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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

ESTUDO ­ VIDA DE SALMOS

MENSAGEM UM

INTRODUÇÃO

Leitura Bíblica: Sl 1:2; 6; 2:6‐7, 12; Lc 24:44

Em uma conferência recente, houve quatro pontos principais sobre os quais eu gostaria de chamar a atenção nesta introdução a Salmos:

1) A economia de Deus é produzir um organismo para Sua Trindade Divina. 2) A lei na economia de Deus é para ser usada por Deus a fim de expor a natureza pecaminosa e as obras malignas dos pecadores. 3) A graça na economia de Deus é a corporificação de Deus para o homem receber para ser seu desfrute e suprimento. 4) O resultado da experiência da graça na economia de Deus é o Corpo orgânico de Cristo, consumando na Nova Jerusalém.

Louvo ao Senhor por Seu arranjo soberano de permitir‐nos ter esta conferência com esses quatro pontos principais antes que comecemos nosso estudo‐vida de Salmos. Em Salmos veremos esses quatro pontos.

O primeiro salmo diz respeito à lei. Davi não conhecia a verdadeira função da lei. Ele era

semelhante, como alguém que se deleitava na lei, à árvore crescendo junto às correntes das águas que dá o seu fruto em tempo próprio (v. 3). Contudo, após Salmos 1, vem Salmos 2 a

respeito de Cristo. Em seguida, Salmos 3. O título de Salmos 3 diz: “Salmo de Davi, quando fugia de seu filho Absalão”. Aquele que desfrutava a lei como as correntes das águas, pela qual ele crescia, tornou‐se uma espécie de exilado devido à rebelião de seu filho. Isto aconteceu a Davi por causa de seu assassinato de Urias e tomar a esposa deste (2Sm 12:10‐12). Aquele que desfrutava tanto a lei em Salmos 1 tornou‐se um assassino intencional. Isto mostra que a lei opera? A lei opera verdadeiramente, mas não na maneira de Davi. A lei opera para expor‐nos. A lei expôs, ao máximo, Davi como alguém que conspirou para matar Urias e roubar sua esposa.

A lei opera ou não? Temos que dizer que a lei opera, não conforme o conceito de Davi em

Salmos 1, porém segundo o ensino do apóstolo Paulo no Novo Testamento. Paulo mostrou que

a lei foi algo acrescentado à linha central da revelação divina para expor a natureza

pecaminosa e as obras malignas do homem (Rm 3:20b; 5:20a). Precisamos dessa visão da lei a fim de entendermos Salmos conforme o conceito divino no Novo Testamento. Não estamos no Antigo Testamento como Davi estava, mas no Novo.

I. O LIVRO DE SALMOS É:

A. Não um Livro de Doutrinas ou de Quaisquer Tipos de Ensinos

O Livro de Salmos não é um livro de doutrinas ou de quaisquer tipos de ensinos. Os

escritos de Salmos estão na forma de louvores. Esses louvores não foram compostos por doutrina ou entendimento de ensinos.

B. Porém, um Livro das Expressões dos Sentimentos, Emoções, Impressões e Experiências de Homens Piedosos

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O Livro de Salmos é composto das expressões dos sentimentos, emoções, impressões e

experiências de homens piedosos. Esta é uma chave crucial para entendermos Salmos. Se não

pegarmos esta chave, não teremos como entender esse livro. Não ver esta chave é um grande equívoco que muitos cristãos têm cometido.

O Livro de Salmos não é um livro de romances, mas um livro da revelação divina por

meio das expressões dos sentimentos, emoções, impressões e experiências de homens piedosos concernentes a oito coisas. Precisamos ver o que são essas oito coisas: caso contrário, não poderemos entender Salmos. Essas oito coisas são:

1) Deus e como Ele é em Seu lidar com elas. 2) A lei de Deus como a Palavra sagrada com a revelação divina. 3) A casa de Deus, o templo, e o Monte Sião no qual o templo estava estabelecido, como o centro do lugar de habitação de Deus na terra. 4) A cidade santa de Deus, Jerusalém, como a proteção circundada da casa de Deus. 5) O povo santo de Deus, Israel, como o eleito amado de Deus entre as nações. 6) O amor deles para com Deus, sua comunhão com Deus, suas bênçãos recebidas de Deus, seus sofrimentos sob o tratamento de Deus e seu ambiente. 7) Seu cativeiro. 8) Suas ações de graças e louvores a Jeová seu Deus, a quem eles saboreavam e des‐ frutavam. Os salmistas, como homens piedosos, amavam a lei, amavam a Deus, amavam o templo, amavam a cidade santa e o povo santo, contudo, por fim, foram para o exílio. Foram levados ao cativeiro. A lei, depois de ser dada, resulta em cativeiro. Jeremias mostra o cativeiro e o exílio deploráveis que o povo de Israel experienciou. Eles experienciaram cativeiro após cativeiro e exílio após exílio. Muitos deles foram mortos pelos babilônios. Permaneceu um pequeno remanescente deles, contudo não quiseram tomar a palavra de Deus para permanecer na terra santa. Ao contrário, quiseram ir para o Egito. Foram para lá para serem exilados (Jr 42:1

43:7).

A lei do Antigo Testamento que foi dada por Deus por meio de Moisés resultou

inteiramente em cativeiro. O cativeiro veio por causa do fracasso de realização da primeira aliança. Visto que a velha aliança foi totalmente um fracasso, Jeremias disse que Deus faria uma nova aliança (31:31‐34). Mesmo no fim da era dos primeiros apóstolos, os crentes

neotestamentários haviam entrado em cativeiro devido ao fato que permaneceram na velha aliança embora tivessem sido postos na nova aliança. A Igreja Católica hoje é uma mistura do Antigo Testamento com o Novo Testamento. Seus rituais, formalidades e até mesmo a vestimenta de seus clérigos são uma mistura do Antigo Testamento. O pentecostalismo hoje também é uma mistura do Antigo Testamento com o Novo Testamento. Essas são provas que os crentes neotestamentários de hoje entraram em cativeiro como resultado de guardar as práticas do Antigo Testamento com a lei. Por fim, os salmistas se voltaram do desfrute da lei na qual se deleitavam para o desfrute de seu Deus a quem amavam e buscavam.

II. OS SALMOS FORAM ESCRITOS SEGUNDO DOIS TIPOS DE CONCEITOS

Salmos foi escrito segundo dois tipos de conceitos. Também temos que pegar este ponto. Caso contrário, não podemos entender adequadamente Salmos.

A. O Conceito Humano e os Escritores Santos

O primeiro conceito, segundo o qual Salmos foi escrito, é o conceito humano dos

escritores santos. Seu conceito humano foi produzido a partir de sua natureza boa criada por

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Deus, formada com as tradições de sua raça santa, constituída com os ensinos de suas Escrituras sagradas, promovidas por sua prática de uma vida santa, e expressadas a partir de seus sentimentos e impressões santos. Estes são os constituintes do conceito humano dos escritores santos de Salmos. Eles procediam de uma raça santa, possuindo o Pentateuco, os cinco primeiros livros de Moisés. Eram um povo grandemente culto. As tradições de sua raça santa formavam seu conceito humano segundo o qual muitos dos salmos foram escritos.

B. O Conceito Divino de Deus

Salmos foi escrito também segundo o conceito divino de Deus como a revelação divina. Esse conceito divino de Deus como a revelação divina diz respeito à Sua economia eterna em Cristo, tomando Cristo como sua centralidade e universalidade. É concernente também a Cristo em Sua divindade, humanidade, viver humano, morte todo‐inclusiva, comunicação de vida e ressurreição que produz vida, glorificação, ascensão, aparecimento em glória e reinar eternamente. Todos esses pontos são revelados claramente, e até mesmo em detalhes, em Salmos. O conceito divino em Salmos também diz respeito ao desejo do coração de Deus, Seu bom prazer em Cristo como Sua centralidade e universalidade, na igreja como Sua plenitude para Sua expressão, no reino para Sua administração eterna e na restauração da terra para Seu

reino eterno na eternidade. Esse conceito divino de Deus foi expresso pelos escritores piedosos de Salmos como parte da proclamação em seus escritos santos. Os mesmos escritores ex‐

pressaram dois tipos de conceitos

o humano e o divino.

Precisamos aplicar esses dois tipos de conceitos a Salmos 1 e a Salmos 2. Salmos 1 diz:

1

Feliz é o homem que não anda segundo o conselho dos iníquos, Nem no caminho dos

pecadores se detém, Nem na roda dos escarnecedores se assenta.

2

Mas o seu prazer está na lei de Jeová, E na sua lei medita de dia e de noite.

3

Ele é qual árvore plantada junto às correntes das águas, Que em tempo próprio dá o seu fruto, E cuja folha não cai; Ele leva ao fim tudo quanto empreende.

4

Não são assim os iníquos, Mas são como a moinha que o vento dispersa,

5

Por isso os iníquos não subsistirão no juízo, Nem os pecadores na congregação dos justos.

6

Pois Jeová conhece o caminho dos justos, Mas o caminho dos iníquos perecerá.

Segundo que conceito Salmos 1 foi escrito? Salmos 1 é bom ou não? Na verdade ele é um salmo bom, contudo foi escrito segundo o conceito humano. Em Salmos 1, o salmista disse que aquele que tem prazer na lei de Jeová prosperará em tudo que faz, mas, por fim, os salmistas não foram prósperos. Eles estavam sofrendo. Em Salmos 73, o salmista estava aborrecido. Ele pensava que havia purificado seu coração em vão, porquanto estava sendo afligido e castigado (vv. 13‐14). Por outro lado, ele viu todos os perversos prosperando (v. 3). Ele estava aborrecido, até que entrou no santuário de Deus, o templo de Deus (v. 17). Então, recebeu a revelação, e foi levado a não ter nada nos céus nem qualquer coisa na terra a não ser Deus (v. 25). Portanto, ele declarou que Deus era sua porção viva (v. 26); não a lei, mas o próprio Deus era sua porção.

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Isto nos mostra que Salmos 1 é bom, mas foi escrito com um conceito errado. A lei não foi dada para nós guardarmos para nossa prosperidade. Ao contrário, a lei foi dada para nos expor. O escritor de Salmos 1, Davi, foi exposto pela lei como sendo um assassino e um ladrão da esposa de alguém. Por causa do que ele havia feito, a situação com toda a sua família tornou‐ se uma bagunça. Fornicação e assassinato estiveram entre seus filhos (2Sm 13:1‐29), e rebelião veio de seu filho, Absalão (15:7‐12). O terceiro salmo foi um salmo de Davi quando ele esteve fugindo de seu filho amotinado. Portanto, não devemos ter em alta estima Salmos 1. Ele foi escrito erradamente com um conceito errado, um conceito humano. Agora, leiamos Salmos 2:

1

Por que se amotinam as nações, E os povos tramam em vão?

2

Insurgem‐se os reis da terra, E os príncipes conspiram Contra Jeová e contra o Seu ungido, dizendo:

3

Rompamos as suas ataduras, E lancemos de nós as suas cordas.

4

Aquele que está sentado nos céus, se rirá; O Senhor zombará deles.

5

Então lhes falará na Sua ira, E no Seu furor os confundirá.

6

Eu, porém, tenho estabelecido o Meu rei Em Sião, Meu santo monte.

7

Falarei acerca do decreto: Jeová disse‐Me: Tu és Meu filho; Eu hoje Te gerei.

8

Pede‐Me, que Te darei as nações por Tua herança, E as extremidades da terra por Tua possessão.

9

Tu as quebrarás com uma vara de ferro, Fá‐las‐ás em pedaços como vaso de oleiro.

10

Agora, pois, ó reis, fazei‐vos prudentes; Deixai‐vos instruir, juízes da terra.

11

Servi a Jeová com temor, E regozijai‐vos com tremor.

12

Beijai ao Filho, para que não Se ire, E pereçais no caminho, Porque em breve se acenderá a Sua ira, Felizes são todos os que Nele se refugiam.

O Ungido de Jeová no versículo 2 e o Rei no versículo 6 são Cristo. O Filho no versículo 7 também é Cristo como o Ressurreto. Ele era o Unigênito de Deus desde a eternidade (Jo 1:18; 3:16), contudo precisava ser gerado novamente em Sua ressurreição para ser o Primogênito de Deus (At 13:33; Rm 8:29). Salmos 2:8 diz que as nações e a terra serão dadas a Cristo. As nações serão Sua herança, e a terra será Sua possessão. Precisamos considerar por que Salmos é arranjado com Salmos 1 como o primeiro e Salmos 2 como o segundo. Salmos 1 não tem qualquer relação com Salmos 2. Davi estava dizen‐ do que: aquele que se deleita na lei e medita na lei será bem‐aventurado e prosperará em tudo que faz. Enquanto estava declarando isto, Deus veio para fazer uma declaração a respeito de Cristo em Salmos 2, dizendo: “Eu O ungi e O estabeleci como o Rei, Ele prosperará, pois ganhará toda a terra como Sua possessão, e ganhará todas as nações como Sua herança. Bem‐ aventurados são aqueles que se refugiam Nele. Vocês têm que beijá‐Lo”.

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Esses dois salmos são dois tipos de declaração. Uma é feita pelo salmista conforme seu conceito humano, e a outra é feita por Deus segundo Seu conceito divino a respeito de Cristo como Sua centralidade e universalidade. Temos de dizer amém ao conceito divino de Deus em Salmos 2. Aos olhos de Deus, é um assunto de se refugiar em Cristo e beijá‐Lo. Refugiar‐se em Cristo significa crer Nele, e beijá‐Lo significa amá‐Lo. Isto está de acordo com o conceito divino do Novo Testamento. Precisamos crer em Cristo e amar Cristo. Ao fazermos isto, somos abençoados. Você tem visto a diferença entre os dois conceitos em Salmos? Mediante um escritor, Davi, duas declarações diferentes emergiram em Salmos 1 e 2. Salmos 1 foi uma declaração feita por Davi, e Salmos 2 foi também uma declaração feita por Davi. Salmos 1 foi declarado segundo seu conceito humano. Salmos 2 também foi sua declaração, todavia conforme o conceito divino. Primeiro, o conceito humano emergiu desse orador. Todavia, enquanto ele estava falando de forma humana, o tom mudou! Outro falar emergiu segundo o conceito divino. Muitos pregadores têm falado acerca de Salmos 1, exaltando este salmo. Todavia, é difícil encontrar alguém que haja falado adequadamente acerca de Salmos 2. Parece que não muitos entendem Salmos 2. Quando lemos Salmos 1 e 2 no passado, podemos ter apreciado gran‐ demente Salmos 1. Como Salmos 1 foi bom para nós! Porém, Salmos 2 pode ter sido colocado na categoria das porções da Escritura que não entendemos. Todos precisam ver os dois tipos de conceito, humano e divino, em Salmos, conforme visto em Salmos 1 e 2.

C. O Conceito Humano dos Escritores Santos Enaltecendo a Lei como Sua Ênfase Central

Espero que lembremos esses pontos a respeito dos conceitos humano e divino no Livro de Salmos. O conceito humano dos escritores santos enaltece a lei como sua ênfase central a fim de entesourar a lei e permanecer nela por toda a sua vida.

B. O Conceito Divino do Deus Revelador Exaltando Cristo como Sua Importância Central

O conceito divino do Deus revelador exalta Cristo como Sua importância central para

tornar o conceito humano dos escritores santos da lei para Cristo, segundo o conceito divino da revelação divina.

III. O CONTEÚDO DESSE LIVRO

A. O Livro de Salmos, Composto por Cento e Cinquenta Salmos, É Dividido em Cinco Livros

O Livro de Salmos, composto por cento e cinquenta salmos, é dividido em cinco livros.

Salmos 1 41 são o primeiro livro; Salmos 42 72 são o segundo livro; Salmos 73 89 são o

150 são o quinto livro. Esses

cinco livros podem ser comparados aos cinco andares de um edifício. O primeiro livro é o andar térreo, ao passo que o quinto livro é o andar mais alto. O livro 5 é um livro de louvores

com ações de graças.

terceiro livro; Salmos 90

106 são o quarto livro; e Salmos 107

B. O Conteúdo de Salmos segundo o Conceito Humano

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Aparentemente, segundo o conceito humano, todos os salmos são expressões dos senti‐ mentos, emoções e impressões de homens piedosos que estavam intimamente próximos de Deus.

C. O Conteúdo de Salmos segundo o Conceito Divino

Na realidade, segundo o conceito divino, o pensamento central do Livro de Salmos é Cristo, conforme revelado em palavras claras (Lc 24:44), e a igreja como a casa de Deus e a cidade de Deus para Seu reino, como tipificado pelo templo e pela cidade de Jerusalém. Por conseguinte, o Livro de Salmos é um livro, mas em dois tipos de tonalidade. Uma tonalidade é expressa conforme o conceito humano, e a outra tonalidade é expressa segundo o conceito divino. Como pode ser isto? Sem dúvida, esses escritores santos estavam errados em seu entendimento conforme o conceito humano, mas eles ainda eram homens piedosos. Eles eram muito íntimos de Deus. Portanto, embora estivessem falando de forma errada, Deus veio para falar por meio deles. Visto que eles eram íntimos, muito próximos, e até mesmo um com Deus, enquanto estavam falando, Deus entrou para falar em seu falar. Não devemos separar Salmos 1 de Salmos 2. Esses dois salmos foram falados por Davi. O primeiro salmo foi expresso segundo o conceito humano falado diretamente por Davi. O segundo salmo também foi o falar de Davi, mas foi, na realidade, expresso por Deus. Em seguida em Salmos 3 a 7, existe, novamente, o tom de Davi, todavia, em Salmos 8, aparece o tom de Deus. Salmos 3 a 7 nos mostra quão pobre e cheia de desordem é a situação na terra. Todavia, Salmos 8 começa dizendo: “Jeová, Senhor nosso, / Quão majestoso é o Teu nome / Em toda a terra!” (v. 1). Quando Seu nome está ausente, a terra é uma bagunça. Quando Seu nome está aqui na terra, esta é majestosa. Este é o nome Daquele que se tornou um ser humano, um pouco inferior aos anjos, e o nome Daquele que passou pela vida humana e morreu, ressuscitou e ascendeu aos céus para ser glorificado e honrado (vv. 5‐6). Quando o nome Deste está nesta terra, esta se torna majestosa. Hoje, nos jornais, assassinatos são noticiados todo o tempo. Temos que prevenir as irmãs que elas não devem ir para casa sozinhas após a reunião da noite. Você pode dizer que algo é majestoso na terra hoje? Se desejamos tornar a terra majestosa, precisamos pregar o evangelho e converter os pecadores em cristãos. Virá o dia quando toda a terra será majestosa, porque o nome do Senhor será, por fim, majestoso em toda a terra. Este é o conceito divino. Segundo o conceito divino de Deus, o pensamento central nos cinco livros de Salmos é Cristo e a igreja.

1. Livro Um

O Livro 1 indica que a intenção de Deus é levar os santos buscadores da lei para Cristo, a

a igreja. No Livro 1, há quarenta e um salmos. Em

Salmos 1, o salmista apreciava a lei ao máximo, mas em Salmos 27, ele já não mais a apreciava. Ao invés, apreciava habitar na casa de Deus para contemplar a formosura de Deus. Ele desejava habitar na casa de Jeová todos os dias da sua vida (v. 4). Isto é para desfrutar Deus, não a lei, na

casa de Deus. Em seguida, em Salmos 36, o salmista declarou que eles seriam abundantemente saciados com a gordura da casa de Deus. Na casa de Deus eles podiam beber da torrente das Suas delícias. O salmista também disse que: em Deus está a fonte da vida, e em Sua luz vemos a luz (vv. 8‐9). Que diferença podemos ver entre Salmos 1 e Salmos 27 e 36. Salmos 1 começa do andar térreo, do fundamento. Mas, em Salmos 27 e 36, os salmistas haviam subido até o “quinto andar”. Eles emergiram do fundamento. Se ainda temos Salmos 1 em grande apreço,

fim de que eles desfrutem a casa de Deus

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permanecemos no fundamento. Precisamos sair do fundamento, em nossa apreciação, para o nível mais elevado do conceito divino.

2. Livro Dois

O Livro 2 indica que os santos experienciam Deus e Sua casa e cidade por meio do Cristo

sofredor, exaltado e reinante.

3. Livro Três

O Livro 3 indica que os santos, em suas experiências, percebem que a casa e a cidade de

Deus com todos os seus desfrutes podem ser preservadas e mantidas somente com Cristo apre‐

ciado e exaltado adequadamente pelo povo de Deus.

4. Livro Quatro

O Livro 4 indica que os santos, estando unidos a Cristo, são um com Deus, de modo que

Ele restaure Seu título sobre a terra, por meio de Cristo, em Sua casa e cidade. Salmos 90 é o primeiro salmo do Livro 4. O título de Salmos 90 diz que ele é uma oração de Moisés, homem de Deus. No primeiro versículo, Moisés diz: “Senhor, tu tens sido a nossa morada / De geração em geração”. Aquele que escreveu a lei declarou que Deus era sua morada eterna. Fiquei chocado quando li esse salmo pela primeira vez e vi que ele foi escrito por Moisés. Segundo nosso pensamento, Moisés só sabia como dar a lei, os Dez mandamentos. Quando lemos os Dez Mandamentos, sentimos, verdadeiramente, que eles nos trazem pa‐ ra perto de Deus? Depois de ler esses mandamentos, inúmeros cristãos diriam que não podem cumpri‐los visto que eles os quebram o tempo todo. As pessoas mentem frequente e espon‐ taneamente. Alguém pode falar ao telefone e perguntar: “Seu pai está em casa?” Então, a pessoa pode responder que ele não está, ainda que seu pai esteja ali lendo o jornal. As pessoas mentem umas às outras o tempo todo. Os filhos mentem para seus pais. Os maridos para suas esposas e vice‐versa. As pessoas também quebram o mandamento a respeito de não cobiçar sempre e sempre. Quando vemos outras pessoas com posses melhores que as nossas, cobiçamos o que têm. Uma pessoa cobiça o carro caro da outra. Um garoto no colégio cobiça a caneta cara do outro garoto. Os mandamentos da lei são impossíveis de guardar para o homem caído. A lei não leva as pessoas para perto de Deus. Entretanto, a lei conduz as pessoas a Cristo. A lei de Deus é

o curador e o tutor dos herdeiros do povo escolhido de Deus para levá‐los a Cristo (Gl 3:23‐24). Quando Moisés, aquele que escreveu os Dez Mandamentos, ficou velho, declarou: “Ó Deus, Tu és a nossa morada pela eternidade. Eu não estou, verdadeiramente, vivendo nesta terra. Estou vivendo em Ti. Estou habitando em Ti. Tu és minha habitação”. Esta é a introdução ao Livro 4 de Salmos.

5. Livro Cinco

O Livro Cinco indica que a casa e a cidade de Deus tornam‐se o louvor, segurança e

desejo dos santos, e que Cristo vem para reinar sobre toda a terra por meio da casa e da cidade

de Deus a igreja.

Este é o conteúdo dos cinco livros de Salmos. Precisamos pegar todos esses pontos cruci‐ ais nesta introdução. Então, estaremos preparados e qualificados para estudar o Livro de Sal‐ mos. Poderemos receber a interpretação real e genuína de todos os cento e cinquenta salmos.

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Precisamos ver que, por um lado, o Livro de Salmos foi escrito segundo o conceito huma‐ no, e, por outro, foi escrito segundo o conceito divino. Se não virmos isto, nosso entendimento será natural, e Salmos será entendido por nós segundo o conceito humano. Em nosso entendi‐ mento de Salmos, não teremos nada do conceito divino. Todos precisamos ser levados para dentro do conceito divino do Deus revelador. Precisamos ser levados da lei para Cristo segun‐ do o conceito divino.

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ESTUDO ­ VIDA DE SALMOS

MENSAGEM DOIS

CRISTO NA ECONOMIA DE DEUS EM CONTRASTE COM A LEI NA APRECIAÇÃO DO HOMEM

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Leitura Bíblica: Sl 1:1‐6; Rm 5:20; Gl 4:24‐25; Rm 7:12, 14a; Sl 119:103, 105, 130; 2Tm 3:16a; Êx 20:3‐17; Sl 78:5; 119:88b; Rm 3:20b; 4:15b; 5:20b; 7:7b; Gl 3:23‐24; Rm 3:19; Gl 3:21b; Rm 8:3a; 3:20a; Gl 3:11a, 12b; Sl 36:8; 1Co 3:6; Jo 4:10, 14; Ap 21:6; 22:1, 17b; Jo 7:38‐39; Sl 73:1‐7, 13‐17, 23‐26; Mt 5:10; Sl 1:5‐6; Rm 2:12; Rm 10:4a; 6:14b

Na mensagem anterior, fizemos uma introdução a respeito de Salmos. Nesta mensagem, queremos ver a verdade concernente a Cristo na economia de Deus em contraste com a lei na apreciação do homem.

1. A LEI NA APRECIAÇÃO DO HOMEM

Salmos 1 diz respeito à lei na avaliação do homem (v. 2). Espero que nós receberemos uma visão clara para vermos esse salmo. Precisamos ver a verdade concernente à lei, em sua posição, natureza, conteúdo, função e fraqueza. Precisamos batalhar contra os ensinos errados a respeito da lei, que não estão à luz da economia neotestamentária de Deus. Entre os cristãos, existem duas escolas concernentes à lei. Uma escola é positiva e a outra é muito negativa. A pessoa mais importante na escola negativa relacionada à lei é o apóstolo Paulo. A respeito da lei, ele era negativo no ponto máximo. Quero mostrar alguns dos pontos que ele enfatizou em seu ensino concernente à lei. Em Romanos e em Gálatas, Paulo enfatizou que nenhuma carne, nenhum ser humano ca‐ ído, pode ser justificada diante de Deus pelas obras da lei (Rm 3:20a; Gl 2:16; 3:11a). Trabalhar para ser justificado pela lei é laborar em vão. Em Romanos 7, Paulo nos disse que a lei, ao invés de dar vida, torna‐se o instrumento de morte pela qual o pecado nos engana e nos mata (v. 11). Gostamos de algo que nos mata? Davi estava errado em exaltar e apreciar algo pelo qual pode‐ mos ser mortos. Isto nos mostra quão negativo Paulo era em sua visão concernente à lei. Quero alçar o argumento de Paulo como meu argumento contra a lei. Alguns podem dizer que Paulo nos disse, em Romanos 7, que a lei é santa, justa e boa (v. 12), e até mesmo espiritual (v. 14a). Contudo, isto é apenas em sua natureza. Em natureza, a lei é santa, justa, boa e espiri‐ tual, mas também precisamos ver o que Paulo diz a respeito de sua posição, função e fraqueza.

A. Sua Posição

Precisamos considerar qual é a posição da lei. A fim de vermos a posição da lei, temos que tomar o ensino de Paulo.

1. Caminha lado a lado com a Linha Principal da Economia de Deus

A primeira coisa que precisamos ver a respeito da posição da lei é que ela caminha lado a lado com a linha principal da economia de Deus (Rm 5:20a). Por essa causa, a lei não tem uma

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posição ortodoxa. Ela não era ortodoxa, pois caminhava lado a lado com a linha principal da economia de Deus. Muitos, hoje, não veem essa linha principal. Ao contrário, ensinam a Bíblia segundo a ma‐ neira natural, sem quaisquer princípios governantes. Há cerca de sessenta anos, eu ouvi, pri‐ meiramente, que temos que interpretar a Bíblia com os princípios adequados. Quando ouvi isso, fiquei me perguntando: “Quais são os princípios para entendermos a Bíblia?” Naquele tempo, eu não entendi, mas, gradualmente, cheguei ao entendimento dos princípios gover‐ nantes de entendimento e interpretação da Bíblia. Nesta mensagem, estou interpretando a Pa‐ lavra segundo esses princípios.

Paulo, em Romanos 5:20a,

disse‐nos que a lei caminhava lado a lado. A palavra grega aqui significa também “vir lado a lado”. A lei não veio por si mesma. Ela veio lado a lado com algo. Isto significa que a linha prin‐ cipal da economia de Deus já existia. Depois da criação do homem, entretanto, algo aconteceu. Satanás entrou, o pecado se‐ guiu Satanás, e o homem tornou‐se caído. Portanto, o homem tornou‐se um homem caído cons‐ tituído com o pecado para ser um pecador. Deus criou o homem à Sua imagem conforme a Sua semelhança (Gn 1:26) com a intenção que o homem pudesse entender Deus, viver Deus e ex‐ pressar Deus. A linha principal da economia de Deus começou com o homem e estava no ca‐ minho quando algo aconteceu. Um “acidente de carro” ocorreu. Por conseguinte, a lei precisava vir lado a lado com a linha principal da economia de Deus. Isto deve ajudar‐nos a entender a

palavra de Paulo em Romanos 5:20a.

A lei não foi, originalmente, ordenada e arranjada por Deus. Na economia original de

Deus, não havia tal coisa. Deus, em Sua economia, planejou criar e ter um homem à Sua imagem segundo a Sua semelhança para que o homem, um dia, pudesse recebê‐Lo como vida a fim de vivê‐Lo e manifestá‐Lo, de modo que Ele tivesse um organismo para expressar Sua Trindade Divina. Contudo, Satanás veio para enganar o homem, e Satanás e o homem se tornaram um. O homem criado por Deus à Sua imagem ficou constituído por Satanás com a natureza de Satanás para ser um homem pecaminoso. Nessas circunstâncias, Deus teve que consertar a situação. Deus poderia manter o homem fora de Seu plano, esquecendo‐o? Obviamente, Deus jamais fa‐ ria isso, porquanto Ele é o Alfa e também o Ômega (Ap 22:13). Ele não pode iniciar algo e não completá‐lo. A fim de continuar Seu propósito com o homem depois da queda deste, Deus acrescentou algo à linha principal de Sua economia. A versão chinesa da Bíblia diz, em Romanos 5:20, que a lei foi adicionada. Ela foi algo adicional à graça. A lei foi adicional à linha ortodoxa da graça na economia de Deus.

O princípio que precisamos ver a respeito da lei é este

2. Como uma Concubina, Simbolizada por Agar

Segundo, a posição da lei é a de uma concubina, simbolizada por Agar (Gl 4:24‐25). Paulo nos disse em Gálatas 4 que Abraão teve duas esposas. Uma era a esposa ortodoxa, Sara, e a ou‐ tra era a concubina, Agar (vv. 22‐31). Todos nós sabemos que a concubina de um homem não tem uma posição ortodoxa. Paulo mostrou que Sara significa a nova aliança da graça, e que Agar simboliza a antiga aliança da lei. Portanto, a posição da lei é a de uma concubina. Na criação de Deus, Ele não ordenou ao homem que tivesse uma concubina. Ele ordenou que o homem devia ter uma única esposa (Mt 19:3‐9). Qualquer homem que tenha mais que uma esposa entra em corrupção. Não devemos tentar trazer uma concubina para a economia de Deus. Se estamos apreciando e enaltecendo a lei, estamos trazendo uma concubina para a economia de Deus. Isto é absolutamente contra a ordenação de Deus.

A lei como uma concubina entrou lado a lado com a linha principal da economia de Deus.

Quem quer que seja da lei, é filho da concubina, não filho da mulher livre. A lei não tem uma po‐

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sição ortodoxa. Os seguidores da lei não são os filhos da esposa ortodoxa. Ismael, o filho da concubina, Agar, foi desprezado e mandado embora. Ele foi mandado embora da linha principal da economia de Deus, a linha da graça. Devemos lembrar esse ponto em nossa interpretação de Salmos 1. O escritor de Salmos 1 enalteceu a lei segundo o conceito humano, que é contrário à linha principal da economia de Deus.

B. Sua Natureza

1. Santa, Justa e Boa

Agora, precisamos ver a natureza da lei. Em sua natureza, a lei é santa, justa e boa (Rm

7:12).

2. Espiritual

A lei também é espiritual (Rm 7:14a). Essa é a razão pela qual a lei era o falar de Deus.

Visto que os Dez Mandamentos são o falar de Deus, eles são o sopro de Deus. Toda a Escritura é

soprada por Deus (2Tm 3:16a). Todo o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia conside‐ rados como a lei, é o sopro de Deus. O sopro de Deus, naturalmente, é totalmente espiritual. Assim, neste sentido, a lei é espiritual. Embora a posição da lei não esteja correta, a natureza da lei é boa. Este é o ponto onde as perturbações podem aparecem em nosso entendimento. A escola positiva se posiciona na natu‐

reza da lei. Eles mostram que Paulo disse que a lei é santa, justa, boa, e até mesmo espiritual. Em seguida, eles perguntam: “Como você pode dizer que a lei é negativa?” É verdade que a na‐ tureza da lei é boa e espiritual, mas sua posição está errada. Uma dama pode ser boa e espi‐ ritual em sua natureza, contudo ainda pode ser uma concubina. Essa dama pode ser uma dama “de ouro”, uma dama espiritual, mas não tem uma posição ortodoxa.

A natureza da lei é boa porque a lei é espiritual, sendo a palavra de Deus (Sl 119:103,

105, 130) e o sopro de Deus (2Tm 3:16a). Essa é a razão pela qual podemos ter problemas em nosso entendimento da lei quando chegamos a Salmos 119. Precisamos entender que Salmos 119 se refere à palavra repetidas vezes. Nenhum outro salmo se refere tanto à lei como a pa‐ lavra de Deus. Nos versículos 147‐148, o salmista disse que ele antecipava o amanhecer para que pudesse meditar na palavra do Senhor. O salmista disse, aqui, que ele meditava, não na lei, mas na palavra. Salmos 119:103 não diz que a lei é muito doce. Ao invés, o salmista declara, aqui, quão doce a palavra do Senhor é ao seu paladar. Visto que a lei é a palavra de Deus, ela é boa e espiritual em sua natureza.

C. Seu Conteúdo

1. Os Dez Mandamentos

Agora, precisamos ver o conteúdo da lei. O conteúdo da lei são, principalmente, os Dez mandamentos. Precisamos analisar os Dez Mandamentos de modo adequado. Os três primeiros mandamentos exigem que o homem tenha somente Deus e não tenha ídolos (Êx 20:3‐7). O primeiro mandamento diz que não devemos ter outro deus, o segundo que não devemos fazer ídolos, e o terceiro que não devemos adorar ídolos. O quarto mandamento diz respeito a guardar o sábado (vv. 8‐11). Guardar o sábado é tomar Deus e tudo que Ele criou para nós como nossa satisfação e descanso. O quarto man‐ damento exige que o homem tenha satisfação e descanso somente em Deus e em tudo que Deus

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

realizou para o homem. Deus criou os céus e a terra com bilhões de itens para nós. No sexto dia, o último dia da obra criadora de Deus, Deus criou o homem. O homem saiu da mão cri‐ adora de Deus com tudo preparado. O universo era tão somente como um quarto de núpcias. Antes de a noiva chegar, o quarto de núpcias está plenamente preparado. O homem saiu da mão criadora de Deus, e tudo estava preparado para o homem. Deus trabalhou por seis dias, e o sétimo foi o dia de descanso, o sábado, para o homem desfrutar Deus e a obra de Deus como seu descanso e satisfação.

O quinto mandamento exige que o homem honre seus pais para que possa remontar à

Deus, quem criou o homem (v. 12). Se traçarmos nossa genealogia até o início da

criação, chegamos ao primeiro casal, Adão e Eva. Adão e Eva vieram de Deus. Quando hon‐ ramos nossos pais, remontamos a Deus. Devemos ter um coração para honrar nossos pais, contudo, contudo, mui frequen‐ temente, nós, pessoas caídas, não honramos nossos pais como devemos. Hoje, nesta era maligna, muitas pessoas querem abandonar seus pais quando ficam velhos. Perder nossos pais, não obstante, é uma grande perda. Se honramos nossos pais, entendemos algo de Deus como nossa fonte. O quinto mandamento a respeito de honrar nossos pais caminha junto com os mandamentos anteriores. Os Dez Mandamentos foram escritos em duas tábuas. A primeira tábua abrange os cinco primeiros mandamentos, de ter somente Deus ao honrarmos nossos pais.

Os últimos cinco mandamentos estavam em outra tábua como um grupo. Esses manda‐

mentos dizem respeito à proibição de assassinato, fornicação, roubar, mentir e cobiçar (vv. 13‐ 17). Esses cinco mandamentos podem não parecer tão doces, mas são muito bons para a huma‐ nidade. O sexto até o décimo mandamento exigem que o homem viva as virtudes que expres‐ sam Deus segundo os atributos de Deus.

A lei da maior parte dos países hoje é baseada na lei romana, e a lei romana era baseada

em e escrita conforme a lei mosaica, os Dez Mandamentos. Os Dez Mandamentos são muito resumidos, contudo são muito completos e todo‐abrangentes. Eles abarcam nosso relacio‐ namento com Deus, nosso relacionamento com nossos pais, e nosso relacionamento com os outros. Se um homem não matasse as pessoas, não cometesse fornicação, não furtasse nem roubasse, não dissesse mentiras e não cobiçasse, ele seria o auge da pessoa ética. Entretanto, precisamos perguntar‐nos se temos sido bem sucedidos ou não ao guardar‐

mos esses mandamentos. Na realidade, segundo a palavra do Senhor em Mateus, temos que‐ brado esses mandamentos. O Senhor disse que todo aquele que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento (Mt 5:21‐22). Por fim, o Senhor Jesus, ao interpretar os Dez Mandamentos, não lidou meramente com o ato de assassinar, mas com a ira, o motivo do assassinato. Ficar irado e odiar outros equivalem a matar na lei mais elevada do Senhor do reino dos céus. Isto é lógico. Se você não ficar irado nem odiar, jamais matará alguém. Matar procede da ira e do odiar. O Senhor Jesus também foi mais a fundo em Seu ensino acerca do ato exterior do adul‐ tério. Novamente, Ele lidou com o motivo interior do coração (Mt 5:27‐28). Quando Paulo estava na religião judaica, ele se esforçava para guardar cada item dos Dez Mandamentos, porém, posteriormente, ele testificou que não tinha como guardar o último mandamento “Não cobiçarás” (Rm 7:7‐8). Este mandamento não está relacionado à conduta exterior, mas antes, ao pecado dentro do homem.

A fim de ilustrar isto, gostaria de relatar a história acerca de um missionário falando a

seu cozinheiro sobre a pecaminosidade do homem. Esse cozinheiro chinês era uma pessoa orgulhosa e ética. Ele tinha a atitude que os estrangeiros que iam para a China faziam muitas coisas erradas, contudo ele não fazia nada errado. O missionário sabia disso. Um dia, ele per‐ guntou ao cozinheiro se ele era pecaminoso. Então, o missionário disse: “Obviamente, eu sei que você dirá que não é pecaminoso. Porém, deixe‐me saber o que você está pensando neste exato momento. Exatamente agora, diga‐me a verdade. O que você está pensando em seu in‐

sua origem

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

terior?” Esse cozinheiro, então, confessou ao missionário que ele tinha inveja de o missionário ter um grande cavalo e que ele estava pensando como poderia obter esse cavalo. Em seguida, o missionário replicou: “Isto é cobiça. Você não é pecaminoso?” O cozinheiro teve que admitir que era pecaminoso. Mesmo enquanto você está lendo esta mensagem, talvez haja algo em seu coração, neste momento, que está violando a lei. Se uma irmã tivesse que me contar, neste momento, o que es‐ tá em seu coração, ela poderia dizer: “Esta manhã, uma irmã me ofendeu, e não posso perdoá‐ la. Eu ainda estou pensando sobre como ela me ofendeu!” Isto é maligno. A lei expõe nossa na‐ tureza pecaminosa e obras malignas. A lei é santa, justa, boa e espiritual em sua natureza, mas a função da lei é outro assunto.

2. Um Retrato de Deus, Por isso, o Testemunho de Deus

Em seu conteúdo, a lei é também um retrato de Deus, por isso, o testemunho de Deus (Sl 78:5; 119:88b). A lei, os Dez Mandamentos, é uma fotografia de Deus. Visto que ela é uma foto‐ grafia de Deus, ela é um testemunho. Isto é semelhante a dizer que nossa fotografia é um tes‐ temunho de nós mesmos. Os salmistas se referiam à lei como o testemunho de Deus.

D. Sua Função

1. Expor os Homens em Sua Natureza Pecaminosa e Obras Malignas

A função da lei é expor os homens em sua natureza pecaminosa e obras malignas (Rm

3:20b; 4:15b; 5:20b; 7:7b). Nesse sentido, a lei opera como um espelho. Se não olhamos no es‐ pelho, não podemos ver quão sujo nosso rosto está. Porém, quando olhamos no espelho, a con‐ dição suja de nosso rosto é exposta. A lei opera como um espelho para expor nossa natureza pecaminosa e obras malignas.

2. Guardar o Povo Escolhido de Deus e Escoltá­los até Cristo

Além do mais, em sua função, a lei foi usada por Deus para guardar Seu povo escolhido e escoltá‐los até Cristo (Gl 3:23‐24). Paulo nos disse em Gálatas que, antes que Cristo viesse, Deus deu a Seu povo escolhido a lei como uma guardiã para guardá‐los. Então, quando Cristo veio, esse guardião foi usado por Deus para escoltá‐los e levá‐los a Cristo. Ao ser exposto pela lei, subjugado pela lei, e convencido pela lei, o povo escolhido de Deus vai, por meio da lei, até Cristo.

3. Subjugar Homens como Pecadores sob o Juízo de Deus

A lei funciona também para subjugar homens como pecadores sob o juízo de Deus (Rm

3:19). Precisamos ver a lei nessa luz. O propósito de Deus ao dar a lei foi expor o homem, subjugar o homem, e guardar ou manter os escolhidos de Deus para Cristo a fim de que eles fossem levados a Cristo. Se ficarmos somente no Livro de Salmos, não poderemos receber esse tipo de luz. Essa luz vem inteiramente do ensino de Paulo.

E. Sua Fraqueza

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

1. Não Pode Dar Vida

A lei é boa e espiritual, mas é fraca. Em sua fraqueza, ela não pode dar vida (Gl 3:21b).

Independentemente de quão boa, quão santa, quão justa e quão espiritual a lei é, ela não pode comunicar‐nos vida. Nós pecadores não éramos tão somente malignos, mas estávamos mortos também (Ef 2:1). A coisa básica de que precisamos é vida. A lei boa, a lei justa, a lei santa, a lei espiritual, é boa, mas não pode comunicar‐nos vida.

2. Não Pode Fazer Aquilo Que Deus Quer, Pois É Fraca mediante a Carne

Ademais, a lei não pode fazer aquilo que Deus quer, pois é fraca mediante a carne (Rm 8:3a). A lei em si mesma não pode ser fraca, contudo ela é dada à carne e a carne é a compa‐ nheira da lei. A lei não é fraca, mas sua companheira, a carne, é fraca no ponto máximo. Preci‐ samos considerar quão fracos somos. Muitas das irmãs são ofendidas facilmente. Se as ofen‐ dermos, elas não o esquecerão. Lembrar‐se das falhas de outras pessoas não é bom. A Bíblia nos diz que perdoar significa esquecer (Hb 8:12). Uma vez que nos lembremos ainda das falhas dos outros, isso mostra que não os temos perdoado. O perdão adequado é esquecer. Perdoar e esquecer parecem ser uma coisa pequena, mas não podemos vencer de maneira cabal nesse assunto. Isto mostra que somos fracos. Uma vez que somos fracos, somos o instrumento para a lei, portanto, a lei torna‐se fraca. Nenhuma carne será justificada diante de Deus por obras da lei (Rm 3:20a; Gl 3:11a). Isto

é repetido por Paulo tanto em Romanos como em Gálatas.

F. É o Centro e Requisito da Antiga Aliança

A lei era o centro e requisito da antiga aliança. A lei era para a antiga aliança na economia

de Deus.

G. É Efetuada pela Obra dos Homens

A lei, como o requisito da antiga aliança, tem que ser efetuada pela obra dos homens (Gl

3:12b). A lei tem que ser efetuada. Sem a realização do homem, a lei não significa nada.

H. Diz Respeito ao Benefício Pessoal dos Santos, Tal como Ser Abençoado na Prosperidade

Salmos 1, que diz respeito à lei na apreciação do homem, é para o benefício pessoal dos santos, tal como ser abençoado na prosperidade (vv. 1‐3). Precisamos comparar isto às consecuções de Cristo a respeito do cumprimento da economia de Deus em Salmos 2. Salmos 1

é para o benefício pessoal dos santos, e Salmos 2 é para a realização da economia de Deus. O conceito em Salmos 1 é muito baixo comparado à revelação em Salmos 2.

I. Apreciada e Enaltecida

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

por Homens Piedosos segundo Seu Conceito Humano e Ético

Em Salmos 1, a lei é apreciada e enaltecida por homens piedosos segundo seu conceito humano e ético (vv. 2‐3). Salmos 1 e muitos outros salmos mostram o conceito humano e ético desses homens piedosos enaltecendo a lei. Salmos 1:2‐3 diz: “Mas o seu prazer está na lei de Jeová, / E na Sua lei medita de dia e de noite. / Ele é qual árvore / Plantada junto às correntes das águas, / Que em tempo próprio dá o seu fruto, / E cuja folha não cai; / Ele leva ao fim tudo quanto empreende”. O conceito humano em Salmos 1 é de alguém que aprecia e enaltece a lei.

1. O Conceito de uma Árvore Absorvendo a Água das Correntes das Águas Não É tão Elevado quanto o Conceito de Beber do Rio das Delícias de Deus em Salmos 36:8

O conceito em Salmos 1:2‐3 é o de uma árvore absorvendo a água que lhe está próxima, e o outro conceito em Salmos 36:8 é o de beber do rio das delícias de Deus na casa de Deus. O conceito de beber é o mais elevado. Todos os cento e cinquenta salmos, compostos em cinco li‐ vros, foram arranjados numa boa sequência. Eles vão subindo progressivamente, passo a passo, ao mais elevado nível de revelação. O fim de cada livro é também mais elevado que seu início. O livro 1 contém quarenta e um salmos. Salmos 36 é muito mais elevado que Salmos 1. Em Salmos 36, o salmista diz: “Eles serão saciados com a gordura da Tua casa; Far‐lhes‐ás beber da torrente das Tuas delícias”. O salmista, aqui, não fala acerca da lei. Ele subiu do pri‐ meiro andar para o andar trigésimo sexto. Quando comparamos Salmos 1 com Salmos 36, po‐ demos ver a diferença.

2. O Novo Testamento Tem Tanto o Conceito de Plantas Absorvendo Água quanto o Conceito de Beber da Água Viva do Rio Divino a fim de Fluir Rios de Água Viva

O Novo Testamento tem tanto o conceito de plantas absorvendo água quanto o conceito de beber da água viva do rio divino a fim de fluir rios de água viva (1Co 3:6; Jo 4:10, 14; Ap 21:6; 22:1, 17b; Jo 7:38‐39). Em 1Coríntios 3:6, Paulo disse que ele plantou e Apolo regou. Ali, podemos ver o conceito de planta absorvendo água. Em João e Apocalipse, vemos que, quando bebemos do rio da água viva, nós fluímos rios de dentro de nós. Queremos absorver um pouco de água de uma corrente de água próxima, ou ficaremos “loucos” para beber da água viva e fluir rios de dentro de nós? Estamos satisfeitos em ficar em Salmos 1? Para onde devemos ir? Devemos ir para Apocalipse 22! Apocalipse 22 é o último “salmo”. Em Salmos 1, absorvemos um pouco de água, gota a gota. Algumas vezes, um rio pode estar seco, sem água nenhuma para a árvore absorver. Contudo, no último “salmo”, no último capítulo de Apocalipse, um rio de água da vida está fluindo para nós bebermos. Isto é muito mais elevado que absorver água como uma árvore.

3. O Conceito de Assemelhar os Santos a uma Árvore Não É tão Elevado quanto o Conceito de Revelar os Crentes Neotestamentários como Ramos

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da Videira Verdadeira

Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

Cristo

em João 15

Além do mais, o conceito de assemelhar os santos a uma árvore não é tão elevado quanto o conceito de revelar os crentes neotestamentários como os ramos da videira verdadeira

em João 15. Hoje, somos meramente árvores ou ramos? Se somos árvores, nós nos

sustentamos. Isto é pobre, porquanto Cristo está separado de nós, e, em certo sentido, estamos

competindo com Ele, visto que Ele é uma árvore e somos também uma árvore. Todavia, a reve‐ lação neotestamentária nos mostra, por fim, que não somos, na realidade, plantas de Deus por nós mesmos. Somos plantas de Deus por estarmos enxertados em Cristo para sermos ramos de Cristo como a grande videira verdadeira. É mais elevado ser os ramos da videira verdadeira que ser uma árvore individual. As igrejas locais não são muitas árvores. São, na realidade, uma árvore com milhões de ramos. Essa única árvore é Cristo, a grande videira verdadeira, e somos os ramos dessa árvore. Somos os membros de Cristo (1Co 6:15a; Rm 12:5). Todas as igrejas são um Corpo, uma árvore. Todos os crentes são membros desse Corpo e os ramos dessa única árvore.

Cristo

4. O Conceito Humano em Salmos 1 É Que o Homem Que Tem Prazer na Lei de Deus Prospera em Tudo, mas a Experiência do Salmista em Salmos 73 É o Oposto

O conceito humano em Salmos 1 é que o homem que tem prazer na lei de Deus prospera em tudo. Mas a experiência do salmista em Salmos 73:1‐7, 13‐17 e 23‐26 é o oposto. Ele era piedoso e, sem dúvida, tinha prazer na lei de Deus; contudo, ele sofria má sorte e o ímpio prosperava. Finalmente, ele foi instruído, no santuário de Deus, a tomar somente o próprio Deus como sua porção, e não qualquer outra coisa que não fosse Deus.

O piedoso salmista em Salmos 73 estava aborrecido. Ele estava tendo prazer na lei, mas sofria grandemente enquanto os maus prosperavam. Ele estava aborrecido até que entrou no santuário de Deus, isto é, na casa de Deus. Então, ele teve clareza. Ali, sob a revelação de Deus, ele foi instruído a ter somente o próprio Deus como sua porção. Finalmente ele declarou que não tinha ninguém nos céus nem nesta terra exceto Deus, sua porção eterna (vv. 25‐26). Se o Senhor quiser, estudaremos os profetas menores no próximo treinamento de verão de 1992. Em seguida, no treinamento de inverno, esperamos estudar Jó. No Livro de Jó, há uma grande controvérsia. Jó sofreu grandemente. Sua família, sua prosperidade e sua saúde foram

2:8). Então, três amigos de Jó vieram falar com ele. O que eles falaram foi

absurdo. Eles disseram a Jó que ele devia estar errado em algo. Caso contrário, Deus não o puniria daquela maneira. Jó contendeu com eles dizendo que ele não estava errado em nada. Esses três amigos falaram a Jó, um por um, repetidas vezes em todo o Livro de Jó. Jó, entretanto, não foi subjugado por eles. Finalmente, Deus entrou em cena e calou a boca de todos. O falar de Deus a Jó abriu seus olhos. Jó disse: “Eu tinha ouvido de Ti com os ouvidos; Mas agora Te veem os meus olhos” (Jó 42:5). Jó ouvira sobre Deus, porém, jamais vira a Deus. Depois de passar por seus sofrimentos, ele viu Deus. Se alguém que ama o Senhor está sofrendo, seu sofrimento não é basicamente uma questão de estar certo ou errado. Aquilo em que Deus está interessado é com termos mais de Deus em nosso ser interior. Há cerca de três ou quatro anos, fui ao meu oftalmologista para fazer um checkup. Ele cuidara de mim desde 1975, e realizou uma cirurgia em meus olhos para remover cataratas. Eu lhe disse que meus olhos estavam me incomodando, e lhe perguntei por quê. Ele respondeu,

destruídas (Jó 1:13

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

dizendo: “Esses são os sofrimentos de Jó”. Por meio disso, ele me mostrou que meu sofrimento era sem razão e que ele não podia ajudar‐me de forma alguma. Os sofrimentos de Jó sempre vêm da designação de Deus. Todo pai espera ter bons filhos, e podem inquirir por que seus fi‐ lhos são maus. Um irmão pode inquirir por que sua esposa não é tão amável quanto as outras esposas, e um irmã pode inquirir por que seu marido é tão inábil. Esses são os sofrimentos de Jó. Hoje, eu ainda estou experienciando os sofrimentos de Jó.

5. O Ensino do Senhor no Novo Testamento É:

“Bem­ aventurados Os Que São Perseguidos [Não Prósperos] por Causa da Justiça”

O ensino do Senhor no Novo Testamento diz: “Bem‐aventurados os que são perseguidos

[não prósperos] por causa da justiça” (Mt 5:10). Um irmão pode ser alguém que tem fome e se‐ de de justiça (v. 6), contudo, ele é perseguido. Eu não diria que essa perseguição são os sofri‐ mentos de Jó, mas diria que ela está de acordo com a economia de Deus.

J. As Pessoas às Quais a Lei Foi Dada Serão Julgadas segundo a Lei

As pessoas às quais a lei foi dada serão julgadas segundo a lei (Sl 1:5‐6; Rm 2:12). Paulo nos diz em Romanos 2:12 que todos os seres humanos se apresentarão diante de Deus para serem julgados um dia. Contudo, aqueles que receberam a lei serão julgados por Deus confor‐ me a lei. Aqueles que jamais receberam a lei serão julgados por Deus conforme sua consciência (vv. 15‐16).

K. Findada por Cristo

A lei foi findada por Cristo (Rm 10:4a). Cristo é o fim da lei, o término da lei, a substitui‐

ção da lei. Cristo veio para cumprir a lei (Mt 5:17) para que pudesse terminar a lei e substituí‐la

(Rm 8:3‐4). Portanto, todo aquele que crê Nele recebe a justiça de Deus que é o próprio Cristo.

L. Os Crentes Neotestamentários Não Estão debaixo da Lei

Os crentes neotestamentários não estão debaixo da lei (Rm 6:14b). Aleluia! Não mais estamos debaixo da lei, mas estamos, agora, debaixo da graça.

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

ESTUDO ­ VIDA DE SALMOS

MENSAGEM TRÊS

CRISTO NA ECONOMIA DE DEUS EM CONTRASTE COM A LEI NA APRECIAÇÃO DO HOMEM

(2)

Leitura Bíblica: Sl 2:1‐12; Jo 1:41; Mt 3:16‐17; Lc 4:18‐19; Hb 1:9; At 10:38; Dn 9:26a; At 13:33; Hb 1:5‐6; At 2:36; 5:31; Ap 1:5a; 2:26‐27; At 4:25‐29a; Ap 6:15‐17; At 17:30; Jo 3:16; 21:15a

Na mensagem anterior, vimos a verdade acerca da lei em sua posição, natureza, conteú‐ do, função, e fraqueza. Salmos 1 está de acordo com o conceito humano de enaltecer e entesou‐ rar a lei, ao passo que Salmos 2 está de acordo com o conceito divino de exaltar Cristo como a ênfase central de Deus. Quiçá, possamos receber ajuda adicional ao considerarmos a estrofe 3 do hino 268 do

Hinos:

Nem filosofias, Nem, noções quaisquer, O Seu complemento Podem nos fazer; Mas o próprio Cristo Toma‐nos então, Torna‐nos Seus membros Em ressurreição.

Nenhuma filosofia, elemento ou religião podem conformar‐nos a Cristo. A lei de Moisés não pode conformar‐nos a Cristo. Somente Cristo pode conformar‐nos a Si mesmo, e nada mais. Alguns podem ficar incomodados, visto que estamos depreciando a religião. Eles podem dizer:

“Nós somos cristãos; não devemos amar a cristandade? “ Contudo, precisamos ser aqueles que amam Cristo, não qualquer “andade”. Nada pode ou deve substituir Cristo. Cristo nos conforma a Si mesmo, de modo que possamos ser Seu complemento. Ser o complemento de Cristo significa que somos uma parte Dele. Isto é como Eva ser um comple‐ mento de Adão. Somente Cristo pode nos fazer parte Dele como Seu complemento. A lei não po‐ de fazer‐nos membros de Cristo. Somente Cristo pode nos fazer Seus membros em ressurrei‐ ção.

Precisamos ver Salmos 1 à luz da economia de Deus. Esse salmo diz que aqueles que me‐ ditam na lei serão como uma árvore absorvendo a água das correntes das águas, mas, segundo a revelação do Novo Testamento, isto não é muito elevado. Finalmente, o Novo Testamento nos diz que o rio de água viva entra em nós (Jo 7:38; 4:14). Queremos ser uma árvore ao lado de um rio ou queremos ter o rio fluindo dentro de nós? Qual é melhor, e qual é mais elevado? O pensamento de um rio fluindo dentro de nós é o conceito final e máximo da Bíblia (Ap 22:1). Ser uma árvore plantada ao lado do rio para absorver seu suprimento de água é bom, contudo não é o melhor. Paulo disse que ele plantou e Apolo regou (1Co 3:6). O pensamento aqui é o mesmo que o de uma árvore absorvendo água, mas isso não é tão elevado quanto o pensamen‐ to do rio de água da vida fluindo dentro de nós. Esse é o pensamento final e máximo de Deus.

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

Em minha juventude, fui ensinado que, quando estudamos a Bíblia, temos que obter o se‐ gredo da Bíblia. Posteriormente, o irmão Nee nos disse que temos que conhecer o espírito da Bíblia. A Bíblia, a Palavra escrita, tem um espírito. O Senhor Jesus disse: “As palavras que Eu vos tenho dito são espírito e são vida” (Jo 6:63). Isto nos mostra que a Palavra é o Espírito (Ef 6:17). Não somente o Espírito está na Palavra, mas também a própria Palavra é o Espírito. Ade‐ mais, Jo 1:1 diz: “No princípio era a Palavra e a Palavra era Deus”. A Palavra é Deus, e a Pala‐ vra é o Espírito. Por conseguinte, Deus, a Palavra e o Espírito são um. Quando chegamos à Bíblia, não devemos pensar que estamos chegando a um livro qual‐ quer. Não devemos lê‐la como lemos uma revista ou um jornal. Temos que perceber que a Bí‐ blia é a Palavra de Deus, e a Palavra é a corporificação de Deus, Cristo. Cristo é a Palavra de Deus. Também, tudo que Ele, como a palavra, proclama, tudo que é falado a partir de Sua boca, é o Espírito. Salmos 1 é a Palavra de Deus. Paulo nos disse que toda Escritura é soprada por Deus (2Tm 3:16a). Se tomarmos essa posição quando lermos Salmos 1, receberemos o Espírito, veremos o segredo e também o espírito da Bíblia. O espírito da Bíblia nos revela a lei de Moisés, exaltando a lei dada no Monte Sinai? No monte da transfiguração, Pedro pôs Moisés e Elias no mesmo nível que Cristo (Mt 17;1‐13). Quando Moisés e Elias apareceram com Cristo, Pedro tornou‐se excitado. Ele disse: “Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias” (v. 4). Então, Deus disse: “Este é o Meu Filho, o Amado, em quem me comprazo; a Ele ouvi” (v. 5). Na economia neotestamentária de Deus, não mais devemos ouvir Moisés (a lei)

ou Elias (os profetas). A Bíblia não exalta a lei ou os profetas. O espírito da Bíblia exalta tão so‐

mente uma pessoa

Devemos entender por que Salmos 1 e 2 são arranjados soberanamente dessa maneira. Salmos 1 diz respeito a guardar a lei. Imediatamente depois de Salmos 1, Cristo está em Salmos 2 como o Exaltado. O espírito da Bíblia, de Gênesis 1 a Apocalipse 22, revela apenas Cristo co‐ mo o Proeminente, o Primeiro, a centralidade e universalidade de Deus. Por fim, a Bíblia conclui com uma nova cidade. A nova cidade, a Nova Jerusalém, será o complemento de Cristo e um complemento para Cristo. O espírito da Bíblia não exalta nada ou ninguém que não seja Cristo. Paulo, em suas quatorze epístolas, travou a batalha de pôr abaixo tudo que não fosse Cristo. Em sua epístola aos gálatas, Paulo pôs abaixo a lei, a circuncisão, a tradição e a religião.

Para ele, todas as coisas que não são Cristo eram refugo (Fp 3:8). Ele exaltava apenas Cristo. Na última visita de Paulo a Jerusalém, ele foi aos presbíteros, e o presbítero líder naquele tempo era Tiago. Tiago disse‐lhe: “Bem vês, irmão, quantos milhares há entre os judeus que creram, e todos são zelosos da lei” (At 21:20). Tiago exaltava a lei. Eu creio que ele exaltava a lei mais que Davi em Salmos 1. Tiago declarou que havia milhares de judeus cristãos que eram entusiastas pela lei. A palavra grega para milhares significa miríades ou dez milhares. Dez mi‐ lhares de irmãos judeus estavam todos ardendo pela lei. Tiago estava preocupado que esses disputassem com Paulo, visto que eles tinham ouvido que Paulo punha abaixo a lei. A história nos conta que Tiago era um homem de oração, um homem piedoso, pio e devotado. Em sua epístola, ele ensinou as virtudes práticas da perfeição cristã. Todavia, precisamos ver que Tia‐ go, os presbíteros em Jerusalém e os muitos milhares de crentes judeus ainda estavam em uma mistura da fé cristã com a lei mosaica. Nesta mensagem, quero que verifiquemos a nós mesmos. Nosso espírito é pela lei ou por Cristo? Podemos dizer que somos por Cristo, mas somos também pela lei. Sermos por Cristo é, na maioria das vezes, na teoria, porém sermos pela lei é muito prático. Agimos, na maioria das vezes, segundo a lei, segundo sim e não, certo e errado, e não segundo Cristo. Até mesmo, edu‐ camos e ensinamos nossos filhos segundo certo e errado. Um pai pode dizer a seu filho: “Isto não é certo; você não deve fazê‐lo”. Porém, já dissemos: “Isto não é Cristo; você não deve fazê‐ lo?” Quem diz a alguém para não fazer algo porque aquilo não é Cristo? Isto deve ajudar‐nos a

Cristo.

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

perceber que somos por Cristo na teoria, mas, na verdade, praticamos a lei. Você pratica Cristo ou a lei? Praticar Cristo é sair do âmbito do sim e não, certo e errado, bom e mau. Isto significa que saímos do âmbito da árvore do conhecimento do bem e do mal. Podemos dizer que nosso espírito é por Cristo, mas, na prática, vivemos segundo a lei, segundo o que é certo e errado, bom e mau.

O Livro de Salmos nos mostra o contraste entre a lei e Cristo. O primeiro salmo diz res‐

peito a guardar a lei, e o segundo, a beijar Cristo. Qual é mais elevado? Não estou perguntando qual é certo ou errado, mas qual é mais elevado. Seguramente, beijar o Filho é mais elevado que guardar a lei.

Penso que a devoção de Davi à lei em Salmos 1 era mais elevada que nossa devoção a Cristo. É assim, porque ele disse que meditava na lei dia e noite. Meditamos em Cristo dia e noi‐ te? Se meditamos em Cristo por um pouco de tempo, pensamos que isso é maravilhoso, mas Davi meditava na lei dia e noite. Estou compartilhando isto para nos mostrar que secreta, inconsciente, e subconsci‐ entemente sustentamos nosso conceito natural ao chegarmos à Bíblia. Essa é a razão pela qual não recebemos a revelação da Bíblia para dentro de nós. Ao invés, inserimos nosso conceito dentro da Bíblia. Não devemos exaltar a guarda da lei, pois o próprio livro de Salmos não coopera com isso. Se estamos enaltecendo a guarda da lei em Salmos 1, somos, então, con‐ frontados com Salmos 2. Salmos 2 é o falar de Deus. A declaração de Deus a respeito de Cristo como o centro de Sua economia. Ele declara: “Eu, porém, tenho estabelecido o Meu Rei / Em Sião, Meu santo monte” (v. 6). Esse não é um falar comum, mas uma declaração e uma procla‐ mação. Deus proclamou a todo o Seu povo que Ele tinha estabelecido Seu Rei sobre o Monte Sião,

são muito significativos.

não o Monte Sinai. Esses dois montes

Hebreus 12 diz que não temos chegado ao Monte Sinai, mas ao Monte Sião (vv. 18‐22). O Monte Sinai foi o lugar onde a lei foi dada, e o Monte Sião é o lugar onde Cristo está hoje nos céus em Sua ascensão. Paulo fala desses dois montes em Gálatas 4. O Monte Sinai gera filhos para a escravidão, mas nossa mãe, a Jerusalém do alto, está nos céus, no Monte Sião (vv. 25‐26). Apocalipse 14:1 nos diz que existem cento e quarenta e quatro mil em pé com o Cordeiro sobre o Monte Sião. Esses cento e quarenta e quatro mil não estão louvando a Deus pela lei dada no Monte Sinai. O

Monte Sião não é o lugar para nos mostrar a lei, os mandamentos. É um lugar para nos mostrar

Cristo

somente Cristo. O Monte Sinai está na Bíblia, contudo o espírito da Bíblia não o exalta.

Ao invés, a Bíblia coloca o Monte Sião em um lugar mais baixo. O espírito da Bíblia exalta ape‐

nas Cristo.

O triste é que muitos do povo escolhido de Deus se esquecem de Cristo. Eles creem em

Cristo, contudo não conhecem Cristo ou se preocupam com Cristo. Ao invés, se preocupam com

a lei. Paulo disse: “Para mim, viver é Cristo” (Fp 1:21a). Podemos dizer: “Para mim, viver é sim

e não, bom e mau, certo e errado”. Sobre que monte estamos hoje? Quase todos nós estamos sobre o Monte Sinai. Não somos discípulos de Moisés, mas discípulos de Cristo. Entrementes, estamos sobre o monte errado. Cristo está sobre o Monte Sião. Ele não está sobre o Monte Sinai, mas nós ainda nos demoramos ali. Muitos de nós não nos atrevemos a dizer adeus à lei.

Ao invés, queremos permanecer com a lei como um seguidor de Davi, meditando na lei dia e noite.

Precisamos ver que toda a revelação da Bíblia é progressiva. A revelação na Palavra sa‐ grada se torna cada vez mais elevada de Gênesis até seu pico em Apocalipse. Gênesis 1 fala da criação de Deus, mas Apocalipse fala da Nova Jerusalém. A criação de Deus é, de alguma forma, fácil de entender, contudo o sinal da Nova Jerusalém é um grande mistério. A revelação da No‐ va Jerusalém é elevada e profunda ao máximo.

Monte Sião e Monte Sinai

21

Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

Os cinco livros de Salmos foram arranjados da mesma maneira progressiva que toda a Bíblia. Do primeiro livro de Salmos até o quinto, a revelação se torna cada vez mais elevada. O quinto livro está cheio do louvor a Deus pelos salmistas. Deus é corporificado em Cristo, Cristo está em Seu Corpo, e Seu Corpo é a casa de Deus e a cidade de Deus para o reino de Deus. Isto tudo é para a economia de Deus. O pensamento central do Livro de Salmos é Cristo e a igreja como a casa de Deus e a cidade de Deus para Seu reino.

II. CRISTO NA ECONOMIA DE DEUS

Precisamos ver a revelação a respeito de Cristo na economia de Deus em contraste com a lei na apreciação do homem em Salmos. Na mensagem anterior, vimos a verdade a respeito da lei na apreciação do homem. Agora, precisamos ver a revelação divina de Cristo na economia de Deus em Salmos 2 (vv. 2, 6‐9, 12).

A. A Declaração de Deus Segundo Seu Conceito Divino

Salmos 2 é uma declaração de Deus segundo Seu conceito divino. Salmos 1, entretanto, é segundo o conceito natural e humano. Davi pensava que aquele que meditava na lei dia e noite prosperaria em tudo. Isto está de acordo com o conceito humano de fazer algo para o benefício e ganho pessoais de alguém. Não há qualquer consideração em Salmos 1 para a economia de Deus.

B. Exaltar Cristo como o Centro da Economia de Deus

Salmos 2 exalta Cristo como o centro da economia de Deus. Embora a palavra economia não esteja em Salmos 2, a revelação e a realidade da economia de Deus estão ali. Nesse salmo,

Deus declarou que Ele tinha estabelecido Seu Rei (v. 6). Para Deus, ter um Rei é para o cumpri‐

mento de Sua economia. Em seguida, Deus disse: “ darei as nações por Tua herança, / E as

extremidades da terra por Tua possessão” (v. 8). Isto é para o reino. Obviamente, o Rei precisa

de um reino, e esse reino não é pequeno. É um grande reino de todas as nações, abrangendo os limites de toda a terra. Este será o maior reino na história humana. Cristo possuirá todos os continentes. Seu reino estará em todo lugar para incluir todas as pessoas. O Rei e o reino em Salmos 2 nos mostram a economia de Deus.

Te

1. Ungido em Sua Divindade, na Eternidade, por Deus

para Ser o Messias

Cristo

o Ungido

Salmos 2 revela Cristo, o Ungido (v. 2). Entre os Irmãos, havia um debate acerca de quan‐

do Cristo foi ungido. Daniel 9:26 diz que o Messias seria cortado, crucificado. Messias é uma pa‐ lavra hebraica e a palavra grega equivalente é Cristo. Ambas significam o Ungido. Daniel 9:26 mostra que antes que Cristo se encarnasse e fosse crucificado, Ele já era o Ungido. Portanto,

Cristo o

Cristo foi ungido em Sua divindade, na eternidade, por Deus para ser o Messias

Ungido. Isso também está baseado em João 1:41, onde André, o discípulo do Senhor, disse a Si‐ mão, seu irmão, que ele havia encontrado o Messias, o Ungido. Isto mostra que Cristo foi ungi‐

do na eternidade, em Sua divindade, antes de Sua encarnação.

2. Ungido em Sua Humanidade, no Tempo,

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

em Seu Batismo

Ele veio como o Ungido para realizar o plano eterno de Deus. Ele se tornou um homem e foi ungido novamente em Sua humanidade no tempo, no momento do Seu batismo (Mt 3:16‐ 17; Lc 4:18‐19; Hb 1:9; At 10:38).

3. Cortado

Crucificado

Depois passar por trinta e três anos de viver humano, Cristo foi cortado (Dn 9:26). Isto significa que Ele foi crucificado.

4. Ressuscitado para Ser Gerado como o Primogênito de Deus

Depois de ser cortado e crucificado, Cristo foi ressuscitado para ser gerado como o Primogênito de Deus (Sl 2:7; At 13:33; Hb 1:5‐6). Salmos 2 mostra‐nos a ressurreição de Cristo. A palavra ressurreição não está ali, mas o fato está. O versículo 7 diz: “Falarei acerca do decreto:

/ Jeová disse‐me: Tu és meu filho; / Eu hoje te gerei”. “Hoje” é o dia da ressurreição de Cristo. Em Atos 13:33 Paulo citou Salmos 2:7, dizendo‐nos que isto se refere à ressurreição de Cristo. Em Sua ressurreição, Cristo foi gerado. Visto que Ele já era o Filho de Deus, por que Ele pre‐ cisou ser gerado Filho de Deus em ressurreição? Cristo era o Unigênito de Deus em Sua divin‐ dade (Jo 3:16), mas quando Ele se encarnou, Ele se vestiu da humanidade. Essa humanidade não tinha nada a ver com a filiação de Deus, contudo por meio de Sua morte e ressurreição, Sua humanidade foi “filificada” para ser, também, o Filho de Deus. Pela ressurreição, Cristo levou Sua humanidade para dentro da filiação divina e foi designado Filho de Deus com Sua huma‐ nidade (Rm 1:4). Agora, o Filho de Deus tem a natureza divina com a natureza humana. Quan‐ do Cristo era tão somente o Unigênito de Deus, Ele era Filho de Deus somente na natureza divina. Agora, como Primogênito de Deus, Ele possui tanto a natureza divina quanto a natureza humana. Cristo é o Primogênito de Deus, e somos os muitos filhos de Deus. Nós, crentes em Cristo, somos filhos regenerados de Deus, tendo a vida de Deus e a natureza de Deus, mas temos tam‐ bém nossa natureza humana. Nossa natureza humana ainda está no processo de ser gerada. Temos sido gerados em nosso espírito, contudo ainda não havemos sido transfigurados em nosso corpo. Quando nosso corpo for transfigurado, redimido, glorificado, também será “filifi‐ cado”. Nossa filiação será completada naquele tempo (Rm 8:23). A filiação começou com a re‐ generação de nosso espírito, está continuando com a transformação de nossa alma e será con‐ sumada com a redenção de nosso corpo. O processo de nossa filiação passa por nossa regene‐ ração e transformação para nossa glorificação. Em Salmos 2, podemos ver a economia de Deus com o reino de Deus e a ressurreição de Cristo, na qual Ele foi gerado para ser o Primogênito de Deus. O dia da ressurreição foi um grande dia. Não somente Cristo nasceu naquele dia, mas nós também nascemos naquele dia. Primeira de Pedro 1:3 diz que, por meio da ressurreição de Cristo, Deus nos regenerou. Quando Cristo nasceu como o Primogênito de Deus, todos nós nascemos com Ele para sermos Seus muitos irmãos, os muitos filhos de Deus (Rm 8:29). A ressurreição de Cristo foi uma grande libertação, um grande nascimento, de Si mesmo, como o Primogênito de Deus com Seus muitos irmãos, os muitos filhos de Deus.

5. Estabelecido como Rei de Deus nos Céus em Sua Ascensão

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

Salmos 2 também revela que Cristo foi estabelecido como Rei de Deus nos céus em Sua ascensão (v. 6; At 2:36; 5:31; Ap 1:5a). No versículo 6, Deus declarou: “Eu, porém, tenho estabelecido o Meu Rei / Em Sião, Meu santo monte”. Isto foi na ascensão de Cristo. Em Sua as‐ censão, Ele foi feito Rei nos céus para o reino de Deus.

6. As Nações Sendo Dadas por Sua Herança e as Extremidades da Terra por Sua Possessão para Seu Reino

Segundo Salmos 2:8, a Cristo foram dadas as nações por Sua herança e as extremidades da Terra por Sua possessão para Seu reino. Quando o Senhor voltou aos discípulos em Sua res‐ surreição, Ele lhes disse: “Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra” (Mt 28:18). A pala‐ vra do Senhor aqui abrange aquilo que é mencionado em Salmos 2:8. Deus deu todas as nações nesta Terra a Cristo por Sua herança. Além do mais, Deus deu as extremidades da Terra a Cristo por Sua possessão. Hoje, se você possui ainda que seja uma pequena porção de terra em Taiwan, você é um homem rico. Todavia, toda a Terra será possuída por Cristo. Esta é sua terra. Quão rico Ele é! Não podemos ver tais coisas maravilhosas sobre Cristo em Salmos 1. Salmos 1 diz, segundo o conceito humano, que o homem que medita na lei prosperará em tudo, mas Salmos 2 revela, segundo o conceito divino, que Deus deu as extremidades da Terra a Cristo.

7. Para Governar as Nações em Seu Reino com Vara de Ferro

Finalmente, Cristo governará as nações em Seu reino com vara de ferro (Sl 2:9; Ap 2:26‐ 27). Essa é uma sequência maravilhosa em Salmos 2, revelando os passos de Cristo na eco‐ nomia de Deus, começando desde que Ele foi ungido na eternidade em Sua divindade. Podemos inquirir onde se fala da morte de Cristo em Salmos 2, porém precisamos perceber que a ressur‐ reição de Cristo implica Sua morte. Sem morte, como poderia haver ressurreição? Portanto, em Salmos 2, vemo‐Lo sendo ungido em Sua divindade e humanidade, Sua morte, Sua ressurreição

e Sua ascensão com sua entronização. Deus O estabeleceu como Rei, entronizando‐O, para dar‐

Lhe todas as nações com as extremidades da Terra. Isto é estabelecer um reino universal para

Cristo. Então, Cristo governará as nações com vara de ferro.

8. Sofrendo Oposição dos Governantes do Mundo

Salmos 2 diz que Cristo sofre oposição dos governantes do mundo. Os versículos 1‐3 dizem: “Por que se amotinam as nações, / E os povos tramam em vão? / Insurgem‐se os reis da terra, / E os príncipes conspiram / Contra Jeová e contra o Seu Ungido, dizendo: / Rompamos as suas ataduras, / E lancemos de nós as suas cordas”. Logo depois da ascensão de Cristo, na Terra, no tempo de Pedro, Herodes e Pilatos conspiraram contra Cristo. Atos 4:25‐29a registra

a oração da igreja dos primórdios, na qual eles citam Salmos 2. Atos 4:27 diz: “Porque ver‐

dadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o Teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, tanto

Herodes como Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel”. Todos eles estavam se opondo a Cristo.

C. Uma Advertência ao Mundo

Salmos 2 também fornece uma advertência ao mundo (vv. 10‐12).

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

1. Deus e Seu Cristo Estão Irados com o Mundo

Primeiramente, Deus e Seu Cristo estarão irados com o mundo (v. 12b; Ap 6:15‐17). Os homens não devem pensar que não existe Deus neste universo ou que Cristo é apenas um no‐ me na religião. A Bíblia nos diz claramente que Cristo está esperando pela oportunidade de vir executar Seu julgamento em Sua cólera, em Sua ira. O Livro de Joel fala desse julgamento. O assunto de Joel é o Dia do Senhor (1:15; 2:11, 31; 3:14), mas poucos cristãos entendem o que é o Dia do Senhor. Paulo deu‐nos a definição em 1Coríntios 4:3‐5. No versículo 3, ele disse: “A mim, contudo, pouco importa se sou julgado por vós ou por tribunal humano” ( dia do homem na versão utilizada pelo autor – N. T. ). Antes que o Senhor venha, é o dia do homem, no qual o homem julga. Hoje é o dia do homem. No dia do ho‐ mem, tudo é julgado pelo homem. Contudo, depois do dia do homem, haverá um dia que será chamado o Dia do Senhor. Esse dia durará cerca de mil e três anos e meio. O dia no qual a Gran‐ de Tribulação começa será o início do Dia do Senhor. A partir desse dia, a ira do Senhor será ex‐ pressa. O Dia do Senhor é o dia do Seu julgamento. Pode parecer que o Senhor, hoje, não se preocupa com a situação do mundo. Se as pes‐ soas querem solucionar seus problemas, têm que ir a uma delegacia de polícia. Depois, a dele‐ gacia de polícia as transferirá para o tribunal, onde elas serão julgadas e reguladas segundo a lei do homem. Quando as pessoas têm disputas e queixas hoje, elas não vão a Cristo. Porém, quando a Grande Tribulação começar, será o começo do Dia do Senhor. Cristo virá para interferir na situação mundial. Joel revela que, depois de três anos e meio da Grande Tribulação, o Senhor julgará os gentios vivos (3:12). Mateus 25 nos diz que Ele separará dos cabritos as ovelhas, em Seu jul‐ gamento (vv. 32‐46). Posteriormente, Ele estabelecerá o reino de mil anos. No reino de mil anos, Ele julgará, governará, e controlará toda a Terra. No fim desses mil anos, haverá uma re‐ belião, que Ele julgará também (Ap 20:8‐9). Então, Ele terá o Juízo Final no Grande Trono Branco para julgar os incrédulos mortos (vv. 11‐15). Esse será o fim do Dia do Senhor. Por‐ tanto, o Dia do Senhor durará mil e três anos e meio. Depois desse dia, os céus e a terra serão queimados para se tornar os novos céus e a nova terra. Então, a Nova Jerusalém chegará, e a justiça encherá os novos céus e a nova terra (2Pe 3:13). Tudo estará correto. Não haverá mais necessidade de qualquer tipo de julgamento.

2. Arrependimento

Visto que Deus e Seu Cristo estarão irados com o mundo, o homem deve arrepender‐se (Sl 2:11; At 17:30). Este é o evangelho neotestamentário.

3. Refugiar ­se no Filho Crer para dentro do Filho, Cristo

Salmos 2:12b diz: “Felizes são todos os que nele se refugiam”. Refugiar‐se no Filho equivale a crer para dentro do Filho, Cristo (Jo 3:16). Muitos de nós, provavelmente, jamais consideramos que crer para dentro de Cristo é refugiar‐se Nele. Podemos ver isto com o tipo da Arca de Noé. Quando todas as pessoas confiaram ou creram nessa arca, elas entraram na arca, para tomar a arca como seu refúgio, proteção e esconderijo. Hoje, nosso Cristo é nosso refúgio, nossa proteção. Estamos nos escondendo Nele. Depois de ir para a cama, eu costumo orar: “Senhor, cobre‐nos, cobre nosso edifício, e nossa área com Teu sangue prevalecente contra todo ataque do inimigo”. Na manhã seguinte, eu agradeço ao Senhor por ser nossa segurança. Toda vez que viajo, peço que o Senhor seja

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

minha proteção. Peço ao Senhor que cubra o carro que pegarei para ir ao aeroporto e o avião no qual voarei. Igualmente, obviamente, tomo o Senhor como meu refúgio sob o julgamento eterno de Deus. Essas são as experiências de refugiar‐se em Cristo.

4. Beijar o Filho

Amar Cristo, o Filho de Deus

Salmos 2:12a diz que precisamos beijar o Filho. O Novo Testamento nos diz que precisa‐ mos de fé e amor. Paulo disse em 1Timóteo 1:14: “E a graça de nosso Senhor superabundou com fé e amor em Cristo Jesus”. A graça do Senhor visitou Paulo e superabundou nele com fé e amor em Cristo. Um dia, ele recebeu misericórdia e graça do Senhor, não somente para crer Ne‐ le, mas também para amá‐Lo. Tem‐nos sido dada fé para crer para dentro de Cristo, tomá‐Lo como nosso refúgio. Também nos tem sido dado o amor de Deus para amar o Senhor Jesus. No Evangelho de João, somos ensinados que precisamos crer para dentro de Cristo, o Fi‐

lho (1:12), e amá‐Lo (14:23). No último capítulo de João, capítulo vinte e um, o próprio Cristo que é nosso refúgio voltou para Pedro para restaurar o amor de Pedro para com Ele. O Senhor perguntou a Pedro três vezes: “Tu Me amas?” (vv. 15‐17). Pedro falhou inteiramente ao negar o Senhor três vezes (18:17, 25, 27); portanto, o

“Tu Me amas?” Penso que esse perguntar triplo

lembrou a Pedro que ele foi derrotado três vezes. Essa é a razão pela qual Pedro respondeu di‐ zendo: “Senhor, Tu sabes”. Pedro disse: “Senhor, Tu sabes que Te amo” (21:15b, 16b). Um jo‐ vem crente pode ser forte para dizer corajosamente ao Senhor que O ama e jamais O negará. Porém, quando ele é derrotado, sua confiança natural em seu amor para com o Senhor será tra‐ tada. Então, ele aprenderá a seguir o Senhor e a amá‐Lo sem qualquer confiança em sua força natural. Crer no Senhor é recebê‐Lo; amar o Senhor é desfrutá‐Lo. O Evangelho de João apresenta esses pontos como as duas exigências para nós participarmos do Senhor. O Senhor está dentro de nós para ser nossa fé e nosso amor. Amá‐Lo, segundo Salmos 2:12a, é beijá‐Lo. Não devemos enaltecer e entesourar a lei. Pelo contrário, devemos beijar Cristo, amar Cristo, dia a dia. Li uma porção dos escritos de John Nelson Darby que me inspiraram a amar o Senhor. Um dia, quando ele tinha cerca de oitenta anos, ele estava viajando e passou a noite em um hotel. Antes de ir dormir, ele disse ao Senhor: “Senhor Jesus, eu ainda Te amo”. Isso me inspi‐ rou no mais alto grau. Depois de muitos anos, ele ainda podia falar essa palavra ao Senhor. Precisamos pedir ao Senhor que nos mantenha amando‐O em todo o tempo.

Senhor voltou para perguntar‐lhe três vezes

D. A Respeito do Cumprimento da Economia de Deus

Salmos 2 diz repeito ao cumprimento da economia de Deus, ao passo que Salmos 1 diz respeito ao benefício pessoal dos santos (vv. 1‐3). O conceito humano de Salmos 1 é que o homem que tem prazer na lei de Deus prospera em tudo. No entanto, segundo a revelação neo‐ testamentária, a lei acabou e Cristo está aqui (Rm 10:4a). Cristo é a centralidade e universalida‐ de da economia de Deus. Todo o Livro de Salmos segue essas duas linhas: a lei e Cristo. Final‐ mente, no fim de Salmos, a lei acaba, e vemos Cristo com Seu complemento, que é Seu Corpo, Sua igreja, a casa e o reino de Deus na economia de Deus para cumprir o propósito eterno de Deus.

Por conseguinte, temos que ver que Salmos 1 e 2 mostram‐nos uma comparação entre o conceito humano exaltando a lei com seu guardador como alguém abençoado por Deus no interesse do homem e a revelação divina proclamando Cristo como o Ungido de Deus na econo‐ mia de Deus.

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

ESTUDO ­ VIDA DE SALMOS

MENSAGEM QUATRO

OS CONCEITOS DE DAVI A RESPEITO DE UMA VIDA PIEDOSA EM COMPARAÇÃO COM SEU LOUVOR INSPIRADO DA EXCELÊNCIA DE CRISTO

Leitura Bíblica: Sl 3

7

(1)

Até aqui, temos coberto Salmos 1 a respeito da lei na apreciação do homem, e Salmos 2 a respeito de Cristo na economia de Deus. Temos visto que foi inteiramente pelo Espírito Santo que Salmos foi arranjado dessa maneira. Suponha que fôssemos os organizadores dos cento e cinquenta salmos. Que salmo colocaríamos como primeiro? A maneira do Senhor é a melhor maneira. Ele pôs Salmos 1 primeiro, onde vemos a lei na apreciação do homem. Em seguida, ve‐

7? É inte‐

ressante ver que, logo após Salmos 1 e 2, há cinco salmos que nos mostram os conceitos de Da‐

vi concernentes a uma vida piedosa.

O título de Salmos 3 diz: “Salmo de Davi, quando fugia de seu filho Absalão”. Absalão era um filho rebelde. Salmos foi arranjado dessa maneira para nos mostrar que Davi precisava ser

corrigido e disciplinado. Davi apreciou a lei de modo tão elevado em Salmos 1, mas ele guardou

a lei? Ele foi como uma árvore plantada firmemente junto às correntes das águas? Ele não

estava plantado junto às correntes em Salmos 3. Ao invés, ele estava fugindo de seu filho rebel‐ de.

Desde minha juventude, tenho amado Salmos 51. Esse é um salmo do arrependimento de Davi depois de seu grande pecado registrado em 2Samuel 11. Davi cometeu assassinato inten‐

cional, usando seu poder e autoridade, como rei, para levar a cabo sua conspiração para matar Urias, um de seus guerreiros. Depois do assassinato, ele roubou a mulher de Urias. Os últimos cinco mandamentos da lei proíbem matar, fornicar, roubar, mentir e cobiçar. Davi quebrou os últimos cinco mandamentos. Ele assassinou Urias, cometeu fornicação, roubou a esposa de Urias, mentiu para Urias e cobiçou a mulher deste. Isso ofendeu grandemente a Deus (1Rs 15:5). Imediatamente, Deus enviou o profeta Natã para repreender Davi, conforme registrado em 2Samuel 12. Davi foi subjugado e se arrependeu. Em seguida, escreveu Salmos 51. Esse é um salmo maravilhoso. O padrão nesse salmo é elevado; ele é cheio de vida e de espírito. Ele se preocupa, igualmente, com a economia de Deus. O fim desse salmo mostra que, depois de sua confissão, seu próprio pecado, ele ainda se lembrou de Sião e de Jerusalém. No versículo 18, Davi disse: “Faze o bem a Sião, segundo a Tua boa vontade, / Edifica os muros de Jerusalém”. Esse salmo é muito bom e muito elevado. Contudo, é difícil crer que, cerca de três anos

7, que estão cheios do conceito humano. Depois que Davi co‐

depois, ele escreveu Salmos 3

mos Cristo na economia de Deus em Salmos 2. Qual seria o próximo em Salmos 3

meteu assassinato e fornicação, Deus disciplinou‐o ao permitir que houvesse confusões entre seus filhos (2Sm 12:11). Um dos filhos de Davi cometeu fornicação com uma das filhas deste. Em seguida, o fornicador foi morto por outro filho de Davi, Absalão (2Sm 13:1‐36). Depois de

matar seu irmão, Absalão fugiu para Gesur e permaneceu lá por três anos (vv. 37‐39). Então, depois de três anos, ele voltou para Davi, e um pouco depois se rebelou. Então, Davi fugiu. Em

7. Temos que conhecer a história desses

sua fuga de seu filho rebelde, ele escreveu Salmos 3

salmos a fim de vê‐los à luz da economia neotestamentária de Deus.

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

Alguns cristãos chineses têm dito que, se você quer aprender como orar, deve estudar

7 são todos salmos de

oração, porém eles são o exemplo errado de como orar, porquanto são segundo o conceito humano de Davi para seu interesse pessoal. Os cristãos chineses também dizem que, se você quer aprender como pregar, deve estudar Provérbios. Mas eu diria que, se você quer ser um bom pregador, deve estudar as quatorze epístolas de Paulo. Além do mais, se você quer aprender a orar, deve ir a Paulo. Paulo nos deu duas orações modelos em um livro, o Livro de Efésios. Em Efésios 1, ele disse que pedia ao Pai, o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, para nos conceder espírito de sabedoria e de revelação para sabermos qual é a esperança do Seu

Salmos; contudo, eu diria que não devemos fazer isto. Salmos 3

chamamento, qual a riqueza da glória da Sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do Seu poder para conosco (vv. 17‐19). Em seguida, em Efésios 3, Paulo disse: “Dobro meus joelhos ao Pai para que vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o Seu

Espírito no homem interior, para que Cristo habite em vosso coração para que sejais enchidos até toda a plenitude de Deus” (vv. 14‐19). Se compararmos essas duas orações do apóstolo

7, perceberemos que as orações nesses salmos não de‐

vem ser exemplos de como devemos orar. Nesta mensagem, gostaria de parafrasear os pontos principais nesses cinco salmos. Pre‐

cisamos avaliar esses salmos, ponto por ponto, à luz da economia neotestamentária de Deus. As

7 estão todas envolvidas com sofrimentos, no bem e no mal, e estão

orações em Salmos 3

igualmente envolvidas com vingança, justiça própria e acusação aos outros. Não existe ponto

nesses salmos indicando vida, arrependimento, autocondenação, ou autonegação. Além do mais, não existe ponto indicando muita comunhão com Deus, tocando Deus ou sendo tocado por Deus, e sendo humilde e contrito em espírito. À medida que consideramos esses salmos, precisamos ver esses pontos.

Paulo com as orações em Salmos 3

1. OS CONCEITOS DE DAVI A RESPEITO DE UMA VIDA PIEDOSA

EM SALMOS 3

7

7 nos mostram os conceitos de Davi a respeito de

uma vida piedosa. Uso a palavra piedosa porque é minha citação de Salmos 4:3. Os conceitos de

Davi dessa vida piedosa em Salmos 3 excelência de Cristo em Salmos 8.

7 estão em comparação com seu louvor inspirado da

Conforme temos mostrado, Salmos 3

A. Esses Cinco Salmos foram Escritos por Davi em Sua Fuga da Rebelião de Seu Filho Absalão

Esses cinco salmos foram escritos por Davi em sua fuga da rebelião de seu filho Absalão, que foi o resultado dos pecados de Davi de assassinar Urias e roubar a esposa deste (Sl 3, título).

B. Davi, Que Apreciava a Lei com Sua Guarda em Salmos 1 Assassinou Urias e Roubou ­ lhe a Esposa

Davi, que apreciava a lei com sua guarda em Salmos 1, assassinou Urias e roubou‐lhe a esposa (2Sm 11:14‐27). Em Salmos 1, ele enalteceu e exaltou grandemente a lei com sua guar‐ da. Em seu grande pecado, entretanto, ele quebrou todos os cinco últimos mandamentos, que exigem que os homens tenham virtudes que expressem os atributos divinos de Deus. Davi,

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

aquele que escreveu Salmos 1, guardou a lei? Não creio que muitos leitores de Salmos já tenham pensado sobre isto. Eles concordam com a exaltação da lei por Davi em Salmos 1. Eles jamais pensaram que Salmos 1 estava errado em entesourar e enaltecer a lei. O maior mestre do Novo Testamento, Paulo, disse‐nos que nenhuma carne pode ser justi‐ ficada por guardar a lei (Gl 2:16; 3:11). É impossível para o homem caído guardar a lei. Pedir ao homem para guardar a lei é como pedir a um pássaro aleijado para voar de Los Angeles até No‐ va York. Romanos 8:3 diz que a lei não pode fazer o que Deus exige, porque ela é fraca me‐ diante a carne. A lei é boa em sua natureza (Rm 7:12), mas não pode dar‐nos vida (Gl 3:21); ela não pode comunicar o próprio poder dinâmico, o poder de vida, o poder orgânico, para dentro de nós. Davi apreciava a lei em Salmos 1, porém cometeu assassinato, fornicação, roubo, menti‐ ra, e cobiça contra a lei. Por fim, ele estava fugindo de seu filho rebelde. Visto que Davi cometeu assassinato e fornicação, Deus o castigou por meio da rebelião de seu filho. Seus filhos se torna‐ ram uma desordem. Entre eles, houve também assassinato e fornicação. Se virmos esse quadro, seremos convencidos a não entesourar e enaltecer a lei. Não devemos apreciar a lei. Quanto mais apreciarmos a lei, mais cometeremos algo contra a lei.

C. Davi se Arrepende e É Perdoado por Deus

Depois que Jeová reprovou‐o por meio do profeta Natã (2Sm 12:1‐12), Davi se arrepen‐ deu e foi perdoado por Deus (2Sm 12:13; Sl 51:1‐17).

D. Os Cinco Salmos Foram Compostos segundo os Conceitos de Davi de uma Vida Piedosa

1. Pede a Deus para Lidar Com Seus Adversários e Ser um Escudo ao Seu redor, Sua Glória e Aquele que Exalta Sua Cabeça

7 foram compostos segundo os conceitos de Davi de uma vida piedosa. Nes‐

ses salmos, Davi pediu a Deus para tratar com seus adversários e ser um escudo ao seu redor, sua glória e Aquele que exalta sua cabeça (Sl 3:1‐3, 6‐8). Pedir a Deus para tratar com seus ad‐ versários corresponde ao ensino do Novo Testamento? Seguramente, é contra o ensino do No‐ vo Testamento. O Novo Testamento nos ensina a amar nossos inimigos e orar por aqueles que

nos perseguem (Mt 5:44; Lc 6:27, 35; Rm 12:20). Tenho estado na restauração do Senhor por sessenta anos. Nesses sessenta anos, tenho encontrado oposição e até mesmo rebelião. Como reagimos a tal oposição? Como descendentes de Adão, gostamos de pedir ao Senhor para tratar com todos esses opositores por nós. Todavia, se estamos na realidade do Novo Testamento, não ousamos orar dessa maneira. Não podemos orar desse modo ao Senhor, pois Ele nos disse para amar nossos inimigos. Davi também pediu ao Senhor para ser um escudo de proteção ao seu redor. Isto é bom ou mau? O que está errado com pedir ao Senhor para nos proteger? Eu diria que isto não é mau nem bom. Nesse contexto, quando ele estava fugindo de seu filho, Davi fez essa oração. Por que ele não orou: “Senhor, Tu sabes que tenho cometido esse pecado que levou meu filho a ser re‐ belde. Senhor, não o condene. Senhor, condena‐me. Eu me arrependo. Gostaria de ter um tem‐ po para dizer ao meu filho: ‘Filho, perdoa‐me. A causa da perturbação hoje não é você, mas eu’. Senhor, trata com meu coração”. Essa é uma oração espiritual. Ao contrário, Davi estava pedin‐ do ao Senhor para ser um escudo ao seu redor. Como um assassino e fornicador, Davi era digno de ser protegido? Ele também pediu a Deus para ser sua glória e Aquele que exalta sua cabeça.

Salmos 3

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

Davi não devia ter se sentido envergonhado de pedir isso a Deus quando ele estava fugindo de seu filho, sendo castigado por Deus por causa de seu assassinato e fornicação?

2. Clama a Jeová e Crê Que Ele Lhe Responderá de Seu Santo Monte

Davi também clamou a Jeová e creu que Ele lhe responderia de Seu santo monte (Sl 3:4).

3. Ora de Noite pelo Sustento de Jeová

Davi também estava orando de noite pelo sustento de Jeová (Sl 3:5). Quase todos os estu‐ dantes e mestres da Bíblia chamam Salmos 3 de salmo da oração noturna. Orar de noite é bom ou mau? Tudo depende de como oramos. Se Davi estivesse realmente no espírito, ele teria con‐ siderado a situação na qual estava naquele tempo. Ele estava fugindo do seu filho rebelde. De‐ via ter considerado o que levou seu filho a se rebelar. Então, ele oraria de noite: “Deus, perdoa‐ me. Fui eu que levei meu filho a se rebelar. Fui eu que assassinei Urias, usando meu poder como rei para realizar minha conspiração e assassinato. Que vergonha, que eu mesmo roubei a mulher de Urias”. Enquanto estava fugindo de seu filho, Davi devia ter se sentido envergonha‐ do e arrependido diante de Deus.

4. Pede a Deus para Vindicar Sua Justiça

Davi pediu a Deus para vindicar sua justiça baseado na experiência passada de sua ora‐ ção. Ele convenceu outros que ele era um homem piedoso que Deus havia separado para Si e que clamava a Jeová e que Jeová ouvia quando ele Lhe clamava. Ele também admoestava os outros a não pecar em ira, mas a considerar em seu coração, em seu leito, e ficar sossegado (Sl 4:1‐4). Quando ele estava fugindo de seu filho, ainda pediu a Deus para vindicá‐lo de sua justiça, mas onde estava sua justiça? Davi não devia ter orado dessa maneira. Ao invés, devia ter pedido a Deus para iluminá‐lo, de modo que ele pudesse ver quão maligno e pecaminoso ele era. Como um rei, ele matou um de seus guerreiros mediante sua conspiração. Em seguida, depois de matá‐lo, roubou‐lhe sua esposa. Onde estava sua justiça? Ele também estava convencendo outros que ele era um homem piedoso a quem Deus se‐ parara para Si. Ele estava fugindo, contudo considerava que ele fora separado para Deus. Isto mostra que ele estava em trevas. Ao considerar Salmos 4, precisamos lembrar que esse foi um salmo escrito por Davi no tempo em que estava fugindo. Naquele tempo, ele mostrou que era um homem piedoso a quem Deus separara para Si. Aquele era o tempo para ele orar dessa ma‐ neira?

Isto mostra que os seres humanos não são convencidos facilmente de ou subjugados em sua pecaminosidade. Mesmo se assassinássemos alguém e cometêssemos fornicação roubando, não ficaríamos convencidos. Ainda pensaríamos que somos bons. Podemos vindicar‐nos dizen‐ do: “Sim, talvez eu estivesse errado em certos assuntos, mas sou uma pessoa piedosa a quem Deus tem separado para Si”. Tenho estado a tocar pessoas por sessenta anos na restauração do Senhor, contudo raramente tenho tido um tempo com alguém que seja inteiramente conven‐ cido por Deus de suas falhas. Em uma corte, nem o querelante nem o acusado pensam que são os errados. Eles não podem ser convencidos que estão errados. Todos nós precisamos da mi‐ sericórdia de Deus para ver nossas falhas, nossa pecaminosidade e nossa imundície, para até mesmo rolar no chão confessando nossos pecados. Isto significa que recebemos misericórdia e

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

achamos graça na presença de Deus. Uma vez que não estejamos convencidos de nossa pe‐ caminosidade, estamos errados e em trevas. Em Salmos 4, Davi até mesmo admoestava os outros a não pecar em ira, mas a considerar em seu coração, em seu leito, e ficar sossegado. Este é um bom ensino, mas, por que Davi não ensinou a si mesmo? Ele era a pessoa certa para orar dessa maneira? Se você conhece sua experiência passada, pode ver que ele não era uma pessoa correta.

5. Aconselha Outros a Oferecer Sacrifícios de Justiça e a Confiar em Jeová

Davi também aconselhou outros a oferecer sacrifícios de justiça e a confiar em Jeová (Sl 4:5). Essa palavra é muito boa, mas, para ele, escrever tal coisa naquele tempo, em sua situação particular, não era adequado.

6. Pede a Deus para Levantar sobre Ele a Luz do Seu Rosto

Davi pediu a Deus para levantar sobre ele a luz do Seu rosto, agradecendo a Deus por pôr alegria em seu coração mais do que o regozijo de outros quando o trigo e o mosto lhes abun‐ dam, e por confiar em Deus ao deitar e dormir em paz e habitar em segurança (Sl 4:6‐8). Por isto, vemos que Davi não tinha qualquer sentimento concernente a sua situação e condição de uma grande falha. Ele havia se tornado entorpecido. Como podia tal pessoa pecaminosa orar dessa maneira a Deus no tempo em que estava fugindo de uma situação de rebelião causada por sua pecaminosidade? Nesse tempo, ele disse que deitaria e dormiria em paz e habitaria em segurança.

7. Ora pela Manhã e Vigia

Davi era alguém que estava orando pela manhã e vigiando (Sl 5:1‐3). Muitos mestres da Bíblia chamam Salmos 5 de uma oração matutina. Salmos 3 é uma oração noturna e Salmos 5 é uma oração matutina.

8. Sabe que Deus Não Se Compraz Na Maldade, mas Odeia a Iniquidade

Davi sabia que Deus não se compraz na maldade, mas odeia a iniquidade (Sl 5:4‐6). Se Davi sabia disso, por que cometeu tão grande pecado? Conhecer meramente a lei não resolve o problema. A lei e o conhecimento desta por Davi não serviram para ele.

9. Entrou na Casa de Deus na Abundância de Sua Bondade

Davi disse que ele entrou na casa de Deus na abundância de Sua bondade e inclinou‐se para o templo santo de Deus no temor Dele. Nesse tempo, Davi não estava adorando no templo de Deus, mas inclinando‐se para ele (Sl 5:7). Ele pediu a Deus para guiá‐lo em Sua retidão e aplanar seus caminhos por causa dos seus inimigos que lhe estavam de emboscada (v. 8). Ele disse que esses não tinham retidão em sua boca, e cujo interior era todo crimes, e cuja garganta era um sepulcro aberto, e que lisonjeavam

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

com sua língua (v. 9). Esse trecho foi citado por Paulo em sua pregação do evangelho (Rm

3:13).

Davi pediu a Deus para declará‐los culpados, deixando‐os cair por seus próprios planos e rejeitá‐los por causa de suas muitas transgressões e de sua rebelião contra Deus (v. 10). Essa oração está cheia de condenação aos outros, contudo não existe qualquer condenação ao pró‐ prio Davi. Parece que todos eram errados e pecaminosos, exceto ele. Não podemos achar qualquer sinal aqui que ele confessou seu pecado diante de Deus.

10. Pede a Deus para que se Regozijem Todos Que se Refugiam Nele e Exultem de Alegria Eternamente

Davi pediu a Deus para que todos que se refugiam Nele se regozijem e exultem de alegria eternamente, para que Deus estenda uma cobertura, um dossel, sobre eles a fim de fazer com que aqueles que amam o nome de Deus exultem em Deus. Ele também pediu a Deus para aben‐ çoar o justo, cercá‐lo com favor como dum pavês (Sl 5:11‐12). Não sei por que Davi orou por todas essas coisas aqui. Ao invés, ele devia ter orado: “Senhor, perdoa‐me. Minha conduta peca‐ minosa levou meu filho a se rebelar. Senhor, tem misericórdia de mim. Move‐nos a arrepender‐ nos diante de Ti”. Não há qualquer sinal, nesses salmos, de Davi sendo convencido de sua peca‐ minosidade.

11. No Castigo de Deus Pede a Deus para Ser Gracioso com Ele

No castigo de Deus, Davi pediu a Deus para ser gracioso com ele, curá‐lo, voltar‐se para ele, e salvá‐lo por causa de Sua bondade (Sl 6:1‐5). Davi percebeu que estava no castigo de Deus, mas ainda não houve muita confissão acerca de sua falha. Ele disse que estava cansado com seu gemido, fazendo nadar sua cama todas as noites, inundando de lágrimas o seu leito. Sua vista desfalecia por causa da mágoa, e se tinha envelhecido por causa dos seus adversários (vv. 6‐7). Penso que isto é exagero de Davi. Alguém pode fazer sua cama nadar por suas lágri‐ mas? Você concorda com esse tipo de oração? Se um irmão orasse dessa maneira numa reunião de oração, poderíamos admoestá‐lo a parar com esse tipo de oração.

12. Crê Que Jeová Ouviu a Voz do Seu Pranto e Que Todos os Seus Inimigos Serão Envergonhados e em Extremo Perturbados

Davi cria que Jeová ouvira a voz do seu pranto e que todos os seus inimigos serão enver‐ gonhados e em extremos perturbados (Sl 6:8‐10). Davi não pôde esquecer seus inimigos. Isto é diferente do ensino do Senhor no Novo Testamento.

13. Refugia ­se em Deus e Pede a Deus Para Livrá ­Lo de Todos Que O Perseguem, pois Ele Não Fez Nada Errado

Davi se refugiou em Deus e pediu a Deus para livrá‐lo de todos que o perseguiam. Os inimigos, incluindo seu filho, estavam à sua caça. Davi sentia que não havia feito nada errado (Sl 7:1‐5). Como pode alguém dizer a Deus que não fez nada errado?

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

14. Pede a Jeová para Levantar ­se na Sua Ira contra as Fúrias dos Seus Adversários

Davi pediu a Jeová para levantar‐se na Sua ira contra as fúrias dos seus adversários, e pe‐

diu a Jeová para julgá‐lo conforme sua retidão e integridade (Sl 7:6‐8). É difícil imaginar que tal homem piedoso como Davi fizesse tal oração. Ele pediu a Deus para julgá‐lo conforme sua reti‐ dão e integridade. Onde estava sua integridade? Ele havia cometido fornicação e assassinato,

7 sob essa luz, podemos

resultando na rebelião de seu filho. Quando consideramos Salmos 3 ver quão cego temos sido em nossa apreciação de Salmos.

15. Pede a Deus para Estabelecer O Justo

Davi pediu a Deus para estabelecer o justo e cria que seu escudo estava com Deus, que, como um justo Juiz, salva os retos de coração (Sl 7:9‐13).

16. Crê que o Homem Mau Está com Dores de Iniquidade e Abre um Poço

Davi cria que o homem mau está com dores de iniquidade e abre um poço, cavando‐o e caindo no fosso, e sua malvadez tornará a cair sobre a sua cabeça (Sl 7:14‐16). Digo outra vez:

Suponha que um irmão orasse dessa maneira em uma reunião de oração. Os santos poderiam pedir‐lhe para parar.

17. Dá Graças a Jeová segundo a Sua Retidão e Canta Louvores ao Nome de Jeová o Altíssimo

Davi deu graças a Jeová segundo Sua retidão e cantou louvores ao nome de Jeová o Altís‐

simo (Sl 7:17). Este é um dos pontos bons em Salmos 3 mos têm um bom final. Entretanto, podemos ver que não há nada em Salmos 3

7 segundo a economia de Deus,

o reino de Deus e o interesse de Deus. Não há nada segundo Cristo. Não há qualquer verdadeiro espírito de intercessão, isto é, nenhuma intercessão pelos outros no espírito. Também, há mui‐ to pouco suprimento de vida para os leitores. Ao invés, esses salmos encorajam, fortalecem e

7. Graças ao Senhor, pois esses sal‐

confirmam os leitores a pedir a Deus para cuidar deles e de seus interesses. Muitos leitores de Salmos, que leem sem o discernimento adequado do conceito humano e do conceito divino, têm sido encorajados a se preocupar com seu benefício e interesse.

7 à luz da economia neotestamentária de Deus, pode‐

mos ver que esses salmos não devem ser tomados como modelos para nossa oração. Neles, vemos os sofrimentos de Davi, seu desejo de ser vingado de seus adversários e sua justiça pró‐

pria. Não vemos qualquer arrependimento, confissão de sua falta, ou autocondenação. Salmos

8, entrementes, revela a encarnação de Cristo, Sua morte e ressurreição, Sua ascensão e Seu

7 revelam os conceitos de Davi a respeito de uma vida piedosa, ao passo que

Salmos 8 é seu louvor inspirado da excelência de Cristo.

reino. Salmos 3

Depois de considerar Salmos 3

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

ESTUDO ­ VIDA DE SALMOS

MENSAGEM CINCO

OS CONCEITOS DE DAVI A RESPEITO DE UMA VIDA PIEDOSA EM COMPARAÇÃO COM SEU LOUVOR INSPIRADO DA EXCELÊNCIA DE CRISTO

Leitura Bíblica: Sl 8

(2)

Nesta mensagem, chegamos a Salmos 8. Quanto mais lemos esse salmo, mais temos que admitir que ele é inteiramente uma linguagem celestial. Nenhuma palavra meramente humana poderia expressar o conceito divino nesse salmo. A linguagem celestial nele deve vir da revela‐ ção divina. Nas mensagens anteriores, vimos os conceitos de Davi a respeito de uma vida piedosa

7. Nesta mensagem, queremos ver seu louvor inspirado da excelência de Cristo

7 com muita oração, podemos perceber que todos eles estão

em Salmos 8. Se lemos Salmos 3

no mesmo nível e na mesma categoria. Eles descrevem muitas coisas más, mostrando que a terra é uma terra desordenada. Porém, quando lemos Salmos 8, sentimos que não estamos nes‐ sa terra desordenada. Quando chegamos a Salmos 8, o tom muda. Gostaria de ler esse salmo de modo que possamos considerá‐lo versículo por versículo.

No versículo 1, Davi disse: “Jeová, Senhor nosso, / Quão majestoso é o Teu nome / Em toda a terra! / Tu que puseste a Tua glória nos céus”. Este único versículo abrange tanto a terra

7, a terra é uma desordem, mas, em Salmos 8, há algo excelente

quanto os céus. Em Salmos 3

na terra. Este item excelente é o nome majestoso do Senhor Jesus. Ele não está aqui hoje fi‐

sicamente, contudo Seu nome está aqui. Esta terra hoje é nada mais que uma desordem. Con‐

o nome de Jesus! Seu nome

tudo, graças ao Senhor, pelo menos há algo excelente nesta terra é o nome exaltado, o nome glorificado.

O versículo 1 menciona tanto a terra quanto os céus. Precisamos perceber que esse sal‐

mo faz o melhor para ligar a terra aos céus e trazer os céus à terra. No versículo 1, podemos ver essa ligação. O nome de Jeová é excelente em toda a terra, e Ele pôs o Seu esplendor acima dos céus (na versão em inglês utilizada pelo autor – N. T.). Na realidade, os céus são a fonte da excelência. A excelência não se inicia a partir da terra, mas dos céus.

O versículo 2 diz: “Da boca de pequeninos e crianças de peito / Tiraste a fortaleza, / Por

causa dos Teus adversários, / Para fazeres calar o inimigo e o vingador”. Este versículo nos mostra três categorias negativas de pessoas: os adversários, o inimigo e o vingador. Sobre os céus, está o esplendor de Deus, e na terra o nome excelente de Jesus. Todavia, neste universo,

há ainda muitos adversários, inimigos e vingadores. Adversários são aqueles que estão dentro, inimigos são aqueles que estão fora e os vingadores são aqueles que correm para frente e para

trás (cf. Jó 1:7). Satanás pode ser retratado por essas três categorias. Primeiramente, Satanás está dentro do reino de Deus. Em seguida, ele se tornou um inimigo fora, fora do reino de Deus. Ele é também o vingador, correndo para frente e para trás. Acima dos céus há esplendor, e, na terra, há o nome excelente. Porém, entre os céus e a terra, há os adversários dentro, o inimigo fora e o vingador correndo para frente e para trás.

O que Deus faria acerca disto? Deus faz algo de uma maneira consumada. Ele tira Seus

louvores das bocas de pequeninos e crianças de peito, os mais jovens, os menores e os mais fracos. Pequeninos são um pouco mais fortes que crianças de peito, e crianças de peito são, de

em Salmos 3

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

alguma forma, menores que os nenês, contudo, ambos estão na categoria dos menores e mais fracos. Nesta mensagem, gostaria de perguntar se nos consideramos como pequeninos e crian‐ ças de peito. Talvez, alguns de nós tenhamos um grau de doutorado, ou outros tenham curso universitário. Somos os graduados ou as crianças de peito? Se você me perguntasse, eu diria que sou a menor criança de peito. No reino de Deus, não há pessoa velha. O Senhor Jesus disse às pessoas: “Em verdade vos digo: Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mt 18:3). Ele também disse: “Deixai as crianças e não as impeçais de vir a Mim, porque das tais é o reino dos céus” (19:14). O Senhor enfatizou que, para participar do reino dos céus, devemos ser como crianças. Todas as pessoas que estão no reino dos céus são como crianças. Um irmão pode ter sessenta anos de idade, contudo, no reino de Deus, ele é uma criança de peito. Salmos 8 é uma poesia. O escrito poético não deve ser entendido de uma maneira mera‐ mente física e literal. Temos que entender os termos segundo a maneira poética. Pequeninos não são os pequeninos de verdade, e crianças de peito não são verdadeiras crianças de peito. Essas são as crianças do reino dos céus. Todas as pessoas que estão no reino dos céus são: ou pequeninos ou crianças de peito. Se consideramos que somos pessoas com um grau ou status elevado, que temos um grau de doutorado, que somos graduados, não estamos no reino. Os ir‐ mãos e irmãs que são diplomados em uma universidade não devem tomar essa posição na vida da igreja. Não devemos ser os diplomados, mas as crianças de peito. O salmista quer dizer que

nós, os filhos de Deus, somos todos pequeninos e crianças de peito, contudo, Deus pode levar‐ nos a louvá‐Lo. Salmos 8:2 diz que o Senhor tirou fortaleza (força) da boca de pequeninos e crianças de peito. Aparentemente, fortaleza (força) não se refere a algo que sai da boca. Quando o Senhor citou esse versículo em Mateus 21:16, Ele usou a palavra louvor ao invés de fortaleza (força) . Os mais fracos em si mesmos não podem louvar. Clamar ou chorar não requer força, mas louvar requer força. Quando fofocamos, discutimos ou arrazoamos com as pessoas, isso não requer força. Mas sem força, não podemos louvar o Senhor. Alguns louvores podem vir da nossa boca, contudo não podem ser considerados como louvores perfeitos, visto que não são tão cheios de força. Louvores devem ser cheios de força. Muitas vezes quando os santos estão louvando o Senhor, podemos ver a força.

A Versão Septuaginta de Salmos traduziu a palavra hebraica para força como louvor em

Salmos 8:2. Essa tradução foi citada pelo Senhor em Mateus 21:16. Isto significa que o Senhor admitiu que essa tradução estava correta. Os eruditos que traduziram o Antigo Testamento em grego para a Septuaginta tinham algum tipo de conhecimento espiritual. Louvar é ter a força em nossa boca. Deus pode operar em Sua redenção a tal ponto que os mais fracos e os menores podem ter a força para louvá‐Lo. Deus estabeleceu isto.

A palavra hebraica para tirou (estabeleceu) é uma palavra difícil de traduzir. Na citação

de Mateus 21:16 pelo Senhor, diz‐se que Ele “aperfeiçoou” louvor da boca de pequeninos e cri‐ anças de peito. Salmos 8 diz que ele tirou (estabeleceu) força da boca de pequeninos e crianças de peito, mas o Senhor citou‐o dizendo que Ele aperfeiçoou louvor. Nosso louvor é perfeito? Temos que admitir que nosso louvor é inteiramente imperfeito. Salmos 8 não é um salmo lon‐ go, mas é um salmo completo, aperfeiçoado e perfeito. Se somos carentes de força, não pode‐ mos louvar. Se não temos a força extra, não podemos ter um louvor completo, aperfeiçoado e perfeito. Na terra, o nome do Senhor é majestoso; acima dos céus está o esplendor do Senhor, Sua glória. No meio, há os adversários, o inimigo e o vingador, que são calados pelo louvor da força que procede da boca dos menores e dos mais fracos. Esta é a consumação maravilhosa de Deus. A consumação mais elevada da obra do Senhor em Sua redenção é aperfeiçoar o louvor a Ele da boca do menor e do mais fraco.

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

O Senhor faz isso por causa dos Seus adversários, com o propósito de calar o inimigo e o

vingador. A tradução chinesa mostra que calar (parar na versão em inglês usada pelo autor – N.

T.) o inimigo e o vingador é fechar suas bocas. Hoje, diante do Senhor e de Deus, a boca de Sata‐ nás tem sido fechada. Em todo o universo, há muitas vozes. Os adversários têm suas vozes, o inimigo tem sua voz, e o vingador tem sua voz. Contudo, todas essas vozes têm sido paradas pe‐ lo Cristo vencedor. Ele venceu todos os inimigos de Deus em todo o universo, portanto, Ele po‐ de aperfeiçoar o louvor a Ele da boca das pessoas menores e mais fracas, a fim de parar as vo‐ zes de Seu inimigo e de Seu vingador.

O versículo 3 diz: “Quando contemplo os Teus céus, obra dos Teus dedos, / A lua e as es‐

trelas que formaste”. Davi não disse que ele contemplou os céus, mas ele contemplou “ Teus céus”. Temos um hino sobre esse salmo em nosso hinário ( hymns, 1097 [em português, no

Hinos, é o nº 64 – N. T.] ). Na segunda estrofe desse hino, o escritor referiu‐se ao sol, à lua e às estrelas (na tradução em português, somente aparece a palavra astros – N. T.). O escritor acrescentou a palavra sol , mas isto está errado. Em Salmos 8, Davi contemplou tão somente a lua e as estrelas, não o sol. Não podemos contemplar o sol, a lua e as estrelas ao mesmo tempo. Quando contemplamos a lua e as estrelas, não podemos contemplar o sol.

A lua e as estrelas em Salmos 8 indicam que era noite. Na noite, tudo fica escuro. Todavia,

o salmista levantou seus olhos para contemplar os céus do nosso Pai. Na noite, ele contemplou

a lua e as estrelas que Deus havia ordenado. Os versados em ciência podem dar testemunho

dessa ordenação. A ordenação divina da lua e das estrelas é, verdadeiramente, uma maravilha. Depois que o salmista voltou sua visão da terra desordenada para os céus brilhantes, ele disse: “Que é o homem, para te lembrares dele? / E o filho do homem, para o visitares?” (v. 4). Ele voltou sua visão da lua e das estrelas nos céus para o homem nesta terra. Primeiramente, Deus lembra‐se do homem. Segundo, Ele visita o homem. Temos que entender isso de uma maneira poética. Deus, nos céus, lembrou‐se do homem antes que Ele se encarnasse. Em seguida, Ele veio visitar o homem ao tornar‐se um homem mediante Sua encarnação. O Deus Triúno veio para nos visitar. Antes de vir a nós, Ele se lembrou de nós. O Deus Triúno estava muito ocupado, contudo, lembrou‐se de nós. Então, segundo Sua lembrança de nós, Ele se encarnou para nos visitar. Como crentes de Jesus, nós, seguramente, temos sido visitados por Ele. Cada dia, quando oro, experiencio a visitação do Senhor. Ele vem até mim no modo da encarnação; no modo do Seu viver humano; no modo de Sua crucificação; no modo de Sua ressurreição; no modo de Sua ascensão e no modo de Sua descensão. O Senhor está em minha sala de estudo enquanto passo tempo com Ele em oração. Todos nós precisamos desfrutar a visitação do Senhor dia a dia. Se o Senhor Jesus nunca tivesse passado por todos os processos acima, como Ele poderia estar conosco hoje? Ele está, agora, conosco. A fim de visitar‐nos, o Senhor simplesmente não caiu céu abaixo. Ele fez uma longa jornada. O Senhor lembrou‐se de nós e também nos visitou. Ele está conosco em todo tempo. Se não tivéssemos a visitação do Senhor, seríamos miseráveis. Salmos 8:5 diz: “Contudo, pouco menor o fizeste do que os anjos / E de glória e de honra

o coroaste”. A palavra anjos, no hebraico, é Elohim, que é, normalmente, traduzida Deus (Gn

1:1). A Septuaginta traduziu Elohim aqui como anjos. Em Hebreus 2:7, Paulo citou esse versículo, não segundo a Versão Hebraica, mas segundo a Versão Septuaginta. Deus o fez um pouco inferior aos anjos. Quem é “ele” nesse versículo? “Ele”, na realidade, refere‐se ao homem Jesus. Deus fez o homem Jesus pouco inferior aos anjos. Fazer Jesus pouco inferior aos anjos refere‐se à Sua encarnação com Seu viver humano. No sentido de estar na carne, Ele era pouco inferior aos anjos. Depois de Seu viver humano, Ele foi ressuscitado e, em Sua ressurreição, Ele foi glo‐ rificado. Em seguida, Ele ascendeu aos céus e, em Sua ascensão, Ele foi honrado. “De glória e de honra coroaste” indica ou implica dois passos: A ressurreição de Cristo e Sua ascensão. Antes de Sua ressurreição e ascensão, houve a morte de Cristo. Se não há morte, não há ressurreição,

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

e se não há ressurreição, não há ascensão. Além do mais, sem Sua encarnação e viver humano, Ele não estava qualificado para morrer. Ele teve que se tornar um homem e viver por trinta e três anos e meio. Portanto, em Salmos 8:5, podemos ver todos os passos do processo do Deus Triúno: encarnação, viver humano por trinta e três anos e meio, morte, ressurreição e ascen‐ são.

Os versículos 6‐8 dizem: “Deste‐lhe domínio sobre as obras das Tuas mãos; / Tudo puseste debaixo dos seus pés: / As ovelhas e os bois, todos eles, / Também os animais do campo; / As aves do céu e os peixes do mar, / Tudo o que passa pelas veredas do mar”. Tudo o que passa pelas veredas do mar são os animais marinhos diferentes do peixe. Esses versículos referem‐se ao reino, no qual Cristo governará sobre todas as coisas criadas, e à restauração nesse reino de mil anos, o milênio. Salmos 8 é um salmo pequeno, contudo, compreende e implica a encarnação, o viver humano, a morte, ressurreição, ascensão e coroação de Cristo, para ser o Senhor e Cristo, e o Rei dos reis, o único Soberano de todo o universo. Virá o dia quando Ele estará no reino por mil anos para reinar sobre todas as criaturas. Esta é a revelação em Salmos 8. O último versículo desse salmo repete a primeira parte do primeiro versículo dizendo:

“Jeová, Senhor nosso, / Quão majestoso é o Teu nome / Em toda a terra!” No final do salmo, Davi não diz nada a mais sobre os céus, porquanto, por fim, a terra será tão majestosa quanto os céus. Agora, que temos lido até Salmos 8 de uma maneira interpretativa, consideremos, em maiores detalhes, os pontos principais neste salmo.

II. O LOUVOR INSPIRADO DE DAVI DA EXCELÊNCIA DE CRISTO

Salmos 8 é inspiração de Davi, seu louvor inspirado da excelência de Cristo.

A. O Nome do Senhor É Majestoso (Excelente)

em Toda a Terra, e Sua Glória (Esplendor) Tem Sido Posta acima dos Céus

O nome do Senhor é majestoso em toda a terra, e Seu esplendor tem sido posto acima

dos céus. Quero dizer novamente que esse salmo faz o melhor para unir a terra aos céus e para trazer os céus à terra, fazendo a terra e os céus um.

7 havia uma desordem na terra segundo o conceito humano de Davi.

Aqui, em Salmos 8, algo, isto é, o nome do Senhor, é majestoso (excelente) na terra segundo a revelação divina, e a glória (esplendor) do Senhor está acima dos céus à vista de Davi. Hoje, o povo terreno não vê essa revelação. Eles não têm tal visão, mas temos essa visão celestial acerca de Jesus. Acima de Davi, nos céus, estava a glória, e, com Davi, nesta terra, estava um nome majestoso. Por conseguinte, sua percepção, sua visão, tirou‐o da visão da terra

desordenada. A mídia noticia todas as coisas más que acontecem nesta terra cada dia. Viver em qualquer lugar na terra sem a vida da igreja seria terrível.

Em Salmos 3

B. Da Boca de Pequeninos e Crianças de Peito o Senhor Tirou Fortaleza (Louvor) Por Causa dos Seus Adversários, para Fazer Calar o Inimigo e o Vingador

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

Mt 21:16)

por causa de Seus adversários, para fazer calar o inimigo e o vingador (Sl 8:2). Temos visto que os pequeninos e as crianças de peito são os mais jovens, os menores, e os mais fracos dentre os homens, indicando a consumação mais elevada da obra do Senhor em Sua redenção. Na salvação de Deus, a consumação tope é aperfeiçoar o menor e o mais fraco para louvar a Deus. Quando desfrutarmos a redenção de Cristo até o ponto máximo, seremos intrépidos para louvar o Senhor. Quando ficamos desanimados e desapontados, podemos suspirar e gemer. Porém, quando louvamos o Senhor, é a experiência mais elevada de nosso desfrute de Cristo. O desfrute de Cristo far‐nos‐á muito fortes para proferir um louvor completo e aperfeiçoado ao Senhor. Todos nós temos que aprender a como louvar. Esta é a consumação mais elevada que Deus completou em Sua redenção por meio de Cristo. Todos nós precisamos ser pequeninos e crianças de peito na vida da igreja. Podemos não ser velhos em nossa idade física, mas, em nossa experiência Cristã, podemos ser como velhas pessoas cansadas e fatigadas. Se ainda somos jovens no Senhor, louvá‐Lo‐emos no caminho para as reuniões. Quando estávamos no Elden Hall em Los Angeles, certo irmão foi gritando louvores ao Senhor enquanto estava dirigindo para uma reunião. Um policial o viu, segui‐o e lhe disse para encostar o carro. O policial perguntou ao irmão o que lhe estava acontecendo. Então, o irmão disse: “Eu estou louvando Jesus!” Então, o policial deixou‐o ir. Esta é a maneira correta de ir à reunião. Quando dirigimos para a reunião, devemos cantar, louvar e gritar:

“Amém! Aleluia! Amém! Senhor Jesus! Amém!” Muitos de nós não farão isso porque temos nos tornado muito velhos. Ser velho significa ser fraco. Precisamos gritar mais; dizer mais “Ale‐ luia”; dizer mais “Amém”; louvar mais. Nossas reuniões devem ser cheias de barulho alegre. Grande número de irmãs dentre nós ainda estão em seus vinte anos de idade, porém sua atitude cansada as faz parecer que têm cerca de cem anos. Com elas, não há frescor e força. Com elas, nada está na manhã; ao invés, tudo está no pôr do sol. Elas precisam aprender a louvar o Senhor. Os mais fracos dentre os homens sendo aperfeiçoados para louvar o Senhor indica a consumação mais elevada da obra do Senhor em Sua redenção. O Senhor faz essa obra consumada por causa dos Seus adversários. Ele faz isso para insultar Satanás. É como se Deus dissesse: “Satanás, você tem feito muito. Deixe‐me mostrar‐ lhe quanto posso fazer. Posso fazer muito, muito mais do que você pode. Olhe todos os Meus filhos agora. Eles são todos pequeninos e crianças de peito louvando‐Me”. Esse louvor cala a boca de Satanás. O falar do inimigo é parado pelo nosso louvor. O Senhor tira fortaleza, aperfeiçoa o louvor, das nossas bocas por causa dos Seus adversários (internos), para calar o inimigo e o vingador (externos).

Da boca de pequeninos e crianças de peito, o Senhor tirou fortaleza (louvor

C. Davi Contempla os Céus Obras dos Dedos do Senhor. a Lua e as Estrelas, Que o Senhor Formou (Ordenou)

Davi contemplou os céus, obras dos dedos do Senhor, a lua e as estrelas que o Senhor

formou (Sl 8:3). Isto indica que Davi teve uma visão voltada da terra para contemplar os céus à noite. À noite, se você olhar para a terra, não verá nada por causa da escuridão. Todavia, se você levantar os olhos para contemplar os céus, verá a lua e as estrelas. Nessa contemplação, Davi teve uma visão pura para contemplar a obra pura na criação e ordenação de Deus. No universo, não há somente a criação de Deus, mas também a ordenação de Deus. Davi con‐ templou a ordem divina no universo.

voltar‐nos da terra desordenada para o céu ra‐

diante. Antes que fôssemos salvos, estávamos em uma situação desordenada. Mas depois que

Este é o alvo na redenção do Senhor

39

Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

fomos salvos, nossa terra desordenada tornou‐se um céu radiante. Nossa visão se voltou de olhar esta terra desordenada para olhar o céu radiante. Quando más notícias me vêm, tenho que exercitar voltar minha visão para olhar o céu radiante. Quando volto minha visão das más notícias e olho os céus acima, posso louvar. Devemos aprender a voltar nossa visão. O alvo na redenção do Senhor é voltar nossa visão da terra para os céus. A terra está desordenada, mas os céus estão radiantes.

D. Que é o Homem, Para que o Senhor Se Lembre Dele, e o Filho do Homem, Para que Ele O Visite?

Em Salmos 8:4, Davi perguntou: “Que é o homem, para Te lembrares dele? / E o filho do homem, para o visitares?” Em sua visão nos céus, Davi voltou sua consideração para o homem na terra. A ordenação da lua e das estrelas é maravilhosa. Então, o que dizer do homem nesta terra? Não devemos esquecer que o salmista, neste salmo, está fazendo o melhor para descer os céus e subir a terra para juntá‐la com os céus. Ele contemplou os céus com a lua e as estrelas. Isto é maravilhoso, mas, e o homem? Podemos pensar que o homem é desprezível, mas, segundo a visão divina neste salmo, estamos errados. O homem é desprezível em Adão e na situação caída, contudo, hoje, o homem em Cristo não é desprezível. O homem em Cristo é maravilhoso.

Gênesis 1,

Salmos 8 e Hebreus 2. O que é revelado em Salmos 8 foi primeiramente falado em Gênesis 1. Gênesis 1 diz que o homem foi comissionado com autoridade para governar sobre todas as coisas criadas (vv. 26, 28). Salmos 8 repete isto. Então, em hebreus 2:6‐8, Paulo cita Salmos 8. Essas três porções da Palavra nos mostram que o homem tem estado em três estágios: criado em Gênesis 1, caído em Salmos 8 e redimido em hebreus 2. Esse homem redimido não está mais em uma situação desprezível. Ele está unido a Jesus. Na realidade, Jesus, o Deus encarnado, primeiramente uniu‐Se conosco. Agora, em Sua reden‐ ção, estamos unidos a Ele. Há uma união orgânica entre Ele e nós. Cristo passou pelo viver humano, e morreu para resolver nossos problemas. Em seguida, Ele ressuscitou e ascendeu para ser coroado e entronizado com glória e honra. Ele foi soprado para dentro de nós e derramado sobre nós. Hoje, Ele está tanto nos céus como também dentro de nós e fora de nós.

Que tipo de homens nós somos? Somos homens que foram mesclados com Cristo. O homem é o objeto central de Deus em Sua criação para a realização de Sua economia a fim de cumprir o desejo do Seu coração. O primeiro “homem” em Salmos 8:4 é enosh em hebraico. Enosh significa um homem frágil, fraco. O segundo “homem” em 8:4 é Adam em hebraico. Tanto Enosh quanto Adam nesse versículo referem‐se ao homem criado por Deus na criação de Deus em Gênesis 1:26; o homem capturado por Satanás na queda do homem em Salmos 8:4; e Cristo como um homem em Sua encarnação para a realização da redenção de Deus em Hebreus 2:6. Não devemos esquecer Gênesis 1, Salmos 8 e Hebreus 2. Essas três porções abrangem os três estágios do homem. É desse homem que Deus se lembra em Sua economia e visita em Sua encarnação (Jo 1:14; Fp 2:7). Graças a Deus por Sua lembrança e por Sua encarnação. Ele lembrou‐se de nós em Sua economia e nos visitou em Sua encarnação.

Três porções da Palavra falam da mesma coisa concernente ao homem

E. O Senhor Fez o Homem Um Pouco Menor Que os Anjos

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

O Senhor fez o homem um pouco menor que os anjos (Sl 8:5a; Hb 2:7a). Isto se refere à encarnação de Cristo (Jo 1:14). Em Sua encarnação, Cristo foi feito um pouco menor que os anjos no sentido de estar na carne. Na carne, Cristo era menor que os anjos.

F. Deus Coroou o Homem (Cristo) com Glória e Honra

Deus coroou o homem (Cristo) com glória e honra (Sl 8:5b; Hb 2:7b). Isto se refere à ressurreição de Cristo em Sua glória. Por meio da ressurreição, Ele entrou na glória; Ele foi glorificado em Sua ressurreição (Jo 7:39b; Lc 24:26). Isto também se refere à ascensão de Cristo em Sua honra (At 2:33‐36; 5:31a). A ressurreição de Cristo está principalmente em Sua glória e Sua ascensão, em Sua honra. Glória refere‐se à condição. Honra refere‐se à posição. Sábia condição, Cristo está em glória. Sábia posição, Cristo está em honra. Ele tem tanto a glória em condição, quanto a honra em posição. Isto foi por meio de Sua morte todo‐inclusiva (Hb 2:9). Sem a morte, Ele jamais poderia ter entrado na ressurreição, e jamais poderia ter alcançado Sua ascensão.

G. Deus Fez o Homem (Cristo) Dominar sobre as Obras das Mãos de Deus e Pôr Todas as Coisas debaixo dos Seus Pés

Deus fez o homem (Cristo) dominar sobre as obras das mãos de Deus e pôr todas as coisas debaixo dos Seus pés: todas as ovelhas e bois, os animais do campo, as aves dos céus, os peixes do mar e tudo que passa pelas veredas do mar (Sl 8:6‐8; Hb 2:7b‐8a). Essa palavra foi cumprida primeiramente em Adão (Gn 1:26‐28). Contudo, foi quebrada pela queda do homem. Hoje, nada está sujeito a nós. Mesmo os mosquitos ainda vêm para derrotar‐nos. Nada hoje está debaixo de nós porque a ordem foi plenamente destruída pela queda do homem. Todavia, haverá um tempo, o tempo da restauração, quando tudo estará em boa ordem. Essa palavra será cumprida em plenitude em Cristo, no milênio, a era da restauração (Ap 20:4‐6; Mt 19:28). Isaías 11:6‐9 e 65:25 falam da maravilhosa ordem divina no tempo da restauração. É assim, por causa da redenção de Cristo.

H. Jeová, Senhor Nosso, Quão Majestoso (Excelente) É o Teu Nome em Toda a Terra

Salmos 8:9 repete a primeira parte do versículo 1, dizendo: “Jeová, Senhor nosso, / Quão majestoso é o Teu nome / Em toda a terra”. Isto fortalece o pensamento a respeito da excelência do nome do Senhor em toda a terra. A terra, agora, está cheia da excelência de Cristo. Agora, a terra não é uma terra desordenada, mas uma terra excelente, porque a excelência do nome de Cristo enche toda a terra. Nesse versículo, o salmista considera que a terra é tão excelente quanto os céus, conforme indicado na primeira parte da oração do Senhor: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o Teu nome; venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade na terra como é feita no céu” (Mt 6:9‐10). Gostaria de repetir o alvo desse salmo uma vez mais. O alvo é unir a terra aos céus e descer os céus à terra, tornando esses dois um. Se nós somos vitoriosos e vencedores todo dia, esta é nossa realidade. Hoje, conosco, a terra está unida aos céus, os céus são descidos até à terra, e os dois são um. Contudo, com os incrédulos e com os cristãos derrotados, os céus estão longe e a terra é trevas e está desordenada. Essa é a razão pela qual os incrédulos precisam de

41

Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

todos os tipos de divertimento e prazeres pecaminosos. Contudo, nós não precisamos deles. Precisamos tão somente de Cristo e da vida da igreja. Quando vivemos Cristo e vivemos na vida da igreja, os céus e a terra são um. Conosco, nossa terra está, verdadeiramente, unida aos céus. Conosco, os céus estão sempre aqui. Aqui, na terra, temos o nome excelente de Jesus. Nesta terra, hoje, a única excelência está com o nome de Cristo. Aleluia! Existe tal nome! Temos este nome precioso na terra, e temos também nosso esplendor, nossa glória, acima dos céus. Finalmente, conosco, a terra e os céus serão um de modo completo. Na era vindoura, no milênio, na era da restauração, o céu desce e a terra sobe. Ali desfrutaremos a salvação de Deus até o ponto máximo. No milênio, todos nós seremos pequeninos e crianças de peito. Ali não mais haverá anciãos, nem cansados. Todos serão novos, jovens, vivos e cheios de força. Hoje, muitos cristãos gostam de poder, mas a Bíblia fala, em Salmos 8, de força. Pre‐ cisamos ser cheios de força para louvar o Senhor, para expressar a obra consumada de Deus em Sua redenção.

I. Uma Palavra Adicional sobre Salmos 8:2­ 5

Salmos 8 tem nove versículos. O versículo 1 e os versículos 6‐9 são, de alguma forma, fácil de entender. Os versículos 2‐5, entrementes, são muito complicados e não são fáceis de entender. Por que o salmista, depois de falar acerca da terra com a excelência do nome de

Jeová, e dos céus com a glória, se volta para os pequeninos e crianças de peito? Precisamos ver que os versículos 2‐5 mostram‐nos como os pequeninos e as crianças de peito são produzidos.

7 Davi pensava que a terra estava desordenada e cheia de problemas,

porém, na visão do Senhor, Seu nome é excelente nesta terra. Além do mais, o Senhor tem posto Seu esplendor, Sua glória, acima dos céus. A terra é excelente, e os céus são gloriosos, mas o Senhor tem três categorias de opositores. A primeira são os adversários, a segunda é o inimigo, e a terceira é o vingador. Na terra, não há qualquer problema; nos céus, não há qualquer problema; contudo o que dizer do ar? No ar, há os adversários, o inimigo e o vingador. Como Deus lida com eles? Salmos 8 é todo‐inclusivo. Ele fala acerca da terra, dos céus, do homem e do reino vindouro. Porém, em adição à terra, aos céus, ao homem e ao reino vindouro, há os adversários, o inimigo e o vingador. O versículo 2 diz que, por causa dos adversários do Senhor, Ele tirou

força ou aperfeiçoou louvor. O Senhor tem tirado força ou aperfeiçoado louvor das bocas de pequeninos e crianças de peito com o propósito de fazer calar Seus adversários, o inimigo e o vingador. Dessa maneira, Deus mata “três coelhos com uma cajadada”. Por causa dos adversários, do inimigo e do vingador, Deus faz com que os pequeninos e as crianças de peito O louvem de modo completo. Agora, precisamos considerar quem são os pequeninos e as crianças de peito. As crianças de peito são mais jovens que os pequeninos, que as crianças, porquanto ainda estão se alimentando do leite materno. Elas são os mais jovens. Os bebezinhos e as crianças de peito não fazem nada. Contudo, depois de crescidos, fazem muitas coisas. Fazer com que uma pessoa pare de fazer as coisas é quase impossível, porquanto todos os seres humanos são executores. Toda a terra está cheia dos feitos dos homens. Quem pode parar isso? Somente o Senhor pode. Nenhum homem irregenerado é um pequenino ou uma criança de peito. Nós nos tornamos pequeninos e crianças de peito pela regeneração. Antes que fosse regenerado, eu era muito ativo. Um dia, quando eu tinha dezenove anos de idade, fui salvo. Isto me fez uma pessoa quieta. A regeneração reduziu minha atividade natural. Comecei a odiar meus feitos, meu falar, e meu pensar. Fui refeito, recriado, pela regeneração do Senhor. Todo crente que tem sido genuinamente regenerado tem experi‐ enciado a mesma coisa. Quando uma pessoa se torna regenerada, torna‐se quieta, não que‐

Em Salmos 3

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

rendo agir ou falar em si mesma. Quando fui regenerado, eu queria apenas ler a Bíblia, ajoelhar‐me para orar, meditar sobre Deus e considerar as coisas do Senhor. Tornei‐me um verdadeiro pequenino e uma verdadeira criança de peito. O Senhor me fez assim por meio da regeneração. Nós, seres naturais, estamos sempre ocupados, fazendo muita obra. A salvação adequada e genuína para nosso fazer humano e nos faz os pequeninos e as crianças de peito para louvar o Senhor. Também temos que entender que, para o Senhor regenerar‐nos, Ele teve que passar por inúmeros procedimentos ou processos. Ele teve que se tornar um homem, viver nesta terra, morrer, entrar no Hades por três dias e três noites, e teve que ressuscitar para se tornar o Espírito que dá vida. Como o Espírito, Ele vem para dentro de nós para nos regenerar. Portanto, a regeneração resulta de todos os procedimentos do Senhor.

Essa é a razão pela qual logo depois de falar sobre os pequeninos e as crianças de peito, o salmista continua, dizendo: “Quando contemplo os Teus céus, obra dos teus dedos, / A lua e as

estrelas que formaste; / Que é o homem (vv. 3‐4a). Neste versículo, Teus céus, obra, e a lua e

as estrelas estão todos em aposição. Falando estritamente, o escrito aqui, nos versículos 3‐4a,

não está gramaticalmente completo. Da palavra Quando até à palavra formaste é uma longa oração subordinada, mas onde está a oração principal? Nessa sentença, não existe oração principal. Deve haver uma oração principal que segue a oração subordinada. Ao invés, depois da oração subordinada, Davi pergunta: “Que é o homem?” Esse escrito está incompleto. Davi disse de uma maneira poética: “Quando contemplo os Teus céus, obra dos Teus dedos, / A lua e as estrelas que formaste; / Que é o homem?” Essa não é uma sentença completa. O salmista poderia estar errado gramaticalmente, mas o Espírito jamais poderia estar er‐ rado. O Espírito inspirou Davi a compor dessa maneira, deixando um espaço para nós completarmos na oração principal. Depois que ele diz: “Quando contemplo os Teus céus, obra dos Teus dedos, / A lua e as estrelas que formaste”, o que deve ser dito? A oração principal pode ser completada. Eu proporia quatro maneiras. Poder‐se‐ia ler: “Quando contemplo os Teus céus, obra dos Teus dedos, / A lua e as estrelas que formaste, eu digo: Que é o homem ?” Eu digo é a oração principal. Ou, pode‐se ler: “Quando contemplo os Teus céus Eu indago”, ou

Eu considero”. Poder‐se‐ia ler também: “Quando contemplo os Teus céus Eu grito ”. O salmista

também podia ter dito: “Quando contemplo os Teus

Depois que Davi disse: “Quando contemplo os Teus céus, obra dos Teus dedos, / A lua e as estrelas que formaste”, há a necessidade de um “selá”, uma pausa. Temos que parar aqui

para um descanso a fim de considerar o que dizer. Quando contemplo os céus, as obras dos dedos de Deus, a lua e as estrelas, tenho que dizer e tenho que perguntar e tenho que descobrir “que é o homem?” Tenho que dizer isto; tenho que perguntar isto. Tenho que descobrir o que o homem é, pois que Deus se lembra dele e o visita.

“Contudo,

pouco menor o fizeste do que os anjos”. Hoje, entendemos que isto é a encarnação. Como Deus nos visitou? Ele nos visitou ao ser encarnado. Ele vestiu a humanidade e se tornou um homem para ser um pouco menor que os anjos. Este é a maneira pela qual Deus nos visitou. Ele também foi coroado com glória e honra (v. 5b). Glória se refere à Sua ressurreição, implicando Sua morte. Sem a morte, Ele não poderia ter entrado na ressurreição. Ser coroado com glória é ser glorificado. Ser coroado com honra implica a ascensão. Portanto, em um versículo, o versículo 5, vemos a encarnação de Cristo, Sua morte todo‐inclusiva implícita, Sua ressurreição para Sua glorificação e Sua ascensão para Ele ser honrado. Deus visitou o homem ao ser encarnado, vivendo nesta terra, morrendo, ressuscitando dentre os mortos e ascendendo aos céus para ser coroado com glória e honra. Portanto, Deus visitou o homem, por meio de uma longa jornada do Seu processo, para se tornar o Espírito que dá vida a fim de alcançar‐nos e entrar em nós. Por fim, Ele foi consumado como o espírito que

?”

céus Eu choro”. Isto é muito significativo.

Por que maneira Deus visitou o homem? A resposta vem no versículo 5a

43

Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

dá vida. O Encarnado é agora o Espírito que dá vida. É Este que pode produzir os pequeninos e

as crianças de peito. Os pequeninos e as crianças de peito são produzidos mediante a regeneração no estágio inicial. Em seguida, eles continuam a ser produzidos, em plenitude, mediante sua san‐ tificação, renovação e transformação. Por meio da transformação, eles são aperfeiçoados no louvar ao Senhor. Esta é a restauração e a vitória do Senhor. Deus vence Seu inimigo mediante esses pequeninos e crianças de peito. A obra da cristandade é produzir pessoas ativas; eles se esforçam para produzir “gigantes”. Nossa obra é produzir pequeninos e crianças de peito. Os versículos 6‐8 dizem: “Deste‐lhe domínio sobre as obras das Tuas mãos; / Tudo

puseste debaixo dos seus pés: As ovelhas e os bois, todos eles, / Também os animais do campo; / As aves do céu e os peixes do mar, / Tudo o que passa pelas veredas do mar”. Estes versículos se referem ao reino. Todas as coisas serão governadas por Cristo com Seu Corpo, e todas as coisas estarão debaixo dos Seus pés. Isto, verdadeiramente, aperfeiçoa o louvor, completa o louvor, neste salmo. Este pequeno salmo revela muito. Ele fala dos céus, da terra, dos pequeninos e crianças de peito, do homem, das três categorias de inimigos e da encarnação, viver humano, morte, ressurreição, ascensão, volta e reino do Senhor. Nós, cristãos, podemos louvar o Senhor, mas nosso louvor precisa ser aperfeiçoado. Precisamos louvá‐Lo por Seu esplendor acima dos céus e Sua excelência na terra. Então, podemos louvá‐Lo pela Sua encarnação, porquanto Ele veio para nos visitar. Então, devemos continuar a louvá‐Lo por Seu viver humano, por Sua morte, por Sua ressurreição, por Sua ascensão e por Seu reino. Temos que louvá‐Lo com todos esses assuntos. Então, nossos louvores serão aperfeiçoados, completados. Esse louvor é a fortaleza das bocas de pequeninos

e crianças de peito. Tal louvor aperfeiçoado é a consumação final e máxima da obra de

encarnação, viver humano, morte, ressurreição, ascensão e volta do Senhor para governar sobre esta terra. Quando chegamos à mesa do Senhor, paramos todo tipo de falar humano e obra humana.

Paramos nossa obra. Estamos aqui à mesa para fazer tão somente uma coisa

louvá‐Lo. A fim

de louvar, devemos parar nossa obra. Por conseguinte, à mesa do Senhor, todos nós somos verdadeiros pequeninos e crianças de peito. Enquanto estamos aqui sendo parados de todas as nossas obras para louvar o Senhor, os adversários, o inimigo e o vingador são todos destruídos. Isto é uma vergonha para o inimigo de Deus.

Precisamos permanecer na condição e espírito da mesa do Senhor. Nossa vida cristã deve ser como a mesa do Senhor. Quando vamos para casa depois da mesa do Senhor, devemos continuar a louvar o Senhor. Temos que aprender a não fazer muito. Por um lado, não devemos ser preguiçosos. A questão aqui é que devemos parar nossas obras humanas e ser aqueles que simplesmente louvam o Senhor.

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

ESTUDO ­ VIDA DE SALMOS

MENSAGEM SEIS

OS CONCEITOS DE DAVI A RESPEITO DO JUÍZO DE DEUS

SOBRE OS INIMIGOS DE DAVI ENTRE AS NAÇÕES

E

A RESPEITO DA CONDIÇÃO DO HOMEM DIANTE DE DEUS

Leitura Bíblica: Sl 9

14

Temos visto que o arranjo de Salmos foi sob a soberania de Deus. Salmos 1 é, aparente‐

mente, uma excelente iniciação, contudo, na realidade, ele é uma iniciação muito negativa. En‐

7, vemos

novamente o conceito humano de Davi. Em seguida, Salmos 8 declara: “Jeová, Senhor nosso, / Quão majestoso é o Teu nome / Em toda a terra!” Este salmo é o louvor inspirado de Davi da

15 descem, outra vez, para o

conceito humano. Em seguida, a revelação sobe para Salmos 16, onde vemos Cristo como o ho‐

21 estão

abaixo do nível de Salmos 16, contudo não estão muito abaixo de Salmos 3

24 surge para mostrar‐nos Cristo uma vez mais. Salmos 22:1 diz: “Deus

meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Isto foi o que Cristo clamou na cruz (Mt 27:46). Então, em Salmos 23, o Cristo ressurreto torna‐se nosso Pastor (v. 1), e este Apascentador

torna‐se nosso Rei em Salmos 24 (vv. 8‐10). Em 1969, tivemos uma conferência sobre Salmos, e essas mensagens estão no livro intitulado Christ and the Church Revealed and Typified in the Psalms (Cristo e a Igreja Revelados e Tipificados em Salmos). Nesse livro, há um diagrama do

nível espiritual de Salmos 1

da maneira como Salmos foi escrito.

21 (pág. 40). Esse diagrama, copiado abaixo, dá‐nos uma visão

tão, vem Salmos 2 para anular aquilo que foi exaltado em Salmos 1. Em Salmos 3

majestade (excelência) de Cristo. Depois de Salmos 8, Salmos 9

mem‐Deus em Seu viver humano, crucificação, ressurreição e ascensão. Salmos 17

Salmos 22

7e9 15.

Sl 2 Sl 8 Sl 16 Sl 17 21 Sl 3 7 Sl 9 15
Sl 2
Sl 8
Sl 16
Sl 17
21
Sl 3
7
Sl 9
15
Sl 1

Na mensagem a seguir, cobriremos Salmos 15 e 16. Salmos 15:1 pergunta‐nos: “Quem,

Jeová, poderá hospedar‐se na Tua tenda? / Quem poderá morar no Teu santo monte?” A res‐

posta de Davi é

Jesus Cristo. Não há outro. Todos os demais

têm quebrado a lei. Temos visto que Davi exaltava grandemente a lei, porém, por sua falha a respeito de Urias, ele quebrou os cinco últimos mandamentos (Êx 20:13‐17). Ele assassinou, cometeu adultério, furtou ao roubar a esposa de outro, mentiu a Urias e cobiçou a esposa deste

apenas uma pessoa que é perfeita segundo a lei

aquele que é perfeito segundo a lei (vv. 2‐5). Contudo, em todo o universo, há

(2Sm 11).

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

Os cinco últimos mandamentos proibindo assassinato, fornicação, furto, mentira e cobiça foram dados por Deus com a exigência que o homem tivesse as virtudes humanas para expres‐ sar os atributos divinos. Se não houvesse assassinato, fornicação, furto, mentira ou cobiça na raça humana, o reino dos céus estaria, verdadeiramente, nesta terra. Hoje, os jornais, entre‐ mentes, registram todas as coisas más que acontecem na terra dia após dia. A terra está cheia de morte, fornicação, furto, mentira e cobiça. Ninguém é perfeito segundo a lei. Paulo disse no Novo Testamento que nenhuma carne pode ser justificada por Deus baseada na guarda da lei pelo homem (Rm 3:20; Gl 2:16). O Único que pode e guardou a lei é Aquele revelado em Salmos 16. Este é o próprio Deus que se tornou homem e viveu uma vida humana (vv. 1‐8). Em Sua vida humana, Ele guardou a lei perfeita‐ mente. Ele viveu uma vida cheia das virtudes humanas expressando os atributos divinos. Em

seguida, Ele morreu (vv. 9‐10) e foi ressuscitado (vv. 10‐11a). Agora, Ele está em ascensão à direita de Deus (vv. 11b & c). Este é Aquele que pode hospedar‐se no tabernáculo de Deus e ha‐ bitar com Deus em Seu santo monte. Veremos mais acerca de Salmos 15 e 16 na mensagem a seguir.

14. Em Salmos 9, vemos o conceito de Da‐

vi a respeito do juízo de Deus sobre os inimigos de Davi entre as nações. Davi mencionou clara‐ mente que ele tinha muitos inimigos entre as nações. Hoje, todos os países árabes são inimigos de Israel. É lamentável que Israel não tenha ainda se voltado para Deus, porém a Bíblia nos diz que, embora Israel tenha sido reformado como uma nação, eles não tornarão para Deus até que

Cristo retorne (Zc 12:10). Hoje, Israel, da mesma forma que Davi, está cercado por inimigos. Em acréscimo aos inimigos cercando Davi, ele tinha os adversários de dentro, até mesmo de sua casa, de sua família. Seu filho Absalão tornou‐se o adversário líder.

14, Davi fala da condição do homem diante de Deus. É difícil encontrar

outra porção da Bíblia que nos apresente uma figura completa da condição do homem como nesses salmos. Quando Paulo pregou o evangelho em Romanos, ele citou trechos dessa porção da Palavra (Rm 3:10‐12, 14).

Nesta mensagem, queremos cobrir Salmos 9

Em Salmos 10

I. SEGUNDO A LEI DADA POR DEUS AO LADO DA LINHA CENTRAL DE SUA ECONOMIA

O conceito de Davi nesses salmos é segundo a lei dada por Deus ao lado da linha central

de Sua economia. Deus tem uma economia, e, na economia de Deus, há uma linha central. Essa

linha central é Cristo para ser expandido, a fim de ter uma contraparte, isto é, Sua igreja. Por‐ tanto, Cristo e a igreja são a linha central da economia de Deus. Contudo, o conceito de Davi em

14 não estava junto dessa linha. O conceito de Davi era de acordo com a lei, uma

Salmos 9

linha auxiliar que anda paralela à linha central. A lei não é a linha central. É uma linha lateral

que corre junto com a linha central.

II. BASEADOS NO PRINCÍPIO DO BEM E DO MAL O PRINCÍPIO DA ÁRVORE

DO CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL

O conceito de Davi nesses salmos também está baseado no princípio do bem e do mal

o princípio da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2:9). Esses salmos mostram que Davi estava cheio do conhecimento do bem e do mal. Eu até diria que, nesses salmos, o próprio Davi era a árvore do conhecimento do bem e do mal. Agora, gostaria que considerássemos que tipo de “árvore” somos. Todos nós devemos ser capazes de declarar que somos a árvore da vi‐ da. Não devemos ser aqueles que ministram o bem e o mal aos outros. Ao invés, devemos sem‐

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Estudo-vida de Salmos. Tradução não autorizada

pre ministrar Cristo como vida. Desde que comecei a ministrar nos Estados Unidos em 1962, todas as minhas mensagens têm estado no princípio da árvore da vida.

III. A RESPEITO DO JUÍZO DE DEUS SOBRE OS INIMIGOS DE DAVI ENTRE AS NAÇÕES

Salmos 9 revela o conceito de Davi a respeito do juízo de Deus sobre os inimigos de Davi entre todas as nações.

A. Deus Se Senta

no Trono como Rei para Julgar o Mundo Retamente e com Equidade

Davi disse que Deus se senta no trono como Rei para julgar o mundo retamente e com equidade (Sl 9:4, 7‐8). Podemos sentir que esta palavra é boa, contudo, precisamos considerá‐ la à luz do Novo Testamento. No Novo Testamento, é‐nos dito que Cristo é o Rei, até mesmo o Soberano de todos os reis (Ap 1:5; 19:16), sentado no trono não para julgar, mas para salvar. Hoje, temos um Rei que salva. Atos 5:31 diz que Deus exaltou Cristo à Sua destra para que Ele seja o Líder e o Salvador. O pensamento de Davi é que seu Deus é o Rei no trono para julgar não para salvar o mundo em misericórdia e graça, mas para julgar o mundo retamente e com equidade. Com equidade significa simplesmente com justiça. O mundo inteiro não é reto nem justo, portanto, Davi tinha um bom conceito que Aquele que está sentado no trono julga reta‐ mente e com justiça. Todavia esse conceito é segundo a lei e segundo a árvore do conhecimento do bem e do mal.

B. Deus Repreende as Nações, Destrói o Iníquo e Arrasa Suas Cidades

Davi disse que Deus repreendeu as nações, destruiu o iníquo e arrasou suas Cidades (Sl

9:5‐6).

C. Deus Sustenta

o Direito de Davi e Sua Causa

Davi também disse que Deus sustentou seu direito e sua causa e destruiu seus inimigos (Sl 9:3‐4a). Isto significa que Deus não era bom para o mundo, porém Deus era muito bom para Davi. O pensamento de Davi era que seu Juiz nos céus sustentava sua causa e destruía seus ini‐ migos. Isto não é segundo o conceito divino do Novo Testamento.

D. Por Isso, Davi Graças a Deus e Manifesta Todas as Maravilhas e Todos os Louvores de Deus

Por isso, Davi deu graças a Deus e manifestou todas as maravilhas e todos os louvores de Deus (Sl 9:1, 14a). Maravilhas são feitos maravilhosos e louvores, aqui, significam virtudes. Vis‐ to que Davi pensava que Deus sustentava seu direito e sua causa, destruindo todos os seus ini‐ migos, ele teve que agradecer a Deus e manifestar todos os Seus feitos e virtudes maravilhosos.

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E. Deus É um Alto Refúgio para o Oprimido

Davi disse que Deus é um alto refúgio para o oprimido, não abandona Seus buscadores, é o Vingador do sangue e não esquece o clamor dos aflitos (Sl 9:9, 10b, 12). Se Deus é o Vingador do sangue, Davi não devia ter se esquecido de Urias, que foi assassinado por ele segundo sua conspiração.

F. Davi Aconselha Outros a Pôr Sua Confiança em Deus

Davi aconselhou outros a pôr sua confiança em Deus, cantar salmos a Ele, declarar Seus

feitos entre os povos e exultar na salvação de Deus (Sl 9:10‐11, 14). Em um sentido, o que Davi

escreveu em Salmos 9 to” de Davi.

14 não é segundo o Antigo ou o Novo Testamento. Este é o “testamen‐

G. As Nações Se Afundam na Cova que Abriram

Davi disse que as nações se afundam na cova que abriram; seu próprio pé ficou preso na rede que ocultaram; o iníquo está enlaçado nas obras das suas mãos; e todas as nações que se esquecem de Deus hão de voltar para o Sheol (Sl 9:15‐17). Parece que esses já estavam no Sheol, no Hades. Agora, Davi orou para que Deus os enviasse de volta e não os deixasse fora do Sheol. Que tipo de oração é esta? Isto é o Novo Testamento? Isto é, novamente, o “testamento” de Davi.

H. O Necessitado Não Será Esquecido Para Sempre

Davi disse também que o necessitado não será esquecido para sempre por Deus, nem a esperança do aflito se frustrará perpetuamente (Sl 9:18).

I. Davi Pede a Deus para Olhar para Sua Aflição e Não Deixar o Mortal Prevalecer

Davi pediu a Deus para olhar para sua aflição e não deixar o mortal prevalecer, e fazer as nações saberem que não passam de mortais (Sl 9:13a, 19, 20b). Foi como se Davi dissesse:

“Deus, Tu tens que dizer às nações que elas são homens mortais. Visto que são mortais, não po‐ dem prevalecer contra mim, porquanto estou sob Teu cuidado; portanto, olha para minha afli‐ ção”. Contudo, o que dizer dos pecados de Davi? Sua esposa naquela época era, na verdade, a esposa de alguém que ele matara. Mil anos depois, quando Mateus escreveu a genealogia de Cristo, ele disse: “Davi gerou Salomão da que fora mulher de Urias” (1:6). Davi, um homem se‐ gundo o coração de Deus (1Sm 13:14; At 13:22), fez o que era reto perante o Senhor em todos os dias da sua vida, senão no caso desse mal (1Rs 15:5).

IV. A RESPEITO DA CONDIÇÃO DO HOMEM DIANTE DE DEUS

Salmos 10 ante de Deus.

14 mostram‐nos o conceito de Davi a respeito da condição do homem di‐

A. Davi Desafia Deus

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Davi desafiou Deus, dizendo: “Por que, ó Jeová, Te conservas afastado? / Por que Te escondes em tempos de extremidade?” Davi orou, mas Deus não respondeu plenamente con‐ forme o que ele orou, de modo que o chateou. Foi como se Davi perguntasse a Deus: “Por que Te escondes quando preciso de Ti em tempos de aflições? Parece que quanto mais clamo a Ti, mais desapareces”.

B. O Pecado do Iníquo contra as Pessoas e a Arrogância para com Deus

Em Salmos 10:2‐11, Davi descreve o pecado do iníquo contra as pessoas e a arrogância para com Deus. O iníquo pensa que Deus não existe, portanto, ele pode fazer o que o que quiser (v. 4). Os versículos 2‐11 descrevem a condição do homem. Na realidade, Davi está acusando toda a humanidade nesses versículos.

C. A Petição de Davi a Deus

Salmos 10:12‐15 é a petição de Davi a Deus. Depois que apresentou a condição do ho‐ mem, ele pediu a Deus para vir e julgar o iníquo.

D. O Louvor de Davi a Deus

Salmos 10:14b e 16‐18 são o louvor de Davi a Deus. O conteúdo desse louvor, entre‐ mentes, é inteiramente negativo. Ele disse: “Jeová é Rei para todo o sempre: / Da Sua terra são exterminadas as nações” (V. 16). Ele não louvou a Deus para as nações serem salvas pela graça de Deus, mas para as nações perecerem. Segundo a revelação do Novo Testamento, Deus não gosta disso.

E. Deus Está em Seu Santo Templo, Seu Trono Está no Céu e Seus Olhos Discernem o Justo e o Iníquo

Em Salmos 11, Davi disse que Deus está em Seu santo templo, Seu trono está no céu e Seus olhos discernem o justo e o iníquo. O versículo 6 diz que Jeová “fará chover laços sobre os iníquos: / Fogo, enxofre e vento abrasador serão o quinhão do seu copo”. Se esse fosse o caso, a terra já teria sido destruída. Não haveria qualquer possibilidade de bilhões de seres humanos viverem nesta terra. O versículo 7 diz: “Pois Jeová é justo; ele ama a justiça; Os retos verão a seu rosto”. Davi disso isto, contudo ele mesmo não era justo. Na realidade, ele estava em trevas sem qualquer sensação de si mesmo. Ele não estava qualificado para dizer isto, porquanto ele assassinou um homem e roubou‐lhe a esposa.

F. A Petição de Davi e a Prontidão de Jeová em Lidar com Os Iníquos em Sua Língua e Lábios

Em Salmos 12, vemos a petição de Davi e a prontidão de Jeová em lidar com os iníquos em sua língua e lábios. No versículo 2a, Davi disse: “Cada um fala com falsidade ao seu próxi‐ mo”. Contudo Davi não foi diferente; ele também falou falsidade. Como um todo, seu conceito era inteiramente baseado em e envolvido com a lei, e com o bem e o mal.

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G. Davi se Aconselha com Deus Para que Ele Vença Seu Inimigo

Salmos 13 mostra que Davi se aconselhou com Deus para que ele vencesse seu inimigo. Hoje, na era do Novo Testamento, poderíamos ir a Deus e pedir‐Lhe para destruir nossos inimi‐ gos, aqueles que odiamos? Não podemos fazer isto, pois o Novo Testamento nos diz para amar nossos inimigos e orar por aqueles que nos perseguem (Mt 5:44; Rm 12:14, 20). Em Salmos 13:3, Davi disse: “Considera e responde‐me, Jeová, Deus meu. / Alumia os meus olhos para que não durma eu o sono da morte”. Davi estava com medo de morrer enquanto estava dormindo. Ele estava com medo de dormir o sono da morte.

H. O Tratamento de Deus com o Insensato Corrupto e Sua Salvação para Seu Povo

Em Salmos 14, vemos o conceito de Davi a respeito do tratamento de Deus com o insen‐ sato corrupto e Sua salvação para Seu povo. O versículo 3 diz: “Todos se desviaram, / Juntamente se fizeram imundos: / Não há quem faça o bem, / Não há nem sequer um”. Esta pa‐

lavra é citada por Paulo em Romanos 3:12. O último versículo de Salmos 14 é uma boa profecia

“Oxalá que a salvação de Israel tivesse já vindo

a respeito do retorno de Israel do cativeiro

de Sião! / Quando Jeová puser termo ao cativeiro do seu povo, / Regozije‐se Jacó e alegre‐se

Israel”.

14 mostram‐nos um homem que era, supostamente, muito piedoso, contudo

seu pensamento, seu conceito, estava inteiramente involucrado com a lei e com a árvore do co‐

nhecimento do bem e do mal. Esses salmos são o pensamento de Davi a respeito de seu bem‐

7. Nada neles está re‐

estar. Em princípio, esses seis salmos são a mesma coisa que Salmos 3

lacionado com a economia de Deus, o interesse de Deus, o reino de Deus ou com o plano de Deus. Porém, tudo diz respeito ao benefício pessoal de Davi, seu interesse pessoal, segurança pessoal e paz pessoal. Você pensa que isto deve ser um modelo para nós? Seguramente, não deve ser. Temos que ficar na linha da árvore da vida, a linha abrangida em Salmos 2 e 8. Creio que esse estudo da Palavra, segundo os princípios da revelação divina, ajudará to‐ dos nós a entender a Bíblia Sagrada. A Bíblia Sagrada é o escrito de Deus. Quando a lemos, não devemos entendê‐la segundo nosso modo ou conceito. Uma pessoa pode ser muito erudita e instruída e, contudo, não receber nada da revelação divina da Bíblia. Isto ocorre porque ela entende a Bíblia, interpreta‐a, aprecia‐a e a ensina conforme seu entendimento natural.

Na restauração do Senhor entre nós, nos últimos setenta anos, desde o tempo do irmão Watchman Nee, a interpretação adequada da Bíblia sempre tem sido preservada nos princípios da Bíblia. As pessoas podem nos criticar, mas ninguém pode nos acusar de dizer nada contra os

princípios da Palavra. Por isso, estou feliz de ter este estudo‐vida para nos mostrar a diferença

7 e Salmos 8. Agora, temos conside‐

rado Salmos 9

entre Salmos 1 e Salmos 2, e a diferença entre Salmos 3

14. Baseados naquilo que temos visto segundo os princípios da Bíblia, não

existe qualquer ponto nesses seis salmos que esteja no padrão da revelação divina. Hoje, no princípio do Novo Testamento, Deus tem, verdadeiramente, um trono, e está sentado nele. Todavia, o trono, hoje, é chamado o trono da graça (Hb 4:16). Ademais, da eter‐ nidade passada à eternidade futura, o plano de Deus é amar o mundo. João 3:16 diz: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que crê para den‐

tro Dele não pereça, mas tenha a vida eterna”. O mundo em João 3:16 denota a raça humana caída. Deus amou a raça humana caída, portanto, Ele deu Seu Filho unigênito para vir morrer por nós, para que não pereçamos, mas tenhamos a vida eterna mediante nosso crer para dentro Dele. O princípio básico do Novo Testamento é que Deus ama a humanidade caída. Se

Salmos 9

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não fosse assim, nenhum de nós poderia ter sido salvo. Todos nós fomos salvos baseados no princípio que Deus ama a raça humana. Ainda que nós, a raça humana, sejamos caídos e te‐ nhamos nos tornado o mundo, Deus nos ama. Por conseguinte, o trono de Deus hoje não é um trono do Rei de autoridade. Seu trono hoje é o trono de um Salvador amoroso. Esse trono de autoridade tornou‐se, hoje, o trono da graça. A cada dia, e mesmo a cada momento, podemos nos aproximar desse trono da graça para que possamos receber misericórdia e achar graça para socorro em ocasião oportuna (Hb 4:16). Esta é a dispensação da graça estabelecida por Deus hoje. O Antigo Testamento é a dispensação da lei, mas até mesmo esse fala da misericórdia de Deus. Em Oseias 6:6, Deus disse: “Pois misericórdia quero, e não sacrifício”. O Senhor Jesus citou essa palavra em Mateus 9:13. Deus ama a misericórdia porque Ele é um Deus de misericórdia, um Deus de compaixões. Deus dese‐ ja ver as pessoas favorecidas com Sua misericórdia, não julgadas por Sua justiça. Isto é um princípio na Bíblia. Quando interpretamos ou ensinamos a Bíblia, precisamos tomar cuidado com os princípios governantes.

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