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POR, Dentineia Inquérite n” 3983 foram sendo repassados para contas no exterior de empresas offshore indicadas por FERNANDO SOARES, que se encarregou de repassar aos demais destinatérios, também mediante pagamentos no exterior. De inicio, foram identificadas 34 (trinta ¢ quatro) operagées, pelas quais JULIO CAMARGO transferiu o valor de US$ 14.564.6: FERNANDO SOARI 3,00 para diversas contas no exterior indicadas por de sua propriedade, sob © seu controle ou de terceiros indicados por ele. Os pagamentos no exterior se iniciaram em 13 de setembro de 2006 € continuaram normal- mente até junho de 2008. © valor foi pulverizado e fiacionado em diversos pagamen- tos. Discrimina-se no quadro abaixo as operagdes de pagamento desses US$ 14.317.083,00 realizadas a partir da conta n° 2009071 SAMSUNG efetuou os pagamentos (cmbém na conta da offshoy PIEMONTE INVESTMENT) dos valores de US$ 10.230.000,00, em 20 de abril de 2007, US$ 12.375.000,00 em 02 de julho de 2007 ¢ Us$ 4.000,000,00, em 28 de setembro de 2007. Destaque-se que em 03 de julho de 2007 (um dia depois do p ento da segunda parcela) NESTOR CERVERO tecebeu a visita de JULIO CAMARGO, representante da MITSUI e logo cm sequéncia FERNANDO SOARES. Em 11 de julho de 2007, houve visitas de JULIO CAMARGO. juntamente com mais um representante da MITSUI © outros dois representantes da SAMSUNG. 66 Neste sentide, PAULO ROBERTO COSTA confirmou que ja recebeu propinas por meio de FERNANDO SOARES, que as pagou em contas no exterior em outro caso, referente 3 compra da Refinaria de Passadena ¢ em telagio também a alguns contratos da Andrade Gutierrez (Processo. 5083838-59,2014.4.04.7000/PR, Evento 188, TERMO1, Pigina 3). Ademais, PAULO ROBERTO COSTA confirmou que foi com FERNANDO SOARES no exterior, para abrir uma conta em Liechtenstein (Processo 5083838-59.2014.4.04.7000/PR, BE) TERMOI, Pigina 5) uum Banco eto 188, 35 de 85 PGR, Dentineis Inquérito n° 3983 da offshore Piemont Investment Corp., no Banco Winterbothan, no Urnguai, de propriedade de JULIO CAMARGO, para as contas indicadas por FERNANDO SOARES, tr nsferéncias estas que tém_ correspondéncia nos respectivos extratos banca uanne a smwaisin loans ~ Hea seamen ta anos Winton Ts avian, Pons hse Comp? [CHA wd ain Ponvone Iman Comp | Sng aac wt Coep? | Gali Coup. oF New| 2h + oer Tt Cong = wea? 36 de 85 PGR, Deniineia Inquérito 9" 3983 src Tre Copy | Lanter = ARI Winey Tost Ganpuy| HSC = Canee/Aonane ~ aan? avon tawecnene Corp? | Waa noice ds Nope | aang TEMP Ine /Wacbois Hk Sm Waa Tne Conny stat = Accra Wines Tae Cony | Remade Hols He hve 37 de 85 PGR Dentineia Inquérito n® 3083 | fice = tne inonrraren 1 Sa ab Lg Sc how a = 7TH ey Hak = Hag RomyAc Wisin Toe rk = Mog Kop Ae Ls nc TOT terror Pomme ienere Cin? Aviom Goes Whelan tank | ABDI | ry Liesl = Assan ut Sis Ach rr ono taste Gop | eg sma ULF CHA =| Sanna 38 de 85 Par Dendineis Inquérita n* 3988 Em telagio a tais pagamentos, destaque-se que em 17 de ju- Tho de 2007 CERVERO recebeu a visita de representante do Banco Credit Suisse. Conforme visto, pouco. antes, no dia 29 de junho de 2007, houve transferéncia da quantia de US$ 200.000,00 da offshore Piamonte Investment Corp para a conta da FTP Sons Limited, justamente no Banco Credit Suisse — Zurich/ Account — 0835-920283-6. Importante destacar ainda que as autoridades suigas jt envia- ram documentagio demonstrando que a THREE LIONS ENERGY ETD (no Banco Clariden LEU Ltd ~ Zurich Iban — CH 95 0507 1026 0647 1200 0) era de propriedade de FER- NANDO SOARES" ¢, conforme visto, recebeu cerca de US$ 800.000,00 da conta da PIEMONTE INVESTMENT CORPORATION, controlada por JULIO CAMARGO". Ade- 67 Conforme documentagio enviada, a conta foi aberta em 7 de dezembro de 2006 ¢ FERNANDO SOARES aparece na qualidade de deweficial owner, conforme indica o cartio de assinatunas da refer Conferir Doc. 13 e Doc. 14 (traduga0), ambos em anexo 4 presente deniincia: 68 Essa transferéncia de US$ 800.000,00 & comprovada pelos extratos, 39 de 85, PGR, Deniincis Inguérite 0 S988 mais, referida conta repassou, em 17 de setembro de 2008, a quantia de US$ 75.000,00 para empresa offshore panamenha de nome RUSSEL ADVISORS SA, com conta bancaria na Institui— Ho Bancéria UPB, de propriedade de fato de NESTOR CER. VERO, conforme informado também pelas autoridades suigas.” bastasse, a empresa IBERBRAS INTEGRACION DE. NEGOCIOS Y TECNOLOGIA S.A - empresa offshore que rece- beu wés wansferéncias relativas A propina das sondas - em 20 de junho de 2007 (no valor de US$ 150.000,00) © duas transfer cias m 19 de outubro de 2007 (nos valores de US$ 110,000,00 ¢ US$ 59.113,00) - € ligada a FERNANDO SOARES. Tanto assim que cle se identificou, por diversas vezes, como representante da IBERBRAS ao visitar a sede da PETROBRAS.” apresentados por JULIO CAMARGO e pelos documentos encaminhados pelas autoridades suigas em relagio as contas da THREE LIONS (Conferit Docs. 06, 13 ¢ 14, todos em anexo i presente dentincia). 69 Segundo as autoridades sufgas, “[FERNANDO] SOARES, incriminado substancialmente por JULIO] CAMARGO, consta como benefici econdmico da Thice Lions Energy Ine. nos documentos bancarios; ~ em 1709/2008 ocorzeu um pagamento por parte da Three Lions Energy Ine para uma empresa offshore panamenha com nome de Russel Advisors SA, com conta bancéria na UBB, no valor de US$ 75.000,00. 6. © posterior levantamento dos documentos bancirios da Russel Advisors SA na UBP demonstrou que CERVERO, aqui acusado, & beneficiario da empresa offshore panamenha Russel Advisors SA" (Proceso 5083838- 59.2014.4.04.7000/PR, EVENTO 448 ~ OUT3). Conferit Doc. 13 ¢ Doc. 14 (tadu¢io), ambos em anexo a presente deniincia, 70 Insta salientar que a referida empresa possuti uma sucursal brasileita denominada IBERBRAS INTEGRAGAO DE NEGOCIOS (CNPJ n° 068.785,595/0001-69), a qual esti registrada em nome de HILADIO 1VO. MARCHETTI, marido de CLAUDIA TALAN MARIN, que por sua vez © proprictiria do condominio VALE DO SEGREDO GESTAO DE PATRIMONIO EIRELI (CNPJn? _ 18.573.216/0001-01), em ‘Trancoso/BA. Conforme apurado nos autos do pedido de medida cautelar de sequestro n° 5032377-14.2015.404,7000, FERNANDO SOARES 40 de 85 PGR Deniineia Inquérito 9” 3983 Ademais, também foram pagos, a titulo de propina referentes as sondas, a quantia de US$ 3.949.105,15, Tais valores foram pa- gos a partir de contas controladas por JULIO CAMARGO (mais especificamente a conta da empresa BLACKBURN VENTURE LTD e da PELEGO, esta Gltima vocacionada para 6 pagamento de propinas”) para contas também indicadas ¢ controladas, direta indiretamente, por FERNANDO SOARES, coincidentes, com excegio de uma delas (Odalisa Invest.), com as transferéncias des~ critas acima. As transferéncias ocorreram em 05 de outubro de 2006, 27 de novembro de 2006, 12 de janeiro de 2007, 25 de fevereiro de 2008, 05 de margo de 2008 e 18 de junho de 2008, conforme descritas abaixo: qurono2 [aA 5 MONE D cert Vere esrionis five = Zar lca Fay basso isan Wonne tare bevitos [ise Zurich loss tc bv.c0398 cian Wee tar 0.707 fox ~2avish fous bono, 9 bare ia Sonepat Po hare geting Cad aT arisen go tn Sse = ar |g Sng ening Eat famine USS TOTAL 3.949.105,15 possui uma mansio de fuxo no mesmo condominio VALE DO SEGREDO, bem como realizou diversas transferéncias que benefici: CLAUDIA TALAN MARIN, as quais totaliz: n cerca de RF 1.636.000,00, a A 71 Conforme declarou o proprio JULIO CAMARGO, termo ye colaboragio n.7 (Doc. 1, em anexo a presente dentincia). 41 de 85 PGR Dentineis Inquérite n® 3983 Conforme ja dito, todas as contas no exterior foram indicadas a JULIO CAMARGO por FERNANDO SOARES. Emb ra nem todas pertengam a este tiltimo, foram contas utilizadas para permitir que o dinheiro chegasse aos destinatarios j4 conhecidos da propina: FERNANDO SOARES, NESTOR CERVERO ¢ 0 denunciado EDUARDO CUNHA Assim, os pagamentos da propina transcotreram normalmente desde agosto de 2006 até meados de 2009. Ocorreu, entio, a entrega da primeira sonda, em julho de 2009. A SAMSUNG alegou questdes contratuais ¢ nio efetuou 0 pagamento da diltima parcela do contrato de comissionamento, no valor de US$ 6.250.000,000. Em consequéncia, JULIO CAMARGO deixou de repassar 0 valores da propina a FERNANDO SOARES, que cobrava os pagamentos, mas ainda de maneira “amena” Para diminuir as cobrangas, ainda em 2010, com o intuito de ntre 14 dar continuidade aos pagamentos das propinas das sondas, de setembro de 2010 © 29 de dezembro de 2010, JULIO CA- MARGO promoveu a e 3.074.408,87, através de trés operagSes de cimbio, sob a falsa ru- io © posterior reintegragio de US$ brica de investimento no exterior, com o intuito de ter disponibi- lidade de valores em “caixa dois”, para pagamento de propina. U7 Le 72 Cf. Termo de Declaragses Complementar n. 2 de JULIO CAMARGO. (Doc.9 em anexo 4 presente de 42 de 85 Pare Dentincia Inquéeite w Assim, as empresas TREVISO © PIEMONTE, de modo ofi- cial, por meio de contratos de cimbio, sob a falsa rubrica de inves mento — direto no exterior “CBLP-INV.DIR.EXT.- PARTICIPAGOES EM EMPRESAS”, remet ram, Tespectiva~ mente, US$ 1.535.985,96, US$ 950.000,00 ¢ US$ 588.422,91 para as suas contas no Banco Merry Linch, em Nova lorque, Em seguida, dando como garantia esses mestnos valores, contraiu um empréstimo nesse mesmo banco em favor da offsliore Devonshire Global Fund, empresa controlada por ALBERTO YOUSSEF: Este iltimo, por meio de 4 operagdes de cimbio, também sob a falsa rubrica “Capitais Estrangeiros a Longo Prazo” ~ Investimentos Di- retos no Brasil”, aportou o valor de US$ 3.135.875,20 na empresa SFD EMPREENDIMENTOS LTDA. » promovendo, sob a falsa rubrica de investimento estringeiro no Brasil, a internalizagio da referida quantia no territério. nacional. Em seguida, YOUSSE! disponibilizou tais valores em espécie para JULIO CAMARGO, Com tal disponibilidade, © préprio JULIO CAMARGO entregou parcela de tais valores, em espécie, pata FERNANDO SOARES.” T3Destaque-se que ALBERTO YOUSSEF nego valores enviados para a GFD tivessem relacio com 0 pagamento das propinas de sondas. Porém, isso se justifica porque ALBERTO YOUSSEF hao tinha conhecimento de gue o dinheiro em espécie ~ disponibilizado no Brasil ~ seria utilizado por JULIO CAMARGO para pagamento da propina referente as sondas. Nese sentido, Termo de Declar Complementar n. 3 de JULIO CAMARGO (Doc. 10 em ancxo 3 presente dentincia), No mesmo sentido, ALBERTO YOUSSEF no iiltimo interrogatério da ago penal 5083838-59.2014.404.7000 (CF. Doe. 3 em anexo 4 presente dentincia). Veja: “Juiz Federal: E possivel que o senhor (...) tenha feito operagdes envolvendo esses contratos dos navios-sonda, antes desses requetimentos, sem que o senhor tivese conhecimento? Interrogado: B possivel... Juiz Federal: Através do senhor Jilio Camarg, Interrogado: Sim senhor.” é inicialmente, que os a 43 de 85 PGR Deonineis Inquériva n® 3988 Assim, em sintese, houve remessa de valores para a empresa DEVONSHIRE, de ALBERTO YOUSS 5 para levantar dinheiro em espécie © posterior conversio em reais, para entrega no Bras por JULIO CAMARGO para FERNANDO SOARES. Porém, com a entrega da segunda sonda, mais uma vez a SAMSUNG se recusou a pagar a diltima parcela do contrato de comissio, alegando descumprimento das condigdes _contratuais previstas.” Em razio disto, JULIO CAMARGO comunicou FER- NANDO SOARES sobre o problema da suspensio dos pagamen- tos pela SAMSUNG. FERNANDO SOARES foi incisivo, afirmando que a responsabilidade pelo recebimento dos valores era de JULIO CAMARGO e que no poderia esperar mais, pois pos- suia compromissos inadijveis. Afirmou a JOLIO CAMARGO: “Eu tenho 0s meus compromissos do meu lado, que sito irrevogdveis ¢ eu nao posso dar este tipo de explicagio que voc esté me dando”, FER- NANDO SOARES inclusive orientou JULIO CAMARGO a quitar os valores devidos a titulo de propina com seus recursos pessoais.”” Cerca de uma semana depois, FERNANDO SOARES ca nova reuniio com JULIO CAMARGO, no escritério deste 4, limo. C 74 Cf. Termo de Declaragdes Complementar n. 2 de JULIO CAMARGO. (Doe. 9 em anexo 4 presente dentincia). 75 No Termo de Declaragées Complementar n. 2 de JULIO CAMARGO (Doc. 9 em anexo a presente dentincia), 44 de 85, eat PGR Dentincia Inquérito x” 3988 A partir de entio, surgiu expressamente 0 nome do denunciado EDUARDO CUNHA como destinatario dos valores. Nesta oportunidade, FERNANDO SOARES a LIO CAMARGO: firmou a JU~ “Estou vindo na qualidade de seu amigo ¢ na dltima vez disse que tinha compromissos inadié is € quero te dizer © seguinte: Fu tenho um compromisso com 0 De- putado EDUARDO CUNHA”’* FERNANDO SOARES entio, esclarecen a JULIO CA MARGO que tinha um saldo a pagar de 5 milhées de dé- lares para o Deputado EDUARDO CUNHA, em razio desse “pacote” das sondas. FERNANDO SOARES ainda afir- mou a JGLIO CAMARGO que EDUARDO CUNHA tealizaria um tequerimento perante 0 Congreso Nacional, em nome de JOLIO CAMARGO e das empresas que este tiltimo represer como forma de pressiona-los a retomar 0 pagamento das propinas. Por fim, FERNANDO SOARES ainda disse que o denunciado EDUARDO CUNHA estava sendo “extremamente agressivo” na cobranga e que criaria dificuldades com os contratos ja firmados € os ainda em negociagio na PETROBRAS, de interesse de JULIO / CAMARGO.” 76 CE. Termo de Declaragdes Complementar n. 2 de JULIO CAMARGO. (Doc. 9 em anexo A presente denéneia). Em jutzo, perante a 13* Vara de Curitiba, JULIO CAMARGO também confirmou (Processo 5083838- 59.2014.4.04.7000/ PRL evento 553 —VIDEO10 e evento 586) 77 CE. Termo de Declaragdes Complementar n. 2 de JULIO CAMARGO (Doc. 9 em anexo 3 presente dentincia) 45 de BS PaR Demineia tnquérita n° 3983 Assim, para pressionar © retorno dos pagamentos das propi- nas, 0 denunciado EDUARDO CUNHA realmente concreti- zou as ameacas feitas, a partir de julho de 2011. Nesse sentido, © denunciado EDUARDO CUNHA, va- lendo-se do poder inerente ao seu cargo, passou a pressionar pelo restabelecimento do pagamento das propinas por meio de dois re- querimentos p\ Controle da Camara dos Deputados (CFFC). ante a Comissio de Fiscalizagio Financeira e Para tanto, valendo-se da atuagio da denunciada SOLANGE, também de seu Partido (PMDB) ¢ sua aliada politica”, proprio denunciado EDUARDO CUNHA elaborou dois requerimentos, perante a referida Comissio (C pagio nos fatos, o denunciado EDUARDO CUNHA FC). No entanto, para dissimular sua p. elaborou os requerimentos em nome da entio Deputada e ora de- nunciada SOLANGE ALMEIDA, do PMDB, com assinatura também do Deputado SERGIO BRITO.” 2 & 78 A proptia SOLANGE ALMEIDA afirmou, em discurso politico no ano de 2014, a telagio préxima com EDUARDO CUNHA. SOLANGE também confirmou isto em seu depoimento. 79SOLANGE solicitou auxilio do Deputado SERGIO BRITO, mas nio ha, até © momento, qualquer indicio de seu envolvimento com os fatos Na época, SERGIO BRITO era pre Financeita de Controle (CFFC) ¢ assinou apenas a versio impressa dos re= querimentos, de maneira manuscrita, conjuntamente com a entio De tada SOLANGE. Porém, a insergio do requerimento no sistema foi feita pela entio Deputada Federal © ora denunciada SOLANGE ALMEIDA, (atual_prefeita de Rio Bonito/RJ). Ouvido sobre o tema, © Deputado SERGIO BRITO confirmou que atuou a pedido da denunciad’ SO- LANGE ALMEIDA, por esta no ser integrante da CFFC e por ser prixt © Presidente assinar, e que nio tinha nenhuma participagio ativa nos refe- ridos requerimentos (fl. 368/370) ente da Comissio de Fiscalizagio 46 de 85 Par Detmineia Inquérite n” 3983 Assim, 0 denunciado EDUARDO CUNHA claborou 0s dois requerimentos, logado no sistema Active Directory da Camara dos Deputados como 0 usuario “Dep. Eduardo Cunha”, utilizando sua senha pessoal e intransferivel. Os arquivos dos requeri- mentos criados por EDUARDO CUNHA teceberam os meta dades do usuario logado no momento de sua criagio ~ “Dep. Eduardo Cunha”. Annbos requerimentos sio datados de 07 de julho de 2011 € protocolados na Comis jo de Fiscalizagio Financeira e Controle no dia 11 de julho de 2011. © primeiro requerimento, de n. 114/2011-CCFC, tinha por objetivo que fossem “solicitadas a0 Tribunal de Contas da Unido informagSes sobre auditorias feitas aos contratos do Grupo Mitsui com a Petrobris ou qualquer das suas subsididrias no Brasil ou no Exterior”. segundo requerimento, de n, 115/2011 ~ CCFC, por sua vez, tinha por intuito que fossem “solicitadas ao Ministro das Mi- nas e Energia, Senhor EDISON LOBAO, informagdes ¢ cépia do todos os contratos, aditivos © respectivos processos licitatérios, en- volvendo o Grupo Mitsui e a Petrobras e suas subsidise sil ou no Exterior”, aN, no Bra- 80CF. se extrai do depoimento de Luiz Atonio de Souza da Eira © das informagSes prestadas pela Diretoria-Geral da Camara dos Deputados por mneio dos Offcios ns° 59, 62 € 63/2015-DG, em cumprimento a requisigio clo STP nos autos da agi 47 de 85 PER Demineiy Inquérito "3983 Importante destacar, desde logo, que ambos os requerimentos foram baseados em justificativas genéricas e falsas"'. Nao se mencionou qualquer noticia conereta veiculada na imprensa ow qualquer dado objetivo que pudesse identificar as supostas inroga- laridades mencionadas. Inclusive, a contritio do que constou na Justificativa, na época no havia qualquer noticia jornalistica men- cionando fraudes envolvendo JULIO CAMARGO ou as emrpres mencionadas,* A justificativa era a seguinte: “Virios contratos envolvendo a construgio, operagio ¢ financiamento de plataformas ¢ sondas da Petrobras, eclebrados com 0 Grupo Mitsui, contém especulag incias de improbidade, superfaturamento, juros clevados, auséneia de licitagao ¢ beneficiamento a esse grupo que tem como cotista o senhor Jilio Camargo, conhecido como intermedidio, Nesse contexto, requeiro que seja adotada providén. cia necessiria por esta douta Comissio, a fim de acompanharmos todo o andamento dos referidos contratos ¢ verificarmos a procedéncia de tais de. niincias” 82JULIO CAMARGO confirmou que na gpoca dos requerimentos (julho de 2011) nio havia qualquer noticia mencionando seu envolvimento com es de den fraudes € que seu nome somente foi ligado a irregularidades apds a defla- grigtio da Operacio Lava Jato, Cf Termo de Deckaragdes Complementar n. 2 de JULIO CAMARGO (Doc. 9 em anexo a presente deniincia). Ade- mais, pesquisas no banco de dados de dois grandes jornais (Escudo de S, Paulo ¢ Folha de S. Paulo) ¢ de uma Revista (Veja), todos de abrangéncia nacional, nio apontaram qualquer envolvimento de JULIO CAMARGO com fiaudes da PETROBRAS naquela época € muito menos que fosse “conhecido como intermedidrio”, conforme constou no requerimento, Em pesquisa com © nome JULIO GERIN DE ALMEIDA CAMARGO, tno acervo do jornal Folha de $. Paulo (desde 1921 até 0 presente), nio constou nenhum resultado entre os anos de 1984.€ 2013, Disponivel em hup://acervo.folha.com.br/resultados 2%C39 ALIO+ GERIN+DE+ALMEIDA+CAMARGO&site=eperiodo acervoRx=168y=9, Da mesma forma, pesquisa no acervo da Revista Veja (heep://veja.abril.com.br/acervodigital/), entre 1980 ¢ 2009, com as mesmas expresses de pesquisa, resultow negativa. Nas pesquisas no acervo do Jornal O Fstado de S. Panto, com os termos mencionados JULIO GE. RIN DE ALMEIDA. CAMARGO) forom encontradas 11 ocorréncias en- tre 1990 a 2000, todas envolvendo corridas de cavalo ¢ nenhuma ligando fraudes com a PETROBRAS. De 2000 a 2013 nao aparece nenhum outro a 48 de 85 Dentincia Inquérito n” 398% © teor da justificativa do requerimento j4 era indicative de que se bus cava no um objetivo republicano, mas sim, especific ‘mente, “investigar” apenas as pessoas e empresas envolvidas no pa- gamento de propinas, que haviam cessado tais pagamentos, como forma de constrangé-las. Os requetimentos 114 © 115/2011 foram autenticados (ou seja, incluidos no sistema da Camara)" pelo gabinete da entio De- resultado (hetp://acervo.estadio.com.br/ procura/#1/%22} %C3%IALIO+GERIN +DE+ALMEIDA+CAMARGO %22/ Acervo/acervo). Todas as noticias envolvendo 0 nome de JOLIO CAMARGO com o esquema di PETROBRAS sio datades de 2014 2015, apés a deflagragio da Operagio Lava Jato. No mesmo sentido, os Relatérios de Pesquisa. 509/2015, 510/2015 © 483/2015, todos ca SPEA/PGR (Does. 15 ¢ 16, em anexo 4 presente dentincia), contirmaramn que nio havin noticia de inregularidades em 2011 em relagio MITSUI/TOYO © PETROBRAS, JULIO CAMARGO ¢ MITSUI/PE- TROBRAS. Da mesma forma, 0 Presidente: da CFFC, SERGIO BRITTO, que assinou o requerimento juntamente com SOLANGE AL- MEIDA, afirmou que “nunca tinha ouvido falar em Grupo MITSUI, nem na pessoa de JULIO CAMARGO”. A propria SOLANGE ALMEIDA. a0 ser ouvida, disse nao se recordar dos envolvidos, 83 Importante esclarecer, ainda que sumariamente, como funciona o Sistema Autenticador da Camara dos Deputados, © parlumentar interessado em submeter uma proposi¢io parlamentar pode fazé-lo de duas formas: a pro- osigio pode ser feita maneita fisica, em papel, com a assinatura do parla mentar, ou por documento no formato word ~ editor de texto utilizado na Ciara -, que posteriormente € insericlo no Sistema Autenticador conver~ tido para formato pdf: No primeiro caso ~ se 0 requerimento for apresen- tado em papel ~ 0 documento é escaneado e convettide em formato pif para set disponibitizado pela internet, sem necessidade de se utilizar do Sis tema Autenticador da Cémara, pois ji consta a assinatura do parlamentar Porém, se @ proposi¢io for apresentada em formato word, hd necessidade de ser urtilizado o sistema Autenticador da Camara, pata girantir a autentici- dade (oma vez que nfo hi assinatura) € para assegurar que 0 arquivo word & © mesmo que seri apresentado pelo parlamentar 3s Comissdes ou a Secre- (aria Geral da Mesa. Os dois requerimentos (0. 114 © 115/2011 CFEC) fo- tam criados em formato word c, assim, inseridos no sistema Autenticador Por fim, apés a inclusio do arquivo word no Sistema de Autenticagio, & g rado um ndmero, que & impresso pelo purlamentar © conferide no mo= mento di apresentagio fisica, com sua assinatura, Importante apontar que 49.de 85 oe PER Deniincia Inquérite 3983 putada SOLANGE ALMEIDA, de néimero 585. Destaque que a denunciada SOLANGE ALMEIDA nio era integrante ou suplente da Comissio de Fiscalizagio e nao havia apresentado ne~ nbum outro requerimento 4 CFFC naquele ano. Inclusive, na sessio do dia 03 de agosto de 2011, na Reamiio Ordinaria da Co- missio de Fiscalizagio Financeira ¢ de Controle, a denunciada SOLANGE ALMEIDA, mesmo confirmando niio ser da Comis~ sio, esteve pessoalmente na reunio ~ 0 que nao era comum"™ - e defendeu a aprovagio dos requerimentos 114 ¢ 115." sistema Autenticador guarda as informagdes relativas ao log, que indica a daca, hora, matricula, maquina, etc, da pessoa que insert 6 arquivo no sis- tema, Posteriormente, 0 arquivo em formato word — inserido no Sistema Autenticador - € convertido em formato pdf, para divulgagio pela rede mundial de computadores. Nesta conversio, alguns metadados — inform ges acopladas que constam ‘word se transmitem automaticam indo © autor, com exc um novo arquivo. Foi © que acontecen em relagio ao autor dos arquiivos dos requerimentos n. 114 ¢ 115/2011 CFEC, identificado nos metadados fanto dos arquivos originais (em formato word) quanto os convertidos ¢ acessiveis por qualquer pessoa (em formato pdf) como “Dep. nha”, 84 Veja, nesse sentido, o Relatério das Atividades da Comissio de Fiscalizagio Financeira e Controle da Cimara dos Deputades no ano de 2011 (Doc 46, em A presente dendincia), No mesmo sentido, o depoimento de SER- GIO BRITTO, Presidente da CFFC na época. 85 Sobre © tema, SERGIO BRITTO afirmou que ndo es comum que o autor original do inteiro teor do requerimento estivesse pre dleliberativa da CFFC, uma vez que o pleito ji havia sido subscrito. por algum integrante membro dt CFEC. sse sentido cépia da ata ¢ do audio da referida ata. Na transcrigio Et constou, no minuto 00:02:43, a seguinte passagem da denunciada SOLANGE sobre 0 Requetimento n. 114: “E, nio sou dessa comissio né mas, € , tenho © conhecimento também deises fatos ¢ a gente quer apurar a ver Macris de que ele diz que a gente tem que ter acesso is informagdics, né, enti nds estamos aqui pedindo, & as informagdes pra que a gente possa s propriedades do arquive — do arquivo fe para © arquivo em formato pdf inclu Jo da data de criagio do arquivo, pois se trata de do Cur ado Vanderlei ‘dade deles ¢ af também concordo com o dep saber se existem ou nio veracidade nas deniincias". Em relagio a0 Requerimento n. 115, a deputads SOLANGE ALMEIDA afirmou 50 de 85, PGR, Dentineis Inquérito n° 3988 Por n, nao ha diividas de que o verdadeiro autor, material ¢ intelectual, dos requerimentos foi o denunciado EDUARDO CUNHA. Isso € confirmado pelas informagées dos metadados constan- tes dos arquivos dos requerimentos ~ ou seja, daclos acoplados que constam nas propriedades dos arquivos. Apurou-se que os arquivos do requerimento n. 114/2011 CFFC e do requerimento n. 4115/2011 CFFC, constantes do préprio sitio da Camara dos De- putados em formato pdf efetivamente registram em seus me- tadados, no campo autor, “Dep. Eduardo Cunha”. Sobre tais informagdes constantes nos metadados, a Secretaria io n° 126/2015~ Pesquisa ¢ Anilise da PGR. produziu a Informa SPEA/PGR, na qual se demonstra que, em relago aos requeri- mentos 114 e 115/201, apresentados em 7 de julho de 2011, consta no campo “autor” do documento o nome do Deputado EDUARDO CUNHA: (00:04-28):"“E a mesma sitagao do anterior, entio é somente pra gente ter acesso as informagées”. Ver, neste sentido, Relatério de Informagio n. 002/2015 — SPEA/PGR. 51 de 85 vor. Demineia haquerins a 3988 ARQUIVO EME FDE- REQUERIMENTO 114-2011 | ide) season Fontes Peas vance moe RLU NL CHR [Pepto Cosa t eater Marat one AROUIVO EM PP HROUEIIMENTO 52011 > agian Fates ye REQUISO1 CHC stn [en foto Além disso, informacdes _prestadas pela Diretoria-Geral da Camara dos Deputados nos autos da Agio Cautelar n, 3865 per- mitem confirmar que os arquivos originais dos requerimentos, em PGR, Dentineis tnquérite w formato word (.dox), também registram em seus metadados o autor “Dep. Eduardo Cunha” ¢ foram criados em horirios nos quais usudtio “Dep. Eduardo Cumha” estava logado no sistema de Dire- trio da Camara dos Deputados. De acordo com o officio n 63/2015-DG, “FORAM identificados registros que atestam que a ce nta de usuario em nome de Eduardo. Cosentino da Cunha (De- putado Federal) estava logada no Sistema Active Directory da Ci- mara dos Deputados no dia 07/07/2011 entre 11:58 e 12:19, periodo que compreende os supostos horiitios de criagio dos do~ cumentos (12:02 ¢ 12:05), conforme metadados dos arquivos ori ginais no formato .doc obtidos do sistema Autenticador”. Destaque-se que o nome cadastrado do denunciado EDU- ARDO CUNHA no Servigo de Diretério (Active Directory) da Cimara era realmente “Dep. Eduardo Cunha” ¢ que essa identifi- casio ~ ou seja, a informagio do autor ~ é feita por meio de uma senha, pessoal e intransferivel Referidas informagdes demonstram que os dois requerimen- tos foram efetivamente elaborados pelo Deputado Federal EDU- ARDO CUNHA, que estava logado no sistema da CAmara dos Deputados no momento de criagio dos arquivos utilizando sua se- tha pessoal ¢ seu login de rede, e apenas inseridos posteriormente no Sistema Autenticador de proposigdes legislativas pela entio De~ putada Federal SOLANGE ALMEIDA.” 87 LUIZ ANTONIO SOUZA DA EIRA afirmou: “Que, questionado seo Deputado EDUARDO CUNHA enviasse um documento elaborado com seu fegin para_o gabinete da Deputada SOLANGE ALMEIDA, par que autenticasse, apareeia o documento como sain na imprensa, responde que 53 de 85 PGR Demincia Inquérite n® 4983 Nao bastassem tais elementos, outros confirmam que foi o demmciado EDUARDO CUNHA 0 autor dos reféridos reque rimentos. De inicio, SOLANGE ALMEIDA e EDUARDO CU- NHA, além de pertencerem ao mesmo Partido, eram préximos.* Por sua vez, 0 colaborador ALBERTO YOUSSEF trouxe essa informagio a luz, afirmando que EDUARDO CUNHA era o responsavel pela formulacio de requerimentos para pressionar JU- LIO CAMARGO, por meio de interpostos Deputados,”” quando sim 88 Ouvids, SOLANGE ALMEIDA, embora negue que EDUARDO CUNHA tenha pedido para ela formalar os requerimentos, confirmot tal Proximidade com cle, afirmando que seu selacionamento com EDUARDO CUNHA se estreitow ao longo de seu: primeiro mandato, recebeu_doagdes do PMDB do Rio e do PMDB nacional em sua campanha de 2010 que apoiou 6 Deputado EDUARDO CUNHA na tiltima cleigio _para_o Congreso Nacional. Afirmou, ainda, que o Deputado EDUARDO CUNHA esteve em Rio Bonito/RY por duas ou trés_vezes cm sua_campanha para Deputado Federal em 2014, tendo SOLANGE ALMEIDA estado com ele nos eventos de csmpanha 89 ALBERTO YOUSSEF em seu Tetmo de Colaboragio n. 13, prestado no dia 13 de outubro de 2014, afirmou: “QUE durante © aluguel, a SAM- SUNG suspendeu 0 comissionamento que era pago em fivor de JULIO CAMARGO no exterior referente @ tal locagio, embort continuasse a prestar e a receber da PETROBRAS os valores devidos a titulo de aluguel do navio plataformat...); QUE diante da paralisagio do pagamento das co- misses, JULIO CAMARGO deixou de repassar tal dinheiro a FER- NANDO SOARES; QUE EDUARDO CUNHA, por conta disto, fealizow uma representagio perante uma comissio na Cimara dos Depu clos, ¢ neki pediu informagées junto 4 PETROBRAS acerca da MITSL TOYO c JULIO CAMARGO; QUE requisitou q sem prestadas pel PETROBRAS, sendo que na realidade isso foi uny sub terfiigio para fazer pressio em JULIO CAMARGO a fim de que este voltasse a efetivar os pagamentos a FERNANDO SOARES que, por sua vez, 08 repassatia ao PMDB”. c tais informagdes fos 54 de 85, Dendineia Inguérita "3983 hem sequer os metadados do arquivo eram conhecidos e ninguém mais apontava a participagio do referido denunciado. Analisando todos os 32 requerimentos elaborados pela entio Deputada SOLANGE ALMEIDA em seus dois mandates, inchi- sive os apresentados em datas proximas aos requerimentos n. 114 & 115, nenhum outro requerimento apresentava os metadados do Deputado EDUARDO. CUNHA, a no ser os acima menciona- dos (n. 114 € 115). Imports apontar, ainda, que os requerimentos n. 114 ¢ 115 nao guardavam a menor pertinéncia temitica com a pauta parla mentar de SOLANGE ALMEIDA.” A maio: a de seus requeri- mentos refere-se a temas ligados 4 area de saide © a0 desenvolvimento econdmico do Estado do Rio de Janeiro, nunca tendo tratado, como ela propria declarou, de pauta de atuagio Ii gada & fiscalizagio de verbas piblicas. Questionada, disse que 1 a da pessoa de JULIO CAMARGO ou das em- m sequer se record presas mencionadas.” Ademais, 08 requerimentos referentes a0 Grupo MITSUL ¢ a PE TROBRAS apresentam, em seu conteiido ¢ escopo, desvio de padrio de objeto dos requerimentos usualmente apresentados pela 90 Conforme InformagSes_n.126/2015-SPEA/PGRe 141/2015- SPEA/PGR. 91 A maioria dos seus tequerimentos refere-se a temas ligados © que pode ser explicado pelo fato de ser médica veterinsria, ef, Informa Go n. 141/2015-SPEA/PGR. 92. Ouvida, SOLANGE ALMEIDA confirmou que nio se lemt extrait a motivagio para formular o requerimento relative 3 Petrobras € que 0 ter parlamentar desse requerimento no se inseria em suas pautas de attagio 55 de 85 Par Deni ica Inqquérite BORA entio Deputada SOLANGE ALMEIDA. em toda a sua trajetéria no Congresso Nacional, pois jamais apresentou requerimentos so- licitando a Srgios piblicos informagées ou de cépia de documen- tos, pois seu perfil de atuagio ¢ no sentido de fomentar debates ¢ audiér s pliblicas.” Nao por coincidéncia, a andlise dos requeti mentos do denunciado EDUARDO CUNHA permite verificar que ele s¢ valeu de requerimentos para solicitar informacSes e c6- pia de documentos a drgios publicos em mimero consideravel de vezes.™" mentos 114 € 115 se nt dos apresentados por SOLANGE ALMEIDA em sua tra- Também no aspecto formal os requ afasta Jetétia como congressista, aproximando-se daqueles apresentados por EDUARDO CUNHA.” 93.CE Informagio n, 141/2015-SPEA/PGR. 94. CE Informagio 1. 141/2015-SPEA/PGR. 95 Em primeiro lugar, além dos requerimentos n. 114 © 115/201 1, referentes a0 Grupo MITSUI © PETROBRAS, a entio Deputada utilizou em ap. has quatro outros requerimentos (Requerimentos n, 105/2007, 421/2009, 453/2009 © 12/2011), a palavra “justificagio” para intitular o segmento do texto que fundamento do requerimento, sendo que em todos os denis ow ndo havia estrutura de titulo ou utilizow a palavra “justificativa”. A segunda importante observagio € que, antes de 2011, a denunciada SOLANGE ALMEIDA nunca conchuiu seus requerim des nabre Pares para aprovajo deste reguerimento", © que passou a ser fie~ quente apés apresentago dos requerimentos alusivos a0 Grupo MITSUI e a PETROBRAS. Por sua vez, em diversos requerimentos apresentados pelo Deputado EDUARDO CUNHA foram encontradas essas doas a os requerimentos formulados entre os anos de ntos com o pedido de "apoio tacteristicas formais, Em va 2008 e 2013 foi utilizado 0 sezmento de findamentagio intitulado como "justificagdo" © cm pelo menos cinco requerimentos de sta auttor' apresentados nos a nos de 2011 ¢ 2012, os quais tazem, na conelusio, 6 pedido de apoio de seus pares. 56 de 85 PGR Denducis Inquévito u® 3988 Interessante reiterar, conforme visto, que, na data © hora exata em que os requerimentos 114 e 115 foram criados, 0 denunciado EDUARDO CUNHA se encontrava “logado” no sistena, assim como a entio Deputada SOLANGE ALMEIDA.” Nio existit nenhum desdobramento dos referidos requeri- mentos, indicando que a finalidade deles nao era investigar ou fis~ calizar. A propria denunciada SOLANGE afitmou que, “en geral, 45 respostas a requerimentos tinham desdobramentos”.” No entanto, com a resposta do TCU, nada obstante houvesse elementos para continuidade das apuragdes (em especial o envolvimento da PE- TROBRAS com empresas em paraiso fiscal),"* nenhuma medida 96 Agio Cautelar n, 3865. Interessante apontar que, embora a entio Deputada SOLANGE ALMEIDA stivesse também logic no mesmo diac horirio (Oficio n, 62/2015-DG, datado de 05/05/2015), seu nome de usuirio nfo constou como autora nos metadados dos arguivos dos requerimentos, como seria usual se ela realmente tivesse criado os arquivos 97 Depoimenta prestado no dia 18 de margo de 2015, 98 Em resposta a0 Requerimento n, 114/2011-CCFC, 0 TCU afirmou que nao havin apuriges no imbito do Tribunal e nio identificou fraudes envolvendo, especificamente, a construgio, operagio ¢ financiamento de plataformas ¢ sondas (Acérdio n, 2747 TCU Plenirio). No entanto, 0 Tribunal afirmou que registrou a existéncia de dois processos (n° TC 013.321/2006-3 ¢ TC 010.462/2007-6), nos quais se mencionava a participagio do grupo MITSUI em contratagées com a Petrobras em outios | empreendimentos, mais especificamente com 0 projet CABIUNAS. Referido projeto se constituiu em uma Socicdade de Propdsito Especifico (SPE) denominada CAYMAN CAIBUNAS CO LTDA, localizada nas has Cayman (notdrio paraiso fiscal), © controlada pelo grupo MITSUI, que adquiriu ativos da PETROBRAS © que, no excerto do teferide acérdio, havin mengio 4 necessidade de fiscalizagio cspecifica. Tanto assim que a decisio pleniria do TCU. no referido proceso ((10.462/2007-6) foi no sentido de realizar apuragio espec por parte do Tribunal, visando apurar eventuais irregularidades em ‘operagdes semelhantes, envolvendo a criagie de Sociedade de Propésitos Expecificos com a Participagio minoritéria da PETROBRAS. Veja 0 que constou: "(...) Outw aspecio que deve mercier apwragito especfica por parte desta Corte & a celebnagio pela Petwhas de conttos como ‘operadona de ativos' de 57 de 85 PR Deniincis Inquérite uw" 3983 foi tomada pela Comissio de iscalizagio ou pela entio Deputada SOLANGE. Em consequéncia, o requerimento 114/201 foi ar- quivado em 21 de margo de 2012.” Da mesma forma, 0 Ministério das Minas ¢ Energias encami- nhou resposta da PETROBRAS, apresentando as informagdes so- licitadas.'"" Porém, da mesma forma, nenhuma providéncia foi propriedade de empresas como a Cayman Cabitinas tnvestnents sediadas em paralsos fiscais, B de indaar-se como tal empresa uliewigena tornou-se proprietiria de ativos loealizadas dentro de uma refinaria da Petrobras (Refinaria Duque de awias ~ Reduc) ¢, nas palavras dos gesiores, “om ama eaacerstca fovtemente estiatéyiea, ima vex que objetion assegurar 0 abastecinento de gis natunl, especianente térntce, sendo fundamental para a garantia do sistensa Elttvico 0 Sul-Sudeste'. 8.2.3.2. O projeto Cabittnas se constitui de wna SPE denominada Ciymnan Cabitinas Investments Co. Led. (CCIC), lvcalizada nas Was Cayman, que através de recursos préprios (US$ 85 milhses) e de divida contiaida no merade financcite (US$ 765 mithses), adquire da Petrobras os ativus do projeta € as isponibitiza para uso da pripria Petwhnas através de um coutrato de Teasin.(...) Em fungio dos aspectos abordaclos, foi determinada a Segecex a sealiz de fiscaliz ‘io especifica visanclo apurar a legalidade, legitimidade economicidade das operagécs envolvendo a criagio de Sociedades de Propésito Expecifico (SPE) sediadas no exterior © com participagio minoritéria da Petrobras (item 9.2 daquela decixto)” 99 Isso & confirmado por JULIO CAMARGO. Em reuniio ocortida no final de 2011 entre JULIO CAMARGO ¢ EDUARDO CUNHA, par tratar do pagamento restante da propina, JULIO CAMARGO questionou sobre © resultado do requerimento, oportunidade em que CUNHA afirmou que somente iriam receber a documentagio © encerrariam, No Termo de Dechragdes Complementar n, 2, JULIO CAMARGO (Doe. 9 )) afirmou: “QUE inclusive © declarante chegou a tratar do requerimento feito na Camara com EDUARDO CUNHA durante a reuniio, assim como a ligagio do Ministto LOBAO, ¢ perguntou a EDUARDO CUNHA como se encerratia esta question do requerimento; QUE entio EDUARDO CUNHA disse para nao se Preocupar, pois somente iriam receber a documentagio e iriam encerrar; QUE ficou nitido na reuniio que © requerimento na Camara partin de EDUARDO CUNHA” 100 Nessas informagées, a PETROBRAS informou que © Grupo MITSUI, cmbora hastante amplo, possuia seis contratos relacionados 3 consteugi operagio e financiamento de plataformas © sondas (todos cles com y m= presa Mitsui Ocean Development & Engineering Co. Ltda) em anexo a presente dentine / 58 de 85 PGR Denmineia Inquérite 1° 3983 tomada pela entio Deputada SOLANGE ALMEIDA ¢ o reque rimento 115/2011 foi arquivado em 5 de margo de 2013, em ra- zio de ter, supostamente, aleangado 0 fim a que se destinava Destaque-se que era de atribuigio do autor do requerimento - no caso, formalmente, SOLANGE ALMEIDA - acompanhar sew andamento junto i Comissio,'”' O denunciado EDUARDO CUNHA ji se valeu dos servi- gos de SOLANGE ALMEIDA em outra oportunidade, da mesma forma, com 0 intuito de pressionar a SCHAIN ENGE- NHARLIA, que estava em disputa com LUCIO BOLONHA FU NARO, pessoa que possui antigo contato com EDUARDO CUNHA." Apurou-se que SOLANGE ALMEIDA formulou o Requerimento 333/2009, datado de 11/11/2009, perante a Co- 101 Nese sentido, em depoimento, SERGIO BRUTTO afirmou: “QUE, normalmente, cabia a0 autor do tequerimento exercer 0 acompanhamento de sett andamento junto 3 comissio; QUE niio recorila de ter sido cobrado por SOLANGE ALMEIDA, nem por qualquer outta pessoa, sobre 0 andamento dos requerimentos 114 ¢ 115" 102 Realmente, LUCIO BOLONHA FUNARO cta 0 representante de fato pret CEBEL ~ CENTRAIS ELETRICAS BELEM SA, empresa responsivel pela Pequena Central ica (PCH) de APERTADIHO, em Rondénia, Com o objetivo de consteuir a PCH de APERTADIHO, a CEBEL contratou os servigos di SCHAIN ENGENHARIA, Porém, a Usina se rompeu em 09 de janeiro de 2008, conforme amplimente veiculado na midia. Passa a haver uma deckarada disputa entre a BELEM CENTRAIS HIDRELETRICAS ¢ a SCHAIN ENGENHARIA sobre a responsabilidade pelo agamento do seguro da obra e, assim, pelas danos causados. Ein seguida, como niio hi entre FUNARO © 0 grupo SCHAIN, surgem dezenas de requerimentos no Congresso Nacional, dentre eles 0 da Deputada SOLANG ALMEIDA. © envolvimento de EDUARDO CUNHA © LUCIO BOLONHA FUNARO é antigo, [dentificou-se gue FUNARO pagava as despesas da tesidéncia do denunciado EDUARDO CUNHA cm um Hotel em Brasilia, assim como também dew “carona” em seu jato particulat a0 Deputado, 59 de 85 Dentineia Inquérite w 3084 mnissio de Seguridade Social e Familia, solicitando informagdes so- bre a SCHAHIN.' Deve-se destacar que, mais uma vez, 0 reque- rimento nfo tina nenhuma relagio com a pauta de atuagio parlamentar da denunciada SOLANGE ALMEIDA. Nao bastassem tais elementos, o denunciado EDUARDO CUNHA alterou sua versio repetidas vezes para tentar justificar sua participagio nos fatos A primeira versio aptesentada pelo denunciado EDUARDO CUNHA, em 12 de marco de 2015, foi negar, inclusive perante seus pares na CPI da PETROBRAS, que tenha elaborado qual- quer requerimento para quem quer fosse € que nfo poderia res- ponder pelos atos dos demaisparlamentares. Afirmout textualmente: “Cada tun & responsavel peto seu mandato” ¢ “clada umn responde pelos seus atos”!° 103 Esse requerimento “solicita sejam convidados © Senhor Paulo Fernando Lermen, Promotor de justiga; 0 Senhor Guilherme Medeiros dias, Centrais Elérieas Belém S/A - CEBEL; 0 Senhor Francisco José Silveina Pereira Perito do Juizo; 0 Senhor Milton Schahin, Presidente da Schahin Enge- nharia S/A e os Senhores representantes dos Fundos de Pensio: PETROS, PRECE © CELOS, a fim de prestar esclarecimentos sobre os prejuizos causidos peli interrupgio do empreendimento da Batragem da Pi Apertadinho em Vilhena/RO”, 104 Perante a CPI da PETROBRAS o der afirmou:“ (...) Cada um é conhecimento do que alguém faz ow deixa de fazer? Cada um responde pelos seus atos. Alissa Deputada Solan, vista, que cu vi na televisio, no programa Fanti nciado EDUARDO CUNHA responsivel pelo seu mandato. Como eu tenho Imeida dew nota pablica, entre~ tico, de domingo, rha- tendo (...)”. Depois foi ainda mais assertivo: “Com relag 0 a0s olange, mas também do Deputado Sérgio Brito. O Parlamentar nio precisa sequer requerimentos da Deputada Solange, no foi, aliis, so da Deputada § submeter a uma Comissio um requerimento de informagoes ao Tribunal dle Contas, Faz parte do seu mandato a sua prerrogativa constitucional de solicitar requerimento de informagdes dirctamente. Nio é preciso sul meté-lo a Comissio alguma, B eu ( “ 60 de 85 io estou aqui para comentar 0 coy fe POR Dentincia Inquérite 1° 30H3 Ao ser constatado que os metadados dos arquivos apresentarn © nome “Dep, Eduardo Cunha”, o denunciado EDUARDO CU- NHA, em 28 de abril de 2015, apresentou a implausivel versio de fraude, como se alguém buscasse incriminé-lo, em razio da dife- renga entre as datas dos arquivos, tendo inclusive demitido o chele do Setor de Informatica da Camara.” Porém, a diferenga entre as datas ocorreu em razio do lapso temporal entre a inseryio do ar- quivos dos requerimentos em formato word no Sistema Autentica- dor ¢ a sua posterior conversio para 0 formato pdf) nio tendo havido qualquer fraude nisso. Ao contri io, tratava-se de pro mento completamente normal na época." A propria Cimara dos Deputados informou que nio houve alteragio nos arquives refe- rentes aos requerimentos 114 e 115.1" Confrontado com tais informagdes, 0 denunciado EDU- ARDO CUNHA, no dia 29 de abril de 2015, apresentow nova versio: a de que a entio Deputada SOLANGE ALMEIDA, por tidlo do mandato de quem quer que seja. A quem faz seus atos, no exerci cio de seu mandato, cabe explicar se assim entender que deve” (CPI da PETROBRAS, Audiéncia Pablica, REUNIAO No: 0074/15, DATA 12/03/2015, Notas taquigrificas, p.26 - Doc. 7 cm anexo a presente den Gncia), Destaque-se que EDUARDO CUNHA cx teresse ent ser interrogado durante © presente inquérite, 105 Alegou que isso supostamente seria confirmado pela data de claboragio do arquivo “pdf”, que seria datado de julho de 2011 ¢, assim, posterior 3 data do requetimento (apresentado em julho de 2011). 106 Na época, a conversio do arquivo word inserido no sistema em pdf para samente negou in~ que pudesse ser divulgado, tardava cerca de trinta dias. Isso pode ser confir- mado por todos os requerimentos elaborados no mesmo dia (07 de julho de 2011), que foram convertidos em péfna mesma data ou em data bas tante proxinia, Neste sentido, depoimento de LUIZ ANTONIO SOUZA DA FIRA e as informagdes da Ca © motivo da diferenga de data 107 Cf. Officio n. 62/2018-DG, nara dos Deputados, em que se explic © 0 fancionamento do sistema. constante do Doc, I1, em anexo a den G1 de 85 oo PGR Deniurcia Inqudrita w" 3988 ser cla uma Deputada inexperiente, teria se valido dos servicos do gibinece do denunciado EDUARDO CUNHA. Poréin, mais uma vez a versio se mostra inverossimil. Nao ha via motivo razofvel para a entio Deputada SOLANGE AL- MEIDA ter se valido dos servigos do gabinete de EDUARDO CUNHA. Ela tinha na época seus proprios servidores e seus pré prios computadores ¢ no haveria motivo paca solicitar ajuda a um Deputado que nio possuisse nenhum relacionamento com o pe- dido, em especial por se tratar de pedido bastante simples ¢ roti~ neito, Ademais, os gabinetes. de EDUARDO CUNHA SOLANGE ficavam em anexos distintos!, e a propria denunci- ada SOLANGE afirmou que nio frequentava o gabinete de EDUARDO CUNHA. Por fim, a propria denunciada $O- LANGE afirmou nio ter pedido ajuda ao denunciado EDU- ARDO CUNHA para realizar referidos tequerimentos.!” ‘Todos esses elementos jé indicavam que os requerimentos ha- viam sido utilizados pelo denunciado EDUARDO CUNHA, com a participagio consciente da denunciada SOLANGE AL- MEIDA, como uma forma de pressionar a continuidade do paga~ 108 Enquanto SOLANGE ocupava 0 Gabinets 0. 585, situado no Aneso Ill, EDUARDO CUNHA ocupava © Gabinete 510, situado no Ancxo IV, Informagéies disponiveis em p://www.camara.gov.br/internet/Deputado/dep_Detalhe.asp? TANTS. 109 Em nova oitiva, SOLANGE ALMEIDA negou que tivesse auviliado ou reeebido auxilio do demneiado EDUARDO CUNHA na realizagio dos tequerimentos ¢ que mio se tecordava de ter utilizado o gabinete del embora nio tenha sabido explicar 0 motivo pelo qual aparecia o nome de CUNHA nos requerimentos Gi 62 de 85 PGR Deniineis inguceiv 0” 3988 mento das propinas estabelecidas ¢ que os valores, a0 menos em parte, eram destinados ao denunciado EDUARDO CUNHA. Logo apés tomar conhecimento do envolvimento de EDU- ARDO CUNHA no destino dos valores ¢ de saber da existéncia dos requerimentos no Congresso, no dia 31 de agosto de 2011, JULIO CAMARGO foi ao gabinete do etitio Diretor da PE TROBRAS, PAULO ROBERTO COSTA, no Rio de Janeiro!” € solicitow auxilio deste tiltimo para realizar uma reuniio urgente com o Ministro das Minas ¢ Energias EDISON LOBAO, destina~ tirio de um dos requerimentos formulades no Congreso Nacio- nal.!!! A reuniio entre JULIO CAMARGO e 0 Ministro das Minas e Bnergias ficou marcada para aquele mesmo dia, na Base Area do Santos Dumont, entre 18 e 19 horas. JULIO CAMARGO, no local ¢ horitio marcado, reuniu-se, entio, com © Ministro EDISON LOBAO, por volta das 19 ho- tas.'* Apés relatar ao Ministro que se considerava F q PMDB”, JOLIO CAMARGO, esclareceu que havia ficado sur- 110 Conforme relatrio de entradas na sede da PETROBRAS, JULIO CA- MARGO realmente entrou no prédio no dia 31 de agosto de 2011. Da mesma forma, consta entrada do motorista de JOLIO CAMARGO, PAULO ROBERTO CAVALHEIRO DA ROCHA, na PETROBRAS: no dia 31 de agosto de 2011. CE. Relatorio de Pesquisa SPEA 710/2015 (Doe, 38, em anexo d presente deniineia). 111 No Termo de Declarages Complementar n.2 (Doe. 9 em anexo 4 pre~ sente deniincia), JULIO CAMARGO confirmou a reuniio com PAULO ROBERTO COSTA PAULO, Bste tiltimo também confirmou referida reuniio com JULIO CAMARGO na PETROBRAS. Nesse sentido, ver termo de acareagio realizado no dia 21 de junho de 2015 entre JULIO GERIN DE ALMEIDA CAMARGO e PAULO ROBERTO ¢ (Doc. 18, em anexo 3 presente deniincia “amigo. do 63 de 85 Por Dentiuicis Inquérite 9° 3983 Preso com um requerimento da entio Deputada SOLANGE ALMEIDA, solicitando todos os contratos da MITSUI para serem apurados, inclusive da atuagio de JULIO CAMARGO, De imedi- ato, EDISON LOBAO espontaneamente disse: “Isto é coisa de EDUARDO", referindo-se a0 Deputado EDUARDO CUNHA. Interessante apontar que JULIO CAMARGO em momento al- gum havia feito men¢io a0 nome de EDUARDO CUNHA, mas apenas ao requerimento da denunciada SOLANGE ALMEIDA. Imediatamente 0 entio Ministto LOBAQ, na fiente de JULIO CAMARGO, ligou para EDUARDO CUNHA e disse: “EDU: 112 Essa reuniio entre JULIO CAMARGO € 0 Ministro EDISON LOBAO é confirmada por diversos elementos. De inicio, pelo Termo de Dechara- ses Complementar n. 2 de JULIO CAMARGO (Doe. 9 em anexo 4 pre Sente dentincia). Da mesma forma, pelo depoimento de PAULO ROBERTO COSTA, conforme termo de acareagio com JULIO CA- MARGO (Doc. 18 em anexo 3 presente denineia). Ainda, pelo depoi- mento do motorisca de JULIO CAMARGO, PAULO ROBERTO CAVALHEIRO, que confirmou que levou JULIO CAMARGO até refe- rido local (Doc. 25 em anexo a presente dentincia). Ademais, oficiado ao Ministro de Minas ¢ Energias, solicitando e6pia da agenda do entio Minis to EDISON LOBAO, verifica-se que no dia 31 de agosto de 2011 cle r almente possuia comptomisso no Rio de Janeiro. Segundo sva agenda, partit, em avido da FAB, is 15 horas de Brasilia para 0 Rio, visando parti cipar de Reuniio do Comité Estratégico do Programa Rio Capital da Energia, que ovorteria no Palacio da Guanabara. Tal evento ocorreu entre 17 © 19 horas. Cf, Informagio n° 216/2015 da SPEA/PGR, (Doc. 44 em anexo 4 presente deniincia). Neste mesmo dia, 31 de agosto de 2011, con forme visto, JULIO CAMARGO visitou a PETROBRAS, assim como sett motorista, Por fim, a Aeroniutica, oficiada, confirmou que o motorista dle JULIO CAMARGO, PAULO ROBERTO CAVALHEIRO DA RO- CHA, adentrou na Base Aérea do Santos Dumont, no dia 31 de agosto de 2011, as 19h10min, conduzindo um veiculo Toyota placa EIT 6566, cor Prat, com destino ao auditério (Cf. Doc. 27, em anexo presente dentin cia). Este veiculo estava tegistrado em nome de uma das empresas d LIO CAMARGO, a PIEMONTE, em 2011 (CE. Relatorio de Pesq 708/2015, da SPEA/PGR ~ Doc. 37, em anexo & presente dentincia) 64 de 85, eX POR Dendineis Inquérito 9” 3983 ARDO, eu estou com 0 JELIO CAMARGO agui av men lade, voce eongueceu?” ! No entanto, mesmo com a intervene’ do Ministro das Mi nas ¢ Bnergias, a pressio niio c ou Em nova reuniio com FERNANDO SOARES, poucos dias depois, JULIO CAMARGO informou ter procurado 0 Ministro das Minas e Energias. Porém FERNANDO SOARES foi taxative € disse a JULIO CAMARGO: “Voeé pode falar com quem vocé guise, enquanto nie pagar 0 que vocé deve, a presse continuart cada vex maior” "4 JOLIO CAMARGO, entio, buscou resolver a questio direta- mente, O débito residual nesta época era de aproximadamente US$ 15 milhdes de ddlares."" De inicio, JULIO CAMARGO solicitow o auxilio do doleiro ALBERTO YOUSSEF, em razio da atuacio politi ‘a deste Gltimo, chamando-o com urgéncia ao seu escritério em Sio Paulo Apos relatar a ALBERTO YOUSSEF que estava softendo presses por parte de FERNANDO SOARES, JULIO CA- MARGO esclareceu a ALBERTO YOUSSEF que EDUARDO CUNHA era o destinatirio de parte dos valores ¢, por isto, teria pedido a Deputados que enviassem oficios por meio de uma Co- 113 CAMARGO (Doe. 9 em an 114 CE Termo de Dev (Doc. 9 en i 115 CETermo de Declarag (Doc. 9 em anexo nplementar n, 2 de JULIO CAMARGO. e incia). dl Z s Complementar n. 2 de JULIO CAMARGC eres deniincia).