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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS


DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E POLÍTICA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – 2009.2


Autor: Francisco Augusto Cruz de Araújo
fcaugusto@gmail.com
http://lattes.cnpq.br/8678742403334115

Título: “Tá lá um corpo estendido no chão”: um estudo de caso do


Linchamento em Areia Branca – RN

Resumo: Esta pesquisa baseia-se no estudo de um caso de linchamento


ocorrido no ano de 1993 no município de Areia Branca, localizado na
região oeste do Rio Grande do Norte. O linchamento ocorreu algumas
semanas após o carnaval daquele ano, como conseqüência a um caso de
violência sexual seguido do esquartejamento contra uma jovem de 14 anos
de idade no ultimo dia de carnaval, causando grande comoção na
população daquela cidade. Após alguns dias de investigação três suspeitos
do crime foram presos pela polícia e logo em seguida uma multidão de
aproximadamente duas mil pessoas capturou os acusados dentro da
delegacia e realizou o linchamento em via pública diante das câmeras de
televisão e de jornais. Apenas um suspeito sobreviveu, ficando com fores
seqüelas. Neste trabalho reconstitui-se a partir de registros jornalísticos o
cenário em que o linchamento ocorreu na referida cidade, bem como
reflete-se acerca dos fatores que influenciaram a comunidade a praticar
“justiça com as próprias mãos” à revelia do poder legal. Como
procedimento metodológico, esta pesquisa estruturou-se a partir de
narrativas publicadas em várias edições de dois jornais de circulação
regional que participaram da cobertura do linchamento: o Jornal Gazeta do
Oeste e O Mossoroense. Entre os registros publicados pelos jornais estão
fotografias, entrevistas com pessoas ligadas ao caso – parentes das vítimas,
policiais, advogados e padres –, além de artigos de opinião e reportagens
que revelam a admissão e naturalização desta forma de controle social. Tais
fontes jornalísticas forneceram-nos informações suficientes para a
reconstituição do cenário em que o linchamento aconteceu e pôde revelar a
“justiça popular” como uma iniciativa privada para a solução de conflitos
cotidianos desencadeados por fatores importantes como: o descrédito da
sociedade nas Instituições de Segurança e Justiça, o crescente sentimento
de medo e insegurança ligados à violência social, além de certas exposições
a situações de pobreza e miséria. Conclui-se que ações de indivíduos
baseadas eminentemente em meios cruelmente violentos, sob respaldo de
muitos setores da mídia, constroem junto aos leitores, ouvintes e/ou
telespectadores uma falsa idéia de “justiça” e “cidadania” contrária a
importantes valores como a preservação da vida e respeito aos Direitos
Humanos, o que demonstra o importante papel dos meios de comunicação
na formação da opinião pública.

PALAVRAS-CHAVE: violência; linchamento; controle social; mídia