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Oh!

como se me alonga, de ano em ano,


a peregrinação cansada minha!
Como se encurta, e como ao fim caminha
este meu breve e vão discurso humano!

Vai se gastando a idade e cresce o dano;


perde-se-me um remédio, que inda tinha;
se por experiência se adivinha,
qualquer grande esperança é grande engano.

Corro após este bem que não se alcança;


no meio do caminho me falece,
mil vezes caio, e perco a confiança.

Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança,


se os olhos ergo a ver se inda parece,
da vista se me perde, e da esperança.
Oh! como se me alonga, de ano em ano,
a peregrinação cansada minha!
Como se encurta, e como ao fim caminha
este meu breve e vão discurso humano!

O sujeito poético reflecte acerca da sua vida e do seu


envelhecimento;

Diz que à medida que a sua vida vai passando µ se encurtaµ, esta se
torna mais longa, enfadonha, cansativa, chegando mesmo a
compará-la a uma peregrinação, algo duro e doloroso ´a
peregrinação cansada minha!µ.
Vai se gastando a idade e cresce o dano;
perde-se-me um remédio, que inda tinha;
se por experiência se adivinha,
qualquer grande esperança é grande engano

O ´eu poéticoµ refere que, à medida que se torna mais velho, a vida lhe
traz mais dor ´Vai se gastando a idade e cresce o danoµ;

Diz também que com a idade, perdeu a única coisa que o animava
´remédio, que inda tinhaµ, perdeu a esperança, pois percebeu com a
experiência de vida, que a esperança é apenas um engano ´se por
experiência se adivinha,/ qualquer grande esperança é grande enganoµ.
( saber de experiência feito).
Vai se gastando a idade e cresce o dano;
perde-se-me um remédio, que inda tinha;
se por experiência se adivinha,
qualquer grande esperança é grande engano.

Corro após este bem que não se alcança;


no meio do caminho me falece,
mil vezes caio, e perco a confiança.

O sujeito poético refere que corre atrás de um bem, ´Corro após este
bem µ, talvez a felicidade, a esperança, mas que nunca o consegue
alcançar ´que não se alcançaµ e por isso, perde a esperança ´no meio
do caminho me falece,/ mil vezes caio, e perco a confiançaµ; O facto
de serem referidas as ´mil quedasµ leva-nos a perceber que muitas
vezes se desiludiu, mas que muitas vezes voltou a tentar.
Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança,
se os olhos ergo a ver se inda parece,
da vista se me perde, e da esperança.

O ´eu poéticoµ confessa que na busca por esse bem se


atrasa sempre, ´Quando ele foge, eu tardoµ, ou seja este
recuperar de força não é um processo fácil, mas, quando
ainda, com uma réstia de esperança, ergue os olhos para o
vislumbrar, ele esvai-se, ´se os olhos ergo a ver se inda
parece,/ da vista se me perde, e da esperança ´.
O soneto pode ser dividido em duas partes:

Oh! como se me alonga, de ano em ano,


a V   cansada minha!
Como se encurta, e como ao fim caminha
As duas primeiras estrofes este meu breve e vão discurso humano!
onde o sujeito poético
descreve a sua vida como Vai se gastando a idade e cresce o dano;
algo cansativo e cada vez perde-se-me um remédio, que inda tinha;
se por V 
  se adivinha,
mais curto e duro.
qualquer grande esperança é grande engano.

Corro após este bem que não se alcança;


As duas últimas estrofes no meio do caminho me falece,
onde o ´eu poéticoµ fala mil vezes caio, e perco a confiança.
acerca da grande busca da
Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança,
sua vida, busca essa que se os olhos ergo a ver se inda parece,
como demonstra, foi da vista se me perde, e da esperança.
contínua, mas infrutífera.
hestes versos, a antítese é utilizada para demonstrar os sentimentos
contraditórios que estavam presentes na alma do poeta. Por um lado a
vida pesa-lhe, arrasta-se; mas por outro lado o tempo de ser feliz e de
recuperar a esperança parece-lhe já curto.

É utilizada a hipérbole com o objectivo de realçar as vezes que o autor


tentou alcançar o que sempre quis, mas que nunca conseguiup

O hipérbato é utilizado para dar ênfase à palavra ´peregrinaçãoµ e


realçar a sua importância através da inversão da ordem natural das
palavras, pois esta palavra reflecte a vida do poeta, algo doloroso e difícil
(metáfora).
þrabalho realizado por:
Carlos, Mauro, Daniel