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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

(UFS)

RELATÓRIO DE
BIOQUÍMICA
(Preparo e avaliação de um Sistema
Tamponante)
[ÁCIDO CÍTRICO/CITRATO DE SÓDIO]

 Curso: Farmácia

 Turma: C1

 Prof.º Dr. Humberto Reis Matos

 Alunos: Felipe Pimentel e Thiago


Henrique
São Cristóvão, 2010
•Introdução
Um sistema tamponante é constituído de uma mistura
entre um ácido fraco e sua base conjugada ou de uma base
fraca e seu ácido conjugado, essas espécies juntas resistem a
variações no pH. Essa resistência é resultado do equilíbrio
entre as espécies participantes da solução, ou seja, se íons H⁺
ou OH - forem adicionados, eles são absorvidos
“parcialmente”pelo sistema.
Os tampões têm um papel importante em processos
químicos e biológicos, nos quais é essencial a manutenção do
pH, já que muitos processos industriais e fisiológicos requerem
um pH fixo para que determinada função seja desempenhada.
Em muitas soluções, inclusive nas presentes no nosso
corpo, o pH deve ser mantido em determinada faixa de
valores. Por exemplo: o nosso sangue deve apresentar pH
entre 7,3 e 7,5. Se o pH sanguíneo variar acima ou abaixo
dessa faixa, essa variação, mesmo sendo pequena, poderá
causar sérios distúrbios ao organismo ou até mesmo leva-lo à
morte.

O nosso sangue apresenta três soluções tamponantes:

1. H 2 CO 3 /HCO 3 - ;
2. H 2 PO 4 - /HPO 4 2- ;
3. Algumas proteínas.

Em nível de compreensão inicial vamos estudar um dos


tampões encontrados no sangue, formado por ácido carbônico
(H 2 CO 3 ) e bicarbonato de sódio (NaHCO 3 ). A ação do tampão
está relacionada aos equilíbrios existentes na solução.
Observe:

H 2 CO 3 H + + HCO 3 -
(ÁCIDO)

NaHCO 3 Na + + HCO 3 - (SAL)


Nessa solução, temos, simultaneamente, alta
concentração de H 2 CO 3 e HCO 3 proveniente da dissociação do
-

ácido.
Mostraremos a seguir como a solução-tampão consegue
controlar o pH quando sofre adição de pequenas quantidades
de ácido ou de base.

• Adição de ácido: Suponha que certa quantidade


de íons H + tenha sido introduzida no sangue. Esses íons irão
se combinar com o ânion HCO 3 - proveniente do ácido e,
principalmente, do sal, originando ácido carbônico (H 2 CO 3 )
não-ionizado.
• Adição de base: Suponha agora que certa
quantidade de íons OH - tenha sido introduzida no sangue.
Esses íons irão retirar do equilíbrio do ácido (H 2 CO 3 ), fazendo
com que esse ácido se ionize e produza quantidade de H +
suficiente para neutralizar o OH - introduzido.

Em nenhum dos casos ocorre variações significativas do


pH.
Diferentes soluções tamponantes atuam em diferentes
valores de pH. Para calcularmos o pH desses tampões, a
concentração do sal ou a concentração do ácido, usamos a
equação de Hendersson-Hasselbalch:

OU

Para o sistema tamponante estudado acima, teríamos:

O pH de uma solução-tampão é controlado, primeiramente,


pela força do ácido [Ka] e, num segundo momento, pelas
quantidades relativas do ânion proveniente do sal e do ácido. Essa
equação é válida quando a relação [ânion do sal]/[ácido] for maior
que 0,1 e menor que 10.
A equação de Henderson-Hasselbalch é a equação central dos
sistemas tamponantes, a qual consiste meramente em um
rearranjo da expressão da constante de equilíbrio Ka para a
dissociação de um ácido.
Na farmacologia, pode ser usada para melhorar o coeficiente
de participação óleo/água de fármacos, com ela é possível verificar
o grau de ionização da substância e determinar seu movimento
entre as membranas celulares. Os principais compartimentos
biológicos têm pH definidos, tais como a mucosa intestinal (pH~5),
o plasma sanguíneo como já vimos (pH entre 7,3 e 7,5) e a mucosa
gástrica (pH entre 0,9 e 2,0). Assim sendo, é possível obter
fármacos de comportamento farmacocinético (absorção,
distribuição e excreção), com propriedades melhoradas.
Uma droga ácida, como é o caso do piroxicam {C15H13N3O4S}
(medicamento antiinflamatório não-esteróide, usado para aliviar
sintomas da artrite reumatóide e osteoartrite), tem sua absorção
no trato gastrintestinal sob forma não-ionizada (HA). Já no sangue é
fortemente ionizado, sendo que nos locais de inflamação encontra-
se na forma não-ionizada.
Para termos um entendimento da expressão central dos
sistemas tampões iremos demonstrar a dedução da equação
matemática:

Começamos pela dissociação do ácido:

Isolando [H+] e tomando o logaritmo da expressão resultante,


obtém-se:

Finalmente, usando as definições de pH e pKa , escreve-se:


Se a solução é preparada com uma base fraca B e seu ácido
conjugado, a equação de Henderson-Hasselbalch tem a seguinte
forma:

A primeira equação indica que o pH de uma solução consiste


de um par ácido fraco/base conjugada e pode ser calculado sempre
que soubemos o pKa da forma ácida e a razão entre as
concentrações da base e do ácido conjugado.
A adição de ácido ou base a uma solução tampão interfere
com os seguintes equilíbrios, exemplificados para o caso de um
ácido fraco HA e sua base conjugada A-:

Na prática, quando misturamos as quantidades calculadas de


ácido e de base conjugadas para preparar um tampão, o pH
resultante não é exatamente o esperado. A principal razão dessa
discrepância é que o pH é governado pelas atividades do ácido e da
base conjugada e não por suas concentrações. Por esse motivo,
após preparar o tampão com as quantidades calculadas, em geral
faz-se necessário um pequeno ajuste no pH (pela adição de uma
solução básica ou ácida diluída) para obter o pH desejado.
Para que possamos entender o mecanismo de ação dessas
soluções, vamos considerar o sistema tampão ácido acético e
acetato de sódio. Desde que o sal (acetato de sódio) é um eletrólito
forte, em solução aquosa estará totalmente dissociado:

O ácido acético estará em equilíbrio com seus íons:

A constante de ionização para o ácido acético é dada por:


A ionização do ácido acético é negligenciável frente ao
excesso de sal (efeito do íon comum), assim como é negligenciável
a hidrólise do íon acetato frente ao excesso de ácido acético,
substituindo-se o termo [CH3COO-] (que representa a base
conjugada do ácido) por [Sal]:

Assim, é possível verificar o que acontece com uma solução


tampão, composta por ácido acético e acetato de sódio, quando a
ela for adicionado um ácido ou uma base forte. Mostraremos a
seguir exemplos de cálculos com tampões formados por ácidos e
bases fracas e suas respectivas bases e ácidos conjugados,
aplicando a fórmula de Henderson-Hasselbalch.

Exemplo 1: Descobrir o pH de uma solução tamponante


formada por ácido acético (CH3COOH) 0,1M e acetato de sódio
(CH3COONa) 0,01M.
Dado:
• Ka = 2 x 10-5
• log 2 = 0,3

Exemplo 2: Descobrir o pH de uma solução


formada por hidróxido de amônio (NH4OH) 0,2M e cloreto de
amônio (NH4Cl) 0,02M.
Dado:
• Kb = 2 x 10-5
• log 2 = 0,3
Podemos ter certeza desses valores utilizando um pHmetro
ou medidor eletrônico de pH, que é um aparelho usado para
medição do potencial hidrogeniônico. O aparelho é calibrado
(ajustado) de acordo com os valores referenciados em cada solução
de calibração. Para que se conclua, o ajuste é calibrado em dois ou
mais pontos. Normalmente utiliza-se tampões de pH = 7,000 e pH
= 4,005. Uma vez calibrado estará pronto para uso. A leitura do
aparelho é feita das leituras de milivolts que o eletrodo gera
quando submerso na amostra. Esses milivolts são convertidos para
uma escala de pH. O aparelho faz essa conversão tendo uma
escala usual de pH de 0 a 14.
O método mais avançado e preciso para determinação do pH é
fundamentado na medição da força eletromotriz (f.e.m.) de uma
célula eletroquímica que contém uma solução de pH desconhecido
como eletrólito, e dois eletrodos. Os eletrodos são conectados aos
terminais de um voltímetro eletrônico, a maioria das vezes
denominado, simplesmente, medidor de pH. Quando
convenientemente calibrado com uma solução-tampão de pH
conhecido, pode-se ler diretamente na escala do aparelho o pH da
solução de teste.
E por fim, podemos ter também os indicadores de pH, que
são substâncias orgânicas que possuem a propriedade de mudar a
coloração com a variação do pH do meio. A mudança de coloração
se processa de maneira gradual entre valores definidos da escala
de pH. Uma das causas de erro no uso dos indicadores é o fato da
viragem dos mesmos ser gradual e se dar em um certo intervalo de
pH. Na prática procura-se escolher um indicador de cause o menor
erro possível.

•Objetivos
-Verificar o efeito tamponante pela adição graduada de ácido
clorídrico – HCl - em solução de ácido cítrico - C₆H₈O₇ - /citrato de
sódio - Na₃C₆H₅O₇ -.
-Verificar se a água forma um tampão.
-Analisar os resultados acima obtidos, verificando a resistência
tamponante e comparando com a água.

•Materiais
Reagentes
-10mL de Ácido Cítrico 0,1M - C₆H₈O₇ -.
-10mL de Citrato de Sódio 0,1M - Na₃C₆H₅O₇ -.
-100mL de Ácido Clorídrico 0,1M – HCl -.
-Água destilada

Vidrarias
-Pipetas de 2mL e 5mL graduadas
-Erlenmeyer de 100mL
-Funil
-Bomba de sucção (pêra)
-Béquer de 50mL

•Métodos
*Preparar a solução tampão, em um erlenmeyer, adicionando 10mL
de ácido cítrico a 0,1M e 10mL de citrato de sódio a 0,1M e calcular
o pH. –Tampão Ideal.
*Pipetar quantidades graduais de ácido clorídrico a 0,1M de acordo
com a tabela a seguir, sempre calculando o pH a cada nova adição,
para verificar a resistência do tampão.

+0,5mL de +1,0mL de +1,5mL de +2,0mL de +3,0mL de


HCl HCl HCl HCl HCl

*Preparar 20mL de água destilada em um erlenmeyer e adicionar


0,5mL de ácido clorídrico, posteriormente, calcular o pH e verificar
se há um sistema tamponante.
*Observar os resultados com a adição de ácido na solução e na
água.
*Comparar os resultados deste experimento com o grupo que fez
este processo adicionando base ao invés de ácido.

•Resultados Obtidos e Discussão

Solução de Ácido Cítrico 10mL a 0,1M e


Citrato de Sódio 10mL a 0,1M (TAMPÃO
IDEAL).

*pH inicial da solução = 4,10


Vol. Add. De pH
HCl
+0,5mL 4,1
4
+1,0mL 4,0
8
+1,5mL 4,1
2
+2,0mL 3,9
+3,0mL 3,8
5

Variação do pH
4,2
4,15
4,1
4,05
4
Variação de pH
3,95
3,9
3,85
3,8
0 1 2 3 4 5 6 7

pHs obtidos com o uso de um pHmetro.

O pH inicial da solução foi 4,10. Para haver um tampão


considera-se, na prática, que a região tamponante esteja entre:
3,10 < pH < 5,10, esta é a resistência do tampão que nós temos.
Usamos o pHmetro para calcular todos estes resultados,
considerando a margem de erro dos alunos em relação a
pipetagem e também do eletrodo, o qual estava em água destilada
e que havia muitas pessoas com outras soluções ácidas e básicas
manipulando o mesmo eletrodo e a mesma água sendo trocada vez
ou outra.
Ficamos surpresos logo quando adicionamos 0,5 do HCl, o pH
aumentou. Isso ocorreu devido ao eletrodo ou devido a margem de
erro do pHmetro ou dos alunos. Este pH oscilou até que
adicionamos quantidades relevantes do ácido clorídrico. Então o pH
começou a cair razoavelmente e não drasticamente, confirmando a
nossa tese do tampão ideal.

Cálculos:
Considerando a solução tampão ácido cítrico - citrato de sódio
0,1M(0,1mol em 1L de solução), com pKa = 4,10, obtemos os
seguintes cálculos.
• ADIÇÃO DE ÁCIDO (HCl)

0,1mol------------1000mL
X ------------10mL

X= 0,001M (concentração de ácido e da base conjugada)

pH = pKa + log[B]/[A]
pH = pKa + log[0,001]/[0,001]
pH = 4,10 + 0

pH = 4,10 (pH inicial da solução tampão)


*observa-se aqui o ponto de máxima eficiência
tamponante.

•ADIÇÃO DE 0,5mL de HCl 0,1M

0,1mol------------1000mL
X ------------0,5mL

X= 5,0 x 10̄ ⁵ M
pH = 4,10 + log[0,001 – 5,0. 10̄ ⁵] / [0,001 + 5,0 . 10̄ ⁵]
pH = 4,10 + log[9,5. 10̄̄ ̄⁴] / [10,5. 10 ̄⁴]
pH = 4,10 – 0,04
pH = 4,06

•ADIÇÃO DE 1,0mL de HCl 0,1M

0,1mol-----------1000mL
X ----------1mL X=1,0 x 10 ̄ ⁴ M
pH = 4,10 + log[9,5. 10̄̄ ̄⁴ - 10 ̄ ⁴] / [10,5. 10 ̄⁴ + 10 ̄ ⁴]
pH = 4,10 + log[8,5 . 10 ̄ ⁴] / [11,5 . 10 ̄ ⁴]
pH = 4,10 – 0,13
pH = 3,97

•ADIÇÃO DE 1,5mL de HCl 0,1M

0,1mol---------1000mL
X ---------1,5mL
X = 1,5 x 10 ̄ ⁴ M

pH = 4,10 + log[8,5 . 10 ̄ ⁴ - 1,5 x 10 ̄ ⁴] / [11,5 . 10 ̄ ⁴ + 1,5 x 10 ̄


⁴]
pH = 4,10 + log[7. 10 ̄ ⁴] / [13 . 10 ̄ ⁴]
pH = 4,10 – 0,26
pH = 3,84
•ADIÇÃO DE 2,0mL de HCl 0,1M

0,1mol---------1000mL
X ---------2,0mL
X = 2,0 x 10 ̄ ⁴ M

pH = 4,10 + log[7 . 10 ̄ ⁴ - 2,0 . 10 ̄ ⁴] / [13. 10 ̄ ⁴ + 2,0 . 10 ̄ ⁴]


pH = 4,10 + log[5. 10 ̄ ⁴] / [15. 10 ̄ ⁴]
pH = 4,10 – 0,47
pH = 3,63

•ADIÇÃO DE 3,0mL de HCl 0,1M

0,1mol---------1000mL
X ---------3mL
X = 3. 10 ̄ ⁴ M

pH = 4,10 + log[5. 10 ̄ ⁴ - 3 . 10 ̄ ⁴] / [15 . 10 ̄ ⁴ + 3. 10 ̄ ⁴]


pH = 4,10 + log[2 . 10 ̄ ⁴] / [18 . 10 ̄ ⁴]
pH = 4,10 – 0,95
pH = 3,15

Água destilada
20mL. Variação do pH
8
*pH da água =6,5
6
4
Vol. Ad. de HCl pH pH
2

+0,5mL 3,3 0
pHs obtidos com o uso de um 0 1 2 3
pHmetro.
Para provar que a água não faz um sistema tamponante,
calculamos o pH dela através do pHmetro, o pH foi 6,5. Por
conseguinte, adicionamos 0,5mL de ácido clorídrico a 20mL de
água destilada. Se fosse um tampão, a sua resistência seria 5,5 <
pH água < 7,5, porém o pH caiu bruscamente para 3,3, assim,
confirmando a nossa tese de que a água não forma um tampão.

Solução de Ácido Cítrico 8mL a 0,1M e


Citrato de Sódio12mL a 0,1M (TAMPÃO NÃO-
IDEAL).

*pH inicial da solução= 4,50


Vol. Ad. De pH
NaOH
0,5mL 4,57
1,0mL 4,65
1,5mL 4,82
2,0mL 4,92
3,0mL 5,2

Variação do pH
5,3
5,2
5,1
5
4,9
4,8 Variação de pH
4,7
4,6
4,5
4,4
0 2 4 6 8

pHs obtidos com o uso de um pHmetro.

O pH inicial da solução foi 4,5. Como estipulado no exemplo da


adição de ácido, considera-se um tampão entre 3,5< pH < 5,5. Do
mesmo modo, usamos o pHmetro para calcular os valores da
solução ao adicionar determinada quantidade de NaOH, assim
como consideramos a margem de erro dos alunos e do eletrodo,
ambos justificados no exemplo da adição do ácido.
Diferentemente, neste experimento não obtivemos nenhuma
surpresa, pois a adição da base seguiu corretamente os conceitos
teóricos que por sua vez, aumentou o pH e se tornou cada vez mais
básico, sem variar bruscamente o pH, provando assim ser um
sistema tamponante.

Cálculos:
Considerando a solução tampão ácido cítrico/citrato de sódio
0,1M (0,1mol por 1L de solução), sendo que há 8mL de ácido cítrico
e 12mL de citrato de sódio, temos:

• ADIÇÃO DE BASE (NaOH)

pH = pKa + log [A-] / [HA]


Temos que achar a concentração do tampão e o pKa, pois não é um
tampão ideal.

0,1M. 8 = Ms. 20:. Ms: 0,04 M – ácido


0,1M. 12 = Ms. 20:. Ms: 0,06 M – base

O pH inicial pela prática foi: 4,5

4,5 = pKa + log[0,06] / [0,04]


4,5 = pKa + 0,17
pKa = 4,33

0,04 mol ---------1000mL


X ----------20mL
X= 8. 10 ̄ ⁴ mol (ácido)

0,06 mol -------1000mL


X -------20mL
X= 0,12 .10 ̄ ⁴ mol (base)

•ADIÇÃO DE 0,5mL de NaOH a 0,1M

0,1 mol ---------1000mL


X ---------0,5mL
X= 5. 10̄ ⁵ M

pH = 4,33 + log[0,12 .10 ̄ ⁴ + 5 .10 ̄ ⁵] / [8 . 10 ̄ ⁴ - 5 .10 ̄ ⁵]


pH = 4,33 + log[12,5. 10 ̄ ⁴] / [7,5. 10 ̄ ⁴]
pH = 4,33 + 0,22
pH = 4,55

•ADIÇÃO DE 1,0mL de NaOH a 0,1M

0,1mol ----- 1000mL


X ----- 1mL X= 1. 10 ̄ ⁴ M

pH = 4,33 + log[12,5. 10 ̄ ⁴ + 1.10 ̄ ⁴] / [7,5. 10 ̄ ⁴ - 1.10 ̄ ⁴]


pH = 4,33 + log[13,5. 10 ̄ ⁴] / [6,5. 10 ̄ ⁴]
pH= 4,33 + 0,31
pH = 4,64

•ADIÇÃO DE 1,5mL de NaOH a 0,1M

0,1 mol -----1000mL


X -----1,5mL
X= 1,5. 10 ̄ ⁴

pH = 4,33 + log[13,5. 10 ̄ ⁴ + 1,5. 10 ̄ ⁴] / [6,5. 10 ̄ ⁴ - 1,5. 10 ̄ ⁴]


pH = 4,33 + log[15. 10 ̄ ⁴] / [5. 10 ̄ ⁴]
pH = 4,33 + 0,47
pH = 4,8

•ADIÇÃO DE 2,0mL de NaOH a 0,1M

0,1 mol -----1000mL


X -----2,0mL
X = 2,0. 10 ̄ ⁴ M

pH = 4,33 + log[15. 10 ̄ ⁴ + 2,0. 10 ̄ ⁴] / [5. 10 ̄ ⁴ - 2,0. 10 ̄ ⁴]


pH = 4,33 + log[17. 10 ̄ ⁴] / [3. 10 ̄ ⁴]
pH = 4,33 + 0,75
pH = 5,08

•ADIÇÃO DE 3,0mL de NaOH a 0,1M


Com essa adição, o ácido foi consumido totalmente.

Água destilada 20mL.


*pH da água =7,0 Variação do pH
12
10
Vol. Ad. de 8
NaOH pH 6
4 pH
0,5mL 10,9 2
0
0 1 2 3

pHs obtidos com o uso de um pHmetro.

Para provar que a água não faz um sistema tamponante,


calculamos o pH dela através do pHmetro, o pH foi 7,0. Por
conseguinte, adicionamos 0,5mL de Hidróxido de Sódio a 20mL de
água destilada. Se fosse um tampão, a sua resistência seria 6,0 <
pH água < 8,0, porém o pH aumentou bruscamente para 10,9,
assim, confirmando novamente tese de que a água não forma um
sistema tamponante.

Na adição de ácido (HCl) e base (NaOH) à água verificamos a


ineficiência tamponante da água, visto que há uma grande
variação de pH. A água não constitui um sistema tampão devido a
sua alta concentração molar 55,5 M (55,5mol em 1L)
Discussão a cerca dos cálculos feitos e

dos resultados obtidos no tampão ideal:

Iniciamos a experiência adicionando 10mL de ácido cítrico


juntamente com 10mL de citrato de sódio, ambos a 0,1M, o que nos
proporcionou uma solução-tampão ideal. A partir dessa solução
decidimos mostrar e testar a eficiência tamponante adicionando
0,5mL de ácido clorídrico, resultando em um pH = 4,14.
Inicialmente ficamos confusos, já que o pH inicial medido com o
pHmetro tinha acusado um valor de 4,10. Decidimos mesmo assim
prosseguir com o experimento adicionando 1,0mL do mesmo ácido,
dessa vez, finalmente ocorreu o esperado, o pHmetro nos mostrou
um valor equivalente a 4,08, evidenciando uma diminuição
significativa para um sistema tamponante. Pensávamos que tudo
estava correndo bem e resolvemos colocar mais 1,5mL de ácido
clorídrico. Novamente, para surpresa dos alunos na bancada, o pH
não foi o esperado, tendo como valor 4,12. Como isso já havia
ocorrido anteriormente, decidimos prosseguir adicionando 2mL de
ácido (uma quantidade relativamente alta). O resultado foi o
esperado, presenciamos uma queda brusca de pH, diminuindo 0,22
unidades, sendo essa a maior variação obtida pelo nosso grupo,
resultou-se um pH = 3,9. Por fim colocamos 3mL de ácido (porção
significativamente maior do que a anterior), e obtivemos um pH =
3,85.
Na prática, quando uma solução é preparada cuidadosamente
e seu pH é medido com exatidão, com o uso do pHmetro, observa-
se que o pH medido e os cálculos a maior parte das vezes não se
correlacionam. Uma das razões é que na prática usamos a
atividade do sistema e nos cálculos usamos a concentração.
Como sabemos, o pHmetro mede precisamente a atividade de H⁺,
essa divergência não nos é surpresa. Outra razão, como citada
anteriormente, é a margem de incerteza, presente quando se
calibra o pHmetro e quando manuseado por pessoas.
-A adição de ácido no sistema tamponante ideal, os cálculos
foram, digamos que proporcionais, sem nenhuma surpresa.

Observações importantes a cerca dos



cálculos feitos e dos resultados obtidos no
tampão não-ideal:
-Na adição de base no sistema tamponante não-ideal ocorreu
um “problema”. Nos cálculos, na adição de 3,0mL de NaOH a 0,1M,
o ácido foi consumido totalmente, mas ao rever o assunto,
percebemos que no momento que um ácido ou base conjugada é
consumido totalmente não mais se observa um tampão, deixando
assim um certo desequilíbrio em termos práticos e teóricos
(cálculos).
•Conclusão
A surpresa que tivemos quando adicionamos certa quantidade
de ácido ao tampão ideal foi que, se estávamos adicionando H+, o
valor do pH deveria diminuir. Fato que em alguns momentos não foi
observado. Como já diziam: “Na prática a teoria é outra”. Na teoria
pudemos ter uma suposição do resultado a partir de estudos ou
algo observado em causas e efeitos de outros experimentos, o que
nos deixou intrigados com alguns resultados. Mas isso, de uma
forma ou de outra, nos serviu de aprendizado, mostrando que na
prática as coisas são um pouco diferentes, uma vez que sua
aplicação é sujeita às condições específicas e particulares.
Já que um sistema tamponante resiste à variação de pH
quando lhe for adicionado H⁺ ou OH-. Na prática no laboratório foi
perceptível que o sistema tampão ácido cítrico/citrato de sódio foi
eficiente em não variar bruscamente o potencial hidrogeniônico.
De certo, foi possível compreender as propriedades tamponantes
tanto na prática como na teoria (nos cálculos) e concluir que no pH
inicial de 4,10, existe uma maior eficiência tamponante, já que a
concentração de ácido e base conjugada são iguais.
Percebemos, também, que a água não tem capacidade de
formar um sistema tamponante, devido a sua alta concentração
molar, 55,5 M.
Em suma, uma solução tampão pode ser preparada através da
mistura de ácido ou bases conjugadas fracas e um de seus sais, no
qual ambos têm capacidade de absorver pequenas quantidades de
um ácido ou de uma base sem alterar drasticamente o pH.
•Referências Bibliográficas

-http://pt.wikipedia.org.wiki/pHmetro;
-LEHNINGER, ALBRET LEHNINGER; Princípios de
Bioquímica. 4º Ed .- São Paulo – SAVIER, 2006;
-Irwin H. Segel ; Bioquímica, Teoria e Problemas –
Livros Técnicos e Científicos editora
- USBERCO & SALVADOR; Química Físico-Química
2 – Editora Saraiva – 9ª Ed. Reformulada 2005
(São Paulo)