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Cidade: Os caminhos da misria em Pelotas

Dirio Popular

A pedido da Diocese, desde novembro pesquisadores do Instituto Tcnico de


Estatstica e Assessoria (Itepa) da UCPel debruam-se sobre os indicadores
econmicos e sociais do Municpio. Uma cuidadosa pesquisa de campo, que
dividiu a cidade em sete grandes reas Centro, Areal, Trs Vendas, Fragata,
Laranjal, Barragem e Distrito Industrial e incluiu o mapeamento e a
realizao de entrevistas em 77 localidades, completa o trabalho.
Ao cabo de seis meses a equipe do Itepa concluiu que 22.434 pessoas ou
6.903 famlias vivem abaixo da linha da pobreza em Pelotas. gente que
sobrevive com 0,28 centavos de dlar ou R$ 1,10 por dia. Dinheiro
insuficiente para comprar, por exemplo, um quilo de arroz, que custa em
mdia R$ 1,30.
Essa populao - seis vezes maior que a do municpio de Turuu - vive em
bolses de misria espalhados pela zona urbana. A rea com maior
concentrao de miserveis a do Areal. Ali moram 7.250 pessoas que no
tm como comprar a rao essencial, que em dezembro de 2002 (data do
levantamento pelo Itepa) custava R$ 122,33.
O biscateiro Ado Carrasco, de 46 anos, uma delas. Com a mulher e uma
cunhada doente, divide um barraco com menos de quatro metros quadrados
no Corredor do Obelisco. O lugar forma com o loteamento Solar da Figueira o
maior reduto da misria no Areal. Desempregado h uma dcada, Carrasco
demora de trs a quatro dias para ganhar R$ 3,00 com o lixo que cata. "s
vezes a gente passa dois ou trs dias sem ter o que comer", admite, com
naturalidade assombrosa. Nesses dias, o chimarro lavado e remexido tudo
o que o estmago recebe.
O levantamento feito pelo Itepa indica que logo aps o Areal, os endereos
da fome na cidade so, na ordem, Trs Vendas, Fragata, Centro, Laranjal,
Distrito Industrial e Barragem.