limita à voz e à cabeça. A face dele raramente mostra qualquer movimento. "I'd like some milk with my pie" (Eu queria tomar leite para acompanhar a torta. para parafrasear Marshall McLuhan. para a esquerda. arqueiam as pálpebras. O dr. que todos nós fazemos quando conversamos. muitas vezes é difícil ligar um movimento específico a uma mensagem específica. James Bond. evidentemente. um golem (boneco do folclore judaico) é um ser que não mostra expressão e. a entonação é descendente. O dr. fisicamente imóvel. Em "book". Scheflen. Os gestos aparentemente insignificantes das mãos. a cabeça move-se para cima no fim da pergunta. A cabeça também acompanha a entonação descendente no final da sentença. "I like this book" (Eu gosto deste livro). Foi uma excelente caracterização. mantemos a cabeça numa posição por mais tempo que uma ou duas sentenças. "What time is it?" A cabeça dele ergue-se no "it". para cima. Assim como a voz se eleva no final de uma pergunta. também. tocam o nariz — e cada movimento está ligado ao que ele está dizendo. de acordo com o dr. da cabeça e das mãos que acompanham a fala. não sente emoções. A modelo impassível mantém-se numa pose rígida. para baixo. nos filmes feitos a partir das histórias do 007.Este é um marcador lingüístico. também abaixa ao final de uma afirmação. Novamente. Quando um emissor deseja continuar uma frase. Quando um homem e uma mulher normal conversam. Piscam. Raramente. para não comunicar conotações emocionais. Devido às enormes variações nos movimentos dos indivíduos. Birdwhistell. mordem os lábios. se é que acontece. e. artificial. podemos dizer com propriedade que o movimento é a mensagem. Observe a cabeça do homem quando ele faz uma pergunta. "Where are you going?" A cabeça dele ergue-se no "going". estão ligados à entonação e ao significado. Como a voz. Essas são apenas algumas das mudanças na posição dos olhos. que não demonstra nem sente emoções. já que ele representou um homem que não sentia emoções.

segundo ele. o paciente põe a cabeça para a direita quando age de uma maneira infantil. quando ouve o terapeuta. Então. embora o dr. Uma posição. Em uma situação estudada pelo dr. bem como em muitas outras por ele estudadas. o paciente e o médico raramente usaram uma grande variação de movimentos. explicações etc. ele muda de posição. preparando-se para manifestar seu protesto. ele voltará à posição anterior. verificou que quando o terapeuta explica algo ao paciente. Scheflen tenha observado psicoterapeutas. Quando o ouvinte chega a um ponto em que discorda do locutor. no entanto. não deveria ser muito difícil encontrar posições específicas para uma pessoa e a seguir relacioná-las a frases ou tipos de frases. Scheflen. Scheflen ficou surpreso ao constatar que esses movimentos de cabeça. ele enfatiza que nessa sessão. os braços e as pernas cruzados. é certo que o mesmo homem repetirá a mesma posição várias vezes. Ele pode debruçar-se e descruzar os braços e as pernas. Uma posição pode durar cerca de cinco minutos. Para ilustrar o uso de posições. usa outra posição. Nem todos os pacientes inclinam a cabeça para um lado quando agem de maneira infantil. O dr. relacionados a eventos que ocorreram anteriormente com este ou aquele determinado paciente. fossem tão estereotipados e rígidos. manterem uma posição até por vinte minutos. e mantém a cabeça ereta quando fala de modo decidido e adulto. Posturas e apresentações Movimentos da cabeça. Scheflen os chama de "pontos". Ao terminar. assume certas posições definidas. que eram repetidos durante uma entrevista de trinta minutos. Talvez ele levante uma das mãos. os braços e as pernas cruzados — ou talvez passará a uma terceira 84 . A maioria das pessoas numa situação social mudará sua posição de duas a quatro vezes. apontando o indicador quando começa a refutar a idéia.sões de terapia psiquiátrica. mas quando interpreta algum comentário ou comportamento. perguntas. ele pode usar uma posição da cabeça. Quando ele interrompe o paciente usa ainda uma terceira ou uma quarta posição para ouvi-lo. imagine uma situação em que um homem está falando de um assunto específico. numa situação de tratamento. No entanto. A dificuldade em estudar e interpretar esses movimentos é que são movimentos cinésicos pessoais. O paciente também. consiste de uma "mudança postural grosseira envolvendo pelo menos metade do corpo". enquanto ouve as idéias do locutor. das pálpebras e das mãos não são realmente movimentos posturais. e o dr. respostas. O ouvinte recosta-se na cadeira. Uma seqüência de vários pontos é por ele rotulada de "posição". e nem todos os terapeutas fazem o mesmo movimento ao ouvir o paciente. que é muito mais próxima de uma postura.

é quando uma criança não suporta mais ouvir o sermão de um dos pais. mais receptiva. embora um pouco exagerado dessa mudança. Um exemplo familiar. e pode relacioná-las aos estados emocionais das pessoas que conhece. quais posturas estão associadas a determinados estados emocionais. ficou atento para ver se esta causaria uma mudança na postura do rapaz. o fim de uma frase. assim como Birdwhistell e outros pesquisadores. eu sei!'. A mulher que ele estudou fazia um determinado gesto quando estava irritada. Se você pegar todas as posições que um homem e uma mulher tomam durante uma conversa. os psiquiatras tinham ciência dela. tanto que aquilo o perturbou e ele finalmente tomou as medidas necessárias para salvar seu paciente. As próprias unidades servem como pontuação para uma conversa. Posições diferentes relacionam-se a diferentes estados emocionais. Essa arte pode ser ensinada às pessoas. Dessa forma. Assim como abaixar a cabeça indica o fim de uma frase. Você quer voltar a atenção para algum outro lugar. Por exemplo. Scheflen rotula de "apresentação". Uma apresentação pode durar algumas horas e terminar com uma mudança completa de localização. sim. muitas vezes significa que você terminou. o terapeuta. então inicia-se nova apresentação. ao lidar com elas. A função da postura na comunicação. depois de um momento. ele pode se manter um passo à frente das outras pessoas. O psicoterapeuta cuidadoso e observador perceberá. o fim de um pensamento. à falta de ânimo e humor. tem o que o dr. é marcar essas unidades. O cidadão comum que entende bem de linguagem do corpo e a usa consegue captar essas posturas. Sair da sala. Scheflen acredita. embora possa não ter consciência disso. quando você muda sua postura e deixa de dirigir o olhar à pessoa com quem está falando. o dr. Ao dizer: "Sim. dar um telefonema. mas só pode ser aprendida quando se tem conhecimento de sua existência. ao contar uma piada ao paciente. pois é uma função de cuidadosa observação. ir à toalete — qualquer movimento para interromper a conversa encerra uma apresentação. vira-se fisicamente indicando:" Chega!Deixe-me empazf. mas inconscientemente sabia que o estado do rapaz era preocupante. Isso confirma os achados do dr. Wachtel. Antes de a postura passar por cuidadosa análise. Scheflen. advertem que não devemos tentar associar mudanças específicas de posturas 85 . sinalizando que está aberto a sugestões. Ele não sabia conscientemente que a depressão estaria ligada a uma postura definida. posições e apresentações. pontos. a uma passividade e abatimento geral. No início do capítulo.posição. as mudanças posturais maiores indicam pontos finais em interações. com os braços e as pernas descruzados enquanto se inclina para trás. e muitas vezes esses estados podem ser recapturados quando uma pessoa reassume a posição original em que eles ocorreram." Entretanto. ou levantá-la denota o fim de uma pergunta. Se a pessoa volta. por um momento. pegar um cigarro.

a determinadas frases que expressamos oralmente. Devemos ter cuidado para
não afirmar que uma mudança de postura sempre tem um significado. "O significado ou função de um evento", explica ele, "não é interpretado em si, mas
em relação a seu contexto". Uma mudança na postura significa que algo está
acontecendo. Nem sempre nos diz o que está acontecendo. Devemos estudar
a mudança em relação a todo o incidente para descobrir isso.
Noite dessas, assisti ao evangélico Billy Graham na televisão, e percebi
que ele possui várias mudanças posturais rígidas. Uma das prediletas é usar o
indicador da mão direita para acompanhar suas palavras, apontando para
cima quando promete recompensas celestiais e fazendo um gigantesco círculo ao bater insistentemente numa mesma tecla. Outro favorito é manter as
mãos paralelas e abertas, na frente do peito, movendo-as para cima e para
baixo com movimentos bruscos. Seu índice de audiência e o número de conversões pelas quais é responsável não deixam dúvidas quanto à eficiência de
suas posturas, embora um exame objetivo deixe claro que estas são bemensaiadas e não inconscientes. A questão é que transmitem um contexto emocional que acompanha as palavras, criam uma "aura".
O famoso filme King Kong tinha cenas em que o gorila gigante movia-se
de uma forma surpreendentemente realista. Esses resultados foram possíveis,
em grande parte, por causa do entendimento da linguagem do corpo por parte
dos diretores de cinema. Quando Kong segurava Fay Wray na palma de sua
mão e olhava para ela, ele balançava a cabeça para um lado, numa cópia fiel
de um "ponto" totalmente humano.
O reconhecimento da importância da linguagem do corpo para projetar
uma imagem humana e simpática levou homens em destacadas posições políticas a adotar várias generalidades da linguagem do corpo, na tentativa de atingir aquele algo indefinível que chamamos de carisma.
John Kennedy era carismático e, não importava o que dizia, bastavam
alguns gestos, uma postura correta para cativar a audiência. Robert Kennedy,
que não era um homem alto, parecia ser bem alto pela forma como manipulava sua postura. Johnson teve aulas de linguagem do corpo e tentou, sem
sucesso, mudar sua imagem e Richard Nixon também tinha muita consciência
da importância da linguagem do corpo e tentou usá-la conscientemente para
manipular a população. Esse uso da linguagem do corpo é uma bênção para
o ator que imita políticos. David Frye, um excelente mímico, baseia-se em
grande parte nessas posturas para tornar sua caracterização perfeita.
Lutando pela

posição

A postura não é apenas um meio de marcar uma conversa, também é uma
forma em que as pessoas podem se relacionar quando estão juntas. O dr.
Scheflen dividiu todas as posturas que as pessoas assumem quando estão com
86

s outros, em três grupos: 1) inclusivo-não-inclusivo; 2) vis-à-vis ou orientação corporal paralela; e 3) congruência-incongruência.
A inclusâoou não-inclusão descreve a maneira como os membros de um
grupo incluem ou não as pessoas. Eles fazem isso colocando o corpo, braços
e pernas, em determinadas posições. Numa reunião social, um grupo de pessoas pode formar um pequeno círculo que exclui todas as demais. Se três
membros de um grupo estão se sentando num sofá, os dois em cada extremidade podem "se fechar", virar-se um para o outro para incluir aquele que está
no meio, e excluir os outros. Dessa forma, eles recorrem à inclusão. Eles também podem cruzar as pernas para se fechar em torno do integrante ou integrantes centrais.
No capítulo anterior, vimos como a avó e a filha num grupo terapêutico
"fechavam" a mãe, tentando protegê-la das ousadias do terapeuta. Esse é um
recurso muito usado para manter "fora" aqueles que não são membros de um
grupo, ou para conservar os participantes no grupo.
Os braços e pernas dos participantes de um grupo, freqüentemente, são
usados de modo inconsciente para que o grupo fique protegido de qualquer
intrusão. Se você observa grupos exercendo qualquer função, em casamentos, festas, reuniões ou à noite, em casa, notará o número de formas curiosas
que os integrantes usam para proteger o grupo. Um homem numa reunião
social pode colocar o pé sobre uma mesa de café para agir como barreira contra pessoas de fora. Às vezes o sexo determinará a forma de os integrantes de
um grupo excluírem outros. O dr. Scheflen relata algo sobre um seminário
num hospital em que os funcionários do sexo masculino se colocaram entre
as funcionárias e um visitante do sexo masculino. Era como se eles quisessem
protegê-las das pessoas de fora, e, no entanto, não havia sexo envolvido nesse
esquema de proteção. As funcionárias fazem parte de um grupo que está automaticamente protegido pelos homens.
Um indicador do status do grupo pode ser encontrado quando este se
dispõe em linha num sofá, ao longo de uma parede, ou numa conferência. Os
integrantes mais importantes tenderão a estar nos extremos.
Em nossa discussão sobre territórios pessoais, explicamos o significado
de zonas corporais em diferentes culturas. Quando homens americanos estão
numa situação em que suas zonas ou territórios são violados por um aglomerado de pessoas, muitas vezes reagem de formas curiosas. Dois homens que
estão num sofá, numa festa, ao se verem apertados um contra o outro, podem
virar as costas e cruzar as pernas, para se afastar. Cada um pode erguer o braço
que está próximo à pessoa ao lado e apoiar a mão no rosto, para funcionar
como mais uma barreira.
Se um homem e uma mulher são forçados a se sentar muito próximos e
de frente um para o outro, e eles não têm intimidade, podem cruzar os braços
e as pernas para se proteger e inclinar o corpo para trás. Uma boa maneira de
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observar essas e outras defesas é experimentar, em festas, mover-se para os
territórios de outras pessoas, e ver de que forma elas reagem, quais as defesas
a que recorrem.
A segunda categoria de envolvimento da postura, o dr. Scheflen chama
de orientação corporal paralela ou vis-ã-vis. Simplesmente, esta sugere que
duas pessoas podem se relacionar do ponto de vista da postura, olhando uma
para outra ou sentando-se lado a lado, paralelamente, talvez voltadas para
uma terceira pessoa. Se três pessoas estão envolvidas, duas sempre estarão
paralelas e uma estará olhando para elas. Em grupos de quatro, duas duplas
paralelas se olharão.
Se as circunstâncias impedem as pessoas de arranjar todo o seu corpo
nessas posições, elas ajeitarão a cabeça, os braços e as pernas.
A disposição face a face geralmente ocorre num relacionamento professor-aluno, médico-paciente ou entre casais, em que há troca de sentimentos
ou informações. Disposições paralelas em geral indicam atividades que
requerem apenas uma pessoa. Ler, ouvir uma história, assistir à televisão ou a
um show, tudo isso pode ser feito por uma pessoa sozinha e também pode ser
feito em paralelo, quando mais de uma pessoa está envolvida.
Disposições face a face indicam uma reação entre duas pessoas envolvidas. Disposições lado a lado, quando usadas livremente, nos dizem que as
duas pessoas estão mais aptas a ficar neutras uma em relação à outra, pelo
menos nessa situação específica. A forma em que um casal numa festa ou reunião social se posiciona nos diz muito sobre seu relacionamento. Numa situação lado a lado, a intimidade pode ser atingida quando as pessoas se
entreolham, virando a parte superior do corpo de frente uma para outra.
A última categoria, congruência-incongruência,
abrange a capacidade
de os membros de um grupo se imitarem. Quando um grupo está em congruência, a posição de um será imitada pelo outro e, em alguns casos, haverá
um espelhamento da imagem.
É interessante notar que quando um integrante de um grupo congruente muda sua postura, os outros também mudarão. Em geral, a congruência de
posição num grupo indica que todos os membros estão de acordo. Se o grupo
tiver dois pontos de vista, os defensores de cada ponto de vista assumirão
posições diferentes. Cada subgrupo será congruente em si mesmo, mas nãocongruente com o outro subgrupo.
Velhos amigos, quando estão discutindo algo, adotarão posições congruentes para mostrar que, apesar da discussão, ainda são amigos. Marido e
mulher que são muito próximos adotarão posturas congruentes quando um
está sendo atacado. Na linguagem do corpo, o outro está dizendo: "Eu o
suporto. Estou do seu lado".
As pessoas que desejam mostrar que estão acima do restante do grupo
podem assumir uma posição não-congruente. Em relacionamentos médico88

A posição dela ã mesa. professor-aluno. disseram-me que um funcionário muito próximo desse profissional. Sua esposa não está competindo com ele pelo domínio. o posicionamento dos filhos é interessante. é ela quem controla. Torna-o superior aos outros homens na reunião. Afilha mais velha. etambém é o membro dominante da família. O líder em qualquer reunião de família ou social. em congruência com a posição da mãe. ele explicou." opai senta-se à cabeceira da mesa. A razão é que eles estão próximos o suficiente para compartilhar certa intimidade ã mesa e." É interessante notar.paciente. dizendo em linguagem do corpo: "Estou do seu lado. O homem que está numa reunião de negócios e adota deliberadamente uma posição incomum faz isso na tentativa de mostrar seu status superior. no entanto. Ele se inclina para trás e junta as mãos acima da cabeça. novamente para mostrar status ou importância. a colocação inconsciente de todos os membros. e ela se senta á sua direita. A escolha dessa posição pode começar com a escolha da mesa. realmente. de acordo com os relacionamentos interfamiliares. um a um. Isso o destaca imediatamente e indica seu status. Ele pode estar dizendo ainda:"Estou tentando aproveitara importância que você reflete*'. senta-se ã esquerda da irmã. " Nessafamília". 89 . depois de um determinado intervalo. "Agora. copia exatamente a posição do editor. Há também a possibilidade de ele estar dizendo: "Estou tentando ganhar prestígio e tirá-lo de você". "O mais novo está interessado na mãe. e se senta ã direita dela. Sou fiel a você. A filha do meio. os cotovelos estendidos como asas. Quem se senta primeiro e onde? Um amigo psicólogo que fez um estudo dos lugares à mesa analisou a posição de uma família de cinco pessoas em termos do relacionamento entre elas. em seguida as mantém atrás da cabeça. um lugar longe do pai. Numa família. é ambivalente. todos o seguem. também estão próximos dosfilhos. freqüentemente estabelece a posição para o grupo e. Há mais concorrência pelo domínio em volta de uma mesa retangular que em uma mesa redonda. nesse arranjo. Conheço um editor importante de uma editora que adota uma posição muito curiosa durante as reuniões. as posturas serão nâo-congruentes. que está em competição com a mãe pelo afeto do pai num nível inconsciente. como a posição dela nafamília. se a esposa dita a posição. então é provável que ela tenha a voz mais forte nas decisões e que. senta-se à esquerda do pai. Três pistas para o comportamento da família Estude cuidadosamente a disposição de uma família à mesa. Entretanto. uma situação normal para um menino. pai-filhos. meu líder".

Ele passou o dia com a família e voltou desapontado. de modo geral. Tudo na família é guardado. posturas descuidadas e pela informalidade. Sua linguagem do corpo grita:"Relaxe. Um amigo fotógrafo foi contratado recentemente para tirar algumas fotos informais de um candidato a prefeito numa grande cidade do Centro-Oeste. sua maneira formal e postura cuidadosa. Fique à vontade. arrumadas. Mesmo as posturas deles são rígidas e impecáveis. tudo no lugar. Outra pista para as relações interfamiliares consiste em observar se a família é rígida ou aberta. lares que representam uma família "fechada". Numa linguagem do corpo. aceitem idéias diferentes. arrumado. raramente importa quem senta onde. e muito mais provável que se adaptem aos padrões da comunidade. Revestimentos de plástico nos abajures. geralmente estão em conflito quanto à posição dominante na família. Os familiares serão menos rígidos. Nada é importante demais. Posições numa mesa podem dar uma pista para o domínio numa família. cada membro provavelmente tenha sua própria cadeira. pegando os cartuchos de flash e recolhendo as cinzas de meus cigarros." Quando lhe pediram para explicar. mesmo que o conflito exista num nível inconsciente. em geral eles estão seguros quanto aos papéis conjugais e resolveram seu conflito um com o outro. essa talvez seja a posição mais confortável para a intimidade. tudo perfeito — sua pobre esposa me seguia. o mais rígido que se pode ver. uma aparência desarrumada. meu amigo disse: "A casa era um daqueles lugares rígidos. Quando marido e mulher escolhem sentar-se um na ponta e outro ao lado. a família "aberta" terá uma aparência dinâmica em sua casa. mais tensa. "Pedi a ele para chamar seu cachorro efoi o único momento em que relaxou. Na família aberta. Como eu poderia tirar uma foto espontânea?" Eu sabia o que ele estava dizendo pois vi muitas famílias assim. Quando marido e mulher estão cada um numa ponta da mesa. ele me disse. Numa família fechada. quem chegar primeiro pega o lugar. que a família de uma casa como essa é menos espontânea. " Talvez eu tenha tirado uma foto decente. menos exigentes. Quem se senta à cabeceira? Evidentemente. Tudo está no lugar nessas casas formais.O posicionamento do mando e da mulher é importante para a compreensão da constituição da família. A família aberta indica sua abertura pelos movimentos mais soltos. a família fechada sinaliza sua rigidez pelos movimentos restritos. seu próprio território. 90 . Podemos ter certeza. é menos provável que seus integrantes tenham opiniões liberais. mais livres e mais abertos na maneira de agir e nas idéias. se a mesa for pequena e eles puderem ficar frente a frente. talvez desorganizada. Por outro lado.

Esses são os primeiros sinais de advertência da linguagem do corpo. os do pai. Observe quando o filho começa a imitar os movimentos da mãe. Alguns psicólogos estão começando a insistir na terapia familiar. pelo comportamento da mãe com os filhos. Quem imita quem na família? Mencionamos antes que se a esposa toma a dianteira. seu relacionamento com a família. Algumas são igualmente equilibradas e outras inclinam-se mais para um extremo que para o outro. Não podemos entender o segundo sem explorar cuidadosamente o primeiro. são os dois extremos. para que possam ver e entender todo o relacionamento familiar e compreender como eles influenciaram o paciente. podemos estar certos de que a família é bem constituída. ou é tranqüila e descuidada? A atitude dela influencia os filhos e está refletida em seu comportamento. e não é improvável que um dia os terapeutas só tratarão pacientes dentro da estrutura da família.As duas atitudes refletem-se num sentido tátil. igualmente significativa. iniciando certos movimentos seguidos pelos demais familiares. nosso segundo é :om o mundo. controladora. Nosso primeiro relacionamento é com nossa família. evidentemente." O psicólogo responsável. do lugar de seu paciente na família. o mais importante. Esses. o domínio pode ser facilmente identificado. Tratar um paciente como indivíduo separado de sua família é ter pouca compreensão da área mais importante de sua vida. e a filha. "Estou no caminho errado. O respeito na família pode ser entendido observando-se como a linguagem do corpo é copiada. Entre irmãos e irmãs. tem certa dose de abertura e de fechamento. Uma pessoa de fora que esteja estudando qualquer família. 91 . observando-se a criança que se movimenta primeiro e notando aqueles que a seguem. Ela é tensa. pode usar a abertura ou o fechamento como pista para compreendê-la. A maioria das famílias se enquadra entre eles. é a imitação na família. ao tratar um paciente. Preciso ser colocado no caminho certo. tentará descobrir algo da constituição familiar e. O filho copia os gestos do pai? A filha copia os da mãe? Se isso acontece. então provavelmente ela assumirá o papel dominante. Uma terceira pista.

lemos e ouvimos tantas vezes e mesmo falamos de olhares sábios. os olhos são de aço. o impacto emocional dos olhos ocorre devido a seu uso e ao uso da face. no entanto. então por que a vasta literatura. mesmo na melhor literatura. Embora o globo ocular em si não mostre nada. as histórias e lendas sobre eles? De todas as partes do corpo humano usadas para transmitir informações. Uma situação familiar? Acontece em todo romance de faroeste. ruins. pela abertura das pálpebras. os olhos são a mais importante e podem emitir as nuances mais sutis. Na literatura. pelo 92 . sem dúvida. sagazes. são simples órgãos da visão e nada mais. Isso contradiz o fato de que os olhos não mostram emoção? Nem tanto. provocavam calafrios nas costas do bandido. bons. de cores diferentes em diferentes pessoas. frios como gelo. assim como em toda história de amor. os olhos têm uma função fisiológica. A razão de eles confundirem tanto os observadores é porque pela duração do olhar. gelado ou cortante? Na verdade. Por que há tal confusão? Tantas pessoas podem estar erradas? Se os olhos não mostram emoção. Serão realmente? Serão sempre assim? Existirá um olhar ardente. E. Longe de serem janelas da alma. mas nunca realmente capazes de expressar emoção em si. de sarcasmo. brilhantes e assim por diante. penetrantes. os olhos da heroína se derretiam enquanto os olhos do herói queimavam ao olhar para os dela.O olhar que desumaniza O cowboy montou em seu cavalo e os dedos pairaram sobre a arma enquanto seus olhos. não há. sagazes. indiferentes.

Segundo. Mas. O homem verdadeiro está mascarado por trás de seu papel. Permite àqueles que nos atendem atuar eficientemente em seu universo. que se sobrepõe ao nosso. a técnica mais importante do controle dos olhos é olhar. Profissionais do setor de serviços que nos atendem. os gorilas. Como dissemos antes. o olhar ligeiramente não focalizado que não o vê realmente. Com o olhar podemos encantar ou afastar uma pessoa. mas não olhamos fixamente para os humanos. Podemos usar o mesmo olhar fixo para assistir ã apresentação de um artista de circo. Ao envolver a platéia. o olhar cortante da elite social. não olhamos fixamente (encaramos) para outro ser humano. um objeto em vez de uma pessoa. Dizendo-o de um modo simples. quando os reconhecemos como seres humanos. Para considerá-los como pessoas em vez de objetos. Entretanto. o ator de repente perde seu status de não-pessoa e olhar fixamente para ele se torna embaraçoso para nós. muitas vezes são tratados dessa forma. Um deles. devemos também evitar ignorá-los. O mesmo ocorre com crianças e garçons. pelo olhar. podemos dar a ele o mesmo olhar. Entretanto. se queremos dar a eles um tratamento humano. usamos uma desatenção deliberada e educada. Se desejamos ignorar alguém. Seria constrangedor se cada vez que fôssemos servidos por um garçom tivéssemos de nos apresentar e trocar palavras cordiais. sem interferência demais de nossa parte. ou olhar fixamente. tornando-o. Olhamos fixamente para eles pelo tempo que desejarmos. como os garçons. garçonetes e crianças. no entanto.olhar de esguelha e por inúmeras pequenas manipulações da pele e dos olhos. o novo teatro que trás o ator para junto da platéia muitas vezes provoca uma sensação desconfortável. os leões. Observamos demoradamente uma obra de arte. Vamos ao zoológico e observamos os animais. para que nosso olhar não incomode nem a ele nem a nós. e permite-nos ficar à vontade. o controle por meio do olhar em nossa sociedade se resume a dois fatos. imediatamente des93 . podemos fixar o olhar num ator que está no palco. da mesma forma. um branco do Sul dos Estados Unidos pode olhar fixamente para um negro da mesma forma. uma escultura. sem que o atendente seja reconhecido como ser humano. esse pode ser um esquema de proteção mútua. devemos evitar olhar fixamente para eles e. praticamente qualquer significado pode ser enviado. Como? Atribuindo a ela um status humano ou não-humano. então. Pagamos para olhar para ele como objeto e. da forma mais íntima que desejarmos. tratá-lo com certo desprezo. Um momento para olhar Com desconhecidos. olhar fixamente é reservado para uma não-pessoa. os macacos. Olhamos para eles o tempo suficiente para deixar bem claro que os estamos vendo e. um cenário. mas não o consideramos .realmente um ser humano.

você olha diretamente para a outra face antes de desviar o olhar. Às vezes. O reconhecimento não é permitido. O mesmo acontece com os aleijados ou deficientes físicos. Cada um se desvia ligeiramente e passa tranqüilamente. Se cabelos longos. em que um olhar muito demorado seria embaraçoso. Para reforçar esse sinal. Uma mulher com uma minissaia minúscula também pode atrair esse olhare-desviar o olhar. É a técnica que usamos para qualquer situação incomum. Queremos assegurar que estamos respeitando a privacidade delas. cada um sinalizará em que direção passará. Podemos usá-la quando vemos um homem com uma barba diferente. usamos essa técnica. isto é um engano. Quando vemos um casal exótico. Torna-se impossível descobrir o que está fazendo. Se você passa por alguém na rua. continuamos a encarar a pessoa. 94 . É claro que o oposto também é verdadeiro. Em vez de baixar os olhos quando trocamos olhares. Se desejamos menosprezar uma pessoa. Olhamos rapidamente e então desviamos o olhar. Há fórmulas diferentes para a troca de olhares. que não sonharíamos em olhar para elas. Está olhando demoradamente para você.viamos o olhar. então você deve desviar o olhar ao passar por ela. dizendo que olhar de relance e abaixar os olhos é a linguagem do corpo para expressar: "confio em você". com roupas extravagantes. Isso é feito com um breve olhar naquela direção. Antes de essa distância ser alcançada. Estamos dizendo. os óculos escuros parecem indicar que o usuário está sempre olhando fixamente para ela. pode olhar para a pessoa até que esteja a cerca de dois metros e meio de distância. afinal? A pessoa que está usando óculos sente-se protegida e acha que pode olhar sem ser notada. antes que olhar possa ser considerado encarar. intencionalmente? Está olhando para você. é difícil seguir as regras. e um momento depois acrescentamos: "Mas eu não sonharia em invadir sua privacidade. Aquele que desaprova um casamento ou namoro inter-racial olhará descaradamente para tal casal. Olhamos rapidamente e então desviamos o olhar. Muitas vezes usamos essa técnica de olhar-e-desviar o olhar quando encontramos pessoas famosas. principalmente se uma das duas pessoas estiver usando óculos escuros. O dr. O importante nessa troca é que não encaramos aquele que reconhecemos como pessoa. Erving Goffman se refere a esse rápido olhar em Behavior in public places (Comportamento em lugares públicos). Entretanto. dependendo do lugar onde as pessoas se encontram. em linguagem do corpo:"Sei que você está a f . com um cabelo comprido demais. Para a outra pessoa. podemos demonstrar isso olhando por mais tempo do que seria aceitável e educado.

Cornelia Otis Skinner. No metrô ou num ônibus. menos para os olhos. escreveu: "Eles lêem várias vezes o menu. eles se conscientizam de suas mãos. O falecido filósofo espa95 . mas você é um ser humano e eu não irei olhar para você demoradamente". Da mesma forma. Para onde devemos olhar? O que devemos fazer com nossos olhos? Dois estranhos sentados um de frente para o outro num vagão-restaurante de um trem têm a opção de se apresentar e travar uma conversa inconseqüente e talvez desinteressante durante a refeição. ele pode demonstrar isso com um olhar mais demorado do que o aceitável. o corpo — para qualquer lugar. O sorriso não precisa ser longo nem óbvio demais. às vezes podemos amenizar a mensagem com um breve sorriso. brincam com os talheres. De repente. Deve dizer: "Perdão por ter olhado para você. ao descrever tal situação num ensaio. onde a necessidade nos obriga a ficar próximos dos outros passageiros durante longos trajetos. ou ignorar-se mutuamente e tentar evitar o olhar do outro a todo custo. O mesmo olhar desajeitado dita nosso comportamento em elevadores. reconhecendo-as como acessórios desajeitados que devem ser usados com graça e naturalidade. Se nossos olhares se encontram. podemos ter dificuldade para encontrar uma forma de não fixar o olhar em alguém. com nosso olhar: "Eu o estou vendo. tornamo-nos conscientes de nossos olhares como acessórios desajeitados. que são um ponto inaceitável para um olhar vago. O olhar incômodo O olhar-e-desviar o olhar nos faz lembrar do problema que enfrentamos na adolescência. em certas circunstâncias. mas eles desviam o olhar rapidamente e o dirigem para fora. mas nós dois sabemos quefoipor acasd\ Olhares indiscretos O olhar que nos incomoda é uma ocorrência bastante comum e todos nós já passamos por uma experiência dessas. mas desviamos o olhar antes de cruzar com o olhar da outra pessoa. ônibus e metrôs lotados.vestidos curtos ou barbas lhe desagradam. olhamos rapidamente e então desviamos o olhar imediatamente. com nossas mãos. Não o conheço. desviando-o dos olhos da pessoa e dirigindo-o para a cabeça. Quase todas as ações e interações entre seres humanos dependem de olhares mútuos. Dizemos. Quando tomamos um elevador ou um trem cheio. a boca. sem encarar ninguém. inspecionam as unhas como se as estivessem vendo pela primeira vez. O que fazemos com elas? Onde as colocamos? Os atores amadores também tomam consciência disso. Chega o momento inevitável em que se olham. Olhamos sorrateiramente. Ou lançamos um olhar vago. apreciando a paisagem através dajaneld'.

por isso. melhor ela será para dar esses olhares de soslaio. Como outros pesquisadores da linguagem do corpo. ó que os franceses chamam de lesyeuxen coulisse. mas ele citou:" o olhar que passeia pela superfície da coisa olhada e o olhar que se fixa como um gancho. Quanto mais habilidosa for a pessoa. Descrevendo esse olhar. podemos observar alguém e olhar o tempo que desejarmos. "É o olhar que expressa sonolência. o olhar sonolento ou calculista ou avaliador. embora seu eixo também esteja deslocado. que difere de qualquer outro olhar oblíquo. Ortega disse que as pálpebras estão quase fechadas e parecem estar escondendo os olhos. o olhar direto e o olhar oblíquo. De acordo com Ortega. ao afastar-se dela. o olhar de um pintor para sua tela. porque não é apenas furtivo. a íris e a pupila. Há tantos olhares diferentes que é quase impossível numerá-los. o mais adorável e encantador". queremos olhar sem sermos vistos. Às vezes. Ortega advertiu que um olhar em si não transmite um sentido completo. Uma palavra numa sentença também tem significado. e a intenção de se comunicar com um olhar é mais genuinamente reveladora quando aquele que olha não tem consciência de como olha. em seu livro Man andpeopleiO homem e as pessoas). um olhar pode ser inteiramente compreendido. No momento em que os olhos da pessoa se movem e encontram os nossos. mas também é o oposto de furtivo." 96 . com seus cílios e aberturas. Ortega rotula um olhar de "o mais efetivo. Em qualquer situação. Este é o olhar dado com as pálpebras entreabertas. mas de fato as pálpebras comprimem os olhos e "enviam um olhar certeiro como uma flecha'. todo olhar nos diz o que vai dentro da pessoa que olha. o mais sugestivo. Qualquer um que tenha tal olhar possui um tesouro. embora tenha um significado. Ortega chamou esse olhar de " olhar de esguelha". são surpreendentemente sutis e. cuja forma extrema tem seu próprio nome: 'olhar com o canto do olho'". Ele achava que o olho. contanto que a outra pessoa não esteja percebendo que está sendo observada. contanto que nosso olhar passe despercebido. porque torna claro que está olhando. todo olhar é diferenciado de outro olhar. Numa descrição atraente. mas que por trás da nuvem de doce dormitar está totalmente desperto. Ortega dizia. Apenas no contexto de uma situação. falava do "olhar" como algo que vem diretamente de dentro de um homem" com a precisão de uma bala de revólver". Ele também mencionou o "olhar de esguelha". Os músculos dos olhos. era equivalente a um "teatro inteiro com seu palco e atores".nhol José Ortega y Gasset. Ele o considerou o mais complicado. nosso olhar deve se desviar. mas apenas no contexto da sentença podemos apreender o sentido completo da palavra. O mesmo podemos dizer do olhar.

essa jovem.Ortega disse que Paris atira-se aos pés de qualquer um com esse olhar. Houve uma manifestação de pais porto-riquenhos em frente à escola no dia seguinte. — Mas ela é uma boa menina — a mãe de Lívia insistia. e Orfeu perdeu Eurídice por ter olhado para ela. não é novo. Ele a considerava uma arruaceira e certamente ela não procuraria as autoridades para protestar contra a suspensão que recebera. e no entanto o diretor. Não era essa a opinião do diretor da escola. Outras culturas. e isso o tornou símbolo sexual durante muitos anos. e sérios prenúncios de um tumulto ameaçador. parece que tinha esse olhar. — Não foi o que ela disse — declarou ele mais tarde. numa atitude que admitia claramente sua culpa. conhecidas por indisciplina. em nossa cultura. Mas. mas em geral não estamos conscientes de como olhamos ou como somos olhados. em sua maioria. O significado do olhar é universal. teve medo de olhar para Deus. convenceu-se de que ela era culpada e decidiu suspendê-la com as outras. quando provou o fruto do conhecimento. que olhemos alguém diretamente nos olhos. amante de Luís XV. John Flores ensinava literatura hispânica na escola e morava muito próximo da família de Livia. não tinha nenhuma advertência. Adão. 97 . Era verdade. John tomou coragem e pediu uma entrevista com o diretor. Felizmente. Em Hollywood. ela procurou os vizinhos e amigos. Olhar é algo a que sempre se associaram emoções fortes e foi proibido. A honestidade exige. ou de um olhar como tendo significado especial. Durante a entrevista com o diretor Livia fixou o olhar no chão. como um diretor de uma escola de New York City descobriu recentemente. Ela não me olhava nos olhos. Havia algo de sorrateiro e suspeito nela. Madame DuBarry. Outras culturas possuem outras regras. Livia. e se recusou a olhar para ele. após uma breve entrevista. outros olhares O reconhecimento do olho como meio de comunicação. Robert Mitchum certamente olhava dessa maneira. A mulher de Ló foi transformada numa estátua de sal por olhar para trás. Uma jovem estudante porto-riquenha de quinze anos foi pega no banheiro com um grupo de meninas por suspeita de terem fumado. para surpresa dele. sob certas circunstâncias. Mas. e Lucien Guitry também. — Foi simplesmente a atitude dela. na préhistória e nas lendas. As meninas do grupo eram. Mae West copiou-o e a atriz francesa Simone Signoret controlava esse olhar com tanta perfeição que mesmo na meia-idade ela era considerada muito sensual e atraente.

sem vergonha. a menos que ela lhe dê permissão por meio de um sinal da linguagem do corpo. é claro. é cultural. diferentes linguagens corporais. Respeito-o demais para responderás suas perguntas. Como ele interpretou tão mal todos os sinais do comportamento de Livia? Livia estava usando a linguagem do corpo para dizer: "Sou uma boa menina. . ele percebeu que Livia era mesmo uma menina doce e gentil. Como uma mensagem tão clara poderia ser interpretada como "Eu o desafio. Há trinta mães lá fora. evidentemente. explicou alguns fatos básicos da cultura de Porto Rico ao diretor. ela nem olhava em meus olhos! John deu um suspiro de alívio e então. uma boa menina — ele explicou —. Recusar-se a fazer isso é sinal de respeito e obediência. ficarei feliz em retificá-lo. aplicam-se regras diferentes. ou para a mãe dela procurá-lo para fazer uma reclamação. ele agora percebeu. Mas. Felizmente. — Em Porto Rico uma menina educada. certamente. demais para me defender.— Conheço Livia e seus pais — disse ele ao diretor. minha atitude lhe diz tudo isso". à medida que a conversa se desenrolou e os pais se acalmaram. um homem não deve olhar para uma mulher demoradamente. mas por respeito. o diretor era um homem que sabia admitir o que estava errado. eu mesmo fiz perguntas à menina e parecia estar escrito 'culpada' no rosto dela. — E ela é uma boa menina. Não olharei em seus olhos porque gosto de enganar os outros. um encontro direto dos olhos. Seria tão difícil para Livia olhar diretamente para o senhor quanto o seria para ela comportar-se mal. Em outros países. demais para olhar em seus olhos com coragem. um olhar para trás.. Mas. gritando. O que interpretou como um ar sorrateiro. querendo a minha cabeça. não olha diretamente para um adulto. Não responderei ãs suas perguntas. Culturas diferentes têm costumes diferentes e. Serei esperta e evitarei responderás suas perguntas." A resposta. Nos Estados Unidos. O que é de interesse particular nessa história é a estranha confusão do diretor. 98 . — Se houve algum engano — o diretor disse inquieto —. um sorriso. era timidez. O resultado de todo o incidente foi um relacionamento mais profundo e significativo entre a escola e a comunidade — mas essa é uma outra história. por exemplo. este é exatamente o comportamento aceito para uma família respeitável. De fato. Elas também atribuem olhares e significados diferentes aos mesmos olhares. com muito tato. Chamou Livia e seus pais e os vizinhos mais exaltados até a diretoria e discutiu o problema mais uma vez. pois ele era novo demais na escola para cometer qualquer deslize. Respeito-o e à escola. evidentemente. Tenho certeza de que houve um engano. Em nossa cultura. A explicação de John Flores deixou claro para ele que Livia não estava evitando seus olhos por desacato.

A maioria das pessoas desvia o olhar imediatamente antes ou depois de começar a falar. Para descobrir quanto tempo. Poucos desviam o olhar metade das vezes em que começam a falar. a menos que desejem brigar ou se tornar íntimos. dois homens não têm permissão para olhar um para o outro por mais que um breve período de tempo. olhar e desviar o olhar. ouvir. ela facilita uma aproximação verbal. ele explica. Ele relata que esperava mais. e quando.Nos Estados Unidos. ele filmou entrevistas e passou-as várias vezes em câmara lenta. as pessoas sendo entrevistadas olharam para o entrevistador. O dr. no falar. Um olhar demorado para si mesmo Na tentativa de descobrir como algumas dessas regras de comunicação visual funcionam. então. por que uma menina como Livia não olharia nos olhos do diretor. Outra vez. ficaremos constrangidos e saberemos que algo está errado. Novamente. mas ficou surpreso ao constatar que eles olhavam menos quando falavam mais. Gerhard Nielson. 99 . Nielson constatou que quando as pessoas falavam muito. isso nos deixa embaraçados e incomodados. ficou surpreso ao descobrir como havia poucos olhares. se uma mulher olha para um homem demoradamente. Torna-se óbvio. ainda desviava o olhar 27% das vezes. Em países latinos. olhavam muito pouco para seus parceiros. também olhavam muito. de Copenhagen. uma de quatro vezes em que falam. Esse é outro exemplo da rigidez das regras do olhar. Se ele não desviar o olhar enquanto lhe dirigimos o nosso olhar. Se alguém olha para nós e olhamos para os olhos dessa pessoa fixamente. O homem que olhava menos para o entrevistador desviava o olhar 92% das vezes. quando elas ouviam muito. Ele descobriu que quando as pessoas começam a falar. Metade das pessoas entrevistadas desviavam o olhar metade das vezes. O sinal dela diz:"Estou interessada. Qualquer homem que olhe para outro homem por muito tempo provoca constrangimento e o outro homem começa a querer entender o que ele deseja. desviam o olhar de seus interlocutores primeiro. Embora ele começasse com uma idéia vaga do tempo que um homem olharia para outro durante uma entrevista. tal olhar poderia ser um convite direto e um "sinal verde" para avançar fisicamente. nos Estados Unidos. metade das pessoas olha para seus interlocutores. o dr. Há um momento sutil. analisou os "olhares" dos sujeitos em seus estudos de autoconfrontação. Vocêpode se aproximar de mim". enquanto estavam sendo entrevistadas. O homem que olhava para seu entrevistador mais tempo. Quando acabam de falar. é dever dela desviar o olhar primeiro. embora movimentos mais livres do corpo sejam permitidos.

ou "Estou interessado no que você está dizendo". o dr. sinaliza:"Concordo com você'. significa que ele não terminou ainda. esportes. Isso acontece principalmente quando o parceiro é crítico ou insultante. leitura. você não pode me machuca f . entretanto. Se ele faz uma pausa e não olha para a pessoa com quem está conversando. enquanto está ouvindo. um homem entrevistou 20 homens e 20 mulheres e uma mulher entrevistou 20 de cada sexo. O que você acha?' Se você desvia o olhar da pessoa que está falando com você enquanto está ouvindo. todos calouros e segundanistas. A outra metade respondeu a perguntas sobre interesses de lazer. Tenho algumas observações'. envolveu 40 homens e 40 mulheres. enquanto você está falando. Há também elementos de ocultação quando se desvia o olhar do companheiro. No estudo. O cruzamento de olhares nesse ponto seria sinal de interrupção quando ele fizesse a pausa. Exline na University of Delazare.Quanto ao motivo pelo qual as pessoas se recusam a olhar nos olhos de seus interlocutores durante uma conversa. isso geralmente significa que está expondo uma idéia e não quer ser interrompido. desejos. "Se não posso vê-lo. filmes. Ralph V. O dr. Se você desvia o olhar enquanto ele está falando. Está sinalizando: "É isto o que eu quero dizer. necessidades e temores. seus planos. isso indica: "Não estou totalmente de acordo com o que você está dizendo. conduzido pelo dr. As mulheres. Quanto tempo dura um olhar? Outro estudo. Se. em ambos os tipos de entrevista. É algo como um avestruz enterrando a cabeça na areia. eles não olhavam para o entrevistador com a mesma freqüência que o faziam ao serem entrevistados sobre assuntos relacionados a lazer. O que parece ficar claro de ambos os estudos. você olha para o interlocutor. É por essa razão que as crianças se recusam a olhar quando estão sendo repreendidas. 100 . pode estar sinalizando: "Estou certo do que estou dizendo". você está sinalizando: "Não quero que você saiba o que eu estou sentindo". olha para o ouvinte. é que quando alguém desvia o olhar enquanto está falando. Exline constatou que quando os estudantes eram entrevistados sobre assuntos pessoais. olhavam para os entrevistadores com mais freqüência que os homens. Se você desvia o olhar enquanto está falando. Metade dos estudantes foi questionada por entrevistadores sobre assuntos íntimos. isso pode significar: "Não estou certo do que estou dizendo". Se. Nielson acredita que essa é uma maneira de evitar distração. e de outros de natureza similar.

tentando fazê-las reproduzirem as posições das pálpebras. o dr. Todas puderam reproduzir cinco das vinte e três posições. 101 . que as permutações e combinações são infindáveis. há muitos sinais envolvidos quando se fecham as pálpebras. numa série de testes. então o número de sinais que podemos transmitir com nossos olhos e a com pele em volta deles é interminável. Desviar o olhar durante uma conversa pode ser um meio de esconder algo. ambos os sexos eram similares no número de posições das pálpebras que conseguiam reproduzir. Mas. olhar de soslaio. Ampliando o estudo para fazer comparações culturais. olhos semicerrados". O novo teste permitiu que o dr. Se cada combinação tem uma implicação diferente. mesmo os japoneses podiam reconhecer. Birdwhistell rotulasse essas quatro posições: "olhos abertos. podemos pensar que ele está escondendo algo. e um — fantasticamente eloqüente em linguagem do corpo — chegou a trinta e cinco posições diferentes das pálpebras. Portanto. Birdwhistell verificou que entre os japoneses. concordaram que apenas quatro das vinte e três "significavam alguma coisa". Alguns dos homens conseguiam reproduzir quinze posições diferentes. não teve muito sucesso. mas apenas uma conseguiu reproduzir mais de cinco. pálpebras arqueadas. mais posições do que eram capazes de reproduzir. Realizar o trabalho oposto.. relataram vinte e três posições diferentes do fechamento das pálpebras que elas puderam distinguir. Os homens tinham mais facilidade para piscar. Usando um grupo de homens no mesmo tipo de experimento. há mais complexidades aqui que o encontro de olhares. podemos olhar deliberadamente para nosso parceiro em vez de nos recusar a olhar para ele. Alguns cientistas verificaram até quarenta posições diferentes das sobrancelhas. É apenas quando movimentos significativos das sobrancelhas são combinados a movimentos significativos das pálpebras e acrescentamos vincos da testa. nos outros. o que não era esperado. quando alguém desvia o olhar.. Além da duração e da direção dos olhares. Mas. embora a maioria concorde que menos da metade delas é significativa. Birdwhistell afirma que cinco jovens enfermeiras.Entretanto. Quando o movimento das sobrancelhas é acrescentado ao movimento das pálpebras. Para enganar os outros. ou o olhar de relance. um número maior de sinais reconhecíveis é produzido. Além do olhar com os olhos semicerrados descritos por Ortega. ele verificou que todos podiam reproduzir pelo menos dez posições.

Saber o grau exato em que aquelas são erguidas ou o ângulo em que estas são abaixadas torna o fato mensurável. podemos afirmar que quando os olhos estão entreabertos e as pontas das 102 . O dr. estes são gestos curiosos. Em momentos de stress. um retorno simbólico ao conforto do seio da mãe. Birdwhistell escreveu: "se associarmos a expressão 'olhar desanimado' a 'erguimento bilateral da porção mediana da sobrancelha' teremos um significado diferente do que se associarmos 'olhar desanimado' a um erguimento unilateral da parte baixa da sobrancelha''. que são comportamentos socialmente aceitáveis. que seria inaceitável. Da observação. Na medida em que se busca compreender o significado desses gestos. em lugar de chupar o polegar. cobrindo e protegendo seus seios vulneráveis. mas uma compreensão da linguagem do corpo nos faz perceber que a criança está sugando seu dedão para ter segurança. o que começou como um fato observável logo se tornou um fato mensurável e.Haverá uma linguagem das pernas? À medida que a cinesiologia e a linguagem do corpo foram se tornando mais conhecidas e entendidas. o que começou como curiosidade passou a ser uma ciência. O homem passou a roer unhas ou morder as juntas dos dedos. uma mulher levará a mão ao peito. e a mulher leva a mão ao peito de uma maneira defensiva. um homem roerá as unhas ou morderá as juntas dos dedos. a curiosidade se torna uma ciência. Saber que as pessoas levantam as sobrancelhas ou abaixam as pálpebras para expressar uma emoção é um fato observável. também. um bebê chupará o polegar. infelizmente. o que se tornou uma ciência também se tornou uma situação sujeita a explorações.

do tipo sim ou não. o que isso tem a ver com o jeito que você cruza as pernas?— perguntei. o rosto parece diferente do que quando os olhos estão entreabertos e uma sobrancelha está ligeiramente erguida. Chamei meu amigo escritor de lado e disse: — Sei que você se dá bem com sua esposa. também corre o risco de ser explorada.. ao relacionar fatos para se tornar uma ciência. a perna esquerda sobre a direita. Não escrevo na mesa. apontando para ela. cruzada sobre o joelho esquerdo. Como sou destro. Numa reunião social recente. de modo que consiga escrever. apontava para ele. automaticamente. cruzo minha perna esquerda sobre o joelho direito. Para erguer a prancha o suficiente. não há uma resposta simples. colocando a perna esquerda sobre a direita. com as pernas cruzadas apontando um para o outro e excluindo o resto do grupo — uma perfeita ilustração da linguagem do corpo ". a cinesiologia. mas também pode não ter significado algum. damos uma pista de nossa natureza interior? Como acontece com todos os sinais da linguagem do corpo. em vez de usar máquina de escrever — ele explicou sorrindo.sobrancelhas estão erguidas. os outros também cruzarão. Vimos como elas também podem ser usadas para se sentar da mesma maneira. Ele cruza as pernas. Cruzar as pernas também pode expressar caráter? Será que. Se eu cruzar da outra forma. Cruzar as pernas ou mantê-las paralelas pode ser um sinal do que a pessoa está sentindo. meu amigo estava sentado à esquerda de sua esposa. Um psicólogo amador no grupo observou o casal e disse: "Vejam. Escrevo numa poltrona. — Mas. — Só posso cruzar a esquerda sobre a direita porque a vida toda cruzei as pernas dessa maneira. sem entender. Tenho um amigo que é escritor e escreve à mão. — Mas. quando uma pessoa numa sala estabelece um padrão postural e as outras a imitam. Escrevo sobre uma prancha que equilibro em meu joelho. preciso cruzar as pernas. Por exemplo. Portanto. de seu estado emocional no momento. Se o líder cruza as pernas. mas não entendi bem esse jogo de cruzar as pernas. escrevo voltado para o lado esquerdo. e os músculos e ossos de minhas pernas se acostumaram a isso.? — É simples. É porque escrevo meus primeiros rascunhos à mão. o que podemos dizer quando alguém cruza as pernas? No início do livro falamos do uso de pernas cruzadas para incluir ou excluir inconscientemente os participantes de um grupo. da forma como posicionamos as pernas ao sentar. A perna direita dela. como escrever à mão. Infelizmente. Agora. sinto-me desconfortável. — Eu só consigo cruzar as pernas colocando a esquerda sobre a direita. e nunca o contrário.. cruzo as pernas de 103 . eles formam um círculo fechado.

alguns farão o contrário e. e não com a natureza inata da pessoa que transmite a mensagem. Por acaso. o esquerdo sobre o direito ou o contrário. Se cruzá-los de outro modo. podemos ter alguma base ao usar o gesto em si como sinal. Eu sempre fiz isso. Quando é usado para tentar determinar a personalidade ou o caráter em vez do comportamento. foi usado para fazer a pessoa entender a si mesma. Agora. Para associarmos qualquer significado a pernas cruzadas. um sinal de que você não quer aceitar o ponto de vista de outro.forma que a esquerda fique mais alta. O ABC da linguagem do corpo Numa tentativa de esboçar certos aspectos da linguagem do corpo e unificar a ciência. É o polegar da mão direita ou esquerda que fica em cima? Levando esses pontos em consideração. a linguagem do corpo. mas quando nos referimos à direção em que estão cruzados. o dr. Basicamente. Outras noites. para subdividir todos os movimentos relevantes em seus movimentos básicos e atribuir-lhes símbolos — da mesma forma que um coreógrafo divide a dança em passos básicos e atribui um símbolo a cada um. você sempre cruzará os braços da mesma forma. pondo o esquerdo sobre o direito ou o inverso. essas e algumas outras interpretações são válidas. estamos num terreno perigoso. devemos estar conscientes da condição fisiológica do corpo. Parece ter sido estabelecido que cruzar os braços às vezes é um gesto defensivo. ou talvez de tornar a linguagem do corpo uma ciência. ou então um sinal de que você está inseguro e deseja se defender. e agora é a única posição na qual me sinto confortável. um traço inato. posso sentar-me à direita dela. ele tentou reunir um sistema de notação para a cinesiologia. é um traço genético. todos os fatos devem ser conhecidos. mas estamos em terreno incerto quando falamos da direção dos braços. Cruze os braços sem pensar. Alguns de vocês colocarão o braço esquerdo sobre o direito. Há uma tentação terrível de atribuir uma série de significados à direção em que cruzamos os braços. parece cheio de contradições. O mesmo podemos dizer de braços cruzados. se sentirá estranho. Os estudos mais sérios da linguagem do corpo se preocuparam com as emoções transmitidas pelo movimento. A moral aqui é que antes de fazer qualquer hipótese científica. Na melhor das hipóteses. que ele chama de An introduction to kinesics (Uma introdução à cinesiologia). 104 . o mais importante de tudo. ou a linguagem do corpo. sentei-me à esquerda de minha mulher. Entrelaçar os dedos das mãos também é genético. da mesma forma que usar a mão direita ou esquerda para escrever. sobre a direita. Ray Birdwhistell escreveu um manual de pesquisa preliminar sobre o assunto. o sinal enviado. Isso porque a forma em que cruzamos nossos braços.

não tão difíceis de ler. os braços ao lado do corpo e as pernas juntas. Uma vez aceito esse pressuposto. É aí que reside o verdadeiro problema em cinesiologia. Birdwhistell. É significativo que o dr. em separar os gestos insignificantes dos importantes. A primeira premissa no desenvolvimento desse tipo de sistema de notação para a linguagem do corpo. ou o menor movimento que se possa registrar. ele fixou um ponto zero para "americanos de classe média". Um movimento do braço. Esse é o estado semi-relaxado do corpo. Acho que essa suposição básica é a mais difícil de aceitar. A única forma de determinarmos isso é estabelecendo um ponto zero padrão. fica ( — O ) . Começando com os olhos. No trabalho do dr. ele decidiu que O é o melhor símbolo para indicar olhos abertos. Qualquer posição perceptível é um movimento distinto desse ponto zero. felizmente. Os dois. isso pode indicar uma mente organizada. Pessoas da classe tra105 . Também é uma pose que permite a uma mulher com minissaia sentar-se numa posição confortável mas não tão reveladora. e sugerem que as mulheres se condicionem a se acomodarem assim ao se sentar. Ele reconhece que mesmo em nossa cultura há uma falta surpreendente de uniformidade no movimento corporal. são inseparáveis. Birdwhistell chama cada um desses movimentos de um cine. do olho esquerdo ( o —)• Olhos abertos são ( O O) e assim por diante. é supor que todos os movimentos do corpo tenham significado. Nossas avós consideravam essa pose "muito elegante". só é significativo se soubermos a distância que abrange. mas. paralelas e ligeiramente cruzadas nos tornozelos. visto que eles são a fonte mais comum de comunicação em linguagem do corpo. os significativos dos puramente aleatórios. Essas são algumas das razões por que devemos abordar a cinesiologia com cautela. diz Birdwhistell. podemos proceder a um estudo de todo movimento. mas é muito mais provável que seja uma posição afetada ou mesmo um treinamento da escola de etiqueta. de seu significado e tentar rotulá-lo.O resultado é um pouco semelhante a pictogramas egípcios. Quando uma mulher se senta com as pernas inclinadas. por exemplo. ou dos cuidadosamente aprendidos. Para padronizar os movimentos corporais antes de torná-los pictogramas cinésicos. a cabeça equilibrada e voltada para frente. — para olhos fechados. Certas escolas consideram essa pose feminina e graciosa. Talvez coçar o nariz seja uma indicação de discordância. Birdwhistell limita seu trabalho a americanos da classe média. Nenhum deles é acidental. Uma piscadela do olho direito então. O dr. mas pode indicar que o nariz está coçando. embora às vezes sejam contraditórios. e estudar um movimento ou gesto apenas em termos do padrão total do movimento e devemos entender o padrão do movimento em termos da linguagem falada. devemos ter um ponto zero ou de repouso.

e essas não se aplicarão aos círculos da classe média. americanos judeus. Entretanto. Embora ele não diga isso especificamente. Se fosse elaborado um sistema diferente para cada uma dessas categorias. parece haver mais diferenças étnicas do que de classe nos gestos. Como ilustração da capacidade de aprendizagem dos seres humanos. mesmo quando não há necessidade de limpeza do globo oculaf. O dr. o sistema do dr. Deve ser encontrado um sistema comum que possa ser aplicado a todas as culturas e a todos os grupos étnicos. Birdwhistell cita os inúmeros casos de movimento ocular aprendido. As meninas em nossa sociedade aprendem a "piscar quando estão interessadas em alguém. que a movimentação da pálpebra varia de uma cultura para outra. ele faz considerações sobre o movimento cinésico mais comum: aquele das pálpebras. Devemos saber o que aquele indivíduo está fazendo. Outro ponto que o dr. da classe média. Contradizendo isso. ser extremamente significativo em outro. Birdwhistell esteja basicamente preocupado com a linguagem do corpo de norte-americanos anglo-saxões. seus gestos e os movimentos da pálpebra. também muda sua linguagem do corpo. Examinar a face isoladamente não nos dirá o sentido exato do franzir da testa. Apertamos os olhos para nos proteger do excesso de luz. Se assim for. Birdwhistell também ressalta que um movimento do corpo pode não ter significado num contexto e. quando uma pessoa bilíngüe muda o idioma. nos Estados Unidos. Ele sugere que exemplos como esses provam que nem todo o movimento da pálpebra é instintivo e. O fato interessante aqui é que. no entanto. brancos. ou enfrentar uma nuvem de pó sem fechar os olhos. negros e assim por diante. podemos simplesmente marcar uma idéia numa sentença ou.balhadora darão certas interpretações a movimentos. Birdwhistell cumprirá esse papel. suponho que o dr. ainda em outro contexto. com alguma variação. e acho que. indígenas. Eles devem absorver um sistema de interpretação não só para os americanos protestantes anglo-saxões. Tendemos a pensar que os movimentos das pálpebras são movimentos reflexos. ele acrescenta. da mesma forma que a linguagem. mas também para ítalo-americanos. ou piscamos para evitar que alguma poeira entre em nossos olhos. 106 . e também para limpar o globo ocular. o número total de sistemas seria excessivo. o dr. quando franzimos a testa e formamos vincos entre os olhos. Birdwhistell ressalta é que todos os nossos movimentos significativos são aprendidos. Por exemplo. protestantes. São assimilados como parte da sociedade. de concentração profunda. Os faquires nos cultos religiosos indianos podem aprender a olhar para o sol sem piscar. seu estudo apresenta aos estudantes do assunto uma quantidade imensa de dados. isso poderia ser sinal de perturbação ou.

de acordo com o dr. Birdwhistell. Esse é o aspecto interessante no campo da comunicação subliminar. Birdwhistell considera uma piscadela como um cine. Birdwhistell enfatiza que entre os homens a comunicação é uma arte aprendida e. incidentalmente. Birdwhistell não só faz distinção entre os gestos que notamos e aqueles que não notamos. a menor medida da linguagem do corpo. enquanto se mantém a outra relativamente imóvel'. há um possível valor subliminar nesses gestos. Esse cine específico pode ser descrito como "o abaixar de uma pálpebra. Sempre faz parte de um padrão. que aquela piscada significa um convite ao flerte. * No original kines. Entretanto. Birdwhistell faz do movimento corporal vem do estudo de filmes. Um romancista pode escrever: "Ela piscou para ele". como mostramos num capítulo anterior.) 107 . que quase ninguém tem ciência de fazê-los ou observá-los. Torna-se um simples fechar de um olho em vez de um sinal de flerte. Há tantos movimentos possíveis que podemos fazer a cada minuto. Mas. em resposta ao que recebemos. Esse tipo de descrição. a afirmação só tem significado porque o leitor conhece todos os outros gestos que acompanham o piscar de olhos. até conseguirmos notar certos movimentos — qual o valor do movimento que descobrimos? Um movimento só será significativo se for facilmente sinalizado e recebido. tende a extrair do cine todas as emoções associadas. ele faz uma advertência para que não se confie demais nesse método.Rotulando os cines * Mesmo que. Ele acredita que os pequenos gestos captados por filme e que passam despercebidos pelo olho humano não podem ter muito significado na comunicação. e sabe. (N. podemos supor que a maioria dos movimentos também seja aprendida. O dr. Se precisamos filmar o movimento e exibir o filme repetidas vezes em câmera lenta para analisá-lo. é que não há movimento isolado. O mais importante a perceber sobre a linguagem do corpo. mas também entre aqueles que temos consciência de fazer e aqueles que fazemos inconscientemente. enviamos esses sinais contínuos e os recebemos e. por exemplo — o dr. palavra de origem grega (kinesis) que indica movimento. passados repetidas vezes até que traços casuais sejam reconhecidos e rotulados.T. Constatamos que muitas vezes as imagens enviadas depressa demais para serem percebidas pelo olho consciente são reconhecidas e absorvidas pelo olho inconsciente. visto que a cinesiologia estuda os movimentos corporais que comuniquem alguma coisa. no contexto da situação escrita. enviamos mais. O dr. Apesar do fato de que a maioria das análises que o dr. alguns gestos sejam genéticos e não aprendidos—sorrisos. Além do mais.

Birdwhistell usa um ator ou estudante com facilidade de se expressar em linguagem do corpo para tentar projetar movimentos diferentes e seus significados a um grupo de estudantes. Uma peça pertinente de informação é. com o olho virado para o canto esquerdo. então. a boca normal e o nariz para baixo. Para aquele movimento extra ele pode. Diagramada. pediu-se a um ator para passar as seguintes expressões a um grupo de estudantes: Traduzindo em termos descritivos. De uma grande série de tais experimentos. essa é a primeira piscadela sem que se olhe de soslaio e com a ponta do nariz para baixo. é necessário extrair toda emoção do movimento observado. acrescentada ao corpo crescente de dados sobre cinesiologia. Nem importa o lado para onde o olho se volta. fazer uma segunda expressão parecida ao grupo de observadores. então. então. Tenta-se. Por exemplo. Os observadores comentaram. Não importa com que olho o indivíduo piscou. Birdwhistell conseguiu separar cines diferentes. A ciência da cinesiologia agora enten108 . ao responder sobre as diferenças: "Parecem diferentes. Para isso o dr. Dessa forma. A boca é normal. O significado é o mesmo. então. seria assim: Descrição: é uma piscadela com o olho direito. "Este significa algo diferente deste outro?' é a pergunta habitual. mas não para adivinhar o que significa cada um deles. O grupo de observadores concordou que esse era o mesmo que a primeira expressão. Na essência. o dr. mas não significam nada diferente'. mas a ponta do nariz está voltada para baixo. essa expressão seria uma piscadela do olho esquerdo e com o olho virado para o canto esquerdo. Pede-se ao grupo para diferenciar os movimentos.No desenvolvimento de um sistema de "escrita" da linguagem do corpo. o gravador descobre quando uma pequena amplitude de movimento projeta uma impressão diferente. atribuir um significado. dar uma terceira instrução aos observadores. Também é necessário elaborar um sistema experimental para gravar e duplicar os cines. para dizer em que ponto um eme adicional modifica todo o movimento. Tenta-se.

Erguer uma sobrancelha é um sinal clássico de dúvida. Aqui. seu comentário é: "Bem. tudo isso é significativo. todos esses movimentos possuem significados diferentes quando combinados a diferentes expressões faciais e em diferentes situações culturais. quando o olho se fecha. Esses estudantes. saltos. mas em outros contextos era um sinal significativo. mostrando estarem de 109 u c j j LI* t* rrrmwi . Mas. A ponta do nariz é voltada para baixo. Acenos. a piscadela é a mesma e o olhar de esguelha é mantido. Birdwhistell mostra que isso não acontece. isso muda as coisas". e de um lado para outro para indicar sim. Cultura e cinesiologia O rosto. erguer ambas as sobrancelhas. do que de uma mudança na face. mas a boca muda. uma mudança na posição da boca altera o significado. Quando essa expressão é demonstrada ao grupo. A ponta do nariz para baixo não significava nada no contexto do piscar de olhos. giros. Finalmente. Pensaríamos que olhar de esguelha e piscar alternadamente transmitiria significados diferentes. Volta-se para baixo. Um olhar de esguelha com a boca pronunciada. ele me diz. uma ligeira mudança em uma das sobrancelhas sinalizaria um significado bem diferente. e abaixá-las indica inquietação e suspeita. tremores. apresenta uma enorme variedade de expressões possíveis. ele não avalia a mudança da sobrancelha nessa seqüência. Olhar de esguelha não era significativo quando a boca se mantinha na posição normal. como podemos ver. era significativo. e quando voltamos um pouco atrás para considerar a cabeça. um estudo científico cuidadoso confirma o fato de que é menos provável a comunicação vir de qualquer mudança do olho em si. "Às vezes acabo me distraindo quando explico um ponto extremamente complicado e eles sinalizam o que eu entendo ser um 'não'. era significativo para transmitir uma emoção. Nessa expressão. tentou-se uma quarta variação. Evidentemente. acima e além da face. Um amigo meu leciona numa escola de pós-graduação onde há muitos estudantes da índia. Se avaliasse. mexem a cabeça para cima e para baixo para indicar não. entretanto. Uma mudança real na expressão só é conseguida quando a boca muda. O dado que então vai para o arquivo cinésico é.de que um olhar de esguelha em geral não significa nada em linguagem do corpo. outro conjunto de movimentos se torna possível. de surpresa. O médico constatou que piscar ou fechar um olho. mas o dr. de maneira pronunciada.

a linguagem do corpo no contexto da linguagem falada. Entretanto. esses movimentos das mãos eram os mais difíceis de controlar.acordo com a idéia." A doutrinação cultural em termos de linguagem do corpo é muito difícil de superar. dando pistas para a ação e para o entendimento da mensagem. A primeira expressão poderia sugerir inquietação ou apreensão. arqueando o corpo para trás. O movimento das mãos deles eram mais soltos e abertos que o das mãos dos alemães. para alguém de origem italiana. É sempre um caso de complementaridade. seria a mesma para um americano que a que vemos a seguir. sei que é apenas um problema cultural. 110 . e então levanta-se na ponta dos pés e se ergue. a linguagem do corpo muitas vezes pode oferecer uma pista à dinâmica da verdadeira situação. os judeus que tentavam passar por não-judeus muitas vezes se traíam pela linguagem do corpo. um observador de uma nacionalidade pode ver coisas na linguagem do corpo que passam completamente despercebidas para alguém de nacionalidade diferente. no entanto. Conheço um professor de matemática em uma universidade que originalmente estudava o Talmude na Alemanha e saiu no início da década de 30. e o que eu interpreto como um 'simquando discordam. Não podemos subestimar a força dos traços culturais na linguagem do corpo. Na verdade. quando leciona. de uma forma jocosa. olhos abertos com uma contração da parte média da sobrancelha. culturalmente orientada. Sou tão doutrinado culturalmente que não consigo aceitara contradição. No entanto. não importa qual seja a linguagem falada. o professor não conseguiu controlar seu movimento corporal. e ao se disfarçarem. narinas fechadas e a boca em repouso. em cada caso. haveria uma diferença sutil na omissão da contração da parte média da sobrancelha. E. Devido a essa diferença cultural. Mesmo quando lhe fizeram uma observação quanto à sua postura. Ele se inclina para frente. A pista final. como o dr. curvando o corpo a partir da cintura. mas isso não facilita as coisas para mim. retoma a postura de "orar" do estudante do Talmude. A descrição acima. Até hoje. durante o Nazismo. Na Alemanha. eles estão sinalizando o oposto do que eu recebo. Birdwhistell enfatiza. teria de vir do contexto em que a expressão ocorreu.

Muitos dos movimentos corporais sem significado real indicam imaturidade. do ponto de vista da linguagem do corpo. é que Bob era "cinesicamente maturo". Mas. Bob raramente sugeria ao grupo para fazerem algo que os garotos não estivessem prontos ou dispostos a fazer. Ele conduzia o grupo na direção que este estivesse disposto a tomar. Esse exemplo nos dá uma boa lição sobre liderança. muitas vezes. Bob. ou seja. no entanto. ou " Vamos à cidade. A diferença entre maturidade e imaturidade. ele era um dos meninos mais quietos do grupo. como podemos suspeitar com base na liderança de Tom. que faz as pessoas fazerem o que elas querem fazer. quando estavam próximos da cidade. em turmas ou na política. Uma pessoa amadurecida move-se quando precisa. Um deles era um dos "tagarelas". Vamos chamá-lo de Tom. comparado aos outros meninos.Siga o líder O dr. Birdwhistell menciona o caso de uma turma de meninos adolescentes. poderia estar na linguagem do corpo. o que poderíamos chamar de "tagarelas". dar uma volta". até tal loja. De fato. O que. Birdwhistell suspeitava. Três meninos da turma eram o que ele chamava de "fortes vocalizadores". ele descobriu que os três "tagarelas" emitiam de 72% a 93% de todas as palavras faladas. o que dizer de Bob. Ao filmar a ação desse grupo. A liderança de Bob lhe parecia ser de natureza cinésica. quando a turma está preparada para andar pela praia. então. " Vamos pescar". são aqueles que tentam começar algo novo. se todos eles estivessem sentados na praia. Ao estudar as filmagens do grupo em ação. O líder de maior sucesso. quando a turma está pensando em jogar beisebol. era líder também? A resposta. 111 ." engajava-se em poucos atos não-relacionados' . o tornou líder? Ao responder a essa pergunta. o mais interessante. que falava tão pouco e. o dr. não-relacionado ao que está sendo feito. é expressa pela linguagem do corpo. é sempre aquele que prevê a ação desejada e impulsiona as pessoas para ela. Atos não-relacionados. conforme o dr. Bob sabia como fazer isso. O outro líder era um companheiro calado. verificou-se que Bob. " Vamos nadar". nem coçava a cabeça ou batia com os dedos em alguma superfície. Ele fazia menos movimentos corporais desnecessários que os outros meninos. Não balançava os pés à toa. Ele não colocava a mão na boca. em vez de tentar forçá-lo a seguir uma direção totalmente diferente. podemos ainda ajudar a esclarecer uma questão mais geral: como se chega à liderança? É a capacidade de dar ordens e conversar com os outros? Se for isso. e o faz intencionalmente. Havia dois líderes no grupo. ou " Vamos até tal loja". A análise cuidadosa mostrou que Bob emitia apenas cerca de 16% das palavras faladas. Birdwhistell explica.

para trás e —I que indica a continuidade de qualquer movimento ou posição. Cinesicamente. 112 . pés epescoço. Os sinais especiais para o movimento em cada uma dessas partes são combinados com vários sinais direcionais. Poderia. é: quanto um sistema de notação contribui para o estudo da linguagem do corpo? É importante registrar um incidente em termos cinésicos? Mesmo quando a notação é combinada com uma gravação das palavras faladas. Mas. chateado. Bob era um bom ouvinte. Devido a essa capacidade para ouvir. E possível que os traços da linguagem do corpo que o tornavam líder fossem refletidos em sua fala. depois da exposição desse sistema a pergunta que surge. que lidera um grupo na direção por ele desejada. Além da cabeça e da face. \ para uma posição inferior. juntamente com os movimentos adequados da face e da cabeça. o restante do grupo procurava Bob para lhe contar seus problemas e confiava nele quando ele dava uma sugestão. como o sistema de notação para a dança. braço epulso. o que ele dizia era acatado. Entretanto. ou talvez óbvio demais. Refletindo sobre isso. -» para a frente. certamente há um uso limitado para essa combinação e esse uso provavelmente é limitado a alguns estudiosos. ser usado para "atribuir um escore" para falas e gerar eficiência máxima em áreas como política e ensino. Birdwhistell passará a ser adotado. Poderia ser usado por atores e animadores e mesmo por homens de negócio. sabia conversar muito bem. perna e tornozelos. ele dividiu outras áreas: tronco e ombros. no sentido da linguagem do corpo. o dr. Esses assinalam t para uma posição superior. inevitavelmente.O menino que é um líder nato. poderá até ser necessário. De fato. mas. Ele dirigia a conversa. Quando ele conversava. quando você começa a pensar nisso. Ele copiava a postura do menino que estava falando. tal sistema de notação não precisa ser confinado a situações de registro para estudo. quadris. com seus símbolos pictográficos. Mas. eventualmente. que embora Bob falasse menos que os outros. Poderia ser usado por terapeutas para "avaliar quantitativamente" sessões de terapia e como referência ao que o paciente expressou com seu corpo e também com sua boca. mãos e dedos. também é maduro o suficiente para canalizar seus movimentos corporais para áreas úteis. Ouvir é uma dessas áreas. era estranho. Birdwhistell dividiu o corpo em oito partes para facilitar a investigação desses "pequenos movimentos". e não mexia a perna ou os pés ou recorria a todos os sinais da linguagem do corpo de um jovem para expressar:"Estou inquieto. desinteressado". há bem poucas situações a que tal sistema de notação não se aplicaria. Ainda não se pode determinar se o sistema do dr.

Washoe aprendeu cerca de trinta sinais. Quando Washoe aprendia corretamente um sinal. e qualquer "dicção errada" era melhorada pela repetição do sinal de forma exagerada. os Gardner decidiram tentar ensinar gestos. mas esse trabalho paciente levou meses até que ela pudesse reproduzi-los sob comando. o que lhes permite aprender a usar gestos para a comunicação.• • Vamos conversar com os animais Os estudos de um casal de pesquisadores. Os Gardner decidiram ensinar a uma chimpanzé jovem. chamada Washoe. Considerava-se que ela havia aprendido um sinal se o usasse sozi113 . e os símios têm bastante familiaridade com a linguagem do corpo. Washoe. mostraram o quanto a linguagem do corpo é antiga e ressaltaram sua supremacia sobre a palavra falada. e era cercada de humanos que usavam apenas a linguagem de sinais para se comunicar. Pode-se dizer isso principalmente com relação a símios antropóides. Allen e Beatrice T. da Universidade de Nevada. Gardner. A linguagem do corpo é parte natural de todo o comportamento animal. como é típico dos chimpanzés. Ela era incentivada a se expressar quando tocavam sua mão. a linguagem de sinais usada pelos surdos-mudos na América do Norte. Se era forçada a treinar demais. ela se rebelava fugindo ou atirando-se ao chão e fazendo birra. eles raciocinaram. ou mordendo a mão de seu treinador. ela era recompensada com cócegas. R. Ponderando os vários fracassos dos psicólogos em ensinar macacos antropóides a falar. A chimpanzé teve toda liberdade na casa dos Gardner e recebeu brinquedos e muito carinho e afeto. porque apresentam destreza manual. imitava muito rapidamente os gestos da linguagem de sinais de seus amigos humanos. Depois de dois anos de trabalho paciente.

alguns naturalistas ressaltam que a linguagem do corpo entre animais não é algo novo. O experimento ainda continua a ser realizado. durante quinze dias. embaraço e ansiedade. calças e outros artigos de vestuário e os sinais para bebê. cachorro e gato. Kagan disse. Washoe aprendeu a colocar a ponta dos dedos na cabeça para indicar "mais". " q u e muitas partes do corpo. Símbolos em um mundo sem sons Com isso em mente. Se assim for. eles eram incapazes de usar a leitura labial. Ela também inventou algumas sentenças simples:" Vaidocê' quando quer ser levada a um arbusto de framboesa e "Abre comida bebida" quando quer algo da geladeira. 114 . reflitam o estado emocional de uma pessoa" Como exemplo. pelo menos uma vez por dia. Ela também aprendeu os sinais para chapéu. É lógico que a linguagem de sinais dos surdos-mudos deveria funcionar onde a falada falhou. o dr. cães ou gatos quando os encontrava. Eles viam filmes de homens e mulheres em várias situações e deveriam supor o estado emocional dessas pessoas e descrever que pistas da linguagem do corpo eles usaram para fazer suas suposições. Os pássaros sinalizam disposição sexual por meio de danças elaboradas de cortejo. pode ser possível com a linguagem do corpo. em alguma extensão. o dr. sapatos. a chacoalhar a mão aberta para indicar "pressa" e a deslizar a palma pelo peito para expressar "por favor". Uma vez ela chegou a usar o sinal para cachorro ao ouvir um latido. A velha idéia do dr. "Ficou evidente para nós". desde rolar e passar-se por mortos a sentar e pedir comida. então uma pessoa surda dever ter uma compreensão mais sensível da linguagem do corpo. Entretanto. O que é novo no caso de Washoe é o ensino de uma linguagem a um animal. e Washoe está aprendendo novos gestos e os incluindo em novas sentenças. de uma forma apropriada. de conversar com os animais.nha. Dolittle. as abelhas sinalizam a direção de uma fonte de mel por meio de padrões de vôo e os cães fazem uma série de sinais. talvez qualquer parte. conversar enquanto mexia as mãos ou brincava com um anel e se movimentar sem parar eram interpretados pelos surdos como nervosismo. O surpreendente é que ela usava esses últimos sinais para novos bebês. Quando os olhos e a face de repente "caíam". Norman Kagan da Michigan State University conduziu um estudo entre surdos. A perda da audição e a eliminação do mundo dos sons aparentemente torna o indivíduo mais sensível ao mundo dos gestos e movimentos. Devido às dificuldades técnicas. e a iniciação do animal aos sinais dessa linguagem.

Como criança e adolescente. para enquadrá-la nos "direitos de propriedade" de sua cultura. Você não está sozinho. se. e o estado de tédio era inferido quando a cabeça se inclinava para o lado e os dedos eram movimentados. a exploração durante a juventude do toque do amor. Não querer ver nem ser visto era interpretado quando alguém tirava os óculos ou desviava o olhar. e tudo o que for transmitido no mesmo comprimento de onda. a exploração mútua com seu parceiro sexual. uma testa enrugada e um olhar abatido. Dizemos: "Tenho consciência de mim. A educação dela prossegue com uma doutrinação de "não tocar". mas é realmente uma forma de comunicação mais primitiva e básica. Nós nos comunicamos com os outros pelo aperto de mãos. todos esses são aspectos da comunicação tátil. Movimentos involuntários excessivos eram rotulados como frustração. com a linguagem visual incluindo a linguagem do corpo e a auto-imagem. o calor e a segurança de seus braços. Também nos comunicamos por meio do tato coçando. com afagos e beijos. Eu amo você'. as interpretações eram precisas. de Harvard. segurando as mãos dos outros e por meio de todos os tipos de toque. isso era interpretado como culpa. ou quando seus traços "desmontavam". o toque oral do bico do seio. entretanto. Fique ã vontade. ainda permanece na mistura de todos os níveis de comunicação da linguagem oral. suas aventuras com a masturbação — o toque de si mesmo —. e a comunicação se fazendo por outras bandas. 115 . Sua visão tornou-se tão acurada. De acordo com o falecido dr. era visto como expressão de uma pessoa enérgica. esses são aspectos óbvios. Lawrence K. mas a cena era projetada sem palavras. para ensinar-lhe a noção de posse e pertinência. Frank. Parece que a linguagem do corpo sozinha pode servir como meio de comunicação. Mas. Um estado reflexivo estava associado à intensidade do olhar. o toque em seu próprio corpo. e o movimento de encolher o corpo. isso requer a hipersensibilidade de uma pessoa surda. dando tapinhas nas costas ou pressionando a mão contra objetos. Os gestos eram interpretados dentro do contexto global de uma cena. tivermos a habilidade de entendê-la. Uma dessas bandas é a tátil. no entanto. O verdadeiro valor da linguagem do corpo. como se " alguém estivesse se escondendo". Essas interpretações eram feitas pelos surdos. dizendo: "Fique seguro. expressava depressão. Jogar a cabeça e todo o corpo para a frente. sua busca de um grande número de pistas é tão intensa que o contexto global de uma cena pode ser transmitido a uma pessoa surda por meio da linguagem do corpo. Mas. Estou me dando prazer e satisfação". se formos extremamente sensíveis a todos os diferentes movimentos e sinais. e o som não fazia parte das pistas transmitidas. o conhecimento que uma criança tem desse mundo começa com o toque de sua mãe. inclusive os braços e ombros.quando a pessoa parecia "reprimir" sua expressão. que às vezes se superpõe à visual.

o psicólogo que originou a Gestalterapia (terapia psiquiátrica que usa a linguagem do corpo como uma de suas ferramentas básicas). A técnica básica da gestalterapia. ela sentia que sua vida sexual estava muito melhor. Perls diz:"Desconsidero a 116 . ela gritou: 11 Como isso parece sexy/'.O ponto em que a linguagem do corpo cede lugar à comunicação tátil é difícil de identificar. ela pôde perceber a extensão de seus problemas. à medida que espalhavam a tinta pelo papel. Isso acontecia especialmente no contexto de suas outras ações. ela foi capaz de tomar as medidas adequadas para resolver o problema. não pôde acreditar que tivesse reagido daquela forma. destruído em parte por sua incapacidade de ter satisfação sexual. Saúde mental por meio da linguagem do corpo Talvez o maior valor da compreensão da linguagem do corpo resida no campo da psiquiatria. Quanto a isso. Começou a entender. numa discussão do significado da perna cruzada em termos de linguagem do corpo. O dr. Agora. segundo ele. o dr. Buchheimer e outros aplicaram o entendimento da linguagem do corpo às áreas da autoconfrontação. "Esperávamos que a sensação depintar. de acordo com o dr. ao entender como usou o gesto simbólico de uma linguagem do corpo. e o dr. Para ajudá-los a entender o que estva acontecendo. Fritz Perls. O trabalho de dr. e no mesmo instante ela cruzou as pernas. Mas. os libertasse de algumas inibições que tornavam o processo terapêutico lento. em seu segundo casamento. teve um primeiro casamento ruim. Quando o filme foi passado e ela foi confrontada com sua reação ao conceito tátil da sexualidade. ao entender isso. daquele momento em diante. Buchheimer faz um relato de um grupo de pacientes adultos que receberam tinta para pintura a dedo. As barreiras são incertas e indefinidas demais. não consiste em dar explicações ao paciente. para usar como recurso terapêutico." Uma paciente. seu comentário sobre a pintura "sexy". Ela admitiu que ainda tinha conflitos sexuais. eles foram filmados trabalhando e então viram os filmes. de repente. a superfície das situações em que nos encontramos. Esse é um exemplo clássico de como. que seu segundo casamento estava sendo abalado devido aos mesmos problemas que o primeiro e. Produzindo um borrão escarlate e roxo com a tinta para pintura a dedo. O dr. ela concordou que essa era uma forma simbólica de se fechar e recusar o sexo. diz de sua técnica: " Tentamos apreender o óbvio. Perls. Scheflen mostrou-nos o quanto é importante para os terapeutas usar a linguagem do corpo de forma consciente. mas seu casamento ainda não estava "bem consolidado". mas em propiciar a ele a oportunidade de entender e descobrir por si só.

PACIENTE: Sim. você estaria mais segura de mim lá? PACIENTE: Bem. Confusa. ela reflete. TERAPEUTA: Só ficaria sentada? TERAPEUTA: PACIENTE: Sim. PACIENTE: Ah. O nível não-verbal. é o da linguagem do corpo. num canto. Para exemplificar o que o dr. Ainda olhando fixamente para o canto. você tem medo de se apresentar em público? PACIENTE: Não sei. uma das sessões dele com uma mulher de trinta anos. a paciente bate no peito inconscientemente. vamos escutar.. ela faz um aceno com a cabeça. Perls quer dizer. Acho que você sabe quando eu fico assustada e rio. ou brinco para dissimular. em que você está totalmenteprotegido. O que você gostaria de fazer? Você é capaz de descrever esse canto para o qual você gostaria de ir? Voltando a olhar para os cantos da sala. pensativa. PACIENTE: Estou assustada agora. Talvez um pouco mais segura. Ao dizer isso. TERAPEUTA: Bem. PACIENTE: Eu me sentaria lã. TERAPEUTA: Então. às escondidas. mas está sorrindo. TERAPEUTA: 117 . TERAPEUTA: Você diz que está assustada. É naquele canto no fundo. TERAPEUTA: Você disse que eu a prensaria num canto e você mesma bate no peito. então repete o gesto. o que faria lá? Por um instante. O dr. agora se tornou uma situação concreta. PACIENTE: Também desconfio de você. Perls repete o gesto dela de bater. e ela olha para a mâo dela como se a estivesse vendo pela primeira vez. sei que na verdade não estaria. a paciente de repente o identifica como um lugar onde ela poderia estar. evidentemente. P or quanto tempo você ficaria sentada? Quase como se estivesse mesmo no canto. Não entendo como alguém pode estar assustado e sorrir ao mesmo tempo. já que este é o único que está menos sujeito ao auto-engano".. o sorriso da paciente se torna trêmulo e desaparece. Acho que você entende muito bem. Quero que você fique ao meu lado. Uma frase casual.maior parte do conteúdo do que o paciente diz e concentro-me mais no nível não-verbal. TERAPEUTA: Se vocêpudessefazer de conta que estava naquele canto. Tenho medo de — de que você me atacará e tenho medo de que você vai me pressionar num canto e tenho medo disso. Essas conversas foram tiradas de um filme de treinamento psiquiátrico. a paciente adotou a posição de uma menininha num banco. Estou muito consciente de você.

PACIENTE: Não sei. TERAPEUTA: Então não é uma menina pequena. Ela tenta conter o sorriso. TERAPEUTA: 118 . não! Não. dá risada ese retorce. TERAPEUTA: Você é uma menina pequena? PACIENTE: Não. para desarmá-la. TERAPEUTA: O que você está fazendo com os pés agora? PACIENTE: Balançando. mas mesmo ao dizer isso. Você está blefando. TERAPEUTA: Sem dúvida.. mas ela balança a cabeça. O terapeuta também ri. pois seu comentário se tornou gráfico. PACIENTE: Já me disseram isso antes. PACIENTE: Sim. PACIENTE: Sei que você não acha que eu estou. Forçando-a a enfrentar a sensação de ser uma menina pequena. Faz-me lembrar de quando eu era pequena. me sentia melhor num canto. está desaparecendo. mas é engraçado que você esteja dizendo isso. Você sorri. TERAPEUTA: Você épequena? PACIENTE: Essas sensações mefazem lembrar disso. Ele imita os movimentos dela. TERAPEUTA: Você está brincando agora. maséa mesma sensação. TERAPEUTA: Sim. A voz dela mostra irritação. não. não. O terapeuta imita o sorriso dela.. a paciente diz: PACIENTE: Você está me tratando como se eu fosse mais forte do que sou. seja mais amável comigo. Ela ri porque o movimento dos pés a faz perceber que está fingindo. TERAPEUTA: PACIENTE: Não! Numa cena posterior. fazendo-a vê-los refletidos nele. ela sorri. você épequena? Outra vez. confusa. TERAPEUTA: Vocêpercebe que está sorrindo? Você não acredita numapalavra que está dizendo. mas o terapeuta levou-a a reconhecer o fato de que sorri. o terapeuta continua. PACIENTE : Você acredita — você está fala ndo sério? Agora o sorriso dela é incerto. Éfalso. PACIENTE: Bem. Você éfalsa. Quero que você me proteja mais. Mais tarde. Toda vez que tinha medo. Ele também sorri. acredito. Quantos anos você tem? PACIENTE: Trinta. TERAPEUTA: Tudo bem. mas não engulo essa. o terapeuta diz: Se você sefizer de burra e tola meforçará a ser mais explícito. TERAPEUTA: Você está representando.

PACIENTE: Falseando a linguagem do corpo Recentemente. TERAPEUTA: Você é capaz de expressar isso? PACIENTE: Sim. "E os meninos? Nenhum deles se aproximou de mim nem conversou comigo. Essa é uma autoconfrontação. vqcê sentiu o quê? PACIENTE: Bom. a raiva que ela não se permite sentir porque pode ser destrutiva demais. se você consegue controlar a linguagem do corpo. orgulhosa e inacessível como a Branca de Neve. e mostra isso para ela. estou furiosa com você. e sabia que ela era tudo. O que a linguagem do corpo pode fazer com a autoconfrontação. "Eu estava distante?' disse ela realmente surpresa. TERAPEUTA: Agora isto! Isto! Ele imita o sorriso dela. Odeio ficar constrangida. Só no final ela fica tão irritada que rompe com o sorriso defensivo e se expressa verdadeiramente. Por outro lado. é conscientizar uma pessoa sobre o que ela está fazendo com seu corpo. como esses incidentes mostram. observei uma adolescente muito bonita num baile e a vi parada perto da parede com uma amiga. forçando-a a enfrentar o simbolismo de sua própria linguagem do corpo. nesse momento eufiquei furiosa. depois. Ela sorri de novo. por que ela havia ficado tão distante. nesse exato momento. Sóporque sorrio quando estou constrangida ou me protejo num canto isso não significa que estou sendo falsa. seu entendimento de si se torna muito mais profundo e significativo. Perguntei a ela. TERAPEUTA: Você fez isso para encobrir sua raiva de você mesma? Nesse momento. Ele mostra a ela que o sorriso e a risada são apenas uma defesa para amenizar seus verdadeiros sentimentos. pode romper as barreiras defensivas com as quais se protege. Se você percebe o que está fazendo com o corpo. Eu estava morren119 . Perls capta a linguagem do corpo da paciente. TERAPEUTA: Você está sendo você mesma neste instante. balanço. que contradiz o que ela está dizendo com a boca. menos fria e orgulhosa. e mesmo o seu desejo de se sentar num canto. seu sorriso. mas estou sentida por ter-me chamado defalsa. Eu conhecia a menina. O importante nessa sessão é a forma com que o dr. Os sorrisos e risadas se foram e ela demonstra irritação pela voz e pelos movimentos corporais. estou muito magoada por isso. PACIENTE: Bem. Estava arrogante. mas não fiquei constrangida. Pode ter certeza de que não estou sendo falsa.Ah. Admito que é difícil mostrar meu constrangimento.

Ela aprenderá a linguagem do corpo para indicar aos meninos:"Podem me convidar para dançar. Não sou acessível. Eles sabem que se a convidarem para dançar ela aceitará. nem proteção. As escolas de etiqueta sabem disso e usam a mesma técnica para ensinar as meninas como se sentar e andar e ficar de pé com graça. Franklin D. Ela tem a minha idade e dançou todas as músicas. Que adolescente se arriscaria a ser rejeitado? Eles respeitam os sinais e procuram Ruth. Se quiser. mas. Ruth é horrorosa. Elas sabem o quanto pode ser transmitido pela linguagem do corpo. evocêaconhece. esconde sua melancólica timidez. isso fica um pouco chamativo. Mas. minha jovem amiga pode aprender a sorrir e amenizar a beleza. Todos os autores de livros de auto-ajuda. arrisque-se e me convide para dançar". e usam-na para enfatizar e dramatizar suas falas e também para projetar uma personalidade ou imagem mais agradável e aceitável. Confie em mim". Às vezes. Apesar do fato de Roosevelt ser deficiente físico e nunca permitir que seu corpo aparecesse numa posição que mostrasse isso (tinha plena consciência do impacto da linguagem do corpo. que eu vou aceitar. o segredo! Ruth sorri para todos os meninos. Minha bela e jovem amiga.. um 120 .do de vontade de dançar mas ninguém me convidou. Veja a Ruth. acolhedora e honesta. primeiro. Ela precisa se ver da forma como aparece aos outros. mas você deve dar a elas um "A" pela tentativa. Ela é horrorosa". sobre como fazer amigos. Ela faz um menino se sentir bem e seguro. para ficar mais acessível. Aprenda e aplique os sinais adequados para essas mensagens e você garantirá o sucesso no convívio social. Todos nós podemos aprender que se expressamos o nós que queremos ser. Se você duvida disso." Ela acrescentou um pouco tragicamente: " Sou a única adolescente na escola que fica sozinha. Roosevelt e Fiorello LaGuardia tinham um domínio instintivo disso. ela precisa entender os sinais. Ela sinaliza: "Fique longe. Gorda e nada atraente. Ruth não tem defesa nenhuma. assista a um concurso de Miss Universo e veja como as concorrentes foram treinadas a usar a linguagem do corpo para parecer charmosas e atraentes.. se sua deficiência fosse mostrada). Os políticos aprenderam o quanto é importante a linguagem do corpo. tão fria aparentemente. o nós que estamos escondendo. Quero ser seu amigo. ele conseguia usar a linguagem do corpo para transmitir outra imagem. como fazer as pessoas gostarem de você. Sou legal. sabem da importância da linguagem do corpo e da importância de falseá-la adequadamente para indicar: " Sou um grande sujeito. formas de "falsear" a linguagem do corpo para atingir um objetivo. Os gestos delas são ensaiados e precisos. A linguagem do corpo dela garante isso. ah. então podemos nos tornar mais acessíveis e nos libertar. Há muitas formas de fazer isso. Com a prática. deve confrontar-se e só então terá condições de mudar.

Billy Graham anuncia: " Você se arriscará a não ir para o céu. ou simplesmente desconhecendo-os. o dedo aponta justamente para onde podemos acabar indo. ele fez paródias adoráveis dos então candidatos. É fácil gaguejar ou balbuciar cinesicamente. não importa o quanto tentem. Se isso for verdadeiro. é fácil entender que alguns homens distorcem essas associações e usam-nas inconsistentemente. Quando. então há uma forte associação entre palavras e movimentos. William J. o mesmo desastre pode ocorrer na vida real. enriquecendo sua performance com movimentos corporais inadequados.. mediante um conhecimento surpreendente do vocabulário da linguagem do corpo. para eliminar ainda mais a emoção e.filho do povo. Eles gaguejam e balbuciam ou elevam ou abaixam demais a voz e tiram toda a força do que dizem. como se ele estivesse realizando uma seqüência de movimentos decorados. e você estará enfrentando uma platéia "fria". usando o gesto errado para a palavra errada. O resultado era um desastre pseudopolítico.r. porém. Lyndon Johson nunca teve sucesso nisso.". mas uma boa parte da mensagem será perdida ou distorcida. deve fazer uma declaração correspondente ao gesto. em sua colaboração no livro Explorations in communication (Explorações em comunicação). muito inteligentemente. ele aponta para cima. Alguns fazem isso com palavras. Quando um orador aponta em certa direção. nem empatia ou nenhum carisma. O uso exagerado de uma quantidade limitada de gestos da linguagem do corpo faz Richard Nixon ser uma figura bastante explorada pelos mímicos. Birdwhistell. e quando acrescenta:" Você vai direto para o inferno. tirando toda emoção de sua voz e tornando-a monótona. por exemplo. Assim como a linguagem do corpo inadequada pode ser confusa.. que só precisam captar um ou dois gestos e acentuá-los para transmitir uma imitação excelente. mas também do italiano e do iídiche. Assim como há associações adequadas. O dr. foi bem clara anos atrás ao ser usada pelo comediante Pat Paulson. Alguns homens não conseguem dominar a linguagem do corpo. Não haverá emoção em sua fala. é adequada e aceita por todos. afirma que um "lingüista-cinesiologista" bem-treinado seria capaz dcdizer os movimentos que um homem está fazendo. não revelando nenhuma expressão do rosto. não conseguindo usar os gestos corretos. e tudo por meio de gestos e movimentos corporais. simplesmente ouvindo sua voz. uma ligação entre sinal e palavra. Os movimentos de seus braços eram sempre exageradamente estudados e controlados. Infelizmente. Essa é uma associação muito óbvia e direta. quando um político é inibido ou esquisito demais. Fingindo ser candidato a um cargo político. e nào apenas do inglês. Fullbright e Arthur Gold121 . então. A platéia pode ouvir suas palavras e entendê-las.

mas um grau maior de animação — provavelmente um reflexo de sua descendência francesa —. permitindo que ele acrescentasse outra dimensão à sua imagem política. mas. é um homem cuja filosofia política está longe de ser de centro. Isso lhe permite projetar uma sinceridade inocente que pode ser completamente incoerente com o que ele está fazendo. 122 . para a grande maioria dos americanos. John Lindsay deixa transparecer a mesma sinceridade. deixa claro que sua linguagem do corpo expressava enfaticamente o conteúdo de sua fala. derruba nossas defesas. que serve aos políticos que são vistos à distância. até mesmo um playboy. Buckley tem um excelente comando das nuances mais sutis da linguagem do corpo. a verdade é que muitas vezes a forma como as coisas são ditas. Uma análise cuidadosa da atuação dele. Joseph McCarthy. e não no que propõe. como no caso de Lindsay e Buckley. moderados. usavam tão mal a linguagem do corpo que eles pareciam desinteressantes e monótonos. O efeito global é de dinamismo e animação. em menor grau. George Wallace usou a linguagem do Corpo durante a campanha presidencial para projetar uma imagem "honesta". ergue as sobrancelhas. Ted Kennedy tem a mesma facilidade cinésica. deixa os olhos entreabertos. de Eugene McCarthy. principalmente suprimindo-se o som da filmagem. A popularidade de McCarthy era maior entre os jovens que se interessavam mais pelo que ele dizia e não pela forma como o dizia. uma audiência que só é parcialmente de centro. algumas décadas atrás.berg fizeram pesquisas e deram importantes contribuições à política norteamericana. e ele acrescenta um toque de sinceridade a suas declarações. e temos uma noção de calma e conforto e algo mais — uma franqueza envolvente que vem da moderação do movimento cinésico. Ele usa a face com notável facilidade. da cidade. tinha um apelo assustadoramente forte. a linguagem do corpo usada. O mesmo se pode dizer de George McGovern e. do Canadá. Mas. mas sempre teve uma grande audiência em suas apresentações na televisão. pela boa aparência. Pierre Trudeau. mas ainda assim. William Buckley. Além da linguagem do corpo mais óbvia das mãos e da postura. quando faziam pronunciamentos em público. menos exagerados que os de Buckley. É um homem sofisticado. Seu apelo é em sua apresentação. mas os movimentos cinésicos são um pouco esquecidos. de Nova York. Embora sua política fosse difícil para muitas pessoas engolirem. mas no bom sentido. e captava os fundamentos da linguagem do corpo que muitos evangélicos fundamentalistas dominam. tem a mesma sinceridade. é mais importante que o que está sendo dito. O outro McCarthy. auxiliada. arqueia os lábios e as bochechas e apresenta uma variedade constante de expressões.

O professor catedrático Jones. Ele também tinha uma movimentação dura. realizado pelo professor Stanley E. Os latino-americanos. movimentos e mímica facial. Um processo de eliminação garante que apenas aqueles com um comando excelente da gramática e do vocabulário obtenham sucesso. segundo ele. 123 . fiquei muito surpreso ao descobrir que a pobreza condicionava esses indivíduos a se comportarem com semelhança marcante!'. Compare-o com Gary Cooper. ficam mais próximos quando conversam do que os chineses ou negros. E indiretamente divido esse prazer". depois de trabalhar durante dois anos no Harlem. estou aproveitando tudo o que vocês gostariam de aproveitar. mas usava-a para projetar solidez e masculinidade. nunca tiveram de se incomodar com o que diziam. Evidentemente. discutindo seu trabalho numa entrevista dada à imprensa. mostra que ele aplicou os princípios da linguagem do corpo para questionar a afirmação do dr. Quando você começa a identificar os estilos no homem. e os bons atores devem saber como usar a linguagem do corpo. os gestos. e como é o caso de muitos cantores. esperava constatar que mantinham as diferenças. Chinatown. todas áreas étnicas de Manhattan. Um relato recente. De acordo com ele. Foram todos bons atores. Little Italy e Spanish Harlem. bons no sentido de quem consegue projetar qualquer emoção com o corpo. o movimento dos braços semelhantes aos de um robô. Hall de que a diferença básica entre as culturas residia na forma de elas lidarem com o espaço. torna-se disponível como ferramenta no estudo de outras ciências. Jones. disse:"Quando comecei a estudar os padrões de comportamento desubculturas vivendo no 'cadinho' de Nova York. Sempre foi a forma como faziam algo que importava. e os árabes ficam ainda mais próximos que os latinos.Sua linguagem do corpo nos diz: "Veja. há exceções notórias. conseguiu evidências de que esse padrão muda. em New York City. Em vez disso. Juntando tudo À medida que os fatos sobre a linguagem do corpo são estudados e analisados e esta vai sendo elevada gradualmente à ciência. há uma cultura da pobreza que é mais forte que qualquer origem subcultural étnica. mostram gestos duros. nunca aprendeu a linguagem do corpo. Ele se tornou ator na década de 30 por saber cantar. Os realmente bons. da 55a Convenção Anual da Speech Association of America. pois captou inconscientemente os movimentos apropriados da linguagem do corpo. Ele acredita que as condições de pobreza forçaram esses grupos de pessoas a mudar alguns de seus comportamentos culturais. começa a entender como todas as figuras políticas confiam na linguagem do corpo para tornar as palavras e imagens aceitáveis. O professor Jones. Nelson Eddy foi uma delas. Algumas de suas atuações (ainda apresentadas em programas que passam de madrugada).

para a esquerda. numa tentativa de se descobrir em que medida a pobreza afeta a cultura. Este é um exemplo de como a linguagem do corpo. mais velho. Os Estados Unidos se tornaram um cadinho cultural. Agora que você as conhece. Meu amigo chama isso de gagueira cinésica. o professor Jones verificou que praticamente todos. Por que você se move do jeito que o faz? O que isso significa? Você é dominador ou subserviente em seu 124 . então. e ambas movem-se para a direita e. mas é a pobreza que derruba as barreiras para produzir uma linguagem do corpo comum. como ciência em desenvolvimento." eles esperam atéficarem a três metros de distância e então cada um dá ao outro um sinal. enquanto anotava e identificava cada movimento. A linguagem do corpo como ciência está na infância. e a beleza de tudo isso é que uma quantidade mínima de equipamentos é necessária. ele explicou. independentemente da origem étnica. Embora eu tenha conhecimento de vários estudos sofisticados feitos com videoteipe e filmes de dezesseis milímetros e envolvendo dezenas de estudantes voluntários. são influenciadas pela pobreza. pode ser aplicada a um estudo sociológico. Seria interessante levar esse trabalho adiante e ver que outras áreas além do espaço. ao mesmo tempo. " Quando há espaço suficiente. para quepossam desviar um do outro. que está estudando a forma como as pessoas desviam umas das outras numa rua movimentada e numa não tão movimentada. onde predominam casas pobres. também sei de um projeto muito interessante realizado por um menino de quatorze anos cujo quarto dava visão a uma cabine telefônica de uma rua de Nova York. ou conduzi-lo em outra direção e ver se a riqueza também rompe com as regras étnicas da linguagem do corpo. Ele usou uma câmera de oito milímetros para filmar o máximo de seqüências de pessoas usando a cabine. seguindo direções oposta^'. As forças econômicas seriam mais fortes que as culturais? Os futuros estudantes interessados em linguagem do corpo terão inúmeras possibilidades de estudá-la. Conheço outro estudante. Os achados do professor Jones parecem indicar que a cultura dos pobres americanos supera a etnia e as distinções nacionais. aluno de doutorado. é evidente que os sinais são confundidos e as pessoas vão uma de encontro à outra. Às vezes. seguindo em frente. Ele ainda não descobriu o sinal exato ou como é usado para transmitir qual a direção que cada um seguirá.Em áreas com alta densidade habitacional. examine-se e faça um exame de seus amigos e sua família. mas este livro explorou algumas de suas regras fundamentais. e então usou o projetor da família para projetar o filme em câmera lenta. de acordo com a verba que dispunha para isso. e ficam nessa dança tola até pararem e se desculparem. Freud chamou isso de encontro sexual. ficavam a cerca de 30 centímetros de distância.

Como se distribuem pelo espaço quando o carro está vazio? Como cruzam as pernas. Sua suposição é tão válida quanto a de um psicólogo treinado. e o deixa dominá-lo? Você permite que ele o domine como meio de aplacá-lo ou como meio de controlá-lo? Como você sai de um elevador quando está com colegas de trabalho? Você insiste em ser o último a sair porque esse gesto de delicadeza demonstra sua superioridade nata? Ou sai primeiro. mas eu prometo que não será desinteressante. Onde você se senta num auditório para assistir a uma palestra? No fundo. por outro lado. um pouco assustadora. Esteve participando do jogo da linguagem do corpo. tenha a bondade" Qual desses comportamentos é o mais equilibrado? Qual deles o homem seguro de si escolheria? Pense em cada um." "Não. aceitando a gentileza deles como se esse fosse o seu dever? Ou disputa sua posição?" Você primeiro.relacionamento cinésico com os outros? Como você lida com o espaço? Você é dono de si ou deixa que os outros o controlem? Como você lida com o espaço numa situação de negócios? Você bate na porta de seu chefe e então entra? Aproxima-se da mesa dele e o domina. Esta ainda é uma ciência incipiente. os pés e os braços? Olhe para um estranho durante um tempo mais longo que o necessário e veja o que acontece. pode ter experiências muito boas. Você conhece o trabalho básico e algumas das regras. comece a brincar conscientemente. Você pode se ver falando com estranhos e gostar disso. uma aventura reveladora e engraçada. 125 . mas pode ser notado pelos outros? Como você se comporta numa reunião informal? Você controla as mãos tomando um drinque? Apóia-se num peitoril para se sentir seguro? Pode servir como uma força imobilizadora para a metade de seu corpo e você não precisa se preocupar com o que dizer em linguagem do corpo—ou pode ter uma preocupação menor. deixando que os outros sejam gentis com você. em sinal de respeito. sendo que a maneira como você se apóia o esteja traindo! Onde você se senta? Numa cadeira no canto? Num grupo de amigos. Você pode estar sujeito a uma experiência desagradável e. Quebre as regras e veja o que acontece. inconscientemente. Será uma experiência surpreendente e. onde há certo anonimato. ou na frente. onde você pode ouvir e ver confortavelmente. Agora. ou pára a uma distância. ou perto de um estranho? O que é seguro e o que é mais interessante? O que indica segurança e o que denota maturidade? Comece a observar na próxima festa a que você for: quem são as pessoas que dominam a reunião? Por quê? O quanto se deve à linguagem do corpo e que gestos eles usam para fazer isso? Note como as pessoas se sentam em carros de metrô. durante toda a vida. embora você possa perder alguns detalhes da palestra. às vezes.

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