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1 Mateus Starling© www.maismusico.com.br / www.mateusstarling.com.br
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ÍNDICE:

Bem vindo e quem sou eu?

03

Talento vs. dedicação

06

Todo mundo precisa saber independente do estilo

08

Preciso aprender jazz? Acho um saco

10

Cronologia, material e organização

12

Foco, meta e periodicidade

13

Audição de qualidade e referências

15

Estudar não precisa ser chato

16

Estudando com os ciclos e nas 12 tonalidades

17

Uso do metrônomo

18

O melhor músico de todos os tempos

19

Tocar rápido, dinâmica e etc

21

Qual o momento certo para aparecer?

22

Musico de quarto e videos no youtube com dicas

23

Quanto e quando devo investir em equipamento?

28

Dicas para apresentação em público

31

Quando for estudar fique offline

32

Idade para começar ou se tornar um músico profissional

33

Cobrança negativa

35

A diferença entre saber, conhecer e dominar

37

Praticando com e sem efeito

37

Músico mente aberta

38

Conclusão/Depoimento

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Material completo

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Bem vindo e quem sou eu?

“O pintor pinta suas figuras na tela, mas músicos pintam suas figuras no silêncio.” (Leopold Stokowski)

Primeiramente quero dizer que me sinto extremamente realizado em compartilhar tudo aquilo que aprendi ao longo dos mais de 22 anos tocando meu instrumento e fazendo música.

Sou completamente apaixonado pelo que faço e talvez por isso eu tenha começado a dar aulas profissionalmente aos 16 anos de idade.

No mesmo ano que ganhei meu primeiro cachê como guitarrista de uma banda de baile, também ganhei 10 reais dando uma aula de guitarra para um guitarrista da minha cidade que era 20 anos mais velho do que eu.

Isso aconteceu porque, desde que coloquei a mão no meu primeiro violão tonante, que peguei do meu avô, eu nunca mais deixei de tocar o meu instrumento.

Praticava todos os dias, no mínimo 4 horas, de segunda a segunda, em pouco mais de 4 anos praticando meu instrumento eu já era um dos guitarristas mais solicitados da minha região.

Não vou alongar muito esta introdução, mas me chamo Mateus Starling, nasci no dia 10/05/1979 na cidade de Cabo Frio interior do Rio de Janeiro.

na cidade de Cabo Frio interior do Rio de Janeiro. (Foto tirada em Cabo Frio/1996) (Foto

(Foto tirada em Cabo Frio/1996)

(Foto tirada em Boston/2008)

Sempre fui muito intenso em curioso no estudo do meu instrumento. Sou daquele época onde as video aulas eram em fitas VHS e eu tinha a cópia da cópia da cópia que acabava chegando

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na minha mão sem cor e com várias falhas na fita, mas era tudo o que tinhamos, além de métodos que eram a xerox da xerox da xerox.

Como eu morava numa cidade do interior, não tinha muitas opções de professores, portanto video aulas e métodos sempre fizeram parte da minha vida.

Aos 16 anos de idade lancei meu primeiro trabalho instrumental, ainda em fita K7 e enviei para algumas revistas do gênero. Fiquei muito feliz quando a revista rock brigade (não sei se ainda existe) fez um review do meu trabalho dizendo que eu era o futuro da guitarra nacional, mesmo tendo em mãos uma fita K7 sem capa e nenhuma informação sobre mim, apenas o meu nome.

2 anos depois eu gravei um cd de trilhas para a rede globo local e em 1997 me mudei para o Rio de Janeiro.

Fundei uma banda pop chamada Karambah e tocamos por muitos estados brasileiros, na rádio e na TV

Em 2004 me casei e abracei uma causa que mudou completamente a minha vida e a minha trajetória musical. Aceitei Jesus na minha vida e 1 semana depois eu recebi uma notícia de que havia ganhado uma bolsa para estudar na maior faculdade de música do mundo a Berklee College of music de Boston.

A Berklee foi o divisor de águas na minha vida.

Em 2009 voltei a morar no Brasil, após 4 anos estudando e tocando com os maiores tutores e mestres do mundo, depois de ter tido a oportunidade de tocar com grandes músicos que se formavam junto comigo e, sobre tudo, passar 10 horas com o instrumento no colo todos os dias da minha vida.

Voltei com um cd de baixo do braço chamado Kairos, todo gravado com meus colegas da Berklee, e que me abriu portas internacionais. O cd foi literalmente aclamado pela crítica mundial saindo nos maiores sites, revistas e blogs do gênero. Cheguei a sair na capa de 2 revistas importantes do Brasil a cover guitarra e a guitarload.

importantes do Brasil a cover guitarra e a guitarload. (Cd Kairos gravado em 2008) (Cd Free

(Cd Kairos gravado em 2008)

(Cd Free Fusion gravado em 2011)

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Tive a oportunidade de tocar e gravar com vários músicos maravilhosos no Brasil desde que voltei a morar no Rio de Janeiro.

no Brasil desde que voltei a morar no Rio de Janeiro. (Sala Baden Powell, 31/01/2013 no

(Sala Baden Powell, 31/01/2013 no show do lançamento do cd guitar project. Pascoal Meirelles, Sergio Barroso, Cliff Korman, Altair Martins, Arimatheia, Julio Merlino, Mauro Senise, Fernando Trocado, Marcelo Martins e Mateus Starling).

Fernando Trocado, Marcelo Martins e Mateus Starling). Nelson Faria, Leo Amuedo e Mateus Starling Em 2011

Nelson Faria, Leo Amuedo e Mateus Starling

Em 2011 gravei o cd Free fusion com músicos brasileiros e mais sobre minha carreira você pode ver no meu site no link: www.mateusstarling.com.br/sobre

Iniciei a gravação de minhas video aulas em 2009 o maior acervo gravado por um único instrumentista brasileiro em formato cronológico.

Debaixo desta experiência eu pretendo repartir com vocês dicas muito importantes a respeito do estudo e de dicas musicais.

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Sem mais demoras vamos embarcar juntos neste livreto.

Sem mais demoras vamos embarcar juntos neste livreto. (Capa da revista guitarload) (Cada da revista Cover

(Capa da revista guitarload)

(Cada da revista Cover Guitarra)

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Talento vs. Dedicação

Antes de falar sobre talento gostaria que você fizesse uma reflexão.

Por que você começou a tocar um instrumento?

A resposta vai variar, mas não importa o motivo, você só manterá o foco se for apaixonado por isso, e é muito fácil se apaixonar por música e pela arte de faze-la.

Se você faz algo com paixão, as chances de que isso gere algo grandioso é muito maior do que se fizer algo sem paixão.

Dinheiro e poder movem as pessoas de uma forma rasa, só a paixão irá fazer com que uma pessoa se supere e tente ser cada dia melhor do que o dia anterior num ciclo que parece não ter fim.

Ninguém nunca conseguiu provar cientificamente que o talento existe, portanto, vamos refletir sobre algumas coisas e para isso vou extrair alguns trechos de um post feito pelo meu amigo Júlio Merlino ao blog do mais músico, o título do texto é “O segredo do grande músico”.

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Muitos alunos, em algum momento, acabam perguntando ao seu professor ou a algum músico que admiram, qual o segredo para se tornar um grande músico. Isso é normal e pode ser um reflexo de um grande anseio de realizar o sonho de ser músico.

Na minha experiência como músico e professor de música, vejo que isso, infelizmente, também é consequência de um modo de pensar equivocado, que acaba por restringir muito o desenvolvimento dos alunos. Basicamente, esse pensamento equivocado é um subproduto de uma espécie de “crença popular” de que a arte é um dom, e sendo assim, é algo inato, algo que ou você tem, ou não há nada que você possa fazer para ter. O estudo e a disciplina ficam completamente fora da equação. Em outros casos, alunos que têm uma rotina consistente de estudos podem ficar cansados e/ou ansiosos por não conseguirem enxergar os resultados dessa rotina, e acabam tendo os seguintes pensamentos sobre os seus ídolos musicais: “será que ele(a) estudaram tudo isso que eu estudo? Será que é esse mesmo o caminho? Não pode ser, deve haver algum atalho, algum macete… o “pulo do gato”’

final das contas, o segredo de qualquer grande profissional, não só do músico, está

no amor pelo que faz. O primeiro passo é ter certeza de que você realmente ama aquilo que você pretende fazer, pois a dedicação necessária para se tornar um bom profissional em qualquer área é tão grande, que se você não for visceralmente apaixonado pelo seu trabalho, você nunca será um profissional de excelência, nem na música, nem em nada. Se o seu objetivo é ser músico, em primeiro lugar, entenda o que significa ser músico: ser um artista, um artista com um aspecto técnico-instrumental colossal que nos demanda uma vida inteira de horas e horas de estudo sim, mas um artista. E como artista, a técnica somente não dá conta de tudo. É necessário conhecer e desenvolver-se em toda a parte conceitual que a arte engloba, é necessário ler, assistir filmes e documentários, ir a shows, concertos, gravações, sair para tocar, viver a música! Desta forma você estará se inserindo no meio do qual você pretende fazer parte, estará conhecendo as possibilidades de mercado de trabalho e as demandas profissionais que recaem sobre os músicos.

No

Resumindo: você precisa imprescindivelmente estudar sempre, não só o instrumento, mas percepção musical, harmonia, história da música (para se integrar dos conceitos sobre os quais esta arte tem se fundamentado ao longo da história e atualmente). Além disso, você precisa consumir arte (cinema, teatro, museus, galerias, livros, espetáculos musicais, etc.) e fazer arte tocar, compor, gravar, etc. Não existe mágica, música é um trabalho como qualquer outro, e para se formar nessa profissão, é necessário empenho, disciplina e muito trabalho. Se você realmente ama ser músico, todo esse trabalho será um prazer: quem faz o que gosta, está sempre de férias.”

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Acredito que você já tenha entendido o ponto. Por mais que você não queria ser

Acredito que você já tenha entendido o ponto.

Por mais que você não queria ser um músico profissional, você só alcançará o rompimento se colocar paixão na sua rotina de treino.

Portanto, ao invés de se questionar se realmente possui um talento para música, se posicione no sentido de que a única coisa que agora esta ao seu alcance é pagar um preço.

Quantas pessoas ficaram no meio do caminho com seus talentos maravilhosos porque acreditaram que apenas o talento seria suficiente para que elas sucedessem?

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Todo mundo precisa saber independente do estilo.

A música é uma linguagem mundial que é afetada pelo sotaque do seu povo.” (Mateus Starling)

Tenha em mente que as ferramentas para se fazer música são as mesmas, independente do estilo, portanto, não existe a escala da música erudita, a escala do jazz, o arpejo do rock ou a pentatônica do heavy metal.

Existem sim estilos que usam mais determinados conceitos e caminhos, porém as 12 notas que eu tenho disponíveis na minha guitarra são as mesmas 12 notas que o saxofonista, o pianista ou qualquer outro instrumentista tem disponível em seu instrumento melódico, sendo assim, as notas das escalas, dos arpejos e dos acordes são exatamente as mesmas.

Então, o que muda entre os estilos?

O que muda é o sotaque que se implementa ao executar as notas.

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Da mesma maneira que nosso país todos falem português, vamos encontrar sotaques diferentes nas diversas regiões do Brasil. Da mesma forma são os estilos musicais que, ao invés de variarem apenas num mesmo país, variam de sotaque ao redor do mundo.

A música é uma linguagem mundial que é afetada pelo sotaque do seu povo, portanto, algumas ferramentas você precisa aprender independentemente do estilo que vai tocar.

precisa aprender independentemente do estilo que vai tocar. Para ser bem direto e econômico, posso dizer

Para ser bem direto e econômico, posso dizer que o básico que o músico precisa desenvolver é o conhecimento das:

1) Tríades em formato harmônico e melódico, 2) Escala pentatônica maior e menor 3) Os 7 modos provenientes da escala maior (iônico, dórico, frígio, lídio, mixo, eólio e lócrio).

Este é o conhecimento mínimo e obrigatório que o músico precisa ter para se comunicar e fazer música.

Tenha em mente que você pode também ter o entendimento superficial ou mais aprofundado destes conceitos e de muitos outros que virão, portanto, quanto mais a sério você quer levar a música, de forma mais aprofundada você deve estudar estes pontos.

Recomendar tudo sempre em todas 12 tonalidades e mais a frente falarei deste conceito.

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OBS: Se você não tem uma boa profundidade neste material básico recomendo as aulas do meu material sobre este assunto que estão nas figuras abaixo.

material sobre este assunto que estão nas figuras abaixo.

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Preciso aprender jazz? Acho um saco.

Não. Na verdade você não é obrigado a aprender nada, quanto mais quando é você quem esta pagando para aprender.

Pode ter soado engraçado o que eu escrevi, mas é importante para refletirmos sobre o aprendizado.

Se você quer estudar música de maneira mais básica, apenas para tocar músicas TOP 10 da rádio FM ou talvez alguns temas mais simples de rock and roll com seus amigos ou em casa, em tese você não vai precisa se aprofundar conceitualmente além do que eu escrevi a cima, porém, vai ficar gastando mais tempo desenvolvendo técnicas especificas para o estilo e dentro daquela proposta específica.

Agora, se você tem alguma pretensão acima do que eu citei anteriormente você vai precisar estudar conceitos mais aprofundados, vai precisar ter um conhecimento harmônico mais interessante, expandir as escalas, estudando outros modos, estudando as tétrades, tanto na execução de arpejos quanto na execução dos acordes, vai precisar estudar os Drops e etc.

Enfim, você vai precisar estudar harmonia musical/funcional e onde você encontrará as harmonias mais interessantes para estudar?

Será exatamente no jazz, na música brasileira e no fusion ou no erudito, que é uma outra vertente no estudo.

Não quero dizer, porém, que não existam harmonias interessantes no rock e em outros estilos, sim, existem, vide bandas como os Beatles e Yes, apenas para citar algumas, mas o jazz se organizou muito bem neste sentido, pois basicamente todo o tema de jazz consagrado possui uma harmonia com algum tipo de modulação, com acordes tipo tétrades, com tensões e etc, enquanto que isso são coisas raras em temas de rock.

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Quando digo organização, eu me refiro ao real book que é um compêndio de temas que se consagraram no estilo e que estão reunidos em livros, tudo organizado em ordem alfabética. O mais famoso deles o real book 6th edition.

alfabética. O mais famoso deles o real book 6th edition. O Real book nada mais é

O Real book nada mais é do que as cifras, a forma e a linha melodica das músicas, não tem exercícios nem a aplicação das escalas ou arpejos, literalmente um compêndio de canções transcritas.

Se você quer se aprofundar no estudo da harmonia aplicada no improviso eu tenho vários materiais neste sentido, mas se você quer começar a estudar harmonia musical do zero num livro cheio de exercícios tremendos recomendo o livro do Júlio Merlino chamado “Harmonia musical” e um outro livro menor chamado “Cifras para ler e escrever”.

outro livro menor chamado “Cifras para ler e escrever”.

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Cronologia, material e organização.

“Se você tivesse começado com algo 2 semanas atrás, hoje você estaria 2 semanas melhor nisso.”(John Mayer)

Quem acompanha minhas postagens nas redes sociais e meus videos de dicas musicais no youtube, sabe o quanto eu insisto nesta tecla do estudo cronológico.

É muito natural para um guitarrista, que é um instrumento muito popular e recente na historia

da música, iniciar seus estudos sem nenhum tipo de organização, a não ser que você dê a sorte de ter um professor didático logo no começo dos seus estudos. Eu não tive esta sorte.

Diferentemente de um piano, por exemplo, que já tem toda uma tradição e organização de estudo, exatamente por ser um instrumento antigo, normalmente é muito fácil ter acesso ao estudo organizado, pois este sistema “organizado” já trafega ao redor do mundo a muitos anos sendo quase sempre acessível, enquanto que a guitarra tem recebido um tratamento didático mais recente, muitas vezes até mesmo por preconceito, como se o estudo organizado de algo fosse podar o talento natural, a atitude ou musicalidade de alguém.

O estudo da música popular, nisso incluo tudo o que não seja música erudita (clássico,

barroco e etc,) é muito recente, acredito que a primeira escola a organizar um estudo didático

neste sentido tenha sido a Berklee nos anos 60 na proposta do estudo da harmonia funcional,

as classes de improvisação e etc.

Você pode caminhar por um trilha desconhecida tentando por si só achar a saída, mas por que não usar atalhos e mapas se eles existem?

Se você possui um bom material (conteúdo) e se este material esta organizado, você já tem quase tudo para ser bem sucedido na sua caminhada, agora vai faltar apenas se dedicar ao estudo deste material de forma focada e, obviamente outros detalhes que nos próximos capítulos estaremos conversando um pouco mais.

Abaixo a minha cronologia atualizada em Maio de 2014 com todas as minhas aulas em video que você pode utilizar para estudar em casa ou seguir com seus alunos, caso seja professor.

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------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Foco, meta e

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Foco, meta e peridiocidade.

Vou iniciar este capítulo com uma figura postada na fanpage (facebook) do MAIS MUSICO alguns meses atrás que se resume exatamente o que quero tratar nesse capitulo.

que se resume exatamente o que quero tratar nesse capitulo. 13 Mateus Starling© www.maismusico.com.br /

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Eu particularmente gastei muito tempo de minha vida estudando sem um proposito, sem uma direção, sem um material, sem cronologia. Não tem nada de errado em começar de forma descompromissada, apenas na curtição do instrumento, tentando tirar coisas de ouvida, aliás, este processo de tirar músicas será importante sempre e escreverei sobre isso mais a frente.

O grande problema é que em breve encontramos um teto que parece ser intransponível sem o

direcionamento de um tutor, sem uma meta e uma organização.

Algumas coisas que eu descobri por minha conta, mas que são comportamentos que os profissionais da área comportamental estudam e divulgam, é a necessidade de ter uma constância no estudo. O que isso quer dizer?

Não adianta estudar muitos assuntos de uma vez e não reve-los por um tempo significativo, portanto, é melhor estudar poucos assuntos por um bom tempo do que muitos assuntos por pouco tempo.

Quanto ao tempo gasto estudando, existe algo que eu vivia perguntando para músicos mais experientes e hoje me fazem essa pergunta e acho um pouco natural, porque no fundo se pensa da seguinte maneira: “Se esse cara toca bem e ele treina 5 horas por dia e toca a 5 anos, então se eu treinar 7 horas por dia eu vou ficar melhor que ele em 4 anos”.

Esse e o nosso cérebro tentando fazer estatísticas, mas obviamente não é tão simples assim.

Você deve tentar passar o maior numero de horas possíveis tocando seu instrumento e tentar praticar pelo menos 4 ou 5 dias na semana.

É importante manter um ritmo de estudo sequencial, tal como exercício físico. Se você passa

mais de 3 dias sem praticar o seu corpo irá sentir estes efeitos, assim também é com o instrumento.

Portanto, se você conseguir passar um TEMPO DE QUALIDADE com o instrumento é obvio que 2 horas praticando trará melhores frutos do que 1 hora.

Mas 10 horas com o instrumento subindo e descendo escalas, arpejos e fazendo exercícios de técnicas só vão servir para esse fim, que na verdade é um fim ainda bem distante do resultado satisfatório de se fazer música.

Buscar um tempo de qualidade com o seu instrumento é a melhor opção.

Estudar não precisa ser chato e também não precisa ser desorganizado. Existe uma cronologia que pode ser ajustada a cada pessoa, mas conceitos e ferramentas musicais são necessários para se fazer música.

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Você não precisa se tornar um mestre em cada tópico, mas é importante extrair o máximo de um assunto ou conceito antes de avançar.

Música é vasta em estilos e em áreas de conhecimento com várias matérias, tópicos e sub- tópicos dentro da música, portanto, é importante ter um foco por algum momento, mesmo que você queira saber de tudo.

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Audição de qualidade e referências.

Quem me acompanha sabe o quanto eu já escrevi e gravei sobre a temática audição de qualidade.

Quando me refiro a audição de qualidade digo para alguém parar e realmente ouvir um álbum, ao invés de ouvir música como um plano de fundo das atividades cotidianas. Apreciar e aprender com a música, entrar e mergulhar na proposta.

O mp3 dentro de nossos telefones e players acabaram por estragar com a qualidade de nossas

audições.

Todo mundo baixa discografias completas de vários artistas, mas no fim das contas as pessoas mal ouvem 1 álbum inteiro de uma banda ou artista.

O

aprendizado da música anda de mãos dadas com a audição.

O

músico precisa de referência para criar seu banco de dados musical. Algo que sempre será

acionado quando ele estiver tocando. Algo que desencadeará uma série de reações e estímulos

diversos, ou seja, o músico vai reagir basicamente sustentado em 3 pilares.

1) Baseado no que ouve

2) Baseado no que estuda

3) Baseado em informações e outras experiências (artísticas ou não), mas que contribuem para

a formação da personalidade musical.

Creio que escrever sobre isso é urgente, pois temos vivido tempos muito diferentes daqueles vividos pelos nossos mestres, aqueles caras que são nossas referências musicais.

Nossos mestres se criaram musicalmente vivenciando a música de uma maneira mais profunda, num tempo de menos distrações e de mais interação entre as pessoas.

As pessoas se deliciavam diante de 1 álbum por dias a fio, memorizavam os solos, as nuances

e pequenos detalhes. Isso era fundamental para criar aquele banco de dados que será acionado na hora em que tocamos.

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Quando tocamos de uma forma é porque imaginamos determinada referencia musical, achamos que estamos imitando determinada concepção ou sonoridade, quando na verdade estamos reagindo ao momento baseado no que temos disponível.

Não se pode fazer música sem isso e quanto menos disso menos possibilidades teremos.

Portanto, ouvir música com o intuito de uma imersão na audição é tão importante quanto o tempo gasto estudando.

Aquilo que estudamos também esta diretamente relacionado aquilo que ouvimos. Não vale a pena estudar algo que não se pode vivenciar musicalmente. Aquilo que se aprende e fica meramente no plano teórico e não pode ser desenvolvido ou experimentado acaba sendo eliminado por nosso cérebro.

ou experimentado acaba sendo eliminado por nosso cérebro. (Grandes influenciadores da história da guitarra)

(Grandes influenciadores da história da guitarra)

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Estudar não precisa ser chato.

Quando começamos a falar sobre o estudeo de tantos pontos parece que o produto final do nosso treino será algo altamente burocrático, mas como eu disse, não adianta pegar o instrumento todos os dias sem um propósito, uma hora realmente você se sentirá desestimulado e acabará colocando o instrumento de lado.

O

foco, a disciplina e a organização não precisam tornar o estudo chato e para isso você pode

se

valer de muitos parâmetros.

Eu particularmente acho muito interessante o uso de playbacks, pois é algo que te coloca próximo de uma experiência real de banda.

Você só precisa tomar cuidado para não ficar muito aleatório na escolha dos playbacks, mas tentar usar playbacks que estejam dentro da sua proposta de estudos, quem sabe você mesmo criar os seus próprios playback?!

Nas minhas video aulas eu tento ao máximo produzir playbacks para que as pessoas estudem

os tópicos tocando com a música.

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Ao estudar com playbacks ou qualquer outro tipo de acompanhamento, como por exemplo o programa band in a box que te permite escrever os acordes e o programa toca de volta a sequência escrita, tente variar o numero de instrumentos que estão acompanhando as vezes no formato de duo, outras de trio, quarteto, instrumentações diferentes e etc.

Tome cuidado com o band in a box não ficar olhando o tempo inteiro na tela a mudança de acordes pois é um mimo que não vai existir na vida real, onde a forma da música precisa estar na sua cabeça ou numa folha estática.

Recomendo também você tocar junto com os discos, seja tocando exatamente por cima do que o instrumentista esta tocando ou fazendo floreios ou preenchendo de uma outra maneira o que já esta sendo feito.

Outra maneira bacana de fazer com o que o treino seja estimulante é criar desafios. Como eu gosto sempre de estudar tudo em 12 tons eu uso muitos os ciclos (quartas, quintas e etc) e quase sempre eu faço alguns ciclos aleatórios, algumas vezes com mais de 1 acorde por compasso, sempre com o intuito de me desafiar.

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Estudando com os ciclos.

Dizem que quem começou com esta história de estudar em ciclos foi Pat Martino nos anos 60, mas alguns outros músicos difundiram bastante esta ideia de estudo, tal como Pat Metheny, que foi professor na Berklee nos anos 70 e deixou um legado muito grande na faculdade neste sentido.

Basicamente usamos os ciclos de quartas e quintas para estudarmos em todos os 12 tons, dessa maneira, cobrimos todos os conceitos em todos os tons, eliminando a obscuridade de tocar em certas tonalidades.

Além de cobrir todos os tons é aconselhável que se estude em regiões estáticas, principalmente se o seu instrumento for guitarra, violão ou baixo pois estudar em 12 tons usando o mesmo shape não vai ajudar muito, o intuito é exatamente forçar o instrumentista a usar todos os shapes.

Na figura abaixo você percebe que separei o braço do instrumento em 5 regiões. Como normalmente temos 5 shapes para cara escala ou arpejo, este padrão funciona muito bem.

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Não vou me alongar muito mais sobre a questão das regiões estáticas porque é algo

Não vou me alongar muito mais sobre a questão das regiões estáticas porque é algo que eu cobro muito em minhas video aulas, desde o DVD guitarra para leigos 3 e o curso intensivo de improvisação, portanto, se você tiver dúvidas sobre isso pode consultar o material.

Sobre os ciclos, usamos basicamente ciclo de quartas e quintas pois são ciclos que percorrem todos os 12 tons perfeitamente como escrevo abaixo:

Ciclo de quartas: C F Bb Eb

Ciclo de quintas: C

G

D

A

E

Ab Db

Gb

B

B

F# C# G#

E

A

D

G

D# A# E#(F)

Uso também outros ciclos, mas nenhum outro ciclo vai perfeitamente correr os 12 tons, por isso é necessário que em alguns outros ciclos você dê uma “roubadinha” para o ciclo cobrir todos os tons.

Ciclos de segunda menor, segunda maior, sétima menor e sétima maior não funcionam muito bem, principalmente para guitarristas, pois acabamos por apenas mover os modelos ½ tom ou 1 tom acima ou abaixo sem passar pelo processo de mudar de shape a cada acorde.

Ciclo de terças menores: C Eb Gb A Db

E

G Bb

D

F Ab

B

Ciclo de terças maiores: C E G# Db

F

A

D

F#

A# Eb

G

B

Ciclo de sextas menores: C

Ab E

Db

A

F

D

Bb

Gb Eb

B

G

Ciclo de sextas maiores: C A F# D# C# A#

G

E

D

B

G#

F

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Uso do metrônomo.

É fundamental praticar com metrônomo para que o seu timing seja preciso, ou seja, para que

você não perca o andamento.

Existem situações onde propositadamente o músico toca um pouco fora do tempo, seja atrás ou a frente do tempo, mas isso é algo feito intencionalmente.

Você pode usar o metrônomo de muitas formas, mas basicamente sentimos o metrônomo com

o tempo no 1 e 3 ou no tempo 2 e 4. Dentro desta possibilidades você pode subdividir também os tempos.

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18 Mateus Starling© www.maismusico.com.br / www.mateusstarling.com.br

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Veja que temos 3 figuras acima. Na primeira figura estamos fazendo a contagem junto com

Veja que temos 3 figuras acima.

Na primeira figura estamos fazendo a contagem junto com a batida do metrônomo, ou seja, toda vez que o metrônomo fizer Tá você conta o numero, 1, 2, 3, 4.

Na segunda figura eu estou subdividindo 1 batida em 2 tempos, então sentiremos como colcheia, ou seja, você vai contar Tá na batida do metrônomo e cá no contra tempo.

No terceiro exemplo é o que chamamos de metrônomo no 2 e 4. Usamos muito esta contagem para obter o fell do swing do jazz. Desta maneira, pensamos em colcheias e contamos o 1 no contra tempo ao invés de contar no tempo forte.

Eu falo sobre metrônomo em várias aulas, mas se você quiser saber especificamente sobre contagem do metrônomo no jazz veja a video aula “fraseado no jazz”.

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O melhor músico de todos os tempos.

Vou repartir uma postagem que fiz no meu blog a alguns anos atrás mas que é muito atual.

“Já faz um bom tempo que a galera gosta de postar uns videos com crianças orientais tocando e logo abaixo: “Existe sempre uma criança oriental para te humilhar”.

Confesso que realmente achei engraçada a frase, mas não o fato.

Voltando lá para 2005, eu estava tendo uma aula particular, numa determinada sala da Berklee, e eu sempre chegava um pouco mais cedo e me sentava no chão, em frente à sala, para praticar um pouco e esperar minha vez, e toda vez que eu parava ali lia o mesmo texto do Bill Evans que estava colado na porta.

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O texto era:

"Eu acredito em coisas que são desenvolvidos através do trabalho duro. Sempre gostei de pessoas que se desenvolvem penosamente e ao longo do tempo, especialmente através da introspecção e muita dedicação. Acho que eles acabam por encontrar algo muito mais profundo e belo do que uma pessoa que parece ter a habilidade e fluência desde o principio. Eu digo isso porque é uma boa mensagem para dar aos jovens talentos que se sentem como eu também já me senti".

O texto era muito animador porque eu era um aluno mais velho que o padrão, cheguei lá com

24 para 25 anos, enquanto a maioria dos jovens tinham entre 19 e 21 anos, enfim, não parece grandes coisas mas, por incrível que pareça, existiam alguns professores que ficavam falando:

“Com a sua idade eu já fazia isso. Fulando de tal que tem 18 anos faz isso melhor que você”.

Fulando de tal que tem 18 anos faz isso melhor que você”. Eu nunca tinha tido

Eu nunca tinha tido um estudo formal na minha vida e para mim tudo aquilo era novo, sobreposições de tríades fechadas e abertas, acordes drop 2, leitura a primeira vista, inversão de acordes com tensão, meu Deus !!!! rs

O que Bill Evans falara era um tremendo tapa na cara de todos esses professores. Bill dizia

que um grande talento era lapido ao longo dos anos, com tentativas, mais erros que acertos. O talento não era algo que simplesmente brotava preparado. O grande músico precisa trabalhar duro, principalmente o músico que desenvolve uma personalidade, o músico que se difere de outros por sua originalidade.

Bill Evans foi um desses que mudou a historia do piano, lançou seu primeiro trabalho solo com 27 anos de idade e não com 14 anos como muitos prodígios.

Eu quero chegar num lugar que é: “Quem humilha quem aqui”?

Executar uma cópia pode ser difícil, mas até um macaco, se ensinado pacientemente, pode executar muitas coisas humanas com perfeição. O fato é que o que foi tocado por um ser humano pode ser copiado por outro.

Sempre houve prodígios, talvez hoje mais do que nunca, e posso dizer, sem chance de errar, que a maioria deles simplesmente sumiram com os anos entre muitos outros grandes músicos.

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Originalidade é algo que se molda devagar, talvez uma pessoa ou outra consiga isso cedo, mas a maioria das pessoas passam anos desenvolvendo uma concepção.

Muitas vezes o ser prodígioé prejudicial, pois vem com uma cobrança por resultados. Quando não temos pressão, simplesmente tocamos pelo desejo de tocar e aprender e, dessa maneira, temos grandes chances de desenvolver algo que podemos chamar de nosso.

Vi um vídeo essa semana de um menino de 12 tocando guitarra estilo Steve Ray e ele tocava

realmente muito bem para a idade. O vídeo era antigo e resolvi procurar pelo mesmo menino

hoje em dia e, foi quando percebi que ele já tem seus 20 e poucos anos. Depois de tantos anos

eu encontrei aquele mesmo menino tocando como Steve Ray, não desenvolveu uma linguagem própria, apenas aprendeu a imitar muito bem.

Nada de errado em copiar, talvez seu sonho seja apenas tocar aquele solo do David Gilmour e com isso você já morreria feliz, mas sejamos sinceros, que instrumentista profissional não busca em certo grau uma linguagem? Você não precisa ficar paranoico com isso, mas somos seres humanos únicos, Deus não fez ninguém igual, e se realmente buscamos exprimir aquilo que esta dentro de nós, é bem natural que aquilo que executemos seja um reflexo do que somos e não de outras pessoas.

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Tocando rápido, dinâmica e etc.

Uma das primeiras coisas que perseguimos quando começamos a estudar nosso instrumento é adquirir velocidade. Por que?

Porque velocidade cria impacto no ouvinte e nós somos ouvintes.

O virtuosismo esta presente na músicas a séculos, bem antes de John Coltrane e ainda antes

do violinista Paganini.

Portanto, não existe nada de errado em tocar rápido, o problema é quando tocar rápido é o único fim do músico. Talvez por isso temos visto estas competição de velocidade que nada tem a ver com manifestação artística, apenas um show de horrores para a gurizada.

Quando falo de velocidade eu penso logo em dinâmica.

Tocar rápido importa quando você tem o domínio em tocar devagar, aliás, tocar devagar deve

vir antes da velocidade, até porque é um processo natural.

Portanto, vejo a velocidade como um elemento que contrasta com um momento de menos velocidade. Se você só toca rápido em todos os seus solos, o tempo todo, você não terá nenhum outro diferencial em sua música.

Claro que não existe uma regra, existem pessoas que preferem prevaricar a velocidade e não existe problema algum nisso, mas os grandes improvisadores virtuoses do instrumento sempre foram capazes de exercer com domínio este contraste da velocidade.

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Outro elemento importante que você deve ter em mente é a forma como você ataca o seu instrumento, a força que coloca na execução.

Isso é algo tão importante que esta expresso na partitura, sendo assim, temos uma tabela de dinâmica no instrumento e você de ter isto em mente ao praticar, ao improvisar, buscar interagir e usar o máximo que puder das dinâmicas e dos contrastes.

e usar o máximo que puder das dinâmicas e dos contrastes.

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Qual o momento certo para aparecer?

Quem acompanha a minha série de videos no youtube chamada “Dicas musicais” já se deparou com um video que leva este nome (Se você não se inscreveu no meu canal basta procurar pelo meu nome).

Portanto, o que eu vou escrever aqui não é muito diferente do que eu falei no video.

Vou tentar ser o mais direto possível neste sentido.

Quando comecei a tocar não existia internet e isso me poupou de colocar muita porcariada na internet, pois possivelment,e se existisse internet naquele momento da minha vida, eu teria o meu canal com todos aqueles videos dos primeiros meses e anos tocando.

Não vejo nada de errado em uma pessoa iniciante colocar seus videos na internet o problema é para quem estes videos são endereçados.

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Muitas pessoas mal começam a tocar e já começam a postar videos no youtube e enfiar goela abaixo das pessoas, fazendo marcações no facebook, spam, pedindo para pessoas que elas nem conhecem por favor para assistir, curtir e compartilhar.

Curta o anonimato, aquela fase onde você esta se desenvolvendo dentro do seu quarto ou no ensaio com os colegas, não queira queimar etapas. Tenha paciência que os resultados virão e consequentemente o seu sucesso.

Se valha da sua rede de contatos pessoais, amigos, familiares, são eles que no começo terão paciência para ver seus videos, ouvir suas gravações e te apoiar. Com o tempo você vai melhorando e rompendo esta barreira e partindo para outros ciclos, mas não tente de maneira nenhuma criar um crescimento artificial sem realmente conquistar uma base de seguidores pela qualidade do seu trabalho.

Procure um tutor ou uma pessoa mais experimentada que possa te auxiliar e te mostrar o caminho para aparar as arestas.

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Geração músicos de quarto e videos no youtube.

Partimos do princípio que você já passou desta primeira fase e que agora você possui algo relevante para mostrar, sendo assim, reparto um texto que coloquei a uns meses atrás no meu blog chamado “Geração músico de quarto”.

Geração músico de quarto:

Existem alguns caminhos que não tem mais volta. Um deles é a internet.

Não escrevo de forma pejorativa, internet pode ser uma benção ou uma maldição, depende do piloto.

A internet mudou a música e forma de se fazer música e hoje temos uma nova modalidade de músico que é o músico de quarto.

Eu já fui um grande crítico deste tipo de músico, mas hoje prefiro analisar de um outro prisma.

A música é muito ampla para dizermos que o músico precisa ser desse ou daquele jeito.

Eu particularmente não vejo graça em um álbum de música instrumental onde os músicos gravam as faixas em separado. Gosto daquele som orgânico onde todos gravam juntos e interagem, onde é possível sentir a surpresa, a reação de cada um naquele momento único, onde os músicos se rendem ao momento musical e registram algo que nunca mais será o mesmo.

Eu só gravo meus trabalhos desta maneira e não pretendo nunca mudar este hábito em meus projetos solo.

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O meu gosto pessoal não afasta um outro universo da música que é tocar com outras

retenções.

Sinto que músicos que fazem parte da geração mais orgânica se sentem, muitas vezes, ofendidos com esta geração de músicos de quarto, pessoas que talvez nunca saíram do quarto para tocar com outras pessoas.

Algumas vezes isto acontece por falta de tempo, outras por falta de oportunidade ou até mesmo por escolha.

outras por falta de oportunidade ou até mesmo por escolha. O que precisamos entender é que

O que precisamos entender é que existem envolvimento com a músico em vários graus.

Nem todo mundo quer ser um músico profissional, nem todo mundo quer ter uma banda e se apresentar em um lugar público, mas para muitas pessoas o video no youtube já é o palco que lhe dá a satisfação de uma apresentação.

Claro que muitas pessoas vão se mascarar atrás disso para aparentar um nível músical que não possuem, refazendo, emendando e editando centenas de vezes trechos da execução para ficar “perfeito”, mas isso é inerente ao homem e não necessariamente um problema do músico de quarto. Me refiro ao fato de passar para a frente uma impressão daquilo que gostaríamos de ser e não necessariamente do que somos.

Aliás, o que é mais importante, o processo, o resultado final ou tudo?

Apesar disso, muitos destes músicos de quarto querem apenas curtir, compartilhar um video com os amigos, expor sua evolução, seu som.

Existem também muitos músicos profissionais que se fizeram unicamente neste projeto de quarto, são músicos de uma geração mais recente e que fizeram uso adequado da tecnologia para se promover e estabelecer uma carreira.

E ai, eles estão errados?

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Para mim errado esta quem fica prostrado e reclamando de que o mercado esta ruim, de quem não existem oportunidades e não toma nenhuma atitude para mudar isso.

Viver de música sempre foi difícil para o instrumentista, bobo é quem não se vale da internet para se promover e levar sua carreira para outro nível de exposição.

Portanto, não importa se você toca toda semana na melhor gig da cidade, se você toca na

igreja e também grava o seu video ou se você optou apenas por tocar no seu quarto. Assuma

as consequências da sua escolha musical, sabendo que a ausência de determinadas

experiências (tocar com outras pessoas) vão te privar de um crescimento musical em algumas áreas, mas por outro lado se eximir do uso da internet para propagar sua música também vai te privar de muitas outras conquistas.

No final das contas o mais importante é se sentir realizado com aquilo que se esta fazendo porque se hoje tocamos um instrumento é porque nos sentimos apaixonados pela música e pela arte de cria-lá.

Embalado no texto acima, compartilho um texto que meu amigo Roberto Torao (especialista em youtube), escreveu para o nosso blog no MAIS MUSICO. Neste texto ele dá dicas preciosas para quem quer gravar e colocar videos no youtube.

“O youtube atualmente é a melhor ferramenta para divulgar seu trabalho, pois é de graça e atinge um público enorme. A gente poderia passar vários dias falando de cada tópico, resolvi compartilhar algumas dicas com todos vocês.

Câmera:

Hoje existe uma infinidade de opções pra filmar e captar as imagens dos seus vídeos, comece com algo simples uma boa webcam tipo equipamentos melhores, uma filmadora dedicada que capte em 1080p ou que já é meio que um padrão no Youtube, uma câmera DSLR tipo Canon T3i, T4i, T5i, 60D ou superior.

Audio:

O audio captado pela câmera sempre é ruim, até existe uma camera da marca Zoom que o

áudio é excelente mas a imagem é bem ruim, procure captar o audio separado com uma interface de audio, é como você estivesse gravando uma música em seu DAW, invista também em microfones tipo headset ou lavelier pra captar sua voz, além de ficar mais “profissional”, evita a poluição na imagem com um microfone tradicional e seu suporte.

Audio em 44.1khz ou 48khz?

A resolução do audio dos vídeos deve ser preferencialmente em 48khz, porque é um padrão e

pra sincronizar audio e vídeo deve ser um sampler rate com número par, se for em 44.1khz em alguns casos não há sincronização entre o audio e vídeo, e se fica muitas vezes o tamanho de vídeo fica maior e demora mais pra renderizar, o computador trabalha mais pra tentar “sincar” esse valor inexato com vídeo. Evite misturar 48 com 44.1, sempre dá problemas, tente unificar tudo em 48khz.

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Luz:

As câmeras adoram luz, sem luz não tem filmagem, a melhor luz é o sol num dia bonito, quando não tem é necessário uma luz artificial, existem desde de soluções caseiras como abajur improvisados ou até um kit SoftBox. É de longe um dos itens mais importantes que por muitas vezes são substimados e ignorados por todos nós.

Visual:

No começo é bem engraçado, você usando “roupas de sair” pra filmar vídeos, sua mulher e filho vão perguntar para aonde estamos indo, a gente dá uma risada e fala que é pra fazer vídeo, até que um dia vira rotina e não haverá mais questionamentos. Evite fazer vídeos mostrando pés descalços, sem camisa, fundo do cenário bagunçado, instrumentos sujos e etc…

 
 

Dominar o Conteúdo:

Evite falar de um assunto no qual você não tenha experiência, procure sempre por um assunto no qual você domine bem e tenha fluência, assim você vai passar segurança para quem estiver assistindo.

Atualizar Seu Conhecimento:

Quando decidir o tópico do vídeo, antes de filmar, sempre é bom revisar olhando outros vídeos e pesquisando sobre o assunto no google e fóruns.

Os primeiros segundos:

Os primeiros segundos são decisivos pra que o espectador assista ou não o vídeo, é preciso caprichar neste primeiro momento pra que seja interessante e ele continue a assistir o resto do vídeo.

Cenário:

Tente manter o fundo do cenário arrumado e organizado, retire algo que você não quer mostrar, imagine um protótipo de uma empresa que deve ser segredo, ou até uma meia, calcinha ou cueca, rapidamente viraria uma piada nas redes sociais. Outros preferem um fundo neutro, branco ou preto, ajuda a focar mais em você e não disperça a atenção das pessoas, e pelo fato de ser um cenário mais simples, na hora de exportar o vídeo, ele fica menor também.

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Vinhetas:

Muita gente investe muito em aberturas e finalizações em vinhetas hollywoodiana e personalizadas, lembre-se que o mais importante é o conteúdo, e evite também vinhetas longas e cansativas, faça algo curto e objetivo, muitos nem usam, tentam nos primeiros segundos chamar a atenção do espectador pra assistir o vídeo todo.

Seja pontual:

O começo de um Vlog é difícil, mas um dos melhores conselhos é manter a atividade

constante, seja pontual, poste sempre um vídeo semanal, de preferência no mesmo dia da semana, tipo todo domingo um vídeo novo, mesmo que a visualização seja baixa, tenha fé em

seu trabalho que um dia vai trazer grandes frutos pra você.

Valorize seu nome:

É muito importante que você enfatize seu nome ao invês de uma marca, os pessoas precisam

lembrar de você ao invês do nome do seu VLog, é muito constrangedor as pessoas lembrarem

do nome do seu canal mas não saber seu nome, então desde de já, mantenha o objetivo que

seu nome é mais importante.

Sem inspiração:

Muitas vezes não estamos num dia bom pra tocar, e isso acontece as vezes quando estamos filmando um vídeo novo, se ficar muito enganchado nas falas ou não estiver tocando legal, páre e refaça outra hora.

Sem obrigação:

As vezes você não está 100% satisfeito com o resultado, seja porque você não tocou bem, ou

o que você falou talvez não ficou legal, ou o som não tá bom, então não publique, ajeite e

conserte antes de subir pro youtube, afinal o chefe é você, não existe nenhuma obrigação de lançar do jeito que estiver neste momento, você pode adiar um dia, não tem nenhum problema nisso.

Resolução em vídeo:

Sempre quando exportar um vídeo, faça na maior qualidade de imagem e vídeo possível, pois

o youtube sempre vai recomprimir o vídeo, eu uso um encoder H.264 ou X.264 com o

programa apple compressor pra comprimir meus vídeos, a resolução é 1080p (1920×1080) ou 720p (1280×720), o youtube se encarrega de encodar os formatos de menor resolução a partir

da qual vc mandou.

Pós-Produção:

Não é apenas filmar e subir de qualquer jeito pro Youtube, edite as imagens e sincronize com

o áudio captado, corte as cenas em excesso, corrija as cores, adicione fotos, efeitos e títulos, use filtros de imagem pra dar um “ar” diferente, as vezes aplicamos filtros pra corrigir algum erro, por exemplo, quando está muito ruim, eu jogo um filtro preto e branco que lembra uma TV de tubo antiga. Então, é isso, muito obrigado a todos, foi um grande prazer estar aqui, espero voltar mais vezes.”

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Quando e quanto devo investir em equipamento?

Não poderia deixar de repartir este texto do meu blog, pois sempre será um assunto pertinente na nossa sociedade de consumo. As pessoas embaladas pela industria do marketing acabam comprando o que não conhecem e o que não devem, portanto, espero que o texto abaixo seja uma boa reflexão sobre o assunto:

“Hoje estive passando por vários grupos no facebook e, algo comum em todos, é o excesso de pessoas anunciando equipamentos usados para vender.

É tanto equipamento que é preciso colocar regras para que o grupo não perca o proposito

inicial e seja somente um emaranhado de anúncios.

Por que tantas pessoas vendendo equipamentos?

A resposta é obvia. Porque compraram mal.

Compraram na compulsão, compraram sem pesquisar ou até mesmo compraram sem necessidade.

Estes dias um aluno apareceu com uma pedaleira da TC eletronic me pedindo para que eu o ajudasse na venda, a mesma custou para ele mais de mil dólares.

Como você vai vender um negocio desses no Brasil? Um equipamento usado que custa 4 ou 5 mil reais? Você poderia ter investido este dinheiro em tantas coisas importantes tal como o conhecimento que é algo que ninguém pode roubar de você.

conhecimento que é algo que ninguém pode roubar de você. O aluno resolveu deixar a pedaleira

O aluno resolveu deixar a pedaleira de lado pois achou muito complexo de usar.

Já escrevi sobre este assunto algumas outras vezes e por isso não quero parecer redundante ou oportunista, mas para mim a lógica é óbvia.

Comece tocando com o que esta disponível, mesmo que seja ruim.

A maioria das pessoas começaram tocando com equipamento ruins e com o amadurecimento musical foram adquirindo pontualmente os equipamentos necessários.

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Aprenda os primeiros passos, estude sempre, desta maneira ficará mais fácil compreender aquilo que é necessário para complementar o seu som.”

Complementando este meu texto eu não posso deixar de falar da experiência de quem começou a tocar um instrumento nos anos 90 ou antes disso.

Eu já peguei a era dos multi efeitos, mas vi surgindo os simuladores. O que eu posso dizer é que os guitarristas mais antigos comprava um pedal a cada 2 anos, portanto, as pessoas conheciam cada pequeno detalhe do pedal.

Depois vieram os multi efeitos, colocando vários pedais dentro de uma mesma caixinha. Aquela galera que já se dava bem com os pedais só fez a comparação com os multi efeitos para ver se valia a pena e ai faziam a escolha por permanecer nos pedaizinhos ou comprar uma pedaleira.

Depois vieram os simuladores. Para quem já conhecia os sons dos amplificadores foi o mesmo processo, comparávamos para ver se a simulação valia a pena ou não.

Agora imagina quem já nasceu nesta geração POD, onde dentro de um feijãozinho você tem 100 pedais diferentes e 40 amplificadores diferentes, seria a mesma coisa de entrar numa sala onde todos estes componentes estivessem disponíveis e você tivesse que fazer as experimentações uma por um, vendo aquilo que vale a pena para o seu som, gastando tempo timbrando cada uma das possibilidades. Quanto tempo isto levaria?

Portanto, hoje as pessoas querem comprar estes simuladores sem nenhuma experiência previa em timbrar pedais ou amplificadores, é como herdar uma fabrica onde você não conhece o processo de fabricação, é um pesadelo.

O mais querente é comprar com maturidade e fazer as melhores escolhas e, depois que fizer a escolha, gastar tempo timbrando e trabalhando a mão, que é onde esta a maior parte do som.

Se

você quiser ler mais uma reflexão sobre o assunto eu publico aqui um outro post meu a

este respeito:

“O iphone tem uns recursos muito legais de fotografia onde, após tirarmos uma foto, podemos escolher um efeito para sobrepor a imagem.

Gosto de usar as fotos em preto e branco, mas por mais que eu me esforce, nem de perto minhas fotos tem um aspecto parecido com as do Sebastião Salgado.

Indo direto ao ponto, timbre de guitarra não está no efeito, mas esta na mão do guitarrista. O guitarrista precisa de uma guitarra e de um amplificador para expelir ideias e apenas com esses 2 elementos já seria possível ser eternamente feliz e, baseado nisso, digo que ordem de investimento deveria ser. Primeiro estude seu instrumento, depois compre uma boa guitarra e um bom amplificador.

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Tal como podemos usar dezenas de efeitos para trazer um aspecto diferente a fotografia, assim

Tal como podemos usar dezenas de efeitos para trazer um aspecto diferente a fotografia, assim também podemos fazer com o som da guitarra através dos multi-efeitos ou pedais, mas tal como a foto, pouca coisa ficará melhor se o produto artístico for ruim.

Efeitos são desnecessários? Claro que não, mas eles não são primordiais.

Inclusive acho importante que o estudante da guitarra passe a maior parte do tempo do seu estudo sem usar efeitos para que possa dominar o som primário da guitarra (guitarra ligada no amplificador).

Esses pedais são fascinantes, hoje tanto na forma sonora quanto na forma visual. Quando era estudante na Berklee fiz classes exclusivas sobre efeitos que foram muito interessantes para conhecer os mesmos por dentro, origem e evolução ao longo dos anos. Sempre fui um consumidor de efeitos, já tive mais de 50 pedais diferentes (ainda tenho vários), além de multi-efeitos, inclusive sou endorsado por uma excelente marca de pedais boutique, portanto, eu tenho pedais no meu set e curto muito esse negocio.

Existem alguns músicos que fizeram dos efeitos peça essencial do seu som. 2 caras logo pintam nas ideias “The edge” e Tom Morello e acredito que tem pessoas que querem seguir um caminho parecido, mas a maioria usam efeitos para complementar o som, para dar mais beleza, para ornamentar, mas o que quero dizer é que não podemos chegar na premissa de que o timbre estará no efeito. O timbre esta na mão onde controlamos dinâmica e a pegada. Através da pegada emitimos mais e menos drive apenas atacando mais ou menos as cordas.

Longe de mim reprimir o uso de pedais, estaria sendo hipócrita porque eu uso e adoro, mas eu apenas bato na tecla de que numa cadeia de importância o uso de efeitos é acessória, na maioria das vezes, e algo que esta muito em voga na nossa geração é inverter valores, portanto, vemos muita gente preocupada em simplesmente consumir efeitos, tal como mulheres compram sapatos para combinar com bolsas e cintos.

Beleza, cada um faça o que quiser com seu dinheiro, mas no fim das contas a premissa não vai mudar. Efeito não faz um guitarrista soar melhor, aliás, nunca vi um guitarrista soar melhor porque começou a usar efeitos.

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Dicas para apresentação em público.

Chegou a oportunidade de fazer aquele show, mesmo que pequeno.

Nervosismo bate na porta toda hora que lembra do compromisso. Vai chegando a hora o coração vai apertando e na hora que as cortinas descem o coração sai pela boca.

Bem, nem todo mundo se sente assim, mas independentemente de como você se sente, aqui vão alguma dicas para te ajudar a se apresentar musicalmente para um público ao vivo.

- Confiança: Isso é algo extramamente importante, se você tem confiança no que esta fazendo

o publico logo sente e é cativado, porém, não existe uma formula para se adiquirir confiança, mas o processo mais comum é praticando em casa, depois com a banda e por fim se apresentando.

em casa, depois com a banda e por fim se apresentando. - Vestimenta: Se vestir de

- Vestimenta: Se vestir de acordo com a proposta de sua banda. Você não precisa investir

muito nisso, só seja sensato e escolha com a banda algo que seja comum entre todos para vocês não destoarem vestimentas entre si.

- Altura da correira: Isso é algo problemático pois muitas vezes as pessoas querem usar a

correia de uma maneira que passe atitude, mas na verdade a melhor maneiro de você usar a correia é posiciona-la de forma confortável, que seja o mais próximo da altura que você treina, portanto, também gaste um tempo praticando em pé, principalmente se a sua performance em pé ainda não é tão boa quanto sentado, e tente ajusta a altura da correira para que fique uniforme.

- Extras: Tenha cordoamento extras e se possível uma guitarra extra. Tente levar um roadier ou pelo menos um amigo para te ajudar se for necessário trocar uma corda urgente. Também leve palhetas extras e tudo mais que achar necessário.

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Quando for estudar fique offline.

Não sei para quantas pessoas isso é uma realidade, mas jogos online, seja no pc, no celular ou no tablet tem sido uma pedra de tropeço para muitas pessoas.

Muitos jogam com a consciência tranquila de que isso é um momento para relaxar e esfriar a cabeça e quem vos escreve aqui é alguém que já foi avido por jogos.

Com 14 anos de idade fiquei em primeiro lugar numa competição de vídeo games na minha cidade, enfim, vídeo games sempre fizeram parte da minha vida.

Com 16 anos me tornei musico profissional e naturalmente comecei a jogar menos para me dedicar mais aos instrumentos, naquela época eram apenas jogos de console. Fiquei uns 10 anos afastado de tecnologias.

Apos esse período, já na área online, sempre aparecia alguém com algum jogo de pc (tipo age of empires) que me chamava atenção e quando via eu estava envolvido de forma intensa, quase virando noite para jogar e me atrapalhando em outras atividades.

Graças a Deus quando isso começava a acontecer eu parava de jogar e me mantinha distante de qualquer jogo de qualquer espécie, cortava tudo radicalmente.

Mais recentemente me peguei envolvido com um jogo chamado clash of clans que é um estilo de jogo que esta muito em voga no momento, são aqueles jogos online que você pode gastar dinheiro para acelerar o andamento das coisas. Entrei nessa com a desculpa de jogar com meu filho.

Esses jogos viciam e geram milhões de dólares de lucro para seus criadores. São jogos que para se chegar aos níveis mais altos você precisa investir dinheiro. No começo você acha que vai controlar na boa, mas quando você vê acaba gastando dinheiro para cumprir suas metas.

Enfim, existem níveis e objetivos em nossas vidas que para alcançarmos precisamos de nos abdicar de muitas coisas. Certamente o momento profissional e familiar que me encontro não existe tempo nem possibilidade para me envolver com nenhum tipo de jogo, por mais inocente que seja, acredito que você deva fazer a mesma reflexão sobre sua vida e ver que lugar esses jogos ocupam na sua vida.

Isso é um jogo de não muito diferente de um bingo, alias, é ate pior, pois você não pode ter nenhum tipo de retorno financeiro, apenas um entretenimento passageiro que consome tempo e muitas vezes dinheiro, e se você partir do principio que tempo é dinheiro então você estará gastando dinheiro sempre.

Eu joguei esse tal de clash of clans uns 3 meses e a 2 meses atrás resolvi deletar pois estava tomando o tempo que eu tinha para estar com a família e começando a atrapalhar inclusive meu trabalho e meu tempo de estudo.

Escrevi não muitos dias atras a respeito de como as pessoas estão se tornando zumbis por causa da tecnologia. Ontem estive no hospital com minha esposa e a medica nos atendeu

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32 Mateus Starling© www.maismusico.com.br / www.mateusstarling.com.br

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sendo interrompida a todo momento pelo celular que pipocava mensagens do facebook, toda a equipe estava distraída pelos " devices eletronicos".

Vejo policiais, guardas municipais andando pelas ruas distraídos pelos seus celulares. Pessoas andando na rua olhando para a mão com o celular e não fazendo ideia do que esta acontecendo ao redor.

O mundo anda tão frenético que as pessoas estão tendo serias dificuldades de se concentrar numa atividade tão prazerosa que é tocar um instrumento.

Existem diversos estudos de como essas tecnologias estão no fim das contas atrapalhando a vida das pessoas e não sendo beneficente.

Vendo meu material de aulas para milhares de pessoas e percebo que muita delas possuem deficiência de concentração exatamente por estarem demasiadamente envolvidas com tecnologias.

Portanto, se você quer ter um bom aproveitamento praticando seu instrumento você deve primeiramente ficar off-line, deveria também diminuir ou excluir da sua vida por completo todos os jogos de qualquer espécie que pouco edifica a vida das pessoas.

Repense também no papel das redes sociais em sua vida e procure usar apenas um tempo eficiente nas mesmas para estar em contato com pessoas importantes para você e vendo pontos de interesse.

Tenho um aluno de 16 anos chamado Lucas que ironicamente não tem computador nem celular. É um estudante entusiasmado que tem evoluído de forma muito rápida, passa 5 horas com o instrumento no colo praticando todos os dias. Imagino que se ele fosse viciado em jogos o rendimento dele não seria nem perto do que ele tem mostrado.

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Idade para começar e se tornar um músico profissional:

Normalmente guitarristas não começam a praticar seus instrumentos tão novos quanto pianistas, pois já existe uma tradição em países desenvolvidos de colar o filho na classe de piano antes dele se alfabetizar. Fazem muito bem.

Até pouco tempo atrás os pais relutavam a dar uma guitarra pra um filho, quanto mais insentiva-los a estudar.

Mesmo que isso esteja mudando aos poucos com as revelações da importância do estudo da música na vida das pessoas.

Veja a figura abaixo que publicamos na fanpage do MAIS MUSICO no facebook mostrando 10 razões para todo ser humano aprender um instrumento musical.

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Talvez você possa mostrar estes fatos para seus familiares e amigos, mas se você esta

Talvez você possa mostrar estes fatos para seus familiares e amigos, mas se você esta aqui quer dizer que já começou a tocar a guitarra ou outro instrumento.

Quanto mais cedo começamos qualquer coisa na vida mais facilidades teremos e isso se deve a muitos fatores, mas certamente um deles é a falta de responsabilidades na fase infantil ou da adolescência.

Pessoas que começam a estudar mais velhas vão precisar se esforçar mais para se disciplinar com os horários e para, no meio do estresse do cotidiano, poder se concentrar por alguns minutos ou horas no instrumento.

Um dos motivos do grande sucesso do meu material de video aulas é exatamente proporcionar ao aluno a flexibilidade de horários e o andamento do cronograma de acordo com o ritmo individual e não coletivo, como de uma turma por exemplo.

Muitas pessoas falam que gostaria de ter começado a estudar mais cedo, a ter tido disciplina mais cedo e etc, mas isso não pode ser mais mudado, portanto, mesmo com esta dificuldade, se comparado a pessoas mais jovens, não existe diferença no cérebro de de um garoto de 18 anos para um homem de 40 anos no aprendizado do instrumento.

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Crianças apresentadas a música mais cedo são mais propensas a desenvolver ouvido absoluto. Tenho 2 filhos com ouvido absoluto pelo simples fato de eu ter ensinado a eles a escala de Dó maior com 2 ou 3 anos de idade. Eles nunca mais esqueceram a sonoridade da escala e em qualquer momento do dia se eu pedir para eles cantarem um Dó por exemplo eles cantarão.

Eu comecei a estudar com 12 anos de idade meu instrumento e passava uma média de 4 a 5 horas diárias estudando naquela época. Se eu tivesse iniciado com 20 anos e passasse uma média de 4 a 5 horas diárias estudando não creio que minha evolução seria diferente se eu não tivesse compromissos de uma vida adulta.

Portanto, existe uma paranoia de que pessoas mais velhas não vão conseguir se desenvolver da mesma maneira que um jovem e neste sentido eu discordo. Tudo vai depender do foco e do investimento de tempo que você terá ao seu instrumento.

Como eu já disse nos tópicos anteriores, não adianta estudar 3 horas por dia sem foco, sem cronologia e sem um material saudável. Se você 40 minutos do seu dia para estudar com foco, paciência e o material adequado você obterá resultados.

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Cobrança negativa:

Esticando o assunto anterior, existem cobranças que não produzem bons frutos e uma delas é a pressão da idade.

Eu enfrentei isso em um período da minha vida, para ser mais preciso no momento em que estava na Berklee.

Comecei tocando profissionalmente com 16 anos, mas com 24 anos ganhei uma bolsa de estudos e fui estudar na Berklee.

Neste momento eu era um músico profissional mediano, não tinha nenhum destaque como instrumentista. Sabia da importância da minha ida para a Berklee, para passar um tempo imergindo profundamente na música.

Ingressei na Berklee com 25 anos de idade enquanto a média de idade dos alunos era de 20 anos.

Eu me cobrava muito pois estava terminando a faculdade com 28 para 29 anos e ainda não tinha uma carreira de sucesso. Eu olhava para exemplo de músicos prodígios que com 20 anos já tinham lançado cds solo, já tinham gravado com grandes nomes da música e eu com quase 30 anos estava terminando uma faculdade de música.

Essa era uma cobrança negativa que eu me fazia. Isso não me ajudava em nada, pelo contrário, me fazia ficar ansioso e triste.

Graças a Deus eu saí da faculdade com o cd Kairos gravado e a partir deste momento minha carreira rapidamente deu uma guinada. Em menos de 5 anos de volta ao Brasil eu já tinha

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saído em algumas das publicações internacionais e nacionais mais importantes do gênero, além de ter alcançado destaque como um dos didatas mais influentes da minha geração.

Escrevo isso com extrema gratidão a Deus por ter me dado esta oportunidade e não ter parado no meio do caminho por apenas achar que já era tarde de mais para mim.

caminho por apenas achar que já era tarde de mais para mim. Tenho amigos pessoas que

Tenho amigos pessoas que hoje são grandes músicos que começaram a tocar seus respectivos instrumentos já com mais de 20 anos.

O diferencial deles é que eles precisaram se dedicar profundamente ao instrumento em um curto período de tempo para poder viver de música, já que a maioria dos concorrentes já estavam trilhando este caminho a muito mais tempo. No fim tudo deu certo e hoje são profissionais respeitados no meio e continuam estudando como todos nós que amamos música.

Por outro lado existe uma cobrança boa que é exatamente se cobrar para sentar na cadeira e estudar. Ficar chateado quando o dia passou e não foi possível tocar nem ao menos 40 minutos.

Pessoas que amam tocar ficam tristes quando não conseguem passar um tempo diário com seus instrumentos e parece que este mundo frenético empurra cada dia mais as pessoas para longe dele.

Se cobre na medida boa. Exija de sí mesmo resultados. Se cobre no estudo, para criar uma rotina diária de pelo menos 40 minutos, mas não deixe de tocar seu instrumento com foco e qualidade por pelo menos 4 vezes na semana.

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A diferença entre saber, conhecer e dominar.

O maior problema que eu enfrento com pessoas que compram o meu material é de convence- las da necessidade de estudar coisas básicas como tríades, tétrades, modos, pentatonicas e etc.

Eu digo que o ideal seria começar dessas ferramentas e ai inicia a guerra,

Mas eu já conheço as tríades, tétrades, modos, pentas, escala maior, algumas pessoas dizem.

Porém, a questão é saber se você tem o domínio dessas ferramentas.

Isso não quer dizer que você precisa ser o maior especialista sobre esses temas, mas se você quer se tornar um bom improvisador ou um músico prático que consegue tocar e se comunicar bem você precisa ter domínio das coisas básicas para depois pensar em conceitos mais avançados.

Muitas pessoas se questionam se elas precisam realmente se aprofundar nesses temas, mas eu acredito que quem quer estudar musica precisa sim, pois o que difere o estudo superficial da escala pentatonica ou estudo adequado da mesma são dias ou semanas, portanto, porque ver a pentatonica em 3 dias e não aprender devidamente se você pode passar 30 dias vendo devidamente e aprender com qualidade?

Se a fundação esta ruim a edificação um dia apresentará problemas. O que é mais fácil? Gastar um tempo maior fazendo uma excelente fundação de um prédio ou então levantar esse prédio rapidamente sem uma fundação solida e depois investir tempo e recurso para salvar a obra?

No estudo da música é a mesma coisa.

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Praticando com e sem efeito:

Vou ser bem direto neste ponto.

O melhor é praticar sem basicamente nada de efeito, ou seja, o som mais limpo possível (talvez um pouco de reverb ou delay se é importante para você um pouco mais de corpo para seu som), pois desta maneira você pode ouvir detalhes do seu som, imperfeições na execução, além de trabalhar melhor a sua pegada, já que efeitos podem gerar uma sustentabilidade maior das notas.

Outro contexto é você praticar com o som que você vai tocar ao vivo.

Se você ao vivo toca com várias possibilidades de efeitos, e mesmo assim continuo crendo que o melhor é você praticar a maior parte do tempo com som limpo, porém, se no show você esta o tempo inteiro com o drive ligado no talo eu concordo que a maior parte do seu tempo de estudo deva ser com o drive ligado para que você possa ao máximo explorar o som real do seu trabalho.

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Mesmo tendo em vista o que eu acabei de escrever, é interessante separar um momento do seu treino para praticar com o som limpo, principalmente quando você esta aprendendo um conceito, escala, arpejos, etc e quer ter a oportunidade de ir a fundo nestes parâmetros.

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Músico mente aberta:

O que eu mais fiz nesta trajetória de 22 anos tocando guitarra foi pular entre estilos.

Comecei tocando Metal, do metal fui migrando para o rock mais clássico e o pop.

A cada ano eu ia tirando um pouco mais do drive do meu instrumento, mas sempre retendo elementos importantes destes estilos, até que realmente percebi que a minha grande meta era pegar todas estas influências e despejar na minha maneira de tocar, mais especificamente em um estilo que aceita todas estas influências por excelência que é o fusion, que leva este nome exatamente por ter esta abertura (Fusion palavra do inglês que traduzindo significa fusão).

Fui descobrindo aos poucos e me apaixonando perdidamente pelo jazz, a música brasileira e o Blues. Quando comecei a estudar estes estilos foi algo visceral e uma imersão sem volta que foi agravada pela minha ida a Berklee no ano de 2005 onde passei 4 anos.

Fiz esta introdução para chegar num ponto que é da abertura da mentalidade musical.

Todo mundo começa a tocar um instrumento por causa de uma banda, um instrumentista, um amigo, mas começamos a tocar por causa de 1 estilo basicamente, portanto, é natural que quando começamos a tocar nosso interesse musical seja bem restrito.

Muitas pessoas vivem, até mesmo como músico profissional, apenas tocando 1 estilo de música, faz disso o seu estilo foco de atuação.

Isso normalmente acontece com artistas ou com bandas cujo o propósito maior da carreira é fazer canções para seu nicho especifico, por mais que esta banda tenha influências de outros estilos, ela tem um compromisso especifico com seus fans. Exemplo são bandas como Raimundos, Ramones, Megadeth, Fala mansa, Barão Vermelho e etc, cada uma toca uma proposta de estilo muito especifica.

Se você formou uma banda e pretende passar o resto da sua vida trabalhando com esta banda unicamente, o seu caminho é completamente diferente do caminho que eu trilhei.

Eu sou um instrumentista, mais especificamente um guitarrista, eu preciso ter uma mentalidade aberta para vários estilos para poder trabalhar, por mais que eu tenha focado minha carreira em um nicho eu preciso desta experiência de outros estilos para poder disponibilizar isso para meus alunos, para meus clientes, para gravações, shows e etc.

Eu acredito que a segmentação é algo positivo, mas um instrumentista, principalmente no Brasil, dificilmente conseguirá sobreviver se ele só tem domínio de um estilo e não tiver abertura para mais nada.

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Se eu tivesse permanecido unicamente tocando Heavy Metal eu só teria a expertise de tocar este estilo pois o Metal é harmonicamente pobre e, em função disso, você não desenvolve habilidades de improvisar sobre modulações, não se aprofunda nas relações escala/acorde, não estuda harmonia funcional, não desenvolve uma parte rítmica diferenciada do estilo, não faz uso de tensões nos acordes e etc.

Não me entenda mal, você pode tocar Metal a vida toda, mas se você quer viver como um instrumentista, você vai precisar de abrir a sua cabeça para outros estilos, mesmo que seja apenas para estudar os aspectos que citei.

Você não vai conseguir estudar harmonia funcional com repertório de bandas de Heavy Metal ou de rock and roll. O estudo da harmonia funcional é basicamente todo voltado para os temas de jazz e musica brasileira, já existe todo um conteúdo acertado neste sentido e ninguém até hoje consegui mudar isso, até porque é um sistema que já se mostrou eficiente.

Se você tem alguma pretensão de ser um instrumentista que trabalhe, você vai precisar ter sua mente aberta, tal como músicos que se iniciaram no jazz, no blues ou na música brasileira também vão precisar de ouvir e serem capazes de implementar o sotaque destes outros estilos. Guitarristas que vieram do som limpo vão precisar usar efeitos como um pedal de drive e timbrar de maneira aceitável, saber mudar a pegada quando necessário.

A real é que se você estuda música de uma maneira mais ampla no fim das contas é apenas uma questão de sotaque, ou seja, como você vai encarar os estilos, mas o conhecimento esta dentro de você disponível para que seja usado quando adequado.

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Depoimentos:

"Estudar é estar na busca incessante pela evolução de nossa música. Para isso precisamos de dedicação, organização e disciplina. Ao estudar com Mateus Starling, consegui conciliar esses fatores com o desenvolvimento da música. Enfim, estudei música e não algo meramente matemático e racional". (Tuca Alves guitarrista da cantora Maria Rita) Rio de Janeiro - RJ

" Com muito conteúdo, profundidade e a experiência de quem aprendeu com os melhores, Mateus compartilha seu aprendizado numa linguagem fácil de entender. O material é demonstrado claramente através de exercícios, tabs e diagramas os caminhos pra se alcançar aquilo que desejamos. Sem dúvida minha técnica é melhor e meus estudos ficaram mais produtivos depois que tive acesso a esse material e hoje tenho o resultado que buscava. Seja no âmbito profissional ou não, esse método nos mostra como fazer musica com amor e dedicação. Parabéns Mateus por compartilhar seu dom conosco". (Clovis Lardo produtor e guitarrista da cantora Aline Barros) Rio de Janeiro RJ

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"São 0:28 h da manhã e eu não consigo para de assistir as video aulas. Mano, são maravilhosas e é tudo que eu precisava. Estou no estudo do desenvolvimento da musicalidade e pentas, e a ideias que voce apresenta são primorosas. Agora sim eu vou aprender tocar guitarra de forma musical. (Tony Jarbas guitarrista amador) Bahia - BA

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Conclusão:

Escrevi este e-book de forma despretenciosa, sem necessariamente seguir uma ordem cronológica de ideias, diferentemente do que eu prego e faço nas minhas video aulas.

Estou tendo apenas uma oportunidade repartir coisas que acho interessante e que podem ajudar muitas pessoas que estão começando ou que já estão no caminho do estudo.

Usei alguns posts que coloquei no meu blog e escrevi boa parte do conteúdo aqui contido em

2 ou 3 dias, portanto, eu poderia continuar escrevendo aqui por mais uma semana mas que no

final acabaria com um e-book de 100 folhas e acredito que poucas pessoas teriam paciência para lê-lo.

Não sei se você já é ou não meu aluno, mas de qualquer maneira te convido a conhecer o meu site (www.mateusstarling.com.br) e o site do Mais Músico (www.maismusico.com.br). Nestes

2 sites estão a venda o meu material didático que já venho fazendo a mais de 6 anos e já são mais de 100 video aulas. Conheça mais um pouco abaixo.

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Material completo:

Meu material de video aulas esta obviamente em video, mas a maioria das videos aulas são acompanhadas de apostilas em pdf e playbacks para treino.

Você pode ter acesso ao meu material apenas de 2 maneiras. Pelo meu site pessoal ou pelo site do MAIS MUSICO. Meus pacotes estão todos em formato cronologico com aulas numeradas e separadas por pastas com possibilidade do suporte online diretamente comigo.

1) Compra através do meu site:

Logo na página inicial do meu site esta toda a explicação sobre o material, incluindo videos explicativos, cronologia e cada aula com uma breve explicação. Além disso, tem videos com pedaços consideráveis destas aulas, além de aulas gratuitas.

No meu site estão a venda pacotes de aulas e não é possível comprar aulas avulsas (Você pode comprar aulas avulsas através do site MAIS MUSICO).

Na compra de um dos pacotes você também tem acesso ao suporte online diretamente comigo.

e-mail: mateusstarling.com.br

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40 Mateus Starling© www . maism usico.com.br / www.mateusstarling.com.br

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Este suporte é algo que eu venho oferecido ao longo destes anos e é muito produtivo, porém, existe uma limitação, pois apenas eu ofereço este suporte, sendo assim, haverá um momento onde não poderei oferecer este suporte por incapacidade de atender todas as pessoas, mas até o momento ainda tenho oferecido e enquanto no meu site estiver a possibilidade de compra dos pacotes do meu material, significa que ainda é possível ter acesso ao suporte online.

Se por um acaso você acessar o meu site e não existir mais a possibilidade de comprar um dos pacotes, quer dizer que eu encerrei as vendas pelo meu site e você apenas poderá comprar as aulas avulsas no site MAIS MUSICO que individualmente tem o mesmo valor das aulas do meu site.

Até o presente momento a única vantagem do meu site é a possibilidade de comprar pacotes de várias aulas e obter desconto em função disso e ainda ter acesso ao suporte online. A vantagem do MAIS MUSICO é comprar aulas avulsas e receber em download automático, enquanto que no meu site envio pelo correio em DVDs pois ao todo são 100 gigas em aulas separadas em quase 30 DVDs.

No site MAIS MUSICO eu não disponibilizei todas as minhas aulas porque algumas delas não estão no padrão HD e no site MAIS MUSICO a intenção é manter este padrão de qualidade, portanto, infelizmente, por uma questão de mercado, muitas aulas que gravei e que possuem um tremendo conteúdo não poderão ser vendidas neste site por uma questão das exigências visuais do mercado.

Espero ter o privilégio de ser escolhido para ser o seu tutor a distância.

Fiquem com Deus e obrigado por ler o conteúdo deste material. Pode contar comigo.

Mateus Starling, Rio de Janeiro 1 de Maio de 2014

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