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Projeto Curricular do Ensino Fundamental, segundo o educador e psicólogo César Coll

Projeto Curricular do Ensino Fundamental, segundo o educador e psicólogo César Coll

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Publicado porElias Celso Galveas
Um bom Projeto Curricular não é o que oferece soluções prontas, fechadas e definitivas aos professores, mas, sim, aquele que lhes proporciona elementos úteis para que possam elaborar, em cada caso, as soluções mais eficientes e adequadas em função das circunstâncias particulares nas quais exercem sua atividade profissional.

Estimular a inovação e a criatividade pedagógicas, favorecendo um âmbito integrador e coerente é, sem dúvida alguma, a finalidade que deve ser perseguida por todo Projeto Curricular. Não é suficiente dispor de Projetos Curriculares cuidadosamente elaborados, cientificamente fundamentados, e empiricamente contrastados; também é preciso impulsionar seu desenvolvimento, convertê-los em verdadeiros instrumentos de trabalho e de indagação.
Um bom Projeto Curricular não é o que oferece soluções prontas, fechadas e definitivas aos professores, mas, sim, aquele que lhes proporciona elementos úteis para que possam elaborar, em cada caso, as soluções mais eficientes e adequadas em função das circunstâncias particulares nas quais exercem sua atividade profissional.

Estimular a inovação e a criatividade pedagógicas, favorecendo um âmbito integrador e coerente é, sem dúvida alguma, a finalidade que deve ser perseguida por todo Projeto Curricular. Não é suficiente dispor de Projetos Curriculares cuidadosamente elaborados, cientificamente fundamentados, e empiricamente contrastados; também é preciso impulsionar seu desenvolvimento, convertê-los em verdadeiros instrumentos de trabalho e de indagação.

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PROJETO CURRICULAR DO ENSINO FUNDAMENTAL, SEGUNDO CÉSAR COLL Considerações sobre o Livro "Psicologia e Currículo", de César Coll.

Por Elias Celso Galvêas

Educador e escritor, César Coll também é professor das disciplinas "Psicologia Evolutiva" e "Psicologia da Educação", na faculdade de psicologia da "Universidade de Barcelona". O professor César Coll é um importante pensador que influenciou - de maneira profunda e significativa - a reforma educativa ocorrida na Espanha, além de figurar como uma presença marcante na reforma educacional brasileira - tendo sido, inclusive, um dos consultores na elaboração dos nossos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais). Diversos são os livros desse autor que, publicados no Brasil, vêm influenciando inúmeros educadores espalhados por todo o território nacional.

O EDUCADOR E ESCRITOR, CESAR COLL:

PRIMEIRA PARTE Capítulo I César Coll é um emérito pesquisador espanhol, com relevantes serviços educativos prestados para seu país, principalmente no tocante à formulação e implementação da reforma curricular. No Brasil, César Coll trabalhou como consultor do MEC na elaboração dos "Parâmetros Curriculares Nacionais", a serem aprovados pelo Conselho Nacional de Educação, e serviram como marco referencial para o estabelecimento de diretrizes pedagógicas do "Ensino Fundamental". Os resultados de César Coll fundamentam-se principalmente nas teorias de Piaget e Vigotsky, bem como Ausebel e Bruner, e traduzem uma proposta baseada nos princípios construtivistas e psicopedagógicos, ou seja, uma interação entre a pedagogia e a psicologia, como parâmetros da ação educativa. Em seu livro "Psicologia e Currículo", César Coll se propõe (no Capítulo 4º) a formular um plano curricular estratégico que procura abordar os conteúdos através do que é mais geral e simples ao mais particular, detalhado e complexo; do assunto que possui natureza mais concreta àquilo que é mais abstrato; o ensinar de forma psicogenética e aprender de forma histórico-crítica. Basicamente, o modelo de projeto curricular de Coll parte de uma discussão sobre a finalidade da educação, das relações entre aprendizagem, desenvolvimento e educação, atentando igualmente às funções do currículo em relação ao planejamento do ensino, em linhas gerais. Na elaboração de uma Proposta Curricular, César Coll considerou que as seguintes exigências devem ser atendidas:

1. a proposta deve ser concreta, operacional, flexível e fácil de ser utilizada, em um período razoável de tempo; 2. o projeto curricular formulado deve ser concreto, garantindo continuidade através da estruturação ordenada e coerente de cada disciplina, respeitando as diferenças de cultura locais (ou regionais), bem como os diferentes níveis ou etapas da escolarização considerada obrigatória; 3. o modelo proposto deve ser flexível em relação às exigências epistemológicas dos conteúdos abordados (língua materna e estrangeira, matemática, Ciências, Estudos Sociais, Artes, tecnologia, educação Física, etc.). Lembrando que epistemologia significa: "estudo crítico dos princípios, hipóteses e resultados das Ciências já construídas, e que visa determinar os fundamentos lógicos, o valor e o alcance objetivo delas. (...)"; e 4. a proposta deve ser baseada no modelo aberto de currículo, de modo que tenha flexibilidade suficiente de adaptação em função do acelerado ritmo de transformação dos tempos atuais, bem como se adaptar às características gerais dos alunos em questão. Além dessas exigências básicas, três aspectos devem ser considerados imprescindíveis: · Relacionar o currículo a um projeto social e cultural, dentro do contexto da sociedade atual (componente sociológico). Isto equivale dizer que o currículo não deve ser apenas de natureza puramente técnica; · Viabilizar a concepção construtivista: como se ensina e como se aprende; e · Insistir na atenção à diversidade de capacidades, interesses e motivação dos alunos - ênfase ao conceito de Inteligências Múltiplas, que está diretamente relacionado às propostas construtivistas. Assim, em relação às fontes do currículo, podemos observar três principais vertentes contrastantes, mas não excludentes: os "progressistas"; os "essencialistas"; e os "sociólogos". Os progressistas "destacam a importância de estudar a criança a fim de descobrir seus interesses, seus problemas, seus propósitos e suas necessidades" vertente psicopedagógica -, sendo estas informações de enorme importância para a determinação dos objetivos curriculares. "Os essencialistas, por seu lado, consideram que os objetivos devem ser extraídos de uma análise da estrutura interna dos conteúdos de ensino, das áreas de conhecimento" - tal vertente é geralmente formada por especialistas adeptos à linha científico-cognitivista. A tendência sociológica, por fim, acredita que a fonte de informação principal para selecionar os objetivos curriculares encontra-se "na análise da sociedade, dos seus problemas, necessidades" imediatas e de suas características estruturais

básicas. Para a elaboração estrutural de um currículo de ensino moderno, todas as tendências acima devem ser consideradas. Por isto, não se pode tentar compreender cada uma de maneira isolada quando se analisa um projeto curricular, pois apenas a conjugação das três vertentes que trarão importantes contribuições para a concretização de um currículo adequado às necessidades gerais dos alunos. Capítulo II A elaboração de um projeto curricular pressupõe a tradução, em relação à funcionalidade, de três princípios considerados básicos: (1) ideológicos; (2) pedagógicos; e (3) psico-pedagógicos. Portanto, o currículo é um elo entre: · a declaração dos seus princípios e objetivos gerais, bem como uma prévia prescrição de sua aplicação operacional; · a teoria educacional e a realidade do aluno e do meio ambiente que o cerca - o que irá gerar a prática pedagógica observável no dia a dia; · o planejamento educativo e a ação pedagógica; · entre o que se prevê, ou seja, o que é prescrito, e o que realmente acontece em sala de aula. Segundo César Coll, em seu livro "Psicologia e Currículo": "(...) o crescimento pessoal é o processo pelo qual o ser humano torna sua a cultura do grupo social ao qual pertence [processo de apropriação cultural], de tal forma que, neste processo, o desenvolvimento da competência cognitiva está fortemente vinculado ao tipo de aprendizagem específicas e, em geral, ao tipo de prática dominante". A finalidade primordial da educação é promover o crescimento integral dos seres humanos, e isto significa educá-los para um determinado tipo de sociedade. Isto pode acontecer de duas maneiras: 1. uma pessoa educada é a que se desenvolveu, que evoluiu de níveis inferiores no meio físico-social até a níveis superiores; ou 2. uma pessoa educada é a que aprendeu um conjunto de conceitos, explicações e habilidades, práticas e valores que caracterizam uma determinada cultura - e que, por isto permitem a adaptação do indivíduo no seio de tal cultura. Cada uma dessas interpretações pressupõe uma ação pedagógica diferente e, portanto, currículos diferentes. Dentro de uma civilização tecnologicamente avançada como a nossa, a ação pedagógica deve

potencializar as linhas naturais do desenvolvimento cognitivo e afetivo, mais do que a aprendizagem específica o faria (Kohlberg). De acordo com o enfoque cognitivo-evolutivo, o crescimento que a ação pedagógica deve potencializar (ou catalisar) é o que segue as linhas naturais do desenvolvimento, pois, numa sociedade tecnologicamente avançada, existem sempre limites para a cognição natural e informal de seus componentes. Segundo Kohlberg e Mayer, a psicologia do desenvolvimento - que enfatiza aprendizagens específicas - constitui o único ponto de partida para as metas educacionais, constituindo-se a única forma existente capaz de anular os efeitos reprodutores e conservadores da educação formal. Porém, cabe observar que: "Do ponto de vista da alternativa que interpreta o crescimento educativo como resultado de aprendizagens específicas, critica-se o enfoque cognitivo-evolutivo e denuncia-se o caráter circular de seus argumentos: se as aprendizagens específicas introduzissem modificações nos universais do desenvolvimento cognitivo (as estruturas operatórias), estes deixariam de ser universais; o que os define como tais é precisamente sua relativa impermeabilidade à influência de fatores ambientais específicos". Resumindo, a controvérsia existente na interpretação do crescimento educativo (como desenvolvimento) pode ser colocada nos seguintes termos: enquanto o enfoque cognitivo-evolutivo considera que a meta primordial da educação deve ser promover, facilitar e acelerar os processos naturais e universais do desenvolvimento, o enfoque alternativo considera que a educação deve ser orientada para a promoção das mudanças que dependam da aprendizagem. César Coll considera que ambas posturas contêm parte da verdade, mas não concorda com processos evolutivos e processos de aprendizagem "química" puros, vistos isoladamente. Portanto, Coll confere ênfase à diferença entre Cultura e a Educação. A Cultura engloba aspectos múltiplos: conceitos, linguagem, ideologia, costumes, tradições, valores, crenças, tipos de organização familiar, econômica, social, etc. - aspectos culturais estes que não podem ser ignorados na elaboração de um currículo. Já a Educação, tanto no sentido formal quanto informal, designa o conjunto de atividades em que um grupo propicia a seus membros a aquisição da experiência social historicamente acumulada. O CONCEITO DE CURRÍCULO "(...) entendemos o currículo como o projeto que preside as atividades educativas escolares, define suas intenções e proporciona guias de ação adequadas e úteis para os professores, que são diretamente responsáveis pela sua execução. Para isto, o

currículo proporciona informações concretas sobre o que ensinar, quando ensinar, como ensinar e quando, como e o que avaliar. (...)" Que papel desempenha o currículo nas atividades educativas escolares? Qual sua principal função ? A primeira função do currículo, sua razão de ser, é a de explicitar claramente o projeto, o objetivo, as intenções e o plano de ação que preside as atividades educativas escolares. Os componentes do currículo podem agrupar-se em quatro capítulos: 1. proporcionar informações sobre o que ensinar; 2. proporcionar informações sobre quando ensinar; 3. proporcionar informações sobre como ensinar; 4. proporcionar informações sobre o que, como e quando avaliar. O Projeto Curricular deve igualmente levar em conta cada um dos grandes estágios do desenvolvimento cognitivo teorizado por Jean Piaget: · sensório-motor: 0-2 anos, aproximadamente; · intuitivo: 2 a 4/5 anos; · pré-operatório: 4/5 a 7/8 anos; · operatório-formal (per. Das operações concretas): 7/8 a 11/14 anos. Deve-se levar em conta o que o aluno é capaz de aprender sozinho e o que necessita da ajuda do professor. O ensino eficaz é aquele que considera o que já é significativo para o aluno, respeitando o nível de desenvolvimento do mesmo, não o deixando jamais acomodar, mas sempre o fazendo progredir em direção a novas "zonas de desenvolvimento proximal". Se o novo material de aprendizagem se relacionar de forma substantiva e não arbitrária com o que o aluno já sabe, estaremos diante da aprendizagem significativa. Se, ao contrário, o aluno se limitar a memorizar, sem estabelecer relações com seus conhecimentos prévios, estaremos diante da aprendizagem repetitiva, memorística ou mecânica (Ausubel, Robinson, Novak). A aprendizagem significativa requer duas condições: (a) o conteúdo deve ser significativo, isto é, ser utilizável pelo aluno, quando necessário; e (b) o aluno deve estar motivado. Ademais, cabe distinguir entre a memorização mecânica e repetitiva, de escasso interesse, e a memorização compreensiva - que é saudável e positiva. - Aprender a aprender: o objetivo mais ambicioso da educação é o de realizar

a aprendizagem útil e significativa - para quem aprende - através de um confronte de esquemas de conhecimento, que se constituem em estruturas de informações e dados. Assim, o objetivo da educação passa a ser a modificação dos esquemas de conhecimento, através da revisão, do enriquecimento, da diferenciação, da construção e reconstrução de dados, da coordenação progressiva das informações, etc. - sempre em conformidade com o modelo das estruturas cognitivas de Piaget. Entre as questões prévias na formulação do Projeto Curricular está a "elaboração do currículo", que poderá oscilar em dois extremos: a concepção centralizadora (fechada), em que o currículo estabelece prévia e minuciosamente os objetivos, o material didático adotado e os métodos que os professores irão utilizar; e a concepção descentralizadora (aberta), onde essas tarefas competem exclusivamente ao professor ou a uma equipe de professores (descrição maniqueísta de Wickens). César Coll dará preferência à concepção aberta de elaboração curricular, posto que ela apresenta uma maior flexibilidade, o que permite ao professor ser capaz de mudar suas estratégias no decorrer do processo educativo, mudando o plano curricular de acordo com as necessidades vigentes. O PROJETO CURRICULAR PARA O ENSINO FUNDAMENTAL DE CESAR COLL - capítulos III e IV Aprender não significa, apenas, tomar conhecimento e reter na memória. A nova abordagem construtivista representa uma nova metodologia de construção do conhecimento, no quadro da ação educativa e na interação do processo ensino (professor)/aprendizagem (aluno). A preocupação fundamental não o simples acúmulo de conhecimento, mas sim selecionar informações a fim de saber o que fazer posteriormente com elas, ou seja, capacidade para administrá-las e gerenciálas. Ao tratar de configurar o caráter prático da relação ensino/aprendizagem, a idéia básica consiste em identificar: quem aprende, como se aprende, porque se aprende e para que se aprende. Existem duas formas de aprendizagem baseadas no desenvolvimento teorizadas por Piaget: a aprendizagem repetitiva, memorística ou mecânica e a aprendizagem significativa. Na aprendizagem repetitiva, o aluno se limita a memorizar, sem saber para que serve o conhecimento. Na aprendizagem significativa, o aluno enriquece o que já sabe (conhecimento prévio) com os novos conhecimentos, garantindo não só a continuidade da aprendizagem, mas permitindo ir galgando níveis superiores de conhecimento. Esse é o enfoque cognitivo-evolutivo, a ação pedagógica que visa a potencializar as linhas naturais do desenvolvimento cognitivo e afetivo. O QUE ENSINAR? O Projeto Curricular proposto por Cesar Coll traduz uma visão do ponto de vista do ensino e não propriamente da aprendizagem. O seu Projeto Curricular compreende quatro capítulos: 1) o que ensinar; como ensinar; quando ensinar; e que, como e quando avaliar. Assim, as atividades educativas escolares caracterizam-se por ser atividades

intencionais, o que significa que tratam de responder a alguns propósitos (objetivos) e a perseguir a consecução de algumas metas (resultados). Coll cita Hameline, que propôs a expressão "intenções educacionais" para designar: "os enunciados mais ou menos explícitos dos efeitos esperados em um prazo mais ou menos longo e com maior ou menor certeza e interesse pelos educadores, alunos, planejadores e responsáveis educativos, sem esquecer a sociedade na qual ocorre o processo educativo". A partir dai, Coll estabelece que uma das tarefas do Projeto Curricular é: "proceder à análise, classificação, identificação e formulação das intenções que presidem o projeto educacional". Um bom Projeto deve conter: - inventário e a seleção das intenções possíveis - a formulação de objetivos educacionais para guiar e planejar a ação pedagógica - a organização e sequenciação temporal das intenções - a avaliação, que consiste em verificar se a ação pedagógica corresponde às intenções. A questão básica, diz Coll, é passar das intenções à formulação, ou seja, da formulação das intenções à formulação (enunciado) dos objetivos. Possivelmente, a mais acurada classificação das intenções educativas é a de Hamelina: 1) finalidade; 2) metas educacionais,; 3) objetivos gerais: finais e intermediários; e 4) objetivos específicos ou operacionais. Por outro lado, Romiszowski enumera como vias de acesso à concretização das intenções educativas: 1) o conteúdo, isto é, as matérias concretas; 2) as atividades; e 3) os resultados, considerando, numa especulação esquemática, três elementos: 1) o input (conteúdo); 2) o output (resultado); e 3) o processo mecanismo que vai do input ao output. Por outro lado, em sentido um pouco distinto, Bruner considera que os efeitos desejáveis da educação não devem dar tanta ênfase aos conhecimentos específicos, mas, sim, à aquisição de destrezas cognitivas. Segundo Bruner, o aluno deve ser ensinado de tal forma que, no futuro, possa continuar aprendendo sozinho, isto é, deve adquirir capacidade para identificar a informação relevante, interpretá-la, classificá-la e relacioná-la com a informação adquirida anteriormente. Para tanto, diz Bruner, sugere-se os seguintes objetivos educativos: - desenvolver na criança um processo de colação de perguntas; - ensinar uma metodologia de pesquisa; - desenvolver a capacidade da criança para formular hipóteses e tirar

conclusões; - e realizar discussões em classe, escutar os colegas e expressar suas próprias opiniões. Um ponto importante na elaboração do Projeto Curricular é a relação ou interação entre o aluno e o conteúdo (matérias), que alguns autores chamam de "encontro". Klafki propõe cinco critérios básicos para a seleção adequada do conteúdo: 1) a importância da matéria em relação a sua representatividade; 2) sua relevância na vida atual dos alunos; 3) a influência que deverá ter na vida futura dos alunos; sua estrutura material e significativa; seu grau de adequação ao nível de interesse e de compreensão dos alunos - É difícil, porém, entender como isso poderia ser feito em se tratando de uma turma com 30 ou 40 alunos, cuja origem, o nível econômico, as vocações e os interesses bastante heterogêneos. Para Schwab, a análise das matérias e de suas estruturas substanciais deve ser o elemento orientador do planejamento do ensino. Já para Brugelmann, inspirado em Eisner, os "currículos abertos" são os projetos de ensino que não aludem ao comportamento final do aluno, limitando-se a indicar situações nas quais se realizará a aprendizagem. PARTE II Elaboração do Projeto Curricular De um modo geral, consideram-se duas posturas extremas em relação aos currículos: uma postura centralizadora e uma descentralizadora. No primeiro caso, temos o currículo completo e acabado, como minúcias de objetivo, contendo matérias didáticas e métodos de ensino; os professores apenas executam o currículo. É o que alguns autores chamam de "modelo fechado". No segundo caso, a responsabilidade na formulação do currículo recai sobre o professor ou equipe de professores, com inteira liberdade. É o "modelo aberto". No primeiro caso o ensino é idêntico para todos os alunos, enquanto que no "modelo aberto" concede-se grande importância às diferenças individuais e os objetivos são definidos em termos gerais para permitir sucessivas modificações. Optando pelo "modelo aberto", Cesar Coll propõe concretizar as intenções educativas tendo como fonte (via de acesso) os resultados esperados e os conteúdos (matérias). QUANDO ENSINAR - o "feeling" do momento A primeira questão de quando ensinar está evidentemente relacionada aos diferentes ciclos de ensino obrigatório: Pré-Escola (3 a 6 anos), Ciclo Inicial de EGB - Ensino Geral Básico (6 a 8 anos), Ciclo Médio de EGHB (8 a 11 anos),

Ciclo Superior de EGB (11 a 14 anos) e Primeiro Ciclo de Ensino Secundário (14 a 16 anos). Embora mantendo a distinção entre análise de tarefas e análise de conteúdos, Coll admite que ambas tem a mesma finalidade. A análise de tarefas está relacionada com a lógica pedagógica, que consiste em estabelecer seqüências de aprendizagem. Em linhas gerais, diz Coll, o procedimento a seguir e o seguinte: "Em primeiro lugar, analisar as tarefas relacionadas aos objetivos; segundo, estabelecer uma seqüência de atividades; terceiro, averiguar se os alunos que observam esta seqüência aprendem melhor que outros". Gagné propõe a distinção entre cinco possíveis tipos de aprendizagem escolar: 1) habilidades motores; 2) atitudes; 3) informação verbal; 4) habilidades intelectuais e 5) estratégias cognitivas. A idéia de hierarquia conceitual no processo de ensino, como desenvolvidas nos trabalhos de Ausubel, é caracterizada por uma seqüência descendente, que parte dos conceitos gerais, passa pelos conceitos intermediários e chega aos conceitos específicos. César Coll não concorda com essa hierarquização de conceitos, principalmente por deixarem de lado aspectos importantes de uma técnica de trabalho escolar (página 99). O inconveniente das hierarquias conceituais está não só na ampliação do próprio conceito de conteúdo, como nos critérios de sua sequenciação. Entretanto, Coll considera que o esquema mais completo e coerente de sequenciação é o sugerido por Posner e Strike, com cinco grandes categorias de relações: fatuais, conceituais, de indagação, de aprendizagem e de utilização. Os teóricos da elaboração costumam apresentar sua proposta sobre a melhor forma de organizar o ensino, utilizando a analogia de uma filmadora, cuja objetiva permite passar do plano de conjunto (do geral) para o plano dos detalhes específicos (para o particular). Daí que a elaboração de uma panorâmica global (epítone) constitui o primeiro passo. Segundo a teoria da elaboração, os conteúdos de ensino se classificam em três tipos fundamentais: conceitos, princípios e procedimentos. O conceito designa o conjunto de objetos e situações, o princípio trata das mudanças do objeto ou da situação(relações de causa e efeito) e o procedimento se refere às ações destinadas a alcançar uma meta. Quanto à questão da sequenciação entre os diversos Ciclos, Coll admite que, do ponto de vista prático, pode-se partir dos Objetivos Gerais para indagar: "(...) que tipos de habilidades e de comportamento serão necessários para a criança tornar-se um adulto ativo e interagir com os demais membros da sociedade" (pag.119).

COMO ENSINAR? Recapitulando as noções básicas anteriores, alguns autores (Ausubel, Novak) consideram que: "o currículo ocupa-se apenas do que será ensinado e, assim, após a definição e sequenciação dos objetivos e conteúdos, coloca-se a questão sobre como melhor ensinar para atingir esses objetivos e o domínio dos conteúdos/matérias" (pag.134). Sob esse aspecto, Coll reafirma: "o que ensinar, quando ensinar e como ensinar são três aspectos do currículo intimamente interrelacionados", embora reconheça o papel específico de cada um no processo de elaboração do Projeto Curricular. Nesse contexto, na perspectiva construtivista, é importante considerar a questão da ajuda pedagógica que o professor pode dar ao aluno, o que leva a formular uma série de princípios relativos à maneira de ministrar o ensino. Tais princípios, incluindo no Projeto Curricular, devem considerar: - as características individuais dos alunos. - as características individuais estão sujeitas a evolução. - o que o aluno é capaz de aprender depende, sobretudo, da ajuda pedagógica. - a verdadeira individualização consiste em ajustar o tipo de ajuda pedagógica às características e necessidades dos alunos. - O Projeto Curricular deve incluir critérios gerais e exemplificá-los, mas não deve recomendar um método de ensino determinado. O Princípio Da Globalização Do ponto de vista psicológico, o princípio da globalização traduz a idéia de que a aprendizagem não se realiza mediante simples adição de novos elementos à estrutura cognitiva do aluno. A aprendizagem significativa é, por definição, uma aprendizagem globalizada na medida em que o novo conhecimento se relaciona com aquilo que o aluno já sabe. "(...) Quanto mais complexas, variadas e numerosas forem as relações estabelecidas entre o novo conteúdo da aprendizagem e os elementos já presentes na estrutura cognoscitiva do aluno, mais profunda será a sua assimilação e maior será a significatividade da aprendizagem realizada, isto é, maior o número e maior riqueza de significados poderão ser atribuídos à nova aprendizagem". Assim, é importante lembrar que a seqüência elaborativa deve incluir a realização periódica de resumos, de recapitulações, de sínteses e revisões globais do material de aprendizagem. Temos, então, que as questões relativas ao modo de ensinar, isto é, como ministrar o ensino devem incluir dois princípios básicos: a concepção construtivista e os critérios de ajuda pedagógica.

A Estrutura do Projeto Curricular "(...) os objetivos gerais constituem um marco de referência útil para o planejamento educacional, mas, devido à sua ambiguidade, não oferecem diretrizes claras e precisas para o projeto de atividades ensino/aprendizagem. Isto torna necessária, (...), a formulação de objetivos concretos ou objetivos de aprendizagem, definidos como enunciados relativos a mudanças válidas, observáveis e duradouras no comportamento dos alunos". - (César Koll, página 68). Conforme destaca César Coll, as finalidades do sistema educacional são as afirmações de princípio sobre as funções que este deve desempenhar. Os Objetivos Gerais do ensino obrigatório são as finalidades do sistema educacional atribuídas ao conjunto do ensino obrigatório. Os Objetivos Gerais de Ciclo definem as capacidades que os alunos devem ter adquirido ao final do ciclo correspondente do ensino obrigatório. Esses objetivos contemplam pelo menos cinco grandes tipos de capacidades humanas: cognitivas ou intelectuais; motoras; de equilíbrio pessoal (afetivas); de relação interpessoal; e de inserção e atuação social. Os Objetivos Gerais de Área indicam as capacidades que o aluno deve ter adquirido em cada área curricular ao final do ciclo correspondente. Em princípio, os Objetivos Gerais de Área referem-se ao conjunto da área curricular, sem delinear conteúdos específicos da mesma. Do ponto de vista da orientação didática, o Projeto Curricular deve incluir um resumo das opções básicas que caracterizam a concepção construtivista da aprendizagem escolar e da intervenção pedagógica. Neste resumo figura também uma perspectiva de conjunto sobre o que, como e quando avaliar nas três modalidades de avaliação inicial, formativa e somativa. Daí que tradicionalmente, nos Projetos Curriculares do ensino obrigatório, dá-se importância máxima ao tipo de conteúdos denominados "fatos, conceitos e princípios". Quanto aos conteúdos propriamente, eles podem se resumir em fatos discretos, conceitos, princípios, procedimentos, valores, normas e atitudes. Conceito designa o conjunto de objetos. Princípio é o enunciado que descreve como as mudanças ocorrem em um objeto ou em um conjunto de objetos, em relação com as mudanças que ocorrem em outros objetos ou situações. Exemplos: a lei da gravidade, o ciclo natural da água, o funcionamento do sistema respiratório, a lei da oferta e da procura, o teorema de Pitágoras, etc. Procedimento é o conjunto de ações ordenadas e finalizadas, isto é, orientadas para a consecução

de uma meta. Exemplos: construção de um plano, elaboração de um resumo, confecção de um plano de observação etc. Do ponto de vista do processo de elaboração do Projeto Curricular, a seleção dos conteúdos - que já devem figurar no primeiro nível de concretização - exige que sejam respondidas as seguintes perguntas: - Que fatos, conceitos e princípios, levar em conta nesta área curricular para que o aluno adquira, no final do ciclo, as capacidades estipuladas pelos Objetivos Gerais da Área. - Que procedimentos considerar nesta área curricular para que o aluno adquira, no final do ciclo, as capacidades estipuladas pelos Objetivos Gerais da Área? - Que valores, normas e atitudes inserir nesta área curricular para que o aluno adquira, no final do ciclo, as capacidades estipuladas pelos Objetivos Gerais da Área? Após a identificação dos principais elementos do conteúdo, bem como das relações entre os mesmos e as estruturas correspondentes, o terceiro passo consiste em estabelecer uma sequenciação que respeite os princípios da aprendizagem significativa. Consiste, basicamente, em ordenar os elementos em uma seqüência que proceda do mais geral para o mais detalhado e do mais simples para o mais complexo. Os conteúdos do primeiro nível de cada ciclo proporcionam uma visão de conjunto muito abrangente das áreas curriculares. Essa panorâmica global é delineada progressivamente nos níveis posteriores até atingir o grau de detalhe e profundidade requerido pelos Objetivos Gerais de Ciclo e de Área. Da Concretização do Projeto Curricular O primeiro nível de concretização do Projeto Curricular de um ciclo do ensino obrigatório define o que ensinar (conteúdos e objetivos finais das diferentes áreas curriculares) e oferece critérios-guia sobre como ensinar e avaliar (orientações didáticas), porém ainda não diz nada sobre quando ensinar, sobre a sequenciação e a temporização dos aprendizados ao longo do ciclo. O segundo nível de concretização do Projeto Curricular consiste em estabelecer - para cada área curricular nítidas seqüências dos principais elementos de conteúdo. Do ponto de vista do processo de elaboração do Projeto Curricular, o estabelecimento do segundo nível de concretização implica os seguintes passos: 1 - Identificar os principais componentes dos blocos de conteúdo selecionados no primeiro nível de concretização;

2 - Analisar as relações entre os componentes identificados e estabelecer as estruturas de conteúdo correspondentes; 3 - Propor uma sequenciação dos componentes de acordo com as relações e estruturas estabelecidas e as leis da aprendizagem significativa. CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS Resumindo os conceitos e apreciações formulados em seu livro, "Psicologia e Currículo", Cesar Coll apresenta, como conclusão, um "modelo" ideal de currículo. A idéia é facilitar o seu processo de elaboração, buscando estabelecer um marco comum para o en-sino fundamental obrigatório. Os princípios básicos são: 1) A educação designa um conjunto de práticas mediante as quais o grupo social promove o crescimento dos seus membros. 2) A finalidade da educação escolar é a de promover certos aspectos do crescimento pessoal considerados importantes no marco da cultura do grupo, inclusive por meio de uma ajuda específica. 3) O Projeto Curricular preside e guia as atividades educativas escolares, explicitando as intenções que estão em sua origem e proporcionando um plano para concretizá-las. O Projeto Curricular é um instrumento para a prática pedagógica que oferece guias de ação aos professores, responsáveis diretos pela educação escolar. 4) O Projeto Curricular está aberto às modificações e correções que surgem com sua aplicação e desenvolvimento. 5) O Projeto Curricular alimenta-se de quatro fontes básicas de informação, e tipos de análise: sociológica e antropológica; psicológica; epistemológica; e pedagógica. 6) O Projeto Curricular adota uma estrutura essencialmente aberta, deixando ampla margem de atuação ao professor, que deve adaptá-lo a cada situação particular conforme as características concretas dos alunos e outros fatores presentes no processo educativo. 7) O Projeto Curricular reflete uma concepção construtivista da aprendizagem escolar e de intervenção pedagógica, cuja idéia diretriz é que os processos de crescimento pessoal implicam uma atividade mental construtivista do aluno. 8) As intenções educativas concretizam-se no Projeto Curricular, definindo o tipo e grau de aprendizagem que o aluno tem de atingir a propósito de determinados conteúdos. As Necessidades Educativas Especiais dos alunos devem receber o

tratamento curricular adequado mediante adaptações do Projeto Curricular Básico à natureza e características dessas necessidades. As Necessidades Educativas designam as ações pedagógicas que devem funcionar para que os alunos possam ter acesso ao currículo. As Necessidades Educativas Especiais são as específicas, fruto das características diferenciais do aluno. As necessidades educativas comuns a todos os alunos são satisfeitas mediante as Ações Pedagógicas Habituais que, tomadas em seu conjunto, delimitaram o que costuma ser chamado de "educação ordinária". A adaptação do Projeto Curricular Básico às necessidades educativas dos alunos é uma exigência do modelo de currículo adotado, que é aplicado tanto à Educação Ordinária quanto à Especial. Um bom Projeto Curricular não é o que oferece soluções prontas, fechadas e definitivas aos professores, mas, sim, aquele que lhes proporciona elementos úteis para que possam elaborar, em cada caso, as soluções mais eficientes e adequadas em função das circunstâncias particulares nas quais exercem sua atividade profissional. Estimular a inovação e a criatividade pedagógicas, favorecendo um âmbito integrador e coerente é, sem dúvida alguma, a finalidade que deve ser perseguida por todo Projeto Curricular. Não é suficiente dispor de Projetos Curriculares cuidadosamente elaborados, cientificamente fundamentados, e empiricamente contrastados; também é preciso impulsionar seu desenvolvimento, convertê-los em verdadeiros instrumentos de trabalho e de indagação. Trabalho realizado pelo Professor Elias Celso Galvêas, em 1997, para a Universidade Santa Úrsula. Bibliografia: - Livro "Psicologia e currículo", por César Coll.

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