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Dilemas Morais

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CURSO EFA NSEC, 2009/2010

CIDADANIA E PROFISSIONALIDADE



UC 5
NG – CONVICÇÃO E FIRMEZA ÉTICA
DR4


Dilemas Morais

Texto I - O dilema de Henrique
Numa cidade da Europa, uma mulher estava quase a morrer com um tipo muito raro de
cancro. Havia um remédio, feito à base de Rádio, que os médicos imaginavam que poderia
salvá-la, e que um farmacêutico da mesma cidade havia descoberto recentemente. A produção
do remédio era cara, mas o farmacêutico cobrava por ele dez vezes mais do que lhe custava
produzi-lo: O farmacêutico pagou €400 pelo Rádio e cobrava €4000 por uma pequena dose do
remédio. Henrique, o marido da enferma, procurou todos os seus conhecidos para lhes pedir
dinheiro emprestado, e tentou todos os meios legais para consegui-lo, mas só pôde obter uns
€2000, que é justamente a metade do que custava o medicamento. Henrique disse ao
farmacêutico que a sua mulher estava a morrer e pediu-lhe que vendesse o remédio mais
barato, ou que o deixasse pagar a prestações. Mas o farmacêutico respondeu: ‘Não, eu
descobri o remédio e vou ganhar dinheiro com ele’. Assim, tendo tentado obter o
medicamento por todos os meios legais, Henrique, desesperado, considera a hipótese de
assaltar a farmácia para roubar o medicamento para sua esposa. O Henrique deve roubar o
medicamento?” Kholberg

Texto II
Este caso não é, obviamente, um caso de fácil solução. Ele é, na verdade, um dilema
moral. Dilemas morais são aquelas situações em que, qualquer que seja o modo de proceder,
aparentemente implica violar uma norma moral e agir, portanto, contra a virtude (contra o
bem moral). No caso, ou Henrique arrombaria a farmácia, e violava a norma segundo a qual
não devemos roubar, ou ele deixaria a sua mulher morrer, e violava a norma segundo a qual
devemos ser solidários e auxiliar todos os homens, em especial aqueles que constituem a
nossa família. Como Henrique deve, então, proceder? Qual seria, então, a acção justa
(moralmente boa)?
O dilema de Henrique envolve claramente o seguinte problema, que pressupõe a
questão da justiça: por que devo ser generoso com a mulher de Henrique e misericordioso
para com Henrique, e não generoso e misericordioso para com o farmacêutico? Ou, ao
contrário, porque devo aplicar a lei contra Henrique, e não contra o farmacêutico? Por que
posso considerar como devido ou salvar a mulher de Henrique, ou não furtar, e não a acção
contrária?
Marcelo Campos Galuppo
Texto III
Pois faz parte da própria natureza dos valores, como qualidade ou predicado das coisas,
não só a sua polaridade (belo/feio, por exemplo), como também o facto dos mesmos
constituírem uma hierarquia: “os valores estão ordenados hierarquicamente, isto é, há valores
inferiores e superiores. Os valores ocorrem numa ordem hierárquica; ao confrontar-se com
valores, o homem prefere geralmente o superior, ainda que às vezes escolha o inferior por
razões circunstanciais”

(FRONDIZI).
Os valores podem, é verdade, ser hierarquizados, mas esta hierarquização será sempre
histórica, no sentido de ser inerente a pessoas ou comunidades. Algo que alguém considera
mais valioso não é necessariamente algo que outras pessoas consideram mais valioso. Os
valores são, portanto, em um certo sentido, sempre relativos. Por exemplo: aquilo que a
família de um suicida geralmente considera mais valioso, a vida, não é aquilo que o próprio
suicida considerava mais valioso. Aquilo que a maioria daqueles que defendem a legalização
do aborto considera mais valioso, a liberdade de escolha, não é aquilo que aqueles que se
CURSO EFA NSEC, 2009/2010

CIDADANIA E PROFISSIONALIDADE



UC 5
NG – CONVICÇÃO E FIRMEZA ÉTICA
DR4
opõem ao aborto consideram mais valioso, a vida. Se for possível estabelecermos uma
hierarquia entre valores, esta hierarquia será, no entanto, pessoal (ou, na melhor das
hipóteses, comunitária) e válida apenas para aquele a cuja estrutura mental pertence esta
hierarquia. Ao contrário, de uma forma ou de outra, as normas e os deveres pretendem valer
para todos, universalmente. Não haveria sentido num dever moral que não se pretendesse
universal.
Marcelo Campos Galuppo


1. Identifique a opção que escolheria, justificando-a através de argumentos.
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