“Carolina e o Rouxinol”

Giovanna Artigiani
O telefone toca, e meu neto, rápido como um raio, sai do meu colo, precipita-se sobre o aparelho e
sentencia:
- Vovó, é pra você.
Atendo distraidamente, e há uma voz séria do outro lado.
- Dona Carolina?
- Sim.
- Meu nome é André, sou filho do Sr. Alberto. A senhora se lembra dele?
- Como poderia esquecer? - pergunto sorrindo.
Ele riu, nervoso.
- Por que está me ligando?
- Bem, é uma longa história. A senhora tem tempo pra falar comigo agora ou prefere que eu ligue mais
tarde?
- Posso te ouvir agora.
- Bem, Alberto, meu pai, está com uma doença grave e por isso está internado. Essa doença faz com que
ele não se lembre de muita coisa do presente e tenha dificuldade para fazer coisas simples. Mas o passado
está intacto em sua memória. Para a senhora ter uma ideia, ele não se lembra de nós, os filhos, nem dos
netos. Ele diz ter vinte e poucos anos de idade, e pergunta a razão de sua namorada, a senhora Dona Carolina,
não vir lhe ver...
Carolina suspirou nesse momento.
- O médico nos disse, Dona Carolina, que não há mais muito tempo... Ele já tem idade, e com essa
doença...
- Entendo... Eu realmente sinto muito que ele esteja nessa situação. Tantos anos sem ter notícias, e
agora... Mas me diga, meu filho, o que acha que eu posso fazer?
- Não posso exigir nada da senhora, mas gostaria muito que viesse fazer uma visita ao meu pai. Acho que
isso poderia deixá-lo mais animado, e quem sabe poderia fazer com que ele morresse mais feliz.
- É uma grande coisa que me pede... Meu coração já tem idade também, meu filho, já não pode se
emocionar muito...
- Significaria muito pra ele, Dona Carolina.
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- Desculpe perguntar, meu filho, mas o que sua mãe acha disso? Dessa minha visita?
- Ela já se foi, Dona Carolina, já faz muito tempo.
- E onde ele está internado?
- É aqui mesmo no Rio de Janeiro, um pouco retirado da cidade. Estou disposto a buscá-la em São Paulo.
- Você sabe como são os velhos, meu filho... Eu não decido nada rapidamente, preciso pensar um pouco.
Você poderia me dar o número do seu telefone? Eu te ligo em breve e digo o que posso fazer.
Ele concordou.
Você sabe como é a vida de uma mulher com muita idade? Vou lhe dizer... É uma rotina de detalhes: as
plantas, os netos, a comida... Não há mais grandes emoções com que palpitar o coração, não há mais grandes
decisões para serem tomadas, você já sabe exatamente o que fez com a sua vida, é outono, e a chegada
próxima do inverno faz com que os dias sejam especiais, por serem os últimos tempos.
O cenário da minha vida naquele momento era o seguinte: meu marido permanecia comigo, um luxo
que não acompanha a maior parte das senhoras da minha idade... Eu tinha três filhos, todos me deram lindos
netos e noras. Passava a semana entre passeios matinais e vespertinos, lia livros, fazia doces para as crianças.
Era isso.
Passei então alguns dias pensando naquele convite. Meu marido, profundo conhecedor da minha alma,
percebendo minha inquietude, perguntou-me o que havia. Eu demorei um pouco para responder e lhe disse
que estava pensando em fazer uma viagem sozinha, para rever um grande amigo que estava doente.
Ele se ofereceu para me acompanhar, é claro. Aposentados... Tudo o que querem é um motivo em
torno do qual organizar os dias... Pedi que se sentasse e que não fizesse perguntas, e expliquei-lhe docemente:
- Meu querido, estamos casados faz muito tempo.... Desejo muito fazer essa viagem sozinha. Quero
pegar o avião aqui em São Paulo e ir até o Rio de Janeiro, passar lá o fim de semana e voltar. É só isso.
Ele concordou, não me fez perguntas.
Liguei então ao Sr. André, devia lhe tratar por senhor, afinal, deveria ter bem seus quarenta anos. Ele
respondeu sorridente do outro lado da linha:
- Bom noite, Dona Carolina. Que bom que ligou. Espero que as notícias sejam boas.
- Como está seu pai, meu filho?
- Não há novidades no momento. Mas me diga: a senhora virá?
- Sim, eu irei. Penso em pegar um avião aqui no sábado pela manhã. O senhor poderia, por favor, me
esperar no aeroporto?
- Mas é claro! Já neste fim de semana?

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- Veja, meu filho, para mim, todos os fins de semana são iguais.... Se o senhor puder, por mim pode ser
neste fim de semana mesmo.
- A senhora virá sozinha?
- Sim. Como voltarei no domingo, gostaria que o senhor reservasse um hotel, próximo ao hospital, para
que eu possa visitar o Alberto também no domingo antes de retornar.
- Não se preocupe com isso.
- Vou fazer as reservas das passagens aéreas, o senhor pode me ligar amanhã para combinarmos os
horários?
Ele me ligou no dia seguinte e combinamos tudo.
Faltavam ainda três dias para a viagem, e me ocupei em prepará-la. Separei as roupas, deixei tudo
pronto em casa. Fui ao cabeleireiro.
Cheguei ao Rio de Janeiro às nove horas da manhã. Ao descer do avião, notei um senhor alinhado que
me sorria. Esperei que ele se aproximasse de mim.
- Dona Carolina?
- Sim, meu filho - respondi sorrindo.
Ele me estendeu a mão, que eu afastei gentilmente para abraçá-lo.
- Estou feliz que esteja aqui. Temos ainda uma pequena viagem pra fazer. São duas horas até o hospital.
- É bom assim, pelo menos teremos tempo de conversar um pouco.
A pequena viagem foi emocionante para mim. O filho de Alberto me fez relembrar vários momentos
felizes de minha vida, ao me contar, com a minuciosidade que herdou do pai, todas as histórias que ele lhe
contou a meu respeito. Ele dizia que aquela doença do pai estava modificando muito sua própria vida, uma
vez que o pai passou toda a vida dele sem tocar no meu nome e agora lhe fazia confidências que não se faz a
um filho. Como o pai não o reconhecia como filho, o tomava como um amigo e se sentia à vontade para lhe
contar nossas histórias.
Ele se perguntava como, em todos aqueles anos, não tinha sido capaz de reconhecer que havia um
homem nos olhos de seu pai. Um homem que amou perdidamente, que viveu uma paixão. Via no seu pai uma
figura austera, justa, muito respeitável, como convém a um pai. E agora, com essa doença, aquele jovem
impetuoso se mostrava, e seus olhos brilhavam como ele nunca havia visto.
André me disse que pensava que o casamento de seus pais era uma relação estável e comum. Nunca
percebeu neles momentos de intensa paixão. Ele se perguntava se isso era real ou se eram os seus olhos de
filho que o impediam de vê-los como homem e mulher.

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A doença do pai o fez repensar muitas coisas em sua vida, no rumo que estava dando a ela. Pensava
que, se um dia fosse acometido pelo mesmo mal, de que paixões falaria...
Eu permaneci calada durante grande parte da viagem, encantada por ouvir as confissões que aquele
senhor me fazia, em meio aos relatos das memórias do pai. Alberto havia lhe contado sobre nossos poéticos
encontros secretos na biblioteca, que eram inicialmente tão inocentes e se tornaram pouco a pouco
imprescindíveis, sensuais, maravilhosos. Ele disse que todas aquelas histórias tinham nutrido nele um imenso
desejo de me conhecer, e que agora estava em minha frente, achava estranho que uma senhora como eu
tivesse vivido aqueles momentos poucos comuns à época.
Ao me perceber visivelmente corada e sem jeito, perguntou-me se eu havia contado a alguém sobre
aquelas histórias.
- Ah, meu filho... Nunca falei a ninguém. A quem poderia eu falar? Você nem pode imaginar que tempos
eram aqueles, o quanto eu fui maldita por toda a minha família e pela de Alberto também. Mas, como você
sabe, tudo aquilo acabou quando me mandaram para a casa de meus tios em São Paulo, separando assim dois
jovens amantes de diferentes posições sociais. Você não pode imaginar o quanto eu sofri... Você deve saber
que eu era “a filha da empregada” e ele um predestinado a estudar e fazer um casamento glamouroso, que
somasse pontos de riquezas e status à sua família tradicional. Nossas famílias nos separaram de comum
acordo, antes que houvesse um filho bastardo qualquer atrapalhando os planos de futuro... deles.
Sentia muito o fato de não ter tido uma filha. Será que com ela eu poderia falar dessas coisas? Será que
eu a entenderia ao vê-la apaixonar-se e viver momentos que eu vivi?
Vendo que estávamos chegando, propôs um almoço antes de irmos ao hospital, assim poderíamos
passar a tarde toda lá.
Durante o almoço, ele me precaveu sobre o que veria. Alberto era agora um homem idoso. Estava muito
inquieto, tinha dificuldade em parar sentado, andava de um lugar a outro sem objetivo. Alberto perguntava a
todos sobre Carolina, perguntava quem a conhecia, fazia descrições dela e contava a todos suas histórias. Ele
não reconhecia André nem os outros filhos. Mas André tinha certeza de que ele me reconheceria.
Não pude almoçar direito. Será que alguém neste universo poderia entender o que se passava no meu
peito? Não via Alberto havia uns cinquenta anos...
- André?
- Sim, Dona Carolina.
- Quero lhe contar algo, embora imagine que já saiba. Nunca tive ninguém a quem contar isso e quero
dizer com todas as palavras. Me fiz mulher nos braços de seu pai, e nunca uma mulher será capaz de esquecer

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que cheiro tem, que nome tem, que sonhos tem, qual é o tom da voz do homem nos braços de quem ela se
fez mulher.
Seus olhos se encheram de lágrimas e me disse.
- Espero, com todo o meu coração, que algum dia alguém possa falar assim de mim. A senhora é mesmo
linda, dona Carolina, linda exatamente como diz meu pai.
Chegamos ao hospital, eu tinha as mãos geladas e o coração disparado.
O hospital ficava em um vale tranquilo, com muito verde em volta. André parou o carro um pouco
distante do prédio central.
André me ofereceu seu braço e fomos caminhando até o prédio. No caminho, André cumprimentava as
enfermeiras e doentes e dizia a todos:
- Boa tarde! Vejam quem eu trouxe para visitar meu pai! Ela é Carolina!
E todos respondiam sorridentes: “Hoje é um grande dia para o Sr. Alberto”, ou “É um prazer conhecêla!”, ou “ Que bom que veio ver o Seu Alberto” ou ainda “Parece mentira que você existe mesmo!” Eu
respondia a todos com um sorriso apreensivo.
Sem perceber, as pessoas iam tomando o mesmo rumo que nós. Todos afoitos por presenciar o grande
encontro de Alberto e Carolina. Mas não notei nada disso, meus olhos buscavam pelo quarto 1.002, nada
mais.
Chegamos ao quarto. André entrou primeiro e disse ao pai:
- Boa tarde, Seu Alberto, como vai o senhor?
- Vou como sempre, esperando por Carolina, você a viu lá fora?
- Seu Alberto, somos muito amigos e eu gosto muito do senhor, por isso lhe trouxe um presente. Uma
grande surpresa.
André caminhou até a porta e me conduziu pela mão até próximo à cadeira onde um Alberto velho,
magro e de pijamas estava sentado.
- Esta é Carolina, ela veio de São Paulo só para te ver.
Uma comitiva invadia o quarto lentamente.
Alberto se levantou, visivelmente transtornado, olhou-me nos olhos e disse enfurecido:
- Vocês pensam que eu sou tolo! Essa mulher não é Carolina! O que pensa que está fazendo, rapaz?!
Traz-me essa velha feia e diz que é Carolina! O que é isso? A minha Carolina é linda, tem os olhos mais
brilhantes do mundo, tem os cabelos compridos e pretos, a pele branca e aveludada... E você me traz essa
mulher cheia de rugas... Uma velha! Minha Carolina nem tem vinte anos!

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Não disse, não pude dizer nada. Levei a mão à boca e chorei sentida, aquelas palavras me doeram no
fundo da alma. Ele não pôde reconhecer em meus olhos o brilho que despertara tantos anos antes.
E ele continuou:
- Vocês querem me enlouquecer! Onde está a minha Carolina? Se ela soubesse disso ficaria furiosa!
Quando ela virá para me tirar daqui? Seus loucos! Não sabem a diferença entre uma velha e uma moça!
Constrangidos, todos que estavam no quarto se retiraram, muito decepcionados.... Ainda que menos
decepcionados que eu. Tomei forças e lhe disse:
- O senhor me desculpe, Seu Alberto. Meu nome também é Carolina, mas não sou a sua Carolina, eu
acho que errei de quarto. Desculpe tê-lo incomodado. Se eu achar a sua Carolina lá fora, digo que o senhor
quer vê-la.
Ele deu de ombros e se virou para a parede.
André estava entre envergonhado e raivoso. Como o pai poderia ter feito um papel desses? Ofenderme dessa maneira? Pegou-me pelo braço e disse para irmos.
Saímos do quarto e fechamos a porta. André me abraçou forte e pedindo-me milhares de desculpas
esperou que eu chorasse bastante.
- Em minutos ele não se lembrará de mais nada. É melhor fazermos o mesmo, foi uma má ideia, disse o
filho de Alberto.
Fomos embora, nossa missão falhara.
- André?
- Sim, Dona Carolina.
- Não há culpados pelo que aconteceu, não há nada a se dizer também. Deixe-me no hotel por favor,
amanhã é um outro dia, eu vou embora e esquecemos tudo o que houve.
- A senhora ficará em minha casa, é um grande prazer tê-la conosco. Eu faço absoluta questão.
Na casa de André, conheci sua esposa e seus filhos. “Poderiam ser meus netos”, pensei. Conversamos
longamente até a hora de dormir.
No dia seguinte, levantei-me cedo e perguntei à esposa de André por ele. Ele ainda estava dormindo.
Como não iríamos mais ao hospital, ele iria dormir mais um pouco.
Pedi a ela que o acordasse sem demora, eu desejava ir ao hospital.
- Mas, Dona Carolina, depois do que aconteceu ontem... Não posso concordar, a senhora não deve, ele
vai reagir mal e ofendê-la outra vez!

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- Minha filha... Não há nada que aquele homem possa dizer que possa me ofender. Por favor, acorde
André, eu quero ir ao hospital. Se ele não quiser me levar vou mesmo de táxi. Estou decidida.
André acordou de sobressalto e todos, inclusive as “crianças”, tentaram me fazer desistir. Quando se
deram por vencidos, colocaram a mesa do café e depois pegamos a estrada.
Me arrumei como no dia anterior.
Chegando ao hospital, todos me olhavam mais espantados que no dia anterior. Não houve comitiva
atrás de mim. Todos envergonhados pelo comportamento de Seu Alberto.
Eu, que ainda era a Carolina impetuosa de sempre, acreditava em meus planos. Com o passo firme, me
dirigi ao apartamento 1.002 de braço dado com André.
Abrimos a porta e fui logo me apresentando:
- Sr. Alberto? Bom dia. Eu sou Dona Áurea, avó de Carolina. O senhor se lembra de mim?
- Avó de Carolina? Não me lembro... Onde está Carolina?
- O senhor sabe que os pais de vocês não aprovam esse namoro, eles a mandaram para morar com os
tios em São Paulo. Ela não queria ir, Seu Alberto.
- Sim, eu sei. Mas ela não vem me ver?
- Eles não a deixam sair de São Paulo. Mas ela lhe mandou uma carta.
Coloquei as mãos trêmulas na bolsa e retirei uma carta que escrevi na madrugada anterior. Estendi-lhe
a carta, endereçada ao “Meu Rouxinol”.
Alberto olhou a carta e ao ver o nome no envelope não teve dúvidas, apertou-a contra o peito dizendo:
- Sim! É de minha Carolina!
Abriu a carta no mesmo momento e a leu. A carta breve falava de amor e tinha junto uma foto,
amarelada é verdade, minha, aos vinte anos. Eu tinha trazido algumas fotos da época na bolsa.
Alberto se encheu de emoção, olhou-me nos olhos e disse:
- Obrigado! Esta carta! Sabe, seus olhos tão parecidos... Carolina... E a voz...
Conversamos um longo tempo, e tive de repetir muitas vezes quem eu era e o que fazia ali. Almoçamos
juntos no refeitório do hospital e pude ver todas as dificuldades que afetavam Alberto. Pude me sentar ao seu
lado e lhe olhar nos olhos com ternura.
Todos nos olhavam e sorriam. Todo o hospital já sabia da doce mentira que eu encenava. Todos
aprovavam e André dizia vez por outra:
- Só a senhora mesmo, Dona Áurea!
Eu deveria partir para não correr o risco de perder o avião que me levaria de volta ao meu mundo. Fui
com Alberto ao seu quarto me despedir dele. Ele não se conformava em estar ali.

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Prometi a ele que Carolina lhe ligaria todos os dias, mas que não poderia vir por enquanto; porém, logo
que fosse possível eu os ajudaria a arranjar um encontro.
Ele pegou minhas mãos e disse:
- Ela será sempre minha amada. Eu já comprei até esse anel...
Não me contive!
- Mas que anel, Seu Alberto? Onde está?
- Mesmo aqui, de noivado, Dona... desculpe, esqueci de novo o nome da senhora...
Ele me estendeu um anel antigo, gravado com os nomes de Carolina e Alberto dentro, frente ao qual
não resisti em dizer:
- Olha, Seu Alberto, o senhor bem sabe o quanto Carolina é bonita, e agora sozinha em São Paulo... Não
sei, mas eu acho melhor que o senhor me dê esse anel para levar pra ela. Assim, ela vê que suas intenções são
sérias e espera pelo senhor. O que acha?
- Claro! Leve o anel. E insista para que ela o use...
Beijei-o docemente. E lhe prometi que Carolina não falharia um dia sequer em lhe telefonar, por toda a
sua vida.
A caminho do aeroporto, André era só sorrisos... Dizia: “Mas a senhora, hein, Dona Áurea...”,
relembrando minhas encenações. E disse que eu era mesmo uma mulher especial. Despediu-se de mim com
um longo abraço e um beijo em minha mão esquerda, que tinha agora um anel de noivado.
Desde então, eu liguei todos os dias para Alberto “Meu Rouxinol”, que atendia a sua doce Carolina com
palavras de paixão. Eu dizia sempre a ele:
- Querido, hoje não vou poder ir lhe ver. Mas amanhã eu vou sem falta. Pode me esperar.
Todos os dias eu ligava e todos os dias ele se esquecia.
André me ligava vez por outra e passou a me chamar apenas de Dona Áurea, numa brincadeira secreta
que só nós podíamos entender. Ele me contava que Alberto falava a todos no hospital sobre meus
telefonemas, e como esses telefonemas lhe traziam às vezes alguns minutos inteiros de alegria... Era o tempo
que ele levava para esquecer completamente deles. Todos no hospital sorriam com nossas histórias do
passado e com as alegrias que lhe dei, durante toda a sua vida.
* Terceiro lugar no 22° Concurso de Contos Paulo Leminski – Publicado na 5° Coletânea de contos Paulo Leminski.

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