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Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG CURSO: INTRODUÇÃO AO PLANEJAMENTO E OPERAÇÃO DE LAVRA

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG

CURSO:

INTRODUÇÃO AO PLANEJAMENTO E OPERAÇÃO DE LAVRA

IETEC

Agosto de 2008

Prof. José Ildefonso Gusmão Dutra Prof. Cláudio Lúcio Lopes Pinto

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG CURSO INTRODUTÓRIO EM PLANEJAMENTO E OPERAÇÕES DE LAVRA

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG

CURSO INTRODUTÓRIO EM PLANEJAMENTO E OPERAÇÕES DE LAVRA A CÉU ABERTO E LAVRA SUBTERRÂNEA

PROGRAMA

I Etapa Introdução ao Planejamento de Lavra (8 horas-aula)

o

Conceitos Básicos

o

Fases do Planejamento

Estudo Preliminar

Estudo de Pré-Viabilidade

Estudo de Viabilidade

o

Planejamento de Longo Prazo

Modelo Geológico

Modelo de Blocos

Determinação de Cava Final / Realces

o

Relação Estéril/Minério

II Etapa Operações e Métodos de Lavra a Céu Aberto (8 horas-aula)

o

Desenvolvimento

o

Operações Unitárias

Perfuração e Desmonte

Carregamento

Transporte

Operações Auxiliares

o

Equipamentos

Operação e Alocação

Disponibilidade, Utilização e Produtividade

o

Otimização de Operações de Lavra

Critérios de Desempenho

Custo : Escala de Produção x Seletividade (qualidade x custo x volume de produção)

III Etapa Operações e Métodos de Lavra Subterrânea (8 horas-aula)

o

Comparação Lavra a Céu Aberto x Lavra Subterrânea

o

Aspectos de Operações Unitárias

Perfuração e Desmonte (Equipamentos)

Carregamento e Transporte (Equipamentos)

Operações Auxiliares (Ventilação)

o

Métodos Clássicos de Lavra

Realces com Suporte Natural

 Realces com Suporte Artificial  Realces em Abatimento Departamento de Engenharia de Minas -

Realces com Suporte Artificial

Realces em Abatimento

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I ETAPA INTRODUÇÃO AO PLANEJAMENTO DE LAVRA

1. FUNDAMENTOS DO PLANEJAMENTO

1.1. Conceito de planejamento

O planejamento de lavra é o resultado de um conjunto de tarefas que visam ao melhor aproveitamento dos recursos minerais. Melhor aproveitamento esse que se dá sob o ponto de vista da otimização da recuperação do bem mineral útil em função da maximização do lucro. Os modelos matemáticos e computacionais atualmente empregados no planejamento de lavra buscam exatamente a otimização da quantidade de bem mineral útil recuperada em função do lucro máximo. E embora possa parecer que a busca por lucro máximo conduza a um baixo aproveitamento dos recursos, esses modelos têm mostrado que o melhor aproveitamento desses recursos é conseguido com a maximização do lucro.

Entretanto, deve-se ressaltar que o lucro máximo não consiste no lucro percentual máximo, mas sim no volume de lucro máximo. Isso somente é conseguido com a utilização do efeito de escala. Fisicamente o planejamento de lavra objetiva extrair a maior quantidade de minério e a menor quantidade de estéril. Contudo, muitas vezes a extração do minério ou a sua liberação (minério pronto para extração, livre de estéril, mas que não foi ainda extraído) só é possível quando o estéril é retirado dentro de um cronograma planejado economicamente.

1.2. Conceitos Básicos

Minério: Mineral ou composto de minerais que pode ser recuperado (conhecido, lavrado e processado) com resultados lucrativos.

Estéril: Mineral ou composto de minerais desprovido de valor econômico, lavrado para liberação do minério.

O conceito de extração dirigida para os engenheiros pode ser simplificado

por:

Beneficio = receita custos

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Receita = material recuperado x preço unitário Custo

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Receita = material recuperado x preço unitário

Custo = material lavrado x custo unitário

O valor do minério é, salvo considerações especiais como minerais de interesse estratégico, função do mercado (oferta e demanda). Novas tecnologias, continuamente em desenvolvimento, interferem nas relações acima reduzindo custos (novos equipamentos, por exemplo) e aumentando ou reduzindo a receita (competição ou substituição de matérias primas, por exemplo). Como conseqüência novas tecnologias podem transformar estéril em minério, e vice versa.

Pesquisa: Fase de um empreendimento minério que compreende a prospecção (procura) e exploração (conhecimento) dos bens minerais.

Desenvolvimento: Procedimentos realizados para permitir o início do processo de lavra do minério (acessos, energia, construções civis, insumos, decapeamento, etc.)

Produção. Recuperação, extração, lavra ou explotação dos bens minerais e sua adequação (beneficiamento ou tratamento) as condições do mercado.

Ocorrência Mineral: Presença de um ou mais minerais em local definido e em condições (qualidade e quantidade) distintas de uma situação comum (anomalia).

Jazida: ocorrência mineral com potencialidade de recuperação econômica.

Mina: Jazida mineral em que ocorrem processos de recuperação mineral (lavra).

As informações mais importantes decorrentes da pesquisa mineral são as definições de Recursos Minerais: inferido, indicado e medido e Reserva Mineral:

provável e provada. Essas informações serão mais precisas quanto maior for o conhecimento sobre as ocorrências.

Para demonstrar a variação e o grau de certezas geológicas, os recursos podem ser divididos em medidos, indicados e inferidos.

Medidos: A quantidade (tonelagem e/ou volume) e a qualidade (teor) são calculadas a partir das informações de afloramentos,

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG trincheiras, furos de sondagem. Por analogia, valores

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trincheiras,

furos

de

sondagem.

Por

analogia,

valores

interpolados.

Indicados: As informações são obtidas de forma similar àquela dos recursos medidos, mas amostragem e medidas são mais distantes e com menor grau de confiabilidade. Por analogia, valores extrapolados.

Inferidos: As estimativas são baseadas em evidencias geológicas assumindo uma continuidade generalizada na qual a confiança nas informações é menor que nas duas definições anteriores.

O termo reserva refere-se à existência, e as características físico-químicas de uma ocorrência mineral e não se refere aos equipamentos, estruturas, etc. necessários para recuperação mineral. As reservas são classificadas como:

Reserva provada: Parte do recurso mensurado como reserva (medida e indicada) que se pode provar sua viabilidade técnica e econômica de explotação.

Reserva provável: Parte dos recursos inferidos e indicados que se pode definir a possibilidade, futura talvez, de explotação.

Atualmente estes conceitos estão sendo amplamente discutidos. A revisão destes conceitos introduzida no código de mineração Australiano de Recursos e Reservas (JORC), assim como o texto Classificação de recursos minerais de autoria do engenheiro Sergio Martins são leituras recomendadas.

1.3. Aspectos gerais de um empreendimento em mineração

O diagrama da figura 1.1 mostra o processo de suprimento de substâncias minerais no mercado. Como se pode notar, uma mudança positiva no mercado local cria uma nova demanda ou aumenta a demanda existente para os produtos minerais. Em resposta a novas demandas, recursos financeiros são aplicados na pesquisa mineral resultando em novas descobertas de depósitos. Outro aspecto a considerar é que por meio do aumento de preço, os minerais podem tornar-se economicamente viáveis. É importante salientar ainda que depósitos antes economicamente inviáveis, podem passar a sê-lo, por exemplo, com o desenvolvimento tecnológico.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Processo de suprimento mineral Os processos envolvidos na

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Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Processo de suprimento mineral Os processos envolvidos na recuperação

Processo de suprimento mineral

Os processos envolvidos na recuperação dos bens minerais são geralmente subdivididos em quatro fases: Prospecção, Exploração, Desenvolvimento e Explotação (lavra). As duas primeiras fases constituem a pesquisa mineral, a qual é responsável pelo estudo e caracterização da ocorrência mineral.

As informações obtidas na pesquisa mineral são fundamentais para a avaliação do depósito mineral bem como para o estudo de viabilidade da mineração. Após a avaliação e a viabilização do depósito mineral, tais informações passam a constituir a base para o planejamento e o projeto do empreendimento mineiro.

Durante o processo de modelagem do depósito, dependendo do porte do empreendimento, uma grande quantidade de informações é gerada. Com os modelos computacionais disponíveis atualmente é possível organizar estas informações para produzir um modelo tri-dimensional do depósito. Esse modelo considera as seguintes características: topografia, capeamento, geologia, estrutura, geomecânica, espessuras dos corpos, teores, tipologias etc. O planejamento da mina envolve um processo complexo que depende, além dos aspectos técnicos, da localização, da experiência em gerenciamento de mina, das condições econômicas e da legislação. De maneira resumida, pode-se dizer que o planejamento de lavra deve buscar o método melhor e mais econômico possível para extrair o minério. Em outras palavras, o planejamento deve procurar o processo ótimo de mineração que possa resultar no lucro máximo. Entretanto, para maximizar o lucro torna-se necessário minimizar os custos e aumentar a recuperação na lavra ou buscar uma combinação das duas coisas. O detalhamento dos processos utilizados, os “lay-out”, as especificações de equipamentos, o método de lavra, entre outros fatores dependem dos seguintes fatores:

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG 1. características naturais e geológicas do corpo mineral:

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1. características naturais e geológicas do corpo mineral: Tipo de minério, distribuição espacial, topografia, hidrologia, características ambientais de sua localização características metalúrgicas, etc.,

2. fatores econômicos: Custos operacionais e de investimento, razão de produção, condições de mercado, etc.

3. fatores legais: regulamentações locais, regionais e nacionais, políticas de incentivo a mineração, etc.

4. fatores tecnológicos: equipamentos, ângulos de talude, altura de bancada, inclinação de rampas etc.

A dificuldade na determinação desses fatores torna evidente a complexidade das operações envolvidas na recuperação do bem mineral e, por conseqüência, também a importância do planejamento de tais operações. O objetivo do planejamento mineiro é, portanto, a recuperação organizada do bem mineral, de forma a obter o máximo lucro possível e otimizar a quantidade dos recursos extraídos. A figura 1.2 representa a capacidade relativa de influenciar os custos de cada fase do empreendimento de mineração.

PLANEJAMENTO

Estudo

Conceitual

Estudo

Preliminar

Estudo

de

Viabilidade

namento

PLANEJAMENTO Estudo Conceitual Estudo Preliminar Estudo de Viabilidade namento

IMPLEMENTAÇÃO

Projeto

e

Construção

Comissio-

PRODUÇÃO

"Start Up"

Operação

Fechamento

Fechamento

namento IMPLEMENTAÇÃO Projeto e Construção Comissio- PRODUÇÃO "Start Up" Operação Fechamento
namento IMPLEMENTAÇÃO Projeto e Construção Comissio- PRODUÇÃO "Start Up" Operação Fechamento

FASES

ESTÁGIOS

Up" Operação Fechamento FASES ESTÁGIOS DECISÃO DE INVESTIMENTO Fig. 1.2 – Capacidade relativa

DECISÃO

DE

INVESTIMENTO

Fig. 1.2 Capacidade relativa de influência nos custos

Como mostra a figura 1.2, a fase de planejamento apresenta a melhor oportunidade de minimizar o capital de investimento e os custos operacionais do projeto final pela maximização da operacionalidade e da lucratividade do empreendimento. O contrário também é verdade. Nenhuma outra fase do projeto

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG apresenta a mesma possibilidade de conduzir a um

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apresenta a mesma possibilidade de conduzir a um desastre técnico ou financeiro como a fase do planejamento. No início do estudo conceitual, a capacidade de influência nos custos do projeto é relativamente grande. Quando as decisões são tomadas corretamente, durante a fase de planejamento, a influência das fases seguintes nos custos do empreendimento diminui rapidamente. A capacidade de influenciar no custo do projeto diminui ainda mais quando novas decisões são tomadas durante o estágio de projeto na fase de implementação. No final desta fase não existe, praticamente, mais chance de influenciar nos custos das fases seguintes.

1.4. Fases do planejamento

O planejamento, como mostra a figura anterior, pode ser constituído

por três fases: Estudo Conceitual, Estudos Preliminares e Estudos de Viabilidade.

a)

Estudo Conceitual

O

primeiro estágio, estudo conceitual, representa a transformação das

idéias iniciais do projeto em proposições de investimento. Utiliza-se, nesta fase, situações comparativas e técnicas de estimação de custo, como por exemplo, os casos históricos. Em termos de precisão dos resultados de estimação de

custos, tanto de investimento quanto de operação, apresentados no relatório de avaliação preliminar, são, normalmente considerados aceitáveis se apresentam erros da ordem de 30%.

b) Estudo preliminar

Os estudos preliminares apresentam um nível de detalhamento, cujos resultados ainda não são suficientes para se tomar uma decisão de investimento. Seu principal objetivo é determinar se o projeto conceitual justifica uma análise mais detalhada através de um estudo de viabilidade. Esse estudo deve ser visto como o intermediário entre um estudo conceitual de baixo custo e um estudo de viabilidade de alto custo. Alguns desses estudos são realizados por duas ou três pessoas da empresa com acesso a consultores de vários campos de conhecimento. A lista seguinte apresenta as seções importantes que compõem um relatório intermediário de avaliação.

1. Objetivo

2. Conceitos Técnicos

3. Conhecimento Inicial

4. Tonelagem e Teor

5. Programação de Lavra e Produção

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG 6. Estimação de Custos de Investimento 7. Estimação

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6. Estimação de Custos de Investimento

7. Estimação de Custos Operacionais

8. Estimação de Receita

9. Impostos e Aspectos Financeiros

10. Fluxo de caixa

A precisão das estimações de custo, nesta fase, situa-se em torno de 20%, dependendo do grau de detalhamento dos itens relacionados acima, que por sua vez dependem da quantidade e da qualidade das informações disponíveis.

b) Estudo de viabilidade

O estudo de viabilidade é a essência do processo de avaliação de mina.

No projeto de mineração esse estudo representa uma estimação de engenharia econômica para a viabilidade comercial do referido projeto. É o resultado de um procedimento relativamente formal obtido por meio da análise das várias relações que existem entre a grande quantidade de fatores que afetam o projeto em questão direta ou indiretamente. Em essência, o objetivo do estudo de viabilidade é refinar os fatores básicos que regem as mudanças para o sucesso do projeto. Uma vez definidos e estudados todos os fatores relativos ao projeto, um esforço deve ser feito no sentido de quantificar o maior número possível de variáveis, visando a determinação de um valor potencial ou custo para o bem mineral. Como um projeto progride a partir dos resultados iniciais da exploração,

até que as decisões para desenvolver e lavrar os recursos sejam tomadas, um número considerável de análises deve ser realizado, cada qual baseado numa quantidade crescente de informações, requerendo tempo adicional para essas tarefas, com o objetivo de aumentar a precisão dos resultados. Supondo uma decisão favorável para continuação do projeto, a próxima seqüência de decisões deve ser fundamentada em estudos que utilizem informações muito mais detalhadas. Esse estudo designado de pré-viabilidade ou estudo econômico intermediário é baseado em quantidades crescentes de dados relativos a informações geológicas, projetos preliminares de engenharia, planejamento de lavra e de instalações de beneficiamento e estimação inicial de receitas e custos. Os estudos econômicos intermediários devem considerar as informações e análises dos itens seguintes: projeto descritivo, geologia, lavra, beneficiamento, necessidades operacionais, transporte, cidades próximas e

vantagens relativas, necessidade de mão-de-obra, legislação e análise econômica.

O estudo de viabilidade considera uma análise detalhada de todos os

parâmetros incluídos no estudo econômico intermediário, justamente com outros

fatores pertinentes relativos a aspectos legais e políticos que afetam a viabilidade do projeto.

O estudo de viabilidade deve fornecer todos os conhecimentos técnicos,

ambientais e comerciais (capacidade de produção, aporte tecnológico, custos de

investimento e operacional, receitas, taxa de retorno, etc.) para a tomada de

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG decisão de implementação ou não do projeto. O

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decisão de implementação ou não do projeto. O relatório, ou os resultados, produzido nesta fase será o documento básico para todas as fases subseqüentes do projeto. Uma metodologia proposta para o estudo de viabilidade compreende onze itens distribuídos em três fases:

Fase I - Planejamento:

Ítens:

01

Estabelecimento de um comitê gerencial

02

Estabelecimento da equipe de estudos

03

Desenvolvimento e sistematização do estudo

04

Desenvolvimento de um plano de ação

Fase II - Organização:

Ítens:

05

Identificação dos requerimentos adicionais

06

Identificação de membros para a equipe de trabalho

07

Desenvolvimento da estrutura organizacional e definição de responsabilidades

08

Desenvolvimento de planos e programações secundárias

09

Identificação dos especialistas necessários

10

Avaliação e contratação dos consultores

Fase III - Execução:

Ítens:

11

Execução, Monitoramento e Controle

1.4.1. Conteúdo de um relatório intermediário de avaliação

Breve descrição sobre o conhecimento existente sobre o investimento.

Conceitos técnicos

Conclusões com comentários e recomendações

Tonelagem de minério e qualidade

Escala de produção

Capital e estimativa de custo

Lucro estimado

Taxas de financiamento

Fluxo de caixa

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Taylor 1977 apresenta uma proposta de conteúdo detalhado

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Taylor 1977 apresenta uma proposta de conteúdo detalhado para o relatório intermediário, tabela mostrada a seguir:

Conteúdo de um relatório intermediário de avaliação

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Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG 1.4.2. Conteúdo de um relatório de estudo de

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1.4.2. Conteúdo de um relatório de estudo de viabilidade

As principais funções desse relatório são:

Prover através de uma estrutura compreensível de fatos detalhados e comprovados concernentes ao projeto mineral.

Apresentar um esquema apropriado de lavra contendo desenhos ou figuras ou fotos e lista de equipamentos, com detalhamento de previsão de custos e resultados.

Indicar aos proprietários do projeto a lucratividade do projeto considerando que os equipamentos operam dentro das especificações

Mostra de forma inteligível e concisa aos proprietários, parceiros, sócios ou fontes de financiamento.

Apresenta-se abaixo uma proposta de Taylor (1977) para o detalhamento do estudo:

Conteúdo de um estudo de viabilidade

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Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG 2. CONCEITOS DE PLANEJAMENTO DE LAVRA 2.1. Planejamento

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Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG 2. CONCEITOS DE PLANEJAMENTO DE LAVRA 2.1. Planejamento a

2. CONCEITOS DE PLANEJAMENTO DE LAVRA

2.1. Planejamento a longo, médio e curto prazos

Uma das principais tarefas do engenheiro no desenvolvimento de um empreendimento mineiro a céu aberto é o planejamento da cava. Há basicamente três grupos de fatores envolvidos nesse planejamento.

a) Fatores naturais e geológicos: condições geológicas, tipos de minérios, condições hidrológicas, topografia e características metalúrgicas do minério. b) Fatores econômicos: teor e tonelagem do minério, razão de extração, teor de corte, custo operacional, custo de investimento, lucro desejado, razão de produção e condições de mercado. c) Fatores tecnológicos: equipamentos, ângulo de talude, altura da bancada, rampa da estrada, limites de propriedade e limites da cava.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Pode-se afirmar, sem sombra de dúvida, que a

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Pode-se afirmar, sem sombra de dúvida, que a determinação do limite da cava final é a consideração mais importante e trabalhosa no planejamento de lavra. Para confirmar esta afirmação basta lembrar que todas as decisões no projeto de lavra são baseadas neste limite final de cava. Igual importância deve ser dada ao desenvolvimento de uma seqüência ótima de lavra e de um cronograma de produção ao longo da vida da mina. Como um primeiro passo, tanto para o planejamento a longo prazo como no médio prazo, os limites da cava devem ser determinados. Esses limites definem a quantidade de bem mineral lavrável e a quantidade de rejeito e estéril associados que devem ser movimentados durante as operações de produção. O tamanho, geometria e locação da cava final são importantes para o planejamento de bota- foras, barragens de rejeito, plantas de concentração e demais instalações industriais.

2.1.1. Planejamento longo prazo

No planejamento longo prazo, procura-se definir o limite da cava final. Ao longo do tempo esse plano deve sofrer mudanças como conseqüência de mudanças na economia de mercado, aumento do conhecimento do corpo de

minério e melhoria na tecnologia de mineração. Deste modo, o planejamento longo prazo deve sofrer atualizações a intervalos de tempo visando adequá-lo a novas situações.

O limite final da cava define a fronteira além da qual a lavra de um

determinado bem mineral deixa de ser econômica. Portanto, dentro deste limite

não podem ser construídas estruturas permanentes da mina, tais como: plantas de beneficiamento, barragem de rejeito etc. Existem basicamente três grupos principais de abordagem para o planejamento de cava final:

a) Abordagem manual;

b) Abordagem computacional e

c) Combinação de ambas.

2.1.2. Planejamento médio prazo

No planejamento médio prazo, a escala e a seqüência de produção devem merecer atenção especial. Os equipamentos e os sistemas de operação da mina

são implantados visando a atender a produção dentro de critérios ótimos de produtividade, buscando manter a viabilidade operacional e a exposição de minério de modo a garantir a continuidade da lavra para atender aos compromissos de produção da empresa.

O objetivo da programação de produção é a maximização do valor

presente líquido e o retorno do investimento que pode ser derivado da extração,

concentração e venda de algum produto do depósito mineral. O método e a seqüência de extração, o teor de corte e a estratégia de produção são afetados pelos seguintes fatores primários:

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG a) Locação e distribuição do minério com relação

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a) Locação e distribuição do minério com relação a topografia e cota;

b) Tipos de minério, características físicas e teor;

c) Despesas diretas com operação associadas com a lavra e com o beneficiamento;

d) Custo de capital inicial e de reposição necessário para iniciar e manter a operação;

e) Custos indiretos;

f) Fatores de recuperação dos produtos e valores;

g) Restrições de mercado e de capital;

h) Considerações ambientais e políticas.

2.1.3. Planejamento curto prazo

Esse planejamento tem como objetivo, uma lavra para um mínimo de seis meses e um máximo de um ano. De uma maneira geral esse planejamento não está baseado no conceito de cava ótima, mas sim em determinar áreas de lavra e desenvolvimento no curto prazo, com o maior fluxo de caixa, contudo limitado pelo conceito econômico e geométrico da cava ótima. Desta forma o planejamento de curto prazo é uma serie de seqüências de expansões que o seu somatório deverá ser fisicamente a exaustão da reserva lavrável e o resultado econômico a relação estéril minério global. Cada planejamento curto prazo objetiva a relação custo benefício teórica:

Rb = rendimentos / todos os custos > 1

O engenheiro de Minas através do estudo da distribuição de teores e conhecimento topográfico poderá chegar a um planejamento estratégico de curto

prazo com o benefício máximo. A figura 5.1.3.1 abaixo mostra uma seqüência de lavra. A seqüência de extração para uma relação custo beneficio alta seria a seqüência de lavra de A a

G.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 5.1.3.1 – Sequenciamento de lavra 2.1.4. Custos

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Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 5.1.3.1 – Sequenciamento de lavra 2.1.4. Custos do

Figura 5.1.3.1 Sequenciamento de lavra

2.1.4. Custos do planejamento

O custo desses estudos varia substancialmente de acordo com o porte, natureza do projeto, tipos de estudos e pesquisas, numero de alternativas a serem investigadas, etc. Desta forma, a ordem de grandeza em termos de estudos técnicos, excluindo itens como sondagens, testes metalúrgicos, estudos de impacto ambiental podem ser expressos ( Hustrulid 1995) em termos do capital para o investimento total:

Estudo conceitual: 0.1 a 0.3 %

Estudo preliminar : 0.2 a 0.8 %

Estudo de viabilidade : 0.5 a 1.5%

2.2. Modelo geológico

O modelo geológico é utilizado para caracterizar os recursos minerais.

Atualmente usa-se o modelo geológico tri-dimensional, que consiste em uma compilação de todas as informações geológicas, observações e estudos disponíveis, organizados de forma a representar e esclarecer as particularidades geológicas do depósito, sob um ponto de vista empírico e genético. O modelo pode ser extremamente simples ou altamente complexo, dependendo da natureza dos

recursos, da disponibilidade de informações, ou do grau de sofisticação do modelo de estudo empregado.

O modelo empírico representa a compilação e integração de numerosos

tipos de informações químicas, mineralógicas, estruturais e não raramente

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG numericamente quantificáveis. O modelo genético ou conceitual procura

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numericamente quantificáveis. O modelo genético ou conceitual procura esclarecer a distribuição e origem das características importantes de modo útil e prático. O modelo geológico sempre deve ser atualizado ou revisto à medida que novas informações são obtidas. Os problemas fundamentais da caracterização de recursos minerais com o objetivo de avaliar e estimar a reserva mineral são a quantidade de informação geológica, a análise e interpretação desta informação e a extensão dessa interpretação a partes não pesquisadas da área. Tais informações muitas vezes não apresentam um grau de representatividade aceitável e, mesmo assim, a partir delas são feitas sínteses dos valores quantitativos e qualitativos que servem para a elaboração do relatório final sobre a área pesquisada. Em termos mais simples, a imprecisão dos resultados está nos questionamentos: onde está localizado o recurso mineral (minério), quais são seus limites (forma do corpo), qual é sua qualidade e quantidade (teor) e qual é a natureza do ambiente associado a este recurso. Infelizmente essa simplificação no modelo conduz a modelos de corpos com limites bem definidos, que somente acontecem em poucos tipos específicos de depósitos. Mais comumente, os depósitos são irregulares e apresentam uma distribuição de teores bastante irregular. A figura a seguir é uma representação simples e objetiva que ilustra a estimação da definição de um modelo geológico.

a estimação da definição de um modelo geológico. Em resumo, um levantamento geológico bem conduzido com

Em resumo, um levantamento geológico bem conduzido com base numa interpretação criteriosa das informações é a única receita para uma boa caracterização do depósito.

2.3. Modelo econômico de blocos Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Com a evolução

2.3. Modelo econômico de blocos

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Com a evolução dos computadores e o crescente desenvolvimento de modelos matemáticos empregados no planejamento e projeto de lavra, o modelo de blocos tornou-se uma ferramenta indispensável para o engenheiro de minas. A divisão em blocos é uma maneira de discretizar o domínio a ser estudado por meio de um modelo matemático sendo o tamanho do bloco a menor porção que o “olho” matemático do modelo consegue “enxergar”.

A representação de corpos de minério por meio de modelo de blocos ao

invés da representação por seções e o armazenamento das informações em

computadores de alta capacidade de memória e velocidade de processamento tem oferecido novas possibilidades ao planejamento de lavra. O uso de computadores possibilita a atualização rápida dos planos de lavra como também permite a abordagem de um grande número de parâmetros por meio da análise de sensibilidade.

O dimensionamento do bloco unitário leva em conta as características da

mineralização e a quantidade de informações disponíveis. O tamanho do bloco é uma função da quantidade de informações disponíveis para a estimação das variáveis de interesse contidas no mesmo. De um modo geral pode-se afirmar que, para uma determinada quantidade de informações (por exemplo, amostras de sondagem), quanto menor for o tamanho do bloco, maior será o erro na estimação

do bloco e, conseqüentemente, menor será a confiabilidade do modelo.

O modelo de blocos é, portanto, a base para a grande maioria dos projetos

de cava desenvolvidos por computador (modelos). Para definir todo o domínio é necessário determinar um bloco retangular grande o suficiente para conter todo o volume do depósito mineral a ser estudado. Os blocos do domínio podem ser de vários tamanhos e formas.

blocos do domínio podem ser de vários tamanhos e formas. Domínio global e discretizado em blocos

Domínio global e discretizado em blocos

tamanhos e formas. Domínio global e discretizado em blocos A posição geométrica de um bloco é

A posição geométrica de um bloco é fixada em relação a um sistema

coordenado apropriado. A cada bloco são atribuídas informações relativas à

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG geologia, mecânica de rochas, processamento mineral e custo.

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geologia, mecânica de rochas, processamento mineral e custo. Há vários tipos de modelos de blocos, entretanto, o modelo de bloco regular tridimensional é o mais largamente utilizado na prática. A altura do bloco normalmente é coincidente com a altura da bancada de lavra ou múltiplo dela. A seção horizontal normalmente tem a forma de um quadrado ou retângulo. A principal característica de um modelo de bloco tridimensional é que todos os blocos possuem as mesmas dimensões e forma.

A atribuição de valores para cada bloco pode ser feita por meio de várias técnicas de interpolação. Dentre elas, as mais utilizadas são:

a) Geoestatística usando Krigagem;

b) Inverso da potência da distância, e

c) Método dos polígonos.

No sentido físico de utilização, o modelo de blocos toma a forma de um arquivo de computador, no qual são armazenadas as informações relativas a posição, dimensões e variáveis de interesse. A figura mostra um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos.

um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
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um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos
um modelo de blocos com representação dos blocos extraídos. Modelo de blocos com representação de blocos

Modelo de blocos com representação de blocos extraídos

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Modelo de blocos com representação da superfície topográfica

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Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Modelo de blocos com representação da superfície topográfica e

Modelo de blocos com representação da superfície topográfica e geologia

2.3.1. Valor econômico do bloco

Na busca de um critério de otimização para maximizar o valor total da cava, o principal problema enfrentado no planejamento da cava se restringe a encontrar uma coleção de blocos que forneçam o valor máximo possível; sujeito, naturalmente, às restrições impostas ao projeto. Deste modo, o valor econômico de cada bloco é de fundamental importância no planejamento de lavra. Cada bloco dentro do domínio pode ser caracterizado por:

a) Receita = R = Valor da porção recuperável e vendável do bloco;

b) Custos diretos = CD = custos que podem ser atribuídos diretamente ao bloco (ex. Custos de perfuração, desmonte, carregamento e transporte)

c) Custos indiretos = CI = custos totais que não podem ser alocados individualmente a cada bloco. Tais custos são dependentes do tempo (ex: salários de pessoal administrativo e de gerência, custos de pesquisa etc.)

Considerando estes parâmetros de custo, o valor econômico do bloco (VEB) pode ser definido como:

VEB = R CD

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Na fórmula acima é possível notar que o

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Na fórmula acima é possível notar que o lucro ou prejuízo não é contemplado no valor econômico do bloco. Para determinar o lucro ou prejuízo é necessário considerar também os custos indiretos (CI):

Lucro (ou prejuízo) = (VEB) -CI

Blocos de estéril e rejeito da mina apresentam VEB negativo, uma vez que não apresentam receita. Blocos de minério e blocos contendo tanto minério como estéril (ou rejeito de mina) podem apresentar VEB menor igual ou maior do que zero dependendo da quantidade e qualidade do minério neles contido. Qualquer critério de otimização para o planejamento da cava final deve pois considerar:

Máximo

Z

= (VEB) j

Deve ser considerado que esse máximo sempre está sujeito às restrições impostas pela estabilidade de taludes e operações mineiras.

3. DETERMINAÇÃO DOS LIMITES DA CAVA

3.1. Métodos manuais

A abordagem manual para o planejamento de cava final é um método tradicional de planejamento. Ela é baseada fundamentalmente no conceito de

relação estéril/minério. Constitui-se num método de tentativa e erro cujo sucesso depende muito mais da habilidade e decisão do engenheiro de minas que executa o planejamento. Diversos detalhes preliminares são requeridos antes de iniciar o planejamento manual da cava, incluindo:

a) Seções verticais mostrando claramente os limites do minério e a distribuição de teores dentro do minério e o estéril;

b) Planta de cada nível da mina mostrando os limites correspondentes de minério e de estéril;

c) Ângulo de talude máximo admissível para os vários tipos de rocha;

d) Largura mínima do fundo da cava proposta;

e) Curvas de extração relevantes mostrando a variação da razão de extração com o teor de minério e possíveis preços de venda.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Normalmente, o método manual utiliza três tipos de

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Normalmente, o método manual utiliza três tipos de seções verticais, figura 7.2.1, para representar o depósito mineral: seção vertical, seção longitudinal e seção radial.

seção vertical, seção longitudinal e seção radial. Figura 7.2.1 Tipos de seções verticais usados no método

Figura 7.2.1 Tipos de seções verticais usados no método manual de planejamento de cava

Em cada seção deverão estar representados os teores de minério, a topografia da superfície, a geologia, o controle estrutural e qualquer outra informação importante para o planejamento. A relação estéril/minério é usada para traçar os limites da cava em cada seção. Os limites da cava são colocados em cada seção de modo que a quantidade de bem mineral nessa seção apresente uma receita que cubra as despesas, inclusive com o estéril. Uma vez lançado o minério e o estéril na seção calcula-se a relação estéril/minério na seção e compara-se com a relação estéril/minério econômica. Se a relação estéril/minério calculada é menor do que a relação econômica, a cava pode ser ampliada na referida seção. Caso a relação estéril minério seja maior, o limite da cava na seção é diminuído. Esse processo continua até que o limite da cava seja colocado num ponto onde a relação estéril/minério calculada seja igual à relação estéril/minério econômica. Vale lembrar que a relação econômica é aquela de lucro máximo. O lucro máximo não é necessariamente aquele que maximiza a quantidade de minério nem o lucro percentual mas sim ao volume máximo de lucro. Na Figura 7.2.2, o teor do lado direito da cava foi estimado em 0,6% de cobre. Com um preço de $ 2,25 por kg de cobre, a relação de extração limite na Figura 7.2.3 é de 1,3:1. A linha para o limite da cava final foi encontrada usando o ângulo de talude e locada num ponto que forneça uma relação estéril/minério de 1,3:1. No limite Comprimento no estéril (XY) / Comprimento no minério (YZ) = 1,3/1

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 7.2.2 – Limites da cava em seção

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Figura 7.2.2 – Limites da cava em seção vertical
Figura 7.2.2 – Limites da cava em seção vertical
EEUFMG Figura 7.2.2 – Limites da cava em seção vertical Figura 7.2.3 – Razões de extração

Figura 7.2.3 Razões de extração para diferentes teores de minério e preços de metal

No lado esquerdo da seção, o limite da cava para o teor de 0,7% de cobre é determinado da mesma forma usando uma relação de extração de 1,7:1. Se o teor do minério muda, a razão de extração de corte também muda. Do mesmo modo, os limites da cava são estabelecidos na seção longitudinal com as mesmas curvas de razão de extração. Uma vez definida a cava em cada seção, o próximo passo é transferir os limites da cava de cada seção para um mapa do depósito. Após a transferência dos limites da cava em cada seção para o mapa, deve ser feita a suavização da curva para os limites da cava na superfície e para cada nível considerado.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Após ter concluído a suavização dos limites em

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Após ter concluído a suavização dos limites em planta, a razão de extração deve ser revista par verificar se continua satisfazendo a razão de extração econômica.

3.2. Técnica do cone flutuante

Tal método consiste numa pesquisa do contorno ótimo por tentativas. O ápice do cone é movido de um bloco de minério para outro, sendo feito o cálculo do valor do cone para cada posição explorada. Quando o valor calculado é positivo, o cone é dito como contribuição positiva para o lucro da cava, e armazenado para ser lavrado, com os blocos de minério e estéril contidos no cone. O método identifica e conserva em memória os sucessivos cones fortes e fracos. Os sucessivos cones vão sendo transformados com adições e subtrações de blocos tal como na normalização das árvores construídos no ALG. O método apresenta um grave problema, conhecido como “cones fracos, que em determinadas situações de decisão de lavra de blocos de minério, remove significativo excesso de estéril ou não remove o bloco de minério que em outros algoritmos otimizadores (como Lerch-Grossmann) seriam lavrados. Na verdade, o programa não é otimizador.

Tão logo foi divulgado, o método de Lerchs & Grossmann foi possível a

operacionalização do método clássico de Cones Deslizantes (“moving coning methods”), que até então como aplicação isolada, frustrava as primeiras tentativas de otimização de cavas.

O cálculo é feito a partir de uma matriz de blocos em que os teores dos blocos são calculados por métodos consagrados como krigagem ou inverso do quadrado da distância. A continuidade do procedimento conduz a um teor mínimo de explotação e, um ângulo determinado para a inclinação das paredes da cava. Coloca-se o cone no primeiro bloco econômico (maior que o teor mínimo de explotação) que exista na matriz de blocos, começando de cima para baixo e da esquerda para a direita fazendo-se a avaliação de todos os blocos com valores positivos acima do teor mínimo estabelecido para a explotação, como mostra a figura 7.4.1. A viabilidade econômica do cone é calculada utilizando a seguinte fórmula:

B = (Pr x RM x G x NB - (M M + P) x NB - (M E x NE)) x VB x DA

Onde:

B

=

Benefício

Pr

=

Preço de venda do metal (mineral)

RM

=

Recuperação Metalúrgica (metálica)

G

=

Teor médio

NB

=

Número de blocos com G como teor médio

M M

=

Custo de extração e transporte de cada tonelada de minério

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG P = Custo de processamento para cada tonelada

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P

=

Custo de processamento para cada tonelada de minério

M E

=

Custo de extração e transporte para cada tonelada de estéril

NE

=

Número de blocos estéreis

VB

=

Volume do bloco

DA

=

Densidade aparente

Se o benefício é positivo, todos os blocos incluídos dentro do cone são selecionados e retirados da matriz de blocos, originando uma nova superfície. Pelo contrário, se o benefício é negativo, a matriz permanece como está e o vértice do cone translada-se ao segundo bloco cujo valor está acima do teor mínimo de lavra,

e o processo é repetido.

acima do teor mínimo de lavra, e o processo é repetido. Figura 7.4.1 - Otimização econômica

Figura 7.4.1 - Otimização econômica pelo método dos cones flutuantes

No exemplo da figura 7.4.1, se o primeiro cone gera resultados positivos, o segundo cone apenas geraria blocos já avaliados positivamente, pois a sua

economicidade é mais do que provável. Se o benefício é negativo no primeiro cone

e positivo no segundo, o cone volta a transladar-se ao primeiro cone, pois a

extração dos blocos do segundo cone pode viabilizar a extração do primeiro cone.

A técnica é portanto, interativa e termina quando forem avaliados todos os blocos

que possuam teores acima do teor mínimo de explotação, e não se possa aumentar mais o tamanho da cava, nem lateralmente nem para baixo. Economicamente, o algoritmo finaliza a sua avaliação quando os valores líquidos de todos os blocos avaliados não apresentarem mais nenhum valor positivo acima de um teor mínimo determinado para a cava de explotação. Na figura 7.4.2 é mostrada uma matriz representativa de um modelo de blocos cuja otimização se realizará seguindo o método dos cones flutuantes. O processo se realiza da seguinte forma:

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 7.4.2 - Matriz de blocos representativa do

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Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 7.4.2 - Matriz de blocos representativa do método

Figura 7.4.2 - Matriz de blocos representativa do método dos cones flutuantes

a) O primeiro nível apresenta um bloco com valor positivo; posto que não existem blocos superiores, sua extração geraria resultados positivos, sendo o valor do cone do bloco (+1), figura 7.4.3.

sendo o valor do cone do bloco (+1), figura 7.4.3. Figura 7.4.3 - Primeiro cone incremental

Figura 7.4.3 - Primeiro cone incremental para o método dos cones flutuantes.

b) O cone seguinte será definido pelo bloco do nível 2 e coluna 4 (+4). O valor do cone será:

-1-1-1+4 = +1

Como o valor do cone é positivo, o cone é extraído (figura 7.4.4).

do cone é positivo, o cone é extraído (figura 7.4.4). Figura 7.4.4 - Segundo cone incremental

Figura 7.4.4 - Segundo cone incremental para o método dos cones flutuantes

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG c) O bloco seguinte a ser analisado será

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c) O bloco seguinte a ser analisado será o do nível 3 e coluna 3 (+7). O valor desse cone é:

-1-1-2-2+7 = +1

Novamente o valor do cone é positivo, portanto também será extraído (figura 7.4.5)

é positivo, portanto também será extraído (figura 7.4.5) Figura 7.4.5 - Terceiro cone incremental para o

Figura 7.4.5 - Terceiro cone incremental para o método dos cones flutuantes.

d) Finalmente, o último cone será definido pelo nível 3 e coluna 4 (+1), cuja extração gerará o seguinte valor:

-2+1 = -1

Neste caso, o valor é negativo por isso não será extraído (figura 7.4.6).

é negativo por isso não será extraído (figura 7.4.6). Fig 7.4.6 - Quarto cone incremental para

Fig 7.4.6 - Quarto cone incremental para o método dos cones flutuantes.

O desenho final da cava é o mostrado na figura 7.4.7.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 7.4.7 - Desenho final da cava de

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Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 7.4.7 - Desenho final da cava de explotação

Figura 7.4.7 - Desenho final da cava de explotação para o método dos cones flutuantes

O valor total da cava será dado por:

-1-1-1-1-1+1-2-2+4+7 = +3

Nesta simulação simples, o desenho final obtido é o ótimo. Contudo, este método de otimização nem sempre oferece a situação ótima, pois podem apresentar-se diferentes situações problemáticas. De certo, duas possíveis segundo BARNES, 1982:

a) O primeiro problema se apresenta quando blocos positivos são analisados individualmente. A extração de um único bloco positivo pode não se justificar, mas a combinação deste bloco com outros blocos que se sobrepõem pode-se gerar um cone com valores positivos. JOHNSON (1973, apud JIMENO, 1997) havia denominado esta situação como o problema do suporte mútuo. Nas figura 7.4.8 a 7.4.11 é representada esta situação (HUSTRULID e KUCHTA, 1995). O cone definido pelo bloco do nível 3 e coluna 3 (+10) tem um valor de:

-1-1-1-1-1-2-2-2+10 = -1

3 e coluna 3 (+10) tem um valor de: -1-1-1-1-1-2-2-2+10 = -1 Figura 7.4.8 - Matriz

Figura 7.4.8 - Matriz inicial de blocos para análise do primeiro tipo de problema do método dos cones flutuantes.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Dado que o resultado final do cone é

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Dado que o resultado final do cone é negativo, não se extrai figura 7.4.9. De igual forma, o cone estabelecido segundo o bloco do nível 3 e coluna 5 (+10) terá um valor de:

-1-1-1-1-1-2-2-2+10 = -1

e coluna 5 (+10) terá um valor de: -1-1-1-1-1-2-2-2+10 = -1 Fig 7.4.9 - Primeiro cone

Fig 7.4.9 - Primeiro cone cuja extração não se realiza para o método dos cones flutuantes

Também neste caso não se realizaria a sua explotação figura 7.4.10. Portanto, usando a análise simples dos cones flutuantes, nenhum bloco será extraído nas duas simulações realizadas. Entretanto, devido à superposição (suporte mútuo) que apresentam ambos os cones anteriores, o valor de suas combinações apresentariam resultados positivos:

-1-1-1-1-1-1-1-2-2-2-2-2+10+10 = +3

(10)

positivos: -1-1-1-1-1-1-1-2-2-2-2-2+10+10 = +3 (10) Fig 7.4.10 - Segundo cone cuja extração não se realiza

Fig 7.4.10 - Segundo cone cuja extração não se realiza para o método dos cones flutuantes.

Este desenho seria a autêntica otimização figura 7.4.11. Esta situação pode-se apresentar com grande facilidade em jazidas reais, e a otimização simples pelo método dos cones flutuantes não a considera. Portanto, contemplar a técnica interativa, comentada anteriormente, resulta no único caminho para resolver situações deste tipo.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 7.4.11 - Desenho ótimo autêntico para o

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Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 7.4.11 - Desenho ótimo autêntico para o para

Figura 7.4.11 - Desenho ótimo autêntico para o para o método dos cones

flutuantes.

b) A segunda situação problemática se apresenta quando o método inclui blocos sem benefício no desenho final da cava. Esta discussão pode reduzir o valor líquido da explotação. As figuras 7.4.12 a 7.4.14 mostram o problema. Dada a matriz da figura 7.4.12, o cone correspondente ao bloco do nível 3 e coluna 3 definirá um valor de: figura 7.4.13.

-1-1-1-1-1+5-2-2+5 = +1

um valor de: figura 7.4.13. -1-1-1-1-1+5-2-2+5 = +1 Figura 7.4.12 - Matriz de blocos para análise

Figura 7.4.12 - Matriz de blocos para análise do segundo tipo de problema para o método dos cones flutuantes

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 7.4.13 - Cone de tamanho maior para

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Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 7.4.13 - Cone de tamanho maior para o

Figura 7.4.13 - Cone de tamanho maior para o bloco do nível 3 e coluna 3 do segundo tipo de problema do método dos cones flutuantes

Desde que o valor deste cone seja positivo não implica que deva ser extraído. Como se observa na figura 7.4.14, o valor do bloco correspondente ao nível 2 e coluna 2 terá um valor de:

-1-1-1+5 = +2

que será o valor do desenho ótimo, pois, uma vez extraído este, o seguinte gerará resultados negativos (nível 3 e coluna 3):

-1-1-2-2+5 = -1

resultados negativos (nível 3 e coluna 3): -1-1-2-2+5 = -1 Figura 7.4.14 - Cone menor para

Figura 7.4.14 - Cone menor para o bloco do nível 2 e coluna 2 do segundo tipo de problema para o método dos cones flutuantes.

Neste caso, o valor do cone menor (nível 2 e coluna 2) é maior que o valor do cone maior (nível 3 e coluna 3). Apesar destes problemas, o método é muito simples em seu conceito, fácil de programar e de resolver num curto espaço de tempo. Apesar das variações que têm sido publicadas não terem produzido uma verdadeira otimização existe um número importante de aspectos positivos que possibilita a esta técnica ser uma das mais utilizadas.

a) O método é uma informatização das técnicas manuais, e por isso os usuários podem utilizá-lo, entender o que estão fazendo e sentirem-se satisfeitos com os resultados.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG b) O algoritmo é muito simples, permitindo uma

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b) O algoritmo é muito simples, permitindo uma fácil e ágil interface com outros programas de mineração.

c) O algoritmo gera resultados suficientemente seguros e confiáveis.

3.3. Algorítmo de Lerchs-Grossmann

3.3.1. Abordagens para o planejamento da cava final

Vários tipos de abordagem têm sido utilizados no planejamento da cava final. A preferência por um método particular normalmente é baseada na familiaridade e na disponibilidade de um aplicativo do modelo a ser utilizado. Outro fator determinante é a disponibilidade de informações exigidas pelo modelo. A tabela a seguir mostra vários tipos de métodos para projeto de cava final de acordo com a abordagem empregada. Esses métodos foram desenvolvidos entre 1964 e 1987. A simulação e a programação dinâmica são as técnicas mais empregadas. As técnicas de simulação incluem os cones móveis e as técnicas de programação dinâmica incluem o algorítmo de Lerchs & Grossman e suas modificações incluindo algorítmos bi e tridimensionais.

Tipos de abordagem para planejamento de cava final

   

Métodos básicos

 

Autor

Manual

Simulação

Programaçã

o linear

Programaçã

o dinâmica

Teoria de

Grafus

Parametriza

-ção

Axelson (1964

 

X

       

Lerchs & Grossman (1965)

     

X

X

 

Pana (1965)

 

X

       

Meyer (1966)

   

X

     

Erikson (1968)

X

         

Fairfield & Leigh (1969)

 

X

       

Johnson & Sharp (1971)

     

X

   

Francois-Bongarçon & Marechal (1976)

         

X

Lee & Kim (1979)

 

X

       

Koenigsberg (1982)

     

X

   
Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Métodos básicos X X X Wilke & Wright

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Métodos básicos X X X

Wilke & Wright (1984) Shenggui & Starfield (1985) Wright (1987)

3.3.2. Métodos computacionais e mistos

Uma vez que os detalhes a serem considerados no planejamento de uma mina a céu aberto normalmente são numerosos, o uso do computador torna-se necessário. Esses detalhes incluem:

a) O teor e a distribuição de teores dentro do depósito;

b) Os custos de mineração;

c) Propriedades das rochas e o correspondente ângulo de talude admissível por tipo de rocha;

d) Recuperação metalúrgica e

e) Preço de venda.

As informações importantes são inicialmente registradas no modelo de blocos. As velocidades envolvidas no armazenamento das informações, no

processamento das mesmas e na apresentação dos resultados são importantes para o planejamento de lavra para:

a) Aplicar algoritmos de planejamento cuja implementação seria impossível sem o computador e;

b) Examinar muito mais opções de projeto e assim possibilitar resultados melhores.

A utilização de métodos computacionais no planejamento de cava pode ser dividida em dois grupos:

a) Métodos assistidos por computador. O cálculo é feito pelo computador

sob o controle direto do engenheiro. O computador não executa o projeto inteiro

mas somente realiza o trabalho de cálculo com o engenheiro controlando o processo. Exemplo disso é a utilização da técnica de Lerchs-Grossman.

b) Métodos automáticos. Eles são capazes de executar o planejamento da

cava final para um dado conjunto de restrições físicas econômicas sem a intervenção do engenheiro. Uma categoria de métodos automáticos compreende técnicas matematicamente ótimas usando programação linear e dinâmica ou fluxo de rede. Uma segunda categoria utiliza os métodos heurísticos, tal como o método dos cones flutuantes que produz uma cava aceitável mais não necessariamente produz uma cava ótima.

3.3.3. Algoritmos de otimização

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG A implementação computacional de modelos para determinação de

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A implementação computacional de modelos para determinação de cava final ótima em mineração a céu aberto avançou consideravelmente nos últimos anos. Quatro famílias genéricas de métodos computadorizados são utilizadas na indústria mineral:

a) Método por Incrementos, uma variante computadorizada do tradicional método manual de “push-back”;

b) Algoritmo utilizando Teoria dos Grafos, o mais conhecido é o Algoritmo de Lerch & Grossman (ALG);

c) Algoritmo dos Cones Móveis também chamado de Cones Flutuantes;

d) Método de Parametrização Técnica de Reservas.

3.3.3.1. Método por incrementos

Dentro deste grupo enquadram-se os métodos gráficos e alguns métodos algébricos para efetuar a otimização da cava final. Esse método tradicional, descrito por Pana e Daverey (1973), considera a área delimitada pela jazida dividida em seções verticais paralelas, obtidas por meio de um método bidimensional, para cada uma das quais determina-se a cava final ótima pelo deslocamento das linhas que possam representar suas paredes (observado o ângulo de talude) e os “push&back” necessários. As seções adjacentes são, então, aproximadas para que passem a atender, no sentido longitudinal, à inclinação pré-fixada para as suas paredes. Este método tem uso clássico no cálculo manual, porém dentro de um grau aceitável de exatidão, tem servido também a implementações que embora explorem as capacidades do computador, exigem considerável esforço técnico do usuário.

O processo pode ser bem ajustado para depósitos com características pouco variáveis numa determinada direção, e cujas seções estudadas sejam perpendiculares a essa direção. Caso contrário, o ajuste para três dimensões, a partir de seções otimizadas, pode fugir da solução ótima procurada.

3.3.4. Algoritmo de Lerchs & Grossman (ALG)

Usando a técnica de Programação Dinâmica, Lerchs, H. e Grossman, I. (1965) introduzem, juntamente com um algoritmo de otimização bi-dimensional de cavas, o tratamento algébrico para a discretização da jazida em blocos tecnológicos. Lerchs e Grossmann propuseram um algoritmo matemático que permite desenhar o contorno de uma explotação a céu aberto de tal forma que se maximize a diferença entre o valor total da mineralização explotada e o custo total da extração do minério e estéril. Este trabalho foi o começo das aplicações da informática na otimização de explotações a céu aberto, sendo o artigo que tem tido maior incidência nesta temática aplicada à indústria mineira. Contudo, seu uso não é universalmente aceito provavelmente pelas seguintes razões:

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG a) Complexidade do método em termos de compreensão

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a) Complexidade do método em termos de compreensão e programação.

b) Tempo requerido, em termos de ordenação para obtenção do desenho. Este fato tem gerado a criação de um grande número de algoritmos alternativos, como o algoritmo de KOROBOV, que reduz o tempo necessário para a otimização do desenho. Este problema aumenta se existe a necessidade de realizar uma análise de sensibilidade que gera múltiplos desenhos em função de mudanças nas variáveis tais como custos, preços, teores mínimos de lavra etc. Contudo, a chegada, nos últimos anos, de equipamentos de informática potentes a baixo custo tem minimizado, notavelmente, este problema.

c) Dificuldade para incorporar mudanças nos ângulos de taludes da cava de explotação.

d) O critério de otimização se baseia no benefício total, enquanto deveria ser baseado no Valor Atual Líquido (VAL). Esta dificuldade é comum na maior parte dos algoritmos existentes e tem uma solução difícil.

Considerando insatisfatoriamente a extensão deste método para três dimensões, devido à necessidade de manterem-se as aproximações que em última análise afastam a solução do ótimo, estes autores apresentam no mesmo trabalho um segundo algoritmo, derivado da Teoria dos Garfos, que trata do problema, colocado sob as hipóteses características de discretização da jazida em blocos, através da procura do fecho máximo em um grafo associado. O benefício B associado de lavra i é representado por Bi, o problema de otimização em pauta pode ser formulado como sendo a busca da combinatória de blocos que maximizaram i B i , respeitando os constrangimentos pertinentes ao caso em estudo. O contorno que satisfaz as restrições geométricas impostas, é representado por um fecho do grafo G=(X,v). O algoritmo de Lerchs & Grossman (ALG) (1965), demonstrou que atinge o objetivo desejado com um número finito de iterações. A grande vantagem obtida com a introdução dos conceitos de Programação Dinâmica na resolução dos problemas da cava final ótima, sem duvida, está relacionada com a rapidez na obtenção da solução, particularmente interessante para a avaliação de alternativas na programação da produção.

3.3.5. Método de Lerchs & Grossmann bidimensional (D)

O modelo bi-dimensional desenvolvido por Lerchs & Grossmann, acumula características de simplicidade e precisão, sendo aplicável à determinação das configurações ótimas para a extração de blocos de cada seção vertical de um depósito mineral assim discretizado. A figura 7.4.15 mostra os procedimentos básicos para o uso do algoritmo de Lerchs & Grossmann para o planejamento de cava final. O esquema da figura 7.4.15a mostra uma seção vertical de um modelo de blocos com os valores econômicos de cada bloco, m ij , escritos em cada bloco. Adicionalmente uma linha de “blocos de ar” foi sobreposta na seção como a linha 0. Essa linha serve como a

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG linha de partida. Ela é necessária para determinar

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linha de partida. Ela é necessária para determinar o limite da cava como a soma máxima dos valores econômicos dos blocos na seção, sujeita à restrição do ângulo máximo de talude de 1:1 bloco para ambos os lados da seção. Na ordem para extrair um bloco no nível “i”, todos os blocos diretamente acima dele na coluna “j” , devem ser extraídos primeiro, designadamente os blocos nos níveis “i-1”, “i-2” etc. O valores econômicos dos blocos, m ij , dos blocos em qualquer coluna, abaixo incluindo o bloco em consideração devem ser somados para dar o valor da coluna de blocos, M ij , sendo:

M ij = m ij ,

para j = 1,2,

Entretanto, para lavrar um bloco particular do nível “i”, é necessário não somente a extração de todos os blocos diretamente acima desse bloco na mesma coluna, mas também todos os blocos dentro do cone de remoção mínimo formado pelo ângulo de talude. Agora, considerando qualquer bloco, b ij , na coluna “j” em relação à coluna vizinha “j-1”, a restrição de talude assumida de 1:1 obriga que o bloco b ij pode somente ser lavrado juntamente com o bloco b i-1, j-1 , bloco b i, j-1 ou o bloco b i+1, j-1 .

i , j - 1 ou o bloco b i + 1 , j - 1
 

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

1

-2

-2

-2

-2

-2

-2

-2

-2

 

2

-6

5

5

5

5

5

5

-6

3

-7

-2

-2

-2

-2

-2

-2

-7

4

-8

-8

-8

3

-8

-8

-8

-8

 

a)

 

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

1

-2

-2

-2

-2

-2

-2

-2

-2

 
Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG   2 -8 3 3 3 3 3

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG

 

2

-8

3

3

3

3

3

3

-8

 

3

-15

1

1

1

1

1

1

-15

4

-23

-7

-7

4

-7

-7

-7

-23

 

b)

 

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

1

-2

-2

-1

2

5

8

11

14

 

2

X

1

4

7

10

13

16

X

3

X

X

2

5

8

11

X

X

4

X

X

X

7

0

X

X

X

 

c)

Figura 7.4.15 Ilustração do uso do algoritmo de Lerchs & Grossmann Evidentemente, deve-se procurar extrair esse bloco b ij com a melhor combinação possível com os três blocos vizinhos para a maximização do valor econômico da cava no referido bloco. Com P ij representando o valor ótimo obtido pela extração dos blocos que procuram maximixar o valor, incluindo o bloco b ij , P ij pode ser escrito como:

P ij = M ij + Max

P i -1, j 1 P i, j 1 P i +1, j 1

A equação acima é a fórmula recursiva que dá a relação aplicável a qualquer bloco na seção. Portanto, é possível usar esta equação para derivar todas as fronteiras de cava possíveis na seção e a partir delas determinar a cava limite com valor máximo. Na prática deve-se começar a partir do bloco superior esquerdo da seção (por exemplo, com o bloco b 00 ) e continuar aplicando a equação de P ij de modo descendente nas colunas da esquerda para a direita. A determinação do valor econômico do bloco na cava, P ij , para cada bloco é feita durante a sequência. Os blocos são examinados na seguinte ordem: nível a nível dentro de cada coluna. Seguindo as colunas da esquerda para a direita. No fim da sequência, cada bloco terá seu valor na cava, P ij , e uma seta apontando para o vizinho ótimo na direção contrária ( aquele P i, j 1 Max, escolhido para o cálculo de P ij .

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Por exemplo, para o bloco b 2 4

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Por exemplo, para o bloco b 24 , figura 7.4.15 três possíveis combinações podem ser feitas. Sendo elas com os blocos b 13 , b 23 ou b 33 conduzindo aos valores:

P 13

P 24 = M 24 + Max P 23

Dando:

P 24 = 3 + Max

P 33

-1

4

2

A partir da fórmula acima o bloco vizinho b 23 é o ótimo entre os vizinhos,

sendo indicado pela seta que sai do bloco b 24 apontando para o bloco b 23 na figura

7.4.15c.

O traçado da fronteira da cava ótima é feito a partir do último bloco de ar da

direita (bloco b 09 na figura 7.4.15c) seguindo as setas que apontam para o bloco ótimo na coluna da esquerda.

O ALG deu margem a verdadeira revolução, impulsionando a pesquisa de

novos métodos e permitindo-se o apoio de outros, como os propostos por Vallet (1976) ou ainda por Bongarcon e Marechal (1976). Embora inicialmente não tenha sido completamente aceito na prática por requerer, como os demais métodos então utilizados, um esforço subjetivo de aproximação das paredes laterais e fundo das cavas com relação as secções verticais vizinhas , esse método foi estendido posteriormente para otimização tri- dimensional com perspectivas favoráveis a obtenção de resultados mais satisfatórios como no método de Johnson e Sharp (1971), seguindo o esquema do ALG, sendo adaptado à obtenção de uma solução analítica para substituir a aproximação empírica das cavas estabelecidas nas seções transversais do depósito, por otimização bi-dimensional. O problema de suavização da cava no sentido longitudinal surge em virtude dos cálculos das cavas transversais serem desenvolvidos isoladamente, sem qualquer preocupação quanto à compatibilidade dos resultados com respeito às seções contíguas. Em conseqüência, os contornos resultantes dificilmente se ajustam devido a inevitável defasagem dos níveis estabelecidos para exploração econômica em cada seção transversal. Johnson e Sharp (1971), propuseram um método para estender estes

cálculos ao levantamento dos contornos para cada possível nível de exploração que venha a ser fixado visando a composição da cava conjuntamente com as demais seções contíguas. Evidentemente a cava resultante observará as imposições quanto à inclinação máxima, já que estará fundamentada nos cálculos parciais de cavas viáveis possíveis. No mercado, o ALG encontra-se implementado em programas como Whittle ( Whittle Programming) e Maxpit (Earthworks) com suas devidas modificações.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG O algoritmo de programação dinâmica bidimensional (2D) de

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O algoritmo de programação dinâmica bidimensional (2D) de LERCHS e GROSSMANN, que determina, em seções, a configuração ótima dos blocos a extrair, tem como a grande maioria das técnicas bidimensionais, seu maior problema na complexidade e notável esforço que deve ser realizado para suavizar o fundo da cava, assim como para assegurar que as seções, nas diferentes direções, possam unir-se umas as outras, pois, como o método trabalha a duas dimensões de forma independente, não possibilita nenhuma segurança de que uma seção apresente um desenho compatível, geometricamente, com a seguinte. Ainda mais, a suavização que se pode realizar para conseguir a desejada tridimensionalidade jamais gerará uma solução ótima. Existem diferentes opções para solucionar este problema. Uma delas é recorrer ao algoritmo tridimensional (3D) de LERCHS e GROSSMANN. A outra é optar por algoritmos que, sem possuir o caráter tridimensional, proporcionem uma solução que acrescente, ao menos parcialmente, uma tridimensionalidade ao problema. Um exemplo é o algoritmo denominado por BARNES como 2 ½ D. Na figura 7.4.16 são mostradas cinco seções consecutivas de um hipotético bloco tridimensional a otimizar. Começando com a primeira seção, se determinam os desenhos ótimos de explotação para cada um dos níveis considerados (quatro no presente exemplo, figura 7.4.17). Uma vez calculados estes (definidos com uma versão ligeiramente modificada do algoritmo de LERCHS e GROSSMANN 2D), se obtém os valores líquidos para cada um dos desenhos, que são:

Nível 1

2,

Nível 2 -3,

Nível 3 1 e Nível 4 -7

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 7.4.16 - Seções para o desenvolvimento do

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Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 7.4.16 - Seções para o desenvolvimento do método

Figura 7.4.16 - Seções para o desenvolvimento do método de Lerchs&Grossmann 2½ D.

o desenvolvimento do método de Lerchs&Grossmann 2½ D. Figura 7.4.17 - Desenhos de explotações ótimas para

Figura 7.4.17 - Desenhos de explotações ótimas para análise da seção 1 da figura

7.4.16

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Este processo se repete com as quatro seções

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Este processo se repete com as quatro seções restantes. Para combinar as cinco seções e gerar, portanto, um efeito tridimensional, é necessário obter uma seção longitudinal que cruze, de forma perpendicular, as cincos seções consecutivas.

Observando a figura 7.4.17, pode-se verificar que a extração mais profunda na primeira seção alcança a coluna de n o 4. Por isso, cria-se uma coluna com quatro valores que correspondem aos valores líquidos para cada nível, já calculados anteriormente (2, -3, 1 e -7). Da mesma forma se faz com as seções restantes, obtendo a figura 7.4.18, a qual se otimiza de forma semelhante às anteriores figura

7.4.19.

se otimiza de forma semelhante às anteriores figura 7.4.19. Figua 7.4.18 - Seção longitudinal para o

Figua 7.4.18 - Seção longitudinal para o método de Lerchs&Grossmann 2 ½ D

longitudinal para o método de Lerchs&Grossmann 2 ½ D Figura 7.4.19 - Contorno longitudinal ótimo para

Figura 7.4.19 - Contorno longitudinal ótimo para o método de Lerchs&Grossmann 2

½ D

O valor líquido para o material presente na explotação a céu aberto se obtém somando os valores dos blocos presentes ao longo do contorno final figura 7.4.19 isto é:

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Valor da cava = 2 + 0 +

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Valor da cava = 2 + 0 + 5 + 0 + (-1) = 6

(15)

Uma vez que os níveis do fundo da cava para as seções transversais tenham sido calculados, gira-se as seções originais figura 7.4.16 e selecionam as correspondentes, de acordo com os valores mostrados anteriormente figura 7.4.20. Dessa forma se consegue obter o efeito tridimensional desejado, ao combinar as duas dimensões das seções originais figura 7.4.16 com a terceira dimensão definida pela seção longitudinal transversal (figura 7.4.18 e 7.4.19).

seção longitudinal transversal (figura 7.4.18 e 7.4.19). Figura 7.4.20 - Seções longitudinais ótimas da cava para

Figura 7.4.20 - Seções longitudinais ótimas da cava para o método de Lerchs&Grossmann 2 ½ D

Dado o grande número de operações que o programa necessita realizar para otimizar a cava, o tamanho dos blocos a serem estudados constitui um ponto crucial no desenvolvimento do método. A escolha dos tamanhos dos blocos deve considerar as quatro etapas a seguir:

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG a) Desenho do corpo mineralizado: o tamanho dos

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a) Desenho do corpo mineralizado: o tamanho dos blocos é função, logicamente, da forma e tamanho do corpo de minério, assim como do suporte utilizado. Em qualquer caso, o tamanho pode ser pequeno, gerando-se, freqüentemente, modelos com milhões de blocos.

b) Estimação dos valores dos blocos: nesta etapa deve-se buscar uma solução de compromisso considerando os dois fatores seguintes: (1 o ) a menor Unidade Seletiva de Lavra (USL), de tal forma que não se possa estabelecer um tamanho de bloco tão pequeno que não possa ser extraído seletivamente e, (2 o ) a suavização, não elegendo tamanhos tão grandes que gerem valores de teores artificiais pela forte suavização. Em geral, o tamanho do bloco pode ser maior que na etapa anterior.

c) Desenho da cava: de acordo com grande experiência que existe no desenho das cavas a partir da técnica de otimização, um modelo que inclua entre 100.000 e 200.000 blocos pode ser mais que suficiente para os objetivos almejados. Isto conduz para que o tamanho do bloco, novamente, seja maior que na etapa anterior.

d) Análise de sensibilidade: quando se quer realizar um série de otimizações considerando, p. ex., diferentes preços da matéria prima, um modelo de 20.000 a 50.000 blocos dá, praticamente, os mesmos resultados de um modelo constituído pelos 100.000 a 200.000 blocos da etapa anterior. Esta nova diminuição do número de blocos economiza uma notável quantidade de tempo e gera resultados bastante satisfatórios.

Na fig 7.4.21 é mostrado o tipo de curva que se obtém quando se representa o valor total da cava em função das tonelagens correspondentes. Como se pode observar, o valor máximo apresenta-se em uma zona de comportamento suave, não existindo um pico claramente definido. Este fato tem um efeito muito importante no processo de otimização. Assim, se os pequenos desvios são produzidos em zonas que correspondem aos desenhos não ótimos (figura 7.4.21 17, zona A), estas mudanças podem ter conseqüências importantes no valor final da cava. Pelo contrário, se os desvios são definidos a partir do desenho ótimo (figura 7.4.21, zona B), desenho gerado pelo algoritmo de LERCHS e GROSSMANN 3D, o efeito que é produzido no valor final da cava é mínimo. A diminuição no número de blocos de 200.000 a 25.000 gera, em termos médios e considerando um grande número de tipos de jazidas diferentes, erros que não superam 1% (segundo WHITTLE, 1992).

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 7.4.21 - Representação do valor final da

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Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Figura 7.4.21 - Representação do valor final da cava

Figura 7.4.21 - Representação do valor final da cava em função de suas correspondentes tonelagens.

3.3.6. Aspectos relevantes da otimização de cava final

a) É importante ressaltar que a etapa de modelagem geológica e avaliação de reservas deve ser realizada adequadamente independente do método de otimização de cava a ser utilizado;

b) Os dois principais métodos de otimização de cava final são:

Lerchs&Grossmann e Parametrização Técnica de Reservas;

c) O método dos cones flutuantes não é otimizante devido ao problema dos cones fracos;

d) Os métodos que utilizam Lerchs&Grossmann já têm embutido uma função econômica para maximizar o valor presente líquido do empreendimento e partindo da premissa de um sequenciamento previamente executado. Entretanto, cuidados especiais deverão ser tomados para se ter uma função econômica que realment retrate as condições do projeto em estudo. Fatores como escala de produção, custos variáveis durante a vida do empreendimento, variação do preço de venda do minério etc. devem ser analisados com o devido cuidado.

e) A parametrização técnica de reservas é um método prático e flexível. Possibilita a consideração de diversos parâmetros técnicos antecedendo a análise econômica, dando então enfoque a condições de engenharia que não podem ser sub-avaliadas.

f) A técnica de parametrização de reservas possibilita programar geometrias parciais ótimas, fornecendo o sequenciamento ótimo da mina até a exaustão.

g) Em qualquer método de otimização de cava final a etapa de operacionalização (ou suavização) do contorno da cava final é obrigatória. Esta etapa exige do engenheiro e projetista, especial cuidado para não

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG fugir da solução ótima obtida pelo programa, devido

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fugir da solução ótima obtida pelo programa, devido à colocação de acesso, cristas e bermas.

h)

No contexto de sequenciamento de lavra, a principal condicionante é a maximização do valor presente líquido do empreendimento. Porém objetivos em termos de qualidade, relação estéril/minério e quantitativos de produção podem ser atingidos.

i)

O valor do bloco depende fortemente de quando ele vai ser movimentado, ou seja, seu valor é função do tempo.

3.4.

Parametrização de jazidas

Em uma proposta inovadora, Bongarçon e Marechal (1976), baseados em estudos de G. Matheron (1975), abandonam o ponto de vista geométrico e combinatório para tratarem do problema de cava final por meio de uma aproximação funcional. Utilizaram para isso a técnica de Analise Convexa.

A idéia básica sintetiza-se em voltar o problema para a determinação de

uma função de parametrização, a partir da qual torna-se possível a obtenção

imediata de uma família de cavas ótimas, independente da conjuntura econômica subjacente ao problema, o que é mais uma das vantagens destes métodos de otimização.

O estudo de variabilidade de soluções relativamente a um dado parâmetro

passa a ser imediato, sem exigir qualquer processamento adicional de cálculo do

programa. Em outras palavras, o conhecimento de todos os projetos

potencialmente ótimos do ponto de vista da maximização da quantidade de metal, permite a comparação dos mesmos com antecedência às flutuações de mercado.

A maximização da quantidade de metal contido, com a minimização de

remoção de material, garante soluções ótimas, em que a escolha da cava entre a família de cavas ótimas pode ser obtida, por exemplo, pela cava de maior benefício.

A Parametrização Técnica de Reservas é então, em resumo, a procura dos

projetos que pertençam à superfície convexa que sobrepõe ao conjunto de todas as cavas possíveis. A figura 7.6.1 ilustra as disposições dos diferentes projetos. Como se pode verificar na figura 7.6.1, as cavas máximas estão contidas numa serie que define o chamado envelope superior do domínio das cavas possíveis. Na modelagem adotada por Vallet, R. (1976), há uma pequena variação na definição do grafo G=(V,A) associado à jazida discretizada em blocos de lavra: a lei de antecedência de que o bloco j deva preceder o bloco i no processo de extração,

gera o arco (vi,vj)A. O conceito básico é encontrar todos os projetos que maximizem a seguinte

fórmula:

Q -

T

-

V

onde: Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Q é a quantidade de metal 

onde:

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Q é a quantidade de metal

é o teor de corte T é a tonelagem de minério

é similar ao teor e representa parâmetros de ligação do tamanho da cava ou a relação entre custos de mineração e preço do metal

V é a tonelagem total de minério e estéril

OTIMIZAÇÃO DE CAVA

Parametrização Técnica de Reservas

Análise convexa

Cavas técnicas ótimas Cavas possíveis Cavas técnicas ótimas no topo em um gráfico Q(T,V)
Cavas
técnicas
ótimas
Cavas
possíveis
Cavas técnicas ótimas no topo em um gráfico Q(T,V)

Figura 7.6.1 O conjunto de projetos e as cavas tecnicamente ótimas (curva do envelope)

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Uma aproximação alternativa para a otimização da cava

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Uma aproximação alternativa para a otimização da cava é parametrizar a geometria da cava como uma função do número de variáveis. Esta aproximação foi desenvolvida por MATHERON (1975) e tem sido utilizada em inúmeras situações.

A aproximação divide o problema em duas partes distintas - técnica e econômica.

Numa primeira etapa as geometrias são pré-selecionadas e, posteriormente são avaliadas do ponto de vista econômico/financeiro. O algoritmo que permite a aplicação desta técnica foi concebido por BONGARÇON e MARECHAL (1976). A parametrização assume que somente a geometria da cava de algum interesse é que maximiza a quantidade de recurso (mineral, metal). A hipótese é baseada na observação de que a maioria das funções de rendimento, de forma complexa, aumenta com a quantidade de recurso (mineral, metal) e que a cava para um corpo de minério particular pode então ser definida por um número mínimo de parâmetros técnicos: quantidade de recurso (mineral, metal), tonelagem total e

tonelagem selecionada. Embora o método produza soluções paramétricas que são inteiramente consistentes, ele não é rigorosamente ótimo e tem encontrado resistência para sua utilização em processos de otimização de cava.

Ao contrário das técnicas de otimização clássicas a Parametrização

Técnica trabalha a partir do conteúdo metálico recuperável de cada bloco de lavra e dos volumes de minério e estéril.

O modelo visa obter geometrias com diferentes volumes totais,

maximizando seu conteúdo metálico em cada caso, ou seja, num caso real é possível definir inúmeras cavas com mesmo volume V (minério + estéril), porém apenas uma delas maximiza a quantidade de metal contido recuperável. Esse método adota a função:

K=Q -V - T

para a determinação do valor de cada bloco de lavra, onde Q é a quantidade de metal recuperável, V é o volume total (minério + estéril), T é o volume de minério e e são parâmetros técnicos definidos anteriormente. Segundo DAGDELEN E BONGARÇON (1982), os parâmetros e , não devem ser entendidos como as relações entre custos e preços, mas sim como parâmetros de corte, fazendo com que a função K represente famílias de planos, tangentes á superfície formada pelas cavas de metal recuperável máximo. A figura 7.6.2 mostra o universo de cavas de um depósito hipotético, onde cada cava é representada por seu volume total V e respectiva quantidade de metal recuperável Q. A linha S representa as cavas de quantidade máxima de metal recuperável, como aquelas de número 1, 2, 3, 4 e 5, porém, somente as cavas 1, 3

e 5 são otimizadas, pois encontram-se na envoltória convexa C, definida pela da variação dos parâmetros e ,.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Por outro lado, o valor de K conforme

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Por outro lado, o valor de K conforme expresso na equação anterior tem todas as características de uma função beneficio pois é inegável que é crescente com Q e é decrescente com V e T. COLÉOU (1989, apud PRATTI, 1995), chega a fazer analogia entre a expressão K e a função beneficio clássica:

B =

aQ - bV -

cT

onde a é o preço unitário do metal, b é o custo unitário de extração e c é o custo unitário de beneficiamento. Assim o parâmetro corresponderia aos possíveis valores a serem assumidos por b/a e corresponderia a c/a. Seja qual for a interpretação dada aos parâmetros e , para cada par deles estabelece-se uma cava otimizada, que é obtida pela aplicação do algoritmo de LERCHS e GROSSMANN aos blocos de lavra com valores atribuidos pela função K, ou pelo algoritmo de BONGARÇON. Em qualquer dos casos obtém-se como resultado final um conjunto de cavas otimizadas subsequentes. Na etapa seguinte essas cavas otimizadas, de diferentes volumes V, serão avaliadas por critério econômico/financeiro finalizando assim a escolha da cava a ser seguida como meta de longo prazo.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Q K 5 3 C 4 1 2

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Q

K 5 3 C 4 1 2
K
5
3
C
4
1
2
Q K 5 3 C 4 1 2 S V
Q K 5 3 C 4 1 2 S V
S
S

V

Figura 7.6.2 - Superfície C envoltória de máximos convexos

O algoritmo estabelecido promove soluções para o contorno final de uma cava. Há, contudo, virtualmente, números ilimitados de maneiras de procura por um contorno final, cada maneira tendo um modelo de fluxo de caixa diferente. A figura 7.6.3 mostra alguns fluxos de caixa possíveis a título ilustrativo.

mostra alguns fluxos de caixa possíveis a título ilustrativo. 1.6.3 - Modelos de fluxos de caixa

1.6.3 - Modelos de fluxos de caixa em função do tempo.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Como mostra a figura 7.6.3 existem duas sequências

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG

Como mostra a figura 7.6.3 existem duas sequências extremas de lavra, ou

seja, sequências de lavra por cavas e por níveis. A sequência n o 1 é realizada com

a divisão da cava global otimizada em várias outras cavas menores, e assim, a

lavra é realizada passando por cada uma destas cavas menores. A sequência n o 2

é definida pela lavra por níveis, onde cada nível é esgotado antes do inicio da lavra

do nível subsequente. Essas duas estratégias de lavra diferem na velocidade de

remoção de estéril e evolução do teor médio do minério de interesse, provocando diferenças sensíveis no fluxo de caixa do negocio. Do ponto de vista estritamente financeiro, a primeira estratégia apresenta

melhores resultados pelo adiamento de custos de remoção de estéril e antecipação

de resultados pela lavra com teores de corte decrescentes. Porém, esse critério

pode vir a ser conflitante com a necessidade operacional relativa ao número de

frentes disponíveis com materiais distintos que permitam a manutenção da

“estacionarização” conforme especificado pelo processo de beneficiamento e com

as condições de espaço operacional para que os custos e a produtividade não

sejam afetados negativamente. A complexidade do problema pode atingir maiores proporções se houverem tipologias diferentes perante às exigências de processo

de beneficiamento.

O compromisso entre os diversos requisitos citados pode conduzir ao

estabelecimento de uma sequência intermediária como, por exemplo, a sequência

de n o 3 que atenda de forma satisfatória às necessidades operacionais sem

comprometer o fluxo de caixa da empresa . Um dos caminhos para sua definição é

o de simulações, servindo-se das cavas otimizadas como guia para o seqüenciamento da lavra.

3.5. Razão de extração

3.5.1. Relação estéril/minério (aspectos geométricos)

Para analisarmos a considerações geométricas envolvidas na relação Estéril/Minério considere um corpo mineral hipotético com a forma de um cilindro perfeito de raio (r) e comprimento (L). O seu volume (V M ) pode ser calculado por:

V M 

r

2

L

No processo de lavra do corpo é, quase sempre, necessário a utilização de um ângulo de talude da cava menor que os noventa graus apresentados pelas

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG paredes do cilindro mineralizado, figura 4.6.1. Admitindo-se um

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG

paredes do cilindro mineralizado, figura 4.6.1. Admitindo-se um ângulo de talude igual a o volume total escavado pode ser definido por:

Onde:

e

1

V T  

3

R

2

L

T

L

R

T

L r Tan

L

Tan

r

r

2

L

T

L

A relação estéril/Minério global pode ser definida então por:

ou:

V  V R  T M EM V M   R 2 L
V
 V
R
T
M
EM
V
M

R
2
L
r
2
L
L
3r
2
L
R
T
T
EM
3r
2
L

Figura 4.6.1 Representação de um cone de extração

Desta mesma forma Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG pode-se definir relações estéril/Minério, ditas

Desta

mesma

forma

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG

pode-se

definir

relações

estéril/Minério,

ditas

instantâneas, para cada fase da lavra, através de, por exemplo, cones aninhados,

3.5.2. Relação estéril/minério (aspectos econômicos)

A figura 4.6.2 abaixo mostra um exemplo da relação estéril/ minério em uma cava idealizada com um corpo de minério com mergulho de ângulo º. O parâmetro e/m é amplamente usado no ramo da mineração e representa o montante de material desprovido de valor econômico (estéril) que deverá ser removido, para liberar uma unidade de minério. A relação gobal é definida como :

R= (volume de estéril removido a uma profundidade d) / (volume de minério recoberto a uma profundidade d) Para a figura R= ABD/BCED

recoberto a uma profundidade d) Para a figura R= ABD/BCED Figura 4.6.2 – Representação da relação

Figura 4.6.2 Representação da relação E / M global numa seção

Uma vez determinada a cava final ótima e a relação E/M gobal, o planejamento de lavra pode ser detalhado. A seguir, na elaboração da seqüência de extração é imprescindível a determinação da evolução da relação E/M no tempo. Basicamente existem três modos de executar a extração com relação à razão de extração:

a. Relação estéril / minério crescente;

b. Relação estéril / minério decrescente;

c. Relação estéril / minério constante.

Método de retirada decrescente do estéril

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Esse método requer que cada bancada de minério

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG

Esse método requer que cada bancada de minério seja lavrada em seqüência e que todo o estéril associado em particular a este banco seja removido até os limites da cava ótima. As vantagens desse método são: criar espaço suficiente para os trabalhos, o acesso ao minério é feito pelo banco subseqüente, todo o equipamento está no mesmo nível, não há contaminação do minério pelos bancos ou estéril dos bancos superiores, os equipamentos requeridos estão na direção sempre da cava final. A maior desvantagem desse método é que os custos referentes a remoção do estéril são maximizados nos anos iniciais, quando benefícios são necessários para o pagamento do investimento ou retorno de capital.

para o pagamento do investimento ou retorno de capital. Método da diminuição da relação E/M Nesse

Método da diminuição da relação E/M

Nesse método a liberação só é realizada quando há a necessidade imediata do minério. Os trabalhos nos taludes de estéril são mantidos essencialmente paralelos aos taludes da cava final. Esse método permite um máximo de benefícios nos primeiros anos reduzindo o risco do investimento, através da redução do "pay- back". A desvantagem deste método é que a operação de mina é sacrificada em um grande numero de frentes de lavra, e em bancos de produção estreitos e simultâneos.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Método de relação E/M constante Esse método procura

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Método de relação E/M constante Esse método procura realizar

Método de relação E/M constante

Esse método procura realizar a operação de remoção do estéril uma razão aproximada da relação Estéril/Minério global. Os trabalhos de taludes de corte no estéril começam muito rasos e aumentam com a profundidade, até que os trabalhos atinjam os limites de cava final. Os equipamentos e os trabalhos necessários do início ao final da vida da mina são relativamente constantes.

ao final da vida da mina são relativamente constantes. Uma combinação dos modos acima também é

Uma combinação dos modos acima também é possível. A escolha pelo melhor modo de conduzir a relação estéril / minério depende de vários fatores e deve ser criteriosamente definida uma vez que uma escolha não adequada pode conduzir inclusive a não inviabilidade do projeto.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG II Etapa – Operações e Métodos de Lavra

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG

II Etapa Operações e Métodos de Lavra a Céu Aberto (8 horas-aula)

o

Desenvolvimento

o

Operações Unitárias

Perfuração e Desmonte

Carregamento

Transporte

Operações Auxiliares

CONSIDERAÇÕES GEOMÉTRICAS

As bancadas podem ser consideradas como as unidades fundamentais de extração nas operações de lavra a céu aberto. Algumas características básicas como: crista, pé, largura, face, altura e ângulo da bancada são apresentadas na figura seguinte.

Pé Largura Ângulo da do Bancada Talude CRISTA Talude ou Face Altura da Bancada
Largura
Ângulo
da
do
Bancada
Talude
CRISTA
Talude
ou
Face
Altura
da
Bancada

Deve-se salientar a existência de diferentes tipos de bancadas. Por exemplo, pode-se citar as bancadas que têm como função aparar os materiais que, por ventura, rolarem de bancadas superiores, as bancadas ou

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG bermas de segurança ou “cacth benchs” e as

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bermas de segurança ou “cacth benchs” e as bancadas de trabalho, ou praças, onde ocorre efetivamente o processo de lavra. Diversos fatores influenciam as dimensões dos elementos apresentados acima. Alguns aspectos importantes na determinação da geometria das bancadas podem ser enumerados:

1. Características do depósito: Volume, teor e distribuição etc.

2. Escala de produção: Toneladas de minério e estéril produzidas.

3. Seletividade na lavra e necessidade de blendagem.

4. Equipamentos utilizados nas operações de lavra: Função básica da escala de produção.

5. considerações sobre estabilidade dos taludes

6. Relação estéril/minério.

7. Custos operacionais vs. custos de investimento.

ÂNGULO DA FACE DA BANCADA:

Os ângulos das bancadas são mantidos, geralmente, com a maior inclinação possível. Os limites aqui são relacionados, basicamente, as condições de estabilidade. Em rochas competentes valores entre 55 O e 80 O são tipicamente encontrados. É importante ressaltar que os ângulos das bancadas podem ter uma grande influência no talude final da cava.

ALTURA DE BANCADA:

A Altura da bancada é determinada, normalmente, em função da altura máxima de escavação do equipamento utilizado na operação de carregamento. É importante observar a possibilidade de escavação de taludes negativo quando utilizada esta altura máxima de escavação (i.e. escavadeiras ”shovels” e hidráulicas). Esta situação poderia representar riscos para a própria operação de carregamento ou para as operações sub- seqüentes. Valores de altura de bancada variam de cinco metros, para pequenos depósitos de ouro, por exemplo, até aproximadamente quinze metros, em grandes operações de lavra.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Com os avanços tecnológicos dos equipamentos, a perfuração,

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Com os avanços tecnológicos dos equipamentos, a perfuração, hoje, praticamente, não impõe limites a altura da bancada. O que necessariamente deveria ser investigado até alguns anos atrás. O exemplo da figura a seguir mostra uma escavadeira hidráulica com capacidade de 13 a 27.5 m 3 (17-36 yd 3 ). A altura máxima de escavação é de 15 metros. Observando condições mais rígidas de segurança esta altura poderia ser considerada aproximadamente 11 metros.

altura poderia ser considerada aproximadamente 11 metros. LARGURA DE BANCADA: Além das bancadas ou bermas de

LARGURA DE BANCADA:

Além das bancadas ou bermas de segurança é comum, nas operações de lavra de grande porte, a utilização de leras de proteção nestas bancadas. Estas leras são formadas por pilhas de material fragmentado e depositado junto a crista destas bermas formando assim uma vala para coleta do material.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Call, a partir de estudos de Ritchie, fornece

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Call, a partir de estudos de Ritchie, fornece algumas recomendações para a determinação da geometria destas bancadas, como pode ser observado na figura a seguir.

Largura

da

Lera

Largura Mínima da Berma Área de Impacto Altura da Lera Altura da Bancada
Largura
Mínima
da
Berma
Área
de
Impacto
Altura
da
Lera
Altura
da
Bancada

Geometria de Bermas de Segurança (metros)

Altura

da

Bancada

Área

de

Impacto

Altura

das

Leras

Largura

das

Leras

Largura

Mínima da

Bancada

15

3,5

1,5

4

7,5

30

4,5

2

5,5

10

45

5

3

8

13

Outra consideração de segurança a ser feita com relação a altura das leras é que ela deverá ser pelo menos igual ao raio dos pneus dos equipamentos que trafegam nestas bancadas. Em locais de tráfego duplo, nas vias de acesso por exemplo, é comum observar a presença de leras na parte central das pistas. Neste caso a largura do acesso deve ser dimensionada como função do equipamento de maior largura que utilize este acesso. Observando-se a recomendação da AASHO que aconselha largura adicional de segurança igual a metade da largura do equipamento, tanto a direita quanto a esquerda da pista, e adicionado-se ainda a largura da lera de proteção na crista da bancada e uma determinada distância para a vala de drenagem, uma primeira estimativa da largura total pode ser obtida através da formulação expedita:

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Largura = 4 x Largura dos caminhões L

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Largura = 4 x Largura dos caminhões

L = Largura do Caminhão L/2 L L L/2 L/2
L = Largura do Caminhão
L/2
L
L
L/2
L/2

Uma comparação entre diferentes bancadas mostra que a utilização de laguras maiores acarretariam,

como aspectos negativos:

Menor seletividade

Maior diluição

Menor flexibilidade

e como aspectos positivos:

Menores tempos de manobra

Melhores possibilidades de supervisão

Maior eficiência, produtividade e razão de produção.

ÂNGULO DE TALUDE Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Diversos ângulos de taludes podem

ÂNGULO DE TALUDE

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Diversos ângulos de taludes podem ser observados em uma operação de lavra a céu aberto, como por exemplo o próprio ângulo da face das bancadas. Portanto é importante que se determine a direção ou plano do talude de maneira inequívoca. Define-se aqui como a direção do talude uma linha que liga o pé e crista das bancadas de referência, e sua inclinação como o menor ângulo entre esta direção e um plano horizontal. Considerando-se o exemplo abaixo, que apresenta bancadas com as mesmas características geométricas, teríamos:

LB = Largura da Bancada AB = Altura da Bancada = Ângulo da Face da
LB = Largura da Bancada
AB = Altura da Bancada
= Ângulo da Face da Bancada
= Ângulo do Talude
B
B
B
L
L
L
Comprimento Total
A B
A B
A B
A B
Altura Total

O ângulo do talude () pode ser definido como:

ou:  Tan  1  Altura Total   Comprimento Total  Tan 

ou:

 Tan

1

Altura Total

  Comprimento Total

 Tan

1

4(A

B

)

3(L

B

)

4(D)

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onde D é definido a partir da geometria da bancada como:

e finalmente:

D

A Tan( )

B

 Tan

1

4(A

B

)

3(L

B

)

4(A

B

)

Tan( )

Durante o processo de lavra, rampas de acesso ou bancadas em lavra (praças) poderão estar presentes na situação mostrada anteriormente. A introdução desta modificação na condição acima traz algumas alterações no valor do ângulo do talude geral. Para uma rampa com largura igual ao dobro da largura das bermas a figura apresentada acima ficaria:

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG LB = Largura da Bancada AB = Altura

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LB = Largura da Bancada AB = Altura da Bancada Ângulo da Face da Bancada
LB = Largura da Bancada
AB = Altura da Bancada
Ângulo da Face da Bancada
=
Ângulo do Talude
=
1
= Ângulo do Talude abaixo da Rampa
2
= Ângulo do Talude acima da Rampa
2
B
B
B
L
D
L
E
2L B
E
L
Comprimento Total
1
B /2
A B
A B
A
A B /2
A B
Altura Total

De maneira geral a formulação para determinar o ângulo do talude geral da cava poderia ser então escrito da seguinte forma:

 Tan

1

4(A

B

)

3(L

B

)

4(A

B

)

Tan( )

L

R

Aqui L R representa a largura da rampa.

Considerando-se agora a largura das bermas e da rampa iguais a 10 metros e 20 metros respectivamente, a altura das bancadas igual a 15 metros e ainda, o ângulo da face das bancadas igual a 75 O os valores obtidos para o ângulo do talude geral para a situação sem a presença da rampa (b s ) e com a presença da rampa (b c ) seriam, respectivamente:

s

39

o

  Tan s   Tan c  1  1 Departamento de Engenharia

  Tan

s

  Tan

c

1

1

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 

 

4(10)

4(10)

4(10) 3(10)  3(10)  4(15) o Tan(75 ) 4(10) 4(15) o    

3(10)

3(10)

3(10) 

4(15)

o

Tan(75 )

4(10)

4(15)

o


 

20

 20

Tan(75 )

c

31

o

2.4. Recomposição ambiental Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG A extração de minerais e

2.4. Recomposição ambiental

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A extração de minerais e combustíveis fósseis da Terra não é possível sem

alterar as características ambientais naturais. Uma mina requer estradas de acesso, energia e água, além das escavações que devem ser feitas no terreno para a extração do bem mineral. Áreas da mina devem ser alocadas para as instalações de processamento, oficinas, escritórios, instalações de armazenagem etc. Os rejeitos devem ser depositados, podendo ser sólidos, líquidos e/ou gasosos. Em adição, há que se ter em vista a atmosfera da mina e outros agentes poluentes, que devem ser controlados para salvaguardar a saúde dos trabalhadores.

O controle ambiental tem sido aplicado à mineração há muito tempo, incluindo restauração do terreno, purificação da água, supressão de poeiras e dispersão de gases nocivos. As técnicas para tal controle vêm sendo desenvolvidas de modo a reduzir os efeitos adversos da mineração sobre o ambiente. A legislação ambiental tem sido cada dia mais rigorosa, impondo às minerações restrições de maior ou menos grandeza, de acordo com as condições de cada uma. Desse modo, as empresas de mineração devem dispor de métodos

e

equipamentos para realizar o controle de poluição desejado, bem como recuperar

o

terreno, considerando os prazos de recuperação e os custos adicionais sobre o

empreendimento. Tendo em vista que a demanda por minerais e combustíveis aumenta a cada ano particularmente por causa do aumento de população, mas também devido ao aumento no padrão de vida dos povos as indústrias extrativas continuam fundamentais para a humanidade. Paradoxalmente, produtos da indústria mineral são necessários em máquinas e processos de controle ambiental.

Atualmente tem-se buscado o uso múltiplo e ordenado dos terrenos, em que minerais são extraídos com a utilização de meios que minimizam o impacto ambiental. Em seguida, o terreno é restaurado para ser utilizado com outros fins.

O primeiro tratado sobre tecnologia mineral escrito por Agrícola há mais de

quatrocentos anos já revelava preocupações quanto ao impacto ambiental inerente à produção de metais e ligas. Mas a despeito disso, Agrícola salienta enfaticamente em sua obra a imprescindibilidade dos metais para a vida civilizada. Os benefícios da mineração têm sido constantemente demonstrados, situando-a como uma atividade imprescindível ao bem estar social. Apesar disso e do impacto ambiental não ter como sua fonte principal a mineração, poucas

atividades produtivas geram tantas controvérsias, de forma que se instaurou um conflito entre a necessidade do exercício da tecnologia mineral e a minimização de seu impacto ambiental. No passado, a recomposição ambiental somente era considerada no fim das operações de lavra e não na fase de planejamento. Hoje em dia qualquer empreendimento só se inicia após aprovação do licenciamento ambiental, o qual envolve todos os aspectos ambientais relativos aos efeitos da mineração, levando em conta suas particularidades.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG O propósito da recomposição ambiental é melhorar as

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O propósito da recomposição ambiental é melhorar as características de toda a

área (ou parte dela) afetada pela atividade de mineração, a fim de proteger o

ambiente

recomposição é diferente de restauração. Na atividade de mineração a restauração

é bastante inviável, uma vez que ela pressupõe a reconstrução da superfície

topográfica original e o restabelecimento do terreno com as características originais para ser usado como anteriormente. Assim, é fácil verificar a impossibilidade técnica e econômica da restauração na mineração. Por outro lado, a recomposição

deve

contemplar as condições impostas pelos órgãos governamentais de

atividade. Entretanto, é importante ressaltar que

afetado

por esta

fiscalização de fomento e fiscalização ambientais. Em operações de mina a céu aberto são três as principais áreas a serem recompostas: a) as cavas das minerações; b) as áreas de disposição de estéril e c)

as barragens de rejeitos.

O grau de exigências na recuperação ou restauração de áreas degradadas por mineração é determinado por um variado número de fatores, que inclui:

a. Regulamentação governamental;

b. Prioridade no uso do terreno;

c. Proximidade de centros urbanos;

d. Valor estético e visibilidade;

e. Quantidade e tipos de contaminantes do ar e da água, que podem ser liberados pelas atividades da mineração;

f. Tipo e densidade da vegetação local;

g. Condições climáticas;

h. Localização da mina;

i. Política ambiental da empresa de mineração;

j. Custo e efeito no desenvolvimento do empreendimento;

k. Configuração das áreas de disposição de rejeitos;

l. Espécies naturais e introduzidas na fauna da área;

m. Utilização final proposta para o terreno;

n. Disponibilidade de água e nível do lençol freático;

o. Características do relevo;

p. Fluxo de drenagem natural e redirecionada existente na área quanto à quantidade, níveis de cheia e freqüência;

q. Usos da água a jusante da mineração;

r. Futuro potencial do material armazenado como rejeito.

Todos esses fatores devem ser considerados no projeto ambiental para o empreendimento de mineração e devem ser aprovados pelos representantes da comunidade e pelas autoridades governamentais. O projeto ambiental é específico para cada caso, uma vez que estes fatores têm efeitos e pesos diferentes nos custos do projeto de recomposição ambiental. Na maioria das operações em mina a céu aberto, o rejeito removido da cava é depositado em área adjacente. A área necessária para deposição desse rejeito é normalmente igual ou superior à área da cava. As restrições ambientais impostas pela legislação têm dificultado a disposição de rejeitos de mineração.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Tudo isso tem conduzido à utilização da cava

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Tudo isso tem conduzido à utilização da cava para deposição do rejeito. Para tanto o planejamento deve considerar essa possibilidade no sequenciamento da lavra.

O planejamento ambiental deve ser um documento de fácil compreensão e

fazer parte do planejamento de exploração, de lavra e de operação. O

planejamento deve considerar os seguintes aspectos:

b. Uma seqüência lógica de passos para realizar o processo de recomposição;

a. As especificações dos padrões de recomposição a ser executada;

b. Uma estimação dos custos da recomposição;

Informação suficiente para o desenvolvimento de uma base de inspeção e de imposição da recomposição. Além disso, estabelecer critérios a serem usados na avaliação do sucesso da recomposição.

o

Equipamentos

Operação e Alocação

Disponibilidade, Utilização e Produtividade

o

Otimização de Operações de Lavra

Critérios de Desempenho

Custo : Escala de Produção x Seletividade (qualidade x custo x volume de produção)

4. AVALIAÇÃO DO EMPREENDIMENTO MINEIRO

4.1. Escala de produção

O procedimento usado para estabelecer a escala de mineração ótima

pode ser dividido em três estágios. O primeiro define a ordem de extração ou seqüência de lavra, o segundo define uma estratégia de teor de corte que varia no

tempo e no espaço, e seria ótimo para um dado conjunto de parâmetros de produção e o terceiro, define a combinação de taxas de produção da mina, moagem e processamento mineral ótimas, dentro dos limites estabelecidos por restrições logísticas, financeiras, de mercado e outras.

Com o objetivo de desenvolver uma escala de produção ótima, uma seqüência ou ordem de extração deve inicialmente ser estabelecida dentro da assim chamada cava final. A seqüência de extração depende de dois subconjuntos de parâmetros. O primeiro está relacionado com a relação de extração associada com a recuperação do minério, o teor do minério e locação física dos pontos de extração com respeito à disponibilidade através do tempo. O segundo subconjunto de parâmetros consiste dos custos associados com o início e manutenção do conjunto de operações. Custos operacionais diretos podem ser usados para definir uma razão de extração e teor de corte limites, mas o objetivo do planejamento mineiro é programar uma estratégia que otimize o

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG investimento total. Operações com teores de corte e

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investimento total. Operações com teores de corte e relação de extração limite, somente são ótimos para a fase final, ou seja, no fim da vida da mina. Antes de começar o planejamento de produção da mina, uma grande quantidade de trabalho já foi completado na exploração e modelagem do depósito. A partir desse trabalho, um número de suposições já foram feitas incluindo o método de lavra mais provável e assim a altura da bancada, tipo e tamanho aproximado do equipamento de carregamento e a seletividade da lavra. Outro trabalho de teste e suposição também foi feito com vista a determinar o tipo de processamento será necessário para recuperar o produto. Esses parâmetros serão usados para estimar a faixa de custo mais provável para a lavra e o beneficiamento. O projeto das fases da lavra pode ser elaborado manualmente, com certa limitação, com base nas seções horizontais e verticais. Ele pode também ser feito analiticamente com auxilio do computador. Cada método tem vantagens e desvantagens quando aplicado por um engenheiro experiente, mas o método

escolhido é determinado pela precisão requerida e disponibilidade de recursos financeiros. Se o objetivo do estudo é muito preliminar, com pouca disponibilidade de dados básicos, então os métodos manuais podem ser justificados. Se o estudo

é para servir de base para investimento e desenvolvimento de mina, e um grande

número de informações foi coletado, então a utilização de métodos computacionais

deve ser preferida.

4.2. Capital da mina e custos operacionais

Vários tipos de custos são envolvidos nas operações de mineração. Existem várias formas de determinar e estimar esses custos. Um modo muito usual

é sua divisão em categorias. Basicamente, os custos da mineração podem ser agrupados em três categorias:

- Custos de capital;

- Custos operacionais;

- Custos gerais e administrativos.

Os custos de capital são relativos aos investimentos na infra-estrutura da mina e da planta de beneficiamento. Os custos operacionais são os custos inerentes às operações de produção como perfuração, desmonte, transporte, operações de beneficiamento etc. Esses custos podem ser indicados na base de unidade monetária por tonelada produzida. Os custos gerais e administrativos normalmente são considerados numa base anual. Normalmente os custos gerais e administrativos consideram os seguintes itens:

- Supervisão;

- Prêmios aos empregados;

- Despesas administrativas;

- Levantamento topográfico e geologia de mina;

- Bombeamento;

- Desmonte para desenvolvimento; - Taxas; - Seguros; - Ensaios; - Depreciação da planta, etc.

- Desmonte para desenvolvimento;

- Taxas;

- Seguros;

- Ensaios;

- Depreciação da planta, etc.

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ser

transformados em custo por tonelada como os custos operacionais. Assim, as categorias de custos tornam-se:

O

custo

de

capital

e

o

custo

geral

e

administrativo

podem

- Custos de propriedade;

- Custos de produção;

- Custos gerais e administrativos.

Os custos operacionais podem ser representados para as diferentes unidades operacionais:

- Perfuração;

- Desmonte;

- Carregamento;

- Transporte;

- Outros.

“outros” inclui terraplenagem, manutenção de estradas,

manutenção de barragens de rejeito e pilhas de disposição, bombeamento etc.

Algumas minerações incluem custo de manutenção nos custos operacionais. Outras incluem esse custo em custos gerais e de administração. Os custos

operacionais podem ser também discriminados em componentes do custo. Por exemplo, no desmonte:

A

categoria

- Explosivos;

- Espoletas;

- Reforçadores;

- Cordéis;

- Retardos etc.

O custo operacional também pode ser dividido em categorias:

- Mão-de-obra;

- Materiais, custos e energia;

- Outros.

Numa determinada operação, as despesas com mão-de-obra podem ser incluídas somente nos custos diretos (perfurador e ajudante, por exemplo). Em outros casos, são incluídas em custos indiretos (supervisão, reparos etc.). Há certos custos que são vistos como fixos ou independentes do nível de produção. Outros são variáveis, dependendo diretamente da produção. Outros ainda é difícil estabelecer se são fixos ou variáveis.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Os custos de aquisição dos equipamentos são normalmente

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Os custos de aquisição dos equipamentos são normalmente depreciados numa média anual dentro dos custos de investimentos.

4.3. Custos e estimação de custos

Um depósito mineral não pode ser desenvolvido para uma mina, a menos que o lucro operacional anual estimado seja suficiente para recuperar, com lucro, o custo de capital de desenvolvimento da mina. A precisão de estimação de custo de capital e operacional depende da qualidade técnica da avaliação do depósito e do conhecimento sobre as características da lavra e do beneficiamento.

A estimação dos custos de capital e operacional de uma futura mina é feita

inicialmente após as reservas de minério terem sido determinadas. Isso envolve

riscos visto que o projeto de detalhe ainda não existe. Entretanto, os principais custos de capital são aplicados após exploração detalhada do minério, realização

do

projeto da mina, estudos detalhados das características metalúrgicas do minério

e

projeto global do empreendimento. No estágio do estudo de viabilidade

preliminar, há conhecimento técnico insuficiente para estimar os custos com precisão, sendo os custos estimados aproximadamente para orientar a viabilidade da provável mina, do tamanho ótimo da planta e a necessidade de estudos adicionais para melhorar os conhecimentos sobre o depósito. Custos estimados são baseados inicialmente em custos médios compilados a partir de projetos e operações existentes, com semelhanças ao projeto em estudo. Semelhanças essas com relação às condições gerais, métodos de lavra e beneficiamento.

A estimação de custos com uma precisão de ± 10%, que é necessária para um estudo detalhado de viabilidade, requer aperfeiçoamento de trabalhos técnicos extensivos e estudos de planejamento de mina, projeto geral do empreendimento, estudos ambientais e avaliação de suprimentos, mão-de-obra e equipamentos requeridos para a mineração, beneficiamento e serviços.

4.4. Avaliação de mina

O termo avaliação de mina implica na fixação de uma moeda corrente para

quantificar o valor de uma mina ou projeto de mineração e estabelecer uma medida

do valor da propriedade. Como tal, diversos tipos de valor podem ser encontrados

para representar o estudo de avaliação de uma mina.

Na avaliação de mina, as principais respostas que se buscam são:

- Qual é o valor da mina?

- Qual é o custo da mineração?

Nesse contexto o valor que interessa é o valor de mercado do recurso mineral. Valor de mercado é o preço estabelecido num mercado público pela troca entre um comprador disposto e um vendedor também disposto, quando nem um nem outro está sob pressão para completar a transação. Assim, o termo mercado sugere a idéia de troca.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Entretanto, a determinação do valor de mercado de

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG

Entretanto, a determinação do valor de mercado de um bem mineral específico somente pode ser feita pelo mercado através de uma transação de venda real, onde são intervenientes o comprador e o vendedor. O comprador tem interesse de baixar o valor e o vendedor procura aumentar o preço. Especificamente, os profissionais de economia mineral, os avaliadores e os órgãos de fiscalização do governo são interessados na estimação de valor de mercado para os bens minerais. O valor de mercado é uma propriedade bastante dinâmica e sofre influência do tempo e das condições de mercado. Para estimar o valor de mercado de qualquer bem mineral, a maioria dos avaliadores consideram inicialmente 3 abordagens geralmente aceitas para estimação de valores. A primeira abordagem é com relação aos custos. A segunda está relacionada ao mercado e a terceira às receitas (lucros). Os custos são uma preocupação constante dos engenheiros de planejamento. Existe sempre o conflito entre a melhor qualidade do produto e o menor custo. O mercado dos bens minerais encontra alguns problemas práticos. Isso se deve principalmente a dois fatores: a) há muito poucos bens minerais à venda e, por conseguinte, pouca concorrência; b) uma vez que cada depósito mineral é único em qualidade, tamanho, locação geográfica, grau de desenvolvimento etc., as condições de mercado não têm influência significativa nos preços. A receita é o resultado entre o valor de mercado e o custo.

III Etapa Operações e Métodos de Lavra Subterrânea (8 horas-aula)

o Comparação Lavra a Céu Aberto x Lavra Subterrânea

5. COMPARAÇÃO ENTRE LAVRA SUBTERRÂNEA E LAVRA A CÉU ABERTO

A diferença entre a lavra a céu aberto e lavra subterrânea pode ser entendida com a simples definição de lavra subterrânea e céu aberto. Na primeira, os processos de explotação mineral são realizados abaixo da superfície e na segunda própria superfície topográfica. Os métodos de lavra subterrânea são utilizados, classicamente, quando a relação estéril/minério se torna excessiva para os métodos de lavra a céu aberto. Uma comparação direta entre a lavra subterrânea e a lavra a céu aberto, mostra que, geralmente, a segunda apresenta melhores resultados em recuperação, controle de diluição, fatores econômicos, flexibilidade, segurança e condições de trabalho. O volume de material escavado em operações de lavra subterrâneas representou em 1973 aproximadamente 40% das remoções realizadas a céu aberto. Considerando os trabalhos de construção civil, como estradas, hidroelétricas, etc., as escavações subterrâneas representam um

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG montante de remoção volumétrica de apenas 20% do

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montante de remoção volumétrica de apenas 20% do volume total, como mostra a tabela abaixo:

Volume de material escavado

 

10 6 m 3

%

Mineração:

 

Céu Aberto

1550

71.4

Subterrânea

620

28.6

Construção

Civil:

Céu Aberto

1450

91.8

Subterrânea

130

8.2

Combinado:

Céu Aberto

3000

80.0

Subterrânea

750

20.0

Custos

Certamente os custos de mineração são diferentes para diferentes métodos de lavra e também para diferentes corpos minerais, mas em linhas gerais, os custos das operações a céu aberto são muito menores aqueles das operações subterrâneas. Estes custos maiores ficam evidenciados no maior investimento inicial, na mão de obra intensa (quando comparada à lavra a céu aberto) e no seu maior consumo energético. A tabela seguinte compara os custos de duas operações hipotéticas:

6.5 milhões de toneladas/ano produzidas em operações a céu aberto

2.0 milhões de toneladas/ano com o método de lavra subterrânea câmaras e pilares.

As quantidades de estéril removidas anualmente nas duas operações seriam equivalentes.

Investimento

Céu Aberto: 25 Milhões US$ Subterrânea: 65 Milhões US$

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Céu Aberto   Subterrânea Custos de (25,00 x

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG

Céu Aberto

 

Subterrânea

Custos

de

(25,00 x 0,13)

3,25

(65,00 x 0,13)

8,45

Capital

Salário

(130 x 0,02) (6,5 x 8,5 x 0,024) (6,5 x 1,00)

2,60

(275 x 0,02)

5,50

Energia

1,33

(2,0 x 10 x 0,024) 0,48

Diversos

6,50

(2,0 x 1,00)

2,00

Total Custo por tonelada (US$/t)

13,68

16,43

2,10

8,22

Valores em Milhões de dólares, quando não explicitado.

Riscos de Acidentes

A comparação entre número de acidentes ocorridos em operações de lavra subterrânea e operações de lavra a céu aberto, sejam eles: números de acidentes por horas trabalhadas ou número de acidentes por quantidade de material removido, demonstram a posição desfavorável das operações subterrâneas. As figuras seguintes mostram os números de acidentes registrados nas minas suecas. Apesar de se tratar de dados antigos percebe-se com facilidade o maior risco associado às operações de lavra subterrânea.

12 10 8 6 4 2 0 1973 1974 1975 Acidentes/100.000 horas
12
10
8
6
4
2
0
1973
1974
1975
Acidentes/100.000 horas

Considerações Ambientais

Céu Aberto 14 Lavra Subterrânea 12 10 8 6 4 2 0 1973 1974 1975
Céu Aberto
14
Lavra Subterrânea
12
10
8
6
4
2
0
1973
1974
1975
Acidentes/10 6 t produzidas

Nas operações a céu aberto as pessoas e os equipamentos estão diretamente sujeitos as condições climáticas. Já as operações subterrâneas precisam manter um maior controle das condições do ambientais através da ventilação contínua, evitando o acúmulo de partículas em suspensão e gases

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG tóxicos, mantendo as condições de temperatura e umidade.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG

tóxicos, mantendo as condições de temperatura e umidade. Com o aumento da profundidade das minas, duas preocupações passaram a ter uma maior importância no desenvolvimento de minas subterrâneas: O aumento considerável dos níveis de tensão (stress) e o aumento da temperatura decorrente do grau geotérmico. Com relação à integração Mina/Comunidade, os efeitos das minerações a céu aberto são sentidos, aparentemente, com maior intensidade pela comunidade. Provavelmente isto se deve ao fato das operações a céu aberto apresentarem um maior impacto por suas modificações geográficas e ou topográfica locais, introduzindo estruturas visíveis à comunidade como a cava da mina e as pilhas de estéril.

Recuperação Mineral

Operações a céu aberto normalmente recuperam cerca de 90 a 95 % do deposito mineral. A perda se deve ao descarte do minério junto com o estéril. Operações de lavra subterrânea contabilizam as perdas principalmente na forma de suportes naturais, nominalmente, pilares. Certamente tais perdas dependem diretamente do método de lavra empregado. Operações como corte e aterro (“cut and fill”) ou "longwall" apresentam boas recuperações, compatíveis com operações a céu aberto, porém as custas de um alto custo operacional. Outros métodos de suportes naturais, tais como câmaras e pilares (“room and pillar”), podem apresentar recuperações menores que 40% do deposito mineral.

Fatores Psicológicos

Diversos são os exemplos em que as decisões tecnológicas são controladas por fatores puramente subjetivos. As atividades em uma mina a céu aberto podem ser visualizadas em sua integridade, facilitando a compreensão do processo como uma única operação. Dificilmente o mesmo poderia ser dito para as operações subterrâneas que consequentemente está sujeita a atitudes negativas quanto a sua aceitação.

6. Planejamento na Lavra Subterrânea

Alguns fatores, além dos disOs fatores observados, analisados e discutidos durante a fase de planejamento de um empreendimento mineiro influenciam diretamente no método de lavra a ser utilizado, no tamanho da operação (escala de produção), nas dimensões das aberturas (lavra e desenvolvimento), na produtividade, nos custos (investimento e operacionais) e finalmente se a reserva deverá ser desenvolvida ou não.

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG Informações Técnicas para o Planejamento Preliminar Após a

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Informações Técnicas para o Planejamento Preliminar

Após a avaliação geológica ser finalizada (exploração), alguns itens referentes ao planejamento da extração do corpo mineral (lavra) são analisados. Fazem parte desta analise os aspectos aqui relacionados.

Informações Geológicas e Mineralógicas

As informações geológicas e mineralógicas incluídas neste estudo são:

1. Condições geométrica tais como a espessura, a largura e a extensão do corpo mineral, incluindo múltiplas áreas (se for o caso), a atitude (direção e mergulho) de cada mineralização e sua profundidade.

2. Continuidade ou descontinuidades presentes nas formações rochosas.

3. Delineamento dos contatos entre corpo mineral e encaixantes.

4. Distribuição de teores dos minerais valiosos nas zonas mineralizadas.

5. Distribuição de teores dos minerais deletérios nas zonas mineralizadas.

6. Presença de zonas de alteração tanto no corpo mineral quanto nas encaixantes.

Informações Estruturais (Incluindo características físicas e químicas)

1. Profundidade da cobertura.

2. Descrição detalhada da cobertura rochosa (estrutura x escavações), incluindo informações sobre a presença de água, gás, ou qualquer outro fluido que possa estar presente.

3. Descrição detalhada das encaixantes incluindo características geomecânicas (capacidade de carregamento, planos de fraqueza, porosidade e

permeabilidade, etc

),

presença de anomalias de “stress”, temperatura etc.

4. Descrição detalhada do corpo mineral incluindo os fatores acima e outros como:

possibilidade de alteração do minério (oxidação, geração de ácidos, degradação em partículas finas), recompactação, índices de sílica e/ou material fibroso etc.

Informações Econômicas

Departamento de Engenharia de Minas - EEUFMG 1. Cubagem completa da reserva (toneladas e teores),

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1. Cubagem completa da reserva (toneladas e teores), listadas de acordo com a classificação de inferida, provável e comprovada.

2. Detalhes sobre as terras superficiais: propriedade, “royalties”, etc.

3. Disponibilidade de recursos naturais: água, madeira, etc.

4. Detalhes de superfície como estruturas presentes (naturais ou artificiais tais como construções civis, cursos de água, etc.) que possam ser afetadas pela subsidência.

5. Localização

da

reserva

em

comunicação etc.)

relação

a

6. Localização geopolítica da reserva.

infra-estrutura

(estradas,

meios

de

O conhecimento de situações similares é sempre bem-vindo. O desenvolvimento de uma primeira mina num novo distrito apresenta um riscos maiores de erros de custos elevados quando comparado a situações onde outras experiência já tem sido analisadas.

Escala de Produção

Nos conceitos modernos de avaliação e planejamento tem-se como objetivo maximizar o “net present value” (NPV) ou operar o empreendimento de maneira que o máximo “internal rate return” (IRR) seja obtido nos “cash-flow” líquidos. O planejador, além destes conceitos, deve também estar atento aos problemas operacionais envolvidos em uma mina.

Uma análise puramente financial mostra que quanto maior a razão de extração maior é a taxa retorno. Isto se deve aos custos fixos e também ao conceito de “present value” associados a qualquer investimento. Existem, entretanto, limites práticos à escala de produção. Dos fatores que limitam o tamanho do empreendimento, destacam-se:

1. Condições de mercado e preço do produto.

2. Teores do mineral e tonelagens correspondentes

3. O efeito do tempo requerido antes que a produção se inicie.