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The Trail of the Serpent

Por Inquire Within

Por alguns anos Chefe do Templo Mãe da Stella Matutina e R.R. et A.C

Autor de “Portadores da Luz das Trevas”

“Assim com é acima é embaixo, assim como o que está embaixo é como o que está acima, para
a realização das maravilhas das coisas. Seu pai é o Sol; sua mãe é a Lua; o vento o acolhe em seu ventre;
a terra o nutre; ele é o Princípio Universal, o Telesma do mundo.”

Tábula Esmeraldina de Hermes

“A Serpente, inspiradora da desobediência, da insubordinação e da revolta, foi amaldiçoada pelos


Teocratas ancestrais, ainda que fosse honrada entre os iniciados. Se tornar igual a Divindade, esse era o
objetivo dos Mistérios ancestrais... Hoje, o programa de iniciação não mudou.”

Oswald Wirth – O Livro do companheiro

Boswell Publishing Co. Ltd.

10 Essex Street, London, W.C.2

1936
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INTRODUÇÃO

Há cinco anos publicamos Light Bearers of Darkness, amplamente baseado em artigos que
apareceram no Patriot de 1925 a 1930 e que foram o resultado de nossas proprias experiências e
investigações dentro de várias sociedades secretas individuais, suas afiliações, suas praticas ocultas, suas
pseudo religiões e atividades políticas.

Hoje, em A Trilha da Serpente, publicamos uma nova compilação dessas pesquisas, construída
quase que completamente sobre os artigos do Patriot de 1930 a 1935. Voltando aos tempos Patriarcais,
tentamos traçar passo a passo, o antigo culto da 1Serpente, o Principio Criativo, o Deus de todos os
iniciados, dos antigos Cabiri, do Paganismo ao pseudo-Cristianismo dos Gnósticos e Cabalistas, esses
últimos emanados largamente da influência dos Judeus Helenzados de Alexandria. Nos empenhamos
em provar que o objetivo nos graus elevados desses variados mistérios e cultos, é despertar a serpente,
a força sexual ou o "Deus interior", erguendo-a através processos e métodos de yoga, para se reunir
com o Principio Criativo Universal sem o desenvolvimentode sentidos latentes, ou seja, divinizando o
adepto mas apenas de forma que ele possa ser escravizado por alguma mente ou grupo de mentes
externas, mais fortes e astutas, que, ao que parece, buscam dominar as nações através de alguma
hierarquia desconhecida. Nos Mistérios do Egito Antigo, os altos sacerdotes eram os mestres do mundo
daquela época por seu conhecimento e poder para manipular as forças invisíveis da serpente, as forças
magneticas de toda a natureza, de forma a limitar e dominar os mystes(adeptos) e os
epoptes(iniciados), e através deles as massas.

Esses mistérios revolucionários apareceram inicialmente como pseudo-religiões, até que por
meio de uma aparente ascenção religiosa, a ligação necessária com a mente mestre foi formada. A partir
disso ela se abre política e revolucionariamente, subvertendo todos os aspectos da vida da nação,
buscando por internacionalismo ou universalismo para unificar todas as pessoas socialmente,
economicamente, politicamente, nas artes e religiões, preparando para uma Nova Era, algum Novo Céu
e Nova Terra.

Finalmente, buscamos materializar esse mestres invisíveis e, permitindo aos Cabalistas a falar
por si própios, chegamos ao revolucionário e cabalístico Judeu, o mais cosmopolitas de todas as
pessoas, que aguarda pela chegada de sua Era Messianica. Para algum deles o Messias é sua raça e sua
raça é seu Deus, o Tetragramaton, o Princípio Criativo, a Serpente do Poder, atando e unificando,
levando à esperança de fundir todas as raças, todas as crenças sob a Lei dessa Unidade de Raça, assim
criando o Grande Judaismo falado em o Jewish World (Mundo Judeu) de 9 de Fevereiro de 1883.

Tetragrammaton
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ÍNDICE PÁGINA

Introdução 3

CAPÍTULO I – Sabeismo. Eleusis e Mithras 5

CAPÍTULO II – Cabalistas, Gnósticos e Seitas Secretas da Síria 15

CAPÍTULO III – Rosacruzes e Iluminados

CAPÍTULO IV – Iluminati Weishaupt e a Revolução Francesa

CAPÍTULO V – Carbonari, Mazzini, Aliança Israelita Universal e Karl Marx

CAPÍTULO VI – A Questão Judaica

CAPÍTULO VII – Livre Maçonaria Continental

CAPÍTULOVIII – Teosofia e Índia. Co-Maçonaria

CAPÍTULO IX – Rudolf Steiner e Antroposofia

CAPÍTULO X – Fraternidade de Luz Interior e Yoga

CAPÍTULO XI - Aleister Crowley e o Golden Dawn

CAPÍTULO XII – Grupos Americanos

CAPÍTULO XIV – Sociedades Secretas na America, Tibet e China

CAPÍTULO XI – A Sinarquia de Agarta

INDEX
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CAPÍTULO I

SABEISMO. ELEUSIS AND MITHRAS


Em 1871 o General Albert Pike, Grão Mestre do Rito Escoses, Jurisdição Sul, E.U.A., escreveu em
Moral and Dogmas: “Entre as primeiras nações um entusiasmo selvagem e uma idolatria sensual pela
natureza, superava a adoração ao Deus Todo Poderoso... Os grandes poderes e os elementos da
natureza e o princípio vital da produção e procriação através das gerações; nessa época os espíritos
celestiais ou hostes divinas, os exércitos luminosos das estrelas, e o grande Sol e a misteriosa e volúvel
Lua (os quais o mundo antigo respeitava não apenas como globos de luz ou corpos de fogo, mas
substâncias vivas animadas, com poderes sobre a sorte e o destino dos homens); em seguida os genios e
os espíritos tutelares e até as almas dos mortos, recebiam adoração divina... os céus, a terra e as
operações da natureza eram personificadas - (antropomorfismo); os bons e maus princípios
personificados também se tornavam objetos de adoração.”

Além disso, em 15 de Agosto de 1876, no Conselho da Corte Suprema do


33o grau, em Nova York, ele declarou:

“Nossos adversários numerosos e fomidáveis dirão, e terão o direito de dizer, que


nosso Princípio Criador é idêntico ao Princípio Gerador dos Indus e Egípicios, e podem
apropriadamente ser simbolizados como eram em tempos antigos, pela lingae...Para
aceitar isso no lugar de um Deus pessoal e abandonar o Cristiansmo e a adoração de Jeová
e o retorno sem reservas aos estilos do Paganismo.” Lingae de Shiva

Em seu Livro, Deus e Deuses, 1854, Le Chevalier Gougenot des Mousseaux


faz um apurado relato desses formas de adoração ancestrais, panteístas, pagãs e fálicas. Ele nos conta
que o Sabeismo possui raízes profundas no âmago das tradições Patriarcais, pervertendo revelações
anteriores. Esse Sabeismo, o qual tomou seu nome , não do país de Saba, mas de Tzaba, uma tropa
armada, fazia os homens se curvar em reverência aos exércitos estrelados do firmamento. A adoração
era Estelar antes de se tornar Solar e adoravam a Estrela Polar, conhecida na Caldéia como I.A.O., o
princípio criativo. Posteriormente, de alguma maneira, esse culto fundiu-se ao culto mais corrupto
Sabeismo-Natureza, ou o culto das Estrelas e o Naturalismo. Na sequência da corrupção gradual das
tradições Patriarcais, a Pedra é o guia mais certo, pois nos tempos de esplendor ela era adorada desde o
Império Chines aos extremos confins do Oeste. Tendo se iniciado com o bloco de pedra rústico retirado
da rocha, tornou-se uma coluna, um pilar, o pedestal encimado de início por uma e a seguir por duas
cabeças humanas (o deus hermafrodita), sendo finalmente modelada nas linhas mágicas de Apolo e
Venus.

A religião dos Judeus é baseada em revelação: seus escritos e tradições dizem que Deus
apareceu em diversos locais aos Patriarcas e falou a eles. Nesses lugares os judeus construíram altares
usando pedras rústicas, geralmente chamadas Beth-el, a Casa de Deus. Logo imaginou-se que Deus
residia nessas pedras e assim passaram a chamar-se Beth-ave, a Casa da Falsidade, inteiramente
material. Os Beth-el abundavam na Caldéia, Ásia, Egito, África, Grécia e até em partes remotas da
Europa, entre os Druidas, Gauleses e Povos Celto-Cíntios e ainda no Novo Mundo, Norte e Sul. A
imaginação sensual do homem permitiu que ele “coletasse seus desuses na poeira, assim como lhe
aprouvesse.” Os Pagãos imitaram o Beth-el de Jacó e os consagraram com óleo e sangue, fazendo deles
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deuses, chamandos Betyles or Both-al-Jupiter, Cibele, Venus, Mithras. Grande parte dos Betyles naturais
eram meteoritos negros ou bolas de fogo caídas do céu e eram respeitadas pelos Sabeistas com
divindades celestes. Esses meteoritos eram os Cabiri. Os Pelasgos – povos gregos antigos errantes, eram
seus adoradores mais notórios.

Num olhar mais atento vemos que tanto nos Cabiri quanto no Sabeismo, podemos reconhecer o
culto pelas estrelas. O Sabeismo veio do Princípio da Unidade transferido pelo Deus Invisível ao Deus da
Natureza, o Deus-Sol. A isso seguiu-se a dualidade, macho-fêmea, Sol-Lua, Deus-Deusa da Natureza. E
ocorreu uma multiplicação de deuses ao nível do número de estrelas, e isso levou de volta à Unidade.
“Rapidamente todas as estrelas juntas eram o Deus da Luz, o Deus da Natureza, o Deus do Fenômeno...
tudo era emanação, cada coisa era Deus-Parte-de-Deus. O Panteísmo fora criado!” M. Creuzer sustenta
a ideia de que os Cabiris do Egito e da Fenícia, assim com os Cabiri dos Pelasgos gregos(Jaféticos), eram
grandes Divindades Planetárias, isso é, os Deuses do Céu, deuses universais, os muitos deuses em um
que dominavam ar, terra, ondas e se misturavam com os dos Betyles. Eles eram sempre os sete planetas
– Saturn, Júpiter, Marte, Sol, Venus, Mercúrio e a Lua – os quais junto com a Terra formavam os oito
Deuses Cabíricos.

Tendo sido feito o Criador, o Deus da Matéria e Deus da Natureza com a função principal de
produzir; os orgãos geradores se tornaram símbolos de divindade. A Pedra tomou a forma do Falo e da
Vulva, o Lingan-Yoni da Índia. Assim, o Naturalismo unindo-se à Pedra dos Patriarcas se tornou para os
homens instruídos da idolatria, no Princípio Gerador de todas as coisas. Como o convertido erudito
Rabbi Drach escreveu:

“Nossos pais, filhos de Sem, preservaram no santuário do Templo de Jerusalém, o Pedra Beth-el de Jacó, e
nessa pedra eles adoram o Messias. Esse culto foi imitado por nossos vizinhos da Fenícia, filhos de Cham, que
tinham uma linguagem em comum conosco. Daí espalhou-se o culto das Pedras chamadas Betyles ou Beth-el, as
quais a raça de Japhet(Gregos), também chamavam Lapides Divi, pedras divinas ou viventes, e esses Betyles eram
semelhantes às pedras animadas do Templo de Diana na Laodicéia, mencionadas po Lampridius.”

Bety-el de Jacó – Jerusalém

Beth-el de Jacó – Irlanda


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Entre a pedra, a árvore, a fonte ou o poço,


uma aliança próxima e singular nunca deixou de
existir. Tendo enclausurado os deuses nas Pedras-
Betyles, eles então os enclasuraram nas Árvores-
Betyles, como o Carvalho ancião e sua fonte,
adorado no Templo de Dodona, representando
I.A.O. – o princípio criativo – que possuía oráculos e
recebia sacríficos de sangue. Novamente
encontramos o Betyle sob a forma mais antiga, a do
Ovo, o germe universal de todas as coisas e quase
Ovo de Heliópolis Ovo do Tifão

sempre junto com a serpente, as forças duais da vida. O resultado dessas formas combinadas foi o
Panteísmo. O homem seguiu assim na busca da manipulação dessa divindade, dessa força dual e, pela
mágica, encantamentos e invocações, as pessoas foram seduzidas e desencaminhadas(enganadas). A
seguir os Cabiris: Cibele e Atys, Venus e Adonis, Isis e Osíris, Ceres e Baco, foram sendo representadas
em lugar do Falo Betyle, e como os fundamentos de todos esse mitos estão impressionantemente
conectados, é inevitável ver sob a diversidade de nomes a mesma personificação da Natureza, Celestial
e Terrestre – o Universo – o deus material.

O mais antigo desses Deuses Titãs ou Cabiri, foi Axieros – Unidade, o Demiurgo, o Princípio
Criador. Dele adveio Axiokersos-Axiokersa – dualidade dos princípios geradores, Céu e Terra; dessa
dualidade veio Cadmillus, Eros ou Hermes, completando assim a Trindade Cabírica em Unidade. Em suas
formas mais degradantes, era o culto do lingan e a deificação dos desejos eróticos e sensuais. Ademais,
em suas celebrações, as paixões das pessoas eram atiçadas apenas para se extinguirem em orgias e
bacanais impossíveis de se descrever.

Des Mousseau diz que nessas cerimonias os sacerdotes Cabíricos uniam-se tão intimamente
com seus deuses que tomavam seus nomes, números e atribuições. E que em ocasiões solenes até
abriam mão de suas personalidades, também a medida que o culto demandasse, eles imitavam os
deuses numa teatralidade mística. O General Albert Pike escreve sobre os Cabiris:

“A pequena ilha da Samotrácia sempre foi depositária de segredos


augustos... Disse-se que foi assentamento dos antigos Pelagos, primeiros
colonizadores da Grécia vindos da Ásia. O deuses adorados nos mistérios dessa
ilha eram designados Cabiri, chamados por Varro, “os potentes deuses – Céu e
Terra, símbolos dos Princípios Ativo e Passivo da Geração Universal... Nas
cerimonias era representada a morte do mais jovem dos Cabiri, morto por seus
irmãos que fugiram para a Etruria, carregando com eles a arca que continha as
suas genitais; e lá, o Falo e a arca secreta eram adorados.”

Agamenon sendo Iniciado nos ritos Cabíricos

Todos esses mistérios, escritos por Clemente de Alexandria, mostrando assassinatos e tumbas,
tinham por base a morte e ressurreição do Sol, o princípio-vida.
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O Sabeismo nos dias de hoje pode ser rastreado em todos os Misterios modernos – Ocultos e
Iluminados. Tomemos como exemplo a Stella Matutina, a ordem Rosacruz e Martinista, com seus 3/8
degraus, atribuidos à água nos quais o Elohim Tzabaoth é invocado e adorado. Os três oficiantes e o
candidato juntos representam a Trindade em Unidade Cabírica da Samotrácia. No ritual lê-se: “Assim
falou Axieros o primeiro Cabir: Hierofante – Eu sou o vértice do Triangulo Flamejante, sou o Fogo Solar
derramando seus raios abundantemente sobre o mundo sombrio. Doador da vida, produtor da luz.”
(Zeus ou Osiris). “E o segundo Cabir Axiokersos: Hiereus – Eu sou o anglo esquerdo da base do Triangulo
Flamejante, sou o Fogo, brilhando e faiscando através dos abismos da Terra; vulcânico e terrestre,
rasgando, penetrando, despedaçando as cortinas da matéria; fogo constritor, fogo atormentador,
girando em esplendorosa tempestade” (Plutão e Tifão). “E o terceiro Cabir Axiokersa diz: Hegemon – Eu
sou o angulo direito da base do Triangulo Flamejante; sou o Fogo, astral e fluido, contorcendo e
fulgurando através do firmamento. Eu sou a vida dos seres, o calor vital da existência” (Proserpina e
Ísis). Eles representam o fogo ou o princípio gerador agindo na terra, água e ar. O candidato é Casmilos
ou Cadmilus (Horus), e recebe o nome místico de “Monokeros de Astris”, o “Unicórnio das estrelas”.
Além disso, as formas-deuses Cabíricas, construídas de acordo com as instruções de seus misteriosos
Mestres na Mesopotamia, eram astramente incorporadas pelos oficiantes nas cerimonias e, durante
esse período eles se tornavam esses deuses ou forças da natureza, e como os sacerdotes Cabíricos eles
praticavam a teurgia(trabalho divino), e curas magnéticas.

É, portanto, interessante encontrar no livro Paganismo e Judaismo, de Dolinger, o que ele


escreve sobre os astrólogos Sabeistas caldeus: esses homens encontraram apoio na filosofia estóica,
pela qual a indentificação de Deus com a Natureza veio da observação das estrelas como
eminentemente divinas e colocaram assim o governo do mundo no imutável curso dos corpos celestes.
Esses homens ensinavam que uma força secreta descia initerruptamente sobre aTerra; que uma grande
afinididade existia entre os planetas, os corpos celestes e a Terra, e com os seres que viviam lá. Eles
acreditavam que o homem tinha o poder de aumentar as boas influencias ou evitar as más através de
invocações e cerimonias mágicas. Todas as ordens e cultos secretos modernos dizem serem capazes de
despertar e redespertar poderes em suas cerimonias e conjurações, pela invocação planetária e
zodiacal e de espíritos elementais e influências, sempre usando os requeridos e potentes, divinos e
bárbaros nomes.

DACTILOS, CORIBANTES E TEQUINES

Em, Psicologia dos Sentimentos, M. Ribot escreve sobre essas seitas mais ou menos primitivas:

“Em todos os tempos a História relata inúmeros processos psicológicos empregados para se produzir
êxtase artificial... ou seja, possuir a divindade dentro de si mesmo. Há formas inferiores mecanicas de intoxicação
pela dança, música rítmica primitiva, que excita e cria condições propícias para a inspiração. Intoxicação por
drogas, vinho, festas orgiásticas e derramamanto de sangue, eram comuns nos cultos da Asia Menor: Attis, deus
do crescimento e fertilidade, os Coribantes, dançarinos da Frígia, os Gauleses que se mutilavam com espadas; os
que se flagelavam na Idade Média e em nossos dias os faquires e dervixes.

Nas danças frenéticas dos Khlysty e outras seitas Gnósticas primitivas e até na Euritmia moderna
dos seguidores de Rudolf Steiner. Em tudo aspirando a deificação. Em Os Mistérios do Paganismo,
revisado e editado por Silverter de Sacy, 1817, Saint-Croix nos dá uma informação valiosa desses
Mistérios antigos. Ele disse: “Não há nada mais intrigante na antiguidade que o que diz respeito aos
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Cabiris, Dáctilos, Coretas, Coribantes e Tequines. Designados por nomes diversos, eram eles deuses,
gênios, legisladores ou sacerdotes? .... Eles tem sempre sido confundidos uns com os outros.” Sem
dúvida era o caso dos sacerdotes assumirem o nome como também as atribuições de seus deuses, como
por exemplo dito pelo sacerdote druída: “Eu sou um druída, eu sou um arquiteto, eu sou um profeta, eu
sou uma Serpente,” a Serpente sendo um poder potente em seu culto. De acordo com Strabo:

“Alguns acreditam que os Curetas eram o mesmos que os Coribantes, os Dáctilos do Monte Ida e os
Telquines. Outros afirmam que eles eram da mesma família, com algumas diferenças. No geral todos eles
buscavam o êxtase, o frenesi de Baco, o tulmulto, o barulho que faziam com os braços, tambores, flautas, e
gritavam extraordinariamente em seus banquetes sagrados ... tudo isso tendo a ver com religião e não sendo
estranho à filosofia.”

De acordo com Sainte-Croix, as cerimonias Cabíricas aconteciam à noite, frequentemente em


uma caverna, e todo o conhecimento relativo a eles e seus deuses eram segredo inviolável oculto aos
profanos. Os Dáctilos da Ásia, às vezes confundidos com os Cabiris, eram originalmente Crianças dos
Céus e da Terra, e por encantamentos, ilusões e feitiços, usados também em seus mistérios,
conquistaram o povo da Frígia e da Samotrácia, fazendo si mesmos indispensáveis pela prática da
medicina e ensinando o trabalho como metais. Entretanto, é dito que os Frígios devem sua primeira
civilização aos malabaristas e profetas Coribantes, que também cultivavam ardentemente a música e a
dança, tanto que seu nome passou a significar um tipo de paixão violenta por esses exercícios que de
acordo com Sacy, “Significavam realmente a idéia de uma agitação supernatural, um frenesi divino, real
ou simulado, o qual colocava a pessoa fora de si, não a deixando mais senhora de suas ações e
movimentos. Isso expressava um tipo de loucura ou êxtase de origem divina, que parece, produzia
efeitos tais como os de uma mente desequilibrada.” Até o final do Paganismo alguns do mistérios dos
Coribantes permaneceram.

Como os Cabiri, os Dáctilos e os Coribantes, com os quais eles tinham muitas ligações nos
hábitos e ocupações, os Telquines foram os primeiros advinhos, os sacerdotes Pelagos. Para aumentar
seu número e poder eles usavam as artes da ilusão e feitiçaria acompanhadas de ameaças de punições
futuras, assim atraindo as pessoas até suas montanhas e florestas, fazendo-os cultivar a terra e adotar a
nova religião, abrindo mão do culto ancestral de Saturno. Com o tempo o nome Telquine se tornou
sinônimo de charlatão, feiticeiro, envenenador e até espírito do mal.

MISTÉRIOS DE ELEUSIS

No mesmo livro, Sainte-Croix dá uma longa descrição dos Mistérios de Eleusis que remontam ao
ano 1423 A.C. Eles eram de origem egípcia, apesar de terem mudado e se disfarçado de Gregos para
encobrir a fonte de suas apropriações. Como no Egito, os Mistérios de Eleusis eram divididos em
Menores e Maiores, os Mystes – aberto aos iniciados ou sacerdotes, e os Epoptes – aos já unos à
divindade, iluminados; com um intervalo de cerca de cinco anos entre os graus. Eusebius cita os
seguines graus: Hierofante – Pai da geração ou Demiurgo; Dadoukos – o portador de incenso,
representando o Sol; Epibomos – o portador do altar, representando a Lua; Hieroceryx – o Arauto
Sagrado carregando o Caduceu, as serpentes gêmeas da geração – representando Mercúrio. Todas as
cerimonias aconteciam em templos subterrâneos secretos, fechado aos profanos. Muitas cerimonias
eram praticadas e uma das principais era a elevação do Falo, um estranho rito de origem egípcia,
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comentado com frenquência por Clemente de Alexandria, Tertuliano e outros. De acordo com Deodoro
Siculus, esse rito era executado em memória das partes virís de Osíris, que foram jogadas no Nilo por
Tifão, e as quais Ísis quiz que recebessem honras divinas em sacrifícios e mistérios. Era representado nos
grandes Mistérios pela figura do antigo Mercúrio fecundador – dito ser o Logos, ao mesmo tempo
intérprete e fabricante de todas as coisas que foram, que são e que serão; o espírito semente, de acordo
com Nasseni, é a causa de todas as coisas que existem, e é o mistério desconhecido e secreto do
universo, oculto pelos egípcios em seus ritos e orgias.

As mulheres tinham seus próprios mistérios, conhecidos com Thesmophories, dos quais todos os
homens eram excluídos. Os membros tinham de ser virgens ou legalmente casadas e legitimamente
nascidas. As Thesmophories eram celebradas em Atenas nas noites de Outubro, durando cerca de cinco
dias. No lugar do Falo as mulheres veneravam Ctéis, a Vulva ou orgão sexual feminino, e durante as
cerimonias ocorria uma dança alegre, similar àquela da Pérsia, onde se davam as mãos formando um
círculo e dançando no ritmo dos sons de uma flauta. Poucos detalhes desse culto eram conhecidos, mas
eram construídos sobre o mito de Ceres e Proserpina.

As aventuras de Ceres e Proserpina eram identicas as de Ísis e Osiris. Assim, nós temos Ísis –
Boca ou Mãe do mundo; Ceres-Deméter, a Mãe-Terra – ambas significando a fecundidade da terra.
Proserpina era a filha de Ceres e Júpiter e o mito descreve seu rapto por Plutão que a leva ao submundo
onde ela permanece por seis meses a cada ano, seguidos de seis meses na superfície com sua mãe. Ela
era chamada simbolicamente “a semente oculta na terra”. De acordo com os filosofos, os sacerdotes
mais eruditos do Egito consideravam Osíris como a substância espermática, e vários afirmam que o
funeral do Deus era emblemático de sua semente sendo oculta no âmago da terra. Osíris também era
considerado como a Força Solar, princípio da fecundidade em relação à Lua – também chamada Ceres e
Ísis – que governa a geração.

De acordo coma filosofia sutil dos Neo Platonistas sobre a almas humanas e suas emanações
apartir da alma do mundo ou princípio universal de vida, o rapto de Proserpina por Plutão representava
a descida da alma, que deixa as regiões superiores, preciptando a si mesma na matéria, unido-se ao
corpo. Iacchus ou Baco que foi cortado em pedaços pelos Titãs, simboliza a Mente Universal dividida e
fracionada pela geração em uma multitude de seres (Panteísmo). Platão ensinava que o anseio dos
Mistérios era levar as almas de volta para a região superior e ao seu estado inicial de perfeição do que
elas originalmente possuíam. Sem dúvida o conhecimento secreto dos sacerdotes, transmitido a poucos,
era o poder Hermético, personificado por Mercúrio e seu Caduceu. Esse era o poder de agir sobre a
força sexual do homem, elevando-a e reunindo-a à força de vida universal, a Deidade, produzindo uma
forma de iluminação.

À medida que o Cristianismo se espalhou pela Grécia, os sacerdotes foram obrigados a se tornar
mais cautelosos na escolha dos Epoptes(iniciados). No caso de admitirem homens inclinados a deixar o
paganismo pelo Cristianismo eque pudessem revelar os segredos da Iniciação. Por isso, ao iniciar uma
cerimonia, um aviso era proferido: “Se algum ateu, cristão ou Epicurano estiver presente, testemunhas
desses Mistérios, deixem-no sair e permitam àqueles que acreditam em Deus serem iniciados sob
auspícios felizes.
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MISTÉRIOS DO EGITO

Em As Seitas e as Sociedades Secretas – políticas e religiosas – Le Couteulx de Canteleu, 1863,


adverte que o objetivo das sociedades secretas:

“como um todo era, é e será sempre a luta contra a Igreja e a religião Cristã, e a luta daqueles que não
tem contra os que tem ... Todas as sociedades secretas tem praticamente as mesmas iniciações, dos Egípcios aos
Illuminati, e a maioria delas formam uma corrente e dão origem a outras.”

Entre os Iluminati modernos, “A Fraternidade da Luz”, de Los Angeles, Califórnia, professa ser:

“uma Fraternidade de Estudantes Ocidentais do Hermetismo, que compreendendo a verdade da


Fraternidade Universal, devota-se à elevação física, mental e espiritual da Humanidade. Investigam todos os reinos
da natureza onde as forças latentes e ativas possam ser descobertas para subjulgá-las ao Desejo Imperativo do
homem.”

Seus ensinamentos visam:

“o propósito definitivo é reviver a Religião das Estrelas que é a religiao das leis naturais – como
compreendida e ensinada pelos iniciados Herméticos dos Antigos Egito e Caldéia.

O alto Maçon Albert Pikes declara: “As sete grandes nações primitivas, das quais todas as outras
são descendentes, os Persas, Caldeus, Gregos, Egípicios, Turcos, Indianos e Chineses, foram todas
Sabeitas originalmente e adoravam as estrelas. Os Caldeus consideravam a Natureza com a grande
divindade que exercia seus poderes através da ação de suas partes, o sol, a lua, os planetas e as estrelas
fixas, as mudanças das estações e as ações combinadas dos céus e terra – isto é, as forças cósmicas e as
forças magnéticas da Terra. Herodoto, Plutarco e todos da antiguidade consideravam o Egito como local
de origem dos Mistérios. O livro anônimo Canon, relata que os sacerdotes Egípcios eram praticamente
os mestres do mundo antigo, tudo e todos estavam subjugados a suas jurisdisções. Os antigos
historiadores Gregos afirmavam enfaticamente que as doutrinas essenciais da religião da Grécia vieram
do Egito. Os segredos místicos desses velhos sacerdotes eram passados de geração a geração por
iniciados e místicos, e esse misticismo era sinônimo ao Gnosticismo e era comum no Egito, Grécia e
entre os Hebreus.

De acordo com Le Couteulx de Canteleu, os sacerdotes egípcios formavam uma Confederação


de Filósofos unidos para estudar a arte de governar os homens e se concentravam no que eles
consideravam como verdade. A Confederação era composta de tres níveis: 1. Dos sacerdotes que
podiam sozinhos contactar os deuses, usando ilusões e oráculos para imporem-se sobre as pessoas; 2.
Dos Grandes Iniciados, escolhidos assim como os sacerdotes e de quem nada era ocultado; 3. Dos
Iniciados Menores, a grande parte estranhos, a quem era confiado apenas o que o Supremo Pontífice
julgasse apropriado. Os Mistérios eram dirigidos por um Conselho Supremo de cinco ministros, de quem
o chefe era chamado Rei, Hierofante ou Orador Sagrado. Os Mistérios eram divididos em Grandes
Mistérios, os Epoptes e os Mistérios Menores, os Mystes; a celebração dos Grandes Mistérios era a
inicação daqueles que haviam sido recebidos nos Menores, após terem sido aprovados nos testes
necessários. De acordo com Faber em seu livro Idolatria Pagã, supõe-se que os epoptes
experimentaram uma certa regeneração... e acredita-se que tenham adquirido um grande aumento de
Luz e Conhecimento” - isto é, iluminação ou deificação. Assim que os sacerdotes ouviam falar de um
homem cujo gênio, talento e valor houvesse ganho a consideração das pessoas, a Confederação usava
de todos os meios possíveis para atraí-lo e iniciá-lo, e tudo era feito para que agisse de acordo com seus
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sistemas e pontos de vista. O conhecimento dos sacerdotes egípcios era imenso. Eles foram os pais da
astronomia e geometria e o estudo da natureza era familiar a eles; eles tinham salas de botânica, de
história natural e química e imensas livrarias repletas de livros de ciência e história e até livros sagrados,
facultados apenas aos iniciados. O Egito era o ponto de encontro dos homens que buscavam instrução.

Todos esses mistérios parecem advir da mesma fonte, tendo uma cosmogonia completa e uma
explicação da natureza primitiva e origem do homem. Em todos os lugares aparecem os gênios impuros
do paganismo, já que todos os mitos tinham um lado obsceno tanto quanto um cosmogônico, e os
festivais noturnos eram repletos de músicas e cerimonias impuras. No princípio o Iniciado era
submetido a provas terríveis na escuridão, com fogo e água, longos jejuns, visões, etc., e se ele
superasse tudo isso e permanecesse são, o qual muitos não conseguiam, ele era recebido entre os
sacerdotes. Um dos grandes métodos da Teurgia Egípcia eram as alucinações. Queimava-se ópio, datura,
meimendro, haixe, canela e louro, formando vapores os quais causavam o frenesi das pitonisas e ou
inciados.

“Naquela época, as idéias de mistério, de mágica, a invocação dos mortos e de espíritos eram tão
poderosas que as mentes dos mais sábios podiam não resistir. Os grandes gênios e filósofos tornavam-se iniciados.
Mas a negação Epicuriana e o panteísmo Estóico misturaram-se com os Mistérios de Ceres... a poesia da religião
que eles invocavam desapareceu gradualmente, seus sonhos maravilhosos se tornaram sinistro panteísmo, os
elementos tornaram-se, os únicos deuses reais, e as poéticas visões da noite da iniciação desapareceram
gradualmente, levando o iniciado a descrença.”

Le Couteulx de Canteleu continua: a geração era a base de todos os Mistérios. Em todo


universo, nascer, morrer e se reproduzir é a Lei que rege tudo o que existe. É uma rotação perpétua de
criação, destruição e regeneração e essa foi a base e a origem de todas as mitologias arcaicas religiosas.
Os egípcios, diz Diodorus Siculus, reconheciam dois grandes deuses. O Sol e a Lua, ou Osíris e Ísis;
através deles a geração de todas as coisas era efetuada. Toda a naturea é mantida por eles em
combinação com suas cinco qualidades – éter, fogo, ar, água e terra. Ou com explica de Canteulx, cinco
primcípios distintos unidos na geração dos seres: 1. A Causa – o pai, princípio ativo, masculino, criador;
representado entre os antigos pelo Sol, fogo, Osíris, pai da luz; simbolizado por Ptah dos egípcios, o
triangulo e a pirâmide. 2. A Matéria – a mãe, feminina, natureza passiva, representada pela água. É a
Natureza adorada por todos os povos sob diversas formas: a Lua, Cybele, Venus, Ceres e Ísis. 3. O
Mediador – a semente, ether, fluido vital, instrumento da reprodução; representado pelo Falo ou ar, o
espírito da vida, o fuido magnético do Sol, Eros, Baco. Hércules, Hermes, e Toth dos egípcios. 4. O Efeito
– fertilização, fermentação, putrefação, desintegração, dos quais advem a vida; representado pela Terra,
a mãe de todos os corpos, onde as vegetais e os minerais se desenvolvem. 5. O Resultado – a criação de
uma nova vida destinada a reproduzir-se; é o éter, o quinto elemento, o Horus dos antigos, a Estrela
Resplandecente do Maçons, o pentagrama, o adepto deificado.

Iniciação, iluminação ou deificação significam fixação do éter ou luz astral em uma base material
pela dissolução, sublimação e fixação. Esse trabalho, sendo realizado em conformidade com esses
princípios, reproduz esses mesmos princípios. Assim, entre subversivos, esses princípios da geração ou
regeneração são aplicados na vida religiosa, política, social, moral e mental. Como o cabalista diz: “O
formulado deve primeiro se tornar des-formulado assim ele poderá ser reformulado em novas
condições.” (morte e desintegração); ou como o revolucionário coloca: “Tudo deve ser destruído já que
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tudo deve ser renovado.” No Iluminismo a personalidade do adepto tem de ser morta e uma nova deve
ser formada – pela fixação da luz, a ferramenta controlada, a ligação etérica!

O Sr. H.P. Cooke em seu estudo de Osíris, fala de Amén or Amoun: “A palavra ou a raiz Amém
certamente significa ‘o que está oculto’... e se refere a algo mais do que ‘o sol que desapareceu no
horizonte’, um dos atributos referentes a ela era aquilo que é eterno. Esse significado tende a ser
também o de fonte de toda a vida.”

Albert Pike diz que Amun or Amoun, o Deus do Baixo Egito, era “o
Senhor celestial que derrama a luz sobre as coisas ocultas.” “Ele era a fonte da
vida divina a qual a cruz ansata é o símbolo, a fonte de todo poder ...Ele era a Luz,
o Deus Sol.” A cruz ansata era o símbolo egípicio da vida, as forças duais da
geração de todas as coisas.

A medida que elucidamos esses Mistérios, permita-nos remertermos à


Ordem Rosacruz da Stella Matutina e sua Ordem Interna da R.R. et A.C. Na
cerimonia de iniciação o Hierofante no altar, ao Leste, representa Oaíris; seu
poder, representado pelas cores de seu medalão – vermelho e verde – são como
a “luz resplandecente do fogo do Sol trazendo à terra a vegetação, que de outra forma, seria estéril.” O
outro símbolo, a cruz do calvário com a rosa no centro, “representa o poder do auto-sacrifício requerido
daquele que será iniciado nos Mistérios sagrados.” Ele é Osíris do Submundo. No Oeste, Hierus é Horus,
o vingador dos Deuses, o guardião dos Mistérios contra aqueles que moram nas trevas. Os quarto
elementos, as “criaturas viventes” da visão de Ezequiel, o leão, o touro, o homem e a águia,
representam a Esfinge. Seus vice regentes são as Crianças de Horus – Amset, o sul; Hapi, o norte;
Taumutef, o leste, Qebhsennuf, o oeste. A Ceia Mística da Stella Matutina representa a comunhão no
corpo de Osíris, e quando a taça é invertida no final da cerimonia, o Kerux – Anúbis, o Guardião dos
Deuses – grita: “Está acabado”, a regeneração através do auto sacrifício está consumada. Finalmente, na
Iniciação Interna, após elevar-se do túmulo, o Adepto Chefe declama: “Eu sou o Sol nascente. Eu passei
pela hora nebulosa e a noite. Eu sou Amoun, O Oculto, sou o Despertador do Dia. Eu sou Osíris On-
nopheris, O Justificado. Eu sou o Senhor da Vida triunfante sobre a morte. Não há parte alguma em mim
que não seja dos deuses.” O justificado ou o “deus oculto” dentro do homem, é a kundalini, e por sua
união com a força-vida universal, o adepto se torna uno com os deuses. Como Lepsius disse: “Quando
livre do corpo ascenderás ao éter livre, serás um Deus imortal que escapou da morte.”

O ritual da R.R et A.C. nos mostra que os deuses representam uma certa ação material das
Forças da Natureza, usando-as para um certo propósito, no caso a inicação, liberando o “deus oculto”
enfeitiçado dentro do homem. É inteiramente panteísta e como sabemos, o Mago ancestral via o Sol
como o grande poço magnético do universo. Através de seu conhecimento profundo e secreto dessas
forças, os sacerdotes do Egito se tornaram mestres do mundo antigo e mesmo hoje, alguma hierarquia
misteriosa trabalhando por trás e através dos mistérios modernos, busca reunir e dominar a
humanidade através do mesmo conhecimento secreto.

Em Moral e Dogma, Albert Pike nos conta que Apuleius representa Lucius, ainda na forma de
um jumento, invocando Ísis, que é Ceres, Venus, Diana e Proserpina, substituindo, como a Lua sua
tremula luz, pelos raios brilhantes do Sol. Falando a Lucius, Ísis diz:
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“O pai da natureza Universal atende a teu chamado. A amante dos elementos, germe inicial das gerações
... Ela governa com seu aceno as alturas luminosas do firmamento, as brizas salubres do oceano; o lamento
silencioso das sombras; uma Única Divindidade sob muitas formas, adorada pelas diversas nações da Terra sob
vários títulos e vários ritos religiosos.

“Me aproximei da casa da morte; com meu pé toquei o Portal do Palácio de Proserpina. Fui transportado
através do elementos e conduzido de volta novamente. À meia noite vi a luz brilhante do Sol. Permaneci na
presença dos Deuses, Deuses dos Céus e das Sombras; permaneci e os adorei.”

Ele chama Osíris de “O Grande Deus. Pai Supremo de todos os outros Deuses, o invencível
Osíris...”

Nos graus 6/5 da R.R. et A.C., o adepto é cerimonialmente enterrado num túmulo, passa por um
transe com suas inevitáveis visões, é despertado por Shekinah, que usa um véu e tem uma lua crescente
em sua testa, e segurando uma lâmpada acessa, diz: “Desperte, brilhe, pois tua luz acendeu e a Glória de
seu Senhor está sobre ti.” Essa é a Iluminação ou Iniciação, o poder para ser usado, não para o próprio
adepto, mas para ser colocado a serviço de seu Senhor e Mestre desconhecido.

MITRAISMO

Após a ascenção do Zoroastrismo – algumas vezes chamado a fé de Ormuzd ou Mazdaísmo –


Mitras, um Deus Persa da Luz, tomou seu lugar entre Ormuzd – a eterna Luz e Arimã - a eterna
Escuridão (ou Plutão para os Persas), para auxiliar na destruição do mal e na administração do mundo.
Mitras era o deus da vegetação, o deus da geração e abundância, e foi aceito na religião oficial Persa. Ele
era considerado também como mediador entre a humanidade e o incognoscível Deus, que reinava no
Éter. O culto de Mitras se espalhou com o Império Persa, através da Ásia Menor. Na Babilônia que era
um centro importante, o Mitraísmo creceu em força seguindo as conquistas de Alexandre, o Grande. O
ínicio de sua decadência ocorreu por volta de 275 D.C. mas seu culto sobreviveu ainda até o século V.
Sofreu mudanças com o contato com os Caldeus da Ásia que eram adoradores das estrelas, e que
identificaram Mitras com Shamash, Deus do Sol, assim como os Gregos da Ásia o viam com Helios. Foi
apenas depois do final do século I que ganhou terreno em Roma, onde tanto seus aspectos políticos
quanto filosóficos, ajudaram seu sucesso. Adriano, entretanto, proibiu a prática desses Mistérios em
Roma, devido aos cruéis sacrifícios humanos que acompanhavam os ritos quando eventos futuros eram
advinhados nas entranhas da vítima. Mesmo assim, seu culto reapareceu no reinado de Comodus e se
espalhou até a Bretanha.

A lenda Mitráica, sua teologia e simbolismo foram reconstruídos por Franz Cumont em Textos e
monumentos relativos aos mistérios de Mitras, 1896. A lenda, como representada nos famosos baixos-
relevos também foi descrita por Sainte-Croix: Nascido de uma rocha, Mitras comeu do fruto da figueira
e vestiu-se com suas folhas. Os relevos mostram as aventuras de Mitras com o touro sagrado, criado por
Ormuzd. Ele tomou o animal pelos chifres e carregou-o, subjugando-o. Finalmente levou-o para uma
caverna e por ordem do Deus-Sol, sacrificou-o. O relevo cental representa Mitras com vestimentas
esvoaçantes e um capacete Frígio, matando o touro sagrado, sacrificado para dar nascimento à vida
terrestre. O escorpião atacando suas genitais foi enviado do mundo inferior por Arimã, para destruir seu
poder gerador e evitar a fertilidade; o cachorro saltando por sobre a ferida ao lado do touro, era
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venerado pelos Persas como o companheiro de Mitras; a serpente é o símbolo da terra tornada fértil
por ter bebido do sangue do touro sacrificial. O corvo que dirige Mitras é o Arauto do Deus-Sol que
ordenou o sacrfício; as várias plantas próximas ao touro e as flores de trigo simbolizam o resultado
frutífero. Os portadores das tochas representa dos três aspectos do Sol: o Sol no equinócio primaveril e
outonal, e o solstício de verão, a renovação da natureza e sua fecundidade. Os Mistérios Mitraícos eram
celebrados no solstício de inverno (25 de dezembro) – “o dia da Natividade do Invencível.”

A caverna ou grota artificial usada nas


iniciações representava o Universo, isto é, os sete
planetas, os doze signos do Zodíaco, os quatro
elemento, etc. A ciência dos Mistérios tinha íntima
conexão com a astrologia e a física. O Ovo
simbólico místico respresentava o dualismo entre
a Lua e as trevas, bom e mau, noite e dia, negativo
e positivo. A escada dos sete planetas são os sete
estágios pelo qual o homem desceu na matéria e
através dos quais ele tem de retornar para o éter
ou iluminação. De acordo com Celsus, a ordem do
retorno é: Saturno, Venus, Júpiter, Mercúrio, Marte, Lua Sol, diferindo assim do sistema cabalístico no
qual é da Terra para a Lua, Mercúrio, Venus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. Os degraus Mitráicos são: 1.
O Corvo, servo do sol; 2. O Oculto ou velado; 3. O Soldado, a guerra contra o mal a serviço de Mitras; 4.
O Leão, o elemento fogo; 5. O Persa, vestido de Asiático; 6. Heliodomus, o emissário do Sol, Pater ou pai
– Patres Sacrorium, diretor do culto.

Nos primeiros três degraus eles eram apenas servos. No primeiro era feito um juramento de
segredo, precedido por purificações e jejuns. No degrau do Soldado, de acordo com Tertuliano, o myste
(adepto), era marcado na testa com um Tau (insígnia em forma de T). Nos degraus Leão e Persa, mel era
aplicado nas mãos e língua. Havia também uma comunhão mística com pão e água consagrados.
Posteriormente o vinho veio a substituir o soma(alucinógino), usado nos ritos semelhantes do
Mazdaísmo. Nos degraus superiores, entre os participantes, o efeito do vinho consagrado e a
manipulação da luz na cripta, somado a administração de um juramento e a repetição de fórmulas
sagradas, contribuíam para a indução de um estado de exaltação extática. No livro Seitas Secretas da
Síria, Springett fala de estimulações com fogo, água e mel e de muitas provas com jejuns de até
cinquenta dias, passados em silencio absoluto e solidão. “Se o candidato escapasse da insanidade parcial
ou total, o que ocorria com frequência, e ainda superasse os testes de coragem, ele se tornava elegível
aos degraus superiores.” Em Escolas Arcanas, Yaker nos conta que em alguns monumentos Mitraícos,
Mitras aparece com uma tocha em cada mão, enquanto uma espada flamejante sai de sua boca; e em
outros tem de cada lado um homem. Um deles segura um tocha flamejante para cima e o outro para
baixo. Essa última imagem deve representar os princípios da Luz e Trevas. A espada flamejante também
é um símbolo na Rosacruz moderna e nas seitas Cabalistas. Na Árvore da Vida da Cabala, Adam Kadmon,
o Logos, é retratado com uma espada flamejante, saindo de sua boca. É a luz astral a qual pode matar
ou trazer a vida, colocada em movimento pela vontade poderosa do adepto que a controla. Nesses
mistérios, vemos novamente o culto da natureza e geração, aplicado a assim chamada regeneração do
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homem, iluminação mental através da ação da lua astral, o que em muitos casos leva à ilusão e
fanatismo e em algumas vezes até mesmo à loucura.

CAPÍTULO II

CABALISTAS, GNÓSTICOS E SEITAS SECRETAS DA SÍRIA


Uma preciosa série de artigos sobre os movimentos subversivos através dos séculos, Anatomia
da revolução, de G. G., mais conhecido como “Dargon”, autor de A Ordem sem Nome, foi publicada pelo
Patriot em Outubro de 1922. Em um deles, ele escreve:

“Existem a séculos algumas escolas esotéricas de filosofia mística originadas aparentemente de várias
correntes orientais de pensamento que se encontraram no Levante, Egito e Oriente Próximo. Encontramos
elementos dessas escolas no Budismo, Zoroastrismo e Ocultismo Egípcio, entrelaçados com os Mistérios Gregos,
Cabalismo Judaico e fragmentos de cultos da Síria arcaica. Dessa confusão da filosofia Oriental, mágica e
mitologia, surgiram nos primeiros séculos da era cristã, inúmeras seitas Gnósticas. Depois do surgimento do
Maometanismo, também surgiram tantas outras seitas heréticas entre os seguidores do Islã – como os Ismaelitas,
Druses e Assassins – que encontraram sua inspiração na Casa da Sabedoria do Cairo. Dessas mesmas fontes pode-
se traçar as idéias que inspiraram movimentos político-religiosos da Idade Média como o dos Iluminati, Albigenses,
Cátaros, Valdenses, Trovadores, Anabatistas e Lolardos. Dessa mesma inspiração deve-se o surgimento das
primeiras sociedades secretas. Diz-se que os Templários foram iniciados pelos Assassinos nos mistérios
subversivos e anti-cristãos. Também encontramos traços similares na origem oculta e antiga dos Alquimistas, os
rasacruzes e posteriormente nos cultos místicos dos quais o Swedenborgismo é um exemplo familiar.”

Albert G. Mackay, Secretário Geral do Conselho Supremo do 33° da Jurisdição Sul, E.U.A.,
escreve em seu Dicionário Maçônico:

Os Kassídeos ou Assídeos ... surgiram durante o Cativeiro ou logo após a restauração ... Os essênios
estavam, sem dúvida em contato com o Templo (de Salomão), já que sua origem é derivada segundo Scaliger, dos
Kassídeos, uma fraternidade de devotos judeus, que eram assossiados os Cavaleiros do Templo de Jerusalém ...
Dos Essênios Platão derivou muito do conhecimento e das cerimonias com as quais recobriu a escola esotéria de
sua filosofia.”

Mackay também fala que Pitágoras encontrou os judeus na Babilônia, onde os visitou durante a
Cativeiro, e “foi iniciado no sistema judeu da Maçonaria.” Da Cabala ele escreve:

“Existem dois tipos de Cabal (cabalista) – o teórico e o prático – com a Cabala prática, que se dedica a
construção de amuletos e talismãs, não temos nada a ver. O Cabal teórico é dividido entre literal e dogmático. O
dogmático é nada mais nada menos que o sumário da doutrina metafísica ensinada pelos doutores cabalistas. É,
em outras palavras, o sistema da filosofia judaica.

Escrevendo sobre o Sepher Yetzirah (Serafim Yetzirah), que é mais antigo que o Zohar, Adolphe
Franck em seu livro A Cabala, diz:

“As nuvens com as quais a imaginação dos comentáristas tem cercado a Cabala, se dissipará se ao invés
de buscarem nela mistérios de uma sabedoria inefável, nós simplesmente vermos, num esforço da razão, no
momento do despertar, percebermos o plano do universo e a ligação que reúne todos os elementos num princípio
comum, no conjunto que nos é oferecido.”

Isso representa e expõe os trinta e dois caminhos na Árvore da Vida cabalística – os dez
Sephiroth ou centros de luz, reunidos pelos vinte e dois caminhos nos quais as letras Hebraicas são
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consideradas como forças potentes. Essa letras estão divididas em: três letras Mães – shin, fogo; mem,
água; aleph, ar; sete letras duplas, atribuídas aos planetas; doze letras simples, atribuídas aos signos do
Zodíaco. E acima destas e unindo a todas, o espírito ou éter. Diz-se que algumas letras retratam a
descida da alma na matéria e seu retorno e união com a força-vida universal, produzindo a iluminação,
êxtase, deificação e condições similares. Quanto ao Deus Cabalista, ele é primeiro Ain – negativo; depois
Ain Soph – espaço ilimitado; e finalmente Ain Soph Aur – luz sem limites. O Deus negativo era
despertado, ele se tornava ativo. Jeová, o Tetragrammaton judaico, usado amplamente nas operações
cabalistísticas e mágicas, is Yod, He, Vau, He, o Princípio Criativo em unidade – o pai, a mãe, o filho e a
filha ou base material, algumas vezes chamada a noiva. Como é dito: o Ser Absoluto e a Natureza tem
um nome único, que significa Deus; e representa todas as forças da natureza. Eles dizem que na criação
havia inicialmente uma emanação, como fagulhas de uma bigorna, mas como estavam desequilibradas,
desapareceram, como desapareçam os reis Edomitas, descendentes de Esaú. Quando as forças sexuais
duais apareceram como forças separadas, adveio a geração equilibrada.

Franck sustenta que o Zohar ou Livro da Luz, a genesis da luz


da natureza, começa com o Serafim Yetzirah parado. Do ponto de
vista cabalístico, o Absoluto é chamado Cabeça Branca, porque
todas as cores se fundem em sua luz. Ele é o Ancião dos Dias ou
primeiro Shefira na Árvore da Vida cabalistíca, ele é a Cabeça
Suprema, a fonte de toda luz, o princípio de toda sabedoria –
unidade. Dessa unidade emanam dois princípios aparentemente
opostos, mas inseparáveis na realidade; o masculino, ativo,
chamado Sabedoria, o outro passivo, feminino, a Compreensão, pois
“tudo que existe, tudo que já foi formado pelo Ancião dos Dias só
pode existir através do masculino e feminino.” O Ancião dos Dias,
comparado por Franck ao Ormuzd dos Persas, é o pai engendrando
todas as coisas por meio de caminhos maravilhosos, pelos quais a
força se espalha através do universo, impondo uma forma e um
limite a tudo que existe. A Compreensão é a mãe, recebendo e
reproduzindo. Por essa união eterna gera-se um filho que possui as características do pai e da mãe,
testemunhando assim aos dois. Esse filho é o conhecimento e a ciência. Essas três pessoas confinam e
unem tudo o que é em seguida são unidos na Cabeça Branca. Algumas vezes eles são mostrados como
três cabeças formando uma, outras vezes eles são comparados ao cérebro o qual, sem perder sua
unidade, é dividido em três partes, e através dos trinta e dois pares de nervos age através do corpo, o
microcosmo, assim como ajudados pelos trinta e dois caminhos da sabedoria, a divindade se difunde
através do universo, o macrocosmo. Eles tqambém representam as três fases sucessivas e necessárias
na geração universal.
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Citando Corduero, Franck continua: Os primeiros três Sephiroth – Kether, Coroa; Chomah,
Sabedoria; Binah, Compreensão – devem ser considerados como os Três em Um, já que eles são o Pai,
Filho e Espírito Santo ou Mãe. Os outros sete Sephiroth da construção se desenvolvem também em
trindades, nos quais cada um dos dois extremos de
une a um terceiro. A segunda trindade é Chesed,
Misericórdia; Geburah, Serenidade, feminino, expansão
e contração da vontade. Esses se unem à Tiphareth,
Beleza ou o Sol. Essa trindade representa a força moral.
A terceira trindade é puramente dinâmica, mostrando a
divindade como a força universal, o Princípio Gerador
de todos os seres. Se compõe de Netzach, Vitória,
feminino; Hod, Esplendor, masculino, significando a
extensão e a multiplicação das forças do universo. E são
unidas por Yesod, a Base, a Lua, que é representada
pelos orgãos reprodutores, raiz de todas as coisas. O
décimo Sephira é Malkuth, o Reino ou base material,
na qual se encontra a ação permanente e imanente dos
Sephiroth unidos, a presença real de Deus em meio a
criação como expresso por Shekinah. O trabalho do Sol
e da Lua é espalhar e perpetuar por sua união, o
trabalho da criação. A terceira trindade é a kundalini ou
caduceu, e por misticismo e yoga ela é despertada, e
eleva-se através dos Sephiroth até a Coroa, a fonte de
toda luz unindo-se ao Princípio Criador universal.
Assim, de acordo com a Cabala, todas as formas da
existência, da matéria à sabedoria universal é uma
manifestação desse poder infinito. Não basta que todas
as coisas venham de Deus para que se tornem reais e
se prolonguem, é necessário também que Deus esteja sempre presente em meio a elas, assim ele vive,
desenvolve-se e se reproduz eternamente sob todas essas formas. A Cabala, é assim, completamente
panteísta.

De suas origens Franck escreve: “Quando examinando o Zohar buscando alguma luz sobre suas
origens, percebe-se prontamente em seu estilo singular, a vontade pela unidade em sua exposição,
método e aplicação de princípios gerais e finalmente em seus detalhados pensamentos, o que o torna
quase impossível atribuí-lo a apenas um autor.” Ele alcança as alturas mas afunda em grandes
puerilidades, ignorância e superstição. “somos assim, forçados a concluir que ele foi formado
gradativamente durante vários séculos e pelo trabalho de várias gerações de cabalitas. Franck aponta
três fragmentos que formam em si mesmos, diferentemente do resto, um todo coordenado: 1. O Livro
dos Mistérios, considerado o mais antigo; 2. A Grande Assembléia, o Rabbi Simon ben Jochai, cerca de
160 D.C., discursou em meio a seus dez discípulos; 3. A Assembléia Menor, onde Simon em seu leito de
morte, deu instruções a seus discípulos, agora reduzidos pelas mortes, a sete. Nesses trechos se
encontra em linguagem as vezes alegórica, as vezes metafórica, a descrição das qualidades divinas e
suas várias manifestações. A origem do mundo e as relações de Deus com o homem.
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Alguns declaram que a Cabala só se desenvolveu ao final do décimo terceiro século, mas
Adolphe Franck sustenta que, de acordo com provas que ele fornece, ela se originou durante os setenta
anos do Cativeiro dos judeus na Babilonia, e assim deve muito as religiões da Caldéia e Persia. Lá, sob as
autoridades civil e religiosas, os chefes do Cativeiro construíram uma Sinagoga da Babilônia, que uniu-se
à da Palestina. Muitas escolas religiosas foram fundadas, nas quais finalmente o Talmud da Babilônia foi
produzido, a última e completa expressão do judaismo. Todos os cronologistas, judeus e cristãos
concordam que a primeira libertação de Israel, cativos na Caldéia por Nabucodonossor, ocorreu durante
os primeiros anos do reinado de Cyrus na Babilônia, liderado por Zorobabel, em cerca de 536-530 A.C.
Zoroastro havia iniciado sua missão religiosa, ensinando a doutrina do dualismo – Luz e Escuridão, Bem
e Mal em 549 A.C., quatorze anos antes do primeiro retorno dos israelitas a seu próprio país, os quais
sem dúvida carregaram com eles a impressão de seus ensinamentos. Aparentemente nenhuma outra
nação exerceu uma influência tão marcante nos judeus como a Pérsia e com isso veio o sistema de
Zoroastro com suas longas tradições.

A Cabala Prática ou Mágica com suas combinações e correspondências era a base astrológica,
mágica e magnética usada pelos Alquimstas e Magos da Idade Média no trabalho com transmutações e
invocações. Ela estava impregnada com o “fuido mágico” derivado dos cultos ancestrais, e que eram
praticados no tempo do cativeiro entre os Persas e os Caldeus. Hoje, todos os Rosacruzes e Seitas
Cabalistas usam a Cabala Mágica em seus trabalhos de advinhação, clarevidência, hipnotismo e cura
magnética, na confecção de talismãs e no contato com seus mestres misteriosos. Como o escritor judeu
Bernard Lazare disse: “As sociedades Secretas representam os dois lados da mente judaica, racionalismo
prático e panteísmo, aquele panteísmo no qual a reflexão metafísica da crença em Um Deus, termina
por vezes em teurgia cabalista.”

CABALISTAS E GNÓSTICOS

Albert Pike, em Moral e Dogmas, nos conta que, depois que diferentes nações se mesclaram,
como resultado das guerras de Alexandre, as doutrinas da Grécia, Egito, Persia e Índia encontraram-se e
misturaram-se em todos os lugares. A Gnosis, ele diz, é a ciência dos mistérios transmitida de geração a
geração nas tradições esotéricas.

“Os Gnósticos derivaram suas doutrinas principais e idéias de Platão e Philo, do Zend-Avesta
(Zoroastrismo), da Cabala e dos livros Sagrados da Índia e Egito. Assim introduziram no âmago do Cristianismo as
especulações astrológicas e teológicas que formavam grande parte das religiões ancestrais do Oriente, combinadas
àquelas dos Gregos, Egípcios e doutrinas judaicas, as quais os Neo-Platônicos tinham igualmente adotado no
Ocidente ... Admite-se que se deva procurar o berço do Gnosticismo na Síria ou mesmo na Palestina. Muitos de
seus divulgadores escreviam em uma forma corrompida de grego usada pelos judeus Helenísticos ... e havia uma
analogia impressionante entre as dotrinas gnósticas e as Judaico-Egípcias de Philo de Alexandria. Alenxandria era o
epicentro dessas três escolas, ao mesmo tempo filosóficas e religiosas – a Grega, a Egípicia e a Judaica. Pitágoras e
Platão, os mais místicos dos filósofos gregos (o último sendo herdeiro das doutrinas do primeiro), e que viajaram, o
ultimo ao Egito e o primeiro a antiga Fenícia, Índia e Pérsia, também ensinaram a doutrina esotérica ... As
doutrinas dominantes do platonismo são encontradas no gnosticismo ...

“A Escola Greco-Judaica de Alexandria, no Egito, é conhecida apenas por dois de seus chefes, Aristóbulo e
Philo, ambos judeus de Alexandria. Pertencendo à Ásia por origem, ao Egito por residência e à Grécia pelo idioma e
estudos, a Escola Greco-Judaica esforçava-se em mostrar que todas as verdades incrustadas nas filosofias de
outros países, foram transplantadas direto da Palestina. Aristóbolo declarou que todos os fatos e detalhes das
Escrituras judaicas possuíam muitas alegorias para ocultar os significados mais profundos, e que Platão haveria
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emprestado deles suas idéias mais refinadas. Philo, que viveu um século depois Aristóbulo, seguindo a mesma
teoria, empenhou-se em mostrar que os escritos hebraicos, devido a seu sistema de alegorias, eram a verdadeira
fonte de todas as religiões e doutrinas filosóficas. De acordo com Philo, o significado literal era apenas para os
vulgar … Os judeus da Síria e Judéia foram os precursors diretos do Gnosticismo e em sua doutrina se encontram
diversos elementos orientais. Os judeus tiveram com Oriente, em dois períodos diferentes, relações íntimas,
familiarizando-se com as doutrinas da Ásia e especialmente Caldéia e Pérsia ... Vivendo por cerca de dois terços de
século na Mesopotamia, berço de sua raça, falando a mesma língua, criando suas crianças com as Caldéias,
Assírias, Medes e Persas, eles necessariamente adotaram as doutrinas de seus conquistadores ... e essas adições às
velhas doutrinas se espalharam rapidamente através do comércio constante entre a Síria e Palestina ...

“Do Egito ou Pérsia os Neo-Platonistas emprestaram a seguinte ideia, e os Gnósticos a receberam destes:
o homem em sua carreira trerreste está sucessivamente sob a influência da Lua, Mercúrio, Venus, Marte, Júpiter e
Saturno, até que ele finalmente atinge os Campos Elísios.”

Esse último ensinamento em uma forma ou outra pode ser encontrado em todas as seitas
Gnósticas e Cabalistas modernas. Assim, nas ordens Externa e Interna da Stella Matutina, os graus são
colocados na Árvore da Vida cabalística, e o candidato passa sucessivamente sob a influência desses
planetas na sequência acima, até o grau 10/1, o mais elevado. Nesse ponto ele se torna Iluminado e não
é mais seu próprio mestre. . Essas influências representam em suas cores o espectro do chamado
“Branco Fulgurante Divino” - fluido eletromagnetico dos Rosacruzes, o qual os adeptos são ensinados a
atrair sobre si e a projetar para propósitos mágicos. Como Albert Pike diz:

“As fontes de nosso conhecimento das doutrinas cabalísticas são os livros de Yetzirah e o Zohar. O
primeiro surgido no segundo século e o outro um pouco depois, mas ambos contendo matérias muito mais antigas
que eles ... neles, como nos ensinamentos de Zoroastro, tudo o que existe emana de uma fonte de infinita Luz.”

A ESCOLA JUDAICA DE ALEXANDRIA

“A Fraternidade da Luz, Califórnia, declara que “essa venerável Ordem deu o ímpeto de
aprendizado em Alexandria, o que fez essa cidade tão famosa.” E ainda, “Foi a Fraternidade da Luz que
preservou o conhecimento de uma completa extinsão durante a Idade Média.” É portanto interessante
encontrar Dion Fortune, Chefe da “Fraternidade da Luz Interior”, dizer quando escreve sobre o
Hermetismo:

“Os desenvolvimentos mais elevados eram alcançados pelos sistemas Egípcios e Cabalistas. Isso misturou-
se ao pensamento Cristão nas escolas do Neo-Platonismo e Gnosticismo ... Esses estudos permaneceram vivos
durante a Idade Média apenas entre os judeus que eram os expoentes das ideias cabalistas ... e permanece vivo
até hoje.”

Springett, o Maçon, nos conta em seu livro Seitas Secretas da Síria, que:

“em tempos antigos Gnosis era o nome dado ao que Porfírio chama Filosofia Arcaica Oriental, para
distinguí-lo dos sistemas gregos. O termo no entanto, foi usado pela primeiras vez (de acordo com Matter), em seu
sentido mais fundamental como conhecimento sobrenatural e celestial (cósmico), pelos filósofos judeus da
celebrada Escola de Alexandria. Um produto muito carcterístico da Gnosis judaica chegou até nossos dias através
do Livro de Enoch, no qual o tema principal é fazer conhecida a descrição dos corpos celestiais e seus nomes
corretos que foram revelados ao Patriarca pelo anjo Uriel. Ao se professar isso, revela-se a fonte Mágica de onde
sua inspiração se derivou.”
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Em O Problema Judeu, Georger Batault descreve esses Filósofos Alexandrinos Judeus, como
propagandistas ardentes, ávidos proselitistas que por esse motivo empenharam-se em adaptar o
Judaismo ao Helenismo, convencidos que sem a Lei e sem Israel para praticá-la, o mundo deixaria de
existir. O mundo só poderia ser feliz com a Lei universal, isto é, o império dos judeus. Como o escritor
judeu Bernard Lazare admitiu em O Antisemitismo:

“De Ptolomeu Philadelphus até meados do terceiro século, os judeus Alexandrinos, com o objetivo de
manter e fortalecer sua propaganda, devotaram-se ao extraordinário trabalho da falsificação de textos reais em
apoio a sua causa. Os versos de Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e do pretenso Oráculo de Orfeu, preservados por
Aristóbolo e a Stromata de Clemente de Alexandria, celebraram então Deus Único e o Sabath. Historiadores foram
falsificados e mais ainda, trabalhos inteiros foram atribuídos a eles. E foi assim que eles colocaram a História dos
Judeus sob a assinatura do historiador Hecateu de Abdera. Mas a invenção mais importante de todas essas foi a
do Oráculo Sibilino, fabricado inteiramente pelos judeus Alexandrinos, que anunciava a era futura, quando o
reinado do Deus Único se efetivasse. Os judeus tentaram ainda, atribuir a si mesmos até a Literatura e Filosofia
Grega. Em um comentário sobre o Pentateuco que Eusébio preservou para nós, Aristóbolo empenha-se em
mostrar como Platão e Aristóteles haviam encontrado suas ideias em metafísica e ética em uma velha tradução
grega do Pentateuco.”

Aristóbolo Philo

Georges Batault continua:

“A exegese – (interpretação profunda de um texto bíblico, jurídico ou literário), naquela época


consistia em distorcer textos para extrair deles o que se desejasse, era a única ‘ciência’ que pode ser
atribuída os judeus. Nas mãos do Judeus Alexandrinos, essa exegese tornou-se um braço formidável
que, pela perfídica força de suas mentiras veladas, arrolou o Helenismo à serviço do exclusivismo e
proselitismo dos Israelitas. A tentativa de ‘judaizar’ o Helenismo, que hoje nos parece tão perfeitamente
absurda e desastrosa, resultou todavia, no obscurantismo intelectual da humanidade que durou por
centenas de anos.”

O Maçon italiano Reghellini de Schio, escrevendo em 1833, diz:

“A Alexandria récem construída, foi colonizada pelos judeus que vieram em multidões para a
nova cidade. O resultado foi uma mistura de homens de diferentes nações e religiões que deram origem
a diversas associações filosóficas e religiosas. O Platonismo era ensinado publicamente pelos gregos em
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Alexandria e foi avidamente recebido pelos judeus Alexandrinos, que o comunicaram aos judeus da
Judéia e da Palestina ... No Egito e na Judéia antes do advento do Cristianismo, a filosofia de Pitágoras e
Platão havia enraizado entre os judeus, o que deu origem aos dogmas dos Essênios, Terapeutas,
Saduceus, Carpocratas, Gnóstico-Cabalistas, Basilideanos, e Maniqueus. Todos esses dogmatismos
adaptaram parte da doutrina da Magia Egípcia e seus Sacerdotes, e da filosofia de Pitágoras e Platão ao
Cristianismo. Daí espalharam-se pela Ásia, África e Europa. Esses diferentes Judeus-Cristãos preservaram
os Mistérios do Templo de Salomão com a alegoria do Grande Arquiteto, que era o Messias Judeu. Essa
ideia ainda está preservada pelos judeus de hoje.

Como des Mousseaux denota, os Gnósticos e os Maniqueus preservaram a Cabala dessa


Maçonaria primitiva, da qual um ramo criou raízes profundas entre os Druses e quando os Cruzados
inundaram a Ásia, infectaram os ancestrais da Maçonaria atual – os Templários, os Rosacruzes e os
instrumentos do Ocultismo Ocidental.