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POETAR

Um metier das musas.


Desde o incio, inquietao.
Sobressaltos e saltos dos verbos
Substantivos termulantes
Da doena que cura a razo.
Ver o que j foi visto
Amar o que foi amado
Mundo, sempre novo mundo
Por que razo,
Vejo-te assim, to diversamente?
Onde dizem sozinho, digo solido,
Onde dio, digo paixo,
Onde brilho, digo evidncia,
Onde falar, digo silncio,
Sem dizer!
Sem dizer, compreendo, tudo...
No imenso mar do que dizer no posso
O que digo, mesmo se j dito
Agora, meu, pode ser de outro, sem s-lo de todo.
palavra escrava do sentir!
De que vale existir, se no posso dize-la?
dizer diminudo, o que vale saber
Para, de novo, somente sentir?
Combate firme e tenso
Obra da estranha vontade de continuar a dizer
O indizvel que se abriga
Naquilo que se .
Cada palavra geme as dores
Do parto inusitado do espanto
Se a pronuncio, sinto que falta
O exato encanto do calar, tanto.
Sou eu, em primeira pessoa
Ali mesmo onde no mais estou
Cesso a fala
Pois, agora e antes,
O mundo falante, em mim falou.
Sinto ainda fulgurar

A fulgurante destreza da razo


ora de conte-la
Apenas logos foste e ainda sers
Cala-te!
Para sentir a quase dor do poetar.
As musas so sagradas,
No as devemos profanar
Todo dizer silncio, ao menos do essencial.
j, de novo, o poetar.