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UNIVERSIDADE DE SAO PAULO ESCOLA DE ENGENHARIA DE SAO CARLOS i 1 t f /

UNIVERSIDADE DE SAO PAULO

ESCOLA DE ENGENHARIA DE SAO CARLOS

i1 t f / m

lliill i ll V\ 'J I ll l IJJ

0,634 tfm

0~63

'

.

.

~2,00

' . '11-711,18

( o )

( b

)

DA.047

,

~~HlfE,RES '. TOU!I

L3,647

{ tf)

r{.6 47

b ) DA.047 , ~~ HlfE,RES '. TOU!I L 3,647 { tf) r{.6 47 13,225 }

13,225 } .

, ~~ HlfE,RES '. TOU!I L 3,647 { tf) r{.6 47 13,225 } . , CLêSSI

,

CLêSSI -

( tf )

TOU!I L 3,647 { tf) r{.6 47 13,225 } . , CLêSSI - ( tf )

. ô.779

2 2 Edição

47 13,225 } . , CLêSSI - ( tf ) . ô.779 2 2 Edição JOÃO

JOÃO . CARLOS ANTUNES . DE O. E SOUZA HELENA M. ·e. CAflMO ANTUNES

} . , CLêSSI - ( tf ) . ô.779 2 2 Edição JOÃO . CARLOS
} . , CLêSSI - ( tf ) . ô.779 2 2 Edição JOÃO . CARLOS
UNIVERSIDADE DE SÃO PAU LO Reitor: Roberto Leal Lobo e Silva Filho Vice-Reitor: Ruv Laurenti

UNIVERSIDADE DE SÃO PAU LO

Reitor: Roberto Leal Lobo e Silva Filho

Vice-Reitor: Ruv Laurenti

Obra produzida na Escola de Engenharia de São Carlos- EESC

Composição e Edição:

CETEPE - Centro de Tecnologia Educacional para Engenharia da EESC

Impressão:

Serviço Grâfico da EESC

2ª edição -

1995

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA OE ENGENHARIA DE SAO CARLOS

PROCESSOS

GERAIS

DA

"'

,,,.

HIPERESTATICA CLASSICA

JOÃO CARLOS ANTUNES DE O. E SOUZA

HELENA M. C. CARMO ANTUNES

TOOOS 05 DIAEITOS RESERVADOS - Nos termos da Lei que resguarda os Direitos Autorais, é

TOOOS 05 DIAEITOS RESERVADOS - Nos termos da Lei que resguarda os Direitos Autorais, é proibida a reprodução total ou parcial deste trabalho, de qualquer fornia ou por qualquer iaeio - eletrônico ou mecânico, inclusive através de processos Kerográficos, de fotocó- pia e de gravação - sell per•lssão, por escrito, do(s) autor(es) .

Catalogação na

Fonte

-

EESC

Se r viço

-

USP

de

Bibl i oteca

da

S729p SOUZA, João Carlos Antunes de OI iveira e Processos gerais da hiperestática clãs sica/Joâo
S729p
SOUZA,
João Carlos
Antunes
de
OI iveira e
Processos gerais da hiperestática clãs
sica/Joâo Carlos Antunes de OI i ve i r a ~
Souza, Helena Maria Cunha do Carmo Antu-
nes. São Carlos: Escola de Engenharia
de
São Carlos,
Serviço Gráfico,
1992.
346p.
ISBN
85- 85205 -02 - 4
1.
Estruturas
-
Estática
1.
Titulo.
CDD - 6 2 4 .1 7 1 5

PREFÁCIO

 

Er. te

livro ,

como

o

publicado

"Processo

de

Cross"

e

os

em

fase

de

preparação ,

"Técnicas

Computacionais

na

Estática

das

Estruturas"

e

"I ntrodução

à

pretende

ter

um

caráter

didát i co,

apresentando

tratados se m cornpl i cações desnecessárias,

Isostáti c a" ,

tópicos senrl o ,

os

mas

entretanto,

c onscientemente

prolixo

co mo

muitas

v e r. es

o

processo

de

ensino

necessita

ser.

Os

processos

aqui

tratados são gerais tanto no aspecto da aplicabilidode a

no de poderem ser idéia ;

encarados

qualquer

mesma di sc ip lina

Escola de Engenharia de São

Estática das Estruturas na

como correspondem a

tipo

de

estruturas

quanto

de

variações

alguns

d os

duais

temas

woa

abordados

na

carlos,

a

par

com

processos

de

uso

restrito, como os de

Cross

e

de

Propagação,

e

antecedendo todo o desen volvimento

matri~]al visando a

programação em computador.

São Carlos ,

março

Os Autores

de

1992

  r N D 1 e E   1. 1 NT ROOUÇ ÃO · ·
 

r

N

D

1 e E

 

1.

1NT ROOUÇ ÃO

·

·

·

-

• ·

·

·

·

·

·

·

• ·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

- ·

·

·

·

- ·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

l. 1.

OBJETIVOS

l.ERA IS

• •

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

1

1. 2.

ESTRUTLJRllS

LI NF.ARF.S

.

.

.

.

.

.

.

.

2

I.3 .

O

MÉTODO

CLÁSS TCO

 

2

1. ~.

li

~[Jl'F.HPn~; 1çiio IW F FE r·r·o~:

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

7

2.

O PR 1NCfP1 O DOS TR ARALHOS V 1RTLJA 1S F SUAS API 1CACõFS

9

2.1.

CONSTDERAÇÕFS

GFRAIS

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

• ••

9

2. 2.

o

PRINC1 PIO

Dor;

THABALHOS

VIR'flll\IS

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

'J

2.1.

POSSIBILIDADES

DE

J\PLICAÇÃO

 

DO

PRTNCiPTO

DOS

 
 

TRABALllOS

VIRTlll\ I S

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

2 l

2.1.1.

Cálculo

de

deslocamentos

em

estruturas

 
 

isostáticas

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

22

 

2.1.2. Seleção

de

uma

 

equação

de

equilíbri o

 
 

2.1 .l.

numa

estrutura

isostáti ca

o

teorema

da

reciprocidade

.

.

.

.

dos

.

. t rabalho s

.

.

.

.

.

.

.

27

 

ou

Teorema

de

Betti

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

 

.

 

.

.

 

.

.

32

 

2.3 . 4.

O teorema

da

reciprocidade

dos

 

desloca-

 

mC'ntos

ou

Teorema

de

 

Ma x wrl

1

.

.

.

.

.

 

.

.

.

.

.

34

3

.

CALCULO DE DESLOCAMENTOS EM ESTRUTURAS I SOSTAT I CAS

 
 

US UA i S

 

37

3.1.

CONSIDERAÇÕE S

GERAIS

.

•.•

.

.

.

.

.

.

.

.

•••

.

.

.

.

.

.

.

.

3 7

3. 2.

DESLOCAMENTOS

EM

TRELIÇAS

PLANAS

IDEAIS

 

.

.

.

.

38

 

3.2.1.

A treliça

plana

ide a l

 

.

.

.

38

J .2 .2 .

Exemplo

l

40

J. 2.3 .

Exemplo

2

4 9

 

3

.

J

.

DESLOCAM E NTOS

EM

ESTRUTURAS

 

PLANAS

 

FLETIDAS

 
 

USUAIS

55

J.J .1 .

Estruturas

planas

fletidas

 

usuais

 

.

.

55

l.J .2.

Exe mpl o

l

-

Integração

 

analítica

 

.

.

.

.

.

.

63

  3 . 3 . 3 . E x e m p l o 2
 

3.

3. 3.

Exemplo

2

-

Integração numérica

 

66

3.

3.4.

Exemplo

3

-

Integração

utilizando tabelas

72

3. 4.

DESLOCAMENTOS

EM OUTROS

TIPOS

DE

ESTRUTURA

84

3.

4 .1.

outros Tipos usuais de estrutura

 

84

3.

4. 2.

Exemplo

1

-

Pórtico

atirantado

 

84

3.

4. 3.

Exemplo

2

-

Viga com vínculos

elásticos

87

3.

4.

4.

Exemplo

1

-

Grelha

.

--

-

. -

90

4.

O

PROCESSO DOS ESFORÇOS

• ·

·

• • ·

• ·

· • • • • ·

·

· • • • • · • • • • ·

·

95

4. 1.

CONSIDERAÇÕES

GERAIS

 

95

4.2.

O PROCESSO

OOS

ESFORÇOS

APLICADO A VIGAS

 

101

 

4.2.1.

Detalhes característicos das vigas

101

4.2.2.

Exemplo 1 .•.•

 

103

 

4.2.2.1.

Resolver

a

viga

submetida

ao

 

carregamento dado

 

104

 

4.2.2.2.

Resolver a

viga

submetida

a

uma

 

variação de temperatura

 

••.

114

 

4.2.2.1.

Resolver a

viga submetida are-

 

calques

de

apoio

 

121

 

4.2.J.

Exemplo

2

••

•.•

128

 

4.3.

O PROCESSO

DOS

ESFORÇOS

APLICADO A PóRTICOS

 
 

PLANOS

 

134

4.3.1.

Detalhes

característicos

dos

pórticos

 
 

planos

 

134

 

4 . 3. 2.

Exemplo 1

 

136

 

4.3.2.1.

Resolver o

pórtico

submetido ao

4 .3 .2.2.

carregamento dado •.• Resolver o pórtico para efeito

138

 

de

recalque de apoio

 

142

 

4.1.2.3.

Resolver o

pórtico para efe ito

 

de

variação

de temperatura

 

144

 

4 .

3 .

3 .

Exemplo

2

•.•

 

149

4.4.

O PROCESSO

DOS

ESFORÇOS

APLICADO A GREI.J{AS

 

157

4.4.1 .

Detalhes

característicos das qrelhas

 

157

4. 5.

4 . 4.

2

Exemplo

1

.

-

·

·

·

·

·

·

·

161

4 . 4. 3.

Exemplo

2

- -

· · · ·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

·

165

4 . 4.4.

Cálculo

de

grelhas desprezando

a

rigidez

à

torção das

barras

 

···

·

·

·

169

4.

4. 5.

Exemplo

3

176

O PROCF.SSO

DOS

F.SFORÇOS

APLTCADO

AOS

ARCOS

 

.

.

.

181

4.5.1.

o

que

caracteri z a

um

arco

.

181

4.

'> . ;,>.

'J' i pos

u,;11;i i

s

de

a

r-c o,;

.•

4.

5

.

3 .

Exemplo de

def in .i ção de

eixos

de

ar cos

1 87

4.5.4.

Formulários

 

para

arcos

h i perestáL icos

usuais

 

· - · · · ·

·

·

·

·

·

·

·

·

188

4.5 .4. 1.

Convenções

 

.

.

.

188

4.5.4 . 2.

Arco

biarticulado

simétrico

.

.

1 90

4.5.4.3

.

Arco

atirantado

simétrico

 

.

1 95

4.5.4.4

.

Arco biengastado

simétrico

199

 

4.5.5.

Casos

usuais

de

inte g ração em arcos

 

20 8

4.

5. 6 .

Exemplo

1

-

Integração

analítica

 

209

4.5. 7 .

Exemplo

2

-

Integração numérica

 

215

4.

5 .8.

Exemplo

3

-

Variação

imposta

de

EI

 

223

4. 5. 9 .

Exemplo

4

-

Arco

prismático

por

trechos

 

229

4.5.10.Exemplo

5

-

Adaptação

para

pórticos

 
 

simétricos

 

234

 

4.

5 .11.0bservações

adicionais

 

.

.

240

4

.6.

O PROCESSO DOS ESFORÇOS APLI CADO ÀS 'l'R EI. IÇAS

 
 

PLANAS IDEAIS

 

246

4.6 . 1 .

Detalhes característic os da treliça

 
 

plana

ideal

 

·

246

 

4 . 6. 2.

Exemplo

l

.

.

.

·

·

·

·

·

248

4.7.

O PROCESSO

DOS

ESFORÇOS

· APLICADO A ESTRUTURAS

 

MISTAS

 

• •

255

4.

7. l.

Estruturas mistas

usuais .

 

255

4 . 7 .

2.

Exemplo

l

-

Viga

sobre

apoios e lá sticos

255

4.

7.3 .

Exemplo

2

-

Pórtico

treliçado

··

260

5. O PROCESSO DOS DESLOCAMENTOS 5 . 1 . 5 . 2 . 5 .

5. O PROCESSO DOS DESLOCAMENTOS

5 .1.

5. 2.

5. J.

4.

5.

5.

5.

CONSIDERAÇÕES GERAIS

EXEMPLO

DE

APLICAÇÃO

EXEMPLO

DE APLICAÇÃO

EXEMPLO

DE APLICAÇÃO

EXEMPLO

DE

API.ICAÇÃO

6. O PROCESSO M 1STO

• .

.

.

.

• .

.

A

A

A

A

. •

• .

.

.

.

.

.

••••··••••••••••······

VIGAS

PóRTICOS

TRELIÇAS

GRELHAS

• .

PIANAS

-

• • .

.

. •

"'

. •

IDEAIS

.

• .

267

267

273

277

284

 

289

.

.

.

.

297

 

297

302

6. 1.

r;oNSIDERAÇÕES GERAIS •• • •••

6.2.

EXEMPLO DE PÓRTICO PLANO

7. Sltvf>LIFICACOES DEVIDAS

A SIMETRIA·················

309

7. 1 . CONSIDERAÇÕES GERAIS

 

• •

 

309

7.2. REDUÇÃO

DA

ESTRUTURA

312

7.3. EXEMPLO 1 - PÓRTICO PLANO SIMÉTRICO ••••••

 

318

7.4. EXEMPLO 2 - GRELHA COM DOIS EIXOS DE SIMETRIA.

324

7.5. EXEMPLO 3 - VIGA VIERENDELL

 

333

8. BIBLIOGRAFIA

· · · .•.

• ·

• • ·

·

·

·

.

• .

.

.

.

.

• .

.

• .

. • • • •

• •••••

339

PROCESSOS GERAIS DA HIPEREST ATICA CLÁSSICA

1.

l

.

OH,J E'!' I VOS

G ERAJS

CAPITULO 1

INTRODUCÃO

Esta

publicação

pretende

ter

um

caráter

didático

de

introdução

à

hiperestática

clássica

de

estruturas

lineares,

discutindo

hipóteses de cálculo , c omportamento df> estruturas

e

process os

simplificações

gera i s

para

estruturas

utilizando

mas aplicá veis a qualquer

usuais,

de cálculo

muito simples

tipo

de

estrutura

linear.

Os

proc essos

aqui

tratados ,

que

poderiam ser c olocados

c omo u m úni c o proc esso geral de solução de uma estrutura a

partir de outra suposta conhec ida, incluem o processo dos

esforços, o dos deslocamentos e o misto . o proc esso do s

esforços tem um caráter apropriado para uma introdução à

hiperestútica, permitindo, em sua ci.plicação mais simples,

resolver estruturas hiperestáticas recaindo no cál c ulo

elementar

desl oc a me n t os ,

sua s i mplic idade,

automatizaç ão

hiperestáti c as recaindo no c ál c ul o de estrutur~s c om maior

grau de hiperestatícidade,

até tabeláveis.

demonstrativo

dos

tem como maior v antagem a

posterior

estruturas

de

estruturas

dual

o

do

isostáticas.

ideal

O

processo

uma

anterior ,

o

torna

que

para

c omputacional ;

O

mas

processo

uma

resolve

simples ,

tem

mais

misto

e ventualmente

caráter

sendo

apenas

de

o

de

generali z ação

idéias ,

vantajoso

Todos

a penas

os

em

inúmeros

alguns

c asos

processos

particulares. partic ulare s ,

aplicáveis

1

8 CAPfTULO li O PRINCIPIO DOS TRABALHOS VIRTUAIS E SUAS APLICACõES 2.1. CONSIIJEHAÇÕES GERAIS O

8

CAPfTULO li

O PRINCIPIO DOS TRABALHOS VIRTUAIS E SUAS APLICACõES

2.1.

CONSIIJEHAÇÕES

GERAIS

O Princípio dos Trabalhos Virtuais, ou Teorema dos

Trabalhos Virtuais, doravante apelidado de P.T.V . , é o único teorema da energia realmente essencial ao desenvolvimento de

estática c lássi c a; diversos outros teoremas que

venham, por questão de síntese , a ser utilizados, serã o

demonstrados a partir

de equ ilibrio po dem ser demonstradas a ou o P. T . V. pode ser demonstrado, agora

partir do P. T. V. ,

como teorema , não como principio, a partir das condições de equilíbrio; optar-se-á por esta última versão, por mera

questão de se ter em geral uma previa assimilação, em caráter mais intuitivo, das relações de equilíbrio .

A utilidade essencial do P.T. V. será a de permitir

interessantes transformações de problemas eminentemente

geométricos em problemas estáticos e vice-versa, fornecendo

simples

alternativas

situações .

toda a

dele .

As

condições

extremamente

e

eficientes em diversas

2.2.

O PRINCÍPIO

DOS

TRABALHOS

VIRTUAIS

Seja

definida

uma

estrutura

linear

definidas suas vinculações, vínculos externos.

isto é,

suas

qualquer

ligações

e

estejam

internas e

Seja

um

estado

de

forç a s

(a)

sobre essa estru~ura,

com

9

j

CAPíTU

O

111

CÁLCU

O

DE OESLOCAtvENTOS EM ESTRUT~AS ISOSTATICAS USUAIS

3.1.

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Conforme discutido no capitulo II, item 2.3.1, dado um

estado de

deslocamentos ( b), real mas satisfazendo as

hipóteses

do

Método

Clássico, conhecido a partir das

deformações dub, dvb e coaprimento ds situado

por uma causa física qualquer, é possível utilizar o P.T.V.

para calcular qualquer tipo de deslocamento dos pontos da estrutura. Para isso cria- se ua estado de forças (a), com "forças externas" convenientes e criteriosamente escolhidas

de forma que, se se impuser o estado de deslocamentos (b) ao

(a), seu trabalho, o trabalho externo , seja

estado de forças

d~b de um elemento infinitesimal de numa posição genérica I, provocadas

exatamente igual ao deslocamento que se quer medir. Se a estrutura for isostática, ter-se-á waa única distribuição de

esforços inte:rnos, tendo-se, em .§., Nª , V• e M• . Do P. T. V. , então, ter-se-á:

ou:

III,

T

••l

T

• "l

T lnl

J

N

e• t. r

du

b

+ J

ealr

V

dv

b

+ f

••tr

M

d.b

(3.1)

O que se pretende, em todo o transcorrer deste capitulo é detalhar a aplicação da expressão (3.1), tanto para o

37

94

CAPITU

O

IV

O PROCESSO DOS ESFORÇOS

4.1.

CONSIDERAÇÕES

GERAIS

o processo dos esforços é certamente o processo mais simples para resolver estruturas hiperestáticas, rompendo a

das reações nesse hiperestática as

condições de equilíbrio não são suficientes para determinar esses esforços internos e reações; existem infinitas possibilidades de se ter equilíbrio, donde a necessidade . de se gerar equações adicionais, provenientes de hipóteses adicionais, para resolver o problema; essas equações adicionais se caracterizarão, no caso da estática clássica, como condições de compatibilidade, ou condições de coerência

de deslocamentos, donde a ênfase que se deu, no capítulo anterior, ao cálculo de deslocamentos. O processo dos esforços se caracteriza essencialmente por se procurar determinar esforços em número igual ao grau de indeterminação estática, ou grau de hiperestaticidade; conhecidos esses esforços, arbitrados como incógnitas hiperestáticas, com as condições de equilíbrio se determinam os diagramas de esforços internos e as reações.

indeterminação dos esforços internos e

tipo de estruturas. Numa

estrutura

95

Existem diversas possibilidades de se formular esse processo dos esforços, partindo de diversos teoremas da energia, explorando mais diretamente o P.T.V. na geração das condições adicionais de compatibilidade, ou então explorando ao máximo a superposição de efeitos com o uso indireto do

P.T.V. no cálculo de deslocamentos. Dada a clareza e a simplicidade dessa última versão, sem que haja qualquer perda de generalidade no tratamento de problemas da estática clássica, optar-se-á por ela no decorrer deste capítulo; mais ainda, aqui serão resolvidas estruturas hiperestáticas

recaindo no cálculo de estruturas isostáticas, conhecidas e solucionáveis só com as condições de equilíbrio; nada impediria entretanto que se resolvesse estruturas hiperestáticas recaindo no cálculo de outras estruturas hiperestáticas mais simples, de cálculo suposto conhecido,

onde já tivessem entrado, além das condições de equilíbrio, também algumas condições de compatibilidade. Seja o caso então de se resolver uma estrutura com grau de hiperestaticidade n, submetida, num problema (r), real, a uma solicitação externa qualquer. Retirando-se n vínculos,

de tal forma que a estrutura resulte isostática, o problema ( r) não se altera desde que se substituam esses vínculos pelos n esforços correspondentes F , F , ••. , F , ••• , F . Esses esforços são de início desconhecidos, incógnitos, mas qualquer que seja o seu valor haverá equilíbrio já que se manteve a estrutura como isostática.

O problema (r), real, pode ser pensado agora como um conjunto de solicitações numa estrutura isostática; esse conjunto incluiria, além da solicitação externa, também cadâ um dos F J Valendo a superposição de efeitos, esse problema real

(r) pode ser expandido numa soma de problemas sobre a mesma estrutura isostática, cada um dos quais correspondendo a uma dessas solicitações; assim, a solicitação externa estaria

1

2

J

n

96

computada sobre a estrutura isostática, chamada de estrutura básica, num problema chamado (o); a esse problema (o~ deveriam ser superpostos problemas correspondentes a aplicação de cada um dos F , separadamente; valendo a

J

F

superposição de efeitos, entretanto, o valor numérico de J pode ser colocado em evidência, e seria superposto um problema (j), correspondente a uma carga unitária na direção

e sentido de F 1 , multiplicado pelo valor numérico de F,.

Assim 0 problema real hiperestático ( r) pode ser colocado isostáticos;

como uma combinação linear de problemas

formalmente:

(r)

( o)+

F

1

(1)

+

+

F

J

(j)

+

+

F 0 (n)

o que

para

se

pretende

dizer com a

E

)

expressão

formal

qualquer

deformação,

efeito

etc

(carga,

deslocamento,

que,

interno,

tem-se que:

( 4. 1)

(4.1)

esforço

é

E

r

E

o

+

F

1

E

1

tem-se que: ( 4. 1) (4.1) esforço é E r E o + F 1 E

( 4. 2)

C onhecidos

E

o

,

E

t

,

••• ,

E

J

,

••• ,

E

n

,

por

se

tratarem

de efeitos de causas determinadas em estruturas isostáticas,

o

problema é

Da

só o de determinar os

( 4. 2) ,

observe-se

F 1

que

equação

se

terá

uma

equação

envolvendo os F toda vez que se conhecer alguma coisa do problema real (r); ora, sabe-se do problema real (r) que os

vínculos retirados existem, ou tudo deve se passar como se existissem, isto é, os deslocamentos na direção dos vínculos retirados são definidos , nulos ou não, mas definidos.

de

deslocamento

de

prescrito,

deslocamentos", poderão ser escritas, levando em conta a

J

Chamando

no

de

6

Jk

o

(k),

deslocamento

essas

na

direção

de

e

sentido

FJ

problema

ou

de

condições

ou

de

compatibilidade,

"coerência

(4.2),

como:

97

c5

c5

c5

1 r

J

r

nr

c5

c5

c5

10

Jo

no

+

+

+

F

F

F

1

1

1

c5

c5

.

c5

11

Jl

nl

+

+

+

••• . +

.

.

.

.

.

.

+

+

F

F

F

J

J

J

'5

c5

.

'5

1

J

J J

n

J

+

+

+

+

+

+

F

F

F

n

n

n

'5

c5

.

c5

1 n

Jn

nn

(4.3)

Sendo

os

J

c5

prescritos e

os

c5

,

p/k

=

O;

1; ••• ;

n,

Jr

Jk

deslocamentos

em

estruturas

isostáticas,

a

solução

do

sistema linear

( 4 • 3 ).,

de

n equações

a

n

incógnitas ,

pennite

calcular os F •

 

Tendo

os

F 1 ,

o

problema

( r) ,

que,

como

se

disse,

poderia ser pensado

como

isostático,

estará

plenamente

resolvido. Convém observar

no cálculo dos deslocamentos

c5 Jk do estado de deslocamentos (k), correspondente ao problema (k), o problema (j) é exatamente o estado de forças conveniente para calcular esse deslocamento na direção e

sentido de F 1 ,

ainda que

com o

P.T.V ••

Convém

observar

tambéa

que

os

esforços

F J

correspondem a qualquer tipo de vínculo, externo ou interno;

o único requisito básico é que, para preservar as condições

de equilíbrio, ao serem retirados esses vínculos a estrutura

deva resultar

grau

de hiperestaticidade igual a 2, da fig. 4.1.

isostática.

caso,

por

Seja

o

exemplo,

de

resolver

a

viga

com

caso, por Seja o exemplo, de resolver a viga com Fig. 4.1 - Exemplo 98 esforços

Fig. 4.1

-

Exemplo

98

esforços

correspondentes as reações nos dois apoios internos, isto é,

retirando os dois vínculos correspondentes a esses apoios e

substituindo-os pelos esforços correspondentes, ter-se-ia,

Escolhendo

'

como

"incógnitas hiperestáticas"

os

'

para resolver o problema (r) correspondente a viga da fig. 4.1, o "esquema de solução" da fig. 4.2:

da fig. 4.1, o "esquema de solução" da fig. 4.2: Ili ~p; (r l (r) (0)

Ili

~p;

4.1, o "esquema de solução" da fig. 4.2: Ili ~p; (r l (r) (0) ( ll

(r

l

(r)

(0)

( ll

de solução" da fig. 4.2: Ili ~p; (r l (r) (0) ( ll Fig. 4 .

Fig.

4 . 2

-

Esquema

de

saluçilo

Com esse

esquema

de

solução,

(r)

(0) ( ll Fig. 4 . 2 - Esquema de saluçilo Com esse esquema de solução,

99

para

o

exemplo

formalmente

se

colocou:

Co11<> condições

-

o

o

de coerência de deslocamentos

tea-se:

ou então:

{

o = 6

o

6

10

20

+

+

F

1

F

1

6

6

1

1

2 1

+

+

F

6

2 1 2

F

6

2 22

Calculados tea-se F 1 e F 2 ;

real, consiste apenas em resolver o problema isostático da

fig. 4. 3.

os

6 Jlt

e

F 1

resolvido

e

F 2

a

o

sistema

do

de

equações,

(r)

tendo

solução

probleaa

Fi9

4' . 3

-

Problema

real

isostdtico

Essa idéia é aplicável a qualquer tipo de estrutura, fazendo-se necessárias apenas algumas considerações sobre a

determinação estática de casos particulares de estrutura e sobre técnicas de cálculo de deslocamentos; nos itens

subsequentes, além dessas considerações se procuraril discutir cada tipo de estrutura e sua função, cada tipo de solicitação capaz de provocar esforços internos e as

diversas possibilidades de solução; além dos carregamentos externos, como se verá, inúmeros outros tipos de solicitação poderão provocar esforços internos, o que não acontece com

100

as estruturas isostáticas; recalques, variação de tempratura, retração do material, defeitos de fabricação, etc .•. afetarão muito mais as estruturas hiperestáticas que as isostáticas, onde esses fenômenos só provocam a deformação livre da estrutura.

4.2.

O PROCESSO DOS ESFORÇOS APLICADO A VIGAS

4.2.1.

Detalhes característicos

das vigas

Uma viga é definida como uma estrutura plana, simétrica

em relação a um plano, com eixo aproximadamente retilíneo, cargas normais ao eixo, no plano, e vínculos que não introduzam solicitaçôes axiais.

Do ponto de vista da determinação geométrica da posição das diversas chapas interligadas que constituiriam uma viga, cada chapa necessita de dois vínculos normais ao eixo e no plano para fixar sua posição.

Do ponto de vista da determinação estática dos esforços

internos e reações na mesma chapa, dispõe-se apenas de duas

equações de equilíbrio relevantes, com as quais se

determinariam os esforços nas barras que vinculam as chapas.

A fig. 4. 4 contém um apanhado de vinculações em suas

representações usuais e o seu significado em termos de

barras vinculares equivalentes.

Assim, uma viga constituída por g chapas interligadas

por R barras vinculares, poderia ser classificada em termos de determinação geométrica, dependendo da relação de Q para Q, da seguinte forma:

b

<

2c

viga geometricamente

indeterminada

b

2c

viga geometricamente determinada

b

>

2c

viga

geometricamente superdeterminada

101

ENGASTAMENTO

APOIO

APOIO

FIXO

MÓVEL

1

j;;·

Jt

""""'

ARTICULAÇÃO

---0--

CONTINU 1OAOE

Fi9. 4.4 - Vinculações

~

equivalentes

em

-

ll

1

1

---,

u_

vi9as

Similarmente se poderia fazer também a

ponto de vista

da

determinação estática:

b

<

2c

viga hipostática

b

2c

viga isostática

b

>

2c

viga hiperestática

classificação do

o interesse na estática clássica se restringe apenas

aos casos em que b ~ 2c. Se b = 2c

geometricamente determinada e isostática: se b > 2c, sobra• vínculos: o número de vínculos que sobram é chamado "grau de

hiperestaticidade" ou "grau de super-determinação geométrica". Essa contagem de vínculos não é sempre conclusiva por depender do posicionamento dos vínculos: além disso, convém observar que se uma estrutura for geometricamente

determinada ela será isostática para qualquer carregamento; entretanto, mesmo geometricamente indeterminada ela poderá ser isostática, óu mesmo hiperestática, para particulares

a

estrutura

é

102

carregamentos. Seja, como exemplo, o caso de hiperestaticidade h da viga da fig . equivalentes estão detalhadas na fig.

determinar

4.5.a.

4. 5 .b.

As

grau

vinculações

de

o

Fig

4.5

o

::&

""7

1a1

11 1 1
11
1
1

1b1

-

E.emplo

de

cálculo

do

9rau

de

hiperestaticidade

 

Da

fig.

4.5.b,

tem-se:

c

2

b

2c

4

n

b

=

6

onde

b

é

o

número

de

barras

vinculares

necessário

para

a

n

determinação

geométrica

ou

estática.

Sobram

portanto

dois

vínculos e

então:

 
 

h

2

ou,

o

grau da hiperestaticidade

da viga

é

igual a

2 .

4.2.2.

Exemplo

1

se

pretende resolver de diversas maneiras computa.ndo os efeitos

de

seja a

viga em perfil

único de

aço

da

fig.

4.6,

que

diversas causas.

103

4.2.2.1.

~=

l

lt /m

rr1r1 11 ' 11 ITTTI

Á1

+--

lOm

:A2

-+

lOm

lOm

l lt /m rr1r1 11 ' 11 ITTTI Á1 +-- lOm :A2 -+ lOm lOm E=

E= 2 100

a= i6 5

lf I cm 2

ºc- 1

 

I

=37000 cm 4

.

h

=46cm

F i9 .

4.6

-

Exemplo

l

-

Estrutura

e

carregamento

Resolver

a

viga submetida ao carregamento dado

Para resolver a viga da fig. 4.6, submetida ao carregamento esquematizado nessa mes•a figura, existiriam infinitas possibilidades, dependendo dos vínculos a sere• retirados;uma la. solução, que seria quase uma tendência natural, seria obtida retirando os vínculos correspondentes aos apoios internos; uma 2a. solução, entretanto, também simples, seria obtida retirando os vínculos que trans•item momento na viga sobre os apoios internos; essa última solução terá diversas vantagens sobre a primeira.

 

la.

SOWÇÃO

a)

Esquema

de

solução

Esse

esquema,

obtido

retirando

os

vínculos

carrespondentes

aos

apoios

internos,

consta da

fig.

4.7.

104

aos apoios internos, consta da fig. 4.7. 104 ' 1 1 1 r 1 r1 1

'

1 1 1r 1 r1 1 1 1 1rm

ITIIllf 1*i 1JllD

101

~~~----------~,-1-----------------------"""7?~1i. Ili

A

Fig . 4

7

-

Esquema

para

a

i!!. solução

Com esse

esquema de

solução

(r)

b)

=

(o)

+

Condições

F

l

(1)

+

F

2

(2)

de coerência

de

 
  o

o

o

ou:

 
  6 + F 6 + F 6

6

+

F

6

+

F

6

10

1

11

2

12

6

+

F

6

+

F

6

20

l

21

2

22

formalmente

se

deslocamentos

o

o

105

121

tem:

c)

Cálculo de deslocamentos

 

Para

calcular

o

deslocamento

c5

na

 

Jk

de

FJ

no problema

(k)

tem-se:

direção

e

sentido

estado de deslocamentos ~ problema (k)

estado de forças

~problema (j)

Do

P.T.V.:

J

e•lr

M.,

M 1 "EI"°

ds

para a estrutura

partição para viabilizar o uso da TABELA 1:

Sendo

EI

constante

Elc5 J li

M M ds

o

J

Os

esforços

M 1

constam da

fig.

4.8.

e

Mk,

para

j

1:

e

prevendo

 

uma

2

e

k

o:

1:

2,

+ 10.

Com o

uso conveniente da

TABELA

1:

Eic5 to

1

10.-3-.6,667.83,33

!

[6,667(2.83,33+66,67)

+

+

1

10.-3-.6,667.12,50

+

3,333(83,33+2.66,67)]

+

+ lo.-}-.12,50(6,667+3,333)

+

lo.--}-.3,333.66,67

7083,3

Eic5 20

1

10.-3-.3,333.83,33

+ 10.-i-

[3,333(2.83,33+66,67)

+

+

1

10.-3-.3,333.12,50

+

6,667(83,33+2.66,67)]

+

+

10.

~ .12,so(6,667+3,333)

Eic5 1 1

10 . --}-.6,667 2

 

+

10.--}-.6,667.66,67

6666,7

+

10.-i-(6,667 2 +6,667.3,333+

~ 6,667 444,4 ~ 6,667 Fi9 4 8 - Momentos fletores nos diversos problemas 106
~
6,667
444,4
~
6,667
Fi9
4
8
-
Momentos
fletores
nos
diversos
problemas
106
107

EH 22

EH 1 2

+3,333)

+

EH 1 1

444,4

(por simetria)

10.-j-.3,333.6,667 + 10.~.[3,333(2.6,667+

6,667(6,667+2.3,333)]

+ 10. ~.6,667.3,333

388,9

EH 21

EI6 1 2

d)

Solução

do

Multiplicando

altera:

então:

388,9

 

(pelo

teorema

de

Maxwell)

sistema

de

equações

 

todas

as

equações

por

EI

a

solução não se

l 7083,3

6666,7

+

+

444,4

388,9

F 1

F 1

+

+

388,9

444,4

F 2

F 2

o

o

donde:

F 1

F 2

-12,000

-4,500