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26 COMO A ARTE COMECOU 17. Pirdmide em degrau, monumento funeririo do rei Zoser, Sakkarah, c. 2540 a.C, semelhantes, mas que apenas em alguns casos sobreviveu completamente intacto. A cor mais es- cura do corpo do principe nao tem uma impor- tancia individual; trata-se da forma padronizada de pele masculina da arte egipcicia. Os olhos foram embutidos em quartzo brilhante, para tor- né-los o mais vivos possivel, ¢ a qualidade de retrato dos rostos é bastante acentuada. Arquitetura Quando nos referimos a atitude dos egipcios pa- ra com a morte ea imortalidade, devemos ter 0 cuidado de deixar claro que nao nos referimos 20 homem médio, mas apenas 4 pequena casta de aristocratas que se agrupava ao redor da corte real. Ainda ha muito por aprender sobre 4 01 gem ¢ 0 significado das sepulturas egipcias, mas o conceito de imortalidade que refletem apare: temente aplicavase apenas aos poutcos privilegi dos, devido & sua associac&o com os farads imortais. A forma padronizada dessas sepulturas era a mastaba, um timulo de forma trapezoidal recoberto de tijolos ou pedra, acima de uma cé- ‘mara mortudria que ficava bem abaixo do solo e ligava-se & mastaba por meio de um poco. No interior da mastaba h4 uma capela para as ofe- rendas 20 ka e um cubiculo secreto para a es- tdtua do morto, As mastabas reais chegaram aalcancar um tamanho admiravel e logo trans- formaram-se em piramides. A mais antiga é, provavelmente, a do rei Zoser (fig. 17) em Sak- karah, uma piramide de degraus que sugere um agrupamento de mastabas, por oposi¢ao 40s exemplos posteriores de Gizé, mais planos € regulares. ‘As pirdmides ndo eram estruturas isoladas, mas ligavam-se a imensos distritos funerérios, com templos e outras edificagdes que eram 0 cendrio: de grandes celebragdes religiosas, tanto durante quanto apés a vida do faraé. O mais elaborado desses distritas é 0 que se encontra ao redor da pirimide de Zoser: seu criador, Imhotep, 6 0 pri- meiro artista cujo nome a histéria registrou, e 0 fez merecidamente, uma vez que sua obra — ou © que dela resta — causa enorme impressao ain- da hoje. A arquitetura egipcia havia comecado com estruturas feitas de tijolos de argila, madei- ra, junco e outros materiais leves. Imhotep usou_ a pedra talhada, mas seu repertério de formas ar- quitetOnicas ainda reflete formas e esquemas de- senvolvidos durante aquela fase anterior. Assim, descobrimos colunas — sempre “presas”, em vez de independentes — que imitam os feixes de jun- ‘cos Ou o8 suportes de madeira que costumavam_ ser colocacos em paredes de tijolos de argila para darlhes uma resisténcia adicional, Mas 0 proprio fato de que esses segmentos haviam per- dido sua funcao original permitiu que Imhotep e seus arquitetos os reprojetassem de modo a fa- zer com que se prestassem a um novo e expressi- vo propésito (fig. 18). CO desenvolvimento da piramide atinge seu pon- to culminante durante a Quarta Dinastia, na fa- mosa triade de grandes piramides em Gizé (fig. 19), todas elas com a conhecida forma regular € plana. Originalmente, possufam um revestimen- to exterior de pedra cuidadosamente polida, que desapareceu, exceto proximo ao topo da pirami- de de Quéfren. Agrupadas ao redor das trés gran- des piramides ha varias outras, menores, e um. grande ntimero de mastabas para membros da familia real e altos oficiais, mas o distrito funerd- rio unificado de Zoser tornou possivel uma orga nizacao mais simples; @ volta de cada uma das grandes piramides, na direcao leste, existe um templo funerdrio, a partir do qual um caminho elevado processional conduz a um segundo tem- plo, num nivel inferior, no vale do Nilo, a uma distancia aproximada de 1.600 metros. Proximo a0 templo do vale da segunda piramide, a de Qué- fren, esta a Grande Esfinge esculpida na rocha viva (fig. 20), talvez uma corporificagao da rea- leza divina ainda mais impressionante do que as proprias piramides. A cabeca real, que surze do corpo de um leao, eleva-se a uma altura de 20 metros e tinha, muito provavelmente, os tracos de Quéfren (os estragos a ela infligidos nos tem- pos islimicos tomaram obscuros os detalhes da 19. Pirimicles de Miquerinos (c. 2470 a.C.), Quéfren (c. 2500 a.C,) © Quéops (c. 2530 a.C., Gizé ARTE PARA 0S MORTOS —EGITO. 27 18. Meias-colunas papiriformes, Paldcio do Norte, Camara Funeréria do Rei Zoser, Sakkarah, c. 2560 a.C. face). Sua impressionante majestade é tal que, mill anos mais tarde, podia ser vista como uma ima~ gem do deus-sol Emnpreendimentos numa escala assim gigantes- a caracterizam 0 apogeu do poder dos faraés. Apés o término da Quarta Dinastia (menos de dois séculos depois de Zoser) nunca mais foram tentados, embora pirémides de proporcoes bem mais modestas continuassem a ser construidas. O mundo vem incessantemente maravilhando-se a simples visao das grandes piramides, bem co- mo com as proezas técnicas que clas represen- 28 como A awre comPGOU tam; mas elas também vieram a ser vistas como sfmbolos do trabalho escravo — milhares de ho- mens forcados, por supervisores cruéis, a se pres- tarem a glorificagao de imperadores absolutos, E possivel que tal quadro seja injusto: foram preservados certos registros indicativos de que 0 trabalho eva remunerado, de modo que estaria- ‘mos mais préximos da verdade ao considerarmos esses monumentos como imensos “projetos de obras ptiblicas” que propiciavam uma forma de seguranga econdmica para uma boa parte da populacao, O NOVO IMPERIO ‘Apés 0 colapso da centralizacéo do poder farad- nico ao término da Sexta Dinastia, o Egito en- trou em um periodo de distiirbios politicos e ma sorte que duraria quase setecentos anos. Duran- te a maior parte desse tempo, a verdadeira auto- ridade esteve nas maos dos governadores das provincias locais ou regionals, que ressuscit a velha rivalidade entre o Norte € 0 S dinastias seguiram-se umas as outras em répida sucesso, mas apenas duas, a Décima Primeira e.a Décima Segunda, sao dignas de nota. A iit ma constitui o Médio Império (2134-1785 a.C.), quando varios reis competentes conseguiram realirmar-se contra a nobreza provincial, Contu- do, uma vez transgredido 0 fascinio da divinda- de do poder real, este nunca mais voltou a 20.4 Grande 20m inge. Velho [mpério, ¢. 2500 a.C. Altura: adquirir sua antiga vitalidade, e a autoridade dos faraés do Médio Império tendeu a ser pessoal, em vez de institucional, Logo apés o encerramen- to da Décima Segunda Dinastia, o pais enfraque- cido foi invadiide pelos hicsos, um povo asidtico ocidental de origem um tanto misteriosa, que se apoderou da drea do Delta e a dominou por cen- toe cingiienta anos, até serem expulsos pelo prin- cipe de Tebas por volta de 1570 a.C. (Os quinhentos anos que se seguiram & expul- sao dos hicsos, compreendendo a Décima Oita- va, Décima Nona e Vigésima Dinastias, representam a terceira Idade de Ouro do Egito. O pais, mais uma vez unido sob reis fortes e ca pazes, ampliou suas [ronteiras ao leste, até a Pa lestina € a Siria (dai esse perfodo ser também conhecide como 0 Império}. 0 periodo de apogeu do poder e prosperidade deu-se entre cerca de 1500 ¢ 0 final do reinado de Ramsés TIL, em 1162 a.C. A arte do Nove Império abrange uma vasta gama de estilos e qualidade, de um rigorose con- servadorismo a uma brilhante criatividade, de uma ostentacao despoticamente opressiva a0 mais delicado requinte. Como a arte da Roma Im- perial de mil e quinhentos anos mais tarde, é quase impossivel fazer uma sintese em termos de uma amostragem representativa. Fios de textu- ras diferentes entrelacam-se para formar um tecido tao complexo que qualquer escolha de monumentos parecerd certamente arbitréria, O maximo que podemos pretender é transmitir parte do sabor de sua variedade. Arquitetura A divindade do poder real do faraé foi afirmada de uma nova forma durante 0 Novo Império: através da associagao com o deus Amon, cuja identidade havia sido fundida com a do deus-sol Ra e que se tornara a divindade suprema, ele- vando-se acima dos deuses menores da mesma forma que o faraé elevava-se acima da nobreza provincial. Assim, energias arquitetnicas sem precedentes foram canalizadas para a construcao de imensos templos de Amon sob o patroci real, tal como o templo de Luxor (fig. 21). Seu projeto € caracteristico do estilo geral dos tem- plos egipcios posteriores. A fachada (fig. 21, extrema esquerda) consiste em duas paredes ma- cicas com laterais em declive, que flanqueiam a entrada; esse portico ou pilono leva a um patio, um vestibulo com pilastras, um segundo patio e ARTE PARA OS MORTOS — EGITO. 29 21, Patio e pilone de Ramsés II (c. 1260 a.C.) ¢ colunata e pitio de Amenhotep IEI (c. 1390 a.C.), Templo de Amon- Mut-Khonsu, Luxor outro vestibulo com pilastras, além clos quais se encontra o templo propriamente dite. Toda es seqiigncia de pitios, vestibulos e templo era ocul- tada por altos muros que isolavam o templo do mundo exterior, Com excecao da monumental fa- chada, uma estrutura desse tipo € projetada pa- ra ser apreciada a partir de seu interior; os fiéis, comuns ficavam canfinados ao patio, e podiam apenas maravilhar-se com a floresta de colunas que protegiam as recessos escuros clo santua O espaco entre as colunas tinha que ser peque- no, pois elas suportavam as traves de pedra (lin- téis) do teto, as quais tinham que ser pequenas, para evitar que as colunas se partissem sob seu prdprio peso. Todavia, 0 arquiteto explorou cons- cientemente essa limitagao, fazendo as colunas bem mais pesadas do que precisavam ser. Em resultado, 0 observador sente-se quase que esma gado por sua grandiosidade. O efeito de intimi- dacao é certamente impressionante, mas também um tanto vulgar quando comparado as primeiras obras-primas da arquitetura egipcia. Basta-nos comparar as colunas papiriformes de Luxor com suas antecessoras de Salxkarah (ver fig. 18) para percebermos quio pouco do génio de Imhotep ainda sobrevive aqui. Akhenaton; Tutancamon O desenvolvimento do culto de Amon trouxe uma ameaca inesperada & autoridade real: 0s sacer- dotes de Amon transformaram-se numa casta de tamanha riqueza e poder que ao rei s6 se tornou possivel manter sua posicfo caso aqueles 0 apoiassem. Um faraé admiravel, Amenhotep IV, tentou derrubé-los proclamando sua fé em um tinico deus, Aton, representado pelo disco do Sol. ‘Mudou seu nome para Akkhenaton, fechou os tem- plos de Amon e transferiu a capital para um novo: Jocal. Sua tentativa de colocar-se a frente de uma nova {€ monoteista, no entanto, nao sobreviveu ao sett reinado (1372-1358 a.C.), ea ortodoxia foi rapidamente restaurada sob seus sucessores. Durante o longo perfodlo de declinio do Exgito, apés 1000 a.C., 0 pais passou a ser cada vez mais dirigido pelos sacerdotes, até que, sob do- minio grego e romano, a civilizagao egipcia che- gow ao fim, em meio a um caos de doutrinas religiosas esotéricas. Akhenaton foi um revoluciondrio nao apenas em sua fé, mas também em suas preferéncias ar- tisticas, incentivande conscientemente um novo estilo e um novo ideal de beleza. 0 contraste com © passado fica admiravelmente claro em um re- trato em baixo-relevo de Akhenaton (fig. 22); comparado-com as obras no estilo tradicional (ver fig. 15), essa cabeca parece, a primeira vista, uma caricatura brutal, com seus tacos estranhamen- te desfigurados e contornos sinuosos e excessi- -vamente enfaticos. Ainda assim, podemos perce- ber sua afinidade com 0 busto merecidamente famoso da rainha de Akhenaton, Nefertiti (fi 30. COMO A ARTE coMECOU 22, Akhenaton (Amenhotep IV). c. 1965 a.C. Calero, altu- ra: 0,08 m, Museus do Estado, Berlim 23), uma das obras-primas do “estilo de Alchena- ton”. O que caracteriza esse estilo nao é tanto um maior realismo, mas sim um novo sentido da for- ma, que procura abrandar a imobilidade tradicio- nal da arte egipcia; ndo- apenas os contornos, mas também as formas plésticas parecem mais males- veis © suaves, antigeométricas, por assim dizer. A antiga tradicdo religiosa foi rapidamente res- taurada apés a morte de Akhenaton, mas as ino- vacies artisticas que ele incentivou ainda foram sentidas na arte egipcia por um longo perfodo de tempo. Mesmo 0 rosto do sucessor de Aichena- 3. A Raina Nefertiti. ‘Museus do Estado, Berl ton, Tutancdmon, como aparece em seu atatide de ouro, revela um eco do estilo de Akhenaton (fig. 24). Tutancémon, que morreu aos 18 anos, deve toda sua fama ao fato de seu timula ter sido 0 tinico descoberto, em nossa era, com 0 seu contetido intacto. O simples valor material do timulo é inacreditavel. (S6 o atatide de ouro de Tutancdmon pesa 112,5 kg.) Para nés, 0 aca bamento requintado do atatide, com o esplén- ida jogo de incrastagées coloridas em contraste com as superficies de ouro polido, € ainda mais impressionante. 24. Cobertura do sarcofago de Tutancamon (parte), ¢. 1340 a.C. Ouro, incrustado com esmalte © pedras preciosas; altura total: 1,84 m. Museu Egipcio, Cairo Templos, paldcios e cidadelas — 0 antigo Oriente Proximo e o Egeu MESOPOTAMIA E um fato estranho e surpreendente que 0 ho- mem tenha surgido & luz da histéria em dois, lugares diferentes ¢ mais ou menos na mesma época. Entre 3500 e 3000 a.C., quando 0 Egito estava sendo unificado sob o dominio do fara6, outra grande civilizagao surgiu na Mesopotamia, a “terra entre os rios”, E, por aproximadamente, trés milénios, os dois centros rivais mantiveram suas caracteristicas distintas, embora tenham es- tado em contato desde os seus primérdios. As pressdes que forcaram os habitantes de ambas as regides a abandonar o padrao de vida comu- nitaria pré-histérica podem muito bem ter sido as mesmas. Mas 0 vale do Tigre e do Eufrates, ao contrario do vale do Nilo, nao é uma estreita faixa de terra fértil protegida por desertos; pare- ce mais uma depressdo larga e rasa com poucas. defesas naturais, facil de ser invadida por qual- quer direcao. Dessa forma, a regiao mostrou-s quase impossivel de ser uni mo governante. A histéria politica da Mesopoti- mia antiga nao apresenta um tema subjacente, tal como o cardter divino da realeza que existia no Egito; as rivalidades locais, as invasdes estran- geiras, a stibita eclosao e o igualmente stibito co- lapso do poder militar é que constituem a sua substincia. Mesmo assim, houve uma admiravel continuidade das tradigbes artisticas e culturais, que, em grande parte, sio criagio dos antepas- sados que fundaram a civilizacao mesopotamica, aos quais chamamos de sumérios, a partir de Su- méria, nome da regio préxima & confluéncia do ‘Tigre e do Eufrates, onde viviam. A origem dos sumérios continua obscura. Um pouco antes de 4000 a.C., vieram da Pérsia para ‘© sul da Mesopotamia, fundaram algumas cida- des-estatios e desenvolveram sua escrita incon- fundivel, em caracteres cuneiformes (em forma cde cunha) sobre placas de argila. Infelizmente, os remanescentes concretos dessa civilizagdo sumé- ria so muito escassos quando comparados aos 32 do Egito; devido a falta de pedras, os sumérios 86 construfam em madeira e tijolos de argila, de modo que quase nada de sua arquitetura sobre- viveu, exceto os alicerces. Tampouco comparti- Ihavam com os egipcios a preocupaco com a vida apés a morte, embora algumas sepulturas suntuosamente trabalhadas tenham sido encon- tradas na cidade de Ur. Nosso conhecimento da civilizacao suméria depende muito, portanto, de fragmentos casuais — inclusive de um grande niimero de tabletes de argila com inscricdes — trazidos & luz por meio de escavacce: Aprendemos também o suficiente, nas tiltima décadas, para podermos formar um quadro geral das realizagdes desse povo vigoroso, cria tivo e disciplinado. Cada cidade-estado suméria tinha seu proprio deus local, que era seu “rei” ¢ dono. Esperava: se que ele, em troca, defendesse a causa de seus stiditos junto as outras divindades que controla- vam as forcas da natureza, tais como 0 vento € oclima, a fertilidade e os corpos celestes. A co- munidade também tinha um dirigente humano, © procurador do soberano divino, que transmitia as ordens do deus. A propriedade divina também nao era tratada como uma ficcdo religiosa; supunha-se que 0 deus possuisse, literalmente, nao apenas 0 territério da cidade-estado, mas também a forca de trabalho da populagao, bem ‘como 0s seus produtos. O resultado era um “so- cialismo teocritico”, uma sociedade planejada que se centrava no templo. Era o templo que con- trolava a divisio do trabalho e os recursos para empreendimentos como a construgao de repre sas ou canais de irrigagdo, além de arrecadar € distribuir grande parte das colheitas. Tudo isso exigia que se mantivessem minuciosos registros escritos, razdo pela qual as primitivas inscrices sumérias tratam principalmente de assuntos eco- nomicos e administrativos, embora a escrita fos- se um privilégio dos sacerdotes. 26. Planta do “Templo Branco” seu zigurate, Una (segundo H. Frankfort) Arquitetura papel dominante do templo como centro da existéncia espiritual e fisica € admiravelmente re- presentado pelo esquema das cidades sumeria- nas, As casas agrupavam-se ao redor de uma drea sagrada que era um vasto complexo arquitetoni- co, compreendendo nao apenas os santudrios mas também oficinas e armazéns, bem como 0s alo- jamentos dos escribas. No centro, numa platafor- ma elevada, ficava o templo do deus local. Essas plataformas logo chegaram & altura de verdadei- Tas montanhas feitas pelo homem, comparaveis as piramides do Egito pela imensidao do esforco requerido e por seu efeito de grandes marcos elevando-se acima da planicie sem maiores rele- vos. Sao conhecidas como zigurates. O mais fa- moso deles, a Torre de Babel biblica, foi com- pletamente destruido, mas um exemplo muito anterior, construido antes de 3000 a.C. e, portan- 25.0 “Templo Branco” e seu zigurate, Uruk (atualmente Wark), c, 3600-3000 a.C. to, varios séculos mais velho do que a primeira das pirdmides, existe ainda em Warka, 0 local da cidade sumeriana de Urule (chamada de Erek na Biblia). A elevacdo, com suas partes laterais em declive reforgadas por sélida alvenaria de tijolos, 24 como A ARTE comEgOU eleva-se a wma altura de 12 metros; escadas € rampas levam até a plataforma na qual fica 0 san- tudrio, chamado de ‘Templo Branco” por causa de seu exterior de tijolos caiados (figs. 25 e 26). Suas pesadas paredes, articuladas por saliéncias e reentrncias separadas por espacos regulares, encontram-se suficientemente bem preservadas para sugerir algo da aparéncia original da estru- tura, Devemos ver o zigurate e 0 templo como um Conjunto: todo 0 complexo é planejado de tal forma que 4 fiel, partindo da base da escadaria do lado leste, vé-se forcacio a prosseguir em cit calos, acompanhando todos os volteios do cami- nho até alcancar o salao principal do templo. O caminho processional, em outras palavras, lem- bra uma espécie de espiral angulosa. Essa “abor- dagem de eixo inclinado” & uma caracteristica fundamental da arquitetura religiosa da Mesopo- tamia, em contraste com 0 eixo simples, em li- nha reta, dos templos egipcios. Escultura A imagem do deus a quem o “Templo Branco” era dedicado foi perdida — provavelmente, tratava-se de Anu, 0 deus do céu. Outros tem- plos também nos legaram obras de estatudria em pedra, como o grupo de figuras de Tell Asmar (fig. 27), contempordneo da piramide de Zoser. A figura mais alta representa Abu, o deus da ve- getagao; a segunda figura maior é uma deusa- mae, é os demais so sacerdotes e figis. O que diferencia as duas divindades nao € apenas 0 ta- manho, mas @ maior diametro das pupilas de seus colhos, embora os olhos de todas as figuras sejam -enormes. Seu insistente olhar fixo & enfatizado ‘por incrustacées coloridas. Pretendia-se que o ‘sacerdote e 0s figis se comunicassem com os dois

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