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O Papel da Mulher na Igreja

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O Papel da Mulher na Igreja

Ed Sanders
Nas três últimas décadas — por quase uma geração — tem se questionado se existe ou não, ou se deve existir, alguma diferença entre os papéis designados às mulheres e os papéis designados aos homens na igreja. Feministas ardentes acreditam que as mulheres devem ter o direito de aceitar um papel que antigamente era restrito a homens. Sentem-se ofendidas com o fato de haver designações específicas ou “ministérios” confiados a homens, enquanto outras tarefas são atribuídas a mulheres no serviço e na adoração da igreja. Querem instituir uma espécie de “reforma” para dar às mulheres posições de liderança na igreja. A ESCOLHA DE UM PADRÃO Aos que não possuem um padrão mais elevado do que a preferência humana ou o consenso, as dúvidas relativas a esse tema nem precisam ser respondidas. De fato, nenhum questionamento deveria sequer ser levantado. Pessoas que pensam assim simplesmente fazem o que preferem, porque preferem fazer assim. Quando as pessoas vivem de acordo com seus próprios padrões, Deus nada tem a ver com a questão e as Escrituras não lhes oferecem uma resposta aceitável. Nesse tipo de raciocínio, o homem, a mulher e o tempo acabam por colocar a mulher no papel de homem. Durante dezoito séculos, diversas corporações religiosas — embora divergentes em muitos outros pontos doutrinários — concordaram essencialmente com os relativos papéis dos homens e das mulheres nos cultos de adoração e nos trabalhos da igreja. Por quê? Quando cuidadosamente examinadas à luz da Palavra de Deus, essas questões são tão claras que é impossível confundi-la. Certa irmã citou a seguinte frase de um livro feminista: “Biologia não é destino”. Algumas mulheres, insistia ela, se recusam a satisfazer-se com os privilégios, benefícios, deveres e obrigações que as Escrituras conferem a elas. Aqueles dentre nós que buscam na Bíblia autoridade para responder todas as questões religiosas — aqueles que se preocupam em honrar as exigências de Deus para a edificação da Sua igreja na terra — precisam aprender quais limitações, se houver alguma, recaem sobre cada sexo. Havendo limitações, devemos ser fiéis a elas. Todavia, mesmo entre aqueles que estão decididos a fazer todas as coisas de acordo com as instruções de Deus, surgem francas diferenças. Essas diferenças devem ser resolvidas através de um exame detalhado das passagens bíblicas pertinentes. AS DIRETRIZES BÍBLICAS Primeira Timóteo 2 é uma passagem importante para se estudar com o fim de aprender se há ou não limitações impostas no trabalho de homens e mulheres na igreja. Naquele contexto, Paulo deu instruções para os dois sexos. Observemos os detalhes, prestando uma atenção especial às mulheres. Também observaremos as palavras que foram usadas na língua original do Novo Testamento, o grego, língua esta que muitas vezes é mais precisa do que a nossa.
Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os

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homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos. Para isto fui designado pregador e apóstolo (afirmo a verdade, não minto), mestre dos gentios na fé e na verdade (1 Timóteo 2:1–7; grifo meu).

Paulo usou uma palavra para “homem” ou “homens” quatro vezes nesses sete versículos. Em cada caso essa palavra é anthropos, o termo grego para “homem”, ou seja, “espécie humana” ou “raça humana”, incluindo seres humanos dos dois sexos e as crianças. A palavra portuguesa “antropologia” (que significa estudo da humanidade) vem da palavra grega que Paulo usou. Paulo declarou:
Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade. Da mesma sorte, que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso, porém com boas obras (como é próprio às mulheres que professam ser piedosas). A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio (1 Timóteo 2:8–12; grifo meu).

Instruções para Mulheres Assim como os varões, as mulheres também precisaram de instruções quanto à devida conduta num culto de adoração. Paulo deu instruções para as mulheres enquanto estivessem adorando em grupos mistos. As mulheres devem se arrumar Com: traje decente, modéstia, bom senso e boas obras; Sem: cabeleira frisada, ouro, pérola, vestuário dispendioso. As mulheres devem aprender Com: toda a submissão, em silêncio; Sem: ensinar nem exercer autoridade de homem. REAÇÕES ÀS DIRETRIZES BÍBLICAS Como resultado desse ensino, algumas observações muito severas têm sido feitas sobre Paulo — e sobre Deus. 1. Alguns afirmam que Paulo não deve ser interpretado literalmente. Quando ele disse distintamente que os homens devem desempenhar alguns deveres na assembléia cristã — os quais as mulheres são proibidas de fazer na mesma assembléia —, como essa afirmação pode estar num sentido figurado? 2. Alguns dizem que essas restrições são apenas culturais. Com certeza, Paulo não lhes apresentou razões culturais. Ele deu um mandamento direto, citou a ordem em que Deus criou o homem e a mulher, e disse que o pecado veio ao mundo quando a primeira mulher liderou. Ele afirmou que a natureza básica dada por Deus à mulher é voltada ao lar e que, ao cumprir esse papel, ela encontra salvação. Há algo de cultural nisso? 3. Há outros ainda que dizem que Paulo estava simplesmente refletindo o próprio preconceito de um rabino judeu. Paulo estava inspirado por Deus (1 Coríntios 14:37) e Pedro confirmou essa autoridade (2 Pedro 3:15–17). Os ensinos de Paulo não eram opiniões nem preconceitos pessoais. 4. Também outros dizem que os ensinos de Paulo sobre as mulheres, em vários textos, refletem sua luta interior entre um senso de justiça e uma aversão pessoal a mulheres. Sim, sendo fariseu, Paulo antes orava três vezes por dia, agradecendo a Deus por não ser nem gentio, nem escravo, nem mulher. Contudo, esse mesmo homem, após a sua conversão, disse: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque

Tendo se dirigido a todos, homens, mulheres e crianças, Paulo começou quase que abruptamente a falar no versículo 8 sobre as obrigações específicas dos homens e das mulheres como seres diferenciados pelo sexo. Ele continuou o seu discurso por todo o resto do capítulo. Aqui, quando ele disse “varões” ou “homem”, ele usou a palavra especial para o sexo masculino, que também equivale a marido. Essa palavra tem duas formas: aner e andros. Semelhantemente, quando disse “mulher” ou “mulheres”, Paulo usou o termo grego específico para mulher como ser do sexo feminino, ou esposa: gune, palavra de onde procede o termo “ginecologista”, médico de mulheres ou esposas. Instruções para Homens Quando Paulo deu instruções para o culto de adoração realizado entre grupos mistos, ele disse que os varões deveriam orar de determinada maneira e num determinado estado espiritual. Paulo disse para evitarem atitudes que interferissem a oração eficaz. Os varões devem orar Com: mãos santas; Sem: ira, animosidade.

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todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28). Paulo entendia o valor do ser humano e deixou bem claro que qualquer ser humano é valioso. 5. Alguns afirmam que Paulo apelou para trechos bíblicos duvidosos. O apelo de Paulo a esses trechos visava esclarecer declarações feitas por profetas e mestres inspirados por Deus! Ele citou o relato de Gênesis sobre a criação e o início da história da humanidade. Na verdade, Gênesis descreve a condição humana com uma clareza surpreendente. 6. Finalmente, alguns argumentam que Paulo realmente nunca fez tais declarações sobre o relacionamento dos sexos. As passagens que estudamos sobre esse assunto não teriam sido escritas por Paulo, dizem eles. Quem afirma isto parece não observar que, se essas passagens são fraudes, não devemos nos preocupar com o tema da adoração em nenhum aspecto! Sem a confiança nas Escrituras, estaremos à deriva, num mar ilimitado, sem velas e sem bússola. O mesmo apóstolo que escreveu sobre a igreja — descrevendo-a como o corpo de Cristo, a soma de todos os redimidos da terra, e o instrumento de Cristo para a salvação da humanidade perdida — é aquele que escreveu sobre a adoração coletiva dessa igreja. Ele nos deu instruções inspiradas sobre a liderança e a condução da igreja e sobre o relacionamento entre os sexos. Certa irmã disse que seria imoral Deus proibir a mulher de fazer qualquer coisa que Ele permite o homem fazer! Então, perguntei a ela: “É imoral para Deus proibir um homem solteiro de servir como presbítero ou diácono?” A BASE RACIONAL DAS DIRETRIZES BÍBLICAS A instrução de Paulo não foi um exercício autoritário sem propósitos. Ele apresentou as razões do seu ensino:
Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Todavia, [a mulher] será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanece em fé, e amor, e santificação, com bom senso (1 Timóteo 2:13– 15; grifo meu).

papel de liderança no jardim do Éden, e 4) pelo fato do papel feminino estar voltado para o lar. Essa instrução está em harmonia com todos os ensinos de Paulo sobre as mulheres exercerem autoridade de homem. As mulheres devem ensinar em determinadas circunstâncias, mas não devem pregar no púlpito, porque a pregação é feita através do exercício da autoridade. Compare 1 Timóteo 2:11 e 12 com Tito 2:15:
A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio (1 Timóteo 2:11, 12). Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze (Tito 2:15).

Na língua original, a expressão de Paulo “com toda a submissão” (1 Timóteo 2:11) utiliza a palavra hupotage, que significa “sob autoridade”1 . Paulo disse para Tito pregar com “toda a autoridade”. Essa expressão é epitage, que significa literalmente “em cima de autoridade”. Portanto, ele disse que a mulher deve estar sob autoridade, enquanto o pregador deve fazer o seu trabalho em cima de autoridade. É impossível ignorar o contraste. As mulheres não devem se dirigir à assembléia da igreja com autoridade. RESPEITO PELAS DIRETRIZES BÍBLICAS As Escrituras fornecem vários meios de se definir o devido papel das mulheres na igreja. Com base nos fatores seguintes, vemos que a mulher está em sujeição ao homem: 1) a ordem da criação divina (Gênesis 2:7, 18–23; 1 Coríntios 11:3); 2) a lei divina (Gênesis 3:16; 1 Coríntios 14:34); 3) o mandamento específico dos apóstolos (Colossenses 3:18; 1 Timóteo 2:8–15); 4) o exemplo aprovado (1 Pedro 3:5) e 5) a constituição física e emocional (1 Pedro 3:7). Reconhecer seu papel de submissão não transforma a mulher num ser inferior, mas permite que ela obedeça a Deus! Deixar de aceitar o seu papel faz da mulher um ser rebelde. E isto é pecado! Relacionamentos entre homens e mulheres são discutidos plenamente em 1 Coríntios 11:3–9: O homem é o cabeça da mulher, assim como Cristo é o cabeça do homem e Deus é o cabeça de
11 Alguns termos da língua portuguesa possuem esse prefixo, como hipoderme (“debaixo da pele”) e hipotermia (condição em que o corpo está perigosamente abaixo da temperatura normal).

O homem (sexo masculino) deve exercer a liderança em cultos públicos de adoração por quatro motivos: 1) por causa do mandamento direto e inspirado de Paulo, 2) por causa da ordem estabelecida na criação, 3) por causa do engano que a mulher sofreu e do desastre resultante dela assumir o

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Cristo. Não há ofensa nem insulto quando se reconhece que o cabeça não é superior. O cabeça não é mais digno do que os outros. O cabeça é o líder, o guia e a autoridade. A mulher está subordinada ao homem. Subordinada não significa inferior. Quem é subordinado é um auxiliador, está sob a liderança de outro, é governado por outro. A diferença não está no valor, mas na função! Sejamos justos. Será que Paulo acorrentou a mulher na cozinha, trancou-a na lavanderia, enfornou-a no quarto ou amarrou-a à guarda das crianças? Ele não sugeriu nenhuma dessas idéias, porque honrava as mulheres e valorizava a contribuição de tantas filhas de Eva ao corpo de Cristo. Muitas mulheres foram de grande ajuda para o próprio Paulo. Além disso, ele não estava sozinho ao apresentar essa visão da mulher. Nada que Paulo e qualquer outro escritor bíblico disseram sobre a subordinação da mulher contradiz com o que eles mesmos disseram sobre a parceria da mulher ao lado de Deus e do homem:
Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gênesis 1:27; grifo meu). …Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada (Gênesis 2:23). De modo que já não são mais dois, porém uma só carne (Mateus 19:6; grifo meu). …a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencréia… tem sido protetora de muitos e de mim inclusive (Romanos 16:1, 2). No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher (1 Coríntios 11:11). Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus (Gálatas 3:28). Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama (Efésios 5:28). Pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice… (2 Timóteo 1:5). Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações (1 Pedro 3:7).

CONCLUSÃO Nas Escrituras, a mulher está sempre sob o domínio (liderança) do homem (1 Timóteo 2:8– 15; 1 Coríntios 11:12). Trata-se de uma questão de função e não de valor. Essa submissão não deve de modo algum impedi-la de servir a Cristo. Os homens são responsáveis pelos papéis de liderança na família e nas reuniões públicas da igreja. Constitui pecado o homem negligenciar o seu papel, assim como é pecado a mulher tentar usurpar um papel que Deus não planejou para ela. Vamos honrar as nossas mulheres piedosas e incentivá-las a inspirarem mais mulheres a agirem como elas! ❏

Mulheres do Novo Testamento
As Famosas Ana, que estava no templo quando Jesus foi consagrado (Lucas 2:36, 37). Maria, mãe de Jesus (Lucas 1:27–30). Maria Madalena, que ministrou a Jesus e “estava lá” no Seu túmulo (Mateus 27:55–61). Maria, esposa de Clopas, que ficou junto à cruz durante a crucificação de Jesus (João 19:25). Maria, mãe de João Marcos (Atos 12:12). Dorcas, a amiga das viúvas (Atos 9:36–39). Salomé, mãe de Tiago e João (Mateus 27:55, 56; Marcos 16:1). Priscila, que, juntamente com o marido, Áqüila, ensinou Apolo (Atos 18:24–26). Febe, que entregou a carta à igreja romana (Romanos 16:1). Lídia, uma negociante piedosa de Filipos (Atos 16:14). As Infames Herodias, esposa de Filipe e Antipas (Marcos 6:17–25). Salomé, filha de Herodias, que pediu a cabeça de João Batista (Marcos 6:22). Safira, esposa de Ananias, que conspirou com ele e mentiu para Deus (Atos 5:1). Evódia e Síntique, que tiveram de ser advertidas a “pensarem concordemente” (Filipenses 4:2). Jezabel de Tiatira, que seduziu os servos de Cristo a práticas pecaminosas (Apocalipse 2:20). Ed Sanders

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