Você está na página 1de 11

A Dimensão Parlamentar do MERCOSUL

MÓDULO III - A DIMENSÃO PARLAMENTAR DO MERCOSUL

Site:

Curso:

Fundamentos da Integração Regional: O Mercosul - Turma 01 A

Livro:

A Dimensão Parlamentar do MERCOSUL

Impresso por:

Data:

Valéria Ventura

terça, 15 Mar 2016, 10:55

Sumário

Módulo III - A Dimensão Parlamentar do MERCOSUL

Temas do Módulo III

Unidade 1 - A norma Mercosul; Procedimentos de produção da norma Mercosul.

Pág. 2

Pág. 3

Pág. 4

Pág. 5

Pág. 6

Pág. 7

Pág. 8

Pág. 9

Pág. 10

Unidade 2 - O Parlamento do Mercosul; Definição.

Pág. 2

Pág. 3

Pág. 4

Pág. 5

Pág. 6

Pág. 7

Pág. 8

Pág. 9

Pág. 10

Pág. 11

Pág. 12

Exercícios de Fixação do Módulo III

Módulo III - A Dimensão Parlamentar do MERCOSUL

Aotérminodomódulovocêestaráaptoa:

Descrever a dimensão parlamentar do Mercosul; Discutir as razões da criação do Parlamento Mercosul; Refletir

Descrever a dimensão parlamentar do Mercosul;Discutir as razões da criação do Parlamento Mercosul; Refletir sobre a necessidade de ajustes nas

Discutir as razões da criação do Parlamento Mercosul;Descrever a dimensão parlamentar do Mercosul; Refletir sobre a necessidade de ajustes nas Constituições dos Estados

Refletir sobre a necessidade de ajustes nas Constituições dos Estados Partes do Mercosul.Discutir as razões da criação do Parlamento Mercosul; Temas do Módulo III

Temas do Módulo III

Nestemódulo,estudaremosaDimensãoParlamentardoMercosul,queseexpressava,inicialmentenaComissãoParlamentar

Conjunta(CPC).CriadapeloTratadodeAssunçãoem1991,obraçoparlamentardaintegraçãofoiincluídonaestruturainstitucional

doblocopeloProtocolodeOuroPretoemdezembrode1994,passandoaintegraroprocessodeinternalizaçãodenormasnos

ordenamentosjurídicosdosPaísesMembrosebalizandoocaminhoparaacriaçãodoParlamentodoMercosul.

Assim, veremos também o processo de produção da normativa Mercosul, emanada dos órgãos que compõem a estrutura institucional do bloco, e, de fundamental importância para a consolidação do processo de integração regional, sua implementação, que se faz em função da legislação interna dos Estados Partes, para que, recepcionada pelos respectivos ordenamentos jurídicos, entre em vigência e garanta a segurança jurídica exigida pelos negócios empreendidos por cidadãos, empresas e representações governamentais no território mercosulino.

Por fim, estudaremos as razões que levaram à criação do Parlamento do Mercosul, bem como do mecanismo da consulta parlamentar, destinado a agilizar o processo de internalização das normas produzidas pelos órgãos institucionais do Mercosul.

Unidade 1 - A norma Mercosul; Procedimentos de produção da norma Mercosul.

ProcedimentosdeproduçãodanormaMercosul

Aharmonizaçãodaslegislações"nasáreaspertinentes"éumdosimportantesinstrumentosprevistos pelo Tratado de Assunção para

aintegração(art.1º).OProtocolodeOuroPretoconferecaráter obrigatórioàsDecisõesdoConselho,àsResoluçõesdoGrupo

MercadoComumeàsDiretrizesdaComissãodeComércio,masestabelecetambémqueasuaimplementaçãosefarádeacordo

comalegislaçãointernadosEstadosPartes.

As limitações, evidenciadas pelas Constituições dos Estados Partes no que se refere à integração, exigem uma série de ajustes coordenados para evitar que elas operem como um freio ao processo integracionista.

Tudo indica que compromissos mais fortes no processo de integração exigirão que a dimensão Mercosul seja tratada de maneira equivalente nos ordenamentos jurídicos internos dos sócios do bloco.

As limitações constitucionais operam impedindo a instauração de um regime adequado, balizador do caminho para surgir e desenvolver-se um direito comunitário. Também se tornam obstáculos para a criação de mecanismo ágil e transparente que permita incorporar as normas Mercosul e torná-las operativas, além de impedir um sistema que garanta a hierarquia superior destas normas sobre as nacionais.

.

Pág. 2

Nessesentido,aConstituiçãodaArgentina,porexemplo,éamaisavançadadentreaquelasdosEstadosPartes,poisoutorgaaos tratadosinternacionaisumahierarquiasuperioràsleisnacionaiseautorizaacelebraçãodetratadosdeintegraçãoquedeleguem competênciasaorganizaçõessupra­estatais. (arts.75incisos22e24)[N6].

Artigo75:CorrespondealCongreso(

)

Inciso22:Aprobarodesechartratadosconcluidosconlasdemásnacionesyconlas

organizacionesinternacionalesylosconcordatosconlaSantaSede.Lostratadosy

concordatostienenjerarquíasuperioralasleyes.

Inciso24:Aprobartratadosdeintegraciónquedeleguencompetenciasyjurisdicióna

organizaciones supraestatales em condiciones de reciprocidad e igualdad, y que respetenalordemdemocráticoylosderechoshumanos.Lasnormasdictadasemsu consecuenciatienenjeraquíasuperioralasleyes.

Pág. 3

NocasodoParaguai,suaCartaMagna,de1992,tambémoutorgasupremaciaaostratadosinternacionaiseestabelece

genericamenteaadmissãodeumaordemjurídicasupranacional:(arts.137,141e145)[N7]

Artigo137.DelaSupremaciadelaConstitución

LaleysupremadelaRepúblicaeslaConstitución.Ésta,lostratados,conveniosyacuerdos internacionales aprobados y ratificados, las leyes dictadas por el Congreso y otras disposiciones jurídicas de inferior jerarquía, sancionadas en consecuencia, integran el derechopositivonacionalenelordendeprelaciónenunciado.

Artígo141.DelostratadosInternacionales

Lostratadosintenacionalesvalidamentecelebrados,aprobadosporleydelCongreso,y cuyos instrumentos de ratificación fueran canjeados o depositados, forman parte del

ordenamientolegalinternocomlajerarquíaquedeterminaelArtículo137.

Artigo145.DelOrdenJurídicoSupranacional

LaRepúblicadelParaguay,encondicionesdeigualdadconotrosEstados,admiteunorden

jurídicosupranacionalquegaranticelavigenciadelosderechoshumanos,delapaz,dela

justicia,delacooperaciónydeldesarrollo,enlopolítico,económico,socialycultural.

Dichas decisiones sólo podrán adoptarse por mayoría absoluta de cada Cámara del Congreso.

AConstituiçãodaVenezueladeterminaqueapreferênciadeacordosregionaissobrealegislaçãointerna(arts.153a155)[N8].

SecciónQuinta:DelasRelacionesInternacionales

Artículo153.LaRepúblicapromoveráyfavorecerálaintegraciónlatinoamericanaycaribeña,en

aras de avanzarhacia la creaciónde una comunidadde naciones, defendiendo los intereses

económicos,sociales,culturales,políticosyambientalesdelaregión.LaRepúblicapodrásuscribir

tratadosinternacionalesqueconjuguenycoordinenesfuerzosparapromovereldesarrollocomún

denuestrasnaciones,yquegaranticenelbienestardelospueblosylaseguridadcolectivadesus

habitantes. Para estos fines, la República podrá atribuir a organizaciones supranacionales,

mediantetratados,elejerciciodelascompetenciasnecesariasparallevaracaboestosprocesos

deintegración.DentrodelaspolíticasdeintegraciónyuniónconLatinoaméricayelCaribe,la

RepúblicaprivilegiarárelacionesconIberoamérica,procurandoseaunapolíticacomúndetoda

nuestraAméricaLatina.Lasnormasqueseadoptenenelmarcodelosacuerdosdeintegración

seránconsideradas parte integrante delordenamientolegalvigente yde aplicacióndirecta y

preferentealalegislacióninterna.

Artículo154. Los tratados celebrados porla República debenseraprobados porla Asamblea

NacionalantesdesuratificaciónporelPresidenteoPresidentadelaRepública,aexcepciónde

aquellosmedianteloscualessetratedeejecutaroperfeccionarobligacionespreexistentesdela

República,aplicarprincipiosexpresamentereconocidosporella,ejecutaractosordinariosenlas

relaciones internacionales o ejercerfacultades que la leyatribuya expresamente alEjecutivo

Nacional.

Artículo155.Enlostratados,conveniosyacuerdosinternacionalesquelaRepúblicacelebre,se

insertará una cláusula por la cual las partes se obliguen a resolver por las vías pacíficas

reconocidasenelderechointernacionalopreviamenteconvenidasporellas,sitalfuereelcaso,

lascontroversiasquepudierensuscitarseentrelasmismasconmotivodesuinterpretacióno

ejecuciónsinofuereimprocedenteyasílopermitaelprocedimientoquedebaseguirseparasu

celebración.

Pág. 4

O Uruguai e o Brasil, por sua vez, não contam com previsão constitucional que conceda hierarquia superior dos tratados internacionais sobre as leis nacionais, o que significa que as Cartas Magnas brasileira e uruguaia não aportam solução para potenciais conflitos entre umanormainternacionaleumanormainterna,oqueproduzumatravajurídicaaoavançodoprocessodeintegração. Há porém, que se fazer ressalva, o caso brasileiro, aos tratados de direitos humanos, os quais aprovados na forma do § 3º do art. 5º da Constituição Federal, introduzido pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004, equiparam-se a emendas constitucionais. Desse modo, apenas eventuais acordos de integração que versem sobre direitos humanos poderão ter status superior à legislação ordinária.

Em verdade, tanto no caso brasileiro quanto no uruguaio, existe apenas uma referência programática, em suas Constituições,

relacionadacomaintegraçãolatino­americana(parágrafoúnicodoart.4ºdaConstituiçãoFederalbrasileiraeinciso2doart.6ºda

Constituiçãouruguaia)[N9].

Artigo4ºdaConstituiçãobrasileira,parágrafoúnico:

A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da

América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

Artigo 6, inciso 2, da Constituição Uruguaia:

La República procurará la integración social y económica de los Estados Latinoamericanos, especialmente em lo que se refiere a la defensa común de sus productos y materias primas. Asimismo, propenderá a la efectiva complementación de sus servicios públicos.

Odireitobrasileironãodispõe,pois,deinstrumentosqueconfiramespecificidadeàsnormasemanadasdosórgãosdaintegração,ao

contráriodoqueacontececomaConstituiçãoargentina.Tentativanestesentidofoirechaçadaquandodarevisãoconstitucionalde

1993.

A Constituição de 1988 atribui ao Poder Executivo competência privativa para manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos, bem como celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional (art. 84, incisos VII e VIII).

.

Pág. 5

Ao Parlamento cabe aprovar os atos internacionais firmados pelo Presidente da República ouseuPlenipotenciário, cabendo­lhe tambémautorizaroPresidentedaRepúblicaadeclararguerraecelebrarapaz,conformesegue:

Art.49.ÉdacompetênciaexclusivadoCongressoNacional:

I­resolverdefinitivamentesobretratados,acordosouatosinternacionaisqueacarretemencargosoucompromissosgravosos

aopatrimônionacional;

II­autorizaroPresidentedaRepúblicaadeclararguerra,acelebrarapaz,apermitirqueforçasestrangeirastransitempelo

territórionacionalounelepermaneçamtemporariamente,ressalvadososcasosprevistosemleicomplementar;(

)

Noquetangeàaprovaçãodetratadosedemaisatosinternacionais,oprocedimentoparlamentar,comoregra,tem­selimitadoàsua

aprovaçãoourejeiçãointotum.

AdoutrinadivergenoquedizrespeitoàpossibilidadedealteraçãodotratadoquandodesuatramitaçãonoCongressoNacional.

Istoporque,tendoemvistaóbviasrazõesdeordemprática,nãoseriapossívelaumpaís,segundoalgunsjuristas,aprovaremendas a um tratado internacional negociado em âmbito multilateral. Sustentam eles que tal prática, se adotada por todos os Estados contratantes, haveria de gerar um completo caos na convivência internacional, tornando impossível, do ponto de vista prático, qualquerprevisibilidadequantoàratificaçãooumodificaçãodetextosacordadosaolongodeinúmerasreuniõese,muitasvezes, difíceisnegociações.

Contudo,outracorrentesustentaque,casootratadoadmitareservas,poderáoCongressoNacionalaprová­locomrestrições,as quaisoPoderExecutivotraduziráemreservasnomomentodaratificação.Domesmomodo,poderáaprová­locomdeclaraçãode desabonoàsreservasacasofeitasnaassinatura,equedeixarãodeserconfirmadas,portanto,naratificação.Foinestesentidoo

parecerde1962doeminentejuristaHaroldoValladão,quandoconsultorjurídicodoItamaraty.

.

Pág. 6

Assim, terminada a negociação de um tratado, tem o Presidente da República, que a iniciou, a faculdade de dar ou não prosseguimentoaoprocessodesuaincorporaçãoaoordenamentojurídicointerno.Comexceçãodasconvençõesinternacionaisdo trabalho, que por sua natureza obrigam a sua submissão à aprovação do Parlamento, nos demais casos tanto pode o chefe do Poder Executivo mandar arquivar o produto, se o julgar insatisfatório, de uma negociação bilateral ou coletiva, quanto determinar estudos mais aprofundados na área do Executivo, e submeter o texto, quando melhor lhe pareça, à aprovação congressual.

Se por um lado em nenhum caso pode o Presidente da República manifestar o consentimento definitivo em relação ao tratado sem a aprovação do Congresso Nacional, por outro, tal aprovação não o obriga à ratificação.

A decisão do Congresso Nacional é formalizada por meio de um decreto legislativo, promulgado pelo Presidente do Senado Federal e publicado no Diário Oficial da União. O decreto legislativo não rejeita e nem altera o tratado. Exemplos de rejeição são raríssimos, mas neste caso caberia apenas uma comunicação, mediante mensagem, ao Presidente da República. Entre os raros casos de rejeição pode-se destacar, a título de exemplo, o tratado argentino-brasileiro de 25 de janeiro de 1890, sobre a fronteira das Missões, rejeitado pelo plenário do Congresso em 18 de agosto de 1891, por 142 votos contra 5.

No Brasil adotou-se o procedimento de se estipular, por meio de um parágrafo único no decreto legislativo que aprova o tratado internacional, que são sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do ato internacional em questão, assim como quaisquer atos complementares que, nos termos do art. 49, I, da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.

Os tratados, salvo os de direitos humanos aprovados na forma do citado § 3º do art. 5º da Constituição Federal, uma vez inseridos no direito brasileiro, passam a ter força de lei ordinária e a exercer efeitos sobre as demais leis, podendo, inclusive, revogá-las, uma vez que lei posterior revoga um tratado internacional se suas disposições conflitam. Desse modo, os tratados estão em nível hierárquico inferior ao da Constituição, e, portanto, sujeitos ao controle de constitucionalidade.

Pág. 7

IncorporaçãodasnormasMercosulaoordenamentojurídicointernodosEstadosPartes

Osrecentesesquemasdeintegraçãoregional,comooMercosul,representam,entretanto,casosespecialíssimos,umavezqueseus instrumentos jurídicos emergem de um Acordo­Quadro anterior, como é o Tratado de Assunção, o qual proclama a intenção inequívocadosEstadosMembrosdeprocederemaumprocessodeintegração,paraoqualsefaznecessáriaacelebraçãodevários protocolos adicionais ao Acordo inicial. Assim, a presunção é a de que interessa aos Estados signatários a célere aprovação congressualdosatosinternacionaisfirmadosnoâmbitodoprocessointegracionista.

Na prática, entretanto, isso nem sempre ocorre. Por vezes, o instrumento negociado acaba por sofrer restrições de setores interessados,eosGovernosoptamporsustarasuatramitaçãonoCongressoNacional.ExemplodistoéoCódigoAduaneirodo Mercosul,que,aprovadopelaCâmaradosDeputados,aguardouporalgunsanososeuexamepelaComissãodeRelaçõesExteriores doSenado.OGovernoacabouporretiraramensagemqueoencaminhava,aguardandoarenegociaçãodecertosdetalhestécnicos.

As normas Mercosul serão ounão submetidas ao crivo do Congresso Nacional de acordo com sua natureza. As que tratam de matéria com natureza de lei serão introduzidas após os trâmites previstos no direito interno; já as de natureza meramente regulamentar, incluídas nas competências do Poder Executivo, são introduzidas na normativa brasileira pela via de decretos e portarias.

Ao contrário da Constituição argentina, que, como vimos, confere hierarquia superior à das leis às normas incorporadas como consequência dos tratados de integração, o direito derivado do Mercosul não desfruta de posição hierárquica superior às leis ordinárias,recebendotratamentoidênticoàqueleoutorgadoaosdemaistratadosinternacionais.Aúnicaespecificidadequedistingue anormativaMercosulquandodosprocedimentosparaasuaincorporaçãoaodireitobrasileiroprovémdaResoluçãodoCongresso Nacional nº 1de 1996, que, em cumprimento ao Protocolo de Ouro Preto, veio a inserir, no seio do Parlamento, a Comissão

ParlamentarConjuntadoMercosul.Nostermosdeseuart.2º,deveráaRepresentaçãoBrasileiranaComissãoParlamentarConjunta

doMercosulemitirparecerpreliminarsobretodamatériadeinteresseparaoblocoequevenhaatramitarnoCongressoNacional.

Pág. 8

Pretendeu­secomestedispositivo,atenderoart.25doProtocolodeOuroPreto,segundooqual"AComissãoParlamentarConjunta

procurará acelerar os procedimentos internos correspondentes nos Estados Partes para a pronta entrada em vigor das normas

emanadasdosórgãosdoMercosulprevistosnoArtigo2desteProtocolo".Emboraimpedidadeatuarnosentidopropriamentede

acelerarosprocedimentosdeaprovaçãodasnormasMercosulpeloCongressoNacional,comoqueroProtocolo,oqueequivaleriaa

transformá­laemumgrupodepressãonoseiodoParlamento,aComissãobusca,medianteoseuparecerpreliminar,fornecer

subsídiosàsdemaisComissõestemáticasquantoàimportânciaeaosimpactos,sobreoprocessodeintegração,danormativaem

exame.

Maisumavezfaz­senecessáriodistinguir,nestecontexto,osatosinternacionaisadvindosdoprocessodeintegraçãoeosatosde

outranatureza.ConcordamosteóricosdaintegraçãoquantoaostatusespecialíssimoqueassumemosEstadosparticipantesdetal

processo,emrelaçãoaterceirospaíses.

Váriosestudiososvêmchamandoaatençãoparaofatodeque,noprocessodenegociaçõesdoMercosul,vemocorrendoumcurioso fatonoquedizrespeitoadeterminadasmatériasdeâmbitointerno:decisõesvêmsendotomadaspelosnegociadoresdoMercosule internalizadas por via de portarias ministeriais, de tal forma que o centro de decisões é transferido, por vezes, para um foro intergovernamental,comprejuízodacompetêncialegislativadoCongressoNacional,quesequertemapossibilidadedeacompanhar todosestesprocessosdecisóriosquesedesenrolamnosmúltiplosforosnegociadoresdoMercosul.Trata­seaquideumasituaçãosui generis,porémprópriadosprocessosdeintegração.Éinteressanteressaltar,nessecenário,queaexistênciadeumaComissão ParlamentarConjuntadoMercosulnoseiodoCongressoNacional,previstapelosTratadosdeAssunçãoepeloProtocolodeOuro Preto,nuncachegouasanarestafalha,umavezqueaCPCnãodispunhaderealpoderdecontrolesobreoprocessonegociador.

AcriaçãodoParlamentodoMercosul,constituídoem14dedezembrode2006,poderácontribuirdecisivamenteparamaior

transparênciaevisibilidadedoprocessodeintegraçãoregional.Cumpre,nesseponto,esclarecerqueacitadaResoluçãonº1,de

1996,doCongressoNacional,foirevogadapelaresoluçãonº1de2007,quedispõesobreaRepresentaçãoBrasileirano

ParlamentodoMercosulecujoart.4ºprevêprocedimentopreferencialàsmatériasemanadasdosórgãosdecisóriosmercosulinos,

desdequeanormatenhasidoadotadadeacordocomostermosdoparecerdoParlamentodoMercosul.Comisso,tais

normasapósaapreciaçãodaRepresentaçãoquantoaosaspectosdaconstitucionalidade,juridicidade,adequaçãofinanceirae

orçamentáriae,ainda,quantoaomérito,serãoremetidasaosplenáriosdaCâmaradosDeputadosedoSenado,salvosea

Representaçãojulgarnecessário,emrazãodaespecificidadeecomplexidadedamatéria,opronunciamentodeoutrasComissões.

Nota­se,portanto,queaResoluçãode2007veioatenderodispostonoinciso12doart.4ºdoProtocoloConstitutivodo

ParlamentodoMercosul,queestabeleçeoseguinte:"osParlamentosnacionais,segundoosprocedimentos

internoscorrespondentes,deverãoadotarasmedidasnecessáriasparaainstrumentalizaçãooucriaçãodeumprocedimento

preferencialparaaconsideraçãodasnormasdoMercosulquetenhamsidoadotadasdeacordocomostermosdoparecerdo

Parlamento".

.

.AConsultaParlamentar

Pág. 9

DesdeaassinaturadoTratadodeAssunção,quecriouoMercosul,verifica­sequeamaiordebilidadedoblocoresidenodéficitd

incorporaçãodasnormas,acordadaspelosseusórgãosdecisórios,aosordenamentosjurídicosinternosdosEstadosPartes.Ess

deficiênciavemdebilitandoacredibilidadedobloco,tantofrenteaterceirospaíseseagrupamentosdepaíses,comoemfacedo

agenteseconômicosprivados.Aotraduzirummodelodeintegraçãomuitomaisorientadoporrealidadesdepoderdoquepornor

jurídicaslivrementeacordadaspelosEstadosPartesnofororegional,oMercosulrevela­seaoagenteeconômicocomoumespaçop

atraenteparaseusinvestimentos,caracterizadopelainsegurançajurídicaepelafaltadeprevisibilidadeedeefetividadenormativ

Com efeito, a experiência europeia demonstrou, ao longo do tempo, a importância de que se reveste a atitude de respeito às normas da integração, manifestada pelos Estados Partes. Esse respeito, refletindo o grau de compromisso político dos Países Membrosparacomoprocessointegracionista,muitocontribuiuparaofortalecimentodoblocoeuropeu.

ASecretariadaentãoComissãoParlamentarConjuntadoMercosul,sediadaemMontevidéu,realizoulevantamentosistemáticodo estado da incorporação das normas do Mercosul já negociadas e assinadas e que exigem aprovação congressual para a sua incorporaçãoaodireitointernodosEstadosParteseverificouqueumaltopercentualjamaisingressounosrespectivosParlamentos.

.

Pág. 10

Não se imaginava, efetivamente, que alguns instrumentos ficassem retidos por tanto tempo antes de serem enviados aos

respectivosParlamentosnacionais.

Essefato,logicamente,tambémcontribuiparaafragilidadeinstitucionaldoMercosuleparaainsegurançajurídicaexistenteno

momento.

Emoutubrode2003,firmou­seoprimeiroacordointerinstitucionalentredoisórgãosdoMercosul:oConselhodoMercadoComume

a Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul. Essas duas entidades celebraram acordo, com apenas dois artigos, de grande

significadonoquedizrespeitoàdemocratizaçãodoprocessodecisóriodoMercosul.

Oart.1ºdizbasicamentequeoConselhosecomprometeaenviaràconsultadaComissãoParlamentarConjuntadoMercosul,no

momentodasuanegociação,todasasnormasquerequeiramaprovaçãocongressual.

Jáoart.2ºcontémacontrapartidadaComissão:elasecomprometeadarumatramitaçãomaiságilemaisrápidaatodaamatéria

quetenhamerecidooseuparecerfavorável.

Emoutraspalavras,todoinstrumentoMercosulque,nomomentodesuanegociação,houvesseidoàComissãoerecebidooseu

parecerfavorável,quandofirmadopelosEstadosParteseenviadoàaprovaçãocongressual,receberiatratamentolegislativomais

rápido.

Esseengenhosomecanismo,vislumbradonoacordointerinstitucionalemaiscomumentechamadode"consultaparlamentar",seria, posteriormente,incluídoentreascompetênciasdoParlamentodoMercosul.Comovimos,oCongressoNacionalbrasileirojáaprovou

dispositivodestinadoàimplementaçãodaconsultaparlamentarpormeiodaediçãodacitadaResoluçãon°1,de2007,àqualainda

recorreremosaotratarmosdascompetênciasdoParlamentodoMercosul.

Unidade 2 - O Parlamento do Mercosul; Definição.

DefiniçãoerazõesparaacriaçãodeumParlamentodoMercosul

Em 15 e 16 de dezembro de 2003, em Montevidéu, o Conselho do Mercado Comum

aprovava o "Programa de Trabalho Mercosul 2004­2006", cujo ponto 3.1 solicita à

ComissãoParlamentarConjuntaaelaboraçãodeumapropostaconcernenteàcriaçãodo

ParlamentodoMercosul,quedeveriasersubmetidaaoConselhodoMercadoComumem

2004.OProgramadeTrabalhodeterminavaqueapropostadeveriaconsiderar,comouma

primeira etapa, o mecanismo de consulta estabelecido pelo

primeira etapa, o mecanismo de consulta estabelecido pelo Acordo Interinstitucional,

subscritopeloConselhoepelaComissãoParlamentarConjunta.

Em dezembro de 2004, em Belo Horizonte, o Conselho do Mercado Comum aprova a Decisão 49/04, que confere à Comissão

Parlamentar Conjunta a condição de Comissão Preparatória do Parlamento do Mercosul, e estabelece a data limite de 31 de

dezembrode2006paraainstalaçãodonovoórgão.

AComissãoatendeuaessemandato,eproduziuumProjetodeProtocoloConstitutivodoMercosul,queseriaaprovadopeloConselho

doMercadoComumpormeiodaDecisãon°23/05,emMontevidéu,em9dedezembrode2005.

.

OParlamentodoMercosul

Pág. 2

O Protocolo estabelece que o Parlamento do Mercosul substituirá a Comissão Parlamentar Conjunta como órgão integrante da estruturainstitucionaldoMercosul.

Seuart.2elencaospropósitosdoParlamento,entreosquaiscabemencionar:

­arepresentaçãodospovosdoMercosul,respeitandosuapluralidadeideológicaepolítica;

­apromoçãoeadefesadademocracia,daliberdade,dapazedodesenvolvimentosustentável,comjustiçasocial;

­oestímuloàparticipaçãodosatoresdasociedadecivilnoprocessodeintegraçãoeàformaçãodeumaconsciênciaintegracionista

naregião;

­aconsolidaçãodaintegraçãolatino­americanamedianteoaprofundamentoeconsolidaçãodoMercosul;

.

Pág. 3

Omecanismodaconsultaparlamentaréreproduzidonoart.4,inciso12doProtocolo,e,ademais,estabeleceoprazomáximode

180diascorridosparaqueosCongressosNacionaisdosEstadosPartesdoMercosulsemanifestemsobreaquelasnormasque

tenhamsidoadotadaspeloConselhodoMercadoComum,consoanteopareceremitidopeloParlamentoregionalnomomentode suanegociação.Omesmoincisoressalvaque,sedentrodoprazodesseprocedimentopreferencialoParlamentodoEstadoParte não aprovar a norma, esta deverá ser reenviada ao Poder Executivo, que a encaminhará à reconsideração do órgão correspondentedoMercosul.

Porsuavez,osParlamentosnacionaisdeverãoadotarasmedidasnecessáriasparaainstrumentalizaçãodesseprocedimento,em

conformidadecomassuasrespectivasnormasregimentais.Nessesentido,nuncaédemaisressaltaraediçãodaResoluçãoNº1,

de2007,doCongressoNacional,queprevêtramitaçãomaiságilesimplificadaparaaquelasnormasMercosulquetenhamsido

adotadaspeloórgãodecisóriodobloco,deacordocomopareceremitidopeloParlamentoregional,dando,assim,cumprimento

aodispostonoart.4,inciso12doProtocolo.

Pormeiodaconsultaparlamentar,oParlamentodoMercosulpoderácontribuirparasolucionaragravefragilidadedequepadece obloco,quesetraduznobaixoíndicedenormasdaintegraçãoefetivamenteincorporadaaosordenamentosjurídicosnacionais.O Parlamento poderá, além disso, contribuir para melhorar a qualidade técnica das normas do Mercosul, cuja debilidade já foi amplamenteidentificadaportécnicoseacadêmicos.HAfaltadeconsultaedebatecomossetoressociaisafetadosecomoutras instâncias governamentais interessadas, precisamente pela falta de um espaço designado para esse déficit de qualidade normativanoMercosul.

Pág. 4

Nesse contexto, vale lembrar que o Parlamento constituirá o espaço público, por excelência, onde deverão ocorrer os debates concernentesàsnormasemnegociação.AvisibilidadeeatransparênciaqueaexistênciadeumParlamento,comolócusdedebate político,conferiráaoMercosul,contribuirá,deinúmerasmaneiras,paraoaperfeiçoamentoeconsolidaçãodobloco.

Tambémnotocanteàfaltadeefetividadenormativaqueatingeobloco,emvirtudedonãoencaminhamentoàaprovaçãolegislativa, pelosExecutivos,dosinstrumentosjurídicosfirmados,oParlamentoconta,entresuascompetências,comapossibilidadedesolicitar

relatóriosdosórgãosdecisóriosdoMercosul(art.4,inciso4)edeconvidarrepresentantesdosórgãosdoMercosulparainformar

sobredeterminadosaspectosdaintegração(art.4,inciso5).

No que diz respeito ao processo de adoção de decisões, o Parlamento representa substancial avanço em relação à Comissão Parlamentar Conjunta, na medida em que delibera por meio do voto individual dos membros das delegações, enquanto que a Comissãodecidiaporconsenso,comosefosseuma"assembléiadeEstados",fatorquenãopermitiaaexpressãodapluralidade ideológicacaracterísticadeumórgãoderepresentaçãopopular.

ÀépocadanegociaçãodoProtocoloConstitutivodoParlamentodoMercosul,decidiu­seadotarduasfasesparaaimplementaçãodo

Parlamento.Issotraduzadificuldadecomquesedefrontaramosnegociadoresemrazãodasenormesassimetriasexistentesentre

osPaísesMembrosdoMercosulemtermosdepopulação,extensãogeográficaePIB.

.

Pág. 5

SegundooProtocolo,até31dedezembrode2010,acomposiçãodoParlamentoseriaparitária,com18representantesporpaís,

designados pelos respectivos Congressos Nacionais. A partir daí, passaria a vigorar o critério da "representação cidadã", a ser determinadomedianteDecisãodoConselhodoMercadoComum,porpropostadoParlamento,devendooParlamentoserintegrado porrepresentanteseleitospelovotouniversal,diretoesecreto,deacordocomalegislaçãoeleitoraldecadaEstadoParte.

Apesar de esforços para que, juntamente com as eleições presidenciais do ano de 2010, pudéssemos também escolher os

representantes brasileiros no Parlamento do Mercosul, houve inúmeras pressões, especialmente por parte da Argentina e do

Uruguai,quantoaostermosdoAcordoPolíticoqueestabeleceriaasregrasdarepresentaçãocidadã.Comaperspectivadeelevação

donúmerodeparlamentaresbrasileiros,osrepresentantesdosdemaisEstadosmembrospassaram,porexemplo,acondicionara

implementaçãodocritérioderepresentaçãocidadãàmitigaçãodaregradamaioriaprevistanoRegimentoInternodoParlamento.

Assim,oAcordoPolíticoemtornodaadoçãodocritériodarepresentaçãocidadãnoParlamentodoMercosulsomenteteveseus

termosdefinidosnofinalde2010(Decisãon°28/10,doCMC),sendoque,jáapartirde2011,oBrasilpassouacontarcom37

representantes,aArgentinacom26,eoUruguaieoParaguai,cadaum,com18.Evidentemente,nãohouvetempohábilparaqueo

ProjetodeLein°5.279,de2009,deautoriadoDeputadoCarlosZarattini–quedefineasregrasparaaseleiçõesdeparlamentares

brasileirosnoParlamentodoMercosul–fosseapreciado,umavezqueoart.16daConstituiçãoFederaldeterminaquealeique

alteraroprocessoeleitoralnãoseráaplicadaàseleiçõesqueocorrerematéumanodadatadasuavigência.

Pág. 6

Comosabemos,adelegaçãoparaguaiadoParlamentodoMercosuljáéformadaporrepresentanteseleitosdiretaeexclusivamente

paraoexercíciodemandatonoórgãodeintegraçãoregional.

Espera­sequeoParlamentodoMercosulvenhaaser,sobretudo,umespaçoparadebates,seminárioseaudiênciaspúblicassobreos

temas da integração. E, ainda, que sirva de "caixa de ressonância" para os anseios e preocupações dos diversos setores da

sociedade civil, e ao mesmo tempo constitua o canal de comunicação entre as populações e as instâncias negociadoras da

integração.Aparticipaçãodasociedadecivilasseguraráatransparênciadoprocessodeconstruçãodoblocoecontribuiráparaque

asnormasdoMercosulpassemporamplodebate,antesdesuaadoçãopeloórgãodecisório,oqueensejaráoseuaperfeiçoamento

efacilitaráasuaposteriorincorporaçãoaosordenamentosjurídicosinternosdosEstadosPartes.

Da estrutura intergovernamental inicial ao Parlamento do Mercosul em funcionamento

AestruturainstitucionaldoMercosultevecomomodeloinspiradoroparadigmadauniãoaduaneiraeuropeia,iniciadanosprimórdios

dosanoscinquenta,equetransformou­se,aolongodotempo,nobem­sucedidoblocoregionaldaUniãoEuropeia.

Conduzido,peloladobrasileiro,peloexperientecorpodiplomáticodoMinistériodasRelaçõesExteriores,oItamaraty,associadoà

suacontraparteArgentinadesdeoProgramadeIntegraçãoentreoBrasileaArgentina,de1985,oprocessodeintegraçãodoCone

Sulbuscoudesafiaralgunsprincípiosdeorganizaçãoedetomadadedecisõesadotadopeloseuropeusparaaconstruçãodeum

blocoregional,adaptando­osàscondiçõespolíticasecaracterísticasprópriasdeumaassociaçãoinéditaentrepaísesconsiderados

emdesenvolvimento,tantoemseusobjetivosquantonasambiçõespostuladasinicialmente.

Assim,desdeoiniciodoprocessodeintegração,aconfiguraçãoinstitucionaldoblocodoMercosulsedesenhousegundoummodelo de caráter intergovernamental, em que os negociadores e os que se enfrentavam nas mesas de negociação eram os Estados, enquantoosrepresentantesdosinteressesparticularesedasociedadecivilemgeraltinhamumafunçãomarginal.

.

Pág. 7

Omodelosedesenvolveudeformagradualista,ouseja,comtendênciaacriarnovosorganismos,apartirdeumabasemínimaque

lhedariaainstitucionalidadeinicial,deacordocomasexigênciasqueoprocessoemmovimentodemandasse.

Pretendia­se,assim,garantirqueosprimeirosacordospudessemserlevadosàpráticadeimediato,em

cadaumdosespaçosgeográficosdossócios,aomesmotempoemseapresentavaoprocessodeintegração

regionalacadaumadasrespectivasadministraçõesgovernamentaisemseusmaisvariadossetores,oque,

asuavez,contribuiriaparafacilitaratarefadeconsolidararegionalizaçãojuntoaos

quadrosfuncionaisdosEstadosPartesdoMercosul.

quadrosfuncionaisdosEstadosPartesdoMercosul.

OpróprioTratadodeAssunção,emseuart.9º,estabeleceuqueaadministraçãoe

execução do projeto pelo Conselho do Mercado Comum e Grupo Mercado Comum, teriamum"períododetransição",e,maistarde,oProtocolodeOuroPreto,emseu texto de abertura, confirmou o caráter de transitoriedade planejado pelos idealizadores do Mercosul, e deixou transparente a afirmação da consciência dos responsáveis políticos pela proposta de integração, certos de que, para fugir dos modelosadotadosporoutrosesquemasdeintegraçãolatino­americanos,nessafase preliminarnãoeraadequadopensar­seemesquemasinstitucionaisdotiposupranacional,quepoderiam comprometerosobjetivosnacionaisdeestabilizaçãomacroeconômicaoumesmoalteraroequilíbrioentre ascompetênciasnacionaiseasatribuiçõesdecisóriasquedeveriamsertomadascoletivamente.

OesquemaintergovernamentaladotadopelosformuladoresdoMercosulemergiucomoomaisapropriado,apoiadoemfatoresde

naturezahistóricaeestruturalquepermearam,nosúltimosquatroséculos,orelacionamentoentreospaísesqueconformamo

bloco,emespecialnochamadoespaçogeográficodoConeSul,equepodemexplicar,dealgumaforma,asdificuldadesdobloco

paraavançaremummaiorgraudeinstitucionalização.

.

Pág. 8

Nessesentido,podemosdestacaralgunsfatores.Primeiro,aprópriahistóriadaformaçãodaRegiãodoConeSul,cujasriquezas

mineraiseramdisputadaspeloscolonizadoreseuropeus,comdestaqueparaportugueseseespanhóis.

Emsegundolugar,ahistóriadasrelaçõespolíticaseeconômicasentreBrasileArgentina.Comovimos,somenteapartirde1985,

comoProgramadeIntegraçãoentreosdoispaíses,nosgovernosdeRaulAlfonsínedeJoséSarney,rompeu­seoantagonismo

históricoeavançou­senabuscadenovasformasdecooperaçãopolíticaeestratégicabilateralparaaregião.

Em terceiro, identificamos a assimetria de tamanho entre as diferentes economias que constituem o bloco, o que gerou, ao longo do tempo, visões estruturalmente diferentes no que diz respeito ao grau de institucionalização exigido pelo projeto de integração, e também quanto à conveniência de se criar órgãos supranacionais.

A posição brasileira, nos primeiros quatorze anos de existência do Mercosul, privilegiava a manutenção de um esquema de negociação entre governos, sobrepondo-se mesmo à vigência formal da adotada regra de consenso.

Os países menores, Uruguai e Paraguai, sempre defenderam a idéia de se diminuir esse grau de discricionaridade dos sócios maiores (Brasil e Argentina) nas negociações internas do bloco, o que lhes oferece uma pequena margem de ação unilateral efetiva. Daí haverem setores das sociedades uruguaia e paraguaia, nos dias de hoje, desejosos de firmarem acordos bilaterais, fora do marco mercosulino, com os Estados Unidos da América.

.

Pág. 9

AArgentina,porsuavez,situa­senummeiotermo,defendendoacriaçãodeinstituiçõesintergovernamentaisecomunitárias,tendo

sugeridoacriaçãodeumtribunalpermanentecomoopçãoparainiciar­seocaminhoemdireçãoàsupranacionalidade,emespecial

levando­seemconsideraçãoasucessãodeconflitossetoriaiseoutrostiposdetensõesocasionadasemsuasrelaçõescomoBrasil.

Emquartolugar,asexperiênciasdeintegraçãoregional­ALALC,ALADIeGrupoAndino­apenasconfirmaramqueaexistênciade

umaorganizaçãoinstitucionalfortenãopoderiasubstituirafaltadevontadepolíticadospaísesparticipantesparaavançaremuma

amplaaberturacomercialeoutrasfrentesdoprocesso.

Jáanovaexperiênciadeintegraçãolatino­americana,quecomeçoucomoProgramadeIntegraçãoArgentina­Brasileampliou­se

comoMercosul,vemdandoformaaummododeintegraçãomaispragmáticaerealista,nosentidodeseenfrentaroscenários

internoseexternosqueselheapresentam,negociandoeavançandocomoobjetivodeampliar,fortalecereconsolidarobloconos

planosregionaleinternacional.

Acrescente­seaesteroldefatoresquepodemdificultaroprocessodeintegraçãoaadesãodaVenezuela,quevemtrazendooutro

tipodediscussãoaoplenáriodasreuniõesdoMercosul,commarcadoviésideológico,ouseja,odalutacontraoimperialismo

capitalistanorte­americano,poisesteé,declaradamente,oprincipalargumentodepolíticaexternadefendidopeloentãoPresidente

HugoChávez.

Dessemodo,acriaçãodoParlamentodoMercosul,comsuaconstituiçãoem14dedezembrode2006,napresençados

representantesdeArgentina,Brasil,Uruguai,ParaguaieVenezuela,noplenáriodoCongressoNacionalbrasileiro,atendendoaoque

determinavaaDecisãonº49/04,doCMC,foidefundamentalimportânciaparaoaprofundamentodasdiscussõesemtornodasmais

gravesquestõesqueimpedemoavançodoprocessodeintegraçãodoMercosul.

.

Pág. 10

PassadosquinzeanosdaassinaturadoTratadodeAssunção,acriaçãodoParlamentodoMercosulapresentaumsignificativoavanço

políticoeinstitucional,marcodefinitivodeummodelodeintegraçãodemocrático,representativoeestratégico,verdadeira

concepçãodeumanovavisãopolíticaregional.

OprocessodeconformaçãodefinitivadoParlamentodoMercosulrepresentaumdesafiodeproporçõeshistóricas,quedaráformae

conteúdoaoMercosulnoséculoXXI.

Aconstruçãodoespaçopolíticoregionalseráumelementodefundamentalimportânciaparafortaleceremelhoraraqualidadedas

democraciasnospaísesdobloco,emespecialnoqueserefereaoprincípiodarepresentatividadeelegitimidadedemocráticas,

componenteimprescindíveldoprocessodecoesãosocial.Serácentrodedecisõespolíticaspormeiodaparticipaçãoresponsável,

decididaesustentáveldospartidospolíticoseseusatores,depositáriosfieisdopoderedasoberaniaqueemanamdeseusmais

legítimospossuidores,oscidadãos.

.

Pág. 11

Com o mecanismo institucional eficaz, o Parlamento do Mercosul deverá se converter em promotor de políticas regionais que possibilitem uma integração fronteiriça sem barreiras, a livre circulação de pessoas, bens e serviços, e um desenvolvimento integral,complementaresolidáriodassuasvariadasregiões,numesforçoquepermitaacorreçãogradualdasassimetrias, que objetiveaparcerianaspolíticaspúblicasemsaúde,educação,agropecuária,trabalho,culturaeoutroscamposquelevememconta ocidadãonasuacondiçãodesujeitofinaldetodasasaçõesdoprocessointegracionista.

Mercosul:

Em primeiro lugar, define com clareza a vontade regional de integraçãopolítica,superandooprojetorestritivodeumaintegração fundamentalmentecomercial.OParlamentomaterializaavontadeda integraçãocomoprojetopolíticoestratégico,comperspectivahistórica ecommodelodedesenvolvimentointegral,acimadasnecessidades conjunturaisdosatoresdaintegração.Mercosul: Defineummodelodeintegraçãonoqualalcançarummercadocomum é um componente fundamental do processo, porém esta

conjunturaisdosatoresdaintegração. Defineummodelodeintegraçãonoqualalcançarummercadocomum é

Defineummodelodeintegraçãonoqualalcançarummercadocomum é um componente fundamental do processo, porém esta não é condição suficiente para que a integração aconteça. O perfil da integraçãonoséculoXXIincluiumaverdadeiraintegraçãoeconômica,complementaresolidária,o aprofundamento da integração social e cultural e a adoção em áreas estratégicas de diretrizes políticascomunsnumcenáriointernacionalcomplexoeassimétrico.

Estabelece um espaço de análise e reelaboração do conceito de soberania, não no sentido desubtraí­la aos Estados, mas sim de introduzir um novo

subtraí­la aos Estados, mas sim de introduzir um novo plano de soberania compartilhada que, atuandonumsóbloco,coopereparainfluenciarcommaiorpesonoscentrosdepoderinternacional.

Pág. 12 Retoma e dá conteúdo concreto ao componente

Pág. 12

Retoma e dá conteúdo concreto ao componente democrático no Mercosul, dando legitimidade e transparência aos atos

públicosregionaisdemaneiraaaperfeiçoaredarmaiorclarezaàsregrasdojogodobloco.

Consolidaoprincípiodarepresentatividadeeparticipaçãocidadãnoprocessodeintegração,componentefundamentalna

construçãodeumaidentidadeeconsciênciaregionais.OfeitosubstancialmentedemocráticodequeoParlamentoexpressao

pluralismosocial,políticoeeconômicodasnaçõesnelerepresentadas,adiversidadedeetniaseregiões,comotambémuma

adequadaparticipaçãoporgênero,oconverteráemumaverdadeira"caixaderessonância"doscidadãosdoMercosul.

ConformaumespaçopermanentedapolíticaedacidadanianaestruturainstitucionaldoMercosul,dotando­adonecessário

equilíbrioquetodosistemademocráticorequerepossibilitandoaincorporaçãodavastapluralidadeideológicadospaíses.

AperfeiçoaosistemadetomadadedecisõeseoprocessonormativodoMercosul,aoconverter­seempromotorearquiteto

davontadenormativaregionaledaharmonizaçãodaslegislaçõesnacionais,elementosessenciaisdesegurançajurídicado

espaçointegrado,tantoparaodesenvolvimentointrazonacomofrenteaoutrosblocosregionaisouinternacionais.

Síntese Nestemódulo,estudamosadimensãoparlamentardoMercosul,começandopeloart.24doTratadodeAssunção,queestabele

Síntese

Nestemódulo,estudamosadimensãoparlamentardoMercosul,começandopeloart.24doTratadodeAssunção,queestabele

ComissãoParlamentarConjuntadoMercosul,e,naseqüência,oProtocolodeOuroPreto,nosarts.22a27,bemcomooRegim

InternodaComissão,quedefineassuasfunções,competênciaseatuaçãointernaeexterna,alémdoprocessodeproduçãoda

normativaMercosuleosmecanismosparaseuaperfeiçoamento.VimostambémosistemadeincorporaçãodasnormasMerco

peloaparatojurídicodosEstadosPartes,e,emespecial,aslimitaçõesconstitucionaisquetravamsuavigênciaimediata.

Porúltimo,estudamosaestruturaintergovernamentalquedinamizouoprocessointegracionistadobloco,bemcomoosprimei

passosdacriaçãoeconstituiçãodoParlamentodoMercosul.

Exercícios de Fixação do Módulo III

Parabéns!VocêchegouaofinaldoMóduloIIIdocursoFundamentosdaIntegraçãoRegional.

Comopartedoprocessodeaprendizagem,sugerimosquevocêfaçaumareleituradomesmoerespondaaosExercíciosdeFixação,

queoresultadonãoinfluenciaránasuanotafinal,masservirácomooportunidadedeavaliaroseudomíniodoconteúdo.

Lembramosaindaqueaplataformadeensinofazacorreçãoimediatadassuasrespostas!

ParateracessoaosExercíciosdeFixação,cliqueaqui.